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"A violência contra a mulher no Brasil e na América Latina: uma

análise à luz dos Direitos Humanos"

Valnêda Cássia Santos Carneiro.1

Resumo: A mulher, no contexto da sociedade latino-americana, ainda é portadora de


diversos traços que marcam sua fragilidade factual perante os homens, tanto sob o
aspecto físico, quanto sob a ótica familiar e econômica. Por outro lado, os países do
continente americano têm apresentado significativos avanços no combate desta
condição, através de políticas públicas de cunho legal e administrativo, que reconhecem
a realidade vivida pela mulher e demonstram o compromisso institucional de modificá-
la. Neste contexto, o Brasil apresentou avanços neste quadro, tendo como mais recente a
promulgação da lei Maria da Penha, mas sem serem desprezados outros marcos, mais
remotos, como a promulgação da Constituição Federal de 1988 e do Código Civil de
2002. O objetivo deste artigo é apresentar para a comunidade científica o retrato destes
avanços e o seu impacto em resultados sensíveis na realidade jurídico-social no Brasil.
Para tanto, foi realizado um levantamento histórico da condição feminina desde os
primórdios da colonização até o presente momento. Verificou-se, em síntese, que a
superação da desigualdade feminina encontra-se mais localizada no prisma cultural que
propriamente jurídico - embora este seja da mais alta relevância - possível de ser
alcançada pela difusão da consciência sobre os direitos humanos e da mulher neste
contexto.

Palavras-chave: mulher; relações de gênero; Brasil; direitos humanos; evolução


legislativa; políticas públicas.

1. Introdução.

A violência baseada no gênero – incluindo o desrespeito, a violência doméstica, a


mutilação, o assassinato, e o abuso sexual - é um problema social de profunda
significação para mulheres através do globo. Embora uma causa significativa de
mortalidade, violência com base no gênero quase nunca é vista como uma problemática
relacionada às políticas públicas.

1
Doutoranda em Direito pela Universidade de Lisboa, Mestre pela Universidade Católica do
Salvador, Bacharela em Direito e Licenciada em Letras Vernáculas pela mesma Instituição. Professora de
Direito Civil e Linguagem Jurídica, Coordenadora do Curso de Direito e da Pós-Graduação da Faculdade
2 de Julho, Coordenadora do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos - Eixo Ensino Superior
e Assessora Jurídica do Tribunal de Justiça da Bahia.
A violência focalizada na mulher representa também um obstáculo escondido ao
desenvolvimento econômico. Ocorre a dispersão da energia das mulheres, minando sua
confiança e privando a sociedade de uma maior participação feminina. O Fundo Unido
das Nações para as Mulheres (UNIFEM) observou, recentemente, que as “mulheres não
podem se dedicar inteiramente ao trabalho ou a idéias criativas se tiverem que lidar com
as cicatrizes físicas e psicológicas do abuso” (Carrillo, 1992, p. 34).

A atenção internacional sobre o problema, entretanto, advém do atraso de duas décadas


após as feministas terem iniciado os trabalhos em torno da violência com base no
gênero. Observa-se que, de país a país, as discussões em torno do problema foram
iniciadas socialmente, passando-se para o nível acadêmico e, em seguida, para as leis
internas.

No caso brasileiro, a Constituição Federal de 1988 estabeleceu políticas públicas em


favor das mulheres, sobretudo com a considerações de novos arranjos familiares
(notadamente o reconhecimento da união estável entre o homem e a mulher e os núcleos
familiares monoparentais), que tem se consolidado com a promulgação de atos
normativos que garantem sua regulação, como ocorreu com a Lei Federal n. 11.340 de
07 de agosto de 2006 (conhecida popularmente como “Lei Maria da Penha”), que
protege as mulheres contra a violência doméstica.

Este artigo tem por propósito demonstrar a inter-relação entre as políticas institucionais
brasileiras no combate à violência doméstica contra a mulher, trazendo o espectro
comparativo com a situação vivida, semelhantemente, em alguns outros países da
América Latina. Assim, a pesquisa desenvolveu-se sob a perspectiva teórica, com o
levantamento de dados atualizados sobre a violência contra a mulher e a análise de
textos jurídicos legais e doutrinários sobre o tema.

O olhar apontado neste trabalho não pretende ser conclusivo, entretanto pretende
demonstrar que o problema da violência da mulher é crônico e merece tratamento
emergencial por parte das políticas institucionais de todos os países, para que haja a
erradicação da violência contra a mulher e o reconhecimento real de sua igualdade
perante o homem.

2. A magnitude do problema sobre a violência contra a mulher.


Como afirma Simone de Beauvoir (1980:68), a condição da mulher não é condição
essencial, mas um resultado histórico. Dessa forma, o sexo é uma realidade biológica,
situada no campo da natureza, ao passo que o gênero é uma realidade histórica, situada
no campo da cultura; o sexo é um dado, enquanto o gênero é construído historicamente.

A violência contra a mulher é manifestada através de uma série de comportamentos


prejudiciais que lhes são dirigidos em razão de seu gênero, incluindo o abuso
psicológico-emocional, o abuso sexual, o homicídio, o abuso de meninas, a prostituição
forçada e a própria mutilação sexual feminina. Especificamente, a violência às mulheres
inclui todo ato de força verbal ou física, de coerção ou ameaça, dirigida individualmente
a uma mulher, causando causem o dano físico ou psicológico, humilhação ou privação
arbitrária da liberdade, com vias de perpetuação.(Heise e outros., 1994).

De acordo com uma revisão recente no jornal da associação médica americana, as


“mulheres nos Estados Unidos são mais prováveis ser assaltado e ferido, violado ou
matado por um sócio atual ou do ex-macho do que todos assaltantes restantes
combinados” (Associação médica americana, 1992). Os mesmos poderiam ser ditos das
mulheres em outra parte no mundo. Em Papua Nova-Guiné, 18% de todas as esposas
urbanas examinadas tinham recebido tratamento em hospital relacionado a ferimentos
causados por seus maridos (Toft, 1986). Em Alexandria, Egito, violência doméstica é a
causa principal de ferimento às mulheres, significando 28% de todas as visitas às
unidades do trauma da área (Graitcer, 1994). E nos países tão diversos quanto Brasil,
Israel e Canadá, metade excedente de todas as mulheres assassinadas é morta por um
consorte atual ou de relações pretéritas. (Heise e outros., 1994).

Os dados internacionais exploram também o mito da violação como um crime


perpetuado de forma mais incomum. No Chile, Peru, Malásia, México, Panamá, em
média, 60 a 78% dos agressores é pessoa conhecida da vítima, e que um subconjunto
substancial das vítimas é formado por meninas muito novas (Heise e outros., 1994). As
sobreviventes dos abusos exibem uma variedade de sintomas traumáticos, incluindo
distúrbios no sono e na alimentação, depressão, sentimento de humilhação, culpa ou
raiva de si mesmas, o medo do sexo, e a inabilidade concentrar (Koss, 1990).

Mesmo em países cujo problema da exclusão social não é tão intenso, percebe-se que a
adoção de um conjunto de medidas interventivas na comunidade – intermediadas pelo
Estado ou por ONGs - podem conservar vidas, reduzir lesões, e diminuir o impacto a
longo prazo da vitimização em mulheres e em suas crianças. Toda a resposta à violência
deve encontrar-se com as necessidades imediatas das vítimas ao trabalhar para combater
as atitudes, a opinião e as estruturas sociais que incentivam o abuso com base no sexo.
A título sugestivo, as medidas seriam: a) reforma de leis discriminatórias contra as
mulheres; b) expansão dos serviços de apoio jurídico, médico e psicológico para
vítimas; c) a criação ou expansão de disponibilidade dos abrigos para mulheres e seus
filhos; d) educação visando desestigmatizar as relações entre os gêneros, no seio
inclusive escolar e, finalmente, e) acesso a mulheres de baixa renda ao crédito, ao
cuidado das crianças, e ao divórcio.

No Brasil, pesquisa do Senado Federal sobre a violência doméstica, publicada em


março de 2005, revela que2:

a) 15% das mulheres entrevistadas declararam espontaneamente já ter sofrido algum


tipo de violência. A situação é mais grave na Região Norte, onde 1 em cada 5 mulheres
afirmaram que já foram vítimas de violência;

b) do total de vítimas, apenas 40% tomou a iniciativa de registrar uma denúncia nas
delegacias comuns ou delegacias da mulher;

c) do total de 15% das entrevistadas que já foram vítimas da violência doméstica, 35%
afirmaram que a prática da violência começou até os 19 anos;

d) com relação ao agressor, os maridos e companheiros foram os responsáveis por 87%


dos casos de violência doméstica;

e) Em relação ao tipo de violência sofrida, 59% apontaram a violência física, 11%


sofreram violência psicológica e 17% já vivenciaram todos os tipos de violência;

f) Os motivos principais da violência são o uso do álcool (45%) e o ciúme dos maridos
(23%);

Em suma, a violência apontada pela pesquisa demonstra a importância da evolução dos


instrumentos jurídicos de proteção da mulher, e principalmente de sua aplicação. O

2
DATA SENADO. Relatório Analítico. Pesquisa sobre Violência Doméstica contra Mulher.
2005.
tópico que segue se presta a trazer à tona o progresso no amparo, mas também a
longevidade do cenário ideal.

3. A mulher, a dignidade humana e seu abalo com a violência doméstica e familiar.

O direito, enquanto ordenamento jurídico, regula os fatos da vida social mediante a


utilização de significados que, em muitos momentos, remetem o intérprete a conceitos
que a própria ciência jurídica não poderia explicar, sob pena de reduzí-los a uma
pequena parte do que, de fato, representam. Dentre as diversas expressões com
significados anteriores ao próprio direito – mas por ele regulado, encontra-se a
dignidade da pessoa humana.

Visando garantir a igualdade factual entre homens e mulheres, fora sancionada a lei
Maria da Penha (Lei Federal n. 11.340/2006), objetivando a criação de mecanismos
para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, fundamentando-se no §8º
do artigo 226 da Constituição Federal, na Convenção sobre a Eliminação de Todas as
Formas de Discriminação contra as Mulheres e na Convenção Interamericana para
Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. Além disto, a mesma lei
também dispôs sobre a criação de Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher, além de ter alterado o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de
Execução Penal, adaptando os referidos diplomas à nova realidade.

A "Maria da Penha" que batizou a lei fora uma homenagem à mulher, vítima de
violência doméstica, Maria da Penha Fernandes, que havia sofrido duas tentativas de
homicídio por parte de seu ex-marido. Os fatos que marcaram esses tristes
acontecimentos merecem sempre ser rememorados, pois se relaciona à realidade de
muitas mulheres no Brasil. Desta forma, Maria da Penha fora agredida, inicialmente,
com um tiro enquanto dormia, tendo ficado, em razão disto, paraplégica. Após duas
semanas de sua alta hospitalar, seu marido tentou eletrocutá-la enquanto ela tomava
banho.

A punição do agressor apenas ocorreu dezenove anos e seis meses do ocorrido. Em


razão disto, Maria da Penha formalizou denúncia perante a Comissão Interamericana de
Direitos Humanos da OEA, pela violação aos acordos internacionais de proteção à
mulher e à dignidade humana de que o Brasil era signatário. A partir disto, a Comissão
da OEA publicou o relatório de n. 54/2001, que sugeriu que o legislativo brasileiro
desse continuidade ao processo reformatório das leis nacionais, para bastar a ocorrência
da violência contra a mulher.

Verifica-se, no que tange à criação da Lei Maria da Penha, o respeito à Convenção


sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, promulgada
na ONU em 1979, assinalada pela República Federativa do Brasil em 31/01/1981 e
ratificado internamente pelo decreto legislativo n. 26, de 22 de junho de 1994, tendo
sido regulamentada pelo decreto presidencial n. 4.377 de 13/09/2002.

A referida Convenção toma por base a Carta das Nações Unidas e a Declaração
Universal dos Direitos Humanos, principalmente no que tange à liberdade e igualdade
entre os homens, sem distinção de qualquer natureza, inclusive de sexo.

Reforça o postulado de que a discriminação contra a mulher viola os princípios da


igualdade de direitos e do respeito da dignidade humana, além de dificultar sua
participação nas mesmas condições que o homem, na vida política, social, econômica e
cultural de seu país, constituindo-se um obstáculo ao aumento do bem-estar da
sociedade e da família e dificulta o pleno desenvolvimento das potencialidades da
mulher para prestar serviço a seu país e à humanidade.

As obrigações assumidas pelos Estados-Parte são de diversas categorias, assim


enunciadas em seu artigo 2º:

Os Estados Partes condenam a discriminação contra a mulher em todas as


suas formas, concordam em seguir, por todos os meios apropriados e sem
dilações, uma política destinada a eliminar a discriminação contra a mulher,
e com tal objetivo se comprometem a:

[...]

f) Adotar todas as medidas adequadas, inclusive de caráter legislativo,


para modificar ou derrogar leis, regulamentos, usos e práticas que
constituam discriminação contra a mulher (grifos nossos).

Por seu turno, a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência
contra a Mulher, adotada pela Assembléia Geral da Organização dos Estados
Americanos em 6 de junho de 1994 e ratificada pelo Brasil em 27 de novembro em
1995, estabelece, no artigo 7º que:

Os Estados Membros condenam todas as formas de violência contra a


mulher e concordam em adotar, por todos os meios apropriados e sem
demora, políticas orientadas e prevenir, punir e erradicar a dita violência e
empenhar-se em:

[..]

§3. Incluir em sua legislação interna normas penais, civis e


administrativas, assim como as de outra natureza que sejam necessárias
para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher e adotar as
medidas administrativas apropriadas que venham ao caso (grifos
nossos).

A Declaração destaca ainda, em outro dispositivo, que:

Os Estados-Partes tornarão todas as medidas apropriadas para:

a) Modificar os padrões sócio-culturais de conduta de homens e


mulheres, com vistas a alcançar a eliminação dos preconceitos e
práticas consuetudinárias e de qualquer outra índole que estejam
baseados na idéia da inferioridade ou superioridade de qualquer dos
sexos ou e funções estereotipadas de homens e mulheres.

É importante ressaltar que as mulheres sempre dispuseram de condições jurídicas para,


assim, buscarem a reparação de suas agressões físicas sofridas. Entretanto, o
procedimento era bastante burocrático, pois havia uma grande ineficácia no
relacionamento entre a jurisdição civil e a penal, gerando diversas distorções. A título
de exemplo, a mulher agredida não dispunha de meios céleres para obtenção da
separação de corpos, pois isto somente poderia ser determinado mediante o ajuizamento
de uma demanda civil em uma das varas de família, ao passo que precisaria, ainda,
registrar uma notitia criminis e uma das delegacias de proteção à mulher. Na prática, se
a mulher sofresse uma agressão num determinado dia e, assim, buscasse o apoio na
referida delegacia, teria de amargar a espera de prováveis semanas para que o Judiciário
determinasse a saída de seu marido ou companheiro de sua residência.

Os Juizados Especiais de Proteção à Mulher, previstos na própria Lei, visam corrigir


diversas distorções, pois, num único ato, o magistrado poderá determinar a separação de
corpos, com o comunicado da agressão; desta vez, o autor do fato delituoso não seria
beneficiado pela burocracia legal, que apenas traz para a mulher uma forte insegurança
jurídicai.

Como medidas específicas, o Juiz poderá, quando necessário (a): encaminhar a ofendida
e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento;
(b): determinar a recondução da ofendida e seus dependentes a programa oficial ou
comunitário de proteção ou atendimento; (c): determinar o afastamento da ofendida do
lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos; (d):
determinar a separação de corpos.

No tocante à proteção patrimonial, o magistrado dispõe de: (a): restituição de bens


indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida; (b) proibição temporária para
celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de propriedade em comum,
salvo expressa autorização judicial; (c) suspensão das procurações conferidas pela
ofendida ao ofensor; (d) prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por
perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra
a ofendida3.

Como dito acima, o acesso à Justiça não pode ser interpretado apenas enquanto acesso à
estrutura do Judiciário; é preciso muito mais para que o sentimento democrático seja
estabelecido. No caso da Lei Maria da Penha, o que se objetivou fora um sentimento de
efetividade, num espírito semelhante ao buscado na criação dos Juizados Especiais, com
providências específicas para o caso tratado, qual seja, relações de imposição da força
física masculina sobre a feminina e imposição do poder econômico e afetivo dentro de
uma relação familiar.

4. Considerações finais.

O problema relacionado à violência contra a mulher manifesta-se enquanto uma


preocupação constante e devida para todo Estado Democrático de Direito, cuja missão
deva ser a proteção dos diversos grupos sociais, sobretudo os mais vulneráveis.
Observou-se que a violência contra a mulher assume diversos espectros, partindo de
coerção de caráter psicológico, até para as vias de fato e homicídio.

3
O Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por meio de auxílio do Ministério da Justiça,
implantará em Salvador o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, cuja sede será
instalada no bairro dos Barris. De acordo com a previsão orçamentária, o referido Juizado cumprirá com
integralidade a Lei Maria da Penha, contando com equipe de atendimento multidisciplinar, composta por
profissionais especializados nas áreas jurídica, psicossocial e de saúde, além de contar com instalações
apropriadas, como sala para atendimento de mulheres em perigo. Vale registrar que os municípios de
Feira de Santana e Vitória da Conquista, e na própria comarca de Salvador, serão criadas Varas
Especializadas em Defesa da Mulher, pela aprovação da recente Lei de Organização Judiciária (Diário do
Poder Judiciário do Estado da Bahia, 2008, p.1)
O caráter crônico do problema trouxe, para o Brasil, a preocupação em fazer cumprir as
declarações de Direitos Humanos específicas em favor da proteção contra a
discriminação – e violência – contra a mulher, mediante medidas específicas constantes
na Constituição Brasileira e com a promulgação de diversas leis, em especial a Lei
Maria da Penha.

Ainda não existem estudos conclusivos acerca do impacto da diminuição da escalada da


violência após a promulgação da Lei, que é bastante recente e seus procedimentos não
são simplesmente verificáveis em pouco mais de 2 anos de sua criação. Entretanto,
notou-se que a consciência jurídica de caráter cidadã demonstrou mudanças
significativas, pois mais mulheres têm procurado assistência contra a violência, não
mais aceitando sua condição de sujeição.

Muito resta ainda para ser feito, mas nota-se que a comunidade internacional (incluindo
os países da América Latina) e brasileira têm se mobilizado para erradicar o problema, o
que demonstra a afirmação de que o quadro tornou-se público e, por isto, medidas estão
sendo tomadas. Em breve, espera-se, que o próprio processo educacional, somado ao
jurídico, proporcione um estudo com respostas mais felizes, afirmando a insignificância
que terá assumido a violência contra a mulher, pela diminuição radical de seus casos.

7. Referências.

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proposta concreta de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. Jus
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