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ANESTESIA EM PEDIATRIA

Características Fisiológicas da População Pediátrica


As principais diferenças fisiológicas estão presentes nos períodos iniciais da
vida, recém-nascidos (RN) e lactentes, podendo persistir até a idade escolar
em alguns órgãos e sistemas, afetando diretamente a farmacologia das me-
dicações anestésicas (Tabela 1, 2 e 3).
Tabela 1. Diferenças fisiológicas conforme faixa etária em crianças
Parâmetros Prematuro Neonato Lactentes > 3 anos
à termo
Peso (kg) 1–2 3–4 4 – 12 12 – 30
ASC (m2) 0,1 0,2 0,4 – 0,6 0,6 – 1,2
FC (bpm) 140 – 150 140 120 100
PA (mmHg) 55 x 40 65 x 40 95 x 65 100 x 70
Volemia (mL/kg) 80 – 90 80 75 – 80 70 – 75
DC (mL/kg/min) 150 100 – 150 100 80 – 100
IC (L/min/m2) – 2,6 3,2 4
FR (ipm) 40 – 50 40 30 15 – 25
Hb (g/dL) 20 19 12 13
Ht (%) 60 50 36 39
ACT (% corpórea) 80 70 – 80 70 – 80 70
GRV (% peso
22 22 18 10
corpóreo)
ACT: água corporal total; ASC: área de superfície corpórea; DC: débito cardíaco; FC: frequência cardí-
aca; FR: frequência respiratória; Hb: hemoglobina; Ht: hematócrito; IC: índice cardíaco; PA: pressão
arterial; GRV: Grupo de tecido ricamente vascularizado.

Tabela 2. Volumes e capacidades pulmonares, neonato e adulto


Parâmetros Neonato Adulto
FR 30 – 40 (ipm) 12 – 16 (ipm)
CPT 160 (62 mL/kg) 6000 (80 mL/kg)
CRF 80 (30 mL/kg) 3000 (30 mL/kg)
Vt 16 (6 mL/Kg) 500 (6 mL/kg)
Vd 5 mL 150 mL
VA 100 – 150 (mL/kg/m) 60 (mL/kg/m)
CRF/VA 1:5 1:1,5
VO2 6 – 8 mL/kg/min 3 mL/kg/min
VF 12 mL 7 mL
CPT: capacidade pulmonar total; CRF: capacidade residual funcional; CRF/VA: relação capacidade resi-
dual funcional e ventilação alveolar; VA: ventilação alveolar, Vd: volume de espaço morto; VF: volume
de fechamento; Vt: volume corrente; VO2: consumo de oxigênio; FR: frequência respiratória.

Apoio:
Tabela 3. Fatores fisiológicos que interferem na farmacologia
Alta solubilidade lipídica
Imaturidade da barreira hemato-encefálica
Menor albumina plasmática
Menor α-1 glicoproteína plasmática
Maior volume de distribuição
Maior débito cardíaco
Metabolismo hepático imaturo
Junção neuromuscular imatura
Tabela 4. Orientações de jejum pré-operatório
Alimentos Neonatos, lactentes, > 36 meses
Líquido sem resíduos 2h
Leite materno 4h
Fórmula infantil 6h
Leite não humano 6h
Refeição leve 6h
Refeição completa 8h
Practice Guidelines for Preoperative Fasting and the Use of Pharmacologic Agents to Reduce the Risk
of Pulmonary Aspiration. American Society of Anesthesiologists, Anesthesiology 2011.
Tabela 5. Medicações pré-anestésicas em crianças
Fármacos Doses (via)
midazolam 0,5 mg/kg (VO)
cetamina 3 – 5 mg/kg (VO)
clonidina 4 µg/kg (VO)
dexmedetomidina 1 µg/kg (TM)
TM: transmucosa oral, VO: via oral.

Anestesia Inalatória em crianças


A indução inalatória é muito utilizada em anestesia pediátrica, por ser indolor, sim-
ples e de boa aceitação para a maioria das crianças. Fármacos de odor ameno e
mínima irritação para via aérea, promovem indução agradável. O equilíbrio FA/
FI (relação entre fração inspirada e fração alveolar) dos inalatórios, em crianças
(Gráfico 1), é influenciado principalmente pelas diferenças fisiológicas do sistema
respiratório e cardiovascular, propiciando rápida indução anestésica (Tabela 6).
Gráfico 1. Equilíbrio FA/FI (relação entre fração inspirada
e fração alveolar)
A) Comparação entre criança e adulto
B) Comparação entre os diferentes agentes anestésicos

Cote CJ, Lerman J, Todres ID. A Practice of Anaesthesia for Infants and Children, 2009.
No recém-nascido, a água corporal total (ACT) aumenta o volume
de distribuição (Vd) dos fármacos e a menor quantidade de gordu-
ra corporal interfere no Vd dos agentes lipofílicos, não propiciando
reservatório,e garantindo maior quantidade de anestésico para o grupo de
tecidos ricamente vascularizado (GRV); que associado ao alto débito cardí-
aco (DC), favorece o equilíbrio sangue/cérebro no sítio efetor em neonatos.
Tabela 6. Fatores que propiciam rápida indução em crianças
> CAM
> CRF/VA
> % do DC para o GRV
< λ Sangue/gás
< λ Tecido/sangue
CAM: concentração alveolar mínima; CRF/VA: relação capacidade residual funcional e ventilação alve-
olar; DC: débito cardíaco, GRV: tecidos do grupo ricamente vascularizados; λ: coeficiente de partição.
Em neonatos prematuros e à termo, devido à menor concentração alveolar
mínima (CAM), recomenda-se titulação cuidadosa dos agentes inalatórios
para se evitar doses excessivas.
Tabela 7. Concentração alveolar mínima (CAM%) e faixa etária
Idade Halotano Isoflurano Sevoflurano Desflurano
Neonato 0,87 1,28 3,3 9,16
1 – 6 meses 1,2 1,6 3,2 9,42
6 – 12 meses 0,95 1,8 2,5 9,92
2 – 10 anos 0,95 1,6 2,3 7,98
Adulto 0,75 1,2 2,0 6,6
A baixa solubilidade sangue/cérebro apresentada pelo sevoflurano, desflu-
rano e óxido nitroso permite rápida saturação e início de ação, precisão do
plano anestésico e rápida eliminação e despertar (Tabela 8).
Tabela 8. Coeficiente de partição conforme o tecido
Coeficiente
N2O Halotano Isoflurano Sevoflurano Desflurano
de partição
λ sangue/gás 0,46 2,4 1,4 0,69 0,42
λ sangue/cérebro 1,1 2,9 1,6 1,7 1,2
λ sangue/músculo 1,2 3,5 2,9 3,1 –
λ sangue/gordura 3 60 44,9 47,5 27
Apesar da falta de evidência, a possibilidade do sevoflurano utilizado com cal
sodada produzir composto A, resultou em algumas recomendações (Tabela 9).
Tabela 9. Recomendações: sevoflurano/circuito circular/cal sodada
- Evitar fluxo de gás fresco (FGF) menor que 1 L.min-1 durante a anestesia
com sevoflurano;
- Evitar o uso de sevoflurano, por período superior a 2 horas, em concentra-
ções acima de 1 CAM com FGF de 1 L.min-1.
Conceição MJ. Anestesia inalatória na criança. Sociedade Brasileira de Anestesiologia, 2010.

O isoflurano, sevoflurano e desflurano possuem características farmacodi-


nâmicas semelhantes, conferindo segurança para o sistema cardiovascu-
lar e sistema nervoso central. Contudo, isoflurano e desflurano são muito
irritantes e pungentes, podendo desencadear respostas reflexas nas vias
aéreas, como tosse e laringoespasmo durante a indução inalatória.

Apoio:
A indução com sevoflurano pode ser tranquila e agradável em
crianças colaborativas, com incrementos graduais de 2% na con-
centração inspirada a cada três inspirações. Na indução com altas
concentrações, com agentes de baixa solubilidade, por exemplo, sevoflura-
no em 6 a 8%, ocorre rápida passagem do inalatório do gás alveolar para a
circulação arterial e cérebro, especialmente útil em neonatos e lactentes.
Via aérea pediátrica
Posicionamento ideal é obtido com o Figura 1. Posicionamento ade-
pescoço em posição neutra ou em leve quado para ventilação com MF
extensão. A cabeça e o occipício são re-
lativamente grandes, principalmente em
neonatos e lactentes, utilização de peque-
no coxim sob os ombros ou rodilha para
acomodar o occipício, evitam a flexão do
pescoço, melhorando a ventilação sob
máscara facial (MF) e visualização à la-
ringoscopia. Na ventilação sob máscara,
manter a boca entreaberta, elevar o ângu-
lo da mandíbula, evitando aplicar pressão
contra o assoalho da boca, em crianças,
esta manobra pressiona a língua contra o
palato e piora a obstrução (Figura 1).
A máscara laríngea (ML) é amplamente utilizada em pacientes pediátricos, sendo
também alternativa à intubação endotraqueal na via aérea difícil (VAD). Seu uso
faz parte do algoritmo de VAD prevista e inesperada, contribui para o posiciona-
mento do tubo traqueal (TT), quando associada à fibroscopia, sendo igualmente
recomendada na reanimação cardiopulmonar em pediatria (Tabelas 12 e 13).
Tabela 10. Tamanho da máscara laríngea (ML) convencional
Peso (Kg) Tamanho ML Volume Insuflação (mL) > TT por dentro da ML
5 1 4 3,5 s/ balonete
5 - 10 1,5 7 4 s/ balonete
10 - 20 2 10 4,5 s/ balonete
20 - 30 2,5 14 5 s/ balonete
30 - 50 3 20 6 c/ balonete
Cumino, DO ; Lima, LC. Controle da Via aérea em pediatria. Suporte Avançado de vida em anestesia.
Sociedade Brasileira de Anestesiologia, 2011.
Neonatos e lactentes apresentam diferenças anatômicas que dificultam a visua-
lização direta da glote. Recomenda-se utilização de lâmina reta, permitindo ade-
quada acomodação da língua durante a laringoscopia. Deve-se selecionar dispo-
sitivos apropriados, para cânula orofaríngea e lâmina de laringoscópio, estima-se
o tamanho medindo a distância da rima labial ao lobo da orelha (Figura 2 e 3).
Figura 2 e 3. Tamanho da cânula orofaríngea e lâmina de laringoscópio
Tabela 11. Tubo traqueal (TT) adequado à faixa etária
Profundidade
Diâmetro TT
rima labial - carina (cm)
Prematuro 2,5 8
RN à termo 3 9
Lactentes 3,5 10
1 ano 4 11
2 anos 5 12
Idade/4 + 4 s/balonete
> 2 anos Idade/2 + 12
Idade/4 + 3,5 c/ balonete
Cumino, DO; Lima, LC. Controle da Via aérea em pediatria. Suporte Avançado de vida em anestesia.
Sociedade Brasileira de Anestesiologia, 2011.

Tabela 12. Manuseio da via aérea difícil inesperada

Weiss M, Engelhardt T. Proposal for the management of the unexpected difficult pediatric airway.
Pediatric Anesthesia 2010, 20: 454–464.

Tabela 13. Material para acessar via aérea difícil pediátrica


Falha de oxigenação A e B ML 1 – 5 (X2), MLi, supraglóticos alternativos
Falha de intubação – A Lâminas especiais (McCoy, Wisconsin, Miller), Bougie
5 – 10 Fr, Estilete maleável 2 – 5 Fr, dispositivo óptico
Falha de intubação – B Tubo trocador 7 – 14 Fr, MF endoscopia (VBM)
Resgate VA Kit de cricotomia percutânea (> 8 anos), Kit de
cricotomia cirúrgica (< 8 anos), material cirúrgico
delicado, dispositivo de ventilação à jato ou venturi
MF (VBM): máscara facial com conexão (permite técnica endoscópica e ventilação); ML: máscara laríngea;
MLi: máscara laríngea invasiva (permite intubação e fibroscopia); Weiss M, Engelhardt T. Proposal for the
management of the unexpected difficult pediatric airway. Pediatric Anesthesia 2010, 20: 454–464.

Medicações venosas em anestesia pediátrica


A introdução de novos agentes venosos, no final do século 20, associado aos
avanços na tecnologia de informática, ocasionou maior popularidade das téc-
nicas de anestesia venosa total (TIVA) em infusão contínua ou alvo controlada,
Apoio:
na faixa etária pediátrica. Dentre as indicações formais de TIVA,
em crianças, podemos citar procedimentos neurocirúrgicos que
necessitam de controle da pressão intracraniana e diminuição do
metabolismo cerebral, procedimentos sob a coluna com monitoração de po-
tenciais evocados e crianças com risco de Hipertermia Maligna. A anestesia
venosa alvo controlada, em crianças, necessita de modelos farmacocinéti-
cos específicos, como o Paedfusor e Kataria, que consideram variáveis não li-
neares como peso e idade, e volume de distribuição, promovendo adequada
concentração plasmática nas diversas faixas etárias pediátricas.
Tabela 14. Agentes Indutores
Fármaco Dose venosa bolus (mg/kg) Infusão contínua
propofol 2,0 – 3,0 50 – 300 mcg/kg/min
etomidato 0,2 – 0,3 não recomendada
midazolam 0,1 – 0,5 0,1 – 0,3 mg/kg/h
cetamina 1,0 – 2,0 0,1 – 0,2 mg/kg/h
Tabela 15. Opióides
Dose venosa Infusão contínua
Fármaco
bolus (mcg/kg) (mcg/kg/min)
alfentanil 10 – 50 1–5
fentanil 1 – 10 0,1 – 0,2
sulfentanil 1–5 0,01 – 0,05
remifentanil 0,5 – 1 (em 1 minuto) 0,1 – 0,5
Tabela 16. Anestesia venosa total em crianças, efeito e alvo
Concentração
Fármaco Efeito
plasmática alvo
propofol Sedação 2 – 3 mcg/mL
propofol Anestesia 4 – 6 mcg/mL
remifentanil Laringoscopia 2 – 3 ng/mL
remifentanil Anestesia pequeno porte 3 – 4 ng/mL
remifentanil Anestesia médio porte 6 – 8 ng/mL
remifentanil Anestesia grande porte 8 – 12 ng/mL
Fármaco Bolus inicial em 10 min Infusão contínua
dexmedetomidina Sedação 0,5 – 1 mcg/kg 0,5 – 1 mcg/kg/h
dexmedetomidina Anestesia 1 – 2 mcg/kg 1 – 2 mcg/kg/h
Tabela 17. Bloqueadores neuromusculares
Fármaco Neonatos (mg/kg) Crianças (mg/kg)
succinilcolina 3 1,5 – 2
cisatracúrio 0,1 0,1 – 0,2
atracúrio 0,5 0,5
rocurônio 0,25 – 0,5 0,6 – 1,2
pancurônio 0,1 0,1
vecurônio 0,07 – 0,1 0,1
Tabela 18. Agentes reversores e antagonistas
Fármaco Dose venosa Observação
neostigmine 0,02 – 0,05 mg/kg Associar atropina 0,02 mg/kg
Titular efeito desejado,
naloxona 0,25 – 0,5 mcg/kg
maxima 2 mg
Titular efeito desejado,
flumazenil 10 mcg/kg/dose
observar por 2 h
Reposição hídrica intra-operatória
Tabela 19. Avaliação clínica da volemia em crianças
Sinais e sintomas Leve Moderada Grave
Perda/peso (%) 5 10 15
Déficit (mL/kg) 50 100 150
Hipotermia
Aparência – Palidez
e sudorese
Turgor da pele normal diminuído muito diminuído
Mucosa úmida seca muito seca
Fontanela normal deprimida muito deprimida
Pulso normal rápido rápido e filiforme
normal
Pressão arterial normal diminuída
ou diminuída
Respiração normal profunda Profunda e rápida
Diurese (mL/kg/h) <2 <1 < 0,5
Cumino, DO; Gomes, DBG. Reposição Volêmica. Anestesiologia Maternoinfantil., 2011.
O uso de soluções isotônicas, Fisiológica 0,9% ou Ringer Lactato, é preconi-
zado para reposição das necessidades hídricas intra-operatória em crianças.
Soluções hipotônicas (solução glicosada ou soluções glicofisiológicas) duran-
te a reposição volêmica intra e pós-operatória, apresenta risco de hipona-
tremia dilucional e consequente encefalopatia em crianças. A correção da
hiponatremia deve ser cautelosa, visando restaurar a osmolaridade e vole-
mia do paciente, tendo como base o déficit de sódio plasmático (Tabela 20).
Tabela 20. Correção do déficit de sódio
Déficit Na+ (mEq) = Peso (Kg) x [ 140 – Na+ atual (mEq/L)]
Tabela 21. Reposição hídrica intra-operatória
Tempo de Jejum Reposição de jejum Reposição nas horas seguintes
Jejum permissivo Idade < 4 anos: 25 mL.kg-1 Basal: 4 mL.kg-1.h-1
< 8 horas Idade ≥ 4 anos: 15 mL.kg-1 Trauma leve: 6 mL.kg-1.h-1
Jejum prolongado 4 mL.kg-1 para Trauma moderado: 8 mL.kg-1.h-1
> 8 horas cada hora de jejum Trauma grave: 10 mL.kg-1.h-1
Cumino, DO; Gomes, DBG. Reposição Volêmica. Anestesiologia Maternoinfantil., 2011.
As soluções glicosadas são preconizadas SOMENTE em crianças com risco de
hipoglicemia (Tabela 22 ). Nestes casos, recomenda-se a utilização de solu-
ções glicosadas a 1% ou 2,5% em doses de 120mg/kg/h, com controle da
glicemia de horário, NUNCA exceder 300 mg/kg/h.
Tabela 22. Crianças com risco de hipoglicemia intra-operatória
Tempo de Jejum prolongado > 12 horas Uso de fármacos: propranolol
Jejum no período diurno Adenoma ou carcinoma pancreático
Neonato prematuro, pequeno para Hepatoma, Insuficiência hepática grave
idade gestacional (PIG) Hipopituitarismo
Neonato filho de mãe diabética Insuficiência adrenal, Feocromocitoma
Estado nutricional ruim (< 25% percentil) Síndrome de Beckwith-Widemann
Crianças recebendo alimentação
parenteral
Cumino, DO; Gomes, DBG. Reposição Volêmica. Anestesiologia Maternoinfantil., 2011.

Apoio:
Tratamento da dor em crianças
Bloqueios periféricos e de neuroeixo devem sempre ser considerados
durante anestesia para tratamento inicial de dor aguda, exceto nas
contra-indicações (Tabela 23). Para controle da dor pós-operatória recomenda-se:
Dor fraca (1 – 4): AINES/adjuvantes
Dor moderada (5 – 7): AINES/adjuvantes/opióides fracos
Dor forte (8 – 10): AINES/adjuvantes/opióides fortes/PCA/bloqueios
Tabela 23. Anestésicos Locais
Dose máxima sem Dose máxima com
Fármaco Concentração
vasoconstritor vasoconstritor
lidocaína 1 – 2% 5 mg/kg 7 mg/kg
bupivacaína 0,125 – 0,25% 2,5 mg/kg 3 mg/kg
levobupivacaína 0,125 – 0,25% 2,5 mg/kg 3 mg/kg
ropivacaína 0,1 – 0,35% 3 mg/kg –
Tabela 24. Analgésicos e antinflamatórios não esteroidais
Analgésicos Restrições Perío-
Via Dose Intervalo
e AINES de idade do
cetoprofeno > 1 ano
VO 1 mg/kg 6/6 ou 8/8h
> 15 anos
EV lento 3 – 5 mg/kg 12/12h –
cetorolaco EV/VO 0,25 mg/kg 6/6h máxi-
> 2 anos EV/VO 0,5 mg/kg 12/12h mo
EV/VO 1 mg/kg 1x/dia 2 dias
dipirona qualquer idade EV 20 – 30 mg/kg 6/6h –
ibuprofeno > 6 meses EV 4 – 10mg/kg 6/6 ou 8/8h –
paracetamol 0 – 3 meses VO 20 mg/kg 8/8h máximo
gotas > 3 meses VO 15 mg/kg 4/4h 2 dias
manu-
qualquer idade VO 5 mg/kg 6/6h
tenção
tenoxican > 12 anos EV 0,4 mg/kg 12/12h –
Garcia, DB; Cumino, DO; Fernandes, ML. Analgesia pós operatória em pediatria. Sociedade Brasileira
de Anestesiologia, 2012.
Tabela 25. Agentes adjuvantes e opióides endovenosos
Fármaco Dose Periodicidade
dexametasona 0,15 mg/kg 12h
clonidina 0,5 – 1 mcg/kg Dose única
cetamina 0,2 – 0,5 mcg/kg Dose única
tramadol 1 – 2 mg/kg 4 – 8h
nalbufina 0,05 – 0,1 mg/kg 4h
morfina 0,05 – 0,2 mg/kg 4–8h
Suporte hemodinâmico e reanimação cardiopulmonar
Tabela 26. Medicações vasoativas
Fármaco Doses
dopamina 1 – 20 mcg/kg/min
dobutamina 1 – 20 mcg/kg/min
adrenalina 0,1 – 1 mcg/kg/min
isoproterenol 0,1 – 1 mcg/kg/min
noradrenalina 0,1 – 1 mcg/kg/min
fenilefrina 0,1 – 1mcg/kg/min
milrinone 50 – 100 mcg/kg dose de ataque,
manutenção 0,5 – 1 mcg/kg/min
nitro-
prussiato 1 – 10 mcg/kg/min

nitroglicerina 1 – 10 mcg/kg/min
prostaglandina E1 0,05 – 0,1 mcg/kg/min
vasopressina 0,0001 – 0,0005 unidades/kg/min
procainamida 5 – 15mg/kg dose de ataque em 30 – 60min,
manutenção 20 – 80 mcg/kg/min
magnésio 25 – 50 mg/kg
heparina 3 – 5 mg/Kg (300 – 500 UI/Kg),
apresentação ampola – 5.000 UI = 50 mg
protamina 1 mg reverte 1 mg heparina,
apresentação ampola – 1 mL = 10 mg
Tabela 27. Reanimação cardiopulmonar
Dose Cuidados e
Fármaco Dose inicial
máxima recomendações
adenosina 0,1 mg.kg-1 6 mg Monitorização do ECG. Dose IV/IO
– 1ª dose 12 mg rápida seguida de bolus.
0,2 mg.kg-1
– 2a dose
adrenalina 0,01 mg.kg-1 IV/IO 1 mg Pode ser repetida a cada 3 – 5 min.
(0,1 mL da solu- IV/IO
ção 1:10.000) 2,5 mg
0,1 mg.kg-1 ET
1:1.000 ET*
(0,1 mL da
solução 1:1.000)
amioda- 5 mg.kg-1, pode 300 mg Monitorização ECG e PA. Ajustar veloci-
rona ser repetido dade de administração à urgência: Bolus
duas vezes até IV na PCR. Infusão em 20 – 30 minutos
15 mg.kg-1 para arritmias com perfusão. Consultar
especialista. Cuidado ao administrar
com drogas que prolongam QT.
atropina 0,02 mg.kg-1 Dose Doses elevadas podem ser usadas na
IV/IO mínima: intoxicação por organofosforados.
0,04 – 0,06 0,1 mg
mg.kg-1 ET* 0,5 mg
bicarbonato 1 mEq.kg-1 IV/IO Administrar lentamente, manter venti-
de sódio lação adequada.
cloreto 20 mg.kg-1 2g Administrar lentamente, somente na
cálcio 10% (0,2 ml.kg-1) presença de hipocalcemia.
desfibri- Somente em 10 J. Em crianças recomenda-se desfibrila-
lação TV/FV kg-1 dor manual, na ausência, pode-se uti-
Iniciar com 2 lizar DEA com atenuador de carga, não
J.kg-1, choques havendo nenhuma das duas opções,
subsequentes utilizer DEA. Preferível reverter um
de 4 J. kg-1 ritmo chocável a não dar o choque.
glicose 0,5 – 1 g.kg-1 Neonato: 5 – 10 mL.kg-1 Glicose 10%.
IV/IO Lactentes: 2 – 4 mL.kg-1 e Crianças: 2

– 4 mL.kg-1 Glicose 25%. Adolescen-
tes: 1 – 2 mL Glicose a 50%
Apoio:
lidocaína Bolus: 1 mg.kg-1
IV/IO
– –
Infusão: 20 – 50
µg.kg-1.min-1
naloxona Reversão total: < Use baixas doses para reverter de-
5 anos ou pressão respiratória decorrente de
< 20 kg: 0,1 uso terapêutico de opióide, titulando

mg.kg-1 IV/IO/ET* a dose 1 – 5 mg.kg-1.
5 anos ou > 20 kg:
2 mg IV/IO/ET*
oxigênio Iniciar Evitar Titular o oxigênio inspirado, após o
reanimação com O2 retorno da circulação espontânea,
O2/Ar (titular 100% manter saturação de oxi-hemoglo-
FiO2 0,3 a 0,9) bina ≥ 94% mas < 100%, limitando
risco de hiperoxemia.
procaina- 15 mg.kg-1 IV/IO Monitorização do ECG e PAInfusão
mida em 30 – 60 minutos. Consultar espe-

cialista. Cuidado ao administrar com
drogas que prolongam QT
sulfato 25 – 50 mg.kg-1 2g Administrar lentamente em 10 – 20
magnésio IV/IO min. Pode ser feito mais rápido no
torsades de pointes
ET: endotraqueal; IO: intraósseo; IV: intravascular; Cumino, DO et al. Suporte Avançado de vida em
pediatria. Sociedade Brasileira de Anestesiologia, 2011.

Literatura recomendada
Conceição MJ. Anestesia inalatória na criança. Em: Anestesia Inalatória. Magalhãe E, Gouveia CS, Du-
arte NMC, Nunes CEL. Sociedade Brasileira de Anestesiologia, 1 Ed, Rio de Janeiro, 2010; 93-101.
Cote CJ, Lerman J, Todres ID. A Practice of Anaesthesia for Infants and Children, 4th edition. Philadel-
phia, Saunders Elsevier, 2009.
Cumino, DO ; Lima, LC. Controle da Via aérea em pediatria. In: Martins, MP; Duarte, NMC; Pires,
OC.(Org.). Suporte Avançado de vida em anestesia. 1ed.Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Anes-
tesiologia, 2011, v.1, p. 313330.
Cumino, DO; Gomes, DBG ; Tenório, SB. Anestesia Venosa Total em pediatria. In: Duarte, NMC; Pires,
OC; Nunes CEL; Magalhães E; Simoni, RF. (Org.). Anestesia Venosa Total. 1ed.Rio de Janeiro: Socieda-
de Brasileira de Anestesiologia, 2011, v. 1, p. 153164.
Cumino, DO; Gomes, DBG. Reposição Volêmica. In: Lima, LC; Costa, MCF. (Org.). Lima, L.C; Costa, MCF
Anestesiologia Maternoinfantil.1ed.Rio de Janeiro: Medbook, 2011, v. 1, p. 7989.
Cumino, DO; Gomes, DBG ; Dumaresq, DMH ; Fernandes, ML ; Silva WV . Suporte Avançado de vida em
pediatria. In: Martins, MP; Duarte NMC; Pires, OC. (Org.). Suporte Avanaçado de vida em anestesia.
1ed.Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Anestesiologia, 2011, v. 1, p. 105128.
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