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Aula 18

Direito Penal p/ MP-CE (Promotor de Justiça)

Michael Procopio

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Michael Procopio
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AULA 18
DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL,
CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E CONTRA O
SENTIMENTO RELIGIOSO E O RESPEITO AOS MORTOS

Sumário
Sumário ...................................................................................................................................... 2
1 – Considerações Iniciais .......................................................................................................... 3
2 – Dos Crimes Contra a Propriedade Imaterial .......................................................................... 4
2.1 – Dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual.......................................................................... 4
2.1.1 - Da Violação Contra os Direitos Autorais ............................................................................... 4
2.1.2 - Da Ação Penal nos Crimes contra a Propriedade Intelectual ................................................. 10
2.2 – Dos Crimes Contra o Privilégio da Invenção ......................................................................... 10
2.3 – Dos Crimes Contra as Marcas de Indústria e Comércio .......................................................... 10
2.4 – Dos Crimes de Concorrência Desleal ................................................................................... 10
3 – Dos Crimes Contra a Organização do Trabalho ................................................................... 10
3.1 – Atentado Contra a Liberdade de Trabalho ............................................................................ 12
3.2 – Atentado Contra a Liberdade de Contrato de Trabalho e Boicotagem Violenta ........................... 14
3.3 – Atentado Contra a Liberdade de Associação ......................................................................... 15
3.4 – Paralisação de Trabalho, Seguida de Violência ou Perturbação da Ordem ................................. 15
3.5 – Paralisação de Trabalho de Interesse Coletivo ...................................................................... 16
3.6 – Invasão de Estabelecimento Industrial, Comercial ou Agrícola. Sabotagem .............................. 17
3.7 – Frustração de Direito Assegurado por Lei Trabalhista ............................................................ 18
3.8 – Frustração de Lei Sobre a Nacionalização do Trabalho ........................................................... 20
3.9 – Exercício de Atividade com Infração de Decisão Administrativa ............................................... 21
3.10 – Aliciamento para o Fim de Emigração ................................................................................ 23
3.11 – Aliciamento de Trabalhadores de um Local para Outro do Território Nacional .......................... 24
4 – Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso e o Respeito aos Mortos ................................... 25

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4.1 – Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso........................................................................... 26


4.1.1 - Ultraje a Culto e Impedimento ou Perturbação de Ato a Ele Relativo ..................................... 26
4.2 – Dos Crimes Contra o Respeito aos Mortos ............................................................................ 27
4.2.1 - Impedimento ou Perturbação de Cerimônia Funerária ......................................................... 28
4.2.2 – Violação de Sepultura ..................................................................................................... 28
4.2.3 – Destruição, Subtração ou Ocultação de Cadáver ................................................................ 29
4.2.4 – Vilipêndio a Cadáver ...................................................................................................... 29
5 – Questões Objetivas ............................................................................................................. 30
5.1 – Lista de Questões sem Comentários .................................................................................... 30
5.2 – Gabarito .......................................................................................................................... 45
5.3 – Lista de Questões com Comentários .................................................................................... 45
6 - Destaques da Legislação e da Jurisprudência ...................................................................... 75
7 – Resumo............................................................................................................................... 87
Dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual ................................................................................ 87
Dos Crimes Contra a Organização do Trabalho.............................................................................. 90
Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso e o Respeito aos Mortos ................................................ 97
8 - Considerações Finais ..........................................................................................................100

DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL,


CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E CONTRA O
SENTIMENTO RELIGIOSO E O RESPEITO AOS MORTOS
1 – Considerações Iniciais
Nesta aula, estudaremos os crimes contra a propriedade imaterial, os crimes
contra a organização do trabalho, contra o sentimento religioso e contra o
respeito aos mortos.
Esta aula será composta pelos seguintes capítulos:

Dos Crimes Contra


Dos Crimes contra Dos Crimes Contra o Sentimento
a Propriedade a Organização do Religioso e Contra
Imaterial Trabalho o Respeito aos
Mortos

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Continuaremos, então, o estudo da Parte Especial do Código Penal, com o estudo


do Título III, “Dos Crimes Contra a Propriedade Imaterial”, do Título IV, “Dos
Crimes Contra a Organização do Trabalho”, e do Título V, denominado “Dos
crimes contra o sentimento religioso e o respeito aos mortos”, título que foi
dividido, em dois tópicos, um correspondente aos crimes contra o sentimento
religioso (Capítulo I) e outro para os crimes contra o respeito aos mortos
(Capítulo II).
Desejo uma aula que instigue a compreensão destes crimes, analisados na
sequência do nosso Curso. Espero ter apresentado os temas aqui propostos de
forma instigante, para que haja atenção e verdadeiro aprendizado.
Se ainda não está seguindo, CONVIDO A SEGUIR O PERFIL
PROFESSOR.PROCOPIO NO INSTAGRAM. Lá, haverá informações relevantes
de aprovação de novas súmulas, alterações legislativas e tudo o que houver de
atualização, de forma ágil e com contato direto. Use as redes sociais a favor dos
seus estudos.

2 – Dos Crimes Contra a Propriedade Imaterial


Os crimes contra a propriedade imaterial estão previstos no Título III da Parte
Especial do Código Penal.

2.1 – Dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual


Os crimes contra a propriedade intelectual possuem hoje previsão limitada ao
artigo 184 do Código Penal, enquanto o artigo 186 cuida da ação penal. “Dos
Crimes Contra a Propriedade Intelectual” é a denominação do Capítulo do Título
III da Parte Especial (Dos Crimes Contra a Propriedade Imaterial). Anteriormente,
abrangia também o crime de usurpação de nome ou pseudônimo alheio, que
possuía previsão no artigo 185 do Código Penal e foi revogado pela Lei
10.695/2003.

2.1.1 - Da Violação Contra os Direitos Autorais


O crime de violação contra os direitos autorais está previsto no artigo 184 do
Código Penal:
Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto
ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução
ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do
produtor, conforme o caso, ou de quem os represente.
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa

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§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto,


distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito,
original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito
de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de
fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a
expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente.
§ 3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite,
ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou
produção para recebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula
a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o
caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem
os represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa
§ 4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o não se aplica quando se tratar de exceção ou limitação
ao direito de autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº
9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um
só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto.

Tutela-se a propriedade intelectual. O direito do autor ou direito autoral se refere


ao conjunto de direitos atribuídos ao responsável pela criação de uma
determinada obra. Abrange direitos materiais e morais.
Os direitos conexos são aqueles referentes à execução, transmissão e reprodução
da obra, incluído o direito de arena. Este último consiste na prerrogativa exclusiva
de negociar, autorizar ou proibir a captação, a fixação, a emissão, a transmissão,
a retransmissão ou a reprodução de imagens, por qualquer meio ou processo, de
espetáculo desportivo de que o indivíduo participe, conforme conceituação da Lei
9.615/98 (Lei Pelé).
O núcleo do tipo é “violar” (infringir, transgredir, desrespeitar), sendo o objeto
material, aquele sobre recai a conduta, o direito do autor e os direitos conexos.
A expressão “direito do autor” torna o tipo penal do artigo 184, caput, do Código
Penal uma norma penal em branco homogênea ou imprópria heterovitelina. Sua
complementação é feita especialmente pela Lei 9.610/98, além da própria Lei
9.615/98, acima citada.
O Título III da Lei 9.610/98 é dedicado aos direitos do autor, enumerando-os em
extenso rol. O Capítulo I de referido Título traz as disposições preliminares a
respeito:
Art. 22. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou.
Art. 23. Os co-autores da obra intelectual exercerão, de comum acordo, os seus direitos,
salvo convenção em contrário.

O crime é comum, não exigindo nenhuma qualidade específica do sujeito ativo


para a sua configuração.
Além disso, é de forma livre, sendo que a violação aos direitos do autor pode se
dar de diferentes modos, não havendo maneiras específicas de sua prática. Pode
ocorrer, por exemplo, por meio da reprodução da obra original ou a
comercialização de edições da obra de forma não autorizada.

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O crime é doloso e plurissubsistente, razão pela qual admite a punição da


tentativa.
Sobre a perícia para a configuração do delito, o STF já considerou ser suficiente
o exame externo do corpo de delito, com indicação dos autores cujos direitos
foram violados:
“RECURSO ESPECIAL – MATÉRIA FÁTICA – REVOLVIMENTO VERSUS
ENQUADRAMENTO. São inconfundíveis o revolvimento dos elementos probatórios
do processo e o enquadramento jurídico dos fatos constantes do acórdão
impugnado por meio de recurso de natureza extraordinária. DIREITO AUTORAL
– LAUDO. Desnecessário é o exame do conteúdo das peças apreendidas,
sendo suficiente o do externo, bem como a indicação dos autores
lesionados. DIREITO AUTORAL – VIOLAÇÃO – INSIGNIFICÂNCIA. Surge
impróprio cogitar da atipicidade da conduta, sob o ângulo da insignificância,
considerada a quantidade de material apreendido.” (HC 123037/MG, Rel. Min.
Marco Aurélio, Primeira Turma, Julgamento 04/10/2016).
O STJ já entendeu não ser necessária sequer a identificação dos titulares dos
direitos, entendendo suficiente a perícia por amostragem:
“RECURSO ESPECIAL. PROCESSAMENTO SOB O RITO DO ART. 543-C DO
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA.
VIOLAÇÃO DE DIREITO AUTORAL. PERÍCIA SOBRE TODOS OS BENS
APREENDIDOS. DESNECESSIDADE. ANÁLISE DOS ASPECTOS EXTERNOS
DO MATERIAL APREENDIDO. SUFICIÊNCIA. IDENTIFICAÇÃO DOS TITULARES
DOS DIREITOS AUTORAIS VIOLADOS. PRESCINDIBILIDADE. RECURSO
PROVIDO. 1. Recurso Especial processado sob o regime previsto no art. 543-C,
§ 2º, do CPC, c/c o art. 3º do CPP, e na Resolução n. 8/2008 do STJ. TESE: É
suficiente, para a comprovação da materialidade do delito previsto no
art. 184, § 2º, do Código Penal, a perícia realizada, por amostragem,
sobre os aspectos externos do material apreendido, sendo
desnecessária a identificação dos titulares dos direitos autorais
violados ou de quem os represente. (...)” (REsp 1485832/MG, Rel. Min.
Rogério Schietti Cruz, Terceira Seção, DJe 21/08/2015).

Formas qualificadas
Os parágrafos primeiro e segundo do artigo 184 do Código Penal preveem formas
qualificadas do delito. Em ambos os dispositivos, exige-se o “intuito de lucro
direto ou indireto”, razão pela qual as modalidades qualificadas podem ser
classificadas como crimes mercenários.
A forma qualificada do parágrafo primeiro incide se a violação consistir em
reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual,
interpretação, execução ou fonograma. Como dito, exige-se o elemento subjetivo
especial do tipo consistente no intuito de lucro direto ou indireto. Ademais, o tipo

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somente se configura se não houver autorização expressa do autor, do artista


intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os
represente, mesmo porque se trata de direito disponível. A pena é de reclusão,
de 2 a 4 anos, e multa.
Já o parágrafo segundo prevê a qualificadora em que incorre quem distribui,
vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito,
original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do
direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do
produtor de fonograma. Como já dito, exige-se o intuito de lucro direto ou
indireto. Configura-se o crime se não houver a expressa autorização dos titulares
dos direitos ou de quem os represente. A pena também é de reclusão, de 2 a 4
anos, e multa. Esta primeira parte do parágrafo segundo consiste em forma
especial de receptação.
Também incide na forma qualificada do parágrafo segundo aquele que aluga
original ou cópia de obra intelectual ou fonograma sem expressa autorização de
quem de direito. Como já ressaltado, deve haver o intuito de lucro direito ou
indireto. Não se abrange no tipo penal a conduta de quem aluga original de
videofonograma, por falta de previsão na norma. Deste modo, ficou a lacuna
legislativa quanto ao aluguel de fitas VHS e de mídias de DVD e Blu-ray Disc,
conforme bem exposto pelo Professor Cezar Bitencourt. Ainda que haja
entendimento contrário, devemos recordar não ser admissível a analogia in
malam partem no Direito Penal.
O parágrafo terceiro prevê outra forma qualificada, cuja pena também é de
reclusão, de 2 a 4 anos, e multa. Configura-se se a violação consistir no
oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer
outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para
recebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a
demanda, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista
intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os represente
Exige-se, como nas demais modalidades qualificadas, o intuito de lucro, direto ou
indireto.
Referido dispositivo pune a chamada cyberpirataria, ou seja, a pirataria praticada
por meio de recursos tecnológicos, como pelo envio de mensagens eletrônicos ou
serviços de venda com download, por meio da internet.
Sobre a incidência da forma qualificada prevista no parágrafo segundo do artigo
184, o Superior Tribunal de Justiça elaborou a Súmula 501, reconhecendo-a no
caso de exposição à venda de CDs e DVDs falsificados, denominados
popularmente de “piratas”:
Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no
art. 184, § 2º, do CP, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas

Em todas as suas formas, o crime do artigo 184 do Código Penal é material e


plurissubsistente, admitindo a forma tentada.

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Especialidade
A lei 12.663/12, conhecida como Lei FIFA, é especial em relação ao crime previsto
no Código Penal. Com prazo fixado de vigência até o dia 31 de dezembro de 2014,
é classificada como lei temporária em sentido estrito, razão pela qual continua a
regular os crimes cometidos em referido lapso temporal.
Há, ainda, a especialidade dos crimes previstos na Lei 9.609/98, a qual dispõe
sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador, como
já foi reconhecido no seguinte julgado do Supremo Tribunal Federal:
“(...) II – A comercialização de mídias com filme ou músicas reproduzidas sem
autorização do titular do direito autoral encontra tipificação no Código Penal. III
– A Lei 9.609/1998 é norma específica, que tipifica a conduta de comercialização
de mídias com programas de computador reproduzidos sem autorização do autor.
IV – Habeas corpus não conhecido.” (STF, HC 136233/RS, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, Segunda Turma, Julgamento 26/10/2016).

Competência
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da discussão sobre
competência em caso de reprodução ilegal de CDs e DVDs, em caso de
transnacionalidade do delito. Como não houve o julgamento até a disponibilização
desta aula, recomendo o acompanhamento do caso:
“DIREITO CONSTITUCIONAL. PENAL E PROCESSO PENAL. REPRODUÇÃO ILEGAL
DE CDS E DVDS. TRANSNACIONALIDADE DO DELITO. DEFINIÇÃO DE
COMPETÊNCIA. MANIFESTAÇÃO PELA REPERCUSSÃO GERAL.” (RE 702362
RG/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, Julgamento 06/09/2012).

Exclusão do crime
O parágrafo quarto do artigo 184 prevê que os parágrafos 1º, 2º e 3º não se
aplicam quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de autor ou os que
lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de
fevereiro de 1998, nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só
exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto.
Deste modo, não há o crime nos casos de exceção ou limitação ao direito do autor
e aos direitos conexos, conforme prevê a Lei 9.610/98. Os artigos 46, 47 e 48
cuidam das chamadas limitações aos direitos autorais:
Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:
I - a reprodução:
a) na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários
ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde
foram transcritos;
b) em diários ou periódicos, de discursos pronunciados em reuniões públicas de qualquer
natureza;

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c) de retratos, ou de outra forma de representação da imagem, feitos sob encomenda,


quando realizada pelo proprietário do objeto encomendado, não havendo a oposição da
pessoa neles representada ou de seus herdeiros;
d) de obras literárias, artísticas ou científicas, para uso exclusivo de deficientes visuais,
sempre que a reprodução, sem fins comerciais, seja feita mediante o sistema Braille ou
outro procedimento em qualquer suporte para esses destinatários;
II - a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista,
desde que feita por este, sem intuito de lucro;
III - a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação, de
passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada
para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra;
IV - o apanhado de lições em estabelecimentos de ensino por aqueles a quem elas se
dirigem, vedada sua publicação, integral ou parcial, sem autorização prévia e expressa de
quem as ministrou;
V - a utilização de obras literárias, artísticas ou científicas, fonogramas e transmissão de
rádio e televisão em estabelecimentos comerciais, exclusivamente para demonstração à
clientela, desde que esses estabelecimentos comercializem os suportes ou equipamentos
que permitam a sua utilização;
VI - a representação teatral e a execução musical, quando realizadas no recesso familiar
ou, para fins exclusivamente didáticos, nos estabelecimentos de ensino, não havendo em
qualquer caso intuito de lucro;
VII - a utilização de obras literárias, artísticas ou científicas para produzir prova judiciária
ou administrativa;
VIII - a reprodução, em quaisquer obras, de pequenos trechos de obras preexistentes, de
qualquer natureza, ou de obra integral, quando de artes plásticas, sempre que a reprodução
em si não seja o objetivo principal da obra nova e que não prejudique a exploração normal
da obra reproduzida nem cause um prejuízo injustificado aos legítimos interesses dos
autores.
Art. 47. São livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra
originária nem lhe implicarem descrédito.
Art. 48. As obras situadas permanentemente em logradouros públicos podem ser
representadas livremente, por meio de pinturas, desenhos, fotografias e procedimentos
audiovisuais.

Também não se configura o delito com uma única cópia de obra intelectual ou
fonograma, desde seja um único exemplar, para uso privado do indivíduo e desde
que não exista o intuito de lucro direito ou indireto.
✓ Segue o questionamento: e o caput? Exclui-se o crime na forma
qualificada e se mantém na forma simples?
Pela leitura literal do dispositivo, a exclusão do crime se refere apenas às formas
qualificadas do delito. Entretanto, deve-se frisar que existe o entendimento de
que as hipóteses de exclusão do delito, situação mais favorável, abrange todas
as modalidades do crime de violação contra os direitos autorais.

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2.1.2 - Da Ação Penal nos Crimes contra a Propriedade


Intelectual
O artigo 186 cuida da ação penal nos casos dos crimes contra a propriedade
intelectual, que, como vimos, atualmente se resumem, no Código Penal, às
formas do crime de violação contra os direitos autorais:
Art. 186. Procede-se mediante:
I – queixa, nos crimes previstos no caput do art. 184;
II – ação penal pública incondicionada, nos crimes previstos nos §§ 1o e 2o do art. 184;
III – ação penal pública incondicionada, nos crimes cometidos em desfavor de entidades de
direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação
instituída pelo Poder Público;
IV – ação penal pública condicionada à representação, nos crimes previstos no § 3o do art.
184.

No caso da modalidade simples, prevista no caput do artigo 184, a ação penal é


privada exclusiva. Nas formas qualificadas dos parágrafos primeiro e segundo, a
ação penal é pública incondicionada, assim como nos casos em que a infração
penal for cometida contra entidades de direito público, autarquia, empresa
pública, sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo Poder Público.
Por fim, a ação penal é pública condicionada à representação no caso da forma
qualificada do parágrafo terceiro do artigo 184.

2.2 – Dos Crimes Contra o Privilégio da Invenção


Estavam previstos nos artigos 187 a 191 do Código Penal. Foram revogados pela
Lei 9.279/96.

2.3 – Dos Crimes Contra as Marcas de Indústria e Comércio


Eram os crimes tratados nos artigos 192 a 195 do Código Penal. Foram revogados
pela Lei 9.279/96.

2.4 – Dos Crimes de Concorrência Desleal


Com previsão original no artigo 196 do Código Penal, teve sua revogação levada
a efeito pela Lei 9.279/96.

3 – Dos Crimes Contra a Organização do Trabalho


O Título IV da Parte Especial do Código Penal se intitula “Dos Crimes Contra a
Organização do Trabalho”. Nele, estão contidos os seguintes crimes: atentado

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contra a liberdade do trabalho; atentado contra a liberdade de contrato de


trabalho e boicotagem violenta; atentado contra a liberdade de associação;
paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem;
paralisação de trabalho de interesse coletivo; invasão de estabelecimento
industrial, comercial ou agrícola e sabotagem; frustração de direito assegurado
por lei trabalhista; frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho;
aliciamento para o fim de emigração e aliciamento de trabalhadores de um local
para outro do território nacional.
Ao verificar a denominação dos crimes tratados no Título IV da Parte Especial do
Código Penal, vale relembrar que a Constituição da República também faz
referência ao termo “crimes contra a organização do trabalho”, ao dispor sobre a
competência da Justiça Federal:
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
(...)
VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o
sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;

Deste modo, uma primeira leitura do Código Penal e do artigo 109, inciso VI, da
Constituição, poderia indicar que os crimes contra a organização do trabalho,
tratados nos artigos 197 a 207, seriam sempre julgados pelos Juízes Federais em
primeiro grau de jurisdição.
Entretanto, não é esta a interpretação do Supremo Tribunal Federal a respeito
deste dispositivo da Constituição. Para a Corte, não é a denominação dada pela
lei que definirá se o crime é ou não da competência da Justiça Comum Federal,
e sim o fato de eles ofenderem os interesses coletivos do trabalho. Neste sentido,
o seguinte precedente:
“Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Recurso extraordinário no qual
se alega que o Tribunal a quo violou o art. 109, incisos VI e IX, da CF. 3. Acórdão
recorrido que reconhece a competência da Justiça estadual para julgamento do
feito. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a recurso extraordinário. 5.
A interpretação do que seja crime contra a organização do trabalho, para
o fim constitucional de determinar a competência, não se junge à
capitulação do Código Penal. 6. O recurso extraordinário não é esclarecedor
acerca do número de indígenas supostamente vítimas do delito tipificado no art.
207, §§ 1º e 2º do CP, havendo referência individualizada a apenas um silvícola.
7. Não se identificam, no caso concreto, disputas sobre direitos indígenas ou
situação excepcional de crime contra a organização do trabalho. 8. Agravo
regimental ao qual se nega provimento.” (STF, RE 449848 AgR, 30/10/2012).
Na mesma linha, o Superior Tribunal de Justiça tem considerando que são
federais os crimes que atinjam a organização geral do trabalho ou os direitos dos
trabalhadores em âmbito coletivo, sendo os demais de competência da Justiça
Comum Estadual:
“CONFLITO DE COMPETÊNCIA. DIREITO PROCESSUAL PENAL. FRUSTRAÇÃO DE
DIREITOS TRABALHISTAS. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À ORGANIZAÇÃO GERAL

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DO TRABALHO OU A DIREITOS DOS TRABALHADORES CONSIDERADOS


COLETIVAMENTE. INTERESSES INDIVIDUAIS DE TRABALHADORES.
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. PRECEDENTES. 1. Compete à Justiça
Federal processar e julgar os crimes contra a organização do trabalho,
quando tenham por objeto a organização geral do trabalho ou direitos
dos trabalhadores considerados coletivamente (Súmula n. 115 do extinto
Tribunal Federal de Recursos). 2. A infringência dos direitos individuais de
trabalhadores, sem que configurada lesão ao sistema de órgãos e instituições
destinadas a preservar a coletividade trabalhista, afasta a competência da Justiça
Federal (AgRg no CC 64.067/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, TERCEIRA
SEÇÃO, DJe 08/09/2008). 3. Conflito conhecido para declarar competente o
JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA CRIMINAL DE BARUERI - SP.(RE 449848 AgR,
30/10/2012).” (STJ, CC 135924/SP, 3ª Seção)
Inclusive, há crimes de fora do Título IV que podem ofender a organização do
trabalho como um todo, como ocorre com o delito de redução à condição análoga
à de escravo.

3.1 – Atentado Contra a Liberdade de Trabalho


O artigo 197 do Código Penal prevê o crime de atentado contra a liberdade de
trabalho:
Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça:
I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não
trabalhar durante certo período ou em determinados dias:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência;
II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou
paralisação de atividade econômica:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à
violência.

O núcleo do tipo é “constranger”, que significa coagir, tolher a liberdade, obrigar.


A conduta recai sobre outrem, que pode ser qualquer pessoa. O sujeito ativo
também pode ser qualquer indivíduo, razão pela qual o crime é classificado como
comum.
O constrangimento pode se dar por meio de:
❑ Violência (vis corporalis).
❑ Grave ameaça (vis compulsiva).
O constrangimento deve ser voltar:
• a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar
ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias. Neste
caso, a pena será detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena
correspondente à violência. Ou seja, havendo violência, deve-se aplicar a
regra do cúmulo material das penas.

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• a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de


parede ou paralisação de atividade econômica. Neste caso, a pena é de
detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente
à violência. A lei também determina o uso do cúmulo material de penas se
houver violência.
É um crime especial em relação ao delito de constrangimento ilegal, sendo sua
principal diferença o elemento subjetivo, envolvendo a finalidade do agente de
atentar contra o trabalho alheio.
O elemento subjetivo é o dolo, consistente na vontade livre e consciente de
constranger a vítima a alguma das formas de atentado ao trabalho acima
descritas.
O crime é material, apenas se consumando se o constrangimento surtir efeito,
fazendo com que a vítima faça ou deixe de fazer algo, ou seja, quando há a
efetiva limitação à liberdade de trabalho. O crime é material e, portanto,
plurissubsistente, admitindo o conatus.
A competência é, em regra, da Justiça Comum Estadual, só passando a ser da
Justiça Comum Federal no caso de serem atingidos os direitos dos trabalhadores
como um todo.
O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que se o fato de subsome ao tipo penal
de atentado contra a liberdade do trabalho, não há a atração, por si só, da
competência da Justiça Federal:
“AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO CONFLITO
NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DO TRABALHO.
CRIME CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO. INOCORRÊNCIA.
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1. No caso dos autos, o movimento
grevista instaurado por servidores municipais, promovendo desordem, e
impedindo, mediante ameaças e utilização de força física, o ingresso de
servidores no local de trabalho, bem como a retenção de equipamentos
necessários à execução dos serviços, sobretudo os essenciais, não configura
crime contra a organização do trabalho. 2. Para a caracterização do crime
contra a organização do trabalho, o delito deve atingir a liberdade
individual dos trabalhadores, como também a Organização do Trabalho
e a Previdência, a ferir a própria dignidade da pessoa humana e colocar
em risco a manutenção da Previdência Social e as Instituições
Trabalhistas, evidenciando a ocorrência de prejuízo a bens, serviços ou
interesses da União, conforme as hipóteses previstas no art. 109 da CF,
o que não se verifica no caso vertente. 3. Agravo regimental a que se nega
provimento.” (STJ, AgRg no CC 62875/SP, Rel. Min. Og Fernandes, Terceira
Seção, DJe 13/05/2009).

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3.2 – Atentado Contra a Liberdade de Contrato de Trabalho e


Boicotagem Violenta
O crime de atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem
violenta está previsto no artigo 198 do Código Penal:
Art. 198 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato
de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou
produto industrial ou agrícola:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

O núcleo do tipo, tal qual no crime de atentado contra a liberdade de trabalho, é


o verbo “constranger”, que significa coagir, tolher a liberdade, obrigar.
O constrangimento pode se dar por meio de:
❑ Violência (vis corporalis).
❑ Grave ameaça (vis compulsiva).
O sujeito passivo é constrangido a:
• Celebrar contrato de trabalho ou;
• A não fornecer a outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola
ou;
• A não adquirir de outrem matéria prima ou produto industrial ou agrícola.
O artigo 198 do Código Penal possui, portanto, duas partes:

a) Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho


O constrangimento, efetuado mediante violência ou grave ameaça, a celebrar
contrato de trabalho. Cuida-se de delito cometido contra a liberdade de trabalho.
Sujeito passivo é aquele que sofre a coação, mediante violência ou grave ameaça.
Há lacuna legislativa quanto ao constrangimento efetuado para que não se
celebre contrato de trabalho, o que não pode ser abrangido no tipo penal, sob
pena de se admitir a analogia in malam partem. Resta, então, o crime subsidiário
de constrangimento ilegal.

b) Boicotagem violenta
O constrangimento, por meio de violência ou grave ameaça, a não fornecer a
outrem ou a não adquirir matéria-prima ou produto industrial ou agrícola. O bem
jurídico tutelado é a normalidade das relações de trabalho. O sujeito passivo é
quem sofre a coação e de quem sofre a boicotagem.

O elemento subjetivo é o dolo, que se traduz na vontade livre e consciente de


constranger, alguém, mediante violência ou grave ameaça, a uma das hipóteses
previstas no tipo.
O crime é comum, material e plurissubsistente.

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3.3 – Atentado Contra a Liberdade de Associação


O crime de atentado contra a liberdade de associação está tipificado no artigo
199 do Código Penal, com os seguintes termos:
Art. 199 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar
de participar de determinado sindicato ou associação profissional:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

O núcleo do tipo é “constranger”, que consiste na conduta de coagir, tolher a


liberdade, obrigar, sendo que pode ser realizado mediante:
❑ Violência (vis corporalis).
❑ Grave ameaça (vis compulsiva).
O constrangimento ou coação visa a que alguém participe ou deixe de participar
de determinado sindicato ou associação principal. Tutela-se, portanto, a liberdade
de associação e de filiação sindical.
O crime é comum, não exigindo nenhuma qualidade específica do sujeito ativo.
O sujeito passivo é qualquer sujeito, trabalhador ou profissional, que possa ser
compelido a integrar ou deixar de integrar a associação profissional ou
determinado sindicato.
O elemento subjetivo é o dolo, que é a vontade livre e consciente de constranger
alguém, mediante violência ou grave ameaça, para que participe ou deixe de
participar de associação profissional ou sindicato.
O crime é material, exigindo o resultado naturalístico para sua consumação (que
o sujeito participe ou deixe de participar da instituição). É, por isso,
plurissubsistente, sendo admissível o conatus.

3.4 – Paralisação de Trabalho, Seguida de Violência ou


Perturbação da Ordem
O crime de paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem
tem lugar no artigo 200 do Código Penal:
Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência
contra pessoa ou contra coisa:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o
concurso de, pelo menos, três empregados.

A greve e a suspensão do trabalho não são, por si sós, caracterizadoras do crime


em comento, mesmo porque representam exercício de direito e, no caso da
greve, um direito fundamental do trabalhador. O tipo se refere ao uso de violência
contra a pessoa ou a coisa, razão pela qual o bem jurídico tutelado seria a
regularidade das relações de trabalho.

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O tipo se consubstancia na conduta de participar de suspensão de trabalho


(denominado lockout ou locaute) ou abandono coletivo de trabalho (que se traduz
na greve). Deve haver violência contra a coisa ou contra a pessoa, que deve ser
real, não abrangendo a chamada vis relativa, a grave ameaça.
No abandono coletivo de trabalho, o crime é de concurso necessário, conforme
dispõe o parágrafo único do artigo 200 do Código Penal. Exigem-se, no mínimo,
três pessoas.
No caso da suspensão de trabalho (lockout), a lei não exige o número mínimo de
empregadores. O crime é, portanto, unissubjetivo ou de concurso eventual.
Entretanto, a doutrina majoritária entende ser necessário também o número
mínimo acima mencionado, em razão do verbo “participar”. Para esta corrente,
só se exige que um dos três seja empregador.
A violência é necessária para a consumação do crime, razão pela qual se classifica
como material. Ademais, é plurissubsistente, sendo possível sua modalidade
tentada.
O crime é doloso, não havendo previsão de forma culposa. É próprio, pois o
sujeito ativo deve ser trabalhador ou empregador, qualidade que, exigida como
elementar do tipo, se comunica aos demais coautores ou partícipes.

3.5 – Paralisação de Trabalho de Interesse Coletivo


A paralisação de trabalho de interesse coletivo é tipificada no artigo 201 do
Código Penal:
Art. 201 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a
interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Tutela-se, tal qual no delito do artigo 200 do Código Penal, a regularidade das
relações de trabalho, especialmente as que envolvam obra pública ou serviço de
interesse coletivo.
Como já dito, a greve e a suspensão do trabalho não são, por si sós,
caracterizadoras do crime em comento, mesmo porque representam exercício de
direito e, no caso da greve, um direito fundamental do trabalhador.
O tipo se consubstancia na conduta de participar de suspensão de trabalho
(denominado lockout ou locaute) ou abandono coletivo de trabalho (que se traduz
na greve). A suspensão ou o abandono deve causar a interrupção de obra pública
ou serviço de interesse coletivo.
Alberto Silva Franco e Cezar Roberto Bitencourt entendem que o delito foi
revogado, em virtude da amplitude do direito de greve dado pela Constituição.
Cuida-se, na conhecida classificação de José Afonso da Silva, de direito
fundamental de eficácia contida, ou seja, que pode ser limitado pela lei, que pode
reduzir sua eficácia.

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De todo modo, considerando que não há declaração de inconstitucionalidade do


artigo 201 do Código Penal, bem como doutrinadores que entendem ser
compatível com a Constituição, cumpre ressaltar que a Lei nº 7.783/89, a qual
dispõe sobre os serviços ou atividades essenciais:
Art. 10 São considerados serviços ou atividades essenciais:
I - tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia elétrica, gás e
combustíveis;
II - assistência médica e hospitalar;
III - distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos;
IV - funerários;
V - transporte coletivo;
VI - captação e tratamento de esgoto e lixo;
VII - telecomunicações;
VIII - guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e materiais
nucleares;
IX - processamento de dados ligados a serviços essenciais;
X - controle de tráfego aéreo;
XI compensação bancária.

O crime tem como elemento subjetivo o dolo, a vontade livre e consciente de


participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a
interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo.
Cuida-se de crime próprio, pois o sujeito ativo deve ser empregado ou
empregador, com atuação em obra pública ou serviço de interesse coletivo. O
crime é material, sendo necessário o resultado naturalístico para sua
consumação. Ademais, é plurissubsistente, admitindo a tentativa.

3.6 – Invasão de Estabelecimento Industrial, Comercial ou


Agrícola. Sabotagem
O crime de invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola e de
sabotagem, que possui duas figuras distintas no mesmo tipo penal, encontra-se
no artigo 202 do Código Penal:
Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito
de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o
estabelecimento ou as coisas nele existentes ou delas dispor:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

São duas figuras no mesmo tipo penal:

Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola

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A invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola consiste na


conduta de invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola,
com o intuito de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho. Invadir
significa ocupar de forma abusiva, usurpar, apoderar-se. Ocupar significa estar
na posse de, dominar, submeter.
O elemento subjetivo especial deve ser impedir ou embaraçar o curso normal do
trabalho. Impedir significa estorvar, obstruir, dificultar o curso de. Embaraçar
consiste em perturbar, complicar, perturbar.

Sabotagem
A modalidade de sabotagem consiste em danificar o estabelecimento industrial,
comercial ou agrícola ou as coisas nele existentes ou delas dispor, com o fim de
impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho. Danificar é estragar, causar
dano, avariar. Dispor tem o significar de desfazer-se das coisas, seja por meio de
doação, alienação e etc.
O elemento subjetivo especial do tipo também deve ser impedir ou embaraçar o
curso normal do trabalho, já analisado acima.

O crime é doloso, sendo necessário o dolo específico de impedir ou embaraçar o


curso normal do trabalho. O crime é comum, não exigindo qualidade específica
do sujeito ativo.
A modalidade de invasão se consuma com a invasão ou a ocupação do
estabelecimento, enquanto a modalidade de sabotagem se consuma com a
ocorrência de dano ou da efetiva disposição. Em ambos os casos, não é
necessário que haja o impedimento ou o embaraço do curso normal do trabalho.
O crime é comum. É plurissubsistente, sendo possível a sua tentativa.
O Superior Tribunal de Justiça já decidiu sobre a competência, em regra, da
Justiça Estadual para julgamento do crime do artigo 202 do Código Penal:
“CONFLITO NEGATIVO DE COMPETENCIA. JUSTIÇA FEDERAL - JUSTIÇA
ESTADUAL - LESÃO DE DIREITO INDIVIDUAL. I - COMPETENCIA DA JUSTIÇA
ESTADUAL PARA JULGAR CRIME TIPIFICADO NO ART. 202, DO CODIGO
PENAL, QUANDO OCORRER LESÃO A DIREITO INDIVIDUAL E NÃO A
ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO. II - CONFLITO CONHECIDO E
DECLARADO COMPETENTE O SUSCITADO.” (STJ, CC 6429/SP, Rel. Min. Pedro
Acioli, Terceira Seção, DJ 07/03/1994).

3.7 – Frustração de Direito Assegurado por Lei Trabalhista


O artigo 203 do Código Penal prevê o crime de frustração de direito assegurado
por lei trabalhista:

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Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do
trabalho:
Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 1º Na mesma pena incorre quem:
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para
impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida;
II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou
por meio da retenção de seus documentos pessoais ou contratuais.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos,
idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.

O núcleo do tipo é o verbo “frustrar”, que significa anular, impedir, iludir. A


frustração pode se dar mediante:
• Fraude: ardil, astúcia.
• Violência: é a vis corporalis, a violência física.
A conduta recai sobre direito trabalhista, o que demonstra que o tipo penal
depende de complementação normativa. É, portanto, lei penal em branco, por
ser complementada pela legislação trabalhista.

Formas equiparadas
O parágrafo primeiro do artigo 203 do Código Penal prevê formas equiparadas:

I - obrigar ou coagir alguém a usar mercadorias de determinado


estabelecimento, para impossibilitar o desligamento do serviço em
virtude de dívida.
A conduta é utiliza-se de coação para que o individuo use mercadoria de
determinado estabelecimento para impedir que o indivíduo obtenha o
desligamento do serviço.

II - impedir alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza,


mediante coação ou por meio da retenção de seus documentos pessoais
ou contratuais.
Aqui a conduta é impedir alguém de se desligar do serviço, seja por meio de
coação, seja por meio de retenção de documentos pessoais ou contratuais.

O crime é doloso, comum, material e plurissubsistente.

Forma majorada
Há a causa de aumento, de um sexto a um terço, prevista no parágrafo segundo
para o caso de a vítima ser menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou

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portadora de deficiência física ou mental. O maior desvalor da conduta de liga a


algumas minorias ou ao fato de menor possibilidade de resistência, o que
demonstra serem tais vítimas mais vulneráveis à conduta do agente.

Também no caso do crime previsto no artigo 203 do Código Penal, a competência


em regra é da Justiça Estadual, só passando o crime a ser federal se forem
atingidos os direitos dos trabalhadores de forma coletiva:
“PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE
COMPETÊNCIA. 1. FRUSTRAÇÃO DE DIREITO ASSEGURADO POR LEI
TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE REGISTRO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
CONDUTA QUE NÃO ATINGIU OS TRABALHADORES DE FORMA COLETIVA.
AUSÊNCIA DE OFENSA A ÓRGÃO OU INSTITUTO DE PROTEÇÃO DOS
TRABALHADORES. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 2. AGRAVO
REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. Não tendo ficado demonstrada a prática de crime
contra a organização geral do trabalho ou contra trabalhadores considerados
coletivamente, mas apenas contra 14 (quatorze) funcionários que não estavam
com seu vínculo empregatício registrado na Carteira de Trabalho, tem-se que não
ficou demonstrada a competência da Justiça Federal no caso dos autos. 2. Agravo
regimental improvido.” (STJ, AgRg no CC 122280/SP, Rel. Des. Convocado
Leopoldo de Arruda Raposo, Terceira Seção, DJe 11/03/2015).

Referida Corte também já decidiu ser necessária a análise das provas e dos fatos
para verificar se o delito de frustração de direito assegurado por lei trabalhista se
esgota ou não na infração penal de redução à condição análoga à de escravo,
sendo por ela absorvido:
“(...) 1. Para se verificar se a frustração de direitos assegurados por lei trabalhista
e o aliciamento de trabalhadores de um local para o outro do território nacional
teriam ou não se esgotado no crime tipificado no artigo 149 do Código Penal,
seria indispensável averiguar o contexto em que as infrações foram cometidas,
providência que é vedada na via eleita, pois demanda o revolvimento de matéria
fático-probatória.(...)” (STJ, RHC 41003/PI, Rel. Min. Jorge Mussi, Quinta Turma,
DJe 03/04/2014).

3.8 – Frustração de Lei Sobre a Nacionalização do Trabalho


O crime de frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho está previsto no
artigo 204 do Código Penal:
Art. 204 - Frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à nacionalização
do trabalho:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

O núcleo do tipo é o verbo “frustrar”, que significa anular, impedir, iludir. A


frustração pode se dar mediante:

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• Fraude: ardil, astúcia.


• Violência: é a vis corporalis, a violência física.
A conduta recai sobre obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho.
Cuida-se, portanto, de norma penal em branco imprópria, pois seu complemento
está em lei, e heterovitelina, por ser lei diversa do Código Penal. O complemento
está nos artigos 352 a 371 da CLT, que são disposições sobre a quantidade
mínima de brasileiros em determinadas empresas. Dada a extensão dos
dispositivos, não haverá sua reprodução total, mas apenas do caput do artigo
352 para fins de exemplificação:
Art. 352 - As empresas, individuais ou coletivas, que explorem serviços públicos dados em
concessão, ou que exerçam atividades industriais ou comerciais, são obrigadas a manter,
no quadro do seu pessoal, quando composto de 3 (três) ou mais empregados, uma
proporção de brasileiros não inferior à estabelecida no presente Capítulo.

É questionável ter havido ou não recepção do artigo 204 do Código Penal pela
Constituição de 1988.
Cuida-se de crime comum, por não exigir nenhuma qualidade do sujeito ativo,
nem mesmo que seja empregado ou empregador. É doloso, sem exigência de
elemento subjetivo especial, além de não admitir a modalidade culposa. É
plurissubsistente, razão pela qual é possível a configuração da tentativa.

3.9 – Exercício de Atividade com Infração de Decisão


Administrativa
O crime de exercício de atividade com infração de decisão administrativa foi
tipificado no artigo 205 do Código Penal:
Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.

A ação nuclear é exercer, que significa praticar, pôr em ação, desempenhar,


realizar. A conduta se refere a atividade de que o agente foi impedido por decisão
administrativa.
O crime é doloso, não havendo previsão de modalidade culposa. É considerado,
ainda, próprio, pois só pode ser praticado por quem foi proibido de exercer
determinada atividade por decisão administrativa.
A decisão deve ser administrativa. Se for judicial, pode-se configurar o crime do
art. 330 ou o do 359 do CP:
Desobediência
Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa.
(...)
Desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito

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Art. 359 - Exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi suspenso ou
privado por decisão judicial:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.

Ainda que se trate de precedente não muito recente, vale a leitura do seguinte
julgado do STF, em que se considerou competente a Justiça Federal, por envolver
interesse de autarquia federal (Conselho Regional de Medicina), e que basta um
ato de desobediência à decisão administrativa para a prática do crime:
“(...) 1. A conduta imputada ao paciente e pela qual foi condenado é exatamente
a prevista no art. 205 do Código Penal: "exercer atividade com infração de
decisão administrativa". 2. Era competente a Justiça Federal para o
processo e julgamento, por se tratar de crime, senão contra a
organização do trabalho propriamente dita (art. 109, inc. VI, da C.F.), ao
menos em detrimento de interesses de autarquia federal, como é o
Conselho Regional de Medicina, que impusera ao réu a proibição de
exercer a profissão (inc. IV do mesmo art. 109 da C.F.). 3. A conduta típica
prevista no art. 205, por ser específica, exclui a do art. 282, que trata do exercício
ilegal de medicina. E, no caso, o que houve foi o exercício da profissão, já
obstado, anteriormente, por decisão administrativa, que vem a ser descumprida.
4. Também não se cogita da desobediência genérica a ordem legal de funcionário
público (art. 330), pois não há simples ordem a ser cumprida, mas decisão
administrativa de cassação de registro, que antes possibilitava o exercício da
medicina, mas que com ela se tornou eficaz. 5. Igualmente não se trata da
desobediência a decisão judicial, de que cogita o art. 359 do C.P. 6. Basta um
ato de desobediência à decisão administrativa, para que se configure o
delito em questão (art. 205). (...)” (HC 74826/SP, Rel. Min. Sydney Sanches,
Primeira Turma, Julgamento: 11/03/93)
No seguinte julgado, este do STJ, considerou-se que o crime se configura com a
prática habitual dos atos referentes à atividade que foi proibida por decisão
administrativa:
“(...) 1. Da leitura do tipo previsto no artigo 205 do Código Penal,
percebe-se que o crime nele disposto caracteriza-se com a simples
prática habitual de atos próprios da atividade que o agente se encontra
impedido de exercer por força de decisão administrativa. 2. Ao contrário do que
aventado nas razões do presente reclamo, o crime em análise não pressupõe a
cassação do registro profissional do agente, mas apenas que este exerça
atividade que estava impedido de praticar por conta de decisão administrativa.
3. Havendo nos autos a informação de que a recorrente estava impedida de
exercer advocacia por força de decisão da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB
que deferiu o cancelamento de sua inscrição, e não tendo o seu patrono anexado
ao recurso ordinário em apreço qualquer documentação que evidencie que ela
estaria apta a advogar quando da ocorrência dos fatos narrados na denúncia, não
se pode falar em atipicidade da conduta que lhe foi imputada. (...)” (STJ, RHC
29435/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 09/11/2011).

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De acordo com este último precedente e grande parte da doutrina, o exercício de


atividade pressupõe a prática de um conjunto de atos, ou seja, uma
habitualidade. Por isso, o crime é classificado como habitual.

3.10 – Aliciamento para o Fim de Emigração


O delito de aliciamento para o fim de emigração está previsto no artigo 206 do
Código Penal:
Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território
estrangeiro.
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.

Recrutar significa atrair, alistar, arregimentar. A conduta envolve fraude, que é o


engodo, o ardil, o artifício. Recai sobre trabalhadores.
O elemento subjetivo é o dolo específico, já que há o elemento subjetivo especial
de levar os trabalhadores para território estrangeiro.
O delito é formal, não sendo necessária a ocorrência do resultado naturalístico
para a sua consumação.
O tipo penal exige que a conduta recaia sobre trabalhadores. Surge, então, na
doutrina, a controvérsia sobre o número mínimo de indivíduos como sujeito
passivo para a configuração do crime, sendo que alguns defendem serem
necessários três, enquanto outros entendem que bastam dois.
O crime é plurissubsistente, sendo possível a tentativa.
Neste caso, também há precedente do STJ no sentido de que a competência, em
regra, é da Justiça Estadual, salvo se houver a violação dos direitos dos
trabalhadores considerados coletivamente:
“CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CRIMINAL. CRIME CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO
TRABALHO. LESÃO A DIREITO DOS TRABALHADORES COLETIVAMENTE
CONSIDERADOS OU À ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO. NÃO OCORRÊNCIA.
COMPETÊNCIA JUSTIÇA ESTADUAL. I. Hipótese em que a denúncia descreve a
suposta prática do delito de aliciamento para o fim de emigração perpetrado
contra 3 (três) trabalhadores individualmente considerados. II. Compete à Justiça
Federal o julgamento dos crimes contra a organização do trabalho desde que
demonstrada a lesão a direito dos trabalhadores coletivamente considerados ou
à organização geral do trabalho. III. Conflito conhecido para declarar a
competência da Justiça Estadual.” (STJ, CC 107391/MG, Rel. Min. Gilson Dipp,
Terceira Seção, DJe 18/10/2010).

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3.11 – Aliciamento de Trabalhadores de um Local para Outro


do Território Nacional
O artigo 207 do Código Penal dispõe sobre o crime cujo nomen iuris é o de
aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional:
Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do
território nacional:
Pena - detenção de um a três anos, e multa.
§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução
do trabalho, dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia
do trabalhador, ou, ainda, não assegurar condições do seu retorno ao local de origem.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos,
idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.

A ação nuclear típica é a aliciar, que tem o significado de recrutar, envolver,


atrair. Existe a discussão doutrinária se o aliciamento deve recair sobre um
número mínimo de três trabalhadores ou se bastam dois.
O crime é doloso, exigindo o elemento subjetivo especial do tipo consistente na
finalidade de levar os trabalhadores de uma para outra localidade do território
nacional.
O crime é comum, por não exigir nenhuma qualidade específica do sujeito ativo.
Não se exige que os trabalhadores sejam efetivamente transportados de uma
para outra localidade do território nacional, bastando o intento do agente. É
plurissubsistente, sendo possível a forma tentada.
Alguns doutrinadores discutem se as localidades devem ser afastadas ou se deve
haver prejuízo para a região. Realmente, o tipo penal, tal como redigido, não
demonstra lesividade por si só. Pensem, nos dias atuais, se aliciar trabalhadores
para leva-los a outra parte do território nacional configura, sem maiores
exigências um crime. É de se notar que o crime do artigo 206 exige fraude, que
não é exigida aqui. De todo modo, em questões objetivas, a constitucionalidade
deve ser presumida até declaração em contrário dos tribunais superiores.
Em precedente já citado anteriormente, o STJ já decidiu que a eventual absorção
do delito em estudo pelo crime de redução à condição análoga à de escravo
demanda apreciação de cada caso, com revolvimento da matéria fático-
probatória:
“RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA
À DE ESCRAVO, FRUSTRAÇÃO DE DIREITO PREVISTO EM LEI TRABALHISTA, E
ALICIAMENTO DE TRABALHADORES (ARTIGOS 149, CAPUT, 203, CAPUT, § 1º,
INCISO I E § 2º, ARTIGO 207, §§ 1º E 2º, TODOS DO CÓDIGO PENAL). ALEGADA
ABSORÇÃO DOS DELITOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 203 E 207 PELO ILÍCITO
DISPOSTO NO ARTIGO 149 DO ESTATUTO REPRESSIVO. NECESSIDADE DE
REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. 1. Para se verificar se a
frustração de direitos assegurados por lei trabalhista e o aliciamento de
trabalhadores de um local para o outro do território nacional teriam ou

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não se esgotado no crime tipificado no artigo 149 do Código Penal, seria


indispensável averiguar o contexto em que as infrações foram
cometidas, providência que é vedada na via eleita, pois demanda o revolvimento
de matéria fático-probatória. (...)”.

Forma equiparada
O parágrafo primeiro do artigo 207 prevê a modalidade equiparada ao caput. O
tipo penal é o seguinte: recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do
trabalho, dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer
quantia do trabalhador, ou, ainda, não assegurar condições do seu retorno ao
local de origem. Neste caso, os trabalhadores são recrutados fora da localidade
de execução do trabalho, em uma das seguintes situações:
• Mediante fraude (ardil, engodo, artifício) ou
• Mediante cobrança de qualquer quantia do trabalhador (exige-se o
pagamento de um valor para ele trabalhar em outro local) ou
• Não assegurando condições de seu retorno (é o que ocorre, por
exemplo, ao se levar o trabalhador para um local de difícil acesso, não
servido por transporte público, e não permitir seu retorno no veículo do
empregador, forçando-o a ficar).
Na forma equiparada, é possível verificar o desvalor da conduta do agente, ao se
praticar fraude contra o trabalhador, cobrança indevida ou mesmo por dificultar
o retorno ao seu local de moradia.

Forma majorada
O artigo 207, em seu parágrafo terceiro, prevê uma forma majorada do delito,
com indicação da fração de um sexto a um terço. Incide se a vítima for menor de
dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou
mental. O desvalor maior da conduta se liga à vulnerabilidade maior, passageira
ou perene, do sujeito passivo.

4 – Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso e o


Respeito aos Mortos
O Título V da Parte Especial do Código Penal é denominado “Dos Crimes Contra
o Sentimento Religioso e o Respeito aos Mortos”, que possui dois Capítulos, o
primeiro referente aos crimes contra o sentimento religioso e o segundo, relativo
aos crimes contra o respeito aos mortos.

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4.1 – Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso


O Capítulo I do Título V da Parte Especial do Código Penal possui a denominação
“Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso”. Entretanto, abrange um único tipo
penal, o de ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo,
previsto no artigo 208 do Código Penal.

4.1.1 - Ultraje a Culto e Impedimento ou Perturbação de Ato a


Ele Relativo
O crime de ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo
está tipificado no artigo 208 do Código Penal:
Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa;
impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato
ou objeto de culto religioso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem
prejuízo da correspondente à violência.

Escarnecer significa zombar, tratar com escárnio. Impedir significa obstruir,


tornar impraticável. Perturbar é estorvar, causar desordem, abalar. Vilipendiar é
ultrajar (por palavras, gestos ou atos), aviltar, rebaixar, tratar com desprezo.
As condutas incriminadas são:
• Escarnecer de alguém publicamente por motivo de crença ou função
religiosa.
• Impedir cerimônia ou prática de culto religioso.
• Perturbar cerimônia ou prática de culto religioso.
• Vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso.
Na conduta de escarnecer e na de vilipendiar, exige-se que a ação do agente seja
em público. O escarnecimento deve ter por motivo a crença religiosa ou a função
religiosa da vítima, como sacerdote, pároco, pai de santo, pastor, rabino e outros.
Cerimônia e culto religioso são expressões que abrangem os ritos e reuniões
realizado no âmbito da religião, de forma geral. Ato ou objeto de culto religioso
são quaisquer coisas, objetos ou rituais utilizados na prática religiosa, com
significado para a crença do indivíduo. Pode ser um púlpito considerado sacro,
uma imagem, uma pintura, uma pia batismal, dentre outros.
O crime é comum, não exigindo qualquer qualidade específica do sujeito ativo. É
doloso, não prevendo a possibilidade de punição a título de culpa.
Por permitir o fracionamento do seu iter, é classificado como crime
plurissubsistente. Por conseguinte, admite a modalidade tentada. É crime de
forma livre, podendo ser realizado de qualquer forma, por gestos, palavras ou de
forma indireta, como algazarra na porta do templo religioso com a finalidade de
impedir que os fiéis escutem as palavras do seu sacerdote.

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Sobre a necessidade de o vilipêndio a objeto religioso, uma das formas de se


praticar o delito, ocorrer em público, na presença de várias pessoas, vale a leitura
do seguinte acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais:
“Crimes de incêndio qualificado, corrupção de menores e ultraje a culto religioso.
Inexistência de prova de que o menor tenha sido corrompido pelo acusado.
Absolvição que se impõe. Vilipêndio a objeto religioso não praticado na
presença de várias pessoas. Inexistência de publicidade. Delito não
configurado. Recurso ministerial desprovido. Focos de incêndio que se
restringiram aos limites do imóvel. Ausência de demonstração do perigo efetivo
e concreto para um número indeterminado de pessoas. Inexistência de risco ao
patrimônio de terceiros. Não-configuração do delito de incêndio. Desclassificação
para o delito de dano qualificado. Recurso defensivo provido.” (TJMG, Apelação
Criminal 1.0183.04.076030-2/001, Relator(a): Des.(a) Reynaldo Ximenes
Carneiro, 2ª CÂMARA CRIMINAL, julgamento em 09/11/2006, publicação da
súmula em 28/11/2006)
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul já decidiu que, havendo
divergências entre discípulos de um mesmo grupo religioso, não se configura, da
parte de nenhum deles, o crime de ultraje a culto religioso:
“ULTRAJE A CULTO E IMPEDIMENTO, OU PERTURBAÇÃO DE ATO A ELE RELATIVO.
Projeções de divergências internas entre discípulos de um mesmo
'mestre', já falecido, no tocante à linha das pregações, não podem ser
tidas, em princípio, como perturbação de cerimônia ou prática de culto
religioso, notadamente quando o ' perturbador' era discípulo autorizado pelo
'mestre' a pregar no templo. Dificuldade de captação da verdade por meio de
declarações de pessoas possuídas de fanatismo religioso ou sectárias. Aplicação
do IN DUBIO PRO REO. Deram provimento, prejudica a preliminar.” (Apelação
Crime Nº 284054251, Segunda Câmara Criminal, Tribunal de Alçada do RS,
Relator: Paulo Claudio Tovo, Julgado em 22/11/1984)

Forma majorada
O parágrafo único do artigo 208 prevê a causa de aumento de pena de um terço
no caso de o crime envolver violência. Além disso, determina-se a adoção do
sistema do cúmulo material no caso de concurso entre o ultraje a culto e
impedimento ou perturbação de ato a ele relativo e o crime relativo à violência,
como o de lesões corporais.

4.2 – Dos Crimes Contra o Respeito aos Mortos


O Capítulo II do Título V da Parte Especial do Código Penal, por sua vez, é
chamado de “Dos Crimes Contra o Respeito aos Mortos”. Prevê os crimes de
impedimento ou perturbação de cerimônia funerária; violação de sepultura;
destruição, subtração ou ocultação de cadáver e, por fim, de vilipêndio a cadáver.

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Tutela-se a reverência ou o respeito dos vivos em relação aos mortos, não sendo
o bem jurídico protegido o próprio morto.

4.2.1 - Impedimento ou Perturbação de Cerimônia Funerária


O crime de impedimento ou perturbação de cerimônia funerária está previsto no
artigo 209 do Código Penal:
Art. 209 - Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem
prejuízo da correspondente à violência.

Impedir significa obstruir, tornar impraticável. Perturbar significa estorvar,


causar impedimento. O tipo penal é misto alternativo. Ambos os núcleos do tipo
são condutas que devem recair sobre enterro ou cerimônia religiosa.
O crime é comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa, sem qualidade
específica. É doloso, não havendo previsão da punição da modalidade culposa.
É plurissubsistente, sendo possível fracionar o seu iter criminis e, por
conseguinte, admite-se o conatus, a sua forma tentada.
Questiona-se se é preciso elemento subjetivo especial do tipo, consistente na
finalidade implícita de violar o sentimento de respeito ao morto. Apesar de não
previsto explicitamente na norma, parte da doutrina entende ser necessário o
elemento subjetivo especial para a configuração do crime.

Forma majorada
O parágrafo único do artigo 209 prevê a causa de aumento de pena de um terço
no caso de o crime envolver violência. Tal qual no caso do artigo 208, determina-
se, ainda, a adoção do sistema do cúmulo material no caso de concurso entre o
ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo e o crime
relativo à violência, como o de lesões corporais.

4.2.2 – Violação de Sepultura


O artigo 210 traz o crime de violação de sepultura, com o seguinte teor:
Art. 210 - Violar ou profanar sepultura ou urna funerária:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

O crime de violação de sepultura possui como ações típicas nucleares as


seguintes: violar (arrombar, forçar a abertura de, tratar com desrespeito) ou
profanar (tratar com desrespeito, macular). A conduta deve recair sobre
sepultura (cova, jazigo, sepulcro) ou urna funerária (local ou recipiente para se
coletar as cinzas, advindas da cremação do corpo do defunto).

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Por não exigir nenhuma qualidade especial do sujeito ativo, o crime é classificado
como comum. Seu iter criminis pode ser fracionado, razão pela qual é
plurissubsistente, bem como admite a tentativa.
Seu elemento subjetivo é o dolo, não se prevendo a punibilidade da modalidade
culposa. É de forma livre e instantâneo.

4.2.3 – Destruição, Subtração ou Ocultação de Cadáver


O crime de destruição, subtração ou ocultação de cadáver está previsto no artigo
211 do Código Penal:
Art. 211 - Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Destruir é demolir, desmanchar, devastar. Subtrair é apropriar-se, pegar de


outrem ou apoderar-se. Ocultar significa encobrir, esconder, sonegar. Cuida-se
de tipo penal misto alternativo, razão pela qual basta que o fato de enquadre em
um dos verbos para a sua configuração, assim como a realização de mais de uma
ação nuclear, no mesmo conceito, configura crime único.
A conduta de destruir, subtrair ou ocultar deve recair sobre cadáver ou parte
dele. O tipo penal se refere a cadáver como corpo humano sem vida.
O crime é comum, não exigindo nenhuma qualidade específica do sujeito ativo
para sua configuração. É material, sendo necessário o resultado naturalístico para
sua consumação e, por conseguinte, admite a tentativa, sendo classificado como
plurissubsistente.
É doloso, não havendo previsão da modalidade culposa. É de forma livre.
Nas formas de destruição e subtração, é crime instantâneo. Na forma de ocultar,
é crime permanente.

4.2.4 – Vilipêndio a Cadáver


O crime de vilipêndio a cadáver está previsto no artigo 211 do Código Penal:
Art. 212 - Vilipendiar cadáver ou suas cinzas:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

Vilipendiar é ultrajar (por palavras, gestos ou atos), aviltar, rebaixar, tratar com
desprezo. O objeto material sobre o qual recai a conduta pode ser o cadáver
(corpo morto de um ser humano) ou sobre suas cinzas.
O crime é comum, não exigindo nenhuma qualidade especial do sujeito ativo. É
plurissubsistente, admitindo o fracionamento do seu iter e a punição da tentativa,
salvo se praticado na forma oral.
É crime doloso, sem previsão de forma culposa. É infração penal de forma livre,
podendo ser praticado de qualquer forma que vilipendie o cadáver ou as suas

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cinzas. Classifica-se como instantâneo, pois sua consumação ocorre em período


determinado no tempo, sem se protrair ou se prolongar.

5 – Questões Objetivas

5.1 – Lista de Questões sem Comentários

Q1. MPE-SP/MPE-SP/Promotor de Justiça/2017


A simples exposição à venda de cópias não autorizadas de filmes sob a forma
de DVD constitui
a) apenas um ilícito civil.
b) mero ato preparatório.
c) fato atípico.
d) crime contra a propriedade imaterial.
e) contravenção relativa à violação de objeto.

Q2. VUNESP/PC-BA/Delegado de Polícia/2018


A respeito dos crimes contra a organização do trabalho, é correto afirmar
que
a) são meios de execução do crime de frustração de direito assegurado por
lei trabalhista a fraude, a violência e a grave ameaça.
b) o crime de atentado contra a liberdade de associação configura-se pela
conduta de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a
participar de sindicato. Já a conduta de impedir a saída de sindicato é atípica.
c) o crime de paralisação do trabalho de interesse coletivo configura-se
independentemente do emprego de violência contra pessoas ou coisas.
d) no crime de aliciamento para fins de emigração, haverá aumento de pena
nos casos em que a vítima for menor de 18 anos, gestante, idosa, indígena
ou portadora de deficiência física ou mental.
e) o crime de sabotagem, para se configurar, exige a danificação do
estabelecimento ou coisas nele existentes.

Q3. CESPE/DPE-AL/Defensor Público/2017


No que tange aos crimes contra o sentimento religioso, assinale a opção
correta.

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a) Para que configure crime, a prática do escárnio deve expressar o fim


específico de ofender o sentimento religioso de um indivíduo, como elemento
subjetivo do injusto.
b) A caracterização desse tipo de crime exige que a prática de escárnio seja
efetuada na presença do sujeito passivo.
c) Em caso de escárnio por motivo religioso acompanhado de ofensa a honra
individual, o agente responderá em concurso formal de crimes.
d) Em se tratando de escárnio por motivo religioso, a pena será acrescida
de um terço caso se verifique o exercício de violência, desde que voltada
contra objetos e esculturas sagradas.
e) Constitui infração penal o ato de escarnecer, em público, um grupo
religioso.

Q4. FCC/TST/Juiz do Trabalho/2017


Suponha que Maria, supervisora administrativa do setor de tecelagem da
Empresa Júpiter, pessoal e previamente preenchia os controles de ponto dos
empregados que lhe eram subordinados, com jornadas inferiores àquelas
efetivamente praticadas. Determinava também que os trabalhadores
apusessem, dia a dia, as respectivas assinaturas ao lado dos errôneos dados
já inseridos, objetivando afastar a necessidade de pagamento de horas
extras. Os empregados da empresa, dentre os quais quatro indígenas que
residiam no Estado “A”, haviam sido atraídos pela empresa para o Estado
“B”, local de desenvolvimento dos trabalhos, não lhes sendo asseguradas
pela empregadora as condições previamente prometidas para retorno ao
local de origem, quando ocorreu o encerramento dos pactos de emprego.
Nesse caso,
a) não se consuma a figura equiparada descrita no art. 207, §1° , parte final,
do Código Penal, se os trabalhadores obtiverem por iniciativa própria os
recursos para retorno ao Estado de origem, em virtude da recusa da empresa
em fornecer os meios a que, para tanto, havia se comprometido desde o
início do pacto de emprego.
b) no delito de frustração de direito assegurado por lei trabalhista, a
existência, como empregados, de indígenas atingidos pelas condutas
criminosas é causa de aumento de pena de um sexto a um terço.
c) a frustração de direito alicerçado em lei trabalhista somente pode
caracterizar crime quando há violência, razão pela qual o errôneo
procedimento quanto à jornada não é punível criminalmente no caso
concreto.
d) não é admissível tentativa no crime de frustração de direito assegurado
pela legislação trabalhista, previsto no art. 203, caput, do Código Penal.

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e) incide a ação penal pública condicionada à representação nos casos de


figuras equiparadas ao crime de aliciamento de trabalhadores de um local
para outro do território nacional (art. 207, §1°, parte final, do Código Penal).

Q5. FCC/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho/2016


Sandro convence Carolina, Patrícia e Hugo, mediante o pagamento de R$
100,00 (cem reais) por pessoa, a saírem da cidade onde moram, no Mato
Grosso, para irem trabalhar como empregadas em uma fábrica localizada no
interior do Amazonas. Lá chegando, os três são admitidos para exercer as
mesmas tarefas, na fábrica mencionada por Sandro (sendo este, descobrem
as trabalhadoras quando começam a desempenhar as suas atividades, o
proprietário da fábrica).
Dizendo-se também proprietário do Armazém do Trabalhador, no primeiro
dia de trabalho dos três empregados, Sandro diz que, “seria melhor para
eles fazerem suas compras na minha venda” e “que isso deixaria o chefe
muito feliz”. Apesar de o Armazém praticar preços mais elevados e ser
razoavelmente mais distante que outros estabelecimentos assemelhados,
sentindo seus empregos ameaçados, Carolina e Patrícia passam a fazer as
compras naquele estabelecimento, o que acaba por lhes comprometer
substancialmente a renda mensal fruto do salário recebido.
Patrícia e Hugo se filiam ao sindicato que representa os interesses da
categoria profissional que integram, começam a participar das atividades e
se tornam dirigentes da entidade. Sistematicamente, Sandro se recusa a
liberar os dirigentes para participação nas reuniões do sindicato (inclusive
uma que iria deliberar acerca de paralisação das atividades em sua fábrica),
mesmo tendo Patrícia e Hugo sempre se comprometido a compensar no dia
seguinte as horas que deixassem de trabalhar. Na frente de testemunhas,
Sandro afirma para ambos: “se vocês saírem antes serão descontados. Se
repetirem, serão suspensos e se isso continuar vão ser dispensados por justa
causa. A menos que tenham emprego aqui, vão acabar tendo que voltar lá
para o Mato Grosso. Vocês que sabem ... Aliás, vocês são uns vagabundos
de merda mesmo.” No entanto, nenhum dos empregados teve o seu contrato
de trabalho extinto.
Admitindo que tudo o narrado seja verdade e esteja comprovado, e com
base no Código Penal, em relação aos crimes contra a organização do
trabalho, Sandro praticou ao menos:
a) Atentado contra a liberdade de associação, Frustração de direito
assegurado por lei trabalhista e injúria.
b) Atentado contra a liberdade de associação e injúria.
c) Frustração de direito assegurado por lei trabalhista e Aliciamento de
trabalhadores de um local para o outro do território nacional.

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d) Aliciamento de trabalhadores de um local para o outro do território


nacional.
e) Atentando contra a liberdade de associação.

Q6. TRT 2ª Região/TRT 2ª Região/Juiz do Trabalho/2016


Em relação aos crimes contra a organização do trabalho, cujos tipos penais
estão enunciados no Título IV da Parte Especial do Código Penal, segundo a
tipologia especificamente adotada por este Código, são condutas típicas que,
em tese, caracterizam crime contra a organização do trabalho:
I- “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a
trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições
degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua
locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”.
II- “Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos
contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional”.
III- “Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando
violência contra pessoa ou contra coisa".
IV- “Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa”.
V - “Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade
do território nacional”.
Responda:
a) Somente as proposições l, ll e IV estão corretas.
b) Somente as proposições l, ll e V estão corretas.
c) Somente as proposições II, III e V estão corretas.
d) Somente as proposições III, IV e V estão corretas.
e) Todas as proposições estão corretas.

Q7. CESPE/TJ-AM/Juiz de Direito/2016


Acerca do crime de que trata o art. 198 do CP — atentado contra a liberdade
de trabalho e boicotagem violenta —, assinale a opção correta.
a) A competência para o processamento de ação que envolva a prática desse
crime é da justiça federal, independentemente de se tratar de interesse
individual do trabalhador ou coletivo.
b) A conduta de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça,
a adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial agrícola configura
o crime previsto no referido artigo.

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c) Cometerá o referido crime aquele que constranger alguém, mediante


violência ou grave ameaça, a não celebrar contrato de trabalho.
d) Haverá concurso de crimes se o agente praticar mais de uma das condutas
previstas no art. 198 do CP.
e) O referido crime classifica-se como crime próprio.

Q8. FCC/TRT 23ª Região/Juiz do Trabalho/2015


Paulo, industrial do ramo de plásticos, mediante promessa de mal futuro,
sério e verossímil, constrangeu Pedro, proprietário de empresa concorrente,
a não adquirir de Antônio matéria-prima necessária para a fabricação de
seus produtos. No caso, Paulo cometeu o crime de
a) atentado contra a liberdade de contrato de trabalho.
b) constrangimento ilegal.
c) atentado contra a liberdade de trabalho.
d) sabotagem.
e) boicotagem violenta.

Q9. FCC/TRT 6ª Região/Juiz do Trabalho/2015


No delito de paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da
ordem,
a) o sujeito ativo só pode ser o empregado.
b) punível a suspensão de trabalho.
c) a violência deve ser dirigida, necessariamente, contra pessoa.
d) o abandono de trabalho pode ser individual.
e) punível, apenas, o abandono de trabalho.

Q10. CESPE/TJ-PB/Juiz de Direito/2015


Acerca da disciplina legal dos crimes previstos na parte especial do CP,
assinale a opção correta.
a) A conduta de subtrair cadáver de sua sepultura configura crime de furto
qualificado.
b) O ato de escarnecer de alguém publicamente em razão de sua crença ou
de sua função religiosa configura crime de injúria qualificada.

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c) Nas figuras qualificadas do crime de direito autoral, é desnecessário que


haja o intuito de obter lucro para que seja configurado o referido crime.
d) No crime de impedimento ou perturbação de enterro ou cerimônia
funerária, constitui causa de aumento de pena o fato de o agente praticar o
referido crime mediante violência.
e) A ação penal para os crimes contra a propriedade intelectual é de iniciativa
privada e deverá ser ajuizada mediante queixa do ofendido.

Q11. FCC/TRT 14ª Região/Juiz do Trabalho/2014


NÃO constitui crime contra a organização do trabalho
a) redução a condição análoga à de escravo.
b) boicotagem violenta.
c) atentado contra a liberdade de associação.
d) exercício de atividade com infração de decisão administrativa.
e) aliciamento para o fim de emigração.

Q12. TRT 8ª Região/TRT 8ª Região/Juiz do Trabalho/2014


NÃO caracteriza crime contra organização do trabalho:
a) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça: I - a exercer
ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não
trabalhar durante certo período ou em determinados dias. II - a abrir ou
fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou
paralisação de atividade econômica.
b) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar
contrato de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem
matéria-prima ou produto industrial ou agrícola.
c) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou
deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional.
d) Participar de interrupção ou abandono coletivo de trabalho, praticando
violência contra pessoa ou contra coisa.
e) Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com
o intuito de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o
mesmo fim danificar o estabelecimento ou as coisas nele existentes ou delas
dispor.

Q13. TRT 23ª Região/TRT 23ª Região/Juiz do Trabalho/2014

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Joaquim é maranhense e em seu Estado natal foi contratado por Antônio


para laborar como trabalhador rural 'polivalente' em sua propriedade
latifundiária na cidade de Sapezal/MT, sob a promessa de receber três
salários mínimos para trabalhar por meio período, além de moradia e
alimentação tendo ainda pagas todas as despesas de transporte do
Maranhão até o local de trabalho.
Chegando na fazenda, descobriu que toda a despesa de transporte,
alimentação e moradia já estava computada para desconto no salário ainda
por vir, ficando sua CTPS retida até total pagamento da dívida.
Além disso, em virtude do período de safra, a jornada de trabalho de Joaquim
foi das 04h às 21h, com 15min de intervalo, todos os dias da semana,
gozando folga apenas uma vez ao mês, no dia do pagamento. Na frente de
trabalho (no campo) não havia instalações sanitárias, tampouco bebedouros,
de modo que Joaquim e os demais trabalhadores consumiam água de um
córrego próximo, o mesmo utilizado para banho dos animais da fazenda.
Ao reclamar das condições de trabalho o capataz da propriedade informou a
Joaquim que se não estivesse satisfeito poderia pedir demissão, quando
então seriam abatidas todas as dívidas de seu saldo rescisório. Acerca dessas
informações, assinale a alternativa INCORRETA:
a) Antônio incorreu no crime de redução à condição análoga a de escravo
em virtude do cerceamento da liberdade de Joaquim;
b) Antônio incorreu no crime de redução à condição análoga a de escravo
em virtude das condições degradantes do trabalho;
c) Antônio incorreu no crime de aliciamento de trabalhador previsto no artigo
207 do Código Penal, por recrutar Joaquim de outro Estado da Federação
mediante fraude;
d) Antônio incorreu no crime de frustração de direito assegurado por lei
trabalhista em virtude da retenção do documento profissional;
e) O crime de redução à condição análoga a de escravo é tido pela doutrina
como um gênero do qual são espécies o trabalho degradante e o
cerceamento de liberdade.

Q14. FCC/TRT 18ª Região/Juiz do Trabalho/2014


Configura o crime de boicotagem violenta
a) constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a não fornecer
a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou
agrícola.
b) participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando
violência contra pessoa ou contra coisa.

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c) constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a abrir ou


fechar o seu estabelecimento, ou a participar de parede ou paralisação de
atividade econômica.
d) participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a
interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo.
e) danificar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola com o intuito
de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho.

Q15. TRT 3ª Região/TRT 3ª Região/Juiz do Trabalho/2014


NÃO é correto afirmar no que concerne ao crime de aliciamento de
trabalhadores de um local para outro do território nacional:
a) Configura-se o crime e incorre nas penas previstas aquele que recrutar
trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, dentro do
território nacional, mediante cobrança de qualquer quantia do trabalhador.
b) A pena prevista para o crime de aliciar trabalhadores, com o fim de levá-
los de uma para outra localidade do território nacional, é de detenção de um
a três anos, e multa.
c) Configura-se o crime e incorre nas penas previstas aquele que recrutar
trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, dentro do
território nacional e não assegurar condições do seu retorno ao local de
origem.
d) A pena é aumentada um sexto a um terço se a vítima é analfabeta,
gestante ou portadora de deficiência física ou mental.
e) A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de
dezoito anos, idosa, indígena.

Q16. FCC/TRT 6ª Região/Juiz do Trabalho/2013


O fato de a vítima ser menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou
portadora de deficiência física ou mental constitui causa de aumento da pena
no crime de:
a) atentado contra a liberdade de contrato de trabalho.
b) atentado contra a liberdade de trabalho.
c) atentado contra a liberdade de associação.
d) frustração de direito assegurado por lei trabalhista.
e) aliciamento para o fim de imigração.

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Q17. CESPE/MPE-RO/Promotor de Justiça/2013


No que concerne aos crimes contra a organização do trabalho, contra o
sentimento religioso e contra o respeito aos mortos, assinale a opção
correta.
a) A violação de túmulos com a consequente retirada dos crânios e de
próteses de cadáver ali sepultado configura o crime de violação de sepultura
em concurso material com furto
b) O crime de atentado contra a liberdade de associação submete-se à ação
penal de iniciativa pública, sujeita à representação daquele que pretenda
associar-se
c) É objeto do crime de destruição, subtração ou ocultação de cadáver a
múmia embalsamada, admitindo-se a modalidade tentada
d) O cadáver sepultado não é considerado objeto do delito de furto
e) A retirada do cadáver do local do crime para outro em que não seja
reconhecido caracteriza o crime de vilipêndio a cadáver.

Q18. TRT 22ª Região/TRT 22ª Região/Juiz do Trabalho/2013


Durante uma disputa pela Diretoria de um determinado Sindicato, o
candidato a presidente utilizou-se de violência para constranger um grupo
de empregados, que não eram sindicalizados, a filiar-se ao Sindicato,
aumentando assim o seu número de votos, e, consequentemente,
viabilizando a sua eleição. A presente situação fática caracteriza qual crime:
a) atentado contra a liberdade de trabalho;
b) atentado contra a liberdade de associação;
c) boicotagem violenta;
d) perturbação da ordem laboral;
e) frustração de direito assegurado por lei trabalhista.

Q19. CESPE/PC-BA/Delegado de Polícia/2015


Aroeira era conhecido intermediador de trabalhadores na região do Bico de
Tucano. Em determinado dia, ele obrigou Clemilton, mediante grave
ameaça, a exercer a arte de pintor de quadros durante quinze dias do mês
de janeiro. Em qual crime a conduta de Aroeira se enquadra:
a) atentado contra a liberdade de trabalho;
b) frustração de Direito assegurado por lei trabalhista;
c) aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional;
d) redução à condição análoga à de escravo;

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e) figura típica assemelhada à Redução à condição análoga à de escravo;

Q20. CESPE/PC-BA/Delegado de Polícia/2013


No que se refere às contravenções penais, aos crimes em espécie e às leis
penais extravagantes, julgue o item a seguir com base na jurisprudência dos
tribunais superiores.
O dolo direto ou eventual é elemento subjetivo do delito de violação de
direito autoral, não havendo previsão para a modalidade culposa desse
crime.
o Certo
o Errado

Q21. FCC/TRT 18ª Região/Juiz do Trabalho/2012


NÃO configura o crime de atentado contra a liberdade de trabalho o ato de
constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a
a) celebrar contrato de trabalho.
b) exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria.
c) participar de parede ou paralisação de atividade econômica.
d) abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho.
e) trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados
dias.

Q22. FCC/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho/2012


Configura o crime de sabotagem
a) danificar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola com o intuito
de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho.
b) participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a
interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo.
c) constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a não fornecer
a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou
agrícola.
d) participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando
violência contra pessoa ou contra coisa.

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e) constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a abrir ou


fechar o seu estabelecimento, ou a participar de parede ou paralisação de
atividade econômica.

Q23. TRT 23ª Região /TRT 23ª Região/Juiz do Trabalho/2012


Dentre as alternativas abaixo, qual das condutas descritas não será
considerada crime:
a) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou
deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional.
b) obrigar ou coagir alguém a usar mercadorias de determinado
estabelecimento, para impossibilitar o desligamento do serviço em virtude
de dívida.
c) Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade
do território nacional.
d) Recrutar trabalhadores, com o fim de levá-los para território estrangeiro.
e) Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação
do trabalho.

Q24. TRT 23ª Região /TRT 23ª Região/Juiz do Trabalho/2012


"João e mais dois de seus empregados, Pedro e Mario, descontentes com o
movimento de sua empresa e contrariados com o movimento de empresa
vizinha e concorrente, invadem, fora do expediente, o estabelecimento
comercial concorrente praticando depredações e quebrando máquinas e
equipamentos, com o único objetivo de prejudicar o curso normal do
trabalho ali desempenhado". João, Pedro e Mario praticaram qual crime:
a) Paralisação de trabalho de interesse coletivo.
b) Paralisação de trabalho, seguida da violência ou perturbação da ordem.
c) Atentado com a liberdade de trabalho.
d) Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem.
e) Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem
violenta.

Q25. FCC/TRT 4ª Região/Juiz do Trabalho/2012


NÃO constitui causa de aumento da pena no crime de aliciamento de
trabalhadores de um local para outro do território nacional a circunstância
de a vítima ser

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a) gestante.
b) indígena.
c) analfabeta.
d) portadora de deficiência física.
e) menor de dezoito anos.

Q26. TRT 8ª Região/TRT 8ª Região/Juiz do Trabalho/2012


A respeito dos crimes contra a organização do trabalho, marque a alternativa
CORRETA:
a) É considerado crime de atentado contra a liberdade de associação, o ato
de constranger alguém a participar ou deixar de participar de determinado
sindicato ou associação profissional.
b) Incorre na mesma pena prevista para o crime de frustração do direito
assegurado por lei trabalhista aquele que impedir alguém de se desligar de
serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da retenção de
seus documentos pessoais ou contratuais, não havendo, todavia, aumento
de pena, nesta hipótese, se a vítima for indígena.
c) Incorre na mesma pena prevista para o crime de frustração de direito
assegurado por lei trabalhista aquele que obrigar ou coagir alguém a usar
mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o
desligamento do serviço em virtude de dívida.
d) Não é considerado crime contra a organização do trabalho o exercício de
atividade de que o agente está impedido apenas por decisão administrativa.
e) O recrutamento de trabalhadores, com o fim de levá-los para território
estrangeiro não é considerado crime, ainda que mediante fraude, se houver
a sua anuência.

Q27. TRT 24ª Região/TRT 24ª Região/Juiz do Trabalho/2012


Analise as proposições a seguir assinalando a alternativa CORRETA:
(I) Constranger alguém mediante violência ou grave ameaça a abrir ou
fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou
paralisação econômica constitui crime contra a Organização do Trabalho.
(II) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar
ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional
constitui crime contra a Organização do Trabalho.

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(III) O abandono de emprego por, no mínimo três empregados, praticando


violência contra pessoa ou coisa, é considerado abandono de emprego
coletivo constituindo crime contra a Organização do Trabalho.
(IV) Constitui crime contra a Organização do Trabalho frustrar a lei sobre a
nacionalização do trabalho.
a) Somente as alternativas (I) e (III) estão corretas.
b) Somente a alternativa (IV) está correta.
c) Somente as alternativas (III) e (IV) estão corretas.
d) Somente as alternativas (I) e (IV) estão corretas.
e) Todas as alternativas estão corretas.

Q28. FCC/TRT 20ª Região/Juiz do Trabalho/2012


A violência NÃO constitui elemento do crime de
a) aliciamento para fim de emigração.
b) atentado contra a liberdade de trabalho.
c) frustração de direito assegurado por lei trabalhista.
d) atentado contra a liberdade de associação.
e) frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho.

Q29. CESPE/DPE-MA/Defensor Público/2011


Assinale a opção correta acerca dos crimes contra a propriedade imaterial e
contra a organização do trabalho.
a) Para o delito de atentado contra a liberdade de trabalho, são previstas a
modalidade dolosa e a culposa.
b) Nos delitos de sabotagem e de invasão de estabelecimento industrial,
comercial ou agrícola, a finalidade do agente é danificar o estabelecimento
ou as coisas nele existentes ou delas dispor.
c) O sujeito passivo do delito de violação de direito autoral não é apenas o
autor da obra literária, artística ou científica, mas também toda a
coletividade de forma direta.
d) Os crimes contra a propriedade intelectual podem ser apurados mediante
ação penal privada, pública condicionada à representação ou pública
incondicionada.
e) A jurisprudência do STJ considera, para fins penais, socialmente adequada
a venda de CDs e DVDs piratas, devendo a punição contra o agente limitar-
se à esfera cível.

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Q30. TRT 23ª Região/TRT 23ª Região/Juiz do Trabalho/2011


Analise as assertivas e marque a alternativa correta:
I - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a exercer ou
não exercer arte, oficio, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não
trabalhar durante certo período ou em determinados dias, é crime punível
com detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente
à violência.
II - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar
contrato de trabalho é crime contra a liberdade de trabalho.
III - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar
de parede é crime punível com detenção, de três meses a um ano, e muita,
além da pena correspondente à violência.
IV- Quando pelo menos três empregados participarem de suspensão ou
abandono coletivo de trabalho, praticando violência contra pessoa ou contra
coisa, cometem crime punível com detenção, de um mês a um ano, e multa,
além da pena correspondente à violência.
a) Todos os itens estão corretos.
b) Apenas I está incorreto e os itens II, III e IV estão corretos.
c) Apenas II está incorreto e os itens I, III e IV estão corretos.
d) Apenas III está incorreto e os itens I, II e IV estão corretos.
e) Todos os itens estão incorretos.

Q31. TRT 15ª Região/TRT 15ª Região/Juiz do Trabalho/2010


Não é considerado crime:
a) recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para
território estrangeiro;
b) obrigar alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para
impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida;
c) participar de abandono coletivo de trabalho, provocando a interrupção de
serviço de interesse coletivo;
d) fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade, como perito, em juízo
arbitral;
e) nenhuma das anteriores.

Q32. TRT 15ª Região/TRT 15ª Região/Juiz do Trabalho/2010


Aponte a alternativa correta:

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a) o atentado contra a liberdade de trabalho se dá pelo ato de constranger


alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de
trabalho;
b) a boicotagem violenta se dá pelo ato de constranger alguém, mediante
violência ou grave ameaça, a não fornecer a outrem determinado produto
industrial;
c) o atentado contra a liberdade de trabalho se dá pelo ato de constranger
alguém, mediante violência, a deixar de participar de determinado sindicato;
d) não é crime, participar de suspensão coletiva de trabalho provocando a
interrupção de obra pública;
e) nenhuma das anteriores.

Q33. MS CONCURSO/TRT 9ª Região/Juiz do Trabalho/2009


Assinale a proposição correta:
a) A exortação para o exercício do direito de greve configura crime de
atentado contra a liberdade do trabalho.
b) Contratar trabalhadores e não promover o pagamento de seus salários
configura o crime de estelionato.
c) O recrutamento de trabalhadores para trabalhar em território estrangeiro
configura delito penal.
d) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou
deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional
configura crime.
e) No crime de frustração de direito assegurado por lei trabalhista (artigo
203 do Código Penal) o sujeito passivo necessariamente deve ser o
empregador.

Q34. TRT 15ª Região/TRT 15ª Região/Juiz do Trabalho/2008


Nos crimes contra a organização do trabalho é certo afirmar:
a) o sujeito ativo do crime de paralisação do trabalho, seguida de violência
ou perturbação da ordem, pode ser qualquer pessoa sem nenhuma condição
especial;
b) para que se considere coletivo o abandono de trabalho, é indispensável o
concurso de, pelo menos, 2 (dois) empregados;
c) o crime de invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola
consuma-se com a invasão ou ocupação, com a danificação ou disposição,
sem dependência da obtenção da finalidade proposta;

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d) o delito de paralisação de trabalho de interesse coletivo não admite


tentativa;
e) todas as alternativas estão incorretas.

Q35. TRT 15ª Região/TRT 15ª Região/Juiz do Trabalho/2008


No tocante ao crime de frustração de direito assegurado por lei trabalhista,
é correto afirmar que:
a) o delito em apreço não admite a tentativa;
b) admite modalidade dolosa e culposa;
c) a ação penal é pública condicionada à representação do ofendido;
d) as penas cominadas, cumulativamente, são detenção e multa, além da
pena correspondente à violência;
e) a pessoa, desde que mantenha vínculo empregatício, pode ser sujeito
ativo do crime.

5.2 – Gabarito
Q1. D Q14. A Q27. E
Q2. C Q15. D Q28. A
Q3. A Q16. D Q29. D
Q4. B Q17. D Q30. C
Q5. D Q18. B Q31. E
Q6. D Q19. A Q32. B
Q7. D Q20. CORRETA Q33. D
Q8. E Q21. A Q34. C
Q9. B Q22. A Q35. D
Q10. D Q23. D
Q11. A Q24. D
Q12. D Q25. C
Q13. C Q26. C

5.3 – Lista de Questões com Comentários

Q1. MPE-SP/MPE-SP/Promotor de Justiça/2017


A simples exposição à venda de cópias não autorizadas de filmes sob a forma
de DVD constitui
a) apenas um ilícito civil.

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b) mero ato preparatório.


c) fato atípico.
d) crime contra a propriedade imaterial.
e) contravenção relativa à violação de objeto.

Comentários
A alternativa D está correta. O parágrafo segundo prevê a qualificadora do art.
184 do Código Penal em que incorre quem distribui, vende, expõe à venda, aluga,
introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra
intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito
de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de fonograma.
Exige-se o intuito de lucro direto ou indireto. O crime de violação contra os
direitos autorais está previsto no artigo:
Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:
§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto,
distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito,
original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito
de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de
fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a
expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente.

Sobre a incidência da forma qualificada prevista no parágrafo segundo do artigo


184, o Superior Tribunal de Justiça elaborou a Súmula 501, reconhecendo-a no
caso de exposição à venda de CDs e DVDs falsificados, denominados
popularmente de “piratas”:
Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no
art. 184, § 2º, do CP, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas

Q2. VUNESP/PC-BA/Delegado de Polícia/2018


A respeito dos crimes contra a organização do trabalho, é correto afirmar
que
a) são meios de execução do crime de frustração de direito assegurado por
lei trabalhista a fraude, a violência e a grave ameaça.
b) o crime de atentado contra a liberdade de associação configura-se pela
conduta de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a
participar de sindicato. Já a conduta de impedir a saída de sindicato é atípica.
c) o crime de paralisação do trabalho de interesse coletivo configura-se
independentemente do emprego de violência contra pessoas ou coisas.
d) no crime de aliciamento para fins de emigração, haverá aumento de pena
nos casos em que a vítima for menor de 18 anos, gestante, idosa, indígena
ou portadora de deficiência física ou mental.

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e) o crime de sabotagem, para se configurar, exige a danificação do


estabelecimento ou coisas nele existentes.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. O núcleo do tipo é o verbo “frustrar”, que significa
anular, impedir, iludir. A frustração pode se dar mediante:
• Fraude: ardil, astúcia.
• Violência: é a vis corporalis, a violência física.
A alternativa B está incorreta. O constrangimento ou coação visa a que alguém
participe ou deixe de participar de determinado sindicato ou associação principal.
Desta forma, resta evidente que a conduta de impedir a saída de sindicato é
típica.
A alternativa C está correta. O tipo se consubstancia na conduta de participar
de suspensão de trabalho (denominado lockout ou locaute) ou abandono coletivo
de trabalho (que se traduz na greve). A suspensão ou o abandono deve causar a
interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo.
A alternativa D está incorreta. No crime de aliciamento para fim de emigração
não tem causa de aumento de pena.
A alternativa E está incorreta. São duas figuras no mesmo tipo penal:
• Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola: consiste na
conduta de invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou
agrícola, com o intuito de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho.
• Sabotagem: a modalidade de sabotagem consiste em danificar o
estabelecimento industrial, comercial ou agrícola ou as coisas nele
existentes ou delas dispor, com o fim de impedir ou embaraçar o curso
normal do trabalho.

Q3. CESPE/DPE-AL/Defensor Público/2017


No que tange aos crimes contra o sentimento religioso, assinale a opção
correta.
a) Para que configure crime, a prática do escárnio deve expressar o fim
específico de ofender o sentimento religioso de um indivíduo, como elemento
subjetivo do injusto.
b) A caracterização desse tipo de crime exige que a prática de escárnio seja
efetuada na presença do sujeito passivo.
c) Em caso de escárnio por motivo religioso acompanhado de ofensa a honra
individual, o agente responderá em concurso formal de crimes.
d) Em se tratando de escárnio por motivo religioso, a pena será acrescida
de um terço caso se verifique o exercício de violência, desde que voltada
contra objetos e esculturas sagradas.

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e) Constitui infração penal o ato de escarnecer, em público, um grupo


religioso.
Comentários:
A alternativa A está correta. Para identificar o elemento subjetivo basta a leitura
da figura típica do crime de ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato
a ele relativo, que está tipificado no artigo 208 do Código Penal:
Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa;
impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato
ou objeto de culto religioso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem
prejuízo da correspondente à violência.

A alternativa B está incorreta. Escarnecer de alguém publicamente por motivo


de crença ou função religiosa é uma das condutas incriminadas no art. 208. Para
a configuração do crime, não é necessário que a conduta seja praticada na
presença do sujeito passivo, porém, é exigido a exposição pública da vítima.
A alternativa C está incorreta. No caso, o agente deveria responder pelo
concurso material de crimes, haja vista ser necessário a prática de mais de uma
ação para praticar os crimes. Segundo o autor Rogério Sanches, no crime de
escárnio o agente zomba da vítima em razão de sua crença ou religião, já nos
crimes contra a honra o agente associa uma qualidade negativa à vítima, em
razão da sua religião.
A alternativa D está incorreta. O parágrafo único do artigo 208 prevê a causa
de aumento de pena de um terço no caso de o crime envolver violência. A pena
será acrescida de um terço caso a violência seja praticada contra a pessoa ou em
face da coisa.
A alternativa E está incorreta. De acordo com o caput, constitui infração penal
o ato de escarnecer, em público, alguém.

Q4. FCC/TST/Juiz do Trabalho/2017


Suponha que Maria, supervisora administrativa do setor de tecelagem da
Empresa Júpiter, pessoal e previamente preenchia os controles de ponto dos
empregados que lhe eram subordinados, com jornadas inferiores àquelas
efetivamente praticadas. Determinava também que os trabalhadores
apusessem, dia a dia, as respectivas assinaturas ao lado dos errôneos dados
já inseridos, objetivando afastar a necessidade de pagamento de horas
extras. Os empregados da empresa, dentre os quais quatro indígenas que
residiam no Estado “A”, haviam sido atraídos pela empresa para o Estado
“B”, local de desenvolvimento dos trabalhos, não lhes sendo asseguradas
pela empregadora as condições previamente prometidas para retorno ao
local de origem, quando ocorreu o encerramento dos pactos de emprego.

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Nesse caso,
a) não se consuma a figura equiparada descrita no art. 207, §1° , parte final,
do Código Penal, se os trabalhadores obtiverem por iniciativa própria os
recursos para retorno ao Estado de origem, em virtude da recusa da empresa
em fornecer os meios a que, para tanto, havia se comprometido desde o
início do pacto de emprego.
b) no delito de frustração de direito assegurado por lei trabalhista, a
existência, como empregados, de indígenas atingidos pelas condutas
criminosas é causa de aumento de pena de um sexto a um terço.
c) a frustração de direito alicerçado em lei trabalhista somente pode
caracterizar crime quando há violência, razão pela qual o errôneo
procedimento quanto à jornada não é punível criminalmente no caso
concreto.
d) não é admissível tentativa no crime de frustração de direito assegurado
pela legislação trabalhista, previsto no art. 203, caput, do Código Penal.
e) incide a ação penal pública condicionada à representação nos casos de
figuras equiparadas ao crime de aliciamento de trabalhadores de um local
para outro do território nacional (art. 207, §1°, parte final, do Código Penal).
Comentários:
A alternativa A está incorreta. A modalidade assemelhada prevista na parte final
do §1°, do art. 207 do Código Penal, consuma-se quando o agente não assegura
condições de retorno ao local de origem à vítima aliciada.
A alternativa B está correta. A causa de aumento de pena está prevista no § 2º
do art. 203 do Código Penal:
O artigo 203 do Código Penal prevê o crime de frustração de direito assegurado
por lei trabalhista:
Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do
trabalho:
Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos,
idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.

A alternativa C está incorreta. A frustração de direito alicerçado em lei


trabalhista pode caracterizar crime quando há violência ou fraude.
A alternativa D está incorreta. Cuida-se de crime plurissubsistente, sendo
admissível o conatus.
A alternativa E está incorreta. A ação é de iniciativa pública incondicionada.

Q5. FCC/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho/2016

Direito Penal p/ MP-CE (Promotor de Justiça)


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Sandro convence Carolina, Patrícia e Hugo, mediante o pagamento de R$


100,00 (cem reais) por pessoa, a saírem da cidade onde moram, no Mato
Grosso, para irem trabalhar como empregadas em uma fábrica localizada no
interior do Amazonas. Lá chegando, os três são admitidos para exercer as
mesmas tarefas, na fábrica mencionada por Sandro (sendo este, descobrem
as trabalhadoras quando começam a desempenhar as suas atividades, o
proprietário da fábrica).
Dizendo-se também proprietário do Armazém do Trabalhador, no primeiro
dia de trabalho dos três empregados, Sandro diz que, “seria melhor para
eles fazerem suas compras na minha venda” e “que isso deixaria o chefe
muito feliz”. Apesar de o Armazém praticar preços mais elevados e ser
razoavelmente mais distante que outros estabelecimentos assemelhados,
sentindo seus empregos ameaçados, Carolina e Patrícia passam a fazer as
compras naquele estabelecimento, o que acaba por lhes comprometer
substancialmente a renda mensal fruto do salário recebido.
Patrícia e Hugo se filiam ao sindicato que representa os interesses da
categoria profissional que integram, começam a participar das atividades e
se tornam dirigentes da entidade. Sistematicamente, Sandro se recusa a
liberar os dirigentes para participação nas reuniões do sindicato (inclusive
uma que iria deliberar acerca de paralisação das atividades em sua fábrica),
mesmo tendo Patrícia e Hugo sempre se comprometido a compensar no dia
seguinte as horas que deixassem de trabalhar. Na frente de testemunhas,
Sandro afirma para ambos: “se vocês saírem antes serão descontados. Se
repetirem, serão suspensos e se isso continuar vão ser dispensados por justa
causa. A menos que tenham emprego aqui, vão acabar tendo que voltar lá
para o Mato Grosso. Vocês que sabem ... Aliás, vocês são uns vagabundos
de merda mesmo.” No entanto, nenhum dos empregados teve o seu contrato
de trabalho extinto.
Admitindo que tudo o narrado seja verdade e esteja comprovado, e com
base no Código Penal, em relação aos crimes contra a organização do
trabalho, Sandro praticou ao menos:
a) Atentado contra a liberdade de associação, Frustração de direito
assegurado por lei trabalhista e injúria.
b) Atentado contra a liberdade de associação e injúria.
c) Frustração de direito assegurado por lei trabalhista e Aliciamento de
trabalhadores de um local para o outro do território nacional.
d) Aliciamento de trabalhadores de um local para o outro do território
nacional.
e) Atentando contra a liberdade de associação.

Comentários:

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A alternativa D está correta. O delito de aliciamento para o fim de emigração


está previsto no artigo 206 do Código Penal:
Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território
estrangeiro.
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.

Não configurou crime de atentado contra a liberdade de associação pois a o tipo


penal exige que o agente obrigue a vítima a participar ou deixar de participar de
sindicato ou associação profissional. Como o empregador não é obrigado a liberar
o trabalhador para participar de atividades sindicais durante o horário de
expediente, Sandro não cometeu o crime em comento. Também não houve a
prática de crime de frustração de direito assegurado por lei trabalhista, uma vez
que não houve coação para a compra de mercadorias no estabelecimento.
==1150fb==

Outrossim, o crime de injúria não poderia ser a resposta, pois a questão pede a
análise do caso em relação aos crimes contra a organização do trabalho.

Q6. TRT 2ª Região/TRT 2ª Região/Juiz do Trabalho/2016


Em relação aos crimes contra a organização do trabalho, cujos tipos penais
estão enunciados no Título IV da Parte Especial do Código Penal, segundo a
tipologia especificamente adotada por este Código, são condutas típicas que,
em tese, caracterizam crime contra a organização do trabalho:
I- “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a
trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições
degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua
locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”.
II- “Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos
contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional”.
III- “Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando
violência contra pessoa ou contra coisa".
IV- “Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa”.
V - “Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade
do território nacional”.
Responda:
a) Somente as proposições l, ll e IV estão corretas.
b) Somente as proposições l, ll e V estão corretas.
c) Somente as proposições II, III e V estão corretas.
d) Somente as proposições III, IV e V estão corretas.
e) Todas as proposições estão corretas.

Comentários

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O item I traz a descrição típica do crime de redução à condição análoga a de


escravo, crime contra a liberdade individual.
O item II descreve a figura típica de crime contra o patrimônio, especificadamente
crime de apropriação indébita previdenciária.
Os itens III, IV e V estão corretos.
Logo, a alternativa D está correta.

Q7. CESPE/TJ-AM/Juiz de Direito/2016


Acerca do crime de que trata o art. 198 do CP — atentado contra a liberdade
de trabalho e boicotagem violenta —, assinale a opção correta.
a) A competência para o processamento de ação que envolva a prática desse
crime é da justiça federal, independentemente de se tratar de interesse
individual do trabalhador ou coletivo.
b) A conduta de constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça,
a adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial agrícola configura
o crime previsto no referido artigo.
c) Cometerá o referido crime aquele que constranger alguém, mediante
violência ou grave ameaça, a não celebrar contrato de trabalho.
d) Haverá concurso de crimes se o agente praticar mais de uma das condutas
previstas no art. 198 do CP.
e) O referido crime classifica-se como crime próprio.

Comentários
A alternativa A está incorreta. Compete a Justiça Estadual o julgamento do
delito de atentado contra a liberdade de trabalho e boicotagem violenta.
A alternativa B está incorreta. O tipo prevê a prática do crime pelo ato do agente
de constranger a vítima a celebrar contrato de trabalho, ou a não fornecer a
outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou
agrícola.
A alternativa C está incorreta. Dentre outras formas, o crime se configura pelo
ato do agente de constranger a vítima a celebrar contrato de trabalho.
A alternativa D está correta. O crime de invasão de estabelecimento industrial,
comercial ou agrícola e de sabotagem possui duas figuras distintas no mesmo
tipo penal.
A alternativa E está incorreta. O crime é comum, não exigindo nenhuma
qualidade específica do sujeito ativo.

Q8. FCC/TRT 23ª Região/Juiz do Trabalho/2015

Direito Penal p/ MP-CE (Promotor de Justiça)


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Paulo, industrial do ramo de plásticos, mediante promessa de mal futuro,


sério e verossímil, constrangeu Pedro, proprietário de empresa concorrente,
a não adquirir de Antônio matéria-prima necessária para a fabricação de
seus produtos. No caso, Paulo cometeu o crime de
a) atentado contra a liberdade de contrato de trabalho.
b) constrangimento ilegal.
c) atentado contra a liberdade de trabalho.
d) sabotagem.
e) boicotagem violenta.
Comentários:
O crime de boicotagem violenta ocorre com o constrangimento da vítima, por
meio de violência ou grave ameaça, a não fornecer a outrem ou a não adquirir
matéria-prima ou produto industrial ou agrícola. O bem jurídico tutelado é a
normalidade das relações de trabalho. O sujeito passivo é quem sofre a coação e
de quem sofre a boicotagem.
Portanto, a alternativa E está correta.

Q9. FCC/TRT 6ª Região/Juiz do Trabalho/2015


No delito de paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da
ordem,
a) o sujeito ativo só pode ser o empregado.
b) punível a suspensão de trabalho.
c) a violência deve ser dirigida, necessariamente, contra pessoa.
d) o abandono de trabalho pode ser individual.
e) punível, apenas, o abandono de trabalho.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. Pode haver concurso de sujeitos na prática do
crime. Por exemplo, no abandono coletivo de trabalho, o crime é de concurso
necessário, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 200 do Código Penal.
Exigem-se, no mínimo, três pessoas.
A alternativa B está correta. O tipo se consubstancia na conduta de participar
de suspensão de trabalho (denominado lockout ou locaute) ou abandono coletivo
de trabalho (que se traduz na greve).
A alternativa C está incorreta. Deve haver violência contra a coisa ou contra a
pessoa, que deve ser real, não abrangendo a chamada vis relativa, a grave
ameaça.

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A alternativa D está incorreta. Como já foi dito, o abandono coletivo de trabalho,


o crime é de concurso necessário, conforme dispõe o parágrafo único do artigo
200 do Código Penal.
A alternativa E está incorreta. Incorre no crime o agente de participa da
suspensão de trabalho (denominado lockout ou locaute) ou do abandono coletivo
de trabalho (que se traduz na greve).

Q10. CESPE/TJ-PB/Juiz de Direito/2015


Acerca da disciplina legal dos crimes previstos na parte especial do CP,
assinale a opção correta.
a) A conduta de subtrair cadáver de sua sepultura configura crime de furto
qualificado.
b) O ato de escarnecer de alguém publicamente em razão de sua crença ou
de sua função religiosa configura crime de injúria qualificada.
c) Nas figuras qualificadas do crime de direito autoral, é desnecessário que
haja o intuito de obter lucro para que seja configurado o referido crime.
d) No crime de impedimento ou perturbação de enterro ou cerimônia
funerária, constitui causa de aumento de pena o fato de o agente praticar o
referido crime mediante violência.
e) A ação penal para os crimes contra a propriedade intelectual é de iniciativa
privada e deverá ser ajuizada mediante queixa do ofendido.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. A conduta de subtrair cadáver configura o crime
de destruição, subtração ou ocultação de cadáver, previsto no artigo 211 do
Código Penal:
Art. 211 - Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

A alternativa B está incorreta. O ato de escarnecer de alguém publicamente em


razão de sua crença ou de sua função religiosa configura crime de ultraje a culto
e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo, que está tipificado no artigo
208 do Código Penal:
Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa;
impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato
ou objeto de culto religioso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem
prejuízo da correspondente à violência.

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A alternativa C está incorreta. Os parágrafos primeiro e segundo do artigo 184


do Código Penal preveem formas qualificadas do delito. Em ambos os
dispositivos, exige-se o “intuito de lucro direto ou indireto”, razão pela qual as
modalidades qualificadas podem ser classificadas como crimes mercenários.
A alternativa D está correta. O parágrafo único do artigo 209 prevê a causa de
aumento de pena de um terço no caso de o crime envolver violência.
A alternativa E está incorreta. No caso da modalidade simples, prevista no caput
do artigo 184, a ação penal é privada exclusiva. Nas formas qualificadas dos
parágrafos primeiro e segundo, a ação penal é pública incondicionada, assim
como nos casos em que a infração penal for cometida contra entidades de direito
público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação
instituída pelo Poder Público. Por fim, a ação penal é pública condicionada à
representação no caso da forma qualificada do parágrafo terceiro do artigo 184.

Q11. FCC/TRT 14ª Região/Juiz do Trabalho/2014


NÃO constitui crime contra a organização do trabalho
a) redução a condição análoga à de escravo.
b) boicotagem violenta.
c) atentado contra a liberdade de associação.
d) exercício de atividade com infração de decisão administrativa.
e) aliciamento para o fim de emigração.
Comentários:
A alternativa A está correta. O Título IV da Parte Especial do Código Penal se
intitula “Dos Crimes Contra a Organização do Trabalho”. Nele, estão contidos os
seguintes crimes: atentado contra a liberdade do trabalho; atentado contra a
liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta; atentado contra a
liberdade de associação; paralisação de trabalho, seguida de violência ou
perturbação da ordem; paralisação de trabalho de interesse coletivo; invasão de
estabelecimento industrial, comercial ou agrícola e sabotagem; frustração de
direito assegurado por lei trabalhista; frustração de lei sobre a nacionalização do
trabalho; aliciamento para o fim de emigração e aliciamento de trabalhadores de
um local para outro do território nacional. O crime de redução à condição análoga
de escravo constitui crime contra a liberdade individual.

Q12. TRT 8ª Região/TRT 8ª Região/Juiz do Trabalho/2014


NÃO caracteriza crime contra organização do trabalho:
a) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça: I - a exercer
ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não
trabalhar durante certo período ou em determinados dias. II - a abrir ou

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fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou


paralisação de atividade econômica.
b) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar
contrato de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem
matéria-prima ou produto industrial ou agrícola.
c) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou
deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional.
d) Participar de interrupção ou abandono coletivo de trabalho, praticando
violência contra pessoa ou contra coisa.
e) Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com
o intuito de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o
mesmo fim danificar o estabelecimento ou as coisas nele existentes ou delas
dispor.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. O artigo 197 do Código Penal prevê o crime de
atentado contra a liberdade de trabalho, que caracteriza crime contra organização
do trabalho.
A alternativa B está incorreta. O crime de atentado contra a liberdade de
contrato de trabalho e boicotagem violenta, previsto no artigo 198 do Código
Penal, caracteriza crime contra organização do trabalho.
A alternativa C está incorreta. O crime de atentado contra a liberdade de
associação, tipificado no artigo 199 do Código Penal, constitui crime contra
organização do trabalho.
A alternativa D está correta. O crime de paralisação de trabalho, seguida de
violência ou perturbação da ordem tem lugar no artigo 200 do Código Penal:
Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência
contra pessoa ou contra coisa:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o
concurso de, pelo menos, três empregados.

Constata-se na descrição típica que o crime ocorre quando o agente participa de


suspensão ou abandono coletivo do trabalho, praticando violência contra pessoa
ou contra coisa, e não participando de interrupção, como descreve a assertiva.
A alternativa E está incorreta. O crime de invasão de estabelecimento industrial,
comercial ou agrícola e de sabotagem, que possui duas figuras distintas no
mesmo tipo penal, encontra-se no artigo 202 do Código Penal e constitui crime
contra organização do trabalho.

Q13. TRT 23ª Região/TRT 23ª Região/Juiz do Trabalho/2014

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Joaquim é maranhense e em seu Estado natal foi contratado por Antônio


para laborar como trabalhador rural 'polivalente' em sua propriedade
latifundiária na cidade de Sapezal/MT, sob a promessa de receber três
salários mínimos para trabalhar por meio período, além de moradia e
alimentação tendo ainda pagas todas as despesas de transporte do
Maranhão até o local de trabalho.
Chegando na fazenda, descobriu que toda a despesa de transporte,
alimentação e moradia já estava computada para desconto no salário ainda
por vir, ficando sua CTPS retida até total pagamento da dívida.
Além disso, em virtude do período de safra, a jornada de trabalho de Joaquim
foi das 04h às 21h, com 15min de intervalo, todos os dias da semana,
gozando folga apenas uma vez ao mês, no dia do pagamento. Na frente de
trabalho (no campo) não havia instalações sanitárias, tampouco bebedouros,
de modo que Joaquim e os demais trabalhadores consumiam água de um
córrego próximo, o mesmo utilizado para banho dos animais da fazenda.
Ao reclamar das condições de trabalho o capataz da propriedade informou a
Joaquim que se não estivesse satisfeito poderia pedir demissão, quando
então seriam abatidas todas as dívidas de seu saldo rescisório. Acerca dessas
informações, assinale a alternativa INCORRETA:
a) Antônio incorreu no crime de redução à condição análoga a de escravo
em virtude do cerceamento da liberdade de Joaquim;
b) Antônio incorreu no crime de redução à condição análoga a de escravo
em virtude das condições degradantes do trabalho;
c) Antônio incorreu no crime de aliciamento de trabalhador previsto no artigo
207 do Código Penal, por recrutar Joaquim de outro Estado da Federação
mediante fraude;
d) Antônio incorreu no crime de frustração de direito assegurado por lei
trabalhista em virtude da retenção do documento profissional;
e) O crime de redução à condição análoga a de escravo é tido pela doutrina
como um gênero do qual são espécies o trabalho degradante e o
cerceamento de liberdade.
Comentários:
A alternativa C está correta. Antônio praticou o crime previsto no artigo 207 do
Código Penal cujo nomen iuris é o de aliciamento de trabalhadores de um local
para outro do território nacional:
Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do
território nacional:
Pena - detenção de um a três anos, e multa.
§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução
do trabalho, dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia
do trabalhador, ou, ainda, não assegurar condições do seu retorno ao local de origem.

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§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos,


idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.

A ação nuclear típica é a aliciar, que tem o significado de recrutar, envolver,


atrair. É importante destacar que os fatos descritos na questão não configuram
crime de redução à condição análoga à de escravo, haja vista que a CTPS do
Joaquim apenas é retida e, não apoderada com o fim de reter o empregado no
local de trabalho. Neste caso, o agente não lesionou o direito do trabalhador à
sua liberdade pessoal, por isso, não incorreu no crime previsto no art. 149 do
Código Penal. Tanto é que Joaquim ao reclamar das condições de trabalho foi
informado que poderia pedir demissão, ocasião em que seriam abatidas todas as
dívidas de seu saldo rescisório.

Q14. FCC/TRT 18ª Região/Juiz do Trabalho/2014


Configura o crime de boicotagem violenta
a) constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a não fornecer
a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou
agrícola.
b) participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando
violência contra pessoa ou contra coisa.
c) constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a abrir ou
fechar o seu estabelecimento, ou a participar de parede ou paralisação de
atividade econômica.
d) participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a
interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo.
e) danificar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola com o intuito
de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho.
Comentários
A alternativa A é a correta. O crime de atentado contra a liberdade de contrato
de trabalho e boicotagem violenta está previsto no artigo 198 do Código Penal:
Art. 198 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato
de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou
produto industrial ou agrícola:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

A boicotagem ocorre com o constrangimento, por meio de violência ou grave


ameaça, a não fornecer a outrem ou a não adquirir matéria-prima ou produto
industrial ou agrícola.

Q15. TRT 3ª Região/TRT 3ª Região/Juiz do Trabalho/2014

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NÃO é correto afirmar no que concerne ao crime de aliciamento de


trabalhadores de um local para outro do território nacional:
a) Configura-se o crime e incorre nas penas previstas aquele que recrutar
trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, dentro do
território nacional, mediante cobrança de qualquer quantia do trabalhador.
b) A pena prevista para o crime de aliciar trabalhadores, com o fim de levá-
los de uma para outra localidade do território nacional, é de detenção de um
a três anos, e multa.
c) Configura-se o crime e incorre nas penas previstas aquele que recrutar
trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, dentro do
território nacional e não assegurar condições do seu retorno ao local de
origem.
d) A pena é aumentada um sexto a um terço se a vítima é analfabeta,
gestante ou portadora de deficiência física ou mental.
e) A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de
dezoito anos, idosa, indígena.
Comentários
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Não é correto afirmar
que a pena é aumentada um sexto a um terço se a vítima é analfabeta, gestante
ou portadora de deficiência física ou mental, no que concerne ao crime de
aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional.
O artigo 207, em seu parágrafo terceiro, prevê uma forma majorada do delito,
com indicação da fração de um sexto a um terço. Incide se a vítima for menor de
dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou
mental. O desvalor maior da conduta se liga à vulnerabilidade maior, passageira
ou perene, do sujeito passivo.

Q16. FCC/TRT 6ª Região/Juiz do Trabalho/2013


O fato de a vítima ser menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou
portadora de deficiência física ou mental constitui causa de aumento da pena
no crime de:
a) atentado contra a liberdade de contrato de trabalho.
b) atentado contra a liberdade de trabalho.
c) atentado contra a liberdade de associação.
d) frustração de direito assegurado por lei trabalhista.
e) aliciamento para o fim de imigração.
Comentários

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A alternativa D está correta. Há a causa de aumento, de um sexto a um terço,


prevista no parágrafo segundo para o caso de a vítima ser menor de dezoito anos,
idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental. O maior
desvalor da conduta de liga a algumas minorias ou ao fato de menor possibilidade
de resistência, o que demonstra serem tais vítimas mais vulneráveis à conduta
do agente.

Q17. CESPE/MPE-RO/Promotor de Justiça/2013


No que concerne aos crimes contra a organização do trabalho, contra o
sentimento religioso e contra o respeito aos mortos, assinale a opção
correta.
a) A violação de túmulos com a consequente retirada dos crânios e de
próteses de cadáver ali sepultado configura o crime de violação de sepultura
em concurso material com furto
b) O crime de atentado contra a liberdade de associação submete-se à ação
penal de iniciativa pública, sujeita à representação daquele que pretenda
associar-se
c) É objeto do crime de destruição, subtração ou ocultação de cadáver a
múmia embalsamada, admitindo-se a modalidade tentada
d) O cadáver sepultado não é considerado objeto do delito de furto
e) A retirada do cadáver do local do crime para outro em que não seja
reconhecido caracteriza o crime de vilipêndio a cadáver.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. Se o agente violar a sepultura com a finalidade
de subtrair objetos partes do cadáver, o crime de violação da sepultura (crime
meio) será absorvido pelo furto (crime fim).
A alternativa B está incorreta. O crime submete-se a ação penal pública
incondicionada.
A alternativa C está incorreta. De acordo com a doutrina, a múmia
embalsamada e o esqueleto não são considerados cadáveres.
A alternativa D é o gabarito. O cadáver furtado será objeto do crime de
destruição, subtração ou ocultação de cadáver, previsto no artigo 211 do Código
Penal.
A alternativa E está incorreta. O crime de vilipêndio a cadáver está previsto no
artigo 211 do Código Penal:
Art. 212 - Vilipendiar cadáver ou suas cinzas:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

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Vilipendiar é ultrajar (por palavras, gestos ou atos), aviltar, rebaixar, tratar com
desprezo. Desta forma, constata-se que o fato de retirar o cadáver do local do
crime não configura crime de vilipêndio a cadáver.

Q18. TRT 22ª Região/TRT 22ª Região/Juiz do Trabalho/2013


Durante uma disputa pela Diretoria de um determinado Sindicato, o
candidato a presidente utilizou-se de violência para constranger um grupo
de empregados, que não eram sindicalizados, a filiar-se ao Sindicato,
aumentando assim o seu número de votos, e, consequentemente,
viabilizando a sua eleição. A presente situação fática caracteriza qual crime:
a) atentado contra a liberdade de trabalho;
b) atentado contra a liberdade de associação;
c) boicotagem violenta;
d) perturbação da ordem laboral;
e) frustração de direito assegurado por lei trabalhista.
Comentários:
A alternativa B está correta. O crime de atentado contra a liberdade de
associação está tipificado no artigo 199 do Código Penal, com os seguintes
termos:
Art. 199 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar
de participar de determinado sindicato ou associação profissional:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

O núcleo do tipo é “constranger”, que consiste na conduta de coagir, tolher a


liberdade, obrigar, sendo que pode ser realizado mediante violência (vis
corporalis) ou grave ameaça (vis compulsiva). O constrangimento ou coação visa
a que alguém participe ou deixe de participar de determinado sindicato ou
associação principal. Tutela-se, portanto, a liberdade de associação e de filiação
sindical.

Q19. CESPE/PC-BA/Delegado de Polícia/2015


Aroeira era conhecido intermediador de trabalhadores na região do Bico de
Tucano. Em determinado dia, ele obrigou Clemilton, mediante grave
ameaça, a exercer a arte de pintor de quadros durante quinze dias do mês
de janeiro. Em qual crime a conduta de Aroeira se enquadra:
a) atentado contra a liberdade de trabalho;
b) frustração de Direito assegurado por lei trabalhista;
c) aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional;

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d) redução à condição análoga à de escravo;


e) figura típica assemelhada à Redução à condição análoga à de escravo;
Comentários
A alternativa A está correta. O artigo 197 do Código Penal prevê o crime de
atentado contra a liberdade de trabalho:
Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça:
I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não
trabalhar durante certo período ou em determinados dias:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência;
II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou
paralisação de atividade econômica:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à
violência.

O núcleo do tipo é “constranger”, que significa coagir, tolher a liberdade, obrigar.


A conduta recai sobre outrem, que pode ser qualquer pessoa. O constrangimento
deve ser voltar:
• a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar
ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias. Neste
caso, a pena será detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena
correspondente à violência. Ou seja, havendo violência, deve-se aplicar a
regra do cúmulo material das penas.
• a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de
parede ou paralisação de atividade econômica. Neste caso, a pena é de
detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente
à violência. A lei também determina o uso do cúmulo material de penas se
houver violência.

Q20. CESPE/PC-BA/Delegado de Polícia/2013


No que se refere às contravenções penais, aos crimes em espécie e às leis
penais extravagantes, julgue o item a seguir com base na jurisprudência dos
tribunais superiores.
O dolo direto ou eventual é elemento subjetivo do delito de violação de
direito autoral, não havendo previsão para a modalidade culposa desse
crime.
o Certo
o Errado
Comentários:
O crime de violação de direito autoral somente pode ser praticado dolosamente,
não havendo a previsão de modalidade culposa. Portanto, a assertiva está
correta.

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Q21. FCC/TRT 18ª Região/Juiz do Trabalho/2012


NÃO configura o crime de atentado contra a liberdade de trabalho o ato de
constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a
a) celebrar contrato de trabalho.
b) exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria.
c) participar de parede ou paralisação de atividade econômica.
d) abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho.
e) trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados
dias.
Comentários:
A alternativa A está correta. O núcleo do crime de atentado contra a liberdade
de trabalho é “constranger”, que significa coagir, tolher a liberdade, obrigar. O
constrangimento pode se dar por meio de violência (vis corporalis) ou grave
ameaça (vis compulsiva). O constrangimento deve ser voltar:
• a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar
ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias. Neste
caso, a pena será detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena
correspondente à violência. Ou seja, havendo violência, deve-se aplicar a
regra do cúmulo material das penas.
• a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de
parede ou paralisação de atividade econômica. Neste caso, a pena é de
detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente
à violência. A lei também determina o uso do cúmulo material de penas se
houver violência.

Q22. FCC/TRT 1ª Região/Juiz do Trabalho/2012


Configura o crime de sabotagem
a) danificar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola com o intuito
de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho.
b) participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a
interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo.
c) constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a não fornecer
a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou
agrícola.
d) participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando
violência contra pessoa ou contra coisa.
e) constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a abrir ou
fechar o seu estabelecimento, ou a participar de parede ou paralisação de
atividade econômica.

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Comentários:
A alternativa A está correta. A modalidade de sabotagem consiste em danificar
o estabelecimento industrial, comercial ou agrícola ou as coisas nele existentes
ou delas dispor, com o fim de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho.
Danificar é estragar, causar dano, avariar. Dispor tem o significar de desfazer-se
das coisas, seja por meio de doação, alienação e etc.
A alternativa B está incorreta. A alternativa descreve a figura típica do crime de
paralisação de trabalho de interesse coletivo, tipificado no artigo 201 do Código
Penal.
A alternativa C está incorreta. A alternativa trata do crime de atentado contra
a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta, previsto no artigo 198
do Código Penal.
A alternativa D está incorreta. Trata-se da conduta típica do crime de
paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem, previsto
no artigo 200 do Código Penal.
A alternativa E está incorreta. A alternativa traz a descrição típica do delito de
atentado contra a liberdade de trabalho, previsto no artigo 197 do Código Penal.

Q23. TRT 23ª Região /TRT 23ª Região/Juiz do Trabalho/2012


Dentre as alternativas abaixo, qual das condutas descritas não será
considerada crime:
a) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou
deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional.
b) obrigar ou coagir alguém a usar mercadorias de determinado
estabelecimento, para impossibilitar o desligamento do serviço em virtude
de dívida.
c) Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade
do território nacional.
d) Recrutar trabalhadores, com o fim de levá-los para território estrangeiro.
e) Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação
do trabalho.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. A alternativa descreve a conduta típica do crime
contra a liberdade de associação.
A alternativa B está incorreta. A alternativa traz a descrição típica de crime de
redução a condição análoga de escravo.
A alternativa C está incorreta. Cuida-se de crime de recrutamento de
trabalhadores de um lugar para outro do território nacional.

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A alternativa D está correta. A figura é atípica. O delito de aliciamento para o


fim de emigração está previsto no artigo 206 do Código Penal:
Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território
estrangeiro.
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.

Nota-se que embora a alternativa tenha descrito alguns elementos do referido


crime, faltou a parte “mediante fraude”.
A alternativa E está incorreta. O crime descrito é o de frustração de aplicação
de lei trabalhista nacional.

Q24. TRT 23ª Região /TRT 23ª Região/Juiz do Trabalho/2012


"João e mais dois de seus empregados, Pedro e Mario, descontentes com o
movimento de sua empresa e contrariados com o movimento de empresa
vizinha e concorrente, invadem, fora do expediente, o estabelecimento
comercial concorrente praticando depredações e quebrando máquinas e
equipamentos, com o único objetivo de prejudicar o curso normal do
trabalho ali desempenhado". João, Pedro e Mario praticaram qual crime:
a) Paralisação de trabalho de interesse coletivo.
b) Paralisação de trabalho, seguida da violência ou perturbação da ordem.
c) Atentado com a liberdade de trabalho.
d) Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem.
e) Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem
violenta.
Comentários:
A alternativa D está correta. João, Pedro e Mario praticaram o crime de invasão
de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola e de sabotagem, que possui
duas figuras distintas no mesmo tipo penal, encontra-se no artigo 202 do Código
Penal:
Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito
de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o
estabelecimento ou as coisas nele existentes ou delas dispor:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Q25. FCC/TRT 4ª Região/Juiz do Trabalho/2012


NÃO constitui causa de aumento da pena no crime de aliciamento de
trabalhadores de um local para outro do território nacional a circunstância
de a vítima ser
a) gestante.

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b) indígena.
c) analfabeta.
d) portadora de deficiência física.
e) menor de dezoito anos.
Comentários
A alternativa C está correta. O artigo 207, em seu parágrafo terceiro, prevê
uma forma majorada do delito, com indicação da fração de um sexto a um terço.
Incide se a vítima for menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou
portadora de deficiência física ou mental.

Q26. TRT 8ª Região/TRT 8ª Região/Juiz do Trabalho/2012


A respeito dos crimes contra a organização do trabalho, marque a alternativa
CORRETA:
a) É considerado crime de atentado contra a liberdade de associação, o ato
de constranger alguém a participar ou deixar de participar de determinado
sindicato ou associação profissional.
b) Incorre na mesma pena prevista para o crime de frustração do direito
assegurado por lei trabalhista aquele que impedir alguém de se desligar de
serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da retenção de
seus documentos pessoais ou contratuais, não havendo, todavia, aumento
de pena, nesta hipótese, se a vítima for indígena.
c) Incorre na mesma pena prevista para o crime de frustração de direito
assegurado por lei trabalhista aquele que obrigar ou coagir alguém a usar
mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o
desligamento do serviço em virtude de dívida.
d) Não é considerado crime contra a organização do trabalho o exercício de
atividade de que o agente está impedido apenas por decisão administrativa.
e) O recrutamento de trabalhadores, com o fim de levá-los para território
estrangeiro não é considerado crime, ainda que mediante fraude, se houver
a sua anuência.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. A conduta típica do crime de atentado contra a
liberdade de trabalho é constranger a constranger alguém, mediante violência ou
grave ameaça, a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a
trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias, ou
constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a abrir ou fechar o seu
estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou paralisação de
atividade econômica.

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A alternativa B está incorreta. O parágrafo primeiro do artigo 203 do Código


Penal prevê formas equiparadas do crime de frustração do direito assegurado por
lei trabalhista. A forma prevista no inciso II dispõe que incorre nas mesmas penas
quem impedir alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante
coação ou por meio da retenção de seus documentos pessoais ou contratuais.
Entretanto, ao contrário do que afirma a alternativa, há a causa de aumento, de
um sexto a um terço, prevista no parágrafo segundo para o caso de a vítima ser
menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência
física ou mental.
A alternativa C está correta. Outra forma equiparada ao crime de frustração do
direito assegurado por lei trabalhista está prevista no inciso I, que dispõe que
incorre nas mesmas penas quem obrigar ou coagir alguém a usar mercadorias
de determinado estabelecimento, para impossibilitar o desligamento do serviço
em virtude de dívida.
A alternativa D está incorreta. O crime de exercício de atividade com infração
de decisão administrativa foi tipificado no artigo 205 do Código Penal:
Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.

A ação nuclear é exercer, que significa praticar, pôr em ação, desempenhar,


realizar. A conduta se refere a atividade de que o agente foi impedido por decisão
administrativa.
A alternativa E está incorreta. A conduta típica do delito de aliciamento para o
fim de emigração consiste em recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o
fim de levá-los para território estrangeiro. A conduta envolve fraude, que é o
engodo, o ardil, o artifício.

Q27. TRT 24ª Região/TRT 24ª Região/Juiz do Trabalho/2012


Analise as proposições a seguir assinalando a alternativa CORRETA:
(I) Constranger alguém mediante violência ou grave ameaça a abrir ou
fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou
paralisação econômica constitui crime contra a Organização do Trabalho.
(II) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar
ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional
constitui crime contra a Organização do Trabalho.
(III) O abandono de emprego por, no mínimo três empregados, praticando
violência contra pessoa ou coisa, é considerado abandono de emprego
coletivo constituindo crime contra a Organização do Trabalho.
(IV) Constitui crime contra a Organização do Trabalho frustrar a lei sobre a
nacionalização do trabalho.
a) Somente as alternativas (I) e (III) estão corretas.

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b) Somente a alternativa (IV) está correta.


c) Somente as alternativas (III) e (IV) estão corretas.
d) Somente as alternativas (I) e (IV) estão corretas.
e) Todas as alternativas estão corretas.
Comentários:
O item I está correto. O crime de atentado contra a liberdade de trabalho previsto
no art. 197 o Código Penal constitui crime contra a Organização do Trabalho.
O item II está correto. O crime de atentado contra a liberdade de associação, que
está tipificado no artigo 199 do Código Penal, constitui crime contra a
Organização do Trabalho.
O item III está correto. O crime de paralisação de trabalho, seguida de violência
ou perturbação da ordem tem lugar no artigo 200 do Código Penal, se
consubstancia na conduta de participar de suspensão de trabalho (denominado
lockout ou locaute) ou abandono coletivo de trabalho (que se traduz na greve).
Deve haver violência contra a coisa ou contra a pessoa, que deve ser real, não
abrangendo a chamada vis relativa, a grave ameaça. No abandono coletivo de
trabalho, o crime é de concurso necessário, conforme dispõe o parágrafo único
do artigo 200 do Código Penal. Exigem-se, no mínimo, três pessoas. Cuida-se de
crime contra a Organização do Trabalho.
O item IV está correto. O crime de frustração de lei sobre a nacionalização do
trabalho está previsto no artigo 204 do Código Penal e constitui crime contra a
Organização do Trabalho.
Portanto, a alternativa E está correta.

Q28. FCC/TRT 20ª Região/Juiz do Trabalho/2012


A violência NÃO constitui elemento do crime de
a) aliciamento para fim de emigração.
b) atentado contra a liberdade de trabalho.
c) frustração de direito assegurado por lei trabalhista.
d) atentado contra a liberdade de associação.
e) frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho.
Comentários:
A alternativa A está correta. O delito de aliciamento para o fim de emigração
está previsto no artigo 206 do Código Penal. A conduta típica é recrutar
trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território estrangeiro.
Recrutar significa atrair, alistar, arregimentar. A conduta envolve fraude, que é o
engodo, o ardil, o artifício. Recai sobre trabalhadores.

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Q29. CESPE/DPE-MA/Defensor Público/2011


Assinale a opção correta acerca dos crimes contra a propriedade imaterial e
contra a organização do trabalho.
a) Para o delito de atentado contra a liberdade de trabalho, são previstas a
modalidade dolosa e a culposa.
b) Nos delitos de sabotagem e de invasão de estabelecimento industrial,
comercial ou agrícola, a finalidade do agente é danificar o estabelecimento
ou as coisas nele existentes ou delas dispor.
c) O sujeito passivo do delito de violação de direito autoral não é apenas o
autor da obra literária, artística ou científica, mas também toda a
coletividade de forma direta.
d) Os crimes contra a propriedade intelectual podem ser apurados mediante
ação penal privada, pública condicionada à representação ou pública
incondicionada.
e) A jurisprudência do STJ considera, para fins penais, socialmente adequada
a venda de CDs e DVDs piratas, devendo a punição contra o agente limitar-
se à esfera cível.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. O elemento subjetivo do crime delito de atentado
contra a liberdade de trabalho é o dolo, consistente na vontade livre e consciente
de constranger a vítima a alguma das formas de atentado ao trabalho acima
descritas. Não há previsão da modalidade culposa.
A alternativa B está incorreta. O crime de invasão de estabelecimento industrial,
comercial ou agrícola e de sabotagem, que possui duas figuras distintas no
mesmo tipo penal, encontra-se no artigo 202 do Código Penal. O elemento
subjetivo especial do crime de invasão de estabelecimento industrial, comercial
ou agrícola deve ser impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho. Impedir
significa estorvar, obstruir, dificultar o curso de. O elemento do crime de
sabotagem subjetivo especial do tipo também deve ser impedir ou embaraçar o
curso normal do trabalho.
A alternativa C está incorreta. O sujeito passivo do delito de violação de direito
autoral é o autor da obra literária, artística ou científica, seus herdeiros e
sucessores, ou qualquer pessoa que seja titular dos direitos autorais.
A alternativa D está correta. No caso da modalidade simples, prevista no caput
do artigo 184, a ação penal é privada exclusiva. Nas formas qualificadas dos
parágrafos primeiro e segundo, a ação penal é pública incondicionada, assim
como nos casos em que a infração penal for cometida contra entidades de direito
público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação
instituída pelo Poder Público. Por fim, a ação penal é pública condicionada à
representação no caso da forma qualificada do parágrafo terceiro do artigo 184.

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A alternativa E está incorreta. O Superior Tribunal de Justiça elaborou a Súmula


501, reconhecendo a exposição à venda de CDs e DVDs falsificados como
modalidade do crime qualificado previsto no parágrafo segundo do artigo 184:
Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no
art. 184, § 2º, do CP, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas

Q30. TRT 23ª Região/TRT 23ª Região/Juiz do Trabalho/2011


Analise as assertivas e marque a alternativa correta:
I - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a exercer ou
não exercer arte, oficio, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não
trabalhar durante certo período ou em determinados dias, é crime punível
com detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente
à violência.
II - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar
contrato de trabalho é crime contra a liberdade de trabalho.
III - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar
de parede é crime punível com detenção, de três meses a um ano, e muita,
além da pena correspondente à violência.
IV- Quando pelo menos três empregados participarem de suspensão ou
abandono coletivo de trabalho, praticando violência contra pessoa ou contra
coisa, cometem crime punível com detenção, de um mês a um ano, e multa,
além da pena correspondente à violência.
a) Todos os itens estão corretos.
b) Apenas I está incorreto e os itens II, III e IV estão corretos.
c) Apenas II está incorreto e os itens I, III e IV estão corretos.
d) Apenas III está incorreto e os itens I, II e IV estão corretos.
e) Todos os itens estão incorretos.
Comentários:
O item I está correto. O artigo 197 do Código Penal prevê o crime de atentado
contra a liberdade de trabalho:
Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça:
I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não
trabalhar durante certo período ou em determinados dias:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência;
II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou
paralisação de atividade econômica:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à
violência.

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O item II está incorreto. Constranger alguém, mediante violência ou grave


ameaça, a celebrar contrato de trabalho é crime contra a organização do trabalho.
O item III está correto. Cuida-se da conduta típica do crime de atentado contra
a liberdade de trabalho, previsto no artigo 197 do Código Penal.
O item IV está correto. O crime de paralisação de trabalho, seguida de violência
ou perturbação da ordem tem lugar no artigo 200 do Código Penal:
Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência
contra pessoa ou contra coisa:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o
concurso de, pelo menos, três empregados.

Logo, a alternativa C está correta.

Q31. TRT 15ª Região/TRT 15ª Região/Juiz do Trabalho/2010


Não é considerado crime:
a) recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para
território estrangeiro;
b) obrigar alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para
impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida;
c) participar de abandono coletivo de trabalho, provocando a interrupção de
serviço de interesse coletivo;
d) fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade, como perito, em juízo
arbitral;
e) nenhuma das anteriores.
Comentários:
A alternativa E está correta. O crime retratado na alternativa A é o delito de
aliciamento para o fim de emigração, previsto no artigo 206 do Código Penal. A
alternativa B descreve a conduta típica do crime de frustração de direito
assegurado por lei trabalhista, previsto no artigo 203 do Código Penal. A
alternativa C define a conduta criminalizada pelo artigo 200 do Código Penal, que
prevê o crime de paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da
ordem. Por fim, a alternativa D trata do crime de falso testemunho ou falsa perícia
previsto no art. 342 do Código Penal.

Q32. TRT 15ª Região/TRT 15ª Região/Juiz do Trabalho/2010


Aponte a alternativa correta:

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a) o atentado contra a liberdade de trabalho se dá pelo ato de constranger


alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de
trabalho;
b) a boicotagem violenta se dá pelo ato de constranger alguém, mediante
violência ou grave ameaça, a não fornecer a outrem determinado produto
industrial;
c) o atentado contra a liberdade de trabalho se dá pelo ato de constranger
alguém, mediante violência, a deixar de participar de determinado sindicato;
d) não é crime, participar de suspensão coletiva de trabalho provocando a
interrupção de obra pública;
e) nenhuma das anteriores.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. O crime de atentado contra a liberdade de
contrato de trabalho se dá pelo ato de constranger alguém, mediante violência
ou grave ameaça, a celebrar contrato de trabalho.
A alternativa B está correta. O crime de boicotagem violenta ocorre quando o
agente constrange a vítima, por meio de violência ou grave ameaça, a não
fornecer a outrem ou a não adquirir matéria-prima ou produto industrial ou
agrícola.
A alternativa C está incorreta. A conduta típica do crime de atentado contra a
liberdade de associação é constranger alguém, mediante violência ou grave
ameaça, a participar ou deixar de participar de determinado sindicato ou
associação profissional
A alternativa D está incorreta. A paralisação de trabalho de interesse coletivo é
tipificada no artigo 201 do Código Penal, que prevê a pena de detenção, de seis
meses a dois anos, e multa, para quem participa de suspensão ou abandono
coletivo de trabalho, provocando a interrupção de obra pública ou serviço de
interesse coletivo.
A alternativa E está incorreta, pois, a alternativa B está correta.

Q33. MS CONCURSO/TRT 9ª Região/Juiz do Trabalho/2009


Assinale a proposição correta:
a) A exortação para o exercício do direito de greve configura crime de
atentado contra a liberdade do trabalho.
b) Contratar trabalhadores e não promover o pagamento de seus salários
configura o crime de estelionato.
c) O recrutamento de trabalhadores para trabalhar em território estrangeiro
configura delito penal.

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d) Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou


deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional
configura crime.
e) No crime de frustração de direito assegurado por lei trabalhista (artigo
203 do Código Penal) o sujeito passivo necessariamente deve ser o
empregador.
Comentários:
A alternativa A está incorreta. O simples ato de exortar não configura o crime
descrito no art. 197 do CP.
A alternativa B está incorreta. Contratar trabalhadores e não promover o
pagamento de seus salários configura ilícito trabalhista.
A alternativa C está incorreta. A conduta típica do delito de aliciamento para o
fim de emigração consiste em recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o
fim de levá-los para território estrangeiro. Recrutar significa atrair, alistar,
arregimentar. A conduta envolve fraude, que é o engodo, o ardil, o artifício. Recai
sobre trabalhadores.
A alternativa D está correta. O crime de atentado contra a liberdade de
associação, tipificado no artigo 199 do Código Penal, prevê a pena de detenção,
de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência para o
sujeito que constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a
participar ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação
profissional.
A alternativa E está incorreta. O sujeito passivo é o trabalhador.

Q34. TRT 15ª Região/TRT 15ª Região/Juiz do Trabalho/2008


Nos crimes contra a organização do trabalho é certo afirmar:
a) o sujeito ativo do crime de paralisação do trabalho, seguida de violência
ou perturbação da ordem, pode ser qualquer pessoa sem nenhuma condição
especial;
b) para que se considere coletivo o abandono de trabalho, é indispensável o
concurso de, pelo menos, 2 (dois) empregados;
c) o crime de invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola
consuma-se com a invasão ou ocupação, com a danificação ou disposição,
sem dependência da obtenção da finalidade proposta;
d) o delito de paralisação de trabalho de interesse coletivo não admite
tentativa;
e) todas as alternativas estão incorretas.
Comentários:

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A alternativa A está incorreta. O sujeito ativo do crime é próprio, pois deve ser
trabalhador ou empregador, qualidade que, exigida como elementar do tipo, se
comunica aos demais coautores ou partícipes.
A alternativa B está incorreta. No abandono coletivo de trabalho, o crime é de
concurso necessário, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 200 do Código
Penal. Exigem-se, no mínimo, três pessoas.
A alternativa C está correta. A modalidade de invasão se consuma com a
invasão ou a ocupação do estabelecimento, não é necessário que haja o
impedimento ou o embaraço do curso normal do trabalho.
A alternativa D está incorreta. O crime é plurissubsistente, sendo possível sua
modalidade tentada.
A alternativa E está incorreta, pois, a alternativa C está correta.

Q35. TRT 15ª Região/TRT 15ª Região/Juiz do Trabalho/2008


No tocante ao crime de frustração de direito assegurado por lei trabalhista,
é correto afirmar que:
a) o delito em apreço não admite a tentativa;
b) admite modalidade dolosa e culposa;
c) a ação penal é pública condicionada à representação do ofendido;
d) as penas cominadas, cumulativamente, são detenção e multa, além da
pena correspondente à violência;
e) a pessoa, desde que mantenha vínculo empregatício, pode ser sujeito
ativo do crime.

Comentários:
A alternativa D está correta. O artigo 203 do Código Penal prevê o crime de
frustração de direito assegurado por lei trabalhista:
Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do
trabalho:
Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 1º Na mesma pena incorre quem:
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para
impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida;
II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou
por meio da retenção de seus documentos pessoais ou contratuais.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos,
idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.

As penas cominadas são de detenção de um ano a dois anos, além da pena


correspondente à violência.

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6 - Destaques da Legislação e da Jurisprudência


Neste ponto da aula, citamos, para fins de revisão, os principais dispositivos de
lei e entendimentos jurisprudenciais que podem fazer a diferença na hora da
prova. Lembre-se de revisá-los!

 Art. 184 do Código Penal: crime de violação contra os direitos autorais


Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto
ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução
ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do
produtor, conforme o caso, ou de quem os represente.
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa
§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto,
distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito,
original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito
de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de
fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a
expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente.
§ 3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite,
ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou
produção para recebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula
a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o
caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem
os represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa
§ 4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o não se aplica quando se tratar de exceção ou limitação
ao direito de autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº
9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um
só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto.
 Arts. 22 e 23 da Lei 9.610/98: o Capítulo I do Título III traz as disposições preliminares a
respeito aos direitos do autor
Art. 22. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou.
Art. 23. Os co-autores da obra intelectual exercerão, de comum acordo, os seus direitos,
salvo convenção em contrário.
 HC 123037/STF: sobre a perícia para a configuração do delito do crime de violação contra os
direitos autorais, o STF já considerou ser suficiente o exame externo do corpo de delito, com
indicação dos autores cujos direitos foram violados
RECURSO ESPECIAL – MATÉRIA FÁTICA – REVOLVIMENTO VERSUS ENQUADRAMENTO. São
inconfundíveis o revolvimento dos elementos probatórios do processo e o enquadramento
jurídico dos fatos constantes do acórdão impugnado por meio de recurso de natureza
extraordinária. DIREITO AUTORAL – LAUDO. Desnecessário é o exame do conteúdo das
peças apreendidas, sendo suficiente o do externo, bem como a indicação dos autores

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lesionados. DIREITO AUTORAL – VIOLAÇÃO – INSIGNIFICÂNCIA. Surge impróprio cogitar


da atipicidade da conduta, sob o ângulo da insignificância, considerada a quantidade de
material apreendido. (HC 123037, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma,
julgado em 04/10/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-017 DIVULG 31-01-2017 PUBLIC 01-
02-2017)
 REsp 1485832/STJ: o STJ já entendeu não ser necessária sequer a identificação dos titulares
dos direitos, entendendo suficiente a perícia por amostragem
RECURSO ESPECIAL. PROCESSAMENTO SOB O RITO DO ART. 543-C DO CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. VIOLAÇÃO DE DIREITO
AUTORAL. PERÍCIA SOBRE TODOS OS BENS APREENDIDOS. DESNECESSIDADE. ANÁLISE
DOS ASPECTOS EXTERNOS DO MATERIAL APREENDIDO. SUFICIÊNCIA. IDENTIFICAÇÃO
DOS TITULARES DOS DIREITOS AUTORAIS VIOLADOS. PRESCINDIBILIDADE. RECURSO
PROVIDO.
1. Recurso Especial processado sob o regime previsto no art. 543-C, § 2º, do CPC, c/c o
art. 3º do CPP, e na Resolução n. 8/2008 do STJ.
TESE: É suficiente, para a comprovação da materialidade do delito previsto no art. 184, §
2º, do Código Penal, a perícia realizada, por amostragem, sobre os aspectos externos do
material apreendido, sendo desnecessária a identificação dos titulares dos direitos autorais
violados ou de quem os represente.
2. Não se exige, para a configuração do delito previsto no art. 184, § 2º, do Código Penal,
que todos os bens sejam periciados, mesmo porque, para a caracterização do mencionado
crime, basta a apreensão de um único objeto.
3. A constatação pericial sobre os aspectos externos dos objetos apreendidos já é suficiente
para revelar que o produto é falso.
4. A violação de direito autoral extrapola a individualidade do titular do direito, pois reduz
a oferta de empregos formais, causa prejuízo aos consumidores e aos proprietários
legítimos, fortalece o poder paralelo e a prática de atividades criminosas, de modo que não
é necessária, para a caracterização do delito em questão, a identificação do detentor do
direito autoral violado, bastando que seja comprovada a falsificação do material apreendido.
5. Recurso especial representativo da controvérsia provido para reconhecer a apontada
violação legal e, consequentemente, cassar o acórdão recorrido, reconhecer a materialidade
do crime previsto no art. 184, § 2º, do Código Penal e determinar que o Juiz de primeiro
grau prossiga no julgamento do feito (Processo n. 0024.12.029829-4).
(REsp 1485832/MG, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
12/08/2015, DJe 21/08/2015)
 Súmula 501 do STJ: sobre a incidência da forma qualificada prevista no parágrafo segundo do
artigo 184, o Superior Tribunal de Justiça elaborou a Súmula 501, reconhecendo-a no caso de
exposição à venda de CDs e DVDs falsificados, denominados popularmente de “piratas”
Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no
art. 184, § 2º, do CP, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas
 HC 136233/STF: há a especialidade dos crimes previstos na Lei 9.609/98, a qual dispõe sobre
a proteção da propriedade intelectual de programa de computador
Ementa: HABEAS CORPUS. PENAL. VIOLAÇÃO DE DIREITO AUTORAL. RECURSO
SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. INADMISSIBILIDADE. PRECEDENTES.
COMERCIALIZAÇÃO DE MÍDIAS COM FILME OU MÚSICA REPRODUZIDOS SEM
AUTORIZAÇÃO DO TITULAR DO DIREITO AUTORAL. CRIME TIPIFICADO NO CÓDIGO PENAL.
RECAPITULAÇÃO PARA O TIPO PENAL PREVISTO NA LEI 9.609/1998. NORMA ESPECÍFICA
QUE TRATA DA PROTEÇÃO À PROPRIEDADE INTELECTUAL DO AUTOR DE PROGRAMA DE
COMPUTADOR. IMPOSSIBILIDADE. ORDEM DENEGADA. I – O habeas corpus, em que pese

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configurar remédio constitucional de largo espectro, não pode ser utilizado como sucedâneo
da revisão criminal, salvo em situações nas quais se verifique flagrante ilegalidade ou
nulidade, o que não é o caso dos autos. Precedentes. II – A comercialização de mídias com
filme ou músicas reproduzidas sem autorização do titular do direito autoral encontra
tipificação no Código Penal. III – A Lei 9.609/1998 é norma específica, que tipifica a conduta
de comercialização de mídias com programas de computador reproduzidos sem autorização
do autor. IV – Habeas corpus não conhecido. (HC 136233, Relator(a): Min. RICARDO
LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 26/10/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-
252 DIVULG 25-11-2016 PUBLIC 28-11-2016)
 RE 702362 RG/STF: o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da discussão
sobre competência em caso de reprodução ilegal de CDs e DVDs, em caso de transnacionalidade
do delito.
DIREITO CONSTITUCIONAL. PENAL E PROCESSO PENAL. REPRODUÇÃO ILEGAL DE CDS E
DVDS. TRANSNACIONALIDADE DO DELITO. DEFINIÇÃO DE COMPETÊNCIA. MANIFESTAÇÃO
PELA REPERCUSSÃO GERAL. (RE 702362 RG, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em
06/09/2012, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-186 DIVULG 20-09-2012 PUBLIC 21-09-2012 )
 Arts. 46, 47 e 48 da Lei 9.610/98: não há o crime de violação contra os direitos autorais nos
casos de exceção ou limitação ao direito do autor e aos direitos conexos
Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:
I - a reprodução:
a) na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários
ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde
foram transcritos;
b) em diários ou periódicos, de discursos pronunciados em reuniões públicas de qualquer
natureza;
c) de retratos, ou de outra forma de representação da imagem, feitos sob encomenda,
quando realizada pelo proprietário do objeto encomendado, não havendo a oposição da
pessoa neles representada ou de seus herdeiros;
d) de obras literárias, artísticas ou científicas, para uso exclusivo de deficientes visuais,
sempre que a reprodução, sem fins comerciais, seja feita mediante o sistema Braille ou
outro procedimento em qualquer suporte para esses destinatários;
II - a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista,
desde que feita por este, sem intuito de lucro;
III - a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação, de
passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada
para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra;
IV - o apanhado de lições em estabelecimentos de ensino por aqueles a quem elas se
dirigem, vedada sua publicação, integral ou parcial, sem autorização prévia e expressa de
quem as ministrou;
V - a utilização de obras literárias, artísticas ou científicas, fonogramas e transmissão de
rádio e televisão em estabelecimentos comerciais, exclusivamente para demonstração à
clientela, desde que esses estabelecimentos comercializem os suportes ou equipamentos
que permitam a sua utilização;
VI - a representação teatral e a execução musical, quando realizadas no recesso familiar
ou, para fins exclusivamente didáticos, nos estabelecimentos de ensino, não havendo em
qualquer caso intuito de lucro;
VII - a utilização de obras literárias, artísticas ou científicas para produzir prova judiciária
ou administrativa;

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VIII - a reprodução, em quaisquer obras, de pequenos trechos de obras preexistentes, de


qualquer natureza, ou de obra integral, quando de artes plásticas, sempre que a reprodução
em si não seja o objetivo principal da obra nova e que não prejudique a exploração normal
da obra reproduzida nem cause um prejuízo injustificado aos legítimos interesses dos
autores.
Art. 47. São livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra
originária nem lhe implicarem descrédito.
Art. 48. As obras situadas permanentemente em logradouros públicos podem ser
representadas livremente, por meio de pinturas, desenhos, fotografias e procedimentos
audiovisuais.
 Art. 186 do Código Penal: cuida da ação penal nos casos dos crimes contra a propriedade
intelectual
Art. 186. Procede-se mediante:
I – queixa, nos crimes previstos no caput do art. 184;
II – ação penal pública incondicionada, nos crimes previstos nos §§ 1o e 2o do art. 184;
III – ação penal pública incondicionada, nos crimes cometidos em desfavor de entidades de
direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação
instituída pelo Poder Público;
IV – ação penal pública condicionada à representação, nos crimes previstos no § 3o do art.
184.
 Art. 109, inciso VI da Constituição da República: uma primeira leitura do artigo poderia indicar
que os crimes contra a organização do trabalho seriam sempre julgados pelos Juízes Federais em
primeiro grau de jurisdição.
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
(...)
VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o
sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;
 RE 449848 AgR/STF: para a Supremo Tribunal Federal, não é a denominação dada pela lei que
definirá se o crime é ou não da competência da Justiça Comum Federal, e sim o fato de eles
ofenderem os interesses coletivos do trabalho.
Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Recurso extraordinário no qual se alega
que o Tribunal a quo violou o art. 109, incisos VI e IX, da CF. 3. Acórdão recorrido que
reconhece a competência da Justiça estadual para julgamento do feito. 4. Decisão
monocrática que nega seguimento a recurso extraordinário. 5. A interpretação do que seja
crime contra a organização do trabalho, para o fim constitucional de determinar a
competência, não se junge à capitulação do Código Penal. 6. O recurso extraordinário não
é esclarecedor acerca do número de indígenas supostamente vítimas do delito tipificado no
art. 207, §§ 1º e 2º do CP, havendo referência individualizada a apenas um silvícola. 7. Não
se identificam, no caso concreto, disputas sobre direitos indígenas ou situação excepcional
de crime contra a organização do trabalho. 8. Agravo regimental ao qual se nega
provimento.
(RE 449848 AgR, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em
30/10/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-232 DIVULG 26-11-2012 PUBLIC 27-11-2012)
 CC 135924/STJ: o Superior Tribunal de Justiça tem considerando que são federais os crimes
que atinjam a organização geral do trabalho ou os direitos dos trabalhadores em âmbito coletivo,
sendo os demais de competência da Justiça Comum Estadual

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CONFLITO DE COMPETÊNCIA. DIREITO PROCESSUAL PENAL. FRUSTRAÇÃO DE DIREITOS


TRABALHISTAS. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO OU A
DIREITOS DOS TRABALHADORES CONSIDERADOS COLETIVAMENTE. INTERESSES
INDIVIDUAIS DE TRABALHADORES. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. PRECEDENTES.
1. Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes contra a organização do trabalho,
quando tenham por objeto a organização geral do trabalho ou direitos dos trabalhadores
considerados coletivamente (Súmula n. 115 do extinto Tribunal Federal de Recursos).
2. A infringência dos direitos individuais de trabalhadores, sem que configurada lesão ao
sistema de órgãos e instituições destinadas a preservar a coletividade trabalhista, afasta a
competência da Justiça Federal (AgRg no CC 64.067/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES,
TERCEIRA SEÇÃO, DJe 08/09/2008).
3. Conflito conhecido para declarar competente o JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA CRIMINAL
DE BARUERI - SP.
(CC 135.924/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2014,
DJe 31/10/2014)
 Art. 197 do Código Penal: crime de atentado contra a liberdade de trabalho
Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça:
I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não
trabalhar durante certo período ou em determinados dias:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência;
II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou
paralisação de atividade econômica:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à
violência.
 AgRg no CC 62875/STJ: o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que se o fato de subsome ao
tipo penal de atentado contra a liberdade do trabalho, não há a atração, por si só, da competência
da Justiça Federal
AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO CONFLITO NEGATIVO DE
COMPETÊNCIA. ATENTADO CONTRA A LIBERDADE DO TRABALHO. CRIME CONTRA A
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO. INOCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL.
1. No caso dos autos, o movimento grevista instaurado por servidores municipais,
promovendo desordem, e impedindo, mediante ameaças e utilização de força física, o
ingresso de servidores no local de trabalho, bem como a retenção de equipamentos
necessários à execução dos serviços, sobretudo os essenciais, não configura crime contra a
organização do trabalho.
2. Para a caracterização do crime contra a organização do trabalho, o delito deve atingir a
liberdade individual dos trabalhadores, como também a Organização do Trabalho e a
Previdência, a ferir a própria dignidade da pessoa humana e colocar em risco a manutenção
da Previdência Social e as Instituições Trabalhistas, evidenciando a ocorrência de prejuízo
a bens, serviços ou interesses da União, conforme as hipóteses previstas no art. 109 da CF,
o que não se verifica no caso vertente.
3. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no CC 62.875/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
22/04/2009, DJe 13/05/2009)
 Art. 198 do Código Penal: crime de atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e
boicotagem violenta

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Art. 198 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato
de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou
produto industrial ou agrícola:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
 Art. 199 do Código Penal: crime de atentado contra a liberdade de associação
Art. 199 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar
de participar de determinado sindicato ou associação profissional:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
 Art. 200 do Código Penal: crime de paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação
da ordem
Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência
contra pessoa ou contra coisa:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o
concurso de, pelo menos, três empregados.
 Art. 201 do Código Penal: crime de paralisação de trabalho de interesse coletivo
Art. 201 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a
interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
 Art. 10 da Lei nº 7.783/89: a Lei nº 7.783/89 dispõe sobre os serviços ou atividades essenciais
Art. 10 São considerados serviços ou atividades essenciais:
I - tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia elétrica, gás e
combustíveis;
II - assistência médica e hospitalar;
III - distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos;
IV - funerários;
V - transporte coletivo;
VI - captação e tratamento de esgoto e lixo;
VII - telecomunicações;
VIII - guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e materiais
nucleares;
IX - processamento de dados ligados a serviços essenciais;
X - controle de tráfego aéreo;
XI compensação bancária.
 Art. 202 do Código Penal: crime de invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola
e de sabotagem
Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito
de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o
estabelecimento ou as coisas nele existentes ou delas dispor:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

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 CC 6429/STJ: o Superior Tribunal de Justiça já decidiu sobre a competência, em regra, da


Justiça Estadual para julgamento do crime do artigo 202 do Código Penal
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETENCIA. JUSTIÇA FEDERAL - JUSTIÇA ESTADUAL - LESÃO
DE DIREITO INDIVIDUAL.
I - COMPETENCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL PARA JULGAR CRIME TIPIFICADO NO ART. 202,
DO CODIGO PENAL, QUANDO OCORRER LESÃO A DIREITO INDIVIDUAL E NÃO A
ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO.
II - CONFLITO CONHECIDO E DECLARADO COMPETENTE O SUSCITADO.
(CC 6.429/SP, Rel. Ministro PEDRO ACIOLI, TERCEIRA SECAO, julgado em 16/12/1993, DJ
07/03/1994, p. 3621)
 Art. 203 do Código Penal: crime de frustração de direito assegurado por lei trabalhista
Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do
trabalho:
Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 1º Na mesma pena incorre quem:
I - obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para
impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida;
II - impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou
por meio da retenção de seus documentos pessoais ou contratuais.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos,
idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.
 AgRg no CC 122280/STJ: no caso do crime previsto no artigo 203 do Código Penal, a
competência em regra é da Justiça Estadual, só passando o crime a ser federal se forem atingidos
os direitos dos trabalhadores de forma coletiva
PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. 1.
FRUSTRAÇÃO DE DIREITO ASSEGURADO POR LEI TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE REGISTRO
DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONDUTA QUE NÃO ATINGIU OS TRABALHADORES DE
FORMA COLETIVA. AUSÊNCIA DE OFENSA A ÓRGÃO OU INSTITUTO DE PROTEÇÃO DOS
TRABALHADORES. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 2. AGRAVO REGIMENTAL
IMPROVIDO.
1. Não tendo ficado demonstrada a prática de crime contra a organização geral do trabalho
ou contra trabalhadores considerados coletivamente, mas apenas contra 14 (quatorze)
funcionários que não estavam com seu vínculo empregatício registrado na Carteira de
Trabalho, tem-se que não ficou demonstrada a competência da Justiça Federal no caso dos
autos.
2. Agravo regimental improvido.
(AgRg no CC 122.280/SP, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO (DESEMBARGADOR
CONVOCADO DO TJ/PE), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 25/02/2015, DJe 11/03/2015)
 RHC 41003/STJ: o STJ também já decidiu ser necessária a análise das provas e dos fatos para
verificar se o delito de frustração de direito assegurado por lei trabalhista se esgota ou não na
infração penal de redução à condição análoga à de escravo, sendo por ela absorvido
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE
ESCRAVO, FRUSTRAÇÃO DE DIREITO PREVISTO EM LEI TRABALHISTA, E ALICIAMENTO DE
TRABALHADORES (ARTIGOS 149, CAPUT, 203, CAPUT, § 1º, INCISO I E § 2º, ARTIGO 207,
§§ 1º E 2º, TODOS DO CÓDIGO PENAL). ALEGADA ABSORÇÃO DOS DELITOS PREVISTOS

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NOS ARTIGOS 203 E 207 PELO ILÍCITO DISPOSTO NO ARTIGO 149 DO ESTATUTO
REPRESSIVO. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA.
1. Para se verificar se a frustração de direitos assegurados por lei trabalhista e o aliciamento
de trabalhadores de um local para o outro do território nacional teriam ou não se esgotado
no crime tipificado no artigo 149 do Código Penal, seria indispensável averiguar o contexto
em que as infrações foram cometidas, providência que é vedada na via eleita, pois demanda
o revolvimento de matéria fático-probatória.
AVENTADA INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL PARA PROCESSAR E JULGAR O CRIME
DE REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO. VIOLAÇÃO À ORGANIZAÇÃO DO
TRABALHO. IMPOSSIBILIDADE DE SUBMISSÃO DO FEITO À JUSTIÇA ESTADUAL.
1. Com o advento da Lei 10.803/2003, que alterou o tipo previsto do artigo 149 da Lei
Penal, passou-se a entender que o bem jurídico por ele tutelado deixou de ser apenas a
liberdade individual, passando a abranger também a organização do trabalho, motivo pelo
qual a competência para processá-lo e julgá-lo é da Justiça Federal.
Doutrina. Precedentes.
APONTADA FALTA DE JUSTA CAUSA PARA A PERSECUÇÃO PENAL. CELEBRAÇÃO DE TERMO
DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA ENTRE O ACUSADO E O MINISTÉRIO PÚBLICO DO
TRABALHO. INDEPENDÊNCIA ENTRE AS ESFERAS ADMINISTRATIVA E PENAL.
POSSIBILIDADE DE PROSSEGUIMENTO DE AÇÃO. DESPROVIMENTO DO RECLAMO.
1. Mostra-se irrelevante o fato de o recorrente haver celebrado termo de ajustamento de
conduta com o Ministério Público do Trabalho, pois as esferas administrativa e penal são
independentes, razão pela qual o Parquet, dispondo de elementos mínimos para oferecer a
denúncia, pode fazê-lo, ainda que as condutas tenham sido objeto de acordo extrajudicial.
2. Recurso improvido.
(RHC 41.003/PI, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 10/12/2013, DJe
03/02/2014)
 Art. 204 do Código Penal: crime de frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho
Art. 204 - Frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à nacionalização
do trabalho:
Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
 Art. 352 da CLT: a conduta recai sobre obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho.
Cuida-se, portanto, de norma penal em branco imprópria, pois seu complemento está em lei, e
heterovitelina, por ser lei diversa do Código Penal. O complemento está nos artigos 352 a 371 da
CLT, que são disposições sobre a quantidade mínima de brasileiros em determinadas empresas.
Dada a extensão dos dispositivos, não haverá sua reprodução total, mas apenas do caput do
artigo 352 para fins de exemplificação
Art. 352 - As empresas, individuais ou coletivas, que explorem serviços públicos dados em
concessão, ou que exerçam atividades industriais ou comerciais, são obrigadas a manter,
no quadro do seu pessoal, quando composto de 3 (três) ou mais empregados, uma
proporção de brasileiros não inferior à estabelecida no presente Capítulo.
 Art. 205 do Código Penal: crime de exercício de atividade com infração de decisão
administrativa
Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.
 Art. 330 ou o do 359 do CP: a decisão deve ser administrativa, se for judicial, pode-se
configurar o crime de desobediência ou desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão
de direito

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Desobediência
Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa.
(...)
Desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito
Art. 359 - Exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi suspenso ou
privado por decisão judicial:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.
 HC 74826/STF: o STF considerou competente a Justiça Federal, por envolver interesse de
autarquia federal (Conselho Regional de Medicina), e que basta um ato de desobediência à decisão
administrativa para a prática do crime
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL, PENAL E PROCESSUAL PENAL. EXERCÍCIO DE
ATIVIDADE COM INFRAÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA (ART. 205 DO CÓDIGO PENAL):
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL (ART. 109, INCISO IV, DA C.F.). CONDENAÇÃO:
LIMITES DA DENÚNCIA. TIPICIDADE. PRESCRIÇÃO. "HABEAS CORPUS". 1. A conduta
imputada ao paciente e pela qual foi condenado é exatamente a prevista no art. 205 do
Código Penal: "exercer atividade com infração de decisão administrativa". 2. Era
competente a Justiça Federal para o processo e julgamento, por se tratar de crime, senão
contra a organização do trabalho propriamente dita (art. 109, inc. VI, da C.F.), ao menos
em detrimento de interesses de autarquia federal, como é o Conselho Regional de Medicina,
que impusera ao réu a proibição de exercer a profissão (inc. IV do mesmo art. 109 da C.F.).
3. A conduta típica prevista no art. 205, por ser específica, exclui a do art. 282, que trata
do exercício ilegal de medicina. E, no caso, o que houve foi o exercício da profissão, já
obstado, anteriormente, por decisão administrativa, que vem a ser descumprida. 4.
Também não se cogita da desobediência genérica a ordem legal de funcionário público (art.
330), pois não há simples ordem a ser cumprida, mas decisão administrativa de cassação
de registro, que antes possibilitava o exercício da medicina, mas que com ela se tornou
eficaz. 5. Igualmente não se trata da desobediência a decisão judicial, de que cogita o art.
359 do C.P. 6. Basta um ato de desobediência à decisão administrativa, para que se
configure o delito em questão (art. 205). 7. Computado o prazo prescricional, a partir desse
único ou último ato, não decorreu ele por inteiro, já que os quatro anos, previstos no art.
109, V, do C.P., não escoaram entre tal fato e o recebimento da denúncia, nem entre a data
deste e a da publicação da sentença condenatória, nem entre a data desta e a do acórdão
que a confirmou. 8. Não se caracterizou, no caso, hipótese de condenação além dos limites
da denúncia. 9. "H.C." indeferido. (HC 74826, Relator(a): Min. SYDNEY SANCHES, Primeira
Turma, julgado em 11/03/1993, DJ 29-08-1997 PP-40217 EMENT VOL-01880-02 PP-00216)
 RHC 29435/STJ: o STJ considerou que o crime se configura com a prática habitual dos atos
referentes à atividade que foi proibida por decisão administrativa
HABEAS CORPUS. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE PROFISSIONAL COM INFRAÇÃO DE DECISÃO
ADMINISTRATIVA. ALEGADA ATIPICIDADE DA CONDUTA IMPUTADA À RECORRENTE.
INEXISTÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA CASSANDO O SEU REGISTRO
PROFISSIONAL. DESNECESSIDADE. DECISÃO PROFERIDA PELA ORDEM DOS ADVOGADOS
DO BRASIL DEFERINDO O PEDIDO DE CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO DA RECORRENTE.
CARACTERIZAÇÃO DO DELITO PREVISTO NO ARTIGO 205 DO CÓDIGO PENAL.
1. Da leitura do tipo previsto no artigo 205 do Código Penal, percebe-se que o crime nele
disposto caracteriza-se com a simples prática habitual de atos próprios da atividade que o
agente se encontra impedido de exercer por força de decisão administrativa.

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2. Ao contrário do que aventado nas razões do presente reclamo, o crime em análise não
pressupõe a cassação do registro profissional do agente, mas apenas que este exerça
atividade que estava impedido de praticar por conta de decisão administrativa.
3. Havendo nos autos a informação de que a recorrente estava impedida de exercer
advocacia por força de decisão da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB que deferiu o
cancelamento de sua inscrição, e não tendo o seu patrono anexado ao recurso ordinário em
apreço qualquer documentação que evidencie que ela estaria apta a advogar quando da
ocorrência dos fatos narrados na denúncia, não se pode falar em atipicidade da conduta que
lhe foi imputada.
PROPOSTA DE TRANSAÇÃO PENAL. HOMOLOGAÇÃO PELO JUÍZO. ARTIGO 76 DA LEI
9099/1995. POSTERIOR PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO PENAL ANTE O DESCUMPRIMENTO
DAS CONDIÇÕES DO ACORDO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE OFENSA A PRECEITOS
CONSTITUCIONAIS. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. DESPROVIMENTO
DO RECURSO.
1. No âmbito desta Corte Superior de Justiça consolidou-se o entendimento no sentido de
que a sentença homologatória da transação penal possui eficácia de coisa julgada formal e
material, o que a torna definitiva, motivo pelo qual não seria possível a posterior instauração
de ação penal quando descumprido o acordo homologado judicialmente.
2. Contudo, o Supremo Tribunal Federal, ao examinar o RE 602.072/RS, cuja repercussão
geral foi reconhecida, entendeu de modo diverso, assentando a possibilidade de
ajuizamento de ação penal quando descumpridas as condições estabelecidas em transação
penal.
3. Embora a aludida decisão, ainda que de reconhecida repercussão geral, seja desprovida
de qualquer caráter vinculante, é certo que se trata de posicionamento adotado pela
unanimidade dos integrantes da Suprema Corte, órgão que detém a atribuição de guardar
a Constituição Federal e, portanto, dizer em última instância quais situações são conformes
ou não com as disposições colocadas na Carta Magna, motivo pelo qual o posicionamento
até então adotado por este Superior Tribunal de Justiça deve ser revisto, para que passe a
incorporar a interpretação constitucional dada ao caso pela Suprema Corte.
4. Recurso improvido.
(RHC 29.435/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe
09/11/2011)
 Art. 206 do Código Penal: delito de aliciamento para o fim de emigração
Art. 206 - Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território
estrangeiro.
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.
 CC 107391/STJ: no que se refere ao crime do art. 206 do Código Penal, há precedente do STJ
no sentido de que a competência, em regra, é da Justiça Estadual, salvo se houver a violação dos
direitos dos trabalhadores considerados coletivamente
CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CRIMINAL. CRIME CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO.
LESÃO A DIREITO DOS TRABALHADORES COLETIVAMENTE CONSIDERADOS OU À
ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO. NÃO OCORRÊNCIA.
COMPETÊNCIA JUSTIÇA ESTADUAL.
I. Hipótese em que a denúncia descreve a suposta prática do delito de aliciamento para o
fim de emigração perpetrado contra 3 (três) trabalhadores individualmente considerados.
II. Compete à Justiça Federal o julgamento dos crimes contra a organização do trabalho
desde que demonstrada a lesão a direito dos trabalhadores coletivamente considerados ou
à organização geral do trabalho.

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III. Conflito conhecido para declarar a competência da Justiça Estadual.


(CC 107.391/MG, Rel. Ministro GILSON DIPP, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/10/2010,
DJe 18/10/2010)
 Art. 207 do Código Penal: crime de aliciamento de trabalhadores de um local para outro do
território nacional
Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do
território nacional:
Pena - detenção de um a três anos, e multa.
§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução
do trabalho, dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia
do trabalhador, ou, ainda, não assegurar condições do seu retorno ao local de origem.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos,
idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.
 RHC 41.003/STJ: o STJ já decidiu que a eventual absorção do delito crime de aliciamento de
trabalhadores de um local para outro do território nacional pelo crime de redução à condição
análoga à de escravo demanda apreciação de cada caso, com revolvimento da matéria fático-
probatória
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE
ESCRAVO, FRUSTRAÇÃO DE DIREITO PREVISTO EM LEI TRABALHISTA, E ALICIAMENTO DE
TRABALHADORES (ARTIGOS 149, CAPUT, 203, CAPUT, § 1º, INCISO I E § 2º, ARTIGO 207,
§§ 1º E 2º, TODOS DO CÓDIGO PENAL). ALEGADA ABSORÇÃO DOS DELITOS PREVISTOS
NOS ARTIGOS 203 E 207 PELO ILÍCITO DISPOSTO NO ARTIGO 149 DO ESTATUTO
REPRESSIVO. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA.
1. Para se verificar se a frustração de direitos assegurados por lei trabalhista e o aliciamento
de trabalhadores de um local para o outro do território nacional teriam ou não se esgotado
no crime tipificado no artigo 149 do Código Penal, seria indispensável averiguar o contexto
em que as infrações foram cometidas, providência que é vedada na via eleita, pois demanda
o revolvimento de matéria fático-probatória.
AVENTADA INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL PARA PROCESSAR E JULGAR O CRIME
DE REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO. VIOLAÇÃO À ORGANIZAÇÃO DO
TRABALHO. IMPOSSIBILIDADE DE SUBMISSÃO DO FEITO À JUSTIÇA ESTADUAL.
1. Com o advento da Lei 10.803/2003, que alterou o tipo previsto do artigo 149 da Lei
Penal, passou-se a entender que o bem jurídico por ele tutelado deixou de ser apenas a
liberdade individual, passando a abranger também a organização do trabalho, motivo pelo
qual a competência para processá-lo e julgá-lo é da Justiça Federal.
Doutrina. Precedentes.
APONTADA FALTA DE JUSTA CAUSA PARA A PERSECUÇÃO PENAL. CELEBRAÇÃO DE TERMO
DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA ENTRE O ACUSADO E O MINISTÉRIO PÚBLICO DO
TRABALHO. INDEPENDÊNCIA ENTRE AS ESFERAS ADMINISTRATIVA E PENAL.
POSSIBILIDADE DE PROSSEGUIMENTO DE AÇÃO. DESPROVIMENTO DO RECLAMO.
1. Mostra-se irrelevante o fato de o recorrente haver celebrado termo de ajustamento de
conduta com o Ministério Público do Trabalho, pois as esferas administrativa e penal são
independentes, razão pela qual o Parquet, dispondo de elementos mínimos para oferecer a
denúncia, pode fazê-lo, ainda que as condutas tenham sido objeto de acordo extrajudicial.
2. Recurso improvido.
(RHC 41.003/PI, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 10/12/2013, DJe
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 Art. 208 do Código Penal: crime de ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele
relativo
Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa;
impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato
ou objeto de culto religioso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem
prejuízo da correspondente à violência.
 Apelação Criminal 1.0183.04.076030-2/TJMG: sobre a necessidade de o vilipêndio a objeto
religioso, uma das formas de se praticar o delito, ocorrer em público, na presença de várias
pessoas
Crimes de incêndio qualificado, corrupção de menores e ultraje a culto religioso. Inexistência
de prova de que o menor tenha sido corrompido pelo acusado. Absolvição que se impõe.
Vilipêndio a objeto religioso não praticado na presença de várias pessoas. Inexistência de
publicidade. Delito não configurado. Recurso ministerial desprovido. Focos de incêndio que
se restringiram aos limites do imóvel. Ausência de demonstração do perigo efetivo e
concreto para um número indeterminado de pessoas. Inexistência de risco ao patrimônio
de terceiros. Não-configuração do delito de incêndio. Desclassificação para o delito de dano
qualificado. Recurso defensivo provido. (TJMG - Apelação Criminal 1.0183.04.076030-
2/001, Relator(a): Des.(a) Reynaldo Ximenes Carneiro , 2ª CÂMARA CRIMINAL, julgamento
em 09/11/2006, publicação da súmula em 28/11/2006)
 Apelação Crime Nº 284054251/Tribunal de Alçada do RS: o Tribunal de Justiça do Estado do
Rio Grande do Sul já decidiu que, havendo divergências entre discípulos de um mesmo grupo
religioso, não se configura, da parte de nenhum deles, o crime de ultraje a culto religioso
“ULTRAJE A CULTO E IMPEDIMENTO, OU PERTURBAÇÃO DE ATO A ELE RELATIVO. Projeções
de divergências internas entre discípulos de um mesmo 'mestre', já falecido, no tocante à
linha das pregações, não podem ser tidas, em princípio, como perturbação de cerimônia ou
prática de culto religioso, notadamente quando o ' perturbador' era discípulo autorizado pelo
'mestre' a pregar no templo. Dificuldade de captação da verdade por meio de declarações
de pessoas possuídas de fanatismo religioso ou sectárias. Aplicação do IN DUBIO PRO REO.
Deram provimento, prejudica a preliminar.” (Apelação Crime Nº 284054251, Segunda
Câmara Criminal, Tribunal de Alçada do RS, Relator: Paulo Claudio Tovo, Julgado em
22/11/1984)
 Art. 209 do Código Penal: crime de impedimento ou perturbação de cerimônia funerária
Art. 209 - Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem
prejuízo da correspondente à violência.
 Art. 210 do Código Penal: crime de violação de sepultura
Art. 210 - Violar ou profanar sepultura ou urna funerária:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
 Art. 211 do Código Penal: crime de destruição, subtração ou ocultação de cadáver
Art. 211 - Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
 Art. 211 do Código Penal: crime de vilipêndio a cadáver
Art. 212 - Vilipendiar cadáver ou suas cinzas:

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Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

7 – Resumo
Para finalizar o estudo da matéria, trazemos um
resumo dos principais aspectos estudados ao longo
da aula. Sugerimos que esse resumo seja estudado
sempre previamente ao início da aula seguinte,
como forma de “refrescar” a memória. Além disso, segundo a organização de
estudos de vocês, a cada ciclo de estudos é fundamental retomar esses resumos.
Caso encontrem dificuldade em compreender alguma informação, não deixem de
retornar à aula.
Dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual

Os crimes contra a propriedade intelectual possuem hoje previsão limitada ao artigo 184 do
Código Penal, enquanto o artigo 186 cuida da ação penal.

1. Crime de violação contra os direitos autorais

O crime de violação contra os direitos autorais está previsto no artigo 184 do Código Penal.
Tutela-se a propriedade intelectual. O direito do autor ou direito autoral se refere ao conjunto de
direitos atribuídos ao responsável pela criação de uma determinada obra. Abrange direitos
materiais e morais. Os direitos conexos são aqueles referentes à execução, transmissão e
reprodução da obra, incluído o direito de arena. Este último consiste na prerrogativa exclusiva de
negociar, autorizar ou proibir a captação, a fixação, a emissão, a transmissão, a retransmissão
ou a reprodução de imagens, por qualquer meio ou processo, de espetáculo desportivo de que o
indivíduo participe, conforme conceituação da Lei 9.615/98 (Lei Pelé). O núcleo do tipo é “violar”
(infringir, transgredir, desrespeitar), sendo o objeto material, aquele sobre recai a conduta, o
direito do autor e os direitos conexos. A expressão “direito do autor” torna o tipo penal do artigo
184, caput, do Código Penal uma norma penal em branco homogênea ou imprópria heterovitelina.
Sua complementação é feita especialmente pela Lei 9.610/98, além da própria Lei 9.615/98,
acima citada. O Título III da Lei 9.610/98 é dedicado aos direitos do autor, enumerando-os em
extenso rol. O crime é comum, não exigindo nenhuma qualidade específica do sujeito ativo para
a sua configuração. Além disso, é de forma livre, sendo que a violação aos direitos do autor pode
se dar de diferentes modos, não havendo maneiras específicas de sua prática. O crime é doloso
e plurissubsistente, razão pela qual admite a punição da tentativa. Sobre a perícia para a
configuração do delito, o STF já considerou ser suficiente o exame externo do corpo de delito,
com indicação dos autores cujos direitos foram violados. O STJ já entendeu não ser necessária
sequer a identificação dos titulares dos direitos, entendendo suficiente a perícia por amostragem.

 Formas qualificadas

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Os parágrafos primeiro e segundo do artigo 184 do Código Penal preveem formas


qualificadas do delito. Em ambos os dispositivos, exige-se o “intuito de lucro direto ou
indireto”, razão pela qual as modalidades qualificadas podem ser classificadas como
crimes mercenários. A forma qualificada do parágrafo primeiro incide se a violação
consistir em reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, de obra
intelectual, interpretação, execução ou fonograma. Ademais, o tipo somente se
configura se não houver autorização expressa do autor, do artista intérprete ou
executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente, mesmo porque
se trata de direito disponível. A pena é de reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.

Já o parágrafo segundo prevê a qualificadora em que incorre quem distribui, vende,


expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou
cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor,
do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de fonograma.
Configura-se o crime se não houver a expressa autorização dos titulares dos direitos
ou de quem os represente. A pena também é de reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.
Esta primeira parte do parágrafo segundo consiste em forma especial de receptação.
Não se abrange no tipo penal a conduta de quem aluga original de videofonograma,
por falta de previsão na norma. Deste modo, ficou a lacuna legislativa quanto ao
aluguel de fitas VHS e de mídias de DVD e Blu-ray Disc, conforme bem exposto pelo
Professor Cezar Bitencourt. Ainda que haja entendimento contrário, devemos recordar
não ser admissível a analogia in malam partem no Direito Penal.

O parágrafo terceiro prevê outra forma qualificada, cuja pena também é de reclusão,
de 2 a 4 anos, e multa. Configura-se se a violação consistir no oferecimento ao público,
mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao
usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em um tempo e lugar
previamente determinados por quem formula a demanda, sem autorização expressa,
conforme o caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de
fonograma, ou de quem os represente Referido dispositivo pune a chamada
cyberpirataria, ou seja, a pirataria praticada por meio de recursos tecnológicos, como
pelo envio de mensagens eletrônicos ou serviços de venda com download, por meio
da internet. Sobre a incidência da forma qualificada prevista no parágrafo segundo do
artigo 184, o Superior Tribunal de Justiça elaborou a Súmula 501, reconhecendo-a no
caso de exposição à venda de CDs e DVDs falsificados, denominados popularmente de
“piratas”.

Em todas as suas formas, o crime do artigo 184 do Código Penal é material e


plurissubsistente, admitindo a forma tentada.

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 Especialidade

A lei 12.663/12, conhecida como Lei FIFA, é especial em relação ao crime previsto no
Código Penal. Com prazo fixado de vigência até o dia 31 de dezembro de 2014, é
classificada como lei temporária em sentido estrito, razão pela qual continua a regular
os crimes cometidos em referido lapso temporal. Há, ainda, a especialidade dos crimes
previstos na Lei 9.609/98, a qual dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual
de programa de computador, como já foi reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal.

 Competência

O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da discussão sobre


competência em caso de reprodução ilegal de CDs e DVDs, em caso de
transnacionalidade do delito. Não houve o julgamento até a disponibilização desta
aula.

 Exclusão do crime

O parágrafo quarto do artigo 184 prevê que os parágrafos 1º, 2º e 3º não se aplicam
quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de autor ou os que lhe são
conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de
1998, nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso
privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto. Deste modo, não há o
crime nos casos de exceção ou limitação ao direito do autor e aos direitos conexos,
conforme prevê a Lei 9.610/98 Também não se configura o delito com uma única
cópia de obra intelectual ou fonograma, desde seja um único exemplar, para uso
privado do indivíduo e desde que não exista o intuito de lucro direito ou indireto.

✓ Segue o questionamento: e o caput? Exclui-se o crime na forma qualificada e


se mantém na forma simples?

Pela leitura literal do dispositivo, a exclusão do crime se refere apenas às formas


qualificadas do delito. Entretanto, deve-se frisar que existe o entendimento de que as
hipóteses de exclusão do delito, situação mais favorável, abrange todas as
modalidades do crime de violação contra os direitos autorais.

 Da Ação Penal nos Casos dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual

O artigo 186 cuida da ação penal nos casos dos crimes contra a propriedade
intelectual, que, como vimos, atualmente se resumem, no Código Penal, às formas do
crime de violação contra os direitos autorais. No caso da modalidade simples, prevista
no caput do artigo 184, a ação penal é privada exclusiva. Nas formas qualificadas dos

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parágrafos primeiro e segundo, a ação penal é pública incondicionada, assim como


nos casos em que a infração penal for cometida contra entidades de direito público,
autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo
Poder Público. Por fim, a ação penal é pública condicionada à representação no caso
da forma qualificada do parágrafo terceiro do artigo 184.

2 Dos Crimes Contra o Privilégio da Invenção

Estavam previstos nos artigos 187 a 191 do Código Penal. Foram revogados pela Lei 9.279/96.

3 Dos Crimes Contra as Marcas de Indústria e Comércio

Eram os crimes tratados nos artigos 192 a 195 do Código Penal. Foram revogados pela Lei
9.279/96.

4 Dos Crimes de Concorrência Desleal

Com previsão original no artigo 196 do Código Penal, teve sua revogação levada a efeito pela Lei
9.279/96.

Dos Crimes Contra a Organização do Trabalho

O Título IV da Parte Especial do Código Penal se intitula “Dos Crimes Contra a Organização do
Trabalho”. Ao verificar a denominação dos crimes tratados no Título IV da Parte Especial do Código
Penal, vale relembrar que a Constituição da República também faz referência ao termo “crimes
contra a organização do trabalho”, ao dispor sobre a competência da Justiça Federal. Deste modo,
uma primeira leitura do Código Penal e do artigo 109, inciso VI, da Constituição, poderia indicar
que os crimes contra a organização do trabalho, tratados nos artigos 197 a 207, seriam sempre
julgados pelos Juízes Federais em primeiro grau de jurisdição. Entretanto, não é esta a
interpretação do Supremo Tribunal Federal a respeito deste dispositivo da Constituição. Para a
Corte, não é a denominação dada pela lei que definirá se o crime é ou não da competência da
Justiça Comum Federal, e sim o fato de eles ofenderem os interesses coletivos do trabalho. Na
mesma linha, o Superior Tribunal de Justiça tem considerando que são federais os crimes que
atinjam a organização geral do trabalho ou os direitos dos trabalhadores em âmbito coletivo,
sendo os demais de competência da Justiça Comum Estadual. Inclusive, há crimes de fora do
Título IV que podem ofender a organização do trabalho como um todo, como ocorre com o delito
de redução à condição análoga à de escravo.

1. Atentado Contra a Liberdade do Trabalho


O artigo 197 do Código Penal prevê o crime de atentado contra a liberdade de trabalho. O núcleo
do tipo é “constranger”. A conduta recai sobre outrem, que pode ser qualquer pessoa. O sujeito
ativo é classificado como comum. O constrangimento pode se dar por meio de violência (vis

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corporalis) o grave ameaça (vis compulsiva). O constrangimento deve ser voltar a exercer ou não
exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não trabalhar durante certo período
ou em determinados dias. Neste caso, a pena será detenção, de um mês a um ano, e multa, além
da pena correspondente à violência. Ou seja, havendo violência, deve-se aplicar a regra do
cúmulo material das penas. Ou o constrangimento deve ser voltar a abrir ou fechar o seu
estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou paralisação de atividade econômica.
Neste caso, a pena é de detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente
à violência. A lei também determina o uso do cúmulo material de penas se houver violência.

É um crime especial em relação ao delito de constrangimento ilegal, sendo sua principal diferença
o elemento subjetivo, envolvendo a finalidade do agente de atentar contra o trabalho alheio. O
elemento subjetivo é o dolo, consistente na vontade livre e consciente de constranger a vítima a
alguma das formas de atentado ao trabalho acima descritas. O crime é material. O crime é
plurissubsistente, admitindo o conatus. A competência é, em regra, da Justiça Comum Estadual,
só passando a ser da Justiça Comum Federal no caso de serem atingidos os direitos dos
trabalhadores como um todo. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que se o fato de subsome
ao tipo penal de atentado contra a liberdade do trabalho, não há a atração, por si só, da
competência da Justiça Federal.

2. Atentado Contra a Liberdade de Contrato de Trabalho e Boicotagem Violenta


O crime de atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta está
previsto no artigo 198 do Código Penal. O núcleo do tipo, tal qual no crime de atentado contra a
liberdade de trabalho, é o verbo “constranger”, que significa coagir, tolher a liberdade, obrigar.
O constrangimento pode se dar por meio de violência (vis corporalis) ou grave ameaça (vis
compulsiva). O sujeito passivo é constrangido a: celebrar contrato de trabalho ou; a não fornecer
a outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola ou; a não adquirir de outrem matéria
prima ou produto industrial ou agrícola. O artigo 198 do Código Penal possui, portanto, duas
partes:

c) Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho

O constrangimento, efetuado mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de


trabalho. Cuida-se de delito cometido contra a liberdade de trabalho. Sujeito passivo é aquele
que sofre a coação, mediante violência ou grave ameaça. Há lacuna legislativa quanto ao
constrangimento efetuado para que não se celebre contrato de trabalho, o que não pode ser
abrangido no tipo penal, sob pena de se admitir a analogia in malam partem. Resta, então, o
crime subsidiário de constrangimento ilegal.

d) Boicotagem violenta

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O constrangimento, por meio de violência ou grave ameaça, a não fornecer a outrem ou a não
adquirir matéria-prima ou produto industrial ou agrícola. O bem jurídico tutelado é a normalidade
das relações de trabalho. O sujeito passivo é quem sofre a coação e de quem sofre a boicotagem.

O elemento subjetivo é o dolo, que se traduz na vontade livre e consciente de constranger,


alguém, mediante violência ou grave ameaça, a uma das hipóteses previstas no tipo. O crime é
comum, material e plurissubsistente

3. Atentado Contra a Liberdade de Associação

O crime de atentado contra a liberdade de associação está tipificado no artigo 199 do Código
Penal. O núcleo do tipo é “constranger”, que consiste na conduta de coagir, tolher a liberdade,
obrigar, sendo que pode ser realizado mediante violência (vis corporalis) ou grave ameaça (vis
compulsiva). O constrangimento ou coação visa a que alguém participe ou deixe de participar de
determinado sindicato ou associação principal. Tutela-se, portanto, a liberdade de associação e
de filiação sindical. O crime é comum. O sujeito passivo é qualquer sujeito, trabalhador ou
profissional, que possa ser compelido a integrar ou deixar de integrar a associação profissional
ou determinado sindicato. O elemento subjetivo é o dolo, que é a vontade livre e consciente de
constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, para que participe ou deixe de
participar de associação profissional ou sindicato. O crime é material, exigindo o resultado
naturalístico para sua consumação (que o sujeito participe ou deixe de participar da instituição).
É, por isso, plurissubsistente, sendo admissível o conatus.

4. Paralisação de Trabalho, Seguida de Violência ou Perturbação da Ordem

O crime de paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem tem lugar no


artigo 200 do Código Penal. A greve e a suspensão do trabalho não são, por si sós,
caracterizadoras do crime em comento, mesmo porque representam exercício de direito e, no
caso da greve, um direito fundamental do trabalhador. O tipo se refere ao uso de violência contra
a pessoa ou a coisa, razão pela qual o bem jurídico tutelado seria a regularidade das relações de
trabalho. O tipo se consubstancia na conduta de participar de suspensão de trabalho (denominado
lockout ou locaute) ou abandono coletivo de trabalho (que se traduz na greve). Deve haver
violência contra a coisa ou contra a pessoa, que deve ser real, não abrangendo a chamada vis
relativa, a grave ameaça. No abandono coletivo de trabalho, o crime é de concurso necessário,
conforme dispõe o parágrafo único do artigo 200 do Código Penal. Exigem-se, no mínimo, três
pessoas. No caso da suspensão de trabalho (lockout), a lei não exige o número mínimo de
empregadores. O crime é, portanto, unissubjetivo ou de concurso eventual. Entretanto, a doutrina
majoritária entende ser necessário também o número mínimo acima mencionado, em razão do
verbo “participar”. Para esta corrente, só se exige que um dos três seja empregador. A violência

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é necessária para a consumação do crime, razão pela qual se classifica como material. Ademais,
é plurissubsistente, sendo possível sua modalidade tentada. O crime é doloso, não havendo
previsão de forma culposa. É próprio, pois o sujeito ativo deve ser trabalhador ou empregador,
qualidade que, exigida como elementar do tipo, se comunica aos demais coautores ou partícipes.

5. Paralisação de Trabalho de Interesse Coletivo


A paralisação de trabalho de interesse coletivo é tipificada no artigo 201 do Código Penal. Tutela-
se, tal qual no delito do artigo 200 do Código Penal, a regularidade das relações de trabalho,
especialmente as que envolvam obra pública ou serviço de interesse coletivo. Como já dito, a
greve e a suspensão do trabalho não são, por si sós, caracterizadoras do crime em comento,
mesmo porque representam exercício de direito e, no caso da greve, um direito fundamental do
trabalhador. O tipo se refere ao uso de violência contra a pessoa ou a coisa, razão pela qual o
bem jurídico tutelado seria a regularidade das relações de trabalho. O tipo se consubstancia na
conduta de participar de suspensão de trabalho (denominado lockout ou locaute) ou abandono
coletivo de trabalho (que se traduz na greve). A suspensão ou o abandono deve causar a
interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo. Alberto Silva Franco e Cezar Roberto
Bitencourt entendem que o delito foi revogado, em virtude da amplitude do direito de greve dado
pela Constituição. De todo modo, considerando que não há declaração de inconstitucionalidade
do artigo 201 do Código Penal, bem como doutrinadores que entendem ser compatível com a
Constituição. O crime tem como elemento subjetivo o dolo, a vontade livre e consciente de
participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a interrupção de obra
pública ou serviço de interesse coletivo. Cuida-se de crime próprio, pois o sujeito ativo deve ser
empregado ou empregador, com atuação em obra pública ou serviço de interesse coletivo. O
crime é material, sendo necessário o resultado naturalístico para sua consumação. Ademais, é
plurissubsistente, admitindo a tentativa.

6. Invasão de Estabelecimento Industrial, Comercial ou Agrícola. Sabotagem


O crime de invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola e de sabotagem, que
possui duas figuras distintas no mesmo tipo penal, encontra-se no artigo 202 do Código Penal.
São duas figuras no mesmo tipo penal:

Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola

A invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola consiste na conduta de invadir ou


ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito de impedir ou embaraçar
o curso normal do trabalho. O elemento subjetivo especial deve ser impedir ou embaraçar o curso
normal do trabalho.

Sabotagem

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A modalidade de sabotagem consiste em danificar o estabelecimento industrial, comercial ou


agrícola ou as coisas nele existentes ou delas dispor, com o fim de impedir ou embaraçar o curso
normal do trabalho. O elemento subjetivo especial do tipo também deve ser impedir ou embaraçar
o curso normal do trabalho.

O crime é doloso, sendo necessário o dolo específico de impedir ou embaraçar o curso normal do
trabalho. O crime é comum, não exigindo qualidade específica do sujeito ativo. A modalidade de
invasão se consuma com a invasão ou a ocupação do estabelecimento, enquanto a modalidade
de sabotagem se consuma com a ocorrência de dano ou da efetiva disposição. Em ambos os
casos, não é necessário que haja o impedimento ou o embaraço do curso normal do trabalho. O
crime é comum. É plurissubsistente, sendo possível a sua tentativa. O Superior Tribunal de Justiça
já decidiu sobre a competência, em regra, da Justiça Estadual para julgamento do crime do artigo
202 do Código Penal.

7. Frustração de Direito Assegurado por Lei Trabalhista

O artigo 203 do Código Penal prevê o crime de frustração de direito assegurado por lei trabalhista.
O núcleo do tipo é o verbo “frustrar”, que significa anular, impedir, iludir. A frustração pode se
dar mediante fraude (ardil, astúcia) ou violência, que é a vis corporalis, a violência física. A
conduta recai sobre direito trabalhista, o que demonstra que o tipo penal depende de
complementação normativa. É, portanto, lei penal em branco, por ser complementada pela
legislação trabalhista.

 Formas equiparadas
O parágrafo primeiro do artigo 203 do Código Penal prevê formas equiparadas:

I - obrigar ou coagir alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento,


para impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida.

A conduta é utiliza-se de coação para que o individuo use mercadoria de determinado


estabelecimento para impedir que o indivíduo obtenha o desligamento do serviço.

II - impedir alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação


ou por meio da retenção de seus documentos pessoais ou contratuais.

Aqui a conduta é impedir alguém de se desligar do serviço, seja por meio de coação,
seja por meio de retenção de documentos pessoais ou contratuais.

O crime é doloso, comum, material e plurissubsistente.

 Forma majorada

Há a causa de aumento, de um sexto a um terço, prevista no parágrafo segundo para


o caso de a vítima ser menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora
de deficiência física ou mental. O maior desvalor da conduta se liga a algumas minorias

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ou ao fato de menor possibilidade de resistência, o que demonstra serem tais vítimas


mais vulneráveis à conduta do agente. Também no caso do crime previsto no artigo
203 do Código Penal, a competência em regra é da Justiça Estadual, só passando o
crime a ser federal se forem atingidos os direitos dos trabalhadores de forma coletiva.
Referida Corte também já decidiu ser necessária a análise das provas e dos fatos para
verificar se o delito de frustração de direito assegurado por lei trabalhista se esgota
ou não na infração penal de redução à condição análoga à de escravo, sendo por ela
absorvido.

8. Frustração de Lei Sobre a Nacionalização do Trabalho


O crime de frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho está previsto no artigo 204 do
Código Penal. O núcleo do tipo é o verbo “frustrar”, que significa anular, impedir, iludir. A
frustração pode se dar mediante fraude (ardil, astúcia) ou violência, que é a vis corporalis, a
violência física. A conduta recai sobre obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho. Cuida-
se, portanto, de norma penal em branco imprópria, pois seu complemento está em lei, e
heterovitelina, por ser lei diversa do Código Penal. O complemento está nos artigos 352 a 371 da
CLT, que são disposições sobre a quantidade mínima de brasileiros em determinadas empresas.
É questionável ter havido ou não recepção do artigo 204 do Código Penal pela Constituição de
1988. Cuida-se de crime comum, por não exigir nenhuma qualidade do sujeito ativo, nem mesmo
que seja empregado ou empregador. É doloso, sem exigência de elemento subjetivo especial,
além de não admitir a modalidade culposa. É plurissubsistente, razão pela qual é possível a
configuração da tentativa.

9. Exercício de Atividade com Infração de Decisão Administrativa

O crime de exercício de atividade com infração de decisão administrativa foi tipificado no artigo
205 do Código Penal. A ação nuclear é exercer, que significa praticar, pôr em ação, desempenhar,
realizar. A conduta se refere a atividade de que o agente foi impedido por decisão administrativa.
O crime é doloso, não havendo previsão de modalidade culposa. É considerado, ainda, próprio,
pois só pode ser praticado por quem foi proibido de exercer determinada atividade por decisão
administrativa. A decisão deve ser administrativa. Se for judicial, pode-se configurar o crime do
art. 330 ou o do 359 do CP. O STF já considerou competente a Justiça Federal, por envolver
interesse de autarquia federal (Conselho Regional de Medicina), e que basta um ato de
desobediência à decisão administrativa para a prática do crime. Em certo julgado, este do STJ,
considerou-se que o crime se configura com a prática habitual dos atos referentes à atividade
que foi proibida por decisão administrativa. De acordo com este último julgado e grande parte da
doutrina, o exercício de atividade pressupõe a prática de um conjunto de atos, ou seja, uma
habitualidade. Por isso, o crime é classificado como habitual.

10. Aliciamento para o Fim de Emigração

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O delito de aliciamento para o fim de emigração está previsto no artigo 206 do Código Penal. A
conduta envolve fraude, que é o engodo, o ardil, o artifício. Recai sobre trabalhadores. O elemento
subjetivo é o dolo específico, já que há o elemento subjetivo especial de levar os trabalhadores
para território estrangeiro. O delito é formal, não sendo necessária a ocorrência do resultado
naturalístico para a sua consumação. O tipo penal exige que a conduta recaia sobre
trabalhadores. Surge, então, na doutrina, a controvérsia sobre o número mínimo de indivíduos
como sujeito passivo para a configuração do crime, sendo que alguns defendem serem
necessários três, enquanto outros entendem que bastam dois. O crime é plurissubsistente, sendo
possível a tentativa. Neste caso, também há precedente do STJ no sentido de que a competência,
em regra, é da Justiça Estadual, salvo se houver a violação dos direitos dos trabalhadores
considerados coletivamente.

11. Aliciamento de Trabalhadores de um Local para Outro do Território Nacional

O artigo 207 do Código Penal dispõe sobre o crime cujo nomen iuris é o de aliciamento de
trabalhadores de um local para outro do território nacional. A ação nuclear típica é a aliciar, que
tem o significado de recrutar, envolver, atrair. Existe a discussão doutrinária se o aliciamento
deve recair sobre um número mínimo de três trabalhadores ou se bastam dois. O crime é doloso,
exigindo o elemento subjetivo especial do tipo consistente na finalidade de levar os trabalhadores
de uma para outra localidade do território nacional. O crime é comum, por não exigir nenhuma
qualidade específica do sujeito ativo. Não se exige que os trabalhadores sejam efetivamente
transportados de uma para outra localidade do território nacional, bastando o intento do agente.
É plurissubsistente, sendo possível a forma tentada. Alguns doutrinadores discutem se as
localidades devem ser afastadas ou se deve haver prejuízo para a região. Realmente, o tipo penal,
tal como redigido, não demonstra lesividade por si só. Pensem, nos dias atuais, se aliciar
trabalhadores para leva-los a outra parte do território nacional configura, sem maiores exigências
um crime. É de se notar que o crime do artigo 206 exige fraude, que não é exigida aqui. De todo
modo, em questões objetivas, a constitucionalidade deve ser presumida até declaração em
contrário dos tribunais superiores. Em precedente já citado anteriormente, o STJ já decidiu que
a eventual absorção do delito em estudo pelo crime de redução à condição análoga à de escravo
demanda apreciação de cada caso, com revolvimento da matéria fático-probatória.

 Forma equiparada
O parágrafo primeiro do artigo 207 prevê a modalidade equiparada ao caput. O tipo
penal é o seguinte: recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho,
dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia do
trabalhador, ou, ainda, não assegurar condições do seu retorno ao local de origem.
Neste caso, os trabalhadores são recrutados fora da localidade de execução do
trabalho, em uma das seguintes situações:

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• Mediante fraude (ardil, engodo, artifício) ou


• Mediante cobrança de qualquer quantia do trabalhador (exige-se o
pagamento de um valor para ele trabalhar em outro local) ou
• Não assegurando condições de seu retorno (é o que ocorre, por
exemplo, ao se levar o trabalhador para um local de difícil acesso, não
servido por transporte público, e não permitir seu retorno no veículo do
empregador, forçando-o a ficar).

Na forma equiparada, é possível verificar o desvalor da conduta do agente, ao se


praticar fraude contra o trabalhador, cobrança indevida ou mesmo por dificultar o
retorno ao seu local de moradia.

 Forma majorada

O artigo 207, em seu parágrafo terceiro, prevê uma forma majorada do delito, com
indicação da fração de um sexto a um terço. Incide se a vítima for menor de dezoito
anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental. O
desvalor maior da conduta se liga à vulnerabilidade maior, passageira ou perene, do
sujeito passivo.

Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso e o Respeito aos Mortos

O Título V da Parte Especial do Código Penal possui dois Capítulos, o primeiro referente aos crimes
contra o sentimento religioso e o segundo, relativo aos crimes contra o respeito aos mortos.

1. Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso

1.1 Ultraje a Culto e Impedimento ou Perturbação de Ato a Ele Relativo

O crime de ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo está tipificado no
artigo 208 do Código Penal. Escarnecer significa zombar, tratar com escárnio. Impedir significa
obstruir, tornar impraticável. Perturbar é estorvar, causar desordem, abalar. Vilipendiar é ultrajar
(por palavras, gestos ou atos), aviltar, rebaixar, tratar com desprezo. As condutas incriminadas
são:

• Escarnecer de alguém publicamente por motivo de crença ou função


religiosa.
• Impedir cerimônia ou prática de culto religioso.
• Perturbar cerimônia ou prática de culto religioso.
• Vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso.

Na conduta de escarnecer e na de vilipendiar, exige-se que a ação do agente seja em público. O


escarnecimento deve ter por motivo a crença religiosa ou a função religiosa da vítima, como
sacerdote, pároco, pai de santo, pastor, rabino e outros. Cerimônia e culto religioso são

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expressões que abrangem os ritos e reuniões realizado no âmbito da religião, de forma geral. Ato
ou objeto de culto religioso são quaisquer coisas, objetos ou rituais utilizados na prática religiosa,
com significado para a crença do indivíduo. Pode ser um púlpito considerado sacro, uma imagem,
uma pintura, uma pia batismal, dentre outros. O crime é comum, não exigindo qualquer qualidade
específica do sujeito ativo. É doloso, não prevendo a possibilidade de punição a título de culpa.
Por permitir o fracionamento do seu iter, é classificado como crime plurissubsistente. Por
conseguinte, admite a modalidade tentada. É crime de forma livre, podendo ser realizado de
qualquer forma, por gestos, palavras ou de forma indireta, como algazarra na porta do templo
religioso com a finalidade de impedir que os fiéis escutem as palavras do seu sacerdote. Sobre a
necessidade de o vilipêndio a objeto religioso, uma das formas de se praticar o delito, O Tribunal
de Justiça de Minas Gerais que se o crime não for praticado na presença de várias pessoas não
se configura. O Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul já decidiu que, havendo
divergências entre discípulos de um mesmo grupo religioso, não se configura, da parte de nenhum
deles, o crime de ultraje a culto religioso.

 Forma majorada

O parágrafo único do artigo 208 prevê a causa de aumento de pena de um terço no


caso de o crime envolver violência. Além disso, determina-se a adoção do sistema do
cúmulo material no caso de concurso entre o ultraje a culto e impedimento ou
perturbação de ato a ele relativo e o crime relativo à violência, como o de lesões
corporais.

2. Dos Crimes Contra o Respeito aos Mortos


O Capítulo II do Título V da Parte Especial do Código Penal, por sua vez, é chamado de “Dos
Crimes Contra o Respeito aos Mortos”. Tutela-se a reverência ou o respeito dos vivos em relação
aos mortos, não sendo o bem jurídico protegido o próprio morto.

2.1 Impedimento ou Perturbação de Cerimônia Funerária


O crime de impedimento ou perturbação de cerimônia funerária está previsto no artigo 209 do
Código Penal. Impedir significa obstruir, tornar impraticável. Perturbar significa estorvar, causar
impedimento. O tipo penal é misto alternativo. Ambos os núcleos do tipo são condutas que devem
recair sobre enterro ou cerimônia religiosa. O crime é comum, podendo ser praticado por qualquer
pessoa, sem qualidade específica. É doloso, não havendo previsão da punição da modalidade
culposa. É plurissubsistente, sendo possível fracionar o seu iter criminis e, por conseguinte,
admite-se o conatus, a sua forma tentada. Questiona-se se é preciso elemento subjetivo especial
do tipo, consistente na finalidade implícita de violar o sentimento de respeito ao morto. Apesar
de não previsto explicitamente na norma, parte da doutrina entende ser necessário o elemento
subjetivo especial para a configuração do crime.

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 Forma majorada

O parágrafo único do artigo 209 prevê a causa de aumento de pena de um terço no


caso de o crime envolver violência. Tal qual no caso do artigo 208, determina-se,
ainda, a adoção do sistema do cúmulo material no caso de concurso entre o ultraje a
culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo e o crime relativo à violência,
como o de lesões corporais.

2.2 Violação de Sepultura


O artigo 210 trata do crime de violação de sepultura. O crime de violação de sepultura possui
como ações típicas nucleares as seguintes: violar (arrombar, forçar a abertura de, tratar com
desrespeito) ou profanar (tratar com desrespeito, macular). A conduta deve recair sobre sepultura
(cova, jazigo, sepulcro) ou urna funerária (local ou recipiente para se coletar as cinzas, advindas
da cremação do corpo do defunto). Por não exigir nenhuma qualidade especial do sujeito ativo,
o crime é classificado como comum. Seu iter criminis pode ser fracionado, razão pela qual é
plurissubsistente, bem como admite a tentativa. Seu elemento subjetivo é o dolo, não se
prevendo a punibilidade da modalidade culposa. É de forma livre e instantâneo.

2.3 Destruição, Subtração ou Ocultação de Cadáver


O crime de destruição, subtração ou ocultação de cadáver está previsto no artigo 211 do Código
Penal. Destruir é demolir, desmanchar, devastar. Subtrair é apropriar-se, pegar de outrem ou
apoderar-se. Ocultar significa encobrir, esconder, sonegar. Cuida-se de tipo penal misto
alternativo, razão pela qual basta que o fato de enquadre em um dos verbos para a sua
configuração, assim como a realização de mais de uma ação nuclear, no mesmo conceito,
configura crime único. A conduta de destruir, subtrair ou ocultar deve recair sobre cadáver ou
parte dele. O tipo penal se refere a cadáver como corpo humano sem vida. O crime é comum,
não exigindo nenhuma qualidade específica do sujeito ativo para sua configuração. É material,
sendo necessário o resultado naturalístico para sua consumação e, por conseguinte, admite a
tentativa, sendo classificado como plurissubsistente. É doloso, não havendo previsão da
modalidade culposa. É de forma livre. Nas formas de destruição e subtração, é crime instantâneo.
Na forma de ocultar, é crime permanente.

2.4 Vilipêndio a Cadáver

O crime de vilipêndio a cadáver está previsto no artigo 211 do Código Penal. Vilipendiar é ultrajar
(por palavras, gestos ou atos), aviltar, rebaixar, tratar com desprezo. O objeto material sobre o
qual recai a conduta pode ser o cadáver (corpo morto de um ser humano) ou sobre suas cinzas.
O crime é comum, não exigindo nenhuma qualidade especial do sujeito ativo. É plurissubsistente,
admitindo o fracionamento do seu iter e a punição da tentativa, salvo se praticado na forma oral.
É crime doloso, sem previsão de forma culposa. É infração penal de forma livre, podendo ser

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praticado de qualquer forma que vilipendie o cadáver ou as suas cinzas. Classifica-se como
instantâneo, pois sua consumação ocorre em período determinado no tempo, sem se protrair ou
se prolongar.

8 - Considerações Finais
Este é o fim de mais uma aula nossa. Ressalto que estudamos a teoria geral da
pena, sem adentrar no estudo mais específico da Lei de Execução Penal, que é
parte da disciplina de Direito Penal Especial (Legislação Penal Extravagante).
Espero que tenham compreendido melhor as penas previstas em nosso
ordenamento, sua aplicação pelo juiz e sua execução.
Quaisquer sugestões são bem-vindas e, apesar de elaborada com muito rigor,
toda aula pode ser aperfeiçoada a partir de contribuições. O contato pode ser
feito pelo fórum, por e-mail ou pelo Instragram.
Até a próxima aula. Forte abraço e meus desejos de sempre de sucesso!
Michael Procopio.

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