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PROBLEMAS

DE INVESTIGAÇÃO SOCIOLÓGICA
Departamento de Sociologia

2019/2020
Docentes : O Ilustre Professor Doutor Manuel Lisboa

E as Professoras Doutoras Ana Lú cia Teixeira e Dalila Cerejo .

Discente: Maximiliano Torres Barreto 54780

KeyBords : AMAZONIA – FLORESTA – QUEIMADAS – ESTRUTURA – AÇÃO

Breve Reflexão.

Consideramos que um dos pontos fulcrais da psicologia analítica de Carl Jung


se dá na odisseia do herói que mergulha num penoso , exaustivo e
disciplinado trabalho de escrutinar becos e vielas assombradas dentro de si
mesmo numa jornada tensa e nostálgica, onde a cada passo nos
assombraremos com lembranças, sofrimentos, angústias , medos e dores
causadas pelo nosso maior inimigo, o próprio eu . Até encontrarmos as largas
avenidas passando pelo arco do triunfo da retumbante vitória do
autoconhecimento. Esse trará a satisfação na plenitude do mito mais comum
da humanidade a do herói, personificado aqui, por nossos pais. Uma
referência ao nosso saudoso pai que a seu tempo foi um bandeirante na
Amazônia em busca do sonho mítico do seu do Eldorado.

DICTOMIAS DA SOCIOLOGIA

Índice :
1-INTRODUÇÃO: 2
2-A DESCONSTRUÇÃO DO MITO: 4
3-O QUE NÃO É A AMAZONIA: 6
4-O MICRO E O MACRO NA ABORDAGEM GLOBAL: 7
5-AS NOVAS SOCIOLOGIAS: 10
6- BIBLIOGRAFIA: 12

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1. INTRODUÇÃO

Amazônia é uma área na América do Sul que ocupa boa parte do espaço dos noticiários
da Europa e dos Estados Unidos e também das preocupações de ambientalistas e pessoas
comuns .É percebida como sendo uma imensa floresta com grande diversidade biológica
, praticamente desabitada e que vem sendo ameaçada nos últimos tempos pela ocupação
desordenada e predatória causadas por sujeitos que promovem seu desmatamento ,
derrubam suas árvores , promovem queimadas para transformá-las em campos
latifundiários da agropecuária num processo de acumulação do sistema capitalista que
busca incansavelmente expandir suas fronteiras . AWB Almeida, (2011) Condúru(2011).

Uma ação predatória que causa enorme prejuízo ao clima da Terra e a sustentabilidade
do planeta tudo isso feito com anuência de políticas publicas de desenvolvimento
equivocadas de sucessivos governos nacionais nos diversos países que o bioma se estende
em especial o do Brasil onde se encontra a maior parte desse vasto ecossistema a partir
do qual restringiremos nossa narrativa , devido a sua vastidão pan-americana por 9 países
. Nos últimos 20 anos o processo se acelerou causando uma comoção mundial para
questão, e a certeza de algo precisa ser feito para deter a catástrofe antes que seja tarde de
mais. Celentano D. (2018),

Mas afinal o que é a Amazônia, o que estão lá fazendo os brasileiros de tão grave que a
põem em risco? Por que isso acontece? Quais medidas macroestruturais precisam ser
adotadas pelo governo do Brasil para ser interrompido esse processo? De que forma a
comunidade internacional interfere nesse processo positiva ou negativamente? Essas e
outras questões vem sendo ultimamente levantadas de forma recorrente por várias
entidades e personalidades em favor da causa, algumas com propriedade e cientificismo,
outras nem tanto, uns preocupados com dados outros apenas o número de “likes” do
instagram .

Penso que ,antes de mais nada a Amazônia precisa ser perscrutada de forma quase
arqueológica para que sejam revelados suas nuances mais profundas que subjazem aos
preconceitos e prenoções do senso comum que se tornaram credíveis através dos arautos
da ecologia que defendem a causa .Agem racionalmente com o mesmo afinco naturalista
dos titãs da antropologia que do alto dos seus pomposos e distantes gabinetes museus da

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Europa no fim do século XIX, juntavam fragmentos de culturas passadas através de
relatos e objetos recolhidos por amadores nas horas vagas . Esses amadores lá estavam
em geral em missão colonialista como padres, administradores e empreendedores,
geralmente não conheciam a língua vernácula, nem o sentido do uso daqueles objetos na
cultura em questão acumulando, dados e objetos quantitativamente.

Alguns antropólogos evolucionistas, muito poucos, realizaram também incursões rasas


e pontuais no campo na tentativa de comprovarem suas teses evolução cultural do
começo do mundo através de conjecturas abstratas permeadas por recolhas quantitativas
e correlações de generalidades .Estes em sua maioria , percebiam os nativos da
Melanésia a partir de um primitivismo cultural eugenista ,sendo o patamar de suas
civilizações num grau de desenvolvimento inferior daqueles que a estudavam , como a
conhecida a expedição do Estreito de Torres na Nova Guiné .

Nunca perceberam com clareza o significado e o contexto daquele arsenal de materiais


empíricos recolhidos produzindo sempre volumosas e monótonas monografias
descritivas . Somente mais tarde em 1992 com “Argonautas do Pacífico” é que seria
pautada a recolha de forma compreensiva como o “esqueleto , a carne e o sangue , para
visão do mundo dos nativos “ que dava sentido a tudo aquilo que era recolhido como
dados empíricos . Conceito postulado para criticar os evolucionistas pelo pai da etnografia
antropológica no seu livro por Bronislow Malinowisk (Young, Michael W. (2018)

O exposto nos faz lembrar a celebre semelhança do “Paradise Lost” de Milton em relação
a Amazônia feita por Euclides da Cunha(1905-2000:79) , o grande romancista brasileiro
que escrevia com ares de cientista social no começo do século XX, mesma época acima,
quando apontou que :

A Amazônia “esconde-se em si mesma. O forasteiro contempla-a sem a ver através de


uma vertigem. “Ela só lhe aparece aos poucos, vagarosamente, torturantemente. “É uma
grandeza que exige a penetração sutil dos microscópios e a visão apertadinha e breve dos
analistas; é um infinito que deve ser dosado. “Quem terá envergadura para tanto? Por
mim não a terei. “

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E são tantos cientistas sociais que tomam modelos de analises naturalistas como suas
generalidades determinísticas emprestadas dos físicos , biólogos , geógrafos que se
aventuram a expressar seus conceitos e definições através de observações que parecem
ser obvias , mas que são tão distantes , macroscopicamente turvas focados na estrutura
, como se possível fosse abarcar num olhar de longo alcance a “ Floresta” (sic) como
um todo . A partir de uma única visão de regras gerais na busca de um holismo puro e
simples diante do aspecto da sua imensidão imputando-lhe forçosamente a
homogeneidade. Dando origem apenas e tão somente a uma forma ontônica de
fragmentos múltiplos e concretos separados através de um objetivismo metódico através
do qual não poderemos construir o conhecimento da realidade.

A primazia do macro para observar os fenômenos sociais que dão respostas as questões
que motivam os desmatamentos objetivamente, quando remetem a questão simplesmente
para estrutura, penso ser esta ser uma prescrição com mesmo efeito de um diálogo
recomendado para surdos , que sabem se comunicar mas só observam os sinais .

2. A Desconstrução do Mito

Em primeiro lugar Amazônia deve deixar de ser estereotipada como uma estufa a escala
planetária de espécies tropicais da biodiversidade , ou seja num reducionismo ecológico
estruturante , apenas uma “Floresta” que precisa ser preservada para humanidade .Para
ser desnudada como uma sociedade humana , com densidade demográfica significativa ,
estando sujeita a fenômenos e também a interações sociais , políticas e econômicas de
aspecto local a partir das relações de sentido que os grupos e indivíduos que lá habitam
dão as questões de ordem social global .

Só nos aproximando intensivamente é que compreenderemos os aspectos da civilização


amazônica que já era constituída pelos habitantes autocnes , antes da chegada dos
portugueses a mais de 500 anos. Dela pra cá essa sociedade se complexificou a partir de
novos indivíduos em interação que passaram a contribuir ou interferir , de acordo com
o ponto de vista, desde primeiro imigrantes portugueses que fundaram Belém do Pará
na Foz do Rio Amazonas e sua principal porta de entrada e em 1616 e Manaus em 1669
que rapidamente se tornarão metrópoles nas dimensões da época. Após isso contínuos

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reforços dos migrantes brasileiros, acentuados com a grande seca do nordeste em 1870
que se tornaram ribeirinhos, pescadores , seringueiros, castanheiros e mais recentemente
garimpeiros, além de grande numero espanhóis , japoneses , sírios , armênios , libaneses
que pra lá imigram a pelo menos 150 anos . Emmi, Marília Ferreira (2013).

Dessa maneira é preciso compreender que não são apenas índios que por lá vivem
espaçadamente num território colossal num vazio demográfico de forma incivilizada
caçando e pescando a sua sobrevivência.

A Amazônia Legal , como é chamada sua região para efeitos administrativos , ocupa 9
estados brasileiros com uma área total de 5.217.423 km2 é uma região com cerca de 30
milhões de habitantes estimado para 2020 segundo IBGE o INE brasileiro , numero este
superior ao de habitantes da Austrália com cerca de 26.000.000 e com área de quase 50
% maior de 8.000.000.m2 e o Canada com cerca de 36.000.000 pessoas em 10.000.000
m2 de território com dobro da Amazônia mas com praticamente a mesma população .
Portanto se fossemos fazer uma comparação empírica de dados forma macroestrutural a
analisar correlações e estatísticas de forma simplistas entre esses 2 países e a região
amazônica , os revelaríamos equivocadamente como grandes áreas desérticas
demograficamente , que por ventura precisariam ser internacionalizadas por estarem em
risco de serem ocupadas desordenadamente , com números inferiores a aos da ocupação
demográfica da Amazônia legal Brasileira .

Com diversas metrópoles globais subjacentes seus problemas e oportunidades temos


Manaus-AM no coração da selva amazônica com 2.000.000 milhões de Habitantes, Porto
Velho-RO 400.000 Cuiaba -MT 700.000 Santarém-PA e Marabá PA 300.000
Ananindeua PA 600.000 Belem-PA 2.000.000.

Manaus por exemplo é uma de cidade global com grande polo técnico-industrial de
informática e eletrônicos como Televisores , Telemóveis , Computadores e com
montadoras como Honda e Yamaha , que assim funciona com essas características a pelo
menos 50 anos e que segundo autores que desenvolveram pesquisas no campo de forma
compreender o problema em profundidade a implantação dessas industrias no coração da
Amazônia evitou o desmatamento florestal ao invés de aumenta-lo COSTA J.B. (2016),

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o que desmonta de certa forma coralalio da causas da crise ambiental na Amazônia. É
preciso aprofundar e perceber essas relações a nível micro por dentro da estrutura.

Demonstramos assim o dinamismo e a diversidade das características populacionais


amazônicas e sua pluralidade de culturas e perspectivas para postular que essas requerem
para a construção do conhecimento do problema sociológico em questão uma visão além
das multidisciplinaridades das ciências de forma naturalista com sua predileção pela
macro analise generalizáveis, é preciso se emaranhar na “selva” em profundidade ,
pensando não a partir daquela estrutura evidente que se mostra , mas a partir das culturas
que lá habitam e a exploram a séculos , mesmo assim a preservando , sendo esta em área
menos devastada do planeta em todos os tempos . Ao contrário das florestas da Europa,
da Ásia e dos EUA onde suas populações quase extinguiram os biomas naturais. É preciso
novos olhares para a civilização amazônica de forma próxima e micro a compreender
essas questões a partir da sociologia das ausências como prevê Santos B.S.(2002-2010)

3. O que não é a Amazônia


A Amazônia não é uma floresta selvagem a séculos, apesar de existirem áreas intocadas,
também não é um deserto demográfico, nem mesmo um paraíso idílico perdido no meio
do nada cuja última palavra em termos de concessão do objeto está nas mãos da biologia
ou dos botânicos onde seus habitantes se comportam como marionetes de estruturas
determinísticas do capitalismo .Análises do tipo macro estruturalista observam seu
objeto pelas funções orgânicas ou determinísticas da estrutura , não são suficientes aqui
onde o que se evidencia é um constructo social dinâmico com interações e como tal
deve ser observado “a competência e a atividade intencional dos atores , preferindo
atribuir uma logica de racionalidade autossuficiente ao próprio sistema social
(Corcuff,2001:63)
São milhões de populações distintas que lá vivem em metrópoles ou cidades menores de
forma urbana e civilizada , sem contar os ribeirinhos e seringueiros que suprimem
também a logica do rural e urbano nessa analise , pois a falta de estradas pavimentadas
nunca foi uma desvantagem na sua ocupação , ao contrário o emaranhado de rios e de
igarapés fizeram do transporte fluvial uma grande vantagem na ocupação de outrora , são
estradas naturais que já eram amplamente usadas antes do asfalto, ruborizando os canais
de Veneza e Aveiro , por esse motivo Amazônia foi ocupada antes do Cerrado Brasileiro
.

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Uma aproximação qualitativa através de uma observação participante com a perspectiva
a partir das populações que lá habitam e que se adaptaram a magnitude da floresta ao
perceber sua imensidão indevassável numa perspectiva etnográfica de maneira
microssociologia, pode ser uma maneira ao menos para compreender o fenômeno
inicialmente a partida.

Numa perspectiva micro temos o modelo proposto para construirmos o conhecimento e


preservar a essência dessa civilização que convive numa relação simbiótica de valoração
da floresta a preservando e a explorando a séculos. Compreender seus valores e
expectativas pode ser a chave para a sobrevivência da cobertura vegetal, e do homem que
lá habita. Do alto e de cima numa macroperspectiva a amazônica é um tapete verde é
difícil perceber suas qualidades substantivas como civilização.

Através dos mecanismos de observação cognitiva iremos melhor perceber as relações de


sentido que estão ocorrendo tanto a nível individual , como a nível coletivo onde é claro
essas duas perspectivas se misturam tornando-se um só constructo para superar a
dicotomia entre o micro e o macro na operacionalização do trabalho , dotando para o bem
de um a fecunda nova sociologia o mesmo peso analítico do micro e do macro para gerar
explicação dos fenômenos sociais advindos da complexidade global .

4. O Micro e o Macro na Abordagem Global

Podemos considerar que a distinção entre micro e o macro na discussão sociológica é


uma das grandes temáticas desde sempre e se focam” por um lado, nas escolas da micro
teorização que enfatizavam a contingência da vida social e a importância das negociações
individuais. De outro lado, as escolas da macro teorização que enfatizavam as estruturas
coercitivas e determinantes, a seu ver, dos comportamentos individuais ou coletivos
(ALEXANDER, 1987,p.5)”. Dito de outra forma num plano metodológico a definir os
planos da analise , sendo a micro mais centradas em compreender as relações de sentido
da ação a partir da perspectiva do individuo , chamado comumente de individualismo
metodológico , e quando elevando essa perspectiva na busca de explicações
generalizáveis ao nível macro situando o individuo dentro de uma estrutura que ira
explicar sua ação de forma mais determinística ou coerciva .

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De uma maneira geral essas distinções nos deixam mais esclarecidos, deparamo-nos com
questões de interação entre indivíduos, visões de mundo, disposições, habitus cognitivos,
ação e sujeito. Por outro lado, as questões macros podem ser entendidas a partir do campo,
da estrutura, da coerção institucional e das perspectivas sistêmicas que vem um todo
interdependente de partes.

Mas segundo Ianni O.(2011) a globalização tornou a sociedade global um novo


constructo que extravasa a oposição clássica entre as macros e as micros teorias , criando
um nova perspectiva de observação .

Para Giddens, Antony (2002: 27). A globalização “diz respeito […] ao entrelaçamento
de eventos e relações sociais ‘à distância’ com contextualidades locais” .Ele destaca a
importância da dualidade da estrutura , ao invés dos clássicos dualismos , reconhecendo
a importância da ambiguidade de duas dimensões sociologicamente simultâneas , para
ele não existe “estrutura” mas sim que nas práticas concretas do indivíduo se revelarão
propriedades estruturais .

“O que é importante é ter em conta as ligações, assim como as disjunções, entre situações
de coopresença e conexões intermedias entre indivíduos e coletividades de vários tipos”
(Giddens, 1996: 15)

Já para Norbert Elias os dualismos também são dispensáveis já que por um lado o
individualismo metodológico é falho por idealizar o “ser humano singular como se fora
uma entidade existindo em completo isolamento”. Assim também como o
macroestruturalísmos que veem “a sociedade (...)entendida, quer como mera acumulação,
coletânea somatória e desestruturada de muitas pessoas individuais, quer como objeto que
existe para além dos indivíduos e não é passível de maior explicação.” (ELIAS, 1994,
p.7)

Consideramos então que a globalização trata-se de um modelo de difusão a escala global


de propriedades estruturais, como sistema econômico, com relações de mercado e meios
de produção , geradoras de práticas de consumo e trocas de símbolicas que se
influenciam reciprocamente de forma parcialmente institucionalizada e sincrônica , mas
não igualitária que organiza intrinsicamente o sentido da ação .

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Essa globalização portanto influencia a conjuntura local mas também recebe influencia ,
assim mesmo que a nossa perspectiva aborde o micro social para responder as questões
que estarão ali presentes, há elementos da macro fundação social que ocorrem fora da
conjuntura e no contexto da reorganização global da produção ,na influencia do sistema
econômico na nova ordem social ( Castells 1999) . A titulo de rigor vale a pena lembrar
que aquilo que é produzido na Amazônia em sua maior parte é consumido fora dali ,
portanto a que se relevar na arquitetura dessa perspectivas as relações de sentindo que
outros grupos dão a condição amazônica para então liga-los a uma teoria mais abrangente
de médio alcance , sem necessariamente ser constitutiva de uma estrutura
macrossociológica de princípios unos .

A globalização operou a racionalidade da era moderna num grau muito mais distintivo
que as relações materialistas e teorias macros , as questões econômicas foram levadas a
uma lógica de acumulação sim , mas além das fronteiras das teorias marxistas e
funcionalistas podiam explicar, e precisam ser constantemente compreendidas a partir
do sentido que lhe dado no local. A aculturação de aldeias indígenas no Matogrosso onde
cultivam as lavouras de soja em larga escala , extensivas de forma mecanizada na
produção , mas mantendo o estilo de vida tribal , é exemplo disso gov.br (2019).

Pensar a partir de macro teorias de conflito como a regra para os problemas do


desmatamento da Amazônia sem compreender o homem que lá habita , pode ser fecundo
para ovação nos meios acadêmicos e midiáticos , mas sem nenhum valor científico
prático a questão em si , pois como vemos nem todas as tribos amazônicas são silvícolas
indiferentes a evolução cultural do planeta ,e nem seus moradores são capitalistas
inescrupulosos que alardeiam fogo na Amazônia a exemplo de Nero impelidos como
marionetes do sistema capitalista global. Talvez muitos assim os vejam por regularem
suas lentes apenas numa perspectiva macro, desfocando o individuo sem compreender
suas peculiaridades na ação coletiva.

Uma definição aqui a partir de Bourdieu (1980) que postula que a ciência só avança
quando construímos um caminho que comuniquem teorias opostas que se
constituirão umas as outras, pode ser uma perspectiva adequada ao problema.

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Karl Marx do alto da sua fecunda capacidade macro estrutural cientifica nunca percebeu
o ator social de maneira singular , segundo Harvey,(2010:160) um dos seus revisionistas
postula que o capitalismo deriva dos “instintos “ e da “iniciativa” dos empreendedores
individuais operando num tempo e lugares específicos , ou seja vai buscar no
webernianismo e na sua compreessividade os elementos para darem sentido a realidade
que pretende colar para modernizar a visão de estrutura .

Como então podemos afastar da nossa perspectiva uma análise microssociologia onde já
está atestado que para renovo do paradigma das correntes macroestruturais marxianas há
o reconhecimento da centralidade do individuo? Afirma que o neoliberalismo rompeu
com o estado providencial, promovendo a individualização do ator na ordem social e
justificando suas decisões na busca dos seus próprios interesses.

Como então desprezar os esquemas de reflexibilidade do ator e atribuir exclusividade ou


primazia da solução da constituição problema na perspectiva macro a partir das políticas
econômicas desenvolvimentistas de um governo ou nas estruturas capitalistas?

Postulamos que, um micro conjunto de percepções de forma interdependente pode revelar


muito mais a respeito do respeito da Amazônia e da sua perda de cobertura vegetal, do
que uma prerrogativa macro determinística como aspecto único.

5. As Novas Sociologias

A tensão clássica do subjetivismo e do objetivismo desde sempre nos remeteu a


perspectiva antagônicas mas a sociologia contemporânea segundo (Corcuff, 1995) defende
que essa dicotomia vive um anacronismo em suas representações e que hoje a ordem social
deve ser estabelecida a partir da dialética entre essas partes de maneira espiral , a formar um
crescente através das relações micro sociais e macro sociais .

As novas sociologias devem assim convergir para perspectivas teóricas que hibridizam as
interações nas estruturas sociais. É preciso termos em mente as complexas relações do mundo
globalizado, usando este estímulo para ligar os fatores micro e macrossociais segundo
Alexander (1987), que observou esse constructo intelectual até nos pós-marxistas que não
pouparam esforços para anexar a ação com a estrutura. Pois os processos individuais a partir

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dos anos 60 potencializaram na sociologia a cognição das estruturas de forma a obtermos
suas representações sociais simbólicas.

Ao juntarmos os vetores micro e macro na constituição dos atores que fazem parte do
ecossistema da investigação de uma forma multidimensional a ação , podemos melhor
enquadra-los mediante os aspectos políticos , emocionais e que se mobilizam para
formular estratégias a partir das propriedades estruturais que organizão suas
reivindicações de mundo tanto de forma local , como global , e que irão se reproduzir
subjacentes nas relações de outros grupos envolvidos com a Amazônia através de um
arquétipo a exemplo dos tipos ideais de Weber , que inspira Goffman, E. (1974)a nos
diz para “ usar o método dos tipos ideias, para estabelecer aspectos em comum para a
posteriori esclarecer diferenças significativas”.

Assim poderíamos aventar alguns tipos de desmatamento para compreender a questão ,


ou ate mesmo ponderar aquele tipo de aproximação simplista que define a
sustentabilidade da Amazônia a partir de uma quantificação de recursos que podem ou
não ser extraídos de forma sustentada , ou sermos ousados e lançarmos o aproveitamento
casuístico dos benefícios da destruição amazônica ? Homma, A. K. Oyama. (2005)

Segundo Homma, A. K. Oyama. (2005) pode trazer muito mais vantagem a preservação
da Amazônia com uma politica agrícola de integração multipluralista de forma que
atenda a pressão globalizante dessa forma a neutralizando , do que uma politica
ambientalista estruturada ideologicamente que declara a a interdição no sujeito pra ação
, a partir de estruturas e instituições extrínsecas rompem negociações das interações e
tratam a solução da questão por decreto , da mesma forma macro, sem observar
qualitativamente os dados e sua valoração intrínseca em relação ao objeto .

Já em Bourdieu(1990) combina as dimensões cognitiva individual e dos padrões


sociais, ou seja, micro e macro numa síntese para expressar sua noção de “habitus” , para
nos remeter a noção de campo e enxergar essa a “luta” acima .

É importante considerar que há ação humana no manuseio dessa dinâmica integrando o


meio local as propriedades estruturais econômicas globais, dando valores e sentindo a
essa quantificação por partes dos agentes ali envolvidos de forma plural.

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O ideal assim e ir paulatinamente construindo micro teorias e hipóteses locais que serão
testadas e refutadas sem necessariamente se tornarem um guião único uma vez que
existem várias dimensões para Amazônia, cognitivas, territoriais, politica até tipos de
bioma.

Suas áreas também possuem diversas territorialidades em várias escalas que segundo
Becker,B.K(2010) “compreendem as relações pessoais e cotidianas até as complexas
relações sociais ... fundamenta na identidade e pode repousar na presença de um estoque
cultural que resiste à reapropriação do espaço de base territorial .”

Mas também é preciso admitir ser uma quimera compreensiva pressupor que apenas
ensaios micro sociais serão dotados de relevância ao ponto de promover o resgate
sociológico, sem que as mesmas estejam integradas dentro de um aspecto de observação
que também prestigiem a influencia da estrutura na vetorização do agente, se não
coagindo mas dando a ele uma direção e organizando a ação .

Sabemos que a construção do conhecimento tem um infinita capacidade de projeção de


realidades que são modeladas a partir das interações individuais e das relações de sentido
que vão sendo cristalizadas pelos grupos , elementos constituintes tanto micro sociais
como macro , caberá a nós , no desenvolver da operacionalização observar quais
unidades de analises a cada momento são mais adequadas aos processos de recolha dos
dados qualitativos ou quantitativos que devem passar também transversalmente nessa
pesquisa , não estabelecendo aos mesmos nenhum paralelismo seja no micro ou no macro
, seja no global ou no local como julgamos ser mais contemporâneo a ambiguidade do
termos para o nossa pergunta de partida a partir de um trocadilho :
Desmatamento da Amazônia Legal Um Problema com Causa Local ou Fenômeno
Global?

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Gestão ambiental na Amazônia: território, desenvolvimento e
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