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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

RTH
Nº 71001294792
2007/CÍVEL

RETOMADA PARA USO PRÓPRIO. LOCAÇÃO


RESIDENCIAL. PESSOA GRAVEMENTE ENFERMA.
CONTRATO COM PRAZO DETERMINADO.
RECONHECIMENTO DO DIREITO COM TERMO
ESTABELECIDO AO TÉRMINO DO PRAZO
CONTRATUAL. POSSIBILIDADE JURÍDICA.
Embora o art. 4º da Lei de Locações (Lei nº
8.245/91) impeça o locador de reaver o imóvel
durante o prazo estabelecido para a duração do
contrato e o art. 47, inciso III, da mesma Lei,
estabeleça que o pedido para uso próprio deva
ocorrer findo o prazo contratual estabelecido, não
há impossibilidade jurídica do pedido, ainda mais
nas circunstâncias excepcionais que o caso
encerra, para que a retomada para uso próprio seja
deferida, estabelecendo-se como termo para o
início do prazo de desocupação voluntária o dia
1º/09/07, data prevista para o término do contrato.
Recurso provido.

RECURSO INOMINADO PRIMEIRA TURMA RECURSAL


CÍVEL
Nº 71001294792 COMARCA DE NOVO HAMBURGO

NAIR THEREZINHA FLECK RECORRENTE

MARIA CRISTINA FIEDLER RECORRIDO

ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os Juízes de Direito integrantes da Primeira Turma
Recursal Cível dos Juizados Especiais Cíveis do Estado do Rio Grande do
Sul, à unanimidade, em DAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Participaram do julgamento, além do signatário (Presidente), os
eminentes Senhores DR. HELENO TREGNAGO SARAIVA E DR. JOÃO
PEDRO CAVALLI JÚNIOR.

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Porto Alegre, 14 de junho de 2007.

DR. RICARDO TORRES HERMANN,


Relator.

RELATÓRIO
(Oral em Sessão.)

VOTOS
DR. RICARDO TORRES HERMANN (RELATOR)
Merece provimento o recurso, mas há de se ponderar que o
reconhecimento do direito à retomada para uso próprio haverá de respeitar o
termo final do contrato de locação que foi estabelecido em 1º de setembro
de 2007.
Com efeito, a recorrente pretende reaver o imóvel residencial
locado à recorrida, em que se estabeleceu como prazo para locação em
contrato escrito o período de trinta meses, justificando plenamente sua
pretensão, dado que se encontra acometida câncer de pele (carcinoma) e de
útero (neoplasia maligna de colo de útero), estando a se submeter inclusive
a tratamento de radioterapia e de quimioterapia no Hospital São Lucas da
PUC situado em Porto Alegre, como se vê dos documentos de fls. 08 e 09.
Daí resulta evidente seu legítimo interesse em retomar o imóvel
residencial de que é proprietária na cidade de Novo Hamburgo.
Embora argumente a recorrida que disporia a recorrente de
outros imóveis, esclarece a demandante que o imóvel descrito na matrícula

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de fls. 40 a 42 pertence ao seu ex-marido e a outra casa situada sobre o


terreno do imóvel locado, pertence a seu filho.
Mesmo que assim não fosse, a jurisprudência já pacificou,
como bem salientado na sentença, que não inibe a retomada a circunstância
de ser a retomante proprietária de outros imóveis, já que é direito seu eleger,
dentre os que lhe pertencem, o que melhor atenda às suas necessidades.
Dessa forma, não há como negar o direito de a recorrente obter
de volta o imóvel locado, mormente na hipótese em que a sua necessidade
é premente, a fim de evitar despesas extras, dada a moléstia de que está
acometida.
Entretanto, não há como reconhecer, porque contrariaria
frontalmente a Lei de Locações que visa tutelar também o direito
fundamental de habitação da locatária, o direito à retomada antes do término
do prazo contratual.
Observando-se assim o art. 4º da Lei de Locações (Lei nº
8.245/91) que determina só poder o locador reaver o imóvel depois de
expirado o prazo estabelecido para a duração do contrato e o art. 47, inciso
III, da mesma Lei, que estabelece que o pedido para uso próprio deva
ocorrer findo o prazo contratual estabelecido, não há que há que cogitar de
impossibilidade jurídica do pedido, ainda mais nas circunstâncias
excepcionais que o caso encerra, podendo o pedido de retomada para uso
próprio ser deferido, estabelecendo-se como termo para o início do prazo de
desocupação voluntária o dia 1º/09/07, data prevista para o término do
contrato.
Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao
recurso, julgando procedente o pedido de despejo para uso próprio,
resolvendo o contrato de locação e estabelecendo que o prazo de
desocupação voluntária do imóvel, que será de quinze dias, passará a
fluir a partir de 1º de setembro de 2007.
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Findo tal prazo, autoriza-se a expedição de mandado de


despejo compulsório.
Sem incidência de sucumbência, em face do provimento
do recurso e da interpretação conferida pelas Turmas Recursais ao
disposto no art. 55, da Lei nº 9.099/95.

DR. HELENO TREGNAGO SARAIVA - De acordo.


DR. JOÃO PEDRO CAVALLI JÚNIOR - De acordo.

DR. RICARDO TORRES HERMANN - Presidente - Recurso Inominado nº


71001294792, Comarca de Novo Hamburgo: "DERAM PROVIMENTO.
UNÂNIME."

Juízo de Origem: JUIZADO ESPECIAL CIVEL NOVO HAMBURGO -


Comarca de Novo Hamburgo

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