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Análise VI

Análise da textura e dinâmica da ária:“Cruxifixus”


Petite Messe Solenelle

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Carla Martins
Análise da textura e dinâmica da ária: “Cruxifixus” de Rossini

A ária analisada chama-se: Cruxifixus pertencente à Petite Messe Solenelle


de Rossini.
A ária é cantada por uma soprano com acompanhamento de piano e
harmónio.
Começando em andante sostenuto tendo o acompanhamento do piano com
um carácter bastante rítmico e constante durante toda a ária, com a dinâmica:
“pppp”( algo que apareceu principalmente no período romântico).
De realçar que Rossini, usou o texto do ordinário da missa mais dramático e
tenso (quando Cristo é crucificado) e transformou num acompanhamento do
piano bastante rítmico e pontuado.
O harmónio, durante toda a ária está a dobrar a melodia e a fazer um
acompanhamento coral. De salientar que, na partitura original, o harmónio
tem um pouco mais de ritmo.
No compasso 5, o harmónio apresenta a dinâmica:“pppp”, continuando com
crescendos e diminuendos que entram em concordância no compasso 9, com
o forte do piano.
No compasso 10, o piano tem “pp” e o harmónio “pppp” algo recorrente na
peça levando à conclusão que o harmónio tem um carácter mais sublime e
menos forte que o piano, estando sempre em unanimidade nesse mesmo
aspeto.
O forte no compasso 13 faz a preparação para a modulação para SI M com
um “ppp” súbito.
No compasso 19, a linha do soprano tem acentuações em cada colcheia que
nada mais é que a junção de ritmo e dinâmica com a adesão do texto:
“passus”, que dá ao ouvinte uma sensação de sofrimento dos últimos passos
e suspiros de Cristo. Seguidamente, no compasso 20 existe uma
concordância dinâmica da linha vocal e acompanhamento do piano.
Seguidamente, a soprano tem 4 vezes o mesmo texto.
O que Rossini faz, é a subida de uma terceira, dando um movimento
de continuidade e reforçando a ideia implícita do texto chegando ao forte no
compasso 29.
As indicações de " < > "( crescendo e diminuendo) dão a expressão
momentânea de não deixar desaparecer a nota.
No compasso 42 passa novamente para a tonalidade inicial, havendo a
preparação prévia das duas últimas colcheias da soprano. Existe uma
acentuação no piano e harmónio havendo um decrescendo para o compasso
44.
No compasso 46 e 48 existe outra acentuação no 2º tempo da soprano, dando
a ideia das chagas cravadas na mão de Cristo, com o texto: “Et sepultus est”.
No compasso 49, a nota da soprano dá a ideia de algo difícil de alcançar, já
que a nota faz parte da zona de passagem *(1) da tessitura de soprano, o que
gera alguns problemas técnicos a nível vocal, correspondendo à letra: “est”.
Tendo o acompanhamento do piano a indicação de “morrendo”, acabando no
compasso 51.
Por fim, podemos concluir que existe homofonia quanto à textura desta ária.

*(1)- Transição da zona média para a zona grave, onde é exigido à cantora igual
homogeneidade vocal