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Mestrado em Psicologia da Educação

Psicologia Vocacional
2.º Semestre
2018/2019

Aconselhamento de Carreira – Um Jovem-Adulto Imigrante

Discentes
Duarte Tavares, 43330

Docente
Professor Paulo Cardoso

Data de entrega
07 de junho de 2019
1

Índice

Fundamentação Teórica ............................................................................................. 2


Aconselhamento de Construção de Carreira ............................................................. 8
Identificação do Entrevistado ................................................................................. 8
Interpretação da Entrevista de Construção de Carreira – Sessão 1...................... 8
Em que lhe posso ser útil? ................................................................................... 8
Quem admirava quando era criança? ................................................................. 9
Regularmente lê Revistas, vê Televisão ou consulta Sites de Internet? ............ 10
Qual o seu livro ou filme favorito? .................................................................... 11
Qual é o seu lema de vida? ................................................................................. 12
Quais as suas primeiras memórias? .................................................................. 12
Conceptualização e Elaboração do Projeto de Vida – Sessão 2 ........................... 13
Conclusão/ Reflexão Crítica ..................................................................................... 16
Referências ................................................................................................................ 17
2

Fundamentação Teórica
A Psicologia Vocacional compreende-se como uma especialidade da Psicologia
Aplicada que visa o enfoque no estudo científico de conceitos fundamentais como a
escolha vocacional, o comportamento e desenvolvimento vocacional, tendo em
consideração a sua compreensão, fundamentação e intervenções nesta área (Cardoso,
2019a). A psicologia vocacional visa entre outras coisas, a orientação vocacional
(Cardoso, 2019a), que se compreende como um processo pessoal e social de
desenvolvimento do indivíduo ao longo do ciclo de vida.
A realidade atual manifesta uma instabilidade sobre as carreiras profissionais, o
que provoca uma insegurança acerca do futuro nos indivíduos (Barros, 2010), na medida
em que as profissões que anteriormente se apresentavam como seguras – i.e., que o
indivíduo percecionava uma estabilidade sobre a sua profissão -, atualmente apresentam
uma incerteza quanto à estabilidade (Savickas, 2007, citado por Di Fabio & Maree, 2011),
uma vez que as organizações, de modo gradual, recorrem cada vez mais a contratos
temporários, por contrato (p.e., de seis meses), part-time e/ou autoemprego (Cardoso,
2019b).
A evolução das Eras que, consequentemente, provocou as mudanças contextuais
conduziram à necessidade de ao longo dos anos reajustar as teorias que foram
desenvolvidas, de modo a proporcionar um apoio adequado aos jovens e também aos
adultos – i.e., auxiliar na transição entre escola-trabalho e, auxiliar no autoconhecimento
das suas competências para a aquisição de uma nova profissão ou aperfeiçoamento de
competências, respetivamente (Schultheiss & Esbroeck, 2009).

Evolução Histórica das Teorias de Orientação Vocacional


No século XX, começaram a surgir trabalhos no âmbito da Orientação
Vocacional, primordialmente o trabalho de Frank Parsons, que se tornou célebre através
do seu livro Choosing a Vocation, a sua perspetiva incidia sobre a dimensão traço-fator.
Desta forma, para Parsons a escolha vocacional integrava uma dimensão de traço na
medida em que é necessário um autoconhecimento acerca das aptidões, interesses, traços
de personalidades e/ou aspirações do indivíduo, enquanto por outro lado integrava uma
dimensão de fator na medida em que o indivíduo deveria estar informado acerca do
mercado de trabalho, i.e., quais as opções mais realísticas de profissão face às suas
competencias. Em suma, a tomada de decisão visava a escolha de uma profissão após o
término dos estudos, contudo esta perspetiva apresentava limitações uma vez que, o papel
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do psicólogo se resumia a informar e auxiliar na tomada de decisão (Caeiro, 1977;


Ribeiro, & Uvaldo, 2007).
A prática e a teoria supracitadas, apresentavam discordâncias entre autores e,
principalmente do autor Donald Super, que apresentou algumas limitações ao modelo de
Parsons, nomeadamente: 1) a definição da escolha como uma preferência do indivíduo;
2) a distinção entre o processo de escolha, que se compreende como a prevalência que
ocorre até à entrada numa profissão e, o processo de ajustamento, que se manifesta na
predominância que ocorre na entada do mundo laboral; e, por fim, 3) a ausência de
descrição do compromisso gradual que ocorre entre os fatores pessoais e contextuais da
escolha – i.e., Parsons não considerava a influência do processo de maturação intelectual,
emocional e social que o indivíduo atravessa na fase de mudança de carreira (p.e., de
estudante para trabalhador) (Caeiro, 1977).
Assim, foi desenvolvida a Teoria do Ciclo de Vida/Espaço de vida, em que o autor
Super efetua a substituição de escolha vocacional por desenvolvimento vocacional, uma
vez que este novo conceito abrange um sentido mais amplo e, apresenta-se interligado
com as preferências, interesses, escolha, entrada e ajustamento do indivíduo (Caeiro,
1977). Para além disso, considerou que o desenvolvimento vocacional é um processo que
ocorre ao longo da vida, uma vez que o indivíduo apresenta comportamentos diferentes
em relação à profissão, este desenvolvimento pode justificar-se por experienciar diversos
estádios, que integram a vida do indivíduo desde o momento da sua infância até ao
momento da sua reforma (Caeiro, 1997).
O primeiro estádio diz respeito ao Crescimento, e ocorre entre os 0-13 anos,
observa-se que ocorre um desenvolvimento do autoconceito através da identificação com
modelos significativos – nomeadamente, familiares -, apesar de inicialmente as escolhas
apresentarem um caráter de fantasia, é neste período que a criança adquire e desenvolve
os seus comportamentos e atitudes imprescindíveis ao processo de desenvolvimento de
carreira. O segundo estádio visa a Exploração, e ocorre entre os 14-24 anos, compreende-
se um processo de exploração de si próprio e do mundo laboral, na medida em que o
jovem procura informações sobre as profissões existentes e, também experiencia
atividades exploratórias neste âmbito – ou seja, esta fase permite ao indivíduo conhecer
qual o tipo de profissão que pode vir a exercer. O Estabelecimento – terceiro estádio –
ocorre entre os 25-45 anos, em que o indivíduo após realizar o processo de exploração e
concluir a sua formação, estes proporcionam-lhe a aquisição de uma profissão que
procura manter através do desenvolvimento e aperfeiçoamento das suas competências. O
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quarto estádio compreende a Manutenção, que ocorre entre os 46-65 anos, em que o
indivíduo efetua uma redefinição do seu autoconceito a nível profissional e continuidade
dos benefícios face a entrada de indivíduos jovens no mercado de trabalho – i.e., ocorre
uma alteração profissional, de estagnação para aperfeiçoamento, que visa colmatar os
primeiros sinais de envelhecimento do indivíduo. Por fim, o Declínio compreende-se
como o último estádio, que ocorre a partir dos 65 anos, em que se observa uma redução
de produtividade devido a deterioração das competências físicas e/ou cognitivas, em que
o idoso adquire a identificação de reformado – i.e., processo de um novo autoconceito
que visa o papel de não trabalhador (Caeiro, 1977; Cardoso, 2019c).
Esta teoria, integra ainda as tarefas de desenvolvimento que se caraterizam pelas
tarefas com que o indivíduo se confronta num determinado período da sua vida, sendo
que originam através das expetativas de que membros de um grupo social manifestem um
desenvolvimento no comportamento vocacional hierárquico, em que primeiro ocorre uma
preparação para o trabalho e, posteriormente, o indivíduo realize as atividades propostas
no trabalho (Caeiro, 1977). Estas tarefas de desenvolvimento integram-se em três dos
cinco estádios supracitados, nomeadamente: na exploração onde ocorrem tarefas como a
cristalização, especificação e implementação; no estabelecimento ocorrem tarefas de
estabilização e a evolução; e, por último na manutenção que ocorrem tarefas como
manutenção/estagnação, atualização e a inovação (Cardoso, 2019c).
Por fim, Super integra na sua teoria o conceito de maturidade vocacional que se
traduz no grau de preparação para resolver as tarefas respeitantes ao estádio em que o
indivíduo se encontra, as quais resultam do desenvolvimento biológico, social e das
expetativas sociais dessa fase; constituída por cinco etapas nomeadamente: 1)
planeamento de carreira; 2) exploração de carreira; 3) informação; 4) tomada de decisão;
e, por fim, 5) realismo (Caeiro, 1977; Cardoso, 2019c).
Surgiu a necessidade de se desenvolver uma teoria que permitisse observar o
desenvolvimento da carreira através da interligação da carreira com a adaptabilidade e a
personalidade do indivíduo, na medida em se considerassem os efeitos ao nível contextual
e, ainda, que se considerasse uma influência recíproca entre os indivíduos (Savickas,
2002). Neste sentido, o autor Savickas com base na teoria de Super concetualiza uma
nova teoria – a Teoria da Construção de Carreira – que apresenta uma perspetiva
construtiva e maturativa do desenvolvimento ao longo do ciclo de vida, i.e., fornece ao
indivíduo um conjunto de processos de comportamento vocacional e ajustamento, que lhe
proporcionam uma construção de si mesmo – i.e., o autoconceito do indivíduo
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desenvolve-se e é adaptável, tendo atenção que é unicamente um construto pessoal do


indivíduo (Savickas, 1995; Savickas, 2002).
O desenvolvimento de carreira visa o comportamento vocacional enquanto um
processo que ocorre ao longo do ciclo da vida bem como nos diferentes papéis
desempenhados, estes integram e são influenciados por fatores psicológicos,
sociológicos, económicos e/ou sociais. E, seguidamente, o comportamento vocacional
compreende-se pelos comportamentos de facilitação aquando da tomada de decisão e do
ajustamento à carreira - p.e., planear e explorar a carreira, tomada de decisão,
autoconhecimento, adaptabilidade, empregabilidade, entre outros (Cardoso, 2019a).
Considera-se ainda, que a educação de carreira permite que o desenvolvimento
vocacional se torne num processo educativo, que proporciona o desenvolvimento de
competências, bem como o autoconhecimento do indivíduo (Cardoso, 2019a).
Existe um contraste entre as teorias dos autores Super e Savickas, na medida em
que o conceito de maturidade substitui-se por adaptabilidade, que compreende o construto
psicossocial relativo à prontidão para lidar com iminentes e atuais tarefas de
desenvolvimento, transições pessoais e/ou traumas pessoais – sendo que esta iniciativa
depende dos recursos disponíveis e das estratégias individuais adotadas (Cardoso, 2019c).
A adaptabilidade integra quatro dimensões, nomeadamente: 1) a preocupação, em
que existe uma valorização da necessidade de preparar o futuro; 2) o controlo de carreira,
permite ao indivíduo perspetivar-se como sendo responsável e agente do seu percurso de
carreira; 3) a curiosidade, compreende a exploração dos possíveis selfs e dos cenários
futuros; e, por último, 4) a confiança, i.e., a autoeficácia e as expetativas positivas dos
resultado quanto à concretização das suas aspirações (Savickas, 1995; Cardoso, 2019e).
O Modelo Integrativo da Personalidade de McAdams, compreende-se como a
segunda base da presente teoria; assim, a personalidade traduz-se na singularidade da
construção evolutiva da natureza humana, que se expressa num padrão em
desenvolvimento que abrange os traços disposicionais, as caraterísticas adaptativas, e as
narrativas do indivíduo numa cultura e num contexto (Cardoso, 2019d).
Os traços disposicionais influenciam a forma típica do indivíduo estar e
experienciar, independentemente da situação - p.e., o modelo Big Five. A dimensão
estrutural proporciona ao indivíduo, enquanto ator social, para expressar de forma
contínua o seu comportamento e as suas emoções. Não obstante, a apresentação de uma
dimensão contextualizada, permite a observação da necessidade do indivíduo adotar um
estilo adaptativo e, ainda de se envolver no contexto social. Por outro, as caraterísticas
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adaptativas, identificam-se como padrões específicos do comportamento e, que sofrem


uma influência das dimensões de traço e, ainda pela especificidade contextual. Desta
forma, pode salientar-se que se apresenta uma expressão ao nível das dimensões que se
relacionam com o desenvolvimento, às motivações, e às cognições do indivíduo que
permitem a adaptação ao contexto social em que se encontra - p.e., necessidade objetivos,
interesses, valores, entre outros (Cardoso, 2019d).
A identidade narrativa particulariza-se por uma narrativa interna e dinâmica que
o indivíduo constrói para dar sentido e significado à sua vida – tanto pessoal como
profissional. Desta forma, no aconselhamento a narrativa da carreira compreende-se
como a notável narrativa que envolve o ciclo de vida do indivíduo, que se apresenta
estruturada com base nos temas de vida, que visam a formulação do problema central na
vida do indivíduo e as formas como o procura solucionar – i.e., a solução compreende a
consciencialização da tríade entre necessidades, objetivos e interesses (Savickas, 1995;
Cardoso, 2019d).
As necessidades apresentam-se subjacentes à identidade narrativa, na medida em
que se podem observar cinco tipos: 1) sobrevivência, o trabalho proporciona os meios
para obtenção dos bens e serviços essenciais – p.e., alimentação, vestuário e abrigo; 2)
poder, o acesso aos recursos que permitem resolver as necessidades de sobrevivência são
a base para a resolução de necessidades de poder; 3) autonomia, a experiência de livre
vontade sem muita regulação ou controlo externo; 4) competência, ser capaz ou poder
aprender as tarefas pertinentes de determinado trabalho que proporciona sentimentos de
sucesso e mestria; e, por último, 5) relações, visa estabelecer relações significativas - p.e.,
sentimento de pertença, de segurança, de valorização (Cardoso, 2019e).
No âmbito dos interesses, que se caraterizam por gostos e/ou preferências por
objetos, atividades, acontecimentos e/ou tarefas, Savickas baseou-se na Teoria Tipológica
de Holland para compreender a personalidade. Surge o conceito de personalidade
vocacional que se carateriza pelas competências, necessidades, interesses e valores do
indivíduo relativos à carreira – estes expressam-se em diferentes papéis da carreira, até
mesmo antes de se iniciar uma atividade profissional. Os tipos de personalidade têm como
sigla primordial RIASEC, que especificamente se traduz por: 1) Realista, o indivíduo que
faz, nomeadamente diz respeito a trabalhos manuais; 2) Intelectual, o indivíduo que
pensa, ou seja, tem um caráter de investigação que conduz a áreas como biologia,
matemática, entre outros; 3) Artístico, carateriza-se pelo indivíduo que tem um caráter
criativo, sendo que recorre à arte e à liberdade primordialmente, através de materiais
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físicos, verbais e/ou humanos; 4) Social, carateriza-se pelo indivíduo que ajuda os outros,
através da informação, desenvolvimento e do cuidar; 5) Empreendedor, este compreende-
se pelo indivíduo que influencia, tem como base a manipulação para o alcance de
objetivos, tanto de cariz organizacional como económico; e, por fim, 6) Convencional,
caraterizasse pelo indivíduo que organiza, existe uma necessidade de tudo estar numa
ordem ou estar planeado (Cardoso, 2019d).
Em síntese, Savickas através da Teoria de Construção de Carreira coloca o
comportamento vocacional numa conceção integrativa do funcionamento humano (e não
de desenvolvimento como Super), ou seja, integra a perspetiva diferencial (tipos de
personalidade vocacional), a perspetiva de desenvolvimento (adaptabilidade) e a
perspetiva dinâmica (temas de vida) que correspondem ao quê, como e porquê do
comportamento vocacional. A personalidade vocacional (competências, necessidades,
interesses e valores relativos à carreira), antes de se expressar na atividade profissional,
expressa-se nos diferentes papéis de carreira – RIASEC, referente a Teoria Tipológica de
Holland (Cardoso, 2019f).
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Aconselhamento de Construção de Carreira


Identificação do Entrevistado
Primeiramente, o entrevistador realizou um procedimento de recrutamento e
seleção, onde procurou indivíduos que apresentassem um problema e/ou dúvidas quanto
ao seu nível de carreira. Esta procura ocorreu, por conveniência no meio académico –
universidade -, uma vez que os indivíduos são considerados jovem-adultos e podem
apresentar incertezas quanto ao curso que frequentam.
O entrevistado, Manuel (nome fictício com intuito de manter o anonimato do
indivíduo), tem 20 anos e é de nacionalidade romena – sendo que imigrou entre os 5-6
anos de idade. É aluno do curso de Psicologia (licenciatura), porém este não era o curso
no qual pretendia ingressar, dado que o seu interesse e as opções escolhidas aquando da
inscrição da universidade apresentavam-se direcionadas para a área de Direito – i.e.,
Psicologia foi a sexta e última opção. Reside com os seus pais e irmão, contudo durante
o período escolar apresenta-se a residir noutra cidade – i.e., passa a semana no local de
estudo, e aos fins-de-semana regressa sempre a casa.
Por fim, em contato com o indivíduo procurou-se saber de forma geral se
apresenta algum problema ao nível da carreira e, posteriormente, explicitou-se que a
entrevista iria incidir sobre a sua vida pessoal e acontecimentos significativos de modo a
compreender a influencia destes na sua carreira. O entrevistado apresentou um interesse
particular, tanto pela experiência da entrevista em si como pelas possíveis reflexões –
uma vez que lhe foi explicado previamente que não se iriam realizar todas as sessões e,
concluir o aconselhamento vocacional por motivos de o entrevistador não estar preparado
profissionalmente.

Interpretação da Entrevista de Construção de Carreira – Sessão 1


Em que lhe posso ser útil?
Primeiramente, no início da sessão o entrevistador explicou ao entrevistado que
toda a informação partilhada teria um caráter de confidencialidade e anonimato, sendo
que esta iria ser utilizada unicamente para fins académicos e, sem exposição da sua
identidade. Para além disso, pediu-se verbalmente o consentimento do entrevistado para
gravar a entrevista, para posterior análise – gravação de áudio. Seguidamente, o
entrevistador estabeleceu um ambiente agradável onde procurou transmitir segurança
e/ou confiança.
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Realizou-se a primeira questão que consiste em compreender o problema do


indivíduo – “Em que lhe posso ser útil?”. O entrevistado começou por responder que
frequenta atualmente o curso de Psicologia, porém não era nesta área que pretendia
ingressar, e que não tem intenção de exercer uma profissão associada à Psicologia. Deste
modo, procurou-se compreender se aquando da inscrição na universidade, se o Manuel
tinha outras opções de escolha, ao que este apresentou um interesse significativo pela área
de Direito - observou-se que tinha um grande interesse, preferência e/ou gosto por exercer
a profissão de advogado.
O entrevistador tentou compreender o porquê de Manuel não seguir este curso, e
este explicitou que não está a frequentar o curso de Direito porque não entrou em
nenhuma das opções às quais se candidatou, exceto a sua sexta e última opção -
Psicologia. Desta forma, surgiu a questão de porquê a decisão de frequentar efetivamente
este curso, ao que o entrevistado respondeu que foi para não desiludir o seu pai, na medida
em que o seu irmão já estava a frequentar um curso universitário, e que ao não entrar na
universidade poderia desapontar a sua família, principalmente, o seu pai e a si próprio.
Por fim, o entrevistador questionou qual o seu objetivo ao realizar este curso e, se
o pretende concluir, o entrevistado elucidou ao explicitar que pretende terminar, contudo
o seu objetivo final é entrar para a academia da Polícia Judiciária (PJ) e, trabalhar na parte
dos homicídios.

Quem admirava quando era criança?


De seguida, pediu-se ao Manuel que identificasse três heróis no período da sua
infância, nomeadamente entre os 6-8 anos e, que descreve essas pessoas/personagens bem
como caraterísticas que as definem.
Primeiramente, disse que admirava Ștefan cel Mare – em português Estêvão, o
Grande – que diz respeito a uma figura histórica importante nos países de Leste. O
entrevistado recorda que no período entre os seus 6-8 anos se falava muito deste homem
na televisão, sendo que houve algum acontecimento neste período de tempo que fez
ressaltar esta personagem. De seguida, o Manuel especificou as caraterísticas que lhe
ressaltam nesta figura, nomeadamente, o facto de ser um líder, de ser carismático, e de
ser patriota na medida em que “amava e lutou muito pelo seu povo”. É necessário
salientar, que o entrevistador denotou uma determinada sensibilidade e fascínio através
da comunicação não verbal, quando o Manuel identificou a caraterística patriota.
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Seguidamente, identificou o Batman como um dos três heróis que idolatrava na


sua infância – “foi a personagem que me marcou mais”. Batman é uma personagem
fictícia, que na sua infância assistiu ao assassinato dos seus pais, o que o impulsionou a
vingar a morte dos seus pais, desta forma o entrevistado define-o como justiceiro – i.e.,
caraterística de justiça -, na medida em que procura a justiça não só pela sua família, mas
por todos os cidadãos inocentes. Para além disso, ressalta que esta personagem “não
contava com ninguém, apenas com ele próprio”, de modo a compreender o que esta frase
significava o entrevistador questionou Manuel, ao que este explicitou que num mundo
de super-heróis o Batman é o único que não apresentava nenhum superpoder, ou seja, que
combatia o mal através das suas competências intelectuais e físicas – assim, caraterizou-
o como intelectual, habilidoso, persuasivo e eloquente (nesta última caraterística, o
entrevistado explicou que para si este conceito entende-se por uma pessoa que apresenta
um competência elevada na oratória).
Por fim, o Manuel define o seu tio como um dos seus heróis, principalmente por
este ser uma figura presente ao longo do seu crescimento e desenvolvimento. Inicialmente
explicou que o seu tio era padre na Igreja Ortodoxa, e que nesta prática religiosa é
permitido que os padres contraiam o matrimónio, sendo que o seu tio é casado. Desta
forma, definiu o seu tio através de caraterísticas como “boa pessoa, bondoso, leal”, e
ressalta também a sua devoção à família sendo que o educava no campo intelectual (p.e.,
ensinou-lhe a distinção entre o bem e mal, entre muitas outras coisas), que um dos aspetos
que mais admirava no seu tio era o seu sentido de humor.

Regularmente lê Revistas, vê Televisão ou consulta Sites de Internet?


Após a compreensão dos heróis do Manuel, prosseguiu-se para a identificação dos
seus interesses – nomeadamente, através de revistas/jornais, programas televisivos e sites
de Internet. O objetivo desta questão é compreender quais são as áreas dentro destes
recursos que despertam interesse no Manuel.
Primeiramente, salientou o facto de não ler revista de qualquer tipo de temática.
Contudo, Manuel identificou que lia um jornal – nomeadamente, o Record -, este jornal
diz respeito a área do desporto. No decorrer, questionou-se Manuel para compreender
quais eram as notícias que que despertam a sua atenção, que compreendem: 1) o futebol,
em geral; 2) o basquetebol, exclusivamente nas notícias sobre a principal liga de basquete
Norte-Americana, nomeadamente, NBA (National Basketball Association); e, por fim, 3)
as artes marciais, mais propriamente a UFC (Ultimate Fighting Championship).
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Em segundo lugar, o Manuel questionou-se se poderia considerar uma série


quanto aos programas televisivos, ao que o entrevistador concordou que poderia
considerar se realmente não assistisse a qualquer outro. Desta forma, o Manuel identificou
Spartacus como a sua série preferida e, que ainda costuma rever episódios. O entrevistado
explicita que esta série se situa num período histórico de Roma, que integra gladiadores
– “um período política e economicamente difícil, em que homens eram feitos escravos e
tinham que lutar na arena para mero entretenimento do público romano, contra pessoas
ou animais”. Compreende-se que o indivíduo considera que esta série tem uma
argumentação muito boa, uma excelente produção e, que tem um especial interesse nesta
época histórica (p.e., a arquitetura presente).
Em último, perguntou-se ao entrevistado se este consultava sites de Internet, ao
que o seu parecer foi positivo e, de seguida, pediu-se para identificar quais e, qual o seu
interesse nestes. O Al-Jazeera foi o primeiro site que mencionou, que diz respeito a
notícias mundiais, evidenciou que os seus interesses se centram principalmente nas
questões políticas, crises humanas (p.e., imigração e situações de crise/guerra noutros
países). O entrevistado, perguntou se poderia ainda abordar outro site que consulta
frequentemente, nomeadamente o Rotten Tomatoes que compreende um site de
classificação de filmes e séries – o Manuel, ainda revelou ao explicar o site que os seus
interesses ao nível cinematográfico compreende maioritariamente as categorias de drama,
ação e thriller/suspense -, desta forma o entrevistado revela que o seu interesse neste site
diz respeito ao custo de produção de filmes e, ainda, de o retorno desse investimento.

Qual o seu livro ou filme favorito?


Seguidamente, questionou-se o entrevistado sobre o seu livro ou filme favorito,
uma vez que o tema de vida de Manuel se pode interpretar através de uma história que se
apresente significativa. Assim, começou por destacar o filme In Bruges no seu variado
leque de filmes visualizados, sendo que começou por descrever a história e qual a sua
personagem favorita, nomeadamente – “É um filme sobre dois assassínios, em que num
assalto Ray mata acidentalmente uma criança. Ray é a minha personagem favorita,
porque é engraçado, vive atormentado com a morte da criança. Para além disso,
simultaneamente ao longo do filme ele quer-se matar, e existem pessoas atrás dele a
querer matá-lo”. Ao questionar o Manuel sobre a mensagem que interpretou do filme,
este não conseguiu identificar nenhuma, dizendo apenas que era entretenimento – i.e.,
trata-se de um filme de comédia negra.
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Após a exposição do filme e, principalmente da mensagem, observou-se que o


entrevistado apresentava uma necessidade de identificar outro filme que o marcou,
perguntando ao entrevistador se era possível. Ao perceber-se a presenta situação, o
entrevistado compreendeu que de alguma forma o entrevistado estava incomodado por
não conseguir identificar uma mensagem no filme e, consentiu a descrição de outro filme
ou livro.
Seguidamente, o Manuel identificou de imediato o filme Good Will Hunting, que
retrata a história de um jovem que é contínuo na universidade do MIT e, vai revelando as
suas extraordinárias competências na área da Matemática até que um professor da
instituição o chama para trabalhar no seu departamento, porém exige que o jovem
frequente sessões com um psicólogo devido aos comportamentos antissociais e/ou
delinquentes. E, mais tarde, esta personagem vê-se confrontada com uma importante
decisão, nomeadamente uma dualidade: 1) ficar na universidade e desenvolver a sua
carreira e 2) ir para outro país com a sua amada. Por fim, quando questionado sobre a
mensagem, o entrevistado revela que se identifica com a personagem principal na medida
em que considera que as suas competências são subaproveitadas.

Qual é o seu lema de vida?


Quanto a pergunta “Qual é o seu lema de vida?” que se compreende como um
aviso e/ou terapia para si próprio, o entrevistado respondeu “A sorte protege os audazes”.
O Manuel considera que as pessoas que não arriscam vivem reféns do medo e,
consequentemente, isso revela-se no facto de se apresentarem estagnadas na vida, seja no
contexto profissional, familiar, social, entre outros. Desta forma, compreende-se que o
impacto da frase na vida de Manuel se apresenta ao nível de este arriscar, sendo que ele
próprio cria oportunidades bem como estas naturalmente surgem no seu caminho –
“Gosto de arriscar e, por norma, saiu-me sempre bem. Se não arriscar fico sempre na
dúvida acerca do resultado final, e não gosto dessa sensação […] Audaz, para mim é
uma pessoa que arrisca nomeadamente, aproveita, procura e/ou cria as oportunidades”.

Quais as suas primeiras memórias?


Para finalizar a sessão, a questão pretendia compreender quais os três episódios
e/ou acontecimentos que se destacavam na primeira infância, nomeadamente no período
entre os 3-6 anos de idade. O entrevistado pediu um pouco de tempo para pensar, ao que
lhe foi proporcionado um espaço seguro e de silêncio, para que pudesse refletir.
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O primeiro episódio que o Manuel descreveu contempla “A sua experiência


escolar em Portugal” em que tinha 7 anos, este recordou que no primeiro dia de aulas não
tinha uma proficiência linguística no idioma português e, que no decorrer de dois meses
já compreendia e falava fluentemente português, o que se refletiu na sua avaliação escolar.
No entanto, e apesar do seu esforço, para se integrar, não se sentiu incluído pelos colegas
– “na altura não entendia muito bem, mas quando eles iam jogar à bola nunca me
convidavam”.
O segundo episódio diz respeito “Passeio e fuga do seu cão” que ocorreu quando
Manuel tinha 5 anos. Recordou que decidiu ir passear sozinho com o cão (nomeadamente,
um pastor alemão de porte grande), sem o acompanhamento de nenhum adulto, nesse
passeio o cão não estava com trela e acabou por fugir. Mais tarde, o Manuel e o seu irmão
tiveram que explicar o sucedido ao seu pai, que manifestou um sentimento de desilusão
para com os filhos, e acusou-os de serem irresponsáveis. Este episodio causou-lhe muita
tristeza e angústia, até o cão retornar a casa.
O terceiro episódio refere-se a um acontecimento a que assistiu no trabalho do pai
– “Desentendimento no trabalho” -, recordou que um colega de trabalho do seu pai, de
nacionalidade romena, foi maltratado ao nível verbal pelo patrão, também este romeno.
Naquela época, o Manuel não compreendeu a dimensão da situação, porém mais tarde
considerou esta situação perturbante e/ou revoltante, na medida em que considera que os
imigrantes se devem proteger uns aos outros.

Conceptualização e Elaboração do Projeto de Vida – Sessão 2


A primeira sessão contribui para coletar informação através da narrativa do
indivíduo acerca das suas histórias de infância e modelos significativos, dos seus
interesses e objetivos. As histórias de infância manifestam uma influência significativa,
pois é através desta que se pode compreender as preocupações e/ou problemas atuais do
indivíduo, consequentemente, os modelos identificados traduzem-se pela solução, i.e.,
são um recurso cultural disponível que permite ao indivíduo construir-se a si próprio
(identidade) e ao seu plano de carreira (Cardoso, 2019, 5ª).
A segunda sessão, iniciou-se pela explicação do que seria realizado ao
entrevistado, nomeadamente que iria ter dois momentos: 1) reescrita da sua história de
vida, i.e., reflexão do Manuel acerca das suas respostas na entrevista realizada; e, 2)
elaboração de planos de carreira.
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Inicialmente, o entrevistador questionou Manuel se após a entrevista, existiu


algum momento de reflexão acerca das temáticas e/ou acontecimentos abordados, sendo
que a resposta foi positiva, na medida em que o entrevistado não tinha dado importância
a certos acontecimentos (três episódios) que aquando da entrevista se ressaltaram na sua
memória, também evidenciou o facto de nunca ter pensado até então sobre as pessoas que
admirava e quais as caraterísticas que se destacavam nesta.
Seguindo a linha da conversa, o entrevistador aproveitou para focalizar à atenção
do Manuel nos modelos significativos e, solicitou-lhe que tendo em consideração as suas
respostas na entrevista enumerasse caraterísticas em comum entre os seus três heróis,
sendo que as caraterísticas que se destacaram primordialmente foram - “Excelente humor
e persuasivo”. O entrevistado considera que uma das caraterísticas fundamentais numa
personalidade é o humor. Assim, surgiu uma necessidade de compreender se o Manuel
identifica em si próprio alguma das caraterísticas que atribuiu as pessoas que admirava –
“Considero-me uma pessoa com sentido de humor, persuasivo e também bondoso […]
Não sou habilidoso, não tenho jeito para trabalhos manuais como bricolage ou
mecânica. E também não sou patriota”. Foi notória a sua associação à bondade e vontade
de ajudar o próximo, caraterística também presente nos modelos referenciados,
nomeadamente a devoção do seu tio à família e a toda uma comunidade com crenças
comuns, o sentido de justiça e proteção do Batman para com os inocentes da sua cidade,
e a liderança e persistência de Stefan O Grande na vitória de guerras em nome do seu país
e povo.
Em contraste, noutro momento da sessão foi abordado novamente a sua
identidade, propriamente as caraterísticas com que se autoidentifica, i.e., para além das
mencionadas anteriormente, o Manuel destacou ainda caraterísticas como atraente,
inteligente, realista (i.e., na medida em que tem consciência das possíveis consequências
dos seus comportamentos, atitudes e tomadas de decisão), enfoca o facto de ser demasiado
orgulhoso sendo que não gosta de receber ajuda dos outros, exceto nos casos em que a
iniciativa parte de si próprio através de um pedido de ajuda. Ao refletir-se em conjunto,
o Manuel salientou que existe caraterísticas que gostava de alterar – “Gostava de ser
menos orgulho, e de ser capaz de me expressar mais ao nível das emoções e dos
sentimentos, porque sei que é um fator importante nas relações”.
Numa segunda instância, foi solicitado ao entrevistado que refletisse e
demonstrasse em que medida se identifica com os filmes favoritos. Primeiramente, o
Manuel recordou que o filme de In Bruges para além de tratar de uma comédia negra,
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aborda uma temática de ação criminosa, revelando uma vez mais no crime generalizado
e o seu sentido de humor – “Agora refletindo sobre o filme, vejo que o meu único interesse
não era apenas o entretenimento, mas também a situação do crime, de como ocorreu e
como era possível a polícia solucioná-lo”, aqui pode compreender-se novamente o
interesse pela carreira policial e resolver crimes e/ou mistérios, em simultâneo ajuda as
pessoas. Quando o entrevistador o questionou sobre a sua necessidade na entrevista de
abordar outro filme, compreendeu-se que na altura o Manuel não entendeu a sua
necessidade de abordar o filme supracitado – que agora foi explicitado o motivo -, assim,
pediu-se de seguida que explicasse o porquê de escolher o filme Good Will Hunting, ao
que o entrevistado demonstrou através de uma reflexão rápida que se identifica com o
protagonista, na medida em que reconhece que tem um grande potencial, contudo não
aproveita o seu potencial por estar num curso que não lhe desperta interesse – “Sei que
tenho competências elevadas e um grande potencial, mas por estar neste curso em que
não tenho interesse, acabo por não me esforço e trabalhar, o que me leva a obter
resultados medíocres”.
Quanto aos seus interesses, Manuel refletiu e teve em consideração a entrevista de
uma forma holística, sendo que relatou que os seus interesses se apresentam congruentes
com determinados pormenores que abordou noutras perguntas. O aspeto que
irrefutavelmente se destaca, compreende-se pela área da ação, crime e suspense/mistério
que acabam por corroborar a sua curiosidade e objetivo profissional. Posteriormente, na
segunda sessão ainda se questionou o Manuel acerca “do lugar onde gostaria de estar?”,
ao que respondeu “Vejo-me a trabalhar na PJ, por ser um lugar onde não sou obrigado
a trabalhar com muitas pessoas, posso ter um horário flexível e, principalmente, porque
posso desvendar crimes como nos filmes e séries”.
De forma a concluir, pediu-se ao entrevistado que explicitasse qual o seu plano de
carreira tendo em consideração a entrevista realizada e a reflexão sobre a mesma, o
Manuel apresentou uma resposta rápida “o meu plano, ou objetivo, é acabar este curso
(Psicologia) para puder fazer os exames para entrar na PJ, como já sabia e agora este
aconselhamento veio ajudar-me a clarificar mais determinados aspetos, o meu interesse
está muito incidido sobre a área policial, e ajudar os outros, já que não o pude fazer
através do curso de Direito”.
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Conclusão/ Reflexão Crítica


O aconselhamento de construção de carreira permite ao psicólogo aplicar uma
entrevista desenvolvida por Savickas no âmbito de uma intervenção vocacional, esta
prática visa auxiliar o indivíduo na exploração e planeamento da sua carreira, as sessões
podem variar consoante o problema explicitado. Uma vez que se está perante uma
intervenção, é necessário que o psicólogo apresente domínio sobre o conhecimento da
teoria, da entrevista e, também, das fases que se desenvolvem ao longo das sessões.
A aplicação desta entrevista manifestou-se um processo complexo para o
entrevistador, na medida em que apesar de ter acesso às perguntas necessárias para
concetualização e elaboração de um plano de carreira, as limitações sentidas
apresentaram-se sobre a forma como questionar o entrevistado, após a resposta deste à
pergunta pré-estabelecida, o entrevistador apresentou em alguns momentos dificuldades
para dar continuidade a exploração da resposta – i.e., quando o entrevistado mencionava
diversos aspetos, o entrevistador apresentou dificuldades em questionar uma pergunta
geral que engloba tudo e, ainda, em distinguir quais os aspetos cruciais ou irrelevantes
que o entrevistado poderia estar a mencionar – e, ainda o facto de as perguntas exigirem
determinado limite de exemplos e, o Manuel demonstrar sempre uma necessidade de dar
mais um exemplo para além do que era pedido – neste caso, o entrevistado procurou
compreender se esta necessidade era pertinente ou não e, posteriormente, consentia ou
não através da justificação do indivíduo. Quanto à concetualização do projeto de vida,
que visa a análise reflexiva em conjunto com o entrevistado evidenciou uma prática ao
entrevistador de maior controlo, onde apenas questionava Manuel sobre as suas respostas
e, proporcionava tempo a este para refletir sobre às mesmas.
Por fim, quanto ao estudo de caso presente, é necessário salientar que apesar de o
indivíduo por um lado apresentar um problema – não estar a frequentar o curso que
inicialmente queria – observa-se que após essa situação, o Manuel criou um novo objetivo
face aos recursos disponíveis. A entrevista não explorou muito o interesse de Manuel pela
área de Direito, como ele referenciou num primeiro momento; porém, evidenciou-se de
forma significativa que a sua narrativa e temas de vida se enquadram fortemente no
objetivo que criou, após a entrada no curso de Psicologia. Salienta-se, ainda, que por
forma a concluir o aconselhamento de carreira se deviam realizar mais sessões de forma
a compreender determinados aspetos que não foram explorados.
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