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OBSERVAÇÕES INICIAIS

O presente material foi preparado pela Equipe Mege imediatamente após a


divulgação do gabarito preliminar da prova objetiva do TJ-PR. O intuito é auxiliar nossos
alunos e seguidores na elaboração de recursos e possibilitar também a revisão de temas
cobrados no certame em formato conclusivo. Trata-se de versão preliminar elaborada
com as finalidades informadas e concluída por nosso time específico para 1ª fase de
magistratura estadual, sem maiores pretensões de aprofundamento e trabalho editorial
neste momento de apoio.
Nas questões que identificamos como antecipadas consideramos apenas o
conteúdo da turma de reta final TJ-PR, não sendo listadas nesta abordagem, diante do
curto tempo (com foco maior em ajudar na via recursal e análise de maior ou menor
chance de aprovação), as produções das Turmas Regulares e Extensivas de Magistratura
Estadual (que visam um edital completo de magistratura) e Mege Informativos.
Agradecemos os comentários de reconhecimento pelo trabalho elaborado
recebidos de nossos alunos em redes sociais, e-mails e mensagens na área do aluno. De
fato, novamente, foi cumprido o compromisso de revisão e treinamento no formato
apresentado pela prova oficial. Temos certeza que será, como sempre, uma invasão de
megeanos na segunda fase (com corte estimado em 78 pontos, sem as anulações).
Guardem esta informação!
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Identificamos nas fundamentações as questões que entendemos passíveis de
anulação (destaque para 9 situações: 37, 40, 43, 44, 45, 47, 49, 61 e 91). Com isso, o
candidato poderá vislumbrar a possibilidade de um aumento em sua nota final. Em
nossa experiência, constatamos um parâmetro de que a cada 2 (duas) questões
anuladas a pontuação oficial de corte aumenta em 1 (um) ponto. Essa dica deve seguir
como norte para definição de maiores chances de avanço no certame.
Aos alunos do TJ-PR (Reta Final), pedimos que não deixem de reler os
conteúdos das rodadas com temas antecipados na prova. A melhor fixação será
importante nos próximos desafios. Como perceberam, o estudo em sprint final foi
revertido em pontos decisivos. Sempre acreditamos muito que, com o devido foco, é
possível evoluir mesmo em menor prazo. Portanto, eis aqui o nosso extrato de
conferência de pontuação com os devidos apontamentos! O respeito ao concurseiro
demanda transparência de informações - um de nossos valores em cada atuação.
Nenhuma efetividade seria possível sem o apoio irrestrito de nosso corpo
docente, que no TJ-PR, entre materiais, simulados, videoaulas e aulão de véspera, foi
representado, com a devida especialização de atividades, pelos queridos mestres:
Rafael Maia, Arnaldo Bruno Oliveira, Flávia Martins, Guilherme Andrade, Beatriz
Fonteles, Edison Burlamaqui, Vanessa Pereira, Rafhael Nepomuceno, Raul Cabús, Jean
Vilbert, Bruno Pinto, Edison Burlamaqui, Bárbara Saraiva, Vinícius Reis, Ronald
Medeiros, Michael, Augusto Cezar, Domingos, Silvério Mota, Clarissa e Juliana.
Por fim, vale ressaltar que estamos com inscrições abertas para Turma de 2ª
fase TJ-PR, onde contaremos com videoaulas, provas autorais e focadas no estilo
esperado para o concurso, correções efetivamente personalizadas, material de apoio,
preparação verticalizada em Humanística com o professor Rosângelo Miranda e
coordenação geral do professor Luiz Otávio Rezende (Juiz do TJDFT; ex-examinador de
certames para magistratura; e autor em Sentença Cível e Sentença Penal pela Editora
Juspodivm), que será auxiliado por outros ex-examinadores de concursos públicos nas
nossas correções de atividades. Tudo pensado para auxiliar nossos alunos na
manutenção da liderança de aprovações também na 2ª fase. Turma com vagas
limitadas!
Inscrições, com preço promocional de lançamento, em:
www.mege.com.br/cursomege.

Bons estudos!
Atenciosamente,
Equipe Mege.

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SUMÁRIO

BLOCO I ............................................................................................................................. 5
DIREITO CIVIL ................................................................................................................ 5
DIREITO PROCESSUAL CIVIL ........................................................................................ 14
DIREITO DO CONSUMIDOR ......................................................................................... 25
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ................................................................. 31
BLOCO II .......................................................................................................................... 35
DIREITO PENAL ............................................................................................................ 35
DIREITO PROCESSUAL PENAL ...................................................................................... 42
DIREITO CONSTITUCIONAL ......................................................................................... 50
DIREITO ELEITORAL ..................................................................................................... 56
JUIZADOS ESPECIAIS ................................................................................................... 59
CÓDIGO DE NORMAS DA CORREGEDORIA-GERAL DA JUSTIÇA DO PARANÁ E CÓDIGO
DE ORGANIZAÇÃO E DIVISÃO JUDICIÁRIAS DO ESTADO DO PARANÁ........................ 63
BLOCO III ......................................................................................................................... 67 4
DIREITO EMPRESARIAL ............................................................................................... 67
DIREITO TRIBUTÁRIO .................................................................................................. 72
DIREITO AMBIENTAL ................................................................................................... 77
DIREITO ADMINISTRATIVO ......................................................................................... 81
BLOCO I

DIREITO CIVIL

1. Para ajudar a custear o tratamento médico de seu filho, José resolveu vender seu
próprio automóvel. Em razão da necessidade e da urgência, José estipulou, para a venda,
o montante de 35 mil reais, embora o valor real de mercado do veículo fosse de 65 mil
reais. Ao ver o anúncio, Fernando ofereceu 32 mil reais pelo automóvel, José aceitou o
valor oferecido por Fernando e formalizou o negócio jurídico de venda. Conforme o
Código Civil, essa situação configura hipótese de:

(A) dolo, podendo José pedir somente indenização por perdas e danos;
(B) lesão, podendo José pedir somente indenização por perdas e danos.
(C) dolo, sendo o negócio jurídico anulável;
(D) lesão, sendo o negócio jurídico anulável.

RESPOSTA: D
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(A) Incorreta. Como visto, não se trata de dolo e sim de lesão;

(B) Incorreta. Como vimos, nos termos do art. 171, II, CC, trata-se de negócio jurídico
anulável

(C) Incorreta, pois o dolo o dolo é o artifício malicioso de que é vítima uma das partes,
fazendo com que celebre negócio prejudicial: a vítima do dolo incorre em um erro
provocado pela outra parte ou por terceiro. Enquanto o erro é fortuito, o dolo é
provocado, pois há intenção manifesta de prejudicar. Por outro lado, na lesão, temos a
manifesta desproporção entre as prestações do negócio, impondo a uma das partes
prestação excessiva, em virtude da sua necessidade ou sua inexperiência, justamente
como é o caso da questão;

(D) Correta. Pela previsão do art. 157, c/c art. 171, II, ambos do Código Civil, estamos
diante de vício no negócio jurídico decorrente da lesão, tendo em vista que, no caso,
uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obrigou a prestação
manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta, tornando, assim,
anulável o negócio jurídico.
2. De acordo com o Código Civil, nas consignações em pagamento, o ato de depósito
efetuado pelo devedor faz cessar:

(A) os riscos e os juros da dívida; uma vez declarada a aceitação pelo credor, o depósito
não mais pode ser levantado pelo devedor;
(B) os riscos, mas os juros da dívida continuam a correr até a declaração de aceitação do
credor
(C) os riscos e os juros da dívida podendo o devedor requerer o levantamento do
depósito mesmo após a aceitação do credor;
(D) os juros da dívida e impede o levantamento do valor depositado pelo devedor até
que seja aceito ou impugnado pelo credor.

RESPOSTA: A
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A questão foi abordada na rodada 04 (Direito Civil) da turma de reta final TJ-PR.

Por se tratar de quatro assertivas que tratam, apenas, de trocar algumas palavras e
expressões trazidas pelo Código Civil, importante fazer a leitura dos dispositivos legais
que tratam desta questão, podendo-se extrair a resposta a partir da leitura dos arts. 337
e 338, ambos do Código Civil e este último através de uma leitura a contrario sensu,
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como vemos:

Art. 337. O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando, tanto que se


efetue, para o depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado
improcedente.

Art. 338. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar,
poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e
subsistindo a obrigação para todas as consequências de direito.

3. Eduardo, na qualidade de pai registral, ajuizou ação de anulação de registro de


nascimento, tendo como fundamento um exame de DNA comprobatório de ausência de
vínculo genético entre ele e o filho registrado. Nessa situação hipotética, à luz do
entendimento jurisprudencial do STJ, o magistrado deverá:

(A) considerar irrelevante o resultado do exame de DNA, uma vez que o registro de
nascimento, após formalizado, não é passível de anulação;
(B) reconhecer como nulo de pleno direito o registro de nascimento;
(C) exigir, além do exame de DNA, prova robusta de que Eduardo fora induzido a erro
ou coagido a registrar o filho de outrem como seu;
(D) considerar suficiente a comprovação da ausência de vinculo genético entre Eduardo
e o filho registrado e declarar a anulação do registro de nascimento.

RESPOSTA: C
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A questão foi expressamente abordada no aulão de véspera em Curitiba/PR.

Nos termos do Informativo 604 do STJ, não basta a prova da ausência de vínculo
biológico para fins de processamento da ação negatória de paternidade, devendo estar
demonstrada a ocorrência, também, de vício no consentimento do pai registral:

A relativização da coisa julgada estabelecida em ação de investigação de paternidade


– em que não foi possível determinar-se a efetiva existência de vínculo genético a unir
as partes – não se aplica às hipóteses em que o reconhecimento do vínculo se deu,
exclusivamente, pela recusa do investigado ou seus herdeiros em comparecer ao
laboratório para a coleta do material biológico. Na origem, trata-se de demanda
negatória de paternidade por meio da qual as autoras pretendem valer-se da
relativização da coisa julgada material formada em anterior ação investigativa, na qual,
com base em provas testemunhais, reconheceu-se o vínculo familiar entre a recorrida e
o pai das autoras (recorrentes no especial). No que diz respeito à pretensa relativização
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da coisa julgada, cabe destacar que esta Corte Superior de Justiça, em sintonia com a
orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal no RE n. 363.889-DF, Rel. Min. Dias
Toffolli, julgado em 2/6/2011, tem admitido a tese nas ações investigatórias ou
contestatórias de paternidade julgadas sem amparo em prova genética. No entanto, o
cabimento dessa excepcional orientação, no sentido da relativização da coisa julgada
estabelecida em ações de investigação de paternidade em que não foi possível
determinar-se a efetiva existência de vínculo genético a unir as partes, em decorrência
da não realização do exame de DNA, estava inscrito em um peculiar contexto em que a
impossibilidade de realização do exame decorria da ausência de condições da parte de
adimpli-lo e, ainda, da negativa de o Estado fazê-lo, ou seja, por circunstâncias
notadamente alheais à vontade das partes. A orientação, assim, não pode ter aplicação
quando a não realização da prova pericial na demanda investigatória anterior deveu-se,
exclusivamente, à recusa de uma das partes em comparecer ao laboratório para a coleta
de material biológico – no caso, a recusa dos herdeiros, entre eles as recorrentes
(herdeiras do de cujus que teve a paternidade reconhecida). Nesse cenário, não só é
viável como é plenamente escorreito o julgamento da ação investigatória com base nas
provas testemunhais colhidas, aplicada, em conjunto, à presunção juris tantum de
paternidade, nos termos do enunciado da Súmula n. 301/STJ, bem como em observância
ao art. 2º-A, parágrafo único, da Lei n. 8.560/92, não havendo como superar-se ou
relativizar-se a coisa julgada material que qualificara a sentença de procedência da
referida demanda de investigação de paternidade ajuizada pela recorrida contra o pai
das recorrentes. Ora, negando-se, a recorrente, a produzir a prova que traria certeza à
controvérsia estabelecida nos autos da anterior ação de investigação de paternidade,
não pode, agora, utilizar-se, maliciosamente, da ausência da referida prova como
fundamento para a propositura de ação negatória de paternidade e, com isso, buscar
ver alterada a decisão que lhe fora desfavorável, sob pena de incorrer em violação da
boa-fé objetiva. Diante da inaplicabilidade da conclusão a que o STF chegara quando do
julgamento, com repercussão geral reconhecida, do RE 363.889-DF à presente
controvérsia, deve-se manter a extinção da demanda negatória de paternidade com
fundamento na coisa julgada formada na anterior ação investigatória.
REsp 1.562.239-MS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, por unanimidade, julgado em
9/5/2017, DJe 16/5/2017.

4. Fábio e Eliana foram casados e tiveram um filho chamado Enzo. Após terem se
divorciado, foi determinado judicialmente que ambos teriam a guarda do menino.
Alguns meses após a separação, durante uma discussão por questões financeiras, Fábio
chamou Eliana de prostituta, por ela estar em um novo relacionamento, e a agrediu,
causando-lhe lesão corporal de natureza grave. À luz do Código Civil, é correto afirmar
que Fábio:

(A) poderá perder o poder familiar de Enzo somente se comprovado que ele agrediu
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também o menino
(B) não poderá perder o poder familiar de Enzo, somente a sua guarda
(C) não poderá perder nem o poder familiar de Enzo, nem a sua guarda
(D) poderá perder o poder familiar de Enzo por decisão judicial.

RESPOSTA: D
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A questão foi expressamente abordada no aulão de véspera em Curitiba/PR.

Mais uma vez, estamos diante de uma questão que traz uma grande similitude entre
todas as assertivas, que limitam-se a trocar algumas palavras ou expressões por outras,
mas sempre mantendo a análise do mesmo dispositivo legal para a sua fundamentação
e para encontrarmos a resposta correta. No presente caso, estamos diante da previsão
do art. 1.635, V, c/c art. 1.638, parágrafo único, I, “a”, ambos do Código Civil, alterado
recentemente pela Lei 13.715, de 2018. Pela redação dos dispositivos citados, é causa
de perda do poder familiar a agressão (lesão corporal de natureza grave) contra outra
pessoa igualmente titular do poder familiar. Vamos à leitura dos dispositivos legais:

Art. 1.635. Extingue-se o poder familiar:


I - pela morte dos pais ou do filho;
II - pela emancipação, nos termos do art. 5o, parágrafo único;
III - pela maioridade;
IV - pela adoção;
V - por decisão judicial, na forma do artigo 1.638.

Art. 1.638. Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que:
I - castigar imoderadamente o filho;
II - deixar o filho em abandono;
III - praticar atos contrários à moral e aos bons costumes;
IV - incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no artigo antecedente.
V - entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção. (Incluído pela Lei
nº 13.509, de 2017)
Parágrafo único. Perderá também por ato judicial o poder familiar aquele que: (Incluído
pela Lei nº 13.715, de 2018)
I – praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: (Incluído pela
Lei nº 13.715, de 2018)
a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte,
quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou
menosprezo ou discriminação à condição de mulher; (Incluído pela Lei nº 13.715, de
2018)
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b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão; (Incluído
pela Lei nº 13.715, de 2018)
II – praticar contra filho, filha ou outro descendente: (Incluído pela Lei nº 13.715, de
2018)
a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte,
quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou
menosprezo ou discriminação à condição de mulher; (Incluído pela Lei nº 13.715, de
2018)
b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à
pena de reclusão. (Incluído pela Lei nº 13.715, de 2018)

5. Júlia e Leandro casaram-se no regime obrigatório de separação de bens. Enquanto


estavam casados, Leandro recebeu um terreno a título de doação, e, alguns meses
depois, ele faleceu. Considerando-se essa situação hipotética, é correto afirmar que, à
luz do entendimento jurisprudencial, para fins de partilha, os bens adquiridos na
constância do casamento:

(A) comunicam-se entre Júlia e Leandro, desde que comprovado o esforço comum para
a sua aquisição
(B) não se comunicam entre Júlia e Leandro, exceto o terreno doado
(C) não se comunicam entre Júlia e Leandro, ainda que seja comprovado o esforço
comum para sua aquisição
(A) comunicam-se entre Júlia e Leandro, inclusive o terreno doado.

RESPOSTA: A
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O assunto foi abordado na rodada 10 (Direito Civil) da turma de reta final TJ-PR e no
aulão de véspera em Curitiba/PR.

Trata-se de mudança na posição do STJ, que passou a entender, até mesmo de forma
mais esmiuçada à Súmula 377 do STF, que somente os bens onerosamente adquiridos
na constância do casamento por ambas as partes é que se comunicam, quando casados
pelo regime da separação obrigatória ou legal de bens, sob pena de desvirtuamento
deste regime de bens.

No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do


casamento, desde que comprovado o esforço comum para sua aquisição. No entanto, a
adoção da compreensão de que o esforço comum deve ser presumido (por ser a regra)
conduz à ineficácia do regime da separação obrigatória (ou legal) de bens, pois, para
afastar a presunção, deverá o interessado fazer prova negativa, comprovar que o ex-
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cônjuge ou ex-companheiro em nada contribuiu para a aquisição onerosa de
determinado bem, conquanto tenha sido a coisa adquirida na constância da união. Por
sua vez, o entendimento de que a comunhão dos bens adquiridos pode ocorrer, desde
que comprovado o esforço comum, parece mais consentânea com o sistema legal de
regime de bens do casamento, recentemente adotado no Código Civil de 2002, pois
prestigia a eficácia do regime de separação legal de bens. Caberá ao interessado
comprovar que teve efetiva e relevante (ainda que não financeira) participação no
esforço para aquisição onerosa de determinado bem a ser partilhado com a dissolução
da união (prova positiva). EREsp 1.623.858-MG, Rel. Min. Lázaro Guimarães
(Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), por unanimidade, julgado em
23/05/2018, DJe 30/05/2018.

6. Com relação aos efeitos da posse:

(A) o possuidor de boa-fé responde, em regra, pela perda ou deterioração da coisa,


independentemente de lhe ter ou não dado causa;
(B) o possuidor de má-fé responde pela perda e deterioração da coisa, ainda que
acidentais, salvo se comprovar que elas ocorreriam mesmo que ele não estivesse no
exercício da posse
(C) o possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa somente se
comprovar que elas ocorreriam mesmo que ele não estivesse no exercício da posse
(A) o possuidor de má-fé responde pela perda ou deterioração da coisa, salvo se
acidentais.

RESPOSTA: B
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A questão foi abordada na rodada 07 (Direito Civil) da turma de reta final TJ-PR.

A resposta para esta questão pode ser extraída, diretamente, da leitura do art. 1.218 do
Código Civil, que refere, expressamente, que o possuidor de má-fé responde pela perda,
ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de igual modo se
teriam dado, estando ela na posse do reivindicante. No caso da presente questão,
devemos observar que a assertiva de que “salvo se comprovar que elas ocorreriam
mesmo que ele não estivesse no exercício da posse” equivale ao texto legal, ou seja, tem
correspondência à exceção de que ele não responde se provar que, de igual modo,
teriam ocorrido a perda ou deterioração da coisa, se estivessem na posse do
reivindicante (ou seja, que não estariam na posse do possuidor de má-fé).

7. Uma empresa contratou uma transportadora para a prestação de serviço de


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transporte de carga altamente valiosa. A transportadora, por sua vez, não contratou
seguro contra perdas e danos que poderiam ser causados à carga transportada, embora
o contrato firmado pela transportadora tivesse estipulado a obrigatoriedade de seguro
com tal cobertura. A carga era transportada em trajeto conhecido e em horário com
intenso tráfego, quando o veículo que a transportada foi interceptado por assaltantes à
mão armada, que roubaram toda a carga. Em decorrência desse fato, a empresa
contratante ajuizou ação de reparação de danos em desfavor da transportadora. À luz
do entendimento jurisprudencial, nessa situação hipotética:

(A) há responsabilidade civil da transportadora, desde que seja demonstrado que ela
não adotou medidas razoáveis de cautela, como a contratação do referido seguro;
(B) não há responsabilidade civil da transportadora, pois, ao ter realizado o transporte
em trajeto conhecido e em horário com intenso tráfego, adotou medidas razoáveis de
cautela;
(C) há responsabilidade civil da transportadora, sendo suficiente para sua configuração
a previsibilidade abstrata de risco de roubo da carga transportada;
(D) não há responsabilidade civil da transportadora, pois o roubo à mão armada
constitui motivo de força maior.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

Nos termos da recente jurisprudência do STJ, a depender do contrato de transporte,


especialmente em decorrência do alto valor da carga, seria imposto à empresa
contratada a obrigação de adotar outras cautelas além de realizar o transporte por uma
rota em horário movimentado – providência que, em circunstâncias diversas, poderia
ser suficiente para afastar a responsabilidade da transportadora diante do roubo.
Dentre essas cautelas, destacou o Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, relator do
Recurso Especial, que referiu que havia evidente previsibilidade do risco de roubo de
mercadorias na realização do contrato de transporte de carga, tanto é assim que havia
a obrigatoriedade na realização do contrato de seguro. E havia, também, evitabilidade,
se não do roubo em si, mas de seus efeitos, especialmente a atenuação dos prejuízos
causados, caso o seguro tivesse sido contratado.

Segundo o Ministro, as cautelas que razoavelmente se poderiam esperar no caso, mas


que não foram tomadas pela transportadora, incluíam a realização de seguro pelo valor
total da carga (ou parcelamento da carga até o limite da apólice durante a rota) e a
comunicação à cliente e à seguradora sobre a subcontratação, a fim de que fosse
avaliado eventual agravamento do risco, além da comunicação da rota à seguradora
para eventual utilização do rastreamento do veículo.
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Sendo assim, nos termos do julgamento do REsp 1.676.764 – RS, há responsabilidade
civil da transportadora, desde que seja demonstrado que ela não adotou medidas
razoáveis de cautela, como a contratação do referido seguro, o que torna certa a
assertiva “A”.

8. Na venda de coisa móvel com reserva de domínio, a transferência da propriedade ao


comprador ocorre:

(A) a qualquer tempo, respondendo o comprador pelos riscos da coisa a partir de


quando esta lhe for entregue;
(B) a qualquer tempo, não respondendo o comprador pelos riscos da coisa a partir de
quando esta lhe for entregue;
(C) com o pagamento integral do preço, não respondendo o comprador pelos riscos da
coisa a partir de quando esta lhe for entregue;
(D) com o pagamento integral do preço, respondendo o comprador pelos riscos da coisa
a partir de quando esta lhe for entregue.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS
Temos, novamente, uma questão em que todas as assertivas tratam do mesmo assunto,
praticamente trazendo as mesmas assertivas, com pequenas alterações no seu texto, o
que é bastante comum em provas do CESPE/CEBRASPE. A resposta a essa assertiva é
extraída da leitura do art. 524 do CC:

Art. 524. A transferência de propriedade ao comprador dá-se no momento em que o


preço esteja integralmente pago. Todavia, pelos riscos da coisa responde o comprador,
a partir de quando lhe foi entregue.

9. Conforme os direitos da personalidade, a disposição do próprio corpo é:

(A) proibida, para fins de transplante, ainda que a disposição seja parcial;
(B) permitida, após a morte, para fins científicos e de forma gratuita
(C) proibida, após a morte, se parcial e com fins altruísticos;
(D) permitida, se por vontade pessoal e para fins científicos, ainda que implique em
diminuição da integridade física.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

A resposta a esta questão, apontando a assertiva “D” como a correta, é trazida pela
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leitura expressa do art. 14 do Código Civil, tratando-se de mera cópia do dispositivo
legal.

Art. 14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio
corpo, no todo ou em parte, para depois da morte.
Parágrafo único. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo.

10. Após o falecimento dos pais, uma criança de dez anos de idade foi colocada sob
tutela de sua avó, de sessenta e cinco anos de idade, já que constitui parente de grau
mais próximo. Em relação à tutela dessa criança, considerando-se as disposições legais,
é correto afirmar que a avó:

(A) poderá se escusar da tutela, sob o fundamento de ser maior de sessenta anos
(B) não poderá se escusar da tutela, já que é o parente de grau mais próximo da criança;
(C) não poderá se escusar da tutela, uma vez que tal ato é vedado pela legislação
vigente;
(D) poderá se escusar da tutela, sob a alegação de ser aposentada.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS
A resposta é simples a esta questão e pode ser extraída da leitura do art. 1.736, II, Código
Civil, que trata justamente de causa de escusa da tutela como sendo a pessoa ser maior
de sessenta anos. Não há referência ao fato de ser aposentada, o que, diante da
ausência de previsão legal, não corresponde à indicação da assertiva “C”.

Art. 1.736. Podem escusar-se da tutela:


I - mulheres casadas;
II - maiores de sessenta anos;
III - aqueles que tiverem sob sua autoridade mais de três filhos;
IV - os impossibilitados por enfermidade;
V - aqueles que habitarem longe do lugar onde se haja de exercer a tutela;
VI - aqueles que já exercerem tutela ou curatela;
VII - militares em serviço.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

11. À luz do entendimento jurisprudencial do STJ a respeito de aplicação da lei


processual, de atos processuais e de execução fiscal, julgue os itens a seguir.
I - Nos processos judiciais, a fixação de honorários advocatícios sucumbenciais é regida
pela lei vigente na data de prolação da sentença.
II - O prazo recursal da parte que for intimada, por oficial de justiça, a respeito de decisão
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judicial se inicia na data de cumprimento do mandado, e não com a juntada do mandado
ao processo.
III - Na execução fiscal, o prazo de um ano de suspensão do processo, previsto na Lei de
Execução Fiscal, e da respectiva prescrição intercorrente se inicia automaticamente na
data de ciência da fazenda pública a respeito da não localização do devedor ou da
inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido.

Assinale a opção correta.


(A) Apenas os itens I e II estão certos.
(B) Apenas os itens I e III estão certos.
(C) Apenas os itens II e III estão certos.
(D) Todos os itens estão certos.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

O item II foi abordado na rodada 07 (Direito Processual Civil) da turma de reta final TJ-
PR
(I) CORRETA. “O marco temporal para a aplicação das normas do CPC/2015 a respeito
da fixação e distribuição dos ônus sucumbenciais é a data da prolação da sentença ou,
no caso dos feitos de competência originária dos tribunais, do ato jurisdicional
equivalente à sentença (AgInt no REsp 1509088 / RJ; Relator(a) Ministro BENEDITO
GONÇALVES (1142); PRIMEIRA TURMA; DJe 28/02/2019)”.

(II) INCORRETA. “Nos casos de intimação/citação realizadas por Correio, Oficial de


Justiça, ou por Carta de Ordem, Precatória ou Rogatória, o prazo recursal inicia-se com
a juntada aos autos do aviso de recebimento, do mandado cumprido, ou da juntada da
carta (REsp 1632777/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, CORTE ESPECIAL,
julgado em 17/05/2017, DJe 26/05/2017 – Informativo 604)”.

(III) CORRETA. “O prazo de 1 (um) ano de suspensão do processo e do respectivo prazo


prescricional previsto no art. 40, §§ 1º e 2º da Lei n. 6.830/1980 - LEF tem início
automaticamente na data da ciência da Fazenda Pública a respeito da não localização
do devedor ou da inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido, havendo,
sem prejuízo dessa contagem automática, o dever de o magistrado declarar ter ocorrido
a suspensão da execução (RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. REsp 1340553/RS, Rel.
Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/09/2018, DJe
16/10/2018 – Informativo 635)”.
15
12. Paulo requereu o cumprimento provisório da sentença que condenou Fernando a
lhe pagar a quantia de cinquenta mil reais em uma demanda que tramitou pelo
procedimento comum. À petição em que requereu o início do cumprimento de
sentença, Paulo juntou cópia da decisão exequenda, certidão de interposição do recurso
de Fernando não dotado de efeito suspensivo e outros documentos necessários ao
cumprimento. Ele, ainda, requereu ao juízo no qual o título foi formado que:

- cumprimento de sentença fosse remetido ao juízo da localidade onde Fernando possui


bens;
- fossem fixados honorários para a fase de cumprimento de sentença;
- fosse imposta multa por eventual inadimplemento de Fernando;
- dispensassem-no do pagamento de caução, em razão da sua situação de necessidade,
que foi demonstrada.

Com relação a essa situação hipotética, é correto afirmar que

(A) Paulo poderá ser dispensado do pagamento de caução apenas se tiver firmado com
Fernando negócio processual com essa finalidade e devidamente homologado pelo juízo
competente.
(B) pedido de remessa à localidade onde Fernando possui bens deve ser rejeitado,
porque o cumprimento de sentença é de competência exclusiva do juízo que profere a
sentença.
(C) não cabe o arbitramento de honorários na fase de cumprimento provisório da
sentença, porque essa fase processual é um ato facultativo de Paulo.
(D) Fernando poderá depositar o referido valor com o único intuito de evitar a incidência
da multa, ato que não será tido como incompatível com o recurso interposto por ele.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

O tema “arbitramento de honorários na fase de cumprimento provisório de sentença”


foi abordado na questão 19 do 204º Simulado Mege (TJ-PR), atividade da turma de reta
final TJ-PR.

(A) Incorreta. Art. 520, IV, e 521, ambos do NCPC – “Art. 520. O cumprimento provisório
da sentença impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo será realizado da
mesma forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao seguinte regime: IV - o
levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem transferência
de posse ou alienação de propriedade ou de outro direito real, ou dos quais possa
resultar grave dano ao executado, dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada
16
de plano pelo juiz e prestada nos próprios autos. / Art. 521. A caução prevista no inciso
IV do art. 520 poderá ser dispensada nos casos em que: I - o crédito for de natureza
alimentar, independentemente de sua origem; II - o credor demonstrar situação de
necessidade; III – pender o agravo do art. 1.042; IV - a sentença a ser provisoriamente
cumprida estiver em consonância com súmula da jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal ou do Superior Tribunal de Justiça ou em conformidade com acórdão proferido
no julgamento de casos repetitivos. Parágrafo único. A exigência de caução será
mantida quando da dispensa possa resultar manifesto risco de grave dano de difícil ou
incerta reparação”.

(B) Incorreta. Art. 522 c/c art. 516, caput, e Parágrafo, todos do NCPC – “Art. 522. O
cumprimento provisório da sentença será requerido por petição dirigida ao juízo
competente. / Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: I - os
tribunais, nas causas de sua competência originária; II - o juízo que decidiu a causa no
primeiro grau de jurisdição; III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença
penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão
proferido pelo Tribunal Marítimo. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o
exequente poderá optar pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local
onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser
executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do
processo será solicitada ao juízo de origem”.

(C) Incorreta. Art. 520, §2º, do NCPC – “Art. 520, § 2o A multa E OS HONORÁRIOS a que
se refere o § 1o do art. 523 são devidos no cumprimento provisório de sentença
condenatória ao pagamento de quantia certa”.

(D) Correta. Art. 520, §3º, do NCPC – “Art. 520, § 3o Se o executado comparecer
tempestivamente e depositar o valor, com a finalidade de isentar-se da multa, o ato não
será havido como incompatível com o recurso por ele interposto”.

13. Renato, recém-nascido, e Antônia, sua mãe, são autores de ação ajuizada em
desfavor de Luiz, suposto pai de Renato. Na ação, são pleiteados a declaração de
paternidade de Luiz em favor de Renato e o ressarcimento de despesas decorrentes do
parto em favor de Antônia.

Essa situação configura hipótese de litisconsórcio facultativo e

(A) eventual.
(B) sucessivo.
(C) alternativo.
17
(D) unitário.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Fredie Didier Jr., ao tratar do Litisconsórcio eventual, ensina que, “Há a
possibilidade de cumulação eventual de pedidos, de modo que o segundo pedido
somente possa ser examinado se o primeiro não for acolhido (art. 326, caput, CPC) -
trata-se de um dos casos de cumulação imprópria de pedidos, a ser examinado no
capítulo sobre a petição inicial e o pedido. Da cumulação eventual de pedidos pode
surgir um litisconsórcio facultativo. É possível cogitar a formulação de uma cumulação
de pedidos, em que cada pedido seja dirigido a uma pessoa, mas o segundo pedido
somente possa ser examinado se o primeiro não puder ser atendido (DIDIER JR., Fredie.
Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e
processo de conhecimento / Fredie Didier Jr. – 20ª ed. - Salvador: Ed. Jus Podivm, 2018,
p. 547)”.

(B) Correta. Fredie Didier Jr., ao tratar do litisconsórcio sucessivo, ensina que, “Há a
possibilidade de cumulação sucessiva de pedidos, de modo que o segundo pedido
somente possa ser acolhido se o primeiro também o for - trata-se de um dos casos de
cumulação própria de pedidos, a ser examinado no capítulo sobre a petição inicial. A
cumulação sucessiva de pedidos pode dar origem a um litisconsórcio em que cada
litisconsorte formule um pedido, mas o pedido de um somente possa ser acolhido se o
pedido do outro o for. Este é um exemplo de litisconsórcio facultativo surgido em razão
de uma cumulação de pedidos formulados por partes distintas, em que o pedido de
uma delas depende do acolhimento do pedido da outra. É o caso, por exemplo, do
litisconsórcio entre mãe e filho, no qual o segundo pleiteia a investigação de
paternidade e a primeira, o ressarcimento pelas despesas do parto. Ambos os pedidos
podem ser acolhidos - por isso o caso é de cumulação própria de pedidos. Mas o pedido
da mãe somente pode ser acolhido se o pedido do filho o for (DIDIER JR., Fredie. Curso
de direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo
de conhecimento / Fredie Didier Jr. – 20ª ed. - Salvador: Ed. Jus Podivm, 2018, p. 546)”.

(C) Incorreta. Fredie Didier Jr., ao tratar do Litisconsórcio alternativo, explica que “Há a
possibilidade de cumulação alternativa de pedidos, de modo que se formulem vários
pedidos para que apenas um deles, qualquer deles, seja acolhido (art. 326, par. ún.,
CPC). O autor não expressa qualquer preferência entre os pedidos formulados - trata-se
de um dos casos de cumulação imprópria de pedidos, a ser examinado no capítulo sobre
a petição inicial e o pedido. Da cumulação alternativa de pedidos pode surgir um
litisconsórcio facultativo. É possível cogitar a formulação de uma cumulação de pedidos,
em que cada pedido seja dirigido a uma pessoa, mas somente um deles possa ser
18
atendido. (...) Um bom exemplo costuma acontecer na consignação em pagamento: na
dúvida, pode o autor dirigir-se a duas pessoas, por não saber a qual das duas se acha
juridicamente ligado (art. 547, CPC), requerendo o devedor o depósito e a citação dos
que disputam o crédito. Ao julgar a controvérsia entre os dois réus, decidirá o juiz qual
deles era o legitimado perante o autor. O litisconsórcio alternativo é facultativo simples
(DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual
civil, parte geral e processo de conhecimento / Fredie Didier Jr. – 20ª ed. - Salvador: Ed.
Jus Podivm, 2018, p. 548)”.

(D) Incorreta. Segundo Fredie Didier Jr., “Há litisconsórcio unitário quando o provimento
jurisdicional de mérito tem de regular de modo uniforme a situação jurídica dos
litisconsortes, não se admitindo, para eles, julgamentos diversos. O julgamento terá de
ser o mesmo para todos os litisconsortes. Esta é, aliás, a definição legal, prevista no art.
116 do CPC: "O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o
juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes. (...) Para
que se caracterize como unitário, o litisconsórcio dependerá da natureza da relação
jurídica controvertida: haverá unitariedade quando o mérito envolver uma relação
jurídica indivisível. É imprescindível perceber que são dois os pressupostos para a
caracterização da unitariedade, que deve m ser investigados nesta ordem: a) os
litisconsortes discutem uma única relação jurídica; b) essa relação jurídica é indivisível
(DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual
civil, parte geral e processo de conhecimento / Fredie Didier Jr. – 20ª ed. - Salvador: Ed.
Jus Podivm, 2018, p. 526 e 527)”.

14. Um indivíduo impetrou mandado de segurança junto ao STJ para questionar ato
coator que, conforme afirmava na petição inicial, teria sido praticado por um ministro
de Estado. Após a autoridade supostamente coatora apresentar informações sobre o
mérito da questão, o relator verificou que o ato, na realidade, havia sido praticado
exclusivamente por um servidor subordinado ao ministro e ocupante do cargo de chefe
de divisão na pasta ministerial.

Nessa situação hipotética, de acordo com a jurisprudência do STJ, a denominada teoria


da encampação

(A) deve ser aplicada, porque há hierarquia entre a autoridade que prestou as
informações e a que determinou a prática do ato.
(B) deve ser aplicada, porque, ao apresentar informações sobre o mérito, a autoridade
indicada como coatora tacitamente concordou com a prática do ato.
(C) não deve ser aplicada, porque a utilização desta teoria na via mandamental implica
sempre em violação do devido processo legal.
(D) não deve ser aplicada, porque nesse caso o vício de legitimidade implica a
19
modificação de competência constitucionalmente prevista.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

O tema “Teoria da Encampação” foi abordado na rodada 09 (Direito Constitucional) e


na questão 90 do 204º Simulado (TJ-PR), atividade da turma de reta final TJ-PR.

Sabe-se bem que, segundo a Súmula 628 do STJ, “A teoria da encampação é aplicada no
mandado de segurança quando presentes, cumulativamente, os seguintes requisitos: a)
existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que
ordenou a prática do ato impugnado; b) manifestação a respeito do mérito nas
informações prestadas; e c) ausência de modificação de competência estabelecida na
Constituição Federal”. No caso de um suposto ato praticado por Ministro de Estado de
Estado, a competência para o julgamento do Mandado de Segurança seria do Superior
Tribunal de Justiça, conforme dispõe o artigo 105, I, “b”, da Constituição. No entanto,
como constatou-se, posteriormente, que o ato ilegal teria sido praticado por um
servidor subordinado ao Ministro, não poderia ser aplicada a teoria da encampação, isso
porque, em que pese o Ministro tenha defendido o mérito do ato e exista vínculo
hierárquico entre ambos, ocorreria violação à competência prevista na Constituição, já
que o STJ somente tem competência para analisar, originariamente, Mandado de
Segurança contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército
e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal, prerrogativa esta não extensiva ao referido
servidor.

15. André interpôs recurso extraordinário contra acórdão proferido por tribunal de
justiça. Em sequência, ao realizar o juízo de admissibilidade do recurso, o presidente do
tribunal de justiça prolatou decisão inadmitindo o recurso, por entender que não havia
sido cumprido o requisito do prequestionamento de matéria constitucional. Dois dias
após ter sido intimado da decisão de inadmissão, André opôs embargos de declaração,
alegando haver obscuridade na decisão monocrática proferida na origem.

Nessa situação hipotética, de acordo com a jurisprudência do STF, os embargos de


declaração

(A) interrompem o prazo recursal para a interposição de agravo em recurso


extraordinário, ainda que não venham a ser conhecidos.
(B) devem ser recebidos como agravo em recurso extraordinário, em decorrência do
princípio da fungibilidade recursal.
(C) devem ser julgados pelo prolator da decisão de origem, mas, somente se forem
providos, será possível a interposição de novo recurso ao STF.
20
(D) não são cabíveis e, por isso, não haverá interrupção do prazo recursal para a
interposição de agravo em recurso extraordinário.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

O tema “Embargos de Declaração” foi abordado na rodada 07 (Direito Processual Civil)


da turma de reta final TJ-PR.

“Os embargos de declaração opostos contra a decisão de presidente do tribunal que não
admite recurso extraordinário não suspendem ou interrompem o prazo para
interposição de agravo, por serem incabíveis. Esse é o entendimento da Primeira Turma
que, por maioria e em conclusão, converteu embargos declaratórios em agravos
regimentais e a eles negou provimento (vide Informativo 700). Vencidos os ministros
Marco Aurélio e Luiz Fux, que deram provimento aos agravos, por entenderem que todo
pronunciamento com carga decisória desafia embargos declaratórios. (ARE 688776
ED/RS, rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 28.11.2017. (ARE-688776) ARE 685997
ED/RS, rel. Min. Dias Toffoli, julgamento em 28.11.2017. (ARE-685997)) – Informativo
886)”.
16. De acordo com o Código de Processo Civil, no que concerne ao julgamento de ação
reivindicatória da propriedade de bem imóvel localizado em território nacional, a
competência internacional da justiça brasileira e a competência territorial do foro do
local do imóvel são consideradas, respectivamente, como
(A) concorrente e absoluta.
(B) concorrente e relativa.
(C) exclusiva e absoluta.
(D) exclusiva e relativa.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

A resposta da questão foi abordada em nosso aulão de revisão em Curitiba/PR, bem


como na rodada 01 (Direito Processual Civil) da turma de reta final TJ-PR.

Art. 23 e art 47, caput e §1º, todos do NCPC – “Art. 23. Compete à autoridade judiciária
brasileira, com exclusão de qualquer outra: I - conhecer de ações relativas a imóveis
situados no Brasil; / Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é
competente o foro de situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio 21
do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade,
vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova”.

17. De acordo com as normas previstas no Código de Processo Civil para os


procedimentos especiais, assinale a opção correta.

(A) Em ação monitória, o magistrado deverá determinar, em regra, a citação do réu por
meio de oficial de justiça, porque naquele procedimento é vedada a citação pelo correio.
(B) Em procedimento de inventário e partilha, o magistrado está proibido de deferir
antecipadamente a um herdeiro o direito de uso e fruição de bem do espólio.
(C) O magistrado que, em ação de consignação em pagamento, concluir pela
insuficiência do depósito, somente poderá condenar, em sentença, o autor ao
pagamento da diferença percebida caso tenha sido apresentada reconvenção pelo réu.
(D) O magistrado que verificar a existência de terceiro titular de interesse em embargar
ato tratado em juízo deverá ordenar a sua intimação pessoal.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Não há esta vedação, conforme se observa pela leitura do artigo 247 do
NCPC – “Art. 247. A citação será feita pelo correio para qualquer comarca do país,
exceto: I - nas ações de estado, observado o disposto no art. 695, § 3o; II - quando o
citando for incapaz; III - quando o citando for pessoa de direito público; IV - quando o
citando residir em local não atendido pela entrega domiciliar de correspondência; V -
quando o autor, justificadamente, a requerer de outra forma”.

(B) Incorreta. Art. 647, Parágrafo único, do NCPC – “Art. 647. Cumprido o disposto no
art. 642, § 3o, o juiz facultará às partes que, no prazo comum de 15 (quinze) dias,
formulem o pedido de quinhão e, em seguida, proferirá a decisão de deliberação da
partilha, resolvendo os pedidos das partes e designando os bens que devam constituir
quinhão de cada herdeiro e legatário. Parágrafo único. O juiz poderá, em decisão
fundamentada, deferir antecipadamente a qualquer dos herdeiros o exercício dos
direitos de usar e de fruir de determinado bem, com a condição de que, ao término do
inventário, tal bem integre a cota desse herdeiro, cabendo a este, desde o deferimento,
todos os ônus e bônus decorrentes do exercício daqueles direitos”.

(C) Incorreta. Art. 545, §§1º e 2º, do NCPC – “Art. 545. Alegada a insuficiência do
depósito, é lícito ao autor completá-lo, em 10 (dez) dias, salvo se corresponder a
prestação cujo inadimplemento acarrete a rescisão do contrato. § 1o No caso do caput,
poderá o réu levantar, desde logo, a quantia ou a coisa depositada, com a consequente
liberação parcial do autor, prosseguindo o processo quanto à parcela controvertida. §
2o A sentença que concluir pela insuficiência do depósito determinará, sempre que
22
possível, o montante devido e valerá como título executivo, facultado ao credor
promover-lhe o cumprimento nos mesmos autos, após liquidação, se necessária.

(D) Correta. Art. 675, Parágrafo único do NCPC – “Art. 675. Os embargos podem ser
opostos a qualquer tempo no processo de conhecimento enquanto não transitada em
julgado a sentença e, no cumprimento de sentença ou no processo de execução, até 5
(cinco) dias depois da adjudicação, da alienação por iniciativa particular ou da
arrematação, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta. Parágrafo único.
Caso identifique a existência de terceiro titular de interesse em embargar o ato, o juiz
mandará intimá-lo pessoalmente”.

18. De acordo com o Código de Processo Civil, a produção antecipada da prova requerida
antes do ajuizamento da demanda principal

(A) acarreta a prevenção do juízo para a ação que venha a ser proposta com base na
prova produzida.
(B) segue procedimento no qual é admitida a interposição de apelação contra a decisão
que indeferir totalmente a produção da prova pleiteada.
(C) pode ser utilizada somente na hipótese de o autor provar que o prévio conhecimento
dos fatos é imprescindível para o ajuizamento de ação.
(D) é da competência exclusiva do foro onde a prova deva ser produzida.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Art. 381, §3º, do NCPC – “Art. 381, § 3o A produção antecipada da prova
não previne a competência do juízo para a ação que venha a ser proposta”.

(B) Correta. Art. 382, §4º, do NCPC – “Art. 382, § 4o Neste procedimento, não se admitirá
defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a produção da prova
pleiteada pelo requerente originário”.

(C) Incorreta. Art. 381, caput, do NCPC – “Art. 381. A produção antecipada da prova será
admitida nos casos em que: I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível
ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação; II - a prova a ser
produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de
solução de conflito; III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o
ajuizamento de ação”.

(D) Incorreta. Art. 381, §2º, do NCPC – “Art. 381, § 2o A produção antecipada da prova
é da competência do juízo do foro onde esta deva ser produzida ou do foro de domicílio
23
do réu”.

19. No que concerne às regras estabelecidas para a tutela provisória, o Código de


Processo Civil determina que a concessão, pelo magistrado, da tutela de evidência

(A) será realizada na forma de decisão interlocutória de mérito e produzirá coisa julgada
material caso não seja impugnada pelo réu.
(B) será cabível somente na hipótese de verificação de abuso do direito de defesa da
parte ré, haja vista a natureza punitiva dessa modalidade de tutela provisória.
(C) dependerá da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do
processo e ocorrerá nas situações em que os efeitos da decisão sejam reversíveis.
(D) poderá ser deferida liminarmente caso os fatos sejam comprovados apenas pela via
documental e exista tese firmada em julgamento de casos repetitivo

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

A resposta foi abordada em nosso aulão de véspera TJ-PR e nas questões 13 e 15 do


204º Simulado Mege e do 209º Simulado Mege, atividades da turma de reta final TJ-PR.
(A) Incorreta. Em que pesem algumas críticas doutrinárias, não se aplica a estabilização
da tutela antecipada prevista no artigo 304 à tutela de evidência. De qualquer maneira,
nem na tutela antecipada nem na tutela de evidência ocorre a coisa julgada material.

(B) Incorreta. Vide artigo 311, do NCPC.

(C) Incorreta. Não há necessidade da demonstração de perigo de dano ou de risco ao


resultado útil do processo. Da mesma forma, é irrelevante o fato de os efeitos da decisão
serem reversíveis. Neste sentido, vide o teor do artigo 311 do NCPC: “Art. 311. A tutela
da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano
ou de risco ao resultado útil do processo, quando: I - ficar caracterizado o abuso do
direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; II - as alegações de
fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em
julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; III - se tratar de pedido
reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso
em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de
multa; IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos
constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida
razoável. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir
liminarmente”.
24
(D) Correta. Art. 311, II, e Parágrafo único do NCPC – “Art. 311. A tutela da evidência
será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao
resultado útil do processo, quando: II - as alegações de fato puderem ser comprovadas
apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou
em súmula vinculante; Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá
decidir liminarmente”.

20. De acordo com o STF, a legitimidade ativa para execução de condenação patrimonial
imposta por tribunal de contas estadual é do

(A) Ministério Público do respectivo estado.


(B) Ministério Público junto ao tribunal de contas estadual.
(C) tribunal de contas prolator da decisão.
(D) ente público beneficiado com a condenação.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

“A jurisprudência desta Corte é no sentido de que a ação de execução de penalidade


imposta por Tribunal de Contas somente pode ser ajuizada pelo ente público
beneficiário da condenação (ARE 791577 AgR, Relator(a): Min. RICARDO
LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 12/08/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-
161 DIVULG 20-08-2014 PUBLIC 21-08-2014)”.

DIREITO DO CONSUMIDOR

21. À luz do Código de Defesa do Consumidor, julgue os seguintes itens, acerca de


proteção contratual:
I. A proteção contratual prevê a nulidade de cláusulas que estejam em desacordo com
as normas consumerista, o que, em regra, configura a invalidade ou a inexistência do
negócio jurídico.
II. Em contratos de adesão, é permitida a existência de cláusulas que acarretem
limitações de direitos consumeristas.
III. Na resolução dos contratos de consórcio de veículos automotores, eventuais
prejuízos causados por inadimplente ao grupo serão descontados da compensação ou
da restituição das parcelas pagas.

Assinale a opção correta:

(A) Apenas o item I está certo;


(B) Apenas o item II está certo;
25
(C) Apenas os itens I e III estão certos;
(D) Apenas os itens II e III estão certos.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

A questão foi abordada na rodada 07 (Direito do Consumidor) e na questão 25 do 204º


Simulado (TJ-PR), atividade da turma de reta final TJ-PR.

Assertiva I. Incorreta, pois, nos termos do art. 51, XV, CDC, a previsão de cláusulas que
estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor acarretam a sua
nulidade de pleno direito, e não a invalidade ou a inexistência do negócio.

Assertiva II. Correta, já que retrata a previsão do art. 54, §4º, CDC, que prevê,
justamente, a possibilidade da existência de cláusulas que acarretem a limitação de
direito dos consumidores, mesmo em contratos de adesão.

Assertiva III. Correta, eis que retrata, exatamente, a previsão do art. 53, §2º, CDC: Nos
contratos do sistema de consórcio de produtos duráveis, a compensação ou a restituição
das parcelas quitadas, na forma deste artigo, terá descontada, além da vantagem
econômica auferida com a fruição, os prejuízos que o desistente ou inadimplente causar
ao grupo.

22. Com base na jurisprudência do STJ, julgue os itens a seguir, a respeito de relações
consumeristas:

I. A recusa de cobertura securitária sob a alegação de doença preexistente é considerada


lícita se exigidos exames médicos previamente à contratação do seguro.
II. Nos contratos de assistência à saúde, é abusiva cláusula contratual que estipule
qualquer prazo de carência para cobertura de casos de urgência e emergência.
III. As regras do Código de Defesa do Consumidor são aplicáveis aos contratos de
empreendimentos habitacionais celebrados por sociedades cooperativas.

Assinale a alternativa correta:

(A) Apenas o item I está certo;


(B) Apenas o item II está certo;
(C) Apenas os itens I e III estão certos;
(D) Apenas os itens II e III estão certos.

RESPOSTA: C
26
COMENTÁRIOS

A questão foi abordada no aulão de véspera em Curitiba/PR, na rodada 7 da turma de


reta final TJ-PR (Direito do Consumidor) e na questão 24 do 204º Simulado Mege (TJ-
PR).

Assertiva I. Correta. Reflete o texto da Súmula 609 do STJ: A recusa de cobertura


securitária, sob a alegação de doença preexistente, é ilícita se não houve a exigência de
exames médicos prévios à contratação ou a demonstração de má-fé do segurado.

Assertiva II. Incorreta, estando incorreta a expressão “qualquer prazo”, já que o prazo
de 24 horas deve ser observado para fins de exigência da cobertura de assistência à
saúde nos casos de urgência e emergência. Este é o teor da Súmula 597 do STJ: A cláusula
contratual de plano de saúde que prevê carência para utilização dos serviços de
assistência médica nas situações de emergência ou de urgência é considerada abusiva
se ultrapassado o prazo máximo de 24 horas contado da data da contratação.

Assertiva III. Correta. Reflexo exato da Súmula 602 do STJ: O Código de Defesa do
Consumidor é aplicável aos empreendimentos habitacionais promovidos pelas
sociedades cooperativas.
23. A respeito da cobrança de dívidas e cadastros de inadimplentes, de prescrição, de
práticas comerciais abusivas e de oferta e publicidade, assinale a opção correta, de
acordo com a jurisprudência do STJ:

(A) A ação de indenização por danos morais decorrentes da inscrição indevida de


consumidor em cadastro de inadimplentes promovida por instituição financeira aplica-
se o prazo prescricional de três anos, previsto no Código Civil;
(B) Em salas de cinema, a prática de compelir consumidor espectador a comprar todo e
qualquer produto dentro da própria sala de exibição de filmes não é abusiva, por ser
uma atividade de caráter complementar à principal;
(C) A responsabilidade do comerciante é subsidiária à do fabricante no caso de o
vendedor se aproveitar de publicidade enganosa do fabricante para a comercialização
do produto;
(D) A cobrança indevida de pagamento por serviços de telefonia enseja a condenação
da empresa prestadora do serviço por danos morais presumidos, independentemente
de efetivada a inscrição do nome do consumidor em cadastros de inadimplentes.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS
27
As assertivas “A” e “B” foram abordadas nas rodadas 1 e 7 da turma de reta final TJ-PR,
respectivamente.

(A) Correta. Veja o julgado abaixo:


AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL.
DANOS MORAIS. CADASTRO DE INADIMPLENTES. INSCRIÇÃO INDEVIDA. PRESCRIÇÃO
TRIENAL.
1. O prazo prescricional da ação de indenização por danos morais decorrente da
inscrição indevida em cadastro de inadimplentes é de 3 (três) anos, conforme previsto
no art. 206, § 3º, V, do CC/2002.
2. Agravo interno não provido.
(AgInt no AREsp 663.730/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA
TURMA, julgado em 09/05/2017, DJe 26/05/2017)

(B) Incorreta. Trata-se do REsp 1.331.948:


RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. ART. 39, I, DO CDC.
VENDA CASADA. VENDA DE ALIMENTOS. ESTABELECIMENTOS CINEMATOGRÁFICOS.
LIBERDADE DE ESCOLHA. ART. 6º, II, DO CDC. VIOLAÇÃO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS EM
OUTRO LOCAL. VEDAÇÃO. TUTELA COLETIVA. ART. 16 DA LEI Nº 7.347/1985. SENTENÇA
CIVIL. DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS. EFICÁCIA ERGA OMNES. LIMITE
TERRITORIAL. APLICABILIDADE.
1. A venda casada ocorre em virtude do condicionamento a uma única escolha, a apenas
uma alternativa, já que não é conferido ao consumidor usufruir de outro produto senão
aquele alienado pelo fornecedor.
2. Ao compelir o consumidor a comprar dentro do próprio cinema todo e qualquer
produto alimentício, o estabelecimento dissimula uma venda casada (art. 39, I, do CDC),
limitando a liberdade de escolha do consumidor (art. 6º, II, do CDC), o que revela prática
abusiva.
3. A restrição do alcance subjetivo da eficácia erga omnes da sentença proferida em
ação civil pública envolvendo direitos individuais homogêneos aos limites da
competência territorial do órgão prolator, constante do art. 16 da Lei nº 7.347/1985,
está plenamente em vigor.
4. É possível conceber, pelo caráter divisível dos direitos individuais homogêneos,
decisões distintas, tendo em vista a autonomia de seus titulares.
5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.
(REsp 1331948/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA,
julgado em 14/06/2016, DJe 05/09/2016).

(C) Incorreta. Trata-se de entendimento já consagrado na Corte Especial, podendo-se


ser identificado desde o ano de 2004 e mantido até os dias de hoje. Para o STJ, “é
28
solidária a responsabilidade entre aqueles que veiculam publicidade enganosa e os que
dela se aproveitam, na comercialização de seu produto” (REsp 327.257/SP, Rel. Ministra
NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/06/2004, DJ 16/11/2004, p. 272).

(D) Incorreta. É entendimento já pacífico no STJ de que “a simples cobrança indevida de


serviço de telefonia, sem inscrição em cadastros de devedores, não gera presunção de
dano moral”. Vide, por exemplo, o AgRg no AREsp 448.372/RS, Rel. Ministra MARIA
ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 06/11/2018, DJe 13/11/2018.

24. À luz da jurisprudência do STJ, assinale a opção correta, a respeito de práticas e


cláusulas abusivas elencadas no Código de Defesa do Consumidor:

(A) Em contrato de prestação de serviços de telefonia fixa, cláusula que preveja a


cobrança de tarifa básica pelo uso dos serviços é considerada abusiva;
(B) A exigência de indicação da classificação internacional de doenças (CID) para
cobertura de exames e pagamentos de honorários médicos pelas operadoras de planos
de saúde é lícita
(C) A mera negativa de sociedade empresária do ramo securitário a consumidor que
deseje contratar seguro de vida é lícita, se o fundamento da recusa for a complexidade
técnica da atividade do contratado;
(D) Nos contratos de compromisso de compra e venda de imóveis em construção
decorrente de incorporação imobiliária, é abusiva cláusula que estipule cobrança de
juros compensatórios incidentes em período anterior à entrega das chaves.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

A questão foi abordada no aulão de véspera em Curitiba/PR e nas rodadas 1 e 7 da turma


de reta final TJ-PR (assertivas “A” e “B”).

(A) Incorreta. Nos termos da Súmula 356 do STJ, “é legítima a cobrança da tarifa básica
pelo uso dos serviços de telefonia fixa”. Trata-se, como visto, de entendimento
sumulado já bastante antigo, que conta com mais de dez anos da sua publicação.

(B) Correta. Veja o excerto do informativo abaixo:


Não é abusiva a exigência de indicação da CID (Classificação Internacional de Doenças),
como condição de deferimento, nas requisições de exames e serviços oferecidos pelas
prestadoras de plano de saúde, bem como para o pagamento de honorários médicos.
REsp 1.509.055-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, por unanimidade, julgado em
22/8/2017, DJe 25/8/2017
29
(C) Incorreta. Trata-se do REsp 1.300.116-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
23/10/2012:
DIREITO CIVIL E CONSUMIDOR. ILICITUDE NA NEGATIVA DE CONTRATAR SEGURO DE
VIDA. A negativa pura e simples de contratar seguro de vida é ilícita, violando a regra
do art. 39, IX, do CDC. Diversas opções poderiam substituir a simples negativa de
contratar, como a formulação de prêmio mais alto ou ainda a redução de cobertura
securitária, excluindo-se os sinistros relacionados à doença preexistente, mas não
poderia negar ao consumidor a prestação de serviços. As normas expedidas pela Susep
para regulação de seguros devem ser interpretadas em consonância com o mencionado
dispositivo. Ainda que o ramo securitário consubstancie atividade de alta
complexidade técnica, regulada por órgão específico, a contratação de seguros está
inserida no âmbito das relações de consumo, portanto tem necessariamente de
respeitar as disposições do CDC. A recusa da contratação é possível, como previsto na
Circular Susep n. 251/2004, mas apenas em hipóteses realmente excepcionais. REsp
1.300.116-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/10/2012.

(D) Incorreta. O STJ tem entendimento pacífico de que “não é abusiva a cláusula de
cobrança de juros compensatórios incidentes em período anterior à entrega das chaves
nos contratos de compromisso de compra e venda de imóveis em construção sob o
regime de incorporação imobiliária” (EREsp 670.117-PB, Rel. originário Min. Sidnei
Beneti, Rel. para acórdão Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 13/6/2012).

25. Se determinada mercadoria apresentar vício do produto poucos dias após a sua
aquisição, o consumidor terá direito à reparação do vício:
(A) diretamente pelo comerciante, por ser subsidiária a responsabilidade do fabricante;
(B) pelo fabricante em até sete dias, caso a mercadoria seja essencial;
(C) no prazo prescricional de noventa dias, caso seja produto durável;
(D) pelo comerciante, pela assistência técnica ou pelo fabricante, no prazo de trinta dias.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

A questão foi abordada no aulão de véspera, na rodada 1 (Direito do Consumidor) da


turma de reta final TJ-PR e no item II da questão 23 do 204º Simulado (TJ-PR).

Em mais esta questão que foi abordada expressamente no aulão de revisão de véspera,
advertimos a respeito da mudança sensível no entendimento do STJ, ocorrida no mês
de março de 2018, a partir de julgado em que a Corte passou a entender que é direito
subjetivo do consumidor levar o produto viciado diretamente ao comerciante, à
assistência técnica ou ao fabricante, o que lhe for mais conveniente. Com relação ao
30
prazo de trinta dias, como a questão não fez menção ao fato do produto ser ou não
durável, esta informação acaba sendo irrelevante para responder a acertar a questão. O
julgado a que se refere é o REsp 1.634.851-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, por maioria,
julgado em 12/09/2017, DJe 15/02/2018, com previsão no Informativo 0619:

Cabe ao consumidor a escolha para exercer seu direito de ter sanado o vício do produto
em 30 dias – levar o produto ao comerciante, à assistência técnica ou diretamente ao
fabricante. A questão jurídica discutida consiste, dentre outros pontos, em definir a
responsabilidade do comerciante no que tange à disponibilização e prestação de serviço
de assistência técnica (art. 18, caput e § 1º, do CDC). Em princípio, verifica-se que a
interpretação puramente topográfica do § 1º do art. 18 do CDC leva a crer que a
responsabilidade solidária imputada no caput aos fornecedores, inclusive aos próprios
comerciantes, compreende o dever de reparar o vício no prazo de trinta dias, sob pena
de o consumidor poder exigir a substituição do produto, a restituição da quantia paga
ou o abatimento proporcional do preço. A Terceira Turma do STJ, no entanto, ao analisar
situação análoga se manifestou no sentido de que, "disponibilizado serviço de
assistência técnica, de forma eficaz, efetiva e eficiente, na mesma localidade [município]
do estabelecimento do comerciante, a intermediação do serviço apenas acarretaria
delongas e acréscimo de custos, não justificando a imposição pretendida na ação
coletiva" (REsp 1.411.136-RS, DJe 10/03/2015). No entanto, esse tema merece nova
reflexão. Isso porque o dia a dia revela que o consumidor, não raramente, trava
verdadeira batalha para, após bastante tempo, atender a sua legítima expectativa de
obter o produto adequado ao uso, em sua quantidade e qualidade. Aliás, há doutrina a
defender, nessas hipóteses, a responsabilidade civil pela perda injusta e intolerável do
tempo útil. Assim, não é razoável que, à frustração do consumidor de adquirir o bem
com vício, se acrescente o desgaste para tentar resolver o problema ao qual ele não deu
causa, o que, por certo, pode ser evitado – ou, ao menos, atenuado – se o próprio
comerciante participar ativamente do processo de reparo, intermediando a relação
entre consumidor e fabricante, inclusive porque, juntamente com este, tem o dever
legal de garantir a adequação do produto oferecido ao consumo. Vale ressaltar que o
comerciante, em regra, desenvolve uma relação direta com o fabricante ou com o
representante deste; o consumidor, não. Por isso também, o dispêndio gerado para o
comerciante tende a ser menor que para o consumidor, sendo ainda possível àquele
exigir do fabricante o ressarcimento das respectivas despesas. Logo, à luz do princípio
da boa-fé objetiva, se a inserção no mercado do produto com vício traz em si,
inevitavelmente, um gasto adicional para a cadeia de consumo, esse gasto deve ser tido
como ínsito ao risco da atividade, e não pode, em nenhuma hipótese, ser suportado pelo
consumidor, sob pena de ofensa aos princípios que regem a política nacional das
relações de consumo, em especial o da vulnerabilidade e o da garantia de adequação, a
cargo do fornecedor, além de configurar violação do direito do consumidor de receber
a efetiva reparação de danos patrimoniais sofridos por ele.
31
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

26. A atual doutrina da proteção integral, que rege o direito da criança e do adolescente,
reconhece crianças e adolescentes como
(A) objetos de proteção do Estado e de medidas judiciais, mas que devem ser
responsabilizados pela própria situação de irregularidade.
(B) sujeitos de direito, devendo o Estado, a família e a sociedade lhes assegurar direitos
fundamentais.
(C) objetos de proteção do Estado e de medidas judiciais, sendo o Estado o principal
responsável por lhes assegurar direitos.
(D) sujeitos de direito que devem ser responsabilizados pela própria situação de
irregularidade.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

A questão foi tratada na rodada 1 (Direito da Criança e do Adolescente) e no aulão de


véspera em Curitiba/PR.
Doutrina da Proteção Integral - Esta doutrina parte da concepção de que as normas que
tratam de crianças e de adolescentes, além de concebê-los como cidadãos plenos,
devem reconhecer que estão sujeitos à proteção prioritária, uma vez que estão em
desenvolvimento biológico, social, físico, psicológico e moral. Dessa forma, determina
que deve-se garantir a toda criança e adolescente todos os direitos fundamentais
garantidos pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

A adoção da doutrina da proteção integral é fruto da Convenção Internacional dos


Direitos da Criança. Apesar de a denominação da convenção não incluir adolescente, ela
tem como padrão internacional que todo menor de 18 anos é considerado criança,
portanto, sendo possível a compatibilidade com o ordenamento jurídico brasileiro.

27. Assinale a opção que indica medida de proteção à criança e ao adolescente prevista
no ECA e aplicável quando os direitos reconhecidos desse grupo social forem ameaçados
ou violados.

(A) obrigação de reparar o dano


(B) internação da criança ou do adolescente em estabelecimento educacional
(C) colocação da criança ou do adolescente em família substituta
(D) intervenção mínima 32
RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

Art. 101 do ECA - Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade
competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:

(...) IX - colocação em família substituta.

28. Gabriel, brasileiro, com onze anos de idade e residente no Brasil, foi autorizado por
seus pais a viajar desacompanhado para a Argentina, a fim de visitar familiares. Tal
autorização foi formulada por escrito na presença de autoridade consular brasileira, que
também assinou o documento.
Conforme a Resolução n.º 131/2011 do Conselho Nacional de Justiça, que dispõe sobre
a concessão de autorização de viagem para o exterior de crianças e adolescentes
brasileiros, Gabriel

(A) não poderá realizar a viagem, porque a autorização assinada por seus pais não teve
firma reconhecida.
(B) poderá realizar a viagem, desde que a autorização dos seus pais seja homologada
por juiz competente.
(C) poderá realizar a viagem, pois a assinatura da autoridade consular valida a
autorização de seus pais.
(D) não poderá realizar a viagem, porque, nessas condições, é obrigatória autorização
judicial, em razão de sua idade.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

Art. 8, § 2º da RES CNJ 131/2011 - Ainda que não haja reconhecimento de firma, serão
válidas as autorizações de pais ou responsáveis que forem exaradas na presença de
autoridade consular brasileira, devendo, nesta hipótese, constar a assinatura da
autoridade consular no documento de autorização.

29. De acordo com o ECA, o conselho tutelar, ao tomar conhecimento de ameaça ou


violação aos direitos de crianças e adolescentes, é competente, em regra, para
determinar a

(A) perda da guarda da criança e(ou) do adolescente.


(B) inclusão da criança e(ou) do adolescente em programa oficial de proteção, apoio e 33
promoção da família, da criança e do adolescente.
(C) destituição da tutela da criança e(ou) do adolescente.
(D) inclusão da criança e(ou) do adolescente em programa de acolhimento familiar.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

Art. 136 do ECA - São atribuições do Conselho Tutelar: I - atender as crianças e


adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas
no art. 101, I a VII (medidas de proteção, com exceção da inclusão em programa de
acolhimento familiar e colocação em família substituta);

Art. 101 do ECA - Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade
competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas: (...) IV - inclusão
em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da
família, da criança e do adolescente;

30. De acordo com a Lei n.º 12.594/2012, que instituiu o Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo (SINASE), compete à União
(A) garantir a defesa técnica do adolescente a quem se atribua a prática de ato
infracional.
(B) instituir e manter processo de avaliação dos sistemas de atendimento
socioeducativo.
(C) desenvolver e oferecer programas próprios de atendimento a adolescentes
infratores.
(D) criar, desenvolver e manter programas para a execução de medida socioeducativa
de internação.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

Art. 3º da Lei do SINASE - Compete à União: (...) VII - instituir e manter processo de
avaliação dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo, seus planos, entidades e
programas;

34
BLOCO II

DIREITO PENAL

31. Com relação às escolas e tendências penais, julgue os itens seguintes.

I. De acordo com a escola clássica, a responsabilidade penal é lastreada na


imputabilidade moral e no livre-arbítrio humano.
II. A escola técnico-jurídica, que utiliza o método indutivo ou experimental, apresenta as
fases antropológica, sociológica e jurídica.
III. A escola correcionalista fundamenta-se na proposta de imposição de pena, com
caráter intimidativo, para os delinquentes normais, e de medida de segurança para os
perigosos. Para essa escola, o direito penal é a insuperável barreira da política criminal.
IV. O movimento de defesa social sustenta a ressocialização do delinquente, e não a sua
neutralização. Nesse movimento, o tratamento penal é visto como um instrumento
preventivo.

Estão certos apenas os itens

(A) I e III.
35
(B) I e IV.
(C) II e III.
(D) II e IV.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(I) Correta. A Escola Clássica teve como seus principais adeptos Paul Feuerbach e
Francesco Carrara. Tinha o livre arbítrio como seu fundamento indeclinável, sendo o
homem moralmente imputável em razão dos seus atos externos, que podem ser
praticados por ação ou omissão.

(II) Incorreta. A Escola Técnico-Jurídica teve Arturo Rocco como seu nome principal,
pregando que nenhuma ciência jurídica deveria intervir no Direito Penal, que deve
resumir-se ao que positivado. O Direito Penal não sofre intervenção da Antropologia e
da sociologia. Tais intervenções são vistas na Escola Positiva (Lombroso, Ferri e
Garofalo), que possui as fases atropológica, sociológica e jurídica.
(III) Incorreta. A Escola Correlacionista almeja a correção ou emenda do delinquente,
buscando a sua compreensão e proteção, buscando-se a recuperação para o convívio
em sociedade, em vez de intimidação.

(IV) Correta. O movimento surge após a Segunda Guerra Mundial, liderado por Fillipo
Gramatica e Marc Ancel. O Direito Penal deve ser um instrumento preventivo, tendo
como foco evitar que o criminoso volte a delinquir, rejetando-se o viés meramente
retributivo

32. Nas disposições penais da Lei Geral da Copa, foi estabelecido que os tipos penais
previstos nessa legislação tivessem vigência até o dia 31 de dezembro de 2014.
Considerando-se essas informações, é correto afirmar que a referida legislação é um
exemplo de lei penal

(A) excepcional.
(B) temporária.
(C) corretiva.
(D) intermediária.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS
36
A questão foi abordada na rodada 2 (Direito Penal) da turma de reta final TJ-PR.

A Lei Geral da Copa insere-se perfeitamente no conceito de lei temporária, que, segundo
a doutrina, possui cláusula de autorrevogação, com data específica e determinada para
o término da vigência da lei. Difere da lei excepcional, que prevê para o término de
vigência um evento future, porém sem data definida, como o término de uma Guerra,
por exemplo.

33. De acordo com o STJ, a prática de falta grave pelo condenado durante o
cumprimento da pena

(A) não interrompe a contagem do prazo para obtenção de livramento condicional.


(B) não interrompe a contagem do prazo para a progressão de regime de cumprimento
de pena.
(C) interrompe a contagem do prazo para obtenção de comutação de pena.
(D) interrompe a contagem do prazo para obtenção de indulto e saída temporária.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS
O tema foi revisado na assertiva “D” da questão 48 do 209º Simulado Mege (TJ-PR II),
atividade da turma de reta final TJ-PR.

(A) Correta. Súmula 441 do STJ: “A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de
livramento condicional.

(B) Incorreta. Súmula 534 do STJ: “A prática de falta grave interrompe a contagem do
prazo para a progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir
do cometimento dessa infração”.

(C) Incorreta. Súmula 535 do STJ: “a prática de falta grave não interrompe o prazo para
fim de comutação de pena ou indulto”.

(D) Incorreta. Súmula 535 do STJ: “a prática de falta grave não interrompe o prazo para
fim de comutação de pena ou indulto”.

34. Roger, empresário, omitiu da folha de pagamento da sua empresa empregados


segurados pelo INSS e suprimiu as respectivas contribuições sociais previdenciárias.
Nesse caso, Roger cometeu crime
37
(A) classificado como próprio e que configura norma penal em branco, uma vez que
necessita de complementação pela legislação previdenciária.
(B) que admite a forma tentada e que se consuma a partir da apresentação da guia para
recolhimento previdenciário emitida com dados incompletos.
(C) com isenção da pena ou, a critério do juiz, somente com pena de multa, caso o agente
declare espontaneamente as contribuições devidas antes do início da execução fiscal.
(D) contra a ordem tributária, previsto na Lei n.º 8.137/1990, para o qual é prevista a
isenção da pena, desde que o agente seja primário e o valor das contribuições devidas
seja inferior ao mínimo para o ajuizamento de execução fiscal.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

(A) Correta. A doutrina, de forma amplamente majoritária, caracteriza como crime


próprio (Bittencourt, Luiz Regis Prado, Rogério Sanches) e norma penal em branco,
considerando a necessidade de que as regras sobre as contribuições previdenciárias
sejam estabelecidas pelo legislação específica.

(B) Incorreta. crime somente se consuma com o encerramento do procedimento


administrativo.
(C) Incorreta. A causa extintiva da punibilidade não se apresenta no art. 337, §2º do CP.

(D) Incorreta. A conduta constitui o crime do art. 337-A do Código Penal.

35. Julgue os itens a seguir, relativos a delitos de natureza sexual.

I. Praticar, em local público, ato libidinoso contra alguém e sem o seu consentimento
caracteriza contravenção penal tipificada como importunação ofensiva ao pudor.
II. Praticar conjunção carnal com o parceiro na presença de menor de catorze anos de
idade, a fim de satisfazer a própria lascívia, configura, a princípio, o tipo penal específico
denominado satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente.
III. Praticar ato obsceno em praça pública, ainda que sem a intenção de ultrajar alguém
específico, configura crime de importunação sexual, que, por equiparação, é
considerado hediondo.
IV. Divulgar na Internet fotografias de conteúdo pornográfico envolvendo adolescente,
como meio de vingança pelo término de relacionamento, configura crime específico
previsto no ECA, o que afasta a incidência do novo tipo penal previsto no art. 218-C do
Código Penal.

Estão certos apenas os itens


38
(A) I e III.
(B) I e IV.
(C) II e III.
(D) II e IV.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na Rodada 10 (Direito Penal) da turma de reta final
TJ-PR.

(I) Incorreta. Tal contravenção penal foi revogada em razão do novo tipo penal do art.
215-A do Código Penal (importunação sexual).

(II) Correta. É o crime previsto no art. 218-A do Código Penal.

(III) Incorreta. A conduta configura o crime de ato obsceno do art. 233 do Código Penal,
que configura infração de menor potencial ofensivo.
(IV) Correta. O agente responde pelo art. 241-A do ECA.

36. A respeito de autoria e participação no âmbito penal, é correto afirmar que

(A) o crime de falso testemunho é classificado como crime próprio e nele são admitidas
tanto a coautoria quanto a autoria mediata.
(B) a participação, que pode ser moral ou material, é admitida até a consumação do
crime.
(C) a teoria da acessoriedade limitada entende que basta o fato principal ser típico para
que o partícipe seja punido.
(D) a autoria colateral é aquela em que há pluralidade de agentes e liame subjetivo entre
eles para a realização da conduta.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Falso testemunho é crime de mão própria, que não admite autoria
mediata.

(B) Correta. Não cabe participação depois de o crime já estar consumado.


39
(C) Incorreta. Pela teoria da acessoriedade limitada ou media, adotada pelo nosso
sistema penal, o fato principal tem que ser típico e ilícito para a punição do partícipe.

(D) Incorreta. Não há liame subjetivo entre os agentes na autoria colateral, mas sim na
coautoria.

37. A respeito de crimes contra a pessoa, é correto afirmar que

(A) responderá por homicídio qualificado o agente que matar para assegurar a execução,
ocultação, impunidade ou vantagem de uma contravenção penal.
(B) o crime de homicídio admite interpretação analógica no que diz respeito à
qualificadora que indica meios e modos de execução desse crime.
(C) o agente que matar sua empregadora por ter sido dispensado sem justa causa
responderá por feminicídio, haja vista a vítima ser mulher.
(D) responderá pela prática de crime contra a vida o agente que anuncia produtos ou
métodos abortivos.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO


O tema foi abordado na rodada 10 da turma de reta final TJ-PR.

(A) O gabarito trouxe o item como ERRADO mas entendemos que está CORRETO pelas
seguintes razões. O art. 121, §2º, V do Código Penal prevê que o homicídio é qualificado
quando praticado para assegurar a execução, ocultação, impunidade ou vantagem de
outro crime. De fato, não faz menção à contravenção. Mas o homicídio continua sendo
qualificado pelo motivo torpe se o agente praticar o crime para assegurar a execução,
ocultação, impunidade ou vantagem de uma contravenção penal. Logo, o homicídio
continua qualificado na forma do art. 121, §2º, I do Código Penal e portanto, está sim,
CORRETO.

(B) Correta. Admite-se interpretação analógica nas expressões “ou outro meio insidioso
ou cruel ou de que possa resultar perigo comum” e “ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido”. Interpretação analógica não é sinônimo de
analogia.

(C) Incorreta. O feminicídio deve se enquadrar nas circunstâncias do art. 121, §2º-A do
Código Penal, não sendo suficiente que a vítima seja mulher.
40
(D) Incorreta. Configura a contravenção penal do art. 20 da Lei de Contravenções penais.

PORTANTO, É CABÍVEL RECURSO DO ITEM, POIS, DE FATO, AS ASSERTIVAS A e B ESTÃO


CORRETAS.

38. Lúcio, inimputável por doença mental, após três anos de internação em hospital de
custódia, foi liberado pelo juiz da execução, em decorrência de parecer favorável da
perícia médica da instituição. Depois de sete meses da liberação, Lúcio foi detido
novamente pela prática de conduta delitiva de natureza sexual.
Nesse caso, o restabelecimento da internação

(A) não é cabível, porque a liberação foi regular e transitou em julgado antes da
ocorrência do novo fato delituoso.
(B) não é cabível, porque o novo fato delituoso ocorreu mais de seis meses após a
liberação.
(C) é cabível, porque a liberação é incondicional e não depende da ocorrência de novo
fato delituoso a qualquer tempo.
(D) é cabível, porque o novo fato delituoso ocorreu antes de completado um ano da
liberação, que é condicional.
RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

Gabarito em perfeita consonância com o art. 97, §3º do Código Penal.


Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art. 26). Se,
todavia, o fato previsto como crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-
lo a tratamento ambulatorial.

§ 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo ser


restabelecida a situação anterior se o agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica
fato indicativo de persistência de sua periculosidade.

39. Para Welzel, a culpabilidade é a reprovabilidade de decisão da vontade, sendo uma


qualidade valorativa negativa da vontade de ação, e não a vontade em si mesma. O autor
aponta a incorreção de doutrinas segundo as quais a culpabilidade tem caráter
subjetivo, porquanto um estado anímico pode ser portador de uma culpabilidade maior
ou menor, mas não pode ser uma culpabilidade maior ou menor. Essa definição de
culpabilidade está relacionada

(A) ao conceito material de culpabilidade.


41
(B) à teoria psicológica.
(C) à teoria normativa pura, ou finalista.
(D) à teoria psicológico-normativa, ou normativa complexa.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

O assunto foi abordado na rodada 2 da turma de reta final TJ-PR.

A assertiva C está correta, pois a teoria normativa pura ou finalista indica a culpabilidade
como juízo de reprovação, enquanto a vontade, acompanhada de dolo ou culpa,
encontram-se na tipicidade. As teorias psicológica e psicológica-normativa indicam a
culpabilidade como abrangente do dolo e da culpa (causalismo e neokantismo). Já o
conceito material de culpabilidade tem relação com a responsabilidade subjetiva como
limitação ao poder de punir.

40. Múcio, com o objetivo de ter a posse de um carro, abordou Cláudia, que dirigia
devagar na saída de um estacionamento. Ao surpreendê-la, ele fez sinal para que ela
parasse e, após Cláudia sair do veículo, Múcio a colocou, com violência, dentro do porta-
malas, para impedir que ela se comunicasse com policiais que estavam próximos ao
local. Horas depois do crime, Múcio liberou a vítima em local ermo.

Nessa situação hipotética, a conduta de Múcio o sujeita a responder pelo crime de


(A) roubo em concurso material com sequestro.
(B) extorsão qualificada mediante a restrição da liberdade da vítima.
(C) roubo qualificado, pelo agente ter mantido a vítima em seu poder, restringindo-lhe
a liberdade.
(D) extorsão mediante sequestro.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO


O conteúdo da questão foi abordado na Rodada 10 da turma de reta final TJ-PR.

A questão é passível de recurso pois nenhuma das assertivas está correta. A letra C, dada
pela banca examinadora como correta, não é roubo qualificado e sim roubo majorado
pela restrição da liberdade da vítima.
42
DIREITO PROCESSUAL PENAL

41. Acerca do princípio da identidade física do juiz, é correto afirmar que

(A) o Código de Processo Penal dispõe expressamente hipóteses de limitação de


aplicação desse princípio.
(B) o STF restringiu a eficácia desse princípio ao estabelecer o encerramento da
instrução processual penal como marco para a prorrogação da competência quanto aos
limites do foro por prerrogativa de função.
(C) a oposição de embargos declaratórios contra sentença condenatória proferida por
juiz substituto é hipótese na qual se prorroga a competência desse magistrado, em
obediência ao referido princípio.
(D) a doutrina relaciona esse princípio com os subprincípios da oralidade, da
concentração dos atos e da imediatidade.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. O CPP não dispõe sobre tais hipóteses de limitação ao princípio da
identidade física do juiz, cabendo ao Processo Civil tal limitação. O novo CPC de 2015
não previu tal princípio de modo que a doutrina do Processo Penal tem sugerido que a
lacuna seja suprida pelas leis de organização judiciária.

(B) Incorreta. O entendimento do STF sobre a prorrogação de sua competência em caso


de renúncia do parlamentar após o término da fase de instrução não tem relação com o
princípio da identidade física do juiz, mas sim com o princípio da celeridade e da boa-fé
processual.

(C) Incorreta. Aplicam-se normalmente as ressalvas ao princípio da identidade física do


juiz quanto ao julgamento de embargos de declaração. Se o juiz que proferiu a sentença
entrar de férias logo de imediato, o substituto irá julgar os embargos (STJ HC 155.811-
AL)

(D) Correta. O princípio está ligado aos princípios da oralidade, concentração dos atos e
da imediatidade, pois o juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença, em
regra, na mesma assentada (art. 399, §2º do CPP).

42. À luz da jurisprudência dos tribunais superiores e da legislação a respeito dos sujeitos
do processo penal, é correto afirmar que

(A) as hipóteses de suspeição do juiz estão elencadas taxativamente no Código de


43
Processo Penal, não se admitindo interpretação extensiva dessa lista.
(B) o Código de Processo Penal faculta que o juiz, de ofício, ordene a produção de provas,
desde que tenha sido iniciada a ação penal.
(C) é exigida a outorga de poderes especiais para que a defensoria pública atue como
representante do assistente de acusação.
(D) a nomeação judicial de núcleo de prática jurídica para patrocinar a defesa de réu
dispensa procuração outorgada.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. As hipóteses de suspeição constituem rol meramente exemplificativo. STJ


– RHC 57.415-SP

(B) Incorreta. O art. 156, I do CPP permite a produção antecipada de provas antes de
iniciada a ação penal.

(C) Incorreta. Não há exigência legal de procuração com poderes especiais para que a
Defensoria Pública atue como assistente de acusação.
(D) Correta. STJ - EAresp 798.496-DF

43. A respeito do procedimento de competência do tribunal do júri, assinale a opção


correta.

(A) O quesito que se refere à desclassificação do delito deve ser respondido antes do
quesito genérico da absolvição.
(B) No excesso de linguagem em decisão de pronúncia, a nulidade poderá ser evitada
com a determinação do desentranhamento ou envelopamento da decisão.
(C) Os jurados poderão requerer a leitura de peças que se refiram, exclusivamente, às
provas colhidas por carta precatória e às provas cautelares, antecipadas ou não
repetíveis.
(D) A inércia da defesa para apresentar alegações finais, quando devidamente intimada,
acarreta nulidade processual se o juiz não nomear defensor para suprir a omissão.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO


O tema “Tribunal do Júri” foi revisado na rodada 2 da turma de reta final TJ-PR.
44
(A) Incorreta. STJ – Resp 1.509.504 - SP

(B) O gabarito indica o item como ERRADO, mas vemos que também pode ser
interpretado como CORRETO. É bem verdade que somente o desentranhamento e
envelopamento não são suficientes, por si mesmos, para se evitar a nulidade, devendo
outra decisão ser prolatada (STJ - Resp 1575493). Não é errado, entretanto, se dizer que
são meios de se evitar a nulidade. Por isso, no nosso entendimento, é cabível recurso
contra o item.

(C) Correta. Art. 473, §3º, CPP.

(D) Incorreta. A apresentação de alegações finais pela defesa no procedimento do júri é


facultativa (STJ – RHC 22.919 – RS).

44. Acerca de ação penal e de procedimentos especiais no processo penal, assinale a


opção correta.

(A) Nos casos de ação penal privada por crimes contra a honra, o juiz, antes de receber
a queixa, dará às partes oportunidade de se reconciliarem, promovendo audiência na
qual irá ouvi-las separadamente e sem a presença dos seus advogados.
(B) Nas ações penais privadas, a rejeição da queixa-crime por ausência de justa causa
impossibilita a fixação de honorários advocatícios sucumbenciais.
(C) Nos casos de crimes contra propriedade imaterial que deixem vestígios, o exame de
corpo de delito é condição de punibilidade.
(D) Em caso de crime de responsabilidade cometido por funcionário público, a
notificação do acusado antes do recebimento da denúncia ou queixa é exigida apenas
na hipótese de cometimento de crimes funcionais próprios.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO

(A) Correta. Art. 520 do CPP.

(B) Incorreta. STJ – Eresp 1.218.726-RJ

(C) Incorreta. Condição de procedibilidade. STJ REsp 336553 SP.

(D) Incorreta (passível de recurso). De fato, o art. 513 do CPP não faz ressalvas, mas é
possível recorrer do gabarito em razão do HC 38.811-SP do STJ, que faz menção somente
45
aos crimes funcionais próprios para o direito de notificação para resposta.

45. No que se refere a sentença e recursos no processo penal, assinale a opção correta.

(A) O STJ entende cabível a interposição de recurso especial adesivo pelo Ministério
Público em matéria penal, com o fundamento de que, diante da omissão do Código de
Processo Penal, deve-se aplicar o Código de Processo Civil.
(B) A apelação é o recurso cabível contra a decisão do juiz que, reconhecendo de ofício
a litispendência, extingue o processo.
(C) O STJ considera válida a sentença penal condenatória registrada por meio
audiovisual, bastando que seja transcrita nos autos, para fins recursais, a parte
dispositiva da sentença.
(D) A sentença absolutória imprópria não faz coisa julgada material no processo penal.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO


(A) Incorreta. Não cabe recurso adesivo no Processo Penal - STJ - AgRg nos EDcl no AREsp
1234136 / RS
(B) Correta. Cabe apelação residual do art. 593, II do CPP, segundo o entendimento de
Renato Brasileiro.
(C) Embora o item tenha sido considerado ERRADO pela banca, é possível recorrer com
base no HC 462.253, em que o STJ considerou válida a sentença registrada por meio
audiovisual.
(D) Incorreta. HC 339.635-ES

46. A respeito de competência jurisdicional, é correto afirmar que

(A) a competência penal por prerrogativa de função não prevalece sobre a regra de
competência do local da infração.
(B) competem à justiça federal o processamento e o julgamento unificado de crimes
conexos de competência federal e estadual, salvo se os crimes afetos ao juízo estadual
forem mais graves.
(C) a competência constitucional do tribunal do júri é uma clausula pétrea, razão pela
qual é inadmitida a sua ampliação por lei ordinária.
(D) o juízo de admissibilidade da exceção da verdade relacionada ao crime de calúnia
em desfavor de autoridade pública com foro por prerrogativa de função é de
competência das instâncias ordinárias.
46
RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. A prerrogativa de função prevalece sobre a competência territorial (art.


78, III do CPP)

(B) Incorreta. O fato de o crime estadual ser mais grave não afeta a regra de conexão
que atria a competência da Justiça Federal (art. 78, IV do CPP).

(C) Incorreta. É tranquilo na doutrina o entendimento de que a competência do Tribunal


do Júri pode ser ampliada por lei ordinária.

(D) Correta. Quando o querelante tem foro por prerrogativa de função o julgamento da
exceção da verdade ocorre no órgão competente para julgá-lo pelo suposto crime
imputado, mas o juízo de admissibilidade na exceção é julgado normalmente na
instância ordinária, na qual o querelado está sendo processado (art. 85 do CPP e STJ Ex.
Ved 25/SP).
47. A respeito de garantias e prerrogativas legais na condução da persecução penal,
assinale a opção correta.

(A) De acordo com o STJ, a prerrogativa legal da intimação pessoal do defensor dativo
no processo penal pode ser renunciada expressamente pelo profissional.
(B) Para o STF, a autoridade policial pode indiciar autoridade pública com prerrogativa
de foro independentemente de previa autorização do órgão judicante competente no
qual tramita o inquérito policial.
(C) O STF entende que a entrada forçada de agentes estatais em domicílio, sem
mandado judicial e no período noturno, é lícita somente quando amparada em fundadas
razões de flagrante delito previamente justificadas.
(D) De acordo com o STJ, a teoria do juízo aparente não serve à ratificação de atos
decisórios emanados por autoridade posteriormente considerada incompetente em
razão da matéria.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO


47
(A) Correta. STJ – RCH 44.684-SP. “A intimação do defensor dativo apenas pela impressa
oficial não implica reconhecimento de nulidade caso este tenha optado expressamente
por esta modalidade de comunicação dos atos processuais, declinando da prerrogativa
de ser intimado pessoalmente”.

(B) A banca considerou o item como Errado mas é possível interpretar-se como Correto.
No Inquérito 4621 o STF, por meio de decisão monocrática manteve indiciamento do
Delegado em relação ao Presidente da República com base na lei 12.830/13, sem a
necessidade de autorização judicial.
(C) Incorreta. A propria Constituição Federal ressalva 3 hipóteses que permitem a
entrada do domicílio pela autoridade sem autorização do morador e sem mandado
judicial. São elas o flagrante delito, desastre e para prestar socorro (art. 5 º, XI da CF).

(D) Incorreta. STF - 31.629- PR. “A homologação de acordo de colaboração premiada por
juiz de primeiro grau de jurisdição, que mencione autoridade com prerrogativa de foro
no STJ, não traduz em usurpação de competência desta Corte Superior”.

48. Considerando os dispositivos legais e o entendimento dos tribunais superiores


acerca de aspectos processuais da execução penal, assinale a opção correta.
(A) A mudança de domicílio do condenado beneficiário de livramento condicional
acarreta a modificação da competência da execução penal.
(B) A prática esportiva pelo apenado possibilita remição da pena em razão da
interpretação extensiva do STJ quanto às hipóteses de trabalho e estudo previstas na
Lei de Execução Penal.
(C) O direito de entrevista pessoal e reservada do preso com o seu advogado pode ser
restringido por ato motivado do diretor do estabelecimento prisional.
(D) De acordo com o STF, a transferência do apenado para penitenciária federal por
motivo de segurança pública não é compatível com a progressão de regime prisional.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. STJ CC 120.747-PR. “Réu beneficiado com o livramento condicional ou


condenado a pena restritiva de direito que venha a mudar de domicílio, a execução da
pena compete ao Juízo da condenação, que deverá, por meio de carta precatória,
determinar ao Juízo onde reside o apenado, tão-somente, a realização da audiência
admonitória e a fiscalização do cumprimento das sanções impostas”.

(B) Incorreta. STJ - HC 131.170-RJ. “Na hipótese, a participação do ora paciente em aulas
de capoeira, ainda que contribua para sua ressoacialização, não pode ser interpretada
48
como frequência em curso de ensino formal, tendo em vista tratar-se de prática
esportiva e não de atividade intelectual, propriamente dita”.

(C) Incorreta. STJ - RMS 18045 – PR. “Declaração de ilegalidade do art. 6º, V, da
Resolução n. 92/03 da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania. Prerrogativas da
advogada impetrante restabelecidas”.

(D) Correta. STF – HC - 131.649-RJ. “Não faz jus ao benefício da progressão de regime o
condenado que esteja cumprindo pena em penitenciária federal de segurança máxima
por motivo de segurança pública ou que integre organização criminosa, pois tais
circunstâncias evidenciam a ausência dos requisitos subjetivos para a progressão de
regime prisional”.

49. Acerca de institutos e situações afetas ao Estatuto do Desarmamento, à Lei


Antidrogas, à Lei Maria da Penha e à Lei das Interceptações Telefônicas, assinale a opção
correta.

(A) A Lei Antidrogas estabelece que nenhum pedido de restituição será conhecido sem
o comparecimento pessoal do acusado em juízo.
(B) Depois de elaborado e juntado aos autos o laudo pericial de armas de fogo
apreendidas em determinada operação, as armas deverão ser encaminhadas pelo juiz
competente ao Comando do Exército para destruição ou doação.
(C) A gravação fruto de interceptação telefônica que não interessar à prova poderá ser
inutilizada de ofício pelo juiz.
(D) O deferimento de medida protetiva de urgência a vítima de violência doméstica e
familiar não pode ser impugnado por habeas corpus.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO

(A) Correta. Art. 60, §3º da lei 11.343/06.

(B) O item está incompleto mas não está errado. É possível a adequação do item ao art.
25 da lei 10.826/03.

(C) Incorreta. O art. 9º da lei 9296/96 exige requerimento do Ministério Público ou da


parte interessada.
49
(D) Incorreta. A medida tem relação com a Liberdade de locomoção, sendo tranquilo o
entendimento quanto ao cabimento de HC.

50. A respeito de questões e processos incidentes em âmbito penal, é correto afirmar


que
(A) o leilão público de bens sequestrados, após o trânsito em julgado da sentença
condenatória, está condicionado ao exclusivo requerimento da parte interessada.
(B) o deferimento das medidas assecuratórias de natureza patrimonial previstas no
Código de Processo Penal está submetido ao princípio da jurisdicionalidade.
(C) o Código de Processo Penal não admite a oposição verbal da exceção de
incompetência.
(D) o juiz, no incidente de insanidade mental, pode, de ofício e independentemente da
anuência da defesa, determinar a apresentação compulsória do acusado em exame
médico.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. O art. 133 do CPP permite que o juiz determine o leilão público de ofício.
(B) Correta. Arts. 127 e 136 do CPP.

(C) Incorreta. Art. 108 do CPP.

(D) Incorreta. STF – HC 133.078 – RJ. “O incidente de insanidade mental, que subsidiará
o juiz na decisão sobre a culpabilidade ou não do réu, é prova pericial constituída em
favor da defesa, não sendo possível determiná-la compulsoriamente quando adefesa se
opõe”.

DIREITO CONSTITUCIONAL

51. À luz dos dispositivos constitucionais e do entendimento jurisprudencial acerca do


processo legislativo, é correto afirmar que as leis que dispõem sobre o aumento da
remuneração de servidores em cargos públicos na esfera estadual da administração
direta é de iniciativa:

(A) exclusiva da assembleia legislativa estadual, devendo esse reajuste ser vinculado aos
índices federais de correção monetária.
(B) privativa do presidente da República, sendo inconstitucional a vinculação desse
reajuste aos índices federais de correção monetária.
50
(B) exclusiva do Congresso Nacional, devendo esse reajuste ser vinculado aos índices
federais de correção monetária.
(D) privativa do governador do estado, sendo inconstitucional a vinculação desse
reajuste aos índices federais de correção monetária.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

As leis que versam sobre “a criação de cargos, funções ou empregos públicos na


administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração” são de iniciativa do
chefe do poder executivo, na forma do art. 61, §1º, II, “a”, da CF/88, aplicável a todos os
entes federados por simetria com o modelo da União Federal.

Como a questão versa sobre servidores estaduais, a competência legislativa é privativa


(ressaltando-se que o termo “exclusiva” se relaciona à competência administrativa) do
governador do estado.

De outro turno, na forma da súmula vinculante 42, do STF, “é inconstitucional a


vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices
federais de correção monetária”.
Portanto, a única opção correta é a D.

52. Uma autoridade pública ordenou a prática de ato ilegal contra determinada pessoa
jurídica; com isso, agiu com abuso de poder e violou direito líquido e certo dessa pessoa
jurídica. A prejudicada impetrou mandado de segurança contra o ato abusivo, no
entanto outra autoridade pública, diversa da que praticou o ato, foi indicada
erroneamente como coatora. Vinculada hierarquicamente à autoridade coatora, a
autoridade indicada, mesmo não sendo a coatora, manifestou-se no mérito ao prestar
informações. Os demais requisitos legais do remédio constitucional foram todos
preenchidos.
Nessa situação hipotética, considerando-se que não houve modificação de competência
estabelecida pela Constituição Federal de 1988, o juiz deverá, de acordo com o
entendimento jurisprudencial dos tribunais superiores,

(A) declarar a invalidade da manifestação da autoridade indicada, chamando ao


processo a autoridade coatora legítima.
(B) aplicar a teoria da encampação, considerando legítima a autoridade indicada como
coatora para figurar no polo passivo.
(C) determinar a emenda à inicial, para que o impetrante indique corretamente a
autoridade coatora.
51
(D) declarar a nulidade processual, em razão da ilegitimidade passiva da autoridade
indicada.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

O tema “Teoria da Encampação” foi revisado na rodada 9 e na questão 90 do 204º


Simulado (TJ-PR), atividade da turma de reta final TJ-PR.

O gabarito da questão pressupõe o conhecimento da Súmula 628, do STJ: “A teoria da


encampação é aplicada no mandado de segurança quando presentes, cumulativamente,
os seguintes requisitos: a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que
prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b) manifestação a
respeito do mérito nas informações prestadas; e c) ausência de modificação de
competência estabelecida na Constituição Federal”.
Nesse sentido, a opção B é a única correta.

53. Um órgão fracionário de determinado tribunal afastou a incidência de parte de ato


normativo do poder público, sem declarar expressamente a inconstitucionalidade do
ato.
Nessa situação hipotética, segundo a Constituição Federal de 1988 e o entendimento
sumulado do STF, a decisão desse órgão fracionário

(A) não violou a cláusula de reserva do plenário, o que ocorreria somente se tivesse sido
declarada a inconstitucionalidade do ato normativo.
(B) não violou a cláusula de reserva do plenário, uma vez que afastou a incidência apenas
de parte do ato normativo.
(C) violou a cláusula de reserva de plenário, uma vez que o afastamento da incidência
do referido ato só poderia ocorrer concomitantemente à declaração de
inconstitucionalidade deste.
(D) violou a cláusula de reserva do plenário, uma vez que afastou a incidência, ainda que
em parte, de ato normativo do poder público.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

O tema foi revisado na rodada 5 da turma de reta final TJ-PR e na assertiva “C” da
questão 52 do 204º Simulado Mege (TJ-PR).

Consoante a Súmula Vinculante nº 10 do STF, “viola a cláusula de reserva de plenário


(CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare
52
expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público (erro
dos itens A e C), afasta sua incidência, no todo ou em parte (erro do item B).”

A única opção que corresponde integralmente a este enunciado é o item D.

54. De acordo com disposições da Constituição Federal de 1988, para integrar a


organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum, os
estados podem instituir aglomerações urbanas, constituídas por agrupamentos de
municípios limítrofes, mediante

(A) decreto legislativo


(B) resolução
(C) lei ordinária
(D) lei complementar

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

O gabarito da questão corresponde à literalidade do art. 25, §3º, da CF/88: “Os Estados
poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações
urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para
integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse
comum.”

O item correto, por conseguinte, é o D.

55. O STF pode, por decisão da maioria absoluta de seus membros, deferir pedido de
medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade, determinando que juízes
e tribunais suspendam o julgamento de processos que envolvam a aplicação de lei ou
de ato normativo objeto da referida ação até o seu julgamento definitivo. Nesse sentido,
a medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade, até o julgamento final
da ação, produzirá efeito

(A) repristinatório e eficácia ex tunc.


(B) vinculante e eficácia ex nunc.
(B) vinculante e eficácia ex tunc.
(C) repristinatório e eficácia ex nunc.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS
53
O assunto foi revisado na Rodada 05 da turma de reta final TJ-PR.

Trata-se de mais uma questão baseada na literalidade da lei.

Conforme art. 11, §1º, da Lei nº 9.868/99 (que versa o procedimento da ADI e ADC), “a
medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc,
salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa”.

Ressalte-se que aludido artigo, embora esteja no capítulo relativo a ADI, também se
aplica à ação declaratória de constitucionalidade. Tal conclusão decorre do art. 21 de
aludida lei (“consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais, suspendam o
julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto
da ação até seu julgamento definitivo”). O comando é geral (“juízes e os Tribunais”),
razão pela qual se depreende ser vinculante. Ademais, não prevê retroação dos efeitos:
pelo contrário, o parágrafo único do art. 21 prevê perda automática da eficácia cautelar
se o Tribunal não julgar o feito em 180 dias.

Por isso, a alternativa B é correta.

56. Tratando-se de processo referente a crime de responsabilidade cometido por


presidente da República, a Constituição Federal de 1988 exige que o juízo de
admissibilidade seja realizado

(A) pelo Congresso Nacional.


(B) pela Câmara dos Deputados.
(C) pelo Senado Federal.
(D) pelo STF.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

O assunto foi abordado na questão 50 do 209º Simulado Mege (TJ-PR II).

Na forma do art. 86 da CF/88, “admitida a acusação contra o Presidente da República,


por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o
Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal,
nos crimes de responsabilidade”.

Depreende-se que o juízo de admissibilidade compete à Câmara dos Deputados e o


julgamento do mérito competirá ao STF ou ao Senado, a depender da natureza do crime
praticado (comum ou de responsabilidade).
54
A única opção correta é a B.

57. Entre os princípios gerais previstos no texto da Convenção Internacional sobre


Direitos das Pessoas com Deficiência inclui-se, expressamente, o princípio

(A) da tolerância.
(B) da igualdade entre homem e mulher.
(C) do cuidado em tempo integral
(D) da prioridade de atendimento.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

A questão exigiu o conhecimento da literalidade do art. 3º, da Convenção Internacional


sobre Direitos das Pessoas com Deficiência (Decreto nº 6.949/09), redigido nos
seguintes termos:

“Artigo 3
Princípios gerais
Os princípios da presente Convenção são:

a) O respeito pela dignidade inerente, a autonomia individual, inclusive a liberdade de


fazer as próprias escolhas, e a independência das pessoas;
b) A não-discriminação;
c) A plena e efetiva participação e inclusão na sociedade;
d) O respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência como parte da
diversidade humana e da humanidade;
e) A igualdade de oportunidades;
f) A acessibilidade;
g) A igualdade entre o homem e a mulher;
h) O respeito pelo desenvolvimento das capacidades das crianças com deficiência e pelo
direito das crianças com deficiência de preservar sua identidade.”.

Desta forma, consoante alínea “g”, apenas a alternativa B está correta.

58. Considerando-se o surgimento e a evolução dos direitos fundamentais em gerações,


é correto afirmar que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é
considerado, pela doutrina, direito de

(A) quarta geração.


55
(B) primeira geração.
(C) segunda geração.
(D) terceira geração.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

A questão foi abordada na rodada 6 (Direito Ambiental) e no aulão de véspera em


Curitiba/PR.

Transcreve-se o teor do MS 22.164, rel. min. Celso de Mello, DJ de 17-11-1995, que


consagrou no STF a categoria dos direitos fundamentais de terceira geração, o que é
consagrado também pela doutrina. Aludido julgado é bastante elucidativo ao diferenciar
as três dimensões de direitos fundamentais:

O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração – constitui


prerrogativa jurídica de titularidade coletiva, refletindo, dentro do processo de
afirmação dos direitos humanos, a expressão significativa de um poder atribuído, não
ao indivíduo identificado em sua singularidade, mas, num sentido verdadeiramente mais
abrangente, à própria coletividade social. Enquanto os direitos de primeira geração
(direitos civis e políticos) – que compreendem as liberdades clássicas, negativas ou
formais – realçam o princípio da liberdade e os direitos de segunda geração (direitos
econômicos, sociais e culturais) – que se identificam com as liberdades positivas, reais
ou concretas – acentuam o princípio da igualdade, os direitos de terceira geração, que
materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as
formações sociais, consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento
importante no processo de desenvolvimento, expansão e reconhecimento dos direitos
humanos, caracterizados, enquanto valores fundamentais indisponíveis, pela nota de
uma essencial inexauribilidade.

O único item correto, portanto, é o D.

DIREITO ELEITORAL

59. A respeito da organização judiciária eleitoral, assinale a opção correta.

(A) É vedada a nomeação, para o TSE, de cidadãos que tenham entre si parentesco, ainda
que por afinidade, até quarto grau.
(B) É vedada a nomeação, para o TSE, de cidadão que ocupe cargo público de que seja
demissível ad nutum ou de diretor, proprietário ou sócio de empresa.
(C) A composição do TSE é diferenciada, com previsão de integrantes provenientes da
56
magistratura, da advocacia e do Ministério Público.
(D) A legislação garante vitaliciedade e inamovibilidade aos juízes dos tribunais
eleitorais.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS
(A) Correta. Art. 16, § 1º, CE.

(B) Incorreta. Não pode ser diretor, proprietário ou sócio de empresa beneficiada com
subvenção, privilégio, isenção ou favor em virtude de contrato com a administração
pública. Art. 16, § 2º, CE.

(C) Incorreta. O MP não faz parte da composição. Art. 119 da CF.

(D) Incorreta. Não gozam da garantia de vitaliciedade. Art. 121, §§ 1º e 2º, da CF.

60. A fim de garantir a integridade da votação e prevenir a nulidade ou anulabilidade da


eleição, o presidente de uma mesa receptora de uma seção eleitoral deve
(A) iniciar o processo de votação às 8 horas, independentemente do número de
mesários presente, admitindo eventuais mesários atrasados à medida que se
apresentarem no local de votação.
(B) permitir a livre atuação dos fiscais designados pelos partidos apenas fora do recinto
de votação, em benefício da ordem dos trabalhos.
(C) encerrar a votação antes das 17 horas se todos os eleitores da seção já tiverem
votado.
(D) solicitar a intervenção da força pública se divulgada propaganda agressiva de boca
de urna em carro de som e que constranja os eleitores.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Mínimo de seis membros da mesa (art. 120, CE). O TRE, visando à
racionalização de recursos, pode reduzir a mesa receptora de votos para 4 membros
(Resolução de nº 23.554/2017, em seu art. 16, § 1ª). Verificando a falta de membros, o
presidente da mesa pode nomear eleitores presentes para completar. CE. Art. 123, § 3º
Poderá o presidente, ou membro da mesa que assumir a presidência, nomear ad hoc,
dentre os eleitores presentes e obedecidas as prescrições do § 1º, do Art. 120, os que
forem necessários para completar a mesa.
57
(B) Incorreta. Os fiscais, um de cada vez, atuam junto à mesa receptora. Art. 131 do CE.

(C) Incorreta. Art. 144 do CE.

(D) Correta. CE. Art. 127. Compete ao presidente da mesa receptora, e, em sua falta, a
quem o substituir: III - manter a ordem, para o que disporá de força pública necessária;

61. Assinale a opção que indica uma causa legalmente amparada para o cancelamento
do alistamento eleitoral

(A) residência principal do eleitor localizar-se fora da área do domicílio eleitoral.


(B) aquisição de outra nacionalidade pelo eleitor.
(C) incapacidade comprovada de o eleitor se expressar no idioma nacional.
(D) não comparecimento do eleitor em três eleições consecutivas.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO


(A) Incorreta. Se várias residências, o domicílio será em qualquer uma delas. Art. 42, p.
ú., CE.

(B) Incorreta. Não há correspondência legal.

(C) Incorreta. O TSE entende que o art. 5º, II, CE não foi recepcionada pela CF/88,
conforme Res.-TSE nº 23274/2010.

(D) Correta (pelo gabarito). Art. 71, V, CE. Contudo, o § 3º do art. 7º do CE determina
que haverá o cancelamento se o eleitor não votar em 3 (três) eleições consecutivas, não
pagar a multa ou não se justificar no prazo de 6 (seis) meses, a contar da data da última
eleição a que deveria ter comparecido. Assim, se o eleitor não votar, mas justificar ou
pagar a multa, não há que se falar em cancelamento do alistamento. Nesse sentido,
Resolução do TSE nº 21538/2003, art. 80, § 6º. Portanto, questão passível de anulação!

62. Com relação ao Ministério Público Eleitoral, assinale a opção correta.

(A) Compete apenas ao Ministério Público Federal exercer, junto à justiça eleitoral, as
funções de Ministério Público.
(B) O procurador regional eleitoral será designado, juntamente com seu substituto, pelo
procurador-geral eleitoral, entre os procuradores regionais da República no estado e no
58
Distrito federal ou entre os procuradores da República vitalícios, a seu critério.
(C) Na defesa do regime democrático, cumpre ao Ministério Público Eleitoral a proteção
das eleições contra influência do poder econômico ou contra abuso do poder político.
(D) Tal como ocorre com os juízes do TSE e com os procuradores regionais eleitorais, o
mandato do procurador-geral eleitoral é de dois anos, permitida apenas uma
recondução.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Arts 72, 78 e 79 da Lc nº 75/93.

(B) Incorreta. Art. 76, Lc nº 75/93.

(C) Correta. Art. 72, p. ú., Lc nº 75/93.

(D) Incorreta. Art. 25 c/c art. 73, Lc nº 75/93.

63. A justiça eleitoral apresenta uma divisão interna peculiar, na qual se distinguem a
circunscrição, a zona e a seção eleitoral. A esse respeito, assinale a opção correta.
(A) Compete aos juízes eleitorais dividir a zona eleitoral em seções: em regra, para cada
seção, o limite mínimo é de cinquenta eleitores, e o máximo, de quatrocentos eleitores,
nas capitais, e trezentos eleitores, nas demais localidades.
(B) Sempre que necessário à organização da votação, uma mesa receptora de votos
poderá responder por mais de uma seção eleitoral.
(C) No Brasil, o conjunto de circunscrições é igual à soma do número de estados com o
número de municípios, acrescido o Distrito Federal, uma vez que circunscrição é a
divisão territorial destinada à realização de cada pleito.
(D) Zona eleitoral é o espaço territorial sob a jurisdição de um juiz eleitoral e cujos limites
devem necessariamente coincidir com os da comarca.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

(A) Correta. Art. 35, X, c/c art. 117, ambos do CE.

(B) Incorreta. Art. 119 do CE.

(C) Incorreta. Circunscrição Eleitoral é considerada uma divisão territorial, variando,


contudo, de acordo com o pleito. Nas eleições municipais (prefeito, vice-prefeito e
vereadores), cada município corresponde a uma circunscrição; nas estaduais
59
(governador, vice-governador, deputados federais, deputados estaduais e senadores),
cada estado será uma circunscrição; nas presidenciais (presidente e vice-presidente), a
circunscrição corresponderá a todo o país. Delimitam, assim, o âmbito da votação.

(D) Incorreta. A zona eleitoral pode ser delimitada por mais de um município, ou apenas
por parte dele. Inclusive, cabe ao TRE dividir a respectiva circunscrição em zonas
eleitorais, submetendo essa divisão, assim como a criação de novas zonas, à
aprovação do Tribunal Superior, conforme o art. 30, IX, CE. Assim, a zona eleitoral não
se confunde com comarca, a qual, por sua vez, também não coincide com um
determinado município.

JUIZADOS ESPECIAIS

64. A lei que regulamenta os juizados especiais cíveis admite expressamente

(A) a denunciação da lide.


(B) o chamamento ao processo.
(C) o litisconsórcio.
(D) a assistência simples.
RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

O conteúdo foi abordado no material de Juizados Especiais e na questão 62 do 209º


Simulado Mege (TJ-PR II), atividade da turma de reta final TJ-PR.

O art. 10 da Lei 9.099/95 é expresso em afirmar que não se admitirá, no processo,


qualquer forma de intervenção de terceiro nem de assistência. Admitir-se-á o
litisconsórcio.

De acordo com o NCPC, são intervenções de terceiros: assistência, denunciação da lide,


chamamento ao processo, incidente de desconsideração da personalidade jurídica e
amicus curiae. Contudo, de acordo com o art. 1.062 do CPC/15, admite-se nos juizados
especiais o incidente de desconsideração da personalidade jurídica.

(A) Incorreta. A denunciação à lide é considerada intervenção de terceiros, segundo o


art. 125 do NCPC. Assim, como o art. 10 da Lei 9.099/95 indica que não se admitirá, no
âmbito dos juizados especiais, qualquer forma de intervenção de terceiros, a alternativa
encontra-se incorreta.

(B) Incorreta. O chamamento ao processo é considerado intervenção de terceiros,


segundo o art. 130 do NCPC. Assim, como o art. 10 da Lei 9.099/95 indica que não se
60
admitirá, no âmbito dos juizados especiais, qualquer forma de intervenção de terceiros,
a alternativa encontra-se incorreta.

(C) Correta. O art. 10 da Lei 9.099/95 é expresso em admitir o litisconsórcio no âmbito


dos juizados especiais.

(D) Incorreta. A assistência simples é considerada intervenção de terceiros, segundo o


art. 121 do NCPC. Assim, como o art. 10 da Lei 9.099/95 indica que não se admitirá, no
âmbito dos juizados especiais, qualquer forma de intervenção de terceiros, a alternativa
encontra-se incorreta.

65. Entre outros objetivos, os juizados especiais cíveis estaduais buscam extrair do
processo o máximo de proveito com o mínimo de dispêndio de tempo e energias, razão
pela qual, por exemplo, realiza a colheita de prova pericial de forma simplificada e a
oitiva do perito em audiência. Tal objetivo é consoante com o princípio da

(A) economia processual.


(B) oralidade.
(C) informalidade.
(D) simplicidade.
RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material específico de Juizados Especiais da turma


de reta final TJ-PR.

O artigo 2º da Lei 9.099/95 afirma que o processo orientar-se-á pelos critérios da


oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando,
sempre que possível, a conciliação ou a transação.

(A) Correta. Com o princípio da economia processual, deve ser buscado o máximo
resultado com o menor custo e esforço possível dentro do processo.

(B) Incorreta. O princípio da oralidade é ligado a outros dois princípios: i) princípio da


concentração, de acordo com o qual a realização dos atos processuais nas audiências
deve ser de forma mais concentrada possível; ii) princípio da imediatidade, de acordo
com o qual o juiz deve colher as provas diretamente, sem intermediários. Com base no
princípio da oralidade, os atos realizados oralmente ganham bastante repercussão, a
exemplo da possibilidade de postulação oral pela parte diretamente no Juizado (art. 14)
e da realização de debates na instrução sobre as questões controvertidas.
61
(C) Incorreta. De acordo com o princípio da informalidade, o desenvolvimento do
processo deve se dar de forma facilitada, dispensando-se o formalismo. É de se destacar
que o sistema informal previsto para as ações que tramitam perante os juizados
especiais não permite a adoção pelo magistrado do sistema do livre convencimento
puro. Aplica-se o princípio do livre convencimento motivado (art. 38 desta Lei: A
sentença mencionará os elementos de convicção do Juiz, com breve resumo dos fatos
relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório.).

(D) Incorreta. De acordo com o princípio da simplicidade, deve ser buscado um


procedimento mais simples, menos complicado. A título de exemplo, tem-se a
simplificação do pedido inicial, sem que sejam exigidas as formas do Código Processual
Civil.

66. No que tange a juizado especial criminal estadual, julgue os itens seguintes, quanto
ao entendimento do STJ acerca de competência e suspensão condicional do processo.

I. Em se tratando de processo penal que tramita em juizado especial criminal, a proposta


de suspensão condicional do processo antes do oferecimento da resposta à acusação
não enseja a nulidade do processo.
II. A depender da gravidade do resultado decorrente de infração penal incursa na Lei
Maria da Penha, os benefícios da suspensão condicional do processo têm aplicação
imediata.
III. Para a concessão da suspensão condicional do processo, é necessário, além do
preenchimento dos requisitos objetivos, o atendimento às exigências de ordem
subjetiva do acusado.

Assinale a opção correta.

(A) Apenas o item I está certo.


(B) Apenas o item II está certo.
(C) Apenas os itens I e III estão certos.
(D) Apenas os itens II e III estão certos.
RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

O conteúdo “Suspensão Condicional do Processo no âmbito dos Juizados Especiais” foi


abordado no material de Juizados Especiais e na questão 63 do 209º Simulado Mege (TJ-
PR).
62
(I) Correta. Segundo o STJ, (RHC80.863/PR): “Em razão disso, não há falar em nulidade,
por eventual violação ao contraditório, em virtude da apresentação da resposta à
acusação após o recebimento da denúncia e após a audiência na qual não aceitou a
defesa a proposta de suspensão condicional do processo.”.

(II) Incorreta. Segundo entendimento sumulado do STJ (Súmula 536): A suspensão


condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos
sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.

(III) Correta. Segundo previsão do art. 89 da Lei 9.099/95, nos crimes em que a pena
mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o
Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por
dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido
condenado por outro crime (requisitos objetivos), presentes os demais requisitos
(requisitos subjetivos) que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do
Código Penal).
CÓDIGO DE NORMAS DA CORREGEDORIA-GERAL DA JUSTIÇA DO PARANÁ
E CÓDIGO DE ORGANIZAÇÃO E DIVISÃO JUDICIÁRIAS DO ESTADO DO
PARANÁ

67. De acordo com o Código de Normas da Corregedoria Geral da Justiça, os


lançamentos relativos a receitas realizados no livro próprio por oficial de registro
compreenderão emolumentos previstos na tabela de custas exclusivamente na parte
percebida como receita do próprio delegatário, em razão
(A) dos atos efetivamente praticados, excluídas as quantias recebidas em depósito e
destinadas ao pagamento de tributos.
(B) dos atos efetivamente praticados, acrescidas as quantias recebidas em depósito e
destinadas ao pagamento de tributos.
(C) dos atos efetivamente praticados, excluídos somente os valores que constituam
receita devida aos fundos de renda mínima.
(D) dos atos efetivamente praticados, acrescidas as contribuições obrigatórias devidas
às entidades de classe.

63
LETRA: A
COMENTÁRIOS

Questão tratada no material da turma de reta final TJ-PR. No entanto, sem maior
destaque prévio. Diante disso, entendemos que apenas nesta questão não fomos
decisivos na matéria. A passagem está prevista no parágrafo 1º do artigo 19 do Código
de Normas da Corregedoria (Foro Extrajudicial).

CÓDIGO DE NORMAS DA CORREGEDORIA (FORO EXTRAJUDICIAL)


Art. 19. Os Tabeliães, Oficiais de Registro e Oficiais Distritais, bem como aqueles que
nessa qualidade estiverem designados precariamente, estão obrigados a manter o Livro
de Visitas e Inspeções, o Livro Diário Auxiliar da Receita e da Despesa, o Livro Controle
de Depósito Prévio e o Arquivo de Comunicação de Selos e o Arquivo das Guias de
Recolhimento do FUNSEG. (Redação dada pelo Provimento n. 269/2017)
§ 1º - Os lançamentos relativos a receitas compreenderão os emolumentos previstos na
tabela de custas exclusivamente na parte percebida como receita do próprio
Delegatário, em razão dos atos efetivamente praticados, excluídas as quantias
recebidas em depósito que se destinam ao pagamento de tributos ou outro valor que
constitua receita devida diretamente ao Estado, ao Distrito Federal, ao Tribunal de
Justiça, a outras entidades de direito, e aos fundos de renda mínima e de custeio de atos
gratuitos, conforme previsão legal específica. (Redação dada pelo Provimento n.
269/2017)

68. Determinado ato de natureza geral praticado pela Corregedoria Geral da Justiça e
pela Corregedoria da Justiça destina-se a aplicar, em casos concretos, os dispositivos
legais atinentes à atividade funcional de magistrados, serventuários e funcionários da
justiça. De acordo com o Código de Normas da Corregedoria Geral da Justiça, o referido
ato é denominado
(A) portaria.
(B) ordem de serviço.
(C) provimento.
(D) instrução.

LETRA: A
COMENTÁRIOS

Questão cravada no item 32 do simulado final relativo à matéria (onde revisamos o


conceito de “portaria” e destacamos o art. 11 do Código de Normas da Corregedoria – 64
Foro Judicial, especificamente o que foi exigido em prova).

CÓDIGO DE NORMAS DA CORREGEDORIA (FORO JUDICIAL)


Art. 11. São atos praticados pela Corregedoria-Geral da Justiça e pela Corregedoria da
Justiça, entre outros:
I – Provimento: Ato de caráter normativo, cuja finalidade é esclarecer e orientar a
execução dos serviços judiciais e extrajudiciais em geral. Quando emanado para alterar
o Código de Normas, deverá indicar expressamente a norma alterada, a fim de preservar
a sistematização e a numeração existentes;
II – PORTARIA: Ato de natureza geral destinado a aplicar, em casos concretos, os
dispositivos legais atinentes à atividade funcional de Magistrados, Serventuários e
funcionários da Justiça;
III – Instrução: Ato de caráter complementar, cujo objetivo é orientar a execução de
serviço judiciário específico;
IV – Ofício-Circular: Documento pelo qual se divulga matéria normativa ou
administrativa, para conhecimento geral;
V - Ordem de Serviço: Ato de providência interna e circunscrita ao plano administrativo
da Corregedoria-Geral da Justiça.
69. De acordo com a Lei Estadual n.º 14.277/2003 — Código de Organização e Divisão
Judiciárias do Estado do Paraná —, a indicação de juiz diretor dos juizados especiais da
capital do estado do Paraná para compor o Conselho de Supervisão dos Juizados
Especiais compete ao

A) presidente do tribunal de justiça.


B) órgão especial do tribunal de justiça.
C) Conselho da Magistratura.
D) corregedor geral da justiça.

LETRA: C
COMENTÁRIOS

Questão tratada na página 23 do material de apoio de Organização Judiciária, no item


30 do simulado final relativo à matéria (onde destacamos ser esta uma função específica
do Conselho da Magistratura, como fonte de pegadinha, além de apresentar o art. 57
do Código de Divisão e Organização Judiciárias do Paraná) e no aulão de véspera em 65
Curitiba/PR (em alerta durante exposição aos alunos).

CÓDIGO DE ORGANIZAÇÃO E DIVISÃO JUDICIÁRIAS DO ESTADO DO PARANÁ


(LEI ESTADUAL Nº 14.277/2003)

Art. 57. Compõem o Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais:

I – o Presidente do Tribunal de Justiça;


II – o Vice-Presidente do Tribunal de Justiça;
III – o Corregedor-Geral da Justiça;
IV – um Juiz Diretor dos Juizados Especiais da Capital;
V – um Juiz Supervisor dos Juizados Especiais de uma das comarcas de entrância final
do interior;
VI – um Juiz Presidente de Turma Recursal.

Parágrafo único. Os Juízes a que se referem os incisos IV, V e VI serão indicados pelo
Conselho da Magistratura.

70. Segundo o Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado do Paraná, auxiliar


da justiça do foro judicial que revelar informação de natureza sigilosa de que tenha tido
ciência em razão do cargo ficará sujeito à penalidade de
A) suspensão.
B) demissão.
C) advertência cumulada com multa, se do fato não originar prejuízo às partes.
D) censura cumulada com multa, se do fato não originar prejuízo às partes.

LETRA: A
COMENTÁRIOS

Questão tratada na página 54 do material de apoio de Organização Judiciária e no


AULÃO DE VÉSPERA em Curitiba/PR (em alerta durante exposição aos alunos, quando
mencionamos o termo “fofoqueiro” para associar ao caso – deu certo!).

Art. 163. Os auxiliares da justiça do foro judicial, pelas faltas cometidas no exercício de
suas funções, ficarão sujeitos às seguintes penas disciplinares:
IV - DE SUSPENSÃO, aplicada em caso de reincidência em falta de que tenha resultado
na aplicação de pena de censura, ou em caso de infringência às seguintes proibições:
a) exercer cumulativamente dois ou mais cargos ou funções públicas, salvo as exceções 66
permitidas em lei;
b) retirar, modificar ou substituir, sem prévia autorização da autoridade competente,
qualquer documento de órgão estatal, com o fim de criar direito ou obrigação ou de
alterar a verdade dos fatos;
c) valer-se do cargo ou função para obter proveito pessoal em detrimento da dignidade
do cargo ou função; (redação dada pela Lei nº 14.925 de 24/11/2005 – DOE nº 7109 de
25/11/2005).
d) praticar usura;
e) REVOGADO; (pela Lei nº 18.787 de 23/05/2016 – DOE nº 9704 de 24/05/2016).
f) REVELAR FATO OU INFORMAÇÃO DE NATUREZA SIGILOSA DE QUE TENHA CIÊNCIA
EM RAZÃO DO CARGO OU FUNÇÃO;
g) delegar, salvo nos casos previstos em lei, o desempenho de encargo que a si competir
ou a seus subordinados;
h) deixar de comparecer ao trabalho sem causa justificada;
i) retirar ou utilizar materiais e bens do Estado indevidamente;
j) deixar de cumprir atribuições inerentes ao cargo no prazo estipulado.
BLOCO III

DIREITO EMPRESARIAL

71. O juízo falimentar é universal: atrai todas as ações e os interesses da sociedade falida
e da massa falida. De acordo com a regra geral da Lei de Falências, essa atratividade
ocorrerá na ação em tramitação em que a massa falida figure na condição de

(A) sujeito passivo de uma execução tributária.


(B) autora ou litisconsorte ativa em ações não reguladas na Lei de Falências.
(C) sujeito passivo de uma reclamação trabalhista.
(D) sujeito passivo no cumprimento de sentença líquida por reparação de danos.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

O tema foi abordado no material da turma de reta final TJ-PR e na assertiva “A” da
questão 76 do 209º Simulado Mege (TJ-PR).
67
(A) Incorreta. Tributária não é atraída.

(B) Incorreta. Como autora? Aí não atraí.

(C) Incorreta. Trabalhista não é atraída.

(D) Correta. Conforme art. 76 da LFR: “O juízo da falência é indivisível e competente para
conhecer todas as ações sobre bens, interesses e negócios do falido, ressalvadas as
causas trabalhistas, fiscais e aquelas não reguladas nesta Lei em que o falido figurar
como autor ou litisconsorte ativo”.

72. No que se refere a títulos de crédito, assinale a opção correta, de acordo com a
jurisprudência sumulada pelo STJ.

(A) Em caso de endosso translativo, o endossatário que responder por dano decorrente
de protesto indevido de título com vício formal tem direito de regresso contra
endossantes e avalistas.
(B) No caso de endosso-mandato, os danos decorrentes de protesto indevido e não
previstos no mandato serão exclusivos do endossante.
(C) O fato de a obrigação cambial ser assumida pelo procurador do mutuário no
exclusivo interesse do mutuante não torna tal obrigação nula.
(D) A legislação referente às cédulas de crédito rural, comercial e industrial veda o pacto
de capitalização de juros.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

O conteúdo foi abordado no material da turma de reta final TJ-PR.

(A) Correta. Súmula 475 do STJ.

(B) Incorreta. No caso de endosso-mandato (impróprio), o endossatário só responde por


danos decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes de mandatário (STJ,
Súmula 476).

(C) “É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao


mutuante, no exclusivo interesse deste.” (STJ, Súmula nº 60)

(D) “A legislação sobre cédulas de crédito rural, comercial e industrial admite o pacto de
capitalização de juros.” (STJ, Súmula nº 93).

73. Com relação a consórcios, a Lei das Sociedades Anônimas dispõe que
68
(A) as companhias consorciadas respondam diretamente por suas obrigações e
subsidiariamente em relação às demais consorciadas.
(B) a falência de uma consorciada é motivo de extinção do consórcio.
(C) o consórcio será constituído por estatuto social.
(D) o consórcio não tem personalidade jurídica.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Art. 278, § 1º, da Lei nº 6.404/76: “[...] as consorciadas somente se
obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por
suas obrigações, sem presunção de solidariedade”.

(B) Incorreta. Art. 278, § 2º, da Lei nº 6.404/76: “A falência de uma consorciada não se
estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que
porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de
consórcio.”
(C) Incorreta. “Art. 279, caput, da Lei nº 6.404/76. O consórcio será constituído mediante
contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de
bens do ativo não circulante, do qual constarão”.

(D) Correta. Art. 278, § 1º, da Lei nº 6.404/76: “O consórcio não tem personalidade
jurídica [...]”.

74. Tendo como referência as disposições do Código Civil de 2002 relativas ao direito
societário, assinale a opção correta.

(A) Sociedade em nome coletivo admite como sócio pessoa jurídica de responsabilidade
limitada, que responderá por até o valor de seu capital social subscrito.
(B) Sociedade em comandita simples admite como sócios comanditários pessoas físicas
e jurídicas, que responderão indistintamente e ilimitadamente pela satisfação das
obrigações contraídas.
(C) Na sociedade em comum, todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente, e o
sócio que contratar com terceiro pela sociedade perderá o benefício de ordem dos bens
da sociedade sobre seus particulares.
(D) Na sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo responde ilimitadamente,
e o oculto responde subsidiariamente perante terceiros.
69
RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

A questão foi abordada no material da turma de reta final TJ-PR.

(A) Incorreta. Art. 1.039, caput, do CC: “Somente pessoas físicas podem tomar parte na
sociedade em nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente,
pelas obrigações sociais.”

(B) Incorreta. Art. 1.045, caput, do CC: “Na sociedade em comandita simples tomam
parte sócios de duas categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária
e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados somente pelo
valor de sua quota”.

(C) Art. 990 do CC: “Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que
contratou pela sociedade”.

(D) Art. 991 do CC: “Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do
objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob
sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados
correspondentes. Parágrafo único. Obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio
ostensivo; e, exclusivamente perante este [sócio ostensivo], o sócio participante, nos
termos do contrato social”.

75. O nome empresarial identifica o sujeito de direito; a marca identifica, direta ou


indiretamente, produtos ou serviços. A respeito desses dois institutos — nome
empresarial e marca —, assinale a opção correta.

(A) Devido ao princípio da especificidade, a proteção da marca de alto renome e do


nome empresarial se restringe aos segmentos dos produtos ou serviços passíveis de
dúvidas.
(B) O direito de utilização exclusiva de marca se extingue em vinte anos, podendo ser
prorrogado, ao passo que o do nome empresarial vigora por prazo indeterminado.
(C) O registro da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) garante,
consequentemente, a proteção do nome empresarial, independentemente do registro
deste nas juntas comerciais.
(D) A proteção conferida ao nome empresarial se exaure nos limites do estado federado
onde fica a junta comercial na qual se fez seu registro, sendo sua proteção nos demais
estados condicionada ao seu registro nas respectivas juntas comerciais.
70
RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

A questão foi abordada no material da turma de reta final TJ-PR.

(A) Incorreta. Art. 125 da Lei nº 9.279/96: “À marca registrada no Brasil considerada de
alto renome será assegurada proteção especial, em todos os ramos de atividade”.

(B) Incorreta. Art. 133, caput, da Lei nº 9.279/96: “O registro da marca vigorará pelo
prazo de 10 (dez) anos, contados da data da concessão do registro, prorrogável por
períodos iguais e sucessivos”.

(C) Incorreta. Art. 1.166 do CC: “A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das
pessoas jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso
exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. Parágrafo único. O uso previsto
neste artigo estender-se-á a todo o território nacional, se registrado na forma da lei
especial”.

(D) Art. 1.166 do CC: “A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas
jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso exclusivo
do nome nos limites do respectivo Estado. Parágrafo único. O uso previsto neste artigo
estender-se-á a todo o território nacional, se registrado na forma da lei especial.”
Ademais: “o nome empresarial goza de proteção jurídica tão somente no âmbito do ente
federativo onde se localiza a Junta Comercial em que arquivados os atos constitutivos
da sociedade que o titula, podendo ser estendida a todo território nacional apenas na
hipótese de pedido de arquivamento nas demais Juntas Comerciais. Precedentes. (…).”
(STJ, REsp 1.686.154/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em
20/02/2018).

76. De acordo com disposição do Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de


Pequeno Porte, poderá ser beneficiária de tratamento jurídico diferenciado a pessoa
jurídica que

(A) tiver filial no Brasil e sede no exterior.


(B) tiver sido constituída sob a forma de cooperativa de consumo.
(C) tiver sido constituída sob a forma de sociedade por ações.
(D) tiver derivado da cisão de empresas, ocorrida em até três anos-calendário
anteriores.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS
71
(A) Incorreta. Art. 3º, § 4º, II, da Lei Complementar nº 123/06.

(B) Correta. Exceção prevista no art. 3º, § 4º, inciso VI, parte final, da Lei Complementar
nº 123/06: “Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta
Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar,
para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: [...]VI – constituída sob a forma de
cooperativas, salvo as de consumo”.

(C) Incorreta. Lei Complementar nº 123/06, art. 3º, § 4º, X.

(D) Incorreta. Art. 3º, § 4º, IX, da Lei Complementar nº 123/06.

77. Conforme o Código Civil, equipara-se à condição de pessoa empresária


(A) um artista plástico famoso que angarie grandes valores com a venda de obras
plásticas por ele confeccionadas.

(B) um grupo de pessoas que pretenda constituir uma cooperativa para intermediar a
venda de produtos fabricados em determinada comunidade.
(C) um casal que resolva criar um instituto exclusivamente para difundir informações
sobre determinada causa social.
(D) um empresário rural cuja principal atividade seja a agricultura e que esteja
devidamente inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

A questão foi abordada no material da turma de reta final TJ-PR.

(A) Art. 966 do CC. “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo
único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores,
salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”.

(B) Art. 982 do CC: “Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade
que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art.
967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto,
considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa”.
72
(C) Art. 53, caput, do CC: “Constituem-se as associações pela união de pessoas que se
organizem para fins não econômicos”.

(D) Art. 971 do CC. “O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão,
pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer
inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que,
depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a
registro.”

DIREITO TRIBUTÁRIO

78. Duas pessoas celebraram entre si um contrato de prestação de serviço sujeito a uma
condição suspensiva. A natureza dessa prestação sujeita uma das partes ao pagamento
de uma taxa, para a qual não há regramento específico na hipótese de negócio jurídico
condicional.

Nessa situação, o fato gerador da obrigação tributária principal ocorre no momento

(A) do implemento da condição suspensiva.


(B) da efetiva prestação do serviço
(C) da celebração do negócio jurídico.
(D) da prática do ato jurídico condicional.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

(A) Correta. CTN. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição
de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e
acabados: I - sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento;

(B), (C) e (D) Incorretas. Só se fossem condição resolutória. Art. 117, II, CTN;

79. De acordo com o Código Tributário Nacional, o sujeito ativo da obrigação tributária
principal é a pessoa

(A) física ou jurídica obrigada ao pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária de


natureza tributária.
(B) física ou jurídica que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitui o
respectivo fato gerador.
(C) jurídica de direito público titular da competência de exigir o cumprimento da
73
obrigação.
(D) jurídica de direito público destinatária do produto da arrecadação do referido
tributo.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Definição de sujeito passivo. Art. 121 do CTN.

(B) Incorreta. Definição de contribuinte. Art. 121, p. ú., I, do CTN.

(C) Correta. CTN. Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito
público, titular da competência para exigir o seu cumprimento.

(D) Incorreta. Traz conceito de parafiscalidade.

80. São modalidades de suspensão do crédito tributário

(A) a remissão e o parcelamento.


(B) o parcelamento e a moratória.
(C) a anistia e moratória.
(D) a remissão e a anistia.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Remissão é forma de extinção. Art. 156, IV, CTN

(B) Correta. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I - moratória; VI –


o parcelamento. CTN

(C) Incorreta. Anistia é forma de exclusão. Art. 175, II, do CTN.

(D) Incorreta. Remissão é forma de extinção (Art. 156, IV, CTN) e Anistia é forma de
exclusão (Art. 175, II, CTN).

81. A empresa X adquiriu todo o fundo de comércio da empresa Y e passou a explorar o


negócio sob outra razão social. Após a venda do fundo, Y encerrou regularmente suas
atividades, sem que tenha havido falência ou recuperação judicial.

De acordo com a jurisprudência majoritária do STJ, em relação a tributos e multas


74
devidos pela empresa Y e referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão,
a empresa X responderá

(A) apenas pelas multas moratórias ou punitivas, e não pelos tributos devidos.
(B) apenas pelos tributos devidos, e não pelas multas moratórias ou punitivas.
(C) pelos tributos devidos e pelas multas moratórias, mas não pelas multas punitivas.
(D) pelos tributos devidos e pelas multas moratórias ou punitivas.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

Súmula 554-STJ: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora


abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas
moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão.

82. Doutrinariamente, a regra-matriz de incidência tributária pode ser dividida nos seus
aspectos antecedentes — que definem a hipótese de incidência — e na obrigação
decorrente — que são os aspectos ligados às consequências da norma.
Segundo a doutrina majoritária, os critérios que integram a parte da hipótese da regra-
matriz de incidência tributária incluem os aspectos
(A) qualitativo, pessoal e espacial.
(B) material, espacial e temporal.
(C) pessoal, material e quantitativo.
(D) temporal, quantitativo e qualitativo.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

A hipótese de incidência contém 5 (cinco) aspectos: 1) aspecto pessoal; 2) aspecto


temporal; 3) aspecto espacial; 4) aspecto material; e 5) aspecto quantitativo.

Os antecedentes são: temporal, espacial e material.

E os consequentes: pessoal (sujeito ativo e passivo) e quantitativo (BC e a alíquota).


Portanto, correta a letra “b”, que possui apenas os aspectos da hipótese de incidência
(antecedente) solicitada pelo enunciado da questão.

83. A Constituição Federal de 1988 prevê exceções ao princípio tributário da


anterioridade, como ocorre nos casos dos impostos sobre importação e sobre
exportação. Nesses casos, a exceção é justificada pela necessidade de ajuste do tributo
aos objetivos da política cambial e do comércio exterior.
75
De acordo com a doutrina majoritária, a referida hipótese de exceção ao princípio
tributário da anterioridade é explicada em razão de os tributos citados terem finalidade

(D) parafiscal e extrafiscal.


(A) extrafiscal.
(B) exclusivamente fiscal.
(C) parafiscal.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

(A) Correta. A finalidade principal é intervir em uma situação econômica ou social.

(B) Incorreta. Na fiscal, a finalidade arrecadatória dos tributos, para obter recursos aos
cofres públicos, se apresenta como sua característica principal, o que não se perfaz o
caso do II e do IE.

(C) e (D) Incorretas. Parafiscalidade se refere à destinação do produto de arrecadação a


outra pessoa de direito público ou instituição que desempenhe atividade tipicamente
estatal ou de interesse de Estado.
84. Considerando que, em caso de cobrança judicial de dívida ativa da fazenda pública
por meio de execução fiscal, haja o registro de penhoras feitas por credores distintos
sobre um mesmo bem e não se caracterize hipótese de falência ou recuperação judicial,
assinale a opção correta, de acordo com o previsto na Lei de Execuções Fiscais — Lei n.º
6.830/1980.

(A) A fazenda pública não se sujeita a concurso de credores, devendo-se verificar o


concurso de preferência entre as pessoas jurídicas de direito público.
(B) Não há benefício de ordem entre a fazenda pública e os credores privados: a ordem
cronológica do registro de penhoras deve ser observada.
(C) Os créditos da fazenda pública devem ser apurados primeiramente, sendo feita a
repartição entre os entes públicos federais, estaduais e municipais com base no critério
pro rata.
(D) A fazenda pública ingressa no concurso de credores de forma preferencial,
ressalvada apenas a preferência dos credores de créditos decorrentes da legislação do
trabalho.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS
76
(A) Correta.
CTN
Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores
ou habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou
arrolamento. Parágrafo único. O concurso de preferência somente se verifica entre
pessoas jurídicas de direito público, na seguinte ordem: I - União; II - Estados, Distrito
Federal e Territórios, conjuntamente e pró rata; III - Municípios, conjuntamente e pró
rata.
LEF
Art. 29 - A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso
de credores ou habilitação em falência, concordata, liquidação, inventário ou
arrolamento. Parágrafo Único - O concurso de preferência somente se verifica entre
pessoas jurídicas de direito público, na seguinte ordem: I - União e suas autarquias; II -
Estados, Distrito Federal e Territórios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata; III -
Municípios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata.

(B), (C) e (D) Incorretas. A fazenda não se sujeita a concurso de credores. Art. 187 do
CTN c/c art. 29 da LEF.
DIREITO AMBIENTAL

85. Conforme a Lei n.º 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da Natureza (SNUC), os requisitos necessários à criação de uma unidade
de conservação, exceto no caso de estação ecológica ou reserva biológica, são

(A) a edição de ato autorizador do Poder Executivo e a realização de estudos técnicos e


de consulta pública para a identificação da localização, da dimensão e dos limites
adequados da unidade.
(B) a edição de ato autorizador do Poder Executivo, a elaboração de licenciamento
ambiental, a realização de consulta pública e a verificação da existência de população
tradicional residente no local.
(C) a publicação de lei autorizadora, a elaboração de licenciamento ambiental, a
identificação da dimensão e dos limites da unidade e a verificação da existência de
população tradicional residente no local.
(D) a publicação de lei autorizadora, a realização de estudos técnicos para identificação
da localização, da dimensão e dos limites adequados da unidade, e a elaboração de
licenciamento ambiental.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS
77
A questão foi abordada no material da turma de reta final TJ-PR.

Art. 22 da Lei 9.985/2000 - As unidades de conservação são criadas por ato do Poder
Público.

§ 2º A criação de uma unidade de conservação deve ser precedida de estudos técnicos


e de consulta pública que permitam identificar a localização, a dimensão e os limites
mais adequados para a unidade, conforme se dispuser em regulamento.

§ 4º Na criação de Estação Ecológica ou Reserva Biológica não é obrigatória a consulta


de que trata o § 2º deste artigo.

86. A polícia ambiental apreendeu, na casa de João, quinze espécimes de aves silvestres
da fauna brasileira que estavam em cativeiro. Em seu depoimento, João alegou que
caçou os animais e que os venderia na feira livre da cidade, para comprar alimentos para
a sua família.
Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta a respeito da
responsabilização penal de João.
(A) O tipo penal pertinente à conduta de João não admite hipótese de aumento da pena.
(B) João poderá ser condenado à pena de detenção de seis meses a um ano e multa,
pelo fato de manter em cativeiro espécimes da fauna silvestre, sem a devida autorização
ou licença ambiental.
(C) João poderá ser condenado à pena de reclusão de um a três anos e multa, uma vez
que mantinha em cativeiro espécimes da fauna silvestre, sem a devida autorização ou
licença ambiental.
(D) João não poderá ser penalizado: a situação caracteriza uma excludente de ilicitude.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

Art. 29 da Lei de Crimes Ambientais - Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar


espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão,
licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida: Pena
- detenção de seis meses a um ano, e multa.

87. Dentro de um parque municipal que consiste em unidade de conservação criada por
decreto municipal, o IBAMA constatou a existência de habitações particulares
licenciadas pelo estado no qual o município se encontra inserido. Tanto o IBAMA quanto
a secretaria de meio ambiente do município lavraram seus respectivos autos de
78
infração.

Nessa situação hipotética, no que se refere à competência para a autuação,


(A) nenhum dos autos de infração é válido.
(B) ambos os autos de infração são válidos e exigíveis.
(C) o auto de infração do IBAMA deve prevalecer sobre o municipal.
(D) o auto de infração do município deve prevalecer sobre o do IBAMA.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

A questão foi abordada no material da turma de reta final TJ-PR.

Art. 9º da LC 140/2011 - São ações administrativas dos Municípios: (...) XIV - observadas
as atribuições dos demais entes federativos previstas nesta Lei Complementar,
promover o licenciamento ambiental das atividades ou empreendimentos: (...) b)
localizados em unidades de conservação instituídas pelo Município, exceto em Áreas
de Proteção Ambiental (APAs);
Art. 17 da LC 140/2011 - Compete ao órgão responsável pelo licenciamento ou
autorização, conforme o caso, de um empreendimento ou atividade, lavrar auto de
infração ambiental e instaurar processo administrativo para a apuração de infrações à
legislação ambiental cometidas pelo empreendimento ou atividade licenciada ou
autorizada.

§ 3º O disposto no caput deste artigo não impede o exercício pelos entes federativos da
atribuição comum de fiscalização da conformidade de empreendimentos e atividades
efetiva ou potencialmente poluidores ou utilizadores de recursos naturais com a
legislação ambiental em vigor, prevalecendo o auto de infração ambiental lavrado por
órgão que detenha a atribuição de licenciamento ou autorização a que se refere
o caput.

88. São unidades de conservação que admitem a habitação ou a permanência de


populações tradicionais

(A) as reservas de desenvolvimento sustentável e as florestas nacionais.


(B) as reservas de fauna e os parques nacionais.
(C) as reservas extrativistas e as reservas de fauna.
(D) as estações ecológicas e as reservas biológicas.
79
RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

A questão foi tratada no material da turma de reta final TJ-PR.

Art. 17, § 2º da Lei 9.985/2000 - Nas Florestas Nacionais é admitida a permanência de


populações tradicionais que a habitam quando de sua criação, em conformidade com o
disposto em regulamento e no Plano de Manejo da unidade.

Art. 20 da Lei 9.985/2000 - A Reserva de Desenvolvimento Sustentável é uma área


natural que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas
sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações
e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental
na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica.

89. Os princípios expressos na Lei n.º 6.938/1981 — Política Nacional do Meio Ambiente
— incluem

(A) o estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas


relativas ao uso e manejo de recursos ambientais.
(B) a racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar e a recuperação de áreas
degradadas.
(C) o desenvolvimento sustentável e o poluidor pagador.
(D) o desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso
racional de recursos ambientais.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

O assunto foi tratado no material da turma de reta final TJ-PR e na questão 88 do 209º
Simulado Mege (TJ-PR).

Art. 2º da Lei 6.938/81 - A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a
preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando
assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da
segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes
princípios:
(...)
II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;
(...)
VIII - recuperação de áreas degradadas;
80
(...)

90. Em uma área completamente preservada, com bioma intacto, localizada em sua
integralidade no bioma cerrado, existe uma propriedade particular de 100 ha, dos quais
40 ha constituem reserva legal com a devida averbação na matrícula do imóvel e com o
registro no cadastro ambiental rural (CAR).
Nessa situação, o limite máximo de hectares que o proprietário poderá destinar para
fins de instituição de servidão ambiental corresponde a

(A) 25 ha.
(B) 45 ha.
(C) 65 ha.
(D) 5 ha.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

A questão foi abordada no material da turma de reta final TJ-PR.


Art. 12 do Código Florestal - Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de
vegetação nativa, a título de Reserva Legal, sem prejuízo da aplicação das normas sobre
as Áreas de Preservação Permanente, observados os seguintes percentuais mínimos em
relação à área do imóvel, excetuados os casos previstos no art. 68 desta Lei:
I - localizado na Amazônia Legal:
a) 80% (oitenta por cento), no imóvel situado em área de florestas;
b) 35% (trinta e cinco por cento), no imóvel situado em área de cerrado;
c) 20% (vinte por cento), no imóvel situado em área de campos gerais;
II - localizado nas demais regiões do País: 20% (vinte por cento).
Art. 15 do Código Florestal - Será admitido o cômputo das Áreas de Preservação
Permanente no cálculo do percentual da Reserva Legal do imóvel, desde que:
I - o benefício previsto neste artigo não implique a conversão de novas áreas para o uso
alternativo do solo;
II - a área a ser computada esteja conservada ou em processo de recuperação, conforme
comprovação do proprietário ao órgão estadual integrante do Sisnama; e
III - o proprietário ou possuidor tenha requerido inclusão do imóvel no Cadastro
Ambiental Rural - CAR, nos termos desta Lei.
§ 1º O regime de proteção da Área de Preservação Permanente não se altera na hipótese
prevista neste artigo.
§ 2º O proprietário ou possuidor de imóvel com Reserva Legal conservada e inscrita
no Cadastro Ambiental Rural - CAR de que trata o art. 29, cuja área ultrapasse o
81
mínimo exigido por esta Lei, poderá utilizar a área excedente para fins de constituição
de servidão ambiental, Cota de Reserva Ambiental e outros instrumentos congêneres
previstos nesta Lei.

Art. 9º, § 2º da Lei 6.938/81 - A servidão ambiental não se aplica às Áreas de Preservação
Permanente e à Reserva Legal mínima exigida.

DIREITO ADMINISTRATIVO

91. Embora o direito de propriedade seja garantido constitucionalmente, os estados têm


a prerrogativa de desapropriar imóvel rural em razão de

(A) interesse social, quando constatada exploração de trabalho escravo no local,


mediante o pagamento de indenização por títulos.
(B) utilidade pública, independentemente de lei autorizadora, caso o imóvel esteja
localizado em município que integra o estado desapropriador.
(C) interesse social, para fins de reforma agrária, mediante o pagamento de indenização
por títulos.
(D) utilidade pública, declarada por decreto do governador, mediante o pagamento de
justa e prévia indenização em dinheiro.
RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO


O assunto da questão foi abordado no material de reta final da turma TJ-PR.

(A) Incorreta. A desapropriação de propriedades em que se explore mão-de-obra


escrava será desapropriada pela União, sem que caiba ao proprietário qualquer
indenização, nos termos do art. 243 da Constituição Federal (“desapropriação-
confisco”).

(B) Anulável. Os arts. 6º e 8º do Decreto-Lei no 3.365/41 (disciplina a desapropriação


por utilidade pública) estabelecem que a desapropriação por utilidade pública
dependerá da declaração de utilidade pública, a qual, no caso de o expropriante ser um
Estado-membro, poderá ocorrer por decreto do Governador ou por lei aprovada pela
Assembleia Legislativa. Temos, assim, que a afirmação não está exatamente incorreta
ao dizer que a desapropriação “independe de autorização legislativa”. Na verdade, creio
que a assertiva pretendia abordar a desapropriação de bem público, a exigir do
candidato o conhecimento de que somente se admite tal modalidade por meio de
autorização legislativa (art. 2º, § 2º, do Decreto-Lei), não sendo suficiente decreto do
82
Executivo. Entretanto, ao invés de afirmar “imóvel pertencente a Município que integra
o Estado expropriante” (bem público, portanto), acabou por constar “imóvel localizado
em Município do Estado expropriante”, este que pode ser público ou privado e cuja
declaração expropriatória pode ser tanto por decreto do Executivo quanto por lei
formal. Penso ser ANULÁVEL a questão por isso.

(C) Incorreta. A desapropriação por interesse social relaciona-se com o atendimento ou


não da função social da propriedade. Trata-se, pois, de desapropriação-sanção, em que
não há indenização prévia em dinheiro, mas em títulos, da dívida pública ou agrária,
conforme o caso. Ela é tratada pelos arts. 182, III, e 184, da CF/88, e disciplinada pela Lei
Federal nº 4.132/1962, que estabelece que a desapropriação por interesse social “será
decretada para promover a justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso
ao bem-estar social”. A desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária
(art. 184 da CF/88) é da competência exclusiva da União. Estados somente podem
desapropriar imóveis rurais por meio da desapropriação por utilidade pública, com
indenização prévia em dinheiro.

(D) Correta. Vide comentário à alternativa “B”.

92. Conforme a Lei de Improbidade Administrativa, para a configuração de um ato de


improbidade por dano ao erário, é imprescindível que haja, além do efetivo prejuízo,
(A) culpa do agente, ao menos.
(B) dolo genérico do agente, ao menos.
(C) dolo específico do agente.
(D) ilegalidade na conduta, independentemente do elemento subjetivo do agente

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

O conteúdo da questão foi abordado na turma de reta final TJ-PR.

A Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8.429]92) prevê 04 (quatro) modalidades


de atos de improbidade administrativa: (a) atos de improbidade que importam
enriquecimento ilícito do agente público (art. 9º); (b) atos de improbidade que causam
prejuízo ao erário (art. 10); (c) atos de improbidade administrativa decorrentes de
concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário relativo ao ISS
(art. 10-A); e, (d) atos de improbidade que atentam contra princípios da Administração
Pública (art. 11).

Em regra, a configuração de determinada conduta como ato de improbidade


administrativa depende de dolo do agente, com exceção dos atos de improbidade que
83
causam prejuízo ao erário que, por disposição legal expressa, admitem a modalidade
culposa.

Sobre o tema, cumpre destacar ainda que o ato de improbidade administrativa previsto
no art. 11 da Lei nº 8.429/92 (atos de improbidade que atentem contra os princípios da
Administração) exige a demonstração de dolo, o qual, contudo, não necessita ser
específico, sendo suficiente o dolo genérico (REsp 1275469/SP).

93. As pessoas jurídicas de direito privado que compõem a administração pública são

(A) instituídas para fins de desconcentração de poderes e de competências


administrativas.
(B) investidas de poderes de autoridade e encarregadas de realizar funções de interesse
público, a partir da descentralização de poderes.
(C) passíveis de integrar tanto a administração pública direta quanto a indireta.
(D) criadas por atos de direito privado, mas a sua instituição depende de autorização
legislativa.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS
O conteúdo da questão foi abordado na turma de reta final TJ-PR.

(A) Incorreta. A instituição de pessoas jurídicas de direito privado para compor a


Administração Pública é fenômeno de descentralização, que consiste no processo por
meio do qual o Estado atribui função administrativa a outras pessoas, a par de sua
Administração Direta. Na desconcentração, por outro lado, não há duas pessoas
jurídicas distintas, mas tão somente uma especialização interna, acometendo-se
funções específicas a novos órgãos.

(B) Incorreta. As pessoas jurídicas de direito privado que compõe a Administração


Pública não são investidas de poderes de autoridade, bem como não realizam,
necessariamente, funções de interesse público, embora devam perseguir, em qualquer
caso, uma finalidade pública específica definida na lei que autorizou a sua criação. Vide
decisão paradigmática do STJ acerca do exercício de poder de polícia por pessoas
jurídicas de direito privado da Administração Pública (REsp nº 817.534/MG, j. em
04/08/2009).

(C) Incorreta. Administração direta é o conjunto de órgãos que integram as pessoas


políticas do Estado (União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios), aos quais
foi atribuída a competência para o exercício, de forma centralizada, de atividades
84
administrativas. As pessoas jurídicas de direito privado integram a Administração
Indireta, composta por autarquias, fundações públicas (de direito público e de direito
privado), empresas públicas e sociedades de economia mista.

(D) Correta. Enquanto as autarquias e as fundações públicas de direito público são


criadas por lei, as pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração
Indireta (empresa pública, sociedade de economia mista e fundação pública de direito
privado) são constituídas mediante autorização legal e registro de seus atos
constitutivos no Cartório de Pessoas Jurídicas ou na Junta Comercial, conforme tenha,
respectivamente, natureza cível ou empresarial, tal qual as pessoas jurídicas não estatais
(privadas) em geral.

94. A administração pública pode produzir unilateralmente atos que vinculam os


particulares. No entanto, tal vinculação não é absoluta, devendo o particular, para
eximir-se de seus efeitos e anular o ato, comprovar, em juízo ou perante a própria
administração, o defeito do ato administrativo contra o qual se insurge, por caber-lhe o
ônus da prova. Essa descrição refere-se ao atributo do ato administrativo denominado

(A) presunção de legalidade.


(B) exigibilidade.
(C) autoexecutoriedade.
(D) imperatividade.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

O conteúdo da questão foi abordado na turma de reta final TJ-PR.

Os atos administrativos possuem os seguintes tributos: (i) presunção de legitimidade ou


legalidade; (ii) imperatividade; (iii) autoexecutoriedade; e, (iv) tipicidade.

Segundo a presunção de legalidade, os atos administrativos presumem-se editados em


conformidade com a lei. Trata-se, no entanto, de presunção relativa, a qual admite
prova em contrário.

O atributo da imperatividade está presente apenas nos atos administrativos que


impõem obrigações ou restrições aos administrados e implica na imposição destes atos
pela Administração a terceiros, independentemente da concordância destes.

Através da autoexecutoriedade, os atos administrativos podem ser materialmente


implementados pela administração, diretamente, inclusive mediante o uso da força, se
85
necessária, sem que a administração precise obter autorização judicial prévia. Tal
atributo não está presente em todos os atos administrativos e depende de previsão legal
ou quando o ato deve ser implementado em caráter de urgência.

Os doutrinadores Maria Sylvia Di Pietro e Celso Antônio Bandeira de Melo diferenciam


a autoexecutoriedade da exigibilidade, esta que possibilita ao Poder Público utilizar-se
meios indiretos de coerção para implementação e cumprimento do ato administrativo,
sem a utilização de força, como, por exemplo, no caso de imposição de multa diária ao
administrado que não cumprir determinado ato administrativo.

Por fim, a tipicidade, também presente em todos os atos administrativos, é, segundo


Maria Sylvia Di Pietro, “o atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a
figuras definidas previamente pela lei como aptas a produzir determinados resultados”.

95. Considerando a jurisprudência do STJ, julgue os seguintes itens, relativos à


responsabilidade civil do Estado.

I. O Estado responde civilmente por danos decorrentes de atos praticados por seus
agentes, mesmo que eles tenham agido sob excludente de ilicitude penal.
II. A despeito de situações fáticas variadas no tocante ao descumprimento do dever de
segurança e vigilância contínua das vias férreas, a responsabilização da concessionária é
uma constante, passível de ser elidida somente quando cabalmente comprovada a culpa
exclusiva da vítima.
III. A responsabilidade civil do Estado por condutas omissivas é subjetiva, devendo ser
comprovados concomitantemente a negligência na atuação estatal, o dano e o nexo de
causalidade entre o evento danoso e o comportamento ilícito do poder público.

Assinale a opção correta.

(A) Apenas os itens I e II estão certos.


(B) Apenas os itens I e III estão certos.
(C) Apenas os itens II e III estão certos.
(D) Todos os itens estão certos.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(I) Correta. A teor do art. 37, § 6º, da CF/88, a responsabilidade civil do Estado é de
natureza objetiva, independendo da demonstração de culpa/dolo do agente causador
do dano, prescindindo, enfim, da discussão sobre licitude ou ilicitude do ato lesivo. Para
86
a configuração do dever estatal de indenizar, assim, basta que haja uma conduta
imputável à Administração, dado certo, anormal e especial e nexo de causalidade. É esse
o entendimento do STJ, no sentido de que a excludente de ilicitude somente importa
quando se está diante de responsabilidade civil de natureza subjetiva, o que não é o
caso (REsp 111.843/PR, Min. Rel. José Delgado).

(II) Correta. O STJ consagrou o entendimento de que, caso a concessionária não tenha
adotado medidas adequadas de segurança (v.g., cercado e fiscalizado os trilhos) e tenha
a vítima culposamente ingressado nas linhas de ferro (por imprudência, por exemplo),
haverá culpa concorrente, não se excluindo a responsabilidade da concessionária de
serviço público que administra o transporte ferroviário, mas apenas atenuante de sua
responsabilidade. Entretanto, caso a concessionária tenha tomado medidas de proteção
idôneas e, mesmo assim, a vítima tenha ingressado nos trilhos, de forma culposa ou
dolosa, haverá culpa exclusiva da vítima, rompendo-se o nexo de causalidade, sem dever
de indenizar da concessionária. Confira-se:

A Seção, ao apreciar REsp submetido ao regime do art. 543-


C do CPC e Res. N. 8/2008-STJ, ratificando a sua jurisprudência,
firmou o entendimento de que, no caso de atropelamento de
pedestre em via férrea, configura-se a concorrência de causas
quando: a concessionária do transporte ferroviário descumpre
o dever de cercar e fiscalizar os limites da linha férrea,
mormente em locais urbanos e populosos, adotando conduta
negligente no tocante às necessárias práticas de cuidado e
vigilância tendentes a evitar a ocorrência de sinistros; e a vítima
adota conduta imprudente, atravessando a composição
ferroviária em local inapropriado. Todavia, a responsabilidade
da ferrovia é elidida, em qualquer caso, pela comprovação da
culpa exclusiva da vítima. REsp 1.210.064-SP, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 8/8/2012.

(III) Correta. Esse é o entendimento mais tradicional na doutrina administrativista


(escólio de Celso Antônio Bandeira de Mello, com base nas lições de Osvaldo Aranha
Bandeira de Mello, à luz da doutrina francesa da faute du service) e consagrado na
jurisprudência do STJ (AgRg no REsp 1345620/RS, j. em 24/11/2015).
e do STF. Ressalve-se, contudo, a tendência do STF de reconhecer a natureza objetiva
da responsabilidade civil do Estado por omissão, relacionando-a com a ideia de “omissão
específica” (STF, ARE nº 655.277 ED/MG, j. em 24/04/2012).

96. Determinado magistrado, no exercício regular de suas funções, proferiu decisão em


processo judicial e, em outra ocasião, exarou ato administrativo regulando a
87
organização do trabalho dos servidores lotados na vara de sua competência.
A respeito do controle de tais atos, assinale a opção correta.

(A) O segundo ato é passível de controle jurisdicional e controle administrativo externo


pelo CNJ.
(B) O primeiro ato do magistrado não é passível de controle administrativo interno.
(C) Tanto o primeiro ato quanto o segundo são passíveis de controle administrativo
interno.
(D) O primeiro ato é passível de controle jurisdicional e controle administrativo interno
pelo CNJ.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. O controle exercido pelo CNJ possui natureza interna ao Poder Judiciário
(é órgão do Poder Judiciário, exercendo controle administrativo, e não jurisdicional – o
CNJ não possui função jurisdicional), recaindo sobre a atuação administrativa e
financeira do Poder Judiciário (jamais sobre sua atuação jurisdicional) e do cumprimento
dos deveres funcionais dos juízes (art. 103-B da CF/88). Como se percebe, o primeiro ato
possui natureza jurisdicional, sendo, por conseguinte, infenso ao controle pelo CNJ, ao
passo o segundo tem natureza administrativa, sempre controlável pelo Judiciário em
atuação jurisdicional (inafastabilidade da jurisdição – art. 5º, XXXV, da CF/88) e pelo CNJ.

(B) Correta. Possuindo natureza administrativa, é claro que o Judiciário, no exercício da


função anômala administrativa, poderá valer-se de seu poder de autotutela para
controlar o ato por ele mesmo praticado, tanto por meio das Corregedorias do Tribunal
quanto através do CNJ.

(C) Incorreta. Dado que o primeiro ato possui natureza jurisdicional, ele somente pode
ser controlado através dos mecanismos processuais, respeitando-se a aptidão à
definitividade da função judicante.

(D) Incorreta. Vide comentário anterior.

97. Assinale a opção que indica a denominação dada ao ônus real de uso instituído pela
administração pública sobre determinado imóvel privado para atendimento do
interesse público, mediante indenização dos prejuízos efetivamente suportados.

(A) servidão administrativa


(B) ocupação temporária
(C) limitação administrativa
88
(D) tombamento

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

O conteúdo da questão foi abordado na turma de reta final TJ-PR.

(A) Correta. A servidão administrativa é forma de intervenção do Estado sobre bens


imóveis determinados, por meio da qual se grava imóvel particular de um ônus real com
a finalidade de permitir uma utilização pública, restando ao particular tão somente o
dever de suportá-la. Não se confunde com a limitação administrativa porque a servidão
possui natureza real (e não obrigacional), além de estar sempre relacionada a um serviço
público. Costuma-se afirmar, ademais, que, enquanto a limitação administrativa atinge
o caráter absoluto da propriedade, a servidão incide sobre sua exclusividade.

(B) Incorreta. A ocupação temporária é a forma de intervenção estatal pela qual o Poder
Público usa transitoriamente imóveis privados (e, excepcionalmente, móveis, serviços e
pessoal), como meio de apoio à execução de obras e serviços públicos. Não possui
natureza de ônus real.
(C) Incorreta. A limitação administrativa é restrição de caráter GERAL (permissivas,
negativas ou positivas), não atingindo um bem especificamente, mas, sim, todos os
proprietários que estiverem na situação descrita na norma. Decorre do exercício do
poder de polícia do Estado, ensejando a limitação do uso de bens privados, como forma
de os adequarem às necessidades públicas. Assim, a norma geral incide sobre bens
pertencentes a particulares, configurando uma restrição ao caráter absoluto da
propriedade, uma vez que limita a forma de utilização do bem pelo próprio proprietário.
Em regra, não é indenizável, possível apenas se o particular demonstrar ter sofrido um
prejuízo especial e anormal. Não possui natureza de ônus real.

(D) Incorreta. O tombamento é a modalidade de intervenção estatal na propriedade por


meio do qual a administração protege o patrimônio material cultural brasileiro. Ele recai
sobre bem de natureza material específico, não se tratando de restrição ou imposição
de obrigação de caráter geral. Não possui natureza de ônus real.

98. De acordo com a Lei n.º 9.784/1999, que regula processos administrativos no âmbito
federal, um órgão administrativo ou o seu titular poderá delegar parte da sua
competência a outros órgãos ou titulares, desde que

(A) a finalidade seja decidir recursos administrativos.


(B) não haja impedimento legal, e que a delegação seja feita com base na conveniência.
89
(C) estes sejam hierarquicamente subordinados àqueles.
(D) a finalidade seja editar atos de caráter normativo.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

O conteúdo da questão foi abordado na turma de reta final TJ-PR.

(A) Incorreta. De acordo com o art. 13 da Lei Federal nº 9.784/1999, não podem ser
objeto de delegação – atos indelegáveis: atos de caráter normativo; decisões em recurso
administrativo; matérias de competência exclusiva.

(B) Correta. É o que se extrai da redação do art. 12 da Lei, segundo o qual, além da
ausência de impedimento legal, exige-se a presença de circunstâncias de índole técnica,
social, econômica, jurídica ou territorial, a serem aferidas pela autoridade delegante
(natureza discricionária).

(C) Incorreta. De acordo com o art. 12 da Lei, a delegação pode ocorrer tanto dentro
quanto fora da estrutura hierárquica do delegante. Vale dizer, o agente delegado pode
ser tanto subordinado do delegante (delegação vertical) quanto não subordinado,
estando, neste último caso, em outra estrutura administrativa sem relação de
subordinação com o delegante (delegação horizontal).

(D) Incorreta. Vide comentário à alternativa “A”.

99. Após autorização legislativa, foi firmado um acordo de vontades entre entes
públicos, criando-se um novo sujeito de direito, dotado de uma estrutura de bens e
pessoal com permanência e estabilidade.

Nessa situação hipotética, o pacto firmado consiste em um

(A) contrato de gestão, podendo uma das partes signatárias ser uma autarquia, que, por
força desse contrato, passará a ser uma agência executiva.
(B) contrato de consórcio público, que deve ser firmado exclusivamente por entes da
administração direta.
(C) contrato administrativo, devendo uma das partes signatárias ser uma autarquia.
(D) convênio, podendo uma das partes signatárias ser uma fundação.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS
90
A única modalidade de acordo de vontades entre entes públicos criadora de nova pessoa
jurídica é o consórcio público, que vem disciplinado na Lei Federal nº 11.107/2005. A
pessoa jurídica criada pelo consórcio público pode ser de duas formas: (i) de direito
público, chamada de “associação pública”, possuindo a natureza de autarquias
(“autarquias multifederativas”) [a Lei é clara ao estabelecer que os consórcios públicos
de direito público integram a Administração Pública de todos os entes consorciados (art.
6º, § 1º)]; (ii) de direito privado, sob a forma de fundação ou associação, constituindo-
se pela inscrição dos seus atos constitutivos no Registro Público de Pessoas Jurídicas [a
Lei não menciona se integram ou não a Administração Pública].

100. Considerando a jurisprudência do STJ, julgue os itens a seguir, relativos a licitação.

I – Não é devida indenização a permissionário de serviço público de transporte coletivo


por prejuízos suportados em razão de déficit das tarifas cobradas quando ausente prévio
procedimento licitatório para a contratação.
II – A contratação direta, quando não caracterizada hipótese de dispensa ou
inexigibilidade, gera lesão presumida ao erário, na medida em que o poder público
perde a oportunidade de contratar a melhor proposta. Havendo a nulidade da
contratação, a contratada pode ser condenada à devolução integral dos valores
recebidos, ainda que tenha efetivamente prestados os serviços.
III – Configura ato de improbidade administrativa a contratação direta de advogados
pela administração pública sob o fundamento de inexigibilidade de licitação devido à
notória especialização dos contratados para a atuação em causas específicas.

Assinale a opção correta.

(A) Apenas o item I está certo.


(B) Apenas o item II está certo.
(C) Apenas os itens I e III estão certos.
(D) Apenas os itens II e III estão certos.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

O conteúdo da questão foi abordado na turma de reta final TJ-PR.

(I) Correta. Não há garantia de manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do


contrato não precedido de licitação (Info 535 STJ)

(II) Incorreta. A indevida dispensa de licitação causa dano in re ipsa ao erário, não sendo
necessária, nesse caso, prova do dano, respondendo o agente que contratou
91
diretamente de forma indevida [e eventuais terceiros] por improbidade administrativa
por dano ao erário (REsp 817.921/SP). Entretanto, a Administração deve pagar pelos
serviços efetivamente prestados pela contratada, sob pena de enriquecimento sem
causa.

(III) Incorreta. Admite-se a contratação direta de advogados por inexigibilidade de


licitação para a atuação em casos específicos, quando configurado “serviço técnico
profissional especializado” a reclamar notória especialização do causídico (art. 13, V, c/c
art. 25, II, todos da Lei Federal nº 8.666/1993). Aquilo que não se admite, contudo, e
isso caracteriza ato de improbidade administrativa, é a contratação genérica de
advogados privados pela Administração Pública. É esse o entendimento do STJ. Por
todos:

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CONTRATAÇÃO DIRETA DE SERVIÇO DE ADVOCACIA


PELO MUNICÍPIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO NO CASO CONCRETO. VIOLAÇÃO DOS
ARTS. 3º, 13 E 25 DA LEI DE 8.666⁄93 E 11 DA LEI DE 8.429⁄92. EXECUÇÃO DOS
SERVIÇOS CONTRATADOS. APLICAÇÃO DE MULTA CIVIL EM PATAMAR MÍNIMO.
Publicação do acórdão recorrido anteriormente à vigência do novo CPC
1. No caso, o Recurso Especial impugna acórdão publicado na vigência do CPCde 1973,
sendo exigidos, pois, os requisitos de admissibilidade na forma prevista naquele código
de ritos, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do STJ, conforme
o Enunciado Administrativo 2, aprovado pelo Plenário do Superior Tribunal de Justiça
em 9.3.2016.
Desnecessidade de sobrestamento do feito apesar de reconhecida a existência de
repercussão geral sobre a matéria
2. A repercussão geral da matéria versada no Recurso Especial em exame foi
reconhecida, nos autos do Recurso Extraordinário 656.558, cuja origem é o Agravo de
Instrumento 791.811⁄SP.
3. Contudo, o pedido de sobrestamento do processo em decorrência da admissão de
Recurso Extraordinário sob o regime da Repercussão Geral não deve ser acolhido. Isso
porque, até a presente data, o relator do referido Recurso Extraordinário não proferiu
decisão determinando a suspensão de todos os processos que tratam do mesmo
assunto, nos termos do art. 1.035, § 5º, do CPC⁄2015.
4. Portanto, deve ser observada a jurisprudência desta Corte Superior, segundo a qual o
reconhecimento da repercussão geral pelo STF não impõe, em regra, o sobrestamento
dos Recursos Especiais pertinentes. Nesse sentido: EDcl no AgRg no REsp 1468858⁄SP,
Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 9.6.2016, DJe 17.6.2016,
AgInt no AREsp 880.709⁄PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma,
julgado em 9.6.2016, DJe 17.6.2016 Síntese da demanda
5. Trata-se na origem de Ação de Improbidade Administrativa ajuizada pelo Ministério
Público do Estado de Minas Gerais contra Sociedade de Advogados, tendo em vista a
92
contratação desta, sem licitação, para fazer o acompanhamento de defesas do
Município perante os Tribunais de Justiça e de Contas, além de atividade consultiva nas
áreas de licitação e finanças públicas, no período de 2001 a 2004 pela quantia total de
R$ 136.723,84 (cento e trinta e seis mil, setecentos e vinte e quatro reais e oitenta e
quatro centavos), válidos para o referido período.
6. Em primeiro e segundo graus o pedido foi julgado improcedente.
7. No Recurso Especial, o Ministério Público Mineiro alega violação dos arts. 13, V,
e 25, II, § 1º, da Lei 8.666⁄1993 e 11, I, da Lei 8.429⁄1992. Condições legais para a
inexigibilidade de licitação: possibilidade de contratação de serviços advocatícios sem
licitação
8. Nos termos do art. 13, V c⁄c art. 25, II, § 1º, da Lei 8.666⁄1993 é possível a contratação
de serviços relativos ao patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas sem
procedimento licitatório. Contudo, para tanto, deve haver a notória especialização do
prestador de serviço e a singularidade deste. A inexigibilidade é medida de exceção que
deve ser interpretada restritivamente.
9. A singularidade envolve casos incomuns e anômalos que demandam mais que a
especialização, pois apresentam complexidades que impedem sua resolução por
qualquer profissional, ainda que especializado.
Contratação direta de serviços não singulares – violação dos arts. 13 e 25 da
Lei 8.666⁄93 e 11 da Lei 8.429⁄92 – improbidade administrativa caracterizada – afronta
aos princípios administrativos
10. Na demanda em análise, a municipalidade, a pretexto da singularidade dos serviços
de advocacia, terceirizou em bloco, entre os anos de 2001 e 2004, com dispêndio de
cerca de R$ 136.723,84 (cento e trinta e seis mil, setecentos e vinte e quatro reais e
oitenta e quatro centavos, válidos para o referido período), atividades que são próprias
e bem poderiam ter sido executadas pelos advogados que integram, com vínculo
público, a Prefeitura de Visconde do Rio Branco-MG.
11. A leitura dos autos indica que o objeto dos sucessivos contratos (ao todo foram 04)
era absolutamente genérico, pois consistente na prestação de serviços técnico-
especializado de assessoria e consultoria e patrocínio judicial e administrativo e
congêneres.
12. Tais tarefas não podem ser consideradas como singulares no âmbito da atividade
jurídica de um Município. Os procedimentos que correm nos respectivos Tribunais de
Contas, de maneira geral, versam sobre assuntos cotidianos da esfera de interesse das
municipalidades. E mais, assuntos de licitação e de assessoria em temas financeiros não
exigem conhecimentos demasiadamente aprofundados, tampouco envolvem
dificuldades superiores às corriqueiramente enfrentadas por advogados e escritórios de
advocacia atuantes na área da Administração Pública e pelo assessoria jurídica do
município.
93
Ilegalidade. Serviços não singulares.
13. A contratação de serviços sem procedimento licitatório, quando não caracterizada
situação de inexigibilidade, viola os princípios da legalidade, impessoalidade,
moralidade e eficiência e os deveres de legalidade e imparcialidade e configura
improbidade administrativa. Ausente o prejuízo ao erário no caso concreto, a situação
amolda-se ao conceito de improbidade administrativa, nos termos do art. 11, caput, e
inciso I, da Lei 8.429⁄1992. Nesse sentido: REsp 1.038.736⁄MG, Rel. Ministro Herman
Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4.5.2010, DJe 28.04.2011; REsp 1.444.874⁄MG,
Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 3.2.2015, DJe 31.3.2015, e
REsp 1.210.756⁄MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado
em 2.12.2010, DJe 14.12.2010.
Art. 11 da Lei 8.429⁄92 dolo genérico
14. A jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que o art. 11 da Lei 8.429⁄1992
dispensa a comprovação de intenção específica de violar princípios administrativos,
sendo suficiente o dolo genérico. No caso, é indiscutível a intenção do ex-Prefeito de
contratar sem licitação e a aceitação do encargo por parte da Sociedade de Advogados.
Ou seja, indubitável a vontade livre e consciente das partes em efetivar a contratação
direta.
Divergência jurisprudencial demonstrada
15. No julgamento do REsp 488842⁄SP, esta Corte entendeu que, “Patente a ilegalidade
da contratação, impõe-se a nulidade do contrato celebrado, e, em razão da ausência de
dano ao erário com a efetiva prestação dos serviços de advocacia contratados, deve ser
aplicada apenas a multa civil, reduzida a patamar mínimo (10% do valor do contrato,
atualizado desde a assinatura)”.
16. A apontada divergência jurisprudencial realmente ocorre, porque naquela
oportunidade o STJ apreciou situação bastante assemelhada. Os serviços eram de
mesma natureza (primordialmente o acompanhamento de processos no TCE⁄SP).
17. A decisão neste Recurso Especial deve seguir as linhas adotadas no citado paradigma
(REsp 488842⁄SP), por conta da profundidade dos debates ali travados, com dois
pedidos de vista e principalmente em razão da similitude entre os casos confrontados.
18. A multa civil, que não ostenta feição indenizatória, é perfeitamente compatível com
os atos de improbidade listados nos autos e tipificados no art. 11 da Lei 8.429⁄92.
19. Patente a ilegalidade da contratação, impõe-se a nulidade do contrato celebrado, e,
em razão das circunstâncias específicas e peculiares dos fatos narrados nos autos, deve
ser aplicada apenas a multa civil a cada um dos agentes envolvidos, em patamar mínimo
(10% do valor total das contratações, atualizados desde a assinatura do primeiro pacto).
20. As conclusões acima são praticamente as mesmas a que chegou a Segunda Turma
ao julgar o REsp 488842⁄SP (Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Rel. p⁄ Acórdão
Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05⁄12⁄2008). Considerando a similitude
fática e jurídica entre os casos, seguem-se aqui as orientações ali firmadas, a fim de
94
resguardar a isonomia entre as situações.
Conclusão
21. Recurso Especial parcialmente provido.
Recorrente: Ministério Público do Estado de Minas Gerais
(STJ – RESP nº 1.505.356-MG – 2ª Turma – 10 de novembro de 2016 (data do
julgamento) DJe: 30/11/2016– rel. Min. Herman Benjamin)