Você está na página 1de 31

ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

DIREITO DAS FAMÍLIAS: UM ESTUDO SOBRE PARENTESCO

Baldomero Cortada de Oliveira Bello


Philipe Silveira Carneiro da Cunha
Thiago Dantas Cunha Nogueira de Souza
Thales Várady Baeta
!2

Rio de Janeiro
2019
Baldomero Cortada de Oliveira Bello
Philipe Silveira Carneiro da Cunha
Thiago Dantas Cunha Nogueira de Souza
Thales Várady Baeta

Direito das Famílias: um estudo sobre parentesco

Trabalho referente à disciplina de Didática,


apresentado como exigência de conclusão de
Curso de Pós-Graduação Lato Sensu da
Escola da Magistratura do Estado do Rio de
Janeiro. Orientadores:
Nelson C. Tavares Junior
!3

Rio de Janeiro
2019

CASO
CONCRETO
!4

João Silva e Pedro Santos vivem em união homoafetiva e anseiam por ter filhos.
Marina, uma amiga do casal, descobriu que está grávida e não sabe quem é o pai da criança.
Além disso, ela não deseja ser mãe agora. Visando ajudar a amiga, e realizar o sonho de ter
um filho, o casal propôs à Marina que ela lhes entregasse o filho, pois, eles se encarregariam
de cuidar da criança.

Pelo que restou acordado, Marina e João ficaram de registrar a criança como filho,
mesmo sabendo que João não é o pai biológico da criança. E, após tal registro, Marina
entregaria definitivamente o filho para o casal, abrindo mão da criança para sempre.

Contudo, no dia do nascimento de Francisco, Marina ficou extremamente emocionada


e disse para o casal que não poderia ficar sem o filho. O casal, porém, insistiu e Marina
aceitou prosseguir com o acordo, com a condição de que a criança passaria os finais de
semana com a mãe.
Assim, Marina e João Silva foram ao Registro Civil de Pessoas Naturais registraram a
criança. A guarda de Francisco foi compartilhada entre eles por 8 anos. No entanto, João já
não gostava mais da criança, porque ele tinha sérios problemas com a desobediência do
jovem.

Arrependido, João deixou de conviver com Francisco, e ajuizou uma ação negatória de
paternidade, narrando os fatos ora expostos, a fim de anular o registro de nascimento do
jovem Francisco, alegando não ser o pai biológico da criança.

Realizado o exame de DNA, restou cabalmente comprovado que João não é o pai do
Francisco. Além disso, o exame sociológico também apontou que já não há vinculo
socioafetivo entre João e Francisco. Não há mais provas a serem produzidas.
Com o recebimento dos autos para prolação de sentença, o magistrado da Vara Única
de Porto Real-Quatis oficiou ao Ministério Público, para apuração de eventual prática de
crime. Em resposta ao ofício, o Ministério Público ofereceu denúncia em face de João e
Marina, como incursos em conduta tipificada como crime. Na AIJ da ação penal,
interrogados, ambos os réus confessaram os fatos, mas disseram que a intenção foi nobre,
sendo esta incompatível com o dolo de crime. Em alegações finais, pugnaram pelo Perdão
Judicial.

Decida fundamentadamente como devem ser julgadas a ação negatória de paternidade


e ação penal.
!5
!6

PLANO
DE
AULA
!7

PLANO DE AULA

Disciplina: Direito Civil

Professores: Baldomero Bello, Philipe Silveira, Thiago Nogueira; Thales Baeta.

TEMA DA AULA

Parentesco. Espécies. Parentesco natural e civil. Classificação. Afinidade. Filiação.


Paternidade presumida. Reconhecimento voluntário e forçado de filiação. Métodos de
pesquisa do vínculo filial. Prova genética pelo DNA. Ações filiatórias. Paternidade
socioafetiva. Adoção à brasileira. Alterações no nome do companheiro e de enteado. Registro
tardio de maiores de idade.

OBJETIVOS

O aluno ao final da aula deverá ser capaz de:

- Compreender os laços de parentesco;

- Realizar a contagem de graus de parentesco;

- Dominar as espécies de paternidade;

- Conhecer os casos de paternidade presumida;

- Saber as ações filiatórias, seus ritos;

- Provas genéticas pelo DNA e o entendimento dos tribunais superiores quanto a essas.

- Compreender a evolução a respeito da paternidade socioafetiva;

- Perceber o que é a adoção a brasileira e como a jurisprudência interpreta o instituto;

- Enxergar como são feitas as alterações no nome do companheiro e de enteado;


!8

- Atingir a compreensão sobre registros tardios de maiores de idade.

CONTEÚDO

- Parentesco e suas espécies.

- Parentesco natural e civil.

- Classificação.

- Afinidade.

- Filiação.

- Paternidade presumida.

- Reconhecimento voluntário e forçado de filiação.

- Métodos de pesquisa do vínculo filial.

- Prova genética pelo DNA.

- Ações filiatórias.

- Paternidade socioafetiva.

- Adoção à brasileira.

- Alterações no nome do companheiro e de enteado.

- Registro tardio de maiores de idade.

METODOLOGIA DE ENSINO

Metodologia do caso concreto, com destaque na aula dialogada. As estratégias são


direcionadas para que o aluno compreenda os institutos e possam aplicá-los em provas de
concursos públicos.
!9

RECURSOS

Power Point, caso concreto, mapa conceitual, legislação, doutrina, jurisprudência, questão
discursiva e questões objetivas.

REFERENCIAS

BRASIL. Código Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/


l10406.htm >. Acesso em: 20 de agosto. de 2019.

____. Código de Processo Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/


_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm>. Acesso em: 20 de agosto. de 2019.

____. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: <http://


www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 20 de agosto. de
2019.

____. Estatuto da Criança e do Adolescente. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/l8069.htm>. Acesso em: 20 de agosto. de 2019.

____. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/L3071.htm>. Acesso em: 20 de agosto. de 2019.

____. Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/L6015compilada.htm>. Acesso em: 20 de agosto. de 2019.

____. Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/L6015compilada.htm>. Acesso em: 20 de agosto. de 2019.

DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias [livro eletrônico], 4. ed., São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2016.

FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de direito civil: famílias. – 9 ed.
rev. e atual. – Salvador: Ed, JusPodivm, 2016.
!10

TARTUCE, Flávio. Manual de direito civil: volume único I. 8º ed., Rio de Janeiro: Método,
2018.
!11

SLIDES
UTILIZADOS NA
APRESENTAÇÃO
DA AULA
!12
!13
!14
!15
!16
!17
!18


!19

QUESTOES
OBJETIVAS
!20

1ª Questão

Disciplina Direito Civil


Banca CESPE
Concurso TJ-PR - Juiz Substituto 2019
Questão da prova Nº 03
Transcrição da questão
Eduardo, na qualidade de pai registral, ajuizou ação de anulação de registro de nascimento,
tendo como fundamento um exame de DNA comprobatório de ausência de vínculo genético
entre ele e o filho registrado.

Nessa situação hipotética, à luz do entendimento jurisprudencial do STJ, o magistrado


deverá

(A) considerar suficiente a comprovação da ausência de vínculo genético entre Eduardo e o


filho registrado e declarar a anulação do registro de nascimento.
(B) considerar irrelevante o resultado do exame de DNA, uma vez que o registro de
nascimento, após formalizado, não é passível de anulação.
(C) reconhecer como nulo de pleno direito o registro de nascimento.
(D) exigir, além do exame de DNA, prova robusta de que Eduardo fora induzido a erro ou
coagido a registrar o filho de outrem como seu.

Gabarito: Letra D
Instituto aplicado ao caso Parentalidade
Conteúdo especifico Parentalidade socioafetiva e anulação do
registro de paternidade.
Habilidades necessárias para solucionar a Conhecimento do entendimento do Superior
questão Tribunal de Justiça exarado pela 3ª Turma
(REsp 1.330.404-RS, Rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 5/2/2015)
Fontes necessárias para responder - Art. 1601 do Código Civil
- Art.1604 do Código Civil
!21

Conhecimento da norma positivada era O candidato deveria compreender as regras


relevante? As assertivas exigiam apenas o constantes nos artigos 1601 e 1604 do CC à
conhecimento da letra fria da lei ou luz do entendimento firmado pelo STJ.
conhecimento do teor do dispositivo era
suficiente?

2ª Questão

Disciplina Direito Civil


Banca CESPE
Concurso TJ-BA - Juiz de Direito Substituto 2019
Questão da prova Nº 06
Transcrição da questão
I - O Código Civil admite o reconhecimento voluntário de paternidade por declaração direta
e expressa perante o juiz, desde que manifestada em ação própria, denominada ação
declaratória de paternidade. Nesse caso, o ato jurídico é irrevogável.

II - De acordo com o Código Civil, o reconhecimento voluntário de paternidade por meio do


testamento é revogável pelo testador, por constituir ato de última vontade, mutável a
qualquer tempo antes do falecimento do testador.

III - O reconhecimento de filiação pode preceder o nascimento do filho e, até mesmo, ser
posterior ao falecimento deste. Nesse último caso, admite-se o reconhecimento post mortem
se o filho deixar descendentes.

Assinale a opção correta.

A) Apenas o item II está certo.

B) Apenas o item III está certo.

C) Apenas os itens I e II estão certos.

D) Apenas os itens I e III estão certos.

E) Todos os itens estão certos.

Gabarito: Letra B
!22

Instituto aplicado ao caso Reconhecimento de filiação


Conteúdo especifico Reconhecimento voluntário de paternidade,
sua irrevogabilidade e a possibilidade de ser
precedido ao nascimento do filho e ser
posterior ao nascimento dele.
Habilidades necessárias para solucionar a Conhecimento da legislação aplicável (art.
questão 1609 e 1610 do CC)
Fontes necessárias para responder - Art. 1609, III do Código Civil
- Art. 1609, IV do Código Civil
- Art. 1610 do Código Civil
Conhecimento da norma positivada era As assertivas exigiam o conhecimento da
relevante? As assertivas exigiam apenas o letra fria da lei.
conhecimento da letra fria da lei ou
conhecimento do teor do dispositivo era
suficiente?
!23

3ª Questão

Disciplina Direito Civil


Banca VUNESP
Concurso TJ-MT - Juiz Substituto 2018
Questão da prova Nº 08
Transcrição da questão
Maria é casada com José e mantinha um relacionamento extraconjugal com João quando
engravidou. Nasceu Caio, que foi registrado em nome de José e era tido por este como filho.
Entretanto, em razão de sua semelhança física com João, este ajuizou um pedido de
reconhecimento de paternidade, tendo o teste de DNA comprovado o vínculo biológico.
José ama seu filho e quer manter-se como pai de Caio.

Assinale a solução que deve ser adotada, considerando o entendimento de Jurisprudência.

(A) Deverá prevalecer a paternidade biológica, devendo ser retirado o nome de José do
registro de nascimento, e ser inserido o nome de João.

(B) Deverá prevalecer a paternidade socioafetiva, devendo continuar a constar como pai de
Caio, no registro de nascimento, somente José.

(C) O sistema jurídico somente admite a pluripaternidade como uma situação provisória,
devendo Caio, após a maioridade, escolher quem continuará a constar do seu registro de
nascimento como pai.

(D) Deverá ser incluído o nome de João como pai no registro de nascimento, para os efeitos
jurídicos próprios, devendo, entretanto, ser mantido o nome de José, em razão da
paternidade socioafetiva deste.

(E) Poderá ser incluído o nome de João como pai no registro de nascimento, mas sem os
efeitos jurídicos decorrentes da paternidade, salvo o de permitir o conhecimento, por parte
de Caio, da sua origem genética, por ter prevalência a paternidade socioafetiva de José.

Gabarito: Letra D
Instituto aplicado ao caso Reconhecimento de paternidade
!24

Conteúdo especifico Reconhecimento de paternidade,


pluriparentalidade, erro no registro do
nascimento pelo pai registral e a paternidade
socioafetiva.
Habilidades necessárias para solucionar a Conhecimento da tese 622 da Repercussão
questão Geral: A paternidade socioafetiva, declarada
ou não em registro público, não impede o
reconhecimento do vínculo de filiação
concomitante baseado na origem biológica,
com os efeitos jurídicos próprios (STF.
Plenário. RE 898.060/SC, rel. Min. Luiz
Fux, j. 21.09.2016).
Fontes necessárias para responder Conhecimento da jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal
Conhecimento da norma positivada era Para solucionar a questão o candidato
relevante? As assertivas exigiam apenas o deveria saber como se posiciona atualmente
conhecimento da letra fria da lei ou o STF a respeito do tema, podendo
conhecimento do teor do dispositivo era solucionar com base no que melhor
suficiente? representa o principio da dignidade da
pessoa humana e no principio da felicidade.
!25

4ª Questão

Disciplina Direito Civil


Banca CONSULPLAN
Concurso TJ-MG - Juiz de Direito Substituto 2018
Questão da prova Nº 09 - Tipo 01 (Branca)
Transcrição da questão
Quanto ao direito de família, analise as afirmativas a seguir.

I. A guarda compartilhada não exclui a fixação do regime de convivência e não implica


ausência do pagamento de pensão alimentícia. II. Qualquer descendente possui
legitimidade, por direito próprio, para propor o reconhecimento do vínculo de parentesco
em face dos avós ou de qualquer ascendente de grau superior, ainda que o pai não tenha
iniciado a ação de prova da filiação em vida. III. A obrigação alimentar dos avós tem
natureza subsidiária, somente se configurando no caso de impossibilidade total de seu
cumprimento pelos pais. IV. O cancelamento do pagamento de pensão alimentícia a filho
que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que
nos próprios autos.

Estão corretas as afirmativas

(A) I, II, III e IV.

(B) I, II e III, apenas.

(C) I, II e IV, apenas.

(D) II, III e IV, apenas.

Gabarito: Letra C
Instituto aplicado ao caso Guarda, reconhecimento de vínculo de
parentesco e alimentos.
!26

Conteúdo especifico Guarda e fixação do regime de convivência.


Legitimidade para propor o reconhecimento
do vínculo de parentesco em face dos avós
ou de qualquer ascendente de grau superior.
Obrigação alimentar dos avós. Cancelamento
de pensão alimentícia de filho que atingiu a
maioridade.
Habilidades necessárias para solucionar a - Enunciados 506 da Jornada de Direito Civil
questão - Enunciado 605 da Jornada de Direito Civil
- Súmula 596 do STJ
- Súmula 358 do STJ.
Fontes necessárias para responder enunciados 506 e 605 da Jornada de Direito
Civil, bem como das sumulas 596 e 358 do
STJ.
Conhecimento da norma positivada era Era necessário que o candidato entendesse a
relevante? As assertivas exigiam apenas o jurisprudência do STJ, bem como as vozes
conhecimento da letra fria da lei ou da doutrina, não sendo a questão respondida
conhecimento do teor do dispositivo era apenas com base na letra de lei.
suficiente?
!27

5ª Questão

Disciplina Direito Civil


Banca FUNDEP (Gestão de Concursos)
Concurso TJ-MG - Juiz de Direito Substituto 2014
Questão da prova Nº 08
Transcrição da questão
Quanto as relações de parentesco, assinale a alternativa CORRETA.

(A) O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do
cônjuge ou companheiro.

(B) São parentes em linha colateral as pessoas que estão umas para com as outras na
relação de ascendentes e descendentes.

(C) Na linha reta, a afinidade se extingue com a dissolução do casamento ou da união


estável.

(D) São parentes em linha transversal, até o sexto grau, as pessoas provenientes de um só
tronco, sem descenderem uma da outra.

Gabarito: Letra A
Instituto aplicado ao caso Parentesco
Conteúdo especifico Modalidades e espécies de parentesco
Habilidades necessárias para solucionar a Conhecimento da legislação aplicável (arts.
questão 1595, §§1º e 2º; 1591 e 1592 do Código
Civil)
Fontes necessárias para responder - Art. 1595, §1º do Código Civil
- Art. 1595, §2º do Código Civil
- Art. 1591 do Código Civil
- Art. 1592 do Código Civil
Conhecimento da norma positivada era As assertivas exigiam o conhecimento da
relevante? As assertivas exigiam apenas o letra fria da lei
conhecimento da letra fria da lei ou
conhecimento do teor do dispositivo era
suficiente?
!28

QUESTÃO
DISCURSIVA
!29

5ª Questão

Disciplina Direito Civil


Banca UnB/CESPE
Concurso TJ-AC - Juiz de Direito Substituto 2006
Questão da prova Nº 01
Transcrição da questão
Ana ajuizou ação de investigação de paternidade contra Carlos, e a sentença decidiu pela
procedência do pedido, isto é, reconheceu a paternidade do investigante e transitou em
julgado em 12/12/2000. Em virtude da recusa injustificada do réu em submeter-se a exame
pericial, consistente no exame de DNA, a paternidade foi reconhecida sem a referida prova
técnica, valendo-se o juiz de outros meios de prova, testemunhais e documentais, existentes
nos autos.

Em 15/11/2006, Carlos ajuizou ação negatória de paternidade contra Ana, alegando que
deseja submeter-se ao exame DNA, para que se estabeleça a verdade real e não presumida
quanto à paternidade questionada.

Diante dessa situação hipotética, elabore um texto dissertativo acerca da decisão judicial a
ser proferida na ação proposta por Carlos, incluindo, se for o caso, elementos que poderiam
ser apresentados por Ana em sua defesa.
Resposta sugerida pelo Grupo:
!30

Inicialmente temos que deixar claro que não assiste razão a Carlos. Por certo que se admite
a possível a flexibilização da coisa julgada material nas ações de investigação de
paternidade, na situação em que o pedido foi julgado improcedente por falta de prova. Esse
é o entendimento consolidado na jurisprudência (STF. Plenário. RE 363889, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 02/06/2011 - repercussão geral). Isso ocorre em observância ao
princípio da verdade real.
Outra, contudo, é a situação do caso concreto. O pai recusou-se a fazer o exame de DNA,
razão pela qual o juiz julgou a demanda procedente e reconheceu a paternidade, aplicando o
raciocínio da Súmula 301-STJ (‘’Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a
submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade’’).
Assim, esta nova ação deverá ser extinta sem resolução do mérito pela coisa julgada (art.
485, V, do CPC).
A possibilidade de relativização da coisa julgada nestes casos somente deve ser admitida
quando o exame de DNA não foi realizado em virtude de circunstâncias alheias à vontade
das partes, conforme deveria ter sido alegado por Ana.
A relativização não pode ser admitida quando a não realização da prova pericial (DNA) na
ação investigatória anterior deveu-se, exclusivamente, à recusa de uma das partes em
comparecer ao laboratório para a coleta de material biológico.
A parte que se recusou a fazer o DNA e que agora quer desconstituir a coisa julgada sob o
argumento de que não foi realizado o referido exame e que este é essencial para a
descoberta da verdade real demonstra comportamento contrário à boa-fé objetiva, incidindo
naquilo que a doutrina denomina de venire contra
factum proprium (proibição de comportamento contraditório), sendo uma forma de abuso de
direito.
Portanto, como o autor negou-se a produzir a prova que traria certeza à controvérsia nos
autos da ação de investigação de paternidade que transitou em julgado, não pode, agora,
utilizar-se, maliciosamente, da ausência da referida prova como fundamento para a
propositura de ação negatória de paternidade e, com isso, buscar ver alterada a decisão que
lhe foi desfavorável, sob pena de incorrer em violação da boa-fé objetiva.
!31

MAPA
MENTAL

Você também pode gostar