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X JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2010 – UFRPE: Recife, 18 a 22 de outubro.

PROMOVENDO INFORMAÇÃO E EDUCAÇÃO EM SAÚDE E


VALORIZANDO A VACINAÇÃO ANTI-RÁBICA COMO
ESTRATÉGIA DE CONTROLE DA RAIVA ANIMAL E PREVENÇÃO
DA RAIVA HUMANA
Tiara Frota Nogueira1, Marcela Oliveira Sampaio2, Scheilla, Mirna Juliana Mendoça de Lima3, Priscila
Germany Corrêa da Silva3, Araújo Xavier de Mello4 e Lúcio Esmeraldo Honório de Melo5

Introdução Universidade, visando a conscientização da população


sobre a importância de se ter um animal devidamente
A Raiva é uma enfermidade infecto-contagiosa
vacinado, o modo de como a campanha é feita e os
aguda, causada por um RNA-vírus da família
benefícios que isso traz a sociedade.
Rhabdoviridae, gênero Lyssavirus, sendo reconhecida
como uma das mais graves zoonoses [1]. Material e métodos
A principal fonte de infecção em áreas urbanas é o Serão mobilizados médicos veterinários e autoridades
cão infectado (quase 85% dos casos), seguido do gato, sanitárias vinculados a órgãos públicos, especialmente da
não sendo o vírus rábico capaz de penetrar a pele esfera municipal, mas também estadual e federal, bem
intacta, mas passível de ser adquirido pela mordedura como estudantes dos cursos de graduação e pós-graduação
ou lambedura de mucosa íntegra ou, ainda, arranhadura em Medicina Veterinária da UFRPE.
provocada por animais infectados, os quais geralmente Serão usadas seringas descartáveis e a vacina conservada
apresentam salivação intensa, que muitas vezes em baixa temperatura (+4º C a +8º C), utilizando
contaminam suas patas [2]. recipientes isotérmicos resfriados (caixas de isopor com
O controle estratégico de uma doença corresponde gelo). A vacinação será feita mediante a administração de 1
ao conjunto de medidas que se adota visando diminuir ml , pela via subcutânea, em Cães e gatos, devendo ocorrer
ou acabar com a ocorrência da mesma em uma região e no horário das 8:00 horas com término às 17:00 horas.
isso inclui a vacinação dos cães e gatos anualmente. A estratégia operacional utilizada será a usualmente
Na ocorrência de animais suspeitos deve-se informar recomendada para as campanhas, como a instalação de
o Centro de Vigilância Ambiental (CVA), localizado postos em locais pré-determinados, previamente divulgados
no bairro de Peixinhos, Recife-PE, e o proprietário à população, devendo os proprietários deslocarem seus
deve isolar o animal suspeito. Em caso de mordedura animais de casa até os referidos locais. A critério dos
deve- se lavar imediatamente com água e sabão, coordenadores da atividade, em função das condições
procurando imediatamente um serviço médico. Não geográficas, climáticas e/ou epidemiológicas locais, esses
brincar e nem deixar o seu animal em contato com locais poderão sofrer adaptações.
errantes [3]. Aqueles animais que não forem vacinados por ocasião da
A campanha de vacinação deve ser bem planejada campanha, devido a diferentes causas (impossibilidade dos
com a procedência da quantidade de animais, de doses, proprietários levarem seus animais ao local de vacinação;
de equipes, de postos e de materiais que serão idade inadequada dos animais; nascimento dos mesmos
utilizados. Essas equipes devem ser previamente após a campanha; doenças; realização de tratamento com
treinadas e a campanha devidamente informada à imunossupressores; etc.), deverão ser vacinados em postos
população [4]. A vacina contra a Raiva Canina e fixos municipais, clínicas particulares ou outros serviços de
Felina, utilizada por órgãos públicos, é a vacina confiança dos proprietários.
modificada do tipo Fuenzalida & Palácios,
preferencialmente aplicada na via subcutânea e Resultados e Discussão
conservada em temperatura de 4ºC a 8ºC [5].
A meta da vacinação anti-rábica será imunizar 80% da
A finalidade com a realização deste trabalho é
população de caninos e felinos da capital pernambucana,
contribuir para a divulgação da campanha anual anti-
estimada em mais de 200 mil animais. O percentual é
rábica da Cidade do Recife, através da participação da

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1. Primeiro Auto é Discente do Curso de Graduação em Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco e Bolsista do Programa
de Educação Tutorial de Medicina Veterinária PET VET. Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n. Dois Irmãos, Recife, PE, CEP – 52171-900.
E-mail: tiara_fn@hotmail.com
2. Segundo Autor é Discente do Curso de Graduação em Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco e Bolsista do Programa
de Educação Tutorial de Medicina Veterinária PET VET. Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n. Dois Irmãos, Recife, PE, CEP – 52171-900. Segundo
3. Terceiro Autor é Discente do Curso de Graduação em Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manoel de
Medeiros, s/n. Dois Irmãos, Recife, PE, CEP – 52171-900.
4. Quarto Autor é Discente do Curso de Graduação em Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco e não-Bolsista do
Programa de Educação Tutorial de Medicina Veterinária PET VET. Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n. Dois Irmãos, Recife, PE, CEP – 52171-900.
5. Quinto Autor é Docente do Curso de Graduação em Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco e Tutora do Programa de
Educação Tutorial de Medicina Veterinária – PET VET. Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n. Dois Irmãos, Recife, PE, CEP – 52171-900.
X JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2010 – UFRPE: Recife, 18 a 22 de outubro.

preconizado pela Organização Mundial da Saúde Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, São Paulo, p.1-16, 1994.
(OMS) para as campanhas de vacinação. [5] TAKAOKA,N.; Raiva. [online]. Homepage:
http://www.pasteur.saude.sp.gov.br/menu.htm
O contingente populacional representado pelos
animais que não forem vacinados por ocasião das
campanhas, devido a diferentes causas não justifica,
geralmente, o comprometimento dos diferentes serviços
municipais numa segunda campanha, devido ao
pequeno acréscimo que resultaria na cobertura
populacional [5].
Merece destaque as diferenças de recomendações
quanto à idade dos animais a serem vacinados, entre a
comunidade acadêmica, especialmente das áreas de
Clínica e Medicina Veterinária Preventiva, e as
Prefeituras, responsáveis pela execução das campanhas
de vacinação anti-rábica. Nas campanhas preconizam-
se a vacinação de cães e gatos a partir dos quatro (4)
meses de idade enquanto que em clínicas particulares,
indica-se 6 meses de idade[5]. Contudo, as duas
orientações não se contrapõem, apenas ocorre que nas
campanhas, a população, objeto do trabalho, encontra-
se sob alto risco de infecção rábica. Ainda que pequeno
contingente de cães e/ou gatos jovens seja estimulado
imunologicamente e as respostas sorológicas possam
ser baixas, constata-se uma diminuição no número de
susceptíveis [5].
No caso de animais vacinados em clínicas, o risco de
exposição ao vírus rábico diminui, oferecendo
segurança para vaciná-los em idades superiores, pois
são animais avaliados individualmente, sendo possível
adotar indicações particularizadas, de acordo com a
orientação e a decisão de cada profissional [5].
Os municípios considerados em condição
epidemiológica de controle devem avaliar seus
parâmetros e metas a atingir, a fim de preservar tal
característica epidemiológica [5].
O vírus da raiva é contagioso aos humanos, trazendo
um risco de vida à sociedade. As campanhas de
vacinação anti-rábica visam o bem-estar da sociedade
tanto quanto dos animais, uma vez que, ao oportunizar
aos tutores a imunização gratuita de seus animais,
independente da classe social, promove a harmonia
saudável entre animais e o homem.

Agradecimentos
Agradeço a Deus antes de tudo. As amizades
verdadeiras e ao Professor Lúcio pela paciência,
atenção e dedicação de sempre.

Referências

[1] CORRÊA, W. M; CORRÊA, C. N. M; Outras rickettsioses.


Enfermidades Infecciosas dos Mamíferos Domésticos. 2ª ed, Rio
de Janeiro, cap.48, p.477-83, 1992.
[2] BEER, J; Doenças Infecciosas em Animais Domésticos, 1ª ed,
São Paulo, cap. 10, p. 168-78,1999.
[3] SCHNEIDER, M. C; ALMEIDA, G. A; SOUZA, L. M; Controle
da Raiva no Brasil de 1980 a 1990. In: Revista Saúde Pública, vol.
30, p.196- 203, 1990.
[4] KATZ, G; PINTO,H. B; GALIMBERTTI M. Z; Manual de
Vacinação Animal –Canina e Felina. Centro de Vigilância