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UNIVERSIDADE FEDER AL DE GOIÁS

]:ACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA


DEPARTAMENTO DE HISTORIA

A NAÇÃO XERENTE - UMA HISTÓRIA DE LUTA

Vaikiria Rufino dos Santos

Orientados Pro? Dr. Leandro Mendes Rocha

Goiânia
2003
VALKIRIA RUFINO DOS SANTOS

A NAÇÃO XERENTE: UMA HISTORIA DE LUTA


(1997/2003)

'frabailio monográfico apresctad o ao


Departamento de História da Universidade
Federal de Goiás, como requisito básico para
obtenção do grau de bacharelado e 1h ncia1ura em
História.
Orientador: Prof. Dr. Leandro M. Rocha.

Goiânia,
2003
Agradecimentos:

A realização deste trabalho, só foi possível devido ã dedicação e

orientação do profbssor orientador: Leandro Mendes Rocha, que, indicou a

bibliografia a ser pesquisada, a metodologia a ser adotada, além, de fazer as

devidas correções pertinentes ao trabalho.

A meus professores: Sebastião Barreto, Maria Soares, Sôni;i e Terezinha;


com quem tivemos a oportunidade de estudar no período do segundo grau os
quais nos incentivaram desde o primeiro ano do Ensino Médio a prestai o

vestibular oferecido pela Universidade. Federal de Goiás.


Á minha família: mamãe, esposo e filhas que foram de grande valia
devido, ao apoio moral a mim dedicado nas horas em que muitas vezes pensei
em desistir de tudo; por me ajudarem a vencer as horas de estre-ses e de mau
humor, a minha aluna Valdirene pelos trabalhos em conjunto, a Deusuita pela
ajuda inicial deste trabalho, o qual sem a disponibilidade dela em nos
acompanhar a Artíndia não teria sido possível fazer os devidos contatos, aos
funcionários da FUNAI, pela orientação e colaboração, principalmente ao sr.
Tarquinho; um agradecimento muito especial a toda comunidade Xerente pelo
prazer de fazer um trabalho tão gratificante, mas, agradeço principalmente á
família Antonio Xerente, que nos convidaram para unia visita Í, aldeia Salto,
hospedando-nos en suas casas. A estes o meu muito obrigado.
Dedico este trabalho à anciã: Maria Rosa Xerente e à memória de meu
A meu esposo E-IeIy, um agradecimento particular, pois nada poderá
recompensa-lo pela dedicação a mim, tios momentos de puro de, spero, diante
da possibilidade de não conseguir terminar o trabalho a tempo.
SUMARIO:

Resumo, 05
Apresentação,0 6
Introdução,09

Capitulo 1 - A origem e a história dos AKWÊN, 17


1.1. Os AKWÊN, 17
1.2. A cisão entre os Xerente e os Xavante, 23
1.3. Os Xerente na atualidade, 25

Capítulo II "O Projeto PROCAMIJIX", 36


2.1. Os projetos de grandes escalas, 39
2.2. A construção da UHE-Lageado, 40
2.3. O Destino da nação Xerente,45
2. 4. A atuação política dos grupos Xerente, 46
2. S. O Procambix,46
2.6. As propostas do Procambix, 51
2.7. O que pensa a liderança do povo Xerente a respeito do Projeto
Procambix, 52
2.8.. Outras comunidades que se envolveram com a construção de
barragens, ou projetos de grandes escalas, 54
2.9. O processo de tranfiguração étnica, 58

Conclusão, 61
Glossário, 67
Referências Bibliográficas, 68
RESUMO:

Este trabalho busca analisar a história a luta e a atuação da comunidade


Xerend, enquanto sujeitos históricos, co-participantes da história brasileira, suas
:.núltipias relações com os seguimentos não indígenas. Esta análise visa
demonstrar que os grupos Xerente estão cada vez mais próximos cia sociedade
nacional que, os enclausura constantemente com as fronteiras de expansão,
aliada ás construções dos empreendimentos de grandes escalas, rumo ao
"progresso" na região do Lageado.
As transformações: sociais, políticas e econômicas ocorridas na estrutura
.ocia1 desta comunidade apontam as conseqüências dos impactos ambientais
causadas pela construção da Ul-JE (Usina Hidrelétrica) Luis Eduardo Magalhães
e Projeto PROCAMBIX (Projeto de Compensação Xerente) para a os grupos
Xe rente localizados na mesma região.
APRESENTAÇÃO:

Tomamos conhecimento da existência dos índios Xerente, no curso de


çraduação de História da (UFG) Universidade Federal de Goiás, nas aulas do
professor da disciplina de História do Brasil 1 onde, a temática indígena
despertou nosso interesse, uma vez que a situação do indígena enquanto sujeito
histórico e portador de historicidade nos causaram fascínio, desde o primeiro
contato com a literatura a respeito do índio, quando lemos o livro da Bertha
7tibeiro "Escravidão Indígena" e, posteriormente o livro de Darcy Ribeiro "Os
Índios e a Civilização ".

Quando escolhemos a temática indígena para pesquisar, nossa


preocupação foi a 'de contribuir de alguma forma para com a história das
comunidades indígenas,, mas especificamente a nação: Xerente.Ern julho de
2003, sob a orientação do professor Leandro, fizemos uma visita á Casa do Índio
também à Ártíndia em Goiânia, onde fornos informadas por um funcionário,
que havia uma família Xerente em assistência, médico-hospitalar internados na
UNASA (Fundação Nacional de Saúde'); dirigimo-nos a casa de repouso, onde
encontramos uma família Xerente composta por li pessoas, incluindo os pais e
J9 filhos, ainda uma anciã com duas outras filhas pertencentes à mesma família,
porém a clãs distintos; moradores da aldeia Salto. Pedimos permissão para falar
com eles no que fomos prontamente recebidas por toda a família.
E, foi a partir daí; que depois de muitas visitas manifestamos nosso desejo
de conhecer a aldeia, fornos gentilmente convidadas para uma visita de 07 dias
em companhia desta mesma família. Os poucos dias passados na aldeia Salto,
nos deram urna dimensão da complexidade do tema que havíamos escolhido
i:ara pesquisar e também das contradições entre a teoria e a prática da pesquisa
e campo.
A Nação Xorente 1uQalisa-se no lado Içstg do rio Tocmths no, S
Estado do Tocantins, que teve sua separação do Estado de Goiás em 1988.
A capital do Tocantins, Palmas, foi construída a 70 Km da reserva
iidígena Xerente, que conta atualmente com uma população de 2.800
indivíduos. Até a data do início desta pesquisa, os Xerente estavam distribuídos
em 33 aldeias e cinco postos indígenas estrategicamente construídos para
atender ás necessidades dos índios, compreendidos entre: Xerente e Funil.
Os Xerente possuem língua própria: o Xerente é um dialeto da língua
AKWÊN, da família JÊ, tronco macro jê, o xerente é sua língua mãe.
Seu território encontra-se em uma posição privilegiada, pois o rio
Tocantins oferece boas condições para navegação, tanto para o escoamento de
g:tos quanto para o transporte de minérios pesados como é o caso do minério de
ferro e, por isso, está sendo alvo de muitas atenções. Tanto o governo Federal
q iantõ o estadual estão incentivando projetos de desenvolvimento para a região
do Tocantins, onde empresas privadas estão interessadas, principalmente, na
podução de grãos de soja.
Estes grupos mantêm relações sociais com os civilizados desde seus
p½meiros contatos no século XVIII, a demarcação de suas terras ocorreu em
1972 e foram homologas pelo Decreto n°97.838 em 16 de julho de 1989, pela
P:esidência da República, que através da FUNAI: "registrou as glebas da Área
Indígena Xerente nos Cartórios de Registros de Imóveis em Miracema-TO; e no
D•partamento de Patrimônio da União".
Analisaremos as relações dos índios com os não-índios buscando
pi oblematizar as transformações cm seu habitat, mas, principalmente as
mudanças ocorridas na estrutura social, política e econômica desta comunidade,
devido à construção de emprecqdimentos de grandes escalas como, é o caso da
primeira etapa da (UHE) Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães na região
do Lageado. coiiatiulda a ló Kni das terias Xerente. t\s coiiseqiiéncuas da
construção da usina Lageado nas proximidades do icrritóri Xcrcntc juntamente
com o (PROCAMI3IX) Projeto de Compensação de Xerente serão mai bem
analisadas no decorrer desta monografia
Esta monografia visa analisar as conseqüências advindas dos. mega-
projetos ou projetos de grandes escalas, construídas em áreas próximas às T.I.s
(Terras lIndígenas), e as mudanças sociais, políticas e econômicas ocorridas tio
cotidiano destes . grupos Xerente, diante do avanço econômico que ficou
incrementado depois da criação do Estado Tocantins e da construção da UHE.
A historiografia aponta as diversas mudanças ambientais sofridas pela
nação •Xerente no decorrer de sua história junto aos ditos civilizados.
Os Xerente estão bem no centro de um grande e complexo projeto de
empreendimentos rumo ao "progresso" na região do Tocai ttins que envolve os
governo Federal, Estadual, a FUNAI (Fundação Nacional de Índio), empresas
privadas, políticas municipais e governamentais, enfim toda a sociedade
nacional no geral;
Os grupos Xerente buscam conviver de forma pacifica tentando não
incomodar a sociedade local, embora isso não aconteça, pois a população local
sente-se constantemente constraugida pela presença destes grupos, vendo neles
motivos de impedimento do desenvolvimento econômico da região.
Dentre as recentes mudanças ocorridas na vida cotid-.ana da comunidade
Xerente podemos citar: as construções das "rodovias TO-01 O, TO-45" ,"a ponte
sobre o Rio do Sono", a instalação provisória da capital na cidade de Miracema,
juntamente com a concessão de exploração e construção da tiRE a partir de 16
de dezembro de 1997.
INTRODUÇÃO:

Pretendemos •nesta monografia analisar a história recente. dos índios


Xerente no Tocantins, o recorte inicial para este trabalho, data da assinatura de
concessão para a exploração e construção da UHE (Usina Hidrelétrica: Luís
Eduardo Magalhães) em 1997 com o término do projeto previsto para maio de
2001, período em que começou a formação do lago na região do La.geado, e o
termino deste é o ano de 2003.
E, é neste contexto, que buscaremos analisar a dinâmica Xerente e suas
múltiplas relações sociais com os não-índios, dentro de um debate
teórico/empírico, que possa não apenas contribuir, mas dar margem para
refutações, uma vez que não é nosso objetivo sanar todas as lacunas existentes
sobre ó tema analisado.
Para se entender a dinâmica desta comunidade, faz-se
necessário uma contextualização das relações sociais desta ilação e
suas múltiplas relações com outras instituições com as quais esteve
se relacionando no decorrer de sua história, até o advento cia
construção da UHE no final da década de 1990
lo

Analisaremos as "coerções econômicas" que visam os interesses


da iniciativa privada em dtrimtnto dós póv& i ndígebás,itâMÕ
enclausurando ou dizimando-os através dos mega-projetos ou "projetos
de grande escala" que visa o expansionismo econômico rumo ao
"progresso" da região do. Lageado, coagindo economicamente os povos
indígenas.
Nesse sentido, o "progresso"' é considerado um fenômeno que
pode muitas vezes ser denominado de "modernidade/modernização",
onde, segundo Caplow (1979), as conseqüências sociais das
transformações produzidas por este fenômeno podem ser de duas
formas: urnas automáticas outras não.
O autor esclarece que nem todas as instituições são transformadas
pela modernização, urna vez que enquanto algumas são deixadas

1-Para Ribeiro (1977) a etapa de integração não corresponde á fusão dos grupos indígenas na
sociedade nacional como para e indistinguível dela, pois essa seria a assimilação grupal que não
ocorreu ciii nenhum caso já examinado. Aquilo com que nos defrontamos e que foi designado como
estado dc integração ou como condição de índio genérico representa uma forma de acomodação que
concilia unia identificação étnica especifica com unia crescente participação na vida econômica e nas
esferas de comportamento institucionalizado da sociedade nacioiial.(Ribeiro,1977, 2' cd.) -

2 Para Caplow (1979) "Progresso" pressupõe-se movimentas para frente, desenvolvimento cai sentido

Favorável, aquisições materiais e intawriais que unia cultura acuinula. ciii nutras p:tltvras t iiiit

fenômeno que [em como obj iva as t ransfornuições da vida SociaL ou seja consiste 11 11111 jumento
significativo de alcance das experiências humanas. Nesse sentido Caplow (1979) chama-no a alenção
para o fato de no século XIX os cientistas generalizaram esta teudância de maneira exagerada,
ensinando que o "progresso" era inevitável para o desenvolvimento social, tecnológico e fisico das
instituições. E que estes cientistas dominados por esta ilusão, ignoraram foi o flulor preponderante de
que este mesmo "progresso" sócio-tecnológico poderia tomar rumos diferentes daqueles imaginados
transformando-se em "revcses dramáticos".
Para Copwol no século atual os homens adquiriram uma grande capacidade de destruição do
meio ambienv3 natural através de explosivos e das armas químicas, envolvendo tanto as sociedades
"dcsenvolvidas"quanto as consideradas "atrasadas". (CAPLOW, Thcodore: A Caminho da Redenção
Sócia; 1979.p.16121).
11

intactas, outras sofrem mudanças que não podem ser atribuídas


diretamente á tecnologia. Para Caplow, as sociedades contemporâneas
não parecem ter muita liberdade para discutir a chamada modernização
ou progresso.
O "progresso" social na contemporaneidade tem um
direcionametito "exeqüível", tanto a curto quanto a longo prazo, basta que
para isto se respeite as exigências da tecnologia e também as condições
do meio que se deseja mudar para que possa alcançar o objetivo
almejado.
:Resumindo, o uso do termo "progresso" pode, muitas vezes,
prôvocar interpretações equivocas por urna parcela da sociedade, uma
vez que enquanto para alguns significa privilégios conquistados, para
outros pode significar perdas irreparáveis do seu cotidiano. A
denominação "progresso" não pode ser abstraída como executável em
todos o$ sentidos (político, social e econômico) dentro de urna
diversidade cultural tão complexa como as sociedades contemporâneas do
século XXI.
Os grupos Xerente estão inseridos neste contexto e; há séculos,
mantêm constantes relações sociais, políticas e econômicas com outros
índios, e com os ditos civilizados, incorporando vários tipos de trocas,
conseqüentemente, determinando em sua história, os segnirnentos das
transformações por eles sofridas em todos os aspectos de sua vida.
Partimos do princípio de que os grupos Xerente ao contrário do que
se espera das comunidades tribais, optaram por manter uma maior
proximidade com a sociedade envolvente buscando aprimorar suas
estratégias de sobrevivência, acumulando experiências, e novas formas de
trocas. Darcy Ribeiro (1977) já pontuava a disposição dos grupos
Xerente de permanecereúi próximos às guarnições militares e
12

experimentar a vida "civilizada"; Maybury-Lewis, fala desta disposição


dos grupos Xerente em estar próximos aos civilizados em sua pesquisa
desde 1984, afirmando que estes grupos, já não estavam assim tão
afastados da civilização.
Nesse se sentido, se fizermos uma analise da densidade
demográfica destes grupos poderemos compreender sua
adaptação/acomodação junto aos civilizados uma vez que, enquanto,
outras etnias foram completamente dizimadas nos seus contatos com a
sociedade envolvente na história dos povos indígenas e o colonizador a
população Xerente encontra em gradativo aumento populacional,
acumulando experiências e assimilando novas formas de sobrevivência
junto aos civilizados.
Um levantamento populacional publicado pelo boletim
"Informativo FUNAIISECC" (1988) registrou um contingente de índios
Xerente na região de Goiás com cerca de 1.000, em 1970, Orlando
Sampaio Silva registra um grupo de 533 Xerente, no ano de 1997
contavam uma população de 1.664 índios e em 2003 quando finalizamos
este trabalho à comunidade Xerente somava 2.800 indivíduos, segundo
os próprios índios nos relataram cm nossa visita á aldeia.
Nossa hipótese, é a de que os índios Xerente optaram pelo convívio
junto aos "civilizados," demonstrando possuir uma maior disposição para
conviver com a sociedade local nacional, desde os primeiros contatos;
mantendo uma proximidade gradativa, desenvolvendo melhores formas
de adaptação e acomodação de seus interesses tribais; estes, grupos
acumularam estratégias de sobrevivência e novas formas de trocas,
buscando sempre tirar melhores proventos desta proximidade,
dinamizando suas relações sociais com a sociedade envolvente, ou corno
afirmou Ribeiro (1977) no capítulo X de seu livro: "Os Índios e a
13

Civilização "que ás sujeições dos grupos indígenas as "coerções sócio-


econômicas" podem vir a transf'orma4os em índios propensos à
transfiguração étnica:', pois as mudanças ocorridas em seu meio biótico
podem provocar transformações não retroativas no modo de vida das
comunidades tribais.
Os grupos Xerente no decorrer de sua história quase sempre
mantiveram relações sociais cordiais com a sociedade nacional e somente

ás vezes, estas relações tomam-se conflituosas pois que, seus territórios


estão constantemente, sendo alvo das "coerções econômicas".
Uma prova deste tipo de coerção econômica encontra-se explicita,
por exemplo, na concessão de construção e exploração de projetos de
grandes escalas na região do Lageado, que visam um aquecimento da
economia local. Os interesses não são somente das empresas nacionais,
mas também •das multinacionais estrangeiras, que buscam aplicar seus
capitais em regiões ainda pouco dinamizadas economicamente como é o
caso da região do atual Tocantins, outras regiões do país também
optaram por estes empreendimentos de grandes escalas denominando-os:
"Plano de Desenvolvimento Sustentável"..
Ao analisarmos as transformações sociais atuais, produzidas na
comunidade Xerente, depois da construção da primeira fase da Ul-JE, uma
vez que, já se discute uma ampliação do projeto, a ser construído, mais
abaixo na jusante do rio Tocantins, atualmente encontra-se aguardando a
aprovação dos órgãos competentes para ser construída nas proximidades
da reserva Xerente e Funil.

Segundo Ribeiro p.13), esse é o processo através do qual às populações tribais que se defrontam com
sociedades nacionais preenchem os requisitos necessários à sua persistência como entidades étnicas,
mediante sucessivas alterações em substrato b10169100 em SUA cultura e em suas formas
de telaçflo
o sociedade envolvente esta, é na realidade urna aplicação particular e restrita de um processo com
.
mais
geral que diz respeito aos modos de formação e transformação das etnias.
14

As conseqüências dos grandes propelos são as drásticas mudanças


que produzem no seio das comunidades tribais, ocasionando muitas vezes
transtornos irreparáveis.
Nesse sentido, o projeto de compensação Xerente demonstra que,
estes grupos estão ao contrário do que diz o "Estatuto do Índio"
capacitados a gerir seus próprios interesses econômicos em prol da.
coletividade tribal, junto á sociedade nacional.
Esta monografia analisa o que representa para a comunidade
Xerente as propostas do Projeto U PROCAMBIX, como e por quem estão
sendo administradas as verbas destinadas a esta comunidade que convive
com projetos de grandes escalas, desde, a sua pacificação; quais os níveis
(social, político, econômico) da sociedade indígena estão, sendo
beneficiados pelo mesmc, em quais setores das aldeias estão sendo
aplicados os recursos provenientes da compensação atribuída a estes
grupos pelas perdas ambientais.
Buscaremos demonstras a atuação: política, econômica e social
desta comunidade junto á sociedade envolvente local e nacional.
Concluiremos com debates atuais a cerca das mudanças ocorridas
na comunidade tribais, e quais, as suas perspectivas de vida para um
futuro próximo, quando o projeto de compensação, chegar ao ténnino.
Dente as problemáticas levantadas analisaremos: O Que pensam as
lideranças dos Xerente? O que esperam da sociedade nacional e do
governo? Serão corno diz Darcy Ribeiro (1997): Índios genéticos? Serão
engajados no trabalho compulsório? Como ocorrerá o processo de
transfiguração étnica, estando estes grupos tão próximos da sociedade
local nacional ? Estas são algumas das propostas desta pesquisa.
15

Para este trabalho foram selecionadas algumas obras relacionadas


ao tema como: Ribeiro (1977), Ravagnani (1978), Maybury Lewis
(1984), Ossami (1993), Lunardi (1997), Rocha (1998), De Paula (2000).

O objetivo deste trabalho é urna análise social das conseqüências


do PROCÀMBIX para a comunidade Xerente, devido á construção da
(UHE) Usina Hidrelétrica Luis Ediardo Magalhães nas proximidades da
reserva indígena Xerente, que se encontra bem no coração do at71
Estado do Tocantins que, por sua vez encontra-se bem no centro do
Brasil.
Este trabalho será composto por unia introdução, dois capítulos e
conclusão. Onde a introdução será composta de um levantamento
historiográfico, dó fontes e documentos que analisam e contextualizam a
atuação desta • comunidade no âmbito: regional, nacional e internacional.
Será feita urna pesquisa junto à literatura já existente sobre o tema, uma
problematização, justificativa, hipótese, e urna descrição sucinta do tema
analisado.
No primeiro capítulo, apontaremos quem são os Xerente: sua a
origem e história; no segundo capítulo esclareceremos a situação dos do
Xerente na atualidade, juntamente com o que vêm a ser o projeto
PROCAMBIX.
Quais são as perspectivas de uma melhor qualidade de vida ou não
para estes grupos, que ganharam o direito de receber unia compensação
cansada por perdas anibientais, devidas á construção da (UHE) Usina
Hidrelétrica 'Luís Eduardo Magalhães que através de acordos entre
FUNAI, o empreendedor Investco 5/A com a interferência do Ministério
Público Federal do Tocantins; obtiveram um projeto compensatório com
17

Capítulo 1

A história dos AKWÊN

1.1 Os AKWÊN:

Iniciaremos a discussão sobre os AKWÊN pelo próprio Ribeiro


(1977), com seu clássico, "Os Índios e a Civilização", onde, este faz umk
análise das conseqüências das frentes de expansão, apontando as
"coerções sócio-econômicas4" sofridas pelos povos indígenas, dedicando
algumas páginas ás transformações ocorridas no meio biótico5, destas
comunidades apontando as compulsões ecológicas' ,com uma das causas
de dizimação das populações tribais.
Ribeiro afirma que as mudanças ocorrem de forma drástica no
habitat do silvícola, tomando inoperante seus antigos sistemas de
adaptação; ressalta a incorporação dos índios indenes nos circuitos de

4 Consistem essencialmente no engajamento dos índios em um sistema produtivo de caráter capitalista


—mercantil que, possibilitando a apropriação privada de suas terras e a conscrição dos indivíduos na
força de trabalho regional anulam a autonomia cultural e provocam profundos desequilíbrios na vida
,

social dos indígenas. (Ribeiro, 1977,2' cd).

As compulsões biótieas de maior relevância consistem na incorporação dos índios indenes IlOS
circuitos de contagio de moléstias de que aos portadores os agentes da civilização e tõni como efeito a
depopulação e o debilitamento dos sobreviventes a níveis tais que, muitas vezes, importam na sua
completa extinção física. (Ribeiro, 1977, 2' cd).

) 6
Metam os grupos indígenas cm duas formas básicas. Primeiro, como uma competição entre
populações que disputam recursos difèrentcE de iiiii niestuo território e cijlniina com a dizimação
intencional dos índios ou a transformação do seu habitat de forma tão drástica que toma inoperante seu
antigo sistema adaptativo ameaçando-os, também por isso, de extinção. Segundo, como um mecanismo
de miscigenação que, assegurando aos não—índios o papel de reprodutores, mediante a tomada de
mulheres indígenas, resultam na identificação da prole com a etnia paterna e contribui para reduzir o
substrato humano cm indispensável para a preservação da etnia tribal. (Ribeiro. 1977, r cd)
18

contágio de moléstias que têm os agentes civilizadores como

transmissores em potencial, também como possíveis causadores da


depopúlação; e que o debilitamento fisico é fatalmente o responsável
pela quase extinção fisiça dos nacionais da terra. (Ribeiro, 1.977.
p.221/229/441).

Para analisarmos as transformações ocorridas na estrutura sócio-


cultural, política e econômica da comunidade Xerente na atualidade,
requer um retorno á análise de Ribeiro, que aponta os AKWÊN, como
sendo uma organização social complexa "baseada em sistema de metades
e clãs, onde as posições espaciais das aldeias são rigidamente reguladas,
segundo o quadrante. solar. Segundo o autor, estes grupos tiveram a
oportunidade de conviver intimamente com as guarnições militares e de
experimentar a vida "civilizada". Isto pode ser observado desde os
primeiros contatos destes grupos com os civilizados. Segundo Ribeiro:

"Um grupo que deno/ava maior aversão ao convívio CO!!? civilizados e


que passou a ser conhecido como Xavantes, conte çvu a deslocar-se
para o Araguaia (1859) acabando por se estabelecer tias campos do
rio das n'fortes '7V..1 Os AKWEN, que voltaram a se fixar no seu antigo
território, á margem direita do Tocantins, passaram a ser conhecido
como Xerente. Estes grupos demonstraram maior disposição para
conviver COR? OS civilizados /t. /" (Ribeiro, 1977. p. 64,65,66,67).

Em relação ás mudanças ocorridas nas estruturas sociais dos grupos


indígenas, e as traiisfonnaçõcs pelas quais têm passado Clii dccoi'rência
de seus primeiros contatos com os civilizados Ribeiro, faz urna análise
dos primeiros contatos da civilização com os indígenas e nos conta:

"A civilização atinge e afeta os grupos tribais antes niesmo dos


primeiros contatos diretos com a sociedade nacional, na forma &
uma competição, de nível ecológico que os envolve, provocando
profundas mudanças em sua vida, antes de começar atua,' o processo
19

de czcultrayTro. Por força deste tzodo de interação não exsfe tribo


alguma virg :n livre de civilização (Ribeiro, / 977. p. 263).
".

A interação entr: os indígenas e não-indígenas em um primeiro


momento se dá de forrn, simétrica, como uma relação entre iguais.

Em geral, a tHb ainda conserva alguma potência e autonomia e


consegue impor respcito. Os agentes da sociedade nacional, sejam
funcionários do SPI (Sciviço de Proteção ao Índio), regatões ou quaisquer
outros, constituem um grupo pequeno incapaz de dominar à viva força
paulatinamente essas elações que vão assumindo caracÉerí;tica da
dominação.
A interação dor: grupos indígenas deriva , também de outros
fatores, como a maic ou menor organização tribal para manter-se
unificada sobre o impacto dos novos fatores que atuam no sentido de
desintegra-Ia.
A rapidez da mudança não depende, somente, das proporções
numéricas de índios e ião-índios na região, mas da capacidade objetiva
de um grupo de impor no, das oportunidades oferecidas aos índios de
preservarem o emos tn a1, ou seja, a autoconfiança que lhes dá orgulho
alento para enfrentar ou 1 ros povos. E o autor continua:

"É por eçle processo que as relações entre tribos indígenas e


seguimentos :le sociedade nacionais progridem necessarian:enie para
relações de subordinação. Mesmo quando a sociedade nacional
se dispõe, / r seus agentes locais a respeitar os costumes indígenas e
a acatar suo organização social., corno ocorreu nos conta/os presididos
pelo SPJ, ão se pode evitar aquela subordinação esoonlánea,
conseqüente das primeiras rupturas do duos tribal "A subordinação
".

que tem itv.io desse modo vai-se aprofundando cada ve: mais, à
medida que s índios são compelidos a reconhecer fronteiras
morais e fisi as à ação (Ribeiro, 19 77.p.2 70).
".
rLf

A analise de Ribeiro aponta a caça, a coleta e pesca como algo


restringido dentro do território, onde através do avanço das massas
pioneiras a própria hostilidade tribal acabou desembocando um
condensado suas fronteiras pré- estabelecidas antes do aparecimento do
colonizador, esta ocupação vai assumindo em seguida, urna feição nova
gerando "Direitos isto é, quando extensões de territórios tribais são
",

integrados ao? sistema legislativo nacional sob a forma de propriedades


particulares como foi o caso especialmente analisado por Ribeiro: os
Kaingán.g, mas, também com todos os outros grupos chamados ao
convívio nacional. Assim, Ribeiro afirma:

um processo de sucessão ecológica que opera num nível pré-


aculturativo, as tribos indígenas são, levadas a tal grau de
desorganização interna e de desmoralização que, afinal, o povo que
tem a oportunidade de experimentar as etapas seguintes da integração
tia sociedade nacional é sensivelmente diverso daquele que existia nas
condições originais de isolamento. Sobre esse povo traumatizado é que
irão atuar outros processos dissociativos como os decorrentes da
população, antes que tenham início as coerções decorrentes do
convívio direto e permanente que propiciarão as inierinfluencias de
ordem propriamente cultural". [.•]" (Ribeiro. 1977, 19 77, p. 272).

Ravagnani (1978), analisa atuação dos Akwên dentro de


documentos que segundo o autor dão um embasamento argumentativo
para defender a sua tese, afirmando que não há duvidas; todos os
documentos por ele encontrados comprovam, que os Xavante viveram a
partir da segunda metade do século XVIII no centro e no norte da região
hoje denominada Estado de Goiás. Neste local ocupavam uma mesma
área juntamente com os índios Xerente em ambas as margens do rio
Tocantins com quem tinham muitas afinidades culturais. Para este autor,
estes dois grupos possuem urna origem e habitat comum. Formando os
Akuên.
21

Sua análise parte da interpretação de Paul Ehrenreich que apresenta


os AKWÊN da seguinte maneira: "envolve sob a denominação comum
Ákuã (acue) os Chavantes e os Cherentes, aos quais ainda juntou os
Canoeiros". Outra contribuição que Ravagnani utiliza é a de Felician.o de
Oliveira que afirma:

"Os cherentes considera,;, —se (sic) aparentados étnica e


lingüisticamente com os chavantes' "[...J Os velhos cia tribo contam
historias destas ligações e dizem outrora os cherentes viveram jazidos
aos chavantes, com quem brigaram por causa das mulheres,' os
chavantes ainda denominam os cherente - "Acziên-oá-si-cui-oá ("
gente aparentado de nós') [.. .1" segundo me traduziu logo um chefe
dos cherente) (Ravagnani, 1978.p. 99).
".

Ravagnani chama-nos a atenção para o fato de que os dois grupos


são subdivisões de um único grupo, que no início do século XIX eram
grupos distintos, porém, muito próximos. Em sua tese afirma que a
- separação dos Akên (separação fisica, mudanças de território) é
confundida por muitos autores.
Nas obras de Maybury-Lewis (1984) "Á Sociedade Xavanie" e "O
Selvagem e o Inocente" (1990), onde o autor através das suas pesquisas de
campo e também de posse do material original da pesquisa de Curt
Nimuendajú, faz uma abordagem antropológica da sociedade Xavante
e, suas relações sociais a quem o autor denominou "facções", mas,
também indica a ação dos Xerente no mesmo contexto.
As obras abarcam meados do século XX e, demonstram como os
Xavante viviam em territórios distantes e que os Xerente localizados em
Tocantínia, já não estavam mais tão isolados dos chamados civilizados.
Maybury-Lewis, aponta os Xereiflc como interprete ciitrc o próprio
Lewis e os Xavante, que não falavam o português; como estes dois
22

grupos possuíam línguas muito próximas, Lewis esperava poder aprender


a língua Xerente para então, poder aproximar-se dos Xavante.
Porém, o autor deixa claro que há uma diferença entre os dois
idiomas principalmente na pronuncia, o que dificultou bastante a sua
pesquisa a respeito dás Akwên:

"[.1 Apesar do pouco que se conhece sobre sua história, sabe-se que até inícios do século
XIX, os Xavantes viviam no norte de Goiás, entre o Tocantins e o Araguaia. (Maybury- Lewis, 1966).

E o autor continua:

"Esta região, assim, como a maior parte do Planalto Central era


ocupada por tribos da família lingüística ,Jê, as quais provavelmente,
já se encontravam ali antes das grandes imigrações dos Tipi Destes
grupos, os Xavantes e os Xerente eram decididamente minto próximos
senão o mesmo povo. E que travar uma relação entre eles e'"difícil
"

de se estabelecer com precisão, já que os cronistas mais antigos


usavam ambos os termos com bastante flexibilidade." ('Maybury-
Lewis, 1984.p. 39/40).

Não á possível saber de onde derivam os felinos: Xavante/ Xcrciitc


de acordo com Maybury- Lewis, pois que a etimologia destes termos é
portuguesa, dessa forma, no é possível precisar quem começou a utiliza-
las. Tanto é que os próprios Xerente autodenominam-se: AKWÊN.
Maybury-Lewis, utilizando as contribuições de Niinuendajú; sobre
estes dois grupos fala que: Xavante era um aplicado indiscriminadamente
'4 a varias tribos de cerrado (Almeida, 1869; Siqueira , 1872; 41-42) mas,
finalmente, ficou restrito a três grupos: (1) Os Oti-Xavante, d.o oeste do
Estado de São Paulo. (2) Os Ofaié (Opaié)- Xavante, do extremo sul do
23

Mato Grosso. (3) O; j-tkuón-Xavante, localizados a oeste do rio das


Mortes (Mato Grosso do Norte). Sendo, que, o qualificativo Akwên foi
um termo corrente entre os que estudavam os povos indígenas do Brasil,
tanto indicava Xerente corno Xavante".
Nesse sentido, a análise de tvlaybury-Lewis corrobora com as
analises. de Pohl e Paternostro: "os Xavante e Xerente eram
decididamente muitos próximos, senão o mesmo povo", e que essa
separação é anterior à ruptura total, urna vez que a principal causa da
cisão foi a questão da expansão.

1. 2. A cisão entre os Xerente e os Xavante

A análise da cisão entre estes grupos é apontado por Ossami (1993)


que fez um estudo dos escritos do Pastor Zacarias Campelo(Id. ib.) e
.Ehrenreich (Id. Ib.) demonstram que: Os Xerente foram chamados
de"Xavante mansos", em contraposição aos grupos tribais que se
instalaram em regiões dos rios das Mortes e Araguaia: - os Xavante
propriamente ditos.
Esta autora ainda encontra noticias dos Akwên em Hassier e
Campelo;..onde o primeiro afirma serem estes grupos: "Akwên bravos"e o
segundo, desiguina os Xerente como sendo uma fração dos Xavante, que
residiam juntos antigamente nos planaltos entre o Tocantins e Ara.guaias,
a autora utiliza as contribuiçoes dos autores: Emanuel Pohl e Júlio
Paterrnostro que alegam serem os Xerente um grupo autônomo. O que
pode ter ocorrido poterionnente foi uma fusão com os Xavante, junto
aos quais formavam homogeneidade étnica. (In Neiva 1986: 410)."
24

Para Ossami, as contribuições de Paul Ehrcnreich e Henri


Coudreau (In Neiva: 411) revelam as mesmas opiniões a de que os
Xavante e os Xerente teriam provido do mesmo tronco ou pertenciam a
mesma nação, em virtude da identidade de sua língua e costumes, aponta
a ação dos Grupos Xerente na contribuição do Padre Zacarias Campelo
onde, este afirma que:

"Lá para o início do século XVI!!, esses índios, ainda constituíam uma
só tribo, foram atraídos pelo governo de Goiás. Acamparam junto á
vila-capital. Entregues ao ócio, exigindo do governo e do povo todo o
que fosse necessário á vida, cedo se desavieram e, desiludidos,
regressaram ás suas antigas tribos "Ossami. 1993, P. 15/16)
".

Ossami diz que o Padre Campelo não esclarece o motivo de os


grupos Xerente optarem pelo convívio com os civilizados, mas afirma
que para o Padre Campelo: os Xerente insistiram em aceitar a
aproximação dos civilizados e que, separaram dos Xavante, indo os
primeiros para as margens do Tocantins, fixando-se estes nas
proximidades da antiga Piabanha, fundada por Frei Antonio de 0raija, lá
pelas eras de 1840.
A perspectiva da autora é que: quanto maior e mais intenso o
contato com os colonizadores, ou mesmo com grupo indígenas que
mantinham relações diretas com esse seguimento, foram surgindo, entre
os Akuên, opiniões divergentes quanto a sua conveniência:

"Após, a cisão tribal, os dois grupos continuaram, por algum tempo


ocupando o mesmo habitat, em aldeias diferentes, quer jbs.s'e a margem
oriental do rio l'oca,itins, no Centro e tio Norte de Goiás (hoje
Tocantins. A formação dos dois blocos que iriam futuramente se
O dividir, deve ter-se dado nos primeiros anos do século XIX, logo,
após, a fuga do aldeamento Carretão, e o inicio da expansão agro-
pastoril para se concretizar no final da primeira década. Na segunda
já estava polarizados em hostis e "mansos mas ainda no mesmo
",

território (Ossami, 1993. p. 17).


".
25

Não concordamos com as afirmações da autora quando esta afirma


que os grupos Xerente podem ser classificados corno "mansos" em
oposição aos Xavante considerados "Hostis", urna vez que entendemos a
acomodação dos Xerente como sendo, urna forma estratégica de
sobrevivência desenvolvida por estes grupos, afim, de adaptarem-se
melhor ás mudanças ocorridas em seu habitat, devido, ás constantes
coerções econômicas e as frentes expansionistas oriundas dos "Mega-
Projetos" construídos próximo ou dentro de suas reservas, assunto que
analisaremos no capítulo dois desta monografia.

1.3. Os Xerente na atualidade


\3

A tese de Mestrado de Elder Antônio Lunardi (1997) "O Xerente:


Direito, Vida e Resistência ", analisam sob um ponto de vista jurídico,
teoricamente baseada no âmbito agrário e antropológico, suas pesquisas
de campo e também em teorias relacionadas ao Direito, onde, retrata os
direitos dos índios amparados pela Constituição de 1988, e também. no
Estatuto do Índio.
Aborda a natureza do índio, sua comunidade, raça e cultura, detecta
a atuação da FUNAI, enquanto instituição responsável pelos direitos
indígena, mas, principalmente focaliza a Sociedade Xerente no processo
de aculturação c integraçã o na diversidade biológica, de acordo com este

autor a linguagem e a cultura sio os elementos fundamentais que definem


este grupo enquanto etnia.
Lunardi utilizandd a contribuição de Pohl, fala d.o extermínio dos
índios Goya e Krixá, denominando as seguintes "nações" existentes:
Caiapós, Xavante, Araés Canoeiros, Apinagés, Capepuxís, Temimbós,
Arnadus, Xerente, Tapirapés, :Carajás, Poxetis, Gradaús, Tecemedus,
Guiagucus, Porecrarnecrás, Curumecrás, etc.
Ao fazer a sua pesquisa em vários documentos Lunardi encontra:
"O boletim Informativo FUNAI-SESC e Governo do Estado, edição
de abril! 1988, que faz um breve histórico dos Índios de Goiás (p.3),
informa que "somente a partir da primeira metade do século XVIII,
Goiás, passa por um processo de ocupação permanente, motivada pela
descoberta do ouro". Nesse sentido, Lunardi esclarece:

"O mesmo boletim (p. 4), faz um breve histórico sobre cada uma dessas
tribos e dele extraio o seguinte: O Xeren/e, que antes ocupava a
-

faixa do Sul em direção ao Rio Tocantins e Maranhão, tendo


contribuído grandemente para a povoação do aldeamento do
Carretão, hoje está concentrado no Estado do Tocan/ins, na região de
Tocantinia, onde a reserva indígena Xerete abriga unia população de
mais de 1000 ind/os." (Lunardi, I997.p.57/58).

A situação dos índios de Goiás neste período tia visão de Lunardi:


só pode ser revelada a partir do confronto dos grupos indígenas com as
frentes niineradoras, que se prolongariam com a instalação de grandes
fazendas de criação de gado nos territórios tribais. Para endossar suas
afirmações, busca embasamento em Darcy Ribeiro, onde este apresenta:
Os Xerente, ocupavam originalmente a bacia do Tocantins desde o sul de
Goiás até o Maranhão, estendendo-se do Rio São Francisco até o Rio
Araguaia.
A interpretação interessante que Lunardi, faz das condições
educacionais e políticas, juntamente com a atuação direta da FUNAI, na
escolha das lideranças destes grupos, afirmando que, esta não permite
que façam as escolhas de suas lideranças da forma natural, como era de
27

costume, o autor em sua pesquisa de campo junto aos Xerente observa


urna expectativa de vida estarrecedora e nos conta que:

"os encontrei em es/aí/o de ahaiu/ono, Jogmios pelas rum bebem/o,


por culpa da /'1J/VA1, Ilíloni natural deles, que mio tem controle de
entrada e saída dos inchas nas czldeicts; o que fitei//ia a prostituição dos
pobres índios, a contaminação co/mi (iDe/Iças I'L'FJ(/'C(iS, lllI'l
tuberculose e outros tipos de doenças (Lunardi, ,). 13,)
".

Em sua perspectiva os índios devem permanecer intocáveis em seu


habitat; ainda que sua tese vise provar as mudanças ocorridas em seus
hábitos e costumes, afirmando que estes "sobrevivem com a identidade de
povos distintos do povo brasileiros", e, que são vítimas de sua
dominação.
Não estamos de acordo com as afirmações de Lunardi, pois, a
função oficial e social da FUNAI é a de proteger os direitos dos povos
indígenas, dentro das normas propostas pela União e não a de
controladora dos mesmos.
Uma vez que, é sabido por toda a sociedade que os vírus não
possuem fronteiras, dificultando a ãtuação da FUNAI no controle das
vias de acesso destes, no máximo esta instituição pode colocar á
disposição dos indígenas alguns postos de saúde corno unia forma de
prevenção contra os organismos radicais.
Isto, já ocorre na atualidade, as aldeias possuem alguns membros
indígenas ocupando funções de agentes de saúde, coletando dados e
material para exames cotidianos, como prevenção de infecções
generalizadas.
No que diz respeito á saúde dos povos indígenas na atual
conjuntura não estão muito diferenciados da população nacional, pois, a
FUNASA, órgão responsável pela saúde do índio, trabalha no sentido de
sanar os problemas oriundos das infecções adquiridas pelos indígenas,
procurando trata-los em hospitais da rede pública brasileira como
qualquer outro indivíduo da sociedade nacional.
Seria, portanto, necessário urna revisão da política sócio-
administrativa da sociedade brasileira ,ern âmbito naciona, para
corresponder ás necessidades de toda a população brasileira na
atualidade.
O autor fala das condições de vida dos grupos Xerente, como
estes fossem algo isolado, porém assumimos aqui que estas condições
não condizem com a realidade, Lunardi fala sobre esta comunidade que:
"são distintas da sociedade nacional, que oprime e degrada estes grupos".
O que observamos, porém, é que ocorre justamente o contrário do
afirmado por Lunardi,, uma vez que esta comunidade está cada vez mais
próxima á sociedade nacional do que as demais comunidades indígenas
no decorrer de todo processo histórico, como os autores, citados neste
trabalho, vêm apontando nas notícias relativas aos mesmos.
Adquirindo novos hábitos e costumes, incorporando táticas e
estratégias de sobrevivência, assimilando novos elementos integradores, e
acomodando-os as suas necessidades dentro de um contexto
complexamente maior nas múltiplas relações com a sociedade nacional;
mas ainda, mantendo seus antigos rituais e costumes.
No que diz respeito á identidade e dominação dos índios é possível
que estes tenham sofrido uma gama muito grande de aculturação, mas o
inverso também ocorre, isto, desde o período colonial e não foi motivo
de impedimento para que os grupos indígenas perdessem suas respectivas
identidades, como sendo, os naturais da terra, perfeitamente adaptados á
sociedade nacional
29

Tanto é, que, esta, é urna das poucas comunidades que conseguiram


através da história colonial do Brasil e após ela, manterem um
contingente mínimo de indivíduos, e chegar ao século XXI com urna
densidade demográfica em ritmo de aumento da sua população que se
encontra adaptada no convívio com os civilizados, isto de acordo com os
próprios Xerente nos relataram em nossa visita a aldeia Salto, em julho de
2003.
Rocha (1998), em sua dissertação de Mestrado; "O Estado e os
Índios: Goiás 1850-1889 "; falando sobre os AKWÊN; nos conta sobre as
primeiras notícias dos AKWEN sua obra visa abordar dentro de um
esquema teórico mais complexo, a realidade da política indigenista e sua
contextualização no sentido de perceber os aspectos: políticos, sociais e
econômicos na segunda metade do século XIX.
A análise aponta o envolvimento dos interesses econômicos entre a
política indigenista implementada em Goiás e a questão da navegação dos
rios Araguaia e Tocantins, já que os índios constituíam um sério
empecilho a utilização das vias fluviais. Ao se referir aos AKWÊN utiliza
a contribuição de Castelneau, dizendo que os cronistas mais antigos não
diferenciaram os termos: Xavante e Xerente. Segundo este autor, Cunha
Matos (1824), foi o primeiro a referir-se a esses dois grupos como
habitantes de uma mesma região, porém, em aldeias distintas.
Rocha afirma:

"No início do século XIX, os xereníe represenicivam urna das


principais ameaças à rola do gado que demandava à Bahia. Essa rota,
usada pelos pecuaristas goianos para exportar sua boiada, levava a
Ociras no Piaui, Bahia à cidade do cratouno (Jéara ou mesmo ao
litoral da Bahia, ligando Natividade, em Goiás, ao litoral do nordeste"
(Rocha, 1998, p. 27-28).
A tese de Mestrado de Luís Roberto de Paula (2000) "A Dinámica
Faccional Xerente: esfera local e processo sociopolíucos nacionais e
internacionais ", abordam o fenômeno do facciosismo6, político indígena,
as articulações e arranjos existentes entre os Xerente na formação de uma
rede de alianças, e interesses nas quais, os indígenas se articulam com os
não-indígenas; tanto tio campo político como local, também nas demais
esferas.
Para analisar a oposição "sociedade indígena" versus "sociedade
envolvent:f', este autor abandona definitivamente a concepção de uma
"mônada]
Diutindo urna dimensão propriamente política de uma
determinucla situação do contato intcrétníco através da percepção da
distribuiç:o do poder entre os vários atores indígenas e iião—indígenas
que, com põem a esfera local na qual historicamente atuam as facções
Xerente.. Sua obra contextualiza a atuação facciona! dos Xerente na
atualidad:
Pa: este autor, "Os Xerente (Sê Centrais) autodenominados
AKWÊN mantêm contato intenso com os segmentos não-indígenas
locais e F.tpra4ocais há no mínimo, 250 anos. A área em que
, vivem hoje
foi reser'ada e demarcada em 1972, porém, até 1980 encontravam-se
muitos p :sseiros e fazendeiros em seu território, segundo o autor, os
índios dc sta região são chamados por muitos regionais pelo termo;
caboclo: ,",, ainda mantêm como atividades básicas de subsistência a caça,

6
"Faceiocisao:"articulaçôcs e arranjos existentes entre os Xerente. Ampla rede de alianças e
interesses n:1 qual as facções Xcrente se articulam com os diversos atores it-indigenas nas esferas:
políticas da Fera local.

No sistem: filosófico de Lcibnits, alemão (1646-1716) a substancia simples, ativa, indivisível de que
todos são feias. Foram para!:. Mônada./ Que tem os estames munidos em um só feixe.! União dos
estames coir a formação de um só feixe. Isolada. (Modcrníssimo Dicionário Brasileiro, volJ03-
j/p.p.750).
31

a pesca a roça de "toco"- ainda continuam a manter, parte de seu

sustento diário através do trabalho cm lavouras e criação dc gado nas

lazetidas ri rcuiivizinlias as suas aldeias.

A analise DE Paula em relação ás lavouras e criação de gado, se


mostram :;ontraditórias, uma vez que, os índios não possuem criação de
gado em suas reservas, estes são trabalhados feitos em fazendas
particularcs nas proximidades das aldeias, e as lavouras de "toco",
atualmen encontram-se quase extintas dentro das aldeias. Prevalecendo
a roça m xanizada (PROCAMBJX) com a ajuda coletiva da comunidade
masculina das aldeias e eventualmente a feminina na tarefa de cata de
raízes d& Kadas pelo trator que ara o local de plantio.
Du:ante muito tempo os Xerente conviveram com missionários
católicos e batistas que por aquelas redondezas passaram ou ficaram há
séculos ;ívendo juntos aos "brancos". Os Xerente acabaram por
"aprender" muito sobre e com " os brancos", a recíproca também sendo,
provavelï iente, verdadeira.
NE análise DE Paula encontra-se bem definida a atuação dos
grupos Cerente, uma vez que demonstra as várias estratégias
desenvo1 'idas por estes grupos nos seus contatos com os seguimentos
não-indígcnas da sociedade nacional:

"Em um trânsito longo e contínuo, sempre entrelaçado múltiplas


facetas que o "inundo dos brancos" tinha a lhes oferecer, os Xerente
adquiriram, somaram e fundiram a suas; diferentes e distintas
artimanhas e estratégias de vi vencia política e social, Os xerente
preservam a va língua materna e seus arran/os sociais mais vitais.
Portanto, não estamos falando em hipótese alguma de uma 'sociedade
em colapso 'Ç (Nimu(,>ndaju, 1912: 8), mas sim, de uni grupo que se
mantêm tatuo uma "ç't,iidade cultural e linguística diferenciada "
perante a sociedade regional. (Maybury-Lewi.s; 1979; 220) (De.

Paula, 2000! p. 1-2).


32

Observa-se que entre os autores analisados todos são unânimes em


relação à origem comum do grupo Xerente; ainda que suas analises
apontem motivos e décadas dif&enciadas para uma total ruptura dos
mesmos, todos concordam uma possível adaptação destes grupos ao
convívio com os civilizados, mesmo que suas analises partam de
perspectivas diferentes, todos concordam com urna organização social
complexa da sociedade Xerente dentro de um contexto historicamente
construído.
Para se falar da atuação da comunidade Xerente na atualidade, faz-
se necessário analisar a atuação dos grupos Akwên, para tanto, DE Paula
nos canta:

"Na segunda década do século À7X o governo da Província cria os


presídios militares ('indígenas) na região norte, ainda "it!festada de
"
Xavante e Xerente, com intuito de garantir a navegação do rio Araguaia. A
resistia indígena persisi.a com ataques aos presídios militares e às de não~
índias. Por isso, novas :entaüvas de aldeamento, particularmente dos Akwên,
foram levadas acabo por padres capuchinhos, contado com apoio de
intervenções das força punitivas das forças militares do Governo em uni
desses aldeamentos, o Teresa Cristina hoje município de Tocantinia
-
-

Frei Raffael de Taggiú em 1851, indicou a existência de mais de 3.000


Xavante e Xerente. Segu do a tese mais aceita a separação definitiva desses
dois grupos Akwên se 4u no final do século XIX: os Xavanies teriam
migrado para o cerrado iato-grosvense, próximo ao rio das Mortes, enquanto
os Xerente permanecram ás margens do rio Tocanuns".
Paula 1999.p.02).
( DE

DE Paula não concrda com os autores: Ribeiro e Lunardi em


alguns aspectos ressaltanclu que os primeiros contatos entre os Akwên e
os seguirnentos não-indígeits remontam ao século XVII, com a chegada
de missões jesuíticas e co )nizadores (bandeiras e entradas) ao centro-
oeste brasileiro, e que fonm nos séculos XVIII, com a descoberta de
33

minas de ouro, que intensii caíam a colonização dos territórios indi nas
localizados na então chama k. a Capitania de Goiás.
Nesse período, ente 1750 e 1790, registrou-se a construção dos
primeiros aldeamentos ind £genas financiados pela Coroa. Visava a
abertura do território atravs da atração e pacificação dos diversos pwos
indígenas ali localizados.
Parte dos AKWE (X;.-,vante e Xerente, Acroá, Xacriabá), aléti dos
Javaé e Karajá, entre outros, viveram temporariamente em alguns dc sses
aldeamentos (Duro,Formiga e Pedro III, também conhecido o orno
Carretão), para em seguida rebelaram-se e se refugiar em regiões iii snos
povoadas, ao norte da Cap mia.
Tanto é que na segunda metade do século XIX, o goverm' da
Província cria os presídios militares (indígena) na região norte, ainda
"infestada" de Xavante e Xerente, com o intuito de garantir a naveg ição
no rio Araguaia. A nota do autor sobre a navegação no rio Ara1.nia
corrobora com a tese de Rccha já citada anteriormente neste trabaih i. A
resistência indígena persisra, com ataques aos presídios militares ás
vilas de não -- índios.
Por isso, novas teiativas de aldeamento, particularmente dos
AKWE, fbram levadas a cubo por padres capuclunhos, contando cc ai o
apoio de intervenções pun;ivas das lbrças militares do Governo Frei .

Raffael de Taggia, em iR 51, indicou a existência de mais de 3 000


Xavante e Xerente.
Segundo De Paula 1999), a separação definitiva desses bis
grupos AKWÊN se deu no flhal do século XIX: os Xavante te iafli
migrado para o cerra( : mato-grossense, enquanto os Xer nte
permaneceram ás margens do rio Tocantins.
34

Este século, segundo autor, foi marcado pela dificil sobrevivência


dos Xerente junto a posseiros e fazendeiros que foram invadindo o poicc
que restava de seu território de ocupação tradicional.
O SPI só instalou dois postos de assistência durante a década de
1940, principalmente após relatórios do etnólogo Curt Nimuendajú, çue
denunciavam as péssimas condições de vida dos Xerente. Nesse períc:10
chegou á região uma missão batista, que permanece entre os Xerente dá
os dias atuais..
Para DE Paula, há:

"regislro.v que indica,,, a preocupação cicm autoridades se/re i


demarcação de tina área parti o grupo que daici,,, do final da dicac..i
de 50. Eni 1972, após ,natv de 200 wios de cvin'it'?ncia tensa
conflituosa com diversos segmentos não-índios que reisllara,e e;-;
-

mortes de ambos os lados os Xerenle conquistaram a sua p,hneirt


--

área demarcado, denominada nos documentos pela PUNA! como


"Área Grande Mais 20 anos e minta lula foram necessário ule Li
".

demarcação e homologação de outra área reivindicada pelos Xe"nie,


a do Funil" (DE Paula, 1999.p. 02).

A análise feita por Lunardi (1997), concorda com DE Paula (2000)


em alguns aspectos e discorda em outros, acrescenta outras informaç;õe;
em relação aos primeiros contatos dos índios com os não—índios na
contribuição de Ataídes (10): "toma-se dificil apontar com exatidão o
número de índios em Goiás no período colonial, urna vez que os
documentos são escassos e não confláveis".
Enquanto que Ravagnani (1978) diz que os documentos por ele
analisados, não deixam duvi.ias no que diz respeito aos grupos Xavaute e
Xerente
Os autores aqui :itados concordam com a hipótese de que
Xavante e Xerente formavam um único grupo denominado .Akuên. De
acordo com Ravagnani (1978), e dentre os autores citados, podemos
35

assinalar José Feliciano d Oliveira (1912), Frei José Audrin (1963),


Darcy Ribeiro (1977) e Maybury-Lewis (1984) onde, o primeiro afirma
que os Xerente consideravam-se étnica e lingüisticarnente aparentados
dos Xavante, o segundo assegurava que os dois grupos formavam um
1
único grupo, o terceiro diz pertencerem a uma origem comum, o último
diz que a cisão foi anterior a separação.
Em relação às datas da cisão entre Xavante e Xerente propostas
pelos autores há, urna controvérsia no sentido de apontar as décadas da
cisão e ruptura das mesmas, onde se observa que para Ribeiro, esta cisão
ocorre em 1859, porém Maybury-Lewis diz ter ocorrido em 1840, mas,
Ravagnani, afirma ter sido em 1820, o momento em que ocorrem os
prodessos de frentes expansionistas, e as coerções econômicas.
36

CAPÍTULO II

PROJETO PROCAMBIX

2.1. Os projetos de grandes escalas:

Este trabalho busca demonstrar que esta é uma discussão nova


levando-se em consideração o problema relativo as indenizações pagas
aos grupos indígenas no sentido de apontar como algumas comunidades
indígenas conseguem, judicialmente, o direito de ressarcimento por
perdas ambientais, provocadas por projetos de grandes escalas, como é o
caso da hidrelétrica: Luís Eduardo Magalhães, também, conhecida como
Lageado, construída a aproximadamente 15 km da reserva Xerente e
Funil
As coerções econômicas encontram-se bem definidas nos estudos
de Catulio, onde utilizaremos o conceito de Proyeclos de Gran Escala
(PGE)8 cio Anuário Antropológico! 90 - Rio de Janeiro 1993, tempo
brasileiro.
Onde o objetivo da autora é analisar e apontar as problemáticas mais
relevantes desenvolvidas por cientistas sociais latinoamericanos, e em
especial brasileiros, sobre os efeitos socioculturais das construções de
represas hidrelétricas.

8
O conceito selecionado para endossar nossa pesquisa está embasada no trabalho da.
Doctoranda de FLACSO Universidade de Brasília: Maria Rosa Cawhlo da
-

Universidade Nacional de La Plata; onde, esta diz que: "Las grandes obras públicas
como son los prc,csos de con.struciôn &: mievas c:tpilale;; Ia reahii'Á.eiól, de canales de, ii vegacián;
Ia exlcnsiõn de líneas
ferroviárias; La consu-ucián de represas lüdroelétrieas soa resultado de unia Fi-m
o que cl aiifropóloo (iuulLo L.inu Ribeiro
(1985. 1987) há denominado Proycclos do Ciriuid Fen Ia (P( E). Anuário Ai ropóh
'lt''190 fio de Janeiro: Idaho lirnileiro,
1993.p _ 205.
37

As analises de Catulio (1990) e de Ribeiro em relação ás coerções


econômicas sofridas pelos indígenas em seu meio ambiente, diante dos
projetos de grandes escalas demonstram bem como estes grupos são
afetados, direta e indiretamente pelos mega- projetos, produzindo
modificações: ambientais, ecológicas e biológicas.

Para tanto, Camilo conclui:

La noción de "impacto ambiental por los elites gubernamentales; escode una


",

serie de operaciones ideológicas que pueden ser resumidas eu:

1-La Obra hidroenergética aparece corno causa absoluta .'Ella se


transforma em "verdadera" instancia trascendenial, condición
incondicionada, hecho consumado ai que sólo cabe reaccionar, adaptar-se,
aceptcrr como se acepta un desígnio insondable; Ia obra de ingenieria se
transforma en "obra dei destino" ('Viveiros de Castro y Andrade 1988: 10, mi
traducció,,);
2- Las pobiaciones humanas "impactadas" san concebidas como parte
dei ambiente de Ia obra que pasa a ser cl sujeito. El/as sou naturalizadas;
asi.'niladas a epecics;
c,) naturales que pueden soineterse a "impactos negativos ". ,Surgwi de
esta /brma dos entidades eu confrontación: cl Estado, agente y causa y Ia
a/urde:', paciente y reactiva. Ia ingenieria de represa de dc'.sdohla eu
ingenieria sodial;
3- Se niega Ia diinensión política que es intrínseca a Ias procesos de
coiicepción, decisián y ejecución de nu einprenc/in!iento Iúdmeucrgé/ico. Ei
Estado, autor de Ia obra, queda identificado como Ia "sociedad" h,asi/eí?a
abstracta y Ias sociedades concretas son puestas como objetos arte cl Estado.
La obra aparece como nu "milagro", como algo natural que se concibe y se
ejecuta fuera de Ia voluntad política de ia sociedad, eu particular, de los

9(Catullo;1990, p. 219) Los autores se interrogan entonces, sobre Ia concepción de "ambiente" que
utiliza ELETROBRAS y cuál es Ia relación entre obra, poplación y ambiente (Viveiros de Castro y
Andrade 1988: 8). Afirman que ELETROBRAS, conjuntamente cozi ei Conejo Nacional de Meio
Ambiente (CONAMA), redefinieron Ia aeepción de "ambiente" entenduendo que un sistema
,

ambiental está formado por un medio fisico, un mcdio biológico y un medio socio-económico. De esta
forma, ias poblaciones humanas se naluratizan y colocan como sujeto clet ambiente a la obra
hidroenergótica. Conseçuentemente, sólo edste confroruación entre cl Estado y Ia Naturaleza y no
entre cl Estado y Ias poblaciones afectadas.
sectores sociales afectad-s (Viveiros de ('as/tu J'Andrade 1988:10) (('alui/o.
1990 p.221).

Os Proyectos de Gran Escala, construídos em similitudes


estruturais e épocas diferentes, demonstram que leva em consideração
um modelo de planificação que se repete em vários contextos históricos e
geográficos, ou seja, demanda planificação e dimensão; tanto; incluem
hidrelétricas como também um projeto de desenvolvimento de cunho
nacional e internacional, visando a construção de cidades, ícrrovias, e a
construção de canais de navegação, buscando enfim, o desenvolvimento
econômico da regiãõ, onde são implantados.
Um dos grandes problemas observados nesses projetos são as
conseqüências destes para as minorias étnicas envolvidas no processo
de desenvolvimento rumo ao "progresso", uma vez que, encontram-se aí
envolvidas as políticas nacionais e internacionais que visam um melhor
aproveitamento dos recursos naturais; abarcando tanto as instituições
neles envolvidas, como também e principalmente os problemas sociais
das comunidades afetadas.
Nesse sentido, para Catullo:

"Es/os proyeclos de desarrolio son planificados para propósitos


múlipies: producción dc energia, navegacián, nego, usos doméstico y
sanitario dei agita y desarroilo regional. Sin embargo, su
funcionalidad primaria y cosi exclusiva es Ia producción de energia
para los grandes centros urbanos". ('Calulio, 1990, p. 216).

Um aspecto importante levantado por esta autora é apresentado


quando aponta os propósitos dos empreendimentos (UHE) de grandes
escalas no sentido de mostrar que as intenções destes, é a geração de
energia mais barata para a região na qual são instaladas as empresas
nacionais e internacionais, buscando expandir os setores agropecuários.
Segundo a autora, faz-se necessário notar as ideologias envolvidas
nesses empreendimentos de modernização das regiões consideradas
"atrasadas".
Nos discursos sobre desenvolvimento energético fica clara a
legitimação do Estado enquanto componente ideológico nos processos
de modernização e expansão dos setores hegemônicos da sociedade
nacional que em geral estão envolvidos com empresas internacionais,
conseqüentemente com os projetos de grandes escalas.
No processo de desenvolvimento das regiões ditas "atrasadas", as
ideologias kgitimam-se historicamente através das frentes de expansão,
que na maioria das vezes dizimam grupos nativos inteiros.
Vale assinalar que para Catuilo: As etnias nativas não podem
redimir a sociedade brasileira de seu "atraso", e afirma que para os
setores dominantes estas etnias representam um empecilho ao
desenvolvimento, pois que encontram protegidas em área reservadas
exclusivamente as comunidades indígenas.
Nesse sentido, vale esclarecer que as intervenções econômicas em
áreas indígenas estão intrinsecamente relacionadas com as funções
herdadas pela FUNAI, através do (SPI) Serviço de Proteção ao Índio;
onde esta instituição oscila entre o paternalismo e o autoritarismo, se por
uni lado a história Mm demonstrado quão nebulosas as Constituições
deixam os direitos dos indígenas, a atual Constituição Nacional aponta
uni avanço significativo na definição desses "direitos", fazendo
exigências ás instancias públicas para que haja uma regulamentação das
normas legais que possa adequar os direitos dos índios.
Para tanto o:
At 231 § 2' da atual Constituição, garante aos grupos indígenas
o direito exclusivo ao usufruto das riquezas do solo, rios e lagos
existentes nas terras tradicionalmente por eles ocupadas;

§ 3° do mesmo artigo garante ao Congresso Nacional a


responsabilidade pela concessão para aproveitamento de recursos
híbridos, incluindo os potenciais energéticos, a pesquisa de lavra das
riquezas minerais em terras indígenas, mediante consulta ás comunidades
diretamente envolvidas.
Os estudos realizados têm demonstrado que as indenizações pagas
pelos empreendedores tendem a produzir mais problemas em vez de sana-
los; pois que as comunidades indígenas vão aos poucos abandonando seus
antigos hábitos e costumes e conseqüentemente adquirindo outros mais
parecidos com os da sociedade nacional, como por exemplo o consumo
de produtos industrializados, o que provoca um desequilíbrio em relação
aos seus hábitos baseados em extração de frutos, caça e pescaria.
O processo de indenização provoca uma desarticulação dos grupos
em razão do abandono dos rituais que são em grande parte direcionadas
pelas lideranças dos grupos.

2.2. À CONSTRUÇÃO DA UHE-LAGÉADO

Dentre as obras que exploram, os recurso hídricos nas proximidades


ou dentro de reservas indígenas, e provocam drásticas mudanças
independentemente de seus portes podemos citar as (VELE): Contingo-Rr
(em fase de planejamento); Tucurui-PA, Cinta Larga M'I; I3aIbina AM,
Sena da Mesa, Luis Eduardo Magalhães -T0.
41

A UNE localiza-se erntre Miracema/Tocantinía, onde o lago terá uma


área de influência que vai, desde Miracema, Porto Nacional, Palmas,
Brejinho de Nazaré, Lageado e Jpueiras. Sua capacidade é 850 Krn2, com
urna extensão de 150 Km, uma vida útil prevista para 100 anos, com um
cumprimento de 2.530 metros e urna queda líquida máxima de 39 m.

Entendemos a construção da tIRE Luís Eduardo Magalhães na


região do Tocantins, esta contida dentro dos empreendimentos
econômicàs os quais exercem pressão social, política e econômica, sobre
a população indígena Xerente, uma vez que, analisando os paramentos
dos projetos de grandes escalas, observa-se que, tais projetos visam um
público alvo que vai além, das simples, minorias étnicas nativas que,
estão lutando para permanecerem como urna unidade coesa de sociedade
tribal; dentro de um contexto muito maior, que é a sociedade nacional,
que caminha inexoravelmente, rumo ao "progresso" sem que, possa ser
detida
A UIHE Luís Eduardo Magalhães é sem a menor sombra de
dúvidas, um empreendimento de grande escala, comandada pela iniciativa
privada, onde, a energia gerada, será suficiente para abastecer o Estado do
Tocantins e o excedente será transportado pela linha Imperatriz-Seita da
Mesa, interligada ao Sistema.•Norte-Nordeste.
As licitações necessárias para exploração foram obtidas e
publicadas de acordo com os órgãos competentes: O EIA/RIMA (Estudo
de Impacto Ambiental! Relatório de Impacto Ambiental). A obra foi
efetuada pela THEMAG Engenharia de São Paulo, contratada Pela
CELTINS- Companhia Energética do Tocantins.
42

Nos altos deste complexo empreendimento, o elemento indígena


foi citado dentro do referido EIA redigido pelos antropólogos: Gilberto
Azanha e Maria Eliza Ladeira.
Nesse sentido, vale lembrar que, apesar dos protestos de parte da
população e ecologistas a UBE, Lageado/Tocantins de propriedade
privada foi erguida com o auxílio e financiamento do dinheiro público,
desalojando a população ribeirinha e, principalmente sem qualquer
respeito, importunando a comunidade Xerente.
A construção desta usina faz parte de um plano de desenvolvimento
e integração da rede energética, que visa o "progresso e um aquecimento
da economia no sentido de impulsionar o processamento de metais
pesados para exportação, e a manutenção do crescimento dos grandes
centros.
A obra está orçada em R$ 1,2 bilhões. A concessão para
exploração da energia gerada pela usina localizada em Lageado é de 35
(trinta e cinco) anos. Em 08 (oito) anos o valor da obra será resgatado. A
partir do nono ano o lucro será revertido para os empreendedores.
- O lago corresponderá uma área de 630Km2, com uma extensão de
173Km. A renovação da água do lago acontecerá em 24 (vinte e quatro)
dias. A profúndidade media será de 03 (três) metros. O enchimento do
lago começará em maio de2001 e será completo em dezembro do mesmo
ano.
Os municípios que serão atingidos pelo lago: Miracema, Lageado,
Palmas, Porto Nacional, Brejinho de Nazaré e Ipueíras, totalizando um
contingente de aproximadamente três mil famílias atingidas na área rural,
urbana e comunidade Xerente". (Odair GiraldinProf da Universidade do
Tocantins- UNITINS Canipus de Porto Nacional).
43

O consórcio é composto pela CELTINS&nadash; (Companhia


Energética do Tocantins) - CEB– (Companhia Elétrica de
Brasília); EDP de Portugal, CPEE&ndsh (Companhia Paulista de Energia
e EEVP&ndash); Empresa de Eletricidade do Vale do Paranapanema.
O gerenciamento do consórcio fica a cargo da [NVESTCO– que
ficará com o valor de 1% de participação, sendo, que, o restante, ficará,
assim, distribuídos:
CELTINS &ndash, com 9,90%;
CEB– com 19,8%;
EDP de Portugal– com 24,75%;
CPEE&ndash, com 13,86%;
EEVP&ndash, com 30,69%.
Sessenta por cento (60%) do incitado consumidor de energia
elétrica, já se encontra sob a tutela da iniciativa privada, que, participarão
corno geradoras e distribuidoras da energia elétrica, principalmente
na
região do Estado do Tocantins, onde, o consorcio privado: "Grupo Rede"
(Companhia Energética do Tocantins) e a CELTNS, fazem parte,
caracterizando assim, o uso do dinheiro público em empreendimentos
privados.
Nesse sentido, o Prcifessor, Odair giraldin da Universidade do
Tocantins - UNITINS, chama—no:; a atenção para o fato de que:

"As transformações do rio 'I'ocanüns cm um grande lago qfricuzi (is populações


ribeirinhas pois que, o rio significa fome de vida para o desenvolviment
,
o da
economia desta população, afetando principalmente as plantações feitas nas
vazantes. Os pescadores e os oleiros, também ficam prejudicados uma vez, que
ficam impossibilitados de pmüca,'ein suas atividades económicas. Para a
comunidade Xerente, o rio é a mãe que sustenta seus costumes, ritos, tradição e toda

Ii
44

a sua cultura. O peixe e a caça que são fontes de alimentação desse povo se
extinguirão com os impactos desta obra. "(si/e, www.pop.mp.br/hp-apinayé.htm,).

Os dados do Cimi/GO-T01° demonstram que os efeitos


socioeconômicos, já são sentidos em toda a região do Lageado:

"A construção da hidrelétrica já vem provocando mudanças na


economia de Lageado, Miracema, Tocantmnia e Palmas. De acordo
com as administrações municipais, o setor imobiliário é o que mais
tem crescido nos últimas 02 meses, repercutindo a majoração dos
preços dos alugueis e lotes urbanos em até 400% até 08 mil pessoas
devem vir morar na região em função da obra (Cime/TO-novembro
".

/1998. "Hidrelétrica o progresso que ameaça'). ( DE Paula,


2000.p.89). Esse dados podem ser conferidos no site da Inte da
Investeo- SA-www.investco.com.Br. (DE Paula,2000,p. 88).

Os projetos de infra-estrutura, segundo o Ministério dos Transportes


necessitam de alnmdancia de energia elétrica para desenvolver seus
empreendimentos de irrigação e implementar a economia do Estado do
Tocantins, juntamente com os projetos de hidrovias, ferrovias e o
PRODECER.


Segundo o documento intitulado "Hidrelétrica do Lageado o progresso que ameaça' de novembro de
- 1998 de autoria do Cimi Regional /TO. "em 16 de dezembro de 1997 foi assinado em Palmas o
contrato de concessão da construção e exploração de UJIE Lageado, vencida pelo Consorcio
Lafeado, o único que apresentou proposta O Consorcio é composto pelas seguintes empresas:
- C'ELTINS, com 9.90% de participação:Compan.hia Elétrica de Brasília VEB) com 19.8010 6; EDP de
Portugal com 24.75 Companhia Paulista de Enengia Elétrica (CPEE) com 13.86%: Empresa de
Eletricidade Vale do Paranapanema ('EEI'PS4) com 30.69% e .INVESTCO com 1% de participação.
45

2.3. O DESTINO DA NAÇÃO XERENTE

O destino da população Xerente, afetada com construção da UT


Luís Eduardo Magalhães, foi discutido em Palmas/TO na Procuradoria
do Estado de Tocantins, pelo Gestor do Programa Xerente juntamente
com párticipação de representantes da FUNAI, consórcio do
empreendedor Investco, órgãos estatais do Ministério Público e lideranças
Xerente.

Nesta, reunião foram discutidas as responsabilidades e liberação de


recursos Financeiros necessários à elaboração dos projetos de
compensação para a comunidade Xerente pelos impactos cia construção e
formação do lago da hidrelétrica.

Técnicos do Departamento de Patrimônio indígena e Meio


Ambiente da FtJNAJJ'DEPIMA estão trabalhando junto ás 34 aldeias
Xerente para levantar e preparar os projetos ambientais e de geração de
renda de acordo com as necessidades dos índios: Logo, após o programa
serão apresentados e discutidos com o empreendedor IN\TESTICO S/A
e FUNAI, Governo estadual e lideranças indígenas
Desta reunião resultou o Projeto PROCAMBIX, que será
analisado a seguir.
A análise do Projeto PROCAMB.IX compreende uma revisão das
leis que regulamentam e controlam a utilização dos recursos hídricos, do
solo, de toda e qualquer riqueza existentes nas Lis, as conseqüências do
mesmo sobre os grupos da comunidade Xerente; a complexidade das
relações sociais com os seguimentos não-indígenas na atualidade e as
alianças destes com os nacionais, Governos: Estadual e Federal e também
as novas relações oriundas do seu convívio junto à sociedade nacional,
faz-se necessário apontar as várias estratégias de sobrevivência
desenvolvidas por estes grupos até chegar aos Mega-Projetos ou "Projetos
de Grande Escala".

2.4. A atuação política dos grupos Xerente:

A atuação veemente das lideranças e de toda a comunidade Xerente


nas audiências públicas no processo de reivindicação, deixa claro, que de
antemão, já sabiam da probabilidade de supressão de parte de suas
vazantes, diminuição do volume da pesca (seu alimento tradicional),
conseqüentemente transformações do meio ambiente onde,
tradicionalmente habitam desde a sua cisão com os Xavante.

Nas audiências públicas promovidas pelo Ministério Publico


Federal do Tocantins, a FUNAI reivindicou em parceria com os índios
um diagnóstico etnoambiental da situação ambiental da terra indígena
Xerente, que avaliasse os impactos que seriam produzidos pela
construção da barragem Lageado.

2.5. O FROCAMBJX:

De todos os empreendimentos construídos nas proximidades desta


reserva, e já citados neste trabalho, não levaram em consideração as
transformações que, por ventura estes grupos poderiam vir a sofrer, tão
pouco foram indenizados, independente de sua atuação dentro ou fora
dos circuitos dos mesmos.
47

O PROCA}9ffi[X & um projeto especial de compensação cansada


por perdas ambientais direcionadas exclusivamente à comunidade
Xerente e Funil, pois, que pela primeira vez conseguiu-se provar que,
os impactos ambientais podem ocorrer também, abaixo dos
empreendimentos localizados nas proximidades das reservas indígenas,
no caso, aqui, analisado a comunidade, Xerente, localizada no Estado
do Tocantins.
PROCAMBIX teve inicialmente uma proposta para urna
duração de cinco anos, mas, foi prorrogado para oito, foram, também,

selecionados projetos que possam atender as necessidades dos grupos


Xerente dentro de seu próprio (crritrio. Para o bom desenvolviincillo
deste programa alguns relatórios foram feitos no sentido de averiguar
quais os níveis da sociedade Xerente necessitam de cuidados
imediatos: Saúde, Educação, Alimentação, Assistência Social, entre
outros.
O projeto de indenização foi concedido por que, tanto direta como
indiretamente a construção da barragem provocou mudanças na estrutura
social, econômica e política da comunidade Xerente.

De acordo com a Legislação brasileira, sempre que


empreendimentos produzirem interferências nas T. I.s, ou adjacências,
deve-se tornar medidas mitigadoras que possam suavizar os impactos
causados ás comunidades atingidas.

De acordo com a fonte pesquisada, o Programa Básico Ambiental,


também foi estendido ás outras populações atingidas pelo
empreendimento.
Em

É importante frisar, que segundo o coordenador de Proteção de


Terras Indígenas do Departamento de Meio Ambiente/Depina, da Funai,
Wagner Tramm:

"em toda a história da Funai, esta é primeira vez que se constrói um


empreendimento técnica e cientificamente elaborado com
fundamentação técnica, de forma a justificar ao empreendedor a
necessidade de compensar aquela comunidade indígena "(Brasil
Indígena, Ano II. N°13. Brasília /DF. Nov/Dez-200.)

Um outro problema considerado nos estudos levantados por


Wagner Tramm, foi que uma fritura pressão demográfica no entorno da
terra Xerente, poderia causar uma grande interferência cultural.
Segundo Tranim:

"a pesca barrageira, a degradação ambiental, o crescimento dos


municípios e o aumento da população não-índia nas proximidades
tomaria a terra indígena vulnerável ás invasões e agressões
ambientais, provocadas pela busca dos recursos naturais nela
existentes (Brasil Indígena, Ano II. N° 13. Brasília/DF. Nov/Dez-
".

2002).

O diagnostico demonstrou que a população Xerente sentiria as


interferências ambientais, logo no início da construção da primeira fase
da UBE, devido ao fluxo de máquinas e de pessoas estranhas nos
canteiros de obras.
Para este projeto foram implantadas algumas categorias de
extrativismo, criação de galinhas (caipiras), maneio dos recursos
hídricos, educação ambiental entre outros.
49

A Funai em parceria com o empreendedor INVESTCO 5/A,


discutiram o programa e decidiram que para o sucesso do programa
PROCAMBIX serão, necessários:
"Um zoneamento do território, uma matriz ambiental constituída
para orientar a implantação de cada projeto, também apontar as
potencialidades e fragilidades do território, onde, será elaborado um
Plano de Gestão e Conservação de Microbacias, supervisionado e
monitorado para a execução dos projetos, ainda a criação de um banco de
dados alfanumérico e georeferenciado, faz parte deste projeto"
PROCAMBIX conta com a participação de profissionais nas áreas: de
geografia, de biologia, de Engenharia Florestal e da antropologia, entre
outros. Sendo, que o antropólogo possuíra entre outras ações, a de
identificar os impactos advindos do próprio PROCAMI3IX,
considerando-o como uma ação antrópica, não—índia sobre uma
comunidade tradicional.
Outras medidas tomadas pelo projeto serão: a identificação de
calendários, constituição de mapas culturais, levantamento e atualização
de dados censitários.
Nos documentos analisados o território Xerente não sofreu reduções
mas, estudos preliminares da empresa Grupo de Estudos da Região
Amazônica e de Cerrado (Gera/Opan) e Organização Padre Anehieta
contratada para realizar estudos que demonstram a impactação do curso
do rio, conseqüentemente supressão da vazante. Onde os índios
praticavam agricultura nas terras fertilizadas pelos húmus (adubo
natural
usada nas roças Xerente).
Com a construção da Ul-JE, o rodízio de plantações ficou,
dependente da abertura e fechamento das comportas da usina, o
fluxo do
50

rio modificado tomou-se impossível para os índios manterem o sistem


a
do cultivo tradicional.

O diágnostico etno-ambiental elaborado pelo programa demonstrou

que, o sistema de roça de toco utilizado pelo Xerente comprometia o meio

ambiente, uma vez que, com o crescimento demográfico dos indígenas

exige melhor aproveitamento do solo, que se encontram próximo ás matas

ciliares dos rios e córregos; prejudicando e destruindo, portanto,


o meio
ambiente. Além, disso, há os boqueirões, as nascentes, os interfiuvios de
rios e os divisores de água que também poderiam ser comprometidos.

A mecanização das roças foi então proposta como modo de


sobrevivência, observando os preceitos ambientais na forma corret
a,
nesse sentido o PROCAMBIX com uma verba superior
a R$
10.105.000,00 garantidos na negociação pelo Ministério Público junto
a
lnvestco S/A com uma duração de 08 anos e disponibilizando
duas
parcelas a cada ano da verba destinada aos Xerente, através da Renda
Indígena da Funai em Brasília.
Este Órgão mediante deliberação do Conselho Gestor sob
a
coordenação da administração da Funai de Gurupi supervisionada
pelo
Depina realiza atividades e executa compras em conjunto
com o
Procambix.

O Programa foi elaborado com base em três eixos de ação:


Segurança Alimentar e Geração de Renda, Território e Recursos
Naturais; que abrange conservação e manejo de inicrobacia e
educação ambiental, e por último, Cultura e Cidadania. Segurança
Alimentar contempla a implantação de roças mecani:adas
diversjftcadas. Estas, no entanto, têm um d4fiircncia/ iinportan/íssi
mo
com relação às roças inecanizáveis tradicionais jèitas
pelos não-
Índios. No sistema de implantação na terra indígena Xerente estão
sendo obseri'ado os conceitos de agro-ecologia e preserv
ação
ambiental. Para que essas roças processe»; de tal jonna os indios
estão sendo capacitados nas questões agro-ecologicas, conservação do
51

solo, controle de erosão, construção de leirões, plantio direto,


adensamento de quintais; com plantação de arvores frui jíeras. As
primeiras roças estão sendo implantadas com o preparo do solo e
aquisição de sementes. Também estão sendo aproveitados membros k
comunidade que freqüentam cursos técnicos de agricultora (Brasil
"

Indígena, Ano II. IV° 13. Brasilia/DE Nov/Dez 2002 p.. 617).
-

2.6. As propostas do PROCAMBIX

Dentre as ações propostas pelo Procwnbix, e, já mencionadas neste


trabalho; em relação a alimentação, podemos, citar: a criação de pequenos
animais, corno por exemplo galinhas caipiras (10 matrizes e 01 galo por
família) onde, os índios receberam prontos os galinheiros e, 01 ano de
ração animal até que o projeto começasse a dar frutos.
Em relação aos recursos naturais e geração de renda o estudo sócio-
econômico e ecológico avaliou as potencialidades das T.I.s Xerente
procurando nortear as ações que gerassem rendas corno por exemplo o
manejo de espécies utilizadas na confecção dos artesanatos
O programa prevê ainda, a construção de 34 açudes para criação de
peixes, um para cada aldeia,a implantação de proteção e vigilância para o
território em regiões próximas da barragem uma vez que, devido a. uma
maior presença de pescadores na região da barragem o pescado torna-se
presa fácil.
Devido ao gradativo crescimento da população circunvizinha do
Rio do Sono, Pedro Afonso, Tocantínia e Lajeado o território indígena
poderá ser invadido; o programa prevê medidas de proteção a esta
invasão.
52

Nesse sentido os próprios Xerente estão sendo treinados e


remunerados para efetuar uma intensa fiscalização.
A execução do .Procarnbix encontra-se a cargo da Funai, porém, a
deliberação continua a cargo do Conselho Gestor do qual fazem parte: o
Conselho Gestor, o Ministério Público Federal de Tocantins, o Ibarna, o
Naturantins - Instituto de Meio Ambiente do Tocantins - órgão
licenciador do empreendimento, a ONG (Instituto Ecológico) que faz o
controle social do Programa., a Funai, juntamente com seis representantes
indígena das T.I.s Xerente e Funil.

23. O que pensa a liderança do povo Xerente a respeito do Projeto


Procambix

De acordo com a fonte o Conselho partidário é presidido pelo


índio: Ribamar Xerente.
Segundo Ribamar. Xerente (Membro do Conselho ParLidário) a
comunidade esta satisfeita com os novos rumos do programa, afirmando
que o sucesso já, é visível:

Vejo que o Programa obteve sucesso. Apesar da interrupção que


houve em função da demora na transição da documentação rejèrente
ao convênio firmado a Associação Indígena A KUEN terminamos a
criação de galinha caipira, que já esta dando resultados. Tenios varias
aldeias que fizeram contratas com supermercados para a entrega de
ovos ".(Brasil Indígena. Ano IL N°13. Brasília/DE. tVov/Dez-2002.)

A produção por dia é de cerca de 2000 ovos o que permitirá em um


curto, prazo aos índios aumentarem a sua criação de galinhas, uma. vez
que, já possuem o recurso de algumas chocadeiras que, auxiliaram no
aumento do plantou.
53

Em relação á manutenção da Cultura e Cidadania, o programa


contribuiu com a construção da Casa da Cultura Akwen (Xerente) em
Tocantínia, lugar onde, os índios poderão, desenvolver suas próprias
atividades culturais: apresentação de danças, rituais Xerente, promover
intercâmbios com a sociedade envolvente, organizar e sediar encontros
entre os índios e os seguimentos não —indígenas da sociedade local e
nacional.
Uni outro aspecto levado cm consideração foi á instalação de um
museu da memória da cultura Akwcii e unia ohciiia de artesanato.
Mas, nem tudo correu de acordo com o previsto para a implantação do
projeto, pois, que, ocorreu um atraso nas negociações administrativas,
deixando os índios apreensivos e ansiosos em relação ao cumprimento
das ações elegidas pelo projeto. Para tanto, solicitaram a substituição da
Gerência-Executiva, ocupada por: Adriano Leite, colaborador na
elaboração do projeto, e consultor da Funai na época , e que em seu lugar
fosse empossado: Paulo Waikarnase Xerete (curso superior) corno
assessor da Funai
Os elaboradores do .Procambix, juntamente com o empreendedor
Investco, sabiam que futuramente o gerenciamento do programa passaria
para as mãos dos próprios índios , no entanto, esperavam poder esperar
mais um pouco para, que, os indígenas se encontrassem, melhores
preparados para assumirem o projeto.
A. construção da UH.E-Lageado nas proximidades da reserva
Xerente,. juntamente com a consecução do Projeto Procambix são
algumas das transformações vividas, por, estes grupos na atualidade.
Demonstram, bem O engaiamento socioeconômico, desta comunidade na
sociedade nacional, mas, principalmente uma ampla integração
53

Em relação á manutenção da Cultura e Cidadania, o programa

contribuiu com a construção da Casa da Cultura Akwen (Xerente) em


Tocantfiuia, lugar onde, os índios poderão, desenvolver suas próprias
atividades culturais: apresentação de danças, rituais Xerente, promover
intercâmbios com a sociedade envolvente, organizar e sediar encontros
entre os índios e. os seguimentos não —indígenas da sociedade local e
nacional.
Um outro aspecto levado em consideração foi á instalação de um
museu da memória da cultura Akwen e uma oficina de artesanato.
Mas, nem tudo correu de acordo com o previsto para a implantação do
projeto, pois, que, ocorreu um atraso nas negociações administrativas,
deixando os índios apreensivos e ansiosos em relação ao cumprimento
das ações elegidas pelo projeto. Para tanto, solicitaram a substituição da
Gerência-Executiva, ocupada por: Adriano Leite, colaborador na
elaboraçâo do projeto e consultor da Funai na época ) e que em seu lugar
fosse empossado: Paulo Waikarnase Xerete (curso superior) como
assessor da Funai
Os elaboradores do Procambix, juntamente com o empreendedor
Investco, sabiam que futuramente o gerenciamento do programa passaria
para as mãos dós próprios índios , no entanto, espetavam poder esperar
mais um pouco para, que, os indígenas se encontrassem, melhores
preparados para assumirem o projeto.
A construção da UHE-Lageado nas proximidades da reserva
Xerente, juntamente com a consecução do Projeto Procambix são
algumas das transformações vividas, por, estes grupos na atualidade.
Demonstram, bem o engajamento sociocconômico, desta comunidade na

sociedade nacional, mas, principalmente unia ampla integração


54

interénica., decorrente da múltipla, gama de fenômenos ecológicos,


bióticos, econômicos, culturais e psicológicos resultantes desta união.

2. & .Outras comunidades que se envolveram com a construção de


barragens,ou projetos de grandes escalas

As Terras Xerente, ao contrário de outras reservas que foram


afetadas por grandes projetos não sofreram redução de seus territórios,
nem mesmo tiveram sua comunidade transferida para outras regiões,
como foi o caso da comunidade WAITMIRi ATROARI, por exemplo,
localizadds no município de Novo Airão, Itapiranga e Presidente
Figueredo, no Amazonas, estendendo-se ao município de Caracarai em
Roraima, numa superficie de aproximadamente 2.440 mil hectares, com
urna população de 374 indígenas, pertencentes ás seguintes aldeias: Xeri,
Maré, Curiau, Aqara, Taquarazinho, Alalaú, Jará, Maicom, Tapupunã e
taquãri, as duas últimas remanejadas em 1987, devido ao enchimento do
Reservatório.
Os Waimiri Atroari, também tiveram suas terras invadidas por
grandes projetos como a construção da UHB "Balbina", onde, de acordo
com a fonte pesquisada a atuação da FUNAI em conjunto com a
ELETRONORTE, preveniram as ações desordenadas que poderiam
causar nefastos efeitos sobre os Waimiri Atroari em seu habitat,
anteciparam os problemas e as repercussões que recairiam sobre este
grupo, devido á construção da IJHE Balbina, tomaram medidas
metigadoras, no sentido de sanar os eventuais danos provocados pela
usina.
Os acordos feitos entre empreendedor ELETRONORTE e Fitnai no
sentido de amenizar .s danos causados por perdas ambientais aos Wairni
55

Atroari, que tiveram uma pequena parte d.e suas aldeias atingidas pela
barragem ]3aibina, Visa em um primeiro momento um projeto piloto, que,
sirva de modelo de preservação do ecossistema, compatível com o
progresso gerado pelos grandes empreendimentos.
Para o ressarcimento aos Waimiri Atroari, a ELET.RONORTE,
promoveu a construção de roças provisórias de apoio no período de
mudanças e financiou um programa de apoio social nas áreas de saúde,
educação e desenvolvimento comunitário, através de ações imediatas de
médios e longos prazos, previstas para um período de 25 anos a contar de
1987. o programa conseguiu aumentar a densidade demográfica destes
grupos para uma, proporção de 374 para 800 indivíduos, antes de1986.
Sua população encontra-se atualmente com um percentual de 40%
alfabetizada, freqüentando as escolas dotadas de professores indígenas,
suas práticas culturais resgatadas, e não há registros nos últimos oito
anos de doenças irnunopreveníveis, devidos à vacinação em 100% da
população.
O programa, Waimiri Atroari, foi gerenciado pela FUNAI e outros
seguimentos da sociedade brasileira tais como: indigenistas,
antropólogos, lingüistas, ecologistas, engenheiros florestais, sanitaristas,
médicos entre outros, consubstanciado nas peculiaridades destas nações e
reivindicações das lideranças indígenas.
As fontes pesquisadas apontam a comunidade Waimiri Atroari
composta por 110 pelas aldeias, onde, somente a Taquari e a Tapupunã,
foram deslocadas para uma outra região, com as mesmas dimensões da
Arca (lesoelipada , escolhida Pelos 1)FÓp0S índios e com a vantagem
exclusiva de usufniir em parte cio futuro Reservatório.

O valor da indenização foi levantado por um grupo de profissionais


interdisciplinar, juntamente com a Funai e EletTonorte, a Fundação
56

Universitária da Amazônia e as liderançus indígenas, afim, de maximizar


o grau de readaptação aos novos locai.nos níveis biótico, associativo e
cultural.
Um outro exemplo de empreL. :dimentos de grandes escalas
construído em áreas indígenas pode ser jbservado no caso: Belo Monte,
que envolve a zona sazonal dos iguarap%s Altamira e Árnbé, zona rural
de Vitória do Xingu e a zona do rio : volta Grande do Xingu.
De acordo com a coordenadora do Movimento pelo Desenvolvimento
da Transamazônica e Xingu (MDTX) e co Grupo de Trabalho Amazônico
Regional Altamira: Antônia de Meio :m entrevista concedida entre os
meses de setembro e novembro de .2002., diz ser contraria a esse projeto
por não acreditar que este venha a trazer beneficios para a região, urna vez
que as experiências com barragens têm demonstrado o não
beneficiamento das populações ribeirinhas.
Na maioria das vezes o que ocorre é a retirada de urna grande
quantidade populacional das áreas inundadas pelas barragens que partem

em busca da ilusão de empregos nos grandes centros urbanos, tornando-se


totalmente marginalizados por não possuírem urna mão-de-obra
qualificada, indo engrossar as fiIeir2 de desabrigados nas cidades
próximas ás áreas que foram ocupadas e inundadas pelas barragens.
Para a coordenadora do movintmto o governo incentiva estes
empreendimentos visando uma melhor expectativa de vicia para a
população no sentido de obterem urna 3nergia mais barata para a região
porém, o que se observa é que isto ião ocorre para as famílias mais
pobres da mesma região uma vez qu elas não conseguem ao menos
adquirirem energia suficiente para ih: minar suas casas, os lucros das
.

empresas responsáveis pela geração da energia não são repassados á


esta população desalojada para a con: nição das barragens, ainda que a
57

Lei, garanta tais "direitos", principalmente se relacionados aos direitos


das comunidades indígenas na prática isto; não ocorre.
Ántônia de Meio afirma que as propostas de um desenvolvimento
para a região do Xingu podem ser feitas de outras maneiras corno por
exemplo: o turismo ecológico, paisagismo, esportes aquáticos, pesca
esportiva, dentre outros, sem que seja uccessária a degradação do meto
ambieníe da região.
Um outro aspecto levantado pela coordenadora é que os projetos
de barragens acabam por rcurar dos países onde, são construídas as
usinas a soberania dos mesmos, urna vez que, são entregues ás

-
multinacionais estrangeiras os recursos naturais da União.
Dentre outras problemáticas questionadas por lideranças de
movimentos contrários á construção de barragens em áreas próximas
ou dentro de áreas indígenas podemos citar ainda as afirmações de:
Sônia Barbosa Magalhães, pesquisadora do Departamento de
Ciências Humanas do Museu Goeldi (PA), que afirma ser o rio a
fonte de vida das populações ribeirinhas e quaisquer alterações em
seu curso pode afetar de forma drástica o meio biótico da região
envolvida no processo de inundação
Para Sônia:

"o "boom" das grandes hidrelétricas no pais e o cohce i/o de impactos

diretos e indiretos em disputa nessas obras são fatores preocupantes.

"Tradicionalmenie, as subsidiárias da Eleirobrás chamam de feito

direto o que seria alagado e de cfeilo indireto as áit'av não alagadas;

quando deveriam adotar critérios mais abrangentes. "úik:// A:

Instituto Socioambiental - ISA &pecial Belo Moa/e. hhim,).


58

2.9. O processo de transfiguração étnica

O processo de transfiguração étnica, analisada por Ribeiro focaliza


as várias etapas pelas quais as comunidades indígenas passaram, até
chegar ao século XX /XXI, incluso, aí nação Xerente, onde, a transição
de uma etapa para outra se tomam acumulativas, ou seja, a analise
sugere a passagem de um povo de formação econômico-social para outro,
e a preservação de sua autonomia étnica.
Tal processo, ocorre quando estes povos atualizam e incorporam
novas tecnologias nas suas formas de organização social dentro da sua
visão de mundo, buscando uma acomodação na sociedade nacional de
forma que esta união não produza tinia condição de subordinação na qual
fatalmente as levaria à perda de sua autonomia, coiiseqüccitcineiitc, O
comando de seus destinos.
o destino das comunidades tribais dependerá do contexto do processo
de transfiguração étnica, uma vez que, isto, pode ocorrer de forma
muito intensa acumulando tensões que os condena ao extermínio
através do colapso de sua cultura sócio-cultural, ou de um modo
lento, onde, as redefinições do patrimônio culturais podem ser
recuperadas, após, os desgastes biológicos, por eles sofridos, no
processo de acomodação entre o contexto da sociedade regional,
que lhes permita prolongar a sobrevivência étnica de sua identidade
tribal.
A realização do Procambix, vem demonstrar a apropriação dos
grupos indígenas pelo, uso de mercadorias consumidas basicamente pela
59

população nacional, regional e local. Isto demonstra as transformações no


seu modo de vida tribal, aonde, novos hábitos vão sendo incorporados á
sua dieta alimentar, o uso de roupas de igual semelhança com a da
população local. O consumo de bebidas fermentadas e um alto consumo
de bebidas alcoólicas, produzem efeitos devastadores na vida do silvícola
O projeto propõe uma modificação na rotina tradicional dos
Xerente uma vez que, as roças mecanizadas produzem uma quantidade de
vãos equivalente, apenas a três meses de consumo das famílias, que,
auxiliam na cata de raízes deixadas pelo trator, as demais famílias que,
não participam do processo, faz-se necessário que busquem a sua
manutenção.na venda de artesanatos, a preços irrisórios em relação á
realidade do custo de vida da sociedade nacional.
Os índios estão cada vez mais dependentes de produtos
industrializados, isto, faz com que, busquem nos municípios mais
próximos as mercadorias das quais as aldeias não podem mais supri-los.
As trocas feitas pela comunidade indígena e sociedade envolvente são
geralmente em prejuizo dos índios em detrimento da comunidade local.

Se por um lado o projeto Procambíx promoveu um melhoramento


na vida destes grupos; por outro facilita a dependência por produtos da
sociedade envolvente, no sentido de que para conseguir as mercadorias
industrializadas alguns índios se engajam em trabalhos temporários para
poder ter acesso a tais mercadorias, que anteriormente não fazia parte de
seus hábitos tradicionais, antes do contato com os civilizados.
Não á nossa intenção aqui responsabilizar o incremento cconôuiico
tocantinense, ou a construção da UI-11 .Lageado, e o Projeto Procambix
pelo desfacelarnento da comunidade Xerente, mas, esclarecer que, as
mudanças ocorridas na estrutura social, econômica e política desta
comunidade; que o volume de capital circulando nas aldeias, pode
60

facilitar e talvez, até mesmo acelerar o movimento das trocas feitas entre
indígenas e população regional local,.ainda, que para alguns índios não
tenha ocorrido transformações drásticas, o teor das relações sociais em
tomo das famílias domesticas (clãs) com certeza sofreram modificações
internas.
Os vínculos de dependênçia econômica no contexto regional não
impedem que, as aldeias mantenham a antiga cultura, compatibilizando a
condição de índios integrados, que ainda não foram assimilados,
tornando-os, assim "índios genéricos", permanecendo definidos e
identificados corno índios, convivendo com a população local
Os "índios genéricos" são niediatizados por um corpo de
representações (política, econômica e social) recíprocas, que Jigura aos
olhos de uma sociedade nacional preconceituosa como indesejáveis, que,
mais os isola do que os integra. Permanecendo, assim em uma constante
contradição.
As idéias relacionadas ao PROCAMBIX foram em sua grande
parte retiradas da revista: Brasil Indígena —Ano II. N° 13. Brasília/DF.
Nov/Dez-2002.
61

CONCLUSÃO:

Á orgaiiizaçopolítica e coiiôitiica do lLstado do lucazititis nos


últimos 05 anos apontam para um "progresso"; um aquecimento da
economia em ritmo acelerado, visando os empreendimentos de grandes
escalas/Mega-Projetos, no sentido de suprir o novo Estado com
melhorias, antes inexistentes.
A construção da UBE Luís Eduardo Magalhães é um bom exemplo
deste crescimento rumo ao desenvolvimento econômico do Tocantins
onde, a mesma é apontada como um marco divisor de águas dentro do
cenário energético nacional.
Os Estados apostam na atuação da iniciativa privada para sentirem
—se desobrigados dos ônus que, as estatais produzem, podendo assim,
investir em outros seguimentos da sociedade nacional, como por exemplo
ás obras de assistência social.
Para os empreendedores a construção da usina: Luís Eduardo
Magalhães representa um modelo a ser adotado pelas demais empresas
geradoras de energia cio Brasil.
Para o Estado é urna forma de desafogar os cofres públicos da
União e dos Estados, transferindo os ônus para as empresas privadas, que
possuem uma maior flexibilidade de capital. A UHE foi Construída de
forma estratégica e encontra-se interligada ao sistema elétrico Norte
-

Centro! Oeste.
Observa-se que para a comunidade Xerente, a construção da UNE
representa mais um avanço no sentido de acelerar as fases da
transfiguração étnica, á qual assinalou muito bem Ribeiro, analisando as
62

coerções econômicas exercidas sobre o contingente indígena, a partir da


segunda metade do século XIX e início do XX.
Ao analisar as modificações sócioeconômicas sofridas pela nação
Xerente na atualidade, percebe-se que o destino destes grupos está
intrinsecamente interligado com a sua capacidade de adaptação na
sociedade nacional, através das, múltiplas estratégias de sobrevivência
desenvolvidas por estes, no processo de acomodação e assimilação de
novos elementos, advindos das transformações ocorridas ria sociedade
nacional, que os afetam de forma direta ou indireta.
Não será possível, e também não é nosso objetivo, prever neste,
simples, trabalho monográfico o destino da nação Xerente, que se
encontra atualmente cercada por empreendimentos de grandes escalas,
mas, sim, apontar, que, as coerções econômicas são intrínsecas das
formas da ordenação institucional e, não da sociedade nacional, de
formação capitalista e caráter neocolonial, que afeta os grupos inc1ígens
através da apropriação de suas terras, para a expansão agro-pastoril, e
mão—de-obra barata.
Em tais circunstancias se estes, grupos conseguirem
historicamente sobreviver, com certeza as perspectivas de assimilação ou
de persistência dessas etnias dentro de um novo contexto étnico nacional
será no mínimo multi-etnico, com capacidade de assegurar: liberdade de
atuação e direitos juridicamente assegurados.
Ainda, se permanecerem índios, o processo de aculturação não
terminará na assimilação, mas, sim, numa forma de acomodação, o que
significa estas passando pela transfiguração étnica 011 seja, a
transformação do índio tribal no índio genérico e, não do indígena ao
brasileiro.'
63

Ao analisarmos o aquecimento da economia devi


do aos
empreendimentos de grandes escalas juntamente com
o Projeto
PROCAMBIX na região do Lageado, observamos que os grup
os Xerente
terão por um período de 08 anos (duração do Projeto PROCAM
BJX) uma
melhor expectativa de vida devido ás verbas recebidas do empr
eendedor
Investco pagos a esta comunidade por perdas arnbientais prod
uzidas pela
construção da TJIHE Lageado.
Porém, não nos é possível fonnt.tlar no momento unia hipó
tese de
como será a vida cotidiana destes grupos na região do Lageado,
quando o
projeto de compensação chegar ao fim, uma vez que a rotin
a tribal terá
sofrido profundas mudanças estruturais no seio de toda a
comunidade
Xerente.
Ao findar o tempo do projeto estes grupos terão adquiridos
novos
hábitos de cdhsumo junto á sociedade local, seus cost
umes foram
alterados e transformados em algo diferente do que eram anter
iormente, á
proximidade com a sociedade envolvente trouxe nova
s formas de
consumo.
As roças de "toco" que era uma das formas de se prod
uzir
alimentos,fo.ram transformadas em roça mecanizada (durante
o tempo que
durar o Projeto Procambix), o plantio de mandioca que uma
das mais
tradicionais maneiras alimentar e de suprir as famílias dom
esticas já não
são plantadas, unia vez que os indígenas não
mais produzem a litrinlia e
sim, compram-na nos armazéns das cidades próximas
ás aldeias.
Também é motivo de desestabilização das fiunílias dom
esticas á
aposentadoria pagas aos idosos das aldeias, pois, que
a rotina dos
casamentos foram completamente modificadas por esta mane
ira de poder
contribuir com o sustento da família, já não há caçadores,
pescadores,
plantadores, os genros que eram o animo financeiro dos sogr
os, agora
desejam que estes o sustentem com o salário da aposentadoria,
o que
anteriormente não ocorria, antes do processo de aposentadoria do funru
ral
privilegiar também aos anciãos das aldeias. Isto têm provocad
o um
desequilíbrio em toda a comunidade Xerente.
A construção da usina ainda que até o termino deste trabalho
encontrava-se interditada, produziu transformações no interior
desta
comunidade a partir do momento em que trouxe novos elementos
que
contribuíram para dar urna acelerada no processo de transfigur
ação
étnica. Os elementos causadores de dependências econômicas e políti
cas
fazem com a população Xerentc reivindique cada vez mais direitos
junto
z\ sociedade envolvente.
Os projetos do PROCAMBIX cansam modificações na esirutura
clâmica das aldeias no momento em que algumas famílias domé
sticas
devido à participação coletiva nos trabalhos desenvolvidos em benef
icio
da comunidade recebem uma quantidade maior de beneficios do
que as
demais famílias não participantes das fases de produção dos proje
to
propostos pelo Procambix.
Uni exemplo deste tipo de conduta é percebível quando, algun
s
componentes das aldeias são contratados e remunerados para exerc
erem
algumas funções junto à comunidade, também quando a popu
lação
masculina e eventualmente a feminina participa na cata de raízes deixa
das
pelo trator na roça mecanizada recebem urna quantidade de grãos super
ior
à destinada aos outros componentes da aldeia, ou seja, aqueles
que
auxiliam na cata de raízes são melhores favorecidos em detrimento
dos
outros.
Uma outra problemática observada no Procambix é o fato de que,
tanto as aldeias como as famílias domésticas mais próximas de
algum
chefe dos postos indígenas são melhores beneficiadas em prejuízo
das
65

demais, uma vez que instituído um chefe eleito pela comun idade Xerente
este sempre procurará beneficiara sua IiiuíIia doméstica.

Este tipo de problema tem provocado rompimentos entre os


partidos (facções), separando famílias, conseqüentemente rompendo com
urna das maiores características do índio que é: a coletividade.
As propostas do Procarnbix 'teoricamente funcionam a partir das
decisões tomadas sem a consulta preliminar dos Xerente, uma vez que o
órgão responsável pela formalização das propostas do projeto: a Funai
,
direciona a verba para a contratação de profissionais supostarnente
capacitados para perceberem as necessidades dos índios enquanto estes
continuam sem ter conhecimentos do que na verdade lhes são por direitos
devidos.
Neste sentido, observa-se que apesar de a Constituição de 1988,
garantir os "Direitos" de uso de todos os beneficios de suas reservas os
índios não, possuem em suas aldeias a energia elétrica gerada com os
recursos existentes em seu território, não tem nem mesmo uma pequenina
participação nos lucros do consórcio empreendedor e privado de
acionistas da. UIHE Lajeado.
Nossa preocupação esta no fato de que a comunidade Xerente urna
vez adaptada aos hábitos e costumes do homem branco, possa vir a
perder os seus valores ritualísticos mais tradicionais, posteriormente
vindo á exigir algo da sociedade envolvente, e que esta não esteja pronta
a oferecer. Pois, que não há dúvidas de que esta comunidade esta
perfeitamente adaptada ao convívio junto á sociedade envolvente,
atuando em todas as esferas; seja local ou nacional. Não é possível
afirmar se o contrario é recíproco.
As analises citadas neste trabalho foram todas de um auxilio
inestimável, porém, as atuais e direcionadas ao estudo dos grupos Xerente
não mencionam o projeto PROCAMBIX, ainda que men
cionem
claramente a construção cia UFIE Lageado. Nós, mesmos tivemos
muitas
dificuldades em conseguir algumas das informações mais precisas
deste
tema, pois que a documentação relacionada a este assunto enco
ntra-se
transitando dentro do órgão responsável pelos assuntos indígenas
ou seja
aFUNAI.
L

67

GLOSSÁRIO:

CEB &ndash Companhia Elétrica de Brasilia


CELTINS&ndash: Companhia Energética do Tocantins
CPEE&ndash: Companhia Paulista de Energia e EEYP&ndash
DEPINA: Departamento de Patrimônio Indígena e Meio Ambiente
EEVP&ndash: Empresa de Eletricidade do Vale do Paranapanema
FUNAI: Fundação Nacional do Índio
FUNASA: Fundação Nacional de saúde
ONG: Organização Não Governamental
PROCAMBiX: Projeto de Compensação Xerente
PRODECER: Programa de Desenvolvimento e Cooperação
Nipo- Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados
SPI: Serviço de proteção ao Índio
TO: Tocantins
T.Ls Terras Indígenas
UHE Usina Hidreletrica
UN E1'INS Universidade doToc:nitins(CampusPorto Nacional)
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de Janeiro,
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SOARES, Armando. Modernissimo Dicionário Brasileiro. São
Paulo: Editora Angeiotti Ltda. VOL.2 J-P
71

ENDEREÇOS ELETRÔNICOS:

arqbrargbr.conTI.br
daopeixoto@zipmaii.corn .br-Volt
file://A:\ Instituto Socioarnbicntal - ISA Especial Belo rnonte.htrn
file://A:\Noticias 28-marçoM2.htrn-volta
-

file ://A:\Xerente .htrn


giraldin@ziprnail.com.br
Cime Internet, cimi@embratel.net.br . E-MAIL:www.cime.org.
Br
E-MAIL: Jnternet(ax.cimi.org

b.flp://www.socioarnbiental .org/wcbsite/pub/portugucs/direto/co
nst.ht rn

btt://ww. socioambiental .irg/website/píb/portuguôs/direto/csíat .htni

ffp://www.socioarnbientalorwebsite/pib/port1Igues/jndeflos/f)olitIflrn

h"://www.fLinai.i,yov.br/iiidios/polica/coiitetido.litili
LEGENDA DAS GRAVURAS:

Mapa da região do Lageado e ac; alto a reserva indígena Xerente,


gentilmente cedido pelo: UM!.
Mapa das aldeias Xerente e Funil; gentilmente cedido pelo:C1ME.
Vista aérea da aldeia; pinturas corporais dos clâs, índio Xerente e
cativeiro de abelhas; (retiradas cia revista: Brasil INDÍGENA,
Anoll.N°13. Brasília/DF. Nov/Dez-2002).
UHE- Vista aérea da Usina Luís Eduardo Magalhães; retirada da
revista:Brasil iNDÍGENA Ànoll.N° i. 3 .Brasília/DF. Nov/Dez-2002.
Anciã: Maria Rosa Xerente e seu e:c —marido; netos de Maria Rosa
(Sueli e Luciano Xerente); fotografias tiradas na aldeia:
Salto/Tocantins em julho de 2003.
Maria Rosa confeccionando um cojá, interior da casa de ? [ana rosa
Xerente, fotografias tiradas na aldeia; Salto, em julho de 2003.
Anciãos Xerente; fotografias tiradas na aldeia:Salto, a foto do ancião
foi tirada na cidade de Miracema por ocasião de uma visita em dias de
fazer compras dos mantimentos para a família.
Roça mecanizada (por ocasião da cata de raízes), e o caminhão que
conduz os índios à roça: fotos tiradas na aldeia: Salto, durante a
preparação do solo para o plantio de arroz, mês de julho de 2003.
Fotos do rio Tocantins, tirada no período de preparação dos atletas
índios para as "Olimpíadas Indígenas" a ocorrer no mês de abril de
2004, estas fotografias foram tiradas na aldeia: Porteira no Inês de
julho de 2003.
Fases de preparo do Berarubu (comida tipicamente indígena); foto
tiradas no quintal da casa de Maria Rosa Xerente, qwiido esta
preparava o "Berarubu?'- julho/2003.
Crianças Xerente/ Família Xerente reunida para degustação do
Berarubu; foto tirada na casa da anciã: Maria Rosa Xerente,
julho/2003.
Projeto Básico Ambiental - PBA Programa para a Comunidade
Indígena Xerente. Gentilmente cedido pelo: CIMI- BrasíliaíDF.
--
-
1 Reserva Indigena
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- . .
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Tocantinia

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Projeto Básico Ambientai - PBA


Proqrarna para a Comunkjade tncfiqGr1a Xerente

U. TL'1aífl
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USINA HIDRELÉTRICA LAJEADO .
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PROJETO BÁSICO AMBIENTAL

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PROGRAMA PARA A COMUNIDADE INDÍGENA XERENÏE

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11\, 1ltODhi(,:;\I

O LIA- RIM,\ da UHI lajeado dqstacttr o 'a a

harirgeiii ol)ie a ()I!)rlrll(IacIC •\'jnHR C t'U(OlçIe O.tHH .aa a:i.0 a 1'..

rioporRirrle, qual seja a Ioc:a}i;;içru da ri:;i;iL . :r.'.'H na; :a, a;:

(canteiro e acarnp;rrrrellj(,) na ivanycru

riCrrl)Iidiatrsc5jtId(5ilc\irlrlrlr,.;jf

i At'JEIKL para

As crcitias rrre&lcl;r;; rcccriiic:rnl;irlas rio ElA-1 1'i \ '':!.u:: ..

Itecorrituicl:rções, (li) \iiliririt $\ - I'trqi:iiii:r \til i,i til r:ri e--.

&rwiuiirclatleiinlrji-rra ir;:i cor l-:rlt-rlr,- j'ri - ciiic'a''

e\ - clrtrlais eriIrrIie; li, rr;rr-ilc-il,r;r, e i:rr;r clrlr - l:IL.I.,yLE - :ut.',rr - e- e-a ....

ia ámn de irilitrc:rrc.:i cia obra :kecr)riicri(la ;rrul'errr r:c' tisai'!jrh- ....

íiiricroriãrros da ole i SCHIri ri icirt idos a riair ii auHt a r a,t.[riy,rs

bnalrricriie, que se piocrire a LitiIi?aÇO 11(1 e rilreorroanin irr'Ji aa Jç.: y•.,•

eu is da rerflcr para crrl;rLicrrar uns piotosaurHeuuuui cia

Durante o processo de cirsccrssicu cio IJAIRIbI.\, a cournicuudacic Iu1tliL'.eaa. a 1:1

Niiuuisiérin Publico c o lO\N,i,:\ solicitaram a uiluaJc. no C. ali') (lO

ririticzadoras e criruuircuu;acloras pela coristinrço cia usina, de cu;r l'roer coa

especifico. As lerses cli.';se jnuuarnna cnui;larnn de n'larc' cio N:\il R •\ll:..

(clicaluhilhado aO l)k.\i:l; (hoje ANHO.) que liii cio o

corrcessio (lii tiSilril. e se encontra tio Anexo 1.

I'ostctiortiicnule, ti lutilio (.Oi!jtnIni() de 11JI'.\i. l.\\l:'\. a; j:p .,


a,-. .. -a
.40
esicibeicectu (IS IL'nirins de i&efeuunicia Inc clalicuç\ (H

,\unbic.njtal para as 1 cruas lrudiuzeinas Nenejute e l- ti:ud,

coulipenisatorias neccunicnuciadis ruo ()[icic antes cttach 1 --uru'

colisi il lie &i Anexo


iti. ç- ii ti

1111 tIL) Ifl11' 9)I

11.11) II\IJIitII) (

)AI .ifI1l()

:tI OrVi:): 3 ";i


- ------- -------------------- __________________• •__________ _•________j
E3\i3J\JEIH.i k\XtJ
ri THEIV1ALa
E. GI c;PIE,l:a UDA

3. .Aç:ÚEs t'RIL\'ISI.AS

As ações deliiiitl;.is nele I Sqlmim l Mem sc &vkH:jav, t w::hL: E

iteinciu a clal)ola(;fio do DIPg11wlico Lia) A1.i;I

SCIã() aju:;Indas pelos i esuli;rlf)s (1(1 I)Uli!llO5Uc'l

1) Dia zuõsiico, pia o o lado. pei iii ia ti cst:Iicltc EI ir: o ir ai 1 :1

Gestão d. TctiiiõHo Neele, (lliieti\'o 101(110 da CliI1l(0idadL ii iH:uyit

3.1 Ações I iedi;Ls

1. ;:lflI)OIÇ() CIII I)111'li(.s(ic(i III)IE-/\IItIlitIl:tI d a s . .\tcit e

De acordo coo o l emo de ltcltercia tio Anexo 1 , ti (Itayorati d.

seguintes lemas lbcais

CamacieYzaçiio fli!;ico hiotiç:a das ceras iiiWeecas

Distribuição espacial tio (imtpo Nemecte nos ec(:;sIsieII:


e) Camacterização dii uso dos icetisos iwwiWs

d) Relação sócio-politica, cccnõiiiea e cultimal dos \eieiiic COnI a


emivol veril e
C) (kiidiçõcs de aleiçfu ã saúde

1) lciicii);mis iiip:cic:s ocule i fles

de aç õ es de lIlCdi() e iciItZ() ilaz(). a sei iLil

liigl1Islico, (IeVCCI (.'(IIIICI OS Stil)- l)moLZllIi1aS SCL'.iiciit:5

iiscaiizaç.ãu e \iuil;ilicia

PIA) V) 85 81i\'idi(.It.S (.(ormohllicils

pmoceçao e cmiacmeo tios I eu, SUS Maiorais

saúde

educação aiuhieuial

educação IcliIUII

cong) A chia ectilaciairia leis


Tti
E 5ERfJCIt;/Uli;) tIDA

O ieIJfl() cia iteiciencia eimranímil,1 ;•ps

elaborar o I)iag?u.licn, &li\tU II Mil 1c.P eh. Ii . .l . :ii:n. I i n i.

eni tiabailins io Esi;iciu (II) io L rhIuI e fticciniii:i tine

pernaieifte acuriiparihadus pcit 1:1 !t.\I H•\1 HR\i I.Y.. IIL\I \

Aç ões de i\r(icril;iç5o Iri;li(ii':iori:tI

(3 einpieeiidedor (I(.\Ci

estabelecer ciii conhilil(o com a li rJ\I l(iiciiiiii hitil 'Inibo

liletildas de fiscaIizaçio dos (:oibuhlns (1(1 1=val Iit:ui; A e cn^W ,

a coilltlIli(iade e a hei ia illdii.L(Iila

discutir ('(liii 1 l:hJi44i subiu tiIsp(iiIil)iIj.,;hb'fio ik

(jije permitam a essa insiiitiiç5o fazer nec A der!b;iiiWl ar cional de

decorictite (ia instalação (Ia usina

C) esiabelecei que qiiaiqiici contraiu pi; ctrl:ri

eirlpreeirdirncrllo sem irrita ncdiiilr ida II

III. oririaçflo a Co IrrrIigcii:r sobre :r Isiir;i

Duas ações licm seriridu 5() Ieenrrrcrthrbh;rs

a) eiakriaço dc iraicii;ri itrl(rrnrari\ ciii ruiria N'inibo ''lor

iii Ilii(Ihl1S

h) \'ibi)iIi2açn de (It:i(ic;tiic!riil iii lr.pleiI;rrht lo: iii i:'".i 1 • 1 II 1

eniurtiridacle I';irnp;trr, irujeretaila por essa


i\'. '\Çnvs 111:1 I'i(iIii,Jiii ia 1 CI i:i Çuuiiiiiiiiiatlt hirlirita

(uni o )i(,1)rJ5iki de i\iial r;iii:ilt' tir's i:i}r:ii I'HS Ir;L. .:

ia eira iiidinciia e di'riirlin;ir (Is U';IUtLis r&iiii a (r"iiiiilftt,L 1 ,,%

as seeuiiil•cs açíies

a) Incluir iio iiuiiiii;il de pio cdiieiiiirs do tillliadui da (III 1

q u e (li'\eIii(I Sei ti t1\1d15 ciii ichiçan is tçiiase Lr,iii'iiIi.:t . FI . t!YIiI

a':nidu cnn a IcL'i:;iaçan li;d'(.iiai i.;iiUliias

tiakiHiduies ciii ielaçau a esse asslliltir.

lv 1)) l:)eíinil 11(1 I'i()sIIIIla tJC l&('tSScIitiiiiCiit( tia ç'cr t il;içFii itual r'

Ic;IsseIIiaI,Ieiitus ii'' tniuiii, ria 11. 110 indii.o.aia. riu ':ilii((II! 'iii !ri:tsu 1.:

C) l)iiiiiWi, 'cins 111( n,!, de ((IIil1iIl ira Ç0 jmtyl INSiS tu. tt'iI:It(i;.. ,Hr

pari ecriii a coiini i,iiiad(- uni ii.CiW, pinto ii ti akiiiiadt ri e, e pi a ;r'i - i

d) 11 iodiizii i naimiai de (liViiILt:iv( ç;onkiitici iiiioi ii çcs

especificidades da ctilttna e aspectos relevantes tio l iludo de voa çi:i

Xci ciiie

C) liisialar placas de itleiitifitaiçfiti ad''citeneia e e(ltleaii\asa&.' i''1i '' ti,tf. it'(icr\ias.

a«vcwar as linhas (lcniiareaturias tios uniu es da estiva

V. Ações (iij,eiistIi'i,its

a) !teínrçai a cstIuiuii de serviços de saude e e€liicaçii lia inca

Ci) Em piriicular, tuii iclaçflu à Saúde Pública, incluir a cointiiiidadc indiíena nos

Sub- i'riiiiaiii;is

Atcndinienui tvlédico-saiiiuãrio para a População da Arca de lriliuncia

Controle de Doenças endémicas e de veiculaç5o liidrica

kdiiracitj ciii Saúde


fl TFI E [VI A.0
E fiE!ICIAlA[il!C li;?

c) I'inji;ii a (lnhli'ruiahl>:l;a' 1 :1r1y.:i' i,l(. ii'i:iii,l 1; J.l

(i) licticiji :1; ic;ici;c. jflt J!

rcu(cic)ec1cl das Ialalllls[iai;vlcliilliItl,tlI 1

I:s:tsaç'(ces, c(clu;Iac)tc:; cia I(cuicciicccIaçtcc 2.1 (\ Iticiu i\. Irctc :;iiia

Ambientais e Cuicçicisões, VIA) ci1:Iel,c-se a) Hi!lciili p'ia

de bacia c parlicij)Iç() lias il,,ciali\as de lnilloi;cI rh::a,,a,nyw

as Ru nuns de COMI ll)llIÇ(1,

3.2 Ações de M é dio Ircio

(is cestdtadcjs du i)iat;l)c)stic:( IIriii\cc,iiecct;cI 11:11 (tipa'.

cIeícniç.io e uplicaç.ao das segtcl,,Ies medidas de lieLila pia»

/)V a) I)csenvolviinento de pio elos de ~dides C(oilíuill,.aR \ ;i;ido o

cia (:oldnlliid;11e

i:iah)olaçà() cie ;,iojvic de manejo e t&esIo dos ecimoos ,,;ittiiais da tie;t iThiie!ta

I.I2Il)d)FIç( de 'lojelos de Ldimcaçao :\iiibic_u,ta_ iv5un iolub , o

icicligecia dos ciecimeimios cia iialicici,.


r ri '.E,.- :.urr IrCIAI_F:!1 1

tI It.( ) Al \(

Cuiiiuiiiila&Ie iiiclit'ciia. iIll(IrI;Ili('I:r

(IosILlcif)iüsdclIItflIOIu(lIIIa-Ll;C:uI1II
S t 1. L N í•.

';!III;)iIIIII.\J Sl.It1ç1I11

sIriu

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tt!:i) •'i UtOi3I4 ()C511)1111i

!Ii'I t)rI):uhi1'

III

- •.

EPdVtJE1Hi. Li
.... ..... .... . .. . ... L
............ O:)lq 31) S3(2j slulfl()

jIi1It3QtIIj)Iflj )T)i,SOII5Ci( 1

s:Ic1vnI.\llv

\I'J \')l )ON( nt:)

Uc,QPJ!H..L hJ
lj\:U 0V SNJLV1LL\ N 0(1 oT::n:it

L ei
GOVERNO 00 ESTADO 130 irocAN lIS
IHSFi1tfl0 NA1IJIt}LLA n'o TCICAN LNS
NAlUItATINS

OU;'? ltESINATUItÃJINS/ N' E 18/97


3'411n11%. 19 de 5ttIUI'tC de 1 Y)7

Seiiiior Coou eciador

]enco CIII vista as solicitaçõcs ccntidas no o[lc.ic' ct° 218/ÇQ0-DNAJLE, dRtzdo de 09 de


sctel tbro do 1997, esta Inut1tuto tem a informar;

Como relatado no EIA/RIMA o Naturatins rcrcrça a objigatoriedade, do i1pincuaço das


medidas preventivas oorrelaciorutdas as obran da UJIE Lajeado, refl,iente às instalaç&:s dc apoio
(alojuiieu(os) o conetruçAo da rodovia, que dará aesso as obras, na margem esquerda do Rio
Toci nuns, evitando assim unta maior intorCcáncia direta na hxc'a indfsona, Aptztr do Plano do
kÇa( proposto para as quoatôai indIgmai Qonter moa série de açtSe init;gndoras, t FUNAI e
corrnnidadc indigemt Xercntc, soliciuuani a adoção de um 1'rogriuiin Áiubient& espccl.floo p&!a
OS li di 00 O SUA tO3OVlt, Ecte instituto, visto relovnnto solicitaçno, outark prowovcqWo rninio
com a contwüdado lndlgent, FUNAI, hfinist6rio Pública Estadual, mAMA, ONO's e dentais
RCpJ1; Cotas ClIVO) vidas,
no ecntido de eutabo1ecer as dlrc ti Lts dente 1'i ornitta quo çr detalhado
qusj:o da elabui açtÉo do Projeto liknico Ambiental.

AruO ALBERTO WNASA 1


Dl), Coordcrudor (J:ral de ConcesC'çs do u1:Aizri
)1Jnj1tórjo dc )1iiinj e !inergia
l3ras;lia

CG - 0 DI
__
ç
I.1re8C1&) m3 Com wmmdLde5
t1itisru :'ø impactou Podam e atrit,icnlrtio a acuem c:.nrrsmrdc,9 peiii
IndIgcipii das terias Funil e X.eremuo.

Jjj 4Il t U
ucr
ctno-atubknnnl paoi coriliccimrtcmrlc e dzflniçAo dc açi5cs
( erptclIi
1, Eab»rço do um
a. O 1erruo (Al jeforênci a para este OH[udo t,tlá •dtn tdlma do cru documento r9 pcclfco p ela
UHM IBJ%iiÃiNA1DRAUNST - --

A par lir do diagnóstico as oesuirmtetr nçøou devei flo ser iruplairtadiru:

Artir duç.I10 outro à erirproendedor e a FUNAI Rcgionnl rio utritido de est abe.lerer cor ui i) piano
do que inclua flnci&Iinrçi\o. vigilfliicia O otltí(y$, (itt aváS tio c(III\Xflit() que '.'is coibi os
iiilj)t.O3 oiitbieirtüiø TIA ârecr hrdí3c1111.

Prev. :r que qualqr.rcr contrato de tritio dc obtim a sui firinruir, entro ir carpi ritciia e inenribron da
Coirj.iiudade ndiaoiLa Bojo irrtoriiredindo pela FUt'lU

e) Vre'Hr unir Cofbrço parir Comuczreiit.11z11ça0 do nrttsalníito iridlgc'irr e que ,tiir Liaborodo cmii
COlHi rUO com t FUNAI, uru Idst c5iico doa Xererrtus rn (krca, CUI ii rlivri!irç.Pt' de SUCt cultura o
pcciros rclo.ajrtoz do ou modo do vida

.Etah•raç!o do projetoo ospociticos de educaç.ftc era saúde vcitndos para a Coniurddado


K1df).dna.

EUil3ra projeto do divulgmrço sobre o emupicendinerito dc for rua a para a


Coupini(lado indíEcria

Elaioraç.o do ciutifluis do recomirendtrçÔes aos tmabillrrrdoi es, c oni relaçAo ao u[ isito e contato
corp a cc'inurddado indigona.

E) No deratti.uritctrto do J'lr_rio Básico de infta-cstmultira do comam rrço da ULIE. Lajeado é


mmccr ;rtrro conou1tr a ITLJ1'JAI, pala tii;muiiiitaçflo (1(151 ICtlj)8CIW1 ri sri cru crrrmnclos rum rena
Iirdicnn.

Ir) Fcr. ?Im\cllvcr jrcjotci'I rio nhI'u_iimdIc5 eccmr,rrmi(:mr, ir:m'mrdi' li ir', lri:ir,rctr! li'.:' rio Cm
0(111 O

1) iIn.1 c ç.ao tio pll)jC'(013 do Itrami)jo dos rc.':mimsrs nnirmmuis tio frita ii pi....nmte ir Jflt1JiO.Str. de
gcri10 dcsrcircciuios,

l3lnbbraçflo do prvjoroô c&pocllicos de Edueu.çao Ar itbi:mit ai, t curam riu m cgnr rir o conliccúneirto
indiecim d09 clornoatou da naturcz;a,

Ad uar o fortalecor 03 programas do saúde e cduciç.Ro JA desenvolvidos na (oca ridlonft.


n

io, lc,c.nntrin, b1ii tcenta do Toca.ntins


1'opu1riçrj indigona; I bitni,t,s (1:39 uwuc(p;cn de )1neu
fuiicioiiarioa das empreiteiras.
t!jÇ

PúI)lir&) I(CCItd C tI1CILII, Pçc[eturas


17 _i1,4/.i, JBttv1i\, 11Ar;J)(t1111f;, i'iU, i'diiiuuéiit'i
S, .Ft)ZiHS e
fUnicHni, Secraiarlas Estaduais e. htuiiiciyni, RUItAL'UIN
9

a.

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ANEXo 2.

IERÍ\i() DI-1 I ZI-A -LRÊN(-J I A !Alt/\ ln,\(;N(,s!I(:c)

E7OAiuIEN'rAt. !IZTt,\S lNl)!r: s XER!CNLE 1: rflr\rI,


\e
t;lAc;r'.osll(() EIrJ-ANII1!F:NIAII'A i ']tIAK \j

çj•f

It.Ii

lutitextu C ,Jtisfiíiçativ;i

Coni a COtlSOIidLçC) do W OCMSO (jIJU (IaTfl InICIO a \'iahilItaçïi(' da ('OlislIlIçuO


Mina 1 idrelétrica de Lajeado, entir: as lucoculmç õ es relativas nos iwl w dos ueIaclç's por
este emreendiineitto está a questão indígeita, \'ISÉQ a proxittttu;ide rias leitas Neictite e
Funil loalizacias as italgelis cio no locantitis e clistatites da obra a1lcnjntatlatli(trte IS i:rtt
As Teia as Indigenas Xererite e Fruiu são fliritiadas por .30 aldeias disti ibuidas ao louro (te
seus 133246 lia. Além da Li! IF. Lajeado, a comunidade itidigena vem scn]o alvo de
pressócÁ bastante signiFicativas moa suo cultura e recursos naturais. Dentre as pressões
mais iiipactatltes podemos citar a criação de PaTinas, a construção das IO(IO\iaS LO 010,
TO 450 elo 245 co Projeto IIOdCCCF til.
Jo que reíeiesc ao Estudo de litipacio A itibicrital da Ul tE 1 aiJcaLlo. o dccumeitto
ateve-se ás condições gerais da eoitiuitidade Xcienic, a e.trio-liisiõtia nanada cora base nos
coriI1itc, p r essões politicas e sociais ocorridas desde os primeiros tegisilos cirtowaírcos.
Mostra ainda sua forma de vida e condições demográficas, correlacionando-as 00111 1
expecta iva de vida. O diagnóstico realizado no EIA-RIMA apesar de não apresentar a
ilíttíiz de impactos nem construir tinia proposta especifica para o componente indígena,
sugere ii;u tuas ações voltadas para mitigação de possiyei s impactos ti serem gerados pelo
n precE; (li 1 cli t O.
Com a realização das audiências públicas, principalmente a na cidade de Nliracenia
do 'Lorantins, o terna fui amplamenie discutido, mostrando a preocupação dos
represclantes das aldeias e de seu tutor legal, Fundação Nacional do Ind o-EI] NA]L Desta
discussão aventou-se a possibilidade de criar um progrania especifico para tratar das
dluestôc indígenas rei acionadas com a obra de constru ção da Ul IL Lajeado lira vista desta -

solicitação, o instituto Natureza do 'locaniins-NAL_JltATINS na eririssão da licença prévia


(xiiçiii a elaboração de mii progtaiit;i especiFico que atenda :i; Ir eoctrp;mãies da coiiii''ãI:ulr
ir] 1 ii ci

II, Y)bjetivo

ãiaç;tr (liraili e'; pala a rlaltct;içãn de (li;liiii'e:tiçtt 1nc ati.iíti..i,i ulab , , 1 do


(jescão 'Iertitoti:rl Xctcitiit, \is;lIIdo niz,;çguial 11 qit.litl:trI ir NII$:I, aiIIIaIIç:I ,
';attdv, j 1 escI vaçiict criliiir:ti (- lm)mImc'iII; its :mtiviil;ulcs
- USO dos- FCCUISOS ItatilIais l,ma j)fli(illt»IU de a i1uus tr'iri :ris e
COIliCÍCi ais;
- 1.150 dos CCIII 505 iiattii flS ftIlil a CPIISII )I)I) de )al)i(
- uso dos i CUIIISOS liiclr iccis
- e1litCtCli/1tF O tiM) do 91130
1111 Itirit liioiip,eritt cic:fiiiiirtiu fl SLIt (IiftYIU e
rripaci OS sobe O 1 flcio--aii)I)ieItI e

1) - teia ão soeio -jnililica ec'urlcirluca e ctrilrti;tl (lOS NClCIItC COIII a ,(ICiCILIJ( Cii.Id,Lille,

e as itivichicles ii iticailoras do riicio tirduciite;


- caraclel17tção da depeiicencia externa jOI ;Ililn"Iu('; e
ria ti fai tirados;
- iflSCIÇ() do pOVO .Xereiitc rias polticas publicas federal , ,;t;ultr:il, nrl)l:pl
e cultos eiorcs;
- ideritiíicação dos principais Inoduloi de troca e/ou venda e sua inserção rio
IiiCreadc) r Ciior ai

E - Levairarnerito das condições de atenção à saude


)ICVi5ãO dOS pniicipais inrpactos gerados corri a circtzada cia população
-

ternporflria
- assistência odontoióuica e médico-hospitalar municipal
- csrutr.rra de atertdinicrito existente na PUNA!, FNS e Secretaria Estadual de
Saúde;
- condições de alimentação e sua relaço com a saúde;
- uso de práticas de medicina tradicional.

- l_e' riarnerito dos principais impactos Ocorrentes


TO - lO;
Ilidrovia Tocantins/Araguaia;
-

Ferrovia Norte/Sul;
-

PRODECER III;
- -

Planos de expansão ritunicipais;


-

J\I - Ações Pai-a Iuiplcriieti(nçao litictitata

As ações abaixo especificadas deverão ser implantadas irneiliararnerire. antes rriesriio


de iniciar os estudos que cornpoiiic) o l)iagnõsiieo, como lb,irut de pi cvcriçao dos impamos
iniciais provocados pela imparitação do carneiro de obras e chegada dos prirriciros
contingentes da população flutuante vinculada ao empreendimento.

Tra arnento de M icrobacin s li idrográíicas para os rios Preto e Piabanlia, idènticos ao


-

previste para a bacia comuribuirite e outros contribuintes oiiurrdos cia seria do Lajeado. 11cm
2.4 das recoimiendações do EIA-RIMA, Estes cursos d'água terri suas nascentes íora das
li i. liagitústico

:ln por objetivo subsidiar a (;Fioiaço e o detailianieriro tias aç('t'asercrii


de.scnvIvidas a cinto, médio e limuo Mazu pelo l'ioitratiia de (eslt leiiitoihd :'.'eiite.
a íiiu d iiiiiiirnizar os impactos ruidos e. indiretos gerados pela til tE Lajeado.
C diagnóstico periiiitirá ainda a \eriliCaçiu ria coiiipatibilidacle dos
ieriiis's I;t!lirais
e:isterl es nas Terias Iridigenas Nererite e Funil com as fbr iis ti adicionais dc usa dos
mesmo coiielacioliafldo OS CuStOS heiielicios Ciii teinios aiiil)ietltais e (COifl'iilleos

ierns I 20cais

c:rtracteiztçc fisico.liiciiea ((lis leiras indii'cnas Xe.icitte e Funil,


- gcorcicrencianie.niti e caliietcliz.riçãu stnuáiia, poi iin:Iu de plaiillias, de
amostras representativas das tipologias ztilil)ie1i1a15
- análise cartográfica da regi ã o de uso da etnia, com recursos de
sensoriariiento remoto e sic; ( Sistema de liiíoi mação Geográuica), visando o
reconliceinierito e cleliiui(açïio destas tipologias aiitbieiitais
-
análise ecológica cia iaiap,cni, cota base nus 1idifies hiiiii;uicis pelo :ivi'anjci
espacial das rcíci'idas lipologias;
- ideiiriiieai, (Liactelizar e inapeal a s arcas (lCi8hliI(iiIS e (Id j1 iest'I\a',iO
periltalicilte;
- deiinii O LiSo (ia [m ia e sua aptidão agi ccl;i cii l'o;a 11(10 ii
iii Li;d
vulnerabilidade, susieiitabilidade a médio e longo pi au, eiodibiliiliide e
ft':'Éilidade natui ai do solo;
- estudos de contabilidade ainbicntal, valorando os ee.ossisieiilas e os impactos
de seu USO paia p1 odrição;
- iliapeairieilto da rede IIItII cai da lena indigcna, caractern:ando as ii1112(O
bacias e seus principais P ordos de viiincrabiliclade
- levantamento flui islico e íhunistieo por tipologia e lisioriociiia vegetal.

1) Distribu i ção espacial tio Grupo Xei'eiile nos ceossislenias.


- caracterizar a lei rirorialiclade, conflitos, problemas airthieiiiais e influiéiiçia
externa ria disuihuiçãca espacial;
- identificar critérios internos tiadicioiiais p11111 deiiiiiçào dos tciiitói'ios

1 e Caracterização do uso dos recursOS Izulurais cora a obi cilçli(? de iii íorriiaçôes
Fornecidas pelos índios com respeito à utilização dos recursos naturais
existentes , 110 8t end i iieiito das necessidades li sicas e culturais do grupo visando:
produção para auto suiieiôrtcia alimentar e geração de excedentes;
) - exirativismo para auto suficiência alimentar e geração de excedentes;
) - uso de plantas medicinais;
ji
eiras lindi!CiPiS, 5'211(l() rimilo Iiiupnrr;rrites o d ç :!r\s(d\irii( IIrn rJi\tlIri\ itl:içle
ligada: ir sobrevivência cio povo Xerertc,

2 lu f)C(Iir renssentnriicritos da pCrIIIaÇO rural titlilLi pelo eri'pr 'ciii ticriU' tt arca dc
(litura) da leria lrrcligeira, ciii especial ria arca iriserida t irtre o liiiiitt sul e a \l':\ ria Sena
do LU 'I do.

3 Inlorniar a corntiritdade irudigeria Sobre o cinpreeiiduinctito, \'iak,ili t_aido o dcsh_'uanicr'a',>


-

de uni &ninpo de rtpneseiitahitcs NCTCIIIC a lii ilI de lucuixó e conwniiiclacic l'aal:anià

1 -Ino lunr no rinarnual de procedimentos do ti alualinador tia lii tE 1 :ujeado o i egularuento que
devenv ser observado, tio que Coilcenrle as ternas e eomtumniihndts indienas, ecunifoone
lc;isIa ção pertinrerte.

5 -D íbsào pelos meios de conrunntcaço de plograunas de coniscicruização e respeito para


com a comunidade indigemia, junto aos trabalhadores e prestadores de serviços (lO
cnilprc2ncii mcm?.

6— l'rdtiir inaterial de divinlgaç5o, counterido inf'ormniaçõcs reFerentes às especificidades da


cultura e aspectos relevantes do modo de vicia da comunidade Xerenre.

7 Ltboração de material inf'ormiiativc.i sobre a UlIE e seus incipactos ciii linrgua Nem emite
-

para 6 fusão nas aldeias.

8 idezjwç.i{cy—do serviços pnihIieo- de ntemulinmrennio à saúde e educaç ã o, l, ievendo


--

investrimemltos de refoiço da estnntura já ex istente, bern Colho aiinm)!anitação de inovas


instalações e c iit'ção de pessoal, ç%mhn*i-para a Terra Indigena as.açõcs previstas no
programa de adequação dos serviços públicos, itern.XXU .daLtAiL1M.iL

9 Caiu relação ao Programa de Saúde Pública, no i tori XX \' II do 1 1 tVftl M A adequar.


-
,

estendei e incluir para as comunidades indigenas os sub-programas:


de atenclitnemnto médico saniIâro, tal como o proposto para a população residente
-

ria área de influência;


de controle das doenças endêmicas e (te veicuinção Icidrien;
-

de educação cm saúde;
-

prevenção e con nba te ao ai cool is no.


-

lo is uilação de placas de identificação, ativei t&rcia e educativas ar lonca das rodovias e


-

avivcInçJir) das Iinilizui dernitrc.iitõriau dos lirtiltes.

1 - iorialecimncnmto institucional a ser viabilizado através:


- discussão prévia entre IUNAI e empreendedor sobre tlkpommibiliznç.ão de
necirsos humanos e materiais, visando dotar a lrnstirtmiçào de condições de
trabalho para fazer fitce à demanda adicional representada pela instalação
da UlIE de Lajeado.
- irniplc-mncnmaçüo das medidas acordadas.

SE'
- q ui pe Nitill i disciplinor pitin li L:.litlioi'iiçitr; (ICI l)uigiiostito l.tiio-,\iiitiieni,il

c: iordeiiador
- Alltropologo COIII ~óMa Ciii ti abailios com as sociedades undiueiias
existi ates no Estado do (jcilhiliiis dolul \'i5iO iuIieiIa(a clii I5)CC(OS ablibi('ivais, poloucos c
CCOiI(iIidO5.

2. 1 tcuuicos:
- ,\iiihientaiisia Cdliii especiulização CIII etuio-ecologia;
- Ainbicntaljsta Cclii espccial:i. Çi( (I11 conial,ilidide a:iihieu;aI
- Profissional de sauJ(ic publica com experiência cru trabalhos com sociedades
iuldigciias;
- PlOíiSSi(iuiitl de uiiltiição iuuii a saúde, com experiência ciii iial'aklics com
sociedidcs iiidl'iias
- Piolissiurial da aica de uliaiic.jo auros$iivtlpaMo!il cclii CNpL'ltcllcia CIII
trabalhos ColO sociedades ilidigecias;

VI - LoitSidCi'nçi3e$ 1'iuliis

O clia&'juostico deverá Sei eilhiiildlo j.uor doiisLiltciFes Cciii coIuul!io'ada eNper ?êiiiil CIII
meio ambiente, Coni êíiFtse no ecossisicuna Cerrado e elaboraçio de piojClos, devendo ser
prioraudos OS profissionais tjtie já atuaili lia região. •l'ais profissionais dcveuào ter
os
(::,r7;uiuIn apreciados
aprovados pe1a FUNAI.
I'iicw e
Todos os trabalhos cio diagnóstico deverão ser acompanhados pdrlilauueuitelulciite
pela 1 UNAI, NATUItAFINS e HIAMA.

\'hl l'iodulus e l'rni.os de lxrruçâo

,\ equipe ?cnica deverá apresentar tIni plano de cxc iiçáo dos II:'.11IlIId%S, cíiiuicuiclo ti
-
duorucuauuia de ;iiividade.s, os )l(ldtlt0S parciais e finais cclii (lIStOS ilc iiuu'lcuuiuuiuç5. A
4 sabei -zonicauiierito e plano de uiulncjo das (eiras iuiditeiias, mapa de \'egeiaçio e uso ck
solo, liscriuuirivare uul;upcnu os ln:diuisos ntiliyadot; co uclalôri;jl)iat:iuuuslicu Ntuiuu;uuuuliicuipul,
anem as ldhuilha N, lisiay:iu'; de e;jlccic; tia linina c luisa ucftieuiuiatl;u'; pus Suem ultu mime
vuilj cucuuluhjcontu JuII'iia \csc nit c dulishti:çilu iii', dilelcines li',ic,rs',uimm1sç
i
Aniëdida que os evitutautermios do diliMilústico Ru ou cuinsohidaulos, a cijuimpe
tlevcíh
ir elntucui:auudo e (lisdlililido nuuu FUNAI, lI_lAMA e NAU)RAIINS liS pioldlsI;us. de
diretu zes de prograuia. Ossuh-progranias a seiemii propostos e. iiui1ileiuicntados devem
ConICI assegilmnles áleaS terurfui idas
1•

- íiscalizaçâü e '.'igiJanca;
- apoio às atividades CUOROIIIICHS
- proteç.o e manejo dos recursos ais,
- saúde;
- CdLICnÇflo ariibiein
- CdUCUÇ\() foritial
- reforço à cultura e cidadania dos Nerente.

liititiiições (Jile cljibor:iiitcii o pTese.I%(C


lctuo de 1eIrIll(:ia:
FIJNAI, IUANIA, NA'J(J!tiVfl.NS e SETAS