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l.
APRESENTAÇÃO

Caro(a) Aluno(a),

A preparação para concursos públicos exige profissionalismo, métrica e


inteligência. Cada minuto despendido deve ser bem gasto! Por isso, uma
preparação direcionada, focada nos pontos com maior probabilidade de
cobrança no seu certame, pode representar a diferença entre aprovação e
reprovação.

Ciente disso, a Ad Verum Suporte Educacional, empresa do Grupo CERS


ONLINE, concebeu o curso INTELIGÊNCIA PDF PARA DELEGADO DA
POLÍCIA CIVIL, que tem por premissa fundamental “atacar” os pontos nucleares
de cada matéria, com vistas a antecipação dos temas com maiores chances de
cobrança em sua prova.

Fazer isso não é tarefa fácil! É necessário um árduo esforço de pesquisa,


levando-se em consideração fatores como banca examinadora e respectivos
membros (sempre que possível), retrospecto do concurso, recorrência temática
dentro de cada disciplina, importância de cada tema, momento da segurança
pública do país, dentre tantos outros, aliados a experiência de Professores de
projeção nacional, com larguíssima experiência na análise do perfil dos mais
diferentes certames públicos.

Para tornar tudo isso uma realidade, a Ad Verum investiu muito em seu Método
de Aceleração de Aprendizagem (MAVAA). Hoje, contamos com um SETOR DE
INTELIGÊNCIA, responsável por ampla coleta de dados e informações das mais
diferentes fontes relacionadas ao universo de cada concurso, de modo a, a partir
do processamento dos dados coletados, oferecer aos seus alunos uma
experiência diferenciada quando comparada a tudo que ele conhece em matéria
de preparação para carreiras públicas.

Racionalizar o estudo do aluno é mais que um objetivo para Ad Verum, trata-se


de uma obsessão.

Estude inteligente, estude Ad Verum!

Francisco Penante
CEO Ad Verum Suporte Educacional
1. PARTE GERAL

1.1. INTRODUÇÃO E PRINCÍPIOS

1.1.1. CONCEITO

Podemos conceituar “Direito Penal” como um conjunto de normas jurídicas


(regras e princípios) que visa coibir as infrações penais (crimes e contravenções)
mediante a imposição de sanção penal (pena aos imputáveis e medida de
segurança aos inimputáveis).

O direito de punir (jus puniendi) é exclusivo do Estado? Não! De acordo


com o art. 57 da Lei nº 6.001/73 (Estatuto do Índio), o Estado tolera a aplicação,
pelos grupos tribais, de sanções penais ou disciplinadoras contra os seus
membros, desde que não revistam caráter cruel ou infamante, proibida, em
qualquer caso, a pena de morte.

DPC-PA | 2009 | MOVENS: Será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo
F com as instituições próprias, de sanções penais ou disciplinares contra os seus membros,
inclusive, em casos devidamente justificados, da pena de morte.

1.1.2. NATUREZA JURÍDICA

Também conhecida como “taxinomia”, a natureza jurídica do Direito Penal


é ramo do Direito Público, haja vista ser composto de regras indisponíveis e
obrigatoriamente impostas a todas as pessoas.

DPC-RN | 2009 | CESPE: O direito penal é ramo do direito público e privado, pois
F protege bens que pertencem ao Estado, assim como aqueles de propriedade
individualizada.

1.1.3. PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA

Sustenta-se a ideia de que o Direito Penal é a exceção, não a regra. Direito


Penal como a ultima ratio.

DPC-PI | 2009 | UESPI: Segundo o princípio da intervenção mínima, o direito penal deve
F
atuar como regra e não como exceção.

Podemos enxergar o princípio da intervenção mínima à luz de dois


subprincípios:

a) Princípio da Fragmentariedade: o Direito Penal só pode ser chamado para


tutelar fragmentos do ordenamento jurídico, isto é, somente aquelas condutas
sociais que afetem os bens jurídicos mais importantes.

DPC-RN | 2009 | CESPE: O direito penal tem natureza fragmentária, ou seja, somente
V protege os bens jurídicos mais importantes, pois os demais são protegidos pelos outros
ramos do direito.

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DPC-SP | 2011 | PCSP: A ideia de que o Direito Penal deve tutelar os valores
V considerados imprescindíveis para a sociedade, e não todos os bens jurídicos, sintetiza o
princípio da fragmentariedade.

b) Princípio da Subsidiariedade: nem sempre o bem jurídico tutelado pela norma


penal deve merecer a tutela do Direito Penal no caso concreto, principalmente
quando outros ramos do Direito já punem a conduta praticada. Nesse sentido, o
STJ decidiu que não caracteriza crime de desobediência (CP, art. 330) o
descumprimento de medida protetiva de urgência, uma vez que a Lei nº
11.340/06 e o CPP já estabelecem outras sanções para este caso, como, por
exemplo, a requisição de força policial, imposição de multa, e decretação de
prisão preventiva (STJ, REsp 1.492.757-DF).

1.1.4. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL

Sustenta-se que não se pode considerar penalmente típico o


comportamento humano que não afronta o sentimento social de Justiça, que é
aceito ou tolerado pela sociedade. Ex: venda de CDs ou DVDs piratas, casa de
prostituição, jogo do bicho, etc. Nesse sentido, o STJ já decidiu que o princípio
da adequação social não prevalece em face dos crimes de violação de direito
autoral (Súmula 502), casa de prostituição (REsp 1.435.872-MG) e contravenção
penal do jogo do bicho (REsp 1.464.860-SP).

1.1.5. PRINCÍPIO DA LESIVIDADE

Sinônimos: ofensividade, alteridade e transcendentalidade.

Sustenta-se que não há crime quando a conduta do agente não ofender,


de fato, um bem jurídico tutelado pela lei penal.

DPC-RJ | 2009 | CEPERJ: Por força do princípio da lesividade não se pode conceber a
V
existência de qualquer crime sem ofensa ao bem jurídico protegido pela norma penal.

Este princípio busca afastar a criminalização de:

a) atitudes internas (nullum crimen sine actio): não se pune o simples ato de
pensar ou cogitar a prática criminosa (cogitationis poenam nemo patitur). Fala-
se em “direito à perversão”, “direito de ser mal”. É por isso que ser pedófilo não
é crime; crime é praticar pedofilia.

DPC-RJ | 2009 | CEPERJ: O princípio da lesividade (ou ofensividade) proíbe a


V
incriminação de uma atitude interna.

b) atitudes que não excedam o âmbito do próprio autor, mesmo que


socialmente ou moralmente desviadas (nullum crimen sine injuria): assim
sendo, o Direito Penal não pode punir condutas como autolesão corporal,
tentativa de suicídio, auto-prostituição, etc.

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DPC-GO | 2013 | UEG: Ana, menor de 17 anos de idade, contrariando proibição de seus
pais, procura Júlio para que este realize uma tatuagem no seu ombro com
V aproximadamente 15 centímetros de diâmetro. Ainda que presente a tipicidade formal,
poderá ser aplicado o Princípio da Alteridade porque não houve lesão a bem jurídico de
terceiro.

É neste particular que se discute a constitucionalidade dos chamados “crimes de


perigo abstrato”, que são aqueles em que a lei presume o perigo de determinada
conduta, dispensando, assim, que bem jurídico alheio seja lesado para que o crime se
consume. Ex: embriaguez ao volante, porte ilegal de arma de fogo, porte de drogas para
consumo próprio, etc. Parte da doutrina defende que a tipificação de tais delitos viola
o princípio da lesividade, uma vez que o agente, por não expor efetivamente à perigo
bem jurídico alheio, não poderia ser punido, porquanto sua atitude não excede o seu
próprio âmbito. De toda sorte, a jurisprudência do STF se mostra pacífica quanto a
constitucionalidade de tais delitos, argumentando que os bens jurídicos tutelados por
estes tipos penais são supraindividuais, como a segurança pública, a saúde pública, etc.,
razão pela qual seria lícito ao legislador antecipar a criminalização dessas condutas
antes que elas afetem efetivamente um bem jurídico alheio.

c) simples estados ou condições existenciais: ninguém pode ser punido


por questões exclusivamente pessoais, sob pena de configurar o odioso
Direito Penal do Autor. Neste sentido, infrações penais como a de
vadiagem (LCP, art.59) deveriam ser extintas.

DPC-RJ | 2009 | CEPERJ: No direito penal democrático só se punem fatos.


V
Ninguém pode ser punido pelo que é, mas apenas pelo que faz.

DPC-MG | 2003 | PCMG: Não pode ser considerada uma consequência do


V Princípio da Lesividade proibir a incriminação de comportamentos socialmente
toleráveis. (ADAPTADA).

1.1.6. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

Sustenta-se que o Estado só pode criar um crime e cominar uma pena


mediante uma lei estrita, prévia, escrita e certa.

Referido princípio encontra-se positivado nos seguintes dispositivos:

 CRFB, art. 5º, XXXIX: “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena
sem prévia cominação legal”
 CP, art. 1º: “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia
cominação legal”.

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DPC-RJ | 2009 | CEPERJ: O conteúdo essencial do princípio da legalidade se traduz em
V que não pode haver crime, nem pena que não resultem de uma lei prévia, escrita, estrita e
certa.
DPC-RS | 2009 | PCRS: Quanto à forma de tipificação de condutas criminosas, o
V
princípio da legalidade determina que haja lei prévia e lei escrita.

Vamos estudar agora cada um destes requisitos para a incriminação:

a) Lei Estrita / Lex Stricta | Princípio da Legalidade Estrita | Princípio da


Reserva Legal: o Estado só pode incriminar uma conduta mediante lei.
Esta “lei” a que se refere o art. 5º, XXXIX, CRFB, e o art. 1º do CP é a “lei
em sentido estrito”. Lei em sentido estrito é a lei ordinária e a lei
complementar (CRFB, art. 59, II e III). Ou seja, somente uma lei ordinária
ou complementar pode ser utilizada para criar um tipo penal. A lei em
sentido estrito submete-se à garantia constitucional da lex populi1.

DPC-PA | 2009 | MOVENS: A exigência de lei criando tipos penais para permitir
V a aplicação de sanção é garantia constitucional.

Todavia, no tocante às normas penais não incriminadoras, é perfeitamente


possível que outra fonte normativa trate da matéria. Ex: normas penais
explicativas, excludentes de crime, excludentes de punibilidade, etc.

DPC-RJ | 2009 | CEPERJ: O princípio da legalidade estrita não cobre, segundo


V a sua função e o seu sentido, toda a matéria penal, mas apenas a que se traduz em
fixar, fundamentar ou agravar a responsabilidade do agente.

O exemplo mais cobrado em provas de Delegado de Polícia é o da Medida


Provisória. É bem verdade que o art. 62, §1º, b, da CRFB, veda expressamente
a possibilidade de edição de uma MP dispondo sobre matéria penal.

DPC-CE | 2015 | VUNESP: De acordo com o art. 62 da Constituição da República


V de 1988, não é permitida a edição de Medida Provisória em matéria Penal.
(ADAPTADA).

E é bem verdade também que, em razão da reserva legal (CRFB, art. 5º, XXXIX,
e CP, art. 1º) e da lex populi (CRFB, arts. 22, I, c/c 84, IV) Medida Provisória não
pode criar tipos penais, somente lei em sentido estrito pode.

DPF | 2002 | CESPE: Por ter força de lei, não viola o princípio da legalidade a
F medida provisória que define crimes e comina sanções penais.
DPC-PA | 2009 | MOVENS: É válida a descrição de conduta típica penal por
F medida provisória.

1
Compete privativamente ao Poder Legislativo Federal dispor sobre direito penal (CRFB, art. 22, I) e
privativamente ao Presidente da República sancionar, promulgar e fazer publicar as leis penais (CRFB, art.
84, IV).

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DPC-PI | 2009 | UESPI: O princípio da legalidade permite a criação de tipos
F penais incriminadores através da edição de medidas provisórias.
V DPC-RO | 2014 | FUNCAB: Medida provisória não pode instituir crime ou fixar
pena.

Mas atenção: segundo o STF, é possível que Medida Provisória trate de norma
penal não incriminadora. No RE 254.818-PR, a Corte considerou válida a MP
1.571/97 que permitiu o parcelamento de débitos tributários e previdenciários
como efeito extintivo da punibilidade.

Outra importante garantia que deriva do princípio da legalidade estrita é a


proibição da analogia in malam partem. Analogia (ou aplicação analógica) é
uma técnica de integração legislativa, em que o intérprete, ao perceber uma
lacuna legislativa involuntária, que o impossibilita resolver determinado caso
concreto, procura uma lei que regule um caso bastante semelhante, e a utiliza
naquele, de modo "emprestado", pois ubi eadem ratio, ubi idem ius (onde existe
a mesma razão, deve existir o mesmo direito). É possível analogia em Direito
Penal? Segundo a doutrina e jurisprudência majoritárias, não é possível
analogia in malam partem em nenhuma hipótese, mesmo em se tratando de
norma penal não incriminadora. Analogia, em Direito Penal, só se for in bonam
partem. Neste sentido: (i) O crime de associação para o tráfico não integra a
listagem legal de crimes equiparados a hediondos, razão pela qual é impossível
analogia in malam partem com o fito de considerá-lo crime dessa natureza (STJ,
HC 117.220-RJ); (ii) A união estável é reconhecida como entidade familiar,
podendo se aplicar a analogia in bonam partem para o “companheiro” quando o
art. 181, I, do CP, diz “cônjuge” (TJ-MG, APR 1.0446.08.009115-5/001); (iii) A
norma do art. 327, § 1º, do CP, deve ser interpretada restritivamente, para
equiparar o terceirizado ao funcionário público somente quando este é o sujeito
ativo do delito. pois a aplicação de analogia in malam partem é vedada (TJ-RJ,
APR 0002130-36.2013.8.19.0055).

F DPC-RS | 2006 | FAURGS: Com base no postulado nullum crimen nulla poena
sine lege stricta, é vedada qualquer forma de recurso à analogia em matéria
criminal.
F DPC-GO | 2008 | UEG: As normas penais que definem o injusto culpável e
estabelecem as suas conseqüências jurídicas são passíveis de aplicação analógica.
DPC-RJ | 2009 | CEPERJ: Face ao fundamento, à função e ao sentido do
F princípio da legalidade, a proibição de analogia vale relativamente a todos os tipos
penais, inclusive os permissivos.
DPC-RS | 2009 | PCRS: Relativamente à interpretação da lei penal, é corolário do
F princípio da legalidade que a lei penal seja stricta, com o que fica vedado, de
qualquer modo, o uso da analogia em Direito Penal.

Por fim, é preciso diferenciar “analogia / aplicação analógica” de “interpretação


analógica”. Interpretação analógica não é uma forma de integração do Direito
(como a analogia é), mas sim uma forma de interpretação deste. A interpretação
analógica ocorre quando um dispositivo legal traz uma cláusula genérica após
uma enumeração casuística – ex: CP, art.121, § 2º, I: “Se o homicídio é cometido:

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mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe” –
perceba que primeiro o legislador definiu um caso que seria considerado motivo
torpe (paga ou promessa de recompensa), e depois trouxe a cláusula genérica
(ou por outro motivo torpe). Assim sendo, é perfeitamente possível considerar
torpe o homicídio praticado com a intenção de receber herança, embora esta
circunstância não esteja expressamente prevista no Código Penal. É pacífico na
doutrina e jurisprudência o entendimento pela possibilidade da interpretação
analógica em toda norma penal, inclusive incriminadoras.

F DPC-PE | 2006 | IPAD: No Direito Penal Brasileiro, segundo a doutrina


majoritária, a aplicação da analogia é o mesmo que interpretação analógica.
DPC-GO | 2008 | UEG: A interpretação analógica é aquela que abarca os casos
F análogos, conforme uma fórmula casuística gravada no dispositivo legal, não
sendo admitida em direito penal.
F
DPC-RS | 2009 | PCRS: Analogia e interpretação analógica se equivalem, sendo
que ambas são vedadas em Direito Penal, dada a primazia absoluta da lei como sua
fonte.

b) Lei Prévia / Lex Praevia | Princípio da Anterioridade: reza que uma


pessoa só pode ser punida por um crime se, no momento em que ela
praticou a conduta, esta já era tipificada na lei penal. Ex: se você hoje
acender um cigarro dentro de um restaurante, estará cometendo um
crime? Não, pois não existe uma lei penal tipificando esta conduta, logo,
como não há crime sem lei anterior que o defina, então o fato é atípico em
razão do princípio da anterioridade.

DPC-RS | 2009 | PCRS: Lei prévia significa que a lei incriminadora seja anterior
V à data da prática do fato ou conduta nela previsto; trata-se da exigência da
anterioridade da lei penal.

c) Lei Escrita / Lex Scripta: nosso Direito Penal pertence à família do “civil
law”, e não à do “commom law”, isto é, entre nós, o que vale é o Direito
Penal escrito, especialmente aquele relativo a normas penais
incriminadoras. Ou seja, ninguém pode ser punido por algo que não está
escrito na lei penal. Por esta razão, não se admite que um costume possa
fundamentar a punição de alguém2. Pegadinha de concurso: confundir os
termos “lex stricta” (lei estrita) ou “lex scripta” (lei escrita).

DPC-RS | 2006 | FAURGS: O postulado nullum crimen nulla poena sine lege
F
scripta não proíbe a criação de tipos penais incriminadores por meio de costumes.

2
Mas isto não significa que os costumes não possam ser utilizados como fontes formais secundárias. Ex:
termos do Código Penal como "ato obsceno" e "repouso norturno" são retirados dos costumes do local
em que foi praticado o delito.

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DPC-RS | 2009 | PCRS: A lex scripta exclui a admissibilidade dos costumes como
V
criadores de normas penais.
DPC-SP | 2011 | PCSP: A lei estrita, desdobramento do princípio da legalidade,
F
veda o emprego de costumes.

d) Lei Certa / Lex Certa / Princípio da Taxatividade: a lei penal,


principalmente a incriminadora, deve ser indiscutível em seus termos, não
podendo descrever o crime de forma vaga, aberta, imprecisa ou lacunosa,
pois isso vai de encontro à segurança jurídica. É necessário que o
legislador seja taxativo quanto aos preceitos primário e secundário de
tipos penais, ainda que minimamente. Exemplo de dispositivo penal que
viola o referido princípio: art. 9º da Lei de Segurança Nacional: "Tentar
submeter o território nacional, ou parte dele, ao domínio ou à soberania
de outro país".

DPC-RS | 2006 | FAURGS: Pode-se afirmar que o postulado nullum crimen nulla
F poena sine lege certa não tem qualquer distinção do princípio da reserva legal,
sendo empregados como sinônimos.
DPC-RS | 2009 | PCRS: O princípio da legalidade impõe que as leis penais sejam
certas, ou seja, que a descrição tipológica não pode deixar margens à dúvida quanto
à significação, devendo ser evitados os tipos incriminadores genéricos. É o que
V alguns doutrinadores denominam de taxatividade ou determinação taxativa da lei
penal (ADAPTADA).

1.1.7. PRINCÍPIO DA HUMANIDADE DAS PENAS

Em razão do princípio da dignidade da pessoa humana (fundamento da


República Federativa do Brasil), não se pode conceder tratamento indigno ao
preso.

Referido princípio encontra-se positivado nos seguintes dispositivos:

 CRFB, art. 5º, XLVII: “Não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de
guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c)
de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis”.
 CRFB, art. 5º, XLIX: “É assegurado aos presos o respeito à integridade
física e moral”.
 CRFB, art. 5º, L: “Às presidiárias serão asseguradas condições para que
possam permanecer com seus filhos durante o período de
amamentação”.
 CP, art. 38: “O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda
da liberdade, impondo-se a todas as autoridades o respeito à sua
integridade física e moral”.
 CP, art. 39: “O trabalho do preso será sempre remunerado, sendo-lhe
garantidos os benefícios da Previdência Social”.

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F DPC-AM | 2001 | PCAM: Não poderá haver penas cruéis, de banimento, de
trabalhos forçados, de caráter perpétuo e de morte.

F DPC-PI | 2009 | UESPI: O princípio da humanidade das penas proíbe, em


qualquer hipótese, a pena de morte no ordenamento jurídico brasileiro.
DPC-CE | 2015 | VUNESP: A Constituição da República de 1988 (art. 5º, XLVII)
F veda expressamente a existência de pena de morte (salvo em caso de guerra
declarada), além de vedar as penas de caráter perpétuo; de trabalhos forçados; de
banimento; infamantes e cruéis.

Um desdobramento do princípio da humanidade das penas é o princípio


da individualização das penas, que exige um tratamento customizado para
cada detento. Um exemplo disto encontra-se no art. 5º, XLVIII, da CRFB: “A pena
será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do
delito, a idade e o sexo do apenado”.

DPC-AM | 2001 | PCAM: A pena será cumprida em estabelecimentos distintos,


V de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado, sendo assegurado
aos presos o respeito à integridade física e moral.
DPC-PA | 2009 | MOVENS: As penas serão cumpridas em estabelecimentos
F prisionais, diferençados apenas em relação ao sexo do apenado.
DPC-PA | 2013 | UEPA: Dispondo sobre os direitos e garantias fundamentais dos
brasileiros e estrangeiros residentes no país, a Constituição de 1988, em seu art. 5º,
XLVIII, determina que “a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de
V acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado”. Esta norma garante
o princípio da individualização da pena, porque impõe ao Estado o dever de
classificar os apenados a partir de características pessoais concretas, prevenindo
problemas como o da “contaminação carcerária”.

1.1.7. PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA

Ninguém pode responder pela sanção penal aplicada ao outro, pois não há
falar em responsabilidade solidária, subsidiária ou sucessiva no Direito Penal.
Mas isso não significa que, em caso de morte do culpado, os efeitos civis da
sentença condenatória não possam atingir a herança deixada por ele.

 CRFB, art. 5º, XLV: “Nenhuma pena passará da pessoa do condenado,


podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido”.

DPC-AM | 2001 | PCAM: Nenhuma pena passará da pessoa do condenado,


F podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser,
nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite
do valor patrimônio destes.
DPC-TO | 2008 | CESPE: Prevê a Constituição Federal que nenhuma pena
passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a
V decretação de perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores

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e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido. Referido
dispositivo constitucional traduz o princípio da intranscendência.
DPC-PI | 2009 | UESPI: Segundo o princípio da intranscendência, a pena não pode passar
V da pessoa do condenado.
DPC-AC | 2017 | IBADE: É correto afirmar que responsabilização de terceiros pela
F
conduta de alguém viola o princípio penal denominado Inderrogabilidade.

Atenção: condenação à pena de multa (CP, art. 49) não se confunde com
efeitos civis da condenação penal!

DPF | 2013 | CESPE: A multa aplicada cumulativamente com a pena de reclusão


F pode ser executada em face do espólio, quando o réu vem a óbito no curso da
execução da pena, respeitando-se o limite das forças da herança.

1.1.8. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

Incorporado no Direito Penal pelo estudos de Claus Roxin, o princípio da


insignificância defende que condutas formalmente típicas que causem
inexpressiva legal ao bem jurídico devem ser consideradas irrelevantes penais,
sob pena de causar um desnecessário congestionamento da Justiça Penal.

Referido princípio possui natureza jurídica de causa supralegal de exclusão


da tipicidade material.

DPC-RJ | 2009 | CEPERJ: O princípio da insignificância revela uma hipótese de


V atipicidade material da conduta.
F DPC-PI | 2009 | UESPI: O princípio da insignificância exclui a ilicitude.

A jurisprudência dos Tribunais Superiores adota os seguintes requisitos


para sua aplicação:

a) Requisitos Objetivos: Mínima ofensividade da conduta;


Ausência/Nenhuma de periculosidade social da ação;
Reduzido/Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento; e
Inexpressividade da lesão jurídica provocada. Dica: M.A.R.I.

DPC-RJ | 2012 | FUNCAB: O princípio da insignificância, decorrência do caráter


fragmentário do Direito Penal, tem base em uma orientação utilitarista, tem origem
V controversa, encontrando, na atual jurisprudência do STF, os seguintes requisitos
de configuração: a mínima ofensividade da conduta do agente; nenhuma
periculosidade social da ação; o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do
comportamento; e a inexpressividade da lesão jurídica provocada.

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b) Requisitos Subjetivos: embora a análise deva ser feita no caso concreto,
podemos observar na jurisprudência a inaplicabilidade do princípio
quando o agente é reincidente, possui maus antecedentes ou é criminoso
habitual.

PRINCÍPIO DA IRRELEVÂNCIA
PENAL DO FATO / PRINCÍPIO DA
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA INSIGNIFICÂNCIA IMPRÓPRIO
Infração Bagatelar Própria. Infração Bagatelar Imprópria
Sem previsão legal CP, art. 59, in fine
Exclui-se a tipicidade material Exclui-se a punibilidade
Ex: pagamento do tributo nos crimes
Ex: furto de uma fruta contra a ordem tributária torna a pena
desnecessária

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Questão Inédita
Assinale a alternativa que corresponde com as lacunas:

I. O pai de um adolescente não pode responder pelo crime praticado pelo filho em
razão do princípio _______.
II. Aquele que confessa a um policial que está indo cometer um crime, ainda não
pode ser punido em razão do princípio _______.
III. Aquele que furar uma fila de banco não pode ser punido criminalmente em razão
do princípio _______.
IV. Aquele que é flagrado vendendo um DVD “pirata” não poderia ser punido
criminalmente em razão do princípio _______.
V. Aquele que, pela primeira vez, subtrai um pacote de “Miojo” de um supermercado
não pode ser punido em razão do princípio _______.
VI. O agente que ultrapassar sinal vermelho, incorrendo na contravenção do art. 32
da LCP, não deve sofrer sanção penal, mas sim administrativa (multa), em razão do
princípio _______.

a) instranscendência; lesividade; legalidade; adequação social; insignificância;


subsidiariedade.
b) transcendentalidade; insignificância; fragmentariedade; adequação social;
intervenção mínima.
c) alteridade; lesividade; reserva legal; bagatela imprópria; subsidiariedade;
taxatividade.
d) intranscendência; ofensividade; anterioridade; adequação social; bagatela
própria; fragmentariedade.

Comentário: o candidato atento ficaria na dúvida entre a assertiva a) e d), embora a


correta seja a alternativa a) pois o mais acertado no caso é a subsidiariedade, não a
fragmentariedade, embora ambos sejam ramificações de um mesmo princípio:
intervenção mínima. Obs: fique ligado nos sinônimos dos princípios!

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Princípio da O Direito Penal só pode ser usado para tipificar condutas que
Intervenção afetem os bens jurídicos mais importantes (fragmentariedade);
Mínima mesmo que o fato seja tipificado pelo Direito Penal, ele só deve
ser acionado quando a conduta não for suficientemente punida por
outro ramo do Direito (subsidiariedade).

Princípio da O Direito Penal não deve punir condutas aceitas ou toleradas pela
Adequação Social sociedade. Prestar atenção à Súmula 502 do STJ.
Princípio da O Direito Penal não pode punir atitudes internas, atitudes que não
Ofensividade excedam o âmbito do próprio autor e simples estados ou
condições existenciais.
Princípio da O indivíduo somente poderá responder por um crime se houver
Legalidade uma lei estrita, prévia, escrita e certa; somente lei em sentido
estrito (ordinária ou complementar) pode criar crimes e cominar
penas; medida provisória não pode criar crimes nem cominar
penas; é proibida a analogia in malam partem; é permitida a
analogia in bonam partem; é permitida a interpretação analógica.
Princípio da Não haverá pena de morte, salvo em caso de guerra declarada; não
Humanidade das haverá penas perpétuas, de trabalhos forçados, de banimento ou
Penas cruéis; o princípio da individualização das penas sustenta que a
pena deve ser customizada.
Princípio da A pena (privativa, restritiva, multa) não pode passar da pessoa do
Intranscendência infrator, porém os efeitos civis podem atingir a herança, no caso
de morte.
Princípio da São requisitos de aplicação: (M)ínima ofensividade da conduta;
Insignificância (A)usência/Nenhuma de periculosidade social da ação;
(R)eduzido/Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do
comportamento; e (I)nexpressividade da lesão jurídica provocada
(MARI).

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ANOTAÇÕES DO CANDIDATO

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