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Palestra Aula Virtual, sexta-feira, 27 de dezembro de 2019, as 13:35:13

Professor César Augusto Venâncio da SILVA

Árbitro em Direito

https://www.google.com/search?q=juiz+arbitral+c%C3%A9sar+augusto+venancio+da+silva&rlz=1C1CHBD_pt-
PTBR869BR869&oq=juiz+arbitral+c%C3%A9sar+augusto+venancio+da+silva&aqs=chrome..69i57.12279j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8

Traduzido do Português para Inglês, Italiano, Francês.

EMENTA:

Capítulo I - Da Arbitragem e a capacidade de contratar em direitos patrimoniais


disponíveis.

I – Introdução à Arbitragem.

II - Capacidade de contratar.

II – 1 - O Ministério Público no novo Código de Processo Civil e a sua


intervenção direta ou indireta no Processo Arbitral. II – 2 –A Arbitragem e o
Ministério Público. II – 3 – Regulamentação do Ministério Público em face da
Arbitragem.

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2.a. Palestra Aula Virtual, sexta-feira, 27 de dezembro de 2019, as 13:35:13

Professor César Augusto Venâncio da SILVA

Árbitro em Direito

https://www.google.com/search?q=juiz+arbitral+c%C3%A9sar+augusto+venancio+da+silva&rlz=1C1CHBD_pt-
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Traduzido do Português para Inglês, Italiano, Francês.

EMENTA:

Capítulo I

Da Arbitragem e a capacidade de contratar em direitos patrimoniais


disponíveis.

I – Introdução à Arbitragem.

A arbitragem não constitui uma forma recente de


resolução de conflitos. Durante a Antiguidade, as diferentes comunidades
sociais e políticas já buscavam alternativas que não fossem morosas,
burocratizadas ou complexas para resolver problemas, visto que os negócios e
o comércio já exigiam respostas rápidas. Assim, não é nova a preocupação de
que os litígios não perdessem seu objeto, tornando o julgamento e a execução
desprovidos de eficácia e acarretando prejuízos para as partes interessadas.
No Brasil, há registros de utilização da arbitragem desde a colonização lusitana
- quando o artigo 294 do Código Comercial de 1850 previa a obrigatoriedade
da arbitragem nas causas entre sócios de sociedades comerciais, ao dispor
que "todas as questões sociais que se suscitarem entre sócios durante a
existência da sociedade ou companhia, sua liquidação ou partilha, serão
decididas em juízo arbitral". No âmbito do direito internacional, o Brasil também
teve participação expressiva em processos arbitrais. Um dos exemplos mais
notórios é o do Barão do Rio Branco, que esteve envolvido na resolução de
várias controvérsias que envolviam as fronteiras brasileiras. Deve ser
recordado que as questões de Palmas com a Argentina; do Amapá com a
França; e do Brasil com a Guiana inglesa foram todas resolvidas por intermédio
de arbitragem internacional.

A arbitragem é um método de resolução de conflitos


que alguns teóricos a resume como caracterizada pela informalidade, embora
com um procedimento escrito e com regras definidas por órgãos arbitrais bem
como também regradas pelas partes. Diferente da Mediação e da Conciliação
Extrajudicial na Arbitragem as partes envolvidas na controvérsia esperam uma
decisão com força de título executivo judicial. Ai surge à força jurídica
processual da arbitragem que finda com a prolação da sentença arbitral que
tem o mesmo efeito da sentença judicial, pois é obrigatória para as partes
envolvidas na controvérsia. Por envolver decisões proferidas no âmbito de um
mecanismo privado de resolução de controvérsias, a arbitragem desponta
como uma alternativa célere à morosidade do sistema judicial estatal. Para
recorrer à arbitragem, as partes devem estabelecer uma cláusula arbitral em
um contrato ou um simples acordo posterior à controvérsia, mediante a
previsão de compromisso arbitral. Em ambos os casos, é acionado um juízo
arbitral para solucionar controvérsia já configurada ou futura. Nessas hipóteses,
evita-se a instauração de um novo litígio no Poder Judiciário, salvo em
hipóteses bastante específicas que envolvam urgência, ou se surgirem
discussões a respeito da execução de uma sentença arbitral ou da validade em
si da arbitragem.

A arbitragem vem evoluindo e se especializando de


forma a oferecer decisões especializadas com maior brevidade processual, que
as demandas judiciais. A arbitragem costuma estar associada a outras formas
alternativas de resolução de controvérsias, como a conciliação e a mediação,
mas não se confunde com elas, por ter características próprias. Podemos
didaticamente dizer que na composição do Juízo Arbitral teremos: As partes, a
Câmara Arbitral como gestora dos procedimentos processuais e o Árbitro em
Direito, podendo ainda coexistir os demais árbitros que podem ser
especializados.

As pessoas capazes de contratar poderão valer-se


da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. A
administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para
dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. A autoridade ou o
órgão competente da administração pública direta para a celebração de
convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou
transações. A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério das
partes. Poderá as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão
aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à
ordem pública. Poderão, também, as partes convencionarem que a arbitragem
se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas
regras internacionais de comércio. A arbitragem que envolva a administração
pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade.

LUCIANO ALVES RODRIGUES DOS SANTOS, em


sua doutrina na obra aqui citada as folhas p. 50, assegura que “No Brasil, a
principal norma brasileira de referência para a arbitragem é a Lei Federal n.
9.307, de 23 de setembro de 1996 - que foi posteriormente alterada pela Lei
Federal n. 13.105/2015 (novo Código de Processo Civil) e pela Lei Federal n.
13.129/15. O artigo 1º da Lei Federal n. 9.307/1996 estipula que ‘as pessoas
capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios
relativos a direitos patrimoniais disponíveis."

A partir de 2015, com as modificações trazidas pela


Lei Federal n. 13.129/2015, a administração pública direta e indireta também
passou a ser autorizada a utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos
relativos a direitos patrimoniais disponíveis.

A definição do que sejam os direitos patrimoniais


disponíveis pode ensejar certa controvérsia. Em termos doutrinários, entende-
se que a disponibilidade abrange bens que possuem valor agregado e que,
nessa condição, podem ser negociados (vendidos, alugados ou cedidos), e
mesmo assim, deve-se atentar para o fato de que direitos indisponíveis, tais
como direitos de personalidade ou direitos coletivos, difusos e individuais
homogêneos, têm uma definição fluida na doutrina e na jurisprudência
brasileiras, dificultando a definição dos direitos disponíveis.

A arbitragem tem ganhado cada vez mais espaço


como alternativa legal ao Poder Judiciário brasileiro. As partes que compõem
tal procedimento costumam abdicar de seu direito de iniciar litígio judicial, ao
confiar em um ou em mais árbitros que, em geral, são especialistas na área.
Em relação ao prazo para encerramento do procedimento arbitral, o artigo 23
da Lei n. 9.307/1996 não estabelece prazo mínimo para a prolação da
sentença arbitral, mas determina que, se houver omissão das partes nesse
ponto, o prazo será de seis meses.

Atualmente, o Código Civil brasileiro faculta a


introdução nos contratos de cláusula compromissória para a solução de
divergências, na forma estabelecida em lei especial (Lei Federal n.
9.307/1996). Uma inovação importante da Lei Federal n. 9.307/1996 foi a
modificação da legislação anterior, a qual previa que o laudo (ou sentença)
arbitral deveria ser validado por um juiz de direito, através de um procedimento
judicial de homologação. Isso quase sempre demandava muito tempo e abria
margem para recursos da parte vencida, reduzindo a atratividade da
arbitragem. Com a lei de 1996, a sentença arbitral passou a ter a mesma
eficácia da sentença judicial, prescindindo de homologação de qualquer
natureza. Além disso, a cláusula de arbitragem inserida nos contratos passou a
ter força obrigatória entre as partes.

Nos termo e para os fins previstos no artigo 13 da


Lei Federal n. 9.307/1996, qualquer pessoa capaz e de confiança das partes
pode atuar como mediador ou árbitro. Recorrendo-se aos primeiros artigos do
novo Código Civil brasileiro, constata-se que as pessoas capazes são,
essencialmente, as maiores de 18 anos e em pleno gozo das faculdades
mentais e de manifestação da vontade. Com isso, exclui-se a necessidade de
qualquer formação na área de Direito ou em qualquer outro ramo do saber.
Muitas pessoas físicas e jurídicas recorrem a profissionais qualificados pelas
câmaras de conciliação, mediação e arbitragem, que garantem o suporte
necessário para a correta atuação dos profissionais, uma vez que uns números
consideráveis de procedimentos arbitrais envolvem discussões patrimoniais de
montantes significativos. O artigo 26 da Lei Federal n. 9.307/96 estipula, como
requisitos obrigatórios da sentença arbitral no Brasil, o relatório, os
fundamentos da decisão, o dispositivo e a data e o lugar. O artigo 32 da
mesma norma prevê as hipóteses de nulidade da sentença arbitral. Quando for
necessário verificar a validade e a produção de efeitos de atos arbitrais
internacionais no ordenamento jurídico brasileiro, é recomendável a leitura dos
regimentos internos dos tribunais superiores brasileiros, uma vez que
procedimentos específicos podem ser necessários. Em termos de políticas
para a consolidação da arbitragem no país, deve-se recordar que o Conselho
Nacional de Justiça estipulou, na Meta 2 da Corregedoria Nacional de Justiça
para o ano de 2015, a implantação das varas especializadas em arbitragem.
Por meio dessa medida, previu-se "a transformação de duas varas cíveis de
cada capital em juízos especializados no processamento e julgamento de
conflitos decorrentes da Lei de Arbitragem". Há órgãos privados que efetuam
um importante papel de difusão e de utilização da arbitragem no país. Como
exemplos exemplificativos podem ser mencionados o Centro de Arbitragem e
Mediação da Câmara de Comércio Brasil Canadá (CAM-CCBC), a primeira do
país, a Câmara Brasileira de Mediação e Arbitragem Empresarial (CBMAE) e a
Câmara Latino-Americana de Mediação e Arbitragem (CLAMARB). Para a
arbitragem online, ressalta-se o papel da Arbitranet e da Câmara de Arbitragem
Digital (CAD), que oferecem procedimentos de mediação e de arbitragem pela
Internet. Por último, desde 2007 existe a Arbitragem “Ad-doc” levada a termo
pela Comissão de Justiça e Cidadania do Instituto de Ensino, Pesquisa,
Extensão e Cultura, que agora, em 2020 decidi se formalizar como gestora de
procedimentos arbitrais – CÂMARA DE ARBITRAGEM, MEDIAÇÃO E
CONCILIAÇÃO.

II - Capacidade de contratar.

Um dos elementos essenciais para a inicialização da


arbitragem como Processo Arbitral formal é a capacidade jurídica. O que leva
no mundo social a “capacidade para contratar”. Porém, se observa que embora
seja elemento essencial para validade e eficácia da arbitragem, ainda há
necessidade de maior firmação processual-arbitral e sedimentação doutrinária,
além de experiência amparada na visão jurisprudencial em relação a alguns
aspectos de seu alcance prático.

A legislação civil não suprime o direito do incapaz de


contratar. Esta incapacidade só se opera por parte de incapaz se este não
estiver devidamente representado ou não forem obtidas as autorizações
previstas na legislação civil para a contratação. Com efeito, não obstante a
referência expressa da Lei de Arbitragem, o entendimento acerca da supressão
da faculdade legal do incapaz de contratar a arbitragem deve ser interpretado
com ponderação, merecendo atenção por parte do Árbitro, o entendimento de
que a vedação se estabeleceria apenas às situações em que não se fizerem
presentes os requisitos de validade e eficácia que dão guarida à diligente
representação do incapaz para contratar.

Ressalte se que quando ocorrer à hipótese da


incapacidade de forma superveniente à convenção de arbitragem, entendemos
que tal contratação deve ser respeitada – assim como remanescem válidas e
eficazes todas as demais obrigações assumidas pelo incapaz antes do advento
da incapacidade –, devendo o representante legal representar o incapaz nos
atos relativos à instituição da arbitragem e no procedimento arbitral.

Acredito que a intervenção do Ministério Público


previsto no Código de Processo Civil parece referir-se estritamente ao
processo judicial estatal e, do mesmo modo que diversos atos extrajudiciais do
incapaz podem ser consumados através de seu representante legal sem a
participação do Ministério Público, assim poderiam ser consumados os atos
relativos à instituição da arbitragem e à participação em procedimento arbitral.

A Lei de Arbitragem parece não ter tratado da


situação do relativamente incapaz contratar e valer-se da arbitragem. Assim,
exige-se apenas que aquele seja devidamente assistido nos atos necessários
para contratação da arbitragem e participação em procedimento arbitral.
II – 1 - O Ministério Público no novo Código de Processo Civil e a sua
intervenção direta ou indireta no Processo Arbitral.

Está em vigor a Lei Federal número 13.105, de 16


de março de 2015. Esse ordenamento jurídico traz inúmeras inovações e
alterações em relação ao atual texto, sendo quem neste tópico limito-me ao
tema que interessa-nos particularmente no tocante à atuação do Ministério
Público e ao seu tratamento processual, merecendo destaque alguns tópicos
neste espaço, o que se dará em duas vertentes teóricas.

Aqui surge uma provocação em relação ao MP e ao


Juízo Arbitral, sendo que a presente abordagem não tem a pretensão de
esgotar o tema ou de abranger toda a matéria atinente ao MP, mas apenas de
indicar os principais tópicos de interesse no dia a dia da instituição arbitral.

É bom frisar, desde sempre que existe uma


adequação do novo código ao texto constitucional ao dispor que o Ministério
Público atuará na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos
interesses e direitos sociais e individuais indisponíveis, conforme disposto no
artigo 176, que praticamente reproduz o artigo 127 da CF.

Quanto às hipóteses de intervenção do MP (artigo


178), chama a atenção que o novel texto não mais faz referência expressa às
causas concernentes ao estado da pessoa, pátrio poder, curatela, interdição,
casamento, declaração de ausência e disposições de última vontade (artigo 82,
II, do atual CPC).

Logo, abre-se a possibilidade de não intervenção em


algumas hipóteses, como nos casos de investigação de paternidade entre
partes maiores e capazes, inclusive a arbitragem, o inventário em sede de
Juízo Arbitral entre outros.

Na curatela, no poder familiar, na interdição, a


atuação se justifica ante a existência de interesse de pessoa incapaz, sendo
certo haver expressado previsão de intervenção do Ministério Público nas
ações de família somente quando houver interesse de incapaz (artigo 698), o
que vem a formalizar ato interno de racionalização de serviços. Permanece a
possibilidade de ajuizamento de ação de anulação de casamento por força do
artigo 1.549 do Código Civil.

Dispôs o artigo 178 do novo CPC que o Ministério


Público será intimado para, no prazo de 30 dias, intervir como fiscal da ordem
jurídica nas hipóteses previstas em lei ou nos casos em que envolvam
interesse público ou social, interesse de incapaz e nos litígios coletivos pela
posse de terra rural ou urbana.

Como fiscal da ordem jurídica, terá vista após as


partes e será intimado pessoalmente de todos os atos do processo (artigo 179,
I), gozando de prazo em dobro para manifestação (artigo 180), salvo quando
houver previsão de prazo próprio estabelecido para o Ministério Público.
Permanece sua responsabilidade civil quando no exercício de suas funções
agir com dolo ou fraude (artigo 181). A intimação se fará mediante carga,
remessa ou meio eletrônico (artigo 183, parágrafo 1º).

O legislador brasileiro e a sociedade no geral


buscam meios de celeridades nas resoluções de conflitos, e ai surge
consagrado na Constituição Federal, em seu art. 5º, LXXVIII, o princípio da
celeridade processual como uma reflexão dos anseios sociais pela procura de
novas alternativas de Justiça, a fim de modernizar a máquina judiciária estatal,
que está repletas de ritos processuais obsoletos e de uma burocracia
incompatível com os avanços tecnológicos e a celeridade das relações sociais
nas ultimas décadas.

Assim, surgem no ordenamento jurídico duas leis


federais que fortalece o Instituto Jurídico da Arbitragem. Observemos que
nesse contexto ressurge a arbitragem, pela Lei Federal nº 9.307 de 23 de
setembro de 1996, refletindo a preocupação do legislador brasileiro em adaptar
os valores da sociedade brasileira ao ordenamento jurídico pátrio com as
tendências mundiais, bem como oferecer ao corpo social um meio de
composição de conflitos alternativo, célere, informal, que prima pela autonomia
das partes.
A Arbitragem deve ser protegida de atitudes e
comportamentos que podem induzir as fraudes processuais arbitrais, assim, é
relevante entender que entre as alternativas apropriadas a se evitar a hipótese
de fraudes no proferimento da sentença arbitral, bem como de coação, ou
qualquer outro vício que macule a vontade das partes em se valer da via
arbitral, surge à figura do Ministério Público como árbitro. O Ministério Público
Estadual ou Federal é a nosso entender um órgão imparcial, de integridade
reconhecida no seio social, cujos membros são detentores de prerrogativas
legais, a fim de resguardar sua independência funcional, o Parquet pode
desempenhar tal função de maneira salutar, concretizando o intuito do
legislador pátrio ao criar a Lei de Arbitragem: a rápida e eficiente solução dos
impasses sociais.

II – 2 –A Arbitragem e o Ministério Público.

Os críticos da jurisdição arbitral alegam que a


arbitragem como forma jurídica de composição de conflitos, vislumbra a
influência do liberalismo na elaboração da Lei Federal nº 9.307/1996.

José de Albuquerque Rocha alega que (...) “a


arbitragem seria uma resposta do liberalismo à crise do Judiciário. Todavia,
cremos que, ainda que a arbitragem traga em seu bojo o ideal liberalista (ou
neoliberalista) pode sim surgir como alternativa ao caos vivido pelo Judiciário
atualmente”.

A atividade da arbitragem enquanto atividade


processual requer por parte dos árbitros, cautelas que devem ser adotas, a fim
de que seja prolatada uma sentença arbitral isenta, apta juridicamente a
pacificar as relações no seio social.

O Ministério Público tem uma atuação representativa


como árbitro, e neste sentido se adota como ferramenta o comando legal
referente à esfera trabalhista:. Exemplo: O artigo 83, inciso XI, da Lei
Complementar Federal nº 75/1993, que segue diretrizes regulamentar na
Resolução nº 44, de 1999, do Conselho Superior do Ministério Público do
Trabalho.

Normas citadas “In verbis”: Art. 83. Compete ao


Ministério Público do Trabalho o exercício das seguintes atribuições junto aos
órgãos da Justiça do Trabalho: [...] XI - atuar como árbitro, se assim for
solicitado pelas partes, nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho;
Art. 1º As atividades de arbitragem no âmbito do Ministério Público do Trabalho
serão exercidas por Membros do Ministério Público do Trabalho, conforme
previsão do art. 83, inciso XI, da Lei Complementar n 75/93, escolhidos pelas
partes. Art. 2º Poderão ser objeto de arbitragem os dissídios de competência
da Justiça do Trabalho. Art. 3º A arbitragem poderá ser iniciada pela vontade
conjunta de todos os conflitantes ou por um deles, mediante a convenção de
arbitragem. § 1º Havendo iniciativa conjunta de todos os conflitantes, o pedido
de arbitragem será autuado e distribuído ao Membro escolhido que tomará as
providências necessárias. §2º No caso de iniciativa de apenas parte dos
envolvidos no conflito, deverá o Membro escolhido dar conhecimento aos
conflitantes que ainda não se manifestaram para que informem se aceitam a
atuação do Ministério Público do Trabalho e a sua indicação. § 3º Não havendo
a aceitação de todos os conflitantes será arquivado o processo de arbitragem.
Art. 4º A arbitragem se regerá pelas regras previstas na legislação em vigor.
Art. 5º Concluída a arbitragem, segundo os parâmetros legais em vigor, o
processo será encerrado com relatório final circunstanciado. Parágrafo único -
O processo de arbitragem será arquivado na Procuradoria de origem,
independentemente de homologação, devendo ser encaminhada cópia do
relatório final à Câmara de Coordenação e Revisão, no prazo de três dias. Art.
6º O descumprimento dos prazos previstos nesta Resolução implica em
responsabilização de quem lhe der causa, na forma do Título III, Capítulo III da
Lei Complementar nº 75/1993, não gerando, no entanto, qualquer nulidade dos
resultados obtidos. Art. 7º Esta Resolução entra em vigor na data de sua
publicação.

II – 3 – Regulamentação do Ministério Público em face da Arbitragem.