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Efeito

fotoelétrico
Dentre os fenômenos observados experimen-
talmente durante o efeito fotoelétrico, é possível
destacar as seguintes características:
•• a energia dos elétrons emitidos pela super-
fície depende da frequência da radiação
O efeito fotoelétrico foi descoberto em 1887 incidente, e não da sua intensidade;
pelo físico Heinrich Hertz (1857-1894) durante suas
•• o aumento da intensidade da radiação inci-
pesquisas sobre a geração e a detecção de ondas
dente provoca apenas um aumento do núme-
eletromagnéticas. No entanto, admitindo a natureza
ro de elétrons emitidos;
ondulatória da luz, a Física Clássica não foi capaz
de dar uma explicação satisfatória para o fenômeno. •• os elétrons são emitidos instantaneamente
Somente em 1905, o físico alemão naturalizado na pela superfície metálica.
Suíça, Albert Einstein (1879-1955), com apenas 26
Tais características não puderam ser explicadas
anos, publicou no Anuário Alemão de Física três arti-
de forma satisfatória pela Física Clássica, que defende
gos que mudariam a história da Física, entre eles um
a natureza ondulatória da luz. Em 1905, Einstein pro-
sobre o efeito fotoelétrico, em que ele reconsiderou a
pôs uma nova teoria a respeito da natureza da luz.
natureza corpuscular da luz. Esse trabalho lhe rendeu
o Prêmio Nobel de Física em 1921 e tornou-se um dos
fundamentos da Física moderna, proporcionando Hipótese de Einstein
um grande avanço científico e tecnológico no século
XX. A natureza dual da luz e a explicação moderna Segundo Einstein, a luz e as demais ondas ele-
desse fenômeno são alguns dos assuntos abordados tromagnéticas são formadas de pequenos pacotes
neste tópico. de energia (quanta) chamados de fótons (teoria
corpuscular da luz).
O efeito fotoelétrico – Domínio público.

descrição
O efeito fotoelétrico consiste na emissão de elé-
trons de uma superfície metálica, devido à incidência
de radiação eletromagnética sobre esta. Os elétrons
arrancados do metal pela radiação incidente são
chamados de fotoelétrons.
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Albert Einstein.
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Durante o efeito fotoelétrico, cada fóton atinge
um único elétron, transferindo-lhe toda a sua ener-
Frequência de corte e
gia. A energia de cada fóton é a mesma proposta por comprimento de onda de
Max Karl Ernest Ludwig Planck (1858-1947) para a
radiação do corpo negro, em que ele lança a ideia corte
da quantização da energia radiante. A equação que
expressa a energia de cada fóton é dada por: Para que os fotoelétrons sejam emitidos do
metal, é necessário que os fótons da radiação inci-
Efóton = h . f dente tenham um valor de energia mínima superior
à função trabalho do metal. Isso corresponde a um
Onde f é a frequência da radiação eletromag- valor de frequência mínima da onda incidente, cha-
nética e h é a chamada constante de Planck e seu mada de frequência de corte. Esse valor também é
valor é igual a: característico de cada material e pode ser calculado
h = 6,63 . 10–34J . s ou h = 4,14 . 10–15eV . s com a seguinte equação:

W0
f0 =
Função trabalho h

Para que o efeito fotoelétrico ocorra, é necessá-


Esse valor da frequência de corte corresponde
rio que a energia dos fótons seja maior que a energia
a um comprimento de onda chamado de compri-
de ligação dos elétrons presos ao metal.
mento de onda de corte. A equação que expressa o
comprimento de onda de corte para um determinado
IESDE Brasil S.A.

metal é dada por:

h.C
λ0 =
W0

A frequência de corte e a função trabalho de


um determinado metal são mostradas no gráfico a
seguir:
Essa energia mínima é chamada função trabalho Emax
e seu valor é característico de cada metal. A tabela a
seguir mostra alguns exemplos dos valores da função
trabalho para alguns metais.

Metal Função trabalho (eV) f0 f


Sódio 2,28 W0
Alumínio 4,08
Zinco 4,31
Ferro 4,50
Prata 4,73
Dualidade onda-partícula
A energia cinética máxima de cada fotoelétron A luz e as demais ondas eletromagnéticas, ao se
emitido no efeito fotoelétrico é dada pela energia do propagarem no espaço, comportam-se como ondas e,
fóton absorvida pelo elétron menos a energia neces- ao interagirem com a matéria, comportam-se como
sária para romper a ligação com o metal. A equação partículas. Isso é o que diz basicamente a teoria da
que expressa a energia cinética máxima de cada dualidade onda-partícula para a luz.
fotoelétron é dada por:
No ano de 1924, um físico francês chamado
Emáxima = h . f – W0 Louis Victor De Broglie apresentou a hipótese de
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que não apenas a luz, mas toda a matéria apresenta


caráter dual. A sua hipótese foi testada e compro-
Sendo W0 a função trabalho. vada no ano de 1927 pelos físicos norte-americanos
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Clinton Joseph Davisson e Lester Halbert Gelmer,
emprego de aparelhos fotoelétricos permitiu
que verificaram o fenômeno da difração acontecendo
construir maquinaria capaz de produzir peças
com um feixe de elétrons. Até então, sabia-se que a
sem intervenção alguma do homem. Os apa-
difração era uma característica presente apenas em
relhos cujo funcionamento assenta no apro-
fenômenos ondulatórios. Como um feixe de elétrons é
veitamento do efeito fotoelétrico controlam o
constituído de partículas, ficou comprovado o caráter
tamanho das peças melhor do que o pode fazer
dual da matéria.
qualquer operário, permitem acender e desli-
De Broglie deduziu uma expressão para o com- gar automaticamente a iluminação de ruas, os
primento de onda e de uma partícula de massa m faróis etc.
viajando com velocidade v, a saber:
Tudo isso tornou-se possível devido à inven-
h ção de aparelhos especiais, chamados células
= fotoelétricas, em que a energia da luz controla
Q
a energia da corrente elétrica ou se transforma
em corrente elétrica.
Onde Q é a quantidade de movimento da partí-
Uma célula fotoelétrica moderna consta de
cula. A partir da teoria de De Broglie, estabeleceu-se a
um balão de vidro cuja superfície interna está
Mecânica Quântica, com os trabalhos de físicos notá-
revestida, em parte, de uma camada fina de
veis como Werner Heisenberg e Erwin Schroedinger.
metal com pequeno trabalho de arranque. É o
Essa nova teoria surgiu para mudar completamente
cátodo. Através da parte transparente do balão,
a compreensão do homem a respeito da natureza, in-
dita “janelinha”, a luz penetra no interior dela.
correndo em importantes implicações tecnológicas e
No centro da bola há uma chapa metálica que é o
principalmente filosóficas sobre o universo.
ânodo e serve para captar elétrons fotoelétricos.
O ânodo liga-se ao polo positivo de uma pilha.
As células fotoelétricas modernas reagem à luz
visível e até aos raios infravermelhos.
Quando a luz incide no cátodo da célula
fotoelétrica, no circuito produz-se uma corrente
elétrica que aciona um relé apropriado. A com-
binação da célula fotoelétrica com um relé per-
A célula fotoelétrica mite construir um sem-número de dispositivos
capazes de ver, distinguir objetos. Os aparelhos
Domínio público.

de controle automático de entrada no metrô


constituem um exemplo de tais sistemas. Esses
aparelhos acionam uma barreira que impede o
avanço do passageiro, caso este atravesse o
feixe luminoso sem ter previamente introduzido
a moeda necessária.
Os aparelhos desse tipo tornam possível
a prevenção de acidentes. Por exemplo, nas
empresas industriais uma célula fotoelétrica
faz parar quase instantaneamente uma prensa
potente e de grande porte se, digamos, o braço
dum operário se encontrar, por casualidade, na
A descoberta do efeito fotoelétrico teve
zona de perigo.
grande importância para a compreensão mais
profunda da natureza da luz. Mas o valor da A figura a seguir esquematiza uma célula
ciência consiste não só em esclarecer-nos a fotoelétrica.
estrutura complexa do mundo que nos rodeia,
G A
como em fornecer-nos os meios que permitem T
aperfeiçoar a produção e melhorar as condições R1
de trabalho e de vida da sociedade. R B
Graças ao efeito fotoelétrico, tornou-se F Pi1 Pi2 Relé eletro-
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possível o cinema falado, assim como a trans- magnético


C
missão de imagens animadas (televisão). O

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Esse resultado é extremamente pequeno; para se ter
Quando a luz incide na célula, no circuito
uma ideia de ordem de grandeza, as distâncias típicas
da pilha Pi1 produz-se uma corrente elétrica
consideradas para as dimensões do núcleo atômico em
de pequena intensidade que atravessa a re-
física nuclear são da ordem de 10–15m! Esse resultado
sistência R, cujas extremidades estão ligadas
mostra o porquê de as características ondulatórias da
à grelha e ao cátodo do tríodo T. O potencial
matéria não serem perceptíveis, motivo pelo qual passa-
do ponto G (grelha) é inferior ao do ponto C
ram despercebidas da intuição dos grandes pensadores
(cátodo). A válvula, nessas condições, não
da Física Clássica.
deixa passar a corrente elétrica e, portanto, no
circuito anódico do tríodo não há corrente. Se
a mão ou o braço do operário se encontrar, por
casualidade ou negligência, na zona de perigo,
faz com que seja cortado o fluxo luminoso que
normalmente incide na célula fotoelétrica. A 1. Selecione a alternativa que apresenta as palavras que
válvula fica aberta e, através do enrolamento do completam corretamente as três lacunas, respecti-
relé eletromagnético ligado ao circuito anódico, vamente, no seguinte texto relacionado com o efeito
passa a corrente elétrica, acionando o relé cujos fotoelétrico.
contatos fecham o circuito de alimentação do
mecanismo responsável por parar a prensa. O efeito fotoelétrico, isto é, a emissão de .......... por
metais sob a ação da luz, é um experimento dentro
de um contexto físico extremamente rico, incluindo
a oportunidade de pensar sobre o funcionamento
do equipamento que leva à evidência experimental
relacionada com a emissão e a energia dessas partículas,
bem como a oportunidade de entender a inadequacidade
1. A função trabalho do zinco é 4,3eV. Um fotoelétron do da visão clássica do fenômeno. Em 1905, Einstein fez
zinco é emitido com uma energia cinética máxima de a suposição revolucionária de que a luz, até então
4,2eV. Qual a frequência do fóton incidente no zinco? considerada como um fenômeno ondulatório, poderia
Considere h = 4,14 . 10–15eV . s. também ser concebida como constituída por conteúdos
energéticos que obedecem a uma distribuição .........., os
`` Solução: quanta de luz, mais tarde denominados .......... .
A frequência do fóton incidente no zinco pode ser calcu- a) fótons – contínua – fótons.
lada usando a equação da energia cinética máxima do
b) fótons – contínua – elétrons.
fotoelétron emitido.
c) elétrons – contínua – fótons.
Emáxima = h . f – W0
d) elétrons – discreta – elétrons.
4,2 = 4,14 . 10–15 . f – 4,3
e) elétrons – discreta – fótons.
4,2 + 4,3 = 4,14 . 10–15 . f
2. Elétrons são emitidos quando um feixe de luz incide
8,5 = 4,14 . 10–15 . f
numa superfície metálica. A energia dos elétrons emiti-
8,5 f = 2,05 . 1015Hz dos por essa superfície metálica depende:
f=
4,14 . 10–15
a) apenas da intensidade da luz.
2. Considere uma partícula de massa igual a 10g, movendo-
se com uma velocidade de 10m/s (ou seja, 36km/h). b) apenas da velocidade da luz.
Calcule o comprimento de onda associado ao movi- c) da intensidade e da velocidade da luz.
mento ondulatório dessa partícula.
d) apenas da frequência da luz.
`` Solução: e) da intensidade e da frequência da luz.
Aplicando a equação de De Broglie, considerando a 3. O que ocorre no efeito fotoelétrico quando se aumenta
constante de Planck h = 6,63 . 10–34J . s: apenas a intensidade da luz incidente na superfície
fotoelétrica?
6,63 . 10–34
= 6,63 . 10
–34
=
10 . 10–3 . 10 10–1 a) A energia cinética de cada fotoelétron emitido au-
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menta.
= 6,63 . 10–33m
b) A energia de cada fóton aumenta.
4
c) O comprimento de onda da luz aumenta.
d) A frequência de corte aumenta.
e) O número de elétrons emitidos por unidade de
1. A energia de um fóton é diretamente proporcional à sua
tempo aumenta.
frequência, com a constante de Planck, h, sendo o fator
4. Quando a luz incide sobre uma fotocélula ocorre o evento de proporcionalidade. Por outro lado, pode-se associar
conhecido como efeito fotoelétrico. Nesse evento: massa a um fóton, uma vez que ele apresenta energia
(E = mc 2) e quantidade de movimento. Assim, a
a) é necessária uma energia mínima dos fótons da luz
quantidade de movimento de um fóton de frequência f
incidente para arrancar os elétrons do metal.
propagando-se com velocidade c se expressa como:
b) os elétrons arrancados do metal saem todos com a
a) c2/hf
mesma energia cinética.
b) hf/c2
c) a quantidade de elétrons emitidos por unidade de
tempo depende do quantum de energia da luz in- c) hf/c
cidente.
d) c/hf
d) a quantidade de elétrons emitidos por unidade de
e) cf/h
tempo depende da frequência da luz incidente.
2. (UFC) Quanto ao número de fótons existentes em 1
e) o quantum de energia de um fóton da luz incidente
joule de luz verde, 1 joule de luz vermelha e 1 joule de
é diretamente proporcional à sua intensidade.
luz azul, podemos afirmar, corretamente, que:
5. Entre as radiações eletromagnéticas mencionadas nas
a) existem mais fótons em 1 joule de luz verde que em
alternativas, qual tem fótons de maior energia?
1 joule de luz vermelha e existem mais fótons em 1
a) Microondas. joule de luz verde que em 1 joule de luz azul.
b) Infravermelho. b) existem mais fótons em 1 joule de luz vermelha que
em 1 joule de luz verde e existem mais fótons em 1
c) Raios X.
joule de luz verde que em 1 joule de luz azul.
d) Ultravioleta.
c) existem mais fótons em 1 joule de luz azul que em 1
e) Luz visível. joule de luz verde e existem mais fótons em 1 joule
de luz vermelha que em 1 joule de luz azul.
6. Qual o gráfico que melhor representa a relação entre
a energia E de um fóton e o comprimento de onda d) existem mais fótons em 1 joule de luz verde que em
da luz? 1 joule de luz azul e existem mais fótons em 1 joule
de luz verde que em 1 joule de luz vermelha.
a) E
e) existem mais fótons em 1 joule de luz vermelha que
em 1 joule de luz azul e existem mais fótons em 1
joule de luz azul que em 1 joule de luz verde.
b) E 3. (UFSC) Assinale a(s) proposição(ões) correta(s).
(01) Devido à alta frequência da luz violeta, o “fóton vio-
leta” é mais energético do que o “fóton vermelho”.

c) E (02) A difração e a interferência são fenômenos que


somente podem ser explicados satisfatoriamente
por meio do comportamento ondulatório da luz.
(04) O efeito fotoelétrico somente pode ser explicado
d) E satisfatoriamente quando consideramos a luz for-
mada por partículas, os fótons.
(08) A luz, em certas interações com a matéria, com-
porta-se como uma onda eletromagnética; em
e) E outras interações ela se comporta como partícula,
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como os fótons no efeito fotoelétrico.

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(16) O efeito fotoelétrico é consequência do compor- direção de propagação e por unidade de tempo. De
tamento ondulatório da luz. acordo com Einstein, a luz é constituída por partículas,
denominadas fótons, cuja energia é proporcional à sua
Soma ( )
frequência.
4. (UFC) O gráfico mostrado a seguir resultou de uma
Luz monocromática com frequência de 6 . 1014Hz e
experiência na qual a superfície metálica de uma célula
intensidade de 0,2J/m2 . s incide perpendicularmente
fotoelétrica foi iluminada, separadamente, por duas fontes
sobre uma superfície de área igual a 1cm2. Qual o
de luz monocromática distintas, de frequências v1 = 6,0
número aproximado de fótons que atinge a superfície
. 1014Hz e v2= 7,5 . 1014Hz, respectivamente. As energias
em um intervalo de tempo de 1 segundo? (Constante
cinéticas máximas, K1 = 2,0eV e K2 = 3,0eV, dos elétrons
de Planck: h = 6,63 . 10-34J . s)
arrancados do metal, pelos dois tipos de luz, estão in-
dicadas no gráfico. A reta que passa pelos dois pontos a) 3 . 1011
experimentais do gráfico obedece à relação estabelecida b) 8 . 1012
por Einstein para o efeito fotoelétrico, ou seja,
c) 5 . 1013
K = hv –
d) 4 . 1014
Onde h é a constante de Planck e é a chamada função
trabalho, característica de cada material. e) 6 . 1015
Baseando-se na relação de Einstein, o valor calculado
de , em elétron-volts, é:
K(eV)

3,0

2,0

0,0 6,0 7,5 v(x 1014Hz)

a) 1,3
b) 1,6
c) 1,8
d) 2,0
e) 2,3
5. Suponha uma fonte luminosa de potência 100W (100J/s)
no intervalo ótico de comprimento de onda = 6 . 10-7m.
Esses fótons viajam à velocidade da luz, c = 3 . 108m/s.
A energia transportada por fóton para esse intervalo
ótico e o número de fótons emitidos por segundo valem,
respectivamente, cerca de:
a) 3,3 . 10–19J/fóton e 3,0 . 1020fótons/s.
b) 9,3 . 10–19J/fóton e 6,0 . 1020fótons/s.
c) 1,2 . 10–19J/fóton e 2,0 . 1020fótons/s.
d) 6,5 . 10–19J/fóton e 4,0 . 1020fótons/s.
e) 5,0 . 10–19J/fóton e 8,0 . 1020fótons/s.
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6. A intensidade luminosa é a quantidade de energia que


a luz transporta por unidade de área transversal à sua
6
1. E
2. D
3. E
4. A
5. C
6. E

1. C
2. B
3. 15 (01+02+04+08)
4. D
5. A
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6. C

7
8
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