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RESUMO

Este estudo apresenta uma reflexão sobre a importância do processo de


mediação escolar para o educando com necessidades educacionais especiais, na
perspectiva de professores e mediadores escolares. A pesquisa bibliográfica
realizada mostrou um avanço nas ações relativas ao atendimento educacional
especializado no Brasil, enquanto uma Política Educacional. O presente trabalho
tem por objetivo compreender o papel do mediador escolar e sua importância no
processo de inclusão dos alunos com Necessidades Educacionais Especiais
(NEE’s). Para tanto, foram realizados um estudo bibliográfico e uma pesquisa de
campo. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários e da
observação de campo. Participaram da pesquisa 46 professores e 10 mediadores
que atuam na educação básica da rede pública do município de Campos dos
Goytacazes, RJ. A pesquisa empírica revelou que mesmo existindo na rede
regular de ensino um trabalho já voltado para a educação inclusiva, muitos são os
desafios a serem superados, principalmente com relação à mediação escolar.

Palavras-chave: Educação Especial; Mediação Escolar; Deficiência.


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CAPÍTULO 1: REVISÃO DE LITERATURA

1.1. Atendimento Educacional Especializado (AEE)

A Constituição Federal do Brasil de 1988 previu o Atendimento


Educacional Especializado (AEE) quando em seu art. 208, inciso III, determina
que o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência
ocorra, preferencialmente, na rede regular de ensino.

O AEE não é uma novidade, na medida em que, na modalidade da


Educação Especial, na década de 1970, já se previa a “sala de recursos” com o
objetivo de incluir os educandos com deficiência no ensino regular.

A proposta de sala de recursos visava, por um lado, a superar o


persistente hiato entre a Educação Especial e a integração dos alunos
deficientes, oferecendo um modelo simultaneamente operatório e
decorrente das necessidades específicas de cada deficiência e, por
outro, apontava para uma normalização das condições de escolarização
para indivíduos muito diferentes (ARNAL, 2007 apud BONDEZAN;
GOULART, 2013, p.4).

Os principais documentos contemporâneos que amparam a política de


inclusão por meio dos serviços especializados são a Resolução nº 4, de 2 de
outubro de 2009, que determina as Diretrizes Operacionais para o Atendimento
Educacional Especializado na Educação básica, modalidade Educação Especial,
e o Decreto n° 7.611/11, que trata sobre o atendimento especializado, educação
especial e outras disposições. Esses documentos representam um grande avanço
na luta pelo direito de uma educação inclusiva e de qualidade, oportunizando a
compreensão da Educação Especial como aquela oferecida não mais de forma
afastada da escola regular, mas sim vinculada.

O atendimento educacional especializado, em conformidade com o artigo


1º da Resolução n° 4/2009, deve ser “ofertado nas salas de recursos
multifuncionais ou em centros de atendimento educacional especializado de rede
pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins
lucrativos”, e esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos
alunos visando à autonomia e à independência na escola e fora dela.
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Ainda de acordo com a Resolução n° 4/2009, o AEE (enquanto um


serviço da Educação Especial) aponta, constrói e organiza recursos pedagógicos
e de acessibilidade que retirem os obstáculos para a participação integral dos
educandos, levando em conta suas próprias necessidades. É um atendimento
proposto a discentes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e
altas habilidades/superdotação, devendo ser realizado, preferencialmente, na
própria escola que o educando estuda, no contraturno da turma regular
frequentada pelo mesmo.

O AEE tem como função complementar ou suplementar a formação do


aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de
acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena
participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem
(BRASIL, 2009).

Segundo Garcia (2008 apud BONDEZAN; GOULART, 2013, p. 3), “os


atendimentos especializados expressam uma concepção de inclusão escolar que
considera a necessidade de identificar barreiras que impedem o acesso de alunos
considerados diferentes”. Respeitando a diferença, o propósito da
responsabilidade educativa deve ser o de proporcionar possibilidade de ensino a
todos.

Para Bondezan e Goulart (2013), a Política Educacional do Brasil supõe


que aconteça na rede regular de ensino ou em instituições especializadas um
atendimento educacional especializado, que seja um amparo, a fim de que a
educação inclusiva ocorra em nosso país. Para alcançar este objetivo, faz-se
necessário o trabalho cooperativo entre os docentes da sala regular e do AEE.

Segundo Braune Vianna (2011), o AEE deve garantir a permanência do


aluno na escola regular, possibilitando acesso ao currículo, por meio da
acessibilidade física, estruturas adaptadas, oferecimento de transporte, mobília e
materiais adequados e acesso a sistemas de comunicação. Com o acesso
ofertado, o AEE possibilita também a elaboração e a organização de materiais
didáticos e pedagógicos, estratégias diferenciadas, instrumentos de avaliação
apropriados às necessidades do educando para que sua permanência na escola
seja efetivada, possibilitando ao aluno desenvolvimento acadêmico e pessoal.
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Fávero, Pantoja e Mantoan (2007) afirmam que o Atendimento


Educacional Especializado deve ser acessível durante toda educação básica,
preferencialmente, na rede regular de ensino. Assim, o meio escolar torna-se
mais apropriado para assegurar o convívio do educando com crianças da mesma
idade, estimulando a interação que pode favorecer seu desenvolvimento
cognitivo, motor e afetivo.

1.2. Da Mediação Escolar

De acordo com Mousinho et al. (2010), no Brasil, o mediador escolar


surgiu para auxiliar as crianças que precisavam de suporte na sala de aula, sendo
orientado por profissionais que acompanhavam a criança nas terapias de apoio,
possibilitando trocas com a escola. Gradualmente, essa função foi se
especializando e expandindo, tornando-se progressivamente assídua nas
escolas. Sendo assim, faz-se indispensável destacar o trabalho de mediação
escolar e elaborar trabalhos científicos que ressaltem a importância dessa função,
possibilitando a reflexão sobre os caminhos reais rumo à inclusão para amparar
satisfatoriamente as crianças que precisam destas adaptações.

Para Carvalho (2017), a mediação escolar tornou-se mais comum a partir


da Declaração de Salamanca (1994). Desde então, as escolas precisaram incluir
crianças que necessitam de um auxílio mais especializado na sala de aula
regular. Contudo, exercer o direito à educação para todos não se resume
simplesmente a fazer o que está na lei, aplicando-a de forma indiscriminada às
situações pedagógicas que abrangem o cotidiano dos educandos. Para a autora,
o mediador escolar é um profissional que ampara o aluno no processo de
adaptação afetiva e acadêmica.

A Declaração de Salamanca é um documento que foi criado para


apontar aos países a necessidade de políticas públicas e educacionais
que venham a atender a todas as pessoas de modo igualitário
independente das suas condições pessoais, sociais, econômicas e
socioculturais. A declaração destaca a necessidade da inclusão
educacional dos indivíduos que apresentam necessidades educacionais
especiais (SANTOS, TELES, 2012, p. 81).
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Segundo Vargas e Rodrigues (2018), a prática da mediação escolar não


acontece em todas as escolas, e a procura pelo mediador pode ocorrer por parte
da escola, família e, ainda, por profissionais de saúde que assistem a criança.

As autoras afirmam, ainda, que a prática de mediação “encontra subsídio


legal na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Nº 13.146/2015) e
na Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do
Espectro Autista (Nº 12.764/2012)”. É oportuno ressalvar que, embora essas
legislações não façam referência à expressão “mediação escolar”, elas
asseguram ao sujeito com deficiência um profissional de apoio escolar ou
acompanhante especializado, como se pode verificar:

Art. 28. Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver,


implementar, incentivar, acompanhar e avaliar:
[...]
XVII – oferta de profissionais de apoio escolar (BRASIL, 2015).

Segundo Freitas (2015), o mediador atua em conjunto com o professor e


com os demais envolvidos no processo, inclusive alunos, oferecendo um suporte
prático e teórico à aprendizagem deles. Esse atendimento, normalmente, é feito
na sala de aula regular. Além disso, apresenta-se com um profissional que
orientará a pessoa com necessidades educacionais especiais, realizando uma
observação do trabalho a ser efetuado, considerando as suas demandas, as
possibilidades do desenvolvimento das etapas e as factibilidades de execução
para se atingirem os objetivos estabelecidos.

Segundo Bürkle e Redig (2009 apud FREITAS, 2015, p. 27), “o serviço


do mediador escolar tem como objetivo atender às necessidades educacionais
especiais dos alunos por ele atendidos complementando, suplementando e
servindo de apoio ao ensino comum”.

Mousinho et al. (2010) afirma que o mediador proporciona, no processo


de aprendizagem, a interpretação do estímulo ambiental, trazendo a atenção para
os seus pontos fundamentais, dando significado à informação obtida,
proporcionando que a própria aprendizagem de normas e princípios
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sejam aplicados aos novos conhecimentos, tornando, assim, o estímulo ambiental


essencial e importante, promovendo, consequentemente, o desenvolvimento.

O papel do mediador não é puramente mediar uma situação e sim


promover a construção de uma ponte entre o ambiente externo como um
todo e o educando mediado, é possibilitar a compreensão de atividades
e funções, é proporcionar á escola uma visão diferenciada do que é
inclusão nos parâmetros individuais da educação, da sociedade e das
atividades (FREITAS, 2015, p. 35).

Visando a uma melhor compreensão e aprendizagem do educando, faz-


se necessário que a escola e o mediador se organizem para que as adaptações
pedagógicas imprescindíveis para cada aluno sejam efetuadas. Por isso, os
Parâmetros Curriculares Nacionais definem as adaptações curriculares como:

Estratégias e critérios de atuação docente, admitindo decisões que


oportunizar adequar a ação educativa escolas às maneiras peculiares de
aprendizagem dos alunos, considerando que o processo ensino-
aprendizagem pressupõe atender à diversificação de necessidades dos
alunos na escola (BRASIL, 1997).

De acordo com Vasconcellos (2017), para desempenhar um trabalho de


qualidade, faz-se imprescindível que o mediador atue em parceria com a escola
de forma recíproca. Para que o mediador faça as adaptações dos conteúdos que
serão trabalhados com a turma que o aluno faz parte, o professor deve
disponibilizá-los ao mediador, possibilitando ao discente acompanhar o conteúdo,
dado em sala, de forma significativa.

Para Mousinho et al. (2010, p. 94), ser mediador é ser o agente entre o
educando e as vivências que o mesmo apresenta dificuldades de atuação e
compreensão. O mediador deve agir como intermediário nas demandas
comportamentais e sociais, na linguagem e na comunicação, nas atividades
pedagógicas na escola e nas atividades dirigidas.

O mediador é aquele que no processo de aprendizagem favorece a


interpretação do estímulo ambiental, chamando a atenção para os seus
aspectos cruciais, atribuindo significado à informação recebida,
possibilitando que a mesma aprendizagem de regras e princípios sejam
aplicados às novas aprendizagens, tornando o estímulo ambiental
relevante e significativo, favorecendo o desenvolvimento. O mediador
pode levar a criança a detectar variações por meio da diferenciação de
informações sensoriais, como visão, audição e outras; reconhecer que
está enfrentando um obstáculo e identificar o problema. Pode também
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contribuir para que a criança tome mais iniciativa mediante diferentes


contextos, sem deixar que este processo siga automaticamente e
encorajar a criança a ser menos passiva no ambiente.

Freitas (2015, p. 56) acredita que “a principal tarefa dos alunos com
necessidades especiais é mostrar aos professores a poesia que existe dentro de
cada um e o poder que eles possuem em dar oportunidades para aqueles que a
maioria não acreditava ser capaz”.

O mediador, ao recorrer a instrumentos necessários, busca facilitar o


processo de ensino, aprendizagem e socialização do aluno. Entretanto
se faz necessário compreender que mesmo aquele que dispõe da
melhor estrutura e materiais não possui condição de atender o aluno de
forma isolada ou autônoma. O trabalho de mediação escolar pressupõe
diálogo, troca e parceria. A compreensão da impossibilidade de se
trabalhar sozinho revela-se um grande passo em direção à inclusão, que
só se efetiva com a atuação de toda a escola e com interlocução entre
os atores envolvidos, sejam mediadores, gestores, profissionais de
saúde entre outros (VARGAS; RODRIGUES, 2018, p. 8).

Portanto, pode-se perceber que, para promover uma educação de


qualidade ao aluno com necessidades educacionais especiais, a interação, a
relação interpessoal e os recursos adequados tornam-se imprescindíveis, bem
como a colaboração qualificada de todos profissionais envolvidos no processo
educacional desse aluno, possibilitando, assim, seu acesso a uma educação
inclusiva de fato.

1.3. Das Salas de Recursos Multifuncionais

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU, 2006), pessoas com


deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física,
mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras,
podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de
condições com as demais pessoas.

De acordo com Santos et al. (2017), as primeiras ideias do que se


acreditava ser uma educação inclusiva surgiram nos Estados Unidos, em 1975,
com a Lei Pública nº 94.142. A partir daí, educandos com deficiência passaram a
frequentar escolas comuns. No entanto, a proposta inclusiva seguia mais um
modo de integração do que inclusão, levando em conta que os alunos
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permaneciam fisicamente naquele ambiente, mas somente alcançavam a inclusão


realmente se eles se adaptassem ao ambiente escolar como ele era.

Para Lopes e Marquezine (2012), ao optar pela elaboração de um sistema


educacional inclusivo, em concordância com a Declaração de Salamanca (1994),
foi estabelecida, no Brasil, uma reconfiguração das modalidades de serviços e
atendimentos aos discentes com deficiência, entre as quais se encontra a sala de
recursos. Os estados começaram a pensar o oferecimento da sala de recursos no
ambiente escolar de ensino regular como parte integradora da Educação
Especial.

Algumas das vantagens que eram associadas à classe especial podem


ser potencializadas na sala de recursos, pois o trabalho com pequenos
grupos é estimulado, permitindo melhor acompanhamento do aluno,
favorecendo trajetórias de aprendizagem mais individualizadas sob a
supervisão de um docente com formação específica. No caso da sala de
recursos, a grande vantagem é que esse processo tem condições de
alternância contínua com aquele desenvolvido na sala de aula comum
(BAPTISTA, 2011 apud PASIAN; MENDES; CIA, 2014, p. 204).

De acordo com Santos e Mitsumori (2014), a denominação Sala de


Recursos Multifuncionais refere-se ao fato de que esse espaço pode ser utilizado
para o atendimento das diversas necessidades educacionais especiais e para o
avanço das diferentes suplementações e complementações curriculares.

Santos e Mitsumori (2014) afirmam também que é por meio da Sala de


Recursos Multifuncionais que a proposta do AEE é realizada. Esse espaço, dentro
de uma escola pública, deve ofertar diferentes equipamentos, mobiliários,
materiais didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade, com professor
preparado para atender às necessidades educacionais especiais do aluno.

As salas de recursos multifuncionais cumprem o propósito de


organização de espaços, na própria escola comum, dotados de
equipamentos, recursos de acessibilidade e materiais pedagógicos que
auxiliam na promoção da escolarização, eliminando barreiras que
impedem a plena participação dos alunos público alvo da educação
especial, com autonomia e independência, no ambiente educacional e
social (BRASIL, 2010, p. 6).

De acordo com Lopes e Marquezine (2012), o texto das Diretrizes


Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (BRASIL, 2001)
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compreende esse serviço de suporte à inclusão, em que deve acontecer o


atendimento educacional especializado (AEE) na instituição escolar, abrangendo
docentes com diferentes funções:

Salas de Recursos: serviço de natureza pedagógica, conduzido por


professor especializado, que suplementa (no caso dos superdotados) e
complementa (para os demais alunos) o atendimento educacional
realizado em classes comuns [...]. Esse serviço realiza-se em escolas,
em local dotado de equipamentos e recursos pedagógicos adequados às
necessidades educacionais especiais dos alunos, podendo estender-se
a alunos de escolas próximas, nas quais ainda não exista esse
atendimento. Pode ser realizado individualmente ou em pequenos
grupos, para alunos que apresentem necessidades educacionais
especiais semelhantes, em horário diferente daquele em que frequentam
a classe comum. [...] (BRASIL, 2001 apud LOPES; MARQUEZINE,
2012).

As salas tipo I e tipo II, conforme especificações técnicas do MEC para a


organização das salas e a oferta do atendimento educacional especializado –
AEE, organizam-se segundo os quadros 1 e 2:

Quadro 1: Salas de Recursos Multifuncionais – equipamentos, mobiliários,


materiais didáticos e pedagógicos para a organização das salas e a oferta do
atendimento educacional especializado – AEE

EQUIPAMENTOS MATERIAIS DIDÁTICO/PEDAGÓGICO


02 Microcomputadores 01 Material Dourado
01 Laptop 01 Esquema Corporal
01 Estabilizador 01 Bandinha Rítmica
01 Scanner 01 Memória de Numerais
01 Impressora laser 01 Tapete Alfabético Encaixado
01 Acionador de pressão 01 Software Comunicação Alternativa
01 Mouse com entrada para acionador 01 Sacolão Criativo Monta Tudo
01 Lupa eletrônica 01 Quebra Cabeças - sequência lógica
MOBILIÁRIOS 01 Dominó de Associação de Ideias
01 Mesa redonda 01 Dominó de Frases
04 Cadeiras 01 Dominó de Animais em Libras
01 Mesa para impressora 01 Dominó de Frutas em Libras
01 Armário 01 Dominó tátil
01 Quadro branco 01 Alfabeto Braille
02 Mesas para computador 01 Kit de lupas manuais
02 Cadeiras 01 Plano inclinado - suporte para leitura
01 Memória Tátil
Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.Php?option=com_docman&view=download&alias=9936-
manual-orientacao-programa-implantacao-salas-recursos-multifuncionais&Itemid=30192. Acesso
em: 16 jun. 2019.
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Quadro 2: Salas de Recursos Multifuncionais -recursos de acessibilidade para


alunos com deficiência visual

EQUIPAMENTOS E MATERIAIS DIDÁTICO/PEDAGÓGICO


01 impressora Braille - pequeno porte
01 Máquina de datilografia Braille
01 Reglete de Mesa
01 Punção
01 Soroban
01 Guia de Assinatura
01 Kit de Desenho Geométrico
01 Calculadora Sonora
Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alia=
9936-manual-orientacao-programa-implantacao-salas-recursos-multifuncionais&Itemid=
30192. Acesso em: 16 jun. 2019.

Objetivo Geral

Compreender o papel do mediador e sua importância no processo de inclusão dos


alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEE’s).

Objetivos Específicos

 Compreender a política de inclusão no processo de aprendizagem e socialização dos


alunos com NEE’s;

 Demonstrar a importância da participação de todos os envolvidos no processo


educacional para o desenvolvimento dos alunos com NEE’s;

 Traçar o perfil do mediador;

 Apontar as dificuldades enfrentadas pelo mediador para exercer seu trabalho.

2. METODOLOGIA

Este estudo e investigação são de natureza aplicada. A população da pesquisa


envolveu 46 professores e 10 mediadores que atuam na rede de ensino pública do município
de Campos dos Goytacazes, RJ.

Quanto aos objetivos da pesquisa, apresenta-se um caráter descritivo e exploratório.


Segundo Severino (2007, p 123), a pesquisa exploratória busca “levantar informações sobre
um determinado objeto, delimitando assim um campo de trabalho, mapeando as condições de
manifestação desse objeto”.

Quanto à abordagem do problema, a pesquisa tem um enfoque qualitativo, que para


Flick (2013) busca captar o significado subjetivo do problema, uma vez que considera a
perspectiva do participante.

Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa envolveu uma revisão de literatura e


uma pesquisa de campo. Segundo Severino (2007, p. 122), “a pesquisa bibliográfica é aquela
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que se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em


documentos impressos”.

Ainda para Severino (2007, p. 123), a pesquisa de campo possibilita o estudo do


objeto de investigação em seu ambiente próprio. Dessa forma, “a coleta de dados é feita nas
condições aturais em que fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente observados, sem
intervenção e manuseio por parte do pesquisador”.

Para a coleta de dados, utilizou-se da observação e da aplicação de questionários.


Segundo Hernández Sampieri, Collado e Lucio (2013, p. 419), observar não significa
simplesmente contemplar, mas “implica entrarmos profundamente em situações sociais e
mantermos um papel ativo, assim como uma reflexão permanente, estarmos atentos aos
detalhes acontecimentos, eventos e interações”.

Patton (2002 apud HERNÁNDEZ SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013, p. 419)


ressalta que, por meio da observação, o pesquisador poderá “descrever comunidades,
contextos ou ambientes; também as atividades desenvolvidas nestes, as pessoas que
participam dessas atividades e seus significados”.

O questionário, segundo Gil (1999 apud CHAER; DINIZ; RIBEIRO, 2011, p. 260),
pode ser definido “como a técnica de investigação composta por um número mais ou menos
elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento
de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas, etc.”.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS

Essa pesquisa foi realizada junto a 46 (quarenta e seis) professores e 10 (dez)


mediadores escolares que atuam na rede de ensino pública do município de Campos dos
Goytacazes, RJ, com o objetivo de compreender o papel do mediador e sua importância no
processo de inclusão dos alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEE’s).

3.1. Dos professores respondentes

O estudo revela (Figura 1) que 67% (N=31) dos professores atuam há mais de 10 anos
na educação, 13% (N=6) de 3 a 5 anos, 11% (N=5) de 1 a 3 anos, 4% (N=2) de 7 a 10 anos e
4% (N=2) menos de 1 ano de atuação.

Figura 1: Distribuição dos professores, por tempo de atuação profissional na educação.


Fonte: Pesquisa de Campo própria.
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A pesquisa indica que 40% (N=17) dos professores são licenciados em Pedagogia,
37% (N=16) são especialistas e 16% (N=7) possuem o Normal Médio. Perguntados ainda se
possuem formação (capacitação) para atuar com estudantes com NEE’s, 78% (N=36)
professores afirmaram que não. Os 10 (dez) professores que indicaram ter formação
apresentaram como exemplo de cursos de atualização e especialização: Curso de Libras,
Especialização em Educação Especial e Inclusiva, Especialização em Psicopedagogia e
Neuropsico pedagogia, Curso de Mediação Escolar e cursos básicos de formação oferecidos
pela Secretaria Municipal de Educação.

Dando continuidade à pesquisa, buscou-se identificar se os respondentes trabalham ou


trabalharam com estudantes com necessidades educacionais especiais, 87% (N=40)
responderam que sim. Em seguida, perguntou-se aos professores se trabalham ou já
trabalharam com estudantes com necessidades educacionais especiais, 87% (N=40) disseram
que sim. A Figura 2 revela que 49% (N=27) dos respondentes trabalham ou trabalharam com
estudantes com transtornos globais do desenvolvimento, 45% (N=25) com educandos com
deficiência e 5% (N=3) com altas habilidades ou superdotação.

Figura 2: Necessidades educacionais especiais dos estudantes


Fonte: Pesquisa de Campo própria.

Segundo o MEC (2014),deve-se considerar alunos com deficiência todos

àqueles que têm impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual
ou sensorial, que em interação com diversas barreiras podem ter restringida sua
participação plena e efetiva na escola e na sociedade. Os alunos com transtornos
globais do desenvolvimento são aqueles que apresentam alterações qualitativas das
interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e
atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com
autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil. Alunos com altas
habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das
seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança,
psicomotricidade e artes. Também apresentam elevada criatividade, grande
envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse.

3.2. Da Inclusão Escolar


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Considerando a importância da inclusão escolar, a pesquisa buscou identificar, junto


aos professores e mediadores, o nível de conhecimento dos mesmos sobre a educação
inclusiva.
Inclusão Escolar é saber atingir os objetivos da aula para todos os alunos da sala
e/ou escola da mesma maneira, sabendo que cada indivíduo possui maneiras
diferentes para aprender. (Depoimento do Professor “X”)

Inclusão escolar deveria ser um processo contínuo de acolhimento a todas as


pessoas, sem exceção, no sistema de ensino, independentemente de classe social,
cor e condições físicas e psicológicas. (Depoimento do Professor “Y”) (grifo nosso)

Inclusão escolar é oportunizar a aprendizagem e o desenvolvimento do educando em


um ambiente escolar que tenha materiais e/ou recursos compatíveis as necessidades
do mesmo. (Depoimento do Professor “Z”)

Consiste em oportunizar a todos o acesso ao ensino na rede regular, onde as


diferenças e necessidades individuais sejam consideradas e respeitadas no processo
de aprendizagem. (Depoimento do Mediador “A”)

Incluir os alunos na sala de aula sem exceção, entendendo que cada aluno tem um
jeito diferente de aprender, e o professor sempre estar buscando novos caminhos
para alcança todos. (Depoimento do Mediador “B”)

É quando a ideia de todas às pessoas terem acesso de modo igualitário ao sistema de


ensino é respeitado, colocado em prática. Não se admitindo nenhum tipo de
discriminação, seja de gênero, etnia, religião, classe social, condições físicas e
psicológicas... (Depoimento Mediador “C”)

Segundo Mantoan (2015, p. 28), quando a escola é inclusiva, atende todos os alunos
sem distinção e discriminação, não ocorrendo inclusive trabalhos individualizados, “sem
estabelecer regras específicas para planejar, ensinar e avaliar alguns por meio de currículos
adaptados, atividades diferenciadas, avaliação simplificada em seus objetivos”. Para a autora,
isso necessariamente demanda um novo modelo de escola, sem exclusões.

Mantoan (2015) afirma ainda que para ocorrer a inclusão é imprescindível, sobretudo,
aperfeiçoar as condições da escola, de tal forma que se possa construir uma nova geração de
pessoas mais preparadas e sem preconceitos, sem barreiras.

Segundo Pacheco (2007, p. 43), é preciso reconhecer a importância da inclusão em


termos de educação escolar, o que, para tanto, envolve a percepção “de diferenças e o direito
de cada criança de aprender dentro do contexto social da sala de aula, tendo acesso ao
currículo, e de se dedicar a atividades de aprendizagem, que reforçam sua autoimagem e
autonomia”.

O estudo indicou também que 70% (N=32) dos professores NÃO se percebem
preparados para trabalhar com estudantes com NEE’S.
“Não fui preparada para tantas necessidades diferentes”. (Depoimento do Professor
“X”)

“Com a sala cheia não dá para trabalhar com alunos especiais, precisamos nos
dedicar mais a eles. No máximo 15 alunos”. (Depoimento do Professor “R”)

“Sem estrutura e muitos alunos”. (Depoimento do Professor “C”)


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“Não sei adaptar conteúdo de acordo com cada necessidade”. (Depoimento do


Professor “B”)

“Porque não se tem o suporte necessário e o aluno precisa de uma atenção a mais
que não consigo dar junto com os outros alunos”. (Depoimento do Professor “Y”)

“É um desafio diário, pois o professor trabalha sem o devido apoio”. (Depoimento


do Professor “Z”)

Perguntados sobre qual a maior dificuldade enfrentada para trabalhar com estudantes
com necessidades educacionais especiais (Figura 3), 52%(N=23) dos professores apontaram a
falta de capacitação profissional, 45% (N=20) a ausência de um apoio técnico
psicopedagógico, 43% (N=19) a ausência de um Mediador, 36% (N=16) a infraestrutura
(acessibilidade), 29% (N=13) a ausência de uma Sala de Recursos Multifuncionais. Outras
questões também foram destacadas, tais como a superlotação da sala de aula, a ausência de
boa vontade de alguns professores da sala regular.

Figura 3: Quanto às maiores dificuldades vivenciadas pelos professores para trabalhar com
estudantes com necessidades educacionais especiais
Fonte: Pesquisa de Campo própria.

Para os 50% (N=5) dos mediadores participantes da pesquisa, as maiores dificuldades


enfrentadas pelos professores envolvem a falta de capacitação, 50% (N=5) ausência de um
apoio técnico psicopedagógico, 40% (N=4) infraestrutura (acessibilidade), 40% (N=4)
ausência de colaboração da família, 30% (N=3) ausência de uma Sala de Recursos
Multifuncionais.

Na sequência, perguntou-se aos professores sobre a integração (sala de aula) dos


estudantes com NEE’S na rede regular de ensino, 78% (N=36) afirmaram ser favoráveis,
enquanto 12% (N=6) discordam e dois professores disseram não saber responder.
Porém deveríamos ter recursos para atender às necessidades dos alunos. Nos falta o
básico.

É importante para um convívio mais humano na sociedade.

Apoio a convivência com os demais alunos para proporcionar uma vida social.
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Pois quando você integra, você deixa o aluno quieto num canto da sala e não dá
importância a ele, mas quando você inclui você dá a esse aluno a capacidade de
aprender e se desenvolver em processo de ensino aprendizagem.

Mas não há um processo na inclusão, com ausência de mediação fica difícil ...

Minha total discordância se dá pelo fato de que simplesmente "jogam" os alunos na


sala de aula sem qualquer apoio a ele e ao professor.
Outro ponto questionado junto aos professores diz respeito à contrapartida da escola
com relação à preparação de material pedagógico adaptado para os estudantes com
necessidades educacionais especiais, 63% (N=29) afirmaram que a escola apresenta
preocupação para disponibilizar material. Perguntados, ainda, sobre quem é o profissional
responsável pela adaptação, a Figura 4 revela que, para 39% (N=14) dos respondentes, o
responsável é o professor especialista (Sala de Recursos); para 19% (N=7), o mediador; 17%
(N=6) a responsabilidade é do próprio professor e para 14% (N=5), orientador pedagógico.

45%
39%
40%
35%
30%
25%
19%
20% 17%
14%
15% 11%
10%
5%
0%
Professor Mediador Orientador Professor Outro
Pedagógico Especialista (especifique)
(Sala de
Recursos)
Figura 4: Quanto à responsabilidade pela adaptação do aluno.
Fonte: Pesquisa de Campo própria.

Utilizando a observação, pôde-se perceber que existe uma preocupação por parte da
Secretaria de Educação do município em relação aos alunos com necessidades educacionais
especiais. O acompanhamento é feito por supervisoras encaminhadas pela Secretaria de
educação do setor multiprofissional nas salas de recursos das escolas que possuem esse
espaço, buscando orientar os profissionais que atuam com esses alunos para atender às
necessidades deles, já que, havendo indispensabilidade, as adaptações são esclarecidas.

Essa mesma pergunta foi apresentada aos mediadores das escolas: para 50% (N=5), a
escola busca atender às demandas apresentadas pelos professores e pelos próprios mediadores
com relação ao material didático.

Perguntados, ainda, sobre quem é o profissional responsável pela adaptação, a


pesquisa revela: para 40% (N=2), o profissional responsável é o professor; 40% (N=2), o
mediador e 20% (N=1), o professor especialista (sala de recursos).

Considerando que a educação especial deve fazer parte do mesmo contexto da


“educação geral”, que, portanto, os estudantes com necessidades educacionais especiais
16

devem ser atendidos no mesmo ambiente dos demais estudantes, questionou-se aos
professores respondentes se a presença de um educando com necessidades educacionais
especiais atrapalha a aprendizagem dos outros alunos: 80% (N=37) responderam NÃO.
Dentre algumas justificativas, destacam-se:

Atrapalha o desenvolvimento da turma quando o aluno com NEE’S não recebe o


suporte adequado e fica "jogado" em sala de aula. (Depoimento do Professor “H”)

Muitas das vezes eles gritam, perdem o controle, talvez por causa do isolamento ou
por falta de material adequado. (Depoimento do Professor “J”)

Não, isso até auxilia a turma a desenvolver sua postura como cidadão, quando o
professor estimula para que ajudem aqueles que precisam, principalmente os
pequenos, eles começam a ajudar o aluno que possui dificuldade, seja com a matéria
ou qualquer outra coisa, o que facilita ainda mais a inclusão. (Depoimento do
Professor “L”)

Atrapalha se não souberem como lidar com esse aluno. Ele precisa realmente ser
incluído pela comunidade escolar e não apenas integrado onde ele é aceito, mas não
são oferecidos a ele todas as condições de aprendizagem que os demais.
(Depoimento do Professor “P”)

Porque em primeiro momento é preciso respeitar e entender as diferenças. Além


disso, é possível aprender com o outro, independente da necessidade que o aluno
apresente. Todos nós somos capazes de ensinar e aprender, o que é preciso acontecer
é entender o tempo que cada um tem para produzir este conhecimento. (Depoimento
do Professor “I”)

Finalizando essa etapa do estudo, buscou-se identificar junto aos professores e


mediadores quais as principais dificuldades de aprendizagem enfrentadas por um estudante
com necessidades educacionais especiais.
A falta de profissionais para acompanhá-los. (Depoimento do Professor “E”)

A falta de atendimento individualizado. (Depoimento do Professor “U”)

A falta de recursos (materiais) que facilite a aprendizagem. (Depoimento do


Professor “O”)

Falta de material didático, falta de infraestrutura, falta de apoio da parte pedagógica


da escola. (Depoimento do Professor “M”)

Ambiente físico adequado, material adaptado, amparo familiar. (Depoimento do


Professor “N”)

Essa pergunta é muito ampla, pois quando falamos de necessidades especiais


estamos diante de um universo de necessidades e especificidade, pois cada caso
demonstra sua dificuldade, mas no geral posso dizer que deve ser a capacidade de
assimilar os conteúdos, pois muita das vezes não se tem um planejamento próprio
para eles. (Depoimento do Professor “V”)

Não ter suas necessidades educacionais consideradas no ensino ofertado, falta de


estrutura e materiais adequados na sala de aula regular e ausência de apoio
pedagógico escolar. (Depoimento do Mediador “U”)

Falta de materiais didáticos, falta de preparo profissional, interação com os outros


alunos. (Depoimento do Mediador “H”)
A falta de uma estrutura onde o aluno especial se sinta confortável em aprender. Ter
um espaço escolar adaptado para essas crianças. (Depoimento do Mediador “V”)

A escola não ser preparada para recebê-los. (Depoimento do Mediador “N”)


17

3.3. Da Mediação Escolar

Nessa seção serão apresentados os resultados referentes ao objetivo principal da


pesquisa que envolve o papel e importância do mediador escolar. Inicialmente, a pesquisa
buscou identificar junto aos professores se nas escolas em que atuam há o profissional
responsável pela mediação escolar e com quais necessidades educacionais ele atua: 72%
(N=33) dos professores disseram que SIM, ou seja, a escola possui o mediador.

A Figura 5 revela que 54% (N=14) dos mediadores atuam com educandos com
deficiência; 42% (N=11), transtornos globais de desenvolvimento; 4% (N=1), altas
habilidades ou superdotação.

60% 54%
50%
42%
40%
30%
20%
10% 4%
0%
educandos com transtorno globais altas habilidades
deficiência de ou superdotação
desenvolvimento
Figura 5: Quanto às necessidades educacionais especiais com que o mediador atua, segundo
os professores.
Fonte: Pesquisa de Campo própria.

Quando indagados sobre a mesma questão, 100% (N=10) dos mediadores afirmaram
que atuam com estudantes com transtornos globais do desenvolvimento, e 40% (N=4) com
estudantes com deficiência. (Figura 6)

120%
100%
100%
80%
60%
40%
40%
20%
0%
0%
Educandos com Transtornos globais Altas habilidades ou
deficiência do desenvolvimento superdotação
18

Figura 6: Quanto às necessidades educacionais especiais com que o mediador atua, segundo os
mediadores.
Fonte: Pesquisa de Campo própria.
Durante a aplicação e análise dos questionários respondidos pelos professores, pôde-se
notar a dificuldade deles em identificar as necessidades educacionais especiais dos educandos,
o que ressalta a importância da capacitação desses profissionais. De acordo com Bueno
(1999), para incluir crianças com necessidades educacionais especiais na rede comum de
ensino, fazem-se necessários professores capacitados que se baseiam na concepção da
diminuição da exclusão escolar e na produtividade qualificada do educando. Além disso,
concomitante a essa concepção, obtenham conhecimentos e aprimorem práticas próprias
essências para a compreensão de alunos com NEE’S.

Dando prosseguimento à análise, o estudo revela que 91% (N=41) dos professores
afirmam conhecer/compreender qual o papel do mediador e como este pode colaborar no
processo de ensino e aprendizagem do estudante com necessidades educacionais.

Dando um apoio pedagógico particular, não “super protegendo” e sim auxiliando no


seu processo de ensino-aprendizagem. (Depoimento do Professor “S”)

Auxiliando nas atividades e no contato do aluno especial com os demais.


(Depoimento do Professor “A”)

O mediador ajuda a incluir ainda mais o aluno dentro de sala e durante as atividades,
ajudando-o a realizar o que ainda não consegue, ou estimulando-o para que consiga
futuramente fazer sozinho, assim o professor dentro de sala, não precisará parar
tantas vezes e ainda consegue dar conta de todos os alunos sem excluir nenhum.
(Depoimento do Professor “G”)

A mesma questão foi apresentada aos mediadores: Qual é o seu papel enquanto
mediador escolar?
Auxiliar no processo de ensino aprendizagem dos alunos atendidos, visando seu
desenvolvimento, autonomia, interação e participação no ensino regular oferecido.
(Depoimento do Mediador “L”)

Atuar no ambiente escolar dentro e fora da sala de aula, atuar em parceria com o
professor, observar a necessidade do aluno, auxiliá-lo nas atividades diárias, ajudar a
criar seus próprios meios para usufruir do espaço escolar de forma autônoma.
(Depoimento do Mediador “P”)

Promover o pleno desenvolvimento do aluno, seja no âmbito social, cognitivo ou


emocional, fazendo com que o mesmo acredite nas suas próprias capacidades.
(Depoimento do Mediador “T”)

Nesse aspecto, perguntou-se aos mediadores como podem colaborar no processo de


ensino e aprendizagem do estudante com necessidades educacionais especiais.
Conhecendo as dificuldades dos estudantes em que auxilia, estreitando a relação
desses educandos com colegas e profissionais envolvidos em seu processo
educacional, tendo em vista o melhor desenvolvimento possível para mesmos.
(Depoimento do Mediador “H”)

Adaptar atividades, respeitar o tempo do aluno, buscar uma parceria com a família e
com a comunidade escolar. (Depoimento do Mediador “G”)

Colaborar com a construção da autonomia, auxiliar nas atividades e no


relacionamento interpessoal. (Depoimento do Mediador “S”)
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Para finalizar a análise dos dados coletados, foi apresentada a última questão: Como
integrar o trabalho professor - mediador? O quadro 3 apresenta as respostas mais relevantes.

Quadro 3: Da Integração Professor - Mediador Escolar. Fonte: Pesquisa de Campo própria.

Profissionais Respostas
Ambos precisam estar sempre dialogando se os métodos que estão utilizando
estão surtindo efeitos positivos, para caso contrário, cheguem a um acordo do
que podem fazer para auxiliar esse aluno. Agir sempre em conjunto.
(Depoimento do Professor “A”)
Professor Esses profissionais precisam dialogar e pensar junto para promover a
verdadeira inclusão do aluno e a partir daí permitir que ele se desenvolva
positivamente. (Depoimento do Professor “B”)

Através de um planejamento conjunto, em busca de melhor adaptar as aulas


proposta, para isso o mediador e professor devem ser parceiros durante todo o
ano. (Depoimento do Professor “C”)

Entendendo que um precisa do outro para exercer um trabalho de qualidade


em prol do desenvolvimento dos alunos. É necessário também um
planejamento conjunto, procurando envolver os alunos com NEE's nas aulas
propostas, levando em conta suas particularidades para que façam realmente
parte do ensino oferecido. (Depoimento do Mediador “E”)

Os dois precisam estar sempre conversando para junto incluir esse aluno na
Mediador sala de aula e trocar informações sobre o desenvolvimento do aluno.
(Depoimento do Mediador “K”)

O professor e o mediador tem que andar lado a lado pois se não ocorrer esse
comprometimento não vai adiantar pois quem sofre é o aluno, no entanto é
necessário um ajudar o outro. (Depoimento do Mediador “O”)

Para Vasconcellos (2017), um bom relacionamento entre os principais profissionais


que auxiliam o educando com NEE’S é essencial, de modo que sejam sempre parceiros,
dividindo realizações e criando uma conexão à procura do progresso do aluno.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho pretendeu investigar não só o papel do mediador escolar e sua


importância para o processo de inclusão escolar dos alunos com necessidades educacionais
especiais, como também os desafios enfrentados por professores e mediadores. Foram
aplicados, com a finalidade de analisar como compreendem o processo de inclusão e de
mediação escolar, questionários aos professores e mediadores de escolas públicas municipais
de Campos dos Goytacazes.

A escola deve acolher todos os alunos, respeitando suas peculiaridades e promovendo


meios para que eles tenham acesso ao conhecimento, independentemente de terem ou não
necessidades educacionais especiais. Deve-se compreender que cada aluno é único e
apresenta determinadas habilidades e dificuldades de aprendizagem. Alguns caminham por si
só, outros necessitam de um auxílio específico.

A partir do estudo e investigação realizados, pôde-se perceber que, mesmo com a


legislação voltada às necessidades educacionais especiais, o direito a condições necessárias
para o avanço de sua aprendizagem nas classes regulares, na prática, ainda enfrentam grandes
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desafios, além do despreparo da maioria das escolas, que não sabem como lidar com as
diferenças. Os docentes da classe regular demonstram: despreparo profissional, ter pouco
envolvimento com a educação dos alunos com necessidades especiais.

A matrícula do aluno com necessidades especiais nas classes regulares, muitas vezes,
não garante a inclusão, por isso é preciso uma política de educação que garanta o direito legal
à educação, promovendo ao aluno com necessidades especiais condições para o progresso de
sua aprendizagem.

O mediador deve proporcionar a construção entre o ambiente e o aluno mediado,


disponibilizando recursos para que este busque sua autonomia. O essencial é que o professor
regente assuma as responsabilidades diante do aluno com necessidades educacionais especiais
mediante uma parceria com o mediador escolar.

DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho a nossas famílias pela confiança e fé demonstrada


durante a trajetória do curso. Aos nossos professores, amigos e orientadora pelo
apoio e paciência demonstrada no decorrer do trabalho. Enfim, a todos que de forma
direta ou indireta tornaram este caminho mais fácil de ser percorrido.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos primeiramente a Deus por mais esse sonho concretizado, ao


apoio das famílias e amigos. A todos os professores do curso qυе foram tão
importantes nas nossas vidas acadêmicas е no desenvolvimento deste trabalho, em
especial à professora orientadora pela paciência е ajuda na elaboração deste
trabalho.