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Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Campus Pato Branco


Departamento de Engenharia Mecânica

Cinemática dos
Fluidos
Cap 4 – Eq. Básicas na forma integral para
um volume de controle
Fox – Introdução à Mecânica dos Fluidos
1
Profª Geocris Rodrigues
Tópicos
• Definição de cinemática dos Fluidos
• Descrição e classificação dos escoamentos de fluidos
• Campo de escoamento e linha de corrente
• Experiência de Reynolds (Número de Reynolds)
• Escoamento viscoso e não viscoso (Fluidos Newtonianos
e viscosidade - Condição de não escorregamento)
• Escoamento laminar e turbulento
• Escoamento permanente e não permanente
• Escoamento Compressível e incompressível.
• Método de Lagrange. Método de Euler
• Teorema de Transporte de Reynolds
• Conservação de Massa
Cinemática dos Fluidos

A cinemática dos fluidos


trata da descrição do
movimento dos fluidos
sem necessariamente
considerar as forças e os
momentos que causam o
movimento.
Descrição e Classificação dos
Movimentos de Fluido

4
• Natureza viscosa dos fluidos;
• Sua compressibilidade – densidade como função do tempo;
Campo de Escoamento

5
• São úteis como indicadores da direção instantânea do
movimento do fluido ao longo do campo de escoamento;
Campo de Escoamento
• Regiões de recirculação e separação de fluido de uma
parede sólida, são facilmente identificados pelo padrão das
linhas de corrente;

• Não são observadas experimentalmente, exceto em campos


de escoamentos em regime permanente, nas quais elas são
coincidentes com as linhas de trajetória e de emissão;

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Tubo de Corrente
(tubo de fluxo)
• No interior de um fluido em
escoamento existem infinitas
linhas de corrente definidas
por suas partículas fluidas;

• A superfície constituída pelas


linhas de corrente formada
no interior do fluido é
denominada de tubo de
corrente ou veia líquida;
7
Experiência de Reynolds
Os experimentos realizados por Osborn Reynolds, nos anos
1880, resultaram na criação do número adimensional
denominado número de Reynolds, Re, como o parâmetro
chave para a determinação do regime do escoamento.

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Experimento de Reynolds

9
Classificação do
Escoamento
Laminar Turbulento

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Número de Reynolds
𝐹𝑖
𝑅𝑒 = → Relação entre as forças inerciais e viscosas
𝐹𝜇
do fluido.
𝜌𝑉𝐷 𝑉𝐷
𝑅𝑒 = =
𝜇 𝜐
Onde:
Escoamento interno:
ρ: é massa específica do fluido [kg/m³]; • Re ≤ 2000, regime laminar;
V: é a velocidade média do escoamento [m/s]; • 2000 < Re< 4000, regime
transitório;
D: diâmetro hidráulico do tubo [m]; • Re > 4000, regime
μ: viscosidade dinâmica do fluido [Ns/m]; turbulento.
Escoamento externo:
ν: viscosidade cinemática do fluido [m²/s]. • Re ≥ 5.105 regime 11
turbulento.
Escoamentos de Fluidos
Escoamento Laminar e Turbulento
Escoamento Laminar:
As partículas descrevem trajetórias
paralelas. O fluido flui em camadas
ou lâminas.
Escoamento turbulento:
As trajetórias são caóticas.
Escoamento tridimensional das
partículas de fluido. As componentes da
velocidade apresentam flutuações ao
redor da média.

Escoamento turbulento:
12
Escoamento interno – Re ≥ 4000
Escoamento externo – Re ≥ 5.105
Escoamentos de Fluidos
Escoamento Laminar e Turbulento

13
Escoamento Laminar e Turbulento

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Condição de Não Escorregamento
Um fluido em movimento pára totalmente em uma superfície
sólida e assume velocidade zero (nula) em relação à superfície
sólida - condição de não escorregamento.
A propriedade responsável pela condição de não escorregamento
e pelo desenvolvimento da camada limite é a viscosidade.

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Condição de Não Escorregamento
Quando o fluido é forçado a mover-se sobre uma superfície
curva, como a face externa de um cilindro, a uma velocidade
suficientemente alta, a camada-limite pode não permanecer
mais colada à superfície e em algum ponto separa-se dela –
um processo denominado separação de escoamento.

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Escoamentos de Fluidos
Escoamento Viscoso e Não Viscoso
Quando duas camadas de fluido movem-
se uma em relação à outra, desenvolve-se
uma força de atrito entre elas e a camada
mais lenta tenta reduzir a velocidade da
camada mais rápida. Tal resistência
interna ao escoamento é quantificada
pela propriedade de viscosidade do
fluido, uma medida da aderência interna
do fluido.
Não viscoso: Regiões de escoamento
afastadas de superfícies sólidas (camada
limite) onde as forças viscosas são
desprezíveis e pequenas quando 17
comparadas às forças inerciais e de
pressão.
Escoamento Viscoso e Não Viscoso
• Podemos estimar se as forças viscosas são ou não desprezíveis
em comparação com as forças de pressão pelo simples cálculo
do número de Reynolds:
𝑉𝐿
𝑅𝑒 = 𝜌
• Onde: 𝜇
• 𝜌 é a densidade do fluido
• 𝜇 é a viscosidade do fluido
• V velocidade do escoamento
• L – comprimento típico ou característico (ex. diâmetro da bola)

• Se Re for grande -> os efeitos viscosos serão desprezíveis.


Ex. Bola – D = 0,3 m e V= 22 m/s – Re = 420.000
• Se Re for grande -> os efeitos viscosos serão desprezíveis.
Ex. poeira – d = 0,001 m e V = 0,01m/s - Re = 0,63
18

Considerar: µ = 1,846.10-5 Pa.s e ρ = 1,16 kg/m3


Escoamentos de Fluidos
Escoamento Interno e Externo
Escoamento externo é aquele que ocorre externamente a
uma superfície sólida, onde o fluido está em contato com
uma única fronteira sólida.
Escoamento interno é aquele que
possui fronteiras limitando o
campo de escoamento.

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Campo de velocidade
• A cinemática dos fluidos estuda o movimento dos fluidos em
termos dos deslocamentos, velocidades e acelerações, sem
levar em conta às forças que o produzem.
   
V  u  x, y, z , t i  v x, y, z , t  j  w x, y, z , t k
z

Trajetória da partícula

Partícula A
no instante t

rA(t)
 drA rA(t+dt)
Partícula A
no instante t+dt
20
V
dt
X
y
Escoamento em Fluidos
Escoamento Uniforme

Um escoamento uniforme em uma


dada seção transversal, a velocidade é
constante através de qualquer seção
normal ao escoamento.
Escoamento em Fluidos
Campo de Escoamento Uniforme

O termo campo de escoamento uniforme é empregado


para descrever um escoamento no qual o módulo e o
sentido do vetor velocidade são constantes, ou seja,
independentes de todas as coordenadas espaciais
através de todo o campo de escoamento.
Escoamento Variado

Escoamento
Uniforme

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Escoamento em Fluidos
Escoamento em Regime Permanente
e Não Permanente
Quanto à variação no tempo:
• Permanente:
As propriedades médias estatísticas das partículas fluidas,
contidas em um volume de controle permanecem
constantes. As propriedades do fluido não variam com o
tempo, num mesmo ponto (Importante).

• Não Permanente
Quando as propriedades do fluido mudam no decorrer do
escoamento. As propriedades variam com o tempo num
mesmo ponto.
Escoamento: Permanente e Não Permanente

Dependência com o Tempo

Não Permanente Permanente 25


 
0 0
t t
Compressibilidade
Número Mach:
𝑽
𝑴𝒂 =
𝒄
Onde: V – velocidade do fluido; C – velocidade do som
Se Ma < 0,3 incompressível
Se Ma ≥ 0,3 compressível

Fluidos compressíveis
• São aqueles que apresentam variação na densidade quando
escoam: usualmente os gases.

Fluidos incompressíveis
• São aqueles que NÃO apresentam variação na densidade quando 26
escoam: usualmente os líquidos. Os gases também podem ser
incompressíveis desde que V seja muito menor que c.
Método de Euler

• Consiste em adotar um intervalo de tempo, escolher


uma seção ou volume de controle no espaço e
considerar todas as partículas que passem por este local;

• Método preferencial para estudar o movimento dos


fluidos: praticidade.

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Método de Lagrange

• Descreve o movimento de cada partícula


acompanhando-a em sua trajetória real;
• Apresenta grande dificuldade nas aplicações práticas;
• Para a engenharia normalmente não interessa o
comportamento individual da partícula e sim o
comportamento do conjunto de partículas no
processo de escoamento;
• Determina como as propriedades da partícula variam
com o tempo.

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Métodos para o estudo da cinemática dos
fluidos: Euleriano vs. Lagrangiano
Euleriano: O movimento do fluido é descrito pela especificação completa das
propriedades necessárias (pressão, densidade, velocidade) em função das
coordenadas espaciais e temporais. Obtemos informações do escoamento em
função do que acontece em pontos fixos do espaço enquanto o fluido escoa
por estes pontos.
Lagrangiano: Envolve seguir as partículas fluidas e determinar como as
propriedades da partícula variam em função do tempo.

Medição da temperatura

Euleriano Lagrangiano

Se temos muitos dados,


podemos obter informações 29
Eulerianas a partir de
informações Lagrangianas, ou
vice-versa.
Cinemática dos Fluidos
Descrição lagrangiana do Descrição euleriana do
escoamento de fluidos: escoamento dos fluidos:
• seguindo uma partícula • relativa a um campo de
fluida; escoamento;
• Sistema; • Volume de Controle;

Quantidade fixa de massa Espaço arbitrário onde o


identificável. 30
fluido escoa.
Teorema de Transporte de Reynolds

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Leis de Conservação
Seja G uma grandeza extensiva de um escoamento:

𝑑𝐺
𝑑𝑚
𝑛𝑜 𝑖𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑡:
ΙΙ(𝑡) 𝑑∀ ∀𝑐 = ∀𝑠𝑖𝑠𝑡 = ∀ΙΙ(𝑡)

𝑛𝑜 𝑖𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑡 + ∆𝑡:
Ι(𝑡 + ∆𝑡) ΙΙ(𝑡 + ∆𝑡) ΙΙΙ(𝑡 + ∆𝑡) ∀𝑐 = ∀Ι(𝑡+∆𝑡) + ∀ΙΙ(𝑡+∆𝑡)
∀𝑠𝑖𝑠𝑡 = ∀ΙΙ(𝑡+∆𝑡) + ∀ΙΙΙ(𝑡+∆𝑡)

 32
V
Teorema de Transporte de Reynolds
• Chega-se a Equação geral do Teorema de Reynolds:
dN
dt sistema


t 
VC
  d   SC

  V  dA 

Taxa da variação da Taxa líquida de


Taxa de variação
propriedade N dentro fluxo da
da propriedade
do volume de controle propriedade
extensiva N do
extensiva N
sistema
através da
superfície de 33
N=m.η controle
Vazão e Fluxo
𝑣𝑎𝑧ã𝑜 (𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒) = 𝑚3 /𝑠

𝑣𝑎𝑧ã𝑜 𝑒𝑚 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 = 𝑘𝑔/𝑠

𝑣𝑎𝑧ã𝑜 𝑒𝑚 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑘𝑔/𝑠


𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 = =
𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 á𝑟𝑒𝑎 𝑚2

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Conservação de Massa
A partir da equação geral do Teorema de Reynolds, pode-se determinar a
equação para a Conservação da Massa:

𝑑𝐺𝑠𝑖𝑠𝑡 𝜕
= 𝑔𝜌𝑑∀ + 𝑔𝜌𝑉. 𝑑 𝐴
𝑑𝑡 𝜕𝑡
∀𝐶 𝑆𝐶

𝐺=𝑀
𝑑𝑀𝑠𝑖𝑠𝑡 𝜕
= 1 𝜌𝑑∀ + 1 𝜌𝑉. 𝑑 𝐴
𝑑𝑡 𝜕𝑡
𝑀 ∀𝐶 𝑆𝐶
𝑔= =1
𝑚

𝑑𝑀𝑠𝑖𝑠𝑡 𝜕
= 𝜌𝑑∀ + 𝜌𝑉. 𝑑 𝐴
𝑑𝑡 𝜕𝑡
∀𝐶 𝑆𝐶
Onde:
36
𝑀∀𝐶 = 𝜌𝑑∀ Massa do Volume de Controle
∀𝐶
Conservação da Massa
Como o sistema é definido como uma quantidade fixa e
identificável de material, assim o princípio de conservação de
massa para um sistema estabelecido pela taxa de variação
temporal da massa do sistema é igual a 0:
𝑑𝑀 𝑑𝑀𝑠𝑖𝑠𝑡 𝜕
=0 = 𝜌𝑑∀ + 𝜌𝑉. 𝑑𝐴 = 0
𝑑𝑡 𝑠𝑖𝑠𝑡 𝑑𝑡 𝜕𝑡
∀𝐶 𝑆𝐶
Equação da Continuidade:

𝜕
𝜌𝑑∀ + 𝜌𝑉. 𝑑𝐴 = 0
𝜕𝑡
∀𝐶 𝑆𝐶
37
A taxa de variação no tempo da massa dentro do volume de controle mais a
vazão total de massa através da superfície de controle é igual a zero.
Conservação da Massa
𝜕
𝜌𝑑∀ + 𝜌𝑉. 𝑑𝐴 = 0
𝜕𝑡
∀𝐶 𝑆𝐶

Para escoamento uniforme:

𝜕
𝜌𝑑∀ + 𝜌𝑉. 𝐴 − 𝜌𝑉. 𝐴 = 0
𝜕𝑡
∀𝐶 𝑠 𝑒

𝑑 𝑑𝑀∀𝐶
𝜌𝑑∀ = = 𝜌𝑉. 𝐴 − 𝜌𝑉. 𝐴
𝑑𝑡 𝑑𝑡
∀𝐶 𝑒 𝑠 38
Caso Especial
• Fluido incompressível: massa específica permanece constante.

𝑑𝑀∀𝐶
= 𝜌𝑉. 𝑑 𝐴 = 𝜌𝑉. 𝐴 − 𝜌𝑉. 𝐴
𝑑𝑡
𝑆𝐶 𝑒 𝑠

Para escoamento em regime permanente (R.P.):

𝑑𝑀∀𝐶
=0 𝜌 𝑉. 𝐴 − 𝑉. 𝐴 = 0
𝑑𝑡
𝑒 𝑠

𝑉. 𝐴 − 𝑉. 𝐴 = 0
𝑒 𝑠 39

Onde 𝑉. 𝐴 é a Vazão Volumétrica (𝑄) [m3/s]


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Caso Especial
• Escoamento em Regime Permanente Compressível: Todas as
propriedades no campo do escoamento permanecem constantes
ao longo do tempo, e assim a taxa de variação temporal da massa
contida no volume de controle é nula:
𝜕 𝑑𝑀∀𝐶
𝜌. 𝑑∀ = =0
𝜕𝑡 𝑑𝑡
∀𝐶
• Assim a vazão líquida de massa no volume de controle é:

𝜌 𝑉. 𝑑 𝐴 = 𝑚𝑒 − 𝑚𝑠 = 0
𝑆𝐶

Onde 𝛒𝑉. 𝐴 é a Vazão Mássica (𝑚) [kg/s]


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Para escoamento permanente, a vazão mássica para dentro do volume de
controle deve ser igual à vazão mássica para fora do volume de controle.
• Vazão Volumétrica [m3/s]

Q
 A
V  dA

• Velocidade Média [m/s]


Q 1
V  V  dA
A A A

• Vazão Mássica [kg/s]

m   Q   VA
• Exemplo 5.2 - Munson. A figura mostra um escoamento de ar
num trecho longo e reto de uma tubulação que apresenta
diâmetro interno igual a 102mm. O ar em regime permanente
e as distribuições de temperatura e pressão são uniformes em
todas as seções transversais do escoamento. Calcule a
velocidade média do ar na seção 1 sabendo que a velocidade
média do ar na seção 2 é 300 m/s.

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• Exemplo 5.2 - Munson A água do mar escoa em regime
permanente no bocal cônico mostrado na figura. O bocal está
instalado numa mangueira e esta é alimentada por uma
bomba hidráulica. Qual deve ser a vazão em volume da bomba
para que a velocidade da seção de descarga do bocal seja igual
a 20m/s.

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• Problema 5.10 Munson - O tanque cilíndrico na figura é
alimentado pelas seções 1 e 2 com as vazões indicadas.
Determine a velocidade média na seção de descarga do
tanque, sabendo que o nível da água no tanque permanece
constante ao longo do tempo.

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A figura abaixo mostra a confluência de dois rios. Observe que os
perfis de velocidade nos dois rios a montante da confluência são
uniformes e que o perfil de velocidade na seção a jusante da
confluência não é uniforme. Supondo que a profundidade do rio
formado é uniforme e igual a 1,83m, determine o valor de V.
Resposta: 𝑉 = 1,11 𝑚 𝑠

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