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CONTABILIDADE CRIATIVA: Um fenômeno versus licitude e ética na

compreensão acadêmica dos docentes da universidade pública

Jandilson da Silva Lima


Marcos Danilo Carvalho Gurgel

RESUMO

Diante da modernidade encontrada no mercado econômico e financeiro uma nova


prática que vem tomando espaço é denominada contabilidade criativa, a qual utiliza
de omissões e lacunas na legislação contábil, para moldar resultados desejáveis a
entidades, assim esta recebe diferentes opiniões dos estudiosos da contabilidade os
quais a defendem por não infringir os princípios contábeis e demais legislaturas, como
os que negam o seu uso devido o manejo que pode contrariar a ética do profissional
contador e ludibriar os usuários das demonstrações contábeis. Pelo fato do contador
manusear as demonstrações contábeis e poder fazer uso deste fenômeno, surge a
proposta desta pesquisa que é evidenciar a opinião dos docentes do curso de ciências
contábeis do Campus Avançado de Patu - CAP, da Universidade do Estado de Rio
Grande do Norte - UERN, sobre contabilidade criativa e a informação passada do
curso para os discentes e futuros contadores.

Palavras chaves: Contabilidade Criativa - Ética - Contador - Docentes

1 INTRODUÇÃO

Com a globalização o mundo passa por mudanças constantes em uma


velocidade que é difícil acompanhar, fazendo com que a sociedade seja pressionada
para que se ajuste aos novos desafios e necessidades. As empresas estão cada vez
mais inquietas em busca de crescimento e, no momento atual de crise econômica
mundial, onde sobreviver, é o objetivo principal isso fica mais forte dia após dia. E é
através de algumas brechas na legislação contábil que a contabilidade criativa surge
como alternativa, para que as empresas consigam manipular dados ao seu favor. As
demonstrações financeiras bem estruturadas com dados conscientemente alterados,
por vezes, manobram até os profissionais de auditoria. Com isso buscamos constatar
no corpo Docente do curso de Ciências Contábeis do Campus Avançado de Patu -
CAP , qual o comportamento e opinião acerca da utilização da contabilidade criativa,
enquanto contador. Chegando a esse ponto onde o profissional da contabilidade é
alocado para tratar desses fatos ao grosso modo, tendo em vista que não foi isso que
aprendeu ou debateu no meio acadêmico, é que endossamos este artigo com uma
problemática prática para fundamentar nosso estudo.
Em razão disso, surge o seguinte questionamento: contabilidade criativa vista
como um fenômeno intrínseco na contabilidade das entidades, qual o entendimento
dos docentes do CAP - Campus Avançado de Patu - UERN, na formação profissional
contábil?
Esta pesquisa tem por objetivo constatar no corpo docente do Campus
Avançado de Patu - CAP, qual comportamento e opinião acerca da utilização da
contabilidade criativa, enquanto contador.
Diante esse contexto, o estudo torna-se relevante pelo fato da universidade
formar inúmeros profissionais para o mercado de trabalho, onde terão contato com
esta prática da contabilidade, até então pouco debatida nos cursos de Ciências
Contábeis, trazendo um portfólio de informações para os futuros contadores assim
como uma análise para debate entre os docentes.
O estudo abordado foi realizado mediante uma pesquisa de campo, a qual têm
natureza quanti - qualitativa, enquanto os objetivos são abordados de maneira
descritiva. O instrumento utilizado foi um questionário localizado no apêndice 1,
aplicado ao corpo docente do curso de Ciências Contábeis do Campus Avançado de
Patu, contando com uma análise de dados para base na conclusão do estudo.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 CONTABILIDADE

A Contabilidade como uma ciência social, vem apresentar seu objetivo principal
que é informar a situação financeira, econômica, e patrimonial das entidades para
aqueles considerados como usuários internos e administradores para que sejam
tomadas as decisões, bem como para usuários externos, para se conduzir os
investimentos. Assim como afirmam Sá e Hoog (2010), “os investidores são os
maiores interessados nas demonstrações da entidade, principalmente, para o
mercado de capitais, para tanto, é necessário a informação fidedigna nas
demonstrações contábeis” Regida por normas encontradas no CPC - Comitê de
Pronunciamentos Contábeis, que possui uma estrutura conceitual para a elaboração
e divulgação de relatório contábil-financeiro, que discorre sobre a importância da
informação contábil.
Sabemos que contabilidade possui muitas ambiguidades, uma vez que podemos
encontrar e destacar diversas opções para uma mesma contabilização a ser feita, isso
devido à subjetividade de entendimento que nos deparamos em determinadas
operações contábeis. Conduta essa que pode ser vista como maleável, à qual a
companhia se sujeita, e que dificulta a fiscalização que depende também de uma
conduta do profissional contábil para ajudar na identificação do problema e vir a
denunciar quaisquer indícios de irregularidades. Entre esses métodos, podemos
destacar a aplicação de algumas técnicas contábeis, que, em alguns casos e
situações, não chegam a refletir a verdadeira realidade da empresa, em outras
palavras, não estão em conformidade com a transparência exigida pelos
procedimentos contábeis, o que se entende e se denomina de Contabilidade Criativa.

2.2 CONTABILIDADE CRIATIVA

Um ponto de partida para adentrar nesta temática deve – se evidentemente


partir de duas correntes principais de estudos, a norte-americana e a europeia. O
termo contabilidade criativa se originou na américa do norte, denominada de earnings
management, contudo as correntes de estudo traduzem de forma distinta tal termo, a
européia por exemplo, traduz earnings management como contabilidad creativa e a
norte-americana como gerenciamento de resultados.

Além de suas traduções serem distintas, estas possuem conotações


diferenciadas também, porque na visão geral há aqueles que a consideram uma
manipulação propriamente dita, com finalidade exclusiva de alteração da realidade
patrimonial, financeira e/ou econômica da entidade, utilizam o termo contabilidade
criativa, “A contabilidade criativa é uma maquiagem da realidade patrimonial de uma
entidade, decorrente da manipulação dos dados contábeis de forma intencional, para
se apresentar a imagem desejada pelos gestores da informação contábil”
(KRAEMER,. 2005)

Em outra linha de raciocínio estão os quais acreditam que a aplicabilidade em


si consiste em uma estratégia contábil, decorrente de um conhecimento considerável
da matéria em questão,e não um manejo das contas, que venham adotar o termo
gerenciamento de resultados. Temos uma definição sobre esse assunto do grupo
Fortes Tecnologia:
O contador que conhece a fundo a legislação contábil, fiscal e tributária
comparará as ações com os dispostos na lei. Assim, ele controlará suas
ações para que a contabilidade criativa não constitua atos ilegais. Isso
permite o aproveitamento dos benefícios sem a incidência das
penalidades.(FORTES, 2019).

De acordo com o autor podemos entender que este tipo de contabilidade é um


meio divisor, onde existem autores que defendem ou acusam o uso dessa prática,
cabendo a cada usuário definir sua utilização analisando os riscos que se constitui
durante os procedimentos contábeis.

2.3 RISCOS DA CONTABILIDADE CRIATIVA

Não se deve enganar pelo aparente tom positivo da expressão contabilidade


criativa. O termo contabilidade criativa surge em conotação de alguns profissionais
contábeis através da adoção de práticas empregadas em demonstrações contábeis
com o objetivo de mascarar a realidade, adulterando números que apontam os
verdadeiros resultados obtidos em determinado período em uma determinada
entidade.
Deve ser levada em consideração que em razão dos muitos incentivos que
impulsionam à utilização de mecanismos de manipulação contábil, que inibem o
verdadeiro risco que se corre diante desta prática, isolando parâmetros irregulares
que dificilmente fará com que a contabilidade criativa seja extinta.
Podemos nos reportar à alguns motivos, estudados por Amat, Moya e
Blake(1997), que nos mostra as dificuldades para a identificação dos riscos da
contabilidade Criativa nas entidades:
● Em primeiro lugar, é difícil saber se a política contábil de uma empresa é em
razão de um esforço honesto para refletir a imagem fiel, ou é uma manipulação
deliberada destinada a falsear a informação refletida na contabilidade. Decidir
sobre uma ou outra possibilidade pressupõe um alto grau de subjetividade.

● Pela sua própria natureza, a prática da contabilidade criativa implica elementos


de ocultação e de enganos. Esta prática não será evidente nas publicações das
demonstrações financeiras.

● A prática da manipulação contábil é em si própria pouco honesta, motivo pelo


qual, os diretores de uma organização dificilmente estarão dispostos a admitir
que em sua própria empresa se utilizam deste estratagema.

Diante da visão dos autores, pode-se concluir que este fenômeno da


contabilidade remete a ocultação diante de sua utilização, como é difícil identificar
onde foi utilizada, abre espaço para a manipulação de dados, resultando em uma mais
adequada ao que trará maiores benefícios a entidade, por mais que em sua realidade
venha a ser diferente.

2.4 DOCENTES DO DCC CAP – UERN

Em meio ao sertão nordestino, encravado entre as belas serras da cidade de


Patu, um celeiro do saber, formando profissionais para o mundo, o Campus da UERN
em Patu está a quase 40 anos fazendo aquilo que o sertanejo tenta ser todos os dias
, forte, adaptável a tudo e com certeza um eterno criador de alternativas para se
manter erguido, não diferente disso descreve-se o Departamento de Ciências
Contábeis (DCC) , do Campus Avançado de Patu (CAP). Buscando um conhecimento
melhor sobre este ambiente, o Portal Uern define:
O Departamento de Ciências Contábeis (DCC), subordinado ao Campus
Avançado de Patu (CAP), é um órgão deliberativo e executivo de atividades
de ensino, pesquisa e extensão e administração acadêmica, por meio de
atribuições normativas de supervisão e acompanhamento, com suporte de
recursos humanos, materiais e financeiros. Foi criado no ano de 1989,
através do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão da Universidade do
Estado do Rio Grande do Norte (UERN, 2019).

Atualmente, conta com um quadro de nove professores efetivos e sete


professores substitutos contratados para atuarem nos núcleos. Ainda segundo o
portal da Uern, temos
Em termos de política de capacitação, o Departamento encara a qualificação
dos seus docentes como uma prioridade, tendo em vista a necessidade de
fortalecimento da produção intelectual nos cursos de graduação e pós-
graduação, sobretudo nas atividades de pesquisa. Os principais objetivos da
política de qualificação docente são incentivar e apoiar o processo de
capacitação docente de forma contínua e sistemática, bem como, consolidar,
através dessa capacitação, os grupos de estudos e pesquisas como condição
imprescindível à melhoria da qualidade do ensino superior de Ciências
Contábeis.(UERN, 2019).

Foi direcionado á alguns docentes do referido departamento, um questionário


acerca do tema contabilidade criativa, visada a oportunidade de aproveitar o momento
da discussão da temática e ver como estava o entendimento, aceitação, divulgação e
interação dos mesmo com os discentes, que estão em formação neste curso, além do
questionário foram colhidas contribuições importantes através de comentários dos
sete participantes da pesquisa que facultou a análise quanti - qualitativa de dados que
pode servir tanto para uma nova forma de ver o tema, como de se persuadir em sala,
em detrimento ao que tange às normas, o código de ética, os CPCs e claro a
legislação vigente.

3 APRESENTAÇÃO DE DADOS

Seguindo o contexto do estudo, a análise e discussão dos dados tem por objeto
compreender os pontos levantados na introdução e desenvolvimento do exame. Esta
pesquisa teve como principal objetivo constatar no corpo docente do Campus
Avançado de Patu - CAP, qual comportamento e opinião acerca da utilização da
contabilidade criativa, enquanto contador. Para isso foram obtidas informações por
meio de coleta de dados, via questionário localizado no apêndice, aplicado ao corpo
docente do curso de ciências contábeis do Campus Avançado de Patu - CAP, da
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN. Destacando dentro da
análise dos gráficos o fomento para o resultado da pesquisa

QUESTÃO 1 – QUAL O ÚLTIMO CURSO CONCLUÍDO


Gráfico 1 – Amostragem: classificação profissional dos docentes do
CAP – em relação ao último curso realizado.
Fonte: do autor

A amostra apresenta uma diferença percentual de 34,78% entre a quantidade


de professores com especialização e professores com mestrado, essa variação pode
contribuir para alguns índices de avaliação, já que a categoria de especialistas é
superior em 1 profissional, ou seja, do total da amostra, 4 são especialistas e 3
possuem mestrado em alguma área da contabilidade com lotação no Departamento
de Ciências Contábeis do campus de Patu da UERN, o que representa 43% e 57%
respectivamente, dos docentes participantes do questionário aplicado.

QUESTÃO 2 - CONHECE CONTABILIDADE CRIATIVA?


Gráfico 2 – Conhecimento dos contabilistas sobre o termo contabilidade criativa
Fonte: do autor.

No gráfico apresentado,visualizamos 100% da amostragem, ou seja, os sete


profissionais que participaram do questionário afirmaram que conhecem o termo
contabilidade criativa, o que representa a totalidade dos participantes. O resultado
representa que a contabilidade criativa é de conhecimento de todos os participantes
da pesquisa.

QUESTÃO 3 -PRATICA OU JÁ PRATICOU A CONTABILIDADE CRIATIVA?

Gráfico 3 – Se pratica ou já praticou contabilidade criativa


Fonte: do autor.
No seu estudo, Ferreti (2003) concluiu que o uso da contabilidade criativa em
países que têm o sistema legal codelaw que é um regime conhecido por sua visão
legalista, onde tudo tem que estar previsto em lei. Desta forma, considerando que o
Brasil até então faz parte do regime citado por Ferreti, o CAP - UERN apresenta que
na amostra de 7 DOCENTES, nenhum fez uso dela, representando 100%, do total
dos participantes.

QUESTÃO 4 - ENTENDE CONTABILIDADE CRIATIVA COMO PRÁTICA


CONTÁBIL
LÍCITA OU FRAUDULENTA?

Gráfico 4 – Lícito versus fraude


Fonte: do autor.

Nesta análise do gráfico 4, podemos observar que para um entendimento


diferenciado sobre a licitude e a fraude entre os docentes, dos 7 participantes, dois
não entendem como fraude, o que nos reporta que isso cabe uma discussão em sala
de aula no que tange às disciplinas específicas, como ÉTICA e as disciplinas que
tratam das demonstrações contábeis e o entendimento do que realmente é um
balanço patrimonial correto diante das várias situações das entidades e também do
mercado econômico que se está ,mas não podemos esquecer que o percentual de
71% , que acham que esta prática é fraudulenta, nos faz refletir sobre a idoneidade
da profissão,quanto ao que rege os CPCs, os princípios da contabilidade e claro a
legislação.

QUESTÃO 5 - QUANTO A FUNDAMENTAÇÃO DADA A CONTABILIDADE


CRIATIVA,
ACHA CORRETO LEVANTAR A TEMÁTICA EM SALA DE AULA?

Gráfico 5 – Discussão sobre contabilidade criativa em sala de aula


Fonte: do autor.

Nesta análise a gente se depara com uma resposta 100% positiva, visto que é
uma realidade fora da sala de aula, e que pouco tratamos dela diretamente, pois
aprendemos e somos disciplinados á fazer o correto, mas a resposta unânime nos faz
refletir sobre a capacidade de discutir sobre as coisas que são possíveis, e que são
utilizadas e solicitadas pelos usuários da contabilidade.

QUESTÃO 6 - NO CONTEXTO ATUAL, CONTABILIDADE CRIATIVA NA SUA


CONCEPÇÃO PODE SER UM FATOR PARA SER USADO PARA CORRUPÇÃO?
Gráfico 6 – Quanto ao aspecto corrupção
Fonte: do autor.

Uma análise é bem enfática, atual e que é de importante reflexão, visto que a
corrupção se alimenta justamente desses tipos de flexibilidades, um dado que chama
atenção pois dos 7 participantes , 1 docente acredita que contabilidade criativa não é
fator para ser usado em corrupção, e em uma observação interessante tirada do
comentário deste, vimos que mesmo que para a maioria dos docentes neste caso,
isso possa levar a prática da corrupção, ele endossa dizendo que “a base para uma
boa contabilidade é a observância das normas contábeis e os princípios contábeis”.

QUESTÃO 7 - USAR CONTABILIDADE CRIATIVA NA ELABORAÇÃO DOS


RESULTADOS É PREJUDICIAL PARA A EMPRESA?
Gráfico 7 – Influência da contabilidade criativa na elaboração dos resultados
Fonte: do autor.

Nesta análise os 7 participantes acreditam que a prática da contabilidade


criativa prejudica sim a elaboração dos resultados nas demonstrativos e no balanço,
visto que não elucida a prática correta com meios que não estão regulamentados nos
diversos CPCs e normas que regulamentam a contabilidade e o profissional.

QUESTÃO 8 - AS PRÁTICAS DA CONTABILIDADE CRIATIVA SÃO POUCO


DIVULGADAS?

Gráfico 8 – Práticas da Contabilidade Criativa pouco divulgadas


Fonte: do autor.

Nesta análise 6 os participantes demonstram que de fato as práticas da


contabilidade criativa são pouco divulgadas, e 1 dos 7 afirma que não, que estas
práticas são divulgadas sim , o que nos remete a reflexão sobre a opinião da
minoria,que mesmo não sendo tratada pelo seu nome, a contabilidade criativa está
sempre sendo divulgada, principalmente nas descobertas pelas auditorias nas
entidades de grandes esquemas que foram evidenciados a partir de situações e
aspectos em suas demonstrações contábeis analisadas.

QUESTÃO 9 - É IMPORTANTE DISCUTIR ESSE TIPO DE CONTABILIDADE COM


GRADUANDOS E FUTUROS CONTADORES?

Gráfico 9 – Importância da discussão sobre contabilidade criativa com os


graduandos e futuros contadores.
Fonte: do autor.

Neste contexto analisado, e que responde justamente a fundamentação da


aplicação deste questionário no CAP – UERN com os docentes do departamento de
ciências contábeis, porque é sim para ser importante não só essa temática, mas como
outras tantas que encontram-se no cenário atual de contabilidade, as quais
regularmente os graduandos de ciências contábeis não tem contato no ambiente
acadêmico, se tornam extremamente necessárias pois são coisas que existem, onde
os futuros contadores necessitarão pelo menos ter ouvido falar, por serem colocados
á prova quanto profissionais, visto que essa resposta unânime dos participantes,
possa ser efetivada a cada turma que se encontra neste curso.

QUESTÃO 10 - ENQUANTO PROFESSOR, VOCÊ DENOMINA ESSA PRÁTICA


COMO CONTABILIDADE?

Gráfico 10 – Conceituação dos docentes do DCC do CAP – UERN, se contabilidade


criativa é ou não uma prática contábil
Fonte: do autor.

Diante do resultado desta última análise, percebe-se que 6 dos 7 participantes


da pesquisa, não reconhecem contabilidade criativa como prática contábil, porém isso
em outro contraponto é percebido, pois não se ouve ou se discute isso em sala de
aula, então não se consideraria prática o que não se pratica, mas na pesquisa existe
o que pensa diferente, o que se evidencia que mesmo não assumindo tal realidade,
não se pode fechar os olhos totalmente para este assunto, pois ele existe e é utilizado.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tomando por base e com respaldo na competitividade, termo eloquente no


mundo econômico, o qual as entidades disputa por fatias de mercado, por
posicionamentos em bolsas de valores, por sobrevivência e diversos outros motivos,
a administração de tais empresas se depara com as complexidades diariamente,
exigindo dos seus gestores resultados em tempo recorde. Com essa pressão, a
maioria deles passou a buscar e fazer uso da contabilidade criativa para facilitar o
trabalho e atingir a qualquer custo metas e objetivos estabelecidos em um
planejamento proposto.
Existe uma barreira que muitas vezes trava o alcance deste objetivo, da forma
que se vislumbra, porque o mérito da questão é muito profissional, pois por aí vamos
ter á colocação de alguém que além da ética, precisa zelar toda sua caminhada como
aquele que vai atestar o que não é o correto, daí a preocupação discutida nesse artigo,
contabilidade criativa existe, mas ela não foi discutida em sala de aula, o mercado que
espera os graduando e futuros contadores não compreenderá isso, pois ele quer o
resultado, quer a vantagem, e essa é uma das maiores preocupações para o contador,
porque é necessário ponderar, mas sempre se utilizando do que ele tem à disposição,
a legislação contábil e as possibilidades sem engessamentos no que tange à sua
autorização para tais serviços.
Ao mesmo tempo vemos que contabilidade criativa é um fenômeno de difícil
erradicação, pois além de não configurar crime, sua existência é possível devido à
complexidade cada vez maior das relações empresariais, às lacunas, às brechas, às
omissões e à flexibilização existente na legislação que serão difíceis de ser
exterminadas por completo, à subjetividade existente e, principalmente, aos
benefícios de recompensa envolvidos no processo da manipulação dos dados
contábeis que se tornam atrativos e sedutores para os profissionais com princípios
éticos duvidosos, sem contar na falta de punições específicas para os que a pratiquem
Temos assim como questão principal, que a existência da contabilidade criativa
vai além dos fatores técnicos e legais, ela está em volta dos aspectos morais e éticos
do indivíduo e da sociedade, e isso precisa ser trabalhado no ambiente acadêmico
pelos docentes, pois é lá que o profissional contábil é construído, após a aplicação de
um questionário acerca do assunto ser discutido em sala, os dados da pesquisa
evidenciaram que todos os professores conhecem esse fenômeno usado na
contabilidade, a grande maioria entende que pode ser entendida no geral como
fraude, porém isso é dimensionado pelo que se tem à disposição para evitá-la, mas
que é notório também que é preciso tratar sobre, seja de forma combativa ou reflexiva
. Pois se cada profissional que seguisse seu código de ética e tivesse uma conduta
moral respeitando os princípios sociais pré-estabelecidos, não haveria motivo algum
ou justificativa suficiente para desviá-lo de sua conduta. Arrematando em poucas
palavras e filtrando toda a essência de trabalho, podemos visualizar o seguinte
entendimento, que a criatividade pode ser um facilitador em muitas áreas, fatores e
aspectos, porém existem limitações que são imprescindíveis para se determinar o que
está certo ou errado, lícito ou fraudulento, ético e antiético, permissível ou crime, por
isso o graduando do curso de ciências contábeis deve ter conhecimento desta prática
durante sua formação para que possa no exercício de sua profissão não ser pego de
surpresa e diante desta possibilidade ter uma atitude ética e responsável, ressaltando
que a contabilidade criativa não tem necessidade de ser uma disciplina específica,
mas ser tratada dentro de alguma outra, como por exemplo ética e legislação contábil,
contabilidade avançada ou qualquer outra que possa englobar dentro deste
fenômeno.

REFERÊNCIAS:

SÁ, A. L.; HOOG, W.A.Z.; Corrupção, Fraude e Contabilidade. Curitiba: Juruá, 2010.

KRAEMER, M. E. P. A maquiagem das demonstrações contábeis com a


contabilidade criativa. Disponível em:
<artigocientifico.uol.com.br/uploads/artc_1148408561_67.doc. Acesso em 10 de out
de 2010.

CONTABILIDADE CRIATIVA :SAIBA O QUE É E COMO FUNCIONA ESTE


MÉTODO. Dísponivel em <https://blog.fortestecnologia.com.br/contabilidade-
criativa/>. Acesso em 24 de mai. 2019.
AFINAL, O QUE O QUE É CONTABILIDADE CRIATIVA E QUAIS OS SEUS
RISCOS?. Dísponivel em : <https://www.grupometa.com/contabilidade/afinal-o-que-
e-contabilidade-criativa-e-quais-sao-seus-riscos.html>. Acesso em 24 de mai. 2019.

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS - PATU. Dísponivel em


<http://patu.uern.br/dcc/default.asp?item=patu-depto-contabeis-apresentacao>.
Acesso em 25 de mai. 2019

FERRETI, G. M. Milesi-. Good, bad or ugly? On the effects of fiscal rules with creative
accounting. ELSEVIER. International Monetary. Fund and CEPR, Room 9- 212D,
Washington DC 20431.Journal of Public Economics 88 (2003)

APÊNDICE

Questionário para construção de um artigo científico


Curso de Ciências Contábeis
Autores do Artigo : Jandilson da Silva Lima e Marcos Danilo Carvalho Gurgel ,
alunos do 8° Período.
TEMA: CONTABILIDADE CRIATIVA
Conceituação da pesquisa aplicada: queremos através desta pesquisa identificarmos
o grau de ciência acerca do assunto Contabilidade Criativa, entre os professores do
curso de ciências contábeis do CAP – UERN, para embasamento científico em nosso
artigo, visto que se trata de um assunto real que iremos nos deparar após concluirmos
o curso e iniciarmos as atividades como profissional da área.

Questionário

Favor marcar com um X somente em uma única resposta que melhor se apresente
para você.
1. Último curso que você concluiu:
Doutorado Mestrado Especialização

2. Conhece Contabilidade Criativa?

Sim Não

3. Pratica ou já praticou a Contabilidade Criativa?

Sim Não

4. Entende Contabilidade Criativa como prática contábil lícita ou


fraudulenta?

Lícita Fraudulenta

5. Quanto a fundamentação dada a Contabilidade Criativa, acha correto


levantar a temática em sala de aula?
Sim Não

6. No contexto atual, contabilidade criativa na sua concepção pode


ser um fator para ser usado para a corrupção?

Sim Não

7. Usar contabilidade criativa na elaboração dos resultados é


prejudicial para a empresa?

Sim Não

8. As práticas da contabilidade criativa são pouco divulgadas?

Sim Não

9. É importante discutir esse tipo de contabilidade com graduandos e


futuros contadores?

Sim Não

10. Enquanto professor, você denominaria essa prática como


contabilidade?

Sim Não

Ajude-nos com um comentário sobre o tema ou ainda uma crítica que nos ajude a
encaminhar a temática no conceito do uso da Contabilidade como um todo:
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Fonte: Elaborado pelos autores Jandilson da Silva Lima e Marcos Danilo Carvalho Gurgel