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1.

INTRODUÇÃO: ATITUDES E COMPORTAMENTO


Quando falamos em atitudes e comportamentos, nos referimos avaliações e
preferências em relação a objetos, atividades, pessoas, ideias, etc. A atitude pode
variar de extremamente positiva ou extremamente negativa, passando por estados de
ambivalências e conflito ou também podendo não preterir nada, ficando neutro, e isso
também se classifica como uma atitude. Nossas atitudes são formadas pelas
experiências de vida e socialização, à medida que reforçamos ou modelamos algo.
Tais atitudes são regidas por três dimensões: a cognitiva, a afetiva e a
comportamental.

A cognitiva envolve os pensamentos e conhecimentos a respeito do objeto social.


Como um exemplo cotidiano, alguém pode pensar que andar de bicicleta é perigoso,
no entanto, se forem apresentados dados estatísticos de que andar de moto causa
mais acidentes do que andar de bicicleta, essa pessoa pode mudar de atitude, pois
ela obteve mais conhecimento acerca do objeto social que anteriormente temia.

A dimensão afetiva baseia-se em um sentimento pró ou contra um objeto social. Há


ainda uma ligação entre a dimensão afetiva e a cognitiva, de tal forma que quando
uma é alterada, a outra se modifica. Por exemplo, uma pessoa que gosta muito de
cozinhar e sempre cozinhou para o namorado, e em certo momento esse
relacionamento chega ao fim, pode ocorrer da pessoa relacionar o ato de cozinhar
com o relacionamento frustrado, de modo que ela também mude a ação ‘’ cozinhar’’,
passando a ter menos vontade de preparar comida, logo pode se dizer que existiu
uma mudança de atitude que foi decorrente de uma mudança afetiva.

Por último, a dimensão da atitude comportamental, que cria um estado de prontidão


para ação, que quando combinado com uma situação especifica desencadeia um
comportamento coerente com a atitude, ou seja, nossos comportamentos são
determinados de acordo com nossas atitudes. Por exemplo, se um indivíduo é a favor
da legalização da maconha este provavelmente votará em um candidato que defenda
essa ideia. Embora pareça óbvia a ideia de que os comportamentos condizem com as
atitudes das pessoas, isso nem sempre acontece devido as diferentes situações em
que ocorrem, como será visto ao longo deste relatório. Também poderá ser observado
como a atitude afeta o comportamento e o inverso, e o porquê dessa ação.

2. ATITUDES E A MEDIDA QUE ESTAS PREDIZEM O


COMPORTAMENTO
Em geral, a psicologia usa três formas de medir as atitudes: medidas auto
descritivas (baseadas principalmente em escalas, como concordo, concordo
fortemente, não concordo); medidas fisiológicas (baseiam-se em reações corporais,
como pupilas dilatadas); e técnicas observacionais (observador in loco).
Nosso comportamento por muitas vezes se distingue do que era esperado por nossas
atitudes, a razão disto é que tanto o tal comportamento quanto as atitudes estão
sujeitos a influências que podem ser internas ou externas, sendo estas da
personalidade, sociais, ambientais, entre outras.Mesmo que as vezes se possa prever
“médias” comportamentais elaboradas no que já se conhece de certos indivíduos, nem
sempre essas são certas, tendo como exemplo indicar um subordinado à um cargo
superior no serviço, pois o considera trabalhador e organizado pelas suas atitudes,
mas isso não necessariamente significará que comportamento do indicado será
exemplar para o cargo previsto.
Em suma, nossas atitudes não necessariamente pressupõem nosso comportamento
e, as vezes que o faz é quando as tais influências sobre o que dizemos e fazemos são
mínimas, quando a atitude é específica ao comportamento e quando a atitude é
potente.
Os psicólogos sociais da atualidade apresentam métodos para diminuir as influências
sociais sobre as descrições de atitudes das pessoas. Uma medida nova e muito
utilizada é o teste de associação implícita (IAT), no qual se utilizada dos tempos de
reação do indivíduo para medir com que rapidez as pessoas associam conceitos
(Greenwald et al., 2002, 2003), como exemplo pode-se medir atitudes de uma pessoa
pelo tempo que esta demora para associar elogios a pessoas gordas, enquanto
produz essa ação de forma mais rápido quando se trata de pessoas magras. Vale
ressaltar que o IAT não é suficientemente confiável para uso na avaliação e
comparação de pessoas, nestes casos os testes de atitude são mais válidos.
Para atitudes que foram formadas de maneira precoce em relação à vida (como as
raciais, de gênero e de sexualidade), atitudes implícitas e explícitas com frequência
não condizem, sendo que, frequentemente, as implícitas pressupõem melhor o
comportamento.

• Comportamento específico, atitude potente e adoção de atitudes fortes


por meio da experiência
Outras condições podem também aumentar a previsão de certos comportamentos,
sendo elas: comportamento muito específico e atitude potente.
- Quando há uma atitude geral e um comportamento específico, facilmente um
divergirá do outro. Agora quando a atitude for específica, essa irá predizer e convergir
mais facilmente com o comportamento específico. Para pressupor melhor ainda o
comportamento há o método de conhecer os comportamentos pretendidos pelo
indivíduo e mencionar estes, como exemplo: se o indivíduo pretende fazer exercícios,
falar “você não pretende ir à academia?”, torna- mais propenso a realmente ir, sendo
esta situação chamada de “teoria do comportamento planejado”.
- A atitude potente forma-se, primeiramente, ao indivíduo parar de comportar-se no
automático, ou seja, começa colocar sua atenção em suas ações e comportamentos:
ao trazer as atitudes à consciência, somos estimulados a pensar antes de agir, assim
produzindo comportamentos diferenciados por conta da autoconsciência. Uma das
formas de “ativar” a autoconsciência é o uso de espelhos na altura dos olhos das
pessoas, descoberta por uma experiência produzida por Batson em 1999, em que as
pessoas que se encontravam olhando-se no espelho tomavam decisões que ornavam
com as atitudes morais.
- As atitudes fortes e que melhor predizem o comportamento, são mais acessíveis,
bem como estáveis e duradouras, ocorrem quando são forjadas pela experiência
prática do indivíduo. Em um estudo, estudantes universitários expressaram atitudes
negativas sobre a resposta de sua escola à escassez de moradias. Porém, recebendo
oportunidades para agir – assinar uma petição, solicitar assinaturas, unir-se a um
comitê ou escrever uma carta, somente aqueles cujas atitudes se uniam da
experiência direta agiram (Regan & Fazio, 1977).

3. QUANDO COMPORTAMENTO AFETA ATITUDES


Muitas vezes nosso comportamento afeta nossas atitudes, ou seja, passamos a crer
aquilo que defendemos e fazemos, sejam esses atos morais ou imorais.
Um fenômeno em que isso ocorre é conhecido como “Role Play”, ou “desempenho de
papéis”, que é quando, ao encontrar-se em um novo ambiente ou situação, o indivíduo
desenvolve uma nova maneira de comportar-se, sentindo-se até falso. Porém, com o
tempo há a habituação dessa nova experiência e incorporação do novo
comportamento ao seu reportório comportamental que acaba por produzir atitudes
que convergem com estes. Em suma, a partir do momento que a pessoa exerce um
“novo papel” em que tem que apresentar determinadas ações, suas atitudes passam
a condizer com esse novo papel.
Outra situação de comportamento que afeta atitudes é quando o dizer torna-se
acreditar, ou seja, os indivíduos geralmente adaptam suas mensagens a diferentes
ouvintes e eles próprios passam a acreditar naquela versão alterada.
Também se tem o fenômeno “pé na porta” que alega que ao querer persuadir alguém
de algo grande, é necessário antes persuadi-lo a algo pequeno, assim tendo mais
chances de sucesso em relação à verdadeira intenção. Como exemplo pode citar-se
um dia um vendedor entregar um panfleto de seu produto e no outro abordar o
indivíduo para falar sobre este, a experiência prévia de ter aceitado o panfleto faz com
que o indivíduo tenha mais chances de comprar o produto do que as pessoas que não
receberam anteriormente o papel. Dento do fenômeno pé na porta, ainda encontra-se
a “ técnica da bola baixa” que pode ser exemplificado por um trabalhador que se
oferece para arrumar uma máquina por um preço X e ao chegar no local diz que ao
analisar a tal máquina, sairá mais caro: a sensação de comprometimento inicial leva
a pessoa que necessita dos serviços concordar com o novo valor mais do que se não
tivesse havido contato prévio e o único valor anunciado fosse o último.

• Comportamento Inter-racial ligados a atitudes raciais e movimentos


sociais.
Quando o comportamento inter-racial é positivo, esse tende a diminuir o preconceito
racial e promover a integração: algo extremamente bom.
Já os movimentos sociais nem sempre reproduzem consequências tão reforçadoras:
as leis sociais podem ser extremamente influenciadoras e, quando uma ideia é
implantada em massa pode ter resultados devastadores, como exemplo tendem-se a
manipulação do pensamento político alemão que precedeu e esteve presente durante
a segunda guerra mundial.

4. O PORQUÊ DO COMPORTAMENTO AFETAR AS ATITUDES

Os estudiosos da psicologia social apontam três teorias como razão do


comportamento afetar as atitudes: teoria da Autoapresentação, teoria da dissonância
e teoria da autopercepção.
A Autoapresentação pode ser resumida como a influência social que o indivíduo se
importe com sua imagem perante o outro, imagem a qual não quer ser visto como
inconsistente. Para evitar essa impressão, as pessoas tendem a ter ou simular
atitudes condizentes com seus atos. Por vezes, as pessoas até internalizam essas
atitudes para si e acabam levando-as como verdades.
A autojustificação ou dissonância cognitiva é quando, por duas informações ou
crenças incompatíveis, gera-se um desequilíbrio interno e para essa sensação
desagradável desaparecer há uma mudança em relação às ideias.
A autopercepção presume que quando nossas atitudes são fracas, ambíguas ou
confusas tendemos a estar da posição de observador como uma terceira pessoa:
ouvir-se falando informa suas atitudes e ver suas ações demonstra a força com que
acredita nelas.

• Autopercepção: expressões e atitude


As expressões de emoção por sinais externos que um indivíduo recebe pode modificar
suas atitudes, podendo essas serem dele mesmo para adaptar-se à uma situação ou
de uma terceira pessoa que está em sua presença. Há a tendência também de
sincronizar-se com as ações da tal terceira pessoa, por exemplo mantendo em uma
conversa o mesmo tom de voz que ela.

• Autopercepção: Efeito de justificação excessiva e motivações intrínsecas


Efeito de justificação excessiva ocorre quando recompensas não necessárias são
recebidas pelo indivíduo, sentindo a partir disso que suas ações não são mais
intrinsecamente atraentes e sim manipuladas de forma externa. Quando recebe uma
recompensa inesperada e sem intenção de controle, o indivíduo pode despertar maior
motivação intrínseca.

5. SÍNTESE DO RELATÓRIO
Observa-se que tanto a atitude pode afetar e prever o comportamento quanto o
comportamento a atitude, porém de diferentes maneiras e intensidades: A atitude
quase nunca prevê o comportamento por conta das influências externas que ocorrem
neste, divergindo-o do que se é esperado. Às vezes raras que o comportamento
converge com a atitude são as que o indivíduo sofre interferência mínima do meio
social (psicólogos chegaram a criar métodos para diminuir a tal e poder compreender
melhor as ações das pessoas). Se são atitudes específicas e não gerais, também é
mais fácil predizer o comportamento, junto das atitudes potentes.
Já o comportamento parece afetar a atitude de forma mais ampla, uma vez que
tendemos a crer naquilo que proferimos e fazemos, por vezes para manter o equilíbrio
interno (teoria da autojustificação), por outras para nos encaixarmos nos novos papéis
sociais que nos são desempenhados. Há também a teoria da autoapresentação que
diz que convergirmos nossas atitudes com nossos comportamentos para não
parecermos “inconsistentes” para as outras pessoas (tratando-se novamente de uma
influência externa). Outra teoria é a da autopercepção em que os indivíduos tendem
a avaliar suas atitudes fracas como uma terceira pessoa em observação e compara-
la com seu comportamento.
Em suma, nosso comportamento e atitude estão ligados um ao outro, podendo revelar
pessoas morais, imorais, hipócritas ou até ambíguas.

6. REFERÊNCIAS
• G.MYERS, David. Psicologia Social, 4ºed. Editora Artmed, 2014.
CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
BEATRIZ RODRIGUES ADÃO (RA:737874)
JOÃO PAULO MORAIS (RA: 737623)
KATHARINA RIPAMONTI ZAPPAROLI (RA:737932)
SORAIA DE SOUZA MARQUES (RA:737942)

COMPORTAMENTO E ATITUDES: EXPLICAÇÃO E SÍNTESE

SANTO ANDRÉ
2019
SUMÁRIO

1. Introdução...................................................................................página 1
2. Atitudes e a medida que estas predizem o comportamento.......página 1
3. Quando comportamento afeta atitudes.......................................página 3
4. O porquê do comportamento afetar as atitudes..........................página 4
5. Síntese do relatório.................................................................... página 4
6. Referência...................................................................................pagina 5