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No século XX foi atribuído o nome de Modernismo às várias correntes Avant-Garde da arte e

arquitectura, que dominaram a cultura Ocidental. Neste movimento estético de vanguarda, existem
vários “Ismos”, (Cubismo, Futurismo, Sensacionismo) e é sobre o Cubismo, que irei fazer a minha
apresentação.
O cubismo é um movimento artístico que teve influência na pintura, na literatura, na escultura e na
arquitectura. Na minha exposição depois de referir algumas considerações relativamente ao cubismo
irei focar a sua influência na pintura e na literatura, terminarei com uma breve reflexão.
O Cubismo foi uma tendência artística moderna, que surgiu em 1906, em França e teve a influência de
Cézanne pela sua análise das formas e dos planos – geometrismo e pela sua simplicidade quase
abstracta.
Este movimento artístico, que teve como seus principais pioneiros Picasso e Braque por volta de 1907,
desenvolveu-se inicialmente apenas na pintura vindo depois a expandir-se a outras artes como a
escultura, a arquitetura e também à literatura.
O Cubismo é caracterizado pela:
 redução dos objetos interpretados a figura geométricas;
 abundância de planos;
 destruição da harmonia das cores e formas;
 decomposição das figuras ao extremo, abandonado a aparência real das coisas;
 o objeto pintado é fruto de uma decomposição e de uma recomposição do objecto feito pelo
artista.
O cubismo dividiu-se em três fases:
 “Cezzanniana” (pela influência do pintor) – uma espécie de preparação para o Cubismo as obras
são constituídas por paisagens e casarios, numa constante geometrização das formas;
 Analítica – as cores eram sóbrias, a composição bastante complexa e as temáticas mais comuns
foram a as naturezas mortas e os objectos quotidianos;
 Sintética – em que os autores introduzem nas suas telas elementos estranhos à pintura (madeira,
tecido, vidros, papéis...) – fase da pintura-objecto, que se desligava da natureza e tomava formas
cada vez mais abstractas.

Foi Pablo Picasso quem mais se destacou na evolução do cubismo. Audacioso na abstração, destrói a
realidade, substituindo-a por outra inteiramente subjectiva, totalmente sua. Os objetos que aparecem
nas telas jamais existiram antes: são fruto de uma criação.
O cubismo confirma-se em 1908, em Paris, com o quadro de Picasso Les Demoiselles d’Avignon no
decurso da exposição organizada por Braque. Nesta obra, este grande artista espanhol retratou a nudez
feminina de uma forma inusitada, onde as formas reais, naturalmente arredondadas, deram espaço a
figuras geométricas perfeitamente trabalhadas.

Braque, como Picasso, foi também pioneiro do cubismo. Por exemplo, perante sua tela “Garrafa e
Peixes” ficamos, desconcertados, pois o título, muito concreto, remete para objetos correntes mas,
num primeiro olhar, o quadro é uma amálgama desordenada de pequenas figuras geométricas.
A obra afasta-se da representação tridimensional de tipo ilusionista, optando por uma visão
inteiramente nova dos objetos representados. Pelas suas características integra-se claramente na fase
analítica do cubismo.
Em Portugal (mas vivendo em Paris), Santa-Rita Pintor descobre a nova estética expondo o seu quadro
O Silêncio num Quarto sem Móveis, em Paris. Santa-Rita nunca chegou a expor em Portugal e o artista
quis que a obra morresse com ele e pediu à família para queimar tudo após a sua morte. Entre os que
escaparam está “Cabeça Cubo-Futurista”, uma peça central da modernidade portuguesa que se
encontra em exposição no Museu do Chiado em Lisboa.
A obra Cabeça Cubo-futurista, como o título indica, uma cabeça, um rosto. Manifesta uma síntese entre
o cubismo e o dinamismo. A imagem fragmentada por diversos planos, vista em diversos ângulos e a
utilização de única e exclusivamente tons de cinzento torna o que seria um rosto humano numa
máquina (futurismo: exaltação da máquina)

Embora tenha sido mais forte nas artes plásticas, o cubismo também se manifestou no campo literário.
A literatura cubista apresentou como principais características: elaboração formal do texto, uso de
impressão tipográfica e destaque para os espaços em preto e em branco. O mais importante
representante da literatura cubista foi o escritor e poeta francês Guillaume Apollinaire.
Mário de Sá-Carneiro, companheiro de Santa-Rita em Paris, é o primeiro português, a iniciar o cubismo
literário e artístico, escrevendo alguns versos segundo os preceitos desta estética. A primeira vez que se
lhe refere é numa carta a Fernando Pessoa: "No entanto, confesso-lhe, meu caro Pessoa, que, sem estar
doido, eu acredito no cubismo. (…) “
Sá-Carneiro deixou-nos alguns versos que são já verdadeira poesia cubista, como o poema "Cinco
Horas".
Em comentário a este poema, Alfredo Margarido nota que "não é difícil reconhecer a analogia com a
pintura cubista, que fez do café, do seu mobiliário e dos objectos que aí circulam o centro vital da sua
busca plástica. Por outro lado, o poema de Sá-Carneiro pertence a um registo inteiramente visual, como
se o poeta estivesse a elaborar um desenho onde o carvão fosse alegrado pelas cores dos xaropes".
Fernando Pessoa esteve igualmente atento a esta estética, embora sem a adoptar como modelo de
escrita. Registam-se apenas alguns comentários e raros versos soltos próximos do cubismo.
Álvaro de Campos, em "Futilidade, irrealidade, (...) estática de toda a arte", esboça um poema de
inspiração cubista.
De uma forma geral, a literatura cubista entende o poema como um objeto artisticamente autónomo,
evitando o descritivo e privilegiando as descontinuidades e a fragmentaridade das ideias e dos versos.
Não ordena os registos da memória, não narra o contínuo histórico, não opta por lirismos fáceis, não
escreve sobre sentimentalismo amoroso. Graficamente desafiam as convenções da escrita, não
respeitam a gramática nem a prosódia, preferem a paródia da representação tradicional dos objetos.

Original e profundamente revolucionário, o cubismo enriqueceu o universo artístico, que dotou de


novos materiais e novas formas de expressão. Foi, sem dúvida, a corrente que mais decisivamente
contribuiu para o novo conceito de arte que marcaria o século XX.