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ANAFILAXIA

DRA ANA CAROLINA DA MATTA AIN


AMBULATÓRIO DE ALERGIA E IMUNOLOGIA DO HUT
URTICÁRIA
• Urticária – pápulas ou placas em todo o corpo
• Reação de pele
• Prurido

• Urticária aguda – até 6 semanas


• Urticária crônica - aparece pelo menos 4x por
semana, em um período maior que 6 semanas
EPIDEMIOLOGIA
• Urticária - 15 a 25% da pop
• 0,1% população em consultas dermatológicas
• 50% apresentarão por pelo menos um ano
• 20% além de 20 anos
• Carregando…
70% urticárias crônicas idiopáticas
• 0,1% a 3% na população em geral
• Mulheres (2:1)
ANAFILAXIA
• A anafilaxia é reação de hipersensibilidade aguda
grave, de início súbito e evolução rápida,
potencialmente fatal (D)
• Anafilaxia – pode acometer todos os órgãos
• Forma mais grave de manifestação
• Alto impacto na qualidade de vida
• Emergência médica
• Requer pronto tratamento
EPIDEMIOLOGIA DA ANAFILAXIA

• Incidência 4-50 casos por 100.000


• Anafilaxia entre crianças 4.8/10.000 ano
• Há poucos estudos sobre anafilaxia nas unidades de
urgência e emergência ou no pré-hospitalar (maioria
Carregando…
retrospectivos)
• Entre as reações alérgicas 1% dos casos
• Mortalidade da anafilaxia < 2% dos casos
• 1000 mortes por ano nos EUA (metade penicilina)
QUADRO CLÍNICO
Manifestações cutâneas - pele e mucosas
(80% a 90%)
+
Comprometimento variável dos aparelhos:
Respiratório (40-60%)
Trato gastrintestinal (25% a 30%)
Cardiovascular (30% a 35%)
Sistema nervoso (10% a 15%)

Surgem cerca de minutos a horas após a exposição


ao agente desencadeante
Lockey RF, Kemp SF, Lieberman PL, Sheikh A. Anaphylaxis. in: Pawankar R, Canonica GW, Holgate S, Lockey R, Blaiss M (eds). World Allergy
Organization (WAO) White Book on Allergy. Update 2013. WAO, 2013: 48-53.
QUADRO CLÍNICO

Manifestações cutâneas:
• Eritema localizado ou difuso
• Prurido
• Rash
• Urticária
• Prurido labial, língua
e palato
• Angioedema
QUADRO CLÍNICO
Manifestação respiratória:
• Prurido e congestão nasal, espirros
• Prurido ou aperto na garganta
• Disfonia, rouquidão, estridor
• Tosse, sibilância ou dispneia
• Edema de orofaringe ou laringe
QUADRO CLÍNICO

• Trato gastrointestinal:
• Náuseas, vômitos, cólicas e diarreia

• Sistema cardiovascular :
• Hipotensão, com ou sem síncope, taquicardia e arritmias
cardíacas
• Pode "desmascarar" uma doença coronariana subclínica e
acarretar infarto do miocárdio e/ou arritmias, independente do
uso de adrenalina

• Manifestações neurológicas: cefaleia, crises convulsivas e


alterações do estado mental

• Outras manifestações clínicas: sensação de morte iminente,


contrações uterinas, perda de controle de esfíncteres, perda
da visão e zumbido
QUADRO CLÍNICO

CHOQUE ANAFILÁTICO
• Padrão hiperdinâmico
• Taquicardia
• Diminuição da resistência vascular periférica
• Hipotensão, arritmia, choque hipovolêmico,
síncope, dor torácica
• Óbito pode ocorrer em minutos
• Raramente após dias da reação inicial
• Por choque ou parada respiratória19(C) 20(D).
ANAFILAXIA
Classificação de
gravidade
Grau I Prurido / Urticária generalizada +
Ansiedade / Mal estar
Grau II Grau I +
Angioedema

Grau III
Carregando…
Náuseas, vômitos ou diarreia
Grau I +
Sibilos, dispneia ou estridor
Grau IV Grau I +
Hipotensão, perda de consciência ou
incontinência de esfíncteres

Allergy 1993;48S14:51-60
QUADRO CLÍNICO
• Unifásicas, tardias ou bifásicas

• Reações bifásicas: Recorrência do quadro


• 10-20% dos casos de anafilaxia
• + comum alimentos
• Podem ser mais graves do que a inicial, óbito
• 8 até 12 h após o primeiro evento
• Não há sinais e sintomas preditivos
REAÇÃO DE GELL E COOMBS - 1983
FISIOPATOLOGIA
Sensibilização alergênica - formação de Ac
específicos da classe IgE (B)

Ativação de mastócitos e basófilos

Liberação rápida de mediadores pré-formados,


como histamina, triptase, carboxipeptidase A3,
quimase e proteoglicanos

Fosfolipase A2, ciclo-oxigenases e lipo-oxigenases

Produção de metabólitos do ácido araquidônico,


Leucotrienos, Prostaglandinas, fator ativador de
plaquetas (PAF), IL-6, IL-33 e TNF-α
FISIOPATOLOGIA
Histamina

• Mediador dos sintomas da fase imediata da


anafilaxia
• Meia-vida de 30 minutos
• Metabólitos urinários da histamina, incluindo a
metil-histamina, podem ser detectados em até 24
horas pós-início da anafilaxia(D)
FISIOPATOLOGIA
Triptase

• Picos séricos em 60 a 90 minutos após o início da


anafilaxia
• Permanece elevada por até 5 horas
• Pode ativar o sistema calicreína-cinina, o que leva
à produção de bradicinina, causando o angioedema
(B), (D)
OUTROS MECANISMOS
• Complemento
• Ativação direta de mastócitos e basófilos
• Drogas (opiáceos e contrastes radiológicos)

• Exercício físico
• Não exigem sensibilização, podem surgir já num primeiro
contato
• No caso de contrastes, parece haver maior risco de reação
entre os atópicos e nos que apresentaram reação previa a
outros medicamentos. (D)
• Ácido araquidônico: analgésicos, AINES
FATORES DE RISCO
• Idade: crianças, adolescentes e idosos
• Atopia - Asma
• Gestantes
• Sexo

• Via de administração, velocidade de infusão


• Tempo desde a última reação
• Estação do ano
• Doença cardíaca pré-existente
• Uso de β-bloqueadores, IECA, Inibidores da MAO
• Outros: febre, exercício, estado pré-menstrual, infecção
aguda da via aérea superior, álcool e estresse.

(Recomendação D)
• Paciente durante jogo de futebol foi picado por
inseto. Após 15 minutos apresentou edema facial
(olho) e desconforto respiratório. Não sabe qual foi
o inseto. Atópico: rinite.
DIAGNÓSTICO ANAFILAXIA POR
INSETOS

• Identificação do inseto
• Abelha deixa o ferrão no local da picada
• Vespa não deixam ferrão
• Formiga provocam lesão local, com eritema e vesícula

• Picadas são doloridas e pode ou não haver reação no local (C) (D)
• Diagnóstico: anticorpos IgE específicos para o
• Testes cutâneos ou da determinação de IgE específica no soro
• Prevenção: Imunoterapia específica com veneno de insetos
Paciente de 3 anos, nascida com meningomielocele
corrigida, necessitou realizar mais uma cirurgia
urológica. Após 30 minutos do procedimento
apresentou reação cutânea com pápulas pelo
corpo, sibilância, queda de saturação e hipotensão.
Mãe refere que o paciente apresentava diarreia e
hiperemia perioral ao ingerir banana.
DIAGNOSTICO DE ANAFILAXIA
INTRAOPERATÓRIA
• Qualquer uma das drogas usadas durante cirurgia pode
induzir reações anafiláticas
• AINES
• Antibióticos
• Agentes anestésicos: hipnóticos, antibióticos, opiáceos,
relaxantes musculares
• Suxametônio, alcurônio, vecurônio, pancurônio e atracúrio, - 70 a
80% de reações alérgicas durante anestesia geral. Podem ser
mediada por IgE.
• Látex
• Incidência 1:3.500 e 1:20.00042,43(D)
• Importante identificar o agente causa - segurança para novo
procedimento
• Ficha anestésica e descrição cirúrgica
• Testes cutâneos e provas laboratoriais
ALERGIA AO LÁTEX
• Risco de sensibilização é maior em:
• Atópicos
• Pacientes submetidos a várias cirurgias (crianças com
várias cirurgias e espinha bífida)
• Médicos e outros profissionais da área da saúde
• Equipamentos médicos
• Preservativos
• Balões
• Brinquedos
• Reação cruzada:
• kiwi, banana, abacate, tomate, aipim, inhame, grapefruit,
pêssego, papaia, castanha, etc.
• IgE sérica específica e por testes cutâneos
PACIENTE ESTAVA NO RESTAURANTE E APÓS
INGERIR CAMARÃO APRESENTOU LESÕES
AVERMELHADAS EM TODO O CORPO E VÔMITOS.
REAÇÕES POR ALIMENTOS
• Leite de vaca
• Soja
• Clara de ovo, gema de ovo
• Trigo
• Milho
• Peixe
• Crustáceos
• Frutos do mar
• Amendoim, Nozes, castanhas
• Legumes e frutas
ANAFILAXIA OU A SÍNDROME DA
ALERGIA ORAL
• Prurido de orofaringe com ou sem angioedema facial
• Ingestão de certos alimentos derivados de plantas; resultante da
presença de proteínas homólogas em polens e alimentos
• Alergia grave ao pólen, por exemplo, de ambrosia, gramíneas ou
pólen de árvores
• Profilina: principal alérgeno de todas as gramíneas, encontrado em
muitas plantas, pólens e frutas
• Associações de reatividade cruzada típica de alérgenos são:
• Pólen de bétula: maçã, batata crua, cenoura, aipo, avelã

• Pólen de Artemísia: aipo, maçã, amendoim e kiwi


• Pólen de Ambrosia: melão, melancia, cantalupo, banana
ANAFILAXIA INDUZIDA POR
EXERCÍCIO

• Associada a alimentos pode ocorrer


quando o paciente se exercita dentro
de 2-4 horas após ingerir um alimento
específico.
• Trigo (epítopo gliadina omega-5),
camarão, amendoim, milho, maçã,
aipo, leite de vaca, pêssego, soja,
farinhas contaminadas com ácaros
(anafilaxia por panquecas), etc.
OUTRAS CAUSAS
• Contrastes hiper osmolar
• Anestésicos locais
• Estímulos físicos: exercício, frio, calor, pressão, sol,
água
Sd. Hereditárias: urticária ao frio familiar, angioedema
Carregando…

vibratório familiar, deficiência do inativador de C3b
• Malignidades: leucemia, linfoma, mieloma múltiplo,
carcinoma do cólon, do reto, dos pulmões e dos ovários,
neoplasias hepáticas
• Doenças Endócrinas: Diabetes mellitus, hiper ou
hipotireoidismo, hiperparatireoidismo, ovariopatias,
dermatite auto-imune à progesterona
• Auto-imunidade: LES, AR, Urticária Vasculite
• Idiopático 10%
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

Fonte: Sampson et al.


CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
• A anafilaxia é altamente provável se um desses critérios estiver presente:
• 1) Início agudo (minutos a poucas horas) com envolvimento de pele, mucosas ou
ambos (ex: urticária, prurido ou eritema facial, edema lábios-língua-úvula) e, no
mínimo, um dos seguintes:
• A) comprometimento respiratório(dispneia, sibilos, broncoepasmo, estridor, pico de
fluxo expiratório reduzido, hipoxemia)
• B) Pressão arterial reduzida ou sintomas associados de disfunção orgânica (ex:
hipotonia, síncope, incontnencia)
• 2) inicio de dois ou mais dos seguintes sintomas depois do contato com provável
alérgeno (minutos a horas):
• A) Envolvimento de pele ou mucosas
• B) Comprometimento respiratório
• C) Hipotensão ou sintomas associados
• D) Sintomas gastrintestinais persistentes (ex: cólica abdominal persistente,
vômitos)
• 3) Diminuição de pressão arterial depois de contato com alérgeno conhecido para
o paciente (minutos a horas):

• Crianças (pressão sistólica < 70 mmHg de 1 mês até um ano, 70 mmHg +2 x


idade de 1 a 10 anos de idade e menor que 90 mmHg para os demais),
• Adultos ou pressão sistólica menor que 90 mmHg ou variação > 30% da sua
pressão basal.
DIAGNÓSTICO
• Diagnóstico deve ser precoce para instituir a
terapêutica com rapidez
• Órgãos envolvidos e gravidade variam
• Diagnóstico é clínico
• Profissionais de saúde subestimam anafilaxia na
ausência de choque
• Nenhum critério diagnóstico tem 100%
sensibilidade e especificidade (95%)
DIAGNÓSTICO
• Exames complementares baseados na história

• Anticorpos IgE séricos específicos para


alérgenos
• No momento da reação pode ser negativa -
deve ser realizada posteriormente
• Testes cutâneos de leitura imediata (puntura)
TESTES CUTÂNEOS
TESTE INTRADÉRMICO
• NUNCA APLICAR A PRÓPRIA MEDICAÇÃO ID!!!!
DIAGNÓSTICO
Triptase sérica
• Teste mais útil para confirmação diagnóstica
• Duas formas: alfa-protriptase e beta-triptase
• Níveis de triptase sérica permanecem elevados por 6 h ou +
• Melhor momento para a dosagem - 1 a 2 horas após o início
da reação anafilática
• Confirmação diagnóstica de anafilaxia(C) (D)

Histamina
Elevadas apenas nos primeiros 60 minutos e não são estáveis
• Colher entre 10 minutos a 1 hora
• Metilhistamina urinária elevados na urina por até 24 horas
Paciente foi submetido procedimento odontológico.
Recebeu anestésico local. Apresentou sudorese,
fraqueza e desmaiou. Já havia recebido a mesma
medicação várias vezes sem intercorrências porém
não gostava de ir ao dentista. Recuperou-se em 2
minutos. Foi encaminhado ao alergista para
avaliação sobre alergia ao medicamento.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• REAÇÃO ANAFILACTÓIDE

• Reação vasovagal: hipotensão, bradicardia, palidez, síncope,


fraqueza, náuseas e vômitos
• Não cursam com manifestações cutâneas

• Anafilaxia: hipotensão, taquicardia

Nomenclature Review Committee of WAO, J Allergy Clin Immunol 2004;113:832-6


DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• Síndromes flush (Rubor): Carcinóides, pós menopausa,
alcoólicas, carcinoma medular de tireóide, epilepsia,
tumores secretantes de peptídeo vasoativo intestinal
(VIP)
• Síndromes de restaurante: Glutamato monossódico,
sulfitos, escombroidose (envenenamento por histamina)
• Outras formas de choque: Hemorrágico, cardiogênico,
endotóxico
• Síndromes com excesso de produção endógena de
histamina: Mastocitose sistêmica, urticária pigmentosa,
leucemia basofílica
• Doenças não-orgânicas: Pânico, estridor, Síndrome de
Munchausen, síndrome da disfunção de cordas vocais,
histeria, feocromocitoma
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
TRATAMENTO
• A (airway)
• B (breathing)
• C (circulation)
ANAFILAXIA J Allergy Clin Immunol 2002;110:341-348

• Monitorar os sinais vitais : FC, PA, Pulso, FR, Sat


• Manter o paciente aquecido
• Posicionamento supino, elevação dos membros inferiores
• Levantar-se ou sentar-se subitamente estão associados a
desfechos fatais (“síndrome do ventrículo vazio”).
• Decúbito dorsal, com o pescoço em extensão
• Oxigênio úmido por cânula nasal ou máscara (100% - 4 a 6 L/min) -
manter boa oxigenação, prevenindo fibrilação ventricular e sofrimento
cerebral

.
TRATAMENTO
Epinefrina (adrenalina)

• É a droga mais importante e primeira medicação a ser


administrada ao paciente

• Alfa-1 adrenérgicos
• Vasoconstrição
• Alívio e prevenção do edema de laringe, hipotensão e choque
• Propriedades β-adrenérgicas: aumentam a contratilidade do
miocárdio, o débito cardíaco e o fluxo coronariano
• Diminui risco de anafilaxia bifásica, encefalopatia isquêmica e
óbito

Guia para manejo da anafilaxia-2012 – Grupo de Anafilaxia da ASBAI. Rev. bras. alerg. imunopatol. – Vol. 35. N° 2, 2012
TRATAMENTO
TRATAMENTO
• “If you think epinephrine, give epinephrine”
ANAFILAXIA J. O. Hourihane, Allergy 2001;56:1023-1025

• Epipen® (0,3mg)
• Epipen Junior® (0,15mg)
TRATAMENTO
Anti-histamínicos (antagonistas H1 e H2)
• Segunda linha
• Ação mais lenta, não devem ser utilizados isoladamente

• Antagonista H1: urticária, angioedema e prurido

• Difenidramina: 25 a 50 mg para adultos e 1 mg/kg na criança (dose máxima


de 50 mg) EV ou IM lento ou VO
• 1 ampola = 50 mg
• Nos casos mais leves a via oral pode ser utilizada.

• Prometazina injetável (Fenergan®):


• 25 mg/dose (1 ampola = 2 mL = 50 mg)
• Criança > 2 anos de idade: 0,1 a 0,5 mg/Kg/dose até de 6/6 horas, IM ou EV
(diluir a 25 mg/min).
• EV: hipotensão, necrose se extravasar
• Efeitos: fotossensibilidade
• Contraindicação: glaucoma, depressão do SNC, obstrução gastrointestinal ou
urinária

Anafilaxia: guia prátic - Rev. bras. alerg. imunopatol. – Vol. 29, Nº 6, 2006.
TRATAMENTO
Corticosteróides
• Suprimem a progressão da urticária e do angioedema associados à
anafilaxia, prevenção de reação bifásica?
• Ação após 4 a 6 horas da primeira dose
› Hidrocortisona:
• Dose adulto 100 - 500 mg
• Criança: 5 a 10 mg/Kg/dose IM ou EV (infusão), preferencialmente
de 30 segundos a 10 minutos
› Metilprednisolona:
• Adulto: 60 a 125 mg/dose (até 4x)
• Criança:
• Ataque de 2mg/Kg IM ou EV
• Manutenção 0,8 a 1,0 mg/Kg/dia IM ou EV a cada 6 horas
• Casos mais leves: prednisona ou prednisolona 0,5-1,0 mg/kg/dia
por via oral é suficiente

Anafilaxia: guia prátic - Rev. bras. alerg. imunopatol. – Vol. 29, Nº 6, 2006.
TRATAMENTO
Broncoespasmo

• Salbutamol spray 100 mcg/dose com espaçador

• Via inalatória: • Aerosol dosimetrado com espaçador (100 mcg/jato)


• Adultos/Adolescentes 4-8 jatos, a cada 20 min,
• Crianças: 50 mcg/Kg/ dose=1jato/2kg; Dose máxima: 10 jatos

• Nebulizador: Solução para nebulização: gotas (5 mg/mL) ou flaconetes (1,25 mg/ml)


• Adultos/Adolescentes 2,5-5,0 mg, a cada 20 min, por 3 doses
• Crianças: 0,07-0,15 mg/kg a cada 20 minutos até 3 doses Dose máxima: 5 mg

• Fenoterol (solução para nebulizlação) 0,5 – 1 gota/5Kg de peso, máximo de 8


gotas), repetir até duas vezes, com intervalo de 20 a 30 minutos

• Edema laríngeo leve a moderado: Epinefrina por nebulização (epinefrina –


1:1000): 2,5 a 5ml em adulto ou 0,1mg/Kg em crianças diluídos

Anafilaxia: guia prátic - Rev. bras. alerg. imunopatol. – Vol. 29, Nº 6, 2006
Lockey RF, Kemp SF, Lieberman PL, Sheikh A. Anaphylaxis. in: Pawankar R, Canonica GW, Holgate S, Lockey R, Blaiss M (eds).
World Allergy Organization (WAO) White Book on Allergy. Update 2013. WAO, 2013: 48-53.
TRATAMENTO

• Expansores de volume
• Soluções cristalóides ou colóides - hipotensão persistente
• SF 0,9% ou Ringer Lactato 1 a 2 litros (adultos)
• 5 a 10 mL/kg nos primeiros cinco minutos e 30ml/kg na primeira hora
(crianças)

• Agentes vasopressores - Dopamina, Adrenalina e Vasopressina

• Glucagon - 1 a 5 mg (20-30 mcg/kg em crianças, máximo de 1 mg)


EV em mais de cinco minutos e seguida de uma infusão mais lenta
na dose de 5-15 mcg/minuto

Anafilaxia: guia prátic - Rev. bras. alerg. imunopatol. – Vol. 29, Nº 6, 2006

: Simons et al.: International consensus on (ICON) anaphylaxis. World Allergy Organization Journal 2014 7:9.
TRATAMENTO
• Lembrar: anafilaxia pode ser fatal
• 5 minutos a partir do contato com um fármaco

• 10 a 15 minutos depois da picada de um inseto


• 35 minutos depois do contato alimentar

• Indivíduos com asma mal controlada têm maior risco de reações fatais
• Quanto mais a hipotensão se agrava na evolução da reação, menor
será a resposta ao tratamento com adrenalina
• Mesmo com o administração rápida de adrenalina, até 10% das reações
podem não ser revertidas
• Paciente em uso de beta-bloqueador pode necessitar de doses maiores
de adrenalina para o mesmo efeito. Nestes casos, o ideal é utilizar
glucagon
• Observação clínica:
• Casos leves - mínimo de 6-8 hs
• Casos graves, 24-48 hs
PREVENÇÃO DE NOVAS CRISES

• Orientação para pacientes ou responsáveis :


• Evitar contato com desencadeantes comprovados
• Cartão/pulseiras de identificação
• Evitar alimentação nas quatro horas anteriores a
exercício extenuante
• Imunoterapia específica para o veneno do inseto
causador da reação
• Dessensibilização para látex, antibióticos β-
lactâmicos e ácido acetilsalisílico podem ser úteis
em situações específicas
• Informação clara de todos os ingredientes “ocultos”
em alimentos industrializados deve constar no seu
rótulo
ORIENTAÇÃO SOBRE A POSSIBILIDADE DE
RECORRÊNCIA DE SINTOMAS ATÉ 12 HORAS APÓS O
EPISÓDIO:
• Casos idiopáticos;

• Absorção contínua do alérgeno


• Asma mal controlada
• História anterior de reação bifásica

• Corticoesteróides por via oral: prednisona ou


prednisolona 1-2 mg/Kg/dia em dose única - 5-7
dias.
• Antihistamínicos H1 de 2ª geração (fexofenadina,
cetirizina, deslotaradina) por 7 dias.
Plano de Emergência para Reações Alérgicas Agudas
A anafilaxia é uma reação aguda, muito rápida que em poucos minutos pode matar. Assim, é muito importante usar a
medicação correta aos primeiros sintomas.
RECONHEÇA OS SINTOMAS DA ANAFILAXIA:
Vermelhão no corpo, mal estar, coceira (principalmente em couro cabeludo, palmas e plantas), placas de urticária, inchaço
em lábios, olhos, ou outras partes do corpo, falta de ar, tosse, coceira na garganta, chiado, mudança de voz, nariz trancado,
espirros, dificuldade para engolir, náusea, vômito, cólicas, diarréia, queda da pressão, palidez, batedeira, tontura, dificuldade
para raciocinar, desmaio.
Esses sintomas não precisam vir todos de uma vez. Muitas vezes, eles ocorrem gradualmente, mas em poucos minutos
podem se manifestar na totalidade.
AJA O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL!
1- Se começar a ter vermelhidão e inchaço localizado, tome imediatamente o antialérgico:
____________________________________________________
Fique observando atentamente e comunique algum familiar ou amigo próximo para lhe ajudar em caso de necessidade
urgente, solicitando a ele que utilize a medicação (adrenalina autoinjetável) se você não tiver condições de fazê-lo.
2- Se os sintomas acima aumentarem para o corpo todo de forma rápida (em 10-20 minutos), use sua adrenalina
autoinjetável e o corticóide via oral (___________________________________). Logo a seguir, vá para o OS
3- Se juntamente com os sintomas do item 1, começar a apresentar pelo menos um dos sintomas descritos acima
(“Reconheça os sintomas da anafilaxia”), proceda como descrito no item 2.
4- Se começar a ter sintomas de asma (chiado, tosse, falta de ar) e se você já for uma pessoa com asma, siga seu plano de
ação para crise de asma. Caso esses sintomas aumentem, mesmo após usar o broncodilatador e o corticóide, proceda como
no item 2.
Mesmo que você tenha alívio dos sintomas de asma após uso do broncodilatador e do corticóide mas se aparecer junto com a
crise asmática pelo menos um sintoma descrito acima (“Reconheça os sintomas da anafilaxia”), proceda como item 2.
5- Se você começar a ter dores abdominais tipo cólicas + vômitos e/ou diarréia, tome medicação sintomática
(antiespasmódico +analgésico) prescrita por seu médico e hidratação via oral e observe. Caso junto com esses sintomas
apareça pelo menos um dos sintoma descrito acima (“Reconheça os sintomas da anafilaxia”), proceda como item 2.
6- Se você tiver certeza que entrou em contato com o que lhe desencadeia a anafilaxia e logo depois (até 1 hora após)
começar a ter tontura e mal estar proceda imediatamente como no item 2
OBRIGADA!

caroldamattaain@gmail.com

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