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Disciplina: Estratificação Social

Discente: Danilo Mourão dos Santos. Matrícula: 190080833


Data Aula: 22/11/19

Ribeiro, C. A. C. (2006). Classe, raça e mobilidade social no Brasil. Dados, 49(4), 833–873

O artigo de Ribeiro (2006) tem o objetivo de contribuir na controvérsia sobre o fator


determinante da desigualdade social brasileira, considerando classe e raça. Na primeira parte do
artigo se recupera as principais pesquisas desse tema e suas hipóteses para em seguida testá-las
pelos dados da PNAD (1996). A maior parte das pesquisas analisam as desigualdades de resultado,
mas quando o debate é saber qual fator determinante da desigualdade é importante delimitar a
pesquisa nas desigualdades de oportunidade entre brancos, pardos e pretos.
Os questionamentos que Ribeiro (2006, p. 834) pretende responder é: “será que pessoas com
origens de classe distintas e de diferentes grupos de cor ou raça têm oportunidades desiguais de
mobilidade ascendente? De que forma cor da pele e classe de origem se relacionam às
oportunidades de mobilidade ascendente?” Para responder essas perguntas o autor reúne dados
sobre origem de classe, destino de classe, cor ou raça e escolaridade.
Ao revisar o tema da desigualdade, é possível extrair quatro hipóteses. A primeira, no Brasil
não existem barreiras raciais fortes para explicar a dificuldade de ascensão social a causa
explicativa é a classe, tese defendida por Pierson. A segunda, com a constituição da estrutura de
classe haverá uma mobilidade social do não-brancos acirrando a disputa mediante a discriminação
racial, tese de Costa Pinto. A terceira, sugere o desaparecimento da discriminação racial em
detrimento do crescimento da discriminação de classe, uma vez que o racismo é um fenômeno
tipicamente colonial em vias de desaparecimento na nascente sociedade capitalista, tese defendida
por Florestan Fernandes. Todas essas hipóteses são resultadas de pesquisas qualitativas. A quarta
hipótese, resultado da primeira pesquisa quantitativa, afirma que a discriminação continuaria
mesmo após o desenvolvimento da sociedade de classe e a oportunidade de mobilidade social entre
brancos e não-brancos não dependeria da origem de classe, tese de Carlos Hasenbalg [RIBEIRO,
2006, p. 836 e 837].
Outras pesquisas quantitativas foram realizadas por Hasenbalg, Caillaux, Silva e Hasenbalg,
Carvalho e Neri, e Silva, mas todas oscilaram entre uma variável determinante enquanto causa da
desigualdade social. Para uns desses autores a origem de classe é fundamental para outros a raça
[RIBEIRO, 2006, p. 840 a 842]. Nesse cenário Ribeiro (2006, p. 841) tem o objetivo de
compreender “se há interação entre classe de origem e raça nas chances de mobilidade social, como
também qual o padrão desta interação.
A PNAD (1996) adotou o esquema de ocupação EGP composta de 16 ocupações, na
tentativa de adequar a variável classe aos interesses da pequisa, Ribeiro (2006, p.843), reduziu para
quatro classes de destino1. Do ponto de vista da análise foi adotado três modelos estatísticos, log-
lineares, logit (regressão logística) e logit multinomial condicional [RIBEIRO, 2006, p. 843].
A origem de classe traz os seguintes dados: 61% dos pardos, e 56% do pretos, e 49% dos
brancos são de origem familiar rural, sendo que trabalhadores rurais é a ocupação de maior
concentração de pobreza. De outro modo 9% dos brancos, 4% dos pardos e 2% dos pretos são de
origem de famílias ricas, correspondendo a ocupação de profissionais e pequenos empresários.
Entre a ocupação mediana composta de trabalhadores manuais urbanos a proporção é de 56% dos
pretos, 48% dos pardos e 43% dos brancos sendo dessa origem de classe [RIBEIRO, 2006, p. 850].
Quando comparado os grupos raciais de origem de classe pobre foi possível concluir que
todos os grupos raciais tinham as mesmas possibilidades de ascensão sem nenhuma vantagem, isto
é, para os pobres a possibilidade mobilidade social é a mesma tornando a raça uma variável residual
[RIBEIRO, 2006, p. 853]. Mas quando se analisa membros das classes 1 e 2 a variável raça
determina se permanecerão nessa ocupação. As chances dos filhos brancos de permanecerem nas
classes ricas é de 2 pontos e os não-brancos 1,2 de chance. Assim, raça teria efeito na mobilidade
social das ocupações localizadas no topo, nas ocupações pobres seu efeito seria nulo [RIBEIRO,
2006, p. 855].
Quando se analisa as oportunidades educacionais foi perceptível que raça e classe
influenciam no aproveitamento das fases iniciais da educação formal. Na fase do ensino superior a
origem de classe e raça tem pouco impacto. Mas nas sucessivas transições de fases educacionais a
origem de classe tem maior peso no sucesso ou insucesso [RIBEIRO, 2006, p. 856].

1 As são as seguintes: “(1) profissionais, administradores e empregadores (as médias de renda e anos de educação para
classe de destino são: R$ 2.074,00 e 11 anos); (2) trabalhadores de rotina não-manual, técnicos e proprietários sem
empregados (as médias de renda e anos de educação para classe de destino são: R$ 801,00 e 8 anos); (3) trabalhadores
manuais e pequenos empregadores rurais (as médias de renda e anos de educação para classe de destino são: R$ 490,00
e 5 anos); e (4) trabalhadores rurais (as médias de renda e anos de educação para classe de destino são: R$ 244,00 e 2
anos).