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O filho da lei, e o filho da graça

“É A BONDADE DO SENHOR QUE NOS CONDUZ AO


ARREPENDIMENTO. AQUELE QUE, DE FATO, EXPERIMENTA O
AMOR DE DEUS SEMPRE REJEITA O PECADO”.

Em Lucas 18 e 19, temos a seqüência da historia de dois


homens ricos. Ambos foram confrontados pelo Senhor, mas a
resposta que deram foi completamente diferente. No capitulo
18, temos a historia do jovem rico, que chamaremos de filho da
lei, mas no capitulo seguinte, Jesus se encontra com Zaqueu, a
quem chamaremos filho da graça.

1. O FILHO DA LEI [Lc. 18:18-27]

O Senhor estava a caminho de Jerusalém quando um homem


correu em sua direção e se ajoelhou no chão diante d’Ele: “Bom
mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Sua pressa e
postura refletiam a angústia daquela pergunta. Sua duvida
parecia sincera, e o Senhor então lhe pergunta se ele guardava
o mandamento. O homem respondeu: “A tudo isso tenho
obedecido. O que me falta ainda?” [ Lc. 18:18-30]

Mas aquela resposta não era verdadeira. Aquela era uma


afirmação impossível. Paulo diz que ninguém jamais cumpriu
toda lei de DEUS e que se alguém pudesse cumprir a lei, isso
significaria que Jesus teria morrido em vão.

E claro que ele realmente não tinha cumprido a lei, mas


pensava que sim. Ele tinha criado justificativas para aqueles
mandamentos que não conseguia cumprir e certamente se
detinha apenas nas partes da lei que julgava mais importantes,
como assassinato e adultério, e ignorava o egoísmo, a luxuria e
a cobiça.

O PROBLEMA DA JUSTIÇA PRÓPRIA

O Senhor diz ao jovem que não há nenhum bom sequer.


Certamente, o Senhor e bom, mas Ele queria que o jovem
percebesse que ele próprio não era. Porém, em vez disso, o
jovem se encheu de justiça própria dizendo que praticava todos
os mandamentos. Enquanto estivermos cheios de justiça
própria, não podemos desfrutar da justiça que precede de
Cristo.

Marcos 10.21 diz que Jesus olhou para o jovem e o amou


profundamente. O Senhor viu ali um homem angustiado
tentando ganhar o amor e a admiração do pai. Viu um homem
escravo do perfeccionismo na ilusão de se justificar diante de
DEUS.

Apesar disso, a resposta do senhor parece ter sido tão dura; “Se
queres ser perfeito, vai vende os teus bens, dá aos pobres e
terás um tesouro no céu, depois, vem e segue-me” [ Mt. 19:21]

A DESILUSÃO CONSIGO MESMO

Várias vezes preguei essa passagem e critiquei a incapacidade


do rico de fazer o que Jesus lhe pedira. Ele amou mais o
dinheiro do que a Jesus, pensava. Mas por que realmente Jesus
disse isso? Se essa fosse a condição. Quem poderia ser salvo?
Creio que, se pedíssemos aos irmãos que vendessem tudo o que
têm, certamente teríamos uma igreja bem pequena, se é que
teríamos algum membro.

Ao condenar o homem, mostramos completa ignorância da


intenção de Jesus. Ele não estava oferecendo ao homem a
chance de comprar a sua salvação. Apenas queria mostrar a sua
completa incapacidade de cumprir a lei.

O Senhor esperava que o jovem olhasse em seus olhos e


dissesse; “Não posso fazer isso! Então, Ele lhe responderia:
” que bom! Então pare tentar merecer a graça de DEUS. Pare de
tentar ser merecedor daquilo que você jamais poderá merecer.
O Senhor queria que aquele homem deixasse de viver debaixo
da tirania da lei, a tirania da troca de favores com DEUS.

Evidentemente, o Senhor também sabia que aqueles que são


ricos tem dificuldades para receber de graça, porque tem
sempre a intenção de pagar pelo que não pode ser comprado.

O jovem rico simboliza aqueles que vivem debaixo da lei do


merecimento e estão sempre com a sensação de que não
fizeram o suficiente.
O problema da lei e que ela mostra a nossa condição de
pecador, mas não nos dá poder para cumpri-la.

2. O FILHO DA GRAÇA [Lc. 19:1-10]

Dois dias depois, o Senhor entra em Jericó. Ali havia um homem


muito rico, de pequena estatura, chamado Zaqueu, que era
cobrador de impostos, um tipo de pessoa odiada pelos judeus e
visto como ladrão e explorador [Lc. 19:1-10]. Esse pequeno
homem subiu numa figueira porque desejava ver Jesus. O
Senhor, porém, vendo-o, disse–lhe; “Zaqueu, desce depressa,
pois me convém ficar na sua casa” [Lc. 19:5]. Imediatamente,
aquele homem desceu e recebeu o Senhor em sua casa.

ELE TINHA DESEJO DE VER O SENHOR

O fato de subir numa árvore mostra o grande desejo que havia


em Zaqueu de conhecer o senhor. O jovem rico chamou o
Senhor de bom, mas aquilo não era uma adoração, era apenas
bajulação religiosa.

EXPERIMENTOU A GRAÇA DO SENHOR

Dessa vez, o Senhor não falou nada sobre guardar os


mandamentos, como havia dito ao jovem rico, mas demonstrou
sua graça entrando na casa de um pecador. Zaqueu sabia disso
e foi tocado pelo amor do Senhor.

As pessoas murmuravam porque Jesus havia entrado na casa


de um pecador e Zaqueu sabia disso. Isso certamente tocou
profundamente o coração de Zaqueu, pois diferentemente do
jovem rico, ele não tinha nenhuma justiça própria, pois tanto ele
quanto todo povo sabia que era pecador.

A GRAÇA PRODUZIU ARREPENDIMENTO

É a bondade do Senhor que nos conduz ao arrependimento.


Aquele que, de fato, experimenta o amor de DEUS sempre
rejeita o pecado [Rm. 2:4].
Muitos invertem essa ordem dizendo que só experimentamos
graça depois que arrependemos, mas é a graça que nos muda.
Podemos ver em Pedro um exemplo de princípio;

E aconteceu que, apertando-o a multidão, para ouvir a Palavra


de Deus, estava Ele junto ao lago de Genesaré; E viu estar dois
barcos junto à praia do lago, e os pescadores, havendo descido
deles, estavam lavando as redes. E, entrando num dos barcos,
que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da
terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão. E, quando
acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao mar alto, e lançai as
vossas redes para pescar. E, respondendo Simão, disse-lhe:
Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas,
sobre a tua palavra, lançarei a rede.

E fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco,


para que os fossem ajudar. E foram, e encheram os barcos, de
maneira tal que quase iam a pique. E vendo isto Simão Pedro,
prostrou-se aos pés de Jesus dizendo: Senhor, ausenta-te de
mim, que sou um homem pecador. [Lucas 5:1-8].

Observe que Pedro primeiro provou da benção, a graça da


grande pescaria, para depois prostrar-se arrependido. Pedro não
merecia aquela benção, pois preferia crer na sua habilidade
como pescador, mas mesmo assim o Senhor o abençoou. Nem
mesmo a nossa fé imperfeita é obstáculo para a graça de DEUS
nos abençoar.

A GRAÇA RESULTOU NO CUMPRIMENTO DA LEI

O Senhor não exigiu que Zaqueu vendesse os bens e desse aos


pobres, mas Zaqueu se levantou e disse; “Senhor, resolvo dar
aos pobres a metade dos meus bens, e se nalguma coisa tenho
defraudado alguém, restituo quatro vezes mais”. O jovem rico
não recebeu poder da lei para obedecer ao senhor, mas Zaqueu,
apenas por conhecer a graça, dispôs-se a restituir cinco vezes
mais quem tivesse defraudado.

O senhor tinha dito ao jovem rico para vender tudo o que tinha,
ele porém, foi embora triste porque era incapaz de obedecer ao
Senhor. Mas o Senhor não disse nada a Zaqueu sobre dar os
bens, no entanto ele decidiu dar a metade dos bens aos pobres
e ainda restituir a todos a quem tinha defraudado.
Quando cremos na graça, somos feitos filhos de Abraão, como o
Senhor disse sobre Zaqueu. No novo testamento, ser filho de
Abraão significa ser herdeiro da promessa dada a Abraão.
Significa ser justificado pela fé.

Essas duas historias não estão colocadas juntas por acaso no


evangelho de Lucas. O Espírito Santo quer nos ensinar a
diferença entre a lei e a graça, e como a graça nos dá poder
para fazer a vontade de DEUS.

“ENQUANTO ESTIVERMOS CHEIOS DE JUSTIÇA PRÓPRIA, NÃO


PODEMOS DESFRUTAR DA JUSTIÇA QUE PROCEDE DE CRISTO”

O jovem rico representa os que vivem debaixo da lei, que


procuram merecer a vida eterna e a benção de DEUS pelos seus
méritos.

Zaqueu, por outro lado, representa aqueles que sabem que são
pecadores, mas experimentaram a graça de DEUS. Não
merecem a benção de DEUS, mas mesmo assim desejam
recebê-la.

Podemos fazer um paralelo entre a vida de ambos. O jovem rico


tentou usar bajulação de palavras para agradar a Jesus; Zaqueu
usou sua atitude para chamar a atenção do senhor.

O jovem rico se achava perfeito; Zaqueu sabia que era pecador.

O jovem rico não renunciou aos bens materiais, mas Zaqueu


espontaneamente disse que devolveria tudo o que havia
roubado e daria a metade dos seus bens aos pobres.

O jovem rico mostrou como difícil para aqueles que amam as


riquezas entrarem no reino de DEUS, mas Zaqueu mostra como
e possível verdadeiramente um rico ter um encontro com DEUS
e entrar no seu reino.

O que Jesus disse do jovem rico? “Quão dificilmente entrarão


no reino de DEUS os que têm riquezas” O que Jesus disse a
respeito de Zaqueu? “Hoje veio salvação a esta casa, porque
também este e filho de Abraão”

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