Eletromagnetismo - Curso Completo Eletromagnetismo

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Eletrostática e Eletromagnetismo

Capítulo 08. Introdução ao Eletromagnetismo


1. Fundamentos
1.1. Ímãs
Sabemos que todo ímã tem dois pólos, de-
nominados norte e sul e que possuem propri-
edades de atração e repulsão quando em pre-
sença de outros ímãs, conforme os nomes dos
pólos que são aproximados.
Essa interação não ocorre somente entre
ímãs, mas entre um ímã e pedacinhos de fer-
ro que são atraídos pelas extremidades (pó-
los) do ímã.
Tal fato é explicado pela alteração causa-
da pelo ímã na região que o envolve.
1.2. Linhas de Indução Magnética
O aparecimento de força magnética sobre Essas linhas evidenciadas pelas partícu-
partículas de ferro e outros ímãs nos leva a las serão utilizadas para representar o cam-
concluir que o ímã gera ao redor de si um po magnético, tal como o fizemos com as li-
campo magnético. nhas de força do campo elétrico.
Esse campo magnético é facilmente Por convenção, vamos orientá-las do pólo
visualizável ao colocarmos um pedaço de norte para o pólo sul do ímã.
papel sobre um ímã em forma de barra e jo-
garmos limalha de ferro sobre o papel. As Costuma-se dizer que:
partículas de limalha de ferro irão se dispor
conforme a foto acima, formando linhas que “As linhas de indução nascem
no norte e morrem no sul”
partem dos pólos do ímã.

58 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 08. Introdução ao Eletromagnetismo


Eletrostática e Eletromagnetismo

Como toda linha de indução é fecha-


da, seu sentido de orientação se man-
tém, ou seja, dentro do ímã ela vai do
sul para o norte.

1.3. Campo Magnético Uniforme


Se dobrarmos um ímã em forma de barra,
as linhas de indução tornam-se retas parale-
las, só deformando-se nas extremidades. O
campo magnético entre as faces paralelas
pode ser considerado uniforme.
Importante:
Assim como no campo elétrico, quanto
mais próximas entre si estiverem as linhas
de indução magnética, mais intenso é o cam-
po magnético na região.

1.5. A Bússola e o Vetor Campo Magnético


Quando colocamos uma bússola numa re-
gião de campo magnético, sua agulha tende a
alinhar-se tangencialmente às linhas de
indução do campo magnético, com o pólo nor-
te no mesmo sentido do campo, ou seja, a agu-
1
lha simula o vetor campo magnético 1 , já que
a linha de indução tem sentido norte-sul.
Nesse caso, podemos até chamar, coloqui-
almente, o vetor campo magnético de "vetor
1.4. Vetor Indução Magnética agulha".
Apesar de as linhas de indução nos da-
rem uma idéia do formato do campo magné-
tico e de seu sentido, precisamos também co-
nhecer a intensidade do campo magnético em
cada ponto da região.
Para isso, definimos o vetor indução mag-
nética, ou simplesmente vetor campo mag-
1
nético, que é representado por 1 .
Em cada ponto do campo, o vetor campo
magnético é tangente às linhas de indução
magnética e no sentido destas.

Capítulo 08. Introdução ao Eletromagnetismo PV2D-06-FIS-51 59


Eletrostática e Eletromagnetismo

Exercícios Resolvidos
01. Seis bússolas, quando colocadas nas 02. Represente a força magnética resul-
proximidades de uma caixa que contém um tante que os pólos N e S do imã X exercem
ímã, orientam-se conforme a ilustração. O sobre o pólo N do imã Y, situados no mesmo
posicionamento correto do ímã é: plano, conforme a figura.

Resolução
O pólo N do imã X repele o pólo N do imã Y; o
pólo S, do imã X, atrai o pólo N do imã Y. Como o
pólo N do imã Y é eqïidistante dos pólos do imã X,
então as forças de atração e repulsão têm a mesma
intensidade. Assim, representando os vetores
1 1
1123 2 1345 e utilizando a regra do paralelogramo,
1
determina-se a força resultante 11

Resolução
Desenhando as linhas de indução utilizando o
conceito de "vetor agulha":

Resposta: C

60 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 08. Introdução ao Eletromagnetismo


Eletrostática e Eletromagnetismo

2. Campo Magnético
Foi no ano de 1820 que o físico dinamarquês Hans Christian Oersted, durante um experi-
mento de aquecimento de um fio quando percorrido por corrente elétrica, percebeu que a
agulha de uma bússola próxima ao fio sofrera deflexão e que tal acontecia só quando havia
corrente elétrica no fio. Esse fenômeno de produção de campo devido à existência de corrente
elétrica ficou conhecido como “efeito Oersted”.

Dependendo do sentido da corrente elétrica, a bússola pode defletir para um ou para outro
sentido, conforme as figuras a seguir.

3. Campo de um Condutor Retilíneo


Quando um condutor retilíneo é percorrido por corrente elé-
trica, em torno e ao longo do condutor , formam-se linhas circula-
res de indução magnética, conforme podemos observar na figura
a seguir.
Como em eletromagnetismo as direções dos vetores muitas
vezes são reversas, faz-se necessário adotar uma representação
vetorial para vetores cuja direção é perpendicular ao plano da
folha.

Capítulo 08. Introdução ao Eletromagnetismo PV2D-06-FIS-51 61


Eletrostática e Eletromagnetismo

Essa representação é a baseada no vetor


abaixo.

– Intensidade:
1
A intensidade do vetor 1 é dada por:

µ⋅2
1=
4⋅π ⋅3
1
Num ponto P externo ao condutor, o vetor 1
onde µ representa a permeabilidade
tem:
magnética do meio, i a intensidade de
– Direção: ortogonal ao condutor corrente elétrica que percorre o condu-
– Sentido: dado pela regra da mão direita tor retilíneo e d a distância do ponto P
ao condutor.

– Unidade de B no S.I.: T (tesla)


A permeabilidade magnética do vácuo,
representada por µ0 é:
4⋅5
µ 1 = 1π ⋅ 23 23
6
Obs.: A demonstração da equação da in-
1
tensidade de 1 é feita através da Lei Circuital
de Ampère.

62 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 08. Introdução ao Eletromagnetismo


Eletrostática e Eletromagnetismo

Exercícios Resolvidos
01. A figura representa um fio retilíneo e 02. Dois longos fios retilíneos e paralelos,
longo, situado no plano da folha e percorrido perpendiculares ao plano do papel, são per-
por corrente elétrica de intensidade 5 A. Sen- corridos por correntes elétricas de intensi-
do o meio o vácuo ( µ 1 = 1 ⋅ π ⋅ 23 23 Tm/A), de- dades i1= 8A e i2, como na figura abaixo.
termine as intensidades e os sentidos do cam-
po magnético nos pontos X e Y do plano do
papel e Z do fio.

Determinar o sentido e a intensidade da


corrente i2 de modo que o campo elétrico no
ponto P seja nulo.
Resolução
Pela regra da mão direita, concluímos que o cam-
Resolução po magnético B1 devido à corrente i1, no ponto P, tem
Pela regra da mão direita, determinamos o sentido sentido para cima.
do campo magnético nos pontos X e Y, lembrando Para que o campo resultante no ponto P seja nulo,
que, se o condutor retilíneo está no plano da folha, o campo B2, devido à corrente i2, tem que ter sentido
que é o mesmo plano de X e Y, o vetor campo magné- para baixo; logo, a corrente i2 tem sentido saindo do
tico é perpendicular ao plano do papel papel, apontado pra você.

µ ⋅2
Sendo 1 = e B1 = B2, então
3⋅ π ⋅ 4
Como o ponto Z encontra-se sobre o condutor e µ ⋅ 11 µ ⋅ 12 1 1
este não gera campo magnético sobre si mesmo, a in- = ⇒ 1 = 2
2 ⋅ π ⋅ 31 2 ⋅ π ⋅ 32 31 32
tensidade do campo no ponto Z é zero.
1 31
Calculando as intensidades dos campos nos pon- = ⇒ 31 = 7 8
2 456
tos X e Y.
µ 22
11
32π2 4
2 ⋅ π ⋅ 34 23 ⋅ 5
11 = 24
⇒ 11 = 5 ⋅ 34 25 7
6 ⋅ π ⋅ 6 ⋅ 34
2 ⋅ π ⋅ 34 23 ⋅ 5
11 = 24
⇒ 11 = 3 ⋅ 34 25 7
6 ⋅ π ⋅ 3 ⋅ 34
Capítulo 08. Introdução ao Eletromagnetismo PV2D-06-FIS-51 63
Eletrostática e Eletromagnetismo

4. Campo Magnético no Cen- 5. Campo Magnético no Cen-


tro de uma Espira Circular tro de uma Bobina Chata
Quando uma espira circular condutora, Justapondo n espiras circulares de mes-
de raio R, é percorrida por uma corrente elé- mo raio R, obtemos o que chamamos de bo-
trica de intensidade i, verifica-se o apareci- bina chata, de modo que o comprimento L é
mento de um campo de indução magnética 1
1 desprezível em relação ao raio da bobina
(efeito Oersted) no centro da espira. (L<<R).
Esse campo magnético tem, conforme mos-
tra a figura abaixo:

Quando essa bobina é percorrida por uma


corrente elétrica de intensidade i, gera no cen-
1
Direção: perpendicular ao plano da espira tro um campo de indução magnética 1 que
tem como características:
Sentido: dado pela regra da mão direita,
podendo-se inverter a correspondência en- Direção: perpendicular ao plano das
1 espiras.
tre os dedos da mão e os elementos i e 1 .
Sentido: dado pela regra da mão direita.
Intensidade: calculada pela expressão:
1 µ ⋅3 3
1=
µ ⋅2 Intensidade: 1 = 2 ⋅
2 5⋅44
4⋅3
em que µ é a permeabilidade magnética 6. Campo Magnético no Inte-
do meio.
rior de um Solenóide
A figura abaixo retrata as linhas de
indução em torno da espira. O enrolamento de um fio condutor em tor-
no de um cilindro, formando espiras circula-
res de mesmo raio e justapostas, é denomi-
nado bobina ou solenóide.
Fazendo-se circular uma corrente elétri-
ca de intensidade i pelo fio, origina-se, no in-
terior do solenóide, um campo magnético que
pode ser considerado uniforme quando o nú-
mero n de espiras for muito grande e o com-
primento d for muito maior que o raio R das
espiras.

64 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 08. Introdução ao Eletromagnetismo


Eletrostática e Eletromagnetismo

O campo magnético no exterior do solenóide assemelha-se ao de um ímã em forma de


barra.
1
No interior do solenóide, o vetor 1 é constante e tem:
Direção: a mesma do eixo do solenóide.
Sentido: dado pela regra da mão direita, como se segurando um bastão. A ponta dos dedos
indicando o sentido da corrente e o polegar indicando o sentido do campo.

µ ⋅2⋅3
Intensidade: 1=
4

Em que n é o número de espiras do solenóide e µ é a permeabilidade magnética do material


no interior do solenóide.
1
Observação – A razão é denominada densidade linear de espiras, e quanto maior for
2
seu valor, mais intenso será o campo no interior do solenóide.

Exercícios Resolvidos
01. Duas espiras circulares acham-se no Resolução
vácuo, em planos perpendiculares entre si, Fazendo a representação do descrito, temos:
com seus centros coincidindo. O raio de cada – para a espira horizontal
espira vale π cm e as correntes elétricas que
as percorrem têm intensidades i1 = i2 = 2 1 A.
Determine o vetor indução magnética no centro
das espiras e esboce um desenho da situação.
É dada a permeabilidade magnética do
vácuo: µ 1 = 1 ⋅ π ⋅ 23 23 T·m/A

Capítulo 08. Introdução ao Eletromagnetismo PV2D-06-FIS-51 65


Eletrostática e Eletromagnetismo

– para a espira vertical 02. Qual deve ser a intensidade de


corrente elétrica que circula em uma bobi-
na chata constituída por 50 espiras
circulares de 1π cm de raio, imersa no vá-
cuo ( µ 1 = 1 ⋅ π · 10–7 T·m/A), no instante em
que o campo de indução magnética no seu
centro é de 2 · 10–3 T?
Resolução
1 µ ⋅ 3 3 , a intensidade do campo de
Como os raios das espiras são iguais e elas são
Sendo 1 = 2 ⋅
2 4⋅ 5 4
percorridas por correntes iguais, a intensidade do campo indução magnética no centro da bobina chata, vem:
magnético no centro de cada uma é a mesma para
ambas e vale: 2⋅ 3 ⋅ 4 2 ⋅ 6 ⋅ π ⋅ 78 11 ⋅ 2 ⋅ 78 12
1= ⇒1=
5⋅ µ 68 ⋅ 9 ⋅ π ⋅ 78 13
µ 22 52π267 12 2 3 3
11 3 11
32 4 32π 1 = 23 4

B1 = B2 = 10–7 · 4 1 T
03. Qual deve ser a densidade linear de
O vetor indução magnética resultante no centro é: espiras, em espiras por metro, de um
solenóide para que, quando imerso no vácuo
1 1 1
1123 = 14 + 15
( µ 1 = 1 ⋅ π · 10–7 T·m/A) e percorrido por cor-
rente elétrica de intensidade 0,5A, o vetor
indução magnética ao longo de seu eixo te-
nha intensidade 1 ⋅ π ⋅ 23 12 T?
Resolução
1
Como a densidade linear de espiras é , temos:
2
µ ⋅ 2⋅ 3 2 1
1= ⇒ =
e sua intensidade: 4 4 µ⋅3
5 4 1
4 = 1 4 + 1 4 = 23 67 ⋅ 4 5
1123 24 + 123 67 ⋅ 4 524 1
=
3 ⋅ π ⋅ 45 12
2 3 ⋅ π ⋅ 45 13 ⋅ 567
4 = 64 · 10–14 ⇒
1123 1123 = 2⋅ 3445 5
1
= 34555 6789
7
2

66 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 08. Introdução ao Eletromagnetismo


Eletrostática e Eletromagnetismo

Capítulo 09. Força Magnética


1. Força Magnética (Força de
Lorentz) sobre Carga Lan-
çada em Campo Magnético
Quando uma carga puntiforme positiva q
penetra com velocidade 1 numa região do
1
espaço onde existe um campo magnético ca- 1
racterizado pelo vetor indução magnética 1 ,
fica sujeita à ação de uma força que atua late-
ralmente
1 na carga, chamada força magnéti-
ca 1 ou força magnética de Lorentz, como Regra do tapa: Colocando o polegar no
mostra a figura. sentido da velocidade 1 e os outros dedos no
1
1
sentido do vetor indução magnética 1 , a for-
ça magnética tem o sentido de um tapa dado
com a palma da mão.

1
Essa força magnética 1 tem:
Intensidade: proporcional à velocidade 1
1
e à carga q, ou seja, sua intensidade pode ser
determinada por:

1123 = 2 ⋅ 3 ⋅ 4 ⋅ 567 θ

Direção: perpendicular ao plano determi-


1 1
nado pelos vetores 1 e 1 .
Sentido: determinado pela “regra da mão
esquerda” ou pela do “tapa”. Observação – Quando a carga1q for nega-
Regra da mão esquerda: colocando o dedo tiva, o sentido da força magnética 1 será opos-
indicador
1 no sentido do vetor indução mag- to ao que seria se a carga fosse positiva, con-
nética 1 e o dedo médio no sentido da veloci- forme a figura a seguir, permanecendo
1 1 , o polegar determina o sentido da for-
dade
1
inalteradas a direção e a intensidade, qual-
ça 1123 . quer que seja a regra utilizada.

Capítulo 09. Força Magnética PV2D-06-FIS-51 67


Eletrostática e Eletromagnetismo

2. Carga Elétrica Lançada em


Campo Magnético Uniforme Sendo a força magnética perpendicular à
Quando uma carga elétrica puntiforme q velocidade durante todo o movimento, sua
(positiva, por exemplo) e massa m é lançada atuação tem característica de ação centrípeta,
com velocidade 1 num campo magnético ou seja, varia somente a direção da velocida-
1
uniforme, três situações podem ocorrer em de, obrigando a carga a descrever um movi-
função do ângulo θ de lançamento. mento circular uniforme de raio R.
a) Lançada paralelamente às linhas de Assim, temos: Fmag = Fcentrípeta ⇒
indução magnética 1 do campo, ou seja,1o
vetor velocidade 1 é paralelo ao vetor 1 . 4 ⋅ 21 4⋅2
1 ⋅2⋅3 = ⇒ 5=
Nessa situação, a força magnética é nula e 5 1 ⋅3
a carga descreve movimento retilíneo
uniforme. Sendo o MCU um movimento periódico,
Fmag = 0 podemos calcular seu período T (tempo gas-
to para dar uma volta), admitindo que a car-
ga fique aprisionada nesse campo.
Como a velocidade pode ser calculada por:
4π ⋅ 2 1 ⋅ 3 , então 1 ⋅ 2 3 ⋅ 1 e,
1= ⇒2= =
3 4π 6π 4 ⋅5

5⋅π⋅2
assim, 1 =
3 ⋅4

c) Lançada obliquamente às linhas de


Sendo: 1123 = 2 ⋅ 3 ⋅ 4 ⋅ 567 θ e θ = 0° ou indução magnética do campo, a partícula
θ = 180°, em ambos os casos sen θ = 0. descreve um movimento helicoidal uni-
forme, qualquer que seja o ângulo θ, dife-
b) Lançada perpendicularmente às linhas de
rente dos citados anteriormente e compre-
indução magnética do campo, ou seja, o vetor
1 endido no intervalo 0° < θ < 180°.
velocidade 1 é perpendicular ao vetor 1 .
1
Nesse caso, a força magnética tem inten-
A força magnética tem intensidade: sidade dada por:
1123 = 2 ⋅ 3 ⋅ 4
1123 1 2 23242567 θ
pois θ = 90°.

68 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 09. Força Magnética


Eletrostática e Eletromagnetismo

Exercícios Resolvidos
01. Uma partícula carregada negativa-
mente penetra com velocidade v = 2 · 103 m/s
no ponto X de um campo magnético unifor-
me, descrevendo a trajetória semicircular XY
da figura.
Sendo o módulo de sua carga elétrica igual
a 5 µC e sua massa igual a 10 g, determine:
a) a intensidade, direção e sentido do
vetor indução magnética que fez a partícula
descrever a trajetória indicada;
b) o tempo necessário para descrever esse
percurso.
Para facilitar o estudo desse movimento,
vamos decompor a velocidade 1 em duas
1

componentes perpendiculares 1 1 e 1 1 , que


1 1

têm direções, respectivamente, perpendicu-


lar e paralela às linhas de indução.
Podemos estudar o movimento helicoidal
uniforme da partícula como sendo resultan-
te da composição de dois movimentos:
a) Na direção perpendicular às linhas de
indução temos um movimento
1 circular
uniforme, pois 1 1 e 1 são perpendicula-
1
Resolução
res (θ = 90°).
a) Como a trajetória é circular, a força magnéti-
b) Na direção paralela às linhas de indução 1
1 à velocidade 1 ;
ca tem direção radial e é perpendicular
temos um1 movimento retilíneo uniforme, logo, o vetor indução magnética 1 tem direção per-
pois 1 1 e 1 são paralelos (θ = 0° ou θ = 180°).
1
pendicular ao plano da folha. Aplicando a regra
da mão direita ou a do tapa determinamos o sentido do
vetor indução.

Capítulo 09. Força Magnética PV2D-06-FIS-51 69


Eletrostática e Eletromagnetismo

O sentido do vetor indução magnética é entrando Com base na figura, identifique:


na folha. a) as trajetórias de cada uma das partí-
2⋅3 2⋅3 culas, justificando sua conclusão;
1= ⇒ 5=
4⋅ 5 4⋅ 1 b) O sentido do vetor campo de indução
magnética.
67 ⋅ 67 −1 ⋅ 8 ⋅ 67 1
5= ⇒ 5 =
⋅ 67 4 Resolução
9 ⋅ 67 −2 ⋅ 67 ⋅ 67 −3
b) Como o percurso descrito é o de meia circunfe- 2⋅3
a) Sendo 1 = , a partícula com trajetória
rência, temos: ∆s = π · R 4⋅5
∆s = π · 1· 10–1 m 1
de maior raio é aquela que tem a maior relação , já
∆2 2
Então, 1 = , já que o valor da velocidade é
∆3 que ambas foram lançadas com a mesma intensidade
constante, pois a força atua perpendicularmente à v de velocidade, num mesmo campo magnético.
velocidade.
Sendo as cargas do próton e do elétron iguais em
−1 módulo e a massa do próton maior que a do elétron,
∆2 π ⋅ 45
Dessa forma, vem: ∆1 = = concluímos que a trajetória de número 1 é a do elétron
3 6 ⋅ 45 2
e a de número 2, a do próton.
∆1 ≅ 364 ⋅ 35 −1 2
b) Analisando a força atuante no próton (trajetó-
Outra forma de calcular é observar que esse tem- ria de número 2), com a regra da mão esquerda ou do
po corresponde ao de meio período (meia-volta): tapa concluímos que o sentido do vetor campo mag-
nético é saindo do papel.
2 6π ⋅ 3 π ⋅ 78 ⋅ 78 −1
∆1 = ⇒ ∆1 = =
6 6 ⋅ 4 ⋅ 5 9 ⋅ 78 −2 ⋅
⋅ 78 3

∆1 ≅ 364 ⋅ 35 −1 2

02. Um elétron e um próton penetram com


a mesma velocidade num campo magnético
uniforme delimitado pela linha tracejada,
segundo as trajetórias da figura abaixo.

3. Força Magnética sobre


Condutores Retilíneos
No módulo anterior, pudemos observar
que uma partícula dotada de carga elétrica,
em movimento num campo magnético, pode
sofrer ação de uma força magnética.

70 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 09. Força Magnética


Eletrostática e Eletromagnetismo

Estudemos agora o que acontece com um fio cula, forças estas que agem como que tentan-
metálico retilíneo, percorrido por corrente elé- do retirar, pela lateral do condutor, as partí-
trica, quando imerso em um campo magnético. culas que constituem a corrente elétrica, con-
Por ser um condutor de 1ª classe, a cor- forme indica a figura abaixo
rente elétrica é constituída pelo movimento
ordenado dos elétrons-livres e, assim, sobre
cada um deles atua uma força magnética,
quando o fio não se encontra paralelo às li-
nhas de indução magnética do campo.
Essa força magnética sobre os elétrons tem
sentido determinado pela regra da mão esquer-
da ou do tapa, como foi apresentado no item 1
da página 65.
Se ao invés de cargas negativas a corrente
elétrica fosse constituída de cargas positivas,
movendo-se no sentido convencional da corren- Considere os seguintes elementos:
te, o resultado também seria obtido pelas mes- ∆t – intervalo de tempo para que uma car-
mas regras (figura abaixo). ga elementar se desloque de uma extremida-
de à outra do condutor.
1
1= – velocidade média dessa carga
∆2
elementar ao longo do condutor.
∆1 = 2 ⋅ 3 – quantidade de cargas elemen-
tares em todo o comprimento do condutor.
Como em cada carga elementar a força mag-
nética tem intensidade fmag = e · v · B senθ
θ, mes-
ma direção e mesmo sentido que nas demais, a
Para facilitar o estudo, vamos supor o con- resultante de todas elas tem intensidade:
dutor sendo percorrido por corrente consti-
F = n · fmag ⇒ F = n · e · v · B · senθ
θ
tuída por cargas elementares positivas.
Vejamos o caso em que um condutor 1 ∆3
retilíneo de comprimento L, percorrido por
1 2 ∆3 ⋅ ⋅ 5 ⋅ 678θ ⇒ 1 2 5 ⋅ ⋅ 1 ⋅ 678θ
∆4 ∆4
corrente elétrica i, encontra-se1 imerso em um
campo magnético uniforme 1 , de modo a for- e como a corrente elétrica no condutor tem
mar ângulo θ com as linhas de indução do ∆2
campo. intensidade 1 = , a força que age no con-
∆3
Sobre cada partícula portadora de carga
dutor é: 1 2 3 ⋅ 4 ⋅ 1 ⋅ 567θ
elétrica elementar +e, que constitui a corren-
1
te elétrica, atua uma força elétrica 1 e, assim, ao Essa força magnética tem:
Direção: perpendicular ao plano deter-
1
longo do condutor, teremos inúmeras forças 1 .
Dessa forma, o condutor estará sujeito à minado pelo condutor e pelo vetor indução
1
1
ação de uma força magnética 1 , que é a resul- magnética 1 , ou seja, perpendicular ao con-
1
tante de todas essas forças sobre cada partí- dutor e ao vetor 1 .

Capítulo 09. Força Magnética PV2D-06-FIS-51 71


Eletrostática e Eletromagnetismo

Sentido: dado pela regra da mão esquerda ou do tapa, substituindo-se a velocidade 1 pela
1
corrente elétrica i, conforme mostram as figuras abaixo.

4. Força Magnética entre Condutores Retilíneos Paralelos


Vejamos o caso em que temos dois condutores retilíneos e paralelos percorridos por cor-
rentes elétricas.
Cada um dos condutores está imerso no campo magnético originado pela corrente elétrica que
percorre o outro condutor e, dessa forma, fica sujeito a uma força magnética, como mostram as figuras.

Nelas percebemos que a corrente i1 origi- Do mesmo modo, demonstra-se que a for-
na no local
1 do condutor 2 e ao longo deste um ça sobre o condutor 1 tem essa mesma inten-
campo 11 , de modo que a força sobre esse sidade, devido ao campo originado pela cor-
condutor é: 1 = 2 1 ⋅ 3 2 ⋅ 1 ⋅ 456 78° , pois o ân- rente i2.
gulo entre 11 e i2 é 90°, logo, Apesar de as forças entre os condutores
1
terem a mesma direção e intensidade, e de
1 = 21 ⋅ 3 2 ⋅ 1 seus sentidos serem contrários, elas não são
de ação e reação.
1
Acontece que o campo 11 tem intensidade
1
dada por: 11 =
µ ⋅ 21
e dessa forma, a força Quando as correntes nos condutores
3π ⋅ 4 têm mesmo sentido, a força entre eles é de
no condutor é: aproximação e quando as correntes têm
µ ⋅ 21 ⋅ 22 ⋅ 1 sentidos contrários, a força entre eles é de
11 = afastamento.
3π ⋅ 4

72 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 09. Força Magnética


Eletrostática e Eletromagnetismo

Aplicando a regra da mão esquerda ou do tapa,


Exercícios Resolvidos determinamos o sentido da corrente no condutor como
01. O condutor XY, retilíneo e horizontal sendo de Y para X.
da figura, tem comprimento 50 cm e está
imerso num campo magnético vertical para
cima, de intensidade 1,5 · 10–3 T.
Determine o sentido e a intensidade da cor-
rente elétrica que deve percorrê-lo para que o
bloco de massa 30 g, preso pelo fio ideal ao con-
dutor, permaneça em equilíbrio num local em
02. Qual das alternativas abaixo repre-
que a aceleração da gravidade é de 10 m/s². Des-
senta corretamente 1 o sentido do vetor
prezam-se todos os atritos sobre o eixo da polia.
indução magnética 1 , da corrente elétrica i e
das correspondentes forças entre os dois con-
dutores retilíneos e paralelos ?

Resolução
Desenhando as forças sobre os corpos vem:
r
B
r Y r
F T

r
T

r Resolução
P Lembrando que,
Do equilíbrio de forças que agem no conjunto temos: quando as correntes
têm mesmo sentido, a
1 =2 13 força é de atração e,
3 2 ⇒ 1 = 45 6787
, quando têm sentidos
2 = 4 34
opostos, é de repulsão,
eliminamos as alterna-
tivas a e e.
1 ⋅ 2 ⋅ ⋅ 345 67° 8 9 ⋅
⇒ 1 ⋅ 2 ⋅ 8 9 ⋅

Aplicando a regra da mão esquerda ou do tapa,


3⋅ 4 6 ⋅ 78 12 ⋅ 78 percebemos que a única resposta correta é:
12 ⇒ 1= ⇒ 1 = 233 4
5⋅ 79
⋅ 78 13 ⋅
⋅ 78 −4 Resposta: D

Capítulo 09. Força Magnética PV2D-06-FIS-51 73


Eletrostática e Eletromagnetismo

Capítulo 10. Indução Eletromagnética

1. Fluxo Magnético Sua unidade no SI é o weber (Wb).


1 Wb = 1 T · 1 m2 e, dessa forma, temos
A figura representa uma superfície plana
imersa num campo magnético. Nela obser- 45 = 4
23
e isto significa que o campo de
vamos que três linhas de indução atravessam 11
a superfície e outras quatro não, dessa forma indução magnética pode ser medido também
dizemos que há um fluxo magnético através em weber por metro quadrado.
dessa superfície.

Para um campo magnético uniforme e


uma superfície de área constante, vamos
estudar dois casos extremos, decorrentes da
variação do ângulo θ.

1º caso: Fluxo magnético nulo


Quando o ângulo θ for igual a 90°, temos:
φ = 1 ⋅ 2 ⋅ 345 67° e, como cos 90° = 0, então
Esse fluxo é tanto maior quanto mais li- o fluxo é nulo.
nhas de indução estiverem atravessando a
superfície.
φ1234 = 1
Para tanto, podemos:
– aumentar a intensidade B do campo de Observe na figura abaixo que nenhuma
indução magnética, o que condiz com uma linha de indução magnética atravessa a su-
diminuição do espaço entre as linhas de perfície.
indução, ou seja, estando mais próximas
entre si, maior o número de linhas que
atravessam a superfície;
– aumentar a área A da superfície, o que au-
menta o número de linhas de indução que
a atravessam;
– girar a superfície, variando o ângulo θ entre
1
o vetor 1 e um vetor 1 ( sempre perpendi-
1
cular à superfície) que serve como
orientador da posição dela em relação ao 2º caso: Fluxo magnético máximo
1 Quando o ângulo θ for igual a 0°, temos:
vetor 1 .
A expressão que relaciona essas três variáveis φ = 1 ⋅ 2 ⋅ 345 6° e, como cos 0° = 1, então o
e que permite o cálculo do fluxo magnético é: fluxo é máximo.

φ = 1 ⋅ 2 ⋅ 345 θ φ 123 = 1 ⋅ 2

74 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 10. Indução Eletromagnética


Eletrostática e Eletromagnetismo

Observe na figura abaixo que o número de linhas de indução magnética que atravessam a
superfície é máximo.

2. Indução Eletromagnética
Com base no efeito Oersted (1820), em que uma corrente elétrica gera campo de indução
magnética, alguns físicos do início do século XIX começaram a pesquisar a possibilidade de que
o inverso ocorresse, ou seja, de que um campo magnético podia ocasionar corrente elétrica.
A questão era saber como isso poderia ser feito e foi Faraday que, em 1831, descobriu como
fazê-lo, ao perceber que o segredo estava na variação do fluxo magnético através de uma
superfície condutora.
Vejamos o seguinte experimento realizado com uma espira circular que se aproxima de um ímã.

Temos três linhas de indução atravessando a espira no instante t1, cinco no instante t2 e
sete no instante t3 .
Verificamos, então, que o número de linhas de indução que atravessam a espira está vari-
ando com o tempo, ou seja, está ocorrendo uma variação de fluxo magnético com o tempo e é
justamente esta variação que acarreta o surgimento na espira de uma corrente elétrica deno-
minada corrente induzida.

Capítulo 10. Indução Eletromagnética PV2D-06-FIS-51 75


Eletrostática e Eletromagnetismo

2.1. Lei de Faraday


Essa corrente induzida é decorrente de uma força eletromotriz induzida na espira que
pode ser expressa como sendo a rapidez com que acontece essa variação de fluxo.
A lei que descreve essa rapidez de variação, proposta por Faraday, é:

Se verificarmos as unidades dessas grandezas no Sistema Internacional de Unidades,


56768 134
podemos escrever: 1234 = , ou seja, 12 = .
96
2 15

2.2. Lei de Lenz


Em 1834, o físico russo Heinrich Friedrich Emil Lenz, baseando-se em experimentos de
Faraday e após tê-los repetido, completou-os com uma lei que leva o seu nome e que justifica
o sinal de menos na expressão da lei de Faraday.
Lenz percebeu que, ao aproximar a espira do pólo norte do ímã, surge na mesma uma corrente
elétrica contínua, no sentido anti-horário, de modo a gerar um campo magnético cujo pólo norte
está voltado para o pólo norte do ímã em forma de barra, como mostra a figura abaixo.

Se agora afastarmos a espira, a corrente elétrica induzida inverte de sentido, passando a


ser no sentido horário, ocasionando um campo magnético cujo pólo sul agora está voltado
para o pólo norte do ímã.

A corrente elétrica
induzida num circuito
gera um campo magné-
tico que se opõe à varia-
ção do fluxo magnético
que induz essa corrente.

76 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 10. Indução Eletromagnética


Eletrostática e Eletromagnetismo

Exercícios Resolvidos
1
Assim, o campo induzido 11 tem que ter sentido
01. Uma espira constituída por um fio
1
contrário ao de 1 , ou seja, deve estar saindo do
condutor retangular é empurrada perpendi- plano da folha.
cularmente às linhas de indução magnética Pela regra da mão direita, verificamos que o senti-
de um campo magnético uniforme perpendi- do da corrente induzida i0 é anti-horário.
cular à folha, até sair pelo outro lado, como
mostra a figura.
Determine o sentido da corrente induzida
na espira em cada uma das representações I,
II e III.

Situação II
Nesta situação, o número de linhas de indução
que atravessam a espira permanece constante, ou seja,
o fluxo é constante e, desse modo, não há corrente
elétrica induzida na espira ( i0 = 0 ).

Resolução
Situação I
Situação III
O número de linhas de indução que atravessam a
espira está aumentando, ou seja, o fluxo está aumen- O número de linhas de indução que atravessam a
tando. espira está diminuindo, ou seja, o fluxo está diminu-
indo.
Esse aumento do fluxo é decorrente do au-
mento da área hachurada que corresponde à área Essa diminuição do fluxo é decorrente da dimi-
A efetivamente atravessada pelas linhas de nuição da área hachurada que corresponde à área A
indução. efetivamente atravessada pelas linhas de indução.
Para manter o fluxo constante, surge uma cor- Para manter o fluxo constante, surge uma cor-
rente induzida, ocasionando um fluxo no sentido con- rente induzida, ocasionando um fluxo no mesmo sen-
trário ao daquele que está aumentado. tido daquele que está diminuindo.

Capítulo 10. Indução Eletromagnética PV2D-06-FIS-51 77


Eletrostática e Eletromagnetismo

1
Assim, o campo induzido 11 tem que ter o mesmo b) Sendo a velocidade da espira 30cm/s, ela
1 demora 0,5 s para estar inteiramente fora do campo
sentido de 1 , ou seja, deve estar entrando no plano magnético, ou seja, para o fluxo passar de máximo
da folha. para zero.
Pela regra da mão direita, verificamos que o senti-
∆φ = φ −φ
do da corrente induzida i0 é horário. 12345 2326245

∆φ = 1 − 234 ⋅ 51 −1 = 234 ⋅ 51 −1 67
∆φ
Pela lei de Faraday: ε = −
∆1

ε1−
1−234 ⋅ 56 2 −1

634
ε = 9,0 · 10–2 V

c) Pela lei de Ohm, vem: ε = R · i0


02. No exercício anterior, sabendo-se que ε 345 ⋅ 65 −2
a velocidade da espira é de 30 cm/s, que o cam- 11 = =
2 75
po magnético local tem intensidade 1,5 T e
que a resistência elétrica da espira é de 30 Ω, i0 = 3,0 · 10–3A
determine:
a) o fluxo máximo através da espira;
b) a força eletromotriz induzida na espira 3. Condutor Retilíneo em
quando está saindo do campo magnético;
c) a intensidade da corrente elétrica
Campo Magnético Uniforme
induzida. O condutor retilíneo da figura tem com-
primento L e se desloca, com velocidade 1
1
Resolução
a) A área da espira é A = 0,15 m · 0,20 m = 0,03 m2 constante, num campo magnético uniforme
1
1
e, como o ângulo entre os vetores 1 (perpendicular à 1 , devido à ação de um agente externo.
1 Esse condutor, durante todo o movimento,
espira) e 1 é θ = 0°, tem-se:
se mantém em contato com um grampo con-
φ = 1 ⋅ 2 ⋅ 345 θ dutor em forma de U e, assim, cada elétron
livre do condutor fica sujeito à ação de uma
φ = 11 2 ⋅ 2 ⋅ 13 −1 ⋅ 456 3° 1
força magnética 1123 de intensidade fmag = e ·
φ = 1 1 2 ⋅ 34 −1 56 1 1
v · B (pois 1 e 1 são perpendiculares entre si).

78 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 10. Indução Eletromagnética


Eletrostática e Eletromagnetismo

Essa força faz com que esses elétrons adquiram movimento de X para Y, dando origem à
corrente elétrica induzida i0, como vimos no módulo anterior.

Dessa forma, há uma diferença de potencial 4. Transformadores


entre os terminais X e Y do fio e que corresponde
a uma força-eletromotriz induzida E. Os transformadores elétricos são dispo-
sitivos cujo funcionamento baseia-se no fe-
A força sobre cada elétron é constante e nômeno da indução eletromagnética.
realiza um trabalho calculado por:
Eles permitem alterar uma ddp variável,
e = fmag · d, ou seja, e = e · v · B · L aumentando ou diminuindo seu valor, con-
Acontece que esse trabalho também pode forme a necessidade.
ser calculado por: Constituem-se de um núcleo único de fer-
e = e · (Vx – Vy), ou ainda, e = e · ε e, assim, ro laminado, envolto por duas bobinas opos-
temos: tas, denominadas circuitos primário e secun-
1/ ⋅ ε = 1/ ⋅ 2 ⋅ 3 ⋅ L ⇒ ε=B·L·v dário, conforme mostra a figura.

Importante observar que sobre o condu-


tor age uma força magnética com sentido opos- i1 i2
to ao do movimento da haste, que pode ser
determinado utilizando-se a regra da mão es- U1 N1 N2 U2
querda ou a do tapa, e que condiz com a lei de
Lenz. Portanto, para que a haste se movimen-
te, é necessária a ação de um agente externo
que a faça atravessar o campo magnético.

• Para o circuito primário


U1 = tensão alternada (fornecida pela conces-
sionária)
i1 = corrente alternada
N1 = número de espiras

• Para o circuito secundário


U2 = tensão alternada (utilizada pelo consu-
midor)
i2 = corrente alternada
N2 = número de espiras

Capítulo 10. Indução Eletromagnética PV2D-06-FIS-51 79


Eletrostática e Eletromagnetismo

A corrente elétrica alternada na bobina A ddp entre as pontas das asas corresponde à for-
do primário ocasiona uma variação de fluxo ça eletromotriz induzida E.
magnético em todo o núcleo de ferro e conse-
qüentemente na bobina do secundário. ε = B · L · v e como v = 900 km/h = 250 m/s
Considerando desprezíveis as perdas no ε = 2 · 10–5 · 20 · 250 ⇒ ε = 1 · 10–1 V
núcleo de ferro, podemos escrever:
02. A potência nominal máxima de um
11 2 1 3 2
= = transformador é 1.500 W. Sabendo-se que a
1 2 2 2 31 tensão originada no secundário é de 50 V e que
o número de espiras no primário e no secun-
E como U1 · i1 = U2 · i2 , as potências elétri- dário é 400 e 100, respectivamente, determine:
cas no primário e no secundário são iguais: a) a intensidade da corrente elétrica
P1 = P2 . induzida no secundário quando o transfor-
mador está funcionando em condições de
Exercícios Resolvidos potência máxima;
01. Qual a ddp entre as pontas das asas b) a tensão no primário;
de um avião metálico, voando horizontal- c) a intensidade da corrente elétrica no
mente com velocidade escalar constante de primário.
intensidade 900 km/h, sobre uma região de Resolução
campo magnético uniforme, vertical de in- a) Sendo P2 = U2 · i2 tem-se 1.500 = 50 · i2
tensidade B = 2 · 10–5 T? Sabe-se que a distân-
cia entre as pontas das asas é 20 m. i2 = 30 A
Resolução
11 21 1 1

b) Como = 3 456783 =
12 22 9

U1 = 200 V

c) As potências no primário e no secundário são


iguais, logo, P1 = P2 .
Assim, P1 = U1 · i1 ⇒ 1.500 = 200 · i1

i1 = 7,5 A

80 PV2D-06-FIS-51 Capítulo 10. Indução Eletromagnética

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