Você está na página 1de 23

AGRICULTURA E MINERAÇÃO NAS MINAS DO SÉCULO XVIII

Carlos Magno Guimarães


Flávia Maria da Mata Reis

O presente artigo questiona a tese tradicional que coloca a mineração como a

atividade (quase) exclusiva da economia mineira colonial, pelo menos durante a

primeira metade do século XVIII. Neste sentido, aborda a estrutura agrária nas

Minas ao longo do século XVIII, adotando como referência as atividades agrícolas

e afins, e procurando ressaltar sua importância na dinâmica econômico-social da

Capitania, bem como a sua estreita relação com a atividade minerária.

Da mesma forma, também serão consideradas as diferentes categorias sociais

bem como sua inserção na estrutura agrária mineira.

Durante muito tempo, a historiografia sobre o século XVIII mineiro manifestou

uma tendência a enfatizar a atividade minerária do período deixando de lado

importantes setores da economia que, desde o início da ocupação do território de Minas

Gerais, estiveram presentes de forma determinante. Isto se deu principalmente devido a

uma concepção mercantilista da Colônia, fortemente difundida entre os pesquisadores

que, procurando encontrar as raízes para o subdesenvolvimento brasileiro, viram nas

relações colônia-metrópole, regidas pelas regras do pacto colonial, as causas da

dependência e do atraso da sociedade brasileira. De acordo com tais idéias, à metrópole



Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia e Coordenador do Laboratório de
Arqueologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais –
Fafich/UFMG.

** Historiadora e Pesquisadora do Laboratório de Arqueologia da Fafich/UFMG.

1
só interessava a continuidade da produção de metais e pedras preciosas e, portanto, os

meios pelos quais a população colonial atendia às suas necessidades básicas não eram

alvo das atenções metropolitanas. Nesta ótica, a Coroa teria inclusive desestimulado ou

mesmo tratado com hostilidade outras atividades, dentre elas a agropecuária, que

poderiam desviar a mão-de-obra escrava da atividade nuclear.

Assim, durante a primeira metade do século XVIII, enquanto a produção aurífera

se desenvolvia e atingia seu auge, a agricultura teria importância reduzida e as

atividades agropastoris, pobres e inexpressivas, estariam voltadas apenas para o

autoconsumo, negando-se assim a existência, na Capitania, de um mercado interno

dinâmico, dotado de regras próprias. Ainda conforme as teses tradicionais, aquelas

atividades só ganhariam destaque no cenário econômico a partir da segunda metade do

setecentos, sendo apresentadas como solução para a crise da mineração, que só seria de

fato superada com a implantação da cafeicultura já em fins do século XIX.

Não só da extração do ouro e diamante viveram as Minas Gerais durante o

período colonial. A revisão crítica da História de Minas, sobretudo nas décadas de 1980

e 1990, possibilitou uma superação daquelas teses a partir de novas abordagens e

questões que exigiram o trabalho com um universo documental maior e variado,

possibilitando a introdução de novos temas de pesquisa.

Os resultados dessas reavaliações históricas, no tocante à vida da sociedade

mineira colonial, permitiram constatar que as atividades agropastoris estiveram

presentes de forma expressiva ao longo de todo o século XVIII. Assim, para uma

melhor compreensão da sociedade mineira setecentista e do processo colonial, tornou-se

fundamental reconhecer a importância da agricultura, vista desde então como um setor

produtivo que abarcou expressivo contingente populacional de todas as qualidades e

2
condições, contribuindo para a formação de grupos com interesses definidos, com peso

específico no conjunto das forças que atuaram naquela sociedade1.

II

Com a descoberta do ouro nas Minas, em fins do século XVII, um grande

número de pessoas dirigiu-se para o sertão mineiro para a exploração das ricas jazidas.

De São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Portugal e da Europa

em geral acorreram gente de todos os tipos e condições para a lavagem das areias e

cascalhos auríferos dos rios, ribeiros e córregos.

Os paulistas se embrenhavam pelo interior do território mineiro num primeiro

momento para aprisionar o gentio e, posteriormente, para fazer diligências em busca do

precioso metal, incentivados não só pelas honras e mercês prometidas e concedidas

pelas autoridades régias, mas sobretudo pela esperança de melhores condições de vida e

de um enriquecimento rápido e fácil.

Nas andanças pelo sertão em busca do gentio, os bandeirantes paulistas

adotaram o costume de irem estabelecendo pousos ao longo do percurso, onde

plantavam mantimentos para garantir o sustento na volta das expedições. Essa prática

acabou tornando-se estratégica para as primeiras explorações do ouro. Ao fazerem as

“provas” no leito de ribeiros auríferos, inicialmente com os próprios pratos de estanho

que usavam nas refeições e depois com as bateias de madeira, tendo aparecido ouro,

arranchavam no local e faziam roças para então explorarem os depósitos mais

superficiais. Dessa forma, uma vez marcado o achado, chamavam amigos e parentes

para compartilhar, e ampliar, os descobertos. Posteriormente, retornavam mais bem

preparados com escravos e ferramentas, estabelecendo-se no local para as explorações

3
mais demoradas e custosas, consolidando rapidamente os povoados e arraiais. Assim

procedeu o coronel Salvador Fernandes Furtado de Mendonça, nos anos de 1702-1703,

quando descobriu ouro no lugar

naquele tempo chamado Morro Grande, e feitas as roças veio aquartelar-se no


arraial chamado o de Cima da Cidade Mariana, por ser lugar mais cômodo para
passar a invernada, tirando algum ouro para sustentar-se e aos seus escravos
com mantimentos de quatro e cinco oitavas o alqueire, enquanto os seus, que
havia plantado no tal sítio, que ao depois foi de São Caetano, o socorressem
(...). Passado o inverno e socorrendo já os mantimentos a prescrita opressão da
fome, se recolheu o dito coronel a sua roça do Morro Grande e fabricou outra
capela (...)2.

A notícia da descoberta de minas muito rendosas se espalhou rapidamente.

Obviamente, as poucas roças então existentes não eram capazes de sustentar o fluxo

desordenado de gente vinda de diferentes lugares, o que trouxe como conseqüência,

nesse primeiro momento, crises de fome. Com as crises de fome generalizada,

sobretudo nos anos 1697/98 e 1700/01, a Coroa foi levada a preocupar-se com a questão

do abastecimento da região das Minas, criando uma retaguarda de produção alimentar

através da concessão de sesmarias (terras destinadas ao cultivo) e impondo ao sesmeiro

a obrigatoriedade de ocupar com gados e cultivar a terra no período máximo de até três

anos, pois caso contrário perderia a posse da mesma.

Com efeito, se o interesse da Coroa estava centralizado na atividade minerária,

ela não poderia negligenciar outras atividades que garantissem sua manutenção e

continuidade. É nesse contexto que a agricultura deve ser vista integrando os

mecanismos necessários ao processo de colonização desenvolvidos na própria Colônia,

uma vez que, voltada para o consumo interno, era um meio de garantir a reprodução da

4
estrutura social, além de permitir a redução dos custos com a manutenção da força de

trabalho escrava.

Dentre os motivos apontados, pela historiografia tradicional, para a existência

apenas de uma agricultura de subsistência pobre e inexpressiva nas Minas durante a

primeira metade do século XVIII, além do suposto fato de que nenhuma outra atividade

poderia disputar com a mineração o trabalho escravo, estariam o isolamento geográfico

da Capitania e o rápido e desordenado povoamento da região das Minas. A isso deve ser

ainda acrescentada a idéia de que na região mineradora as terras eram estéreis e

impróprias para o cultivo, o que de forma alguma reflete a realidade, pois contíguas às

lavras existiam terras férteis para atividades agrícolas. Neste sentido, ter-se-ia

configurado um complexo abastecedor para as Minas constituído por São Paulo, Rio de

Janeiro, Bahia, a região platina, a África e a Europa. Tal quadro teria permanecido até a

segunda metade do XVIII, quando então a agricultura teria adquirido destaque

econômico como a solução encontrada pelos mineradores para superar a crise da

atividade minerária.

De fato, a manifestação dos achados auríferos trouxe conseqüências de grandes

proporções. Uma das mais imediatas foi o deslocamento de pessoas de outras regiões da

Colônia e de além-mar para aquela que então se apresentava promissora. A sociedade

mineira rapidamente se consolidou. A mineração definiu a forma de ocupação da

Capitania, que se caracterizou pela concentração populacional nos centros urbanos.

Tinha-se formado um mercado consumidor que demandava os mais variados produtos,

desde os básicos até os mais luxuosos vindos do Reino. Assim, nem todos aqueles que

para as Minas se dirigiram tiveram condições ou interesse direto na mineração. Muitos

dos que nela se instalaram dedicaram-se a outras atividades econômicas tão ou mais

lucrativas e que ao mesmo tempo eram essenciais para a manutenção da atividade

5
nuclear. Paralelamente à mineração, além da agricultura, a pecuária representou um

forte setor, desenvolvendo-se nas regiões são-franciscana (nos mesmos moldes da

pecuária nordestina) e sul-mineira, apresentando esta última grande desenvolvimento

tecnológico no conjunto da pecuária colonial brasileira3.

Da mesma forma, as atividades manufatureiras contribuíram para diversificar o

mercado mineiro. Vale dizer, contudo, que a estrutura manufatureira encontrava-se em

grande parte ligada à agropecuária, com a produção de gêneros tais como o tabaco,

doces, queijos, tecidos de algodão e produtos de couro couro. O destaque cabe à

agromanufatura açucareira, sobretudo no tocante aos engenhos de aguardente. Embora

esta atividade, desde o início, tenha enfrentado contínuas proibições metropolitanas, foi

insistentemente praticada ao longo de todo o período colonial mineiro.

III

Também o comércio, como não poderia deixar de ser, representou um importante

setor econômico nas Minas, estreitamente ligado ao abastecimento dos núcleos urbanos

mineradores. O abastecimento desses núcleos mineradores deu-se, desde o início,

através de dois fluxos.

Procurando ajustar-se à nova realidade econômica, outras Capitanias passaram a

produzir gêneros necessários ao mercado interno das Minas, o que provocou uma

mudança geral na dinâmica comercial da Colônia. Neste sentido, o primeiro fluxo

correspondeu aos produtos importados de outras regiões, vizinhas à região mineradora,

ou mesmo externas à Colônia, que chegavam aos mineiros por meio de comerciantes

ligados às casas comerciais do Rio de Janeiro e Bahia, e que ofereciam todos os tipos de

6
gênero, sobretudo artigos de luxo para a população abastada das Minas (fazendas secas

e molhadas).

O segundo fluxo correspondeu aos produtos internos, comercializados por

produtores rurais situados no entorno dos centros urbanos mineiros e ao longo dos

principais caminhos de acesso às Minas, que garantiam o abastecimento das zonas

mineradoras.

Havia três caminhos mais utilizados para se chegar no interior mineiro. O mais

antigo deles, o dos “Currais do Sertão”, vinha da Bahia. Grande parte do seu percurso

acompanhava o rio São Francisco e, por causa da sua geografia pouco acidentada e

vegetação mais aberta, foi alvo de restrições das autoridades coloniais, que enfrentavam

o constante problema das rotas e picadas abertas clandestinamente para se evitar os

registros da Capitania, nos quais controlava-se a entrada e saída de pessoas, escravos,

mercadorias e se cobrava os impostos.

Já o “Caminho Velho”, ou “Caminho Paulista”, ligava Santos às Minas,

passando pelo sul e gastavam-se sessenta dias de viagem.

Finalmente, a partir de 1701/1702, foi inaugurado o “Caminho Novo”

(finalizado em 1725), que ligava o porto do Rio de Janeiro à região aurífera, passando

pela zona da mata mineira. Levavam por ele quarenta e cinco dias de viagem e era o

mais utilizado4.

Desde os primeiros anos do século XVIII, já existia nas Minas uma economia

diversificada, configurando um amplo mercado interno. A análise documental,

sobretudo das cartas de sesmarias, com as doações de terra ao longo das principais vias

de acesso, com o intuito de fornecer mantimentos básicos para viajantes, condutores e

animais de tropas que se dirigiam para as Minas, comprovam a existência de uma

atividade rural que de modo algum pode ser vista como insignificante.

7
No Rio das Mortes, onde “por ele passaram todos os mais descobridores” que se

dirigiam de São Paulo e levavam “cinco dias de viagem comuns antes de chegar a Vila

Rica”, estabeleceu-se Tomé Pontes del-Rei, que

viveu anos de fabricar mantimentos para vender aos mineiros que passavam
para as Minas ou voltavam para os povoados, fazendo neste negócio altíssimas
fortunas, até que, pelos cascalhos que se descobriam pelos barrancos do rio,
fazendo experiência neles, descobriu ouro5.

Sobre este aspecto são ilustrativas as informações de André João Antonil, em

Cultura e Opulência do Brasil, editado pela primeira vez em Lisboa, em 1711. Mesmo

não tendo testemunhado diretamente o que descreveu sobre as Minas, mas sim colhido

depoimentos de quem por lá esteve, seus apontamentos são de grande importância pelas

informações que contém sobre o tema em questão. Assim, no caminho que ligava São

Paulo às Minas, num lugar chamado Pinheirinhos, encontrava-se

roças de milho, abóboras e feijão, que são as lavouras feitas pelos


descobridores das minas e por outros, que por aí querem voltar. E só disto
constam aquelas e outras roças nos caminhos e paragens das minas, e,
quando muito, têm de mais algumas batatas. Porém, em algumas delas, hoje
acha-se criação de porcos domésticos, galinhas e frangões, que vendem por alto
preço aos passageiros, levantando-o tanto mais quanto é maior a necessidade
dos que passam.(...)6.

O crescente movimento de passageiros pelos caminhos que ligavam o Rio de

Janeiro e São Paulo às Minas Gerais fez com que estes se tornassem também

importantes vias de comércio. Circulavam por essas vias comerciantes que

transportavam e vendiam suas mercadorias nas vilas, arraiais e feiras sem localização

fixa. Estes comerciantes “volantes” eram abastecidos pelos mercados do Rio de Janeiro

8
e São Paulo, pelos produtores rurais e artesãos de Minas e eram representados pelos

tropeiros, comboieiros, boiadeiros, atravessadores, mascates e negras de tabuleiro.

Além dos comerciantes, circulavam também viajantes, comissários régios, tropas

de soldados de tal forma que era necessário estabelecer, nos principais caminhos, pontos

de apoio, conhecidos como “paragens”, para viabilizar os deslocamentos desses

passageiros. Portanto, os caminhos nas Minas setecentistas devem ser analisados num

contexto mais amplo, destacando-se a sua importância tanto para aqueles que deles se

utilizavam para deslocamentos quanto para os sesmeiros que exploravam as terras

contíguas. As autoridades coloniais preocupavam-se em manter os caminhos e pontes

em boas condições de tráfego, delegando aos moradores/roceiros das áreas próximas a

responsabilidade de conservá-los. Por uma lado, os caminhos ofereciam condições de

estalagem, descanso, abastecimento; permitiam as trocas e a alimentação de animais;

ofereciam ainda proteção, uma vez que os viajantes sofriam constantes ataques de

quilombolas, índios e bandidos. Para os sesmeiros, que ocupavam as terras ao longo dos

caminhos, era fundamental garantir a circulação, disponibilizando condições aos

viajantes, o que se constituía em uma possibilidade de renda através da prestação de

serviços (ferreiros, aluguel de escravos, venda de animais, hospedagem, conserto dos

caminhos, etc) mas, sobretudo, de escoamento da sua produção agropastoril.

No mercado mineiro, os comerciantes com estabelecimentos fixos

correspondiam aos vendeiros, lojistas e comissários, abastecidos por tropeiros,

produtores rurais e artesãos7. Há que se destacar aqui a importância das praças

mercantis que, segundo Sheila de Castro Faria, eram lugares estratégicos nas vilas

coloniais para o funcionamento do mundo agrário a sua volta. Estes locais funcionavam

como receptores das produções locais e como vendedores de artigos manufaturados.

Essas praças tornavam-se também financiadoras da produção através de usurários e

9
grandes comerciantes que, por meio de empréstimos e investimentos, “bancavam a

manutenção e reprodução da lavoura e da indústria açucareira e atividades criatórias”8.

Com efeito, as áreas urbanas eram o lugar privilegiado para o enriquecimento e

os comerciantes, na maior parte, eram os detentores das maiores fortunas. Todavia, na

sociedade colonial, o prestígio social ligava-se não tanto aos bens materiais, mas ao fato

de ser grande proprietário de engenho, terras ou escravos. De acordo com João Fragoso,

as grandes fortunas agrárias tiveram origem no comércio, meio de acumulação de

capital, originado no mercado interno9.

IV

Como já foi dito, cedo o mercado da sociedade mineira constituiu-se em um

estímulo para o desenvolvimento da produção agrícola interna. A agricultura, ao

permitir a instalação, a expansão e a manutenção da atividade minerária, esteve presente

desde o início do processo de colonização das Minas. As atividades agropastoris se

estruturaram para atender tanto ao consumo imediato, do próprio produtor, como para

produzir excedentes destinados ao mercado, dentro (e fora) da Capitania.

Além do caráter mercantil da agricultura mineira setecentista, é necessário

destacar também o seu caráter escravista. Este duplo caráter configurou-se já nos

princípios do ciclo minerador e, portanto, não deve ser visto como produto da

decadência da mineração, quando a mão-de-obra usada nesta atividade, então

desocupada, teria sido empregada em outros setores econômicos, principalmente na

agricultura.

No entanto, embora o caráter escravista da agricultura estivesse ligado à

produção mercantil, esta associação não se deu de forma automática. Mesmo estando a

10
produção baseada na mão-de-obra escrava, os produtos obtidos podiam estar

direcionados para o consumo interno da unidade produtiva. Neste caso, o objetivo

principal da atividade agropecuária era o sustento de senhores e de seus escravos, para

que estes pudessem ser utilizados na mineração10. De fato, as atividades agropastoris

eram fundamentais para os mineradores e não raras vezes encontravam-se intimamente

articuladas com o trabalho nas lavras, constituindo um todo que garantia a base para a

exploração aurífera. O que, por sua vez, permite redimensionar a importância da

agricultura no contexto da mineração colonial. Isso fica claro no texto, de uma

representação feita pelos oficiais da Câmara da Vila de Sabará, na qual pediam ao Rei

que os mineiros não fossem executados nos seus bens:

(...) com ânimo indiferente, nos vemos obrigados a por na Real presença de
Vossa Majestade, que parte do ouro é extraído de Rios, e muitos deles
caudalosos, sendo preciso tirá-los do seu curso natural, com custosos cercos de
madeira e pedra, para cuja condução necessitam os Mineiros de bois e carros;
Parte é extraído de vargens, a que chamam Taboleiros e Guapiaras; Parte de
altos montes, denominados Morros, para onde lhes é necessário conduzir regos
de água de partes remotas, na distância de 1, 2, 3, 4 e 5 léguas, passando-a nas
partes baixas, em bicaria de madeira sustentada em esteios, muitas vezes de 100
e mais palmos de alto, e em outras partes rompendo penhas, até chegar com ela
ao lugar do seu destino, para efeito de escalar os Morros, diluindo a terra que
pretendem minerar, cujos serviços senão podem efetuar sem grande número de
escravos, havendo mineiro de 50, 100, 200, 300 e 400 escravos, em cuja
sustentação fazem grandes despesas. E como muitas vezes lhes saem os ditos
serviços baldados, e a despesa é certa, recorreram ao meio de fabricarem
Fazendas / denominadas Roças / em que plantam mantimento para
sustentarem os escravos, com Moinhos, ou Engenho de Pilões, em que
reduzem o Milho a Farinha para as Rações dos escravos (...), cujas Roças,
Engenhos de Pilões, ou Moinhos, Escravos, que nestas oficinas se
empregam; Bestas, Bois e Carros em que conduzem o mantimento para as
lavras, se devem reputar partes integrantes das ditas Fábricas, sem o que não
podem subsistir11.

11
Ainda que a análise sistemática da documentação, no caso, as cartas de doação

de sesmarias, permita, por um lado, afirmar a existência desde caráter duplo da

agricultura mineira, por outro, não é possível obter dados exatos sobre a quantidade de

propriedades que se utilizavam do trabalho escravo, nem mesmo o número de escravos

existentes em muitas unidades produtivas, sobretudo porque muitas vezes o documento

não traz em detalhe essas informações.

Isso coloca a possibilidade de que, nos casos onde o trabalho escravo não era

utilizado, a produção estivesse baseada no trabalho familiar. Assim, a análise da

estrutura agrária das Minas setecentistas, no que diz respeito à modalidade de foça de

trabalho utilizada, remete à existência de pelo menos dois tipos dominantes de unidades

produtivas: a unidade escravista e a unidade camponesa. Elas poderiam desenvolver

uma produção voltada somente para seu consumo interno ou, então, voltada parte para o

autoconsumo e parte para o mercado.

Do ponto de vista de sua organização e dinâmica, a produção camponesa deve

ser entendida a partir de alguns de seus elementos estruturais. Em primeiro lugar, um

acesso minimamente estável à terra seja na condição de proprietário, de arrendatário ou

de posseiro. Um grau mínimo de estabilidade nesse acesso deve existir para permitir a

continuidade do processo produtivo.

Em segundo lugar, merece destaque o fato de que a mão-de-obra utilizada pela

economia camponesa ser predominantemente, embora não exclusivamente, familiar.

Neste caso, há uma tendência a que, dentro da unidade produtiva, as relações familiares

se confundam com as relações de produção.

O terceiro ponto a ser ressaltado é a denominada autonomia estrutural que se

refere ao poder de decidir sobre o que produzir, como produzir, em que quantidade, e o

que fazer com o excedente eventualmente gerado. Este aspecto remete ao quarto ponto,

12
que diz respeito a uma vinculação com o mercado, ainda que esta seja eventual. Ao

necessitar de produtos que não produz e ter de vender seu excedente, o camponês

inevitavelmente acaba por se vincular ao mercado, no mais das vezes subordinando-se a

ele.

O último ponto que caracteriza a economia camponesa, mas não menos

importante, é o fato de que as unidades produtivas estão voltadas fundamentalmente

para o autoconsumo. Não se trata de produzir para o mercado, mas para a satisfação das

necessidades internas da unidade produtiva.

Por fim, cumpre-se ressaltar um aspecto relevante. Se a economia camponesa

pode ser caracterizada a partir dos pontos acima referidos, isso não significa dizer que o

campesinato é uma categoria social redutível à sua natureza econômica. Na realidade, o

campesinato, enquanto categoria social, é portador de uma existência que contempla

múltiplas realidades como a cultural, a política, a econômica, etc.

Cabem aqui, com relação a unidade camponesa, as observações de Sheila de

Castro Faria quando afirma que, “em zonas agrárias, a presença da família, pelo menos

a constituída pelo casal, era condição básica para o estabelecimento de unidades

domésticas de produção, em particular para os mais pobres”12. Isto é, a necessidade de

constituir e manter uma família que garantisse a base da produção agrária estava ligada

às condições de sobrevivência da população escrava e da população livre mais pobre em

áreas rurais.

Neste sentido, ainda segundo Sheila de Castro Faria, o mundo agrário colonial

pressupunha “uma unidade doméstica mais complexa do que a necessária em áreas

urbanas”, ganhando os laços consangüíneos e rituais um papel de destaque13. Dessa

forma, a atividade agrícola acabava por determinar a organização social pois, embora no

Brasil colonial fosse muito comum os núcleos familiares/domésticos serem chefiados

13
por mulheres, estas dificilmente sobreviveriam sozinhas, em áreas rurais, sem filhos em

idade produtiva, escravos ou agregados.

No caso da população escrava, era comum conceder parcelas de terras que

poderiam ser cultivadas em tempo livre ou nos dias de folga, como os domingos e

feriados religiosos. Este trabalho autônomo dos escravos, denominado “brecha

camponesa” por alguns historiadores, exigia a cooperação familiar no âmbito da

produção. Dessa forma, as roças de subsistência, além de contribuírem para reduzir os

custos de manutenção da mão-de-obra, ao complementarem a alimentação fornecida

pelos senhores, criavam um espaço próprio para os escravos, contribuindo assim para a

prevenção de fugas e revoltas. Mais que isso, por meio do seu trabalho, os escravos

podiam acumular algum pecúlio, comercializando o excedente da produção. É

necessário ressaltar, todavia, que por mais que essa produção escrava independente

fosse uma prática comum, ela não colocava em risco o sistema escravista dominante,

sendo, na verdade, parte integrante da sua complexa estrutura.

Os quilombos, comunidades formadas predominantemente por escravos fugidos,

podem ser considerados uma das formas através dos quais a “brecha camponesa” se

manifestava na sociedade escravista mineira colonial.

Embora a precariedade dos dados não permita uma visão precisa do ponto de

vista quantitativo, é inegável que inúmeros quilombos que existiram na sociedade

mineira colonial desenvolveram atividade agrícolas como mecanismos de

sobrevivência.

Embora o acesso à terra fosse condicionado pela possibilidade do quilombo ser

atacado e destruído, muitos deles existiram durante longos períodos, indicando certa

estabilidade para o desenvolvimento de atividades agrícolas.

14
A produção voltada para o autoconsumo e a ligação eventual com o mercado,

ainda que fosse clandestina, reforçam as características que permitem enquadrar os

quilombos na categoria “brecha camponesa”. E é nesta perspectiva que, no contexto da

estrutura agrária mineira, os quilombos devem ser considerados como parte integrante.

A interação de diferentes tipos de unidades produtivas, marcadas por relações de

produção escravistas e camponesas, caracterizaram a dinâmica e a diversidade das

relações na vida econômica e social das Minas Gerais.

No entanto, a produção interna, em momento algum, na primeira metade do

XVIII, satisfez integralmente as necessidades de reprodução da sociedade mineira.

Assim, pelo exposto, com relação ao abastecimento das Minas no setecentos, pode-se

afirmar que a “retaguarda” de sustentação da atividade minerária, desde o início,

durante seu desenvolvimento e auge, se deu tanto através de uma produção interna

desenvolvida por diferentes tipos de unidades produtivas, quanto por meio de uma

intensa atividade comercial que abarcava mercadorias importadas de outras regiões da

Colônia e também de fora dela. Comércio este que garantiu a dinâmica do mercado

interno mineiro ao mesmo tempo em que permitiu a inserção das Minas Gerais num

contexto econômico mais amplo.

Conforme as teses tradicionais anteriormente referidas, com a crise da

mineração, a Capitania teria apresentado um decréscimo populacional devido à

emigração para outras regiões da Colônia, ou da própria Capitania, em busca de

melhores oportunidades14. Como as transações comerciais eram feitas com base no ouro

em pó, no período de crise, a Capitania entrou em profunda decadência e o

15
empobrecimento geral da população fez com que diminuíssem as importações. Por sua

vez, a queda nas importações seria ainda conseqüência do aumento da produção interna

de gêneros na própria Capitania. Assim, se num primeiro momento as Minas foram, em

grande parte, abastecidas por mercados vizinhos, com a crise da mineração teria surgido

uma agricultura capaz de reverter esse processo e Minas teria então se tornado auto-

suficiente, passando inclusive à condição de exportadora de produtos. Somente a partir

desse momento, a pecuária e as manufaturas teriam adquirido maior destaque no cenário

econômico.

Entretanto, estudos mais recentes apontam para outras direções. Após a queda da

produção aurífera, a Capitania não mergulhou numa profunda e geral crise econômica.

A crise da mineração não significou a total decadência; pelo contrário, baseada em

outros setores, a economia de Minas Gerais apresentou um desenvolvimento crescente.

Neste sentido, justifica-se o fato de, durante a segunda metade do século XVIII, a

Capitania ter mantido um ritmo de crescimento populacional, incluindo aí a população

escrava.

Com a crise da atividade minerária, o que se observou, de fato, foi uma

diversificação da economia mineira, incluindo-se o aprimoramento da agricultura de

subsistência, num processo denominado por Douglas C. Libby “acomodação

evolutiva”15

Assim, as atividades agropastoris foram constantes durante todo o século XVIII,

com a produção de gêneros básicos para o autoconsumo das unidades produtivas e para

o mercado interno e externo à Capitania, constituindo-se na base da economia mineira,

sobretudo a partir do declínio da mineração. Com a crise da mineração, a mudança nos

rumos da economia mineira provocou transformações quantitativas e qualitativas na

16
agricultura com o fortalecimento da produção interna e com o desenvolvimento de uma

elite residente, autônoma frente ao mercado externo16.

VI

Uma outra questão deve ser abordada no tocante à agricultura praticada no

período colonial. Trata-se da degradação ambiental provocada por esta atividade, que

adquiriu proporções ainda maiores quando somadas às conseqüências destrutivas da

exploração mineral. Associadas à degradação ambiental, merecem referência os

conflitos entre grupos de interesses em função dos impactos provocados pelas práticas

agrícolas.

Desde os tempos das primeiras descobertas e explorações, a degradação

ambiental foi sistematicamente praticada. A queimada foi adotada nos diferentes tipos

de exploração, principalmente nas margens de rios auríferos e nas encostas dos morros,

como forma de deixar o terreno à mostra para facilitar as pesquisas, a instalação de

tanques, canais, bicames, habitações, mundéus, enfim, toda a infraestrutura necessária

para os serviços de mineração. Além disso, havia a prática constante de queimadas para

a limpeza das áreas de plantio e de pastagem, que também eram essenciais para a

manutenção daquela atividade.

A destruição causada pela atividade minerária também foi sentida nos rios e

córregos. Estes eram assoreados pelos desmontes e rejeitos das lavras dos morros e

grupiaras, arrastados pelas chuvas devido a retirada da camada vegetal, e também pela

própria exploração praticada em seus leitos. Para a extração dos aluviões auríferos,

grandes extensões de seus cursos naturais eram desviadas, catas eram abertas nas suas

margens, nas quais amontoavam-se ainda grandes quantidades de cascalho estéril18.

17
Da mesma forma, os métodos agrícolas eram os mais rudimentares, sendo o

machado, a foice e a enxada os instrumentos básicos. Não se fazia uso do arado e a

prática mais comum era a denominada agricultura de coivara, que consistia em derrubar

as áreas de mata, queimar as árvores para depois plantar; e não se mexia mais nas

plantações até o período da colheita. O naturalista José Vieira Couto foi perspicaz ao

observar, em 1799, a maneira como a agricultura era praticada nas Minas:

Já é tempo de se atentar nestas preciosas matas, nestas amenas selvas que o


cultivador do Brasil, com o machado em uma mão e o tição em outra, ameaça-
as de total incêndio e desolação. Uma agricultura bárbara, ao mesmo tempo
muito dispendiosa, tem sido a causa desde geral abrasamento. O agricultor olha
ao redor de si para duas ou mais léguas de matas como para um nada, e ainda
não as tem bem reduzido a cinzas já estende ao longe a vista para a destruição a
outras partes. Não conserva apego nem amor ao território que cultiva, pois
conhece bem que ele talvez não chegará a seus filhos 17.

A extração de madeiras, matéria-prima para inúmeras atividades tanto ligadas à

agropecuária – sobretudo para a construção de currais, engenhos e para lenha – quanto à

mineração – construção de esteios e bicames, bateias, carumbés, rodas hidráulicas e

rosários, etc. –, também contribuía para o esgotamento das áreas de mata virgem.

Os efeitos dessa exploração das matas, ainda que percebidos antes, só se

tornaram objeto da legislação colonial com o Bando adicional de 1736, do governador

Gomes Freire de Andrade. Preocupação esta não ligada diretamente à questão

ambiental, mas à idéia de que era necessário preservar determinadas áreas, como as

nascentes dos córregos e as matas ciliares, para garantir a água, sem a qual a extração e

a lavagem do ouro e diamantes não poderiam ser realizadas.

Uma análise mais detida das disposições do referido bando permite observar que

a prática simultânea de atividades agropecuárias e da mineração em determinadas áreas

18
era motivo para constantes conflitos entre produtores rurais e mineradores, sobretudo no

que diz respeito ao uso da água. Assim, ainda que a mineração fosse a atividade

privilegiada,

e que suposto que as águas dos distritos minerais sejam destinadas a estes, e
suas lavagens, e que este uso deva preferir a qualquer outro que se lhe entenda
dar, contudo, quando alguém tiver ocupadas as águas para engenhos ou hortas,
senão possam divertir com pretexto afetado de minerar para outro diferente uso,
e que desta preferência só se haja de usar enquanto atualmente houver trabalho
em que se empregue19.

Os conflitos entre mineradores e roceiros/lavradores também se manifestaram

com relação ao uso de determinadas madeiras. É o que se depreende da disposição que

proibia que “nos engenhos senão possam queimar nem em qualquer parte reduzir a

carvão pau algum que possa servir para deles se fazerem bateias, ou que passe da

grossura de dez palmos em roda (...)”20.

Os sesmeiros, que tinham matos virgens em suas terras, obrigatoriamente

deveriam conservar as áreas próximas aos rios e córregos que atravessassem a

propriedade e também as matas entre sesmarias vizinhas, que não poderiam ser cortadas

sem autorização, devendo ser conservadas todas as madeiras de lei. Todavia, em toda a

mata virgem preservada, não poderiam os sesmeiros/roceiros impedir o corte da

madeiras necessárias aos serviços minerais. Apenas se o proprietário das terras fosse um

mineiro, ficava resguardado a ele o direito de reservar para seus serviços toda a madeira

necessária.

Não obstante as medidas tomadas e constantemente reafirmadas em ordens

posteriores, a madeira constituiu-se, ao longo de todo o século XVIII, em motivo de

conflitos entre mineradores e sesmeiros, – sobretudo quando começou a tornar-se

19
escassa nos arredores dos povoados, que dela necessitavam para suas atividades

agropastoris, construções, fogões, engenhos, lenha, etc.

Tomando como ponto de partida as reflexões acima desenvolvidas, pode-se

afirmar que a partir da década de 1970, a concepção tradicional sobre a agricultura nas

Minas Gerais começa a transformar-se com a difusão de trabalhos de âmbito regional

que buscavam compreender melhor este setor da economia Os estudos sobre Minas,

durante o século XVIII, revelaram não apenas a diversidade da economia mineira, mas,

especificamente no tocante à agricultura, trouxeram à tona uma a visão de uma

atividade dinâmica, marcada por complexas relações que envolviam diferentes agentes

sócio-econômicos.

Dessa forma, resgatar a estrutura agrária das Minas setecentistas e analisar a

questão do abastecimento dos núcleos urbanos tornaram-se essenciais para

compreender, de forma mais integrada, aquela sociedade que se estruturou com vistas à

exploração de ouro e diamantes, mas superou de muito os limites colocados pelas

atividades que envolviam estes dois produtos.

20
1
GUIMARÃES, Carlos Magno & REIS, Liana Maria. Agricultura e Escravidão em Minas Gerais. In: Revista do
Departamento de História. Belo Horizonte: Deptº de História da Fafich/UFMG, 1986. n. 2.
2
FURTADO, Bento Fernandes. Notícias dos primeiros descobridores das primeiras minas do ouro pertencentes a estas
Minas Gerais, pessoas mais assinaladas nestes empregos e dos mais memoráveis casos acontecidos desde os seus
princípios; Minas Gerais, 1750. In: Códice Costa Matoso. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, CEHC, 1999. vol.
2. Documento 2.
3
PAULA, João Antônio de. Raízes da modernidade em Minas Gerais. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
4
FURTADO, Júnia Ferreira. Homens de Negócio: a interiorização da metrópole e do comércio nas Minas
setecentistas. São Paulo: Hucitec, 1999. p. 97. VENÂNCIO, Renato Pinto. Caminho Novo: a longa duração. In: Varia
História. Belo Horizonte: Deptº de História da Fafich/UFMG, 1985. vol. 21.
5
FURTADO, Bento Fernandes. Notícias dos primeiros descobridores (...); Minas Gerais, 1750. In: Códice Costa
Matoso. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, CEHC, 1999. vol. 2. Documento 2.
6
ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. USP, 1982.
7
CHAVES, Cláudia Maria das Graças. Perfeitos Negociantes: Mercadores das Minas Setecentistas. São Paulo:
Annablume, 1999.
8
FARIA, Sheila de Castro. A Colônia em Movimento – Fortuna e Família no Cotidiano Colonial. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1998. p. 189-192.
9
FRAGOSO, João Luiz Ribeiro. Homens de grossa aventura: acumulação e hierarquia na praça mercantil do Rio de
Janeiro (1790 – 1830). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1992.
10
GUIMARÃES & REIS. Revista do Departamento de História, 1986. n. 2. p. 23.
11
AHU – MAMG. Caixa 86; Documento 28; Data: 04/09/1765.
1 2
FARIA. A Colônia em Movimento – Fortuna e Família no Cotidiano Colonial., 1998. p. 155.
1 3
FARIA. A Colônia em Movimento – Fortuna e Família no Cotidiano Colonial, 1998. p. 156.
1 4
ZEMELLA, Mafalda P. O abastecimento da capitania das Minas Gerais no século XVIII. São Paulo: Hucitec/Edusp,
1990.
15
Prefácio de O Continente Rústico
16
CHAVES. Perfeitos Negociantes: Mercadores das Minas Setecentistas, 1999.
1

1 7
COUTO, José Vieira. Memória sobre a Capitania das Minas Gerais; seu território, clima e produções metálicas.
Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro/CEHC, 1994.
18
REIS, Flávia Maria da Mata. Mineração Colonial: Métodos e Técnicas de Exploração do Ouro (Minas Gerais –
século XVIII). Belo Horizonte, 2002 (monografia de graduação – História / UFMG).
1 9
Terras Mineraes – Additamtº ao Regmº Mineral; 13 de maio de 1736. In: Revista do Archivo Publico Mineiro. Belo
Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Geraes, 1896. Anno I; fascículo 4º. p. 709.
2 0
Revista do Archivo Publico Mineiro, 1896. Anno I; fascículo 4º. p. 710-711.

BIBLIOGRAFIA:

I. Fontes Manuscritas:

Arquivo Histórico Ultramarino/Lisboa (AHU) – Manuscritos Avulsos de Minas Gerais – 1680/1832


(MAMG). Projeto Resgate de Documentação Histórica Barão do Rio Branco. Caixa 86; Documento
28; Data: 04/09/1765.

II. Fontes Impressas:

ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed.
USP, 1982.

COUTO, José Vieira. Memória sobre a Capitania das Minas Gerais; seu território, clima e
produções metálicas. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro/CEHC, 1994.

FURTADO, Bento Fernandes. Notícias dos primeiros descobridores das primeiras minas do ouro
pertencentes a estas Minas Gerais, pessoas mais assinaladas nestes empregos e dos mais
memoráveis casos acontecidos desde os seus princípios, 1750. In: Códice Costa Matoso. Belo
Horizonte: Fundação João Pinheiro, CEHC, 1999. vol. 2. Documento 2.

Terras Mineraes – Additamtº ao Regmº Mineral; 13 de maio de 1736. In: Revista do Archivo
Publico Mineiro. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Geraes, 1896. Anno I; fascículo
4º.

III. Livros e Artigos

CARDOSO, Ciro Flamarion S. A Afro-América: A escravidão no novo mundo. São Paulo:


Brasiliense, 1984. v. 44.

CHAVES, Cláudia Maria das Graças. Perfeitos Negociantes: Mercadores das Minas Setecentistas.
São Paulo: Annablume, 1999.

FARIA, Sheila de Castro. A Colônia em Movimento – Fortuna e Família no Cotidiano Colonial.


Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

FRAGOSO, João Luiz Ribeiro. Homens de grossa aventura: acumulação e hierarquia na praça
mercantil do Rio de Janeiro (1790 – 1830). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1992.

FRIEIRO, Eduardo. Feijão, angu e couve: ensaio sobre a comida dos mineiros. Belo Horizonte:
Imprensa da UFMG/Centro de Estudo Mineiros, 1966.

FURTADO, Júnia Ferreira. Homens de Negócio: a interiorização da metrópole e do comércio nas


Minas setecentistas. São Paulo: Hucitec, 1999.

GUIMARÃES, Carlos Magno & REIS, Liana Maria. Agricultura e Escravidão em Minas Gerais. In:
Revista do Departamento de História. Belo Horizonte: Deptº de História da Fafich/UFMG,
1986. n. 2.

____________________________________________. Agricultura e caminhos de Minas


(1700/1750). In: Revista do Departamento de História. Belo Horizonte: Deptº de História da
Fafich/UFMG, 1987. n. 4.

MARTINS, Marcos Lobato. Agricultura e abastecimento na Comarca do Serro Frio da Capitania de


Minas Gerais: 1717 – 1820. In: CRONOS: Revista de História. Pedro Leopoldo: Faculdade de
Ciências Humanas de Pedro Leopoldo, 2000. v. 1, n. 1.

MENESES, José Newton Coelho. Além do Ouro: para compreender a economia agropastoril
mineira do período colonial. In: CRONOS: Revista de História. Pedro Leopoldo: Faculdade de
Ciências Humanas de Pedro Leopoldo, 2000. v. 2, n. 2.

____________________________. O Continente Rústico: abastecimento alimentar nas Minas


Gerais setecentistas. Diamantina: Maria Fumaça, 2000.

PAIVA, Eduardo França. Escravidão e Universo Cultural na Colônia: Minas Gerais, 1716-1789.
Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001.

PAULA, João Antônio de. Raízes da modernidade em Minas Gerais. Belo Horizonte: Autêntica,
2000.
REIS, Flávia Maria da Mata. Mineração Colonial: Métodos e Técnicas de Exploração do Ouro
(Minas Gerais – século XVIII). Belo Horizonte: Fafich/UFMG, 2002 (monografia de
graduação/História – mimeo).

VENÂNCIO, Renato Pinto. Caminho Novo: a longa duração. In: Varia História. Belo Horizonte:
Deptº de História da Fafich/UFMG, 1985. vol. 21

ZEMELLA, Mafalda P. O abastecimento da capitania das Minas Gerais no século XVIII. São
Paulo: Hucitec/Edusp, 1990.

Você também pode gostar