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ola

ontextualização teórica

O magma é um produto de composição complexa, essencialmente silicatada, existente em profundidade a


temperaturas elevadas. É constituído por uma fase principal líquida, que coexiste com uma fase gasosa e com
uma fase menos importante de constituintes sólidos, representados por materiais que não chegaram a fundir,
ou que já se encontram cristalizados.

Ao ascender através de fendas da crusta, o magma experimenta uma diminuição progressiva de pressões e
temperaturas, responsáveis pelo seu arrefecimento e, consequentemente pela sua solidificação.

As rochas que resultam da solidificação do magma designam-se rochas magmáticas e constituem cerca de
80% da massa da crusta terrestre.

As rochas magmáticas podem ser divididas em plutónicas ou intrusivas e vulcânicas ou extrusivas. As rochas
plutónicas ou intrusivas resultam da solidificação lenta do magma a grandes profundidades. Quando o magma
atinge o exterior, designa-se lava e dá origem a rochas vulcânicas ou extrusivas.

 Tipos de magmas

A grande diversidade de rochas magmáticas conhecidas ( quer vulcânicas, quer plutónicas )

não significa necessariamente que cada uma delas tenha evoluído a partir de um tipo de magma específico;
elas resultam da evolução de um ou dois tipos de magmas principais chamados magmas parentais: o magma
basáltico e o magma granítico.

O magma basáltico, pobre em sílica, é originado a grande profundidade, por fusão parcial do material do
manto. A maior parte dos magmas graníticos são enriquecidos em sílica e originados por fusão parcial de
rochas cristais durante as perturbações orogénicas.

As rochas magmáticas mais abundantes ( por ordem crescente de acidez):

Plutónicas: gabro - diorito - granodiorito - granito

Vulcânicas: basalto - andesito- dacito - riolito

são deriváveis, por diferenciação, de um magma basáltico primordial, mas os termos mais ácidos terão, em
geral, origem em magmas graníticos.

A evolução dos magmas parentais gera diferentes fracções que originam todas as rochas magmáticas.

 Cristalização fraccionada

O principal mecanismo da evolução magmática é a diferenciação por cristalização fraccionada, desencadeada


durante o arrefecimento dos magmas.
O magma é uma mistura mais ou menos rica em compostos químicos diferentes e, por isso, com diferentes
pontos de fusão e de cristalização. À medida que a temperatura do magma vai baixando, vão-se atingindo
sucessivamente as temperaturas de cristalização dos diversos materiais, que solidificam e se diferenciam do
líquido magmático residual. Quando isto acontece, o magma líquido resultante terá composição diferente do
magma original, composição essa empobrecida nos componentes dos " primocristais ".

Os cristais formados no início do processo ( primocristais ), ficam em desequilíbrio com o sistema e tendem a
reagir com o líquido magmático residual, para formar novos minerais estáveis a temperaturas sucessivamente
mais baixas.

 Séries de reacção de Bowen

A tendência geral de cristalização de magmas até à sua completa diferenciação é mostrada pelas séries de
reacção de N. L. Bowen ( 1938 ) referidas a seguir.

Fig.1- Séries de Bowen (1938)

O lado esquerdo do esquema representa a ordem de cristalização dos minerais ricos em Magnésio e Ferro (
constituintes máficos - escuros, e densos - d > 2,7 ) - Série descontínua.

Do lado direito do esquema, situam-se os minerais ricos em Silício e Alumínio ( constituintes félsicos - claros
e menos densos - d < 2,7 ) - Série contínua.

Durante o arrefecimento do magma, primeiramente formam-se as olivinas, cujo ponto de fusão é mais
elevado. Se estes minerais não se separam do banho magmático, reagem com ele, produzindo as piroxenas
que, por sua vez, reagindo com o magma envolvente formam as anfíbolas que seguidamente podem originar
a biotite. Estas sequência de minerais ferromagnesianos constitui a série descontínua de reacções, uma vez qu
minerais com estrutura cristalina diferente se vão substituindo uns pelos outros.

Simultaneamente, com a formação da olivina forma-se anortite. Á medida que a temperatura vai diminuindo,
na rede cristalina da anortite, o cálcio vai sendo progressivamente substituído. por sódio, em todas as
proporções, constituindo misturas isomorfas. Essa substituição faz-se de forma contínua dependendo da
composição do magma inicial. Esta sequência de formação de plagioclases com estrutura idêntica em todos o

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minerais designa-se série contínua de reacções.

A temperaturas mais baixas, o magma residual formará feldspato potássico, moscovite e finalmente quartzo.

 Texturas das rochas magmáticas

De uma forma geral, pode dizer-se que a textura das rochas magmáticas depende, em grande parte, da
velocidade de arrefecimento do magma durante a cristalização.

Em profundidade, com um arrefecimento lento dos líquidos magmáticos, a cristalização decorre


tranquilamente e os minerais apresentam-se bem desenvolvidos e individualizados, identificáveis a olho nu ou
com a ajuda de uma lupa de mão; diz-se nestes casos que a textura é fanerítica.

Em condições de superfície, com o arrefecimento rápido, o crescimento dos minerais é diminuto e só ao


microscópio é possível individualizar e identificar os minerais. A textura representada por este tipo de rochas
diz-se afanítica.

Um arrefecimento demasiado súbito e rápido, impede a individualização de minerais e a rocha apresenta


textura vítrea.

A experimentação

Foi proposto aos alunos a realização de um protocolo experimental que visa, numa primeira fase, simular a
cristalização do magma a diferentes velocidades de arrefecimento. A segunda parte do protocolo, tem como
objectivo simular uma série de cristalização.

O protocolo experimental desenvolve duas metodologias diferentes; a primeira parte é mais inovadora e
abrange as seguintes etapas: previsão, observação e explicação dos resultados e reflexão. A segunda parte
segue as linhas de um protocolo mais "tradicional".

Com este trabalho pretende-se motivar os alunos, desenvolvendo o gosto pela geologia e pelas técnicas
experimentais. Espera-se também uma melhor compreensão dos fundamentos teóricos, bem como o
desenvolvimento das capacidades de raciocínio, do espírito de entreajuda e do respeito mútuo.

Actividade experimental: Cristalização do magma

Introdução

As rochas que resultam da solidificação do magma designam-se rochas magmáticas.

O magma, ao ascender através de fendas da crusta vai experimentando diminuições de pressão e temperatura
responsáveis pelo seu arrefecimento e, consequentemente, pela sua solidificação.

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As rochas magmáticas podem ser divididas em rochas plutónicas (ou intrusivas) e vulcânicas (ou extrusivas).
As rochas plutónicas resultam da solidificação lenta do magma a grandes profundidades, enquanto que as
rochas vulcânicas resultam de um arrefecimento rápido da lava à superfície.

Em cima da sua mesa de trabalho está colocado um tabuleiro com duas amostras de rochas magmáticas. Se
reparar, a rocha nº 1 ( o granito ) possui cristais grandes e bem desenvolvidos, reconhecíveis à vista desarmad
; a amostra nº 2 (o basalto ) possui cristais muito pequenos e pouco desenvolvidos.

1- Como explica o facto de algumas rochas magmáticas possuírem cristais grandes e outras cristais mais
pequenos?

2- Proponha um procedimento experimental com o objectivo de testar a explicação dada à pergunta anterior.

Para investigar como se formam os cristais nas rochas magmáticas vamos realizar a seguinte actividad
experimental.

Material:

- Enxofre ou sulfato de cobre - Espátula

- Cadinho de porcelana - Fósforos

- Lamparina - 3 placas de Petri ( uma à temperatura ambiente; outra retirada


do congelador e outra retirada da estufa a 75º C )
- Pinça para o cadinho

Procedimento Experimental:

1- No cadinho de porcelana coloque um pouco de enxofre ou sulfato de cobre;

2- Acenda a lamparina;

3- Segure o cadinho com a pinça e aquece-o até fundir o enxofre ou o sulfato de cobre;

Atenção: Tome cuidado para não inalar os vapores libertados.

4- Derrame uma porção do conteúdo do cadinho em cada um dos recipientes 1, 2 e 3, seguindo as instruções
da figura seguinte.

4
1 2 3
Placa à Placa acabada Placa acabada

temperatura ambiente. de ser retirada do congelador. de ser retirada da estufa a 75°

5- Espere o tempo suficiente para que todos os conteúdos das placas tenham arrefecido e solidificado;

6- Observe à lupa binocular cada um dos recipientes e faça um desenho esquemático do que acabou de
observar.

1 2 3
Observação feita à lupa binocular ( Ampliação: ......X )

1- Que relação existe entre a velocidade de arrefecimento do sulfato de cobre e o tamanho dos cristais que se
formaram?

2- A conclusão que tirou está ou não de acordo com a explicação dada antes de realizar o procedimento
experimental?

Parte: II

Repare de novo na amostra n.º 1(o granito) do tabuleiro. Como vê, existem nessa amostra diferentes minerais,
com colorações diferentes e formas diferentes.

 Explique a existência de diferentes minerais na mesma rocha.

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Para compreender a formação de diferentes minerais na mesma rocha realize a seguinte actividade
experimental:

Material:

- Sulfato de cobre - Lamparina - 1 placa de Petri

- Cloreto de sódio - Cadinho em porcelana - Fósforos

- Ácido clorídrico - Pinça para cadinho

Procedimento Experimental:

1- Coloque 4 ml de ácido clorídrico no cadinho;

2- Coloque uma porção de sulfato de cobre dentro do cadinho, mais uma porção de cloreto de sódio;

3- Acenda a lamparina;

4- Segure o cadinho com a pinça e agite lentamente até se dissolverem os compostos adicionados ao ácido.

Atenção: Tome cuidado para não inalar os vapores libertados.

5- Apague a lamparina;

6- Verta o conteúdo do cadinho numa placa de Petri e coloque-a num local ventilado até ao dia seguinte;

7- No dia seguinte:

Observe a placa de Petri à lupa binocular e faça um desenho esquemático do que acabou de observar.

Observação feita à lupa binocular ( Ampliação:......X )

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8- Volte a colocar a placa de Petri num local ventilado até ao dia seguinte;

9- No dia seguinte:

Observe de novo a placa de Petri à lupa binocular e faça um desenho esquemático do que observa.

Observação feita à lupa binocular ( Ampliação:.....X )

1- Os cristais formados são todos do mesmo tipo?

2- Quais foram os cristais que se formaram primeiro?

3- Quais são os cristais mais perfeitos? Porquê?

Metodologia adoptada

Análise e discussão dos resultados

1ª Parte

Depois de ter sido feita a introdução ao trabalho prático, procede-se à divisão da turma em quatro grupos.

De seguida, coloca-se em cima da mesa de trabalho de cada grupo um tabuleiro com duas amostras de rochas
magmáticas. A amostra n.º 1 ( granito ) possui cristais grandes e bem desenvolvidos; a amostra n.º 2 ( basalto
possui cristais muito pequenos e pouco desenvolvidos.

Após observação das amostras, pede-se uma explicação aos alunos para o facto de algumas rochas possuírem

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cristais grandes e outras cristais mais pequenos.

A maioria dos alunos devem relacionar esse facto com as diferentes velocidades de arrefecimento do magma,
dizendo que o arrefecimento lento levaria à formação de cristais bem desenvolvidos e o arrefecimento rápido
formação de cristais pequenos e pouco desenvolvidos.

Na tentativa de testar a explicação dada, pede-se aos alunos uma proposta de protocolo experimental com os
respectivos materiais e passos a seguir.

A maioria dos alunos deverá sugerir a utilização de uma substância que depois de fundida se derramaria em
recipientes simuladores de condições diferentes. Um dos recipientes poderia estar à temperatura ambiente e o
arrefecimento seria rápido; o outro teria que estar a uma temperatura elevada e devidamente isolado, para que
o arrefecimento fosse assim mais lento.

A fase seguinte, é a da experimentação propriamente dita. A actividade experimental proposta pelos alunos é
discutida e adaptada ao protocolo sugerido que será posteriormente executado.

Os resultados obtidos deverão ser esclarecedores e apoiarem a explicação dada pelos alunos inicialmente.

Placas Arrefecimento Tamanho dos cristais


1 Rápido Pequenos
2 Muito rápido Muito pequenos
3 Lento Médios

Conclui-se assim que a velocidade de arrefecimento do magma durante a cristalização influencia o tamanho
dos cristais existentes nas rochas magmáticas.

2ª Parte

- A Segunda parte da actividade experimental é iniciada com a observação atenta da amostra n.º. 1 do
tabuleiro ( granito ).

De seguida, pede-se aos alunos que tentem explicar a existência de minerais diferentes na mesma rocha.

A maioria dos alunos deve referir o facto de o magma possuir constituintes diferentes que posteriormente
originam minerais diferentes.

Para compreender a formação de diferentes minerais realiza-se a actividade experimental proposta.

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No dia seguinte, é feita a observação da placa à lupa binocular e os resultados
obtidos os seguintes: no meio do líquido formam-se cristais cúbicos, bem desenvolvidos e com formas
perfeitas.

24 horas depois é feita nova observação da placa. Para além dos cristais cúbicos, outros cristais se devem
ter desenvolvido; cristais aciculares que crescem a partir de um núcleo comum, não tão perfeitos como os
primeiros e preenchem os espaços livres deixados por eles.

Tais resultados devem confirmar a explicação proposta inicialmente pelos alunos. O magma é assim uma
mistura de compostos químicos diferentes e, por isso, com diferentes pontos de fusão e de cristalização.
À medida que a temperatura do magma vai baixando, vão-se atingindo sucessivamente as temperatura
de cristalização dos diversos materiais. Os cristais formados primeiramente desenvolvem a sua
geometria própria e dizem-se cristais automórficos. Os outros, que ocupam os vazios deixados pelos
primeiros, moldam-se aos espaços disponíveis e não têm a possibilidade de adquirir a sua geometria
própria: dizem-se cristais xenomórficos.

Isabel Limpo de Fari


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