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Acção de Formação “Como promover a Auto-estima”

ÍNDICE
Pág.
INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 2
1. A QUALIDADE – Princípios Gerais ................................................................................... 3
1.1. Termos relacionados com Qualidade 3
1.2. Princípios 4
2. QUALIDADE PESSOAL ...................................................................................................... 6
2.1. Objectivos e definição 6
2.2. Como avaliar a Qualidade Pessoal 7
2.3. Factores que influenciam o nível PA 7
2.4. Nível PI – O nível de desempenho ideal 9
2.5. Diferença entre o nível PI e o nível PA 10
2.6. Vantagens 11
2.7. Como melhorar o nível PA 11
3. A RELAÇÃO PESSOAL COM O TEMPO ........................................................................ 12
3.1. O Significado do Presente. 13
3.2. Tópicos para viver o presente 13
3.3. A árvore da vida 15
Bibliografia

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INTRODUÇÃO
Cada ser humano guarda dentro de si uma incomensurável riqueza em talentos, que, infelizmente,
poucos exploram completamente, quer porque não os reconhecem, quer porque não sabem
desenvolvê-los.
Qualquer um pode aprender a fazer esse reconhecimento e desenvolver o seu potencial.
No trabalho ou em casa, somos constantemente confrontados com diversos problemas e
oportunidades, alguns dos quais “factuais”, outros “emocionais”.
Os que têm as suas raízes mergulhadas no “mundo dos factos” podem ser geridos racionalmente, com
recurso à experiência e à orientação profissional. Os que têm raízes no “mundo das emoções” são
geralmente mais complicados, causando muitas vezes frustração ou dor; e é frequentemente este tipo
de problemas mal resolvidos ou de oportunidades inexploradas que bloqueia o desenvolvimento
organizacional ou pessoal.
Poucas são as pessoas formalmente instruídas sobre os meandros da mente humana. Sabemos
demasiadamente pouco sobre como inspirar, motivar ou comunicar com vista à compreensão mútua.
No papel de gestor ou de empregado, precisamos sempre de aprender a alcançar maior satisfação no
trabalho, sentido de responsabilidade ou espírito de solidariedade e criatividade; actuamos
frequentemente com hesitação quando toca a lidar com os conflitos que inevitavelmente surgem.
Se queremos funcionar melhor, com os outros ou internamente, temos de aprender os mecanismos do
mundo das emoções: “porque sou como sou?”, ou “porque faço o que faço?”.

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1. A QUALIDADE – Princípios Gerais

1.1. Termos relacionados com Qualidade


QUALIDADE
Totalidade das propriedades e características de um produto que o tornam apto para satisfazer
necessidades implícitas ou explícitas

REQUISITO
Necessidade ou expectativa expressa, geralmente implícita ou obrigatória

CLASSE
Categoria ou classificação atribuída a diferentes requisitos de qualidade de produto, processo ou
sistema com o mesmo uso funcional

SATISFAÇÃO DOS CLIENTES


Percepção do cliente quanto ao grau de satisfação dos seus requisitos

MELHORIA DA QUALIDADE
Parte da Gestão da Qualidade orientada para o aumento da capacidade para satisfazer os requisitos da
qualidade

MELHORIA CONTÍNUA
Actividade permanente com vista a incrementar a capacidade para satisfazer os requisitos

EFICÁCIA
Medida em que as actividades planeadas foram realizadas e conseguidos os resultados planeados

EFICIÊNCIA
Relação entre os resultados obtidos e os recursos utilizados

É PRECISO PRODUZIR COM QUALIDADE PARA SATISFAZER AS NECESSIDADES DOS


CLIENTES

A Qualidade é uma filosofia que deverá ser introduzida a todos os níveis da organização, desde a
gestão de topo até ao trabalhador menos qualificado.

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Todos os intervenientes numa organização devem saber:


 O QUE FAZER
 PORQUE FAZER
 COMO FAZER
Garantia de Qualidade
Custo/Ciclo de Vida Assistência Técnica

Preço CLIENTES/QUALIDADE Características Funcionais

Aparência Características Técnicas

Há que criar valor para todas as partes interessadas:


 VALOR PARA OS CLIENTES
 VALOR PARA O PESSOAL
 VALOR PARA OS ACCIONISTAS

1.2. Princípios
1. Focalização no Cliente
Conhecer os requisitos dos clientes, as suas necessidades e expectativas, fornecer o produto/serviço
que vá ao encontro do cliente e promover a monitorização da satisfação do cliente
2. Envolvimento das pessoas
3. Abordagem por processos
Processo é uma sequência de actividades geradoras de valor acrescentado, que permite alcançar uma
dada finalidade a partir de um ou mais recursos
4. Melhoria Contínua

Bom desempenho de processos


Métodos Competências

SATISFAÇÃO DO CLIENTE

Formação Atitudes

Bom desempenho de processos

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A organização, e nós, enquanto trabalhadores, devemos:


 Conhecer os requisitos dos clientes, suas necessidades e expectativas
 Conhecer os requisitos previstos na lei
 Ter capacidade para fornecer o produto/serviço que vai ao encontro do cliente e da lei
 Evitar problemas, para não terem de ser corrigidos (20% dos problemas existentes são
responsáveis por 80% do total de custos da qualidade)
 Promover a monitorização da satisfação do cliente
 Promover a melhoria contínua

Mas a qualidade não se resume a isto.


Há outra vertente da qualidade – a qualidade dos esforços do indivíduo. A qualidade pessoal é a base
de todos os tipos de qualidade.

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2. QUALIDADE PESSOAL

2.1. Objectivos e definição


 Incentivar as pessoas que produzem bens e serviços a dar o seu melhor
 Melhorar as relações humanas
 Intensificar a comunicação
 Desenvolver o espírito de equipa
 Manter elevados padrões éticos
A Qualidade Pessoal é crucial para a auto-estima, a qual, por sua vez, é determinante para o
bem-estar, eficiência, atitudes e comportamento

A forma como um cliente encara um serviço específico é influenciada por duas espécies de qualidade
de serviço: a técnica ou “concreta” e a humana ou “emocional”.
A qualidade técnica ou concreta implica aspectos concretos do serviço:
 Menu/lista de vinhos
 Horário dos comboios
 Assentos confortáveis
 Taxas de juro
 Parque de estacionamento
 Instruções
A qualidade emocional ou humana diz respeito aos aspectos emocionais do serviço fornecido:
 O fornecedor do serviço fornecido no que se refere ao:
 Empenhamento
 Atitude
 Simpatia
 Flexibilidade
 Atenção
 A atmosfera
 Manutenção de acordos
As pesquisas sugerem que quando a qualidade humana de um serviço não corresponde às expectativas
dos clientes, estes mudam de fornecedor e, normalmente, sem reclamar previamente.

A Qualidade Pessoal pode ser definida como a satisfação das exigências e expectativas concretas
e emocionais do próprio, quer dos outros
Se todos os indivíduos de uma organização dessem o seu melhor em cada dia e estivessem
profundamente empenhados no seu trabalho, o futuro seria brilhante.

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Estudos mostram que nem todos os trabalhadores estão motivados para dar diariamente o seu melhor:
 Menos de 25% dos empregados responderam sim à pergunta “Dá sempre o seu melhor?”
 Metade dos inquiridos responderam que apenas se esforçava o suficiente para manter o emprego
 75% dos empregados admitiram que poderiam ser muito mais eficientes
E deram como razão para o seu fraco desempenho o facto de não se sentirem motivados para fazerem
o esforço de que se sabiam capazes.

2.2. Como avaliar a Qualidade Pessoal


 A diferença entre aquilo que uma pessoa é capaz de fazer e aquilo que de facto faz pode ser
abismal
 O desempenho de um indivíduo pode variar muito em situações diferentes
 Pessoas diferentes têm desempenhos diferentes, quando dão o seu melhor
Para desenvolver a qualidade pessoal é necessário compreender estas 3 fases. A qualidade pessoal
começa nos padrões de qualidade do próprio indivíduo.

Existem 2 padrões de Qualidade Pessoal:


 Nível PA – Nível de desempenho existente (Performance actual) – exprime aquilo que um
indivíduo faz, de facto, na situação presente
 Nível PI – Nível de desempenho ideal (Performance ideal)

O indivíduo só fica realmente satisfeito com os seus esforços quando o nível PA está próximo do nível
PI.

O nível de desempenho pode ser definido como o nível de qualidade da nossa actuação no momento
presente, numa dada situação – influenciada tanto pelo que espera de si mesmo como pelo que os
outros exigem do seu desempenho.
O PA pode mudar de situação para situação, por influências que o tornam mais baixo ou mais alto.
A diferença entre os níveis PA e PI traduz o potencial de desenvolvimento em termos de qualidade
pessoal

2.3. Factores que influenciam o nível PA


1. Reconhecimento e recompensas
O factor que mais influencia o nível PA é a auto estima ou o sentimento de bem estar.
O nível de auto estima depende do reconhecimento que se recebe.
Torna-se particularmente difícil manter o nível de PA elevado se, durante um período de tempo
prolongado, existir desequilíbrio entre o desempenho e o reconhecimento e recompensas que se
obtêm.
O grau de reconhecimento recebido, sob a forma de atenção e interesse pelo nosso trabalho, mais do
que as recompensas materiais, têm grande influência no nosso PA.

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Formas positivas, em princípio, aumentam. Depende, claro, da pessoa que o faz, da forma como o faz
e de se sentir ou não merecedor.
Repreensões e criticas também podem levantar ou baixar o PA, em função da forma como são feitas.
Isto são toques, ou, como os psicólogos lhe chamam, strokes.
São o meio mais poderoso de aumentar ou destruir a nossa auto estima.
O modo como trocamos toques com os que nos rodeiam determina o tipo de relações que
estabelecemos com eles.
Há vários tipos de toques:
 Físicos – implicam contacto
 Psicológicos – que não implicam contacto físico
 Ritualizados – dados em situações de terminadas
 Espontâneos – Atenção dada devido a características pessoais

As diversas espécies de toques mencionadas acima podem ser positivas ou negativas. A proporção
entre os toques positivos e negativos que recebemos determina o nosso balanço de toques.
Cada vez que recebe um toque positivo ou negativo, este é registado no cérebro, numa espécie de
conta bancária com débito e crédito. Se os toques positivos são predominantes, o equilíbrio é positivo
e o nível de PA está alto. Se predominam os negativos, o equilíbrio é negativo e o nível de PA está
baixo.

2. Conhecer os objectivos
O nível PA baixa se os objectivos não estiverem claramente definidos. O mesmo acontece se não
compreender a tarefa. São pré-requisitos para o empenhamento e a obtenção de um elevado PA. Para
que se possa manter um nível PA elevado, deve-se estar a par do resultado global do projecto de que o
seu trabalho faz parte.

3. Sucesso e fracasso
Sucesso e fracasso influenciam a nossa disposição e vontade de realizar projectos semelhantes no
futuro. Também afectam a qualidade do desempenho futuro. Não há dúvida que o sucesso aumenta o
nível PA. O fracasso provoca, frequentemente, a queda do nível PA, mesmo que por breves momentos.
No entanto, não é raro o fracasso constituir motivação para um esforço adicional, que visa recuperar o
respeito dos outros e a própria auto estima.

4. O meio físico
viver num ambiente desarrumado, não funcional e pleno de distracções reduz o nível PA. Um
ambiente funcional e harmonioso, dotado de equipamento técnico adequado e actualizado aumenta o
nível de PA

5. O meio psicológico
um ambiente caracterizado por respeito mútuo, abertura, informação completa, elevados princípios
morais, confiança, segurança, tolerância, bom humos e calor humano eleva o nível PA.
Um ambiente caracterizado por burocracia, política de autoridade, medo, desconfiança, frieza, boatos,
intriga e instabilidade reduz o nível PA
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6. Experiências e aptidões
Experiência insuficiente e falta de aptidão podem provocar insegurança em certas pessoas, reduzindo
assim o seu nível PA. Outras são motivadas a desenvolver um esforço suplementar devido à sua falta
de experiência, aumentando, deste modo, o seu nível de PA.

7. Natureza da tarefa
O facto de uma tarefa corresponder ou não aos nossos desejos e expectativas influencia o nível PA.
Um trabalho rotineiro pode reduzir o PA dos que procuram diversidade e desafio e aumentar o PA
daqueles que se sentem seguros com o que lhes é familiar. Para manter um nível PA elevado, é
necessário sentir-se bem enquanto trabalha.

8. Tempo disponível
Tanto tempo de sobra como a falta dele afectam o nível PA. Uns pensam cuidadosamente, outros
adiam. O nível PA atinge o ponto mais elevado quando se consegue encontrar a combinação de
factores que melhor se ajusta ao nosso ritmo de trabalho – a quantidade certa de pressão.

9. O nível PI
As pessoas com um nível PI elevado tendem a tentar levantar, permanentemente, o seu nível PA.
Quanto mais altos forem os seus ideais mais elevado é o nível de qualidade do se desempenho em
qualquer situação.

2.4. Nível PI – O nível de desempenho ideal


O nível PI expressa os desejos mais íntimos e as expectativas e exigências em relação ao nível de
desempenho. Está estreitamente ligado à personalidade.
Só ficamos satisfeitos com o nosso esforço a partir do momento em que esteja à altura das nossas
exigências e o nível do PA está próximo do nível PI. Aí, ficamos com a consciência tranquilo e
podemos progredir.

Alcança o nível PI quando:


 Não conseguir fazer melhor
 Estiver orgulhoso do seu desempenho
 Assumir com prazer o seu resultado

As atitudes fundamentais perante a vida, incluindo o sentido ético, são formados na infância e
adolescência e carregamo-los pela vida fora. O padrão ideal de qualidade constitui um dos valores
mais importantes.
É determinante na fixação dos limites das suas próprias capacidades e, portanto, tem um influência
decisiva:
 No seu desenvolvimento
 Na sua eficácia
 No seu relacionamento com o mundo
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Influência do meio no nível PI


O nível PI forma-se nos primeiros anos de vida, quando estão em formação as atitudes e valores. Nesta
altura, assumem grande importância aqueles mais próximos:
 Os pais
 Os irmãos e irmãs
 Os amigos
 Os professores

O nível PI é influenciado pelos meios de comunicação: rádio, televisão, jornais, etc.


O nível PI é influenciado pela sua experiência do mundo e respectivos:
 Comportamentos e exemplos
 Exigências e expectativas
 Reconhecimentos e recompensas
Por exemplo, as crianças – ninguém gosta de ser posto de lado e por isso tentam entender as normas
do grupo e decidem comportar-se em relação a elas.
O nível PI é fortemente influenciado pelas exigências e expectativas dos outros em relação ao seu
desempenho e comportamento. Se muito nos foi exigido, provavelmente o nosso PI é elevado. Se
fomos corrigidos e orientados, desde que entendido positivamente, o PI será elevado.

Desenvolvimento e estabilidade do nível PI


O nível PI é mais facilmente influenciado durante os primeiros anos de vida. Cerca dos 8 anos começa
a tornar-se cada vez mais difícil influenciá-lo.
A partir dos 18 anos, já não estamos tão receptivos a influências do exterior e o nível PI começa a
estabilizar.
Cerca dos 25 anos, no máximo, o nível PI torna-se relativamente estável.
Depois dos 25 anos, só experiências emocionais muito fortes podem provocar alterações no PI

2.5. Diferença entre o nível PI e o nível PA


A diferença entre o nível PI e o nível PA consiste no potencial de desenvolvimento.. A maioria das
pessoas tem um grande potencial de desenvolvimento. Tem, igualmente, bastantes oportunidades para
aumentar o seu nível PA e, assim, usar esse potencial.
Devemos comparar os resultados dos dois exercícios relativos ao nível PA e ao nível PI e colocar a nós
mesmos as seguintes questões:
 Qual a diferença, de uma maneira geral, entre aquilo que sou capaz de fazer e o que de facto faço?
 Haverá áreas em que a diferença entre o meu nível PI e nível PA é invulgarmente grande ou
pequena?
 Isso dá-se quando?
 Estar com certas pessoas, executar determinadas tarefas, recebo certo tipo de reconhecimento,
exposição a influências específicas?

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Se temos um grande potencial de desenvolvimento, encontramo-nos diante de um grande desafio com


possibilidades emocionantes, pelo que devemos utilizar o nosso potencial.
2.6. Vantagens
Se os padrões de qualidade pessoal são elevados, somos o bem mais valioso da empresa:
 Os outros confiam em si e respeitam-no
 As possibilidades de ser nomeado para tarefas aliciantes aumentam
 As hipóteses de promoção multiplicam-se
 Comete menos erros
 Não é necessário que os outros verifiquem o seu trabalho
 Consegue realizar mais coisas
 Reforça a sua auto-estima
 A sua qualidade de vida melhora

2.7. Como melhorar o nível PA


1. Estabeleça objectivos de qualidade pessoal
2. Elabore o seu plano de qualidade pessoal
3. Verifique até que ponto os outros estão satisfeitos com os seus esforços
4. Trate cada pessoa das suas relações como um cliente importante
5. Evite erros, realizando as tarefas com maior eficiência
6. Utilize bem os recursos, com empenhamento
7. Aprenda a acabar o que começou
8. Controle o stress
9. Seja ético, exigindo qualidade

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3. A RELAÇÃO PESSOAL COM O TEMPO

O tempo é o recurso mais importante e valioso de que dispomos e está na nossa mão fazer pleno uso
dele. A nossa vida pode ser entendida como a soma de tempo que temos à nossa disposição.
O tempo é também o recurso mais limitado de que dispomos: é o único que não podemos ir buscar a
lado nenhum. Não se pode comprar mais tempo, mas podemos utilizar o tempo da melhor forma
possível. Dividimos o tempo em períodos como dias, semanas, meses, anos ou manhãs, tardes e fins-
de-semana. Repartimos o tempo em dias de trabalho, tempo de lazer, horário de escola, intervalos,
tempos de espera, tempo de viagem, hora de almoço, hora de dormir.
O tempo passa inexoravelmente a um ritmo fixo: 60 segundos por minuto, 60 minutos por hora, 24
horas por dia. O tempo nunca volta para trás. Por isso devia ser proibido por lei roubar o tempo dos
outros. Cada um tem de respeitar o seu próprio tempo – e o das outras pessoas.
O tempo não pode ser entendido de uma forma exclusivamente quantitativa: tem também uma
componente qualitativa. Pode passar depressa ou devagar. Dependendo das circunstâncias, as pessoas
têm experiência do tempo de modos diferentes. Por vezes sente-se que o tempo passa muito
rapidamente: quando nos sentimos bem, quando estamos a fazer coisas interessantes, quando estamos
muito ocupados ou muito atrasados. O tempo passa lentamente quando estamos aborrecidos,
desocupados, ou à espera que aconteça qualquer coisa por que ansiávamos.
O tempo é o recurso mais democrático do mundo. Todos os dias, toda a gente dispõe de todo o tempo
possível – 24 horas – para gerir. Em cada dia, em cada semana, em cada ano, todos temos o mesmo
número de horas à disposição: o que varia muito é a forma como as utilizamos.
Tempo é vida; pode ser bem utilizado ou desperdiçado.

O tempo existe como um elemento constante nas nossas mentes e raciocínios. Consciente ou
inconscientemente, os nossos pensamentos giram em torno do tempo, pois procuramos arrumar cada
acto ou situação em torno dele.
Procuramos continuamente resposta para uma série de perguntas acerca do tempo, da mais simples à
mais complicada: - que horas são? – Existe vida eterna?
Entre estes extremos, pomo-nos questões como :
 Quanto tempo devia passar a trabalhar?
 Quanto tempo devia dedicar à minha vida particular?
 que é mais importante, já que não posso fazer tudo?
 Quando devo fundar uma família?
 Quando é que vou ser promovido?
Provavelmente, não há respostas definitivas para estas perguntas. Não deixam de ser, contudo,
pertinentes; e a vida pode ser encarada como uma procura permanente de respostas.

O tempo atrai os nossos pensamentos como uma força magnética. A maior parte das conversas
envolvem aspectos temporais e é difícil manter uma comunicação sem aflorar a nossa relação com o
tempo.
“Onde está a Ana? Está de férias!” E somos quase levados a dizer: “Quando volta?”.

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Toda a gente tem conscientemente da vida a experiência de um fluir de acontecimentos, que se


deslocam do que era, atravessando o presente, em direcção ao que será. O passado existe na nossa
memória, o presente na nossa mente e o futuro nas nossas visões, segundo Santo Agostinho.
A vida pode ser encarada como um tempo ininterrupto, através do qual nos movemos constantemente,
do dia em que nascemos até ao dia em que morremos.
É de importância vital tirarmos o melhor partido do tempo, logo, da vida, à medida que esse fugaz
momento – presente – desfila.

3.1. O Significado do Presente.


Toda a gente quer uma vida boa. Mas ela não acontece por si. Somos nós próprios os responsáveis por
criá-la. A única parte da nossa vida sobre a qual podemos intervir é o presente. Uma vida boa é aquela
que tem muitos momentos presentes felizes. Uma parte de ser feliz é a capacidade para viver o
presente e desfrutá-lo. Muitas pessoas imaginam que a felicidade está à espreita algures no futuro. E
que só lhe podemos ter acesso quando for criada uma nova situação, com novas aquisições ou quando
houver mudanças drásticas nas condições presentes.
Gradualmente, à medida que a vida avança e ficamos mais velhos e experientes, constatamos que a
felicidade não existe apenas no futuro. Aos poucos, apercebemo-nos de que o passado também teve
muitos bons momentos. Só que, na altura, eram difíceis de ver. Em tempos, por exemplo, achámos que
a felicidade estava em acabar a escola. Mais tarde, percebemos que a felicidade está em aproveitar ao
máximo cada dia da escola.
Quanto mais experiência adquirimos, melhor entendemos que talvez a felicidade não esteja tanto em
alcançar um objectivo, mas desfrutar cada momento – no presente – no percurso para o alcançar.
PARE...
...sempre que possível durante o dia, semana, mês, ano, e diga a si mesmo: ”O que posso fazer – aqui e
agora – para tirar o melhor partido da situação presente?” E depois, faça-o! Porque assim, irá
maximizar o número de vezes em que se sente bem no presente, o que representa a maior felicidade
possível.
De vez em quando, pare e pergunte a si mesmo: Será que o que estou a fazer agora representa o
melhor uso que posso dar ao meu tempo? Está a contribuir para uma vida melhor para mim e para os
outros, agora e no futuro? Ou estou a gastar o meu tempo de forma errada – a caminhar na direcção
que não devo?

3.2. Tópicos para viver o presente


A nossa experiência do presente cria uma imagem da situação da nossa vida neste preciso momento.
A mente compara cada momento com o que acabou de passar e com o que pensamos estar para vir. O
presente é comparado com o passado e relacionado com o futuro. As nossas acções são em parte
moldadas pelo que fizemos e noutra pelo que esperamos do futuro. Quando se harmonizam com as
nossas experiências passadas e expectativas futuras, desabrochamos, sentimo-nos bem e somos felizes.
Por vezes, sentimos que o presente está errado num aspecto ou noutro. Não é coerente com as nossas
imagens do passado e não reflecte o futuro que esperamos. Esta disparidade dá-nos desalento,
desconforto e mesmo ansiedade. Pode assim dar origem a tensões, depressão e pessimismo e pode até
causar problemas físicos e mentais.

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Podemos trabalhar activamente no sentido de viver cada momento presente positivo. Isto exige
trabalhar três frentes:
1. Os pensamentos acerca do passado;
2. Os pensamentos acerca do futuro;
3. O controlo do presente.

Para gozar o presente, importa não nos centramos excessivamente em imagens negativas do passado;
tentemos, em vez disso, desfolhar as imagens positivas dos tempos idos.
É igualmente importante encararmos de forma positiva o futuro – aquilo por que se anseia. Há que
lutar contra o medo do desconhecido, do que está para vir.
Finalmente, é de vital importância para a capacidade de gozar o presente manter o controlo da
situação, através da organização e da antecipação mental do que nos espera nas próximas 24 horas.

1. Pensamentos acerca do passado


As nossas mentes são armazéns de informações do passado, sob a forma de conhecimentos e
capacidades, experiências e memórias. O cérebro escolhe as informações que considera importantes,
trabalha-as nas nossas memórias e conserva-as lá.
Este armazém é um enorme arquivo, do qual, consciente ou inconscientemente, retiramos as imagens
que se tornam parte da nossa visão global do presente.
Para gozar o presente, é importante não deixar que os erros do passado – decisões impensadas, azar,
erros de cálculo, fiascos e expectativas frustradas – lancem sombra sobre ele.
Quando descobrir que cometeu um erro ou tomou uma decisão errada, não desperdice tempo a
lamentá-lo – anime-se com o facto de ter ganho sabedoria. Com esta nova experiência, vai poder evitar
cair na mesma situação futuramente.

2. Pensamentos acerca do futuro


Grande parte da nossa actividade mental é ocupada com o futuro. A mente está sempre a tentar
antecipar imagens do futuro, acompanhada de um conjunto de expectativas. Imaginamos diferentes
tipos de metas para a vida e padrões de comportamento; e criamos pequenos programas mentais acerca
do futuro. O objectivo desses programas é serem mantidos em estado de alerta, para nos ajudarem a
dirigir-nos para as metas definidas e que tentamos alcançar.
Os pensamentos sobre o futuro ocupam grande parte da nossa consciência e influenciam grandemente
a forma como encaramos o presente. Este corre melhor quando pensamos de modo positivo e
construtivo acerca do futuro. Muitas pessoas sentem o futuro com incerteza – algumas chegam a temê-
lo. E essa ansiedade em relação ao futuro pode encher o presente de frustrações, preocupações,
fantasias negativas e incapacidade para agir.
Pode-se trabalhar conscientemente para criar expectativas positivas em relação ao futuro e para criar a
convicção de que pode influenciar grandemente o seu futuro numa direcção positiva. Pode igualmente
aprender a tomar melhores decisões - e a viver com elas.
Quando se é jovem, não há provavelmente uma tão grande preocupação com o futuro. Na maior parte
dos casos, há um enorme futuro pela frente e, assim, alguma coisa se há-de extrair dele.
Gradualmente, e à medida que se vai envelhecendo, o futuro parece menos vasto do que já foi e
começa-se a sentir que as oportunidades são mais limitadas.
Tem de se esforçar por alimentar sonhos – independentemente da idade.

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3. O controlo do presente
Para desfrutar do presente, tem de ser capaz de o controlar e isso só se consegue concentrando-se nele.
Muitas pessoas não são capazes de gozar o presente, porque os seus pensamentos sobre ele são
sistematicamente desviados. A sua capacidade de concentração pode estar enfraquecida por amarguras
do passado e pelo medo e incerteza quanto ao futuro.
Uma das principais causas para tal é apenas a falta de perspectiva global, que lava à confusão, a tarefas
inacabadas e à falta de rumo.
Ter uma boa perspectiva global das próximas 24 horas traz muitas vantagens. Assim, se:
 Tiver um plano para os próximos dias;
 Souber quais as principais tarefas que tem de concluir;
 Souber de que tarefas menores não se pode esquecer;
 Souber a quem tem de escrever ou telefonar;
 Souber que decisões tem de tomar;
 For razoavelmente organizado;

Então:
 Redobra a sua energia;
 Diminui o nível de stress;
 Melhora a capacidade de concentração;
 Aumenta a qualidade do seu desempenho;
 Potencia as suas capacidades;
 Adquire maior controlo sobre o presente.

Perspectivação global e organização não significam perda de espontaneidade e de criatividade. Pelo


contrário. Com mais força, mais energia e capacidade de concentração, pode mesmo tornar-se mais
criativo e espontâneo. Além de que adquire uma nova perspectiva da vida. Torna-se mais fácil
distinguir o que é essencial e concentrar-se no que realmente importa: viver o presente com prazer.

3.3. A árvore da vida


Uma árvore pode ser encarada como um símbolo de crescimento. As raízes, o chão, o tronco e a copa,
todos desempenham um papel no desenvolvimento da árvore.
Cabe a cada um fazer com que a sua árvore da vida cresça alta e majestosa, com um tronco muito
direito, muitos ramos e folhas numa bela copa; ou, pelo contrário, deixar que acabe por ser uma árvore
fraca e atrofiada, rente ao chão.
A árvore da vida tem 4 partes:
 As raízes – as atitudes perante a vida
 O solo – o seu ambiente circundante
 O tronco – os seus objectivos pessoais
 Os ramos as suas capacidades e conhecimentos

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As raízes
As raízes da árvore representam as atitudes perante a vida. A árvore tem muitas raízes, o que significa
que consegue adoptar muitas atitudes diferentes em relação à vida e ao desenvolvimento pessoal. As
raízes poderão ter maior ou menor capacidade de absorção de nutrientes, de dar vida e de promover o
crescimento.
Eís algumas raízes/atitudes que promovem o crescimento: estou bem,; os outros estão bem; sou
responsável pela minha vida; a vida é uma dádiva; as pessoas são entusiasmantes; tenho imensa sorte.
Eís algumas raízes/atitudes que limitam o crescimento: não estou nada bem; os outros não estão bem;
sou uma vítima das circunstâncias; a vida é um mar de lágrimas; os outros complicam tudo.
Deve-se trabalhar continuamente ao nível das raízes – as atitudes em relação a cada um e aos que o
rodeiam - , porque elas são fundamentais para o desenvolvimento pessoal, o bem-estar e eficiência.
Quanto mais trabalhar a este nível, mais saudável e forte se tornará o conjunto: o potencial de
crescimento aumenta e a árvore da vida aguentará firme sob as maiores tempestades, sobrevivendo ao
longo de muitos anos.

O solo
O crescimento da árvore – o desenvolvimento – é determinado, não apenas pelas suas raízes/atitudes,
mas também pelo meio em que vive.
No solo, está o alimento que as raízes recebem e o ambiente em que estão implantadas. É o meio em
que se encontra – em casa e no trabalho.
Há uma raiz, em particular, que determina em grande medida o crescimento, eficiência e bem-estar. É
a auto-estima, ou sensação de estar bem; se o ambiente que o rodeia contribui para ela, tudo funciona e
cresce; se estiver satisfeito consigo próprio, a boa disposição impera e fica com energia adicional
necessária para apoiar os outros e lidar com situações difíceis. As pessoas têm toda a razão quando
dizem que é preciso gostar de si próprio para ter a capacidade de representar alguma coisa para os
outros.
O reconhecimento é o melhor dos alimentos para o sentimento de “estar bem” e, portanto, para a
árvore da vida. Representa para as pessoas o mesmo que o sol para as árvores e outras plantas.
Cada um de nós é responsável pelo seu próprio crescimento. Contudo, a maior parte das pessoas está
em grande medida dependente do reconhecimento dos outros, embora hajam algumas tão rijas que se
conseguem sentir seguras de si próprias sem ele. É possível trabalhar esse sentimento de “estar bem”
reconhecendo-se e apreciando-se a si próprio, o que é, de facto, um imperativo para ser capaz de
aceitar o reconhecimento e apreciações das outras pessoas.
Devemos lembrar-nos de que cada pessoa tem o poder de fertilizar ou destruir o solo que alimenta as
árvores da vida dos outros.
É importante aprender a criar e manter a auto-estima e a fortalecer os sentimentos de “estar bem” das
pessoas das nossas vidas.

O tronco
A definição permanente e integral dos objectivos pessoais e profissionais – e as expectativas de os
cumprir – desempenha um papel central na nossa vida. Atingir objectivos é crucial para o
desenvolvimento, eficiência e sensação de “estar bem”.
O tronco da árvore representa a espinha dorsal da nossa vida – os objectivos que se marcaram. A
sensação de estar a trabalhar para alcançar um objectivo associada à experiência de o alcançar fazem a
vida valer a pena. Quando se têm objectivos de vida claramente traçados, sonhos e fé no futuro, a vida
ganha sentido e torna-se mais fácil viver o presente.

Manual elaborado por 16/18


Acção de Formação “Como promover a Auto-estima”

Os ramos
Para poder actuar e desenvolver-se, são necessárias algumas qualidades e capacidades fundamentais.
Necessita de estar sempre a fazer planos, a definir prioridades, a ganhar distância, a tomar decisões, a
compreender, a aprender, a recordar, a comunicar, a resolver problemas, a garantir qualidade e a
delegar.
Para além disso, necessita de exercitar a auto-disciplina, ser criativo e flexível, manifestar tolerância,
aprender a viver em stress e a manter actualizados os conhecimentos e atitudes.
A copa da árvore – os ramos, raminhos e folhas – é também uma manifestação do crescimento. É ela
que determina como as outras pessoas vêem a sua árvore, se a acham atraente, especial, harmoniosa e
interessante de se conhecer. Os ramos são os nossos conhecimentos ou capacidades; ao desenvolvê-
los, estamos a abrir portas, a enriquecer a nossa vida e a tornar-nos pessoas mais entusiasmantes para
os quer nos rodeiam.

Manual elaborado por 17/18


Acção de Formação “Como promover a Auto-estima”

Bibliografia
← Instituto Português da Qualidade – “Ferramentas da Qualidade”; 2.ª Edição; 2003

← Møller, Claus; Employeeship, Mobilizar a energia de todos para vencer, 1996, Edições TMI
Publishing A/S

← Møller, Claus; Employeeship - como Maximizar o Desempenho Pessoal e Organizacional, 1995,


Pioneira

← Møller, Claus; My Life Tree, 1983, Edições TMI Publishing A/S

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