Você está na página 1de 106

MERCADO FINANCEIRO

15a edição

Rio de Janeiro
2016
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele,
sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da FUNENSEG

E73m Escola Nacional de Seguros. Diretoria de Ensino Técnico.


Mercado financeiro/Supervisão e coordenação metodológica da Diretoria de Ensino
Técnico; assessoria técnica de Antonio Carlos Magalhães da Silva. – 15. ed. – Rio de Janeiro:
Funenseg, 2016.
106 p.; 28 cm

1. Mercado financeiro. I. Silva, Antonio Carlos Magalhães da. II. Título.

0015-1615 CDU 335.7(072)

REALIZAÇÃO

Escola Nacional de Seguros


SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA

Diretoria de Ensino Técnico


ASSESSORIA TÉCNICA

Antonio Carlos Magalhães da Silva – 2016/2015/2014


CAPA

Coordenadoria de Comunicação Social


DIAGRAMAÇÃO

Info Action Editoração Eletrônica


A
Escola Nacional de Seguros promove, desde 1971, diversas
iniciativas no âmbito educacional, que contribuem para um
mercado de seguros, previdência complementar, capitalização
e resseguro cada vez mais qualificado.

Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para


profissionais que atuam nessa área, a Escola Nacional de Seguros
oferece a você a oportunidade de compartilhar conhecimento e
experiências com uma equipe formada por especialistas que possuem
sólida trajetória acadêmica.

A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho


para o sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes
e a competitividade é cada vez maior.

Seja bem-vindo à Escola Nacional de Seguros.


4 MERCADO FINANCEIRO
Sumário

1 MERCADO FINANCEIRO: CONCEITOS E FUNÇÕES


Conceitos Básicos
9
11
Funções Básicas do Mercado Financeiro 12
Fixando Conceitos 1 13

2 INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA
O Papel da Intermediação Financeira
15
17
Classificação das Unidades Econômicas 17
Formas de Financiamento 18
Vantagens dos Intermediários Financeiros 19
Fixando Conceitos 2 21

3 SUPERVISÃO DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL


Órgãos Normativos
23
25
Conselho Monetário Nacional (CMN) 25
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) 26
Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) 26
Entidades Supervisoras 26
Banco Central do Brasil (BACEN) 26
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 28
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) 29
Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) 30
Fixando Conceitos 3 33

4 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
Instituições Captadoras de Depósitos à Vista
35
37
Bancos Comerciais 37
Bancos Múltiplos 37
Caixa Econômica Federal (CEF) 38
Cooperativas de Crédito 38
Outras Instituições Financeiras que Podem Compor um Banco Múltiplo 38
Bancos de Investimento 38
Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento (Financeiras) 39
Sociedades de Arrendamento Mercantil (Leasing) 39
Sociedades de Crédito Imobiliário (SCI) 39
Outras Instituições Integrantes do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) 39
Associações de Poupança e Empréstimo (APEs) 40
Companhias Hipotecárias 40
Bancos de Desenvolvimento 40
Agências de Fomento 41
Bancos Estaduais de Desenvolvimento 41

SUMÁRIO 5
Bancos Múltiplos Oficiais com Carteira de Desenvolvimento 41
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) 41
Outras Instituições Financeiras 42
Cooperativas Centrais de Crédito 42
Bancos Cooperativos 42
Sociedades de Crédito ao Microempreendedor (SCMs) 42
Instituições Financeiras Auxiliares 43
Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários (CTVMs) e Distribuidoras de Títulos e 43
Valores Mobiliários (DTVMs)
Administradoras de Consórcio 43
Instituições Supervisionadas pela CVM, SUSEP e PREVIC 44
Fundos de Investimento 44
Companhias de Seguro 44
Companhias de Resseguro 44
Sociedades de Capitalização 45
Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPCs) 45
Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Fundos de Pensão) 45
Fixando Conceitos 4 47

5 INSTRUMENTOS FINANCEIROS
Características dos Instrumentos Financeiros
49
51
Risco 51
Liquidez 51
Rentabilidade 51
Instrumentos de Captação Emitidos por Instituições Financeiras 52
Depósitos à Vista 52
Depósitos a Prazo 52
Depósitos de Poupança 52
Letras de Câmbio 52
Letras Financeiras 53
Letras Hipotecárias 53
Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) 53
Letra de Crédito Imobiliário (LCI) 53
Certificados de Depósito Interfinanceiro (CDI) 54
Instrumentos Financeiros Emitidos por Empresas Não Financeiras 54
Ações 54
Debêntures 55
Notas Promissórias 55
Fundos de Investimento 55
Definições 55
Classificação 55
Títulos do Tesouro Nacional 56
Derivativos 56
Definição 56
Futuros 57
Opções 57
Swaps 58
Fixando Conceitos 5 59

6 MERCADO FINANCEIRO
6 SEGMENTOS DO MERCADO FINANCEIRO
Mercado Monetário
61
63
Mercado de Capitais 64
Mercado Primário 64
Mercado Secundário 64
Mercado de Crédito 66
Mercado de Câmbio 66
Mercado Primário de Câmbio 66
Mercado Secundário (ou Interbancário) de Câmbio 67
Fixando Conceitos 6 69

7 ADMINISTRAÇÃO DE RISCO
Riscos Incorridos pelas Instituições Financeiras
71
73
Risco de Crédito 73
Risco de Liquidez 74
Risco de Mercado 74
Risco Operacional 74
Risco de Insolvência 75
Risco Legal 75
Riscos Incorridos pelos Investidores Individuais 75
Fixando Conceitos 7 77

8 POLÍTICA ECONÔMICA
Política Monetária
79
81
Definição e Objetivos 81
Instrumentos Clássicos de Política Monetária 82
Política Fiscal 83
Política Cambial 84
Fixando Conceitos 8 85

TESTANDO CONHECIMENTOS 87

ESTUDOS DE CASO 101

GABARITO 103

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 105

SUMÁRIO 7
8 MERCADO FINANCEIRO
1
MERCADO FINANCEIRO:
CONCEITOS E FUNÇÕES

Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:


• Diferenciar o setor financeiro do setor real da economia.
• Compreender o que é e como é formado o mercado financeiro.
• Identificar quais são as funções básicas do mercado financeiro.

UNIDADE 1 9
10 MERCADO FINANCEIRO
CONCEITOS BÁSICOS
Investimento e poupança constituem o cerne de todo o sistema financeiro.
Entende-se por poupança a parte da renda não consumida e, por investimento,
a utilização de recursos, próprios ou de terceiros, para ampliar a capacidade
produtiva. O indivíduo racional concorda em trocar um poder de consumo
presente e certo por um poder de consumo futuro e incerto se houver a
expectativa de que este será maior do que o primeiro.

O setor financeiro da economia diferencia-se do setor real em diversos


aspectos. Todavia, ambos os setores se complementam e são extremamente
relevantes para a sociedade.

O setor real abrange a produção e a circulação de bens e de mercadorias e


a prestação de serviços não financeiros, como comércio, telecomunicações,
transporte e outros. Os ativos reais são bens ou direitos que não representam,
necessariamente, reserva de valor, mas são mantidos em função do proveito
que deles se espera obter.
Exemplo: máquinas e equipamentos.

Já o setor financeiro abrange a custódia, a intermediação e a compensação


de ativos e de passivos financeiros. Um ativo financeiro constitui um direito
em relação a outra unidade econômica, mantido como reserva de valor
em função do retorno financeiro que dele se espera obter. Inclui moeda e
todo título que representa dívida ou participação patrimonial. Um passivo
financeiro representa a obrigação decorrente de ativo financeiro. É, portanto,
a contrapartida para aquele que emitiu um ativo financeiro.

O Sistema Financeiro Nacional pode ser definido como o conjunto de


instituições e de instrumentos destinados a oferecer alternativas de aplicação
e de captação de recursos financeiros. Basicamente, é o Mercado destinado
ao fluxo financeiro entre poupadores e tomadores. Dessa forma, otimiza
a utilização de recursos financeiros e cria condições de liquidez e de
administração de riscos:

• instituições – compõem o mercado financeiro os diferentes tipos


de instituições financeiras, como bancos, seguradoras, corretoras e
distribuidoras de títulos mobiliários. Cada tipo de instituição financeira
exerce funções específicas, de acordo com o que determina a legislação; e

• instrumentos financeiros – podem ser divididos em duas classes:


– instrumentos de dívida, como, por exemplo, depósitos bancários,
debêntures e títulos públicos; e Atenção
– instrumentos de participação patrimonial ou propriedade, entre os O Sistema Financeiro Nacional (SFN),
quais se destacam as ações. definido pela Lei 4.595, de 31 de dezembro
de 1964, pode ser entendido como o
conjunto de instituições que integram o
O mercado financeiro pode ser dividido em quatro segmentos: mercado mercado financeiro, quer regulamentando
monetário, mercado de câmbio, mercado de capitais e mercado de crédito. e fiscalizando seus participantes, quer
facilitando a transferência de recursos
Esta divisão tem finalidade meramente didática, dado que tais segmentos entre poupadores e tomadores.
muitas vezes, confundem-se em função da amplidão e da complexidade das
operações nele realizadas.

UNIDADE 1 11
FUNÇÕES BÁSICAS DO MERCADO
FINANCEIRO
Para que exista investimento é necessário que haja formação prévia ou
simultânea de poupança e que existam instituições e mecanismos capazes de
transformar poupança em investimento. O mercado financeiro possibilita que
as unidades econômicas (isto é, famílias, empresas e governos que compõem as
sociedades), também chamadas de agentes econômicos, sejam colocadas em
contato, direto ou indireto, a um custo mínimo e com as menores dificuldades
possíveis. Dessa forma, a utilização dos recursos financeiros da economia
pode ser otimizada, resultando em um aumento geral da produtividade, da
eficiência e do bem-estar da sociedade.

Ao possibilitar o contato entre as unidades econômicas, o mercado financeiro


cumpre, também, as seguintes funções:

• estímulo à formação de poupança – as instituições financeiras existentes


no mercado financeiro estimulam a formação de poupança de diferentes
formas. Instituições financeiras, como os bancos comerciais, captam
poupança e, em troca, emitem ativos com diferentes graus de liquidez.
O mercado de capitais – onde operam principalmente bancos de
investimento e corretoras de títulos – auxilia as empresas a emitirem
títulos próprios, como ações e debêntures. Outros tipos de instituição
financeira, como os fundos de pensão, os fundos de investimento e as
seguradoras, são importantes demandantes desses títulos e, portanto,
também estimulam a formação de poupança;

• facilitação da transferência de poupança entre unidades econômicas


– uma vez que o mercado financeiro coloca em contato as diferentes
unidades econômicas, a troca de recursos entre os que possuem recursos
financeiros excedentes e os que necessitam de recursos é facilitada.
Os bancos são importantes facilitadores dessa troca, pois repassam os
recursos captados de poupadores a tomadores de empréstimos; e

• provimento de liquidez às unidades econômicas – os bancos que captam


e emitem depósitos à vista, ou depósitos em conta-corrente, devem ser
capazes de oferecer liquidez imediata a seus clientes. Assim, através desse
tipo de instituição financeira, é processada a maior parte dos pagamentos
realizados pelas unidades econômicas.

12 MERCADO FINANCEIRO
Fixando Conceitos 1

[1] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA


Anotações:
Considerando alguns dos conceitos básicos acerca do mercado financeiro,
podemos afirmar que:

(a) O setor real da economia compreende a custódia, a intermediação e


a compensação de ativos.
(b) O setor real e o setor financeiro da economia são semelhantes em
vários aspectos.
(c) Poupança pode ser entendida como a parte da renda consumida por
uma unidade econômica
(d) Investimento pode ser entendido como a utilização de recursos, próprios
ou de terceiros, com vistas a ampliar a capacidade produtiva.
(e) O setor financeiro abrange a circulação dos bens e de mercadorias
existentes na sociedade.

[2] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

Entre as funções básicas, desempenhadas pelo mercado financeiro, podemos


citar:

I) Estímulo à formação de poupança.


II) Provisão de liquidez às unidades econômicas.
III)Facilitação da transferência da poupança das unidades econômicas
que possuem recursos excedentes para aquelas que necessitam de
recursos.
IV) Regulação e supervisão das instituições financeiras e não financeiras.
V) Colocação das unidades econômicas em contato, direto ou indireto, a
um custo mínimo e com as menores dificuldades possíveis.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, III e V são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, II, III e V são proposições verdadeiras.
(e) Somente II, III, IV e V são proposições verdadeiras.

FIXANDO CONCEITOS 1 13
14 MERCADO FINANCEIRO
2
INTERMEDIAÇÃO
FINANCEIRA

Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:


• Compreender como se dá o processo de intermediação financeira.
• Entender o papel desempenhado pelos intermediários financeiros.
• Identificar os diferentes tipos de unidades econômicas e compreender o papel desempenhado por cada
um deles.
• Distinguir e entender as diferentes formas de financiamento disponíveis às unidades econômicas.
• Entender algumas das razões que justificam a existência dos intermediários financeiros.

UNIDADE 2 15
16 MERCADO FINANCEIRO
O
processo de intermediação financeira pode ser entendido como a
captação de recursos junto às unidades econômicas superavitárias,
por instituições financeiras e o seu subsequente repasse para
unidades econômicas deficitárias. Esta unidade busca descrever o papel
desempenhado pelos intermediários financeiros nas transferências de
recursos entre poupadores e tomadores.

O PAPEL DA INTERMEDIAÇÃO
FINANCEIRA
Classificação das Unidades Econômicas
Pode-se dizer que a economia é composta por intermediários financeiros
e unidades econômicas (por exemplo: famílias, empresas e governos que
compõem as sociedades).

O conjunto das unidades econômicas pode ser dividido em três categorias:

• Unidades Superavitárias (US) – são aquelas que apresentam receitas


correntes maiores que gastos correntes. O excesso de receitas não
representa necessariamente lucro, podendo significar tão somente sobra
de caixa momentânea;

• Unidades Deficitárias (UD) – são aquelas cujos gastos correntes excedem


suas receitas correntes. No caso de uma empresa, o excesso de gastos em
relação às receitas correntes não significa dizer que ela opere com prejuízo:
os gastos em excesso podem, por exemplo, estar sendo empregados em
investimentos que permitirão uma futura expansão de suas atividades; e

• Unidades com Orçamento Equilibrado (UOE) – são aquelas que têm


seus gastos correntes iguais às receitas correntes. As UOEs, por não terem
sobras de caixa e por serem capazes de financiar seus gastos correntes e de
investimento, a partir de suas receitas correntes, não precisam, portanto,
de qualquer tipo de financiamento. Se todas as Unidades Econômicas
(UE) fossem sempre UOEs, não faria sentido existirem intermediários
financeiros. Na prática, contudo, é difícil de se conceber uma UE que, em
algum momento, não possua recursos financeiros ociosos ou mesmo uma
UE que seja capaz de se autofinanciar completamente.

As unidades econômicas superavitárias tendem a investir o excedente da receita


em ativos financeiros, que são direitos sobre a renda futura de outras unidades.
Portanto, podem ofertar seus excedentes mediante retorno que compense
seus riscos e gere uma remuneração adicional. As unidades deficitárias podem
buscar recursos para atender as suas necessidades de financiamento, aceitando
arcar com os custos dessa operação. Esta é a hipótese que justifica a existência
da atividade de intermediação financeira, e os agentes que desenvolvem
a atividade de intermediação financeira são chamados de intermediários
financeiros, sendo, geralmente, instituições financeiras.

UNIDADE 2 17
Formas de Financiamento
A atividade de intermediação financeira justifica-se como elo entre, por um
lado, as Unidades Superavitárias – USs (que têm sobra de caixa) – e, por
outro lado, as Unidades Deficitárias – UDs (que necessitam de financiamento).
Ou seja, os intermediários financeiros proporcionam um encontro entre os
recursos financeiros excedentes das USs e as necessidades de financiamento
das UDs. A atividade de intermediação financeira nasceu da necessidade de
aumento da eficiência das transferências de recursos financeiros entre as
Unidades Econômicas – UEs.

Uma UD pode financiar seus gastos das seguintes formas:

• autofinanciamento – para se financiar, uma UD pode vender ativos que


possua, inclusive instrumentos financeiros. Por exemplo, um indivíduo
pode vender ações em seu poder para financiar a compra de um bem;
ou uma empresa pode vender um terreno que esteja ocioso para adquirir,
com o dinheiro arrecadado, máquinas novas que ampliem sua capacidade
produtiva; e

• financiamento externo – a outra opção que uma UD possui para financiar


seus gastos é obter recursos de terceiros, o que pode ser feito de duas
maneiras:

– financiamento direto: emitir ações e outras formas de participação em


negócios, sem assumir uma dívida, ou emitir títulos de dívida – como
debêntures e commercial papers – que sejam adquiridos diretamente
por US; e

– financiamento indireto: empréstimos tomados com instituições


financeiras. Esta forma de financiamento é chamada de indireta, porque
conta com a intermediação de uma instituição financeira que adquire
títulos emitidos pelas UDs com os recursos captados junto às USs.

Nas operações de financiamento indireto, as instituições financeiras captam


recursos junto às USs, assumindo a obrigação de honrar a exigibilidade desses
recursos, e emprestam às UDs. Ou seja, realmente intermedeiam a operação.
Já nas operações de financiamento direto, a transferência de recursos ocorre
diretamente entre as UEs superavitárias e deficitárias, e o papel das instituições
financeiras é simplesmente promover a corretagem de valores.

O financiamento direto e o papel desempenhado pela intermediação financeira


se encontram resumidos, esquematicamente, no quadro a seguir:

Quadro 1 – Esquema de financiamento direto e intermediação financeira.

18 MERCADO FINANCEIRO
O financiamento indireto, mostrado pelas linhas cheias, dá-se no
lado esquerdo do esquema, com a troca de créditos adiantados pelas
instituições financeiras por títulos diretos (por exemplo, uma nota
promissória) entregues pela UD; e, do lado direito, pela troca feita entre
as IFs, que oferecem ativos financeiros (por exemplo, um depósito à
vista), e as USs, que nelas depositam seus excessos (ociosos) de caixa.
Note-se que esses depósitos das USs representam, de fato, um empréstimo
temporário concedido às IFs.

O valor da remuneração pelos recursos financeiros emprestados é chamado


de juros ou, em termos percentuais, taxa de juros. Esta taxa é a remuneração
dos poupadores e o custo de capital dos tomadores.

As instituições financeiras cobram, em regra, taxas de juros dos tomadores


superiores às taxas contratadas nas captações de recursos, a fim de
cobrir despesas e riscos, bem como obter remuneração pela atividade de
intermediação. À diferença entre a remuneração cobrada nas operações ativas
e o custo do dinheiro captado nas operações passivas dá-se o nome de spread.
O spread pode também ser definido como a diferença entre a taxa média de
juros cobrada pelos empréstimos e a taxa média paga aos depositantes.

Tradicionalmente, o spread bancário é bastante elevado no Brasil. Entretanto,


nas duas últimas décadas, vem decrescendo, fundamentalmente, em função da
maior concorrência gerada pelo desenvolvimento e expansão dos mecanismos
de financiamento direto disponíveis no mercado de capitais.

O spread bancário justifica-se em parte pelos custos dos bancos com a obtenção
de informações, mas pode também ser explicado pelo caráter, até certo ponto,
oligopolista que possuíam na concessão de crédito. A transformação dos
departamentos financeiros das grandes empresas em autênticas instituições
financeiras – somada ao crescimento dos investidores institucionais e ao
crescente papel desempenhado pelas empresas de classificação de risco,
significou uma quebra da posição hegemônica das instituições bancárias e a
perda de parte importante de sua clientela, particularmente as empresas de
maior porte.

A existência do spread significa que, pelo menos em tese, os financiamentos


indiretos seriam mais caros do que os financiamentos diretos, enquanto que
o retorno para os depositantes seria menos atraente do que se investissem
diretamente na compra de um título direto emitido por uma unidade deficitária.
No entanto, algumas vantagens possuídas pelos intermediários financeiros
levam ainda grande parte das unidades deficitárias a se endividar junto a eles,
e das unidades superavitárias a depositar seus recursos neles.

Vantagens dos Intermediários Financeiros


Os intermediários financeiros justificam sua existência por serem mais capazes
de reduzir os custos de transação e os problemas gerados pela assimetria de
informações entre as partes do que as unidades econômicas em geral.

Os custos de transação se referem aos gastos envolvidos em cada transação


financeira, como o processo de reuniões entre as partes e o pagamento
advocatício para redação de contrato, por exemplo.

UNIDADE 2 19
A assimetria de informação ocorre quando uma das partes de uma transação
está mais informada do que a outra. Quando há assimetria de informação, os
conflitos de interesse entre as partes tendem a ocorrer.

A redução dos custos de transação e da assimetria de informação presentes nas


transações é possibilitada, principalmente, por duas vantagens apresentadas
pelos intermediários financeiros: ganhos de escala e diversificação
das operações.

• ganhos de escala – em função da especialização (expertise) desenvolvida


na coleta de dados e processamento das informações, os intermediários
financeiros apresentam vantagens relativas a ganhos de escala,
possibilitando a redução do custo por transação à medida que se
aumenta o número de transações. Todo intermediário financeiro possui
um departamento de análise de crédito, sendo os custos de manutenção
de tal estrutura divididos entre milhares de contratos. O mesmo se refere
aos custos legais de elaboração de contratos de empréstimos e também
aos custos de monitoramento; e

• diversificação das operações – a possibilidade de diversificação das


operações ativas e passivas reduz sensivelmente, por um lado, a
probabilidade esperada de perdas com inadimplência nos empréstimos
e, por outro lado, os riscos de liquidez provenientes de saques dos
depositantes.

Portanto, os intermediários são capazes de reduzir os custos de transação


e a assimetria de informação entre as partes em função dos ganhos de
escala, da especialização em intermediação financeira e de seus ativos e
passivos diversificados. Além disso, outra vantagem que apresentam é a
oferta de diversas alternativas de captação e de aplicação de recursos,
que, dificilmente, as unidades econômicas conseguiriam por conta própria
com a mesma agilidade.

20 MERCADO FINANCEIRO
Fixando Conceitos 2

[1] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA


Anotações:
Os gastos correntes de uma unidade econômica que excedem as suas receitas
correntes necessitam, de alguma forma, ser financiados. Caso uma unidade
econômica deficitária decida recorrer a um financiamento externo indireto,
podemos citar como opção o(a):

(a) Venda de imóvel.


(b) Emissão de debêntures.
(c) Empréstimo em banco múltiplo.
(d) Emissão de ações.
(e) Emissão de commercial papers.

[2] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

Em relação aos custos de transação e à possível assimetria de informação


presente nas transações financeiras, podemos afirmar que:

I) Quando há assimetria de informação entre as partes de uma transação


financeira, conflitos de interesse tendem a emergir.
II) A diversificação das operações ativas e passivas dos intermediários
financeiros pode ocasionar assimetria de informação em transações
financeiras.
III) Custos de transação se referem aos gastos envolvidos em cada transação
financeira.
IV) Os ganhos de escala possibilitam que os intermediários financeiros
reduzam o custo por transação à medida que aumentam o número
de transações.
V) A assimetria de informação ocorre quando as partes de uma transação
financeira são igualmente bem informadas.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I, II e III são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente II, III e V são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
(e) Somente I, II, III e V são proposições verdadeiras.

FIXANDO CONCEITOS 2 21
22 MERCADO FINANCEIRO
3
SUPERVISÃO DO
SISTEMA FINANCEIRO
NACIONAL

Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:


• Identificar quais são os órgãos normativos do Sistema Financeiro Nacional e quais os papéis desempenhados
por cada um deles.
• Identificar quais são as entidades supervisoras do Sistema Financeiro Nacional e quais os papéis
desempenhados por cada uma delas.

UNIDADE 3 23
24 MERCADO FINANCEIRO
O
Sistema Financeiro Nacional (SFN) é formado por diferentes tipos de
instituições financeiras e seus respectivos agentes regulamentadores e
supervisores. No Brasil, o SFN foi reconfigurado completamente durante
as reformas do período 1964-67, quando foram criados órgãos normativos e
supervisores, e delimitadas as áreas de competência de cada um.

O SFN, que emergiu após essas reformas, reproduzia a estrutura financeira


segmentada dos Estados Unidos na época em que as instituições financeiras
eram especializadas em determinado tipo de operação. Desde então, ocorreram
mudanças, como a possibilidade de formação de conglomerados financeiros,
a criação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Superintendência
de Previdência Complementar (PREVIC), entre outras, mas a estrutura básica
montada em meados da década de 1960 ainda prevalece.

ÓRGÃOS NORMATIVOS
Os órgãos normativos são responsáveis pela regulamentação do sistema
financeiro. São três os órgãos normativos do Sistema Financeiro Nacional, cada
um sendo responsável por um determinado segmento do sistema.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) normatiza as atividades das instituições


e os mercados supervisionados pelo Banco Central (BACEN) e pela CVM, além
de regular as aplicações das reservas dos investidores institucionais.

O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) é o órgão regulador do


mercado de seguros – que inclui as atividades das companhias de seguro,
de resseguro, das empresas de capitalização e das entidades de previdência
aberta –, cujo órgão supervisor é a Superintendência de Seguros Privados
(SUSEP).

O terceiro órgão normativo do Sistema Financeiro Nacional é o Conselho


Nacional de Previdência Complementar (CNPC), que normatiza as atividades
dos fundos de pensão, supervisionadas pela Superintendência de Previdência
Complementar (PREVIC).

Conselho Monetário Nacional (CMN)


É o órgão deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional. Integram o CMN
o ministro da Fazenda (Presidente), o ministro do Planejamento, Orçamento e
Gestão, e o presidente do Banco Central do Brasil. Ao CMN compete:

• estabelecer as diretrizes gerais das políticas monetária, cambial e


creditícia;

• regular as condições de constituição, o funcionamento e a fiscalização das


instituições financeiras; e

• disciplinar os instrumentos de política monetária e cambial.

UNIDADE 3 25
Conselho Nacional de Seguros Privados
(CNSP)
O CNSP é o órgão responsável por fixar as diretrizes e normas da política
de seguros privados. É composto pelo ministro da Fazenda (Presidente),
representante do Ministério da Justiça, representante do Ministério da
Previdência Social, superintendente da Superintendência de Seguros Privados,
representante do Banco Central do Brasil e representante da Comissão de
Valores Mobiliários. Cabe ao CNSP:

• fixar diretrizes e normas da política de seguros privados;

• regular a constituição, a organização, o funcionamento e a fiscalização


dos que exercem atividades subordinadas ao Sistema Nacional de Seguros
Privados, bem como a aplicação das penalidades previstas;

• fixar as características gerais dos contratos de seguro, da Previdência


Privada Aberta e de Capitalização;

• estabelecer as diretrizes gerais das operações de resseguro;

• prescrever os critérios de constituição das sociedades seguradoras, de


Capitalização e entidades de Previdência Privada Aberta, com fixação
dos limites legais e técnicos das respectivas operações; e

• disciplinar a corretagem do mercado e a profissão de corretor no mercado


de seguros.

Conselho Nacional de Previdência


Complementar (CNPC)
Desde março de 2010, o antigo Conselho de Gestão de Previdência
Complementar (CGPC) passou a se chamar Conselho Nacional de Previdência
Complementar (CNPC).

O CNPC é um órgão colegiado que integra a estrutura do Ministério da


Previdência Social e cuja competência é regular, normatizar e coordenar as
atividades das entidades fechadas de Previdência Complementar (fundos
de pensão).

ENTIDADES SUPERVISORAS
Essas entidades são responsáveis por supervisionar o bom funcionamento do
Sistema Financeiro Nacional. Supervisionam o segmento do sistema financeiro
pelo qual são responsáveis, juntamente com o órgão normativo a que estão
subordinadas.

Banco Central do Brasil (BACEN)


Criado pela Lei no 4.595, de 31 de dezembro de 1964, o BACEN executa –
“cumpre e faz cumprir” – as orientações do Conselho Monetário Nacional.
Suas principais responsabilidades são garantir o poder de compra da moeda
nacional e manter a estabilidade do sistema financeiro e do sistema de
pagamentos.

26 MERCADO FINANCEIRO
Mais especificamente, são atribuições do BACEN:

01. emitir papel-moeda e moeda metálica, e executar os serviços do meio


circulante. O BACEN detém o monopólio da emissão de base monetária,
isto é, papel-moeda e reservas bancárias. Estas reservas são uma espécie
de moeda de pagamento usada pelos bancos nas operações que realizam
entre si e com o próprio BACEN;

02. receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições


financeiras e bancárias. É o órgão que centraliza as reservas bancárias,
uma conta que todo banco é obrigado a manter junto ao BACEN.
Esta conta funciona de modo semelhante à conta-corrente que os
agentes econômicos mantêm nos bancos; sendo assim, o BACEN pode
criar reservas bancárias ao conceder empréstimos para um determinado
banco, assim como um banco pode criar depósitos à vista ao emprestar
a seus clientes;

03. realizar operações de redesconto e de empréstimo às instituições


financeiras. Através dessas operações, o BACEN cumpre a função de
emprestador de última instância, socorrendo bancos com problemas
temporários de liquidez;

04. regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros


papéis. O BACEN desempenha um papel importante no sistema de
pagamentos, auxiliando os bancos ao prestar esse serviço e procurando
manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional;

05. efetuar operações de compra e de venda de títulos públicos federais.


Tais operações correspondem ao papel do BACEN como agente financeiro
do Tesouro Nacional e executor da política monetária;

06. exercer o controle de crédito. Tal controle é um mecanismo de política


monetária e é utilizado também para direcionar parte dos empréstimos
das instituições financeiras para certas finalidades consideradas prioritárias
pelo Governo;

07. exercer a fiscalização das instituições financeiras;

08. autorizar o funcionamento das instituições financeiras;

09. estabelecer as condições para o exercício de quaisquer cargos de direção


nas instituições financeiras;

10. vigiar a interferência de outras empresas nos mercados financeiros e de


capitais; e

11. controlar o fluxo de capitais estrangeiros no país. Esta função é cada vez
menos importante, uma vez que os movimentos de capitais têm sido
liberalizados. Entretanto, todas as operações externas devem ser registradas
no BACEN.

Em resumo, as atribuições relacionadas nos itens 1 a 6 são relativas ao papel


tradicionalmente desempenhado por bancos centrais, a saber: executar a
política monetária e ser responsável pela estabilidade do sistema financeiro,
e do sistema de pagamentos, o que inclui sua capacidade de emprestador de
última instância dos bancos.

UNIDADE 3 27
Os itens 7 a 10 correspondem ao papel do BACEN de supervisionar e de
fiscalizar as instituições financeiras. A preocupação central do BACEN é evitar a
ocorrência de crises sistêmicas, em que a quebra de uma instituição bancária,
principalmente de grande porte, possa levar à quebra de outras, gerando uma
corrida bancária. Cabe ao BACEN, portanto, verificar a situação financeira das
instituições bancárias. O Banco Central do Brasil segue, desde 1994, as regras
de supervisão bancária propostas pelo Acordo da Basileia, aprovado em 1988,
pelo Comitê de Supervisão Bancária, instituído pelo Banco para Compensações
Internacionais (BIS – Bank for International Settlements).

Comissão de Valores Mobiliários (CVM)


A CVM foi instituída pela Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, sendo
responsável por disciplinar, fiscalizar e desenvolver o mercado de valores
mobiliários – ou seja, o mercado de capitais –, entendendo-se como tal aquele
em que são negociados títulos e ações emitidos por empresas que buscam
captar, junto ao público, recursos destinados ao financiamento de suas
atividades. Em 2001, a CVM assumiu algumas das funções de supervisão e de
fiscalização anteriormente exercidas pelo Banco Central, como, por exemplo,
aquelas relativas à supervisão das operações dos fundos de renda variável e
às negociações com derivativos de ações.

A possibilidade de uma empresa de vender títulos de emissão própria como


forma de arrecadar recursos depende, em grande parte, da confiança que os
potenciais compradores desses títulos tenham na sua capacidade de honrar
suas dívidas. Um investidor adquire ações de uma empresa na expectativa
de receber dividendos e de que o preço das ações suba. Quando compra
debêntures, espera que a empresa tenha desempenho financeiro suficiente
para lhe pagar o que está estabelecido no contrato.

Para estimular essas formas de captação de recursos, geralmente mais baratos


do que aqueles obtidos através de empréstimos bancários, a empresa deve ser
capaz de oferecer informações confiáveis sobre suas finanças e seus planos para o
futuro. Deve também agir de maneira transparente e cumprir seus compromissos
estatutários. Estes são aspectos importantes relacionados à boa governança
corporativa. Por outro lado, é preciso que os agentes operadores das bolsas de
valores e dos mercados de balcão sigam corretamente as regras estabelecidas.

Se algumas empresas e operadores não atuam apropriadamente, os investidores


podem perder confiança no mercado de capitais, reduzindo o acesso de outras
empresas a esse mercado. Portanto, a presença de um órgão regulador capaz
de estimular a ética e a transparência é de fundamental importância para o
desenvolvimento do mercado de capitais. Nesse sentido, entre as funções da
CVM destacam-se as seguintes:

• assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e


de balcão;

• proteger os titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares e


atos ilegais de administradores e de acionistas controladores de companhias
ou de administradores de carteira de valores mobiliários;

• evitar ou coibir modalidades de fraude ou de manipulação destinadas


a criar condições artificiais de demanda, oferta ou preço de valores
mobiliários negociados no mercado;

28 MERCADO FINANCEIRO
• assegurar o acesso do público às informações sobre valores mobiliários
negociados e às companhias que os tenham emitido;

• assegurar a observância de práticas comerciais equitativas no mercado de


valores mobiliários;

• estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários; e

• promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado


de ações, e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social
das companhias abertas.

Os principais valores mobiliários negociados no mercado de capitais são ações,


debêntures e quotas de fundos de investimento em renda variável (fundos de
ações). No entanto, o mercado pode ainda negociar quaisquer outros títulos
emitidos por sociedades anônimas, desde que inseridos no conceito de valor
mobiliário e devidamente registrados na CVM, como, por exemplo, as cotas
dos fundos de investimentos imobiliários.

Estão expressamente excluídos do mercado de capitais os títulos de dívida


pública e os títulos de responsabilidade de instituição financeira, exceto
debêntures. Quanto ao mercado de derivativos, a CVM supervisiona apenas
aqueles que negociam contratos a termo, de opções e de futuros de ações.

Superintendência de Seguros Privados


(SUSEP)
A SUSEP foi criada pelo Decreto-Lei no 73, de novembro de 1966. Naquela ocasião,
foi instituído o Sistema Nacional de Seguros Privados, do qual fazem parte, além
do CNSP e da SUSEP, o IRB-Brasil Resseguros S.A. – IRB-Brasil Re; as sociedades
autorizadas a operar em seguros e capitalização; as entidades abertas de
Previdência Complementar (EAPC) e os corretores de seguros habilitados.
A SUSEP, a partir de determinações emanadas pelo CNSP, controla e fiscaliza
os mercados de seguros, a Previdência Complementar Aberta, a Capitalização
e o resseguro.

O principal objetivo da SUSEP é a proteção dos consumidores desses produtos.


Considera-se que o consumidor receba pouca informação sobre a natureza
dos contratos, geralmente complexos. É preciso, ainda, garantir a solvência das
entidades que operam no setor, em particular as que oferecem Seguros
de Vida e planos de Previdência Privada, cujos contratos são de longo prazo.
A maior transparência dos contratos e a manutenção da solvência das entidades
estimulam o desenvolvimento desses mercados.

São atribuições da SUSEP:

• fiscalizar a constituição, a organização, o funcionamento e a operação


das sociedades seguradoras, resseguradoras, de capitalização e entidades
abertas de Previdência Complementar;

• proteger a captação de poupança popular que se efetua através


das operações de seguro, de Previdência Complementar Aberta, de
Capitalização e de resseguro;

UNIDADE 3 29
• zelar pela defesa dos interesses dos consumidores dos mercados
supervisionados;

• promover a estabilidade dos mercados sob sua jurisdição;

• zelar pela liquidez e solvência das sociedades que integram o mercado; e

• disciplinar e acompanhar os investimentos daquelas entidades, em especial


os efetuados em bens garantidores de provisões técnicas.

Superintendência Nacional de Previdência


Complementar (PREVIC)
A PREVIC, autarquia de natureza especial vinculada ao Ministério da Previdência
Social, é a entidade supervisora das atividades das entidades fechadas de
Previdência Complementar e de execução das políticas para o regime de Previdência
Complementar operado por essas referidas entidades. Desde dezembro
de 2009, quando foi criada, assumiu as funções anteriormente desempenhadas
pela extinta Secretaria de Previdência Complementar – SPC.

Sua criação já vinha sendo defendida havia algum tempo por diversos
segmentos da economia, incluindo o de Previdência Complementar, além
de organizações internacionais, como, por exemplo, a Organização para
Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE –, em função do expressivo
desenvolvimento do setor no Brasil, que passou a demandar maior estrutura
de sua entidade de supervisão. Assim, para adequar a estrutura da entidade
supervisora ao tamanho e às necessidades do setor supervisionado, fez-se
necessária a criação de um órgão que, ao contrário da antiga secretaria,
possui autonomia administrativa e financeira (gerada pela criação da Taxa de
Fiscalização e Controle – TAFIC), patrimônio próprio, vinculação ao Ministério
da Previdência Social e atuação em todo o território nacional.

A TAFIC foi instituída juntamente com a criação da PREVIC. Essa taxa, a


ser recolhida, quadrimestralmente, das entidades fechadas de Previdência
Complementar (EFPC) é calculada com base nos recursos garantidores dos
planos de benefícios. Seu intuito é subsidiar o desenvolvimento do setor e
de sua regulação e supervisão.

Compete à PREVIC:

I. fiscalizar as atividades das entidades fechadas de Previdência Complementar


e suas operações;

II. apurar e julgar as infrações, aplicando as penalidades cabíveis;

III. expedir instruções e estabelecer procedimentos para a aplicação das


normas relativas à sua área de competência, de acordo com as diretrizes
do Conselho Nacional de Previdência Complementar;

30 MERCADO FINANCEIRO
IV. autorizar:
a) a constituição e o funcionamento das entidades fechadas de
Previdência Complementar, bem como a aplicação dos respectivos
estatutos e regulamentos de planos de benefícios;

b) as operações de fusão, de cisão, de incorporação ou de qualquer outra


forma de reorganização societária, relativas às entidades fechadas de
Previdência Complementar;

c) a celebração de convênios e de termos de adesão por patrocinadores e


instituidores, bem como as retiradas de patrocinadores e instituidores; e

d) as transferências de patrocínio, grupos de participantes e assistidos,


planos de benefícios e reservas entre entidades fechadas de Previdência
Complementar;

V. harmonizar as atividades das entidades fechadas de Previdência


Complementar com as normas e políticas estabelecidas para o
segmento;

VI. decretar intervenção e liquidação extrajudicial das entidades fechadas de


Previdência Complementar, bem como nomear interventor ou liquidante
nos termos da lei;

VII. promover a mediação e a conciliação entre entidades fechadas de


Previdência Complementar e entre estas e seus participantes, assistidos,
patrocinadores ou instituidores, bem como dirimir os litígios que lhe
forem submetidos.

UNIDADE 3 31
32 MERCADO FINANCEIRO
Fixando Conceitos 3

[1] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS


MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA Anotações:

Dentre as atribuições do BACEN, estão o(a):

I) Emissão de papel-moeda e de moeda metálica.


II) Promoção da expansão e do funcionamento eficiente e regular do
mercado de ações.
III) Proteção dos titulares de valores mobiliários.
IV) Realização de operações de redesconto.
V) Controle do fluxo de capitais estrangeiros no país.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) V,F,F,V,F
(b) V,V,F,F,V
(c) F,V,F,F,V
(d) V,F,F,V,V
(e) F,F,V,F,V

[2] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA

Entre as atribuições da SUSEP, uma das entidades supervisoras do SFN,


podemos citar:

(a) Fiscalizar as operações das sociedades de capitalização, seguro,


resseguro e Previdência Complementar Fechada.
(b) Zelar pela liquidez e solvência dos fundos de pensão.
(c) Zelar pela defesa de compradores de seguro, ou seja, dos segurados.
(d) Receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições
financeiras supervisionadas.
(e) Disciplinar os investimentos de todas as instituições financeiras
classificadas como investidores institucionais.

FIXANDO CONCEITOS 3 33
34 MERCADO FINANCEIRO
4
INSTITUIÇÕES
FINANCEIRAS

Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:


• Identificar e distinguir as principais instituições financeiras que compõem o Sistema Financeiro
Nacional e suas funções básicas.

UNIDADE 4 35
36 MERCADO FINANCEIRO
E
sta unidade busca apresentar as principais instituições financeiras que
compõem o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Primeiramente, serão
apresentadas instituições financeiras supervisionadas pelo BACEN,
agrupadas da seguinte maneira:

• instituições financeiras captadoras de depósito à vista;


• outras instituições que podem compor um banco múltiplo;
• outras instituições integrantes do Sistema Financeiro da Habitação
(SFH);
• bancos de desenvolvimento;
• outras instituições financeiras; e
• instituições financeiras auxiliares.

Por fim, são apresentadas as instituições financeiras supervisionadas pela CVM,


SUSEP e PREVIC, que compõem o conjunto dos investidores institucionais.

INSTITUIÇÕES CAPTADORAS
DE DEPÓSITOS À VISTA
Bancos Comerciais
Tradicionalmente, a característica essencial que distingue um banco comercial
dos demais tipos de instituição financeira é o fato de aceitar – ou seja, a
emitir – depósitos à vista. Atualmente, no Brasil, outras instituições – bancos
múltiplos com carteira comercial, caixas econômicas e cooperativas de crédito
– são também autorizadas a captar depósitos à vista. Por captar e emitir esse
tipo de depósito, que faz parte do conceito de meios de pagamento, essas
instituições intermedeiam a maior parte dos pagamentos realizados pelos
agentes econômicos.

Todas as instituições que possuem carteira de banco comercial são obrigadas


a manter uma conta denominada reserva bancária. É através dessa conta
que o Banco Central executa a política monetária, buscando afetar o volume
dessas reservas e, consequentemente, controlar a liquidez da economia.

Bancos Múltiplos
Os bancos múltiplos são instituições constituídas por duas ou mais das
seguintes carteiras: comercial, de investimento, de desenvolvimento, de crédito
imobiliário, de arrendamento mercantil (ou leasing) e de crédito, financiamento
e investimento (ou financeira); sendo que uma delas tem que ser comercial ou
de investimento. As operações que realizam estão sujeitas às mesmas normas
legais e regulamentares aplicáveis às instituições singulares correspondentes
às suas carteiras, quais sejam banco comercial, banco de investimento, banco
de desenvolvimento, entidade de crédito imobiliário e financeira. A carteira de
desenvolvimento somente pode ser operada por banco público.

Desde que autorizada a sua constituição, em 1988, os bancos múltiplos


ganharam o espaço no conjunto do sistema financeiro antes ocupado pelos
bancos comerciais e por outras instituições independentes.

UNIDADE 4 37
Caixa Econômica Federal (CEF)
A CEF é um dos maiores bancos múltiplos brasileiros. Foi criada em 1969 com
a unificação de caixas econômicas federais que tinham autonomia estadual.
Capta diversos tipos de depósitos e administra fundos de investimento, da
mesma forma que os bancos múltiplos com carteira de investimento. Direciona
a maior parte de seus empréstimos ao setor de habitação, sendo que, com
a incorporação do espólio do Banco Nacional da Habitação (BNH), em 1986,
passou a administrar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a
financiar projetos nas áreas de saneamento urbano e infraestrutura. A CEF
detém o monopólio de loterias federais.

Cooperativas de Crédito
As cooperativas de crédito são instituições sem fim lucrativo que podem se
originar da associação de funcionários de uma mesma empresa, ou grupo
de empresas, ou de profissionais de determinado segmento, devendo
possuir o número mínimo de 20 cooperados. Podem captar depósitos à
vista e a prazo somente de associados. Seus depósitos não estão sujeitos ao
depósito compulsório no Banco Central. Outras operações passivas incluem
empréstimos, repasses e refinanciamentos de outras entidades financeiras,
além de doações. Suas operações ativas são, principalmente, empréstimos a
seus associados e aplicações no mercado financeiro. Entretanto, as cooperativas
de crédito sofrem algumas restrições quanto a operações no mercado
financeiro: não têm acesso ao Serviço de Compensação de Cheques e Outros
Papéis, e não podem manter conta de reserva bancária no BACEN. Assim,
uma cooperativa de crédito só pode oferecer produtos aos seus cooperados
se mantiver convênio com um banco.

OUTRAS INSTITUIÇÕES
FINANCEIRAS QUE PODEM
COMPOR UM BANCO MÚLTIPLO
Bancos de Investimento
São instituições financeiras voltadas para a captação e financiamentos de
médio e longo prazos, normalmente voltados ao investimento de empresas,
bem como a operações diversas na área das sociedades anônimas, como a
colocação de ações. Os bancos de investimento são, fundamentalmente,
bancos atacadistas, contrastando com a atuação dos bancos comerciais no
varejo bancário. Suas atribuições básicas são a subscrição de ações e de títulos,
financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de
giro, administração de fundos e aconselhamento de empresas em operações
de fusão e aquisição.

A tendência, nas últimas décadas, é o desaparecimento dos bancos de


investimentos especializados, cujas atribuições foram assumidas por bancos
múltiplos com carteira de investimento.

38 MERCADO FINANCEIRO
Sociedades de Crédito, Financiamento
e Investimento (Financeiras)
Até o final da década de 1970, as financeiras eram instituições especializadas
na concessão de crédito ao consumidor de bens de consumo duráveis, que
captavam recursos através da colocação de letras de câmbio. Atualmente,
fazem também empréstimos pessoais e disputam com os bancos o crédito
consignado com desconto em folha de pagamento. Algumas das maiores
financeiras se transformaram em bancos múltiplos após 1988 ou foram
adquiridas por bancos.

Sociedades de Arrendamento Mercantil


(Leasing)
As sociedades que realizam, principalmente, operações de leasing de bens
móveis e bens imóveis. Leasing é um contrato pelo qual uma empresa cede a
outra, por determinado período, o direito de usar e obter rendimentos com bens
de sua propriedade, como imóveis, automóveis, máquinas e equipamentos.
A propriedade do bem é do arrendador, e o uso é do arrendatário.

Portanto, o leasing não pode ser considerado um financiamento, porque


o cliente não recebe recursos para a aquisição, e sim o bem pretendido.
Nas operações de leasing financeiro, a empresa arrendatária tem a opção
de adquirir o bem arrendado ao final mediante o pagamento do valor que
tiver sido estipulado livremente no início das negociações (valor residual).
Além de sua remuneração, as receitas da empresa de leasing incluem o fluxo
de pagamento periódico da amortização do bem pago.

Sociedades de Crédito Imobiliário (SCI)


As SCIs foram criadas em 1964 para atuar no financiamento habitacional.
Dedicam-se à concessão de financiamentos imobiliários às pessoas de maior
renda em comparação com as atividades das caixas econômicas.

Assim como ocorreu com os bancos de investimento e as financeiras, existe,


atualmente, um número reduzido de SCIs independentes. Praticamente, todos
os depósitos em caderneta de poupança são captados por bancos múltiplos
com carteira imobiliária.

OUTRAS INSTITUIÇÕES
INTEGRANTES DO SISTEMA
FINANCEIRO DA HABITAÇÃO (SFH)
O Sistema Financeiro da Habitação (SFH) foi montado no período das reformas
do sistema financeiro de 1964-67, constituindo-se em um subsistema
financeiro especializado em financiamentos para a construção e a aquisição
da casa própria. Até 1986, o SFH era comandado pelo Banco Nacional da
Habitação (BNH), cuja principal fonte de recursos era o Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço (FGTS), criado em 1967. O BNH concedia financiamentos
habitacionais e para saneamento através de agentes autorizados, como as SCIs
e as cooperativas habitacionais. Em 1986, o BNH foi extinto, e suas atribuições
transferidas para a Caixa Econômica Federal.

UNIDADE 4 39
Atualmente, integram o SFH, na qualidade de agentes financeiros, os bancos
múltiplos com carteira de crédito imobiliário, as caixas econômicas, as SCIs, as
Associações de Poupança e Empréstimos (APE), as companhias de habitação,
as fundações habitacionais, os institutos de previdência, as companhias
hipotecárias, as carteiras hipotecárias dos clubes militares, os montepios
estaduais e municipais, e as entidades e fundações de Previdência Privada.

Não há impedimento de natureza normativa a que qualquer instituição


financeira conceda financiamentos à aquisição de casa própria. Todavia, no
caso de instituições integrantes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo
(SBPE) – as SCIs, as APEs e os bancos múltiplos com carteira imobiliária –, há
obrigatoriedade de aplicação em financiamentos habitacionais dos recursos
captados em depósitos de poupança.

A concessão de financiamento nas condições do SFH é exclusiva para


construção e aquisição de imóveis residenciais novos ou usados.
Além das caixas econômicas e das SCIs, o BACEN supervisiona outros dois tipos
de instituição financeira integrantes do SFH.

Associações de Poupança e Empréstimo


(APEs)
As APEs são sociedades civis, restritas a determinadas regiões, que visam
propiciar ou facilitar a seus associados adquirir casa própria, além de captar,
incentivar e disseminar a poupança. Seu campo de atuação é restrito a
associados. Os instrumentos básicos de captação são: cédulas hipotecárias e
depósitos de poupança de pessoas físicas, que, ao efetuarem depósitos em
dinheiro, tornam-se associados com direito a voto e à participação nos lucros.

Companhias Hipotecárias
As companhias hipotecárias são sociedades anônimas que têm por objetivos,
entre outros: conceder financiamentos para a construção, reforma ou
comercialização de imóveis residenciais, ou comerciais e lotes urbanos;
comprar, vender, refinanciar e administrar créditos hipotecários próprios
ou de terceiros; administrar fundos de investimento imobiliário; e repassar
recursos destinados ao financiamento da construção ou aquisição de imóveis
residenciais. Às companhias hipotecárias não se aplicam as normas do SFH.

BANCOS DE DESENVOLVIMENTO
Os bancos de desenvolvimento são instituições financeiras públicas, que visam
promover o desenvolvimento econômico e social em sua área de atuação.
Para isso, fornecem recursos financeiros para o financiamento, a médio e
longo prazos, de programas e projetos capazes de gerar desenvolvimento.
Em tese, atuam de forma semelhante aos bancos de investimento. É comum
que bancos de desenvolvimento sirvam de instrumento estatal de execução
de política industrial. No Brasil, existem quatro tipos de instituição financeira
incluídos nessa definição: as agências de fomento, os bancos estaduais de
desenvolvimento, os bancos múltiplos oficiais com carteira de desenvolvimento
e, o mais importante de todos, o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES).

40 MERCADO FINANCEIRO
Agências de Fomento
As agências de fomento têm como objeto social a concessão de financiamento
de capital fixo e de giro associada a projetos na unidade da federação onde
tenham sede. Devem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima
de capital fechado e estar sob o controle de uma Unidade da Federação,
sendo que cada unidade só pode constituir uma agência de fomento.
Tais entidades têm status de instituição financeira, mas não podem captar
recursos junto ao público, recorrer ao redesconto, ter conta de reserva no
Banco Central, contratar depósitos interfinanceiros na qualidade de depositante
ou de depositária e nem ter participação societária em outras instituições
financeiras. Algumas das atuais agências de desenvolvimento surgiram para
substituir os bancos estaduais de desenvolvimento.

Bancos Estaduais de Desenvolvimento


Os bancos estaduais de desenvolvimento são instituições financeiras controladas
pelos governos estaduais e têm como objetivo principal proporcionar o
suprimento oportuno e adequado dos recursos necessários ao financiamento,
a médio e a longo prazos, de programas e de projetos que visem promover
o desenvolvimento econômico e social do respectivo estado. Devem ser
constituídos sob a forma de sociedade anônima, com sede na capital do estado
que detiver seu controle acionário, devendo adotar, obrigatória e privativamente,
em sua denominação social, a expressão banco de desenvolvimento, seguida
do nome do estado em que tenha sede. Nos anos 1990, muitos desses bancos
foram liquidados, na esteira da liquidação ou privatização de bancos comerciais
de propriedade de Unidades Federativas, como o Banerj e o Banespa. Restam
hoje poucos bancos estaduais de desenvolvimento.

Bancos Múltiplos Oficiais com Carteira


de Desenvolvimento
Dentre os bancos múltiplos, dois deles se destacam por atuarem como
bancos de desenvolvimento regional: o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e
o Banco da Amazônia (BASA). Ambos, juntamente com o Banco do Brasil, são
controlados pelo Governo Federal e administram, respectivamente, os Fundos
Constitucionais de Financiamento do Nordeste (FNE) e do Norte (FNO), que
são a sua principal fonte de recursos. (O Banco do Brasil administra o Fundo
Constitucional do Centro-Oeste – FCO.) Os fundos constitucionais foram
criados pela Constituição Federal de 1988 e regulamentados no ano seguinte,
obrigando a União a destinar 3% da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os recursos desses fundos
só podem ser aplicados em programas de desenvolvimento de setores de
produção localizados nas respectivas regiões.

Banco Nacional de Desenvolvimento


Econômico e Social (BNDES)
O BNDES, criado em 1952, é uma empresa pública federal, com personalidade
jurídica de direito privado e patrimônio próprio, vinculada ao Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. É o principal instrumento

UNIDADE 4 41
de execução da política de investimentos do Governo Federal. Tem como
objetivo destinar recursos financeiros para empresas brasileiras, cujos
empreendimentos contribuem para o desenvolvimento econômico e social
do país. Desde sua criação até hoje, tem sido o principal financiador de
longo prazo no Brasil. Os empréstimos do BNDES são concedidos tanto
diretamente quanto através de instituições financeiras credenciadas, como
bancos múltiplos e caixas econômicas.

O BNDES atua diretamente e por meio de duas subsidiárias integrais:

• Agência Especial de Financiamento Industrial – FINAME –, que financia a


comercialização de máquinas e equipamentos; e

• BNDES Participações S.A. – BNDESPAR –, que subscreve valores mobiliários


no mercado de capitais.

A BNDESPAR cumpre o papel típico de banco de investimento ao investir em


empresas nacionais através da subscrição de ações e debêntures conversíveis.

OUTRAS INSTITUIÇÕES
FINANCEIRAS
Cooperativas Centrais de Crédito
São formadas por cooperativas de créditos individuais (singulares). Organizam
em maior escala as estruturas de administração e de suporte de interesse
comum das cooperativas singulares filiadas, exercendo sobre elas, entre outras
funções, supervisão de funcionamento, capacitação de administradores,
gerentes e associados, e auditoria de demonstrações financeiras.

Bancos Cooperativos
São bancos comerciais ou bancos múltiplos com carteira comercial controlados
por cooperativas centrais de crédito. A constituição e o funcionamento de
bancos cooperativos subordinam-se à legislação e à regulamentação
em vigor, aplicáveis aos bancos comerciais e aos bancos múltiplos em
geral. Assim, diferentemente do que ocorre com as cooperativas de crédito,
os bancos cooperativos têm acesso ao serviço de compensação de cheques
e à conta de reservas bancárias.

Sociedades de Crédito ao
Microempreendedor (SCMs)
As SCMs foram criadas em 2001 como entidades cujo objeto social exclusivo
é a concessão de financiamentos e a prestação de garantias às pessoas físicas,
bem como a pessoas jurídicas classificadas como microempresas, com vistas
a viabilizar empreendimentos de natureza profissional, comercial ou industrial
de pequeno porte. São impedidas de captar, sob qualquer forma, recursos
junto ao público, bem como emitir títulos e valores mobiliários destinados à
colocação e oferta públicas. Devem ser constituídas sob a forma de companhia
fechada ou de sociedade por quotas de responsabilidade limitada.

42 MERCADO FINANCEIRO
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
AUXILIARES
Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários
(CTVMs) e Distribuidoras de Títulos e
Valores Mobiliários (DTVMs)
As corretoras e as distribuidoras são instituições financeiras autorizadas a
operar em Bolsas de Valores e de Mercadorias e Futuros. Estas instituições
compram, vendem e distribuem títulos e valores mobiliários por conta de
terceiros, cobrando taxas e comissões por seus serviços. Possuem um vasto
rol de atividades, que incluem: lançamento público de ações, administração
de carteiras e custódia de valores mobiliários, administração de fundos de
investimento, operações no mercado aberto e intermediação de operações
de câmbio. Tais instituições necessitam de autorização prévia do Banco
Central do Brasil para serem constituídas, estando sujeitas à fiscalização da
própria Bolsa de Valores, da CVM e do Banco Central.

Até março de 2009, as DTVMs eram instituições financeiras cujas atividades


eram mais restritas do que as das CTVMs, na medida em que não tinham acesso
direto à Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e à Bolsa de Mercadorias
e Futuros (BM&F). No entanto, desde a decisão conjunta 17 do BACEN e
CVM, que autorizou as sociedades DTVM a operarem diretamente nos ambientes
e sistemas de negociação dos mercados organizados de bolsas de valores,
passaram a não mais existirem diferenças entre as áreas de atuação dos dois
tipos de instituição.

A mudança estimula a concorrência entre as instituições financeiras que operam


no setor, o que tende a proporcionar um melhor atendimento às demandas
dos investidores. Todavia, as DTVMs que desejam operar nos ambientes da
BOVESPA e BM&F devem se adequar às exigências do BACEN e da CVM, como,
por exemplo, garantia mínima de capital e pagamento de taxas.

Administradoras de Consórcio
São empresas prestadoras de serviços em administração de grupos de
autofinanciamento denominados consórcio. Um consórcio é um grupo
fechado de pessoas físicas ou jurídicas, que contribuem, em igualdade de
condições, com o objetivo de contemplar seus integrantes com crédito a ser
utilizado na compra de um produto indicado no contrato. Os produtos mais
contratados são, pela ordem, veículos, eletroeletrônicos e imóveis. A expansão
do mercado de consórcio tende a ser inversamente relacionada à taxa de
juros – quanto mais elevadas forem as taxas de juros dos empréstimos, maior
o interesse em aderir a um consórcio.

UNIDADE 4 43
INSTITUIÇÕES SUPERVISIONADAS
PELA CVM, SUSEP E PREVIC
As instituições financeiras supervisionadas pela SUSEP, CVM e PREVIC podem
ser classificadas como investidores institucionais. Na maioria dos países, os
investidores institucionais são os maiores administradores de recursos de terceiros
de todo o sistema financeiro. Seu crescimento no Brasil estimula o desenvolvimento
do mercado de capitais, na medida em que se tornam importantes participantes
nos mercados acionários e de títulos privados.

Fundos de Investimento
Os fundos de investimento (fundos mútuos) são instituições financeiras que
reúnem, em fundo comum, os recursos de muitos investidores, vendendo-lhes
cotas de participação e investindo esse pool de recursos em títulos e ações.
De todos os investidores institucionais, os fundos mútuos, em seu conjunto,
são os que administram o maior volume de recursos. Em muitos países, esses
fundos têm crescido em detrimento da base tradicional de depósitos dos
bancos, apesar de não haver qualquer tipo de seguro para os cotistas em caso
de quebra de um fundo mútuo.

No Brasil, a grande maioria dos fundos de investimento é administrada por


bancos múltiplos com carteira de investimento ou corretoras e distribuidoras
a eles vinculadas. As características dos diferentes fundos de investimento
oferecidos serão apresentadas na Unidade 6.

Companhias de Seguro
Essas instituições financeiras sofrem forte regulamentação governamental.
A constituição e o funcionamento das companhias seguradoras estão sujeitos
à autorização da SUSEP. Além disso, só podem operar em ramos de seguro
para os quais tenham a necessária autorização da SUSEP, além de não
poderem explorar qualquer outro ramo de comércio ou indústria. A legislação
estabelece, também, o capital mínimo necessário para a constituição de uma
companhia seguradora, de modo a possuir capacidade econômico-financeira
para honrar seus compromissos. As companhias de seguro ainda devem
acumular reservas para o pagamento de eventuais sinistros.

Companhias de Resseguro
Uma companhia de resseguro é uma instituição financeira que aceita
a transferência de riscos de seguradoras ou de outras resseguradoras.
Nas operações de resseguro, a resseguradora concorda em indenizar integral
ou parcialmente uma perda na qual a companhia cedente possa incorrer em
certos tipos de apólices emitidas por ela. Em contrapartida, a cedente paga
uma comissão, chamada de prêmio, e fornece à resseguradora as informações
necessárias para estimar, precificar e gerir os riscos cobertos pelo contrato
de resseguro estabelecido. O resseguro é uma atividade eminentemente
internacional, dado o porte das operações. Em geral, uma resseguradora
repassa a outras resseguradoras parte dos riscos assumidos originalmente,
operação que é conhecida como retrocessão.

44 MERCADO FINANCEIRO
O IRB-Brasil Re foi criado em 1939 com o objetivo de regular o cosseguro, o
resseguro e a retrocessão. Teve papel fundamental no desenvolvimento do
mercado de seguros brasileiro. Até 2007, possuía o monopólio do resseguro
no Brasil. Entretanto, com o advento da Lei Complementar no 126, de 15 de
janeiro de 2007, passou-se a prever, a partir de 2008, a participação de outras
companhias nas operações de resseguro no Brasil, e as funções regulatória e
normativa do setor foram transferidas para a SUSEP e para o CNSP.

Segundo a Lei Complementar no 126/07, as operações de resseguro e de


retrocessão podem ser realizadas com os seguintes tipos de resseguradores:

• ressegurador local – ressegurador sediado no país constituído sob a


forma de sociedade anônima, tendo por objeto exclusivo a realização de
operações de resseguro e retrocessão;

• ressegurador admitido – ressegurador sediado no exterior, com escritório


de representação no país, que, atendendo às exigências previstas nessa
Lei Complementar, e nas normas aplicáveis à atividade de resseguro e
retrocessão, tenha sido cadastrado como tal no órgão fiscalizador de
seguros para realizar operações de resseguro e retrocessão; e

• ressegurador eventual – ressegurador sediado no exterior sem escritório


de representação no país, que, atendendo às exigências previstas nessa
Lei Complementar, e nas normas aplicáveis à atividade de resseguro e
retrocessão, tenha sido cadastrado como tal no órgão fiscalizador de
seguros para realizar operações de resseguro e retrocessão.

Sociedades de Capitalização
As sociedades de capitalização emitem títulos de capitalização que têm
por objeto o depósito periódico de prestações pecuniárias pelo contratante,
o qual terá, depois de cumprido o prazo contratado, o direito de resgatar
parte dos valores depositados corrigidos por uma taxa de juros estabelecida Atenção
contratualmente. Os títulos de capitalização conferem, ainda, quando As operações ativas desses quatro tipos
previsto, o direito de concorrer a sorteios de prêmios em dinheiro. de entidade supervisionadas pela SUSEP
estão concentradas em aplicações em
títulos públicos, principalmente através

Entidades Abertas de Previdência da aquisição de cotas de fundos de


investimento. Os títulos de renda variável
Complementar (EAPCs) (ações) representam uma parcela diminuta
de seus ativos.

As EAPCs podem ser constituídas unicamente sob a forma de sociedades A partir do Plano Real, o setor de seguros
apresentou taxas de crescimento elevadas,
anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter o que se explica não apenas pela relativa
previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento manutenção da estabilidade de preços, mas
único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas. Esse mercado é dominado pelas também pela maior confiança do público
na manutenção das regras do mercado.
empresas de seguro vinculadas aos grandes bancos.
O crescimento mais do que proporcional do
segmento de Previdência Aberta se deveu
às mudanças que têm ocorrido no sistema
Entidades Fechadas de Previdência de Previdência Pública.

Complementar (Fundos de Pensão)


Os fundos de pensão têm como objetivo fundamental acumular fundos,
através de um sistema de capitalização, que garantam o pagamento de
aposentadoria e outros benefícios para seus associados. São organizados sob
a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos, e são acessíveis,

UNIDADE 4 45
exclusivamente, aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas, ou
aos servidores da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios,
ou aos associados, ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional,
classista ou setorial.

Sua expansão é mais marcante em países que não dispõem de um sistema


público de aposentadoria satisfatório ou, ainda, naqueles que estejam
reformando (privatizando) seus sistemas de bem-estar social. No Brasil, assim
como em muitos outros países, os maiores fundos de pensão estão vinculados
às entidades públicas. Os fundos de pensão são os únicos investidores
institucionais que aplicam uma proporção relativamente elevada de seus ativos
no mercado de capitais.

46 MERCADO FINANCEIRO
Fixando Conceitos 4

MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA


Anotações:
[1] Uma companhia de resseguro é uma instituição financeira que aceita
a transferência de riscos de seguradoras ou de outras resseguradoras. Em
relação às companhias de resseguro e às operações de resseguro no Brasil,
podemos afirmar que:

(a) A Lei Complementar no 126/07 mantém o IRB-Brasil Re como o órgão


regulador e normativo do setor de resseguro no Brasil.
(b) A Lei Complementar no 126/07 prevê a existência apenas de dois tipos
de companhias de resseguro: resseguradores locais e resseguradores
admitidos.
(c) Segundo a Lei Complementar no 126/07, é considerada resseguradora
admitida a companhia de resseguro sediada no Brasil e constituída sob
a forma de sociedade anônima, tendo por objeto exclusivo a realização
de operações de resseguro e retrocessão.
(d) As companhias de resseguro pertencem ao grupo dos chamados
investidores institucionais.
(e) Atualmente, a normatização das operações de resseguro no Brasil é
função do CMN.

[2] Dentre os diferentes tipos de instituição financeira a seguir, o único que


está habilitado a emitir/captar depósitos à vista é o(a):

(a) Banco de investimento.


(b) Banco de desenvolvimento.
(c) Banco múltiplo, composto pelas carteiras comercial e de crédito
imobiliário.
(d) Banco múltiplo, composto pelas carteiras de investimento e de
crédito.
(e) Companhia de seguro.

FIXANDO CONCEITOS 4 47
48 MERCADO FINANCEIRO
5
INSTRUMENTOS
FINANCEIROS

Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:


• Compreender quais são as características gerais presentes em todo instrumento financeiro.
• Identificar os principais instrumentos financeiros emitidos por instituições financeiras.
• Identificar os principais instrumentos financeiros emitidos por instituições não financeiras.
• Identificar e distinguir os principais tipos de fundos de investimento.
• Identificar os principais títulos públicos atualmente emitidos pelo Tesouro Nacional.
• Compreender o que são derivativos e identificar alguns de seus principais grupos.

UNIDADE 5 49
50 MERCADO FINANCEIRO
O s instrumentos financeiros são emitidos por instituições financeiras,
por empresas e pelo Governo. Cada instrumento possui características
próprias de risco, de liquidez e de rentabilidade.

CARACTERÍSTICAS DOS
INSTRUMENTOS FINANCEIROS
Risco
O risco de um investimento está associado à sua rentabilidade. A expectativa
é que, quanto maior o risco esperado, maior a rentabilidade da operação.
Entretanto, alguns instrumentos emitidos por instituições financeiras têm
risco próximo de zero se o valor da aplicação obedecer a certo limite: o
investidor que mantiver, em um determinado banco, o total de seus depósitos
à vista, a prazo e de poupança, limitado a R$ 250 mil, tem garantidas às suas
aplicações, mesmo que o banco “quebre” (entre em processo de liquidação
extrajudicial).

Cabe aqui mencionar o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), entidade


privada, sem fins lucrativos, que administra um mecanismo de proteção aos
correntistas, poupadores e investidores, que permite recuperar os depósitos
ou créditos mantidos em instituições financeiras, em caso de intervenção,
de liquidação ou de falência. O valor máximo, por conglomerado financeiro,
é de R$ 250.000,00 por depositante ou aplicador, independentemente do
valor total e da distribuição em diferentes formas de depósito e aplicação.
Nas contas conjuntas, o valor da garantia é limitado a R$ 250.000,00 (duzentos
e cinquenta mil reais), ou ao saldo da conta quando inferior a esse limite,
dividido pelo número de titulares, sendo o crédito do valor garantido feito de
forma individual. No entanto, a partir de 25 de fevereiro de 2016, o Conselho
Monetário Nacional excluiu desta cobertura os investimentos realizados
por Fundos de Pensão, Fundos de Investimento, Clubes de Investimento,
Seguradoras e Sociedades de Capitalização nessa modalidade.

Liquidez
A liquidez de uma aplicação financeira depende de seu prazo – quanto menor
o prazo, maior a liquidez esperada – e de haver um mercado secundário que
negocie o título – por exemplo, as ações emitidas por grandes empresas são
geralmente negociadas em Bolsa. Depósitos em bancos não são negociáveis, mas
são de curto prazo; portanto, são considerados líquidos em razão do prazo.

Rentabilidade
A rentabilidade dos instrumentos financeiros é determinada pelo mercado,
com exceção dos depósitos de poupança. As ações são instrumentos de
renda variável. Os instrumentos de renda fixa podem ser classificados como
prefixados – quando os juros nominais para o investidor são fixados no momento
em que é adquirido – ou pós-fixados, quando a remuneração é indexada, por
exemplo, à variação de índices de preços, à taxa SELIC, à taxa de câmbio.

UNIDADE 5 51
INSTRUMENTOS DE CAPTAÇÃO
EMITIDOS POR INSTITUIÇÕES
FINANCEIRAS
Depósitos à Vista
São também denominados depósitos em conta-corrente. Não são remunerados,
mas são os mais líquidos e, como já citado anteriormente, até um certo limite,
são livres de risco.

Depósitos a Prazo
É a denominação oficial dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e dos
Recibos de Depósito Bancário (RDBs), sendo atualmente a mais importante
fonte de captação de recursos dos bancos. Os CDBs têm prazos mínimos que,
geralmente, variam de 30 a 120 dias. São títulos nominativos de renda fixa,
e o rendimento pode ser prefixado ou pós-fixado e faz parte da modalidade
depósito a prazo, ou seja, é um título de renda fixa emitido pelos bancos em
que a remuneração e o prazo são negociados no momento da aplicação.

Depósitos de Poupança
Mais conhecidos como caderneta de poupança, sua remuneração é de 0,5%
ao mês mais a variação da TR. Podem ser resgatados a qualquer momento,
mas, caso o resgate ocorra fora da “data de aniversário”, o investidor perde
a remuneração equivalente aos dias decorridos após a data de aniversário
(mensal) anterior.

Desde 04 de maio de 2012, a caderneta de poupança possui uma forma


adicional de cálculo de remuneração. Pela nova regra de remuneração, o
dinheiro depositado na poupança será corrigido mensalmente pelo equivalente
a 70% da taxa básica de juros mais a variação da Taxa Referencial (TR).
Isso valerá sempre que a Meta Selic estiver em 8,50% ao ano ou em patamar
menor. Se a taxa estiver acima disso, o rendimento continuará sendo o atual:
0,5% ao mês mais a variação da TR.

É importante destacar que os rendimentos da Caderneta de Poupança são


isentos de imposto de renda (IR) para as pessoas físicas. Já para as aplicações
realizadas por pessoas jurídicas, a cobrança de IR será influenciada pelo tipo
de instituição, ou seja, para as empresas sem fins lucrativos, os rendimentos
serão isentos, enquanto, para as demais organizações, serão tributados.

Letras de Câmbio
É um instrumento de renda fixa referenciado pelo Certificado de Depósito
Interbancário (CDI) e de prazo semelhante ao dos CDBs. São emitidas
pelas financeiras para financiar a aquisição de bens de consumo duráveis.
Como a maioria das financeiras é hoje parte de um banco múltiplo, esse título
perdeu a popularidade que teve até a década de 1980.

52 MERCADO FINANCEIRO
Letras Financeiras
Criadas no fim de 2009 e oferecidas no mercado brasileiro desde janeiro
de 2010, as letras financeiras são títulos de dívida privados emitidos por
instituições financeiras para a captação de recursos. São instrumentos de renda
fixa que proveem mais flexibilidade às instituições financeiras na captação
de recursos, na medida em que podem ser ajustadas às suas necessidades.
As letras financeiras estão livres do recolhimento do depósito compulsório;
desta forma, apresentam rentabilidades superiores às dos CDBs e dos RDBs.

Entretanto, as letras financeiras apresentam algumas desvantagens em


relação aos CDBs e RDBs. Em primeiro lugar, o valor mínimo para aplicação
é de R$ 300 mil, o que restringe o rol de investidores. Em segundo lugar, só
podem ser resgatados após 24 meses; portanto, são instrumentos menos
líquidos do que os CDBs e RDBs.

Letras Hipotecárias
São títulos emitidos por instituições habilitadas a conceder financiamento
pelas regras do SFH, lastreados nos financiamentos concedidos.

Letra de Crédito do Agronegócio (LCA)


São títulos emitidos por instituições garantidos por empréstimos concedidos
ao setor de agronegócio. Esses títulos foram criados pelo Governo com
objetivo de ampliar os recursos disponíveis ao financiamento agropecuário.
A rentabilidade da LCA pode ser definida por taxa de juro prefixada ou
pós-fixada. No caso da LCA prefixada, o investidor sabe qual será a remuneração
no momento da compra do título. Já quando adquire uma LCA pós-fixada,
a rentabilidade geralmente é baseada em um percentual do CDI (Certificado
de Depósito Interbancário).

A LCA tem como uma das principais vantagens o fato de ser isenta de
Imposto de Renda. Além disso, a aplicação também é garantida pelo FGC até
o limite de R$ 250 mil, em caso de “quebra” do banco emissor, sendo que a
partir de 25 de fevereiro de 2016, o CMN excluiu desta cobertura os
investimentos realizados por investidores qualificados da área financeira,
como os Fundos de Pensão, Fundos de Investimento, Clubes de Investimento,
Seguradoras e Sociedades de Capitalização nessa modalidade.

Letra de Crédito Imobiliário (LCI)


A LCI é um título de renda fixa emitido por um banco e lastreado por empréstimos
imobiliários. Os títulos podem ter rentabilidade prefixada ou pós-fixada. De uma
forma geral, no caso das LCI pós-fixadas, o investidor receberá um percentual
do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) negociado com a instituição que
emite o título. Entre as principais vantagens da aplicação, está o fato de ela ser
isenta de IR (Imposto de Renda). Outra vantagem é o fato de a LCI ser garantida
pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) até o limite de R$ 250 mil. A partir de 25
de fevereiro de 2016, o CMN excluiu desta cobertura os investimentos realizados
por Fundos de Pensão, Fundos de Investimento, Clubes de Investimento,
Seguradoras e Sociedades de Capitalização nessa modalidade.

UNIDADE 5 53
Certificados de Depósito Interfinanceiro (CDI)
O CDI é um instrumento financeiro utilizado para a captação de recursos entre
instituições financeiras, que serve como lastro para as operações do mercado
interbancário. É nesse mercado que as instituições financeiras equilibram sua
liquidez de curto prazo. As operações do mercado interbancário se realizam
fora do âmbito do Banco Central, tanto que, sob esse mercado, não há
incidência de qualquer tipo de imposto. As transações são fechadas por meio
eletrônico e registradas nos computadores das instituições envolvidas e nos
terminais da Câmara de Custódia e Liquidação (CETIP).

O CDI é utilizado pelas instituições financeiras para cobrir eventuais déficits de


caixa de curto prazo. Apresenta características similares às dos CDBs, porém sua
negociação é restrita ao mercado interbancário. O prazo desses certificados
pode variar, porém a maioria das operações apresenta prazo de um dia.
Por esta razão, é considerado um título de curtíssimo prazo.

A taxa média diária dos CDIs representa quanto os bancos pagam para captar
recursos de outros bancos. Por isso, é utilizada como referencial para avaliar a
rentabilidade de instrumentos financeiros de renda fixa. Também é utilizada
como indexador da rentabilidade em alguns instrumentos financeiros.

INSTRUMENTOS FINANCEIROS
EMITIDOS POR EMPRESAS
NÃO FINANCEIRAS
Ações
As ações são títulos de propriedade, isto é, representam a propriedade de uma
fração da empresa emissora. Sua valorização depende do comportamento do
mercado acionário, sendo, portanto, consideradas títulos de renda variável.

Existem duas espécies de ações: ordinárias e preferenciais. As ações ordinárias


dão direito a voto, enquanto que os portadores de ações preferenciais têm
predileção pela distribuição de dividendos e estão na frente dos ordinaristas
como credores, no caso de falência da empresa.

O investidor, além de poder se beneficiar de um ganho de capital representado


por uma eventual valorização da cotação da ação da empresa, pode receber:

• dividendos – parcela do lucro líquido distribuída aos acionistas;

• bonificações – quando a empresa aumenta seu capital, pode haver


distribuição gratuita de ações aos acionistas, em proporção ao número
de ações já possuídas; e

• direito de subscrição – se não exercido, pode ser vendido em Bolsa.

54 MERCADO FINANCEIRO
Debêntures
São títulos de dívida emitidos por sociedades através de ações, de capital
aberto ou fechado. São nominativos, negociáveis e de médio e de longo
prazo. Rendem juros fixos ou variáveis, ou possuem cláusulas de correção
monetária. É comum que as empresas ofereçam garantias reais para esses
papéis, cujas características podem ser renegociadas ao longo do contrato.
Os contratos de emissão de uma debênture podem prever sua conversão em
ações ao término do contrato.

As debêntures são instrumentos de captação de recursos que oferecem uma


significativa flexibilidade às companhias emissoras. As companhias podem
determinar as formas de remuneração, os fluxos de amortização dos títulos
e as garantias oferecidas como melhor lhes convierem. Esta flexibilidade
permite que as parcelas de amortização e as condições de remuneração se
ajustem ao fluxo de caixa da companhia, a algum projeto que a emissão
porventura possa estar financiando e às condições de mercado no momento
da emissão.

Empresas de capital aberto estão autorizadas a fazer oferta pública de


debêntures, que, então, podem ser negociadas na Bolsa. Seus maiores
demandantes são os investidores institucionais, que geralmente carregam
esses títulos até seu vencimento. Isto ajuda a explicar o fato de não haver ainda
um mercado secundário tão amplo para esses papéis como os verificados em
países desenvolvidos.

Notas Promissórias
Também conhecidas como commercial papers, são títulos cujo prazo de
vencimento varia de 30 a 180 dias. Seu rendimento é, na maioria dos casos,
prefixado, e, ao contrário do que ocorre com as debêntures, as empresas
emissoras não oferecem garantias reais.

FUNDOS DE INVESTIMENTO
Definições
Os fundos de investimento reúnem em fundo comum os recursos de
diferentes títulos, entre títulos de dívida pública e privada, e de propriedade.
Existem dois tipos de fundos:

• Fundos de Investimento Financeiro (FIF) – que aplicam diretamente em


títulos diversos; e

• Fundos de Aplicação em Cotas (FAC) – cujos patrimônios estão investidos


em cotas de diferentes FIFs.

Classificação
Os fundos administrados por instituições financeiras podem ser classificados
de diversas formas. A ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos
Mercados Financeiro e de Capitais) criou uma classificação que leva em conta
as características de risco e retorno dos diferentes fundos. Ela dividiu os fundos
em renda fixa, variável e multimercados.

UNIDADE 5 55
TÍTULOS DO TESOURO NACIONAL
Assim como fazem muitas empresas, o Governo financia seus déficits através
da venda de títulos, conhecidos genericamente como títulos públicos.
Estes títulos compõem a dívida pública mobiliária ou, simplesmente, dívida
pública.

Os títulos públicos da União, emitidos pelo Tesouro Nacional, apresentam


características distintas em termos de prazo – as letras têm prazos de vencimento
geralmente inferiores aos das notas – e quanto à forma de remuneração, que
pode ser pós-fixada ou prefixada. Os principais títulos são os seguintes:

• Letra Financeira do Tesouro (LFT) – tem rentabilidade diária vinculada à


taxa Selic. O resgate do principal e dos juros ocorre no seu vencimento;

• Letra do Tesouro Nacional (LTN) – título prefixado, adquirido com


deságio, ou seja, sua rentabilidade nominal é definida no momento em
que é adquirido. Seu preço varia na direção inversa à da variação da taxa
Selic. Portanto, torna-se um título atraente para o investidor que acredita
na queda da taxa básica de juros;

• Nota do Tesouro Nacional – Série C (NTN-C) – sua rentabilidade é


vinculada à variação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), acrescida
de juros definidos no momento da compra. Paga juros, semestralmente,
(cupom de juros semestral), e o resgate do valor nominal atualizado ocorre
na sua data de vencimento; e

• Nota do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) – possui as mesmas


características de uma NTN-C, com a diferença de que o índice de inflação
que corrige seu valor nominal é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor
Amplo).

DERIVATIVOS
Definição
Derivativos são contratos cujos valores dependem de um fator de risco, como,
entre outros:

• o preço de uma mercadoria, de um instrumento financeiro ou de uma


moeda;
• índices de preços ou de Bolsa; e
• taxas referenciadas.

Os derivativos mais usados, conhecidos como derivativos de primeira geração,


são os contratos futuros, de opções e de swaps. Tais contratos podem ser
utilizados como mecanismos de hedge (proteção) ou para especulação.

56 MERCADO FINANCEIRO
Futuros
Os contratos futuros representam um acordo entre vendedor e comprador que
irão entregar e receber um ativo (mercadoria, moeda, ativo financeiro, índice,
taxa referenciada) por um preço previamente estabelecido para liquidação em
uma data futura. Como são padronizados, é possível a reversão da posição
ao longo do contrato.

Quando compra um contrato futuro, o investidor acredita na elevação


futura do preço do ativo; se vende um contrato futuro, espera ganhar
com a queda do preço do ativo.

Exemplo de utilização de um contrato futuro como operação de hedge:


um produtor de trigo terá o produto para entrega no prazo de seis meses;
e um produtor de farinha de trigo precisará comprar trigo também daqui a
seis meses. Suponhamos que os contratos futuros de trigo com vencimento
em seis meses estejam sendo negociados a um dado preço e que tanto o
produtor de trigo quanto o de farinha de trigo, consideram que aquele preço
atende às suas necessidades de negócio. O produtor de trigo, então, vende
um contrato, por temer que o preço de mercado do trigo, daqui a seis meses,
seja inferior ao do contrato futuro, enquanto o produtor de farinha de trigo
comprará o contrato futuro por acreditar que há possibilidade de que o preço
do trigo, daqui a seis meses, seja superior ao do estabelecido no contrato.

Opções
É um instrumento financeiro que garante a seu titular ou investidor o direito
futuro de compra ou venda de um ativo por um preço predeterminado.
Existem duas modalidades de contrato de opção:

• opção de compra – o titular tem o direito de compra de um ativo por


determinado período de tempo ou até na data específica e por preço
estabelecido. A opção é exercida quando o preço de mercado do ativo é
superior ao preço de exercício da opção, somado aos custos do exercício.

• opção de venda – o titular tem o direito de venda de um ativo por


determinado período de tempo ou até na data específica e por preço
estabelecido. A opção é exercida quando o preço de mercado do ativo é
inferior ao preço de exercício da opção, deduzidos os custos do exercício.

Os contratos de opções diferem dos contratos futuros, pois garantem ao


titular ou investidor um direito futuro de comprar ou vender um ativo,
mas não uma obrigação; e a seu vendedor uma obrigação futura, caso
solicitado pelo comprador da opção. O contrato de opções tem custo para
o investidor – o comprador do contrato remunera o vendedor com um
prêmio, conhecido como preço da opção. O comprador da opção paga
em data presente o prêmio ou preço da opção para remunerar o vendedor
por assumir a responsabilidade de tomar uma posição no mercado em
data futura se assim o solicitar o comprador da opção. Estes contratos são
negociados em bolsa de valores.

UNIDADE 5 57
Swaps
É um contrato que prevê a troca (swap) de fluxos de caixa derivados de dois
instrumentos financeiros diferentes. Por exemplo, quem tem uma dívida em
dólar e receitas em reais pode querer trocar esse “risco dólar” pelo “risco taxa
de juros” com quem tem receitas em dólar e dívida corrigida pela taxa de juros.
A operação de swap pode ser feita diretamente entre as partes ou através de
uma instituição financeira.

58 MERCADO FINANCEIRO
Fixando Conceitos 5

[1] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA


Anotações:
Cada instrumento financeiro possui características próprias de risco, de liquidez
e de rentabilidade. Em relação aos diferentes instrumentos financeiros e
suas respectivas características, podemos afirmar que:

(a) Instrumentos de baixo risco tendem a apresentar maior rentabilidade


do que instrumentos de alto risco.
(b) Instrumentos de renda variável podem ser classificados como prefixados
e pós-fixados.
(c) Certificados de Depósito Bancário (CDBs) podem também ser
denominados depósitos a prazo.
(d) Depósitos à vista, geralmente, apresentam baixa rentabilidade.
(e) Debêntures são consideradas títulos de propriedade.

[2] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS


MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA

Em relação aos contratos de opção, podemos afirmar que:

I) São considerados derivativos de primeira geração.


II) As duas modalidades de opção existentes são a opção de compra e a
opção de venda.
III) Os titulares ou investidores de uma opção são sempre obrigados a
comprar ou vender um ativo no período de tempo ou data futura
acordada.
IV) O contrato de opções não apresenta custo para o investidor.
V) A remuneração do vendedor em um contrato de opção é conhecida
como preço da opção.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) V,F,F,V,F
(b) V,V,V,F,V
(c) F,V,F,F,F
(d) V,V,F,F,V
(e) F,V,V,F,V

FIXANDO CONCEITOS 5 59
60 MERCADO FINANCEIRO
6
SEGMENTOS DO
MERCADO FINANCEIRO

Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:


• Identificar e distinguir os diferentes segmentos do mercado financeiro.
• Compreender quais são as características predominantes de cada um deles.

UNIDADE 6 61
62 MERCADO FINANCEIRO
O mercado financeiro pode ser subdividido em quatro segmentos
específicos:

• mercado monetário – corresponde às operações de curtíssimo prazo com


títulos públicos;

• mercado de capitais – corresponde às negociações envolvendo títulos


de dívida e de propriedade emitidos por empresas;

• mercado de crédito – corresponde às operações de empréstimos


concedidos por instituições financeiras; e

• mercado de câmbio – corresponde às transações de compra e de venda


de moeda estrangeira.

Embora, para fins de análise, seja importante fazer a distinção entre esses
diferentes segmentos do mercado financeiro, deve-se levar em conta o fato de
que, na prática, eles estão interligados. Os conglomerados financeiros atuam
nos quatro segmentos. Em particular, a taxa de juros de curtíssimo prazo,
praticada no mercado monetário, é fator determinante do comportamento
dos outros três segmentos do mercado financeiro.

MERCADO MONETÁRIO
Em países onde o mercado financeiro é muito desenvolvido, o mercado
monetário pode ser definido como aquele onde são negociados ativos
financeiros públicos e privados de prazo inferior a 1 ano e de elevado grau
de liquidez. No Brasil, onde mercados formais para instrumentos financeiros
privados ainda estão se desenvolvendo, o mercado monetário pode ser
definido como aquele onde são realizadas negociações de curtíssimo prazo
(overnight) lastreadas em títulos públicos.

O mercado monetário é regido pela atuação do Banco Central que, através de


suas operações de mercado aberto, regulando o nível das reservas bancárias.
O SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), criado em 1979, é o
sistema eletrônico utilizado para registro, custódia e liquidação financeira das
operações realizadas com títulos públicos federais.

A partir das taxas praticadas nas negociações diárias realizadas no SELIC,


obtém-se a taxa SELIC (taxa média dos financiamentos diários, com lastro em
títulos federais, apurados no SELIC), que representa importante referencial para
a formação das taxas de juros no mercado, uma vez que é aceita, no Brasil,
como a taxa de juros livre de risco, por envolver títulos públicos.

A cada reunião ordinária, o Comitê de Política Monetária (COPOM) fixa uma


meta para a taxa SELIC, a qual vigora por todo o período entre reuniões
ordinárias do Comitê. Se for o caso, o COPOM também pode definir um viés,
que é uma prerrogativa dada ao presidente do Banco Central para alterar, na
direção desse viés, a meta para a taxa SELIC a qualquer momento entre as
reuniões ordinárias.

UNIDADE 6 63
MERCADO DE CAPITAIS
De acordo com a literatura internacional, no mercado de capitais são
negociados títulos de prazo superior a 1 ano. No Brasil, a expressão mercado
de capitais vinha sendo usada como sinônimo de mercado de ações, mas
seu significado foi ampliado, devido ao crescimento da participação de
instrumentos financeiros de dívida, como debêntures, notas promissórias,
recebíveis e outros. O prazo desses títulos não é necessariamente superior a
1 ano; assim, a denominação mercado de capitais se refere a formas não
intermediadas de captação de recursos e a posterior negociação desses
títulos no mercado.

Os países capitalistas mais desenvolvidos possuem mercados de capitais fortes


e dinâmicos. A fraqueza desse mercado nos países subdesenvolvidos dificulta
a formação de poupança, constitui um sério obstáculo ao desenvolvimento e
obriga esses países a recorrerem aos mercados de capitais internacionais.

Os principais instrumentos financeiros transacionados no mercado de


capitais são:

• ações;
• debêntures; e
• notas promissórias (commercial papers).

O mercado de capitais é composto de dois segmentos: mercado primário e


mercado secundário.

Mercado Primário
É quando o título é lançado pela primeira vez no mercado, ou seja, quando
é feita a emissão primária do título, e, nesse momento, ocorre aporte de
recursos para a empresa emissora. O lançamento de títulos para subscrição
pública é denominado underwriting.

Subscrição de Títulos (Underwriting)


O lançamento (emissão primária) de títulos e de ações de empresas é feito
através de instituições financeiras especializadas – banco de investimento (ou
banco múltiplo com carteira de investimento), uma corretora ou distribuidora.
A empresa interessada em lançar papéis no mercado de capitais contrata a
instituição financeira para que esta proceda à análise da situação financeira
presente e das perspectivas da própria empresa, assim como das condições
mais adequadas – em termos de volume, preço – de lançamento dos títulos
no mercado.

Mercado Secundário
Negociação de títulos após a emissão primária. Nesse caso, os títulos trocam
de mãos, sem que a empresa receba qualquer recurso. A existência de um
mercado secundário é de fundamental importância para estimular a emissão
primária ao conferir liquidez para os títulos.

64 MERCADO FINANCEIRO
Os títulos podem ser negociados em dois tipos de mercado:

Bolsas de Valores
São mercados organizados, em que operações de compra e de venda de ações
e de títulos são realizadas a partir de um conjunto de regras. Geralmente, os
investidores têm acesso a uma grande quantidade de informações sobre as
operações realizadas nas bolsas de valores. Para terem suas ações negociadas
em bolsas de valores, as empresas precisam cumprir uma série de exigências que
tornam mais transparentes as suas situações financeiras e as formas como se
relacionam com seus acionistas. As operações com ações em bolsas de valores
são realizadas por sociedades corretoras. Pessoas físicas ou jurídicas, fundos de
investimento e outras instituições financeiras operam através das corretoras. Curiosidades
Índice BOVESPA (IBOVESPA)
Atualmente todas as negociações com ações no Brasil são realizadas na Bolsa de
Valores de São Paulo (BOVESPA). A BOVESPA dispõe de um sistema eletrônico É o índice que espelha a evolução média
do preço das ações mais negociadas na
de negociação (MEGABOLSA), pelo qual as ofertas são inseridas em terminais
BOVESPA. Representa o valor atual, em
remotos nas corretoras para serem vistos por todos os participantes. moeda corrente, de uma carteira hipotética
de ações constituída no primeiro dia útil
Títulos de renda fixa, como debêntures e notas promissórias, também de 1968. Supõe-se que, desde então,
nenhum investimento adicional tenha
são negociados na BOVESPA FIX, um pregão eletrônico administrado pela sido efetuado, embora sejam incluídos
BOVESPA. os ajustes efetuados em decorrência da
distribuição de proventos – dividendos,
bonificações – pelas empresas emissoras.
As operações com ações em bolsa podem ser:
A car teira teórica é integrada pelas
• à vista, sendo a entrega das ações e a liquidação realizadas em prazo ações que, em conjunto, representam
80% do volume transacionado à vista
determinado; nos 12 meses anteriores à formação da
carteira. A representatividade dessa
• a termo, quando as partes fixam um preço para a entrega e a liquidação carteira hipotética é reforçada pelo fato
de as empresas emissoras das ações
das ações em prazo futuro predeterminado; e componentes do índice serem responsáveis
por cerca de 70% da capitalização – isto é,
• de opções, na qual as partes negociam o direito de comprar/vender a pelo valor de mercado das ações – do total
das empresas registradas na Bolsa. Para
ação a um preço e prazo futuro determinados. que tal representatividade seja mantida,
é feita uma reavaliação quadrimestral,
alterando-se a composição e o peso da
Mercado de Balcão (Over-The-Counter) carteira. A BOVESPA calcula e divulga seu
índice em tempo real, considerando os
preços dos últimos negócios efetuados no
São negociações realizadas fora das bolsas de valores. Nesse mercado, os mercado à vista com as ações componentes
negócios são fechados por meios eletrônicos entre as instituições e entre elas de sua carteira.
e os seus clientes. As ações transacionadas no mercado de balcão têm menor
liquidez do que as transacionadas em bolsas e, portanto, estão mais sujeitas
a oscilações de preço e a manipulações.

Para que uma empresa esteja registrada em bolsa de valores, é preciso que
atenda a uma série de exigências quanto à transparência das informações
que fornece ao mercado e quanto à liquidez de suas ações. Isto implica custos
para a empresa. O objetivo do mercado de balcão é proporcionar experiência
– uma espécie de “estágio” – às empresas cujas ações são negociadas nesse
mercado para que, no futuro, venham a ser registradas na BOVESPA.

UNIDADE 6 65
A BOVESPA administra o mercado de balcão organizado no Brasil, tendo
criado, em 1996, a Sociedade Operadora de Mercado de Ativos (SOMA), uma
bolsa eletrônica integrante da MEGABOLSA. Na SOMA, são transacionadas
não apenas ações, mas também outros valores mobiliários, como, por
exemplo, debêntures. Enquanto na BOVESPA apenas as sociedades corretoras
e distribuidoras são autorizadas a operar diretamente, na SOMA podem
operar outras instituições financeiras.

MERCADO DE CRÉDITO
O mercado de crédito corresponde às operações de empréstimo realizadas
pelas instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional e
supervisionadas pelo Banco Central. Os empréstimos podem ser de curto,
médio e longo prazos para pessoas físicas e jurídicas.

O mercado de crédito bancário é aquele em que o financiamento é


intermediado. A função dos intermediários financeiros, dos quais a figura do
banco aparece com destaque, é prover recursos para as unidades econômicas
deficitárias, utilizando-se de recursos de terceiros, como depósitos à vista,
depósitos a prazo. No Brasil, da mesma maneira que na Europa Continental
e no Japão, as empresas se utilizam do crédito bancário como principal
fonte de financiamento, enquanto que, em países como os Estados Unidos
e a Inglaterra, as empresas obtêm financiamento principalmente através da
colocação de títulos de dívida e de ações no mercado de capitais.

Os financiamentos concedidos no mercado de crédito são, portanto,


tipicamente operações intermediadas. Os bancos múltiplos são os maiores
participantes do mercado de crédito brasileiro, respondendo por mais de 80%
do total de empréstimos do sistema financeiro.

MERCADO DE CÂMBIO
No mercado de câmbio, são realizadas as operações de câmbio, isto é, aquelas
que envolvem a troca de moeda nacional por moeda estrangeira ou vice-versa.
Esse mercado é composto de dois segmentos: mercado primário e mercado
secundário.

Mercado Primário de Câmbio


Envolve as operações entre os bancos e seus clientes. Por exemplo, os
exportadores necessitam trocar as divisas que recebem de suas vendas no
exterior por moeda nacional, enquanto que os importadores precisam comprar
divisas para remetê-las aos seus fornecedores externos. Tanto exportadores
quanto importadores realizam essas operações com bancos autorizados
a transacionar com câmbio. Pelo mercado primário de câmbio, passam
também as operações de remessas e de recebimentos de moeda estrangeira
relativas a investimentos, empréstimos, transferências, pagamentos
de juros. Todas as operações no mercado primário de câmbio implicam entrada
ou saída de divisas, afetando, portanto, o balanço de pagamentos do país.

66 MERCADO FINANCEIRO
Mercado Secundário (ou Interbancário)
de Câmbio
Envolve as operações de compra e de venda de divisas realizadas entre
os bancos. Através dessas operações, os bancos buscam atender a suas
necessidades de moeda estrangeira.

Além de bancos, são autorizadas a operar no mercado de câmbio as corretoras


e distribuidoras, além de agências de turismo, hotéis e outros estabelecimentos
comerciais. Todas as operações de câmbio têm que ser registradas no Sistema
de Informações do Banco Central (SISBACEN).

O Banco Central é o órgão supervisor e fiscalizador do mercado de câmbio.


Apesar de o atual regime cambial ser de taxa de câmbio flutuante, o BACEN
também atua diretamente no mercado, comprando ou vendendo divisas
para influenciar na taxa de câmbio, quando considera adequado, ou como
mecanismo de controle do volume de reservas internacionais.

O mercado de câmbio é fortemente influenciado pelas decisões do Banco


Central relativas à taxa de juros básica do mercado monetário e vice-versa,
ou seja, tanto o comportamento do mercado de câmbio pode influenciar nas
decisões do BACEN quanto a determinação da taxa de juros básica.

Uma elevação da taxa de juros – ou sua manutenção em patamares reais


elevados – tende, simultaneamente, a aumentar a oferta e a diminuir a
demanda por moeda estrangeira e, portanto, a provocar uma queda na sua
cotação. Por outro lado, uma forte desvalorização da moeda nacional – por
exemplo, um forte aumento da cotação do dólar – tende a levar o BACEN a
determinar a elevação da meta para a taxa SELIC.

UNIDADE 6 67
68 MERCADO FINANCEIRO
Fixando Conceitos 6

MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA


Anotações:
[1] Para fins de análise, o mercado financeiro pode ser dividido em quatro
segmentos: mercado monetário, mercado de crédito, mercado de capitais e
mercado de câmbio. Em relação a esses quatro segmentos do mercado financeiro
e às operações financeiras neles realizadas, podemos afirmar que:

(a) A CVM regula o nível de reservas bancárias do mercado monetário


através das operações de mercado aberto.
(b) No mercado de capitais, as operações de captação de recursos são
predominantemente intermediadas.
(c) A existência de um mercado secundário para um título negociado no
mercado de capitais não exerce influência sobre a sua liquidez.
(d) O mercado secundário de câmbio envolve as operações entre os bancos
e seus clientes.
(e) No mercado de crédito, os financiamentos se dão através de operações
tipicamente intermediadas.

[2] Em relação aos diferentes segmentos do mercado financeiro, podemos


afirmar que:

I) No mercado monetário, são realizadas negociações de curtíssimo prazo


(overnight), lastreadas em títulos públicos.
II) A taxa SELIC é calculada pela média ponderada das taxas das operações
compromissadas de um dia útil, lastreadas em títulos públicos federais
e registradas no SELIC.
III) A taxa SELIC é sempre igual à taxa DI-Over.
IV) O SELIC é um sistema eletrônico, administrado pelo Banco Central, que
processa a emissão, o resgate, o pagamento de juros e a custódia de
títulos do Tesouro Nacional.
V) A taxa SELIC está atrelada ao IGP-M.

(a) Somente III e IV são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, III e V são proposições verdadeiras.
(e) Somente I, II, III e V são proposições verdadeiras.

FIXANDO CONCEITOS 6 69
70 MERCADO FINANCEIRO
7
ADMINISTRAÇÃO
DE RISCO

Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:


• Identificar e compreender os diferentes tipos de riscos incorridos por instituições financeiras.
• Identificar e compreender os diferentes tipos de riscos incorridos por investidores individuais.

UNIDADE 7 71
72 MERCADO FINANCEIRO
O
mundo dos negócios é caracterizado pela incerteza. Um empresário
industrial não sabe, ao certo, se a demanda pelos produtos de sua
empresa aumentará ou cairá no futuro e nem sabe, com certeza, o que
acontecerá com os preços dos insumos necessários à produção. O investidor
em ações acredita que o preço de suas ações aumentará, mas não pode ter
certeza. Se sua expectativa é de que o preço cairá, ele pode vender as ações.
Entretanto, não pode ter certeza de que, logo após a venda das ações, o seu
preço continuará a cair ou aumentará.

Quanto mais longo o período que utiliza para suas estimativas em relação ao
comportamento futuro de certas variáveis – demanda, preços, taxa de juros –,
menores são suas chances de acerto e maior é a incerteza. Como dizia o
economista inglês J.M. Keynes, a única certeza que temos em relação ao
longo prazo é que estaremos todos mortos.

O risco difere da incerteza, porque pode, dentro de certos limites, ser


mensurado. Entretanto, medir com precisão o grau de risco é uma tarefa
quase impossível. O cálculo do risco de um ativo é baseado em análise
probabilística. Este cálculo é feito através de estatísticas históricas, ou seja, no
comportamento passado desse ativo. Se ocorrerem fatos de natureza diversa
daqueles verificados no passado, esse cálculo é prejudicado.

Então, pode-se denotar risco como uma situação em que, partindo-se


de determinado conjunto de ações, vários resultados são possíveis, e as
probabilidades de cada um acontecer são conhecidas; e incerteza como
uma situação em que tais probabilidades são desconhecidas. Segundo
Simonsen (1983), risco é enfrentar uma variável aleatória cuja distribuição de
probabilidade é conhecida. Incerteza é lidar com outra variável aleatória cuja
distribuição de probabilidade se desconhece.

Uma noção fundamental em finanças é que quanto maior o risco de uma


determinada transação, maior terá de ser a taxa de retorno esperada. Ou seja,
a rentabilidade esperada do investimento está positivamente relacionada ao
nível de risco incorrido no investimento. É o caso de dois ativos financeiros que
tenham o mesmo prazo de maturação e rendem a mesma taxa de retorno,
mas um deles é considerado mais arriscado do que o outro; então, o de menor
risco sempre será escolhido. Por esta razão, para que um ativo de maior risco
seja negociado, é necessário que ofereça uma rentabilidade superior à de um
ativo de menor risco.

RISCOS INCORRIDOS PELAS


INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
Risco de Crédito
É a possibilidade de que a contraparte de um empréstimo (tomador) ou
operação financeira não queira ou não possa cumprir com suas obrigações
contratuais, gerando, assim, perdas à instituição financeira. Pode, então,
surgir em operações de empréstimos, aquisição de títulos ou operações com
derivativos em mercados de balcão não organizados, operações de resseguro
e retrocessão. Este tipo de risco pode ser diminuído através de uma cuidadosa
diversificação das operações entre diferentes setores ou áreas geográficas,
análise financeira das contrapartes.

UNIDADE 7 73
Risco de Liquidez
As instituições financeiras sofrem com a dificuldade de encontrar o balanço
correto entre seus ativos e passivos. O risco de liquidez se relaciona com a
possibilidade de descasamento entre os fluxos financeiros de ativos e passivos
de uma instituição financeira e seus reflexos sobre a capacidade financeira da
instituição de honrar suas obrigações.

O risco de liquidez é particularmente relevante para instituições bancárias, pois,


geralmente, apresentam ativos menos líquidos do que passivos. Então, o risco
de liquidez de um banco decorre da possibilidade de que seus depositantes
realizem saques em papel-moeda ou transfiram suas contas para outros bancos
em volume muito superior ao de suas reservas. Um banco pode, inicialmente,
recorrer ao mercado interbancário de reservas ou mesmo ao redesconto do
BACEN. Se nem assim conseguir atender à demanda de seus clientes, o banco
tem que se desfazer imediatamente de seus ativos, a começar pelos ativos
com maior liquidez, podendo incorrer em perdas.

Uma crise de liquidez atinge o banco quando a fuga de depósito se prolonga


– isto é, quando ocorre uma “corrida” ao banco. Crises de liquidez refletem
a desconfiança, fundada ou infundada, na solidez de um banco e têm sido
uma das razões da quebra de instituições depositárias (bancos comerciais e
de poupança).

Os bancos podem reduzir esse tipo de risco, mantendo reservas elevadas ou


mesmo outros ativos de grande liquidez e de prazos de maturação reduzidos.
A dificuldade dos bancos em gerenciar a liquidez de seus ativos está relacionada
ao fato de que os ativos mais líquidos são os que oferecem taxas de retorno
mais baixas, sendo que, no caso específico das reservas bancárias, o retorno
é zero.

Risco de Mercado
Está associado à possibilidade de perdas decorrentes de mudança nos preços
dos ativos retidos pelas instituições financeiras. Os preços dos ativos podem
variar em virtude de modificações na taxa de juros, taxa de câmbio, ações,
commodities.

O risco de mercado é particularmente relevante em operações nos mercados


de futuros e opções. Nestes tipos de operação, pequenas alterações nas
taxas praticadas pelo mercado ou nos preços dos ativos podem levar a fortes
perdas para os aplicadores, dado o elevado grau de alavancagem, ou seja,
os valores em jogo – possibilidade de ganho ou perda – podem ser muitas
vezes superiores ao capital aplicado.

Risco Operacional
O risco operacional se refere à possibilidade de perda originada por falhas
na estrutura organizacional da instituição financeira, seja relativa a
falhas humanas, gerenciais, de controle ou dos sistemas operacionais, ou,
então, pela perda dos valores éticos e corporativos que unem os diferentes
elementos dessa estrutura.

74 MERCADO FINANCEIRO
Como exemplos de risco operacional, podem ser citadas fraudes de funcionários
da própria instituição financeira ou de seus clientes, falhas no sistema de
informática, nas rotinas de controles internos. As autoridades supervisoras
têm dedicado significativa atenção a esse tipo de risco.

Risco de Insolvência
O risco de insolvência se refere à possibilidade de uma instituição financeira
se tornar insolvente. Uma instituição financeira se torna insolvente quando
seu patrimônio líquido estiver abaixo do mínimo exigido pelas autoridades
supervisoras. Tal possibilidade pode ser resultado de diversas situações de
risco, como, por exemplo, perdas em negociação com títulos; aplicações
em derivativos; diminuição do valor contábil dos empréstimos resultante da
inadimplência, parcial ou total, dos tomadores de empréstimo; variações na
taxa de câmbio.

A manutenção de patrimônio líquido suficiente para absorver choques dessa


natureza pode reduzir esse risco, mas a estratégia mais eficiente para evitar
uma crise de solvência é não assumir riscos excessivos nas operações ativas.

Risco Legal
Corresponde à possibilidade de que contratos não sejam executados, porque as
leis ou regulações não dão suporte às regras estabelecidas entre uma instituição
financeira e seus clientes, outras instituições financeiras ou o Governo.
No Brasil, um exemplo de risco legal verificado no setor bancário é a dificuldade
enfrentada em reaver ativos oferecidos como garantia no caso de falência do
tomador de um empréstimo.

RISCOS INCORRIDOS PELOS


INVESTIDORES INDIVIDUAIS
Os investidores podem ser classificados de acordo com sua propensão – ou
tolerância – ao risco:

• perfil conservador – aqueles que são totalmente avessos ao risco;


• perfil moderado – aqueles que são indiferentes ao risco; e
• perfil agressivo ou dinâmico – aqueles que são propensos ao risco.

A opção por manter uma carteira de investimentos de maior ou menor risco


depende, portanto, do perfil do investidor:

• os investidores de perfil conservador se sentiriam mais seguros deixando


seu dinheiro aplicado em depósitos a prazo e de poupança em um banco
de grande porte, confiantes de que o Governo não permitiria que ele
quebrasse;

• os investidores de perfil moderado poderiam, de acordo com sua maior ou


menor aversão ao risco e disponibilidade financeira, compor suas carteiras,
mesclando essas e outras diferentes possibilidades de aplicação;

• já um investidor de perfil agressivo pode optar por manter seu capital


aplicado exclusivamente em ações e derivativos ou mesmo em fundos de
investimento cujo portfólio seja composto por esses tipos de ativos.

UNIDADE 7 75
Os demais riscos incorridos pelas instituições financeiras são semelhantes
para o investidor individual. Assim, as formas de diminuir cada risco também
são parecidas. Todavia, como as instituições financeiras administram elevada
soma de recursos, podem diversificar mais amplamente suas carteiras
de aplicações; além disso, são especialistas em análise e administração de
riscos.

De um modo geral, a maneira mais eficiente de reduzir riscos de aplicações


financeiras é diversificar a carteira, isto é, investir em diferentes tipos de
títulos. Por exemplo, manter certa parte do capital aplicado em ações, outra
parte em títulos do Governo, outra em dólar. A possibilidade de diversificação
depende, é claro, do montante disponível, já que cada operação de compra
e venda implica custos.

Os benefícios da diversificação crescem na medida em que as aplicações


estejam inversamente correlacionadas: investir em ações de cinco companhias
de petróleo é menos eficaz do que investir em ações de cinco companhias que
operem em cinco setores diferentes da economia.

Vale lembrar ainda que, para o pequeno e médio investidor de perfil


conservador, é possível fazer aplicações sem risco. Aplicações em depósitos
bancários e alguns tipos de títulos emitidos por bancos até o total de R$ 250
mil são garantidas, mesmo que o banco quebre. Dessa forma, o investidor
que faça aplicações em dois bancos terá seu capital assegurado no valor de
R$ 500 mil e assim sucessivamente.

76 MERCADO FINANCEIRO
Fixando Conceitos 7

[1] MARQUE A ALTERNATIVA QUE PREENCHA COMPLETAMENTE A(S)


LACUNA(S) Anotações:

As instituições financeiras sofrem diversos tipos de risco ao desempenhar


suas atividades. Todavia, todos os riscos incorridos podem de alguma forma
ser diminuídos. No caso dos bancos comerciais, o _________________ pode
ser minimizado através da manutenção de um alto volume de reservas ou
de outros ativos de alta liquidez e de prazos de maturação reduzidos.

(a) risco de liquidez


(b) risco de crédito
(c) risco de mercado
(d) risco de insolvência
(e) risco operacional

[2] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

Em relação aos riscos incorridos pelas instituições financeiras, podemos


afirmar que:

I) O risco de crédito representa a possibilidade de uma instituição financeira


perder a confiabilidade perante o público.
II) O risco de mercado é a probabilidade de que o preço dos ativos financeiros
que compõem a carteira de uma instituição financeira venha a subir.
III) O risco de liquidez se relaciona com a possibilidade de descasamento entre
os fluxos financeiros de ativos e passivos de uma instituição financeira.
IV) Não assumir riscos excessivos em seus ativos pode ser considerado uma
das melhores estratégias para combater o risco de insolvência.
V) Risco operacional de uma instituição financeira é a probabilidade de
perda decorrente de fraudes ou de falhas nos seus controles internos.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, III e V são proposições verdadeiras.
(c) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente III, IV e V são proposições verdadeiras.
(e) Somente I, II, IV e V são proposições verdadeiras.

FIXANDO CONCEITOS 7 77
78 MERCADO FINANCEIRO
8
POLÍTICA ECONÔMICA

Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:


• Compreender o que é política econômica.
• Entender o que é política monetária e quais são seus principais objetivos.
• Identificar e compreender os instrumentos clássicos de política monetária e os impactos
de sua utilização.
• Entender o que é política fiscal e distinguir seus diferentes tipos.
• Entender o que é política cambial e quais são seus principais objetivos.

UNIDADE 8 79
80 MERCADO FINANCEIRO
P
olítica econômica se constitui em ações adotadas pelo Governo e pelo
Banco Central, com o objetivo de estimular o crescimento econômico,
manter estável o nível de preços e equilibrar o balanço de pagamentos.
Os principais meios para se atingirem esses objetivos são as políticas monetária,
fiscal e cambial. Estas políticas devem ser implementadas de maneira
coordenada, na medida em que, por exemplo, uma mudança na taxa de
juros (determinada pela política monetária) influencia tanto a arrecadação
de impostos e os gastos públicos (relacionados à política fiscal) quanto a
taxa de câmbio.

POLÍTICA MONETÁRIA
Definição e Objetivos
A política monetária pode ser definida como a ação do Banco Central no
controle da oferta de moeda, das taxas de juros e das condições de crédito
para atingir alguma meta desejada, como baixa taxa de inflação, balanço de
pagamentos equilibrado, elevado nível de emprego ou crescimento do produto
nacional bruto. No Brasil, atualmente, política monetária seria mais bem definida
como um conjunto de metas e de instrumentos utilizados pelas autoridades
monetárias, visando manter única e exclusivamente a estabilidade do nível geral
de preços. Cabe ao BACEN usar os instrumentos disponíveis com o objetivo de
atingir uma determinada meta de inflação. O regime de metas de inflação foi
adotado pelo Decreto no 3.088, de 21 de junho de 1999, e cabe ao CMN a
definição da meta a ser atingida e dos índices de preços a serem adotados.

A política monetária pode ser contracionista ou expansionista. Quando entende


que existem pressões inflacionárias que podem fazer com que a taxa de inflação
supere a meta estabelecida, o BACEN eleva sua meta para a taxa de juros
básica – a taxa SELIC –, visando, com isso, desaquecer a demanda agregada
da economia. Caso contrário, se o BACEN entende que a meta de inflação está
sendo atingida, ele reduz a taxa de juros praticada no mercado interbancário,
o que, indiretamente, estimula o investimento produtivo e, assim, favorece o
crescimento econômico e a redução da taxa de desemprego.

Em tese, variações na taxa de juros promovidas pelo BACEN alteram outras taxas
de juros, como as taxas de captação de depósitos em instituições financeiras,
as remunerações de aplicações financeiras diversas, as taxas de juros de títulos
de dívida privados e as taxas cobradas em empréstimos bancários. Assim, por
exemplo, ao elevar a taxa de juros básica, o BACEN espera que ocorra uma
redução dos empréstimos bancários e um aumento das aplicações financeiras,
reduzindo, dessa forma, tanto o consumo como os investimentos produtivos,
ou seja, a demanda agregada da economia.

A atuação do BACEN afeta duas outras variáveis importantes: a taxa de câmbio


e os gastos com juros da dívida pública. Quando, por exemplo, eleva a taxa
de juros, a moeda nacional tende a se valorizar, ou seja, o preço das moedas
estrangeiras, medido em reais, tende a cair. Por outro lado, uma elevação
da taxa de juros básica provoca um aumento dos gastos com a rolagem da
dívida pública interna, o que obriga o Governo a adequar sua política fiscal
a essa nova realidade.

UNIDADE 8 81
Instrumentos Clássicos de Política Monetária
Os três instrumentos clássicos de política monetária são o depósito
compulsório, o redesconto e as operações de mercado aberto.

Depósito Compulsório
Todo banco é obrigado a manter depositada, na sua conta de reserva bancária
junto ao BACEN, uma quantia que representa um determinado percentual
sobre o saldo dos depósitos à vista de seus clientes.

Alterações na alíquota do depósito compulsório, ou seja, no percentual sobre


os depósitos, representam o papel do compulsório como instrumento de
política monetária. Os bancos têm sua capacidade de conceder empréstimos
– e, portanto, de criar depósitos à vista – restringida quando esse percentual é
aumentado e vice-versa. Se, por exemplo, o percentual de depósito compulsório
é aumentado, os bancos terão menos reservas livres para emprestar, pois terão
de direcionar uma parcela maior dessas reservas para a sua conta no BACEN.

Quanto maior a alíquota do depósito compulsório, menor a capacidade


do sistema bancário de multiplicar empréstimos e, portanto, menor a sua
capacidade de criar meios de pagamento na forma de depósitos à vista.

Redesconto ou Assistência Financeira de Liquidez


É um empréstimo concedido pelo BACEN a um banco comercial que enfrente um
problema temporário de liquidez, ou seja, um banco que não possua reservas
bancárias suficientes para cumprir seus compromissos de curto prazo.

O BACEN utiliza o redesconto como instrumento de política monetária,


ampliando ou restringindo o acesso dos bancos a esse tipo de recurso,
principalmente, através de alterações na taxa de juros cobradas deles nessas
operações, isto é, a taxa de redesconto. Uma elevação da taxa de redesconto
desestimula os bancos a recorrem ao redesconto, o que os obriga a manter
um nível mais elevado de reservas, reduzindo, assim, os empréstimos e suas
capacidades de criar depósitos à vista.

Operações de Mercado Aberto (Open Market)


Através dessas operações, o BACEN compra ou vende títulos do Tesouro
Nacional junto aos bancos, visando controlar o saldo das reservas bancárias
e, dessa forma, exercer influência sobre a taxa de juros praticada no mercado
interbancário. Ao comprar títulos, o BACEN aumenta o saldo de suas reservas
bancárias, provocando, dessa forma, uma redução na taxa de juros. Quando o
BACEN vende títulos, os bancos pagam através da redução de suas contas de
reservas bancárias. A diminuição do volume de reservas bancárias disponíveis
tende a elevar a taxa de juros.

82 MERCADO FINANCEIRO
Os quadros a seguir sintetizam os impactos desejados pelo BACEN ao utilizar
cada um dos três instrumentos clássicos de política monetária.

Depósito Compulsório
Ação do Banco Central Impacto Impacto

Aumento da Alíquota Redução do Multiplicador Aumento da Taxa de Juros

Redução da Alíquota Aumento do Multiplicador Redução da Taxa de Juros

Taxa de Redesconto
Ação do Banco Central Impacto Impacto

Redução dos
Aumento da Taxa Aumento da Taxa de Juros
Empréstimos Bancários

Aumento dos
Redução da Taxa Redução da Taxa de Juros
Empréstimos Bancários

Operações de Mercado Aberto


Ação do Banco Central Impacto Impacto

Aumento das
Compra de Títulos Redução da Taxa de Juros
Reservas Bancárias

Redução das
Venda de Títulos Aumento da Taxa de Juros
Reservas Bancárias

POLÍTICA FISCAL
A política fiscal consiste na ação do Governo de administrar seus gastos
correntes, de investimento e de transferências, além de decidir a forma como
tais gastos são financiados. O Governo pode financiar seus gastos através
da cobrança de impostos e tarifas, bem como por meio de empréstimos.
Os empréstimos tomados pelo Governo, geralmente, são feitos via lançamento
de títulos, cujo saldo corresponde ao total da sua dívida pública mobiliária
ou, simplesmente, dívida pública.

A política fiscal pode ser:

• expansionista – representada por uma ação deliberada do Governo de


incorrer em déficits orçamentários – isto é, despesas maiores do que as
receitas correntes – para estimular a economia; e

• contracionista – quando o Governo obtém superávits orçamentários


com o objetivo de conter eventuais elevações da demanda que sejam
interpretadas como inflacionárias.

O déficit (ou o superávit) orçamentário pode ser classificado como:

• primário – corresponde aos gastos correntes (incluindo investimento do


setor público) em comparação com as receitas correntes (não inclui o
pagamento de juros da dívida pública interna e externa); e

• nominal – inclui o pagamento de juros sobre a dívida pública interna e


externa.

UNIDADE 8 83
POLÍTICA CAMBIAL
A política cambial define, basicamente, o regime cambial a ser adotado.
Os regimes cambiais podem ser de:

• Taxa de Câmbio Flutuante; ou

• Taxa de Câmbio Administrada – nesse caso, pode ser adotado o regime


de Taxa de Câmbio Fixa, de minidesvalorizações, banda cambial, entre
outros.

Os objetivos da adoção de um ou outro regime cambial podem ser equilibrar


o balanço de pagamentos (caso típico do regime de Taxa de Câmbio Flutuante)
ou combater a inflação (caso típico do regime de Taxa de Câmbio Fixa adotado
por muitos países emergentes nas décadas de 1980 e 1990).

84 MERCADO FINANCEIRO
Fixando Conceitos 8

[1] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS


MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA Anotações:

Em relação aos diferentes tipos de política econômica adotados pelo Governo


e pelo Banco Central, podemos afirmar que:

( ) A ação do Banco Central no controle da oferta de moeda, das taxas de


juros e das condições de crédito para atingir uma determinada meta
política, como, por exemplo, baixas taxas de inflação, caracteriza a política
fiscal.
( ) As políticas monetária, fiscal e cambial devem ser implementadas de
forma independente uma da outra.
( ) O redesconto é considerado um dos instrumentos clássicos de política
monetária.
( ) A política fiscal expansionista consiste na obtenção de superávits
orçamentários, com o objetivo de conter eventuais elevações da demanda
que sejam interpretadas como inflacionárias.
( ) O regime de taxa de câmbio fixa é uma das possibilidades existentes quando
a política cambial adotada é a de taxa de câmbio administrada.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) V,F,F,V,F
(b) F,F,V,F,V
(c) V,F,V,F,F
(d) F,F,F,V,V
(e) F,V,V,F,V

[2] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA

A definição do regime cambial dependerá dos objetivos traçados pelo


Governo. O principal objetivo da adoção do regime de taxa de câmbio
fixa é o(a):

(a) Combate à inflação.


(b) Equilíbrio do balanço de pagamentos.
(c) Redução da taxa de juros.
(d) Redução de déficit primário.
(e) Aumento do investimento produtivo.

FIXANDO CONCEITOS 8 85
86 MERCADO FINANCEIRO
Testando Conhecimentos
[1] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Anotações:
Pode-se definir mercado financeiro como o conjunto de:

(a) Instrumentos destinados à captação e aplicação de recursos financeiros.


(b) Instituições destinadas à captação e aplicação de recursos financeiros.
(c) Instrumentos que facilitam a transferência de recursos entre poupadores
e tomadores.
(d) Instituições e instrumentos destinados a oferecer alternativas de
aplicação e captação de recursos financeiros.
(e) Instituições que fiscalizam e regulamentam o setor financeiro.

[2] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

Em relação às formas de financiamento disponíveis às UDs, podemos afirmar


que:

I) O financiamento indireto é feito através do mercado de capitais.


II) Empréstimos bancários são uma forma de financiamento indireto.
III)Os financiamentos diretos tendem a ser mais baratos do que os
financiamentos indiretos.
IV) O spread pode ser definido como a diferença entre as taxas de juros
cobradas nos financiamentos direto e indireto.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente II e III são proposições verdadeiras.


(b) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.

[3] MARQUE A ALTERNATIVA QUE PREENCHA CORRETAMENTE A(S) LACUNA(S):

Nas operações de _________________, as instituições financeiras captam


recursos junto às _________________, assumindo a obrigação de honrar a
exigibilidade desses recursos, emprestando às _________________.

(a) financiamento indireto / unidades deficitárias / unidades superavitárias


(b) financiamento direto / unidades superavitárias / unidades deficitárias
(c) financiamento externo / unidades superavitárias / unidades deficitárias
(d) financiamento direto / unidades deficitárias / unidades superavitárias
(e) financiamento indireto / unidades superavitárias / unidades deficitárias

TESTANDO CONHECIMENTOS 87
[4] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS
Anotações: MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA

Em relação ao spread bancário, pode-se dizer que:

( ) É a diferença entre a taxa média de juros cobrada pelos empréstimos e


a taxa média paga aos depositantes.
( ) No Brasil, tradicionalmente, é baixo.
( ) Nas últimas duas décadas, vem aumentando, fundamentalmente,
em função do desenvolvimento e da expansão dos mecanismos de
financiamento direto disponíveis no mercado de capitais.
( ) Justifica-se, em parte, pelos custos dos bancos com a obtenção de
informações.
( ) O crescente papel desempenhado pelas empresas de classificação de
risco tem contribuído para o declínio do spread nos últimos anos.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) V,F,V,V,F
(b) F,V,F,V,V
(c) F,V,V,F,V
(d) V,F,F,V,V
(e) V,F,F,F,V

[5] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

Em relação aos intermediários financeiros, pode-se dizer que:

I) São capazes de reduzir os custos de transação.


II) Nas operações de financiamento indireto, o papel dos intermediários
financeiros é simplesmente promover a corretagem de valores.
III) A diversificação das operações ativas e passivas reduz a probabilidade
esperada de perdas com inadimplência nos empréstimos.
IV) Unidades econômicas, em geral, são mais capazes de reduzir os custos
de transação e os problemas gerados pela assimetria de informações do
que intermediários financeiros.
V) Os intermediários financeiros, geralmente, apresentam ganhos de
escala advindos da especialização na coleta e no processamento
das informações.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, III e V são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, II, III e V são proposições verdadeiras.
(e) Somente II, III, IV e V são proposições verdadeiras.

88 MERCADO FINANCEIRO
[6] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Anotações:
A regulamentação do Sistema Financeiro Nacional (SFN) é de responsabilidade
dos órgãos normativos. São órgãos normativos pertencentes ao SFN:

(a) CMN, BACEN e SUSEP.


(b) BNDES, CVM e CNPC.
(c) PREVIC, CNSP e CVM.
(d) CNPC, CNSP e CMN.
(e) BACEN, CVM e SUSEP.

ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

[7] Cabe ao Conselho Monetário Nacional:

I) Estabelecer as diretrizes gerais das políticas monetária, cambial e


creditícia.
II) Zelar pela solvência das companhias de seguro.
III) Determinar a taxa de câmbio.
IV) Realizar operações de mercado aberto para controlar a liquidez do
mercado interbancário.
V) Regular as condições de constituição, de funcionamento e de fiscalização
das instituições financeiras.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I e IV são proposições verdadeiras.


(b) Somente I e V são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, II e V são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, III e V são proposições verdadeiras.
(e) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.

[8] Compete ao Conselho Nacional de Seguros Privados:

I) Zelar pela solvência dos bancos vinculados a seguradoras.


II) Estabelecer as diretrizes gerais do mercado de resseguro.
III)Orientar a aplicação de recursos das seguradoras, sociedades de
capitalização e empresas de Previdência Privada Aberta.
IV) Regular a corretagem do mercado de seguros e a profissão de corretor.
V) Regular, normatizar e coordenar as atividades dos fundos de pensão.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I e IV são proposições verdadeiras.


(b) Somente I e V são proposições verdadeiras.
(c) Somente II e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, III e V são proposições verdadeiras.
(e) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.

TESTANDO CONHECIMENTOS 89
[9] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Anotações:
A entidade supervisora responsável pela supervisão do mercado de capitais
é o(a):

(a) SUSEP.
(b) CMN.
(c) CVM.
(d) BACEN.
(e) PREVIC.

[10] Em relação às entidades supervisoras, pode-se afirmar que:

I) O mercado de ações é fiscalizado pela SUSEP.


II) A CVM é responsável pela supervisão do mercado de ações.
III) As empresas de leasing são supervisionadas pelo Banco Central.
IV) A SUSEP supervisiona as atividades das sociedades de capitalização.
V) A CVM e o Banco Central supervisionam as atividades dos Fundos de
Investimento de Renda Fixa.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, III e V são proposições verdadeiras.
(d) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.
(e) Somente I, II, IV e V são proposições verdadeiras.

[11] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA

A entidade supervisora responsável pela supervisão das atividades relacionadas


à Previdência Complementar Fechada é o(a):

(a) SUSEP.
(b) PREVIC.
(c) CGPC.
(d) CNSP.
(e) CVM.

90 MERCADO FINANCEIRO
ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA
CORRETA Anotações:

[12] Em relação aos diferentes tipos de instituição financeira, pode-se afirmar que:

I) O Banco do Brasil, o BNDES e a Caixa Econômica Federal são bancos


múltiplos.
II) Um banco múltiplo pode possuir carteira comercial, de investimento, de
desenvolvimento, imobiliária e de leasing.
III) Os bancos de investimento estão autorizados a captar depósitos de
poupança.
IV) Os bancos comerciais estão autorizados a subscrever títulos e valores
mobiliários.
V) As corretoras de Títulos e Valores Mobiliários estão autorizadas a
subscrever ações de empresas privadas.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente II e V são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, III e V são proposições verdadeiras.
(d) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.
(e) Somente I, II, III e V são proposições verdadeiras.

[13] Em relação aos diferentes tipos de instituição financeira, pode-se afirmar que:

I) Fundos de investimento e fundos de pensão são investidores


institucionais.
II) As companhias de resseguro são consideradas investidores institucionais.
III) As atividades de um banco múltiplo são mais diversificadas do que as
de um banco comercial.
IV) Seguradoras e bancos comerciais são considerados investidores
institucionais.
V) As carteiras imobiliárias dos bancos múltiplos devem seguir as regras do
Sistema Financeiro de Habitação.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I e III são proposições verdadeiras.


(b) Somente II e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, III e V são proposições verdadeiras.
(e) Somente I, II, III e V são proposições verdadeiras.

TESTANDO CONHECIMENTOS 91
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Anotações:
[14] A opção que apresenta somente exemplos de bancos múltiplos oficiais
com carteira de desenvolvimento é:

(a) Banco do Nordeste e BNDES.


(b) Banco do Brasil e FINAME.
(c) BNDES e Banco da Amazônia.
(d) Banco do Nordeste e Banco da Amazônia.
(e) Banco Central e Banco do Brasil.

[15] Entre as instituições financeiras listadas abaixo, as únicas que estão


autorizadas a operar nas Bolsas de Valores são os(as):

(a) Bancos comerciais.


(b) Fundos de pensão.
(c) Distribuidoras de títulos e valores mobiliários.
(d) Fundos de investimento.
(e) Bancos de investimento.

[16] MARQUE A ALTERNATIVA QUE PREENCHA CORRETAMENTE A(S)


LACUNA(S):

O mercado ____________ corresponde às operações de empréstimo realizadas


pelas instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional e
supervisionadas pelo(a) ____________.

(a) de crédito / Banco Central


(b) monetário / CMN
(c) de capitais / CVM
(d) monetário / Banco Central
(e) de crédito / CVM

[17] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

Em relação ao mercado de capitais, podemos afirmar que:

I) Um título é lançado pela primeira vez no mercado primário.


II) A emissão primária de ações é feita através de instituições financeiras
especializadas em subscrição de títulos, como bancos de investimento e
corretoras.
III) A negociação de títulos após sua emissão primária se dá no mercado
secundário.
IV) No mercado de balcão, os negócios são fechados por meio eletrônico
entre as instituições e entre elas e os seus clientes.
V) No mercado a termo, as partes fixam um preço para a entrega e a
liquidação das ações em prazo futuro predeterminado.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I e III são proposições verdadeiras.


(b) Somente III e V são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, II e V são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III, IV e V são proposições verdadeiras.

92 MERCADO FINANCEIRO
[18] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Anotações:
Em relação às características dos instrumentos financeiros, é correto afirmar que:

(a) Investimentos de alto risco tendem a apresentar baixas rentabilidades.


(b) Não existem instrumentos financeiros de risco zero.
(c) A liquidez de um instrumento financeiro não apresenta correlação
com seu prazo.
(d) Os instrumentos de renda fixa podem ser classificados como prefixados
ou pós-fixados.
(e) Alguns instrumentos financeiros têm risco zero para qualquer montante
aplicado.

ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

[19] Em relação aos diferentes tipos de instrumentos financeiros que compõem


o mercado financeiro, podemos afirmar que:

I) Os depósitos a prazo têm maior liquidez que os depósitos à vista.


II) Os títulos públicos federais apresentam características uniformes quanto
ao prazo de vencimento e à remuneração.
III) Os Fundos de Renda Fixa Multi-índices apresentam maior risco do que
os Fundos de Renda Fixa.
IV) Letras de câmbio são emitidas por financeiras.
V) CDB é um instrumento financeiro de renda fixa.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente II, III e V são proposições verdadeiras.
(e) Somente III, IV e V são proposições verdadeiras.

[20] Em relação aos diferentes tipos de instrumentos financeiros que compõem


o mercado financeiro, podemos afirmar que:

I) Debêntures são títulos de renda variável.


II) Ações são instrumentos financeiros de renda variável.
III)Notas promissórias são instrumentos de curto prazo emitidos por
empresas.
IV) As empresas de pequeno porte são as maiores emissoras de debêntures.
V) Os títulos públicos não são valores mobiliários.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I e II são proposições verdadeiras.


(b) Somente II e III são proposições verdadeiras.
(c) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras.
(e) Somente I, II, IV e V são proposições verdadeiras.

TESTANDO CONHECIMENTOS 93
[21] Em relação aos títulos do Tesouro Direto, podemos afirmar que:
Anotações:
I) As LTNs são títulos prefixados. Portanto, torna-se um título atraente para
o investidor que acredita na queda da taxa básica de juros.
II) Os títulos da dívida pública são emitidos pelo Governo para financiar
seus superávits nominais.
III) A rentabilidade das NTN-Bs é vinculada à variação da taxa Selic.
IV) As LFTs têm rentabilidade diária vinculada à taxa Selic.
V) A rentabilidade das NTN-Cs é vinculada à variação do IGP-M, sendo
atraente para o investidor preocupado com a possibilidade de aumento
da taxa de inflação.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, II e V são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, IV e V são proposições verdadeiras.
(e) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.

[22] Em relação ao Sistema Financeiro Nacional, a entidade responsável pela


supervisão das instituições financeiras é o(a):

(a) CVM.
(b) BNDES.
(c) SUSEP.
(d) BB.
(e) BACEN.

94 MERCADO FINANCEIRO
[23] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA Anotações:

Em relação às debêntures, pode-se dizer que:

( ) São títulos de dívida emitidos por instituições financeiras.


( ) Oferecem uma significativa flexibilidade às companhias emissoras.
( ) Seus maiores demandantes são os investidores institucionais.
( ) As companhias emissoras podem determinar as formas de remuneração,
os fluxos de amortização dos títulos e as garantias oferecidas como melhor
lhes convierem.
( ) Qualquer instituição está autorizada a fazer ofertas públicas de debêntures.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) F,F,V,V,F
(b) F,V,F,V,F
(c) F,V,V,V,F
(d) V,F,F,V,V
(e) V,F,V,F,V

[24] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

Em relação aos instrumentos financeiros conhecidos como derivativos,


podemos afirmar que:

I) Quem compra um contrato futuro de soja espera ganhar com a elevação


do preço da soja até o vencimento do contrato.
II) Quando um agricultor vende um contrato futuro de soja com vencimento
em seis meses, está se protegendo contra a probabilidade de queda no
preço da soja daqui a seis meses.
III) Swaps são contratos que preveem a troca de fluxos de caixa derivados
de dois instrumentos financeiros diferentes.
IV) Derivativos podem servir tanto como mecanismo de hedge (proteção)
quanto para especulação.
V) No contrato de opções, as partes negociam o direito de comprar/vender
a ação a um preço e prazo futuro determinados.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) Somente I, II e III são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, II, III e V são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III, IV e V são proposições verdadeiras.

TESTANDO CONHECIMENTOS 95
[25] MARQUE A ALTERNATIVA QUE PREENCHA CORRETAMENTE A(S)
Anotações: LACUNA(S):

Uma situação em que existam vários resultados possíveis e a distribuição de


probabilidades seja desconhecida caracteriza o(a) ____________.

(a) risco
(b) incerteza
(c) liquidez
(d) taxa de retorno
(e) rentabilidade

[26] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA

As instituições financeiras correm diferentes tipos de risco. A possibilidade de


que a contraparte de um empréstimo ou operação financeira não queira ou
não possa cumprir com suas obrigações contratuais, gerando, assim, perdas
à instituição financeira, caracteriza o tipo de risco conhecido como:

(a) Risco de crédito.


(b) Risco de liquidez.
(c) Risco de mercado.
(d) Risco operacional.
(e) Risco de insolvência.

[27] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

Em relação aos perfis dos investidores individuais, pode-se afirmar que:

I) Quanto mais propenso ao risco, mais agressivo é o perfil do investidor


individual.
II) Caderneta de poupança é uma aplicação típica de um investidor
indiferente ao risco.
III) Um investidor de perfil conservador apresenta alta aversão ao risco.
IV) Um investidor indiferente ao risco tem perfil moderado.
V) Um investidor de perfil conservador prefere fazer aplicações em fundos
de investimentos alavancados.

Agora marque a alternativa correta:

(a) Somente I, II e IV são proposições verdadeiras.


(b) Somente I, III e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, III e V são proposições verdadeiras.
(d) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.
(e) Somente I, II, IV e V são proposições verdadeiras.

96 MERCADO FINANCEIRO
[28] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA Anotações:

Em relação aos riscos incorridos pelos investidores individuais, podemos


afirmar que:

( ) O risco de liquidez se resume à probabilidade de que não consigam


vender um título sem perda.
( ) Desde que não sejam pessoas jurídicas, os investidores individuais não
sofrem risco de insolvência.
( ) Todos divergem dos riscos incorridos pelas instituições financeiras.
( ) Em grande parte dos casos, as formas de diminuição dos riscos são
semelhantes para investidores individuais e instituições financeiras.
( ) Em geral, a forma mais eficaz de diminuir riscos é a concentração das
aplicações de uma carteira de investimentos em um tipo de instrumento
financeiro que apresente alta rentabilidade.

Agora marque a alternativa correta:

(a) V,V,F,V,F
(b) F,V,F,V,F
(c) F,V,V,V,F
(d) V,F,F,V,V
(e) V,F,V,F,V

[29] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA


CORRETA

Quando pratica uma política monetária contracionista, o Banco Central:

I) Reduz a alíquota do depósito compulsório.


II) Eleva a taxa de redesconto.
III) Eleva a taxa de juros básica.
IV) Reduz a taxa de câmbio.
V) Vende títulos da dívida pública para reduzir a base monetária.

Agora marque a alternativa correta:

(a) Somente II e III são proposições verdadeiras.


(b) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
(c) Somente I, II e III são proposições verdadeiras.
(d) Somente I, IV e V são proposições verdadeiras.
(e) Somente II, III e V são proposições verdadeiras.

TESTANDO CONHECIMENTOS 97
ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS
Anotações: MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA

[30] Em relação aos instrumentos clássicos de política monetária, podemos


dizer que:

( ) A venda de títulos públicos pelo Banco Central aos bancos reduz o saldo
das reservas bancárias.
( ) O redesconto é um empréstimo concedido pelo BACEN aos bancos
que não possuam reservas bancárias suficientes para honrar seus
compromissos de curto prazo.
( ) O aumento do volume de reservas bancárias disponíveis tende a elevar
a taxa de juros.
( ) O Banco Central reduz a capacidade de criação de depósitos à vista dos
bancos quando eleva a alíquota do depósito compulsório.
( ) Todos os bancos comerciais são obrigados a manter uma conta de reservas
bancárias no Banco Central.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) F,V,V,F,V
(b) V,V,F,V,V
(c) V,F,F,V,F
(d) V,V,F,F,V
(e) F,V,F,V,F

[31] Em relação à política monetária, pode-se afirmar que:

( ) O Banco Central utiliza as operações de mercado aberto para reduzir os


depósitos de poupança.
( ) A taxa Selic é a taxa de juros básica da economia.
( ) Uma diminuição da taxa Selic indica que a política monetária se tornou
mais restritiva.
( ) Quando aumenta a taxa de redesconto, o Banco Central espera que os
bancos sejam mais cautelosos na concessão de empréstimos.
( ) O open market é o mais ágil instrumento de política monetária.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) F,V,F,V,V
(b) V,V,F,V,V
(c) V,F,F,V,V
(d) V,V,F,F,V
(e) F,V,F,V,F

98 MERCADO FINANCEIRO
[32] Em relação à política fiscal, podemos afirmar que:
Anotações:
( ) O déficit nominal é a soma do resultado primário e dos gastos com
pagamentos de juros.
( ) O Governo incorre em déficit primário quando paga mais juros de sua
dívida mobiliária.
( ) O aumento da taxa básica de juros provoca uma elevação do déficit
nominal.
( ) O aumento dos gastos do Governo é uma medida de política fiscal
contracionista.
( ) A obtenção de superávits primários contribui para a redução do déficit
nominal.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) F,V,V,F,V
(b) V,V,F,V,F
(c) V,F,V,F,V
(d) V,V,F,F,V
(e) V,F,F,V,V

[33] Em relação às políticas econômicas, podemos dizer que:

( ) O aumento da taxa de juros básica tende a provocar uma valorização da


moeda nacional frente ao dólar.
( ) A taxa de câmbio é o preço de uma moeda medido em outra moeda.
( ) O regime de taxa de câmbio fixa foi adotado em muitos países para
tentar equilibrar seus balanços de pagamentos.
( ) O aumento da taxa Selic tende a atrair mais recursos externos.
( ) Os regimes cambiais podem ser de taxa de câmbio flutuante ou
administrada.

Agora assinale a alternativa correta:

(a) F,V,V,F,V
(b) V,V,F,V,V
(c) V,F,F,V,V
(d) V,V,F,F,F
(e) V,F,V,V,V

TESTANDO CONHECIMENTOS 99
100 MERCADO FINANCEIRO
Estudos de Caso
Caso 1
Bancassurance

Em muitos países, nas últimas décadas, é crescente a participação dos bancos


no mercado de seguros, assim como a fusão de bancos com seguradoras,
formando um tipo de instituição financeira conhecida na literatura financeira
como bancassurance. A razão por trás deste tipo de associação está na
semelhança cada vez maior entre alguns produtos bancários – como os
depósitos de poupança – e certos tipos de Seguro de Vida e Previdência
Privada, tradicionalmente oferecidos por seguradoras. Além disso, algumas
modalidades de seguro, como as de Seguros Residenciais e de Automóveis,
podem ser consideradas como produtos complementares aos financiamentos
imobiliários e para aquisição de veículos, havendo a possibilidade, portanto,
de serem mais facilmente vendidas por bancos.

Nos EUA, a fusão do grupo segurador Travellers com o Citibank, ocorrida


em 1998, ajudou a modificar a legislação que proibia a formação de
conglomerados financeiros. No Brasil, bancos de grande porte operam em
seguros desde os anos 1970, e seguradoras pertencentes a grupos bancários
se encontram entre as maiores do setor, como, por exemplo, Itaú Unibanco
Seguros e Bradesco Seguros.

Caso 2
Investimentos das Companhias Seguradoras e Resseguradoras

No passado, as companhias seguradoras e resseguradoras mostravam pouco


apetite para adotar técnicas financeiras que iriam satisfazer seus acionistas
através de resultados financeiros. Atualmente, entretanto, a necessidade de
maximização de resultados positivos através de ganhos financeiros consistentes
é demanda obrigatória da direção da maioria das companhias.

Entre as ferramentas desenvolvidas pelo mercado, visando à maximização


de resultados positivos, o processo de ALM (asset liability management)
vem ganhando destaque nas companhias seguradoras e resseguradoras.
O modelo se fundamenta na estruturação de uma alocação ótima da carteira
de ativos, em que se busca otimizar a relação de risco e retorno com o
equilíbrio dos fluxos financeiros e da taxa de crescimento dos passivos.
Em síntese, o modelo busca administrar as diferenças entre eles. Além disso, o
modelo exige que as despesas e os desembolsos correntes sejam equivalentes
às receitas correntes, provisões e demais reservas acumuladas. O equilíbrio
atuarial pressupõe que existam fontes de recursos capazes de se igualar a
despesas e a desembolsos futuros; desta forma, os cálculos de reservas e
de prêmios de seguros se baseiam nas probabilidades de ocorrência dos
sinistros a partir de estatísticas históricas.

ESTUDOS DE CASO 101


A característica de instrumento de poupança e o aspecto de gestão de
recursos de terceiros incluem, de forma evidente, as companhias de seguro no
âmbito mais geral das instituições financeiras e são objetos explícitos da ação
regulatória, que determina as condições gerais sob as quais tais recursos devem
ser geridos pelas seguradoras. A especificação, quanto aos ativos que podem
ser utilizados, estará sempre subordinada à preocupação de minimizar perdas
patrimoniais. Os aspectos quantitativos remetem à capacidade da instituição
em fazer frente aos compromissos assumidos em função dos riscos subscritos
junto ao público. Assim, o marco regulatório pode ser considerado o elemento
fundamental na definição das estratégias das companhias seguradoras.

No Brasil, a regulamentação acerca dos investimentos de seguradoras e


resseguradoras tradicionalmente apresenta perfil bastante conservador;
todavia, começa a haver uma tendência de flexibilização das regras.
Em outubro de 2011, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou as
seguradoras, resseguradoras, entidades de Previdência Complementar Aberta
e de capitalização que operam no Brasil a incluírem letras financeiras como
garantia de suas reservas técnicas. Isto significa que as empresas podem aplicar,
nesses títulos de renda fixa, até 80% de seus recursos para garantir possíveis
sinistros. A autorização visa atuar em duas pontas: ampliar as possibilidades
de investimentos dessas instituições e fomentar um mercado de crédito
de longo prazo no país. Esta mudança é um forte indício de tendência de
flexibilização das regras de investimento dessas companhias, que poderão,
no futuro, desempenhar papéis mais relevantes nos mercados de outros
instrumentos financeiros.

O mercado segurador/ressegurador defende uma alteração na legislação para


que não sejam determinados quais os ativos que podem ser usados como
garantia das reservas técnicas, como, por exemplo, imóveis urbanos ou
ações, mas, sim, qual a característica geral do instrumento aceito, em termos
de perfil de risco e de liquidez. Quando surgiram as letras financeiras, elas
tinham características semelhantes às de outros ativos em que as companhias
eram autorizadas a investir; no entanto, por não estarem previstas em lei,
eram instrumentos financeiros proibidos.

Atualmente, as seguradoras podem alocar até 80% de suas reservas técnicas


em instrumentos de dívida privados; todavia, apenas cerca de 20% são
investidos nesse tipo de instrumento (se desconsiderados investimentos em
PGBL e VGBL), quase sua totalidade em CDBs (Certificados de Depósitos
Bancários) e RDBs (Recibos de Depósitos Bancários). A imensa maioria dos
investimentos dessas companhias continua sendo em títulos públicos, cerca de
60% do total, enquanto investimentos em renda variável representam apenas
cerca de 2% de seus portfólios.

Apesar de reivindicarem a flexibilização na aplicação das reservas técnicas,


provavelmente, essas instituições financeiras só devem começar a diversificar
a carteira no médio prazo. O conservadorismo está diretamente ligado às
elevadas taxas de juros ainda verificadas no país, que garantem altos níveis
de retorno aos títulos da dívida pública.

102 MERCADO FINANCEIRO


Gabarito
Fixando Conceitos

Unidade 1 Unidade 2
1–D 1–C
2–D 2–B

Unidade 3 Unidade 4
1–D 1–D
2–C 2–C

Unidade 5 Unidade 6
1–C 1–E
2–D 2–B

Unidade 7 Unidade 8
1–A 1–B
2–D 2–A

GABARITO 103
Testando Conhecimentos

1–D 12 – A 23 – C
2–A 13 – E 24 – E
3–E 14 – D 25 – B
4–D 15 – C 26 – A
5–B 16 – A 27 – B
6–D 17 – E 28 – A
7–B 18 – D 29 – E
8–C 19 – E 30 – B
9–C 20 – B 31 – A
10 – D 21 – D 32 – C
11 – B 22 – E 33 – B

104 MERCADO FINANCEIRO


Referência Bibliográfica
ANDREZO, A.; LIMA, I. Mercado financeiro: aspectos conceituais e históricos. 3. ed. São Paulo:
Atlas, 2007.

ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2015.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS BANCOS DE INVESTIMENTOS (ANBID). Fundos de investimento:


classificação. Disponível em: <http://novosite.anbid.com.br/institucional/servlet/CalandraRedirect?tem
p=5&proj=ANBID&pub=T&comp=sec_FUNDOS_DE_INVESTIMENTO&db=CalSQL2000&docid=4EBD
DD76E9B84E3C83256E3000620AF9>.

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Introdução ao microcrédito. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/


htms/public/microcredito/ microcredito.pdf>.

____________________________. Relatório de estabilidade financeira. maio 2005. Disponível em:


<http://www.bcb.gov.br/?RELESTABM2005>.

____________________________. Sistema financeiro nacional: evolução e composição. Disponível em:


< http://www.bcb.gov.br/?SFNCOMP>.

BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES). Linhas de apoio financeiro.


Disponível em: <http://www.bndes.gov.br/linhas/linhas.asp>.

CARVALHO, F.C. et al. Economia monetária e financeira. Rio de Janeiro: Campus, 2001.

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Relatório anual 2004. Disponível em: <http://www.bovespa.


com.br/pdf/RelatorioAnual_2004.pdf>.

FEIJÓ, C. et al. Contabilidade social: o novo sistema de contas nacionais do Brasil. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2003.

FORTUNA, E. Mercado financeiro – Produtos e Serviços. 19. ed. São Paulo: Qualitymark, 2013.

ESCOLA NACIONAL DE SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Mercado financeiro. 12. ed. Assessoria
técnica de Werner da Silva Frank. Rio de Janeiro: Funenseg, 2013. 104 p.

ESCOLA NACIONAL DE SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Mercado financeiro. 13. ed. Assessoria
técnica de Antonio Carlos Magalhães da Silva. Rio de Janeiro: Funenseg, 2014. 106 p.

ESCOLA NACIONAL DE SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Mercado financeiro. 14. ed. Assessoria
técnica de Antonio Carlos Magalhães da Silva. Rio de Janeiro: Funenseg, 2015. 106 p.

HOWELLS, P.; BAIN, K. Economia monetária: moedas e bancos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001.

LOPES, J. C.; ROSSETTI, J. P. Economia monetária. São Paulo: Atlas, 1992.

MISHKIN, F. C. Moedas, bancos e mercados financeiros. Rio de Janeiro: LTC, 2000.

SANDRONI, P. Dicionário de economia do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2005.

SIMONSEN, M. H. Dinâmica macroeconômica. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1983.

Site

www.fgc.org.br – (Fundo Garantidor de Créditos)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 105

Você também pode gostar