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O modelo inglês

questões geográficas (ilha, isolamento – preservação e continuidade cultural – o que permitia


a reiteração do uso e costumes como base jurídica

Constituição parcialmente escrita e encontra referência no padrão de organização social e


política respeitado desde a idade média.

Locke, em oposição a Hobbes, adota a linha contratualista ainda com conteúdo de liberdade,
organização do governo e tolerância.

(pág. 180) – Lorde Bolingbroke, jurista inglês no século XVIII, Constituição inglesa: um conjunto
de leis, instituições e cosumes, derivado de certos princípios racionais fixados, dirigido a certos
objetos do bem público estabelecidos, que compõem o sistema geral, de acordo com o qual a
comunidade concordou ser governada.

Dawn Oliver na obra Constitucional reform in the United Kingdom (2003) – não nega existência
de uma Constituição inglesa, mas aponta que nunca foi aprovada pelo Parlamento inglês uma
lei denominada de Constituição. Por esse motivo a constituição inglesa seria com “c”
minúsculo”, diferente da americana com “C” maísculo, a qual foi formalmente criada.

Constituição inglesa – maior flexibilidade para se adaptar as circuntâncias políticas e sociais


sem passar por um processo legislativo complexo. Pode gerar soluções mais fáceis ou dificultar
com relação aos problemas políticos.

Segundo Oliver, é preferível uma constituição política, cabendo neste caso o poder decisório
ser realizado pelo parlamento, eleito. Caso contrário, a constituição jurídica, as questões
políticas relevantes serão decididas no final por juízes não eleitos e não temporários.

Tocqueville afirma que não constituição inglesa, tendo concepção a partir do modelo
americano, escrito, frança e outras partes do mundo (inclusive o Brasil, em 1824).

Montesquieu – no espírito das leis (1748) organização política equilibrada, entre ordem e
liberdade e afirma que tomou por base a constituição inglesa.

William Blackstone (1765 e 1769) fala das leis contumeiras da Inglaterra, repertórios
jurisprudenciais, e não uma constituição.

Wolf- Phillips aprofunda a debate sobre o “mito da constituição não escrita” realizando uma
coletânea dos temas abordados nas várias constituições e afirma que se alguém juntar as leis
inglesas que também tratam desses temas, poderá estar diante da “constituição inglesa”, com
cerca de 50 páginas ou 200 artigos.

Princípios, organizaçõ, estrutura e Funcionamento do parlamento, do Executivo e do Judiciário,


ou seja, normas que versam sobre a organização dos poderes do Estado britânico.

Instituições políticas – governo parlamentar (modelo West-minter) – revolução gloriosa entre


1688 – supremacia do parlamento em relação ao rei.

1215, os barões obrigaram o rei João Sem Terra a assinar a Magna Carta, restrições de poder.

Instalação do parlamento em 1265


Citar obra British constitucion

O modelo francês.

Constitucionalismo moderado

Grande caracterização - Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão – 1789 – definia os


fundamentos e pontos básicos de uma nova organização política, foi colocada na primeira
constituição francesa (1791 e depois nas constituições de 1946 e 1958). Criou-se uma
constituição escrita (repetindo a experiência dos EUA) a qual continha as regras básicas da
organização política e das relações entre governantes e governados, deveria ser compatível
com o reconhecimento e a garantia dos direitos do homem.

Reconhecimento de direitos naturais – fundamentos filosóficos

Moderados - Inicialmente foram conservadas várias instituições francesas, dentre as quais, a


monarquia (que caiu oito anos depois, com a tomada da bastilha)

Reconhecia como direito natural – a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à


opressão. A propriedade era direito sagrado e inviolável exceto no caso de necessidade
pública, legalmente prevista e condicionada a justa e prévia indenização (típico do Estado
liberal-burgês).

Separação dos poderes como contraponto ao absolutismo.

Iluminismo – Montesquieu, Locke, Rousseau, Voltaire entre outros, frança no final do século
XVIII.

Eliminação do poder arbitrário e privilégios.

Proteção da liberdade, direitos patrimoniais, tributos, circulação de bens.

Direito de não ser preso arbitrariamente presnunção de inocência, julgamento justo, liberdade
de opinião e expressão, direito de fazer tudo que n~çao prejudica outrem (liberdade);

Homens nascem e permanecem livres. Principio da igualdade

Lema da revolução francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.

Benjamin Constant – defesa que natualmente os homens são desiguais, resultante do mérito e
talentos desiguais, o que deverá triunfar sobre as instituições (defesa da nobreza)

+ A obra princípios da política promove uma teoria para o Estado mínimo, fazendo uma divisão
entre a esfera pública e o domínio privado + ordem interna e proteção do exterior, cabendo o
Estado a conservação de estradas, contrução de obras públicas, abastecimento de água,
retirada de lixo e higiene pública.

Pago os impostos e respeitado o direito alheio, o cidadão tudo pode fazer e usar sua
propriedade.

Os primeiros constituintes da França não pensavam a constituição como norma superior,


apenas uma carta de natureza política que previa a organização estatal e a restrição da
interferência na vida privada, ou seja, como um instrumento de garantia de liberdade (seja
individual, patrimonial ou econômica). Houve influência do liberalismo econômico inglês.
Modelo dos Estados Unidos

Modelo que coloca a Constituição como sendo uma lei escrita de natureza superior, que além
de prever a estrutura estatal, deveria proteger os direitos fundamentais (inclusive liberdade
individual e patrimonial), acima de qualquer diferença no campo da política. Não obstante, o
governo deveria ter legitimidade, respeito à lei eficiência.

Com a independência das treze colônias da América, em 1776, houve a rejeição do estatuto
colonial, e um novo sistema político que juntava ideias republicanas, limitação de poder
estatual e garantia de liberdade, foi elaborada uma Constituição escrita, de cunho prático.

Essa primeira Constituição já era republicana.

Para entender o constitucionalismo americano, questões históricas devem ser levadas

Como era a relação e funcionamento colonial da época, transição da confederação para


federação, forma de governo republicana e presidencialista, o alcance e o sentido da
separação do poderes, a relação entre estado, sociedade e individuo; bem como os direitos e
garantias fundamentais.

Federalismo – aliança que preserva certo grau de autonomia das unidades federadas (porém,
cada uma das treze colônias não era soberana, para preservar a soberania de um “Estado
Federal”, os Estados Unidos da America).

Cada unidade escolhe seu governo sem interferência do governo central.

Separação de poderes tripartida

Controle de constitucionalidade

Considerada por teóricos o primeiro controle de constitucionalidade, em 1803, o voto do juiz


John Marshal no caso Marbury versus Madison (caso que versa sobre o recebimento de
diploma de investidura para juiz de paz)

Jurisdição de uma corte constitucional

Alexander Hamilton - Sobre o debate de uma possível superioridade do Judiciário com relação
ao legislativo: O judiciário não está criando leis ou impondo sua vontade, está apenas
analisando se o legislativo se manteve nos limites estabelecidos pela Constituição, ou seja, a
vontade do povo. O povo que é superior a ambos.

Constitucionalismo brasileiro
Pode dizer-se, com propriedade, que o Brasil nasceu já como país constitucionalista
DO GRITO DO IPIRANGA (ato de poder constituinte) À CONSTITUIÇÃO IMPERIAL DE
1824
D. Pedro, por Acto de 3 de Junho de 1822, convocaria uma Assembleia Constituinte.
Porém, a sua instalação só viria a ocorrer em 3 de Maio de 1823, após a
independência, portanto.
Os traços mais relevantes deste diploma são o carácter unitário do Estado, o
municipalismo, e uma separação dos poderes mitigada pelo quarto poder, o poder
moderador, inspirada nas teorizações de Benjamin Constant. No geral, a Constituição
é tributária do texto constitucional francês de 1814.
Saliente-se ainda a presença, nesta magna carta brasileira, de uma declaração de
direitos individuais e garantias, que iria, naturalmente, ter posteridade em
constituições subsequentes.
A CONSTITUIÇÃO DA PRIMEIRA REPÚBLICA, DE 1891
10. Proclamada a República, o Decreto n.º 1, de 15 de Novembro de 1889 instituiu-a
no plano jurídico, assim como a Federação.
11. Em 1891, a 24 de Fevereiro, seria promulgada a Constituição da República dos
Estados Unidos do Brasil.
12. De Império se passa a República (com óbvia supressão do poder moderador e
mais puro estabelecimentos da separação dos três poderes), de Estado unitário a
Estado federal, de Estado com religião oficial católica a Estado laico. Aprofundam-se
os direitos, liberdades e garantias. O habeas corpus (instituído no Código Criminal de
1830) passa a ter lugar na Constituição, como lhe cumpria, e é abolida a pena de
morte e outras penas e tratamentos cruéis e infamantes.
passa a presidencialista, com inspiração nos EUA.

A CONSTITUIÇÃO DE 1934
23. Manteve a Constituição de 1934 os grandes traços estruturais do Estado que
vinham de antes: república, tripartição de poderes, federalismo, municipalismo,
presidencialismo, etc.
24. Institucionalmente, no plano jurídico, é de salientar a introdução do mandado de
segurança (para defesa de direitos certos e incontestáveis contra actos
inconstitucionais e ilegais) e da acção popular.

O GOLPE DE 1937 E O “ESTADO NOVO”(1937-1945)


30. O próprio presidente da República, Getúlio Vargas, consuma o caminho que se
vinha trilhando para a ditadura com o golpe de 10 de Novembro de 1937,
outorgando uma nova constituição, toda votada a consolidar a posição do presidente
Alargam-se os poderes presidenciais e os mandatos, confunde-se a separação dos
poderes, e comprimem-se o legislativo e o judicial (podendo mesmo sobrepor-se a
vontade do presidente à inconstitucionalidade das normas), cria-se um orgão
corporativo, o Conselho de Economia nacional (como em Portugal havia a Câmara
Corporativa), o Senado é rebaixado em Conselho Federal, restaura-se a pena de
morte, etc. São dissolvidos os órgãos legislativos da União e dos Estados, que passam
a viver sob tutela de delegados presidenciais. Os partidos também dissolvidos e
amordaçada a imprensa, as artes e os espectáculos, designadamente pela instituição
da censura.
33. Alguns autores consideram que esta constituição copiava, em parte, a
Constituição fascizante da Polónia de 1935, outorgada pelo marechal Pilsudsky, e foi
baptizada, pela oposição, de “polaca

RETORNO À DEMOCRACIA E CONSTITUIÇÃO DE 1946


Retirada de vargas em 1945 (pós guerra)
A nova constituição retoma a linha republicana anterior, designadamente da
democracia social da Constituição de 1934. Voltaram, com os seus verdadeiros
nomes, as instituições clássicas, desde logo o Senado Federal. Voltaram institutos
jurídicos de liberdade, como o mandado de segurança, a acção popular, e o rigoroso
controlo da constitucionalidade das normas. Os partidos políticos ganharam lugar na
própria Constituição, como forma de evitar quaisquer tentações totalitárias
atentatórias do pluralismo político. Voltou a proibição de penas cruéis e
degradantes: como a pena de morte, o banimento e até o confisco. E, na senda da
consagração de direitos sociais, foi introduzido o direito à greve na Constituição.

A constituição de 1946 durou até 1961 – maior questão é se seria adotado o regime
parlamentarista

DO GOLPE MILITAR DE 1964 À CONSTITUIÇÃO AUTORITÁRIA DE 1967


Na noite de 31 de Março para 1 de Abril de 1964, as forças armadas tomam o poder
de novo. Desta feita, mantiveram formalmente a Constituição de 1946 até 1967,
alterando a Constituição por quatro actos institucionais.
O próprio congresso foi chamado a eleger um novo presidente: o Marechal Castello
Branco.
. A Constituição de 1967 volta explicitamente ao autoritarismo, embora sem a
demofilia de Vargas. A ordem económica liberaliza-se, mas a ordem política fecha-se.
Os direitos individuais são severamente comprimidos, impera o super-conceito de
segurança nacional, o sistema partidário fica musculado. O presidente da República
passa a ser eleito indirectamente, mas nele se acumulam enormes poderes,
retirados, como sempre, ao legislativo e a judicial. O executivo legisla por decretoleib

A CAMINHO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988


Mas o poder militar não conseguia conter o pulsar do Brasil, tão veemente na
extraordinária campanha pelas eleições directas para a presidência da República
A Constituição de 1988 é uma das mais progressivas do mundo, embora o seu
carácter detalhista possa fazê-la conter elementos materialmente espúreos.
Contudo, é um marco na construção constitucional, e especialmente preocupada
com a cidadania, por isso merecendo bem o cognome de “Constituição Cidadã”.
52. Mantendo-se na linha republicana, presidencialista, federalista, e democrática,
aprofunda de forma inovadora o legado das constituições sociais, e institucionaliza o
império da justiça constitucional.

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