Você está na página 1de 56

Márcia Antonia Guedes Molina

Comunicação e
Expressão

Adaptada/Revisada por Márcia Antonia Guedes Molina


APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Comunicação e Expressão,
parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo
que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apre-
sentação do conteúdo básico da disciplina.

A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.

Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso,
bem como acesso a redes de informação e documentação.

Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.

A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................................................................................................ 5
1 COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM................................................................................................... 7
1.1 Processo de Comunicação............................................................................................................................................7
1.2 Elementos da Comunicação.........................................................................................................................................8
1.3 As Funções da Linguagem............................................................................................................................................9
1.4 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................11
1.5 Atividades Propostas....................................................................................................................................................11

2 TEXTO E TEXTUALIDADE................................................................................................................. 13
2.1 Coesão...............................................................................................................................................................................15
2.2 Coerência..........................................................................................................................................................................17
2.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................18
2.4 Atividades Propostas....................................................................................................................................................18

3 AS SUPERESTRUTURAS TEXTUAIS........................................................................................... 19
3.1 O Texto Descritivo..........................................................................................................................................................19
3.2 O Texto Narrativo...........................................................................................................................................................21
3.3 O Texto Dissertativo......................................................................................................................................................23
3.4 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................27
3.5 Atividades Propostas....................................................................................................................................................27

4 CONSTITUIÇÃO DO TEXTO............................................................................................................ 29
4.1 Intertextualidade...........................................................................................................................................................30
4.2 Paródia...............................................................................................................................................................................30
4.3 Paráfrase............................................................................................................................................................................32
4.4 Estilização.........................................................................................................................................................................34
4.5 Apropriação.....................................................................................................................................................................35
4.6 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................36
4.7 Atividade Proposta........................................................................................................................................................36

5 O TEXTO ACADÊMICO....................................................................................................................... 37
5.1 Fichamento......................................................................................................................................................................37
5.2 Resumo..............................................................................................................................................................................40
5.3 A Resenha.........................................................................................................................................................................42
5.4 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................43
5.5 Atividade Proposta........................................................................................................................................................43

6 O TEXTO COMERCIAL........................................................................................................................ 45
6.1 As Cartas Comerciais....................................................................................................................................................45
6.2 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................47
6.3 Atividade Proposta........................................................................................................................................................47
7 E-MAILS.......................................................................................................................................................49
7.1 Internet..............................................................................................................................................................................49
7.2 O E-mail Propriamente Dito.......................................................................................................................................49
7.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................51
7.4 Atividade Proposta........................................................................................................................................................51

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................................ 53
RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS...................................... 55
REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................. 59
INTRODUÇÃO

Uma língua é um lugar donde se vê o mundo e em que se traçam os limites do


nosso pensar e sentir.
Vergílio Ferreira

Caro(a) aluno(a),

Nosso objetivo, neste trabalho, é sintetizar alguns conceitos de textos relevantes para auxiliar
o processo de produção escrita dos ingressantes no curso superior, favorecendo-lhes, também, uma
orientação de como elaborar determinadas superestruturas textuais, por meio de técnicas de escritura
e leitura de textos modelares, bem como a competência para a produção de textos acadêmicos, possi-
bilitando-lhes, ainda, uma orientação de como elaborar determinados textos técnicos.
O trabalho embasa-se em obras dos mais renomados estudiosos da Linguística, como Jakobson
(2001) e Vanoye (1998); dos mais importantes estudiosos da Linguística de Texto, como Fávero (1999),
Kock (1997), Guimarães (2004) e Fiorin (2003); e em trabalhos de metodologia do trabalho científico, de
autores de reconhecida competência, como Severino (2001) e Lakatos e Marconi (1992).
Os conteúdos estão assim organizados: primeiramente, discutiremos a questão de língua e lin-
guagem; depois, os elementos da comunicação e, embasados neles, as funções da linguagem. Parti-
mos, depois, para as noções de texto, textualidade, coesão e coerência, para, em seguida, apresentar as
superestruturas textuais tradicionalmente reconhecidas: descrição, narração e dissertação. Num outro
capítulo, depois de uma revisão de texto e textualidade, apresentamos a noção de intertextualidade,
compreendendo a paródia, paráfrase, estilização e apropriação, para, então, fazer a discussão de ficha-
mento, resumo e resenha. Na sequência, apresentamos a redação comercial e finalizamos a apostila
com orientações de como escrever e-mails.
A seleção desses conteúdos deve-se à sua relevância como ponto de partida para os demais tex-
tos, embora urge salientarmos que, numa obra simples como a nossa, não temos a pretensão de traçar
todas as diretrizes possíveis para o bom desenvolvimento de sua competência escrita. Pelo contrário,
apresentamos aqui apenas um roteiro, um caminho inicial que deverá ser percorrido pelo(a) próprio(a)
aluno(a), desvendado e ampliado à medida que seu conhecimento sobre a língua e a produção textual
for ampliado.
Fruto de nossa experiência docente, as lições aqui apresentadas resultam do que foi possível co-
letar do prazeroso convívio com nossos(as) alunos(as) e da observação do brilhante trabalho de muitos
colegas com quem tivemos o prazer de cruzar durante nossa jornada, especialmente, das atividades

5
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

docentes da minha orientadora de doutorado, Profa. Dra. Leonor Lopes Fávero, umas das maiores estu-
diosas de Linguística Textual no Brasil; do meu querido professor Hildebrando A. André, com quem tive o
prazer de aprender a ensinar redação, e das lições subliminares a mim fornecidas pelo meu amigo, Prof.
Leo Rícino, brilhante professor de Língua Portuguesa.
Espero que aproveite o conteúdo, que se dedique na leitura dos pontos e que faça as atividades
aqui propostas com muito empenho.

Um abraço cordial e bom trabalho!!!

Profa. Márcia A. G. Molina

6
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
1 COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM

Caro(a) aluno(a), “falar a mesma língua”. Isso significa que só há co-


municação quando um entende o outro.
Neste capítulo trataremos da comunicação
verbal e aspectos da linguagem. Vamos lá?
Muitos autores costumam definir comunica- Atenção
ção como “transmissão voluntária de informação” As línguas são, de acordo com Vanoye
(RIEGEL, 1981, p. 21), então, responda-me: como (1998, p. 21), “casos particulares de um
se procede, então, essa transmissão? Claro que por fenômeno geral”, ou seja, a linguagem é
meio da linguagem. Émile Benveniste (1977) asse- o todo, todas as formas de comunicação,
vera que a linguagem é um sistema de signos so- e comporta vários códigos, como cores,
signos, assobios, código Morse etc., já
cializados, remetendo-nos à sua função de comu- as línguas são um tipo específico de
nicação. linguagem.
Vale salientar que, para que exista comunica-
ção, as pessoas envolvidas no processo precisam
fazer uso de um código comum, quer dizer, devem

1.1 Processo de Comunicação

E agora, o que é comunicação? péis sejam intercambiáveis ou não. No entanto, é


importante frisarmos que, para que haja comuni-
A comunicação pressupõe sempre a existên- cação, deve haver, pelo menos, dois seres envolvi-
cia de dois polos: aquele que emite a informação dos, fazendo uso dos elementos da comunicação.
e aquele que a recebe – emissor/receptor, locutor/
alocutário, ouvinte/leitor etc. O veículo utilizado
para a comunicação pode fazer com que esses pa-

7
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

1.2 Elementos da Comunicação

Código e Mensagem
Dicionário
O emissor e o receptor, como já foi dito, de-
vem dispor do mesmo código, ou seja, do mesmo Referente é aquilo a que se refere no texto.

sistema de signos, a fim de que a informação possa


ser recebida e decodificada pelo receptor. Essa in-
formação decodificada, caro(a) aluno(a), é a men- Canal de Comunicação
sagem.
É necessário um meio físico para que a men-
Referente sagem possa ser veiculada para o interlocutor, ao
qual damos o nome de canal de comunicação.
Constituem canais de comunicação o ar, um CD,
Riegel (1981, p. 22) assevera que
um cabo, um telefone etc.
os signos do código remetem à realidade
tal qual é percebida pelo emissor e pelo re- Esquema da Comunicação
ceptor. O aspecto específico dessa realida-
de, que é evocada por um signo do código,
é o referente desse signo. O universo refe- Preste atenção, agora:
rencial, exterior ao código, compreende A somatória desses elementos resulta no se-
tudo aquilo que pode ser designado pelos
signos e suas combinações: seres, coisas,
guinte esquema, que apresenta os elementos in-
estados, acontecimentos, idéias, etc. dispensáveis para a comunicação:

Figura 1 – Esquema da comunicação.

8
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

1.3 As Funções da Linguagem

Agora, vamos ver o que são e quais são as requer um contexto (ou referente), apreensível
funções da linguagem. pelo destinatário, e que seja verbal ou passível de
verbalização, um código comum (parcial ou total-
A linguagem, de acordo com Jakobson mente) a ambos – remetente e destinatário –, e, fi-
(2001), tem toda a variedade de suas funções. nalmente, um contato, ou seja, um canal físico por
Antes, porém, propõe que recordemos que o re- meio do qual possa ser veiculada. Cada um desses
metente envia uma mensagem a um destinatá- seis elementos encerra uma função da linguagem
rio. Para que possa ser transmitida, a mensagem diferente, como vemos a seguir:

Figura 2 – Funções da linguagem.

CONTEXTO

1) FUNÇÃO REFERENCIAL

CANAL

2) FUNÇÃO FÁTICA

EMISSOR MENSAGEM RECEPTOR

3) FUNÇÃO EMOTIVA 4) FUNÇÃO POÉTICA 5) FUNÇÃO CONATIVA

CÓDIGO

6) METALINGUAGEM

Apesar de serem seis elementos e, portan- tiva) está centrada no contexto (referente). Tudo o
to, seis funções da linguagem, normalmente as que se refere aos contextos situacionais ou textuais
mensagens comportam mais de uma função, pertencem a esta função.
havendo uma predominante, mas não exclusiva. Ex.: Prefeitura libera a pista expressa da Mar-
Deve-se ressaltar que a estrutura da mensa- ginal Pinheiros (Folha de São Paulo, 16 de janeiro
gem depende dessa função predominante. Assim, de 2007).
a função referencial (também chamada denota-

9
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Quando a mensagem está centrada no canal, Ex.: Assine uma TV a cabo agora e comece a
falamos da função fática. Temos, nesse caso, tudo pagar somente depois do Carnaval.
o que serve para, numa comunicação, estabelecer,
manter ou encerrar o contato. Finalmente, quando é dada especial relevân-
cia ao código, estamos à frente da função meta-
Ex.: Alô, alô, responde... linguística.
Responde...
Ex.: Quando falamos de funções da lingua-
Já quando a mensagem prioriza o emissor, gem, queremos dizer, da possibilidade que tem a
revelando sua personalidade, estamos à frente da língua de dar, de acordo com a intenção do falante,
função emotiva (ou expressiva). especial destaque a determinados elementos da
comunicação.

Ex.:
Nesse caso, usamos a língua para explicar a
Não serei o poeta de um mundo caduco.
própria língua.

Também não cantarei o mundo futuro.


Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Saiba mais
Entre eles considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos. A função referencial é muito usada em
Não nos afastemos muito, vamos de mãos classificados.
dadas.
A metalinguística é a de que se valem os
(Carlos Drummond de Andrade) dicionários.

A função poética é aquela em que a prio-


ridade está na própria mensagem, colocando em
destaque o lado palpável dos signos (JAKOBSON,
2001).

Ex.:

Vozes veladas, veludosas vozes,


Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
(Cruz e Souza)

Quando ocorre a orientação para o receptor


(destinatário), temos a função conativa. Por isso,
nessa função, é comum observamos o emprego de
verbos no modo imperativo, vocativos e ponto de
exclamação.

10
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

1.4 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a),

Neste capítulo estudamos a Comunicação Humana e as Funções da Linguagem. Em relação à pri-


meira, vimos que ela pressupõe sempre a existência de dois polos: aquele que emite a informação e
aquele que a recebe – emissor/receptor, locutor/alocutário, ouvinte/leitor etc. Quanto às funções da lin-
guagem, vimos que elas são relacionadas aos elementos da comunicação e podem ser classificadas em:
função referencial, função fática, função emotiva, função poética, função conativa e função metalinguís-
tica. O importante é lembrar que, muitas vezes, encontramos mais de uma função num mesmo texto.

1.5 Atividades Propostas

Agora, querido(a) aluno(a), responda às questões abaixo:

1. Quais são os elementos da comunicação?

2. Quais são as funções da linguagem?

a) Quando a prioridade da mensagem está na própria mensagem, temos a função


_____________________.
b) Quando a mensagem dirige-se a um receptor, enfatizando-o, temos a função
_____________________.

Espero que tenha entendido bem essa questão. Então, passemos para outro tópico importante.

11
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
2 TEXTO E TEXTUALIDADE

Querido(a) aluno(a), Para Adidas o Conga: Nacional


Para o outono a folha: Exclusão
Para embaixo da sombra: Guarda-Sol
Texto, etimologicamente, quer dizer tecido, Para todas as coisas: Dicionário
ou seja, trata-se de uma trama na qual se devem Para que fiquem prontas: Paciência
enredar as palavras. Para dormir a fronha: Madrigal
Para brincar na gangorra: Dois
Para fazer uma toca: Bobs
Para beber uma coca: Drops
Dicionário Para ferver uma sopa: Graus
Para a luz lá na roça: 220 volts
Para vigias em ronda: Café
Hoje, o termo ‘texto’ tem a seguinte definição: Para limpar a lousa: Apagador
Para o beijo da moça: Paladar
“s.m. 1. Conjunto de palavras, frases escritas; 2.
Trecho ou fragmento de obra de um autor; 3. Para uma voz muito rouca: Hortelã
Qualquer material escrito destinado a ser fala- Para a cor roxa: Ataúde
do ou lido em voz alta [...].” Para a galocha: Verlon
(HOUAISS, 2003. p. 508) Para ser moda: Melancia
Para abrir a rosa: Temporada
Para aumentar a vitrola: Sábado
Para a cama de mola: Hóspede
Já a Linguística do Discurso procura estudar Para trancar bem a porta: Cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen
os textos como manifestações linguísticas produ-
Para quem não acorda: Balde
zidas por indivíduos concretos em situações con- Para a letra torta: Pauta
cretas, sob determinadas condições de produção Para parecer mais nova: Avon
(KOCK, 1997), entendendo-os numa situação inte- Para os dias de prova: Amnésia
racionista. Pra estourar pipoca: Barulho
Para quem se afoga: Isopor
Para que melhor possamos compreendê-los Para levar na escola: Condução
nessa perspectiva, analisemos as sequências a se- Para os dias de folga: Namorado
guir: Para o automóvel que capota: Guincho
Para fechar uma aposta: Paraninfo
Para calar a boca: Rícino Para quem se comporta: Brinde
Pra lavar a roupa: Omo Para a mulher que aborta: Repouso
Para viagem longa: Jato Para saber a resposta: Vide - o - Verso
Para difíceis contas: Calculadora Para escolher a compota: Jundiaí
Para o pneu na lona: Jacaré Para a menina que engorda: Hipofagi
Para a pantalona: Nesga Para a comida das orcas: Krill
Para pular a onda: Litoral Para o telefone que toca
Para lápis ter ponta: Apontador Para a água lá na poça
Para o Pará e o Amazonas: Látex Para a mesa que vai ser posta
Para parar na pamplona: Assis Para você o que você gosta
Para trazer à tona: Homem - Rã Diariamente
Para a melhor azeitona: Ibéria (REIS, 1991).
Para o presente da noiva: Marzipã

13
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Quando lemos esse texto, num primeiro mo- composição que Paula Toller dedicou a seu filho
mento, temos a impressão de que se trata de um Gabriel, com as perguntas que ele, costumeira-
amontoado de frases pouco significativas. Contu- mente, lhe fazia. A música chama-se Oito anos e foi
do, se a inserirmos em seu contexto, passamos a gravada por Adriana Calcanhoto.
entendê-la como texto. Então, vamos lá: a sequên- Agora, preste atenção a este segmento:
cia é uma composição de Nando Reis, gravada por
Marisa Monte, intitulada Diariamente. O texto rela-
LA VARIÉTÉ ET LA FANTAISIE DE MA VIE
ta os fatos do cotidiano de uma pessoa que vive DE TOUS LES JOURS
numa região urbana, possivelmente, na cidade de Tous les jours de la semaine, je ne me lève
São Paulo. jamais a la même heure et ce n’est jamais
la même chose.
O mesmo ocorre com a seguinte sequência:
Mes jours sont fous, fous, fous!
Lorsque je me lève, je ne suis pas pressé...
Por que você é Flamengo? Je vois et je choisis, c’est ça? Qu’il faut
E meu pai Botafogo? faire...
O que significa “Impávido Colosso”? Je déjeune chaque jour à un restaurant
Por que os ossos doem? différent.
Enquanto a gente dorme? L’après-midi je vais au cinéma, ou pour les
Por que os dentes caem? courses, ou jouer le bowling, au bien aux
Por onde os filhos saem? shoppings...
Por que os dedos murcham? Je fais de promenade, promenade, pro-
Quando estou no banho? menade...
Por que as ruas enchem? Naturellement, je ne peux pas travailler!
Quando está chovendo? Les soirs je m’amuse à quelque show, ou
Quanto é mil trilhões? théâtre, ou rendez-vous chez un ami...
Vezes infinito?
Les personnes ne me retrouvent jamais!
Quem é Jesus Cristo?
(GIRAFAMANIA, 2010).
Onde estão meus primos?
Well, well, well Gabriel? Essa sequência só será texto àqueles que
Well, well, well? dominam a língua em que foi escrita, o francês; os
Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
demais reconhecerão a sequência, mas, como não
Por que a Terra roda? interagem com ela, não conseguindo depreender-
Por que deitar agora? -lhe um sentido, será um não texto.
Por que as cobras matam? Nesse sentido, seguindo os passos de Kock
Por que o vidro embaça?
e Travaglia (1990), podemos compreender texto
Por que você se pinta?
Por que o tempo passa? como:
Por que que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
Por que o sangue corre? Atenção
Por que que a gente morre?
Do qué é feita a nuvem? Texto = uma unidade linguística concreta
Do que é feita a neve? (perceptível pela visão ou audição), que é
Como é que se escreve tomada pelos usuários da língua (falante,
Reveillon? escritor/ouvinte, leitor), em uma situação
Well, well, well, Gabriel. de interação comunicativa, como uma uni-
(DUNGA; TOLLER, 2004). dade de sentido e preenchendo uma fun-
ção comunicativa reconhecível e reconhe-

cida, independentemente da sua extensão.
Se não reconhecermos a sequência, inad-
vertidamente, podemos julgá-la um amontoado
de perguntas sem nexo e, portanto, um não texto.
Contudo, novamente, temos aqui a letra de uma
14
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

Vejamos agora, brevemente, o que é coesão


Saiba mais e coerência.
O texto deve ter textualidade.
Textualidade: aquilo que converte uma sequência lin-
guística em texto (KOCK; TRAVAGLIA, 1990), isto é, ser
todo, coeso e coerente para seus usuários.

2.1 Coesão

Leia com atenção: Podem, também, “amarrar” elementos que


serão ainda mencionados no texto, ocorrendo, en-
Fávero (1999, p. 10) assim define coesão: “A tão, a chamada catáfora.
coesão, manifestada no nível microtextual, refere-
-se aos modos como os componentes do universo Ex.: Fui ao mercado e comprei todos os itens
textual, isto é, as palavras que ouvimos ou vemos, de que precisava, menos estes: arroz, batata e azei-
estão ligados entre si dentro de uma sequência.” te.
Podemos dizer, portanto, que coesão é o
nome com que designamos as estratégias de li- Bem utilizar esses elementos auxilia bastante
gação utilizadas num texto para torná-lo todo, ou na boa escritura de uma sequência, mas não é só
seja, o uso de elementos capazes de estabelecer isso. Vejamos, agora, outro elemento responsável
elos, os quais podem “amarrar” elementos mencio- pela textualidade, capaz de ajudar na produção
nados anteriormente no texto, ocorrendo, então, o textual.
que os estudiosos chamam de anáfora. Vamos ver outros exemplos de textos coesos
para você entender bem essa questão:
Ex.: Fiz todos os exercícios indicados pela
professora, mas minha amiga Carla não os fez (isto
é, não fez os exercícios).

Texto 1

Mais de um milhão de jovens estão “presos” no ensino fundamental


Dados do Censo Escolar da Educação Básica de 2011 apontam que mais de um milhão de jovens estão “presos” no
ensino fundamental. Os jovens têm mais de 14 anos e encontram-se nessa posição por conta de reprovações ou outros
fatores que impedem o ingresso no ensino médio. O número de mais de um milhão de alunos estacionados no ensino
fundamental é a diferença entre a população com mais de 14 anos e o número de matriculados no ensino fundamental,
que atende justamente o público entre 6 e 14.

Fonte: Alberti (2012).

15
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Texto 2

Mais de 60.000.000 de adultos não tem o Ensino Médio


Segundo dados do IBGE e MEC, na realidade o número é ainda maior do que esses 60 milhões, pois não foram aqui con-
tabilizados os analfabetos (15 milhões) e os com menos de 3 anos de estudo, considerados analfabetos funcionais (outros
15 milhões).
Podemos imaginar o que isso significa para essas pessoas e para o país como um todo. Apagão de mão de obra, meno-
res e piores oportunidades de empregos, gargalo no Ensino Superior com sobra de vagas e consequentemente uma grande
redução no potencial de crescimento do PIB nacional. Mas uma possível solução está surgindo, como veremos mais adiante.
Vemos que as estatísticas e as autoridades educacionais no País são exclusivamente focadas nas crianças e jovens. O
índice principal a ser acompanhado é a taxa de escolarização, que significa verificar quantas pessoas estão no nível escolar
correto em relação à sua idade.
Mas, e aqueles que por um motivo qualquer abandonaram os estudos e não completaram o Ensino Médio? São solene-
mente ignorados.
Mesmo a iniciativa privada, representada pelo belo programa “TODOS PELA EDUCAÇÃO” que estabeleceu 5 metas para
acompanhar a situação da Educação no Brasil, passou ao largo desse problema ao estabelecer como uma das suas 5 boas
metas para 2022:
“Meta 4 - Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos”.
Certamente essa meta pode ser integralmente cumprida sem que um único daqueles 60.000.000 de brasileiros conclua
o Ensino Médio.
Esse é um grande desafio: Permitir que milhões de brasileiros deem um salto na sua escolaridade e se incorporem ao
mercado de trabalho em um novo patamar.
Em 2009 o MEC tomou uma decisão importantíssima e que ainda não foi suficientemente divulgada. O ENEM vale para
certificação do Ensino Médio, como se fosse um exame Supletivo. Isso está estabelecido na Portaria 109 de 27/03/2009,
significando um direcionamento claro na linha da certificação de conhecimento.
“Art 2o. Constituem objetivos do ENEM... V- Promover a certificação de Jovens e Adultos no nível de conclusão do Ensino
Médio nos termos do artigo 38, parágrafos 1o. e 2o. da Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)”.
A regra vale para os maiores de 18 anos e não depende de nenhum outro pré-requisito. Os alunos precisam atingir 400
pontos nas provas objetivas e 500 na redação (Não é um índice qualquer. É a média do Ensino Médio).
Claramente, esse é um enorme problema para um país que pretende aumentar a escolaridade da sua população, e
ainda aumentar bastante o percentual de pessoas com Nível Superior concluído. Isso sem considerar que são poucos os
empregos que aceitam pessoas com escolaridade menor que o Ensino Médio completo.
Hoje menos de 9.000.000 de estudantes estão cursando o Ensino Médio regular em todo o Brasil, chegando a 10,5 mi-
lhões se somados aos que estão fazendo o EJA (Educação de Jovens e Adultos). Esse é o contingente total administrado por
todas as Secretarias de Educação de todos os estados. Comparando esse número com os 60 milhões anteriormente citados,
vemos que a sala de aula convencional não será solução para esse problema.
Tudo que aqui foi dito, parece não constar das preocupações dos nossos governantes federais, estaduais ou munici-
pais; atuais, passados ou futuros; nem de qualquer partido político.
Está aberto um potencial enorme de preparação de pessoas para fazer o ENEM com o objetivo de certificação do Ensino
Médio. No início, provavelmente de maneira tímida, mas, assim que uma boa parte desses 60.000.000 ainda com disposição
e idade para aprender, perceber que duas vezes por ano poderá fazer os exames de certificação e em pouco tempo concluir
seus estudos de Ensino Médio e até mesmo ingressar em uma Faculdade, essa demanda vai explodir.
Nos dois últimos anos, cerca de 1 milhão de pessoas já fizeram o exame com essa finalidade (Basta assinalar essa opção
na hora da inscrição). E mais de 200 mil passaram.
Acredito que essa demanda, caracterizada como sendo de Educação para adultos, é para ser atendida por meio da
Educação à Distancia (EAD), com cursos preparatórios livres, desenvolvidos com métodos baseados mais na andragogia do
que na pedagogia.
O formato das questões do ENEM, muito inteligente, privilegia o raciocínio em detrimento do “decoreba”. Isso é essencial
para o adulto que abandonou os estudos, mas que vive, produz, trabalha e convive com esse nosso mundo de informações.
Assim, esse cidadão vai poder se preparar na base do auto-estudo, de qualquer lugar, a qualquer momento e no seu
próprio ritmo, podendo conciliar os estudos com o lar e o trabalho.

Fonte: Milet (2012).

16
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

Veja: em ambos os textos, os elementos coe-


sivos (grifados) foram adequadamente emprega- Atenção
dos. A pontuação, os elementos referenciais, todos Quando falamos em UNIDADE, em
estão corroborando para que o texto adquira uni- AMARRAS, portanto, referimo-nos à COE-
dade. SÃO!

2.2 Coerência

E do que será que trata a noção de coerência? f) aceitabilidade;


g) informatividade;
A coerência [...], manisfetada em grande h) focalização;
parte macrotextualmente, refere-se aos
i) intertextualidade;
modos como os componentes do univer-
so textual, isto é, os conceitos e as rela- j) relevância.
ções subjacentes ao texto de superfície,
se unem numa configuração, de maneira
reciprocamente acessível e relevante. As- Resta-nos, ainda, especificar que os textos or-
sim a coerência é o resultado de processos
ganizam-se numa hierarquia de tipos de subtipos.
cognitivos operantes entre os usuários eGuimarães (2004) ensina que, se a intenção se volta
não mero traço dos textos. (FÁVERO, 1999,
p. 10).
fundamentalmente para as estruturas internas do
texto, fica estabelecida uma tipologia de acordo
com a forma de estruturação, sua superestrutura,
Então, a sequência a seguir constituirá texto
ou o mundo em que o texto se inscreve.
para quem a entender como um classificado, con-
corda?
Atenção

Coerência diz respeito ao sentido do


VENDE-SE texto.

Apartamento. 3 dorms. 2 sls. coz. Área


serv. Moema. R$210.000. Tratar com o Os textos citados como exemplos de textos
proprietário: (33) 3333-3333. coesos também são exemplos de textos com coe-
rência, porque têm sentido.
Vamos ver um exemplo de um texto em que
Vários são os elementos responsáveis pela falta coerência:
coerência. Kock e Travaglia (1990) apontam os se-
guintes:
Saí ao meio dia e chovia. Como estava com
a) conhecimentos: linguístico, de mundo, parti- fome, resolvi jantar. Depois disso, saí e fui
lhado, do mundo em que o texto se inscreve; tomar sol...
b) inferências;
c) fatores pragmáticos; Entendeu? Espero que sim!
d) situacionalidade;
e) intencionalidade;

17
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

2.3 Resumo do Capítulo

Neste capítulo estudamos o que é texto (uma unidade de sentido) e quais são os fatores responsá-
veis pela textualidade: coesão, que diz respeito às conexões dentro do texto; e coerências, as relações de
sentido do texto.

Vamos ver se você entendeu o que acabamos de explicar.

2.4 Atividades Propostas

1. Leia a sequência a seguir e responda: é um texto? Justifique sua resposta.

2. Quais elementos são responsáveis pela textualidade?

18
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
3 AS SUPERESTRUTURAS TEXTUAIS

Caro(a) aluno(a), ordem global do texto, e que se compõe de uma


série de categorias, cujas possibilidades de combi-
A noção de superestrutura, emprestada de nação se baseiam em regras convencionais.”
Van Dijk (1983), diz respeito às estruturas globais A autora informa, também, que, embora haja
que caracterizam alguns tipos de textos, indepen- sempre uma estrutura dominante, o texto pode
dentemente de seu conteúdo. apresentar outras. Por exemplo, um texto predo-
Dessa forma, relativamente ao aspecto estru- minantemente narrativo pode apresentar trechos
tural, podemos inscrever os textos em: descritivos, descritivos; o predominantemente dissertativo
narrativos e dissertativos. Essas superestruturas pode trazer, em alguns momentos, trechos que
têm, como afirma Guimarães (2004, p. 65), caráter caracterizam a narração e/ou a descrição. O impor-
convencional e são conhecidas e reconhecidas pe- tante para um estudante do curso de Letras é saber
los falantes da língua, ou seja, “uma superestrutura identificar no todo trechos dessa ou daquela estru-
é um tipo de esquema abstrato que estabelece a tura, cujas características agora apresentamos.

3.1 O Texto Descritivo

O que você entende por descrição? Era um dia abafadiço e aborrecido. A po-
bre cidade de São Luís do Maranhão pa-
recia entorpecida pelo calor. Quase que
Descrever é caracterizar com detalhes obje- se não podia sair à rua: as pedras escalda-
tos, locais, pessoas e situações, apresentando as vam, as vidraças e os lampiões faiscavam
características deles percebidas por meio dos cin- ao sol como enormes diamantes, as pare-
des tinham reverberações de prata polida;
co sentidos. Como é através dos sentidos que es- as folhas das árvores nem se mexiam; as
tabelecemos contato com o mundo à nossa volta, carroças d’água passavam ruidosamente a
podemos dizer que essa estrutura textual é a mais todo o instante, abalando os prédios, e os
primeva, constituindo elementos vitais de nossa aguadeiros, em mangas de camisa e per-
sensibilidade. nas arregaçadas, invadiam sem cerimônia
as casas para encher as banheiras e os po-
“Visão, tato, audição, paladar, olfato são os tes. Em certos pontos não se encontrava
sentidos com que percebemos as coisas do mundo viva alma na rua; tudo estava concentrado,
que se traduzem em formas, cores, texturas, chei- adormecido; só os pretos faziam as com-
pras para o jantar ou andavam no ganho.
ros, sonoridades a serem descobertas.” (AMARAL;
(AZEVEDO, 1997).
ANTÔNIO, 1991, p. 19).
Observemos agora as seguintes sequências:

19
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Trem das Cores


Atenção
A franja na encosta
Cor de laranja Um texto descritivo estará bem produzi-
Capim rosa chá do quando possibilitar essas sensações;
O mel desses olhos luz quando o leitor, ao proceder à sua leitura,
Mel de cor ímpar
O ouro ainda não bem verde da serra
tiver a sensação de estar vendo, presen-
A prata do trem ciando, sentindo o que se está descre-
A lua e a estrela vendo.
Anel de turquesa
Os átomos todos dançam
Madruga
Reluz neblina
Vejamos então, pormenorizadamente, o que
Crianças cor de romã compreende um texto descritivo.
Entram no vagão
O oliva da nuvem chumbo
Ficando
Características do Texto Descritivo
Pra trás da manhã
E a seda azul do papel
Que envolve a maçã
As casas tão verde e rosa Leia o seguinte fragmento (1) da obra Irace-
Que vão passando ao nos ver passar ma, de José de Alencar:
Os dois lados da janela
E aquela num tom de azul

Quase inexistente, azul que não há Iracema, a virgem dos lábios de mel, que
Azul que é pura memória de algum lugar tinha os cabelos mais negros que a asa da
Teu cabelo preto graúna e mais longos que seu talhe de pal-
Explícito objeto meira.
Castanhos lábios O favo da jati não era doce como seu sor-
Ou pra ser exato riso; nem a baunilha recendia no bosque
Lábios cor de açaí
como seu hálito perfumado.
E aqui, trem das cores
Sábios projetos: Mais rápida que a ema selvagem, a mo-
Tocar na central rena virgem corria o sertão e as matas do
E o céu de um azul Ipu, onde campeava sua guerreira tribo,
Celeste celestial da grande nação tabajara. O pé grácil e
nu, mal roçando, alisava apenas a verde
(VELOSO, 1990).
pelúcia que vestia a terra com as primeiras
águas. (ALENCAR, 1990).

A primeira sequência, como se pode obser-
var, é um trecho do romance O mulato, de Aluísio Agora, atente para o seguinte fragmento (2):
Azevedo. Podemos perceber com que precisão o
autor descreve a cidade de São Luís do Maranhão; Iracema saiu do banho; o aljôfar d’água
ainda a roreja, como à doce mangaba que
trechos com sinestesias, como “pedras escaldavam,
corou em manhã de chuva. Enquanto re-
as vidraças e os lampiões faiscavam ao sol como pousa, empluma das penas do gará as fle-
enormes diamantes, as paredes tinham reverbera- chas de seu arco, e concerta com o sabiá
ções de prata polida”, favorecem não só a leitura, da mata, pousado no galho próximo, o
como também a percepção sensorial do texto. canto agreste. (ALENCAR, 1990).

O mesmo acontece com a letra da música


Trem das cores, de Caetano Veloso. Em “O mel des- O primeiro fragmento é descritivo e o segun-
ses olhos luz/E a seda azul do papel/Que envolve a do, narrativo. Como identificar a descrição?
maçã”, temos a impressão de sentir o gosto tanto O texto descritivo é predominantemente fi-
do mel, quanto da maçã; de ver o brilho dos olhos gurativo, ou seja, construído com termos essen-
e de sentir a maciez do papel de seda. cialmente concretos, evocando uma figura, um

20
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

efeito de realidade. “Os textos figurativos produ- Para que se estabeleça a comparação, reto-
zem um efeito de realidade e, por isso, represen- memos o segundo fragmento:
tam o mundo, com seus seres, seus acontecimen-
tos.” (PLATÃO; FIORIN, 1997, p. 89). Iracema saiu do banho; o aljôfar d’água
ainda a roreja, como à doce mangaba que
No fragmento 1, temos como exemplos de
corou em manhã de chuva. Enquanto re-
termos concretos: a morena virgem corria o sertão pousa, empluma das penas do gará as fle-
e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tri- chas de seu arco, e concerta com o sabiá
bo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal da mata, pousado no galho próximo, o
roçando etc. canto agreste. (ALENCAR, 1990).

Outra característica do texto descritivo é que


ele não traz mudança de situação. É estático, repre- Esse é um fragmento narrativo, pois existe
senta o mundo num determinado momento, é re- nele uma relação de anterioridade e posteriorida-
corte. Além disso, naquela instância em que se efe- de: primeiro a índia saiu do banho, depois se pôs
tua a descrição, vários fatos simultâneos podem ser a repousar. A inversão dos fatos prejudicaria a se-
apresentados. Assim, Iracema, quando apreendida quenciação do texto.
pelo narrador, apresentava simultaneamente as se- Podemos perceber também, em ambos os
guintes características: era virgem, tinha lábios de textos, uma diferença no emprego dos tempos ver-
mel; seus cabelos eram mais negros que a asa da bais: no primeiro, predomina o pretérito imperfeito
graúna e mais longos que o talhe de palmeira; seu e, no segundo, o pretérito perfeito. Como a simul-
sorriso era doce como o favo da jati; seu hálito era taneidade é a característica do texto descritivo, os
perfumado, era ainda mais rápida que a ema etc. tempos verbais mais empregados são o presente
Essas características coocorriam, estavam do indicativo e o pretérito imperfeito do indicativo.
todas presentes na mesma instância, podendo, in- Quanto à organização, podemos afirmar que
clusive, ser invertidas no texto; por exemplo: seu se deve elaborar o texto descritivo espacialmente,
sorriso era doce como o favo da jati; seu hálito era isto é, os elementos devem ser descritos de baixo
perfumado, era ainda mais rápida que a ema; era para cima, da esquerda para a direita, de dentro
virgem, tinha lábios de mel; seus cabelos eram para fora etc., para que o leitor possa, paulatina-
mais negros que a asa da graúna e mais longos que mente, ir construindo a imagem daquilo que se
o talhe de palmeira... Isso porque não existe relação está tratando.
de anterioridade, nem de posterioridade no frag-
mento.

3.2 O Texto Narrativo

Parafraseando Humberto Eco (1985), no Pós-


-escrito a O nome da rosa, destacamos:
Dicionário

Narração: s.f. [é] exposição oral ou escrita de um Atenção


fato.”
(HOUIAISS, 2003, p. 364) Narrar é representar um acontecimento
ou uma série de acontecimentos reais ou
fictícios num texto.

21
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Afirma Eco (1985, p. 21): a) narrador: onisciente – de 3ª pessoa:


“Jamais permitiria que seu marido fosse
[...] para contar é necessário primeiramen- para o trabalho...”;
te construir um mundo, o mais mobiliado
possível, até os últimos pormenores. Cons- b) personagens:
trói-se um rio, duas margens, e na margem
 protagonista: a esposa – “Não
esquerda coloca-se um pescador, e se esse
dissessem os colegas que era
pescador possui um temperamento agres-
sivo e uma folha penal pouco limpa, pron- esposa descuidada...”;
to: pode-se começar a escrever, traduzin-
 antagonista: o marido – “Impecável
do em palavras o que não pode deixar de
acontecer.
transitava o marido pelo tempo”;

c) ações: debruçada sobre a tábua; dava


caça às dobras;
Essa citação de Eco, mesmo que indireta-
mente, permite-nos depreender que são cinco os d) tempo: jamais permitiria; um dia
elementos da narração: narrador, personagens, notou a mulher; muitos meses mais
ações, tempo e espaço. tarde;
Leia, agora, o texto a seguir, de Marina Colas- e) espaço: na sua casa, em uma
santi: determinada cidade.

Nunca descuidando do dever
Jamais permitiria que seu marido fosse Além desses elementos, a narração apresen-
para o trabalho com a roupa mal passada, ta, diferentemente da descrição, transformação.
não dissessem os colegas que era espo-
sa descuidada. Debruçada sobre a tábua,
com o olho vigilante, dava caça às dobras,
desfazia pregas, aplainando punhos e pei-
Características do Texto Narrativo
tos, afiando o vinco das calças. E a poder
de ferro e goma, envolta em vapores, al- No texto Nunca descuidando do dever, pode-
cançava o ponto máximo de sua arte ao
mos perceber, entre outras, as seguintes caracterís-
arrancar dos colarinhos liso brilho de ce-
lulóide. ticas:
Impecável, transitava o marido pelo tem-
po. Que, embora respeitando ternos e ca- a) as camisas amassadas ficavam muito
misas, começou subrepticiamente a mar- bem passadas: “[...] alcançava o ponto
car seu avanço na pele e no rosto. Um dia máximo de sua arte ao arrancar dos cola-
notou a mulher um leve afrouxar-se das rinhos liso brilho de celulóide.”;
pálpebras. Semanas depois percebeu que,
no sorriso, franziam-se fundos os cantos b) o marido foi adquirindo rugas no rosto:
dos olhos. “[...] transitava o marido pelo tempo. Que,
Mas foi só muitos meses mais tarde que embora respeitando ternos e camisas,
a presença de duas fortes pregas descen- começou subrepticiamente a marcar seu
do dos lados do nariz tornou-se inegável. avanço na pele e no rosto.”
Sem dizer nada, ela esperou a noite. Tendo
finalmente certeza de que o homem dor-
mia o mais pesado dos sonos, pegou um Mas a transformação mais significativa é a
paninho úmido e, silenciosa, ligou o ferro.
que não está explicitada, ou seja, ao perceber o ros-
to enrugado do marido, a esposa, como um autô-
mato, tem a intenção de passá-lo: “Tendo finalmen-
Observemos que, nesse texto, vislumbramos
te certeza de que o homem dormia o mais pesado
os seguintes elementos da narração:
dos sonos, pegou um paninho úmido e, silenciosa,
ligou o ferro.”

22
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

Além disso, tanto quanto o texto descritivo, o sa descuidada. Debruçada sobre a tábua,
narrativo é figurativo. Lembremo-nos de que esse com o olho vigilante, dava caça às dobras,
desfazia pregas, aplainando punhos e pei-
tipo de texto é construído com palavras concretas,
tos [...] Um dia notou a mulher um leve
cuja função é representar o mundo. Por meio das afrouxar-se das pálpebras. Semanas de-
figuras empregadas, podemos depreender o real pois percebeu que, no sorriso, franziam-se
sentido do texto. No caso de Nunca descuidando fundos os cantos dos olhos. [...]
do dever, figuras como: Mas foi só muitos meses mais tarde que
a presença de duas fortes pregas descen-
do dos lados do nariz tornou-se inegável.
[...] Jamais permitiria que seu marido fos-
Sem dizer nada, ela esperou a noite. Ten-
se para o trabalho com a roupa mal pas-
do finalmente certeza de que o homem
sada, não dissessem os colegas que era
dormia o mais pesado dos sonos, pegou
esposa descuidada. Debruçada sobre a
um paninho úmido e, silenciosa, ligou o
tábua, com o olho vigilante, dava caça
ferro.
às dobras, desfazia pregas [...].
Fonte: www.pensador.uol.com.br.

Permitindo-nos depreender, sublinearmente,


A ordenação temporal, nesse texto, ajuda o
uma crítica às mulheres que, nas décadas de 1960 e
leitor a ir acompanhando as ações da esposa até
1970, viviam apenas e tão somente para o lar, reali-
o inesperado desfecho e, diferentemente do texto
zando robotizadamente as atividades domésticas.
descritivo, a disposição dessas ações não pode ser
Além da figurativização, na narração, a orde-
alterada.
nação é temporal. O texto deve ter uma sequencia-
Como a ordenação temporal é de extrema re-
ção para que o leitor possa acompanhar o desenro-
levância no texto narrativo, os tempos verbais bá-
lar das ações. Assim, vejamos:
sicos são os do subsistema do passado: pretéritos
perfeito, mais que perfeito e imperfeito.1
Jamais permitiria que seu marido fosse
para o trabalho com a roupa mal passada,
não dissessem os colegas que era espo-

3.3 O Texto Dissertativo

xivo que consiste, de maneira geral, em organizar


Dicionário as ideias numa linha de raciocínio. Assim, ensina o
autor, “todas as vezes em que nos valemos da lin-
Dissertação: “s.f. 1. Exposição oral ou escrita; 2. guagem verbal para expor, defender ou contestar
Monografia. Ensaio [...]”. idéias, estaremos utilizando o chamado discurso
(HOUAISS, 2003, p. 174)
dissertativo.”
Platão e Fiorin (1997, p. 252) afirmam que
Mas será que, como superestrutura textual,
“dissertação é o tipo de texto que analisa interpre-
dissertação é só isso? Vamos ver o que dizem al-
ta, explica e avalia os dados da realidade” e relacio-
guns estudiosos do assunto.
nam algumas de suas características, revisadas a
Magalhães (1980, p. 7) assevera que a disser- seguir.
tação ocorre no plano das ideias, do conhecimen-
to, das abstrações. Trata-se de um trabalho refle-

1
Geralmente, mas não exclusivamente. Pode-se usar, por exemplo, o presente do indicativo, com valor atemporal, instaurando
proximidade e verossimilhança ao texto.

23
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Características da Dissertação Dissertação Argumentativa

Diferentemente da anterior, na dissertação


a) É um texto temático, ou seja, discute um argumentativa revelam-se reflexões sobre o assun-
tema, operando, predominantemente,
to, a fim de persuadir o receptor, acompanhando a
com termos abstratos;
linha de raciocínio do que é exposto, a verificar se
b) Mostra mudança de situação, tanto
o raciocínio verbalizado é correto e, nesse sentido,
quanto a narração;
passível ou não de aceitação.
c) Sua ordenação é lógica;
d) O tempo básico empregado na
Uma escolha contra a mulher
dissertação é o presente do indicativo
O aborto é freqüentemente apresentado
com valor atemporal, embora se admita
como um problema de ‘direito das mulhe-
o uso do pretérito perfeito e do futuro do res’. É visto como algo desejável para as
presente. mulheres, e como um benefício ao qual
elas deveriam ter tanto acesso quanto
possível. Na verdade, ser ‘pró-vida’ é visto
como sendo ‘contra os direitos da mulher’.
Atenção
Se você às vezes pensa desta forma, exa-
Dissertar é, de toda forma e de forma su- mine os fatos apresentados aqui. Verá que,
cinta, defender um ponto de vista, uma na verdade, o aborto prejudica a mulher,
opinião. ignora os seus direitos, e as abusa e degra-
da. Qualquer um que se preocupa com a
mulher fará bem em conhecer estes fatos.
Estudos de mulheres que fizeram abor-
to, (veja, por exemplo, o livro do Dr. Da-
Importa esclarecer que há autores que ins- vid Reardon, Aborted Women, Silent No
More), mostram que o aborto não é uma
crevem os textos dissertativos em dois tipos: expo- questão de dar à mulher uma ‘escolha’. É,
sitivos e argumentativos, os quais veremos a seguir. tragicamente, uma situação em que as
mulheres sentiram que não tinham NE-
NHUMA ESCOLHA, sentiram que ninguém
Dissertação Expositiva se importava com elas e com seu bebê,
dando-lhes alternativa alguma a não ser o
aborto. A mulher sente-se rejeitada, con-
É aquela cujo propósito é discorrer sobre o fusa, com medo, sozinha, incapaz de lidar
assunto num sentido meramente informativo. As- com a gravidez - e, no meio disto tudo, a
sim, pode-se dissertar sobre a pena de morte, a sociedade diz-lhe, ‘Nós eliminaremos o seu
problema eliminando o seu bebê. Faça um
juventude brasileira etc., sem que haja posiciona-
aborto. É seguro, fácil, e uma solução legal’.
mento sobre o tema.
O fato é que embora o aborto seja legal
(nos Estados Unidos), ele NÃO é seguro e
A importância de Música Popular Brasi- fácil, nem respeita a mulher. [...].” (CASTE-
leira LÕES, 2002, grifo nosso).
A importância da Música Popular Brasileira no
cenário de nossa cultura é inegável. Pode-se
constatar que a MPB, além de sua relevância Podemos perceber, nesse texto, que, por
como manifestação estética tradutora de nos-
sas múltiplas identidades culturais, apresenta-
exemplo, no trecho: “na verdade, o aborto preju-
-se como uma das mais poderosas formas de dica a mulher, ignora os seus direitos, e as abusa
preservação da memória coletiva e como um e degrada” está expressa a opinião do autor e, para
espaço social privilegiado para as leituras e in-
terpretações do Brasil. (ICCA, 2011).
que ela seja mesmo aceita, passa ele a relacionar os
motivos que o fazem pensar assim.

24
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

Em ambos os tipos de dissertação, atente a escola é um dos ambientes mais propícios para
para a sua organização, que veremos a seguir. isso. Então, nada mais comum que ocorram flertes,
o “ficar” e até mesmo namoros nesse ambiente.
Tendo em mente tanto a delimitação quan-
Organização do Texto Dissertativo
to os objetivos e o tópico frasal, cabe ao autor,
então, elaborar seu texto dissertativo. Se o seu de-
Prezado(a) aluno(a), sejo for produzir um texto argumentativo, esses ar-
Como esse tipo de texto deve mostrar uma gumentos podem ser apresentados de diferentes
organização lógica, deve-se apresentar com bas- maneiras. Seguindo Platão e Fiorin (1997), relacio-
tante clareza: namos três deles:

a) o assunto; a) argumento de autoridade: citam-se


b) a delimitação do assunto; autores ou pessoas de prestígio que te-
nham reconhecido domínio sobre aque-
c) o objetivo;
le saber. No caso da delimitação acima
d) o tópico frasal;
(namoro na escola), poderíamos citar,
e) o desenvolvimento; por exemplo, o psicanalista Içami Tiba,
f) a conclusão. autor de várias obras que tratam da ado-
lescência;
Já falamos, anteriormente, que a dissertação b) argumento baseado no consenso: nes-
é um texto temático, portanto, deve discutir um te caso, valer-nos-íamos de opiniões já
tema. Para que o autor do texto não se perca em aceitas pela maioria da população.
informações redundantes ou desnecessárias, é im- c) argumento baseado em provas con-
portante que proceda à delimitação dele. cretas: poderíamos, no caso de nossa
Por exemplo: Dissertação proposta, fazer uso de pesquisas que
comprovassem que a maioria dos jovens
Tema: NAMORO
namora na escola e que tal fato tem au-
xiliado seu desenvolvimento emocional.
Possíveis delimitações do tema:
ƒƒ Namoro na adolescência;
Para que possamos entender melhor, leiamos
ƒƒ Namoro na melhor idade;
Magalhães (1980, p. 16-17), que assim exemplifica
ƒƒ Namoro na escola. o texto dissertativo:

Escolhida uma delimitação, deve-se propor Muitas normas, antes apenas do âmbito
um objetivo, para que não ocorra fuga do tema. da Moral, passaram ao campo do Direito
pelo fato de o legislador, num momento
Se resolvêssemos escrever sobre namoro na escola, dado, julgar conveniente atribuir-lhes for-
poderíamos estabelecer como objetivo, por exem- ça coercitiva, impondo uma sanção para
plo, mostrar ao leitor que, como a escola é o espaço sua desobediência. Assim, por exemplo,
onde os jovens mais se encontram e se relacionam, no passado era altamente meritório o
fato de o patrão socorrer seu empregado
é normal e saudável que ali comecem sua vida afe-
acidentado. Mas a desobediência a essa
tiva. regra de moral não provocava qualquer
O tópico frasal é aquele sobre o qual incide sanção por parte do Estado. Este, entre-
a essência da informação. Na delimitação anterior, tanto, observando a conveniência de se
impor ao patrão a obrigação de socorrer
poderíamos estabelecer como possível tópico-fra-
seu serviçal infortunado, criou a norma
sal: É na adolescência que se começa a conhecer o de Direito, impondo como obrigação ju-
mundo, a fazer amigos, a descobrir as verdades e rídica aquilo que não passava de mero

25
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

dever moral. Outro exemplo: no passado trata-se de um texto temático, ou seja, o nosso
agia com humanidade o patrão que, antes exemplo discute uma questão jurídica, operando,
de despedir seu empregado, lhe dava um
predominantemente, termos abstratos:
prazo para procurar nova colocação, e ao
romper o contrato de trabalho lhe ofere-
cia uma indenização pelos anos de servi- Muitas normas, antes apenas do âmbito
ços prestados. Talvez isso constituísse um da Moral, passaram ao campo do Direito
dever moral ditado pela preocupação de pelo fato de o legislador, num momento
justiça. Mas o descumprimento de tal de- dado, julgar conveniente atribuir-lhes for-
ver não provocava qualquer sanção por ça coercitiva, impondo uma sanção para
parte do Estado. Parecendo ao legislador sua desobediência. Assim, por exemplo,
conveniente transformar tal preceito de no passado era altamente meritório o fato
Moral em regra de Direito, impõe ao pa- de o patrão socorrer seu empregado aci-
trão o dever de dar aviso prévio e de pres- dentado. [...] (MAGALHÃES, 1980, p. 16-17,
tar indenização ao empregado despedido. grifo nosso).
O descumprimento de tal obrigação, hoje,
provoca uma sanção por parte do Estado.
A regra de Moral transformou-se em regra Mostra, tanto quanto a narração, mudança
de Direito. de situação; neste texto, o autor aponta para fatos
que passaram de atitudes morais para deveres im-
postos pelo Direito:
Neste texto, temos, portanto:

[...] Este, entretanto, observando a conve-


a) assunto: Direito; niência de se impor ao patrão a obrigação
b) delimitação: Direito e moral; de socorrer seu serviçal infortunado, criou
a norma de Direito, impondo como obri-
c) objetivo: mostrar que muitas normas
gação jurídica aquilo que não passava de
morais transformaram-se em normas ju- mero dever moral.
rídicas por razão de conveniência social; [...] O descumprimento de tal obrigação,
d) tópico frasal: “Muitas normas, antes hoje, provoca uma sanção por parte do
apenas do âmbito da Moral, passaram Estado. A regra de Moral transformou-se
em regra de Direito. (MAGALHÃES, 1980,
ao campo do Direito pelo fato de o legis- p. 16-17).
lador, num momento dado, julgar con-
veniente atribuir-lhes força coercitiva,
impondo uma sanção para sua desobe- Sua ordenação é lógica e, como já apontado,
diência”; há no texto um tópico frasal, o desenvolvimento e
e) desenvolvimento (argumentos basea- a conclusão.
dos em provas concretas): Os tempos verbais empregados nessa disser-
1. o socorro patronal obrigatório ao tação são: pretéritos perfeito e imperfeito do indi-
empregado acidentado; cativo, quando o autor remete o leitor ao passado,
2. a obrigação jurídica de dar aviso e presente, quando aponta para o resultado da
prévio e de prestar indenização ao ação pretérita:
empregado despedido;
f) conclusão: “A regra de Moral transfor- [...] Outro exemplo: no passado agia com
mou-se em regra de Direito.” humanidade o patrão que, antes de des-
pedir seu empregado, lhe dava um prazo
para procurar nova colocação, e ao romper
o contrato de trabalho lhe oferecia uma
Além disso, podemos perceber que o texto
indenização pelos anos de serviços pres-
dissertativo tem algumas características que lhe tados. Talvez isso constituísse um dever
são peculiares. Vejamos quais são. moral ditado pela preocupação de justiça.
Primeiramente, como pudemos perceber, Mas o descumprimento de tal dever não
provocava qualquer sanção por parte do

26
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

Estado. Parecendo ao legislador conve-


niente transformar tal preceito de Moral
Saiba mais
em regra de Direito, impõe ao patrão o
dever de dar aviso prévio e de prestar in-
denização ao empregado despedido. O Conhecer as superestruturas textuais é
descumprimento de tal obrigação, hoje, muito importante, porque orienta a lei-
provoca uma sanção por parte do Estado. tura do texto!
A regra de Moral transformou-se em re-
gra de Direito. (MAGALHÃES, 1980, p. 16-
17, grifo nosso).

3.4 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a),

Neste capítulo vimos as superestruturas textuais. Aprendemos primeiramente que temos três su-
perestruturas básicas de organização textual: descrição, narração e dissertação. A primeira, a descri-
ção, refere-se à capacidade de fornecer ao leitor um retrato da situação, pessoa, lugar etc. que se deseja
descrever. Para isso o texto deve ter, principalmente, uma organização espacial; a segunda, a narração,
refere-se à capacidade de fornecer ao leitor um evento, uma história e, nesse sentido, o texto deve ter,
predominantemente, organização temporal. Por último, vimos a dissertação. Esse é um texto objetivo
cuja organização deve ser lógica. Será que você compreendeu bem esse assunto? Vamos treiná-lo, então.

3.5 Atividades Propostas

1. Reúna todas as informações dadas anteriormente a respeito do texto descritivo e leia a seguin-
te poesia de Manoel Bandeira, observando os traços da descrição e explicitando-as a seguir:

Segunda canção do beco

Teu corpo moreno


É da cor da praia.
Deve ter o cheiro
Da areia da praia.

Deve ter o cheiro


Que tem ao mormaço
A areia da praia.

Teu corpo moreno


Deve ter o gosto
De fruta de praia.
Deve ter o travo,
Deve ter a cica
Dos cajus da praia.
Não sei, não sei, mas
Uma coisa me diz
Que o teu corpo magro
Nunca foi feliz.

27
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

2. Leia atentamente o seguinte texto, buscando visualizar nele os elementos da narração já dis-
cutidos. Explique-os a seguir:

DESTA ÁGUA NÃO BEBERÁS


Carlos Drummond de Andrade

- Por que Demétrio não se casa? Era a indagação geral! Demétrio namorava, noivava, não casava.
Sete dias antes do casamento, olha aí Demétrio fugindo. As versões eram múltiplas. A noiva é que o
despedira. Tiveram uma briga feia. Gênios incompatíveis. Mal secreto. Intrigas.
Demétrio continuava a namorar, noivar e não casar. Não lhe faltavam noivas, pois era agradável,
tinha status. Quanto mais se desmanchavam seus projetos de casamento, mais apareciam mulheres
dispostas ao desafio, exclamando:
- A mim ele não deixa na porta do Mosteiro de São Bento.
Deixava. E quanto mais deixava, mais seu prestígio crescia. Concluiu-se que era sua maneira de afir-
mar-se.
Então Livaniuska decidiu enfrentá-lo. Noivou com ele e, uma semana antes do casamento, deu-lhe
o fora solene. Demétrio quis reagir, explicou à repórter social que ele é que tomara a iniciativa, mas
a mentira foi patente. Livaniuska foi contratada como atriz por uma emissora de TV e ficou célebre.
Daí por diante ela repetiu a carreira de Demétrio, noivando e desmanchando com inúmeros cava-
lheiros. No fim de cinco anos, Livaniuska e Demétrio casaram-se para sempre, como era fácil de pre-
ver, mas ninguém previu.

3. Leia atentamente o texto a seguir, buscando visualizar nele os elementos da dissertação já


discutidos. Complete o proposto na sequência:

Uso de álcool na gravidez traz riscos ao bebê

A ingestão de álcool durante a gravidez pode acarretar uma série de problemas na formação do
feto. A manifestação mais severa é a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) que causa desde malformações
craniofaciais, retardamento no crescimento até a incapacidade de desenvolvimento mental.
O fato de um grande número de mulheres beberem socialmente e a maioria das gestações não
serem planejadas aumentam o risco de ocorrer a SAF. “Pode haver um desconhecimento do estado
gestacional nos primeiros meses. Isso implica muitas vezes a exposição do embrião ao etanol, princi-
palmente no período mais crítico e sensível da gestação”, explica Cristiana Corrêa, professora da Facul-
dade de Ciências Farmacêuticas, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Geralmente, a incidência da SAF oscila entre 0,4 a 3,1 casos por 1000 nascimentos. Entre os filhos
de mães alcoólatras estima-se que 30% a 40% dos recém nascidos venham a apresentar a doença.
Ainda não foi definida a quantidade mínima de álcool ingerida capaz de afetar o feto.
As maiores conseqüências da SAF são: restrição no crescimento, com decréscimo inferior a 10%
no peso e no comprimento; envolvimento do Sistema Nervoso Central, apresentando, entre outros
problemas, disfunção comportamental, hiperatividade, dificuldade de adaptação social, e anomalias
faciais.
A prevenção da SAF, na opinião de Corrêa, só será possível através de um sistema articulado de
intervenção terapêutica na mãe alcoólatra, programas educacionais nas comunidades, identificação
precoce da doença e acompanhamento das crianças afetadas pela síndrome. (CASTELÕES, 2002).

Assunto: ___________________________________________________
Delimitação: ________________________________________________
Objetivo: __________________________________________________
Tópico frasal: ______________________________________________

28
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
4 CONSTITUIÇÃO DO TEXTO

Relembrando a Noção de Texto


Atenção
Caro(a) aluno(a), Texto pode ser compreendido como
Para que acompanhe bem o conteúdo daqui uma unidade de sentido que depende
para frente, vamos nos lembrar das noções de texto de uma série de fatores, ligados tanto à
e textualidade aprendidas no início deste material. coerência quanto à coesão.

Texto e Textualidade Por outro lado, discurso é mais abrangente


Como vimos, texto, etimologicamente, quer e, de acordo com a Análise do Discurso de linha
dizer tecido, ou seja, trata-se de uma trama na qual francesa, ele é entendido como o espaço em que
se devem enredar as palavras. emergem as significações (BRANDÃO, 2002). Mas,
Já a Linguística do Discurso procura estudar o que comporta essa significação? Primeiramente,
os textos como “manifestações linguísticas produ- temos de entender que o discurso de que tratamos
zidas por indivíduos concretos em situações con- se faz na e pela língua, ou seja, as significações se-
cretas, sob determinadas condições de produção” rão observadas em sua formação discursiva, soma-
(KOCK, 1997, p. 11), entendendo-os numa situação da às suas condições de produção, norteadas pela
interacionista. sua formação ideológica.
Dessa forma, a noção de discurso pode ser
vista como múltipla e analisá-lo é, de acordo com
Dicionário Foucault (1990, p. 187), “fazer desaparecer e reapa-
recer as contradições é mostrar o jogo que jogam
Linguística é a ciência da linguagem.
entre si; é manifestar como pode exprimi-las, dar-
-lhes corpo, ou emprestar-lhes uma fugidia apa-
rência.” Isso quer dizer que analisar um discurso é
Para Val (1999, p. 3), texto (escrito ou falado) é buscar esses elementos de dispersão, os diversos
a “unidade linguística comunicativa básica” utiliza- discursos que comporta, os textos que com ele dia-
da pelos falantes de uma língua para se comunicar logam.
e será bem compreendido quando comportar três E há várias maneiras de os textos conversa-
aspectos fundamentais: o pragmático (atuação in- rem entre si e com os discursos, como veremos a
formacional e comunicativa), o semântico-concei- seguir.
tual (relacionado à compreensão, à cognição, por-
tanto, da coerência) e o formal (de sua organização,
ou seja, de sua coesão).

29
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

4.1 Intertextualidade

De acordo com Kristeva (1974, p. 64) “todo é conseguida por meio de atenta observação por
texto se constrói como um mosaico de citações. parte do leitor, porque o novo texto mantém al-
Todo texto é absorção e transformação de um ou- guns aspectos, tanto formais quanto de sentido,
tro texto” , ou seja, como fala Bakhtin (1988), ne- dos originais; em sentido estrito, que pode apare-
nhum discurso é neutro, mas sempre formado por cer tanto implicitamente – por meio da divulga-
outros que lhe foram anteriores no tempo, pois é ção de sua ideologia e retórica – quanto explicita-
produzido por um sujeito descentrado, assumindo mente – por meio da revelação direta do texto do
diferentes vozes sociais, que o tornam um sujeito qual se origina.
histórico e ideológico. Paulino, Walty e Cury (1997) indicam oito
Fiorin (2003, p. 32) ensina que “a intertextuali- possibilidades de a intertextualidade se revelar,
dade é o processo de incorporação de um texto em isto é, por meio de epígrafe, citação, referência, alu-
outro, seja para reproduzir o sentido incorporado, são, paráfrase, paródia, pastiche e tradução. Esses
seja para transformá-lo.” Já Brandão (2002, p. 76) autores entendem a sociedade como uma grande
aponta dois tipos de intertextualidade: uma inter- rede intertextual e dão ao espaço cultural um lugar
na, na qual um “discurso se define por sua relação de relevância, pois cada produção dialoga necessa-
com o discurso do mesmo campo, podendo diver- riamente com outras.
gir ou apresentar enunciados semanticamente vi- Fiorin (2003) e Sant’Anna (1988) apontam di-
zinhos aos que autoriza sua formação discursiva”; e ferentes maneiras de a intertextualidade ocorrer. O
uma externa, “na qual o discurso define uma certa primeiro identifica três processos: a citação, a alu-
relação com outros campos”. são e a estilização; o segundo, quatro: a paródia, a
Kock (1986) também aponta a possibilidade paráfrase, a estilização e a apropriação. Como é a
de se observar a intertextualidade de duas manei- proposta de Sant’Anna que mais atende aos nossos
ras: em sentido amplo, que ocorre implicitamen- propósitos, estudá-la-emos pormenorizadamente
te, ou seja, a identificação dos textos em diálogo a seguir.

4.2 Paródia

Todo mundo sabe o que é paródia? Vamos maneira de ler o convencional, ou seja, é um processo
ver o que dizem os estudiosos da Linguística Tex- de liberação do discurso, uma tomada de consciência
tual. crítica.
Fávero (2003, p. 49) vai à etimologia para con- Parodia-se um texto para negá-lo, já que a
ceituar o termo: “Paródia significa canto paralelo linguagem, nesse tipo de produção, é dupla: as
(de para = ao lado de e ode = canto), incorporan- vozes que dialogam nos dois discursos se cruzam
do a idéia de uma canção, cantada ao lado de ou- tanto horizontal (produtor x receptor) quanto ver-
tra, como uma espécie de contracanto.” Sant’Anna ticalmente (texto x contexto) (FÁVERO, 1999).
(1988) completa, asseverando que ela tem uma Temos, em nossa literatura, muitos exem-
função catártica, funcionando como contraponto plos de paródia. Jô Soares, na época de cassação
com os momentos de muita dramaticidade. Além do então presidente Fernando Collor de Melo, uti-
disso, a paródia faz uma reapresentação daquilo lizando-se da mesma estrutura da nossa Canção do
que havia sido recalcado, sendo uma nova e diferente exílio, escreveu:

30
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

Canção do Exílio às Avessas Recordemo-nos do original, de Gonçalves


Dias:
Jô Soares

Canção do Exílio
Minha Dinda tem cascatas
Onde canta o curió Gonçalves Dias
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.
Minha Dinda tem coqueiros Minha terra tem palmeiras,
Da Ilha de Marajó Onde canta o sabiá;
As aves, aqui, gorjeiam As aves, que aqui gorjeiam,
Não fazem cocoricó. Não gorjeiam como lá.
   
O meu céu tem mais estrelas Nosso céu tem mais estrelas,
Minha várzea tem mais cores. Nossas várzeas têm mais flores,
Este bosque reduzido Nossos bosques têm mais vida,
deve ter custado horrores. Nossa vida mais amores.
E depois de tanta planta,  
Orquídea, fruta e cipó, Em cismar, sozinho, à noite,
Não permita Deus que eu tenha Mais prazer encontro eu lá;
De voltar pra Maceió. Minha terra tem palmeiras,
 [...]  Onde canta o sabiá.
No meio daquelas plantas  
Eu jamais me sinto só. Minha terra tem primores,
Não permita Deus que eu tenha Que tais não encontro eu cá;
De voltar pra Maceió. Em cismar – sozinho, à noite –
Pois no meu jardim tem lagos Mais prazer encontro eu lá;
Onde canta o curió Minha terra tem palmeiras,
E as aves que lá gorjeiam Onde canta o sabiá.
São tão pobres que dão dó.  
  Não permita Deus que eu morra,
Minha Dinda tem primores Sem que eu volte para lá;
De floresta tropical. Sem que desfrute os primores
Tudo ali foi transplantado, Que não encontro por cá;
Nem parece natural. Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Olho a jabuticabeira Onde canta o sabiá.
dos tempos da minha avó.
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió. O dialogismo entre os textos é inquestioná-
  vel, revelando, também, a característica primordial
Até os lagos das carpas da paródia: temos aqui cantos paralelos aos de
São de água mineral.
Da janela do meu quarto Gonçalves Dias, mas, ao mesmo tempo em que fa-
Redescubro o Pantanal. zem com que nossa memória textual retome o ori-
Também adoro as palmeiras ginal, seu lado humorístico faz com que eles nunca
Onde canta o curió. se encontrem, como imagens invertidas num espe-
Não permita Deus que eu tenha
lho (SANT’ANNA, 1988).
De voltar pra Maceió.
  Num texto acadêmico, podemos fazer uso da
Finalmente, aqui na Dinda, paródia quando, especialmente, partindo de um
Sou tratado a pão-de-ló. texto original, inauguramos outro paradigma, uma
Só faltava envolver tudo
evolução do primeiro, numa oposição, numa crítica
Numa nuvem de ouro em pó.
E depois de ser cuidado tecida com humor e ironia, expondo sua contrai-
Pelo PC, com xodó, deologia.
Não permita Deus que eu tenha
De acabar no xilindró.

31
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Ex.: (1) Texto fonte: (2) Texto derivado:

Salários têm melhores reajustes em 10 anos Eles conseguem fazer com que seus salários
Balanço divulgado pelo Dieese (Departamento tenham melhores reajustes em 10 anos. Balanço
Intersindical de Estatística e Estudos Sócio- divulgado pelo Dieese (Departamento de
Econômicos) mostra que, em 2005, 72% dos Infâmias, Enrolação e Embuste Sem Escrúpulos)
reajustes salariais foram maiores do que a mostra que, em 2005, 72% dos reajustes
inflação, melhor desempenho já constatado. salariais dos políticos foram maiores do que a
Fonte: Adaptado de www.pt.org.br. inflação, maior roubalheira e sem-vergonhice já
constatada.

Como se pode perceber, embora os dois textos mantenham um diálogo entre si, a paródia subverte
o sentido do primeiro, retoma-o para o negar, para o ironizar, caminhando ao seu lado como se fosse sua
imagem invertida. Diferente é a paráfrase, como veremos a seguir.

4.3 Paráfrase

Para que possamos compreendê-la melhor,


Dicionário tomemos como exemplo a mesma Canção do exílio
e vamos ver algumas paráfrases elaboradas a partir
Paráfrase: “(1) sf. interpretação ou tradução em
que o autor procura seguir mais o sentido do
dela:
texto que sua letra: metafrase; (2) interpretação,
explicação ou nova apresentação de um texto I – Canção do Exílio (Casimiro de Abreu)
que visa torná-lo mais inteligível ou que sugere
novo enfoque para o seu sentido.”
(HOUAISS, 2001, p. 2127)
Se eu tenho de morrer na flor dos anos
Meu Deus! não seja já;
Sant’Anna (1988) afirma que o termo ‘para- Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
-phrasis’ (que já no grego significava continuidade Cantar o sabiá!
ou repetição de uma sentença) pode ser conside-
rado, grosso modo, uma reafirmação, por meio de Dá-me os sítios gentis onde eu brincava.
outras palavras, do mesmo sentido de uma obra
Lá na quadra infantil;
escrita, ou seja, pode-se considerar a paráfrase a
Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
tradução ou a transcrição de um texto primitivo.
O céu do meu Brasil!
Nesse sentido, Derrida (2002) ensina que o
tradutor deve resgatar, absolver, resolver o tex-
Se eu tenho de morrer na flor dos anos
to original e quando “cria” é como um pintor que
Meu Deus! não seja já!
“copia” seu “modelo”. Por sua vez, Benjamin (1996,
p. 108) diz que “a natureza engendra semelhanças”, Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
bastando, para entender isso, pensar-se na mímica. Cantar o sabiá!

Portanto, diferentemente da paródia, a pará-


frase é a frase paralela, ou seja, uma releitura do Quero ver esse céu da minha terra
original. Se, na primeira, temos a ruptura, a crítica Tão lindo e tão azul!
sutil; na segunda, ficamos à frente de uma releitura, E a nuvem cor-de-rosa que passava
de uma reprodução. Correndo lá do sul!

32
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

Quero dormir à sombra dos coqueiros, André (1988) assevera que muitas são as for-
As folhas por dossel; mas como utilizamos a paráfrase no texto acadê-
E ver se apanho a borboleta branca, mico:
Que voa no vergel!
a) podemos reproduzir, com outras pala-
Quero sentar-me à beira do riacho vras, o mesmo pensamento do texto, se-
Das tardes ao cair, guindo a ordem do discurso original;
E sozinho cismando no crepúsculo
b) podemos reproduzir o texto, com outras
Os sonhos do porvir!
palavras, mas buscando esclarecer, para
os leitores de outro nível (nesse caso,
Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
portanto, motivado pelos objetivos), vo-
Meu Deus! não seja já;
cábulos ou expressões que julgamos im-
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
portante elucidar;
A voz do sabiá!
c) podemos, ao reproduzir o texto, ampliar
as informações sobre ele, seu autor, a
Quero morrer cercado dos perfumes
obra, o estilo etc., na medida em que es-
Dum clima tropical,
sas informações sejam cabíveis e relevan-
E sentir, expirando, as harmonias
tes para sua melhor compreensão;
Do meu berço natal!
d) podemos, finalmente, fazer um decal-
As cachoeiras chorarão sentidas que, ou seja, seguindo a estrutura do
Porque cedo morri, texto original, substituir a ideia inicial por
E eu sonho no sepulcro os meus amores outra que com ela esteja associada.
Na terra onde nasci!
Assim, podem ser produzidos diversos tipos
Se eu tenho de morrer na flor dos anos, de textos acadêmicos, como fichamentos, resumos
Meu Deus! não seja já; e resenhas de textos, como veremos adiante.
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Vamos agora para outra forma como pode se
Cantar o sabiá!
dar a intertextualidade.

II – Canção do Exílio (Mário Quintana)


Minha terra não tem palmeiras
Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

III - Canção do Exílio (Mário de Andrade)


Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo

33
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

4.4 Estilização

A palavra ‘estilização’ deriva de estilo que, Quais elementos, no texto acima, nos indi-
de acordo com Houaiss (2001, p. 1254) significa “o cam tratar-se de uma estilização? Ao aludir ao tex-
modo pelo qual um indivíduo usa os recursos da to de Gonçalves Dias, o autor manteve, em vários
língua para expressar, verbalmente ou por escrito, momentos, a mesma construção sintática do texto
pensamentos, sentimentos, ou para fazer declara- de origem.
ções, pronunciamentos etc.”
Então, Sant’Anna (1988) define estilização
Ex.: sujeito + verbo transitivo direto + obje-
como uma forma de tomar aquele estilo de outrem,
estabelecendo um desvio tolerável e produzindo to direto (oração principal):
um meio do caminho entre a paródia e a paráfrase.
Já para Fiorin (2003), Minha terra tem palmeiras

Minha terra tem macieiras da Califórnia.


a estilização é a reprodução do conjunto
dos procedimentos do ‘discurso de ou-
trem’, isto é, do estilo de outrem. Estilos de- Oração subordinada adjetiva:
vem ser entendidos aqui como o conjunto
das recorrências formais tanto no plano da
expressão quanto no plano do conteúdo Onde canta o sabiá
(manifestado, é claro) que produzem um
Onde cantam gaturamos de Veneza.
efeito de sentido de individualização.

Esclarece, ainda, Fiorin que a estilização pode Além disso, é mantido o presente do indicati-
ser polêmica ou contratual. Entendemos que a esti- vo e, quanto ao léxico, observamos que o texto de
lização, em sentido estrito, pode ser uma forma de Murilo Mendes insere o cotidiano no esquema da
alusão, já que, ao citar, temos uma menção ao dis- nostalgia e que o efeito poético de distanciamento
curso de outrem, de maneira indireta, ou seja, por do modelo que obtém não elide, contudo, a reve-
meio da utilização do estilo do texto de origem. rência – irônica é verdade – à matriz da saudade
Vamos ver, agora, a estilização que Murilo nacional, tornando-se, ao mesmo tempo, polêmico
Mendes elaborou a partir da Canção de Exílio de e contratual.
Gonçalves Dias:

Canção do Exílio

Minha terra tem macieiras das Califórnia


onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
Eu morro sufocado em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!

34
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

4.5 Apropriação

Sant’Anna (1988) ensina que essa forma de A apropriação pode ser de dois tipos:
intertexto é bastante recente na crítica literária e
chegou à Literatura por meio das Artes Plásticas, a) de primeiro grau: quando é o próprio
especialmente pelas experiências dadaístas. Tam- objeto que entra em cena;
bém conhecida como assemplage (reunião, agru- b) de segundo grau: quando ele é repre-
pamento), é muito próxima da colagem, ou seja, sentado, traduzido para outro código.
trata-se da reunião de materiais diversos para a
composição de algo.
Embora recente seu estudo, essa técnica é, de O chargista e humorista Caulus fez o sabiá
acordo com o autor, antiquíssima, pois usa de um voar dos versos saudosistas para a denúncia eco-
artifício muito conhecido na elaboração artística: o lógica, no grafismo leve e tocante do exílio de sua
deslocamento, que, por meio do desvio, provoca própria palmeira:
um estranhamento.

Fonte: www.comcienci0a.br/carta/migracoes.

Em outras palavras, o artista apropriou-se do chamar a atenção para alguma coisa.” (SANT’ANNA,
original e o transpôs para outro código, fazendo 1988, p. 45).
surgir, como disse Maserani (1995) um novo texto. José Paulo Paes, no melhor estilo do sinte-
Nesse sentido, podemos dizer que, ao fazer uso da tismo antidiscursivo das grandes vanguardas mo-
apropriação, “o artista está querendo desarrumar, dernistas, fez o resumo da poesia, despojando-a de
inverter, interromper a normalidade cotidiana e acessórios:

35
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Estudando os quatro elementos revistos,


Lá ? Sant’Anna (1988) uniu-os em dois conjuntos, che-
gando à seguinte correlação:
Ah !

Paráfrase Paródia
Sabiá...
Papá... Estilização Apropriação
Maná... (conjunto das similaridades) (conjunto das diferenças)

Sofá...

Sinhá... Saiba mais

Paráfrase é um texto paralelo é paródia é


Cá ? um contracanto!

Bah !

4.6 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a),

Neste capítulo estudamos o que é intertextualidade, avaliando as definições de vários estudiosos


sobre o assunto. Depois, ancorados em Sant’anna (1988), adotamos sua proposta. Esse autor, diz que
intertextualidade pode manifestar-se de quatro maneiras distintas: por paráfrase, por paródia, por estili-
zação e por apropriação.

Vamos retomar agora essas noções, para que você fixe bem o conteúdo.

4.7 Atividade Proposta

1. Responda:

a) O que é intertextualidade?

b) Compare: paródia x paráfrase.

Agora, veremos como esses elementos interagem na construção do texto acadêmico.

36
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
5 O TEXTO ACADÊMICO

Caro(a) aluno(a), da diferença. Veremos como se comportam e como


Os textos produzidos no mundo acadêmico produzir: o fichamento, o resumo e a resenha. Va-
podem ser feitos ora por meio da similaridade, ora mos ver, agora, o que compreende cada um deles.

5.1 Fichamento

Observe: a) assimilá-lo melhor;


b) memorizá-lo;
Para que fichemos qualquer obra, é necessá- c) preparar uma revisão rápida do assunto;
ria, antes de tudo, uma leitura atenta daquilo que d) aplicar em citações;
se deseja fichar. Ruiz (1980, p. 70) aconselha: e) resumir, esquematizar ou fichar.

“Não basta ir às aulas para garantir De acordo com esses autores, a técnica de
pleno êxito nos estudos. É preciso sublinhar compreende, depois das leituras sugeri-
ler e, principalmente, ler bem. Quem das:
não sabe ler, não saberá resumir, não
saberá tomar apontamentos e, final- a) identificação da ideia-núcleo de cada pa-
mente, não saberá estudar.” rágrafo;
b) indicação, com uma linha vertical colo-
cada à margem, dos tópicos mais impor-
Então, para que façamos um bom fichamen- tantes;
to, é preciso seguir algumas etapas: c) colocação de um ponto de interrogação
à margem do texto, para indicar casos de
discordância e passagens obscuras;
a) ler atentamente uma primeira vez o tex-
to na íntegra, grifando as palavras desco- d) leitura do que foi sublinhado para ver se
nhecidas e procurando-as no dicionário; há sentido;
e) reconstrução do texto, tomando os tre-
b) ler uma segunda vez, munidos com lápis,
chos sublinhados como base.
para sublinhar os trechos mais importan-
tes.
Os autores também recomendam que: [...] há
de se sublinhar o estritamente necessário, evitan-
Andrade e Henriques (1992) informam que é do-se argumentações, exemplificações, citações
importante sublinhar um texto, para: etc. (ANDRADE; HENRIQUES, 1992).

37
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Depois desse primeiro passo, procede-se, en- A estrutura da ficha deve ser a seguinte:
tão, ao fichamento.
Hoje, com a facilidade do computador, pode- a) cabeçalho, com a identificação do assun-
mos utilizar uma pasta especialmente aberta para to (título geral, título específico, número
salvar esse tipo de documento. Quem não dispõe do título etc.);
desse recurso, deve usar fichas, vendidas em pape- b) indicação da fonte da qual se extrai o fi-
laria em três formatos: 7,5 x 12,5; 10,5 x 15,5 e 12,5 x chamento, de acordo com as normas da
20,5. A de tamanho médio, no nosso ponto de vis- Associação Brasileira de Normas Técnicas
ta, é a ideal, porque cabe numa caixa de sapatos, (ABNT);
por exemplo, se a quisermos arquivar. c) corpo da ficha, compreendendo anota-
Devemos utilizar uma ficha (ou uma página ções ou comentários.
de computador) para cada tópico ou assunto, cui-
dadosamente anotado. Deve-se, também, evitar
escrever no verso das fichas, por uma questão de
praticidade.

Exemplo:

Título geral (da obra) Título específico (do capítulo) Nº (da ficha)

Fonte bibliográfica: (de acordo com a ABNT)

Corpo: (ASSUNTO)

De acordo com os propósitos, a ficha pode ser:

1. bibliográfica: a que contém, além da bibliografia, um pequeno comentário da obra ou de


parte da obra;

Exemplo:

Introdução:
A inter-ação pela linguagem N° 1.0
As diferentes concepções de linguagem

KOCK, Ingedore Villaça. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1997.

No capítulo introdutório desta obra, a autora discorre a respeito das várias concepções de lin-
guagem, apondo a Linguística do Sistema com a Linguística do Discurso.

38
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

2. de citação: a que contém a transcrição fiel de trechos ou frases da obra consultada, normal-
mente, aquelas grifadas como as mais importantes na instância da leitura. Na citação, deve-se
observar:
a) o uso de aspas;

b) a referência da página da qual foi retirada a citação;

c) o uso de [...] para marcar que o trecho foi recortado.

Exemplo:
Introdução:
A inter-ação pela linguagem N° 1.0
As diferentes concepções de linguagem

KOCK, Ingedore Villaça. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1997.

“A linguagem humana tem sido concebida, no curso da História, de maneiras bastante diversas, que
podem ser sintetizadas em três principais:
a) como representação [...]
b) como instrumento [...]
c) como forma [...].”

(p. 9)

3. de resumo: é a que contém uma paráfrase do trecho lido. O resumo pode ser apresentado
como esboço ou como sumário:
a) como esboço: apresenta a mesma estrutura do texto citado, com as palavras-chave, títulos
e subtítulos, procedendo-se a um resumo dele;

b) como sumário: topicalizam-se os itens julgados mais relevantes.

Exemplos:

a) Como esboço:

Introdução:
A inter-ação pela linguagem N° 1.0
As diferentes concepções de linguagem

KOCK, Ingedore Villaça. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1997.

A autora, nesta Introdução, apresenta, sintetizadas, três das principais maneiras como vem sendo
concebida a linguagem humana, na História, ou seja, como representação, como instrumento e como
forma.
(p. 9)

39
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

b) Como sumário:
Introdução:
A inter-ação pela linguagem N° 1.0
As diferentes concepções de linguagem

KOCK, Ingedore Villaça. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1997.

Linguagem humana: História: concepção de três maneiras bastante diversas:


a) como representação...
b) como instrumento...
c) como forma...

(p. 9)

Atenção

De toda maneira, quando fazemos um fi-


chamento, estamos fazendo uma peque-
na paráfrase do texto.

5.2 Resumo

Você sabe o que é resumir? a) ler atentamente uma primeira vez o tex-
to na íntegra, grifando as palavras desco-
nhecidas e procurando-as no dicionário;
Atenção b) ler uma segunda vez, munidos com lápis,
Resumir é, de acordo com André (1988, para sublinhar os trechos mais importan-
p. 105) “reproduzir em poucas palavras o tes.
que o autor expressou amplamente”. Tra-
ta-se de um treinamento essencial para E mais:
quem deseja comunicar-se de forma or-
ganizada, pois quem resume um texto é
levado a depreender o que lhe é essen- c) ficar atento para as palavras de ligação
cial e o que lhe é secundário. que organizam de forma lógica o racio-
cínio, tais como: assim sendo, além do
Resumir um texto ensina a relacionar as mais, pois, em decorrência etc.; e as que
ideias, entender com clareza o assunto e perceber modificam os ficar atento enunciados:
o sentido próprio do figurado que os vocábulos mais que tudo, não, nunca etc.
podem adquirir numa produção textual.
Para se realizar um resumo, seguem-se os Quando temos de resumir um texto, por
mesmos passos do fichamento, isto é, antes de exemplo, o ideal é que o façamos por partes, ou
tudo: seja, que elaboremos o resumo de cada capítulo.

40
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

O bom resumo deve, de acordo com André Quanto à extensão, normalmente esta é esta-
(1988, p. 106), “conservar os traços do estilo do tex- belecida por quem o faz ou por quem o solicita, de-
to original, como por exemplo, nível de linguagem, pendendo dos objetivos visados, mas, normalmen-
ironia, humor, vivacidade, etc.” Por outro lado, não te, um bom resumo contém de 10 a 15 por cento
devemos opinar ou criticar: o procedimento é de do texto original.
resumo e não de resenha ou de interpretação.

Exemplo de resumo:
a) Texto:

A escola e sua finalidade



A finalidade da escola é educar e ensinar. Ensinar é ministrar conhecimento
e experiências. “A educação é ação formadora da personalidade humana, que fa-
culta ao indivíduo alcançar, com sua atividade, a meta de sua vida”.
A educação e o ensino devem ter um escopo: formar integralmente o ho-
mem (no espírito e no corpo) a fim de que consiga, na luta de todos os dias, viver
feliz e satisfeito por saber que trilha o melhor caminho com os melhores recursos,
dentro do bem-estar da comunidade.
Embora a função específica da escola seja ensinar, cumpre-lhe também, e
por lei, educar. A escola que não educa é perniciosa (ANDRÉ, 1988).

Vamos agora, proceder ao resumo, seguindo 2. Resumo por parágrafos:


as etapas especificadas:

1. Leitura atenta e a técnica de sublinhar as 1º a finalidade da escola é educar: au-


palavras-chave: xiliar o indivíduo a alcançar seus ob-
jetivos; e ensinar: ministrar conheci-
mento e experiências;
A finalidade da escola é educar e ensinar. En-
2º a educação e o ensino: formar inte-
sinar é ministrar conhecimento e experiências. “A
gralmente o homem;
educação é ação formadora da personalidade hu-
mana, que faculta ao indivíduo alcançar, com sua 3º embora a função da escola seja, an-
atividade, a meta de sua vida”. tes de tudo, ensinar, tem também
(por lei), de educar. A escola que as-
A educação e o ensino devem ter um esco-
sim não age é perniciosa.
po: formar integralmente o homem (no espírito e
no corpo) a fim de que consiga, na luta de todos 3. Redação final:
os dias, viver feliz e satisfeito por saber que trilha o
melhor caminho com os melhores recursos, dentro
do bem-estar da comunidade. A finalidade da escola é educar, ou seja, auxi-
Embora a função específica da escola seja liar o indivíduo a alcançar seus objetivos; e ensinar,
ensinar, cumpre-lhe também, e por lei, educar. A isto é, ministrar conhecimentos e experiências. A
escola que não educa é perniciosa. educação e o ensino devem formar integralmente

41
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

o homem. Embora a função da escola seja, antes de No texto A escola e sua finalidade, de Hilde-
tudo, ensinar, tem ela também, e por lei, de educar. brando A. André, publicado no livro Curso de reda-
A escola que assim não age é perniciosa. ção, o autor discute a finalidade da escola. Nele, o
autor afirma que...
Quem desejar, pode colocar introduções no Como já dissemos, resumir um texto é fazer,
resumo: também, uma pequena paráfrase dele, entendeu?
Esperamos que sim!

5.3 A Resenha

O que é resenha? cionamos alhures que, em vista do que foi concei-


tuado relativamente ao termo, julgamos ser a re-
Várias são as definições dadas a essa ativida- senha eminentemente crítica, podendo, isso sim,
de: “É uma síntese geral, informativa e avaliativa somar-se uma descrição, resultando a resenha
sobre livros, capítulos, artigos das mais diferentes descritiva. Vamos ver uma de cada vez.
áreas do conhecimento e que serve, por conse-
guinte, para orientar as opções e o interesse do Resenha Crítica
leitor [...].” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 22); “[...] é
uma descrição minuciosa que compreende certo Como também já mencionamos, não julga-
número de fatos: é a apresentação do conteúdo de mos ser necessário o uso de crítica à resenha, pois
uma obra. Consiste na leitura, no resumo, na crítica lhe cabe por definição esse papel, chamemo-la
e na formulação de um conceito de valor do livro simplesmente resenha. Então, vejamos.
feitos pelo resenhista.” (LAKATOS; MARCONI, 1992,
Sua organização é lógica: começa-se com
p. 89); “[...] é uma síntese ou um comentário dos
um cabeçalho, no qual são transcritos os dados bi-
livros publicados feitos em revistas especializadas
bliográficos da obra; segue-se um parágrafo com
das várias áreas da ciência, das artes e da filosofia.”
uma breve informação sobre o autor do texto; na
(SEVERINO, 2001, p. 131).
sequência, deve-se introduzir o texto, com um pa-
Entre as citadas, depreendemos em comum rágrafo que sintetize a obra, escrito de forma bas-
o fato de esse tipo de trabalho tratar-se de uma tante objetiva e contendo seus pontos principais e
síntese, ou resumo avaliativo, não importando o forma de organização. Nos parágrafos subsequen-
nome que se dê a ela: resenha crítica (que nos pa- tes, far-se-á uma síntese de cada capítulo da obra
rece redundante), resenha descritiva ou, simples- (ou parágrafo do texto), parte por parte, destacan-
mente, resenha. do-se “o assunto, os objetivos, a idéia central, os
Saiba, prezado(a) aluno(a), que saber fazer principais passos do raciocínio do autor.” (SEVERI-
uma boa resenha é bastante importante na vida NO, 2001, p. 132).
acadêmica, pois é através dela que se tem o primei- O texto deve ser finalizado com um comentá-
ro contato com um livro, um texto, um filme etc. rio crítico elaborado pelo resenhista, contendo os
Uma resenha bem elaborada pode fazer o leitor aspectos positivos e negativos do objeto resenha-
comprar uma determinada obra ou assistir a um do. Também é possível que, durante a apresenta-
filme específico. ção da síntese, já se façam comentários críticos.
Severino (2001) informa que há dois tipos de Como o objetivo da resenha é apontar, de
resenha: a informativa, aquela que apenas expõe o maneira direta e cortês, o assunto discutido no
conteúdo do texto; e a crítica, aquela por meio da texto, como assunto, forma de abordagem, teoria,
qual manifestamos nosso critério de valor. Já men- profundidade teórica etc., mostrando qualidades e

42
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

falhas de informação, não se deve tecer comentá- c) páginas;


rios sobre o autor do texto. d) se obra traduzida, o nome dos traduto-
Para um estudante de curso superior, a ela- res;
boração de resenhas favorece uma melhor com- e) organização.
preensão da matéria e é um exercício de síntese de
muito valor, por isso, exercite-se!!!
Requisitos básicos para se resenhar

Resenha Descritiva
Para a elaboração de um texto valoroso, de-
ve-se:
Além do já visto, na resenha descritiva, de-
ve-se somar um parágrafo descritivo da obra, infor-
a) ter conhecimento da obra;
mando, por exemplo:
b) ter poder de síntese;
a) editora; c) imprimir um olhar crítico sobre ele;
b) número de edição; d) manter-se fiel ao pensamento do autor.

5.4 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a),

Neste capítulo, verificamos os mais recorrentes tipos de textos produzidos no mundo acadêmico: o
resumo, o fichamento e a resenha. Vimos que o primeiro é tão somente uma paráfrase do texto, reduzido
em, mais ou menos, trinta por cento. O segundo, o fichamento, é uma sinopse do texto e pode ser efe-
tuado de variadas formas (bibliográfico, de citação e de resumo). O último é uma paráfrase comentada,
ou seja, crítica.

Agora, vamos checar sua aprendizagem.

5.5 Atividade Proposta

1. Leia o texto a seguir e o resuma com muita atenção, seguindo todos os passos propostos.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL – CONCEITO


No ambiente urbano das médias e grandes cidades, a escola, além de outros meios de comunicação é
responsável pela educação do indivíduo e conseqüentemente da sociedade, uma vez que há o repas-
se de informações, isso gera um sistema dinâmico e abrangente a todos.
A população está cada vez mais envolvida com as novas tecnologias e com cenários urbanos perden-
do desta maneira, a relação natural que tinham com a terra e suas culturas. Os cenários, tipo shopping
center, passam a ser normais na vida dos jovens e os valores relacionados com a natureza não tem
mais pontos de referência na atual sociedade moderna.
A educação ambiental se constitui numa forma abrangente de educação, que se propõe atingir todos
os cidadãos, através de um processo pedagógico participativo permanente que procura incutir no
educando uma consciência crítica sobre a problemática ambiental, compreendendo-se como crítica
a capacidade de captar a gênese e a evolução de problemas ambientais. (AMBIENTE BRASIL, 2011).

43
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
6 O TEXTO COMERCIAL

Vamos, agora, entender um pouquinho uso, para um público determinado e previamente


como é a produção de texto no mundo comercial. conhecido. Seu campo de ação, portanto, é restrito,
Leia com atenção. mas, se bem elaborado, é um veículo de comunica-
Como todo texto, o texto comercial é o veícu- ção bastante eficaz.
lo de comunicação no mundo dos negócios. É atra- São vários os gêneros de texto comercial: car-
vés dele que uma empresa veicula suas ideias, suas tas, relatórios, informes, comunicados etc. Devido
ideologias, sua forma de contatar os clientes. Ele à especificidade deste trabalho, trataremos do pri-
reflete, portanto, a imagem daquele que dele faz meiro: cartas comerciais.

6.1 As Cartas Comerciais

Apesar do grande desenvolvimento tecno-


lógico que temos assistido recentemente, a carta Atenção
comercial continua sendo um importante veículo Uma boa carta comercial deve ter como
de comunicação entre empresas. características:
A carta surtirá grande efeito a quem se dirigir, a) originalidade;
se ela, b) persuasão;
c) afabilidade;
d) boa apresentação;
sem desprezar os seus aspectos imedia-
e) precisão de linguagem e redação.
tistas, for vazada em linguagem precisa e
adequada, dotada de ritmo frasal, isenta
dos bolorentos lugares-comuns, criativa,
distante de estereótipos ou dos modelos
pré-fabricados, dispostas suas frases de Martins de Barros (1977, p. 25) ensina que
modo tal que o clímax da mensagem se “o bom redator de empresa tem de fixar esses as-
coloque dentro do ângulo de visão do lei-
tor. (MARTINS DE BARROS, 1977, p. 17).
pectos [...] Uma carta bem escrita, bem apresenta-
da, inovada, não é só testemunho de finesse, mas
(também e sobretudo) um extraordinário agente
Uma carta comercial estará bem escrita, se:
de fixação da imagem da empresa emissora.”
a) não for verborrágica;
b) não for rastejante;
c) não for vazada em vocabulário difícil ou
frases arrevesadas;
d) não estiver em linguagem descuidada;
e) não estiver com aspecto descuidado.
45
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

A composição da Carta Comercial b) destinatário (completo: nome, endereço,


CEP, cidade, estado);
São as seguintes as partes que compõem, c) evocação;
normalmente, uma carta comercial: d) assunto;
e) despedida;
a) data; f) assinatura.

Exemplo:

São Paulo, 11 de fevereiro de 2007.

Ilmo. Sr. José Roberto da Silva


Diretor-Gerente das
Indústrias Silva Ltda.
Rua Roberto, 32
São Paulo – Capital
CEP 00000-010

Prezado senhor,

De acordo com a proposta apresentada por V.Sª à nossa empresa, solicitamos enviar,
com a máxima urgência, os produtos a seguir relacionados, de acordo com o catálogo de janei-
ro de 2007, conforme o especificado:

Código Quantidade Especificações


232 20 Azul celeste
922 15 Preto
46 90 Amarelo

Informamos que o pagamento dessa mercadoria será feito contra entrega, em nosso
escritório, Rua Antonia, 22 – São Paulo, Capital.

Atenciosamente,

Márcia A. G. Molina
Diretora do Departamento de Compras

46
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

6.2 Resumo do Capítulo

Neste capítulo abordamos o texto comercial. Vimos o quão importante é mantermos sua especifi-
cidade e atendermos às exigências do gênero. Além disso, destacamos que a formalidade deve ser man-
tida. Vimos os elementos que contém uma carta, a saber: data, destinatário (completo: nome, endereço,
cep, cidade, estado), evocação, assunto, despedida, assinatura.

6.3 Atividade Proposta

1. Escreva uma carta comercial, solicitando ao seu “distribuidor” a mercadoria que estava em
falta.

47
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
7 E-MAILS

7.1 Internet

Lembrando: quando falamos em internet, nicação entre computadores do mundo todo. En-
estamos nos referindo à maior rede de computa- tre eles, há os gratuitos (iG, Yahoo etc.) e os pagos
dores do mundo. Melhor, não só uma rede, de uma (UOL, Globo, Terra etc.).
das redes, a responsável pela troca de mensagens, Entra-se na rede por meio de login e senha,
aulas virtuais, comércio, informações diversas etc.sendo que cada usuário cria os seus. Entre os ser-
Para que possamos acessá-la, são necessários viços oferecidos por esses provedores, há o correio
os provedores, isto é, o meio que permite a comu- eletrônico (electronic-mail e-mail).

7.2 O E-mail Propriamente Dito

O e-mail é um texto que une características Devido à rapidez com que ocorre a comuni-
tanto do escrito quanto do oral. Como texto escri- cação, pode apresentar, em algumas circunstân-
to, pode apresentar as seguintes características: cias, as seguintes características do texto oral:

 ser descontextualizado;  ser contextualizado;

 autônomo;  dependente;

 explícito;  implícito

 condensado;  redundante;

 planejado;  não planejado;

 preciso;  impreciso;

 normatizado;  não normatizado;

 completo.  fragmentado.

49
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Então, como dissemos, embora pareça um ƒƒ quem sou eu (qual posição ocupo na em-
texto oral, trata-se de um texto escrito, ou seja, há presa)?
sempre nele a possibilidade de planejamento e de ƒƒ quem é meu interlocutor (qual posição
refazimento. Devemos nos lembrar sempre de que, ocupada por ele)?
como qualquer texto, traça a imagem de quem o ƒƒ que tipo de correspondência esse e-mail
produz, portanto, ao escrever e-mails, garanta: veiculará (carta, relatório, informativo
etc.)?
ƒƒ que o interlocutor entenda a mensagem
da maneira como você deseja; Sempre, nesse caso, deverá se primar pela:
ƒƒ evite uso não convencional de abreviatu-
ras; ƒƒ formalidade;
ƒƒ evite uso de letras maiúsculas, a não ser ƒƒ correção gramatical;
que deseje expressar gritos. ƒƒ padrão culto;
ƒƒ seguir o modelo do gênero específico
(ou seja, as propriedades do relatório, da
Atente para:
carta, do informativo etc.).

a) que tipo de e-mail estou passando?


Por exemplo, se se tratar de uma carta comer-
b) para quem o estou enviando?
cial, o e-mail terá as mesmas partes de que ela se
c) que variante linguística utilizar? compõe: evocação, desenvolvimento, conclusão e
assinatura.
Veja um exemplo de e-mail pessoal de difícil Exemplo:
leitura (embora emissor e receptor conheçam o as-
sunto de que estão tratando, a falta de acentos e a Profa. Marcia Molina,2
não utilização de pontuação, dificulta a decodifica-  
ção da mensagem): Estamos novamente em contato, agora
com o livro Lingua(gem), texto, discurso:
entre a reflexão e a prática – vol.1 organi-
E aiii Nana ohhh aki ta o trabalho antes que zado pela Profa. ...
eu me esqueça sinceramente nao manda  
pra aquelas folgadas hahahah ok?1 tao Para dar continuidade ao livro, precisamos
folgando muito agora em relacao ao outro de sua assinatura no Contrato de Cessão
folgado coloca o nome dele so mais desta de Direitos Patrimoniais de autor à comis-
vez mas nem fala deixa ele pq ele viu qdo são organizadora.
eu e o Thiago estavamos fazendo ok?! e vai  
ficar chato pro meu lado pq ele ate disse Em anexo, segue o contrato que deverá
que tava no trabalho lembra que ele ate ia ser assinado em 3 (três) vias e devolvido à
digitar mas a gente que nao confia entao Editora para o endereço abaixo:
hahaha entao os integrantes do grupo sao  
eu vc thi, lu, roger, e o mansa as demais Editora YH Lucerna Ltda.
tem o jorge q e bobao e faz pra elas!!!! ha- A/C ...
haha ok?! bjokas se cuida T+ vê se melhora
Rua Colina nº 60 sala 209
ta?!
Jardim Guanabara
E-mails Comerciais CEP 21931-380 Rio de Janeiro - RJ
 
Qualquer dúvida ou esclarecimento, favor
Ao escrever esse tipo de e-mail, deve- entrar em contato.
se atentar para as seguintes questões: Grata,
Luzia 
2
Observar que não há a data, porque os e-mails já vêm datados.

50
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

Para garantir o envio e a recepção do e-mail, 1° Contato


é sempre prudente salvar uma cópia em Itens En-
viados, pedir Confirmação de Leitura e mandar có- muié, kd vc??
tudo bem?
pias a quem de direito. estou com saudade

Resposta
E-mails Pessoais
E donde cê tá????
Ao escrevermos e-mails pessoais, devemos Cheguei. Interessante a camiseta. Pintura
estranha. Quem a fez?
nos lembrar sempre de que, por mais amigos que ADOOOOOOOOOOOOOOOREIIIIIIIIIIII a
sejamos do destinatário, as palavras são frias, por pimenta. Ontem já fiz risoto com ela.
isso, podem ser mal compreendidas. Cuidado, en- Beijo.
tão, ao escrever; o texto sempre traça nossa ima-
gem, como já dissemos anteriormente, assim, usar
uma linguagem clara, com correção gramatical e Atenção
abreviações convencionais, é o mais prudente. A
Você revela sua face quando escreve,
formatação agora não é tão rígida. portanto polidez sempre!!!
Exemplo de troca de correspondência entre
dois amigos:

7.3 Resumo do Capítulo

Neste capítulo, repassamos as especificidades dos e-mails. Em primeiro lugar, repassamos os pes-
soais, reforçando que, como texto escrito, sempre revela nossa imagem. Vimos que esse tipo de texto
situa-se entre o texto escrito e o verbal, por isso, possui algumas formatações específicas. Importante
lembrar que, ao usarmos abreviações, as mesmas devem ser de conhecimento partilhado pelos interlo-
cutores. Na sequência, estudamos os e-mails comerciais. Lembramos que eles devem manter as especifi-
cações do gênero e que a formalidade deve ser mantida.

Vamos, agora, checar sua aprendizagem.

7.4 Atividade Proposta

1. Que cuidados devemos ter ao escrever um e-mail comercial?

51
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Prezado(a) aluno(a),

Como se pode perceber, a atividade de escritura – em qualquer de suas modalidades – exige cuida-
do e atenção. Quanto mais atento o escritor, mais eficácia terá em sua produção.
Você, estudante universitário(a), procure ler bastante, ler tudo, ler o mundo que está à sua volta,
para que tenha repertório e, atentando para a escritura de textos modelares, atinja correção gramatical.

Um bom trabalho e conte comigo para o que se fizer necessário.

Um abraço,

Márcia A. G. Molina

53
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
RESPOSTAS COMENTADAS DAS
ATIVIDADES PROPOSTAS

Capítulo 1
1. Espera-se que você tenha respondido: código, mensagem, referente, canal e contexto.

2. As funções da linguagem, como foi visto, apoiam-se nos elementos de comunicação: código,
mensagem, referente, canal e contexto. De acordo, com a tabelinha proposta, temos:

CONTEXTO

1) FUNÇÃO REFERENCIAL

CANAL

2) FUNÇÃO FÁTICA

EMISSOR MENSAGEM RECEPTOR

3) FUNÇÃO EMOTIVA 4) FUNÇÃO POÉTICA 5) FUNÇÃO CONATIVA

CÓDIGO

6) METALINGUAGEM

3.

a) Quando a prioridade da mensagem está na própria mensagem, temos a função poética.


b) Quando a mensagem dirige-se a um receptor, enfatizando-o, temos a função conativa.

55
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Capítulo 2
1. Caro(a) aluno(a), compreendendo texto, numa abordagem interativa, esta sequência será tex-
to apenas para quem conhece grego. Caso contrário, não o será, porque não há interação
leitor-texto.

Capítulo 3
1. Caro(a) aluno(a), este é um texto descritivo porque tem uma organização espacial, centrado
em palavras concretas; há figuras de linguagem, como sinestesias e comparação. Os verbos
estão no presente do indicativo.

2. Este é um texto narrativo, porque está centrado em palavras concretas. O tempo básico é o
pretérito perfeito do indicativo. A organização é temporal (antes/durante/depois) e há os ele-
mentos da narração: personagem, tempo, espaço e voz da narrativa.

3. As partes são:

Assunto: Tema: Uso do álcool.

Delimitação: Uso do álcool na gravidez.

Objetivo: mostrar as consequências do uso do álcool durante a gravidez.

Tópico frasal: A ingestão de álcool durante a gravidez pode acarretar uma série de problemas
na formação do feto.

Capítulo 4
1. De acordo com o que aprendemos:
a) Paráfrase é o fenômeno em que um texto é retomado por outro.

b) A paródia é o contracanto, a paráfrase é o canto paralelo.

Capítulo 5
1. Espera-se que você siga todos os passos informados, a saber:

1º passo: leitura atenta;

2º passo: grifar as ideias principais;

3º passo: reescritura com as próprias palavras.

Para depois, proceder à redação do texto definitivo.

56
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

Resumo definitivo - Educação Ambiental - Conceito

No ambiente urbano das cidades de porte grande e médio, a escola, além de outros meios de
comunicação, é a responsável pela educação do homem, já que há a divulgação de informação, num
processo bastante dinâmico.
Como a população está muito envolvida com as novas tecnologias, acaba perdendo sua relação
com nossos recursos naturais. Assim, a educação ambiental aponta como uma forma de educação para
todos, por meio de um processo educacional educativo.

Capítulo 6
1. Como sugestão de carta, segue:

São Paulo, 18 de setembro de 2011.

À Central Distribuidora de Balas Certinhas

Rua do Regime, 23

São Paulo – Capital

CEP 0000-00

Prezados senhores,

Informamos que o pedido feito por nós, anteriormente, não veio completo. Solicitamos que o
reveja e nos envie os 200 pacotes de balas de hortelã, visto ser essa a mais solicitada por nossa clientela.

Contando com sua habitual presteza, desde já agradecemos.

Atenciosamente,

_____________________________

Márcia A G Molina

Departamento de Compras

57
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

Capítulo 7
1. Ao escrever esse tipo de e-mail, deve-se atentar para as seguintes questões:

ƒƒ quem sou eu (qual posição ocupo na empresa)?


ƒƒ quem é meu interlocutor (qual posição ocupada por ele)?
ƒƒ que tipo de correspondência que esse e-mail veiculará (carta, relatório, informativo etc.)?

Sempre, nesse caso, deverá se primar pela:

ƒƒ formalidade;
ƒƒ correção gramatical;
ƒƒ padrão culto;
ƒƒ seguir o modelo do gênero específico (ou seja, as propriedades do relatório, da carta, do
informativo etc.).

58
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
REFERÊNCIAS

ALBERTI, L. Mais de um milhão de jovens estão “presos” no ensino fundamental. Yahoo! Educação, 30
abr. 2012. Disponível em: <http://br.educacao.yahoo.net/conteudo.aspx?titulo=Mais+de+um+milh%c3
%a3o+de+jovens+est%c3%a3o+%22presos%22+no+ensino+fundamental>. Acesso em: 2 maio 2012.

ALENCAR, J. Iracema. São Paulo: Ática, 1990.

AMARAL, E.; ANTÔNIO, S. Novíssimo curso vestibular. São Paulo: Nova Cultural, 1991.

AMBIENTE BRASIL. Educação ambiental. Ambiente educação, 2011. Disponível em: <http://ambientes.
ambientebrasil.com.br/educacao/educacao_ ambiental/educacao_ambiental.html#conceito>. Acesso
em: 15 jan. 2011.

ANDRÉ, H. A. Curso de redação. São Paulo: Moderna, 1988.

AZEVEDO, A. O mulato. São Paulo: Ática, 1997.

BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: HUCITEC, 1988.

BARROS, A. J. S.; LEHFELD, N. A. S. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Makron Books,
2000.

BENJAMIN, W. Magia e técnica: arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1996. (Obras escolhidas).

BENVENISTE, E. Problemas de linguística geral. São Paulo: Nacional, 1977.

BRANDÃO, H. N. Introdução à análise do discurso. 8. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2002.

CASTELÕES, L. Brasileiros são mais dependentes em álcool, tabaco e maconha. Com Ciência – Revista
Eletrônica de Jornalismo Científico, 2002. Disponível em: <http://www.comciencia.br/especial/drogas/
drogas01.htm>. Acesso em: 15 jan 2011.

DERRIDA, J. Torres de Babel. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.

DIJK, V. Strategies of discourse comprehension. Nova Iorque: Academic, 1983.

DUNGA; TOLLER, P. Oito anos. In: CALCANHOTO, A. A fábrica do poema. [S.l.]: Sony BMG, 2004. 1 CD.

ECO, H. Pós-escrito a O nome da rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

FÁVERO, L. L. Coesão e coerência textuais. São Paulo: Ática, 1999.

______. Paródia e dialogismo. In: BARROS, D. L. P.; FIORIN, J. L. (Orgs.). Dialogismo, polifonia e
intertextualidade. São Paulo: Edusp, 2003.

59
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Márcia Antonia Guedes Molina

FIORIN, J. L. Polifonia textual e discursiva. In: BARROS, D. L. P.; FIORIN, J. L. (Orgs.). Dialogismo, polifonia e
intertextualidade. São Paulo: Edusp, 2003.

FOUCAULT, M. A palavra e as coisas: uma arqueologia das ciências. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes,
1990.

GAGO, J. M. P. La estilística. Filologia e linguística, São Paulo, n. 2, p. 241-246, 1998.

GIRAFAMANIA. Girafe – Girafa na língua francesa. 2010. Disponível em: <http://www.girafamania.com.


br/girafas/lingua_frances.html>. Acesso em: 15 jan. 2011.

GUIMARÃES, E. Articulação do texto. São Paulo: Ática, 2004.

HOUAISS, A. Dicionário Houaiss de língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

______. Minidicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003.

INSTITUTO CULTURAL CRAVO ALBIN (ICCA). Dicionário Cravo Albin da música popular brasileira.
2011. Disponível em: <http://www.dicionariompb.com.br/>. Acesso em: 15 jan. 2011.

JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 22. ed. São Paulo: Cultrix, 2001.

KOCK, I. V. A intertextualidade como critério de textualidade. In: FÁVERO, L. L.; PASCHOAL, M. S. Z.


Linguística textual, texto e leitura. São Paulo: EDUC, 1986.

______. Coesão textual. São Paulo: Contexto, 1992.

______. A interação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1997.

KOCK, I. V.; TRAVAGLIA, L. C. A coerência textual. São Paulo: Contexto, 1990.

KRISTEVA, J. Introdução à semanálise. São Paulo: Perspectiva, 1974.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1992.

MAGALHÃES, R. Técnicas de redação: a recepção e a produção de texto. São Paulo: Editora do Brasil,
1980.

MARTINS DE BARROS, E. Correspondência comercial técnicas e modelos. São Paulo: Atlas, 1977.

MASERANI, S. O intertexto escolar sobre leitura, aula e redação. São Paulo: Cortês, 1995.

MILET, P. B. Mais de 60.000.000 de adultos não tem o Ensino Médio. Yahoo! Educação, 5 abr. 2012.
Disponível em: <http://br.educacao.yahoo.net/conteudo.aspx?titulo=Mais+de+60.000.000+de+adultos+
n%C3%A3o+tem+o+Ensino+M%C3%A9dio>. Acesso em: 2 maio 2012.

PAULINO, G.; WALTY, I.; CURY, M. Z. Intertextualidade: teoria e prática. Belo Horizonte: Lê, 1997.

PLATÃO, F.; FIORIN, J. L. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1997.

REIS, N. Diariamente. In: MONTE, M. Mais. [S.l.]: EMI, 1991. 1 CD.

RIEGEL, M. Iniciação à análise linguística. Tradução de Marcílio Teixeira Marinho e Newton Belém. Rio
de Janeiro: Rio, 1981.

60
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Comunicação e Expressão

RUIZ, J. A. Metodologia científica. São Paulo: Atlas, 1990.

SANT’ANNA, A. F. Paródia, paráfrase e Cia. São Paulo: Ática, 1988.

SEVERINO, J. A. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2001.

VAL, M. G. C. Redação e textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

VANOYE, F. Usos da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

VEJA São Paulo, São Paulo, n. 32, p. 92, 28 dez. 2005.

VELOSO, C. Trem das cores. In: VELOSO, C. Sem lenço, sem documento. [S.l.]: Universal, 1990. 1 CD.

61
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br