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CAPÍTULO IV.

DIMENSIONAMENTO DE UMA CENTRAL


EÓLICA
4.1. INTRODUÇÃO

O vento pode ser defenido como sendo o ar em movimento. O que gera tal movimento é a
circulação das camadas de ar provocada pelo aquecimento desigual do planeta. No topo da atmosfera,
a energia solar que incide sobre uma superfície perpendicular aos raios solares permanece
relativamente constante em torno de 2 calorias em cada centímetro quadrado por um período de 1
minuto, 1,96 cal/cm2/ min ou 1,367 kW/m2, um valor chamado de constante solar, valor adotado
como padrão pela organização meteorológica mundial.
O total da radiação solar que chega à terra é de aproximadamente 1,58 bilhões de TWh/ano, o
que corresponde a uma média de 350 W/m2 sobre a superfície do planeta, sendo distribuida bem mais
próximo à linha do equador do que nos polos. Apenas cerca de 3 a 5% da radiação que chega é
convertida em energia cinética que possa provocar o movimento da atmosfera por meio de diferenças
de temperatura, formando a base para a fonte de energia eólica. Desse fluxo global, somente uma
fração pode teoricamente ser capturada como energia eólica e, mesmo assim a cerca de algumas
dezenas de metros de altura.
A contribuição do potencial de energia eólica para o fornecimento global de energia eléctrica
não é limitada pela disponibilidade de recursos, mas sim por factores econômicos e sociais. Para
alguns países, a disponibilidade de recurso eólicos varia de acordo as condições geográficas. Os
recursos eólicos são, em geral, um pouco menores na África, quando comparados com a Europa, a
America do Norte e o norte central da Ásia. No entanto, odestanque, relaivamente aos ventos fortes,
recai sobre grande parte do litoral norte e oeste da África. O vento é uma grandeza vetorial. A
direcção do vento indica de onde ele provém. Geralmente o vento sofre algumas flutuações e, o nível
de perturbação vindo de tais flutuações é chamado de rajada.
A atmosfera é apenas um dos cinco sistemas que determinam o clima na Terra, além da
criosfera, biosfera, litosfera e hidrosfera. A meteorologia faz uma divisão por camadas segundo suas
características térmicas. A temperatura do ar decresce com altitude de ordem de -6,5ºC/km. O ar
atmosférico é constituído por diferentes gases que estão ligados à superfície terrestre pela gravidade,
com a rarefação do ar aumentando com altitude. Em meteorologia, considera-se que a largura da
atmosfera terrestre está entre 80 km e 100 km, sendo apenas 1,6% do raio medio da terra. A
atmosferaé divididaa em quatro camadas: troposfera, estratosfera, mesosfera e termosfera, junto com
a ionosfera e a exosfera. As primeiras são separadas por três zonas de transição: tropopausa,
estratopausa e mesopausa.
Do ponto de vista meteorológico, a mais importante é a troposfera, pois responde por
aproximadamente 80% do peso atmosférico e é onde os seres vivos podem respirar naturalmente.
Também é onde acontece a maior parte dos fenómenos meteorológicos. Tem cerca de 12km de altura,
mas pode alcançar 17 km na regial tropical e 7 km nos polos. Em meteorologia temos uma
classificação para os movimentos atmosféricos. Aqui o que se tem em mente é analisar o tamanho e
a duração do evento.
Angola apesar de não ser um país de elevado potencial eólico apresenta, ainda assim um
potencial eólico para produção de energia eléctrica de 3,9 GW. Com base nos resultados da análise
dos recursos eólicos para o território Angolano, foram seleccionados todos os locais que apresentam,
simultaneamente, velocidades médias de vento superiores a 6,0 m/s, uma proximidade inferior a 100
km de potencial ponto de interligação na rede eléctrica, que possuíam vias de acesso rodoviário num
raio de 5 km e que não abrangiam quaisquer áreas classificadas, como áreas naturais ou protegidas.
Neste capítulo, apresentaremos a simulação da implemetação de uma central eólica, com o
intuito de explorar o potencial eólico para a produção de energia eléctrica no nosso país, em particular
a região sudoeste. Apresentaremos por meio dos cálculos eléctricos e mecânicos necessários, o
dimensionamento de uma central eólica on-shore, onde com base aos resultados, apresentaremos Os
possíveis impactos na matriz energética nacional.

4.2. CASO PRÁTICO (SIMULAÇÃO)

O presente projecto simula a implantação de um parque eólico de geração de energia elétrica


para suprir a demanda de potência no Sudoeste de Angola, nomeadamente as províncias de Benguela,
Huambo, Huíla, Cunene e Namíbe. A exploração deste sistema terá como objectivo principal a
substituição nos períodos de alta, da produção massiva de energia eléctrica apartir das Centrais
Térmicas existentes nesta região.
Dentro da região Sudoeste, escolhemos preferencialmente o região do Tómbwa, na província
do Namibe para a implementação da Central Eólica em causa, em função do grande potêncial que
esta região apresenta. Trata-se de uma região com valores da velocidade do vento superior a 6 m/s,
o que de certa forma é tipo como sendo um valor bom para a produção de energia.
A região Sudoeste do país, apresenta uma potência instalada em centrais térmicas de 229,9
MW (valores registado em 2017, Fonte: Angola Energia 2025), sendo assim, apresentaremos o
dimensionamento de um parque eólico com um valor de potência instalada de 300 MW*, com o
intuito de atender a demanda da região sudoeste e dar algum suporte na rede eléctrica nacional.

4.2.1 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA

A cidade do Tómbwa, é uma cidade e município no litoral da província do Namibe, em


Angola. O municipio tem uma área de 18.019 km2, com uma densidade populacional de 10 hab/ km2
(cerca de 187.573 mil habitantes) como coordenadas geográficas -15º11’45 (latitude sul) 12º9’7
(longitude este) e possui uma altitude de 112 metros em relação ao nível do mar com um clima
desértico.

4.3. MEMÓRIA DESCRITIVA

4.3.1. GENERALIDADES
Para o dimensionamento do nosso parque eólico, paralém das formulações apresentadas,
recorremos a meios computacionais para o aumento da praticidade do nosso trabalho. Vamos
considerar inicialmente o Software MatLab.

4.3.2. O AEROGERADOR

O aerogerador é o equipamento que se destina a gerar energia eléctrica a partir da energia


fornecida pelo vento. A energia cinética do vento movimenta a turbina, que produz energia mecânica,
transmitindo-a ao gerador, que por sua vez faz a conversão de energia mecânica em eléctrica. Um
aerogerador, além da turbina é composto por uma torre, nacele, caixa de engrenagem, cubo, gerador
e pás. Para este projecto, vamos analisar todos componentes de um aerogerador para proceder a
escolhe de um modelo que se adapta as nossas necessidades.

4.3.2.1. COMPONENTES DO AEROGERADOR


a) A TORRE
A torre é a estrutura de sustentação. Usualmente existem dois tipos: tubulares cônicas
(construídas em aço ou concreto) e treliçadas (construídas em aço). Para este projecto, escolhemos
preferencialmente as torres tubulares de aço, que actualmente têm predominado o mercado.

b) A NACELE
É a estrutura montada em cima da torre onde estão contidos o gerador e a caixa de acoplamento.
O uso ou não de caixas de engrenagens e a disposição dos componentes na nacele são fatores para
determinar o seu tamanho. Dentro da nacele há sistemas de direção que através de um motor, é
responsável por colocar o aerogerador na direção do vento. Vale salientar que a mudança de direção
é efectuada de lentamente para que nã ohaja turbulências transmitidas à turbina.
Dentro da nacele, existe um freio de aço, que será usado para as paragens de emergência ou
de manutenção. Sobre a nacele estão os medidores de vento (anemômetros) e da sua direção (biruta,
também conhehcida por windvane), que transmite os dados para o sistema de controle montado na
base da torre. Esta leitura serve ainda para moitorar o desempenho do gerador.
A caixa de engrenagens, estará localizada dentro da nacele e faz a sintonia correta entre a
baixa velocidade da turbina e a alta velocidade do gerador. No nosso caso termos um aerogerador
com multiplicador (a caixa de engrenagens em si), composto de mancais e um eixo de transmissão e
acoplamento.
Acoplanda a nacele temos o cubo, que é a estrutura na qual são fixadas as pás. Por sua vez a
pá é a estrutura que é movimnetada pelo vento. No nosso caso utilizaremos pás com rolamentos
devido o sistema de controle de passos.

c) O GERADOR

É a máquina responsável pela produção da energia eléctrica. Nos aerogeradores, existem dois
modelos usados: utilizando máquinas síncronas ou assíncronas. No acoplamento da turbina com o
gerador está uma caixa multiplicadora (ou redutora), que existe devido a diferença de velocidade
entre a turbina (baixa velocidade) e o gerador (alta velocidade).
Para o nosso sistema, utilizaremos turbinas eólica de velocidade variável, pois este tipo de
configuração é muito comum em sistemas com controle de passo, permitindo uma qualidade melhor
na geração de energia, quando comparado ao sistema que usa máquinas com velocidade constante.
Uma maior extração de energia do vento, uma menor magnitude de cargas no rotor e uma pequena
taxa de variação de passo são algumas das vantagens dessa configuração. As turbinas eólicas de
velocidade variável são equipadas com um gerador síncrono ou assíncrono conectado à rede através
de um conversor de potência. A operação com velocidade variável se fez possível devido ao uso de
conversores de potência, que convertem a tensão e frequência gerada para frequência de tensão da
rede.

NOTA: Para este projecto usaremos um Gerador Síncrono de ímã Permanente, pois eles apresentam
um rendimento energético alto, custo médio- alto, alta confiabilidade, alto suporte da rede e uma
maturidade técnica média- alta. É importante realçar as vantagens e desvantagens que este modelo de
gerador apresenta em comparação com os outros modelos.
Vantagens:
 O mais alto rendimento de energia;
 Maior controle de potência ativa/ reactiva;
 Ausência de escovas/ enrolamentos;
 Baixo estresse mecânico;
 Sem perdas de cobre no rotor.
Desvantagens:
 Elevado custo do material magnético;
 Desmagnetização do ímã permanente;
 Complexo processo de construção;
 Maior custo e perdas dos conversores de potência;
 Tamanho grande.
Como alternativa podemos usar o Gerador de indução duplamente alimentado. Pois apresenta um
rendimento energético médio-alto, custo médio, confiabilidade média, médio suporte a rede, e uma
maturidade técnica alta.

4.3.3. CÁLCULOS MECÂNICOS


4.3.3.1. A POTÊNCIA DO VENTO

O ar em movimento produz energia. Dizemos que a energia cinética desse movimento é


a energia eólica. Sabe-se que o vento tem natureza estocástica, existe uma variação constante tanto na
sua direção quanto a sua velocidade. Tomemos como mecanismo de exemplo um cilíndo, para a
dedução da fórmula da potência do vento:

𝐸𝑐 = (1/2)𝑚𝑣 2 (4.1)

A energia cinética varia em função do tempo, logo teremos a potência do vento. Isso é
feito por meio do cálculo da taxa de variação da função, logo a potência P disponível pelo vento é
simplesmente a derivada da energia cinética para aquele intervalo de tempo:

𝑃 = (𝜕𝐸𝑐 /𝜕𝑡) = (𝑚𝑣 2 )/2 (4.2)

Substituimos m por ρAv resulta em: 𝑃 = (1/2)𝜌𝐴𝑣 3 (4.3)

A equação (3.3) dá-nos uma boa análise do fluxo de potência eólica e, podemos também
interpretá-la de outro modo, como a quantidade de energia por um dada área:

𝑃/𝐴 = (1/2)𝜌𝑣 3 (4.4)


Onde:
P - é a potência disponivel do vento (W)
m - é o fluxo de massa de ar (kg/s)
𝜌 - é a massa específica do ar (kg/m3)
A - é a área da seção transversal do cilíndro que é ultrapassada pelo vento (m2)
v - é a velocidade do vento (m/s)
EC - é a energia cinética do vento (joule/s)
P/A - é a densidade de potência (W/m2)
A potência é proporcional a área varrida pelo rotor da turbina eólica. Para este projecto
utilizaremos uma turbina eólica de eixo horizontal (HAWT) e sabe-se que para uma turbina de eixo
horizontal convecional, a área é igual a: A = (π/4)D2.
Nota: Uma simples observação disso nos ajuda a explicar a economia de escala envolvida, já que o
custo de uma turbina aumenta fortemente com o diâmetro da pá. A curva da figura 3.1 mostra a relação
da velocidade do vento com a potência disponível deste. Daí percebe-se claramente a importância da
velocidade do vento e da analise crítica que deve ser feita para um empreendimento eólico.
Velocidade do vento Potência
m/s mph W/m2
0 0 0
1 2,24 1
2 4,47 5
3 6,71 17
4 8,95 39
5 11,19 77
6 13,42 132
7 15,66 210
8 17,90 314
9 20,13 447
10 22,37 613
11 24,61 815
12 26,84 1058
13 29,08 1346
14 31,32 1681
15 33,56 2067

Figura 4.1 - Potência no vento, por metro quadrado de secção transversal, a 15ºC e 1 atm. (Fonte: Masters,
2004).

4.3.3.2. FATORES INFLUENTES NA ENERGIA DO VENTO

É importante realçar que o vento é um fluído e atende às leis dos gases perfeitos dadas pela
equação de Clayperon (1799-1864), para um dada pressão P, em que n é o número de mol do gás (ar)
e V, o volume deste:
PV = nRT (4.5)

Aqui o R é a constante do ar (287 J/kg. K) e T é a temperatura (K). A equação (3.3) mostra que
há uma relação direta entre o potencial disponível do vento e a massa especifica do ar. Por outro lado,
a massa específica do ar depende da temperatura e da pressão atmosférica, de acordo com a seguinte
equação:
ρ = Pa/RT (4.6)

Onde Pa é a pressão atmosférica (Pa). A massa específica do ar ρ, além de altitude, também depende
da temperatura ambiente, como podemos observar na seguinte equação:

Ρ = (353,4(1- z/45271)5,2624)/(273,15+T) (4.7)

Onde Z é a altitude do local (m) e T é a temperatura do ambiente (ºC). Para 15 ºC e 1013 hPa, a massa
específica do ar vale 1,225 kg/cm2.
4.3.3.3. A NATUREZA ESTOCÁSTICA DO VENTO

O vento tem características estocásticas e sua velocidade é uma variável aleatória


contínua. A ciência tem buscado caminhos para compreender a natureza estocástica do vendo. Quando
um dado evento ocorre de modo aleatório, ele então é estocástico. Em tais casos é necessário discretizar
os dados para facilitar a análise do vento. Esta discretização é mostrada na forma de histogramas
conforme a figura abaixo.

V(m/s) Horas/ano
1000
0 24
1 276
900 2 527
3 729
800 4 869
5 941
700 6 946
7 896
8 805
600 9 690
10 565
500 11 444
12 335
400 13 243
14 170
15 114
300
16 74
17 46
200 18 28
19 16
100 20 9
21 5
0 22 3
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 23 1
24 1
Velocidade do vento (m/s) 25 0
Total de horas 8.760
Figura 4.2 – Histograma mostrando as horas que o vento sopra para cada faixa de velocidade de vento (Fonte:
Masters, 2004).

O tipo de informação apresentada no histograma discreto da velocidade do vento na figura 4.2 é


muitas vezes apresentada como sendo uma função contínua, chamada de função de densidade de
probabilidade (p.d.f). No final, podemos representar a distribuição da velocidade do vento, da figura
4.2, por uma função de densidade de probabilidade f (v), dada por:

𝑣1
(𝑣1 ≤ 𝑣 ≤ 𝑣2 ) = ∫𝑣2 𝑓 (𝑣)𝑑𝑣 (4.8)


(0 ≤ 𝑣 ≤ ∞) = ∫0 𝑓 (𝑣)𝑑𝑣 (4.9)
Para a determinação do número de horas por ano que o vento fluiu entre as duas velocidades,
basta multiplicar a equação (4.8) por 8760 horas por ano:

𝑣1
(𝑣1 ≤ 𝑣 ≤ 𝑣2 ) = 8760 ∫𝑣2 𝑓 (𝑣)𝑑𝑣 (3.10)

4.3.3.4. AS TURBINAS EÓLICAS

Turbinas eólicas são equipamentos que absorvem parte da energia cinética do vento, convertendo-
a em energia mecânica, que é convertida em energia eléctrica apartir de um gerador eléctrico acoplado.
As turbinas eólica podem operar em uma larga faixa de velocidades do vento de 3 a 4 m/s e até 25 m/s,
equivalente a 90 km/h (56 mph), valor equivalente a um vendaval. A maioria dos modelos atuais de
turbinas faz melhor uso da constante variação da velocidade do vento ao mudar o ângulo das pás por
intermédio do controle de passo (pitch control) ao girar ou dar uma guinada (yawing) na pá, mudando
sua direção. Sofisticados sistemas de controle tornam possível um ajuste fino da performance da turbina
e da saída de electricidade.

4.3.3.5. CONVERSÃO DE ENERGIA CINÉTICA EM MECÂNICA

Existe um valor máximo de potência que uma turbina eólica pode extrair do vento, um fator muito
importante que precisa ser tido em conta. A conversão da energia cinética do vento em potência
mecânica passará por algumas restrições. A analogia que é feita do que acontece com o vento quando
passa por uma turbina, é que parte da energia cinética é extraída pela turbina. O vento que deixa a
turbina tem velocidade e pressão reduzidas, fazendo que o ar atrás da turbina se expanda.
O ponto de partida para a demostração da eficiência de uma turbina é a equação da continuidade
de Bernoulli, a qual diz que a vazão em um fluído é constante para diferentes pontos ao longo da vazão,
ou seja, para um aumento na velocidade do fluído, acontece uma diminuição da pressão ou da energia
potencial desse fluido, fato que é simultâneo para um fluido sem viscosidade.

𝑄 = 𝐴𝑒 𝑉𝑒 = 𝐴𝑠 𝑉𝑠 = 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡 (4.11)

Onde:
Q – é a vazão do vento que atravessa a turbina (m3/s);
Ae – é a área da secção transversal do tubo na entrada do rotor da turbina (m2);
As – é a área da secção transversal do tubo na saída do rotor da turbina (m2);
Ve – é a velocidade do vento na entrada do tubo (m/s);
Vs – é a velocidade do vento na saída do tubo (m/s);

A potência que nos interessa é a potência P que a turbina irá retirar do vento, que será a potência
de entrada menos a potência de saída:

𝑃 = 𝑃𝑒 − 𝑃𝑠 (4.12)
Sabemos também que a potência disponível varia com o cubo da velocidade do vento equação (4.3);
ou seja, a máxima potência extraída pela turbina limita a velocidade do vento na saída da turbina. O
detalhe e que a velocidade de saída não pode ser inferior a 1/3 da velocidade de entrada. Em suma a
turbina absorve 2/3 da energia do vento na entrada, e consequentemente sobra 1/3 da energia na saída,
em equações teremos:

𝑉𝑒 = (2/3) 𝑣 (4.13)

𝑉𝑠 = (1/3) 𝑣 (4.14)
Assumindo a massa específica do ar como constante (quando a densidade não varia significativamente,
o escoamento do fluido é incompressível), o que é válido para vento até 100 m/s.

𝑚 = 𝜌 𝐴 𝑉𝑒 (4.15)

Na entrada da turbina, sabemos que a potência do vento é:


𝑃𝑒 = (1/2) 𝑚 𝑣 2 (4.16)

Então, se substituímos as equações (4.13) e (4.15) na equação (4.16), teremos:

𝑃𝑒 = (1/2)[𝜌 𝐴 (2/3)] 𝑣 2 (4.17)

Com o mesmo raciocínio, para a potência de saída e considerando a equação (4.15) temos:
𝑃𝑠 = (1/2)[𝜌 𝐴 (2/3)(𝑣/3)] 𝑣 2 (4.18)

Para determinar-mos a máxima potência Pmax então, basta substituir as equações (4.17) e (4.18) na
equação (4.12) e chegamos a:

𝑃𝑚𝑎𝑥 = (16/27) [(1/2) 𝜌 𝐴 𝑣 3 ] = (16/27) 𝑃 = 0,592593 𝑃 = 59,3% 𝑃 (4.19)

Assim, 59,3% é o valor máximo que uma turbina eólica pode retirar da potência P disponível do vento
(Limite de Lanchester- Betz- Joukowsky).

4.3.3.6. O COEFICIENTE E A CURVA DE POTÊNCIA DE UMA TURBINA EÓLICA

A relação entre a potência extraída pelo vento e a potência disponível pelo vento é dada por Cp,
o chamado coeficiente de potência:
𝐶𝑝 = (𝑃𝑒𝑥𝑝 )/(1/2)𝜌 𝐴𝑣 2 (4.20)

A potência extraída será dada por:


𝑃𝑒𝑥𝑡 = (1/2) 𝜌𝐴𝑣 3 [(1/2)(1 + 𝜆)(1 − 𝜆2 )] (4.21)

Onde: 𝐶𝑝 = [(1/2)(1 + 𝜆)(1 − 𝜆2 )] = 4𝜆(1 − 𝜆)2 (4.22)


A velocidade na ponta da pá de uma turbina 𝜆 ou TSR de raio r (m), pode ser compreendida como
sendo a relação entre a velocidade tangencial u e a velocidade incidente do vento v:
𝜆 = 𝑢/𝑣 (4.23)
Mas 𝑢 = 𝜔𝑡 𝑟 então:
𝜆 = 𝜔𝑡 𝑟/𝑣 (4.24)

Como a velocidade angular é dada por: 𝜔𝑡 = (2𝜋𝑅)/60 𝑒𝐷 = 2𝑟, logo:

𝜆 = (𝜋𝑅𝐷)/60𝑣 (4.25)
Em que R é a rotação do rotor (rpm) e D é o dâmetro do rotor (m).

4.3.3.7. O TORQUE DE UMA TURBINA

Quando uma turbina eólica de forma mecânica, extrai potência do vento, ela transmite essa
energia aos eixos rotativos da turbina. Quando a potência está sendo transmitida através do eixo, um
torque T será gerado. E este torque será dado por:

𝑇 = 𝑃/𝜔𝑡 (𝑁 ∙ 𝑚/𝑟𝑎𝑑) (4.26)


Em que P é a potência mecânica em Watts e 𝜔𝑡 é a velocidade angular tangencial em rad/s.
O coeficiente de torque Ct é definido por:
𝐶𝑝
𝐶𝑡 = (3.27)
𝜆

Em que Cp é o coeficiente de potência da turbina e 𝜆, a razão de velocidade de ponta da pá. Da


equação (4.23) considerando r = D/2 teremos:

𝑇𝑆𝑅 = 𝜆 = 𝑢/𝑣 = (𝜔𝑡 𝑟)/𝑣 = (𝜔𝑡 𝐷)/2𝑣. Logo:

𝜔𝑡 = (2𝑣𝜆)/𝐷 (4.28)

Aqui, D é o diâmetro externo da turbina e 𝜔𝑡 é a velocidade angular do rotor. Da equação (4.21)


sabe-se que a potência extraída (P=Pext) de uma turbina é:

𝑃 = (1/2)𝐶𝑝 𝜌 𝐴𝑣 3 (4.29)
Substituindo as equações (4.29) e (4.28) em (4.26) temos:

𝐶𝑝 𝜌𝐴𝑣 2 𝐷
𝑇= como 𝜆 = 𝐶𝑝 /𝐶𝑇 , então:
2 2𝜆
𝐶𝑡 𝜌𝐴𝑣 2 𝐷
𝑇= (4.30)
2 2
A expressão para o torque total mecânico de uma turbina é encontrada tomando como base um
torque médio, ao qual se adicionam as oscilações. O torque mecânico médio (Tmm) pode ser dado pela
equação:
𝑇𝑚𝑚 = 𝑃/𝜔𝑡 (𝑁 ∙ 𝑚/𝑟𝑎𝑑) (4.31)

Em que P é dado pela equação (3.3). Substituindo a equação (3.31) e fazendo A = 𝜋𝑅 2 chegamos a:

𝑇𝑚𝑚 = 𝑅 2 𝑣 3 𝜌𝜋(𝐶𝑝 /2𝜔𝑡 ) (4.32)

Existe um efeito de sombra da torre da turbina eólica, que é o principal efeito adicionado ao
torque médio. Esse efeito é importante pois tem impacto directo na qualidade de energia. O efeito de
sombra acontece quando a pá da turbina passa em frente à torre do aerogerador, produzindo
consequentemente uma redução do torque aerodinâmico. Esse facto ocorre em razão da mudança do
fluxo de ar gerado pela torre. Como estamos tratando de uma pequena região angualar, o efeito pode
ser mais bem modelado de forma senoidal pela expressão:

𝑇𝑠 = 𝑘𝑠 [(1/2)𝑐𝑜𝑠𝑎 − (1/2)]𝑇𝑚𝑚 (4.33)

Em que Ts é o torque de sombreamento e ks é o factor de sombreamento percentual do torque mecânico


em função do sombreamento aerodinâmico. O ângulo 𝜃 de posicionamento das pás, medido entre a pá
considerada como primeira e a torre, é relacionado com a variável a por meio da equação:

𝑎 = 𝑓𝑝𝑜𝑠(𝜃) (4.34)

Finalmente, o torque mecânico total será a soma do torque mecânico médio com o torque de
sombreamento:
𝑇𝑚 = 𝑇𝑚𝑚 + 𝑇𝑠 (4.35)

4.3.3.8. A FORÇA DE SUSTENTAÇÃO E ARRASTO

Máquinas de sustentação usam forças de sustentação para gerar potência e máquinas de arrasto
usam forças de arrasto. As turbinas eólicas de eixo horizontal são máquinas de sustentação. As
principais propriedades de um rotor decorrem da força de sustentação e de arrasto de uma pá assim
descrita pela teoria dos aerofólios. Vamos considerar um elemento de aerofólio de profunidade t e
comprimento b ficar sujeito à velocidade do vento v1, em que ρ é a densidade do ar. Dependendo do
ângulo de ataque 𝛼 entre a direção do vento e o perfíl da pá, a força de sustentação Fs é dada por:

𝐹𝑠 = 𝑐𝑠 𝛼(𝜌/2)𝑣1 2 𝑡𝑏 perpendicular ao fluxo incidente (4.36)

O coeficiente cs é característica do perfíl da pá e dependem do ângulo de incidência 𝛼. Para


valores pequenos de 𝛼 (0≤ 𝛼 ≤ 10°) ocorre uma quase proporção linear de cs = (5,1 … 5,8).
4.3.3.9. A SOLIDEZ DE UMA TURBINA EÓLICA

A solidez é tida como a razão entre a área total da pá e a área varrida pela pá. Em uma turbina
eólica as pás descrevem a área circular varrida Av, que etermina a potência do vento que é interceptada.
Entretanto, a área total ocupada pelas pás é muito maior que a área varrida Av. Asolidez é dada
porcentualmente por:

𝑆 = (𝑁𝐴𝑝 )/𝐴𝑣 (4.37)

Onde N é o número de pás e Ap é a área de cada pá. A força que o vento exerce sobre as pás, e
consequentemente sobre o torque da turbina, é proporcional à solidez. Sob uma faixa razoável da
solidez, a eficiência da turbina independe desse parâmetro. A potência para uma dada velocidade,
depende apenas da área varrida, o que significa que, aumentando a solidez, se aumenta o torque, porém
diminui a taxa de rotação. Turbinas com alta solidez têm torque elevado, porém giram lentamente.
Resumidamente temos:
 Baixa solidez = alta velocidade = baixo torque
 Alta solidez = baixa velocidade = alto torque

A solidez tem efeito na perfomance de uma turbina eólica. Uma baixa solidez produz uma curva
ampla e plana, signuficando que o coeficiente de potência mudará muito pouco durante uma faixa
razoável da TSR. Alta solidez produz uma curva de desempenho estreita, tornando a turbina muito
sensível a mudanças da TSR. Uma solidez ótima parece ser alcançada com três pás, porém duas pás
podem ser uma alternativa aceitável, pois embora o coeficiente de potência máxima seja um pouco
menor, a propagação na posição de pico é mais ampla e isso pode resultar em uma captura maior de
energia. Pode-se argumentar que uma boa solidez seria conseguida com um grande número de pás de
solidez individual pequena, mas isso levaria a um aumento considerável do custo de produção. Para
uma turbina eólica de eixo horizontal, a solidez é defenida por:

𝑆 = 𝑃𝑐/𝜋𝑅 (4.38)
Onde P é a quantidade de pás, c é o complimento da corda e R é o raio da turbina.

4.3.3.10. A VIBRAÇÃO DE UM TURBINA EÓLICA

A força aerodinâmica sobre a torre é uma força de arrasto, que empurra a torre na direção do
vento, e é dada por:

𝐹 = 1/2 𝑐 𝜌 𝑣 2 𝐴 (4.39)

Em que 𝜌 é a densidade do ar, v é a velocidade do vento, A é a área da superfície que bloqueia


a passagem do vento e c é o chamado coeficiente de arrasto. Note que A é perpendicular ao fluxo do
vento. O coeficiente de arrasto c, é um factor que depende do formato do objecto. Por exemplo, para
um prisma retangular, c é o maior do que para um tubo circular. Como ocorre uma variação no diâmetro
da torre ao longo de seu eixo, o cálculo da força de arrasto torna-se então uma integral das várias áreas
retangulares tomadas. Um modo de evitar cálculos superiores exatos é fazer uma aproximação, ao
considerar superfícies geométricas conhecidas, dividindo a torre em vários segmentos.

4.3.3.11. O CICLO DE VIDA DE UMA TURBINA EÓLICA

Há dois caminhos para se identificar o mérito ambiental de um sistema energético sob a ACV
(análise do ciclo de vida), que são: a análise da energia líquida (AEL) e o ciclo de vida de emissão
(CVE). Na AEL se compara a energia útil produzida pelo sistema (Ep) à energia consumida por ele ao
longo do seu ciclo de vida (ECV). A relação entre a energia desenvolvida e consumida pelo sistema é a
chamada taxa de retorno energético (TRE), dada por:

𝑇𝑅𝐸 = 𝐸𝑝 /𝐸𝐶𝑉 = 𝐸𝑎 𝐿/𝐸𝐶𝑉 (4.40)

Em que Ea é a produção energética anual do sistema e L é o tempo de vida. Toda a energia


consumida durante a fabricação e operação deve ser incluída no valor de ECV. Outro ponto de interesse
é estimar o tempo necessário para que o sistema pague de volta toda a energia consumida por ele, que
é o período de retorno energético, dado por:
𝑃𝑅𝐸 = 𝐸𝐶𝑉 /𝐸𝑎 (4.41)

A energia produzida por uma turbina em um dado local é basicamente em função de seu fator
de capacidade. Isso significa que, independentemente do tamanho e tipo da turbina, as característica do
local também influenciam o PRE e a TRE. Geralmente, mesmo com um facotr de capacidade moderado,
os parques eólicos pagam a energia consumida ao longo de seu ciclo de vida no prazo de 1 ano de seu
comissionamento. Turbinas eólicas modernas são mais eficientes e usam menos material, assim
terminam pagando a energia muito mais rápido que os modelos anteriores.

4.3.3.12. O TERRENO

Analisar a topografia e a orografia de um terreno é papel fundamental para avaliar o uso do local
para energia eólica. As correntes de ar que circulam a Terra sofrem um atrito ao tocarem sua superfície,
que resulta numa força horizontal contrária ao fluxo incidente e decrescente com a altura, até um ponto
chamado camada-limite, além do qual chamamos de atmosfera livre, região onde o vento circula ao
longo de linhas de mesma pressão, chamadas de isóbaras. Na atmosfera livre, além da camada- limite,
devido às forças barométricas, que também dependem da altura, os ventos crescem linearmente até
atingirem a tropopausa, de onde voltam a cair de valor.
Para a eólica o que interessa está dentro da camada-limite superficial, os ventos proximos à
superfície, pelo menos em torno de 150 m, que seria uma boa altura a se considerar quando se tem em
mente as turbinas eólicas modernas e de grande porte. Próximo ao solo, a variação da direção do vento
é praticamente nula e, no caso de eólica desconsidera-se a variação vertical do vento. Na camada-limite
superficial, o vento se comporta de modo exponencial ou logarítmica, e se tivermos a velocidade de
atrito e o comprimento da rugosidade do solo Z0 (m), podemos determinas a velocidade do vento.

4.3.3.13. A RUGOSIDADE E A OROGRAFIA DO SOLO


Neste momento devemos investigar as características do solo, e chegamos então ao conceito de
rugosidade e orografia. A orografica é o estudo das nuances do relevo de uma região, das características
do relevo terrestre, e rugosidade é a medida das variações desse relevo. Percebe-se então que o estudo
de ambas desempenha um importante papel na escolha do local mais adequado para a instalação de
turbinas eólicas. Em suma: quais imoerfeições ou não tem o terreno, que facilitarão ou não o fluxo do
vento. A tabela abaixo de Troen e Petersen, mostra a classificação da superfície quanto à rugosidade,
fazendo uma divisão em quatro partes. Fornce um bom farol para o estudo preliminar da rugosidade do
terreno e do vento envolvido. I (10 m) simboliza a intensidade de turbulência a 10 metros de altura Z0
para a respectiva classe.

Classe Descrição Z0 (m) I (10 m)


0 Água (lagos e mares), areia suave ou neve 0,0001- 0,001 0,08- 1,10
1 Grama, fazenda com algumas construções ou árvores 0,01- 0,03 0,14- 0,17
2 Fazendas em terrenos abertos 0,05- 0,10 0,18- 0,21
3 Arbustos, árvores, subúrbio e pequenas cidades 0,20- 0,40 0,25- 0,30
Tabela 3.1- Classificação da rugosidade da superfície da alguns tipos de terreno (Fonte: Troen, 1989).

4.3.3.14. O CONTROLE DE POTÊNCIA DE UMA TURBINA EÓLICA

Independentemente de limitar a potência do rotor em ventos de alta velocidade existe o problema


de manter constante a velocidade do rotor ou mantê-lo dentro de limites predeterminados. O limite de
velocidade torna-se uma questão primária quando, por exemplo, durante uma queda da rede, o torque
do gerador é subitamente perdido. Em tal caso, a velocidade do rotor aumentaria de modo extremo e
certamente levaria a destruição da turbina, a não ser que fossem imediatamente tomadas contramedidas.
O rotor de uma turbina eólica tem que ter, portanto, meios aerodinâmicos efetivos para limitar sua
potência e sua velocidade rotacional. As forças aerodinâmicas podem ser reduzidas ppor meio da
influência do ângulo de ataque, ao reduzir a área varrida do rotor ou por meio da mudança efetiva da
velocidade livre do fluxo de ar pelas pás do rotor. Como a velocidade do vento não pode ser
influenciada, a efetiva velocidade livre do fluxo nas pás do rotor só sofre mudança com a velocidade
do rotor. A velocidade do rotor, pode portanto, ser usada como uma variável de correção de controle
de potência.
Há três tipos conhecidos de controle de potência em uma turbina eólica:
a) Ativo: sistema de controle de passo (pitch control);
b) Passivo: sistema de controle por estol (stall control ou passive stall);
c) Híbrido: combinação dos dois sistemas anteriores (active stall).

Para este projecto, recorremos ao sistema de controle híbrido, pois são recomendados para
máquinas de grande porte, com a potência acima de 1 MW. As vantagens deste tipo de sistema em
comparação aos outros é que o controle da potência é simples e é feito por meio de leves ajustes no
ângulo de passo e, estão associados a turbinas mais simples de ser construídas do que as turbinas com
controle de passo.
4.3.4. CÁLCULOS ELÉCTRICOS

4.3.4.1. ESCOLHA DOS EQUIPAMENTOS PRINCIPAIS


4.3.4.1.1. ESCOLHA DA TURBINA EÓLICA

Para o nosso projectos escolhemos as turbinas de eixo horizontal em função das suas
características construtivas. E em comparação ao outro tipo de turbina, de eixo vertical, ela apresenta
as seguintes vantagens:
 Acesso a ventos de maiores velocidades por causa da altura da torre.
 Melhor controle devido ao ajuste do ângulo de passo.
 Alta eficiência, uma vez que as pás encaram perpendicularmente o vento.
Dentre as turbinas de eixo horizontal, existem duas classes: A máquina downwind
(quando o vento incide na parte dianteira da área de varredura da turbina) ou upwind (quando o vento
incide na parte dianteira da área de varredura da turbina). Para este projecto utilizaremos a “máquina
upwind” que apesar da sua complexidade elas operam mais suavemente e fornecem mais potência.
Consideraremos a seguinte tabela com modelos de turbinas éolicas disponíveis pela Enercon em 2012.
E-33* E-44 E-48 E-53 E-70 E-82 E-101 E-126
2300 kW 2000 kW
Potência nominal 330 kW 900 kW 800 kW 800 kW 2300 kW 3000 kW 7500 kW
3000 kW
Diâmetro
33,4 m 44 m 48 m 52,9 m 71 m 82 m 101 m 127 m
do rotor
37 m 50 m 57 m 78 m
45 m 60 m
44 m 60 m 64 m 85 m
55 m 73 m 99 m
Altura do cubo 49 m 75 m 85 m 98 m 135 m
65 m 75 m 135 m
50 m 76 m 98 m 108 m
113 m 138 m
Área varrida 876 m2 1521 m2 1810 m2 2198 m2 3959 m2 5281 m2 8012 m2 12668 m2
Velocidade Variável Variável Variável Variável Variável Variável Variável Variável
rotacional 18- 45rpm 12- 34rpm 16- 31rpm 12- 28,3rpm 6- 21,5rpm 6- 18rpm 4-14,5rpm 5- 11,7rpm
Velocidade de corte 28-34 m/s 28-34 m/s 28-34 m/s 28-34 m/s 28-34 m/s 28-34 m/s 28-34 m/s 28-34 m/s
Tabela 4.2.- modelos de turbinas éolicas (Fonte: Enercon, 2012).

4.3.4.1.2. ESCOLHA DO GERADOR

4.3.4.1.2.1. RENDIMENTO DO GERADOR

Já sabemos que a potência eléctrica de uma turbina eólica é dada a partir da equação (4.21)
incluindo as perdas envolvidas, teremos:

1
𝑃𝑒𝑥𝑡 = (2) 𝜂 𝐶𝑝 𝜌 𝐴𝑣 3 → 𝜂 = 2𝑃𝑒𝑥𝑡 / 𝐶𝑝 𝜌 𝐴𝑣 3 (4.42)

Nota: 𝜂 é o rendimento do gerador. Para se ter uma melhor ideia da potência eléctrica gerada por uma
turbina eólica, é bom conhecer o seu rendimento. O rendimento é afetado pelas diversas perdas que
assolam o aerogerador. Também há perdas no transformador e que são semelhantes às perdas do
gerador. A tabela abaixo demonstra tais perdas.

Dispositivos Perdas
Gerador Mecânicas: atrito entre os componentes (mancais e ventilação)
Magnéticas: histeres, correntes parasitas e saturação magnética
Eléctricas: correntes no enrolamento (efeito Joule)
Multiplicador Atrito entre as engrenagens: calor
Sistema eléctrico Efeito Joule e efeito corona
Tabela 4.3. Perdas associadas aerogerdor (Fonte: Pinto 2014).

4.3.4.1.3. ESCOLHA DO TRANSFORMADOR

4.3.4.2. AS PERDAS ELÉCTRICAS

As perdas eléctrica incluem perdas devidas ao gerador e à energia usada para iluminação e
aquecimento. As perdas devidas à geração de energia são principalmente perdas nos cabos e no
transformador. O cabo de baixa tensão deve ser curto para evitar grandes perdas. O transformador é
geralmente localizado perto das turbinas eólicas para evitar longos cabos de baixa tensão. Somente
pequenas turbinas eólicas são conectadas diretamente à rede de baixa tensão sem um transformador.
No ponto de conexão há um disjuntor para a desconexão do parque eólico. O sistema de protecção
eléctrico de uma turbina eólica precisa proteger a turbina, bem como garantir a segurança da operação
sob todas as circunstâncias.

4.3.4.3. A EFICIÊNCIA DO AEROGERADOR

A quantidade de energia que uma turbina eólica ou aerogerador pode produzir depende de uma
série de fatores, como a área varrida do rotor, a altura do cubo e quão eficiente é a turbina para converter
a energia cinética do vento. Em eólica, há duas situações distintas que tratam da eficiência. Uma é a
produção de potência em relação à potência nominal (kWh/kW), a outra é a produção de potência em
relação à área varrida (kWh/m2). Entretanto, nenhum desses casos indica uma boa estimativa da
eficiência de uma turbina. Neste caso recorremos então, o factor de capacidade de uma turbina.

4.3.4.4. O FACTOR DE CAPACIDADE DE UM AEROGERADOR

O fator de capacidade de um aerogerador Fc, é uma taxa percentual que exprime a relação entre
a energia eléctrica gerada e a sua capacidade de produção. Considerando o período de 1 ano, temos a
energia anual gerada (EAG) em kWh, que é dada por:

𝐸𝐴𝐺 = ∑[𝑓(𝑣)𝑃(𝑣)] ∙ 365 𝑑𝑖𝑎𝑠 ∙ 24 ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠 = ∑[𝑓(𝑣)𝑃(𝑣)] ∙ 8760 (𝑘𝑊ℎ) (4.43)


Sendo f(v) a frequência percentual de ocorrência da velocidade do vento e P a potência
produzida pela turbina na velocidade do vento v. Assim, chegamos ao factor de capacidade da turbina
eólica:
𝐹𝑐 = (𝐸𝐴𝐺)/(8760 ∙ 𝑃𝑛 ) (4.44)

Onde Pn é a potência nominal do vento. Geralmente, o fator de capacidade de uma turbina


eólica varia na faixa de 40% a 50%. Valores maiores representam uma máxima produção de potência.

4.3.4.5. O ARMAZENAMENTO DE ENERGIA

O armazenamento de energia é o elo perdido entre a geração eólica e o fornecimento de


energia de uma forma sustentável que pode ser despachado em momentos de alta demanda da rede. Os
sistemas de transmissão que cobrem grandes territórios são particularmente vulneráveis, exigindo uma
transmissão dedicada e um pronto despacho dos sistemas de potência.
Em função da variação do vento, nota-se um baixo factor de capacidade. Um dos
benefícios do armazenamento de energia seria um completo uso dos ativos de capital. A integração das
já crescentes fontes renováveis de energia, como o vento, com o estoque de energia irá trazer uma ampla
contribuição ao mix de energia. Mas ainda, durante horários de pico irá evitar o uso de unidades não
eficientes utilizando os combustíveis principais. O mercado ou os benefícios do estoque de energia
podem ser quantificados em três importantes áreas do elo eléctrico; geração, transmissão e distribuição.
Outro benefício do estoque de energia seria a redução do consumo de água e da emissão de CO2, além
da economia com os serviços auxiliares de transmissão.

Figura 4.3. Armazenamento de energia de alta escala (Fonte: Pinto 2014).

4.3.4.6. HARMÔNICOS

Harmônicos são distorções de tensão ou corrente, com frequências que são múltiplos
inteiros da onda fundamental. É o termo usado para descrever as correntes de alta frequência da onda
senoidal fundamental. Há também os inter-harmônicos, que não são múltiplos inteiros da frequência
fundamental. Ao dizer que um cicuito possui a terceira ordem harmônica, estamos nos referindo à
frequência de 180 Hz (para um sistema de frequência nominal de 60 Hz). Boa parte dos equipamentos
são projectados para funcionar numa condição de tensão eficaz (ou seja, 380 V ou 440 V, por exemplo),
com variação ao redor de ±5%, numa frequência constante de 50 Hz ou 60 Hz dependendo do país.
Os harmônicos não contribuem para a entrega de energia útil e ainda causam efeitos
poluentes ao sistema eléctrico, como aquecimento dos motores, erros nas medições de energia
eléctricas, sobrecargas de capacitores para a compensação de reativos, etc. Tal aquecimento em
geradores, motores ou transformadores se torna muito difícil de se dessipar, devido à configuração
fechada de tais equipamentos. Os harmônicos são principalmente gerados em sistemas que possuem
conversores. Também são gerados pela saturação magnética no equipamento de potência. O gerador e
o transformador se comportam de modo linear, porém não na ocorrência de uma saturação no circuito
magnético, que nesse caso, exige uma corrente de magnetização não senoidal.
Os níveis permitidos de correntes harmônicos estão definidos pela IEC 61000-3-2. As
concessionárias de energia têm estabelecidi seus próprios valores. Os valores permitidos de correntes
harmônicas são dados em A/MVA, referindo-se à potência aparente de curto-circuito no ponto de
conexão.

4.3.4.6.1. CORRENTES HARMÔNICAS


Correntes harmônicas individuais são dadas como uma média de 10 min para cada harmônico
(até o harmônico de ordem 50).

4.3.4.6.2. HARMÔNICOS DE TENSÃO

Cargas não lineares (ou seja, cargas que puxam uma corrente que não é uma função linear
da tensão) distorcem a forma de onda de tensão e podem em vários casos provocar um
superaquecimento no condutor neutro e nos transformadores de distribuição, levando a um mau
funcionamento dos equipamentoso electrônicos e a distorção dos sistemas de comunicação. Exemplos
de cargas não lineares são os conversores de potência, as lâmpadas fluorescentes e de mercúrio e os
fornos. A forma de onda distorcida pode ser expressa como o somatório de senoides com as frequências
iguais a uma integral múltipla da frequência fundamental são indicados como harmônicos, ao passo que
os outros são classificados como inter-harmônicos. As tensões harmônicas Uh podem ser avaliadas
individualmente por sua amplitude relativa (em que h indica a ordem harmônica, como por exemplo
um múltiplo inteiro de 50 Hz):
𝑈ℎ = 𝑢ℎ 𝑈𝑛 (4.49)

Conversores baseados em tiristores podem emitir correntes harmônicas que poderão


influenciar as tensões harmônicas. Tais conversores, entretanto, raramente são usados nas turbinas
eólicas modernas, que se baseiam em transistor e operam em frequências de comuntação acima de 3
kHz. Em geral a conexão de um equipamento eléctrico não muda a impedância harmônica da rede.
Possíveis fontes de harmônicos já instaladas na rede, sob certas condições, causar tensões
harmônicas inaceitáveis. Consequentemente, para redes com fontes harmônicas significativas, a
conexão de novos aparelhos, como os parques eólicos com bancos de capacitores, deve ser
cuidadosamente projetada a fim de evitar uma modificação mal condicionada da impedância
harmônica.
4.3.4.7. TENSÕES TRANSITÓRIAS

Na partida de uma turbina eólica, a corrente transitória alcança cerca de sete vezes o valor
de regime. No caso de um parque eólico, todos os transitórios se somam, porém dificilmente todas as
turbinas eólicas partirão em um mesmo instante. Para isso, é possível ter um sistema de controle que
evite a simultaneidade nas energizações. Também ocorrem transitórios na comutação de dois geradores
eólicos de diferentes potências nominais de uma turbina.
A tensão de barramento pode se desviar de seu valor nominal por muitos motivos. Dependendo
de sua magnitude e tempo de udração, um desvio pode ser tolerado. Capacitores são usados para gerar
potência reativa. Em parques eólicos, cada comutação de um capacitor gera transitório que causam um
excessivo torque nas engrenagens da turbina, levando a um grande desgaste na caixa de velocidade.
Além disso, o elevado número de comutações necessária para a manutenção do sistema leva a falhas
dos capacitores, o que resulta em um maior custo de manutenção.

4.3.4.8. FLICKERS

Se uma carga não linear solicita uma potência ou ocorre uma manobr de carga ou de rede,
teremos em ambas as situações uma flutuação de tensão. Se o vento muda de velocidade, haverá
variação na potência gerada e poderá ocorrer também uma flutuação de tensão. Se a variação de tensão
for rápida e ocorrer em frequências baixas , entre 0,1 Hz e 35 Hz, elas são visíveis ao olho humano, e
chegamos então ao conceito de flickers (cintilações). Ou seja a variação de velocidade da turbina,
devido a flutuação nas condições de vento, causa pequenas variações de tensão e de corrente que são
grandes o suficiente para serem detectadas como uma breve cintilação nas lâmpadas fluorescentes.
Portanto flicker é a impressão subjetiva da variação de densidade da luz das lâmpadas. Os máximos
valores permitidos das variações de tensão são em função da sua ocorrência. Os valores mais
inconvenientes para o olho humano estão em torno de 1000 mudanças por minuto, o que corresponde
a frequência entre 8 a 10 Hz. Em torno de 8,8 Hz, a frequência é considerada crítica.
Mesmo sendo aparentemente uma simples questão de desconforto visual, sabe-se que tal efeito pode
provocar disfunção neurológica em pessoas que estão submetidas ao efeito. A dificuldade comum
devido às variações luminosas pode provocar dor de cabeça, dificuldades de raciocínio, desconforto
visual, etc.
Há também o flicker de sombra, que é o efeito usado para descrever o efeito
estroboscópico do aspecto da sombra das pás em rotação, das turbinas eólica, quando o sol se encontra
atrás delas. A sombra pode causar distúrbio para as pessoas que estão sujeitas a tal fenômeno.

4.3.4.9. PROTECÇÃO CONTRA RAIOS

As torres das turbinas eólicas modernas alcançam alturas que já superam os 100 m. O
grande tamanho, o formato característico e o facto de serem estruturas colocadas geralmente em locais
isolados e por vezes montanhosos significam que elas são extremamente vulneráveis à acção de
relâmpagos. O relâmpago é um fenómeno estocástico e complexo, com duração aproximada de 0,5
segundos e comprimento de 5 a 10 km de extensão. Com relação as turbinas (e outras estruturas altas),
interessa analisar as descargas do tipo de acção descendente (da nuvem para o solo) e o tipo de acção
ascendente (do solo para a nuvem). É importante salientar que o pico de corrente de uma simples
descarga de um relâmpago pode atingir 200 kA (máximo valor já registado), mas o seu valor médio é
de 30 kA. Se o sistema de protecção da turbina eólica não actuar ao levar essa corrente de modo seguro
ao solo, por um caminho de baixa impedância, podem ocorrer então danos à estrutura. Com relação as
turbinas eólicas, os diferentes tipos de protecção contra os raios são:
 Sistema de captação aérea nas pás;
 Fitas de alta resistência e desviadoras;
 Condutores instalados dentro das pás;
 Material condutor na superfície das pás.

A avaliação de risco deve incluir considerações sobre a localização da turbina em relação


à frequência e a intensidade dos riscos na geografia e topologia em questão. A orientação oficial sobre
as protecções de relâmpagos em turbinas eólicas é dada pela norma IEC 61400-24, que informa que o
número de ataques de raios a turbinas eólicas depende basicamente de sua altura e localização. É
recomendado que para o cálculo da área abrangida todas as turbinas sejam modeladas com mastros
altos, com igual à altura do cubo mais um raio de rotor. Também é recomendado incluir as variaçõesdo
terreno, com o objectivo de encontrar uma altura efetiva para a turbina eólica.
Outra recomendação é considerar o cálculo das áreas abrangidas das estruturas conectadas
para uma turbina deee altura Ha e outras estruturas de altura Hb conectada através de um cabo
subterrâneo de comprimento Lc. Há uma área abrangida de raios próximos à linha de serviços, que é
simplesmente uma área de coleta, dada por:
𝐴𝑖 = 25𝐿𝑐 (𝜌)1/2 (4.50)

Em que 𝜌 é a resistividade do solo. Também existe a área abrangida (área de coleta) de


raios na linha de serviço, dada por:
𝐴𝑠 = [𝐿𝑐 − 3(𝐻𝑎 + 𝐻𝑏 )](𝜌)1/2 (4.51)

Os raios que estão inseridos dentro da estreita faixa As, ao longo da rota do cabo
subterrâneo, podem penetrá-lo e afetá-lo diretamente, ao passo que os raios dentro da faixa Ai podem
induzir transitórios. A protecção de um sistema eléctrico-electrônico é realizada conforme o que se
conceitua de área ou zonas de protecção. Cada zona tem suas características próprias de acordo com a
tolerância de cada dispositivo à acção da descarga electromagnética. Em uma turbina eólica pode-se ter
quatro zonas de protecção contra as descargas atmosféricas com diferentes níveis de perigo.

Zona de protecção AO Zona de protecção OB Zona de protecção 1 Zona de protecção 2


Pás e torre Luzes de sinalização Nacele (parte interna) com
Componentes no quadro de
cobertura: comando principal na base da torre.
 Gerador
 Sistema de refrigeração
 Sistema hidráulico
 Caixa de engrenagens
Cubo Antenas de rádio Sistemas de iluminação da Equipamentos de comunicação na
torre base da torre
Linhas aéreas Sensores para medição dasTransformador Quadro de comando na parte interna
condições ambientais da nacele
Cabos condutores no solo: Nacele (parte interna) com
Cabos de conexão entre a Quadros de comando para
 Comunicação do parque cobertura não condutora: nacele e a base da torre regulagem pitch e stall
 Ligação com a estação de medição Gerador
 Conexão com o transformador.  Sistema de refrigeração
 Sistema hidráulico
 Caixa de engrenagens
Tabela 4.4 - Zonas de portecção contra raios de uma turbina eólica e os seus elementos associados.

As peças e os equipamentos eléctricos precisam resistir a possíveis riscos e cargas de


acordo com a sua zona de proteção. Não sendo possível, para eliminar as interferências e as
paralisações, devem ser tomadas medidas apropriadas nas zonas de fronteira. Essa proteção é oferecidad
por um sistema de compensação de potencial de baixa impedância, que possui blindagem e protetores
contra surtos e raios (tais protetores colaboram com a protecção do sistema ao reduzirem as
interferências a um patamar mínimo e inofensivo).

4.3.4.10. O ATERRRAMENTO

O aterramento típico de uma turbina eólica é disposto em forma de anel ao redor da base da
fundação. Geralmente electrodos verticais e horizontais são incluídos para alcançar as metas de baixa
resistência de aterramento, baixa tensão de passo e tensão do toque. As pás e a torre podem ser
modeladas de acordo com uma linha de transmissão sem perdas, caracterizada por sua impedância
devido a seu formato particular. Há diferentes modelos de aterramento.
Para o nosso projecto, recomendamos a criação de um sistema de aterramento composto por um
terra local (indentificado como sendo Rturbina) colocado em cada turbina, geralmente fornecido pelo
assentamento de um anel de um condutor desencapado ao redor da fundação (a uma profundidade
aproximadamente 1m) e por dispor de hastes de aterramento verticais no solo. A rede local, tem como
finalidade fornecer uma ligação equipotencial para se ter um único elemento de aterramento do sistema
do parque eólico como um todo. Serão conectados também electrodos horizontais que ligam uma
turbina a outra (resistência série Rsérie combinada com uma indutância Lsérie). Em redes de aterramento
de parques eólicos está impedância não pode ser ignorada. Pode ser visto que para a alta frequência de
um relâmpago sob uma turbina eólica, a indutância em série atua de modo eficaz reduzindo a rede de
aterramento ao terra local da turbina.
Quanto ao aterramento dos transformadores elevador é imperativo que um dos lados deste seja
conectado em delta, eliminando assim a circulação de corrente de sequência zero, pois alguns
fabricantes conectam os geradores em delta ou em estrela não aterrado, evitando a circulação de
corrente de curto-circuito monofásica no gerador. Apesar de não aterrar o neutro do gerador, um sistema
de terra deve ser feito para o neutro do transformador, bem como para os para-raios, o sistema de
controle e protecção de toque dos componentes metálicos da turbina eólica. O aterramento deve seguir
as recomendações de norma. Normalmente, utilizam-se as ferragens da fundação da turbina eólica para
melhorar o aterramento.
4.3.4.11. A FUNDAÇÃO

A fundação da torre será determinada pelo tamnaho da turbina eólica e pelas condições locias do
terreno. Neste sentido, as maiores cargas atuando no vento devem ser consideradas. O fator
determinante aqui é a velocidade assumida do vento, chamada de velocidade de “ sobrevivência” do
vento. É bom dizer que o tipo de turbina também terá influência no dimensionamento da fundação.
Turbinas com controle de estol não têm a opção de desligar as pás, de modo que elevadas cargas
estáticas possam surgir com esta configuração, fato que é relevante no dimensionamento da fundação
e, portanto, no custo.
Um segundo caso de carga que deve ser verificado é o que envolve elevadas cargas durante a
operação. Em operação, o máximo momento de inclinação (maximum tilting moment) para a fundação
é determinado pelo empuxo do rotpr. Em turbinas com controle de passo, o empuxo do rotor alcança
seu pico na potência nominal, ao passo que em turbinas com controle por estol, tal aumento continua
mesmo até depois que a potência nominal ter sido alcançada. Dependendo das condições geológicas,
fundações escavadas (pile foundations) ou fundações em sapatas (slab foundations) serão usadas. O
fator decisivo é como as camadas do solo irão absorver as cargas.

4.3.4.12. INTEGRAÇÃO COM A REDE

4.4. MEMÓRIA JUSTIFICATIVA

4.4.1 CÁLCULO DA POTÊNCIA INSTALADA


4.4.2. CÁLCULO DA CORRENTE DE CURTO-CIRCUITO
4.4.3. DETERMINAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DE COMUTAÇÃO, CABOS,
BARRAMENTOS E TRANSFORMADORES DE MEDIDA

4.5. A ESTEIRA DA TURBINA EÓLICA

Sabemos que na melhor da hipóteses, aerodinamicamente uma turbina eólica absorve no máximo
59,3% do fluxo incidente do vento, o chamado limite de Lanchester-Betz- Joukowsky. A área atrás da
turbina, chamada de esteira ou sombra, tem menos energia cinética e, assim menos velocidade do vento.
A esteira diminui à medida que se afasta da turbina que a provocou, e por ser uma região de turbulências,
surgem os conhecidos vórtices de von Kármán. Deve-se evitar que uma turbina sofra a influência da
sombra de outra turbina, influência esta que reduziria tanto a performance como a vida útil da turbina
afetada.

4.6. A DISPOSIÇÃO DAS TURBINAS

A geometria do posicionamento das turbinas e a intensidade de turbulÊncia ambiental são


consideradas os parâmetros mais importantes que afetam as perdas do conjunto. Os típicos valores de
intensidade de turbulência estão entre 10% e 15%, mas sob as águas podem chegar a 5% ou 50% em
um terreno acidentado. É bom dizer que a intensidade de turbulência também aumenta ao longo de um
parque eólico. Isso ocorre devido à interação do vento com os rotores das turbinas. Estudos mostram
que turbinas espaçadas entre oito a 10 vezes o diâmetro do rotor D possuem perdas geralmente ao redor
de 10%. As perdass

4.7. REPOTENCIAÇÃO DAS TURBINAS EÓLICAS

Alguns parques eólicas passam por um processo chamado repotenciação, que é atualização-
substituição dos equipamentos originalmente instalados, visando a um melhor aproveitamento do
sistema. Na Europa, por exemplo, boa parte dos locais com melhores condições de vento já explorada
e, locais disponíveis para instalação de novas turbinas estão cada vez mais escassos. Assim, o conjunto
desses fatores também contribuiu para a repotenciação.
O potencial socioeconômico e os benefícios ambientais da repotenciação têm vários faces. A
repotenciação leva a um melhor uso do potencial da terra e a redução nos níveis de ruído do local. Os
impactos negativos são geralmente associados a impactos visuais. A repotenciação leva ao uso de
menos turbinas, embora mais altas. Um estudo de 2008 a respeito do efeito da repotenciação em três
regiões na Alemanha mostrou que: a altura foi duplicada, o número de turbinas foi reduzido entre a
metade e 1/5 e a capacidade instalada aumentou por um factor entre 1,5 e 3,5, enquanto a energia anual
produzida aumentou por um factor entre 2,2 e 4,3. Dados de 2010 a respeito de dois projectos
repotenciados na Espanha mostram resultados semelhantes: a capacidade total aumentou em 2,5, ao
passo que o número de turbinas foi reduzido em 85%. Alguns estudos mostram que as pessoas podem
preferir um número menor de grandes turbinas eólicas a várias pequenas turbinas; outros estudos,
entretanto, indicam uma preferência por parques eólicos menores.

4.8. ANÁLISE DO CUSTO BENEFÍCIO DO PROJECTO

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