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Lit.

Professor: Amara Moira


Monitor: Rodrigo Pamplona

Lit.
13
Romantismo
jun

RESUMO
I) A POESIA ROMÂNTICA

O ROMANTISMO A 1ªGERAÇÃO - INDIANISTA OU NACIONALISTA


A primeira geração romântica é caracterizada como Nacionalista ou Indianista e tinha o intuito de despertar
o sentimento de amor à pátria, uma vez que, após tantos anos de Brasil-Colônia, era necessário implantar um
apego à terra tupiniquim e valorizar as belezas e os valores da região, ainda que de forma idealizada. Além
disso, a imagem do índio é resgatada como a representação do herói nacional.

CONTEXTO HISTÓRICO DA 1ª GERAÇÃO


- Instalação da Corte Portuguesa no Brasil (1808);
- Abertura dos Portos;
- Chegadas das missões estrangeiras (científicas e culturais);
- Revolução Industrial;
- Era Napoleônica;
- Revolução Francesa.

CARACTERÍSTICAS DA 1ª GERAÇÃO
a) Sentimento nacionalista, culto à pátria;
b) Fuga à realidade;
c) Índio abordado de forma superficial, salvador da pátria;
d) Linguagem subjetiva;
e) Maior liberdade formal;
f) Vocabulário mais simples;
g) Natureza mais real, deixa de ser pano de fundo e interage com o eu lírico.

Na poesia, os nomes que mais se destacam são Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães.

2ª GERAÇÃO ULTRARROMÂNTICA OU MAL DO SÉCULO


Com inspiração nas obras dos poetas Lord Byron e Goethe, a 2ª geração do Romantismo, conhecida

independência do Brasil, os poetas começaram a se desvincular do compromisso com a nacionalidade,


exaltado na geração anterior e, com isso, há uma expressão maior de seus sentimentos, numa posição

Lit.
egocêntrica de desinteresse ao contexto histórico.
Os ideais da Revolução Francesa - grande marco para o início do Romantismo na Europa -

ser humano com a vida, uma sensação de falta de conexão com a realidade. Tudo isso provoca um
pessimismo no eu-lírico, causando uma aproximação com a morte e atração pelo elemento
noturno/obscuro.

CARACTERÍSTICAS DA 2ª GERAÇÃO
a) Pessimismo;
b) Atração pela noite/noturno;
c) Sentimentalismo;
d) Fuga à realidade;
e) Idealização amorosa;
f) A amada/musa inatingível;
g) Figura feminina representando a pureza - anjo, criança, virgem;
h) Idealização do amor x medo de amar.
Dentre os principais autores da época, podemos citar: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes
Varela e Junqueira Freire.

3ª GERAÇÃO CONDOREIRA OU POESIA SOCIAL


A 3ª geração do Romantismo - conhecida como Geração Condoreira - exibia um desejo de renovação da
sociedade brasileira. Questionadora dos ideais da primeira geração, o condoreirismo teve muito
engajamento político-social, denunciando as condições dos escravos. Os poetas desse momento
reivindicavam uma poesia social com valores de igualdade, justiça e liberdade. Além disso, na poesia
amorosa, o eu lírico afasta-se de caracterizar a mulher como algo inatingível, promovendo uma lírica de
cunho mais sensual, junto à presença de uma mulher mais concreta.

CARACTERÍSTICAS DA 3ª GERAÇÃO
a) Poesia social e libertária;
b) Geração
c) Identidade nacional;
d) Abolicionismo;
e) Identidade africana como parte da identidade brasileira;
f) Negação ao amor platônico;
g) Erotismo e pecado.

Dentre os principais autores da época, podemos citar: Castro Alves (o poeta dos escravos) e Sousândrade.

II) A PROSA ROMÂNTICA


A prosa romântica, em especial, se subdivide em quatro tipos de romance: o regionalista, o indianista, o
urbano e o histórico. A valorização da individualidade permitiu que inúmeros autores retratassem as
diferentes características do Brasil, que estava marcado tanto pelas diversidades locais pelo país (língua,
cultura e valores regionais) quanto pelo cenário urbano que atendia às necessidades da burguesia. Além
disso, é importante dizer que, na prosa, não há a divisão entre gerações (como ocorre na poesia), pois muitas
obras eram publicadas quase que, simultaneamente, e, o maior nome da prosa romântica é o escritor José
de Alencar.

O ROMANCE INDIANISTA
No romance indianista, é comum vermos a construção da imagem de índio de forma heroica, como o
salvador da nação a fim de implantar um sentimento de amor à pátria. Sua imagem é aproximada a de um
cavaleiro medieval, ideal propagado na Europa durante a Idade Média. Além disso, a natureza não atua como
plano de fundo e ganha vitalidade, força, fazendo com que muitas das vezes haja uma noção de
personificação do ambiente natural, como também a associação ao meio selvagem.
O choque cultural entre colonizadores e índios sempre será apresentado nas prosas indianistas, tal como a
apresentação de suas diferenças, como costumes, linguagens, hábitos, entre outros. Algumas obras de

O ROMANCE REGIONALISTA
O romance regional foi primordial para o incentivo de uma literatura que abordasse acerca das diversidades
Lit.
locais. Entre suas características, há a valorização de aspectos étnicos, linguísticos, sociais e culturais sobre
várias regiões do país. Ademais, as principais regiões abordadas foram o Rio de Janeiro (que era a capital do
Brasil naquele período) e as regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste.
O contraste de valores e costumes será abordado nos romances, em geral, propagados por personagens que
passam a conviver recentemente em um mesmo ambiente, mostrando determinadas distinções entre o meio

O ROMANCE URBANO
O romance urbano foi o que melhor atendeu às necessidades da burguesia, pois retratava sobre a vida
cotidiana e seus costumes, pondo em discussão os valores morais vividos na época, entre eles, o casamento
promovido de acordo com a classe social.

o autor Álvares de Azevedo também teve papel importantíssimo na prosa, e desenvolveu as ob


O ROMANCE HISTÓRICO
O romance histórico, como o própria nome já nos ajuda a explicar, marcava em sua narrativa os principais
acontecimentos históricos do século XIX no Brasil. A composição da narrativa é feita a partir de relatos e
documentos informativos sobre uma determinada época ou movimento social. Há dois romances de

III) TEXTOS DE APOIO

TEXTO I

A canção do africano

Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto

De um lado, uma negra escrava


Os olhos no filho crava,

E à meia voz lá responde


Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!

Das bandas de onde o sol vem;


Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!

Faz em brasa toda a areia;


Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!

Tão compridas como o mar,


Com suas poucas palmeiras

Lit.
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende

O escravo calou a fala,


Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
Pra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!

O escravo então foi deitar-se,


Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.

E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!
ALVES, Castro. Os escravos. São Paulo: Martins, 1972.

TEXTO II

O senhor não retribuiu meu amor e nem o compreendeu. Supôs que eu lhe dava apenas a preferência entre
outros namorados, e o escolhia para herói de meus romances, até aparecer algum casamento, que o senhor,
moço honesto, estimaria para colher à sombra o fruto de suas flores poéticas. Bem vê que eu o distingo dos
outros, que ofereciam brutalmente mas com franqueza e sem rebuço, a perdição e a vergonha.
Seixas abaixou a cabeça.
Conheci que não amava-me, como eu desejava e merecia ser amada. Mas não era sua a culpa e só minha
que não soube inspirar-lhe a paixão, que eu sentia. Mais tarde, o senhor retirou-me essa mesma afeição com
que me consolava e transportou-a para outra, em quem não podia encontrar o que eu lhe dera, um coração
virgem e cheio de paixão com que o adorava. Entretanto, ainda tive forças para perdoar-lhe e amá-lo.
A moça agitou então a fronte com uma vibração altiva:
Mas o senhor não me abandonou pelo amor de Adelaide e sim por seu dote, um mesquinho dote de trinta
contos! Eis o que não tinha o direito de fazer, e que jamais lhe podia perdoar! Desprezasse-me embora, mas
não descesse da altura em que o havia colocado dentro de minha alma. Eu tinha um ídolo; o senhor abateu-
o de seu pedestal, e atirou-o no pó. Essa degradação do homem a quem eu adorava, eis o seu crime; a
sociedade não tem leis para puni-lo, mas há um remorso para ele. Não se assassina assim um coração que
Deus criou para amar, incutindo-lhe a descrença e o ódio.
Seixas que tinha curvado a fronte, ergueu-a de novo, e fitou os olhos na moça. Conservava ainda as feições
contraídas, e gotas de suor borbulhavam na raiz de seus belos cabelos negros.
A riqueza que Deus me concedeu chegou tarde; nem ao menos permitiu-me o prazer da ilusão, que têm
as mulheres enganadas. Quando a recebi, já conhecia o mundo e suas misérias; já sabia que a moça rica é
um arranjo e não uma esposa; pois bem, disse eu, essa riqueza servirá para dar-me a única satisfação que
ainda posso ter neste mundo. Mostrar a esse homem que não soube me compreender, que mulher o amava,
e que alma perdeu. Entretanto ainda eu afagava uma esperança. Se ele recusa nobremente a proposta
aviltante, eu irei lançar-me a seus pés. Suplicar-lhe-ei que aceite a minha riqueza, que a dissipe se quiser; mas
consinta-me que eu o ame. Essa última consolação, o senhor a arrebatou. Que me restava? Outrora atava-se
o cadáver ao homicida, para expiação da culpa; o senhor matou-me o coração; era justo que o prendesse ao
despojo de sua vítima. Mas não desespere, o suplício não pode ser longo: este constante martírio a que
estamos condenados acabará por extinguir-me o último alento; o senhor ficará livre e rico.

Lit.
(ALENCAR, José de. Senhora. 23 ed. São Paulo: Ática, 1992)

EXERCÍCIOS
1. "O indianismo dos românticos [...] denota tendência para particularizar os grandes temas, as grandes
atitudes de que se nutria a literatura ocidental, inserindo-as na realidade local, tratando-as como
próprias de uma tradição brasileira."
(Antonio Candido, Formação da Literatura Brasileira)

Considerando-se o texto acima, pode-se dizer que o indianismo, na literatura romântica brasileira:
a) procurou ser uma cópia dos modelos europeus.
b) adaptou a realidade brasileira aos modelos europeus.
c) ignorou a literatura ocidental para valorizar a tradição brasileira.
d) deformou a tradição brasileira para adaptá-la à literatura ocidental.
e) procurou adaptar os modelos europeus à realidade local.
2. A natureza, nessa estrofe:

-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,

(Gonçalves Dias)

Obs.: tamarindo = árvore frutífera; o fruto dessa mesma planta


bogari = arbusto de flores brancas

a) é concebida como uma força indomável que submete o eu lírico a uma experiência erótica
instintiva.
b) expressa sentimentos amorosos.
c) é representada por divindade mítica da tradição clássica.
d) funciona apenas como quadro cenográfico para o idílio amoroso.
e) é recriada objetivamente, com base em elementos da fauna e da flora nacionais.

3. Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,


Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,


Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,


Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,


Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Lit.
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,


Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
(Gonçalves Dias)
tipicamente romântica porque:
a) apoia-se nos cânones formais da poesia clássica greco-romana; emprega figuras de ornamento,
até com certo exagero; evidencia a musicalidade do verso pelo uso de aliterações.
b) exalta terra natal; é nostálgica e saudosista; o tema é tratado de modo sentimental, emotivo.
c) utiliza-se do verso livre, como ideal de liberdade criativa; sua linguagem é hermética, erudita;
glorifica o canto dos pássaros e a vida selvagem.
d) poesia e música se confundem, como artifício simbólico; a natureza e o tema bucólico são tratados
com objetividade; usa com parcimônia as formas pronominais de primeira pessoa.
e) refere-se à vida com descrença e tristeza; expõe o tema na ordem sucessiva, cronológica; utiliza-
se do exílio como o meio adequado de referir-se à evasão da realidade.

4. O homem de todas as épocas se preocupa com a natureza. Cada período a vê de modo particular. No
Romantismo, a natureza aparece como:
a) um cenário cientificamente estudado pelo homem; a natureza é mais importante que o elemento
humano.
b) um cenário estático, indiferente; só o homem se projeta em busca de sua realização.
c) um cenário sem importância nenhuma; é apenas pano de fundo para as emoções humanas.
d) confidente do poeta, que compartilha seus sentimentos com a paisagem; a natureza se modifica
de acordo com o estado emocional do poeta.
e) um cenário idealizado, onde todos são felizes e os poetas são pastores.

5. Um elemento importante nos anos de 1820 e 1830 foi o desejo de autonomia literária, tornado mais vivo
depois
expressão própria da nação recém-fundada, pois fornecia concepções e modelos que permitiam

(Antonio Candido, O Romantismo no Brasil. São Paulo: Humanitas, 2004, p. 19.)

Tendo em vista o movimento literário mencionado no trecho acima, e seu alcance na história do
período, é correto afirmar que
a) o nacionalismo foi impulsionado na literatura com a vinda da família real, em 1808, quando houve
a introdução da imprensa no Rio de Janeiro e os primeiros livros circularam no país.
b) o indianismo ocupou um lugar de destaque na afirmação das identidades locais, expressando um
viés decadentista e cético quanto à civilização nos trópicos.
c) os autores românticos foram importantes no período por produzirem uma literatura que expressava
aspectos da natureza, da história e das sociedades locais.
d) a população nativa foi considerada a mais original dentro do Romantismo e, graças à atuação dos
literatos, os indígenas passaram a ter direitos políticos que eram vetados aos negros

6. Considere as informações.
É na convergência de ideais antirromânticos, como a objetividade no trato dos temas e o culto da
forma, que se situa a poética [desse movimento literário].
Lit.
(...)
Seus traços de relevo: o gosto da descrição nítida (a mimese pela mimese), concepções
tradicionalistas sobre metro, ritmo e rima e, no fundo, o ideal da impessoalidade que partilhavam
com os [escritores] do tempo.
(Alfredo Bosi. História concisa da Literatura Brasileira.)
O texto alude aos poetas
a) ultrarromânticos, que romperam com a poesia indianista e ufanista. a exemplo de Alvares de
Azevedo.
b) realistas, que trataram. em sua obra poética, de temas ligados ao cotidiano, tal como fez Machado
de Assis.
c) parnasianos, que, afastando-se dos ideais românticos, buscavam a linguagem isenta de
subjetivismo. a exemplo de Olavo Bilac.
d) simbolistas, que romperam com o pessimismo romântico e propuseram uma poética
espiritualizada. como fez Cruz e Souza.
e) modernistas. que. negando os preceitos da poesia romântica. buscavam uma poética nacional, a
exemplo de Mário de Andrade.
7. A poesia social de Castro Alves, por meio da denúncia da situação dos escravos, muitas vezes comunica
a ânsia de liberdade. Marque a alternativa em que os versos demonstrem este tom denunciante de sua
linguagem literária.
a) Ainda hoje são, por fado adverso,
Meus filhos alimária* do universo,
Eu- pasto universal...
*animal quadrúpede

b) Como as plantas que arrasta a correnteza,


A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... e depois na sala
-lhe a tremer

c) Amigo! O campo é o ninho do poeta...


Deus fala, quando a turba está quieta,
Às campinas em flor.
Noivo Ele espera que os convivas
[saiam...

d) Era o tempo em que as ágeis andorinhas


Consultam-se na beira dos telhados,
E inquietas conversam, perscrutando
Os pardos horizontes carregados...

e) É tarde! É muito tarde! O templo é negro...


O fogo-santo já no altar não arde.
Vestal! não venhas tropeçar nas piras...
É tarde! É muito tarde!

8. Sobre a literatura produzida por Castro Alves, assinale as alternativas corretas:


I. Representa, na evolução da poesia romântica brasileira, um momento de maturidade e transição,
substituindo temáticas ufanistas e de idealização do amor por temáticas mais críticas e realistas;
II. Sua produção literária estava voltada ao projeto de construção da cultura brasileira, dando
destaque ao romance indianista;
III. Desprezou o rigor das regras gramaticais, aproximando a linguagem literária da linguagem falada
pelo povo brasileiro;
IV. A ironia era um traço constante em sua obra, representando uma forma não passiva de ver a
realidade, tecendo uma fina crítica à noção de ordem e às convenções do mundo burguês;

Lit.
V. Apresenta uma linguagem voltada para a defesa de seus ideais liberais e, por isso, é grandiosa e
hiperbólica, prenunciando a perspectiva crítica e objetiva do Realismo.

a) Todas as alternativas estão corretas.


b) Apenas I está correta.
c) Apenas III e V estão corretas.
d) Apenas I e V estão corretas.
e) II, III e IV estão corretas.
9. "Ontem a Serra Leoa,
A Guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas da amplidão...
Hoje... o porão negro, o fundo
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar..."

Nesta estrofe de ......., de Castro Alves, os versos de ..... sílabas métricas evocam, num primeiro
momento, a ..... dos negros em sua terra natal, contrastando, na segunda parte, com imagens que
indicam os rigores da ..... .

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto acima.


a) O Navio Negreiro sete luta partida
b) Canção do Exílio sete tranquilidade solidão
c) Mocidade e Morte oito passividade prisão
d) Cachoeira de Paulo Afonso dez caçada luta.
e) Marieta – dez bravura paixão.

10. Cronista sem assunto


Difícil é ser cronista regular de algum periódico. Uma crônica por semana, havendo ou não assunto...
É buscar na cabeça uma luzinha, uma palavra que possa acender toda uma frase, um parágrafo, uma
página inteira mas qual? Onde o ímã que atraia uma boa limalha? Onde a farinha que proverá o pão
substancioso? O relógio está correndo e o assunto não vem. Cronos, cronologia, crônica, tempo,
tempo, tempo... Que tal falar da falta de assunto? Mas isso já aconteceu umas três vezes... Há cronista
que abre a Bíblia em busca de um grande tema: os mandamentos, um faraó, o Egito antigo, as pragas,
as pirâmides erguidas pelo trabalho escravo? Mas como atualizar o interesse em tudo isso? O leitor de
jornal ou de revista anda com mais pressa do que nunca, e aliás está munido de um celular que lhe
coloca o mundo nas mãos a qualquer momento.
Sim, a internet! O Google! É a salvação. Lá vai o cronista caçar assunto no computador. Mas aí o
problema fica sendo o excess -iorquina
com seu facho de luz saudando os navegantes, ou o bairro do imigrante japonês em São Paulo, ou a

coisas desde a polis grega até um poema de Drummond, salta-se da política econômica para a
financeira, chega-se à política de preservação de bens naturais, à política ecológica, à partidária, à

Lit.
política imperialista, à política do velho Maquiavel, ufa.
Que tal então a gastronomia, mais na moda do que nunca? O velho bifinho da tia ou o saudoso
picadinho da vovó, receitas domésticas guardadas no segredo das bocas, viraram nomes estrangeiros,
sob molhos complicados, de apelido francês. Nesse ramo da alimentação há também que considerar
o que sejam produtos transgênicos, orgânicos, as ameaças do glúten, do sódio, da química nociva de
tantos fertilizantes. Tudo muito sofisticado e atingindo altos níveis de audiência nos programas de TV:
já seremos um país povoado por cozinheiros, quer dizer, por chefs de cuisine?**
Temas palpitantes, certamente de interesse público, estão no campo da educação: há, por exemplo,
quem veja nos livros de História uma orientação ideoló- gica conduzida pelos autores; há quem
defenda uma neutralidade absoluta diante de fatos que seriam indiscutíveis. Que sentido mesmo
tiveram a abolição da escravatura e a proclamação da República? E o suicídio de Getúlio Vargas? E os
acontecimentos de 1964? Já a literatura e a redação andam questionadas como itens de vestibular: mas
sob quais argumentos o desempenho linguístico e a arte literária seriam dispensáveis numa formação
escolar de verdade?
Enfim, o cronista que se dizia sem assunto de repente fica aflito por ter de escolher um no infinito
cardápio digital de assuntos. Que esperará ler seu leitor? Amenidades? Alguma informação científica?
A quadratura do círculo encontrada pelo futebol alemão? A situação do cinema e do teatro nacionais,
dependentes de financiamento por incentivos fiscais? Os megatons da última banda de rock que
visitou o Brasil? O ativismo político das ruas? Uma viagem fantasiosa pelo interior de um buraco negro,
esse mistério maior tocado pela Física? A posição do Reino Unido diante da União Europeia?
Houve época em que bastava ao cronista ser poético: o reencontro com a primeira namoradinha, uma
tarde chuvosa, um passeio pela infância distante, um amor machucado, tudo podia virar uma valsa
melancólica ou um tango arrebatador. Mas hoje parece que estamos todos mais exigentes e
utilitaristas, e os jovens cronistas dos jornais abordam criticamente os rumores contemporâneos,
valem-se do vocabulário ligado a novos comportamentos, ou despejam um humor ácido em seus
leitores, num tempo sem nostalgia e sem utopias.
É bom lembrar que o papel em que se imprimem livros, jornais e revistas está sob ameaça como suporte
de comunicação. O mesmo ocorre com o material das fitas, dos CDs e DVDs: o mundo digital armazena
tudo e propaga tudo instantaneamente. Já surgem incontáveis blogs de cronistas, onde os autores
discutem on-line com seus leitores aspectos da matéria tratada em seus textos. A interatividade tornou-
se praticamente uma regra: há mesmo quem diga que a própria noção de autor, ou de autoria, já
caducou, em função da multiplicidade de vozes que se podem afirmar num mesmo espaço textual.
Num plano cósmico: quem é o autor do Universo? Deus? O Big Bang? A Física é que explica tudo ou
deixemos tudo com o criacionismo?
Enquanto não chega seu apocalipse profissional, o cronista de periódico ainda tem emprego, o que
não é pouco, em tempo de crise. Pois então que arrume assunto, e um bom assunto, para não perder
seus leitores. Como não dá para ser sempre um Machado de Assis, um Rubem Braga, um Luis Fernando
Verissimo, há que se contentar com um mínimo de estilo e uma boa escolha de tema. A variedade da
vida há de conduzi-lo por um bom caminho; é função do cronista encontrar algum por onde possa
transitar acompanhado de muitos e, de preferência, bons leitores.
(Teobaldo Astúrias, inédito)
* Liberdade ainda que tardia. ** chefes de cozinha.

As referências a inconfidentes mineiros e trabalho escravo lembram duas vertentes históricas da poesia
brasileira, que se fizeram representar, respectivamente, pela
a) lírica de Cláudio Manuel da Costa e pelos versos de denúncia social de Castro Alves.
b) obra satírica de Gregório de Matos e pelas narrativas poéticas de João Cabral de Melo Neto.
c) épica de Tomás Antônio Gonzaga e pelo nacionalismo de Gonçalves Dias.
d) linguagem confessional de Álvares de Azevedo e pela poética engajada de Cecília Meireles.
e) obra moralizante de Antônio Vieira e pelos versos combativos de Augusto dos Anjos.

11. Navio negreiro-framentos (Castro Alves)


Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Lit.
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados


Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,


Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
(...)
VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Auriverde pendão de minha terra,


Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
(ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1960. pp. 281-283)

Por meio desse poema, o autor faz uma crítica à sociedade brasileira e à política do Império,
responsáveis pela manutenção de um regime escravista. A figura que sustenta metaforicamente essa
crítica é:
a) a bandeira nacional.
b) a providência divina.
c) a força da natureza.
d) a inspiração da musa.
e) a nobreza dos selvagens.

12. Poeticamente, o sal metaforiza o mar, as lágrimas, a força de viver. Castro Alves, em sua obra poética,
lança mão desse recurso para unir arte e crítica social. Observe os fragmentos:
Fragmento 1

Lit.
Lá, na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão...
Fonte: CASTRO ALVES, 1995, p. 100.
Fragmento 2 -
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se eu deliro... ou se e verdade
Tanto horror perante os céus...
O mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...
Fonte: CASTRO ALVES, 1995, p. 137.
Em relação a esses versos, é possível AFIRMAR:
I. O canto, as saudades e o pranto do escravo, no primeiro fragmento, são decorrentes do cativeiro
resultante da escravidão, situação aviltante ao ser humano.
II. írico, no segundo fragmento, corresponde ao
tráfico de escravos, mácula sociomoral que envergonha o Brasil.
III. Em ambos os fragmentos, a crueldade da escravidão se faz presente.

Está(ão) CORRETA(S) a(s) afirmativa(s)


a) I apenas.
b) II apenas.
c) I e II apenas.
d) I, II e III.

13. Glória Moribunda - Álvares de Azevedo (1831-1852).


É uma visão medonha uma caveira?
Não tremas de pavor, ergue-a do lodo.
Foi a cabeça ardente de um poeta,
Outrora à sombra dos cabelos loiros.
Quando o reflexo do viver fogoso
Ali dentro animava o pensamento,
Esta fronte era bela. Aqui nas faces
Formosa palidez cobria o rosto;
Nessas órbitas ocas, denegridas!
Como era puro seu olhar sombrio!

Agora tudo é cinza. Resta apenas


A caveira que a alma em si guardava,
Como a concha no mar encerra a pérola,
Como a caçoula a mirra incandescente.

Tu outrora talvez desses-lhe um beijo;


Por que repugnas levantá-la agora?
Olha-a comigo! Que espaçosa fronte!
Quanta vida ali dentro fermentava,
Como a seiva nos ramos do arvoredo!
E a sede em fogo das ideias vivas
Que um dia no viver passou cantando,
Como canta na treva um vagabundo,

Lit.
Perdeu-se acaso no sombrio vento,
Como noturna lâmpada apagou-se?
E a centelha da vida, o eletrismo
Que as fibras tremulantes agitava
Morreu para animar futuras vidas?

Sorris? eu sou um louco. As utopias,


Os sonhos da ciência nada valem.
Comédia infame que ensanguenta o lodo.
Há talvez um segredo que ela esconde;
Mas esse a morte o sabe e o não revela.
Os túmulos são mudos como o vácuo.
Desde a primeira dor sobre um cadáver,
Quando a primeira mãe entre soluços
Do filho morto os membros apertava
Ao ofegante seio, o peito humano
Caiu tremendo interrogando o túmulo...
E a terra sepulcral não respondia.
(Poesias completas, 1962.)
Do segundo ao último verso da primeira estrofe do poema, revelam-se características marcantes do
Romantismo:
a) conteúdos e desenvolvimentos bucólicos.
b) subjetivismo e imaginação criadora.
c) submissão do discurso poético à musicalidade pura.
d) observação e descrição meticulosa da realidade.
e) concepção determinista e mecanicista da natureza.

14. Casimiro de Abreu pertence à geração dos poetas que morreram prematuramente, na casa dos vinte
yroniano. Sua poesia, reflexo
autobiográfico dos transes, imaginários e verídicos, que lhe agitaram a curta existência, centra-se em
dois temas fundamentais: a saudade e o lirismo amoroso. Graças a tal fundo de juvenilidade e timidez,
sua poesia saudosista guarda um não sei quê de infantil.
(Massaud Moisés. A literatura brasileira através dos textos, 2004. Adaptado.)

Os versos de Casimiro de Abreu que se aproximam da ideia de saudade, tal como descrita por Massaud
Moisés, encontram-se em:
a) Se eu soubesse que no mundo / Existia um coração, /Que só por mim palpitasse / De amor em
terna expansão; / Do peito calara as mágoas, / Bem feliz eu era então!
b) Oh! não me chames coração de gelo! / Bem vês: traí-me no fatal segredo. / Se de ti fujo é que te
adoro e muito, / És bela eu moço; tens amor, eu medo!...
c) Naqueles tempos ditosos / Ia colher as pitangas, / Trepava a tirar as mangas, / Brincava à beira do
mar;/ Rezava às Ave-Marias, / Achava o céu sempre lindo,/ Adormecia sorrindo / E despertava a
cantar!
d) ma é triste como a flor que morre / Pendida à beira do riacho ingrato; / Nem beijos dá-lhe
a viração que corre, / Nem doce canto o sabiá do mato!
e)
Lascivo / Carmim; / Na valsa / Tão falsa, / Corrias, / Fugias, / Ardente, / Contente, / Tranquila, /
Serena, / Sem pena / De mim!

QUESTÃO CONTEXTO
Leia:
I. Amor

Amemos! Quero de amor


Viver no teu coração!

Lit.
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!

Quero em teus lábios beber


Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!

Quero tremer e sentir!


Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,

Que noite, que noite bela!


Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

II. Adormecida

E o pé descalço do tapete rente.

E ao longe, num pedaço do horizonte,


Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,


Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos beijá-la.

Quando -
Quando ela ia beijar-

Dir-se-ia que naquele doce instante

A brisa, que agitava as folhas verdes,


Fazia-lhe ondear as negras tranças!

Lit.
E o ramo ora chegava ora afastava-
Mas quando a via despeitada a meio,
Pra não zangá-

Eu, fitando a cena, repetia


Naquela noite lânguida e sentida:
tu és a virgem das campinas!

O texto 1 pertence a Alvares de Azevedo, representante da geração ultrarromântica; o texto 2, a Castro


Alves que representa a 3ª geração romântica. Compare as duas temáticas e relacione as características em
comum e as diferenças a respeito das duas musas retratadas nos poemas.
GABARITO
Exercícios

1. e
Apesar de ser um movimento que tinha tendências nacionalistas e de valorização à pátria, o indianismo
romântico europeizava o índio brasileiro, porque a arte daquela época ainda era moldada pelas vertentes
europeias.

2. b
Característica típica dos românticos era utilizar a natureza como elemento expressivo dos sentimentos
do eu-lírico.

3. b
A alternativa B expressa as características românticas contidas na música. Há um forte sentimento de
saudade e uma ânsia por voltar para a terra natal que é hiperbolicamente melhor do que as terras de
exílio.

4. d
A natureza era elemento recorrente nas poesias românticas, porque os poetas a modificavam de acordo
com seus estados emocionais.

5. c
O romantismo é de fato um movimento nacionalista por natureza. A questão relaciona o momento
histórico em que o Brasil buscava uma afirmação nacional, movido pelos ideais da Revolução Francesa
de liberdade, igualdade e fraternidade. E, assim, enquanto na Europa a Idade Média era resgatada, no
Brasil, a figura do índio ganha destaque como representante nacional.

6. c
A própria alternativa já se justifica.

7. a

Lit.
8. d
A literatura de Castro Alves representou uma ruptura com o ultrarromantismo e denunciou mazelas
sociais como, principalmente, a escravidão.

9. a
O Navio Negreiro é um dos mais célebres poemas de Castro Alves. Escrito para os escravos, é um poema
de estilo épico que pertence ao livro Os escravos. Nele, o poeta escreve em primeira pessoa, como se
ele próprio fosse o continente africano clamando ajuda para Deus para que tenha fim seu sofrimento
ancestral.

10. a

nuel da Costa e Castro Alves são seus


representantes.
11. a
A bandeira nacional é evocada por representar a nação e o povo brasileiro responsável pela manutenção
da escravidão.

12. d
No primeiro fragmento, a condição do escravo é humilhante ao ser retratado chorando com saudade de
suas terras.

13. b
O romantismo é conhecido pela sua leitura subjetiva do mundo, entretanto a imaginação criadora, que
transforma o poeta em alguém que enxerga a vida de forma sensível e particular, não é suficiente porque
a vida é limitada e a morte é iminente.

14. c
As demais alternativas não exprimem saudosismo, apresentando temática amorosa e melancolia.

Questão Contexto
Sugestão: Alvares de Azevedo apresentava a mulher sempre idealizada, virgem, pura e intocável. Castro
Alves se afasta um pouco dessa idealização, e suas musas são mais carnais e vistas sem véus, sombras. Note
que no primeiro poema, o eu-lírico prefere a morte. No segundo, o eu-lírico aprecia a visão da amada que
por vezes deixa aparecer o seio a seus olhos.

Lit.