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CRIAÇÃO

I. BASE

A verdade da Criação pertence, por


conseguinte, à arena da fé.

(Hebreus 11:3) - Pela fé entendemos que


os mundos pela palavra de Deus foram
criados; de maneira que aquilo que se vê
não foi feito do que é aparente.

Paulo, numa linda passagem sobre a fé.

(Romanos 4:17) - (Como está escrito:


Por pai de muitas nações te constituí)
perante aquele no qual creu, a saber,
Deus, o qual vivifica os mortos, e
chama as coisas que não são como se
já fossem.

Sem os olhos da fé – a fé pela qual a


nova criação é uma realidade – e a
iluminação do Espírito, não há como
realmente entender a criação de todas as
coisas.

Não adianta ler simplesmente com o


entendimento natural, como se fosse um
tratado sobre a criação para ser lido e
compreendido de igual modo tanto por
crentes como por não crentes.

Por conseguinte, procurar interpretar a


doutrina da criação para o incrédulo
também tem pouca utilidade.

(I Corintios 2:14) - Ora, o homem natural


não compreende as coisas do Espírito de
Deus, porque lhe parecem loucura; e não
pode entendê-las, porque elas se
discernem espiritualmente.

Deve haver olhos da fé iluminados pelo


Espírito Santo.

A base final para a doutrina da criação é


a Escritura.
A questão, porém, é que sem uma
apreciação da revelação e da fé e uma
participação na fé, as Escrituras são um
livro fechado. É até possível estruturar
uma doutrina da criação que procure do
começo ao fim ser totalmente
direcionada por textos bíblicos e ainda
assim não haver vida nem entendimento.

(Hebreus 11:1) - Ora, a fé é o firme


fundamento das coisas que se esperam,
e a prova das coisas que se não veem.

A fé, embora contenha convicção, até


mesmo certeza, não é um guia seguro. A
bíblia, dentro do contexto da revelação e
fé, é a única regra infalível de fé para
todo o nosso entendimento da doutrina
da criação.

II. ATITUDE

A atitude primária diante da doutrina da


criação é de adoração e louvor [à Deus].
(Salmos 104:1) - bendize, ó minha alma,
ao SENHOR! SENHOR Deus meu, tu és
magnificentíssimo; estás vestido de glória
e de majestade.

Daí em diante ele se dirige a Deus: “Ele


estende os céus como uma tenda […].
Firmaste a terra sobre os seus
fundamentos para que jamais se abale;
com as torrentes do abismo a cobriste,
como se fossem uma veste; as águas
subiram acima dos montes. Diante das
tuas ameaças as águas fugiram […].
Quantas são as tuas obras, SENHOR!
Fizeste todas elas com sabedoria!” (v.
1,2,5-7,24). E então vem o climax:
“Cantarei ao SENHOR toda a minha vida;
louvarei ao meu Deus enquanto eu viver”
(v.33).

Outra passagem bonita é o salmo 148,


em que o salmista dessa vez não oferece
louvor ele mesmo, mas convida a criação
de Deus a render louvor ao Senhor.
(Salmos 148:3) - Louvai-o, sol e lua;
louvai-o, todas as estrelas luzentes. 4) -
Louvai-o, céus dos céus, e as águas que
estão sobre os céus. 5) - Louvem o nome
do SENHOR, pois mandou, e logo foram
criados.

Depois de convocar as hostes celestiais


para louvar o Senhor, o salmista chama a
seguir as coisas da terra:

(Salmos 148:7) - Louvai ao SENHOR


desde a terra: vós, baleias, e todos os
abismos; 8) - Fogo e saraiva, neve e
vapores, e vento tempestuoso que
executa a sua palavra; 9) - Montes e
todos os outeiros, árvores frutíferas e
todos os cedros; 10) - As feras e todos os
gados, répteis e aves voadoras;

Precisamos reconhecer que todo o vasto


panorama do Universo e todas as coisas
que nele há devem fazer ressoar louvor
ao Criador.
Outra atitude, bem semelhante, diante da
doutrina da Criação é de admiração e
assombro.

(Salmos 145:5) - Falarei da magnificência


gloriosa da tua majestade e das tuas
obras maravilhosas.

(Salmos 19:1) - Os céus declaram a


glória de Deus e o firmamento anuncia a
obra das suas mãos.

Uma terceira atitude diante da doutrina


da criação – uma atitude que decorre das
outras duas – é a de profunda humildade.

(Jó 37:14) - A isto, ó Jó, inclina os teus


ouvidos; para, e considera as maravilhas
de Deus. 15) - Porventura sabes tu como
Deus as opera, e faz resplandecer a luz
da sua nuvem? 16) - Tens tu notícia do
equilíbrio das grossas nuvens e das
maravilhas daquele que é perfeito nos
conhecimentos?
III. DEFINIÇÃO

A criação pode ser definida como o ato


pelo qual Deus deu existência ao
Universo. É fazer surgir o que não existe.

A Criação, por conseguinte, é


absolutamente original. O que foi criado
por Deus não surgiu de um material
preexistente. É creatio ex nihilo, “criação
do nada”.

(…) a atividade criativa humana sempre


envolve a moldagem de material já
existente.

A palavra hebraica que significa criar,


bãrã', como em Gênesis 1.1, é uma
palavra jamais usada nas Escrituras com
outra pessoa, senão Deus, por sujeito,
referindo-se essencialmente à criação do
nada – ou seja, originalidade absoluta.

O dualismo, vários aspectos, entende


que o mundo ou alguma outra realidade
(como na filosofia de Platão e na
mitologia babilônica) existe eternamente
junto com Deus ou mesmo lutando contra
ele.O panteísmo, em qualquer forma, ao
identificar Deus e o mundo de algum
modo, também é uma negação da
Criação. O panenteísmo é em essência
um monismo em que Deus e o mundo
são eternamente um: eles são
inseparáveis um do outro.

É urgente afirmar que o Universo é


criação de Deus. O Universo nem
sempre existiu. Nas belas palavras do
salmista:

(Salmos 90:2) - Antes que os montes


nascessem, ou que tu formasses a terra
e o mundo, mesmo de eternidade a
eternidade, tu és Deus.

A Criação não é apenas absolutamente


original; é também uma obra completa de
Deus.

Isso não significa que tudo foi feito de


uma vez, pois Gênesis 1 retrata a
Criação prolongando-se por um período.
Além disso, a palavra final é de Gênesis
2.1 - “Assim os céus, a terra e todo o seu
exército foram acabados”.

Esse entendimento do Universo, a


propósito, é contrário às chamadas
concepções de estado estacionário do
Universo, que sustentam que há uma
contínua criação de matéria nova
(átomos de hidrogênio) em todo o
espaço. Essa matéria recém-criada se
condensa para formar novos corpos
celestes (estrelas, galáxias etc.) em meio
aos antigos; assim, há um estado
estacionário ou uma densidade espacial
constante.
IV. FONTE

A. Fonte da criação é Deus

“No princípio Deus criou”.

Isso significa, para começar, que o


Universo não é um incidente casual ou
acidente; não aconteceu simplesmente.

B. A fonte da criação é o Deus trino

Gênesis 1.26 – “Façamos o homem [...]”

Há Elohim que cria (v .1), o Espírito de


Deus que se move “sobre a face das
águas” (v. 2) e a palavra falada: “Disse
Deus […] e houve” (v. 3 e várias vezes
na sequência).

1. Deus Pai

“Não é ele o Pai de vocês, o seu Criador,


que os fez e os formou? (Dt 32:6; cf. Ml
2:10) Um exemplo no NT é a declaração:
“Para nós […] há um único Deus, o Pai
de quem vêm todas as coisas” (1Co 8:6).

Assim diz o Credo apostólico: “Creio em


Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu
e da terra”.

2. Deus Filho

Deus Filho foi o instrumento da Criação.


Foi por meio do Filho, a Palavra eterna
de Deus, que o Universo veio a existir.

(Salmos 33:6) - Pela palavra do


SENHOR foram feitos os céus, e todo o
exército deles pelo espírito da sua boca.

(Salmos 33:9) - Porque falou, e foi feito;


mandou, e logo apareceu.

Isso, claro, é ainda mais evidente no NT.


No magnífico prólogo do evangelho de
João, lemos:
(João 1:1) - No princípio era o Verbo, e o
Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus.

(João 1:3) - Todas as coisas foram feitas


por ele, e sem ele nada do que foi feito
se fez.

(I Corintios 8:6) - Todavia para nós há um


só Deus, o Pai, de quem é tudo e para
quem nós vivemos; e um só Senhor,
Jesus Cristo, pelo qual são todas as
coisas, e nós por ele.

(Colossenses 1:16) - Porque nele foram


criadas todas as coisas que há nos céus
e na terra, visíveis e invisíveis, sejam
tronos, sejam dominações, sejam
principados, sejam potestades. Tudo foi
criado por ele e para ele.

O Filho foi o instrumento – observe: “por


meio” - de toda a Criação.
3. Deus Espírito Santo

Deus Espírito foi quem forneceu a


energia da Criação.

(Jó 33:4) - O Espírito de Deus me fez; e a


inspiração do Todo Poderoso me deu
vida.

(Salmos 104:30) - Envias o teu Espírito, e


são criados, e assim renovas a face da
terra.

(Salmos 33:6) - Pela palavra do


SENHOR foram feitos os céus, e todo o
exército deles pelo espírito da sua boca.

Podemos resumir esta seção sobre o


Deus trino e a Criação dizendo que a
Criação é do Pai, mediante o Filho e pelo
Espírito Santo.
V. MÉTODO

1 - Luz
2 - Firmamento, separação entre mar e
céu
3 - Terra, formação da vegetação
4 - Luzes (Sol, Lua e estrelas)
5 - Peixes do mar e aves do céu
6 - Animais selvagens da terra, depois
homem

VI. QUALIDADE

Desde o primeiro dia da Criação, quando


Deus “viu que a luz era boa” (1:4), até o
sexto dia, quando Deus fez as criaturas
vivas, há uma declaração recorrente:
“Deus viu que ficou bom”
(1.10,12,18,21,25). Então, quando todo o
trabalho de criação estava terminado,
“Deus viu tudo o que havia feito, e tudo
havia ficado muito bom” (1.31).

Paulo falou com veemência contra os


ensinamentos:

(I Timóteo 4:2) - Pela hipocrisia de


homens que falam mentiras, tendo
cauterizada a sua própria consciência; 3)
- Proibindo o casamento, e ordenando a
abstinência dos alimentos que Deus criou
para os fiéis, e para os que conhecem a
verdade, a fim de usarem deles com
ações de graças; 4) - Porque toda a
criatura de Deus é boa, e não há nada
que rejeitar, sendo recebido com ações
de graças. 5) - Porque pela palavra de
Deus e pela oração é santificada.

VII. PROPÓSITO

Por fim, chegamos à questão do


propósito da Criação. Por que Deus criou
o Universo, os céus e a terra e por fim o
homem? Para qual fim todas as coisas
foram feitas?

E um sentido, a resposta básica é que a


Criação ocorreu porque Deus desejou
que assim fosse. De acordo com o livro
de Apocalipse, os 24 anciãos lançam as
coroas diante do trono de Deus e
cantam:

(Apocalipse 4:11) - Digno és, Senhor, de


receber glória, e honra, e poder; porque
tu criaste todas as coisas, e por tua
vontade são e foram criadas.