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O guia ao crudivorismo e à Higiene Natural,

a dieta e o estilo de vida pristino para os


quais os seres humanos foram criados.

Rio de Janeiro
1ª edição | 2012
Editor responsável Eduardo Corassa
Capa e projeto gráfico Carol Patitucci
Revisão Clarita Maia

Termo de isenção de responsabilidade: As informações aqui descritas são apenas a opinião do autor e, portanto,
este livro não é escrito com a ideia de substituir o acompanhamento médico ou nutricional. A utilização das informações
contidas neste livro são de sua inteira responsabilidade. Você não o deverá fazê-lo sem antes consultar seu médico. O
autor não se responsabiliza pelo mal uso das informações nele contidas ou por qualquer tipo de dano que estas informa-
ções possam originar. Este livro tem como objetivo primordial compartilhar os estudos e as obras escritas por grandes
autores na área em questão, com fins meramente didáticos e científicos. Para qualquer mudança em hábitos, dieta e
estilo de vida, procure seu médico ou nutricionista.

Todos os direitos reservados desta edição à


Eduardo Corassa

Impresso no Brasil em junho de 2012


Agradecimentos
A meus pais Odonio e Taís que acreditaram em mim e auxiliaram em todos
os meus projetos; Clarita Maia, minha amiga e tradutora frugívora predileta,
pessoa que muito me apoiou e incentivou; a todos os grandes higienistas que
dedicaram a vida em prol da causa, em prol de compartilhar a mensagem da
vida saudável com o mundo e quebrar mitos errôneos e nocivos, que atrasam
o real progresso da humanidade na direção de uma existência ideal.
Entre eles, agradeço, em especial, ao Dr. Douglas Graham e ao Dr. Herbert
Shelton pela influência marcante e definitiva de seus trabalhos, que mudaram
e moldaram minha nova vida, facilitando inimaginavelmente meu caminho para
a compreensão da saúde. Agradeço ainda a todos aqueles que fizeram parte
ou auxiliaram minha jornada em direção à Saúde Frugal.

Também escrito pelo autor:


O jejum Higienista - A cirurgia da Natureza
Crulinária Frugal - Receitas do paraíso
Desde que adotamos hábitos onívoros, nós homo sapiens somos atormen-
tados por doenças degenerativas e comportamentos destrutivos e cruéis. Após
adotar uma dieta crua de frutas e vegetais, atualmente vários seres humanos
têm revertido degenerações físicas e superado doenças, vivenciando completo
rejuvenescimento físico e mental.
Em todo o mundo, o aumento do consumo de frutas pela manhã e no al-
moço, salada de vegetais para o jantar com uma pequena porção de abacate,
nozes ou sementes, instigou uma nova condição nomeada pela ciência médica
como “Saúde”.
Paródia retirada do site Living Nutrition.
Dedicatória
Dedico este livro ao término do sofrimento humano e animal, que, devido à
ingenuidade do homem, sofreram e sofrem de forma desnecessária a milênios,
tendo uma qualidade de vida imensuravelmente menor do que deveria ser.
À “Gaia” e ao fim da poluição e da destruição de seus recursos naturais. E,
por derradeiro, a todos os que padecem diariamente com doenças agudas e
crônicas, buscando incensantemente revertê-las, mas sem obter êxito. Acredito
que este livro contenha o conhecimento necessário em prol de produzir um
mundo melhor, onde a saúde é a regra e, consequentemente, seres humanos
tenham uma existência mais pacífica e igualitária.
Índice
Capítulo 1............................................................................................................................................. 17
O cáos, sua natureza, consequências e extinção

Capítulo 2............................................................................................................................................. 35
O crudivorismo

Capítulo 3. .......................................................................................................................................... 65
Nutrição institiva

Capítulo 4. .......................................................................................................................................... 94
Saúde Frugal

Capítulo 5. ........................................................................................................................................118
A Higiene Natural

Capítulo 6. ........................................................................................................................................158
Ciência nutricional

Capítulo 7. ........................................................................................................................................212
Como ser bem sucedido na dieta frugal

Capítulo 8. ........................................................................................................................................242
Perguntas Frequentes

Capítulo 9. ........................................................................................................................................271
Cardápios higienistas e análise nutricional
Subcapítulos
Ligando os pontos, 20
Incongruências em nossas vidas, 25
Conceitos errôneos, 27
Bom senso e a lógica para alcançarmos a saúde verdadeira, 30
Neuro circuitos, 31
A saúde, 33
O início da mudança, 37
Uma nova alimentação, 39
O surgimento da comida cozida tal qual a conhecemos, 42
Comportamento natural, 45
O movimento crudívoro e alguns dos seus mais famosos estudos, 46
Comida cozida e os dentes, 53
Panelas e o cozimento, 54
A “Teoria dos germes”, de Pasteur, versus o “Ambiente interno”, de Bernard, 56
Os danos provocados pelo cozimento, 58
Os benefícios de uma dieta crua, 61
Em quem confiar: na Natureza ou no homem? 69
Onívoros, carnívoros, herbívoros ou frugívoros? 72
Considerações sobre ética, estética e instintos humanos, 77
Somos vegetarianos? 80
Comprovações através da anatomia comparada e da antropologia, 82
A simbiose entre os animais e a natureza, 84
Como determinar alimentos adequados à nossa espécie, 85
Semelhanças entre humanos e primatas, 88
Primatas antropóides e o consumo de alimentos de origem animal, 90
Inegavelmente, o homem é frugívoro, 92
Recomendações de frutas e vegetais, 96
Frutas e casos famosos, 97
As frutas na história e na mitologia – A famosa “Era Dourada”, 99
Registros frugívoros famosos, 104
Crescimento e tamanho excessivos, 105
A importância da sociedade frugal e consumo de frutas para um mundo me-
lhor, 109
A dieta frugal,
O que é a Higiene Natural? 121
“Vix medicatrix naturae”, a força curativa da natureza, 124
A lei e a ordem na natureza, 128
As crenças da medicina alopática, 131
Sobreviver ou prosperar, 134
Elementos essenciais à saúde, 136
Adequação das proporções dos elementos essenciais à saúde, 156
A pirâmide alimentar higienista, 163
Macronutrientes,
A proporção ideal de macronutrientes para os seres humanos, 167
Pioneiros da dieta vegana cozida, hipo-lipídica e integral, 169
Alcançando a proporção ideal de macronutrientes em uma dieta frugívora, 171
Frutas e vegetais e as necessidades nutricionais humanas, 172
Alimentos refinados versus alimentos integrais, 175
Fibras, 177
Alimentos frescos, 181
Oxidação, 184
Carboidratos, 185
Gorduras, 190
O porquê de uma dieta hipo-lipídica, 196
Proteínas, 199
Alimentos distintos e suas implicações na dieta humana, 207
Alimentos usuais em uma dieta frugívora, 213
Transição, 215
Dia a dia, 217
Número de refeições, 219
Variedade, 220
12
Estações do ano, 221
Maduração das frutas, 222
Consumo de produtos crus, 223
Comer o suficiente, 224
Ingestão calórica, 227
Vegetais, 230
Alimentos gordurosos, 232
Mono-refeições, 235
Vegetais com frutas, 236
Como viver de forma higienista na civilização moderna, 237
Quanto tempo devo levar para mudar minha dieta? 242
Qual o papel dos germinados nessa dieta? 243
Existem super alimentos ou frutas melhores? 244
Qual o uso de HidroColonTerapia e Enemas? 246
De onde vêm as calorias que consumo? 247
O frugivorismo não é algo muito radical? 248
Uma dieta frugívora contém muito açúcar? 250
Urinação frequente é normal? 252
Qual dieta crudívora devo seguir? 253
Alimentos desidratados, 257
Sucos, 258
Viver de luz, 259
Temperos e condimentos, 261
Alimentos fermentados, 264
Sucos verdes e o suco de clorofila, 265
Óleos e azeites, 266
Sal (cloreto de sódio), 267
Análise da minha dieta, 272
Cardápios, 273

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Introdução
O objetivo deste livro é uma tentativa de ajudar e simplificar a busca de
todos os entusiastas de saúde e pessoas que, como eu, procuram a melhora e
reversão de diversos problemas de saúde, assim como desfrutar do melhor que
a vida tem a oferecer, desde uma saúde vibrante até o máximo de bem-estar.
Após anos da minha jornada em busca da saúde, aprendi que criar e mantê-
-la é muito fácil e, apesar de ter sofrido sem ela durante vinte e dois anos, ela
estava o tempo todo ao meu alcance, e que não precisava comprar nenhum
produto ou adotação de procedimentos caros, complicados ou tecnológicos.
Descobri que, por mais simplista que soe, a saúde somente é obtida ou recupe-
rada através da educação e da responsabilidade.Que nossas ações e escolhas
durante a vida, ou seja, o estilo de vida adotado é o fator determinante que
propiciará saúde. E que ela fornece uma melhor performance física e mental,
um maior bem-estar, felicidade, longevidade, uma vida próspera e produtiva.
E ainda, como um bônus, uma aparência física mais bonita, jovem, com um
corpo bem formado e esbelto, sem nenhum esforço.
Sabedor de quão difícil é discernir as informações corretas, referentes à
saúde e à nutrição na atualidade, e ver que outros também tentam alcançar
a saúde sem sucesso, devido à falta de informação disponível sobre o crudi-
vorismo e a Higiene Natural em nosso vernáculo e, finalmente, verificando que
inúmeros adotaram o crudivorismo e o abandonaram por não conseguir, de
forma saudável, mantê-lo pela falta da informação devida, escrevi este livro.
Durante um bom tempo busquei e testei tudo em termos de saúde. Seria
muito mais fácil ter tido um manual para ler e aplicar rapidamente; ter confir-
mações científicas, saber a base de onde saiam os conceitos que encontrava,
ter ciência dos inúmeros renomados indivíduos do meio, que defendem os
parâmetros que eu praticava, por isso ofereço a você este corta caminho.
Minha missão com o meu site “Saúde Frugal” e com meus livros é poupar
meu leitor dos anos de erros, pesquisas, tentativas frustadas por que passei.

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E, em alguns casos, até a desistência da busca da saúde, devido à dificuldade
que o caminho apresenta.
Meu grande sonho é dividir com o maior número de pessoas o conhecimento
adquirido nesta minha incessante jornada pela saúde e compartilhar as milhares
de benesses que recebi ao aprender sobre “A ciência da saúde.” Ofereço a
você a informação mais preciosa que já tive acesso, aquela que, literalmente,
salvou minha vida e pela qual sou tão apaixonado e que prometi divulgar.
Através do conhecimento exposto aqui, alcancei bem-estar, disposição, saúde,
calma, paz interna e milhões de outros benefícios com os quais nem sonhava, a
que darei graças pelo resto da minha vida. Nunca imaginei que a vida pudesse
ser tão doce, literalmente. Acredito que você, ao final do livro, após poucos
dias de prática deste estilo de vida, compreenderá meu entusiasmo, quando
vivenciar a incrível sensação de estar enamorado pela vida todos os dias.
Caso se disponha a alcançar seus objetivos de saúde e prosperidade, não
obstante as mudanças necessárias, descanse, pois encontrou o caminho. Já
que todos fomos criados pela natureza para uma dieta crua, o crudivorismo
é a prática mais fácil, quando temos a orientação correta para sua aplicação.
Hoje, acredito que viver saudavelmente e ter saúde é a coisa mais fácil da
vida, o difícil é ter uma saúde “mediana”, sofrer sintomas diariamente e não
viver a vida e saúde frugal, que é nosso bem hereditário.
A frase frequentemente utilizada pelo movimento crudívoro americano é real:
“ALIMENTOS VIVOS PRODUZEM CORPOS VIVOS”. Se você mata (cozinha ou
processa) seu alimento, você estará matando diariamente seu próprio corpo,
acelerando o processo de decripitude do seu organismo. Ao matar seu alimento,
a vida perde a alegria e graça, torna-se uma tristeza dispendiosa.
Este livro tem por finalidade ajudar você, leitor, a retomar o rumo natural
das coisas, aquele apresentado pela Mãe Natureza; podendo voltar a viver em
harmonia, ao invés de destruir a si próprio e ao mundo ao seu redor, com
práticas obnóxias, que ocorrem pelo desconhecimento do homem quanto ao
mundo em que habita. Voltar ao rumo correto não é só auto-ajuda, que traz
bem-estar e saúde, mas ajudar nosso semelhante, as outras formas de vida e
o planeta em que habitamos.
Desejo de coração que você consiga colocar em prática essas informações,
alcançar os céus, superando todas as expectativas que você tinha sobre sua
existência na terra.

16
1
O Cáos, sua natureza,
consequências e extinção

É visível que algo aconteceu, e levou a raça humana em uma direção adversa.
Em consequência disso, ocorreu um forte desequilíbrio da natureza humana
e consequentemente, a medida que dominávamos o globo, um desequilíbrio
do planeta. Esta existência turbulenta é comprovada com aquecimento global,
distúrbios na natureza, recursos naturais esgotados, o consumismo do homem,
ganância, materialismo, obesidade mórbida enquanto outros morrem de fome,
praias, lagos e oceanos poluídos, guerras, psicopatas, assassinos, extinção
diária de dezenas de espécies de animais, desigualdade social entre inúmeros
outros problemas sociais e econômicos que nos fazem pensar porque o mundo
não é o famoso Jardim do Éden, o paraíso, já que vivemos em um planeta
magnífico, rico e lindo.
Tornou-se óbvio, que precisamos urgentemente visar meios sustentáveis a
fim de que a raça humana continue a habitar o planeta. É mistér que o consu-
mo desenfreado tem de parar, senão necessitaremos de outros planetas para
colhetar recursos. Annie Leonard, em seu documentário a “História das Coisas”,
registrou que duas mil árvores na Amazônia são derrubadas por minuto, e 80%
das florestas no mundo já foram destruídas e apenas nas três últimas décadas
1/3 dos recursos naturais do planeta foram consumidos.
Poucos percebem que simples ações do nosso dia a dia destroem o mundo.
Na atualidade, uma das mais importantes é o consumo em geral, e em especial o

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alimentício, já que alimentos industrializados geram uma grande poluição quando
produzidos e seus dejetos não são biodegradáveis como alimentos naturais.
O consumo de carne e laticínios já é reconhecido como uma das principais
causas do aquecimento global, desgaste de recursos naturais e amplamente
demonstrado por cientistas como uma prática não sustentável a longo prazo.
O consumo de produtos animais é comprovadamente uma ação anti-ambiental,
sem falarmos no ato da crueldade animal.
A fim de darmos o primeiro passo para a solução de nossos principais
problemas com a civilização, rumo a uma existência sustentável, acredito ve-
ementemente que precisamos entender a conexão entre a saúde humana e a
“saúde” atual do planeta. Compreendamos que a saúde do planeta é afetada
pela saúde humana, já que literalmente o “dominamos” e a população cresce
desenfreadamente a cada dia, nossos atos e hábitos influenciam diretamente
a saúde do planeta, já que não somos milhares, mas bilhões diariamente o
poluindo. E, sendo nossos hábitos tão drásticos e não naturais, acarretam
grandes consequências adversas à saúde de ambos, quebrando o perfeito
equilíbrio homeostático que a natureza pretendia para o organismo do homem
e para o planeta terra.
Quando poluímos nosso corpo por hábitos que prejudicam nossa saúde,
inconscientemente, poluímos nosso planeta. Um indivíduo, quando pratica há-
bitos não naturais, tais como fumar ou consumir alimentos industrializados,
prejudica não só a si, mas seus semelhantes, o planeta e a todas as outras
formas de vida que o compartilham com ele. Vivendo o estilo de vida moderno
e industrializado, contribuímos para a destruição do planeta e degeneração
física e mental do gênero humano.
A correlação entre a saúde humana e a do planeta é indiscutível. Nunca
na história o planeta esteve tão ameaçado e alterado devido a influências de
uma raça, e nem os seres humanos vivenciaram tantas doenças. O planeta
Terra está literalmente doente devido à destruição, alteração e poluição do
ambiente por nossas práticas.
Sugerem que o ser humano é a “praga” que assola o planeta, entretanto,
digo que nos tornamos a praga que assola o planeta na proporção em que nos
afastamos da vida saudável e adotamos hábitos artificias. Felizmente, a natureza,
assim como o corpo humano, é resiliente e suporta muitos abusos. Ainda não está
tudo perdido e existem meios de correção. Há uma forma de retornarmos a nossa
existência pristína, se obtivermos a informação correta e a adotarmos a tempo.
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Existem duas imprescindíveis moradas no universo: o nosso corpo e o planeta.
Somos ingênuos ao acreditar que o nosso corpo ou o planeta aguentarão por
muito tempo com os abusos e hábitos que praticamos. E mais ingênuos quando
acreditamos que os maiores prazeres da vida encontram-se em práticas não
naturais e não saudáveis.
Para consolidar a evidência de que nossas práticas atuais são insensatas
e insustentáveis, James Lovelock, o mais renomado e respeitado cientista em
aquecimento global, afirma que o aquecimento global é irreversível. De acordo
com suas previsões, seis bilhões de pessoas ainda morrerão neste século.
Essa alteração do comportamento humano de pacífico para destrutivo, que
está causando todo esse caos, não foi intencional. Foi apenas um acidente,
um mero e infeliz acaso, causado pela ignorância e desconhecimento humano
sobre as leis naturais e pela quebra de sua simbiose necessária com a natureza.
Entretanto, com os avanços científicos e o acúmulo de conhecimento, sa-
bemos o que deve ser feito e temos o livre arbítrio para alterar o rumo da
sociedade, para um caminho infinitamente melhor e sustentável. A grande
questão é: se decidirmos mudar, que seja rápido o bastante para conseguir
reverter os danos, antes que nossos próprios hábitos levem à nossa extinção
(se é que ainda existe tempo para tal mudança, porque de acordo com o
renomado LoveLock, já é tarde demais).
Precisamos do planeta Terra para viver. Se continuarmos a consumir
desenfreadamente e sem discriminação, iremos poluir o planeta e induzir
sua destruição e, consequentemente, a nossa. E, infelizmente, querendo ou
não, de acordo com o bom senso e a maioria dos especialistas em meio
ambiente e aquecimento global, a raça humana não dispõe de muito tempo
se continuar neste ritmo de “desenvolvimento”. Portanto, é nosso dever
conscientizarmos-nos e achar meios de promover soluções de como pode-
remos coexistir com o planeta, ao invés de parasitá-lo.
Entendo que restituir a saúde humana ao seu mais alto grau, como
nossos antepassados, é a chave para corrigir e revertermos os erros da
sociedade atual e transformar a vida na Terra no sonhado paraíso. Portanto,
acompanhe-me através deste livro, para compreender um pouco mais sobre
as nuances da saúde humana, nossos verdadeiros instintos e o plano que a
natureza tem para o homem, e aind a tomar ciência d o que ocorreu através
da história que nos levou a existência caótica atual.

19
Ligando os pontos

“Quanto mais um indivíduo age em harmonia com o Universo, mais alcançará


com menos esforço” Lao Tzu, Filósofo Chinês.

Inúmeros acontecimentos, reações, pensamentos, sensações e efeitos ocorrem


dentro de nós e ao nosso redor a cada hora. No entanto, nunca paramos para
entendê-los ou refletirmos sobre eles. O por quê de exatamente ocorrerem. Por
exemplo: durante muito tempo, seres humanos acreditaram que a felicidade,
tristeza, saúde ou doença ocorriam sem parâmetros fixos, por mero acaso, e
não ligavam felicidade e saúde aos hábitos de vida.
Devido à falta de conhecimento científico e conceitos errôneos obtidos du-
rante nossas vidas, baseados na imaginação e percepção das antigas gerações,
criamos nossos conceitos, nossas crenças, não compreendendo a mecânica,
a logística por trás de cada ocorrência em nossa vida e organismo. Vivemos
nossa vida, tomando milhões de atos, escolhas e decisões, sem ter idéia do
que acarretaram.
As crenças de nossos antepassados existiam pela falta de compreensão do
funcionamento da natureza e a mitologia foi uma forma encontrada para jus-
tificar e esclarecer pontos de difícil entendimento na época. Não existia ainda
o conceito de ciência e faltava-lhes a bagagem de informações acumuladas.
Felizmente, há mais de dois mil anos os gregos inventaram a filosofia, que é
a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao
mundo e ao homem. E, a partir da filosofia, criou-se a ciência visando uma
maior compreensão do nosso mundo, explicando o por quê das coisas.
Somos felizardos, pois podemos tirar proveito de tudo que foi comprovado,
aprendendo em minutos o que muitos demoraram décadas. Por exemplo, com
o avanço científico e as muitas pesquisas realizadas, ficou claro que o exercício
físico produz hormônios que ajudam a promover a felicidade e o bem-estar, e é
inclusive um dos meios de prevenir doenças. Na atualidade, é reconhecido que
o exercício físico não é uma atividade meramente com fins estéticos, mas uma
necessidade fisiológica. Tomamos consciência de que o sedentarismo ajuda a
produzir doenças, entre elas a tristeza e a depressão, e a atividade física ajuda
a instituir e manter a saúde, evitando essas e outras doenças.
Recentemente uma área de crucial importância começou a ser estudada
com mais afinco, a Nutrição. E, os avanços feitos por especialistas nesta área,
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vêm demonstrando que o estilo de vida, juntamente com a nutrição são fatores
fundamentais na psique humana, influenciando o comportamento e o equilíbrio
mental. A ciência nutricional provou que, uma alimentação inadequada e a falta
de determinados nutrientes, podem causar problemas mentais e comportamentais.
Começamos a entender que a saúde como um todo influencia o psicoló-
gico humano. Um bom exemplo é a famosa palavra “enfezado”, que tem sua
origem no Latim, e significa “com fezes dentro”. Uma pessoa que não tem seu
sistema digestivo funcionando devidamente, face ao sedentarismo, maus hábi-
tos dietéticos, entre outros fatores, fica literalmente enfezada, permanecendo
“zangada, brava”.
Se analisarmos o antigo e famoso ditado popular “você é o que você come”,
verificamos que nossos antepassados, sem nenhuma base científica, conseguiam
abalizar que os hábitos dietéticos humanos eram determinantes para a saúde
física e mental. É importante lembrar uma famosa citação de Sócrates, “mens
sana in corpore sano”, que significa “mente sã em um corpo são”, a prova de
que, aquela época, já tinham a compreensão de que o corpo e mente estão
interligados e não podemos simplesmente separá-los, o que é benéfico a um,
é benéfico ao outro e o que afeta a um, afeta ao outro, sendo os dois na
verdade, apenas um só.
Por mais que acreditemos em outra perspectiva, a ciência já comprova
que o corpo é uma unidade, um todo, e que corpo e mente funcionam em
conjunto. É impossível termos um corpo verdadeiramente saudável e distúrbios
psicológicos, ou uma mente completamente sã e apenas doença coronária. Ou
seja, é impossível apenas um órgão estar defeituoso, enquanto todo o resto
do corpo opera em harmonia e de uma forma saudável.
É do credo do modelo de saúde chamado “Higiene Natural” que a índole do
ser humano em condições ideais é benéfica, benevolente, ética, moral e gentil.
No entanto, pode ser pervertida, corrompida e ser completamente o oposto.
Da mesma forma, o paladar humano perde o gosto pelos sabores naturais
das frutas e vegetais crus, quando submetido a inúmeras substâncias químicas
utilizadas para “melhorar e conservar” o sabor dos alimentos industrializados.
É fácil distinguir as reações violentas e estranhas de uma pessoa bêbada ou
drogada e perceber que tal pessoa está sob o efeito de substâncias que altera-
ram sua percepção. No entanto, não “ligamos os pontos” e muitos não percebem
que diversos atos anormais que seres humanos praticam na atualidade, têm uma
ampla correlação com a ingestão de alimentos não adaptados ao seu corpo.
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Certos hábitos que acreditamos serem normais e inofensivos, levam-nos a
agir de maneira que nunca agiríamos em condições naturais. Quem de nós
que, durante horas dirigindo um carro no trânsito de uma cidade grande,
não agiu de forma estressada com alguma pessoa que não nos fez mal
algum? Quem nunca ficou fora de si, alterado pela ingestão do álcool? Não
temos noção do quanto o ambiente em que vivemos, nossos hábitos e as
substâncias que ingerimos, que denominamos “alimento”, podem alterar nosso
comportamento natural.
E se, todos estivéssemos alterados, sob o efeito de alucinógenos, quem
saberia diferenciar o real do ilusório, o certo do errado? Hoje em dia, pratica-
mente todos consomem uma dieta industrializada, rica em gordura, inteiramente
cozida e ingerem inúmeras outras substâncias químicas nocivas, vivem estilos
de vida totalmente fora do que o nosso organismo necessita, afastados do seu
habitat natural. Será que isto não altera nossas mentes, percepções, ações e
atitudes? Apesar de reconhecermos que um indivíduo fica muito alterado por
substâncias como o álcool, poucos enxergam a extenção do prejuízo que a
dieta e o estilo de vida moderno causam em nossa mente.
Sonhamos com a paz mundial, mas é difícil compreender que nunca existirá
paz externa e interna, enquanto semearmos a morte do nosso alimento. É
necessário entender que a paz vem de dentro e, enquanto nosso organismo
estiver em guerra, não viveremos de forma pacífica e nunca externaremos a Paz.
A paz é promovida em nosso organismo por uma condição chamada pela
ciência de “homeostase” (homeo = igual; stasis = ficar parado), que se refere
ao equilíbrio fisiológico mantido por todo organismo vivo. Apenas alcançamos
este equilíbrio através da integridade de nosso organismo. Com nosso modo
de vida atual, perturbamos e quebramos a homeostase do nosso organismo.
Nenhum organismo vivo externa paz, enquanto, literalmente, uma guerra química
é travada dentro de si diariamente.
Uma nutrição inadequada gera doença, que causa desequilíbrios no nosso
corpo, micro e macro, desde uma célula até os maiores e mais importantes
órgãos. Mesmo contrários à guerra, criamos, promovemos e aguentamos batalhas
internas diariamente, iniciadas, literalmente, pelos nossos garfos e pratos, cheios
de alimentos que interferem no funcionamento natural do organismo humano.
Desde o último século, os seres humanos utilizam alimentos enlatados, en-
sacados, refinados, processados, pedaços de animais mortos acondicionados
e congelados durante meses, queimados a altas temperaturas e com inúmeros
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temperos e aditivos químicos, entendendo essa forma de comer como “nutrir-
-se”, sem a conscientização de que o que enxergamos como comida está longe
de ser nosso alimento natural e dos efeitos adversos que a ingestão destes
pode nos ocasionar. O caos mundial é consequência da mudança de hábitos
do ser humano ao longo da história.
Não percebemos que ao desfrutar dessas abominações dietéticas, viver
enclausurados durante a maior parte do dia em escritórios, carros em longos
engarrafamentos, em casa na frente de aparelhos eletrônicos e, mais, vivenciar
a poluição ambiental, sonora e visual das cidades grandes, entre outros fatores
que nos afastam do contato com a natureza e ao estar distante de nosso
habitat natural, que é um ambiente arbóreo, calmo, com ar puro, condizente da
boa saúde, tranquilidade e paz, estamos comprometendo nossa saúde, fazendo
com que nosso organismo permaneça nesta “guerra” química, a qual é travada
dentro de nós a nível celular.
Nosso modo de vida complexo e não natural levou à desintegração dos
mais importantes e nobres características humanas. Os valores mudaram, dá-se
valor a quem alcança um grande posto, obtém sucesso e alta remuneração
financeira, não aos seus valores éticos e morais, nem tampouco ao seu senso
de justiça e bondade. Acredita-se que ter é melhor do que ser, quando é in-
discutível que ser é prioritário ao ter. A raça humana cedeu à ganância, poder
e ao materialismo implacável, sobrepondo à humanidade, à solidariedade, à
bondade, ao amor e ao igualitarismo na sociedade atual.
É necessária a conscientização da nutrição otimizada, para vivenciarmos a
saúde verdadeira. Quando nosso corpo vivencia a homeostase, nossa postura
emocional e mental é alterada de uma forma que nunca imaginamos ser possí-
vel, com isso conseguimos “ligar os pontos” do por quê do cáos da sociedade
e a falta de paz interna e consequentemente a mundial. Quando nosso corpo
está são, nossa mente fica sã e atraímos somente coisas boas, ficamos de bem
com o mundo e todas as “emoções destrutivas – raiva, inveja, ódio”, geradas
pela confusão mental de um ambiente interno conturbado, desaparecerão.
Ao vivenciarmos a saúde verdadeira, funcionamos de uma maneira otimizada,
exaltando a verdadeira beleza mental, física e moral da raça humana.
Felizmente, o corpo humano é incrivelmente resiliente. Devido a esta magní-
fica resiliência do corpo humano e sua capacidade de adaptação, o efeito do
que consumimos e fazemos, leva um longo tempo para acumular e se tornar
evidente. Por isso não percebemos o efeito causado pela ingestão diária de
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comida desvitalizada e desnaturada. E, já que não morrermos da noite para
o dia pelo consumo de toxinas e nem por fumar alguns cigarros ou usarmos
uma única droga, negligenciamos tais efeitos, como se fossemos viver para
sempre ou nunca enfrentar, em um futuro próximo, as consequências de nossos
maus hábitos.
Precisamos, caro leitor, apenas da lógica e do bom senso para perceber
que hábitos anormais produzem respostas, resultados e atitudes anormais. São
visíveis os distúrbios psicológicos e enfermidades físicas em pessoas com o
estilo de vida em voga. Imagine o resultado se pegarmos um animal, acorrentá-
-lo na frente de uma TV, em um ambiente fechado, sem sol e ar livre, dar-lhe
refrigerante, bebidas alcoólicas e fast-food, rapidamente teremos um animal
de comportamento doentio. Se dimensionarmos isso por meses, anos, o que
você acha que ocorreria com ele e o jeito que ele age perante a si mesmo e
aos outros? Saúde e comportamento benevolente?
Vemos nos noticiários tristes casos de crianças americanas que entram em
suas escolas armadas de metralhadoras e ódio, exterminando seus colegas,
sem nem imaginarmos que isso não ocorreu por acaso. Pesquisadores já de-
monstraram que inúmeros famosos psicopatas americanos comiam a famosa
“SAD” (Standard American Diet, a dieta padrão americana, rica em gordura,
alimentos refinados e alimentos animais), e tinham baixos níveis de serotonina,
altos níveis de metais pesados, altamente tóxicos, entre outras similaridades
que indicam uma saúde abalada. Uma pesquisa conduzida pela "University of
Southern California", publicada no "The American Journal of Psychiatry", mostrou
que deficiências nutricionais em crianças, levavam a um aumento enorme na
probabilidade de comportamentos mais agressivos, anti-sociais, uso de drogas,
furto etc. quando mais velhas.
Quem acredita que é culpa do acaso a forma em que se encontra a socie-
dade? Ou que é natural da índole humana, a ganância, os crimes e aconteci-
mentos atuais? Infelizmente, muitos ainda se perguntam o que há de errado,
sem realmente entenderem o que ocorre debaixo de nosso nariz.
Quando aprendemos que o fogo nos permitia ingerir diversas categorias de
alimentos, as quais seriam impossíveis de serem consumidas cruas, e assim,
começamos a cozinhar e alterar nosso alimento, demos início ao consumo
de abominações dietéticas, que nunca agradariam ao nosso paladar, se esti-
vessem em seu estado natural, pois não foram criadas para nosso consumo.
Com isto, abrimos a caixa de Pandora, produzindo males que levaram a uma
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existência repleta de problemas e, talvez, resultarão em nossa própria extinção
e à do planeta.

Incongruências em nossas vidas

Li uma matéria há pouco tempo, na qual biólogos brasileiros afirmavam


estarem muito preocupados com a saúde dos primatas de uma região do Rio
de Janeiro, que foi desmatada e queimada, e com isso os primatas estavam
correndo para dentro da cidade, procurando por alimentos e os cidadãos do
local os alimentavam com biscoitos e outros alimentos processados. Louvável,
mas pensei, será que esses biólogos não comem biscoitos e alimentos proces-
sados? Não deveriam estar preocupados, em primeiro lugar, com sua saúde?
Seus organismos são extremamente similares aos dos primatas, portanto, não
estão à mercê dos mesmos efeitos?
Nosso mundo e vidas são cheios de incongruências como essas e nem per-
cebemos. Como falar de paz, se em vão semearmos a morte de outros animais?
Já que dietas veganas, de acordo com a maioria dos estudos científicos atuais,
são sustentáveis em qualquer período da vida e mais nutritivas do que dietas
onívoras. Infelizmente, muitos ainda acreditam na necessidade de entupir seus
corpos com carcaças cozidas, para se manterem saudáveis e bem nutridos.
Face ao interesse econômico, a indústria alimentícia massifica o homem,
induzindo-o, fazendo-o acreditar que precisa de “proteína”. Os profissionais que
tratam da saúde sugerem que esses pedaços de animais mortos são neces-
sários à saúde humana, mas se a carne fosse indispensável, os vegetarianos,
veganos e crudívoros veganos não sobreviveriam. Mas eles existem e, a cada
dia que passa, em maior número. Comer animais não se encaixa com a natu-
reza humana. Sentimos pena e nos levantamos em defesa ao ver um animal
ser maltratado. Entretanto, a maioria de nós esquece e negligencia quando os
maltratos e abates cruéis ocorrem em um matadouro a quilômetros de nós.
Outra incongruência é que ninguém quer ficar doente ou morrer, todos
desejam saúde. Apesar disso, tomam hábitos destrutivos, como fumar, ingerir
álcool, drogas, junk-food. Da mesma forma que muitos querem ser felizes, mas
escolhem empregos e vidas estressantes, não tratam de sua saúde, não se
exercitam. O exercício auxilia na produção de serotonina, um neurotransmissor
chamado de o "hormônio da felicidade". Como ser realmente feliz e saudável
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se não praticamos e fornecemos ao organismo, as naturais reações químicas
que produzem a saúde? Ninguém o faz por mal, mas por viver em um ambiente
não natural e não entenderem o que busca a nossa programação biológica.
Os grandes filósofos gregos, mesmo sem comprovações científicas, já com-
preendiam o quanto a má nutrição influenciava a psique e consequentemente
os atos humanos. Alguns defendiam na época que, se o homem continuasse a
comer carne, destruir-se-ia na disputa por um pedaço de terra, pois precisaria
de espaço físico para criação desse alimento.
Em seu livro “A República”, Platão cita um diálogo de Sócrates com Glauco,
no qual o grande filósofo Sócrates utiliza-se da dialética socrática, propondo
o raciocínio através de deduções lógicas e um exemplo fictício. Neste exem-
plo, cidades em que seus cidadãos consumissem carne e cometessem outras
práticas entendidas como “nobres”, tais como a ingestão de vinho, sal, queijo,
sofreriam de falta de espaço por utilizarem a maior parte de suas terras para
a criação de animais para o abate e, como consequência, guerras por terras
aconteceriam, fazendo com que o dissolutismo e a doença predominassem. Dizia
que nessas cidades existiriam médicos e advogados em abundância. Médicos
seriam necessários pela falta de saúde face aos hábitos errados. E, advogados
face às brigas pelo poder e posse de terras.
É impressionante como há dois mil e quinhentos anos, os sábios previam
problemas causados por uma vida baseada no consumo de artigos alimentícios
de "luxo" não congruentes com as leis naturais. Conseguiram descrever e prever
com exatidão problemas como o que temos nos dias de hoje, as doenças e a
obsessão pelo poder e dinheiro. Também acertaram na previsão de duas das
profissões mais requisitadas dos dias de hoje: médicos e advogados.
Os filósofos gregos compreendiam que o consumo de carne, a falta de
temperança, enfim, a vida fora dos padrões naturais acarretaria a mente hu-
mana. Naquela época não existia o cozimento frequente como hoje, em que
todas as refeições são feitas de alimentos extremamente cozidos. Muito menos
a industrialização, refinação etc.
Reflita sobre o texto a seguir, que fala sobre uma das bebidas mais consumi-
das na atualidade: “A bebida recebeu o nome de Coca-Cola, porque inicialmente
o estimulante misturado na bebida era cocaína, que vem das folhas de coca,
oriunda da Colômbia. A bebida também recebeu seu sabor da noz de cola. Hoje,
o estimulante foi alterado para cafeína, mas o sabor ainda é feito através da
noz de cola e folha de coca. A cocaína foi removida das folhas e a bebida não
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contém traços da droga. Era vendida originalmente como remédio por cinco
centavos o copo, depois relançada como bebida leve. As primeiras vendas
foram feitas na Farmácia de Jacob na cidade de Atlanta. Existem boatos que
esse refrigerante é capaz de dissolver um dente de vinte e quatro a quarenta
e oito horas e mais que desentope ralos, retira manchas de mármores etc.”
Depois de todas estas informações, imagine como o consumo de Coca-Cola
afeta seu delicado ambiente interno, suas células, órgãos e o funcionamento
de seu cérebro.
Por isso tudo, acredito que a frase que o renomado higienista Dr. Douglas
Graham cita é muito sábia. “Remova as incongruências entre o que você acre-
dita e o que faz”. Ou seja, não podemos praticar hábitos que sabemos que
são nocivos e esperar que a saúde seja o resultado dos mesmos.

Conceitos errôneos

A medicina dá pouca importância à nutrição em geral e os profissionais


da área se formam com muito pouco estudo sobre nutrição na faculdade.
Hipócrates, um grego considerado o pai da medicina, advogava dieta e jejum
como o principal meio de prevenir e tratar doenças. No entanto, a medicina e
a ciência continua, aproximadamente dois milênios depois, na busca por sin-
tetizar componentes do meio animal e vegetal, criando as mais inimagináveis
e absurdas misturas para produzir curas milagrosas através de vacinas, soros,
pílulas ou tratamentos, negligenciando o simples e básico funcionamento da
natureza e seus elementos naturais, que foram e continuam a ser os únicos
requisitos à saúde das plantas e animais há bilhares de anos, desde o surgi-
mento da vida na terra.
Enquanto tal “cruzada” na busca de curas prossegue, milhares sofrem em
hospitais e a humanidade não encontra nem a paz e nem a saúde tão sonhada.
Embora o assunto aqui abordado seja radical, pelo menos para alguns, lem-
bremos que inúmeras mudanças através da história humana foram apontadas
como loucura. Um dos exemplos é a teoria heliocêntrica de Copérnico, segundo
a qual o sol era o verdadeiro centro do sistema solar.
Na época, discordaram de Galileu, quanto a sua teoria e alguns cientistas
ficaram indignados pelo fato dela ser tão diferente do que aprenderam, acre-
ditavam e ensinavam. E, ao invés da sociedade mudar seus conceitos errôneos
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preferiu mandar prender Galileu, o qual quase foi enforcado. Hoje, achamos
graça dos que acreditavam que a terra era quadrada e foram contra Galileu.
Se hoje, uma pessoa sugerir que o sol e os outros planetas girem ao redor
da terra será obviamente considerada insana ou sem instrução. Na época de
Galileu, como acreditavam que a terra era “quadrada”, pensavam que marinhei-
ros que navegassem até o final do horizonte, cairiam fora da terra, tal qual
quando chegamos ao final de uma cachoeira.
Vemos que, infelizmente, a raça humana nem sempre sabe e acredita no
que é certo. E, portanto, é possível que estejamos baseando nossa saúde
em conceitos errôneos. Nossos ancestrais não tinham o devido conhecimento
científico, nem sabiam como as leis naturais funcionam, e não podemos basear
nossas vidas nas conclusões da grande maioiria deles, acreditando em antigos
mitos e crendices.
Mostra a história que mentes inquisitivas que abalaram o “status quo”,
apesar de mexerem com a cabeça do homem, foram ostracizadas pelos seus
contemporâneos. Vejamos o caso de Sócrates, condenado a morte pela corte
de Atenas por suas idéias revolucionárias e questionadoras e por incitar os
jovens a novas idéias, contrárias às da época. Visto hoje como um dos maio-
res pensadores da história ele foi, entretanto, executado, pois seus conceitos
eram muito avançados para sua época.
Entre outros grandes nomes considerados como “radicais” temos Darwin, que
divulgou a “teoria do evolucionismo” e Ignaz Semmelweis, médico, severamente
criticado por seus companheiros, que radicalizou a época buscando a simples
higiene, para qual hoje damos tanto e devido valor. Semmelweis mostrou que
os médicos deixariam de propagar doenças nos hospitais se lavassem suas
mãos antes de atender cada paciente. Esta entre muitas idéias, só foram ser
aceitas décadas após sua divulgação e, quando esses pensadores as propuse-
ram, foram severamente ostracizados, considerados como charlatões e alguns
punidos até com um mal maior - a morte.
O Dr. Herbert Shelton, foi um ícone no movimento de saúde natural, por
ter auxiliado milhares de pessoas a se recuperarem de doenças terminais e,
inclusive, passarem a viver uma vida saudável, próspera, produtiva e livre de
doenças. Ainda assim, foi preso inúmeras vezes por “praticar medicina sem
licença”, embora nunca tivesse praticado “medicina” como ele mesmo afirmava.
Apesar de ter salvo a vida de milhares de pessoas e talvez mudado o curso da
história humana, revivendo o movimento da Higiene Natural, foi severamente
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criticado em sua época, sofrendo grande imposição.
O Dr. Shelton não teve o reconhecimento devido, apesar de todo o seu
magnífico trabalho. Nos dias de hoje, seu conceito de que a saúde é produzida
através de uma vida saudável vem cada vez mais ganhando força, até na classe
médica que tanto o rejeitou. Agora, a cada dia mais, as pessoas se preocupam
e dão o devido valor à nutrição, aos exercícios físicos, ao sol e aos outros
hábitos saudáveis, reconhecendo que são essenciais à boa saúde, ao contrário
do que acontecia há setenta anos atrás, na época dele.
Apesar de qualquer conceito pré-existente, costumes e crenças que são
aceitos na sociedade, questione-se. Podemos não acreditar na lei da gravidade,
mesmo assim nunca conseguiremos voar. Da mesma forma, o alimento que está
no nosso prato pode ser cancerígeno, mesmo que você não acredite.
A nossa grande incongruência é a prática de hábitos que não produzem os
resultados que acreditamos que produziriam. E, infelizmente, a natureza não
muda ou nos perdoa pela nossa falta de conhecimento. Produzimos doenças
degenerativas e minamos nossa saúde, por não estarmos cientes que o efeito
da dieta e do estilo de vida são os principais fatores no desenvolvimento de
cânceres, ataques cardíacos, diabetes, osteoporose, artrites, doenças psicoló-
gicas, entre muitos outros distúrbios.
Da mesma forma que hoje é óbvio e aceito por todos que a terra gira ao
redor do sol, provavelmente daqui a um século, como aconteceu com outras
idéias “revolucionárias”, os conceitos do crudivorismo frugívoro e da Higiene
Natural abordados a seguir neste livro, ao invés de exceção serão a norma.
Então, teremos a comida cozida e teorias nutricionais em voga como algo
absurdo.
Apesar da prática dietética crudívora ser considerada “radical”, veremos
através deste livro, que estudos, pesquisas e a lógica comprovam que esta é
a forma natural. Portanto, comer comida crua não pode ser radicalismo.
“Radical” é um termo relativo, considerando que na atualidade a sociedade
vive estressada em cidades poluídas, privada do contato com o sol e com a
natureza, a base de estimulantes, remédios, alimentos industrializados conten-
do neurotoxinas, hormônios, pesticidas etc. e ainda espera convicta que será
saudável e feliz.
Na natureza, o crudivorismo e a vida saudável são o normal, comum e
conservativo, e se entenderia uma pessoa que come chesseburguers e refri-
gerantes dentro de ambiente fechado como estranha e “radical”, ao contrário
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do ser humano que se exercita, toma sol e se alimenta com frutas e vegetais
frescos e integrais.

Bom senso e lógica para alcançarmos a


saúde verdadeira

“Ingerimos drogas, que conhecemos muito pouco, em corpos os quais enten-


demos menos ainda, para curar doenças sobre as quais não sabemos nada”
Voltaire, Filósofo francês.

Muitos acreditam que cuidar da saúde e dos hábitos diários, não é algo que
faça uma grande diferença na qualidade de vida e longevidade. Infelizmente,
tomam tais posturas sem compreender o funcionamento do seu organismo, já
que a ciência cada dia mais tem comprovado o bom senso. Isto é, o consumo
de frutas e vegetais, a prática de exercícios físicos, a exposição diária ao sol,
entre outros fatores são a verdadeira causa determinante da diferença entre
a saúde e doença.
Se a ciência estiver errada, porque então alguns vivem vidas longevas e
saudáveis e outros vivem vidas curtas, repletas de enfermidades? Para prová-lo,
verifiquemos o modo de vida e longevidade dos esquimós. Eles vivem em um
clima inóspito para a raça humana, sem a necessária exposição ao sol, tendo
suas dietas baseadas em carne crua e vários outros fatores adversos à saúde.
Essas pessoas começam a sofrer de câncer e outras doenças degenerativas
comuns na sociedade atual, bem cedo e tem uma das expectativas de vida
mais baixa do mundo, na faixa dos trinta aos quarenta anos.
Ao contrário, existem várias áreas rurais perto dos trópicos, famosas por
possuírem muitos centenários. Um exemplo no nosso país é a Sra. Maria Olivia
da Silva, residente no norte do Paraná, que morreu com cento e trinta anos,
como divulgado pela mídia brasileira. Quando todas essas pessoas longevas
são indagadas, a receita é sempre igual. Uma vida calma e simples, sem
fatores estressantes, exercícios diários, ambiente natural, exposição diária ao
sol, muitas frutas e vegetais e outros alimentos hipo-lipídicos das plantas. De
acordo com a dona Maria Olivia, sua receita era banana.
Atualmente, devido à observação de povos e pessoas com hábitos distintos,
a comparação de indivíduos saudáveis com os doentes, tornou-se consenso
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