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A HISTÓRIA DA MAÇONARIA SIMBÓLICA1 NO BRASIL

COMPILADA POR

Bro. Peter Swanson, P. G. D. G. Treasurer – Grande Conselho da


Maçonaria Simbólica no Brasil
Ex-VM Eureka Lodge nº 3. Ex-VM Lodge Friendship nº 12
VM Loja de Mestres da Arte Brasil nº 15
Loja Anglo-brasileira nº 3880 (E.C.)
Loja de São James nº 653 (S. C.)

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O GRÃO-MESTRE DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL


TENDO SANCIONADO ESTA HISTÓRIA

O GRANDE CONSELHO DA MAÇONARIA CRAFT NO BRASIL


TENDO, DE ACORDO, SUPERVISIONADO A SUA PUBLICAÇÃO

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DEZEMBRO 1928

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1928
COMP.LITHO FERREIRA PINTO
RIO DE JANEIRO

1
Craft masonry – maçonaría de arte ou das artes; corresponde, no Brasil, à Maçonaria simbólica. (N. do T.)

1
PREFÁCIO

Depois da colocação desta história nas mãos dos impressores, o escritor


descobriu que não tinha coberto todas as Lojas Crafts que existiam, num
tempo ou outro, no Brasil. Para remediar esta omissão, cita-se o seguinte, da
“História da Maçonaria” (Vol. 4, p. 190):--

“Na presente data (1886).......... jurisdições estrangeiras (ou Grandes Lojas)


estão representadas pelas seguintes Lojas: -- ...................................... Scotland nº
473, Progresso, Rio Grande, 1876; e Hamburg: da Palma da Paz, Blumenau,
1885. Entre as Lojas que existiam anteriormente, mas que estão extintas
agora, podem ser citadas: -- ............. nº 378 (Maranhão), 1856 (Grande Loja
da Irlanda); e “Amizade Germânica” do Cruzeiro do Sul”, originalmente duas
Lojas brasileiras que se fundiram em 1856 e encontraram lugar na lista da
Grande Loja de Hamburgo, em 1856.

2
MAÇONARIA CRAFT NO BRASIL EM 1880

MEMBROS DA LOJA WASHINGTON

Da equerda para a direita (em pé) – VM Terrel, Robert Daniel, Bony


Green, Henry Scullock, Cley Norris, Macema Smith, Robert Norris
(Sentados) – Rv. Newman, Coronel Norris, Rv. Thomas e Domm.

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A pergunta tem sido feita tão frequentemente, não apenas quando
em visita aos Irmãos, mas por aqueles sob a nossa própria
jurisdição, objetivos e situação do Grande Conselho da Maçonaria
Craft no Brasil, que, sem dúvida, serviria a uma finalidade muito
útil, agora, compilar e registrar o que é conhecido sobre as Lojas
(Crafts) de língua inglesa no Brasil. Assim fazendo, deve ser
apontado, aqui, que o Grande Oriente do Brasil sempre as chamou
de Lojas do “Rito de York”, para distingui-las das que praticam o
“Escocês” e outras formas de trabalho.
A primeira Loja de língua inglesa, no Brasil, foi a Loja Órfã nº 616,
fundada em 17 de dezembro de 1834 e a ela se seguiu a Loja de São
João nº 703, em 6 de julho de 1841 e a Loja Cruzeiro do Sul nº 970
(mais tarde mudada para o nº 672, quando a Grande Loja
consolidou a numeração nos seus registros, em 18632), em 25 de
abril de 1856, a todas três tendo sido concedidas as suas
autorizações pela Grande Loja Unida da Inglaterra, nas datas
mencionadas. As duas primeiras realizavam suas sessões no Rio de
Janeiro, enquanto a sede da Cruzeiro do Sul era em Pernambuco.

2
Referência à renumeração das lojas da Grande Loja Unida da Inglaterra, em 1863, grupando todas as lojas
sob uma única série numérica e eliminando as duplicidades existentes. (N. do T.)

4
O Venerável Mestre Irmão A. J. Thompsom, P.G.W. do Grande
Conselho da Maçonaria Craft no Brasil, quando estava na
Inglaterra, em 1923, deu-se ao trabalho de obter uma lista dos
Fundadores e Membros dessas Lojas, dos registros da Grande Loja e
tomou a liberdade de os publicar integralmente. Chamam a atenção
as várias profissões dos membros dessas Lojas, pois permitem uma
comparação interessante com as praticadas, nos dias de hoje, pelos
Irmãos das nossas Lojas. Encontramos, além das corriqueiras
Comerciantes, Balconistas e Mestres Marinheiros, profissões tais
como Editores, Autores, Publicadores, Médicos, Cirurgiões,
Químicos, Farmacêuticos, Analistas, Engenheiros, Professores de
Matemática, Bibliotecários, Dentistas, Donos de Farmácia, enquanto
os serviços eram representados pelo Serviço Consular De Sua
Majestade Britânica, a Marinha Real, a Marinha Norte-americana e
“Oficiais do Exército do Sul”. Os irmãos saudavam de todas as partes
do mundo e esses eram dias me que não existiam transatlânticos de
18 a 20 nós3! A lista de membros merecia bem um exame e esta
razão foi incluída nesta publicação.
Todas as três Lojas desapareceram, desde então, e deve ser
lamentado que as suas Cartas e registros se foram do mesmo modo.
Alguma pista dos seus problemas, entretanto, ainda está para ser
descoberta, pois descobrimos que, em 26 de dezembro de 1847, o
Grande Oriente determinou à Loja “Commércio” que expulsasse do
seu templo a Loja “Inglesa” que ali trabalhava “em desacordo com as
determinações do artigo 22 da Constituição”. Isso parece se referir à
Loja de São João, pois a Loja Órfã aparentemente parou de trabalhar
em 1842. Então, novamente, em 25 de fevereiro de 1848, o Grande

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knot – nó – medida de velocidade de uma embarcação. (N. do T.)

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Oriente expediu uma circular a todas as suas Lojas “proibindo todos
os seus membros de visitar a referida Loja inglesa, que tinha sido
ilegalmente instalada no Oriente desta Capital, sob os auspícios do
Poder Maçônico estrangeiro”. Ele ordenou ainda que suas Lojas não
recebessem como visitantes ou afiliados qualquer membro da Loja
“Inglesa” e para, imediatamente, expulsar todos os que já se tivessem
afiliados. Como os registros da Loja de São João cessaram em 1849,
pode ser pertinente ser perguntado, especialmente me face da
filiação saudável das Lojas daquele tempo, se eles acharam a
oposição do Grande Oriente demais para eles e desistiram de
combater. Infelizmente, nenhuma luz pôde ser lançada a este ponto,
mas a Loja Cruzeiro do Sul, que fora fundada em Pernambuco cerca
de 7 anos mais tarde, estava, aparentemente, autorizada a trabalhar
sem ser perturbada, pois até 1870, descobrimos que ela admitiu um
membro de uma Loja brasileira.
Embora essencialmente tratado das Lojas de língua inglesa, a
História da Maçonaria Craft no Brazil não seria completa sem fazer
referência a uma outra Loja Craft que sabidamente existiu, em
algum momento, no Brasil. Foi ela a Loja de São João (Craft)
subordinada à Grande Loja-Mãe Nacional dos Três Globos em
Berlim, mencionada na “Concisa História da Maçonaria”, de Gould.
Como, infelizmente, nenhum rastro dela pode ser encontrado nos
arquivos do Grande Oriente, foram feitas limitações para registro do
fato.
Cegamos, então, às Lojas do “Rito de York” ou Crafts, que receberam
as suas Cartas diretamente do Grande Oriente do Brasil e, entre
essas, de particular interesse é a segunda, chamada de Loja
Washington, por razões óbvias.

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Essa Loja, fundada em 1874, era composta quase inteiramente de
Irmãos Americanos e fazia as suas reuniões em Santa Bárbara,
Estado de São Paulo, mas a Loja é de interesse especial por causa das
circunstâncias peculiares ligadas à sua criação.
É fato histórico que um êxodo considerável de sulistas se seguiu à
guerra civil nos estados unidos da América e muitos deles
procuraram um novo lar na América do Sul. Aconteceu que o
Estado de São Paulo foi escolhido por vários deles e, no devido
momento, Santa Bárbara se tornou o lar de algumas poucas famílias.
Entre esses imigrantes estava William Hutchinson Norris, mais
conhecido como Coronel Norris, que tinha 65 anos de idade quando
chegou ao Brasil, acompanhado por seu filho, o Dr. Robert Cicero
Norris. O Coronel Norris se tornou Maçom cedo, na vida, e, na sua
terra natal, atingira a distinção de Grão-Mestre da Grande Loja do
Alabama. Tanto quanto é sabido, o seu retrato ainda está pendurado
na sede Maçônica de Montgomery, Alabama. O seu filho, Robert,
também era Maçom, tendo sido iniciado na Loja Fulton, Dallas, EUA,
em 1858, quando o seu pai era Venerável Mestre da Loja. O Dr.
Robert serviu com distinção durante 4 anos, na Guerra Civil,
durante a qual ele foi ferido várias vezes e, finalmente, feito
prisioneiro e internado no Forte Delaware.

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Era a homens como esses que a Loja Washington devia a sua
existência e é desnecessário dizer que o Coronel Norris foi o seu
primeiro Mestre! Seu filho Robert, que o substituíu na Cadeira, mais
tarde, praticou a medicina neste país até pouco antes da sua morte,
em 1913 e, embora a Loja Washington tenha desaparecido anos
antes do registro do Grande Oriente, é prazeroso notar que
alinhamos a terceira geração da família entre os nossos membros.

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O filho do Dr. Robert, Thomas John Norris, foi recebido na
maçonaria alguns meses antes, na Loja Eureka nº 3 e a ele são
devidos os nossos agradecimentos por essa interessante informação
e pela fotografia.
A fase seguinte da Maçonaria Craft no Brasil é de uma data muito
mais recente e trata, principalmente, das Lojas que existem hoje,
ainda que datando dos “anos noventa”. A respeito dos seus primeiros
dias, muita informação útil pode ser encontrada em “Alguns
registros da Loja Eureka de Maçons” publicado em dezembro de
1916 por R. W. Bro. H. L. Wheatley, ex-Grão Mestre do Grande
Conselho P.G.D. (Inglaterra). Mas devfe-se notar que este período
assinalou uma era totalmente nova para os Maçons de fala inglesa,
neste país, enquanto que a Maçonaria Craft tinha completamente
desaparecido, nesse tempo e, desse ponto de vista, não há dúvida de
que o trabalho ritualístico de Emulação, cuja prática é, agora,
seguida por todas as Lojas do Grande Conselho, foi rigorosa e
insistentemente seguido.
Das Lojas Crafts, no Brasil, a Loja Eureka nº 3 pode, com justiça,
reclamar ser a pioneira da Maçonaria Craft, pois desde os primeiros
dias recebeu o impacto do interesse da Maçonaria Craft neste país, e
foi nesta Loja que as outras buscaram orientação em todas as
matérias doutrinárias.
has been most strictly adhered to and insisted upon. A Loja Eureka
nº 3 possui Carta Constitutiva do Grande Oriente do Brasil datada
de 22 de dezembro de 1891 e é interessante observar que, embora
lhe fosse dada ampla liberdade de ação para seguir os princípios da
Maçonaria Inglesa e o Ritual dos trabalhos de Emulação, ela era
governada pela Constituição do Grande Oriente. Em consequência,

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surgiram diferenças e, em 1902, a Loja Eureka foi obrigada a se
aproximar do Grande Oriente nessa matéria, pois eles acharam que
não poderiam reconciliar os seus princípios com certas disposições
estabelecidas pela Constituição. No devido curso, o assunto foi
submetido à Assembleia Geral (o corpo legislativo do Grande
Oriente) a qual, na sessão de 22 de dezembro de 1902, deu
cuidadosa consideração às representações feitas pela Loja Eureka e
decidiu que onde quer que as Lojas Crafts achassem que a prática
do Ritual na sua forma mais pura, não se encontrava nenhum
conflito com a Constituição. Desse modo, as Lojas trabalharam em
completa liberdade e em harmonia com o Grande Oriente.
À medida que o tempo passou, entretanto, no bojo do Grande
Oriente surgiram discussões sobre assuntos políticos e religiosos,
culminando num Congresso Maçônico realizado em 1909, ao qual
vários temas de caráter nitidamente revolucionários foram
apresentados. Seria suficiente mencionar aqui que a Maçonaria
Brasileira propôs liderar um congresso internacional para a
unificação de todos os Ritos Maçônicos. Eles propuseram, ainda,
lidar drasticamente com corpos religiosos e com problemas sociais
em linhas altamente revolucionárias. Mas a tese que causou um
alarme muito sério para os Irmãos de fala inglesa foi a proposta de
que “o momento histórico atual exige a simplificação dos rituais,
através do que o princípio da mais ampla tolerância dominará no
interior de todos os templos, abraçando o âmago da Maçonaria,
deístas e ateus, sectários de quaisquer religiões e livre pensadores”.
Tal era a situação naquela época e muitos Irmãos acharam que era
impossível continuar sob o Grande Oriente, nas circunstâncias.

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A opinião estava, entretanto, dividida entre os Irmãos e um terreno
comum para a ação proposta não pôde ser encontrado, embora
fosse sentimento generalizado de que era na Grande Loja unida da
Inglaterra que eles deveriam procurar ajuda e orientação. Vários
ex-veneráveis, tanto no Rio como em outras localidades, foram
incansáveis em cuidado e atenção com que acompanharam toda a
matéria e foi inteiramente devido aos seus esforços que ela,
finalmente, frutificou em ação sendo tomada pela Grande Loja de
Londres. Não se pode dizer muito sobre a devoção desses poucos
Irmãos no seu incansável trabalho voltado para a obtenção de um
status satisfatório para os Irmãos de fala inglesa em geral mas, pelo
menos, tiveram a sua recompensa no resultado obtido.
Isso nos leva de volta às origens e objetivos do Grande Conselho da
Maçonaria Craft no Brasil e, a esse respeito, chama-se particular
atenção para a carta escrita pelo Grande Secretário da Grande Loja
unida da Inglaterra ao Grande Secretário do Grande Oriente do
brasil, datada de 26 de setembro de 1912, a qual foi escrita em
termos inconfundíveis e está apensa em anexo.
A sua origem e objeto, porém, podem ser melhor explicados pelo
seguinte extrato de um relatório lido e recebido na Comunicação
Trimestral da Grande Loja Unida da Inglaterra em 4 de junho de
1913:
“Por alguns anos, foram feitas representações ao Muito Venerável
Grão-mestre a respeito de que os Maçons Ingleses residentes no
Brasil encontravam dificuldades de reconciliar a sua associação com
os Maçons daquele país, com estrita adesão aos princípios dos
Maçons Ingleses, sendo estes de reconhecimento do G. A.D.U. e a
abstenção, nas Lojas, de controvérsias religiosas ou políticas. Eles

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eram tratados com grande cortesia e gozavam de completa
liberdade na prática do ritual Inglês e dos costumes maçônicos, mas
eles sentiam que, enquanto estivessem sob a jurisdição absoluta do
Grande Oriente do Brasil, eles podiam ser instados a compartilhar
opiniões a respeito de religião, o que prevalecia entre os maçons
brasileiros e a responsabilidade por suas ações em assuntos de
religião e política. Eles, portanto, acima de tudo, estavam desejosos
de que a sua atitude distinta deveria ser manifestada e que se
deveriam constituir tão separadamente que nenhuma dúvida
pudesse surgir quanto ao seu direito de serem recebidos em sua
plenitude como Irmãos nas Lojas Inglesas. Profundamente
impressionado com a importância dessas representações e
convencido de que nada, a não ser a negociação pessoal, poderia
obter um acordo satisfatório, o M. V. Grão-Mestre decidiu, com o
consentimento da Diretoria, a quem essa intimação fora
cortesmente comunicada, adotar a conduta incomum de mandar
uma Missão ao Brazil.
Está claro, portanto, que a sua origem deve ser encontrada no fato
de que os Maçons ingleses residentes no Brasil não estavam
satisfeitos e se sentiam incomodados em relação à sua posição de
absoluta sujeição à jurisdição do Grande Oriente do Brasil e, além
disso, que o seu desejo era se a Grande Loja Unida da Inglaterra, a
qual um considerável número deles jurara obediência através de
associação em Lojas inglesas em seu país, não podia fazer alguma
coisa para remediar essa posição.
O M. V. Grão-mestre da Grande Loja, S.A.R. o Duque de Connaught,
ficou tão “profundamente impressionado” com a posição que
decidiu “adotar a conduta incomum” de mandar o Relatório acima

12
mencionado, para “obter, se possível, o consentimento do Grande
Oriente para o estabelecimento de uma Loja Distrital sob
Constituição inglesa. no Brasil ou, se isso falhasse, negociar algum
acordo que atendesse aos escrúpulos conscientes dos Irmãos
ingleses e estabelecer novas relações com o Grande Oriente,
consistentes com os princípios fundamentais da Maçonaria Inglesa”.
“O Venerabilíssimo Irmão Lord Athlumney, ex-Grande Vigilante,
consentiu em empreender a tarefa difícil e responsável de liderar a
Missão, enquanto o Vem. Irmão H. Passmore Edwards, ex-Grande
Diácono, prontamente sacrificou tempo e conveniência pessoal para
acompanha-lo à América do Sul; e o Vem. Irmão P. Trindal-
Robertson, que tinha que visitar o Brasil a negócios próprios,
concordou em desviar-se do seu caminho e auxiliar. O Ven Irmão J.
J. Keevil, que morava no Brasil e estava voltando de uma visita a este
país4, também concordou em tomar parte na Missão e o
Venerabilíssimo Irmão F. M. Chevalier Boutell, o Grão-Mestre
Distrital da Argentina, uniu-se à Missão, desde Buenos Aires, com
considerável sacrifício pessoal.”.
A Missão assim designada chegou ao Brasil em dezembro de 1922 e
descobriram que não teriam que encarar nenhuma tarefa fácil. Na
verdade, o Venerabilíssimo Irmão Lord Athlumney, ao falar à
Grande Loja em 4 de junho de 1913, dissera:
“Eu não compreendi as dificuldades até desembarcarmos no Brasil,
nem que nos encontraríamos com uma recusa polida mas
determinada a todas as nossas solicitações. Isso foi confirmado na
nossa primeira reunião e descobrimos, então, que deveríamos
enfrentar uma oposição muito determinada, ainda que amistosa.”

4
Refere-se à Inglaterra. (N. do T.)

13
As oposições, entretanto, foram vencidas e, nas próprias palavras do
Venerabilíssimo Irmão Lord Athlumney,, a seguir, podem mais
apropriadamente ser usadas como prova:
“Estou agradecido por declarar que o conseguimos sem, de qualquer
forma, comprometer a estima e o respeito em que a Grande Loja da
Inglaterra é tida pela grande Loja do Brasil. Naturalmente, não
obtivemos tudo o que pedimos, mas conseguimos salvaguardar o
ponto de vista dos Irmãos naquele país e garantir-lhes a liberdade
de consciência e liberdade de ação, de modo a que eles não estejam
sob nenhum regulamento contrário à Grande Loja da Inglaterra e, a
esse respeito, certamente, tivemos sucesso”.
As negociações entre a Missão e o Grande Oriente do brasil
resultaram na redação de um Tratado, que está transcrito abaixo, e
foi assinado no Rio de Janeiro, em 21 de dezembro de 1912. Em seu
relatório à Grande Loja da Inglaterra, a Missão registrou que a data
de 20 de dezembro de 1912, com um ligeiro erro, é,
consequentemente, repetida pelo Venerabilíssimo Irmão Sir Alfred
Robbins, no seu Relatório ao M. V. Grão-Mestre, S.A.R. o Duque de
Connaught, na data de 1º de agosto de 1927. O Tratado nos
arquivos do Grande Oriente do Brazil diz, em Português e Inglês, o
seguinte:
"O Grande Oriente do Brasil, representado pelo seu Grão Mestre
Senador Lauro Sodré e Grande Secretario Geral Capitão Pedro
Muniz, e a Grande Loja Unida da Inglaterra, representada pelos
Respeitabilissimos Irmãos˙. Lord Athlumney, F. H. Chevallier Boutell,
H. Passmore Edwards, P. Tindal Robertson e J. J. Keevil, accordaram
o seguinte:

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Em vista das representações que á Grande Loja Unida da Inglaterra
foram feitas a respeito da situação dos maçons no Brasil, que falam
inglez, e querendo o mesmo Grande Oriente conservar inabalavel a
velha e fraternal amizade, que sempre o uniu áquella Grande Loja,
resolveu permittir, de accôrdo com o artigo 63 da Constituição, que
seja creado um Grande Capitulo do Rito de York, com patente e sob
a obediência do Grande Oriente do Brasil.
“Desde logo ficarão subordinadas a esse Grande Capitulo as
seguintes sete Lojas do Rito de York:
Eduardo VII, ao oriente do Pará,
Saint George, ao oriente do Recife,
Duke of Clarence, ao oriente da Bahia,
Eureka No. 3, ao oriente do Poder Central,
Wanderers, ao oriente de São Paulo,
Unity, ao oriente de São Paulo,
Morro Velho, ao oriente de Minas Gerais.”

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“Esse Grande Capitulo será autoridade suprema, em materia
liturgica, para todas as Lojas do Rito de York, actualmente existentes
no Brasil e para aquellas que de futuro forem creadas.
D’ora em deante todas as Lojas do Rito de York, que se fundarem no
Brasil, só poderão funccionar com autorisação do Grande Capitulo e
as suas patentes serão por elle expedidas e assignadas pela
administração do Grande Oriente do Brasil, nos termos da
Constituição e leis deste Grande Oriente.
O Grande Capitulo se comporá de 33 membros effectivos, dos quaes
28 serão eleitos dentre os maçons pertencentes ás Officinas do Rito
e 5 serão o Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, o Grão Mestre
adjunto, o Grande Secretario Geral da Ordem, o Grande

16
Thesoureiro e o Grande Chanceller, que terão voto em todas as
deliberações tomadas pelo Capitulo.
O Grande Capitulo terá direito de confeccionar o seu regulamento
particular que só entrará em vigor depois de approvado pelo
Conselho Geral da Ordem, devendo toda e qualquer alteração nelle
introduzida ser submettida á approvação do referido Conselho.
O referido regulamento será obrigatorio para todas as Lojas do Rito
de York existentes no Brasil e não poderá contrariar disposição
alguma da Constituição e Regulamento Geral do Grande Oriente do
Brasil, modelando-se, no entretanto, pelos principios liturgicos que
regem a Grande Loja Unida da Inglaterra.
Annualmente o Capitulo apresentará ao Grão Mestre uma lista
triplice de irmãos do seu quadro, dos quaes este escolherá um para
seu delegado com o fim especial de fiscalisar as Lojas do Rito.
As actas do Capitulo serão escriptas em portuguez e inglez e toda a
correspondencia, que só ser; a recebida e expedida pelo Grande
Secretario Geral da Ordem, será traduzida para o portuguez.
Em troca desta concessão a Grande Loja Unida da Inglaterra
compromette-se a conceder ao Grande Oriente do Brasil, quando
este o solicitar, egual favor em relação aos maçons que falam a
lingua portuguesza e se acham sob a jurisdicção da mesma Grande
Loja.
Grande Oriente do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, 21 de
Dezembro de 1912, E.: V.: .
A Commissão Ingleza
(assignados)
Lord Athlumney Lauro Sodré, P.G.W. England Grão Mestre
F.H. Chevallier Boutell D.G.M.A.

17
Pedro Muniz, G.˙. Secr.˙. Ger.˙. da Ord.˙.
H. Passmore Edwards P.G.D. England
P. Tindal Robertson P.B. G.S. England.

“Em vista das representações que a Grande Loja da Inglaterra fez


com respeito à situação dos Maçons no Brasil, que falam Inglês, o
Grande Oriente do Brasil, desejando preservar invioláveis a amizade
fraterna que sempre uniu as ditas Grandes Lojas, resolveu permitir,
de acordo com o Artigo 63 das suas constituições, a formação de um
Grande Conselho do Simbolismo5 com uma autorização de
soberania sob o Grande Oriente do Brasil.”
De agora em diante, as seguintes sete Lojas ficam subordinadas a
esse Grande Conselho:
Loja Edward II no Pará,
Lodge Saint George em Recife,
Duke of Clarence na Bahia,
Unity em São Paulo,
Wanderers em Santos,
Eureka Nº 3 no Rio de Janeiro e
Morro Velho em Minas Gerais.”
“Este Grande Conselho será a autoridade suprema em matérias de
princípios para todas as Lojas do Craft6 hoje existentes no Brasil e
para aquelas que, no futuro, sejam criadas. Agora e no futura, todas
as Lojas do Craft (tanto as agora existentes quanto aquelas que
forem fundadas daqui por diante) serão autorizadas a trabalhar
somente com autorização deste Grande Conselho.

5
Refere-se, somente, ao craft inglês, cuja tradução, no tratado é “simbolismo”. (N. do T.)
6
Usou-se a palavra original, pro ser de difícil tradução com sentido maçônico. (N. do T.)

18
As suas patentes (Cartas) serão concedidas pelo Grande Conselho e
subscritas pela Administração do Grande Oriente do brasil, de
acordo com os termos e leis da Constituição deste Grande Oriente.
O Conselho será composto por 33 membros ativos, dos quais 28
serão eleitos entre os Maçons pertencentes às Lojas do Craft e cinco
serão o Grão-Mestre, o Vice Grão-Mestre, o Grande Secretário, o
Grande Tesoureiro e o Grande Chanceler, que terão voto em todas
as reuniões do Grande Conselho. O Grande conselho terá os seus
regulamentos que passarão a vigorar depois que tenham sido
aprovadas pelo Grande Conselho Geral da Ordem, sendo
obrigatório submeter toda e qualquer alteração proposta, para ser
nela introduzida, à aprovação do Grande conselho Geral da Ordem.
Os ditos regulamentos serão impostos a todas as Lojas do Craft que
trabalhem no Brasil e não podem, de modo nenhum, ser contrários
ao Regulamento Geral do Grande Oriente do Brasil, mas serão
redigidos, inobstante, de acordo com os princípios litúrgicos que
regem a Grande Loja da Inglaterra. Anualmente, o Grande Conselho
apresentará ao Grão-Mestre uma lista de irmãos dentre os quais ele
escolherá um como seu Delegado, cujo principal dever será o de
fiscalizar as Lojas subordinadas ao dito Grande Conselho.”
“As Atas das Reuniões do Grande Conselho serão escritas em
Português e Inglês, e toda a correspondência com a Grande
Secretaria do Grande Oriente será previamente traduzida em
Português.”
“Em retribuição a estas concessões, a Grande Loja da Inglaterra
concorda em conceder, ao Grande Oriente do Brasil, quando
solicitado por este corpo, um favor igual em relação aos Maçons que

19
falam a língua portuguesa que estejam sob a jurisdição da dita
Grande Loja da Inglaterra.
Lord Athlumney
P.G.W. England
Lauro Sodré
Grão Mestre
F. H. Chavalier Boutell
D. G. M. A
Pedro Muniz
Grande Secretário
H. Passmore Edwards
P. G. D. England
P. G. D. England
P. Tindal-Robertson
P. S. G. S. England

20
Tal foi o Tratado negociado entre a Missão da Grande Loja Unida da
Inglaterra e o Grande Oriente do Brasil e, agora, se torna necessário
fazer referência à sua recepção pelo antigo corpo, na Comunicação
Trimestral realizada em 4 de junho de 1913. A Diretoria de
Assuntos Gerais, ao apresentar o seu já referido relatório, concluiu
nos seguintes termos:
“O Grão-Mestre considera que a Missão se desincumbiu da sua
missão com habilidade e sucesso, altamente creditáveis a eles
próprios e amplamente satisfatório para ele. Descobriu-se que seria
impossível obter o consentimento do Grande Oriente para o
estabelecimento da jurisdição direta da Grande Loja da Inglaterra
no território do Brasil, mas um acordo foi concluído, o qual, na
opinião do Grão Mestre, asseguraria, efetivamente, a independência
para as Lojas no Brasil compostas de britânicos e garantiria a
regularidade dos seus trabalhos, em conformidade com os
princípios da Maçonaria inglesa. Mais do que isso, descobriu-se ser
não somente impraticável, mas impossível e a Diretoria à qual o

21
Venerabilíssimo Grão Mestre atenciosamente comunicou a
correspondência concernente à Missão, recebe com prazer a
garantia de que o acordo é aceitável e satisfatório.”
“A Diretoria, nas circunstâncias especiais, recomenda o
ressarcimento das despesas extras da Missão com os fundos da
Grande Loja.
“A Diretoria, portanto, apresenta as seguintes recomendações, a
saber:
(1) Que sejam apresentados os cordiais agradecimentos da
Grande Loja aos Venerabilíssimo Irmão Lord Athlumney, Venerab.
Irmão F. H. Chevalier Boutell, Ven. Irmão H. Passmore Edwards, Ven.
Irmão P. Tindal-Robertson e Ven. Irmão J. J. Keevil, pelos serviços
que prestaram como membros da missão especial do Mui Venerável
Grão-Mestre ao Grande Oriente do Brasil.;
(2) Que a Grande Loja, deste modo, registra o agradecimento
pela recepção amistosa oferecida aos representantes especiais do M.
V. Grão-Mestre pelo Grande Oriente do Brasil e está contente por
receber a garantia de sua crença em que o Acordo concluído com o
Grande Oriente em 20 (21) de dezembro de 1912 pode ser
creditado ao contentamento dos Irmãos de nacionalidade inglesa no
Brasil e à continuidade das relações de amistosa cortesia que
felizmente sempre existiram entre o Grande Oriente e a Grande Loja
da Inglaterra;
(3) A Grande Loja autoriza o pagamento, pelos seus fundos,
das despesas extras dos Membros da Missão do M. V. Grão-Mestre,
no valor de 484 10s. 0d.”
Estas recomendações da Diretoria de Assuntos Gerais foram
apresentadas à Grande Loja e as resoluções foram tomadas

22
unanimemente. Seria indubitavelmente interessante registrar que o
M. V. Grão-Mestre Provincial, Lord Ampthill, tinha a dizer sobre o
assunto, mas, para fins de referência, será suficiente citar que tais
extratos têm um suporte direto das “raison d’être”7 do Grande
conselho e, ao mesmo tempo, expressa o ponto de vista da Grande
Loja da Inglaterra oficialmente. O M. V. Grão-Mestre Provincial, no
texto de suas observações, disse:
Eu vos suplico, portanto, que aceitem de mim que esta Missão era
necessária e que os seus resultados são tão satisfatórios quanto
poderiam ter sido.”
“Todos podem agradecer a coragem que vós (os membros da
Missão) demonstraram ao realizar uma empreitada duvidosa e
difícil, pela qual não haveria nenhum crédito público a ser ganho.
Todos podem agradecer o fato de que, na opinião das autoridades
responsáveis da Maçonaria, fostes admiravelmente bem-sucedidos.
Mas ninguém que não tenha conversado com aqueles que sabiam
das circunstâncias e que não tivessem visto a correspondência,
pode, talvez, apreciar o julgamento, a habilidade e o tato que vós
apresentastes.”
“Acredito que a Grande Loja terá prazer em ouvir dos vossos
próprios lábios que estais satisfeitos com o êxito da vossa missão,
não menos do que o simples cumprimento que fomos capazes de vos
apresentar.”
Sigamos os passos dados aqui para efetivar o Tratado.
Algum tempo passou antes que pudesse ser realizado um encontro
preparatório dos interessados, mas isso ocorreu no Grande Oriente
em 23 de outubro de 1923, com a presença da alguns Altos

7
raison d’être – razão de ser. (N. do T.)

23
Dignitários daquele corpo. A finalidade desse encontro foi redigir e
assinar uma Petição à Soberana Assembleia Geral pedindo um
decreto para a criação do Grande Conselho da Maçonaria Craft no
Brasil. A Assembleia Geral recebeu a petição, deliberou a respeito e,
no momento devido, foi promulgado o Decreto Nº 478, em 1º de
dezembro de 1913, autorizando a criação do Grande Conselho.
Ainda havia, porém, muita coisa a ser feita e somente a 9 de junho
de 1914 foi realizada a primeira Comunicação do Grande Conselho
Do mesmo modo, para os objetivos originais do Grande Conselho.
Agora, surge a questão quanto ao seu status e, considerando esse
importante ponto, será esclarecedor referir-se ao Artigo 63 da
Constituição do Grande Oriente, que diz:
“Será creada na sede do Grande Oriente e Grande Officina de
qualquer Rito reconhecido, desde que existindo no paiz, pelo menos
sete Officinas desse Rito, estas respresentem á Assembléia Geral
pedindo essa creação”.
A tradução prática desse artigo é: --
“There shall be created under the Grand Orient of Brazil, a Grand
Council (or Lodge) for any recognized, provided that there exist in
this country at least seven Lodges working in such Rite and that
these make applications to the Sovereign General Assembly praying
for such creation”.
Como o Grande Oriente, de acordo com o Artigo 57 da sua
Constituição, reconhece os Ritos Escocês Antigo e Aceito,
Adonhiramita, Moderno (Francês), York e Schroeder (o primeiro dos
quais, na data do Tratado, já possuía os seus corpos capitulares ou
de governo, em assuntos litúrgicos), segue-se que as “Lojas York”
poderiam, a qualquer momento, ter criado um corpo governante

24
similar, pelo simples expediente de fazer uma petição. Se elas
tivessem adotado essa linha de ação, elas teriam sido, ainda, Lojas
Brasileiras, pura e simples mente, diretamente subordinadas ao
Grande Oriente, exatamente o status que os Irmãos desejavam
evitar. Elas sempre foram “tratadas com grande simpatia e gozavam
de completa liberdade na prática do ritual inglês e dos costumes
Maçônicos”; portanto, uma solicitação baseada no Artigo 63 da
Constituição não teria obtido nada além desses privilégios que eles
já possuíam. Mas eles tinham as suas mentes preocupadas porque
“achavam que, enquanto estivessem sob a jurisdição absoluta do
Grande Oriente do Brasil, eles poderiam ser forçados a compartilhar
as opiniões a respeito de religião que prevaleciam entre os Maçons
brasileiros e a responsabilidade pelas suas ações em assuntos de
religião e política.” Portanto, eles estavam, acima de tudo, “desejosos
de que a sua atitude diferente pudesse ser manifestada e que eles ser
tão completamente constituídos que nenhuma dúvida pudesse
surgir quanto ao seu direito de serem recebidos integralmente como
Irmãos nas Lojas inglesas.”
Portanto, parece óbvio que o Tratado tinha a intenção de criar uma
situação não contemplada nem estabelecida pelo Artigo 63 da
Constituição do Grande Oriente e a abundante redação do Tratado
garantia isso. O Grande Oriente, nesse documento, admite,
expressamente, o conhecimento das representações feitas à Grande
Loja Unida da Inglaterra pelos Maçons ingleses neste país e declara
que, como estão desejosos de preservar inviolável a amizade
fraterna “que sempre uniu” as duas Grandes Lojas, resolveram
permitir a formação de um Grande Conselho “com uma autorização
de soberania sob o Grande Oriente do Brasil”.

25
Agora, pode-se argumentar que há uma diferença entre as versões
do Tratado em Português e Inglês, mas esta suposição dificilmente
pode ser sustentada se se considera que uma das partes dele viajou
milhares de milhas para assiná-lo e, assim o fazendo, estavam
naturalmente governadas pela tradução em Inglês do Tratado e,
portanto, achavam justificado assinar um documento que, no seu
retorno à pátria, era relatado sem quaisquer termos incertos.
Mantendo em mente as apreensões dos Irmãos ingleses no Brasil, as
quais foram a causa primordial da viagem da Missão ao Brasil, resta
pouca ou nenhuma dúvida de que a Grande Loja Unida da
Inglaterra considerou que eles tinham cumprido a sua Missão, que
“constituíram tão separadamente” um estado para os seus Irmãos no
Brasil, que uma repetição de suas descobertas não estariam fora de
lugar. O M. V. Grão-Mestre, S.A.R. o Duque de Connaught, deu a
certeza de sua convicção de que se poderia confiar no Acordo, para
o contentamento dos Irmãos ne nacionalidade inglesa no Brasil e
que o mesmo era aceitável e satisfatório. No Tratado constava que os
Irmãos (no Brasil) “não estavam submetidos a nenhum regulamento
contrário à Grande Loja da Inglaterra”.
A referência ao texto do Artigo 2 do Decreto 478, mediante o qual o
Grande Oriente autorizava a criação do Grande Conselho, revela o
fato de que, a esse Corpo foram conferidos os mesmos privilégios
atribuídos a outros Corpos Capitulares ou de governo, previstos na
Constituição, além “daqueles incluídos no Tratado entre o Grande
Oriente e a Grande Loja Unida da Inglaterra”. Se as palavras,
portanto, têm algum significado, está além de qualquer dúvida que,
sem independência absoluta sob a Grande Loja da Inglaterra, a
Missão cumpriu tudo que ela deveria fazer. Qualquer ênfase

26
adicional exigida neste ponto pode ser encontrada numa carta
muito cordial escrita à Grande Loja pelo Grande Oriente, em 24 de
janeiro de 1913, na qual este último, ao mesmo tempo em que
lamentava a sua incapacidade para atender inteiramente às
exigências da Grande Loja, expressava a sua satisfação de que tinha
sido possível chegar a um acordo de compromisso sob o qual fora
criado o Grande Conselho.
O texto completo do Decreto 478 será encontrado anexo a este.
Apesar destes pronunciamentos claros, houve momentos em que
tanto ex-Veneráveis como membros de lojas Crafts tiveram a sua
admissão recusada em Lojas subordinadas à jurisdições que
mantinham amizade com a Grande Loja da Inglaterra, com plenos
direitos de Maçons Simbólicos, e que havendo dúvidas a esse
respeito, o Venerabilíssimo Irmão Sir Alfred Robbins, no Relatório
que apresentou àquela Grande Loja na sua Comunicação Trimestral
de 7 de setembro de 1927, sobre a sua Missão à América do Sul, foi
bem definitivo. Ele disse:
“Há um ponto que é especialmente um assunto para a consideração
pela Grande Loja da Inglaterra, que é o relacionamento de Irmãos
iniciados ou filiados em Lojas que reconhecem a suserania a uma
Jurisdição Soberana, diferente daquela da nossa própria Grande
Loja. Tanto quanto diga respeito à própria Grande Loja, os Irmãos
que pertençam a Lojas que trabalhem sob a sanção do Grande
Conselho da Maçonaria Craft no Brasil são considerados como
tendo os mesmos direitos de entrada em Lojas sob esta Jurisdição,
como se eles tivessem originalmente saído dela. Mas a nossa prática,
que não foi especificamente estabelecida é ou desconhecida ou não
respeitada por certa Grande Jurisdição em associação amistosa com

27
a Grande Loja Unida da Inglaterra. Poderia parecer bem, portanto,
para a Grande Loja, considerar a feitura de uma declaração precisa
de seu reconhecimento dos plenos direitos maçônicos dos Irmãos
iniciados em qualquer Loja que reconheça os princípios
fundamentais da Grande Loja Unida da Inglaterra, conformando os
seus ritos e práticas estritamente tal como aceitos em toda a
Jurisdição inglesa e trabalhando sob uma Autoridade
especificamente reconhecida pela Grande Loja. Deveria haver toda
razão para esperar que tal declaração fosse aceita e se impusesse a
outra Jurisdição”.
Este Relatório é um documento tanto instrutivo como histórico, mas,
antes de deixa-lo, outras citações podem ser proveitosamente
extraídas, e é significante, também, anotar dele que, ao avisar o
Grande Oriente do brasil de sua próxima visita, o Irmão Sir Alfred
Robbins o informas de que “necessariamente, os arranjos para a sua
estada estão sendo feitos por seus Irmãos no local.”
Os extratos que se referem, particularmente, ao Grande conselho,
são os seguintes:
“Novas autorizações para Lojas que trabalhem o rito inglês são
concedidas somente mediante recomendação do Grande Conselho; e
é declarado especificamente que a crença no G.A.D.U. como um
princípio fundamental da Ordem será condição necessária para a
ad missão ou a visitação em qualquer Loja Craft do Brasil. A posição
assim criada é sem paralelo exato em qualquer outra parte da
Jurisdição inglesa, embora uma similar possa ser contemplada como
resultado da expansão da Maçonaria de fala inglesa no Chile. De
plano, a situação é de alguma delicadeza e são exigidos muito tato e
discrição das duas partes para que funcione satisfatoriamente: mas

28
estou satisfeito de ser capaz de registrar a informação que me foi
dada de que, durante os quatorze anos de existência do Acordo de
1912, nenhuma dificuldade séria surgiu, enquanto que os mais
amistosos sentimentos em relação à Maçonaria inglesa foram
expressos, como mostrado antes, pelos atuais dirigentes do Grande
Oriente do Brasil.”
“Estou satisfeito de ter compreendido que, durante um período
especialmente difícil, as Lojas jurisdicionadas ao Grande Conselho
da Maçonaria Craft no Brasil demonstraram a sua absoluta lealdade
ao Tratado de 1912, fiel adesão ao qual, por ambas as partes,
assegurará a continuidade das relações Maçônicas amistosas que
foram obtidas previamente. Que este é o desejo dos atuais dirigentes
do Grande Oriente se atesta numa carta do Grão-Mestre para mim,
subscritada também pelo Grande Chanceler e pelo Grande
Secretário. A carta, escrita e recebida depois do meu retorno para
casa, expressa a esperança de que as relações amistosas entre as
duas Jurisdições, que foram pacíficas por muitos anos, continuarão
inalteradas, e sejam ainda mais reforçadas pelo Tratado de 1912.
Ao comentar esses pronunciamentos, deve-se notar que, na verdade,
novas autorizações para Lojas trabalhando no rito inglês são
concedidas apenas pelo Grande Conselho; a sua situação, portanto,
como o Corpo Governante da Maçonaria Craft no Brasil sendo
bastante clara.
A visita deste distinto Irmão foi de destacada importância para a
Maçonaria Craft no Brasil. Ele foi o portador de uma mensagem
muito cortês de S.A.R. o Duque de Connaught, levando os seus
“fraternais bons votos e o sincero desejo de continuada felicidade e
prosperidade”. Foi, talvez, mais significante pelo fato de que esta foi

29
a primeira visita oficial a Lojas jurisdicionadas ao Grande Conselho,
de um Irmão de alta hierarquia da Grande Loja da Inglaterra, com
uma finalidade definida na sua visita.
Quanto aos seus resultados, o tempo mostrará que isto foi benéfico
no mais alto grau e não há suficiente gratidão que possa ser
expressa pelos Irmãos locais por tudo o que a visita representou
para eles.
Será adequado, neste ponto, observar um pouco das referências
feitas por Sir Alfred Robbins aos trabalhos das nossas Lojas. Numa
ocasião, ele conseguiu “prestar um alto cumprimento aos Irmãos
referente ao modo pelo qual o seu trabalho cerimonial da noite fora
a Terceira Cerimônia Craft, que foi desempenhada com admirável
efeito”. Fora esses casos específicos e falando de Maçonaria nos três
países sul-americanos que ele visitou, ele achou que “em face de
todas as dificuldades inerentes ao trabalho de Maçonaria a uma
distância tão afastada do centro, é um dever muito agradável
testificar a maneira admirável pela qual os Maçons de língua
inglesa estão funcionando nos três países” e que, da mesma forma
“achou o padrão decididamente alto”. Também é satisfatório para
nós observar que, em cada Loja em particular que ele visitou, na
qual ele assistiu uma cerimônia realizada, ele ficou “amplamente
satisfeito com a precisão e dignidade do trabalho e a dedicação e
zelo dos Oficiais e Irmãos envolvidos”.
Enquanto, sobre este assunto, ficaria bem colocar em registro alguns
comentários feitos pelo Venerabilíssimo irmão Contra-Almirante Sir
Edward Inglefield, Grão-Mestre Provincial de Buckinghamshire, na
ocasião da apresentação do relatório do Venerabilíssimo. Irmão Sir
Alfred Robbins à Grande Loja. O Venerabilíssimo. Irmão disse que

30
foi uma sorte estar na América do Sul durante o tempo em que o
Irmão Sir Alfred Robbins esteve lá e ver parte do seu trabalho no Rio
de Janeiro. Ele (Sir Edward) esteve em íntimo contato com os
dirigentes do Grande Conselho dos Irmãos ingleses no Rio, e eles
ficaram tremendamente impressionados pelo interesse que o Grão-
Mestre dedicou ao seu trabalho, embora, nominalmente sob o
Grande Oriente do Brasil, sob o tratado de 1912. Houve uma certa
quantidade de fricção lá fora, com as três raças latinas e a visita de
Sir Alfred Robbins produziu coisas maravilhosas a respeito da
situação lá, a qual estava se tornando, agora, muito mais cordial e
sincera entre os nossos próprios Irmãos e os Irmãos nativos.
O Irmão Sir Edward Inglefield era um visitante frequente das lojas
Crafts, particularmente no Rio, tanto em 1927 quanto durante sua
estada anterior no Brasil, alguns anos antes e se profundo interesse
no nosso trabalho aqui foi uma fonte de satisfação e encorajamento
para todos os Irmãos. É cabível dizer-se, portanto, que tais visitas,
acompanhadas de conversas amistosas e conselhos cordiais, foram
de inestimável valor para tudo o que concernia.
Como referência, aqui, é frequentemente feita a Maçons “ingleses”,
seria omissão não explicar que, enquanto a maioria dos membros
das lojas Crafts subordinadas ao Grande Conselho eram dessa
nacionalidade, essas Lojas estavam abertas a todos os Irmãos de fala
inglesa e uma qualificação essencial para a admissão era ser fluente
nesse idioma. Na verdade, a Maçonaria Craft no Brasil deve muito à
influência e o trabalho sólido e duro dos Irmãos americanos das
Lojas, mas, para finalidades práticas em conexão com o assunto
todo, quando foram feitas referências a Maçons “ingleses”, entenda-
se os a expressão “de fala inglesa” é o termo correto.

31
Numa categoria, muito por ele mesmo, está a grande figura de um
brasileiro, o falecido Venerabilíssimo. Irmão Luiz dos Santos, com
quem a Maçonaria Craft neste país tem um grande débito de
gratidão. Embora não esteja registrado oficialmente aqui, não há
dúvida de que a sua influência desempenhou uma parcela não
desprezível na negociação bem sucedida do Tratado de 1912. Pelos
arquivos do Grande Conselho, pode-se fazer uma ideia do papel
desempenhado por este bom e antigo Maçom, no lançamento
exitoso do Grande Conselho e seus trabalhos subsequentes. A sua
memória ficou perpetuada pelas placas de bronze pendentes nas
nossas Lojas, tomando, o Memorial, a forma de substanciais
donativos para as instituições beneficentes na Inglaterra.
Agora, uma palavra quanto às realizações do Grande Conselho
durante os 14 anos da sua existência:
A Loja Brasil Nº 11, composta inteiramente de Irmãos brasileiros, foi
sagrada em 4 de março de 1920, mas, como os Irmãos se afastaram
dos princípios básicos da Maçonaria Craft e também eram culpados
de desobediência ao Grande Conselho, a sua autorização foi cassada
e cancelada em 9 de junho de 1924.
Loja de Amizade nº 12 foi consagrada em 3 de junho de 1922, na
vizinha cidade de Niterói. Esta Loja foi criada como uma
consequência natural da sempre crescente associação da Loja
Eureka que, por algum tempo, tornou evidente que mais uma
oficina para atividades maçônicas era necessária. A Loja filha
preencheu admiravelmente a vontade tão sentida.
A Loja Centenária nº 13 foi sagrada em São Paulo, em 11 de outubro
de 1922, e as mesmas observações sobre a sua relação com a Loja
Unidade nº 8 pode ser aplicada tal como usado acima.

32
A Loja Campo Salles nº 14 foi consagrada em São Paulo a 21 de
abril de 1923, em benefício de Irmãos brasileiros. O
Venerabilíssimo. Irmão Sir Alfred Robbins disse, sobre essa Loja: é
”de particular interesse Maçônico, por ser composta inteiramente
por Irmãos brasileiros, realizando as cerimônias Crafts na língua
portuguesa, provavelmente o único exemplo desse tipo que existe”.
A Loja Craft Brasileira de Mestre nº 15 foi consagrada no Rio de
Janeiro em 26 de março de 1925 e a sua Carta especifica que serão
realizadas reuniões em qualquer lugar onde exista uma Loja
trabalhando sob o Grande Conselho. Aqui, de novo, não é necessária
nenhuma apologia para citar Sir Alfred Robbins, que estava
presente na reunião de instalação desta Loja, efetuada em São Paulo,
no ano passado: “Um Mestre Passado da Cadeira, na presença de
Mestres Passados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santos, enquanto o
Venerável Mestre da Loja Duque de Clarence (Brasil), da Bahia, era
eleito naquela noite um membro associado, assim reunindo Lojas
separadas umas das outras por cerca de mil milhas”.
As Cartas destas Lojas foram todas concedidas pelo Grande
Conselho e aqui deve ser mencionado que a primeira a ser nomeada
foi fornecida com relutância considerável. Razões políticas
tornaram difícil recusar a Carta, mas ver-se-á que as recusas do
Grande conselho, subsequentemente, provaram ter sido plenamente
justificadas.
Uma tarefa de não pequena magnitude realizada pelo Grande
Conselho foi a tradução, em língua portuguesa do Ritual completo
das cerimônias do trabalho de Emulação. Essa tarefa foi concluída e
o Ritual foi impresso no devido momento, em Londres. Que o leitor
considere, por um momento, o devotamento dos Irmãos que

33
realizaram esse trabalho com uma conclusão bem sucedida, sem
qualquer esperança de recompensa que suavizasse o trabalho, mas
meramente por amor à sua arte.
O Grande conselho pode ficar orgulhoso do trabalho que até aqui
fizeram e eles tem sempre sido vigilantes e zelosos na preservação
da pureza da Maçonaria Craft em todos os seus princípios.
Apenas uma vez, em 1922, o seu direito a esse respeito desafiado e é
satisfatório ser capaz de recordar que o Grande Oriente, naquela
ocasião, desistiu de certa ação que o contemplava, desse modo
mantendo inviolável o Tratado de 1922
Os distintos Irmãos que governaram os destinos do Grande
Conselho desde a sua formação são os seguintes:
Venerabilíssimo. Irmão H. L. Wheatley – Grão-Mestre do Conselho
(1915-1916);
Venerabilíssimo. Irmão Antonio Luiz dos Santos – G.M.C. (1916-
1921);
Venerabilíssimo. Irmão H. A. Livings – G.M.C. (1921-1924);
Venerabilíssimo. Irmão V. N. Tatan – G.M.C. (1924-1927);
Venerabilíssimo. Irmão H. J. Hands – G.M.C. (desde 1927 e atual
ocupante desse importante cargo).
Antes de concluir, há um ou dois pontos de interesse que merecem
ser aqui incluídos e o primeiro é o fato de que, por um considerável
número de anos, a Grande Loja da Irlanda escolheu os seus
representantes neste país entre os membros das nossas Lojas,
conferindo-lhes a costumeira dignidade de P. G. W. Em primeiro
lugar vem o Respeitabilíssimo. Irmão T. G. Cross, membro da Loja
Eureka desde 1894 e ainda um dos mais respeitados e queridos
Irmãos. Ao renunciar a sua nomeação, ele foi sucedido pelo falecido

34
Respeitabilíssimo. Irmão A. T. Smith, da Loja de Washington, após
cuja pranteada morte passaram-se um ou dois anos antes que um
sucessor fosse designado, na pessoa do Respeitabilíssimo. Irmão R. C.
MacKay, o atual e enérgico Secretário da Loja Eureka.
O outro ponto é como, caracteristicamente, a expressão “Maçonaria
universal” é trazida da nossa origem até nós, que vivemos numa
terra estrangeira, a milhares e milhas da nossa terra natal. Uma das
últimas, senão a última, reunião a que o falecido irmão Sir Ernest
Shackleton compareceu, antes de ir para a Região Antártica, da qual
ele não retornou, foi da Loja Eureka. Os livros de Atas das nossas
Lojas revelam os nomes de Irmãos visitantes de quase todas as partes
do mundo. Um exemplo típico pode ser tomado de uma reunião da
Loja eureca, algum tempo atrás, quando, entre os 23 visitantes
presentes, não menos do que dez jurisdições Maçônicas diferentes
estiveram representados, desde os Estados Unidos até o outro lado
do mundo, no Extremo Oriente. Então, novamente, foi há apenas
pouco tempo que um incidente interessante ocorreu na Loja da
Amizade, quando um Irmão visitante foi presenteado com a sua Jóia
do Memorial Maçônico Million8, a pedido de sua própria Loja (que
a remeteu para este fim), a Loja Royal sussex nº 501, Shangai. Foi
um brado da China ao Brasil!
Finalmente, pode ser dito que estamos bem familiarizados com as
cerimônias de passagem e elevação de Irmãos iniciados em Lojas na
Inglaterra, sendo, essas cerimônias completas, realizadas nas nossas
Lojas aqui, por solicitação da grande Loja da Inglaterra.

8
Masonic Million Memorial – Memorial Maçônico Million. O Fundo Memorial Maçônico Million foi criado para
reconstruir, no Masonic Hall (Londres), um memorial para os 3.000 membros que morreram em serviço ativo na
Grande Guerra. (N. do T.)

35
Como, verdadeiramente, portanto, achamos que a Maçonaria é, de
fato, universal e com que especialmente profundo sentimento
ouvimos ao significativo brinde da noite:
“A todos os pobres e angustiados Maçons, onde quer que se
encontrem dispersos sobre a face da Terra e água”.
Mais uma coisa e este ensaio histórico está terminado. Nos registros
de sua compilação tiveram que ser pesquisados e examinados,
correspondência teve que ser rastreada e informação buscada em
várias direções. Pela sua ajuda a esse respeito, expressamos especiais
agradecimentos ao Ven. Irmão H. G. Estill, Grande Secretário do
Grande Conselho; P.G.D. Inglaterra (América do Sul, Divisão Sul) e
aos oficiais da Secretaria do Grande Oriente do Brasil.
Rio de Janeiro, dezembro de 1928.

36
37
CÓPIA DA CARTA DA GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA
AO
GRANDE ORIENTE DO BRASIL

Escritório do Grande Secretário


Grande Loja Unida da Inglaterra, Freemason’s Hall
Rua da Grande Rainha, Londres, W. C. 26 de setembro de 1912.

Caro Senhor e Venerabilíssimo Irmão,

Foi representado, à Grande Loja Unida da Inglaterra que assuntos


britânicos que pertencem a diversas fraternidades Maçônicas no
Brasil e na Argentina, encontram-se em considerável dificuldade
em termos de consciência, vendo que os princípios e objetivos da
Maçonaria praticada na América do Sul diferem muito daqueles
observados neste país. Estes Irmãos estão, é claro, ansiosos para
serem recebidos como Maçons quando retornarem à sua terra natal
e existem sérios obstáculos para eles serem reconhecidos como tal,
em vista de sua associação presumida com propaganda antagônica
aos seus corpos religiosos e com simpatia por movimentos políticos.
Deve ser, naturalmente, do vosso conhecimento que os princípios
vitais e fundamentais da Maçonaria inglesa, impedem os membros
do Craft neste país e em todo o Império Britânico, de se engajarem,
como Maçons, em controvérsias religiosas ou políticas, de maneira
que eles são, naturalmente, avessos a associação com aqueles que se
acredita que usam a Maçonaria para essa finalidade.
Disso, surge que cidadãos britânicos que são Maçons sob o Grande
Oriente do Brasil não tem certeza de reconhecimento em Lojas sob a

38
Constituição inglesa e eles acham muito embaraçoso estarem
associados mesmo nominalmente, com movimentos políticos no
Brasil, nos quais eles não têm nenhum desejo de interferir. Este
estado de coisas tem influência na maçonaria na Argentina, onde há
uma Grande Loja Distrital sob a Constituição inglesa, de modo que é
impossível, para a Grande Loja da Inglaterra, ignorar a
representação que foi apresentada há algum tempo.
Nestas circunstâncias, o Venerabilíssimo Grão-Mestre da Grande
Loja Unida da Inglaterra decidiu enviar uma representação de
eminentes Irmãos para averiguar in loco dentro das circunstâncias
reais do caso e relatar à Grande Loja.
A respeito disso, foi-me determinado expressar a esperança de que o
Grande Oriente do Brasil será suficientemente bondoso para
conceder instalações a essa Missão, para certificar-se da exata
natureza dessas dificuldades que afetam os Irmãos britânicos. A
Missão terá o poder de se aproximar do Grande Oriente do Brasil
com propostas para quaisquer acordos que pareçam ser necessários,
como resultado de suas enquetes e eu confio em que, com este
objetivo em vista, o Grande Oriente quererá recebê-los e conferir
com eles. Ainda não estou em posição de informar-lhe os nomes dos
Irmãos que formarão a Missão, pois eles ainda não foram
escolhidos, mas eu vou escrever novamente tão logo as nomeações
tenham sido feitas.
Entrementes, apresso-me em informar-lhe as intenções do
Venerabilíssimo Grão-Mestre e expressar a sua esperança de que,
em vista das relações amistosas que subsistiram até hoje, o Grande
Oriente do Brasil desejará discutir as dificuldades que o pessoal
britânicos que são Maçons, na América do Sul, e fornecer tal

39
informação ao representante da Grande Loja da Inglaterra, bem
como facilitará um entendimento claro e evitar desacordos futuros.
Permaneço, com elevada estima,
Seu fiel e fraternalmente,

(assinado) E. Letchworth
Grande Secretário

Ven. Ir.
J. D. de Almeida
Grande Secretário
Brasil

40
DECREE Nº 478

Lauro Sodré, Grão Mestre da Ordem Maçonica no Brasil;


Faz saber a todos os maçons e officinas da Federação que a Sob.:
Assembléa Geral adoptou, na sess.: realisada a 21 de novembro
findo, a seguinte

RESOLUÇÃO

Art. 1o. - Fica creado, no Or.: do Pod.: Centr.:, o Gr.: Cap.: do Rito de
York, ao qual se subordinarão, liturgicamente, todas as lloj.: desse
rito actualmente existentes no Brasil e as que de futuro fôrem
fundadas.
Art. 2o. - O Gr.: Cap.: do Rito de York terá as mesmas attribuições
que a Const.: e o Reg.: Ger.: da Ord.: conferem ás GGr.: OOff.: chefes
de Rito, além das que lhe dá o accôrdo celebrado entre o Gr.: Or.: do
Brasil e a Gr.: Loj.: Unida da Inglaterra.
Art. 3o. - De conformidade com o art. 58 e seu parag. 1o. da Const.:,
esse Gr.: Cap.: se comporá de 33 membros effectivos, inclusive as
altas DDig.: da Ord.: , dos quaes 7 serão nomeados pelo Sob.: Gr.:
Mestr.: . Constituido assim provisoriamente o Cap.:, este elegerá
então os outros 21 membros effectivos, procedendo-se depois á
installação dos seus trabalhos.
O Pod.: Ir.: Gr.: Secr.: Ger.: da Ord.: Int.: encarregar-se-á da
notificação e publicação deste decreto.

41
Dado e traçado na Gr.: Secretaria Ger.: da Ord.:, na cidade do Rio de
Janeiro, no 1o. dia do 10o. mez do anno de 5913, V.: L.: --- 1o. de
Dezembro de 1913, E.: V.: .
(ass.) Lauro Sodré 33 - Gr.: Mestr.: da Ord.:
Raymundo Floresta de Miranda 33 - Gr.: Secr.: Ger.: da Ord.: Int.:
A.O. de Lima Rodrigues - Gr.: Chanc.: ad hoc

42