Você está na página 1de 21

Porto Alegre. Rio Grande do Sul.

Brasil No.5 - janeiro/2018 ISSN: 2237-7948

perdidos no espaço nas ilhas


Porto Alegre. Rio Grande do Sul. Brasil no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

EDITORIAL /
Porto Alegre e o Guaíba: ambiência de muitas águas

A
arte abre caminhos e desenha possibilidades e entendimentos pela via do sensível. Em Dessa travessia e incursão surge, um ano depois, esse jornal-arquipélago, constituído de
tempos de perturbações e de insegurança institucional profunda urge navegar para pensar pensamentos-ilhas. As 40 páginas são circunstâncias de compartilhamento dos processos
em nosso espaço comum. Esse jornal se elabora a partir da disciplina Processos artísticos, desenvolvidos pelo grupo nesse intervalo de tempo. A partir das provocações trazidas durante a
questões ambientais e societais, que propus ao PPGAV-UFRGS em 2016, cujo primeiro módulo foi disciplina, nos colocamos num movimento sempre flutuante, de uma Porto Alegre expandida à
ministrado pelo professor José Albelda, da Universidade de Valência, que veio ao Brasil também região, como parte do mundo. Movimentos e flutuações que nos fizeram remontar a um passado,
para participar da banca de doutorado de Janice Martins Sytia Appel [Jardim: um laboratório a viver um presente e sonhar o futuro desse lugar. Nesse fluxo concebi três endereçamentos,
céu aberto]. Nessa ocasião discutimos as relações entre a arte e as questões ambientais, assuntos realizados neste ano para a exposição comemorativa dos 25 anos do PPGAV-UFRGS, ocorrida
que também permeiam a pesquisa de Albelda1. Na tarde do dia 25 de setembro percorremos no MARGS. Dois deles tratavam das relações da cidade com o Guaíba: uma fotografia de duas
juntos a orla do Guaíba e conversamos sobre a região onde se localiza Porto Alegre e sobre os pinturas de Benito Castañeda (Cadiz, Espanha, 1885 - Porto Alegre, Brasil, 1955) e Luís Maristany
sucessivos aterros ocorridos entre o final do século XIX e meados do século XX, que aumentaram de Trias (Barcelona, 1885 — Porto Alegre, Brasil, 1964), artistas e professores do Instituto de Artes
em dois terços a área central da cidade, fazendo com que ela avançasse sobre as águas e que integram o Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo. A primeira pintura mostra o Guaíba
produzindo apagamentos de traçados de arroios e enseadas. Essas alterações urbanísticas desde a cidade, enquanto a segunda mostra o Guaíba desde a ilha, cada qual acompanhada de
de grande envergadura foram modificando a fisionomia dessa paisagem, questões que venho uma reflexão que redigi e que atualiza um olhar sobre estas vistas. Entre junho e julho ocorreu
desenvolvendo em minhas investigações2. a intervenção Sobre aterro: profundezas e flutuações, de Tula Anagnastopolos e de Viviane
Gueller no Paço Municipal, que, numa espacialização de imagens, textos e sons, buscavam tecer
A região onde se localiza a cidade de Porto Alegre, em frente ao Delta do Jacuí e sobre o estuário relações entre a paisagem e a memória. Neste jornal veremos outros desdobramentos sob a
do Guaíba, entre cerros e várzeas, segundo Clóvis Silveira de Oliveira3, “parecia haver se forma de reflexão e de proposição gráfica, já que o barco de papel que nos propõe Tula dobra
organizado para receber a preferência de seus moradores, muito antes dos movimentos humanos literalmente os registros fotográficos captados em nosso passeio e acolhe o vermelho de sua
que precederam a fixação permanente da cidade”. Esse autor nos evoca igualmente que o lugar intervenção no Paço Municipal, propondo ao leitor um veículo para seu pensamento. Os registros
onde hoje vemos os arranha-céus no centro de Porto Alegre, foi outrora ocupado pelos moradores das inserções gráficas dos cartões [des hommes et des îles - intervenções com cartões de visita
originais dessas terras. Devemos aos guaranis o nome “Guaíba”, que significa aonde o rio se alarga, no espaço público] realizados neste ínterim por Gláucis de Morais pensam a ilha e os ilhamentos
(gua - grande), (i - água), (ba - lugar). Talvez considerar essa paisagem por suas características e propõem o compartilhamento pelas redes postais, fazendo igualmente um trânsito desses
geográficas e ambientais, bem como por suas formas de ocupação nos dê uma chave para pensar pensamentos-ilhas por distintas cidades do mundo por onde a artista transitou. Os santinhos
a cidade do futuro, numa dinâmica interdependente com suas águas.   de Newton Goto, feitos a partir de suas incursões na Ilha da Pintada, veiculam iconografias
religiosas, barcos e seus nomes singulares, vistas da cidade e fachadas, entre outras imagens,
Entre os dias 12 e 18 de janeiro de 2017, no segundo módulo da disciplina, nos reunimos denotando a religiosidade da comunidade. Essas imagens carregam em seu verso uma oração
novamente para navegar por entre as Ilhas do Delta do Jacuí. Buscávamos experimentar a cidade redigida por Goto, na qual ele externa as angustias e dúvidas que denunciam o momento político
a partir de suas águas, transitando pelo bairro Arquipélago, tão separado da cidade por distintas pelo qual passa o Brasil e enuncia desejos e valores, de modo a incitar uma reflexão sobre nosso
barreiras, físicas e imaginárias. Guiados por Luciano, pescador e morador da Ilha da Pintada, espaço comum. Temos as narrativas flutuantes de Mariana Silva, O Bairro Arquipélago, na qual
detentor de um saber ambiental do Guaíba, nos afastamos da doca construída sobre área de aterro ela retraça sua experiência de deslocamento entre familiaridade e estranhamentos máximos
e passamos a circular por ambiências naturais singulares. Costeamos o porto e cruzamos por ao encontrar a Amazônia no Delta, e de Ricardo Moreno, Sol y Sandia: passeio-aula flutuante,
debaixo da ponte que liga nossa cidade a outras margens, avistando ilhas onde áreas ocupadas em que ele aponta para as relações da cidade com o clima — o estresse causado pelas chuvas
disputam espaço com áreas de preservação, nicho de biodiversidade. Entramos nesse território ou o medo delas. Ele também revela lembranças que o deslocam no tempo, num texto muito
sinuoso, no caminho das águas que formam o Guaíba. Por vezes o motor do barco silenciava e marcado por seu modo de se dirigir às pessoas com quem constrói interlocuções e proposições.
podíamos, perdidos, sentir o balaço da embarcação, os sons dos pássaros e os estalidos de galhos. Mesclando dois idiomas, Ricardo pensa nos limites da arte no campo da sociedade, sendo ele um
Entre essas margens exuberantes criamos um espaço para pensar, banhados pelas muitas águas artista em disponibilidade, que vem propiciando o desencadeamento de experiências estéticas
dos rios que ali afluem. O bairro Arquipélago, neste fluxo de pensamento, encontra-se interligado com a comunidade da Ilha da Pintada [Vagalumes no Jacuí-2005 e Mboitatá no Jacuí-2006]. Marco
às muitas cidades que margeiam o Rio dos Sinos e os rios Jacuí, Caí, Gravataí e Taquari, assim Antônio Filho traz três fotografias suas captadas durante o passeio, que ele articula às descrições
como o Guaíba recebe as águas do Arroio Dilúvio, que atravessa a cidade. O Guaíba acolhe o caldo dessa região feitas pelo padre Balduíno Rambo há mais de 70 anos, produzindo uma percepção do
de muitas memórias e também os sedimentos e resíduos que testemunham sobre as ocupações lugar que cruza dois tempos e duas experiências. A prospecção de Fercho Marques, realizada em
humanas e sobre as culturas que se fixaram ao longo do tempo nessas margens. As atividades sua cidade natal, resulta num texto-ilha, que narra a intervenção realizada por ele em Huracay,
econômicas nos devolvem paisagens em movimento, entregues aos ainda impensados desejos envolvendo os saberes de sua avó repassados à sua mãe, numa narrativa que reflete sobre a terra
que irão, no futuro, igualmente confluir nessas águas. Navegamos por entre ilhas do Delta e e sobre as noções de impermanência e finitude. O registro da intervenção Altar Cinco agua, de
aportamos na Ilha da Pintada. Caminhamos pela rua Nossa Senhora da Boa viagem, de onde Marcela Morado, realizada em outubro de 2017 na escadaria da Igreja das Dores, traz a esse
se avista o centro da cidade, e a contornamos pelo acesso ao Estaleiro Mabilde, passando pela jornal a homenagem que a artista, de origem mexicana, faz à nossa cidade ao erigir um altar que
avenida Presidente Vargas, por casas de pescadores e pequenos comércios. Passamos diante do mistura elementos de sua cultura, proporcionando um olhar amoroso a Porto Alegre, ao Guaíba
edifício moderno da estação da Rádio Guaíba, precursora de redes de comunicação por rádio, e às nossas águas.
que em 1961 transmitiu da ilha o discurso de Leonel Brizola durante a Campanha da Legalidade e
a partir da qual se implantou uma rede no qual o sinal da rádio era reemitido em antenas FM e Enfim, eis o jornal-embarcação que nos convida a navegar pelo Delta e nos leva também às 10
captado e retransmitido através das AMs do Interior gaúcho e também de outros estados Brasil ilhas-pensamento criadas por nós a partir dessas e de outras incursões e experiências.
afora. Da Colônia de Pescadores retornamos de barco ao centro de Porto Alegre e, na altura do
Gasômetro, ao literalmente cortarmos o fluxo das águas, sentimos sua força, chegando a cidade
extenuados no final da tarde, com sabor de melancia fresca, carregados de muitos estímulos e
pensamentos. Porto Alegre, 25 de novembro de 2017
Maria Ivone dos Santos

1 Albelda, J. Los paisajes del declive. La concepción del paisaje en el contexto de la crisis ecológica global,
Fabrikart EHU, Bilbao, nº11, p. 12-27, 2013-14.
2 Santos, Maria Ivone dos. A cidade, o arroio, o lago e alguns apagamentos: a observação como processo
Foto: Mariana Silva

artístico e espaço crítico. AusArt Journal for Research in Art, Universidade do País Basco, Bilbao, v. 2, p. 90-101,
2014.
3 Oliveira, Clóvis Silveira de. A cidade e sua formação. Porto Alegre: Editora Gráfica Metrópole, 1993, p 11.

2 3
/ maria ivone dos santos n
no 5
o
http://www.ufrgs.br/escultura/
5 http://www.ufrgs.br/escultura/

Benito Castañeda, Sem título, 1947 Maria Ivone dos Santos


Óleo sobre tela | 24 x30 cm Endereçamento. Porto Alegre, 20 de abril de 2017
Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo Díptico, fotografia e texto impressos em papel Hahnemühle.
Instituto de Arte da UFRGS 44 x 58 cm; 44 x 58 cm

4 5
/ maria ivone dos santos n
no 5
o
http://www.ufrgs.br/escultura/
5 http://www.ufrgs.br/escultura/

Luis Maristany De Trias, Barco no Estaleiro, 1939 Maria Ivone dos Santos
Óleo sobre tela | 40 x 48 cm Endereçamento. Porto Alegre, 12 de abril de 2017
Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo Díptico, fotografia e texto impressos em papel Hahnemühle
Instituto de Arte da UFRGS 64 x 82 cm ; 64 x 82 cm

6 7
/ newton goto no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

Guaíba De Todos os Santos


Oração aos Santos do Guaíba

Protegei nossos deslocamentos urbanos cotidianos — de trabalho, estudo e lazer — e guardai nossos
caminhos aquáticos, terrestres, aéreos e imaginários para que eles não nos levem ao infortúnio da
segregação espacial, à miséria econômica e espiritual, à intolerância.

Livrai-nos dos agrotóxicos que poluem nossas águas e contaminam o pescado do qual nos alimentamos.
Livrai-nos dos políticos e dos juízes que trabalham contra o povo. Livrai-nos da mídia que deturpa a
informação e a opinião pública para garantir privilégios para os ricos. Livrai-nos dos líderes espirituais
gananciosos que manipulam a fé e a esperança dos devotos em busca de poder e enriquecimento
pessoal.

Dai-nos sabedoria para discernir entre verdades e mentiras.

Abençoai nossa mobilidade social para que ela nos mantenha no caminho da bem-aventurança, do amor,
da saúde, da justiça, da dignidade, da liberdade, do conhecimento, da fraternidade e da prosperidade.
Abençoai a biodiversidade da natureza e nosso território existencial solidário e multicultural.

Cultivai nossa força para seguirmos firmes e com leveza rumo aos nossos propósitos.

Guaíba de Todos os Santos


Newton Goto, Porto Alegre-RS, 2017.
“Santinhos” impressos em papel no formato 12cm X 9,5cm e texto-oração no verso.
Diversidade religiosa registrada em série fotográfica realizada a partir de três incursões do centro de Porto Alegre ao bairro Arquipélago - à Ilha
da Pintada e à Ilha Grande dos Marinheiros - nos dias 18/01, 23/05 e 03/10/2017. Videoregistro da distribuição dos impressos nos arredores do
Mercado Público de Porto Alegre em 13/11/2017.
Observação: A oração aqui publicada é uma versão atualizada em janeiro de 2018.

8 9
no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

Guaíba de Todos os Santos. “Santinhos” impressos em papel no formato 12 X 9,5 cm e texto-oração no verso. Newton Goto, Porto Alegre-RS, 2017. Diversidade religiosa registrada em série fotográfica realizada a partir de três incursões do centro de Porto Alegre ao bairro Arquipélago - à Ilha da Pintada e à Ilha Grande dos Marinheiros - nos dias 18/01, 23/05 e 03/10/2017
10 11
/ Fercho no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

HURACAY:
BOATOS SOBRE ESTRADA, PONTE, RIO E HORTA

N
ão se sabe ao certo onde foi. Dizem que foi em Huracay. Mas mesmo assim não sabem o que quer dizer. Foi saindo sozinho da
casa e rumou para o mundo. Vizinhos que cozinhavam, mas que prestavam atenção no ponto do feijão, não viram ao certo
para darem uma resposta direita. Ele foi indo cantando uma música muda. Levava em suas mãos um boato. Era grande,
longo, retangular. Estava meio descoberto-encoberto. Era um boato moldado entre dois pedaços de pau que, afoitamente mal
cortados, recém incrustavam o sabão feito a frio. Descobridor-encobridor do boato levava-o rumo à estrada. Descobridor era uma
área grande de cor que delimitava uma parte de cima do transporte do boato. Encobridor marcava amplamente a parte inferior.
No centro, o boato recém feito em sabão a frio. O boato era o próprio território em movimento. Era a própria bandeira do reino não
tão bem demarcado no mapa, sem delimitações claras, já que suas bordas eram compostas por um atoleiro, um rio ocultado por
uma ponte de madeira caída, uma horta comida pelo mato do qual se lembram, três plantinhas falantes enfileiradas das quais mal
se lembram, uma estrada que corta o território. Rumores apontam que Huracay se localiza na divisa de 2 km entre dois estados
de um distrito que é praticamente um enclave. O intuito era levar o boato para abrir uma linha espacializada, engrossada, que se
apresentasse como objeto cortante de um território em dois outros diferentes, de ser o próprio território, de ser o próprio limite
presente, de estar com seus pares, com suas situações limítrofes, com seus lugares à margem da borda da estrada. Um boato gêmeo
desse boato nasceu deficiente: ele foi tirado do molde, desincrustado: não aguentou o trauma, se quebrou. Os dois, irmãos-boatos
estão lá guardados, fossificando-se, remoendo suas formas. São boatos como gênero literário.

ESTRADA
I
Estou na estrada e, até então inconscientemente, vou contribuindo para que a estrada continue sendo estrada. Ao usá-la, movo os
grãos de terra de um lado para o outro e, nesse processo, contribuo para que grãos de terra sejam jogados para a borda da estrada.

Ultimamente venho prestando atenção no chão em que piso, na terra que me sustenta ou em meu peso que pode rompê-la. Esse
chão que todos pisam, é continuamente revolvido, jogado para o lado de quem o pisa ou compactado. Sinto a experiência de ajudar
a sulcar caminhos com meus pés, bem como de entrar em contato com sulcos feitos por outrem e, quem sabe, sulcar o já sulcado.
Encaro marcas das intempéries que estão presentes como impressões coletivas na crosta. Marcas sutis ou bem profundas que me
trazem à curiosidade sobre os processos de sua formação, já que marcam a inexistente imutabilidade da estrada. Foi, algum dia,
demarcada, riscando-se com máquinas de terra a temporária totalidade daquele espaço. Quebrando o uno territorial, duas partes
da área em lados opostos de mesmo interior foram situadas, sem conhecimento das mesmas: com o corte da estrada, uma parte
ficou desarticulada da outra. Diferenciou-se de sua parceira cujo limite de sua área fez-se outra, similar a primeira, separada por
uma linha larga de estrato de terra modificado. Nasce a estrada.

Assim, a estrada corta como área diferenciadora toda uma área geográfica de similitudes. Torna-se pois, ruptura da constância,
em que, dentro de si, escoem pessoas, animais e máquinas. Porém, não há limite bem demarcado entre suas bordas, mesmo que
essas estejam pavimentadas. Não há segurança em dizer que uma estrada ou rua é para sempre intacta. Veja-se pelas obras de
recapeamento ou a as marcas deixadas por automóveis que passam, param ou aceleram constantemente.

II
E, caminhando por uma dessas estradas não pavimentadas, de chão batido, verifico a constante batalha da prefeitura da cidade
de manter a estrada transitável. Aplica terra em maior quantidade no centro das estradas do que em suas bordas. Contudo, com o
passar dos automóveis, a matéria presente no centro vai sendo jogada em forma de poeira para suas bordas, cobrindo as vegetações
limiares e pulverizando plantas consideravelmente próximas à área. De forma orgânica a estrada torna-se um território que, em
princípio, poderia ser vista tanto como apenas um limitante e/ou divisor entre dois territórios (agora, quando se já está cortada
a estrada) quanto como um território (quando antes, não havia estrada). E esse novo território, a estrada, à medida em que se
complexifica em sua existência, vai, pouco a pouco, estendendo-se para seu fora, alargando-se, engolfando seus ‘limiares’. A
estrada é um pouco um território vivo, uma cicatriz que não cicatriza nunca: é passado e presente, já que os dois lados sangrados
de um mesmo território tornado dois reivindicam esse espaço fronteirante-limitiço, sendo este roubado, estratificado e engolido
pelos torós-que-inviabilizam-estradas e pela ocupação da natureza de infiltrar-se. Ao mesmo tempo, a estrada expele para o seu
entorno sua própria matéria, se inserindo mais e mais, sorrateiramente. Soterramentos pulverizados que vão engolfando floresta e
plantas, animais e pedras, quando toda a fauna e flora estão prestando atenção no ronco do automóvel passando.

PONTE
I
Se estrada corta um território em dois ou mais territórios e de sua ruptura com o entorno origina-se fronteira, ponte é o remendo
complexo da junção de várias dessas partes territoriais separadas. À medida em que vamos descendo rumo ao que se tem embaixo
do remendo, neste caso, embaixo da ponte, vê-se explicitas tessituras de jogos de vontades de separações, de cortes, de limitações.
Corta-se para depois remendar. Ao mesmo tempo em que se encontram remendadas, essas tripas territoriais, em sua base, ou por
trás, ou melhor por baixo, têm seus acordos e desacordos territoriais erodidos.

A ponte vem como um atalho para superar a separação em dois territórios provocada pelo rio. Instalada de uma ponta de um
território até a outra ponta de outro território, desvia o percurso do viajante, evitando o cruzamento no caminho com a água do
rio e propõe, em um aspecto físico, sua superação através da elevação: explicita-se a própria superação desse rio através das
instalações de bases verticais que receberão as partes horizontais da ponte; portanto, tem-se então a ponte como uma espécie de

12 13
no 5
5 http://www.ufrgs.br/escultura/
http://www.ufrgs.br/escultura/

cama para a locomoção. Em um aspecto conceitual, há a supressão do contato físico do viajante Rio são complexos, diversos e perigosos. São grandes enganadores de seu verdadeiro tamanho,
com o próprio rio, que, ao repeli-lo, escamoteia o que há abaixo: esconde-se o próprio cruzamento engolidores de nós que não sabemos nosso falso tamanho, nosso pequeno limite. Rios são
da estrada desviada pela existência da ponte com o rio abaixo, tapa-se o corte de um território em imensos, podem sufocar ou afogar. Rios podem ser traiçoeiros, pois nos traem: nos enganam com
diferentes outros. sua margem dissimulada. É aí que cabe: seu relacionar com suas bordas, com sua margem. É desse/
nesse encontro que cabe. O rio moribundo, neste caso, o atoleiro, é cabível aqui. O rio morto, que
Quando se liga uma parte com outra territorial, embaixo dessa ligadura, é possível de verificar, não se movimenta, que, estancado, se deita e se acomoda sobre o chão que o contém. Descanso
olhando-se, hipoteticamente de baixo para cima, o remendo. Esse remendo (ponte) traz sombras que constrói o atoleiro. O atoleiro então se torna um marcador não preciso do fim do chão estável
para sua colagem. Esconde sua colagem. Protege a colagem do conhecimento de todos de que e o início do ‘rio’ impossível de se apoiar. Se fosse possível criar uma passagem de um lugar onde
ela não é permanente. Remendo, colagem que tenta se fazer de eterna, tanto pelos construtores existem pedras duríssimas e quentes que produziriam novas pedras que, molengas e quentes, vão,
e arquitetos, quanto para prefeitos e vereadores, mas que não é. Ponte pressupõe não durar para a medida em que se esfriam, ficando duras, pode-se pensar o atoleiro como uma fábrica, não de
sempre, já que sua função está estritamente relacionada com sua ruptura. pedras, mas de territórios em ruptilidade, onde as margens de si, por uma imprecisão enganadora,
são e ao mesmo tempo não são fronteiras, já que ali está instaurada a imprecisão dos limites, bem
II como a demarcação do atoleiro como um todo (e não apenas suas margens). É todo um território
Ora, se um objeto tem a pretensão de juntar duas áreas de terra, através de um ponto (ponte), ou de em si: complexo, difícil de descrever, que só experimentando é que se alcançará seu significado.
forma esticada e estirada (pontilhão), incumbindo de coligar suas bordas, sabe-se já de início ser Atoleiros são uma fábrica de lugares que atolam (atoleiros, sumidouros); são ações de atolar
impossível juntar eternamente duas partes. É impossível dar um abraço eterno. Como também, (eu atolo, tu atolas, eles atolam etc.); são produtores de seres e coisas que ao agirem em ação de
desafiando as leis físicas, ou, ainda, fazendo acordos temporários com elas, a ponte permanece atolar, são adjetivadas como tal: atolados; são tempos relacionados a atolar (alotou, atolara,
ali até que qualquer uma das partes rompa o acordo: tremores e enchentes ou peso acima do atolará, atolado, atolando). Espaços, tempos, ações, descrições, produções, todos em andamento,
permitido podem pôr tudo por água abaixo. nada está acabado ou é só começado, já que o que se começou ou se acabou é o afogado.

Quando dois se apertam num abraço por muito tempo, há escuridão, suor e sufoco. A ponte que HORTA
emenda em um abraço dois territórios, apoiada desajeitada sobre uma situação de fluvialidade,
oculta esse rio, o supera, mas um dia afundará com e por ele. Sob si, não só a água vai levando Os adultos saem de casa e rumam para a horta. Esta requer visitas diárias e atenção redobrada. Ela
as certezas da fundação eterna da ponte. O escuro que remenda juntas terras avizinhadas por se situa no limiar entre a margem lamacenta e fértil e o atoleiro de um riacho que encontrou seu
um rio, vai também gotejando as estabilidades, vai amolecendo as rochas e terras duras, vai descanso. Não há uma demarcação bem delimitada entre terra e barro, entre chão seco e plantas
alimentando o limo que encontra sua casa: torna-se um lugar onírico do complô da derrubada do aquáticas molhadas. É neste lugar onde aparentemente tudo dorme que grandes empresas
levantado. são empreendidas: cava-se a margem para tornar fofa a terra, faz-se montes, cria-se buracos
retangulares dos quais a água do riacho se infiltra, criando pequenos retângulos de água para
E exatamente, é isso o que o remendo (ponte) quer ocultar: de que suas bases mesmo bem fixadas molharem as hortaliças. A horta, canteiro das ervas das bruxas, leva o homem para seu próprio
no fundo do rio ou nas margens dele, são diária e incansavelmente erodidas: o rio que ocultado passado nas instaurações de lugares de criação: o coentro e a salsa suspeitamente conhecem
e ao mesmo tempo superado pelo caminho que se estabelece elevado acima de si, e não em si, e conversam sem que o horticultor saiba com a taboa e o aguapé. Os últimos trazem notícia do
vai sendo como a estrada que se instaura acima: vai transportando as margens que o contém rio mundo das coisas ordenadamente sem ordem, da liberdade, do tempo levado pelo percurso do
abaixo, vai tornando conteúdo seu próprio continente. riacho. Os primeiros contam sua experiência de viagens, de plantio, de colheita, de magia e de
assentamento que começou há muito.
O rio, pois, complexamente vai subtraindo (tirando por baixo), vai sub-traindo (vai enganando
sub-repticiamente) as bases da própria ponte e suas margens sustentadoras. Vai instaurando um A horta é esse jardim assentado de plantas familiares à boca, à memória, à descendência. Horta
paradoxo aí: a ponte vem como um remendo que instaura a ligação de um lado ao outro do rio, é presentificação do desejo de cuidar, de jardinar. É quase um delírio das plantas, da conversa.
possibilitando a existência de uma estrada, assim como sua existência está fadada a romper-se,
já que o rio é a própria estrada primeira, que já estava ali, e como tal, tende a destruir as margens Os adultos preocupados em cultivarem a horta, esqueciam que, no caminho entre a casa e a horta,
e bordas (sobre as quais a ponte se estrutura), sendo o sangue de uma cicatriz que nunca cicatriza. as crianças conversavam com as plantas. Conversavam com três exatamente. Elas conversavam
sobre os dias, o calor, a chuva. Reino vegetal conversando com reino humano. Não é assim também
com a horta? O grupinho das três plantas falantes era a horta que ninguém criou: se deu, saiu pela
O RIO MORIBUNDO: O RIO QUE SE ATOLA EM SI boca, iniciou conversa. O tempo foi capaz de perder esses lugares, essas personagens. A morte
O RIO DO AFOGADO: O RIO EM QUE SE ATOLA do rei daquelas terras fez com que tudo fosse empacotado, embalado em papel de memória e
guardado na mente de cada um que se lembra, de cada um que fala com as plantas.
Aqui não me interessa o grande rio — oceano, nem o mar. Cabe aqui o rio pequeno, o rio que
mingua na seca. O espaço em que passa ou passava tal rio, a depressão e impressão que este Hoje o riacho está moribundo, não há mais sinais de horta. O mato selvagem fez seu papel: esconde
deixou. Principalmente o rio moribundo, o rio que atola a si mesmo, o rio em que se atola. O sorrateiramente o que ainda permanece ali: a falta de divisão traiçoeira entre terra e água, entre
atoleiro. coentro e salsa e taboa e aguapé, entre vida e morte.

14 15
/ VIVIANE GUELLER no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

qual a hora do tempo?

Interlúdio
Estamos em janeiro. Horas intermináveis de sol, dias arrastados, noites mal dormidas. O calor, em excesso,
deforma. Em Porto Alegre, temos rio, ilhas e praias. Água imprópria para banho, escassez de transporte fluvial
e um muro que nos isola do olhar (e da escuta) das coisas que passam bem próximas, experiência movente que
viria nos tocar. À cidade líquida, estamos interditos. Eventualmente avistamos o horizonte do topo de prédios,
em algumas áreas onde a verticalidade ainda não se impôs. É um processo de apagamento da cidade, mas
também de nossa identidade, já que não reconhecemos o arquipélago como parte do nosso cotidiano.

São nove horas da manhã de quarta-feira. Estamos entre o muro e o rio, o que finalmente nos coloca em
proximidade com a água. Embarcamos em um percurso pela margem da cidade – avistamos viadutos, prédios,
galpões. Águas que não são navegadas, percursos que conhecemos de automóvel, ônibus, trem, mas que jamais
percorremos desde aqui,onde Porto Alegre parece flutuar diante de nossos olhos.

Permanecemos à margem, temos o rio, as ilhas e o barco. Mas também o céu, de onde se avista a lua que na
fase entre cheia e minguante ainda não se pôs. Um avião cruza sobre a ponte do Guaíba um pouco antes de nós
a atravessarmos. Estou sentada na poltrona da janela, próxima à asa direita. Daqui a cidade é líquida, poucas
embarcações em um Guaíba a perder de vista, ilhas nas quais nunca aportei. Do outro lado da ponte, biguás
pousam sobre estacas suspensas na água e esticam suas asas sem se importarem com a nossa presença.  .
Secam-se e descansam enquanto nós, à deriva, com o motor desligado, observamos nossa cidade desconhecida.
Tantas vezes finda a tarde olhando para a linha do horizonte, presenciara a revoada de biguás em coreografia
entre a água e o céu. Mal sabia que eram pássaros tão grandes, absorta nas linhas etéreas de seu percurso e no
movimento harmônico que, desordenados, eles iam impondo em seu voo em formação.

Viviane Gueller

16 17
no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

18 19
/ glaucis de morais no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

Homens e ilhas. Série de cartões de visita. Tiragem ilimitada. 4,5 x 8,5cm. 2017

Homens e ilhas - Roseli Jahn

Homens e ilhas - Paola Zordan

Homens e ilhas - Silvana Boone

20 21
no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

22 23
/ mariana silva no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

O Bairro Arquipélago
D
everíamos nos encontrar no Cais do Porto, perto de onde sai o Catamarã, pelas oito e quarenta por uma vegetação fechada e aparentemente intacta. Nenhuma casa ou outros barcos à vista.
e cinco da manhã. Como de hábito, não consegui me aprontar a tempo, as manhãs são Surgiram-me imagens da Floresta Amazônica e dos pântanos do Mississipi, como vemos naqueles
complicadas e o dia prometia ser longo. Ao sair lembrei-me que haveria sol e deveria levar filmes norte-americanos. Contornando a Ilha da Casa da Pólvora, encaminhamo-nos à parada
protetor solar, um lanche também seria providencial, o que me fez colocar algumas castanhas na para o almoço.
mochila, além de uma garrafa com chá gelado. Cheguei a separar um chapéu de palha para levar,
mas acabei por deixá-lo em cima do sofá, fato este que me traria um grande arrependimento ao Chegando na Ilha da Pintada, saímos um por um do barco, apoiando-nos nas mãos uns dos outros.
longo da tarde. O segredo para o equilíbrio é não olhar para baixo, para as águas. Ancoramos em frente à sede
da Colônia dos Pescadores, uma pequena edificação, cuja data de construção vinha estampada
Mais ou menos às nove e meia da manhã, G. e eu chegamos ao nosso encontro. Todos já estavam na fachada: 4 de dezembro de 1921. Abaixo desta informação, imediatamente olhávamos para
nos aguardando, gerando em mim um certo desconforto pelo atraso. Reunidos, seríamos nove o adorno decorativo colorido em azul e verde, contemplado pelo relevo, um tanto raro, de duas
passageiros a seguir a viagem de barco pelo rio Guaíba, mais o pescador, nosso guia e também sereias com pernas. Como em uma cidade interiorana, as ruas mostraram-se repletas de casas,
companheiro de percurso. Entramos todos no barco de metal um tanto enferrujado, coberto cachorros, árvores e calmaria. Nosso guia preferiu almoçar em casa, já que estava perto dela,
parcialmente por uma lona que seria nosso único resguardo do sol escaldante que já se anunciava. enquanto R. conduziu-nos até o restaurante mais próximo, em que poderíamos comer um bom
R. mais tarde observou que os pescadores não usam mais barcos de madeira, comentário que me peixe. Exaustos, sentados em uma grande mesa, pedimos porções fartas de comida, cerveja, água
surpreendeu sem eu saber muito o porquê. e um litro de refrigerante de guaraná misteriosamente ainda servido em garrafa de vidro. Ao
terminarmos a refeição, M. nos ofereceu sobremesas apimentadas que havia trazido do México.
Entrando no espaço apertado, um conjunto de cadeiras de plástico nos era reservado, bem como Cada doce vinha em uma embalagem de plástico colorido, uma espécie de bisnaga que deveria ser
um grande número de coletes salva-vidas envoltos em sacos transparentes. Mesmo que não os apertada para que a geleia escorresse pela boca. Discutimos por alguns minutos o gosto exótico e
tenhamos vestido, senti-me reconfortada com seu uso potencial, já que não sei nadar. Organizamo- os ingredientes que deveriam compor a iguaria.
nos de maneira que todos ocupássemos as cadeiras, com exceção do piloto, que precisava operar
a “máquina”. Ele nos explicou brevemente o trajeto que iniciávamos, mencionando as ilhas que Depois de bem alimentados, refrescados e descansados, iniciamos nossa caminhada pelas ruas
cruzariam nosso trajeto, muitas delas cujo nome eu não conhecia até aquele momento. O ponto de da ilha. Como em uma expedição, todos carregavam mochilas e máquinas fotográficas, que eram
pausa da viagem seria o almoço na Colônia de Pescadores, na Ilha da Pintada e de lá, retornaríamos disparadas a quase todo momento. Observamos diferentes casas, algumas, amplas e arejadas,
à terra firme. outras esperando eternamente a finalização de uma pintura ou reboco, algumas com um terreno
apertado, em que repousava uma piscina de plástico infantil ou algum barco abandonado. Vi
Começada a viagem, o barulho do motor era muito mais alto do que eu pudera supor. Percebi um senhor limpando um peixe e alguns gatos aguardando ansiosamente o resto da limpeza. As
também que entrava um tanto de água dentro do barco, que ia sendo retirada ao longo da viagem ruas que antes pareciam aquelas de uma cidade do interior, agora me pareciam um pouco mais
e jogada de volta ao rio. R. sentou ao fundo, resguardado pela sombra da lona; mais a sua frente abandonadas, esquecidas entre o continente e as águas poluídas do rio.
sentaram T. e V. e eu; a seguir, M.I. M. e M.A.; na proa, G. e N.G, ambos com camisetas em tons de
roxo e calça e bermuda pretas, coincidência que os fez uniformizados para a travessia. O calor Conversávamos trivialidades e descansávamos debaixo de algumas árvores que rodeavam um
começara a aumentar. M. emprestou-me um lenço para que pudesse proteger minha cabeça do sol trapiche. Assustei-me ao pensar que deveríamos retornar todo o caminho para pegar o barco
intenso, que viria a ser o grande inconveniente do trajeto. M. e M.I. também passariam a emprestar novamente. M.I. explicou-nos que não seria necessário, pois nosso caminho seria retomado
seus chapéus para aqueles que sentassem mais ao sol. As garrafas de água e chá foram guardadas daquela parte da ilha. Tomamos assim o rumo para a partida da viagem de volta. Nosso colega
em uma grande caixa de isopor que ficava no chão e na sombra. R. e M. também levaram suculentos N.G. foi mais adiante e encontrou uma mulher que vendia melancia e emprestou-lhe uma faca.
pêssegos e T. um pacote de biscoitos amanteigados. Todos lembraram que o dia seria longo e a Entramos todos no barco, levando a melancia. Para alívio de N.G., nosso guia se comprometeu a
fome certamente aumentaria até a hora do almoço. devolver a faca à vendedora da fruta, e, assim, poderíamos cortar e compartilhar os pedaços de
uma melancia realmente vermelha, grande e saborosa. O barco saiu rumo ao centro da cidade
À medida que nos deslocávamos pelas águas do rio, avistávamos o centro da cidade de um ângulo enquanto todos comiam a fruta como se nunca tivessem assim o feito.
nada usual. Muitos navios ancorados despertaram comentários de todos, seu tamanho descomunal
e grandioso impunha-se como uma novidade para muitos de nós. Enxergamos botes pendurados O retorno foi bem mais rápido do que a ida. Ancoramos no cais e saímos do barco com certa
e homens trabalhando, que nos abanavam gentilmente lá de longe. Uma destas grandiosas dificuldade, pelo cansaço e insolação. Despedimo-nos e agradecemos ao guia, que parecia já estar
embarcações, tão alta como um prédio de vários andares, chamava-se Nika. Talvez fosse russa, pronto para a próxima travessia. Mais uma vez permanecemos do outro lado do rio, entrevendo ao
provavelmente vinda de um oceano distante. Quando nos aproximávamos dos navios, percebíamos longe o Arquipélago, formado por dezesseis ilhas e considerado um bairro porto alegrense em 7
que, passados alguns minutos, correntes agitadas balançavam nosso barco, o que nos fazia sorrir e de dezembro de 1959.
fazer brincadeiras sobre uma possível queda nas águas que, felizmente, não aconteceu. O famoso
barco turístico Cisne Branco também passou por nós, com seus passageiros tirando fotos em meio
a uma curiosa decoração repleta de vasos de folhagens exuberantes. Naquele instante, pensei no
grande contraste entre nosso pequeno barco, o grande cisne e os imensos navios.

Ao que parece, atravessamos as águas do rio Gravataí, que depois viria encontrar-se com o Guaíba,
informação essa acrescentada por R., que conhecia muito bem a geografia de Porto Alegre, mesmo
sendo estrangeiro a ela. R. e nosso guia apontavam nomeando os locais pelos quais passávamos:
Ilha do Chico Inglês, Ilha do Pavão, Ilha do Humaitá. Nunca pensei que existiriam tantas ilhas perto
de mim. No encontro da Ilha do Pavão e da ponta da Ilha Grande dos Marinheiros sobressaíam
muitas casas grandes, às quais R. não sabia como se referir em português; M.I. usou a palavra
“mansões” para descrevê-las. Algumas destas casas tinham passarelas que desembocavam
diretamente no rio, saídas particulares para barcos familiares. Seus jardins frontais eram rodeados
por muros, mas a parte traseira destes pátios era livre, aberta às águas. Observamos dois meninos
que nadavam e se divertiam perto de uma dessas passagens, eles nos acenaram igualmente.

Não conseguia saber a quanto tempo navegávamos, os raios solares pareciam cada vez mais
quentes e o suor cada vez mais inevitável. Comemos alguns pêssegos macios, frescos, doces e os
demais lanches, um alento ao desconforto que já começava a despontar pela fome e pelo calor.
Passamos a nos sentar mais próximos da lona, que gerava a única sombra do barco, e foi necessário
rearranjar a ordem dos assentos para que mais de nós pudessem acomodar-se longe sol. Em alguns
momentos o motor era desligado e um silêncio longo surgia. Fechando os olhos podíamos sentir
a brisa úmida das águas. Lentamente, deslizamos pelo Canal da Conga, um caminho rodeado

24 25
/ marco antonio filho no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

A enchente
Marco Antonio Filho

“Se não fosse o sentimento angustiante da miséria e da destruição, o quadro do delta do Guaíba inundado
forneceria um gosto estético de grandeza selvagem. É o completo domínio das águas que se afirma sobre as
margens, as ilhas, as obras da mão humana e boa parte da capital. As barrancas não existem mais: cordões de
árvores e arbustos assinalam, no meio das águas, o leito natural dos rios e dos canais; as ilhas desapareceram:
as umbelas escuras das figueiras e as estipes esbeltas dos gerivás lhes marcam a periferia submersa; os
canais e furos, bem como as barras dos rios apagaram-se: por cima de toda essa confusão de águas, pantanais
submersos, árvores isoladas ou em pequenos grupos, os invasores misturam as suas ondas, restabelecendo o
aspecto da baixada há milhares de anos.

Fazia um dia claro de inverno. O sol, olhando de um firmamento azul lavado por entre farrapos de nevoeiros
baixos, pintava manchas escuras e brilhantes sobre as águas. Nas ruas de Navegantes e São João, ao redor do
edifício do correio e da usina elétrica, lanchas e caíques substituíam os bondes e os automóveis. Para o sul, a
capital, feito irônica Veneza nos seus bairros marginais, sem tráfego, sem luz, sem força, sem água, paralisada,
parecia segurar-se frenética aos morros de granito para não se derramar no Guaíba, em que dançavam, aos
milhares, os ilhotes dos aguapés.

Mas as águas estavam baixando. Nos renques de galeria, escuros, a correnteza pintava figuras estranhas de
luz e sombra. E as ondas seguiam silenciosas ao longo do pontal da usina, onde a fumaça branca anunciava o
recomeço da atividade.

Porto Alegre é inseparável do Guaíba; a ele deve a existência; dele lhe provêm as maiores catástrofes; este
enlace de paz e guerra determina a fisionomia de prazer e luto, alternando sobre a paisagem do delta fluvial”.

Texto extraído do livro A Fisionomia do Rio Grande do Sul, de Pe. Balduíno Rambo, publicado em 1942.

26 27
/ marco antonio filho no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

28 29
/ ricardo moreno no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

Sol y Sandia: passeio- aula flutuante


Aquella noche de diciembre, Pedrinho, que estaba haciendo un mestrado sanduíche en urbanismo,
estaba feliz, de ver esta obra monumental de arquitectura minimalista contemporánea con la
que se buscaba revitalizar toda esta zona del sureste de la ciudad, y que luego en su país natal le
inspiraría algunas obras de pequeño porte que alcanzo a hacer. Estaba aun más contento porque
su país había contribuido con todos los durmientes de madera deIpe, exótica y finísima con la que
se había cubierto la explanada de 60.000 metros cuadrados sobre la que reposaban los cuatro
gigantescos libros de vidrio abiertos hacia el jardín central1. Poco le importaban todos los arboles
que se habían tumbado, seguro los ciudadanos de la Ville tampoco se importarían, ellos, hijos
del otrora Imperio Colonial aun estaban acostumbrados e incluso, les parecía normal que a sus
tierras llegaran los mejores y más exóticos productos, y, las materias primas de todos los rincones
del planeta para construir la grandeza de la France.

Yo, también estaba feliz, entre absorto y fascinado, por casualidad, y de un momento a otro me
vi conversando con tres personas entre las que estaba el autor del Nombre de la Rosa. Ingenuo,
cuando joven estudiante en Bogotá le había escrito tres veces; las segunda porque no estaba
seguro si por algún inconveniente en los correos las cartas no hubiesen llegado a su destino…
después de la tercera desistí; En las cartas le solicitaba que fuese mi director de tesis, de los
estudios sobre semiótica que tenía la intención de realizar en la Università degli Studi di Bologna.

Uno o dos años antes a aquella noche en la Biblioteca Nacional de France, viajando por la parte
alta de la bota Italiana había pasado por el edificio antiguo de la que se precia de ser la universidad
más antigua de Occidente. Preguntando llegue a la oficina y allí, hablando con la secretaria me

N
dijo. No, a él le llegan todos los días como 400 cartas, y ahora hace como seis meses que no pasa
o. Não vai chuvar, respondió con la certeza de alguien que en los últimos días había
por aquí… Nosotros enviamos esas cartas a un lugar donde algunos asistentes las organizan…
consultado en internet y algunos jornales las previsiones meteorológicas y escuchado
concluyó.
al pescador quien sin ser enfático le había dicho “acho que não”. Ellos casi nunca se
equivocaban; el conocimiento acumulado de vivir durante años el tipo de temperatura, las
El ruido atronador del motor diesel del barco me volvió a la realidad, siempre me ha llamado
corrientes del aire, las olas en el rio, el comportamiento de los peces y pájaros, y, el color del
la atención como los barcos y lanchas de motor invaden y agreden con su sonido el ambiente
cielo… les permite medio prever qué podría pasar algunos días más adelante y hasta en que
por donde van pasando, pero la verdad… el de Luciano es especial. Él desliga el motor por ratos
épocas podría ser posible o no desarrollar una actividad en el rio.
para dejar descansar los oídos; eso es parte del passeio. Así lo hizo, con su preciosa carga de 9
pesquisadores sociales y un pescador a la sombra de un enorme barco negro con rojo, que tenía
Cada vez que escuchaba aquella pregunta ¿y si llega a llover? se acordaba de su vida de estudiante
un sugestivo nombre: el “Sam Shipping”. La imagen del Antiguo Testamento; de David contra el
en algunas universidades en Colombia; en donde, con cierta frecuencia en las primeras horas de
gigante Goliat en otras épocas tan efectiva ahora no servía ni para brincadeira. Allí debajo de
la tarde de días soleados, se anunciaba en voz baja entre algunos estudiantes la llegada de la
tan esperada ocasión para comenzar la revolución con la que íbamos hasta cambiar el mundo. 1 Nadie había pensado en eso, incluso, el arquitecto que la concibió… ni siquiera los prestigiosos jurados
Tentativas que morían un par de horas más tardes cuando aparecía una llovizna o llegaba la hora internacionales que lo habían seleccionado como proyecto ganador, y tampoco los del premio Mies Van
de comer en el restaurante universitario. De alguna manera en una especie de consenso colectivo der Rohe que eligen la mejor obra de arquitectura europea de la época. Por ese error garrafal el arquitecto
debido a las condiciones climáticas se acordaba dejar para hacer un nuevo intento algunos días perdió su oportunidad de pasar a la historia como uno de los grandes arquitectos franceses de fin del siglo
XX. Cuando llegaron la élite de bibliotecarios con sus cuidadísimas cajas de madera que protegían a los 13
después. millones de estampas, los 360 mil periódicos, los 250 mil manuscritos y los 200 mil libros raros; vieron con
terror como el sol, que no se andaba con cuentos inclusive en esta ciudad donde las que reinan son las nubes
Claro está que desde que llegué a estas tierras en tres ocasiones he podido ver, no como un grupo grises; se metía por todas las paredes de los 100 mil metros cuadrados de vidrio foto cromático (lo último en
de personas cancela una actividad a causa de la lluvia, sino, que es la misma naturaleza que guaracha por aquellos días), amenazando con achicharrar y borrar la tinta de cualquier documento que allí
llega sin pedir permiso convertida en torrentes de agua, cientos de truenos, rayos y centellas; y se fuera a colocar. Ya, con toda la obra terminada; por esas paradojas de la vida… no le quedo de otra; el ar-
quitecto tuvo que pensar en cómo colocar una capa interna de madera que no dejara entrar ni un rayo de sol
ráfagas de viento que se encargan de voltear barcos, tumbar arboles, destrozar vidrios, ventanas, y convirtiera su obra en otra cosa que nada tenía que ver con su idea original.
y tejados… perturbar la corriente eléctrica, las comunicaciones y determinar por unos días la vida
de sus habitantes, incluso hasta llegar a hacerles sentir lo que es el miedo.

Finalmente, aquel día llegamos con las primeras horas de sol dispuestos para ir al “Passeio” como
gostavamos de llamar con Luciano a esas actividades en las que recorríamos en su barco algunos
lugares del archipiélago con amigos y familiares acostumbrados a vivir en tierra firme, así Guy
Debord dijera lo contrario. Claro, este nombre no se podía utilizar en el ámbito académico; ya
que por cuestiones burocráticas ante las instituciones educativas se tienen que utilizar términos
técnicos que tengan relación con la investigación científica.

A medida que íbamos llegando al sitio de reunión, nos desplazábamos un poco huyendo del sol y
buscando la sombra; todos con un aire decontractée, seguro por la idea de passeio. Al poco tiempo
llegó Luciano en su barco de metal enferrujado, de colores ocres y tierras vermelhas, con algunas
sillas de plástico tostadas por el sol y el agua, y una lona de plástico desvencijada que cubría la
mitad del barco en su parte trasera.

En las islas los pescadores ya no tienen barcos de madera, todos son de metal, claro, ahora ya no
hay árboles gigantescos de donde se puedan sacar maderas finas para hacer barcos. Eso, me hizo
acordar del vernissage con el que abrían al público la Bibliotèque Nationale de France allá en
Tolbiac en el XIII arrondissement en París a comienzos del invierno del 96.

30 31
/ ricardo moreno no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

ese colosal barco me llegaron a la memoria las imágenes que produjo el ya desaparecido Allan
Sekula, las reflexiones sobre el Capitalismo, y cómo; como sistema económico ha ido invadiendo
todos los rincones del planeta, transformando geografías, destruyendo paisajes, desapareciendo
especies, borrando fronteras, deslocalizando productos, homogenizando e imponiendo prácticas
de consumo, todo cimentado en la extracción y destrucción de cualquier recurso natural sin
siquiera poder prever el abismo hacía el que nos lleva.

Un par de celadores con sus uniformes azul oscuro y blanco, desde el caís nos ordenaban que
nos alejáramos del casco del barco. Debido a las condiciones políticas que se iban degradando
rápidamente en el último año y el ambiente enrarecido que se vivía una colega en voz baja y casi
en secreto dijo, es que deben tener miedo de lo que pueda pasar, alguien agrego socarronamente
deben pensar que somos la filial latinoamericana de hEY Isbis2

Luciano, que seguramente no se preocupa mucho por los temas políticos, a los que considera
sin sentido, ya que para él la situación económica siempre fue la misma sino que cada vez “pior”
sin importar quien estuviera en el poder, juzgó não acredito… lo que pasa es que si un pequeño
parafuso de dos pulgadas se llega a caer desde la cubierta de uno de estos barcos puede llegar a
matar a cualquiera que esté aquí debajo, y ellos se tienen que proteger de esos accidentes. Prendió
el motor y enrumbo el barco hacia la Arena de Gremio, el time de sus amores.

Una mañana en el Guaíba, en un lugar cualquiera, desligó el motor y me dijo: “este es el único
lugar del rio desde donde se ven los dos estadios de Porto Alegre; el del Inter y el de Grêmio”. Un
par de días, luego de que su equipo ganó uno de los tantos campeonatos que se juegan a diario en
Brasil, le pregunté por el ambiente en la Isla de la Pintada y me respondió… “Aquela noite hubo una
fiesta tan grande… que parecía que la isla se iba a hundir” lo que me pareció un poco exagerado
pero bien divertido. En los passeios que hemos realizado con diferentes grupos siempre le gusta
llevarnos hasta El Saco do Cabral para que veamos el estadio “la Arena do Grêmio”.

Cuando conocí a la distancia la forma exterior del Beira Rio y de la Arena do Grêmio me pregunté,
ya que su arquitectura es relativamente similar y contemporánea, por qué habían seleccionado el
estadio Beira Rio como sede del mundial y no la Arena do Grêmio? Solo hasta que, aventurándome
por la ciudad en la búsqueda de un material específico, tuve que pasar cerca de la Arena, Y… Pensé
que tal vez las autoridades nacionales no tenían ningún interés que los turistas y periodistas
internacionales conocieran esta parte de la ciudad bien diferente de los alrededores del Beira
Rio.

En los grandes y populosos barrios Farrapos, Humaitá y Navegantes hay algunas de lo que por
aquí llaman vilas, nombre que parece un eufemismo para intentar distanciarse de los barrios que
pululan en Rio de Janeiro y que son tan famosos entre los televidentes del planeta.

En los bordes de estos barrios divididos por la frontera natural del rio Gravataí se construye
una nueva gigantesca obra de infraestructura que pareciera se levanta pensando en la frase
pronunciada por Pierren de Coubertin en Atenas en 1896: Citius, altius, fortis3 y que luego
popularizaron en Munich en 1972 en la por aquella época Alemania Occidental; en donde se
daban las últimas batallas de las que saldría vencedor para imponerse como sistema económico
mundial el Capitalismo y su visión de Desarrollo.

La construcción del nuevo puente como ocurrió con su antecesor el puente Getulio Vargas o Ponte
do Guaíba en 1958 va a cambiar radicalmente la historia de los habitantes de la Isla Grande dos
Marinheiros 4. Casi mil familias van a ser relocalizadas, nadie sabe a ciencia cierta para donde; les
van a quitar lo último que les quedaba: la vista sobre el rio y la brisa que en el verano refresca el
ambiente. Dicen que un arquitecto que nunca visitó las islas ya diseño unas casas bien bonitinhas
que van a estar en el centro de la isla, pero la gente está intranquila porque allí es donde llegan
todas las enchentes y acostumbran a vivir los mosquitos y zancudos.

Luego de casi seis horas bajo el sol que ya comenzaba a escaldar, ya no quedaban ganas para
derivas, extrañamientos y registros fotográficos… incluso, alguien ya comenzaba a cuestionar la
idea romántica del flaneur.

Luciano, luego de atravesar el rio por una de las rutas que él conoce bien, nos llevó divagar, pero
firme por frente a las 63 bodegas con sus 114 puertas del caís de la ciudad, como propiciando
para que terminara de afinar el proyecto de prácticas artísticas ahora colectivas con algunos
moradores de POA que como en un sancocho se encontraban; La Cometa de Andrés Platarrueda
en Barbosa, Santander, las bandeiras inventadas para Superagui en Paraná y recopiladas por
Newton Goto, la obra Neuf couleurs au vent en Quebec, Montreal, de Daniel Buren, y las pesquisas
sobre la ciudad de Maria Ivone dos Santos.

2 Nombre original fue trocado deliberadamente para evitar que alguien pueda crear alguna confusión.
3 Más rápido, más alto, más fuerte.
4 Cf. <https://www.youtube.com/watch?v=soJjpcXmaxs>

32 33
no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

Melancia no Guaíba - 2017


Newton Goto - Diego Gomez - Ricardo Moreno
34 35
/ Marcela Morado no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

Altar Cinco Agua


Intervenção artística na escadaria da Igreja Nossa Senhora das Dores

Altar Cinco Agua é uma homenagem a Porto Alegre, a sua história. É uma intervenção que evoca a água como um elemento
fundacional, como uma “matéria” que revela e dá forma à cidade. A intervenção emana de um olhar estrangeiro, de um diálogo
entre Porto Alegre, a Igreja Nossa Senhora das Dores e o rio Guaíba e de uma mirada que parte de uma poética visual da memória e
do espaço.

O Altar traz elementos icônicos e simbólicos das festas religiosas e da cultura popular do México para representar a água e evocar
a paisagem antiga da Igreja voltada para o Guaíba. As bandeiras de cor azul simbolizam a água, as laranjas e o papel recortado
funcionam como recurso icônico e simbólico que propõe um diálogo cultural com a Igreja e os altares da Sexta-feira das Dores no
México.

Assim, Altar Cinco Agua almeja representar a transcendência de uma água apagada e envolver o observador visual e sensivelmente
no espaço majestoso que é a escadaria da Igreja Nossa Senhora das Dores.

28 de outubro 2017

36 37
no 5 http://www.ufrgs.br/escultura/

38 39
Colaboradores

Fercho Marquéz . Anderson dos Santos Batista. Professor de Artes Ricardo Moreno. Professor da Universidade de Tolima (UT),
Visuais e artista visual. Mestrando [Poéticas Visuais] PPGAV- Colômbia. Mestre em Artes Plásticas [Fotografia] Université Paris
UFRGS, bolsista CAPES. Desenvolve a pesquisa Madeira - Matéria 8 - Vincennes / Saint Denis, França. Mestre em Artes pela UNAM,
- Molde: percorrendo situações de nascimento, instauração, México, e pela Universidade Nacional de Colômbia. Doutorando
presença e morte do objeto, que discorre a respeito das etapas [Poéticas Visuais] PPGAV-UFRGS. Desenvolve a pesquisa
de criação da escultura. Situa os processos de moldagem Lanternas Flutuantes - Práticas Artísticas de Participação
da glicerina em caixas e moldes de madeira, investindo em Comunitária com habitantes das Ilhas no Bairro Arquipélago
questões sobre morte, ruptilidade, corpo e relação da palavra em Porto Alegre, na Era do Antropoceno. Realiza trabalhos
como constituinte da obra de arte. artísticos que contam com a participação comunitária na
Colômbia e no Brasil. Membro do grupo de pesquisa Veículos da
Gláucis de Morais. Artista visual e designer gráfica. Mestre Arte (CNPq) e do grupo Estudios Interdisciplinarios en Literatura,
em Artes Visuais [Poéticas Visuais] PPGAV-UFRGS. Mestre em Arte e Cultura da UT.
Recherche en Arts Plastiques [Art Contemporain et Nouveaux
Mídias] Université Paris 8 - Vincennes / Saint Denis, França. Tula Anagnostopoulos. Artista audiovisual e montadora de
Doutoranda PPGAV-UFRGS. Desenvolve a pesquisa Entre o vôo filmes. Graduada em Arte Plásticas pela UFRGS e em Cinema
e a queda: práticas de um equilíbrio instável, que tem como [Ênfase em Edição] pela Escuela Internacional de Cine y TV
princípio a análise investigativa acerca das figuras do voo e da de San Antonio de los Baños, Cuba. Mestre em Artes Visuais e
queda como articuladoras de práticas artísticas fundadas na Doutoranda [Poéticas Visuais] PPGAV- UFRGS. Desenvolve a
experiência de um equilíbrio instável. pesquisa Cartas à Ellen: vídeo-ensaio, narrativas, releituras.
http://www.glaucisdemorais.com/gonfle-en Partindo de uma experiëncia dialógica — da troca de
correspondência mantida por muitos anos com um interlocutor
Marco Antonio Filho. Fotógrafo e artista visual. Professor na distante — passa a explorar conceitual e visualmente camadas
ESPM - Sul e no Grupo de Estudos em Fotografia da Galeria da memória, através de recursos sonoros e audiovisuais, em
Mascate. Mestre em Artes [Poéticas Visuais] PPGAV-UFRGS. instalações e ações. Membro do grupo de pesquisa Veículos da
Realizou a pesquisa Cimo da Serra: Uma narrativa fotográfica Arte (CNPq).
da paisagem. Seu trabalho parte da relação com o espaço
geográfico, reconhecendo a paisagem como resultado não Viviane Gueller. Artista visual. Mestre [Poéticas Visuais] e
apenas da adaptação do ser humano ao meio físico, mas como doutoranda do PPGAV/UFRGS, onde desenvolve a pesquisa
produto material das ideologias de uma sociedade. Suspensão no cotidiano: a experiência do intervalo como
http://marcoaf.com/ exercício poético. Aborda o processo de criação em situações
que emergem da experiência de espera e deslocamento, estado
Mariana Silva da Silva. Artista visual e professora da UERGS. de disponibilidade que possibilita uma suspensão no fluxo do
Mestre em Artes Visuais PPGAV- UFRGS. Doutoranda [Poéticas dia a dia. Membro do grupo de pesquisa Veículos da Arte (CNPq).
Visuais] PPGAV- UFRGS. Desenvolve a pesquisa Zonas de Contato: https://vivianegueller.46graus.com/
ressonâncias da natureza no infra-ordinário. Considerando o
Perdidos no espaço é uma publicação do Projeto Formas
espaço do infra-ordinário, termo cunhado pelo escritor Georges
de Pensar a Escultura - Perdidos no Espaço, desenvolvido
Perec, realiza uma prática artística que pretende pensar
na Universidade Federal do Rio Grande do Sul há 15 anos.
formas múltiplas de apresentações da natureza inseridas nas
O comitê editorial se reúne regularmente para discutir
dicotomias cultura e natureza, cidade e rio. Membro do grupo de
a cidade, a memória, observando contextos urbanos e
pesquisa Veículos da Arte (CNPq).
ambientais, propondo prospecções poéticas que propriciam o
desenvolvimento de um pensamento crítico. Esse jornal conta
Maria Ivone dos Santos. Artista Visual e professora da UFRGS.
com o apoio do DDC-UFRGS.
Mestre e doutora em Artes, Université de Paris I - Panthéon
Sorbonne, França. Coordena projeto Formas de Pensar a
Projeto editorial: Maria Ivone dos Santos, Marcela Morado,
Escultura - perdidos no Espaço. Desenvolve a pesquisa As
Projeto gráfico: Marcela Morado
extensões da memória: a experiência artística e outros
Gráfica : Gráfica da UFRGS
espaços. Co-dirige o Grupo de Pesquisa Veículos da Arte (CNPq).
Revisão: Julia Fervenza
Investigadora del GEACC – Grupo de Estudos em Arte Conceitual
Tiragem: 500
e Conceitualismos no Museu – (CNPq). Integra a equipe de
pesquisa do Proyecto I+D - Programa Estatal de Fomento de la
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Investigación científica e técnica de excelencia. Subprograma
Generación de conocimiento - Convocatoria 2016: HAR2016- Reitor
78241-P. El arte y las transformaciones del espacio común Rui Vicente Oppermann
del teritorio [Sustentabilidade estética en canteras de corte y
Vice-Reitora e Pró-Reitor de Coordenação Acadêmica
bordes de água], Universidad del País Vasco/EHU, Espanha.
Jane Fraga Tutikian
http://www.ufrgs.br/extensoesdamemoria/
Pró-Reitora de Extensão
Marcela Morado. Artista e designer. Mestre em Artes Visuais, Sandra de Deus
UNAM, México. Doutoranda [Poéticas Visuais] PPGAV- UFRGS,
Vice Pró-Reitora de Extensão
bolsista CNPq. Desenvolve a pesquisa Cinco agua. En la casa Claudia Porcellis Aristimunha
de los cinco ríos. Uma poética das representações da água,
numa reflexão que parte de um olhar estrangeiro e que surge Diretora do Departamento de Difusão Cultural
Claudia Boettcher
da contemplação do Guaíba e da relação dessas águas com as
lembranças das cinco lagoas apagadas na Cidade do México, Equipe do Departamento de Difusão Cultural
desdobradas em trabalhos gráficos e em instalações. Membro Carla Bello
do grupo de pesquisa Veículos da Arte (CNPq) e do grupo Estudios Edgar Heldwein
Gerson Andrade
interdisciplinarios en literatura, arte e cultura da Universidade
João Vitor Novoa
de Tolima (UT). Lígia Petrucci
Rafael Derois
Newton Goto. Artista, curador e produtor. Mestre em Arte pela Tânia Cardoso
UFRJ. Doutorando [Poéticas Visuais] PPGAV-UFRGS. Desenvolve
Bolsistas
a pesquisa Experimentos de arte socioambiental. Explora modos Ananda Zambi
de fazer arte orientados ao diálogo sociocultural propondo Camile Fortes
reflexões sobre a sustentabilidade planetária, através de Laura Gruber
Maria Lourdes Seadi
práticas colaborativas e de ações sociais transformadoras
Mariana Vargas
de ordem comportamental e estética. Membro do grupo de Renan Sander
pesquisa Veículos da Arte (CNPq).