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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE TECNOLOGIA E RECURSOS NATURAIS


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM RECURSOS NATURAIS
DISCIPLINA: CIDADES SUSTENTÁVEIS
DOCENTE Dra. MARIA DE FÁTIMA MARTINS

ANA LUIZA FELIX SEVERO

LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. Tradução de Rubens Eduardo Farias. 5ª ed.. São Paulo:
Editora Centauro, 2001.

O autor retrata a temática sobre a cidade e os cidadãos, mas aquela como fruto destes e, para
isso, narra a partir do momento em que se consolidou a produção capitalista.
Para o autor, não bastava que os cidadãos tivessem um espaço, mas era necessário que a
estrutura da cidade fosse o elemento primordial da sociedade contemporânea. Por isso, ele discorda da
ideia de que o determinismo poderá resolver as questões complexas da cidade, muito menos os
variados técnicos de forma isolada, pois se entendia que a solução deveria partir de quem formava a
cidade, ou seja, os cidadãos.
A luta de classes é constantemente mostrada por Lefebvre, principalmente, quando ele diz que
a classe dominante sempre tende a afastar cada vez mais a classe operária dos grandes centros urbanos.
Dessa forma, com o tempo a classe operária não usufrui do que os centros urbanos podem oferecer
diariamente, pois além de distante esse locais passaram a ser visitados enquanto passam para ir ao
trabalho e retornam aos seus bairros ou cidades vizinhas para o seu descanso, denominando-as de
cidades noturnas.
Nesse sentido, o direito à cidade ultrapassa o direito de ir e vir e ao direito de condição de
moradia, pois é também direito à identidade e, como o autor chama, é o próprio direito à vida que não
pode ser negado a ninguém independentemente de sua origem, ou de como se deu o o seu
reconhecimento legal como cidadãos, ou do seu nível social.
E é por causa da negação do direito à cidade à classe trabalhadora que Lefebvre diz que a luta
por este espaço, não somente no sentido geográfico, e da transformação dele deve ocorrer a partir da
iniciativa da classe operária, a qual é a única legitimada para finalizar o processo de segregação
imposto a ela. Logo, apesar de Lefebvre distinguir as formas que se podem se tornar habitantes da
cidade, não quis ele provocar uma segregação, mas dizer que a cidadania política pode e dever ser
exercida por qualquer um deles, desde que pertença à classe segregada e, muitas vezes, estigmatizada.
Portanto, a luta pelo direito à cidade é romper com a indiferença enraizada na sociedade e implantar um
novo modo de produção do espaço urbano.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE
CENTRO DE TECNOLOGIA E RECURSOS NATURAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM RECURSOS NATURAIS
DISCIPLINA: CIDADES SUSTENTÁVEIS
DOCENTE Dra. MARIA DE FÁTIMA MARTINS

ANA LUIZA FELIX SEVERO

Até porque o autor diz que a cidade pode influenciar comportamentos, seja ela no sentido
positivo ou negativo, como ocorre com a violência nos grandes centros urbanos e a substituição do
Estado pelo poder paralelo nas periferias, pois o Estado se faz tão ausente nesses lugares que qualquer
tentativa de urbanização, ou mesmo de limitar ou melhorar alguma deficiência do local, a população
passa a aceitar ou até mesmo são obrigadas a concordar.
Observa-se a segregação ocorrida para as mega construções voltadas ao turismo e melhoria
urbana e beneficiamento da classe dominante com valorização dos imóveis. Não se houve tentativa de
equilibrar os povos populares que ali já residiam com a nova proposta da cidade, a única oferta que
receberam foi sair, sob violência e fundamento jurídico, para as periferias.
Partindo-se desses fatos recentes, não se pode negar que o livro de Lefebvre escrito na década
de 1968 se faz tão real no dia a dia da classe operária, bem como a crítica que se deve fazer ao Estado
promotor de segregação e colaborador de diferenças de classes a partir da divisão geográfica e negação
dos grandes centros a maior parte da população.
Outrossim, o autor diz que há uma alienação quando torna as problemáticas urbanas como
questões de resoluções técnicas e que isso ocorre porque há uma coisificação dos cidadãos. Logo,
perde-se o caráter de sujeitos para se tornarem objetos do Estado que os controla por meio de políticas
urbanísticas e os impede de serem sujeitos da construção da cidade.