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Guia verde

das
hortas
e dos jardins

Plantas, flores e frutos 


em agricultura biológica

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ÍNDICE GERAL

A ÍNDICE REMISSIVO

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GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS


Plantas, flores e frutos em agricultura biológica

Título do original inglês: Which? Guide to Gardening without Chemicals –


– Tried and tested advice on chemical free gardening without creating extra work

Tradução (a partir da versão belga): Alexandra Pinto, Ana Amaro


Revisão e apoio técnico à presente edição: Agrobio –
– Associação Portuguesa de Agricultura Biológica
Redação: Alda Mota e João Mendes
Revisão de texto: Florbela Barreto
Projeto gráfico, capa e paginação: Alexandra Lemos
Formato digital: Alda Mota e Isabel Espírito Santo
Fotografia da capa: GAP Photos/Getty Images
Coordenação editorial: Alda Mota

Diretora e editora de publicações: Cláudia Maia


Coordenador dos guias práticos: João Mendes

© 1990 Consumers' Association Ltd., London


© 2006, 2012 DECO PROTESTE, Editores, Lda.

Todos os direitos reservados por:


DECO PROTESTE, Editores, Lda.
Av. Eng. Arantes e Oliveira, 13, 1.º
1900-221 LISBOA Tel. 218 410 800
Correio eletrónico: guias@deco.proteste.pt

1.ª edição: abril de 1999


2.ª edição (revista e atualizada): abril de 2012
Versão digital: outubro de 2019

Depósito legal: 340021/12


ISBN: 978-989-8045-87-4

Impressão:
PERES-SOCTIP, Indústrias Gráficas, S.A.
Estrada Nacional 10, km 108,3
Porto Alto
2135-114 SAMORA CORREIA

Esta edição respeita as normas


do novo Acordo Ortográfico.

Esta publicação, no seu todo ou em parte,


não pode ser reproduzida nem transmitida
por qualquer forma ou processo, eletrónico,
mecânico ou fotográfico, incluindo fotocópia,
xerocópia ou gravação, sem autorização prévia
e escrita da editora.
Com a colaboração da

Agrobio
Associação Portuguesa
de Agricultura Biológica

Guia verde
das
hortas
e dos jardins
Prefácio
A utilização de produtos químicos no tratamento de plantas, frutos e flores gera
alguma preocupação naqueles que põem mãos à obra e cultivam o seu próprio jar-
dim ou horta. Contudo, haverá alternativa aos produtos químicos? O que fazer se as
maçãs ganharem bicho, se notar que as suas sementeiras estão a ser devoradas
por lesmas e se as couves que planta com tanta dedicação cedo ficam infestadas
de lagartas?

A agricultura biológica impõe-se mais do que nunca numa altura em que muitas
pessoas se preocupam não só com a qualidade dos produtos que consomem, como
também com o meio ambiente. Para todos os que dispõem de um terreno onde
cultivam frutos e legumes para consumo próprio ou que cuidam do seu próprio
jardim onde gostam de ver crescer plantas e flores sãs, impunha-se um guia prático
que indicasse como é possível fazê-lo sem recorrer a produtos químicos.

Ao longo de anos, a associação de consumidores Which? realizou testes e estudos


experimentais em hortas e jardins britânicos, e desse trabalho resultou um conhe-
cimento aprofundado de como é possível ter hortas e jardins sãos sem o recurso
a produtos nocivos para o ambiente e para a saúde dos consumidores. Esta edi-
ção, revista e atualizada com a colaboração da Agrobio – Associação Portuguesa de
Agricultura Biológica, contém muitos conselhos úteis sobre a forma de lutar contra
as pragas, as doenças e as ervas daninhas, além de explicar como cultivar árvo-
res de fruto, flores, legumes, arbustos e plantas de estufa recorrendo à agricultura
biológica. Ensina a atrair os inimigos naturais das pragas e a evitar a utilização
de pesticidas mesmo quando os frutos e os legumes já se encontram atacados.

As informações simples e úteis que apresentamos neste livro poderão beneficiar


não só a sua horta e o seu jardim, mas todo o meio ambiente.
Índice

CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 10
Renunciar aos produtos Atrair os inimigos
químicos 7 naturais das pragas 129

CAPÍTULO 2 CAPÍTULO 11
As plantas ornamentais 19 Lutar contra as ervas daninhas 145

CAPÍTULO 3 CAPÍTULO 12
O relvado 29 Melhorar o solo 155

CAPÍTULO 4 CAPÍTULO 13
Os legumes 37 Fazer o composto 177

CAPÍTULO 5 CAPÍTULO 14
Os frutos 55 Alimentar as plantas 189

CAPÍTULO 6 CAPÍTULO 15
A estufa 71 Comprar plantas sãs 199

CAPÍTULO 7 CAPÍTULO 16
Lutar contra as doenças 87 Plantas sem problemas 207

CAPÍTULO 8
As pragas 95 CONTACTOS ÚTEIS 218

CAPÍTULO 9
Insetos amigos e inimigos 119 ÍNDICE REMISSIVO 219
1
Renunciar aos
produtos químicos
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Se plantar algumas flores


entre os legumes, poderá atrair
diversos insetos úteis

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A
RENUNCIAR AOS PRODUTOS QUÍMICOS 1
Nada melhor que um
belo tordo para o ajudar
a livrar-se das lesmas

Sabemos que mudar de hábitos não é fácil, mas acreditamos, mesmo


assim, que a renúncia à utilização de produtos químicos na sua horta
ou no seu jardim lhe trará um grande prazer. Um dos principais
benefícios da mudança será fazê-lo compreender melhor a interação
vital entre as plantas e os numerosos organismos.

Existem boas razões para deixar de uti- produtivos sem necessidade de recor-
lizar produtos químicos na sua horta ou rer a produtos tóxicos. Isto não signi-
no seu jardim: o meio ambiente só tem a fica que algumas plantas não possam
ganhar com a mudança; a saúde da sua apanhar doenças. No entanto, para as
família e a dos animais domésticos terá ultrapassar, existem métodos tão ou
menos probabilidades de ser prejudi- mais eficazes do que as pulverizações
cada pela utilização dos pesticidas e dos químicas.
adubos químicos; e, se cultiva frutos e
legumes, estará seguro, quando chegar Mesmo de um ponto de vista mera-
a altura de os consumir, de que não con- mente técnico, é sempre muito melhor
têm quaisquer resíduos nocivos... escolher métodos que não recorram
aos habituais produtos químicos, como
Este livro ajudá-lo-á a conceber uma poderá ver ao longo dos conselhos
horta e um jardim sãos, bonitos e que lhe apresentamos neste livro.

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GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Os problemas e as suas causas


O terreno ilustrado nesta página e na produtos químicos em grandes quanti-
seguinte é um paraíso para as pragas, dades. No entanto, bastariam algumas
doenças e ervas daninhas. Isso deve-se, pequenas modificações para o tornar
sobretudo, à forma como foi organizado mais fácil de cuidar, sem ter de recor-
e à escolha das plantas que o compõem. rer a tais produtos. O seu possível novo
A única forma de manter um tal jardim aspeto encontra-se ilustrado nas pági-
“são” e produtivo consiste em utilizar nas 12 e 13.

Análise dos problemas


1. As árvores de fruto estão negligenciadas: 8. O solo a descoberto entre os arbustos
os ramos cruzam-se ou têm demasiadas atrai ervas daninhas.
folhas, o que favorece o aparecimento de
doenças e impede os frutos de captarem 9. Há ervas daninhas no caminho,
a luz solar. Bactérias e fungos invadem porque o cascalho não está dis-
os ramos partidos ou rachados. Os frutos posto sobre bases sólidas,
caídos apodrecem e podem contaminar mas sim diretamente so- 1
a colheita seguinte. bre a terra.

2. A horta é difícil de sachar: depois da


sementeira, as filas de plantas não foram
suficientemente bem desbastadas e estão
muito próximas umas das outras.

3. Não foi adicionada matéria orgânica


ao solo nem houve rotação de culturas, 2
o que favorece o aparecimento de doenças
(hérnia-da-couve, oídio, etc.) e de pragas
(nemátodos-da-batata, por exemplo). 3

4. O relvado ao pé da árvore sofre com


a sombra. Há muito musgo. 10. As plan-
tas que gostam de
5. A jovem árvore é prejudicada pela relva humidade não se dão bem
que cresce em redor do tronco. em locais quentes e soalheiros.

6. O relvado foi aparado muito curto: o solo 11. A relva fina só se mantém em boas con-
ficou a descoberto em determinadas áreas, dições se lhe for adicionado adubo.
o que facilita o aparecimento de ervas
daninhas. 12. Falta de transplante: as plantas que
começam a morrer na zona central do can-
7. É necessário pulverizar as rosas regular- teiro devem ser transplantadas.
mente, como prevenção da doença-das-
-manchas-negras e do oídio. As folhas caí- 13. As plantas que gostam de sol ficam fra-
das constituem uma fonte de contaminação. cas e débeis em locais sombrios.

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RENUNCIAR AOS PRODUTOS QUÍMICOS 1
14. Convém pulverizar com um fungicida 16. As chagas que se encontram no cesto
autorizado em agricultura biológica (por podem ser invadidas por pulgões.
exemplo, fungicidas à base de cobre)
ou com um preparado à base de plan- 17. Postas em vasos num terraço soalheiro,
tas (por exemplo, infusão de cavalinha) as plantas que gostam de humidade, como
as plantas sensíveis às doenças, como os brincos-de-princesa, murcham facil-
os ásteres-de-outono. mente, enfraquecem e ficam expostas
a doenças e pragas.
15. As hostas devem ser protegidas
das lesmas. 18. Se a estufa não for devidamente are-
jada, podem surgir doenças provocadas
por fungos.

19. Os vasos e as placas de sementeira


não devem reutilizar-se sem serem pre-
viamente lavados.

20. Existem doenças no solo da estufa


(principalmente fungos e nemátodos),
devido ao cultivo de tomate durante vários
anos seguidos.

21. Os restos de vegetais constituem um


bom abrigo para as pragas.

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Resolver os problemas
O terreno ilustrado nesta página e na melhor das pragas, doenças e ervas
próxima é o mesmo das páginas ante- daninhas. Assim, o jardim torna-se
riores. Contudo, alguns elementos mais fácil de cuidar, sem ter de recor-
foram adaptados, de forma a protegê-lo rer a produtos químicos.

Como foi melhorado este terreno?


1. As árvores de fruto foram podadas, de foi coberto por um plástico negro e por
forma a permitir a passagem de mais luz uma camada de cascas de árvore.
e ar. Os ramos doentes foram eliminados,
deixando só as partes sãs. As ervas à volta 7. As roseiras foram suprimidas e substituí-
do pé da árvore também foram eliminadas, das por um pequeno lago rodeado de flores
para reduzir a disputa de água e de subs- variadas, que dá um toque natural ao jardim.
tâncias nutritivas. Foi colocado um plástico
negro (coberto com cascas de árvores, mais 8. O solo foi coberto por cascas de ár-
estéticas) sobre o solo, à volta da árvore. vore e colocaram-se algumas plan-
tas abafantes entre os arbustos
2. As flores silvestres entre as árvores de vigorosos.
fruto atraem insetos predadores, como os
sirfídeos. 9. O cascalho que
se encontrava
3. A pilha de composto é usada para reci- no caminho
clar os resíduos vegetais. foi subs-
tituído
4. A horta foi dividida em canteiros. O solo por lajes.
foi melhorado, juntando-se-lhe estrume Uma
e calcário. Passou a usar-se o sistema camada
4
de rotação de culturas. Um dos canteiros de plás-
foi elevado, com o intuito de melhorar o tico sob o 3
escoamento de água e de reduzir as doen- balastro
ças em caso de sementeira temporã. O detém
milho-doce e o tomate-rasteiro crescem as ervas
através de uma camada de plástico negro. daninhas.
Aproveitou-se um tapete velho para colo-
car entre as aboborinhas, a fim de evitar as 10. As plantas que gostam de
ervas daninhas e manter os frutos limpos. humidade foram substituídas por
outras mais resistentes à seca, como
5. A copa da árvore foi podada, de modo a a alfazema, a favária e a sementeira.
ficar mais alta, o que contribui para aumen-
tar a claridade. A erva por baixo da árvore foi 11. O relvado fino foi substituído por uma
substituída por plantas abafantes resistentes. variedade de azevém, de folhas finas
e vigorosas.
6. A relva foi cortada a 2,5 centímetros de
altura e deixada no solo como adubo. À 12. As plantas herbáceas foram desbastadas
volta do pé da jovem árvore, a relva foi eli- e divididas, a fim de poderem rejuvenescer.
minada num raio de 45 centímetros. O solo As plantas com características invasoras,

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RENUNCIAR AOS PRODUTOS QUÍMICOS 1
como a vara-de-ouro, e as de vida curta, 15. No cesto suspenso, as chagas foram
como os tremoceiros, foram substituídas substituídas por gerânios-de-trepar e por
por plantas de tipo perene, que não necessi- uma bonita trepadeira de folhas cinzentas,
tam de ser divididas (acantos, peónias, etc.). a Helichrysum petiolare.

13. No canto mais sombrio, as plantas 16. Os brincos-de-princesa foram coloca-


que gostam de sol foram substituídas por dos em vasos maiores e em locais semis-
outras que suportam bem a sombra, como sombrios. Os vasos de plantas mais resis-
a astilbe, o heléboro e a bergénia. tentes à seca, como a margarida e o saião,
foram colocados em pleno sol.
14. As hostas foram colocadas dentro de
uma grande tina, por cima de uma laje, 17. A estufa foi equipada com janelas de
ficando assim mais protegidas das lesmas. abertura automática, que permitem contro-
lar melhor o arejamento e evitar as doenças.

18. O solo da estufa foi substituído por uma


mistura de estrume, areia e húmus fresco.

19. Os vasos e as placas de sementeiras


foram lavados antes de serem reutilizados.

20. Os restos de vegetais foram retira-


dos do solo, os produtos sãos usados para
5 composto, e as plantas doentes, as ervas
1 daninhas com sementes e as raízes de
ervas daninhas, eliminadas.

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Algumas questões sobre


a agricultura biológica
Contam-se muitas “histórias” acerca da Nesta altura, é normal que deseje obter
agricultura biológica. Por isso, é possível algumas respostas para as muitas ques-
que, após ter lido alguns livros ou arti- tões que coloca a si próprio sobre a agri-
gos sobre o assunto, esteja convencido cultura biológica. Vamos responder já a
de que só poderá meter mãos à obra algumas. Quanto às outras, esperamos
se conseguir arranjar “carradas” de que vá encontrando resposta à medida
estrume. Mas, na realidade, o solo não que for lendo este guia.
precisa de ser melhorado se escolher as
plantas adequadas. Mesmo que o solo
seja “pesado” e argiloso, existem mui- A agricultura biológica
tos arbustos, muitas árvores e plantas exige mais trabalho?
herbáceas que se darão bem, sem neces-
sitarem de um único grama de adubo Um inquérito efetuado por uma orga-
(consulte a página 168). nização britânica de defesa dos con-
sumidores chegou à conclusão de que
Só precisará de melhorar o solo da sua os adeptos da agricultura biológica
horta ou do seu jardim se escolher plan- não parecem ter mais trabalho do que
tas inadequadas. Mas, mesmo nesse os que utilizam pesticidas e adubos
caso, não deve fazer tudo de uma só químicos.
vez. Para a horta, por exemplo, expe-
rimente incorporar no solo um terço Uma horta “biológica” bem organizada
(em relação à quantidade total ótima) pode, inclusive, ser menos trabalhosa
de matérias orgânicas por ano, segundo do que uma horta clássica. É, sobretudo,
um esquema de rotação de culturas. o cultivo de legumes que exige mais
As variedades de couve, por exemplo, tempo e trabalho para a fertilização do
poderão produzir bem em solos pesa- solo. No entanto, se se utilizarem algu-
dos, desde que haja uma quantidade mas medidas preventivas, como cobrir o
suficiente de matéria orgânica. solo, colocar barreiras contra as pragas
e escolher plantas resistentes às doen-
ças, será necessário, a longo prazo, con-
sagrar muito menos tempo a algumas
tarefas de rotina, como regar, sachar,
cavar, etc.

Os “biológicos”
são mais saborosos?
A organização de consumidores bri-
tânica acima citada efetuou um teste
de degustação, utilizando um número

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RENUNCIAR AOS PRODUTOS QUÍMICOS 1

restrito de legumes, mas o painel de É verdade que existem produtos menos


provadores não conseguiu distinguir os perigosos, como o pó das flores de pire-
produtos biológicos dos outros. tro, um inseticida que tem a vantagem
de se decompor em produtos inofen-
Independentemente do tipo de cultivo, sivos após um ou dois dias. Ou, então,
os legumes acabados de colher numa produtos mais seletivos, que des-
horta são sempre mais saborosos do que troem os pulgões, por exemplo, mas
os comprados nas lojas. Seja como for, o não afetam as abelhas e as joaninhas.
facto de sabermos que o que comemos No entanto, matam as larvas das joani-
está isento de resíduos químicos já é nhas, o que leva a que a sua utilização
uma grande vantagem. também seja desaconselhável.

Por isso, o melhor é “cortar o mal pela


Tenho de renunciar raiz” e abandonar de vez tais produtos.
aos produtos químicos? Isso pode parecer difícil, no início, mas
garantimos que a satisfação proveniente
Se cuidar bem da sua horta ou do seu de ter um hobby que não afeta, em nada,
jardim, escolhendo as plantas mais o ambiente será muito maior.
adaptadas às suas características e
assegurando-lhes um bom crescimento,
não terá grandes dificuldades. E os restos de vegetais
impróprios para
Os problemas ligados à utilização de compostagem?
pesticidas são muito maiores: quase
todos exterminam, além das pragas e Livrar-se dos vegetais que não podem
dos germes responsáveis pelas doenças, ser utilizados para fabricar composto,
uma infinidade de organismos úteis. Por como os ramos de árvores, as ervas
exemplo, alguns inseticidas destroem as
larvas de várias pragas, mas, ao mesmo
tempo, matam os coleópteros e outros
insetos úteis. Além disso, não se conse-
guem controlar os efeitos negativos de
tais produtos: através da água, podem
contaminar riachos e charcos, onde,
mesmo em pequena quantidade, serão
fatais para peixes, rãs e salamandras.

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GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

daninhas espigadas e as plantas doentes


ou cheias de pragas, pode tornar-se um
problema. Sobretudo se, na sua zona
de residência, os detritos vegetais não
puderem ser deitados fora juntamente
com os restos de cozinha…

Queimá-los pode parecer a solução


ideal, mas a fumaça que daí resulta
contém, muitas vezes, monóxido de
carbono e outros gases tóxicos, o que a
torna prejudicial. No entanto, se, mesmo
assim, tomar essa opção, tenha o cui-
dado de limitar a poluição, esperando quando utilizado de acordo com as ins-
que os detritos estejam suficientemente truções que, normalmente, constam do
secos e utilize, de preferência, uma inci- rótulo de cada embalagem.
neradora. Um fogo vivo e rápido pro-
duz menos fumaça e vapor do que um No entanto, os pesticidas podem per-
fogo lento. turbar o equilíbrio da sua horta ou do
seu jardim. Está provado, inclusive, que
Não queime vasos e tinas de plástico inu- a utilização irrefletida de pulverizações
tilizados e evite a todo o custo queimar químicas pode favorecer o aparecimento
PVC, que pode emitir substâncias muito de pragas e doenças.
perigosas e até cancerígenas, segundo
alguns, como a dioxina. Escolha um
momento oportuno, em que não inco- O meu jardim será invadido
mode os vizinhos, e mantenha perto de por doenças e pragas?
si um balde de água, para ir abafando
as chamas maiores. Um jardim de tamanho médio contém
mais de duas mil e quinhentas espécies
As cinzas contêm cálcio, potássio e de insetos. Mas poucos representam
outros minerais que podem ser usados uma ameaça séria. Com efeito, é bom
como fertilizante. Utilize-as enquanto saber, por exemplo, que há mais de cem
estão secas, pois a chuva elimina rapi- variedades de insetos que se alimen-
damente as substâncias nutritivas. tam de pulgões (tal como os chapins e
as andorinhas-das-chaminés, além de
outros animais).
Alguns pesticidas são mais
perigosos do que outros? Normalmente, as pragas de insetos não
deveriam dar grandes problemas, uma
Todos os pesticidas comercializados vez que, além de haver formas de luta
foram, em princípio, aprovados pelo que dispensam os produtos químicos,
Ministério da Agricultura, do Mar, do também existem muitos predadores
Ambiente e do Ordenamento do Territó- naturais. É verdade que os pulgões
rio. A aprovação só é dada se o produto aparecem cedo (na estação agrícola),
for considerado suficientemente seguro, mas, se for paciente e aceitar alguns

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RENUNCIAR AOS PRODUTOS QUÍMICOS 1
Como pode livrar-se dos produtos químicos?
Se costumava utilizar produtos químicos •• Por outro lado, a lei pune quem deitar
na sua horta ou no seu jardim, pode muito fora estes produtos em locais impró-
bem acontecer que tenham ficado gar- prios ou junto com o lixo caseiro. Pense,
rafas, latas, frascos ou outros recipien- por exemplo, no que pode acontecer se
tes com restos esquecidos na sua arre- as crianças encontrarem tais produtos
cadação. Se assim for, não os deite fora abandonados por aí.
irrefletidamente.
•• Em certas localidades existe possibili-
•• Despejá-los num canto da horta ou jar- dade de recolha organizada dos desper-
dim, mesmo diluídos, está fora de ques- dícios químicos. Informe-se na câmara
tão, pois podem atingir os lençóis de água da sua área de residência.
subterrâneos e tornarem-se uma ame-
aça para o ambiente, ou mesmo para •• Nunca misture produtos diferentes num
a sua saúde. mesmo recipiente: os efeitos são impre-
visíveis. Mais vale deixá-los na embala-
•• Deitá-los no lavatório ou na sanita gem de origem ou, se isso não for possí-
também não é solução, pois acabarão vel, colocar uma etiqueta visível. Assim,
por voltar, de uma forma ou de outra, será mais fácil saber quais os cuidados
às águas de superfície. a ter com cada produto.

estragos, os predadores naturais aca- Os adubos químicos


barão por vencer. Mas é possível que são realmente nocivos?
o número de pragas aumente durante
algum tempo, quando fizer a transição As plantas só conseguem absorver
para a agricultura biológica, sobretudo azoto em forma solúvel, principalmente
se costuma usar produtos químicos. nítrica (nitratos) e amoniacal (amónio).
Nesse caso, o regresso dos predado- Para elas, é indiferente receberem-no
res naturais pode demorar um ano de forma imediatamente assimilável
ou mais. (através de um adubo químico inorgâ-
nico) ou transformado pela ação dos
Muitas vezes, as doenças são um indício micróbios sobre um estrume composto
de crescimento insuficiente das plantas por substâncias vegetais ou animais
(por falta de água, de nutrientes, de luz, (orgânicos).
etc.). Se estiver atento às condições de
crescimento e se se certificar de que No entanto, os nitratos excedentários
são adequadas, terá, provavelmente, são levados pela água (chuva, rega)
menos problemas com as doenças do e podem acabar nos riachos e rios.
que quando usava produtos químicos. Por isso, a tomada de consciência rela-
Seja como for, se algumas plantas, como, tiva ao excesso de nitratos existentes
por exemplo, as roseiras arbustivas, se na água e no solo levou a que surgis-
mantiverem doentes durante anos segui- sem algumas dúvidas sobre a necessi-
dos, talvez seja preferível substituí-las dade da utilização dos adubos químicos
por outras variedades. na agricultura.

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GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

A época do ano tem uma grande impor- se recorre à utilização de adubos e,


tância. Se o adubo químico (com azoto no entanto, desenvolve-se bem...
imediatamente utilizável) for usado na
primavera, por exemplo, quando as
plantas estão em pleno crescimento, Como se usam os produtos
a maioria dos nitratos será absorvida. acabados, como a turfa?
Se for no outono, uma boa parte não
será absorvida e acabará por ir parar A agricultura biológica não se limita
às águas subterrâneas. A situação é a abolir as pulverizações e os adubos
semelhante quando se trata de adubos químicos.
orgânicos de ação rápida, tais como a
farinha de sangue, embora, neste caso, A turfa, por exemplo, provém de territó-
haja uma libertação de nitratos menos rios naturais raros e preciosos. Para que
rápida do que nos adubos químicos se constitua nova turfa, são necessários
azotados. muitos anos. Não há nenhuma razão que
justifique a sua utilização, pois contém
O tipo de solo também é importante. poucas substâncias nutritivas. Se preten-
Por exemplo, um solo que contenha der melhorar a estrutura do solo, exis-
muitas matérias orgânicas retém a água tem muitas outras soluções. O composto
e as substâncias nutritivas. Nos solos de turfa também não é indispensável
muito permeáveis, com poucas maté- para os vasos e placas de sementeira.
rias orgânicas, as substâncias nutriti- Há diversos produtos de substituição,
vas, como os nitratos, são rapidamente como, por exemplo, cascas de árvo-
arrastadas. Se tentarmos corrigir as res, fibras de coco e outras matérias
carências de um solo apenas com a utili- orgânicas.
zação de adubos químicos, sem lhes adi-
cionarmos matérias orgânicas, haverá Também os produtos para os jardins
uma rápida regressão de quantidade de feitos à base de teca, por exemplo, são
minhocas e de outros organismos que ecologicamente duvidosos: as árvores
vivem debaixo da terra. utilizadas para os conceber são, geral-
mente, abatidas sem discernimento
Seja como for, a utilização de adubos nas f lorestas tropicais. Atualmente,
deveria limitar-se às hortas, uma vez a madeira proveniente de plantações
que é nelas que o solo se encontra mais ecológicas (como a de castanheiro, car-
carenciado, devido às culturas suces- valho, cerejeira e nogueira) é cada vez
sivas. Nos jardins, se forem colocadas mais apreciada e reconhecida. E, se não
plantas adequadas nos locais certos, conseguir encontrá-la, use variedades
o ciclo natural levará a que tudo corra não tropicais, como o cedro-do-canadá
pelo melhor. Em plena natureza, não ou o castanheiro-europeu.

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As plantas
ornamentais
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

É mais fácil ter um jardim bonito, sem utilizar adubos químicos


ou pesticidas, do que cultivar legumes biológicos. Na verdade,
a maioria dos problemas, como as pragas de insetos e as doenças,
pode ser evitada se for feita uma escolha cuidadosa das plantas.

A maioria dos arbustos e plantas que colocarmos uma planta que gosta de sol
encontramos nos jardins não causa num local sombrio, esta tende a ficar
problemas. É verdade que pode sempre fragilizada e enfraquecida, tornando-se
haver uma invasão de pulgões ou de sensível às pragas e doenças. Pelo con-
lagartas, mas se, apesar disso, as plan- trário, uma planta que gosta de sombra
tas continuarem a desenvolver-se bem, pode ficar com as folhas amareladas
não é necessária a intervenção humana. e murchas se for colocada num local
soalheiro.
Os estragos graves resultantes de pragas
ou doenças são, muitas vezes, um sinal O solo
de fraqueza: por exemplo, a planta pode A maioria das plantas acomoda-se bem a
estar no local errado ou ter carências qualquer tipo de solo. No entanto, algu-
de água e de nutrientes. Vejamos como mas, como as azáleas e os rododendros,
ultrapassar estas questões. precisam de um solo ácido ou neutro e
não encontram nos solos calcários os
elementos nutritivos de que necessitam
Evitar os problemas (ferro, magnésio, etc.).
A drenagem também constitui um dos
Sol ou sombra? fatores mais críticos: são poucas as
A maioria das plantas gosta de um plantas (veja a página 174) que se dão
local soalheiro ou à meia-sombra. Se bem, durante o inverno, em solos mal

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A
AS PLANTAS ORNAMENTAIS 2
drenados. Por outro lado, os solos muito desenvolvem bem se forem tratadas
permeáveis secam rapidamente. com pulverizações regulares. Por exem-
Por isso, é melhor não colocar em tais plo, as roseiras arbustivas apanham
solos plantas que necessitem de muita muito facilmente a doença-das-man-
água, como a clematite e a ligulária, chas-negras ou o oídio, e os ásteres-de-
sobretudo se o local em questão for -outono são particularmente sensíveis
demasiado soalheiro. ao míldio. Por isso, convém ref letir
Nos solos pouco profundos, os arbus- bem antes de se decidir a plantar essas
tos devem ser plantados a, pelo menos, variedades.
30 a 45 centímetros de profundidade.
Cave um buraco e encha-o de terra Evite as plantas invasoras
e bastante estrume, bem curtido. As plantas de desenvolvimento rápido,
como a erva-de-cão, ou as que possuem
Atenção às variedades sementes de fácil disseminação, como a
Existem plantas particularmente sen- malva, costumam ser bonitas, mas ten-
síveis às doenças e pragas e que só se dem a abafar as outras plantas.

Canteiros sem problemas


O canteiro ilustrado nas páginas seguintes Mas, na realidade, elas não florescem
é constituído por plantas de manutenção todas ao mesmo tempo. Indicamos,
relativamente fácil: as plantas vivazes que a seguir, a época exata da sua floração.
o compõem não necessitam de tutores.
Quanto aos arbustos, basta podar um ou
outro ramo que tenha crescido demasiado. Uma boa escolha
Nenhuma das plantas é invasora. Se lhes
for dado espaço suficiente desde o início, as 1. Anémona-do-japão
plantas vivazes não precisarão de ser sepa- Floração: agosto a setembro.
radas durante os primeiros cinco anos. 120 × 43 cm (altura × diâmetro). As plantas
E algumas, como o agapanto, o acanto já desenvolvidas não suportam o trans-
e a peónia, nunca precisarão de o ser. plante: comece com plantas jovens, que
demoram um a dois anos até atingirem
As plantas escolhidas também não são o pleno desenvolvimento, mas exigem
sensíveis a certas doenças, como o míldio poucos cuidados. Propagam-se através de
ou a ferrugem, e suportam bem as pragas. rebentos subterrâneos, mas os exempla-
No entanto, é preferível protegê-las contra res indesejáveis são fáceis de retirar.
as lesmas (veja a partir da página 100).
2. Esporas-dos-jardins
No canteiro assinalado com números, (Delphinium “Belladonna hybrides”)
todas as plantas estão em flor, para que Floração: julho a setembro.
possa reconhecê-las mais facilmente. 90-135 × 60 cm. As flores são mais pe-

21
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

quenas e encontram-se mais dispersas as outras espécies de Achillea. A poda


no caule do que no caso das esporas após a floração permite obter novas
típicas, mas o tempo de floração é mais folhas e flores e previne a prostração.
longo. A duração de vida das plantas
também é maior e não necessitam de 9. Malmequer
tutores. Floração: junho a agosto.
45 × 45 cm. Malmequeres “à 1
3. Bergénea-púrpura antiga” sobre um belo
Floração: abril a maio. tufo de folhas verdes. 2
30 × 60 cm. As folhas ficam vermelhas Ao contrário de
no inverno. Dão-se bem com sol ou som- outras espécies,
bra e em qualquer tipo de solo. as f lores desta
não escurecem,
4. Lilás (Syringa persica) mantendo-se
Floração: maio. brancas ao
180 × 180 cm após dez anos. Compacta e longo 5
sem problemas. Só floresce após um ou
dois anos.

5. Salva (Salvia superba)


Floração: julho a outubro.
3
90 × 45 cm. Forma uma espiga coberta
de flores violeta. Muito robusta e de de todo 6
longa duração. As variedades Superba e o verão.
Ostfriesland são interessantes.
10. Weigela florida
6. Diascia rigescens Floração: maio a junho.
Floração: junho a outubro. 150 × 180 cm após dez anos. Um exce-
45 × 45 cm. Flores cor-de-rosa durante lente arbusto, folhoso e sem problemas.
todo o verão. Apesar do seu aspeto deli-
cado, são muito resistentes. Necessitam 11. Acanto
de uma boa drenagem. Floração: junho a agosto.
150 × 190 cm. Bom para qualquer tipo de
7. Aster × frikartii “Moench” ou “Wunder solo, mas floresce melhor ao sol. Plante-
von Staefa” -o a uma boa profundidade durante a
Floração: julho a outubro. primavera. Nas regiões frias, proteja-o,
90 × 45 cm. Ásteres híbridos quase perfei- durante o primeiro inverno, com uma
tos. As flores são azul-lavanda, aparecem espessa camada de palha. A Acanthus
com um mês de antecedência relativa- spinosissimus é mais pequena.
mente às das outras variedades e duram
até às primeiras geadas. Não necessitam 12. Agapanto
de tutores nem são afetados pelo míldio. Floração: julho a setembro.
75 × 45 cm. Uma variedade do lírio-azul
8. Achillea “Moonshine” africano, melhorada e mais resistente
Floração: junho a agosto. ao frio.
60 × 45 cm. Muito menos invasora do que

22
A
AS PLANTAS ORNAMENTAIS 2
13. Cravo soalheiros ou com alguma sombra
Floração: junho a julho. e em todos os tipos de solo, exce-
45 × 45 cm. Numerosas flores duplas, tuando os solos encharcados.
cor-de-rosa e vermelhas, em caules
muito direitos. Prefere solos bem 17. Hemerocale
drenados. Floração: maio a junho.
4 80 × 45 cm. Belas flores ama- 16
relas. Folhas perfumadas
10 e atraentes. 14

11

12
17
15
8
9
18
13

14. Sidalua
Floração: junho a setembro.
120 × 45 cm. Alternativa às malvas cor-de-
19
-rosa, mas com menos problemas. Se cor-
tar os primeiros rebentos, não necessita 18. Peónia
de tutores. Faça a poda logo que as flores Floração: abril a maio.
murcharem, o que permitirá uma segunda 75 × 75 cm. Tal como outras peónias,
floração. A maioria das variedades com as flores desta variedade duram pouco
nome próprio é digna de interesse. tempo. No entanto, as suas folhas verde-
-marinho e as espetaculares cápsulas
15. Íris tornam-na uma planta digna de inte-
Floração: maio a junho. resse. Não gosta de mudanças nem
75 × 15 cm. As suas folhas verticais necessita de tutores.
podem fazer um belo contraste com
outras plantas já em flor. 19. Geranium wallichianum “Buxton’s
Blue”
16. Zimbro-comum 20 × 60 cm. Flores azuis, com o centro
300 × 75 cm. Dá-se bem em locais branco.

23
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

As roseiras
Roseira floribunda, da variedade
“Arthur Bell”, muito resistente às doenças

(cor-de-rosa-salmão salpicada de pês-


sego); e Sunblest (amarelo-dourada).
A veterana Grandpa Dickson (amarela,
com uns rebordos cor-de-rosa quando
envelhece) continua a ser uma boa
escolha.

Roseiras floribundas
Entre as variedades mais resistentes
encontram-se as City of Leeds (cor-
-de-rosa-salmão), Evelyn Fison (verme-
Roseiras pequenas lha), Queen Elizabeth (rosa) e Trumpeter
(vermelho-alaranjada).
Existem centenas de variedades de
roseiras pequenas, cuja resistência às
doenças é muito variada. Infelizmente, Roseiras arbustivas
boa parte das variedades mais fáceis de
encontrar pertence ao grupo das mais Existem três grandes grupos de roseiras
sensíveis. arbustivas: as roseiras modernas de jar-
dim; as roseiras antigas e as roseiras-bra-
Roseiras de flores grandes vas. Mas, se não quer ter de pulverizar
Em geral, as roseiras de flores gran- o jardim, o melhor é esquecer as rosei-
des não resistem tão bem às doenças ras antigas, pois uma boa parte delas é
como as floribundas (veja mais à frente). muito sensível à doença-das-manchas-
Durante anos, a variedade Peace foi uma -negras e ao oídio.
das mais sãs que se podiam encontrar;
mas, atualmente, a sua sensibilidade Roseiras arbustivas modernas
à doença-das-manchas-negras tem Este grupo é composto por um número
aumentado. extremamente elevado de variedades,
No entanto, existem algumas varie- incluindo versões arbustivas de roseiras
dades novas que não devem apanhar de flores grandes e floribundas. A resis-
doenças durante alguns anos: Cheshire tência às doenças varia muito com as
Life (cor de laranja forte); Silver Jubilee variedades.

24
A
AS PLANTAS ORNAMENTAIS 2
Entre elas, salientamos: a Penelope, a
Fred Loads (grandes cachos de flores Doenças das roseiras
duplas, de cor escarlate e aroma intenso)
e a Fountain (roseira de tipo floribunda, A doença-das-manchas-negras cos-
tuma manifestar-se, primeiro, nas folhas
de um vermelho luminoso).
mais velhas, sob a forma de pequenas
pintas negras e redondas que tendem
Roseiras-bravas a sobrepor-se. As folhas amarelecem e
São as que resistem melhor às doen- morrem. Nos casos mais graves, a planta
ças. Há muitas variedades que se adap- pode perder as folhas todas. Retire, logo
tam bem aos jardins. De entre elas, que possível, as folhas atingidas. No
recomendamos: outono e no inverno, apanhe as folhas caí-
— a Rosa rugosa e as suas variedades das, para evitar que os esporos hibernem.
(floração de junho a setembro, bagas Na primavera, ponha um pouco de palha
à volta do pé da planta, antes da aparição
atraentes e uma bonita cor das folhas no
das novas folhas; assim, os esporos pro-
outono); venientes do solo não a atingirão.
— a Rosa rubrifolia (R. glauca), O oídio caracteriza-se pela formação de
que se distingue pelas suas folhas um depósito esbranquiçado nas folhas
violeta-acinzentadas; mais jovens, nos ramos e nos gomos,
— a Rosa moyesii “Geranium” (bagas espe- que, impedidos de se desenvolverem,
taculares em forma de garrafa). acabam por morrer. Ao menor ataque
de oídio, a aparência da planta começa
a degradar-se. Retire as partes atingi-
das e regue as plantas abundantemente
Roseiras inglesas durante o tempo seco.
A ferrugem caracteriza-se pelo apare-
Se gosta da aparência das roseiras anti- cimento, sob as folhas, de manchas cor
gas, mas deseja, ao mesmo tempo, evi- de laranja que, mais tarde, enegrecem.
tar as doenças, pode plantar roseiras Nos casos mais graves, as folhas ficam
inglesas. quebradiças e caem. Se não for tratada,
Começaram a ser cultivadas apenas nos a planta pode morrer. Proceda como foi
anos 60, mas têm o aspeto arbustivo, o indicado para a doença-das-manchas-
odor pronunciado e as flores em roseta -negras; assim, limitará os problemas
no ano seguinte.
das roseiras antigas. Além disso, têm a
vantagem de florir durante todo o verão
e de resistir bem às doenças. Procure as
seguintes variedades: Graham Thomas
(amarela, de crescimento compacto) e banksiae “Lutea” e a “Wedding”, por
Mary Rose (cor-de-rosa luminoso, cresci- exemplo). Por isso, é necessário plantá-
mento ramificado). -las num lugar protegido e soalheiro.

Outro inconveniente é existirem muitas


Roseiras trepadeiras variedades que só florescem durante
cerca de três semanas, em junho ou
Entre as roseiras trepadeiras encon- julho. Mas as seguintes variedades flo-
trará um grande número de variedades rescem durante a maior parte do verão,
resistentes às doenças. No entanto, algu- são odoríferas e resistem bem às doen-
mas não resistem bem à geada (a Rosa ças: “Compassion” (entre cor-de-rosa e

25
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

cor de pêssego); “Dublin Bay” (verme- pelo menos, dois rebentos da espessura
lha); “New Dawn” (rosa-pérola); “Phyllis de um lápis. Nas variedades trepadei-
Bide” (amarelo-pálido e rosa). ras de roseiras arbustivas, os rebentos
devem ter, pelo menos, 45 centímetros
Quando se compram rosas trepadeiras, de comprimento. Se a poda for exces-
deve-se ter em conta a existência de, siva, podem não vir a trepar.

Roseiras a evitar
As seguintes variedades são particularmente sensíveis à doença-das-manchas-negras,
ao oídio e/ou à ferrugem. A única forma de as conservar em boas condições consiste em
pulverizá-las, regularmente, durante todo o período de crescimento.

•• Arbustivas Uncle Walter: doença-das-manchas-


Bettina: pouco vigorosa; doença-das- -negras e oídio.
-manchas-negras e ferrugem.
Blue Moon: muito sensível às doenças. •• Trepadeiras
Chicago Peace: doença-das-manchas- Altissimo: doença-das-manchas-negras.
-negras e ferrugem. Bantry Bay: doença-das-manchas-negras.
Dearest: doença-das-manchas-negras e Casino: doença-das-manchas-negras.
ferrugem. Dorothy Perkins: oídio.
Elizabeth of Glamis: frágil, sensível às Emily Gray: oídio.
doenças. Climbing Ena Harkness: doença-das-
Fragrant Cloud: doença-das-manchas- -manchas-negras e oídio.
-negras e oídio. Excelsa (Red Dorothy Perkins): doença-
Lili Marlene: bastante sensível ao oídio. -das-manchas-negras e oídio.
Message: resiste mal às condições climá- Climbing Fragrant Cloud: doença-das-
ticas e ao oídio. -manchas-negras e oídio.
Mischief: doença-das-manchas-negras Guinee: doença-das-manchas-negras,
e oídio. oídio e ferrugem.
Orange Sensation: doença-das-man- Leverkusen: oídio.
chas-negras e oídio. Minnehaha: oídio.
Pascali: variedade débil, sensível às Climbing Sam McGredy:
doenças. doença-das-manchas-negras.
Pink Peace: pouco florífera, sensível ao Paul’s Scarlet Climber: doença-das-man-
oídio. chas-negras e oídio.
Prima Ballerina: pouco florífera, oídio. Schoolgirl: doença-das-manchas-negras.
Red Devil: flores pouco resistentes às Climbing Super Star: oídio.
chuvas. Swan Lake: doença-das-manchas-negras.
Tenerife: fraca resistência às condições Zephirine Drouhin:
climáticas e às doenças. doença-das-manchas-negras.

26
A
AS PLANTAS ORNAMENTAIS 2
Plantas que podem dar problemas
Eis uma lista de plantas que, apesar de Euphorbia griffithii “Fireglow”
fáceis de encontrar, podem dar proble- (em terreno “leve”)
mas em determinadas situações. Geranium macrorrhizum
(em terreno “leve”)
Hipericão-dos-jardins
Sensíveis a pragas Hortelãs
e doenças Lamium galeobdolon
Milefólio (Achillea millefolium)
Amendoeiras ornamentais: Onagra
lepra-do-pessegueiro. Papoila-do-oriente
Aquilégia: míldio. Pervinca
Áster-de-outono: míldio (evite Polygonum affine
as variedades sem nome). Polygonum campanulatum
Boca-de-lobo: ferrugem (quando plan- Varas-de-ouro
tada em locais quentes e protegidos). (diversas variedades)
Cerejeiras ornamentais: cancro,
doença-do-chumbo (podá-las com Em jardins rochosos
cuidado durante o verão, com Acaena spp.
tempo seco, limita os riscos). Arabis “Spring Charm”
Chagas: pulgões-negros, Assembleias
nóctuas (lagartas). Búgula
Crisântemos: mosca mineira-das-folhas. Campanula portenschlagiana,
Ervilhas-de-cheiro: oídio, pul- C. poschaskyana
gões, carneiro-da-ervilha. Cerastium (Cerastium tomentosum)
Hosta: lesmas. Erva-de-cão “Aureum”
Madressilva: oídio, pulgões. Polygonum vacciniifolium
Malva-rosa: ferrugem. Sementeira
Silindra: pulgões-negros.
Stransvaesia: fogo-bacteriano.
Plantas de curta duração
Plantas invasoras Alyssum saxatile
Anthemis tinctoria
Em maciços e bordaduras Aquilegia vulgaris “McKana hybride”
Achillea ptarmica Arabis spp.
Alchemilla mollis Ásteres
Alho ornamental Esporas-dos-jardins
Aquilegia alpina e A. vulgaris Gaillardia spp.
Artemisia ludoviciana Gentiana verna
Bistorta “Superba” (em solo húmido) Onagra
Chucha-pitos Potentilla warrenii
Euphorbia cyparissias Tremoceiro

27
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Arbustos e árvores Rododendro


com raízes ou Skimmia spp.
rebentos invasores Urzes (Daboecia spp.)
Urze (Calluna vulgaris)
Choupos Urze (Erica tetralix)
Esponjeira-do-japão Urze-roxa (Erica cinerea)
Falsa-acácia (tóxica) Urze-vermelha (Erica australis)
Lilás
Linda-dos-jardins
Salgueiros (exceto as espécies anãs) Árvores de grande porte
Sinforicarpo (tóxico)
Podem dar problemas, devido à sombra
e à disputa entre as suas raízes e as das
Arbustos para solos ácidos outras plantas pela água e pelos elemen-
tos nutritivos.
Acer palmatum
Azáleas Bordo-negundo
Bordo-do-japão Bordo-da-noruega
Camélias Castanheiro-da-índia
Cornus kousa Amieiro-comum
Enkianthus campanulatus Cedro-do-atlas
Gaultérias Espruce
Hidrângea (Hydrangea serrata) Choupos
Kalmia spp. Cerejeira
Pachysandra spp. Salgueiro (Salix × chrysocoma)
Pernettya mucronata Tília-da-holanda (Tilia × europaea)
Pieris spp.

28
O relvado
3
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Um relvado denso e são, além de ter bom aspeto, resiste melhor


à invasão de musgos e ervas daninhas. Neste capítulo encontrará
alguns conselhos simples que lhe permitirão manter em boas
condições o relvado do seu jardim sem precisar de utilizar
produtos químicos.

Um relvado são relvado fino e liso poder ser aparado a


1,5 centímetros. Se cortar a relva dema-
Uma manutenção cuidadosa é a chave siado curta, corre o risco de a arrancar
para um relvado são. Para isso, bas- nos locais irregulares, criando espaços
tam uma máquina de cortar relva, um nus favoráveis ao aparecimento de ervas
ancinho e uma forquilha. É inútil gastar daninhas. Além disso, a relva muito
fortunas em equipamento especial! curta não se regenera bem nos períodos
secos, o que também favorece o apareci-
Aparar a relva mento das ervas daninhas.
A forma como se apara a relva é uma
das receitas do sucesso. O relvado comum deve ser aparado
assim que atingir quatro centímetros
Aparar a relva muito rente e com pouca (dois centímetros, no caso de um rel-
frequência são os erros mais comuns. vado fino). Aparar frequentemente favo-
Uma altura de 2,5 centímetros é ideal rece o crescimento e a densidade do
para o relvado comum, apesar de um relvado, mas não o faça se a relva não

30
A
O RELVADO 3
estiver vigorosa (em caso de seca prolon- de cortar a relva com mais frequência.
gada, por exemplo). Se, mesmo assim, achar que é preciso,
ponha 70 a 140 g/m2 de adubo à base de
A monda farinha de sangue, de chifre ou de osso.
Se a relva crescer rapidamente, monde
levemente com um ancinho, pelo menos
uma vez por mês. No outono, utilize o
ancinho para apanhar as folhas caídas.
Alguns conselhos
•• Verifique se as lâminas da máquina de
Arejamento (escarificação) cortar relva estão afiadas e bem regu-
Arejar o solo de um relvado, de pre- ladas. Assim, o corte será mais fácil e
ferência na primavera ou no outono, fará menos estragos no relvado.
é sempre benéfico: o ar e a água atingem
mais facilmente as raízes, estimulando •• Em caso de seca, seja bastante pru-
assim o crescimento. dente. Aumente a altura do corte,
apare menos vezes e não monde.
Adubação de fundo
•• Quando o relvado estiver molhado,
Na primavera, espalhar sobre o relvado
não ande sobre ele nem o apare.
uma mistura homogénea de areia e com-
posto é uma boa opção. Este tratamento •• É inútil arejar o relvado se o terreno for
deixa a terra mais fértil e favorece a “leve” ou se a relva não tiver de supor-
decomposição da camada de erva seca, tar condições difíceis.
melhorando a estrutura do solo. Se não
tiver composto, utilize terra vegetal. •• Na maioria dos casos, uma rolagem
Prefira areia grossa ou de horticultura à (passar com um rolo próprio) exces-
areia de construção, pois esta pode ser siva é supérflua e pode causar danos
se o terreno for “pesado” (argiloso).
demasiado fina.
Essa operação compacta o solo e pode
dificultar bastante a drenagem.
Adubação de cobertura
Se aparar regularmente o relvado e dei- •• Apanhe a relva cortada se, antes de o
xar no solo a relva cortada, não preci- aparar, o relvado tiver mais de cinco
sará de pôr adubo. Este apenas acelera centímetros de altura.
o crescimento, o que leva a que tenha

Cortar a relva
bem rente é
bom para as
margaridas

31
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Lutar contra as (sobretudo no caso dos relvados que não


ervas daninhas devem ser cortados muito curtos, como,
por exemplo, os de azevém). Se as ervas
Como vimos, aparar a relva correta- daninhas já estiverem em flor, utilize um
mente é a melhor prevenção. Não a corte recipiente ou um saco de recolha, a fim
muito rente, pois pode arrancá-la nas de evitar a disseminação das sementes.
zonas mais irregulares e enfraquecê-la
•  Se arejar o solo do relvado, não deixe
no local os torrões de terra que se desa-
O tratamento das áreas sem relva gregarem: podem afetar o crescimento
da relva e favorecer a germinação de
As áreas sem relva devem ser tratadas sem ervas daninhas. Os pequenos montes
demora, a fim de evitar o aparecimento de de terra criados pelas minhocas têm o
musgo e de ervas daninhas. mesmo efeito.
1. Remoa
ligeiramente •  A cal e os adubos alcalinos (azoto-
a terra com -cal) estimulam o desenvolvimento de
a ajuda de minhocas e de ervas daninhas. Não os
uma forquilha utilize, a menos que o solo seja muito
e junte-lhe ácido.
um pouco de
composto. •  As mondas com o ancinho enfraque-
cem as ervas altas e combatem as ras-
2. Semeie de
teiras, como os trevos e a morugem.
forma homo-
génea: por ca- Passe o ancinho levemente, uma vez
da metro qua- por mês, quando a relva estiver vigo-
drado, utilize rosa. No entanto, esta operação não é
35 gramas de suficiente para eliminar a verónica, cujos
mistura de caules, ainda que fracionados, têm capa-
azevém, para cidade de enraizamento e propagam-se
relva normal, por via vegetativa. Para se ver livre dela,
ou 50 gramas de mistura de Agrostis e de tem de a arrancar à mão.
Festuca, para relva fina.

3. Passe com o •  Uma adubação superficial só pode ser


ancinho, para feita com um composto isento de ervas
que as semen- daninhas. O composto de jardim pode
tes penetrem contê-las, se não tiver sido suficiente-
bem, e regue mente aquecido para impedir a germi-
abundante- nação das sementes.
mente (a zona
deve manter-
-se húmida até
que a relva esteja bem implantada). Proteja as
Eliminar as ervas daninhas
sementes do ataque dos pássaros, com uma
rede ou um plástico transparente, até que Quando se deseja prescindir de todos os
germinem. produtos químicos, o melhor é arrancá-las
à mão. No entanto, é necessário eliminar

32
A
O RELVADO 3
as plantas inteiramente, pois, caso con- O corte permite ver
trário, podem voltar a crescer. Algumas a camada de musgo e de colmo
ervas daninhas, como o dente-de-leão,
possuem raízes aprumadas e profundas,
que têm de ser arrancadas com a ajuda de
uma faca velha. Trabalhe de forma siste-
mática e por etapas e volte a semear relva
nas zonas que ficarem nuas.

Aceitar as ervas daninhas


Ver as ervas daninhas como um mal
natural é, em certos casos, a melhor
solução. Algumas variedades misturam-
-se bem com a relva: o trevo, por exem-
plo, não causa má impressão se estiver
repartido uniformemente, mesmo que
certas zonas pareçam mais verdes do
que outras (sobretudo com tempo seco).
Outras, como as margaridas, podem
atrair agradavelmente o olhar.

Se for necessário... O musgo


Se o seu relvado tiver mais ervas dani-
nhas do que relva, mais vale recomeçar Na maioria das vezes, o musgo é o prin-
do zero e semeá-lo de novo. Esta ope- cipal problema de um relvado. Para se
ração deve ser feita, de preferência, no ver livre dele de uma vez por todas,
final do verão ou no início do outono, evite as condições que lhe são favorá-
enquanto o solo ainda está quente e veis. Se se limitar a retirá-lo, ele vol-
chove o suficiente para que a relva possa tará no outono seguinte, altura em que
germinar. a relva cresce mais lentamente.

Prepare bem o solo. Cave profunda- Sombra


mente e retire as ervas daninhas, O musgo gosta de humidade e de som-
incluindo as raízes. Sache antes de bra. Por isso, limite a sombra podando
semear, de forma a eliminar as ervas as árvores e os arbustos. As zonas de
daninhas anuais. relva que estão permanentemente à
sombra podem dar lugar a arbustos
Um relvado de azevém pode necessitar que gostem de humidade ou a plantas
de um período de crescimento de três a rasteiras, como a hera, a pervinca ou o
quatro meses, além de um corte, antes lâmio. Existem misturas de sementes
de estar em condições de ser pisado (até de relvas próprias para locais som-
seis meses para a relva fina). Se tiver brios, mas, segundo um teste feito
pressa, pode colocar faixas de relva já pela associação de consumidores bri-
pronta, disponíveis nas casas de jardi- tânica, os resultados não foram melho-
nagem. Este método é, no entanto, mais res do que os obtidos com as misturas
dispendioso. clássicas.

33
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Seis medidas para evitar o musgo


1. Um relvado são: o musgo nada pode superficialmente, com composto de jardim,
fazer contra uma relva em pleno cresci- melhora a fertilidade.
mento (veja os conselhos para melhorar o
seu relvado nas páginas seguintes). 4. Arejamento: o musgo gosta de terras mal
arejadas e compactas. Melhore a drenagem,
2. Um corte cuidadoso: não faça um corte arejando o solo e espalhando um pouco de
demasiado curto. Pode arrancar a relva areia. Não ande sobre a relva molhada.
nos locais irregulares, criando áreas nuas
propícias ao aparecimento de musgo. 5. Menos sombra: a humidade e a sombra
Mas apare-a todas as semanas, porque a estimulam o aparecimento de musgo. Pode
relva muito comprida cria zonas húmidas os arbustos e apanhe as folhas mortas no
e sombrias, onde o musgo se desenvolve outono.
muito bem.
6. Use o ancinho: no verão, passe o ancinho
3. Adubação: ao contrário da relva, o mus- regularmente, para evitar que a formação
go dá-se bem em solos pobres. Adubar de restolho comprometa a drenagem.

Drenagem drenagem modernos e flexíveis são mais


O musgo desenvolve-se nos locais húmi- fáceis de utilizar, no caso de um relvado
dos. As raízes são pouco profundas e, já existente (veja a página 172).
contrariamente às da relva, adaptam-
-se bem aos terrenos compactos. Pode Acidez do solo
melhorar a drenagem à superfície e evi- A relva mais fina gosta de solos um pouco
tar que o solo se compacte, arejando o ácidos. Mas, como o excesso de acidez é
relvado duas ou três vezes por ano. propício ao musgo, deve corrigi-lo, se
necessário, através de uma calagem com
Utilize um escarificador de dentes incli- um pH próximo de 6 (veja a página 160).
nados para retirar os torrões de terra e
espalhe areia, fazendo-a penetrar nos Eliminar o musgo
buracos. Esta operação também contri- Pode ser que não possa, ou não queira,
bui para preencher os desníveis onde se tomar medidas radicais para eliminar
possam formar poças de água. o musgo. Pode acontecer que seja a sua
própria casa a fazer sombra, que não
Se costuma andar sobre o relvado deseje abater uma árvore de que gosta
enquanto ainda está molhado (para esten- muito ou que a simples ideia de ter de
der a roupa, por exemplo), é preferível colocar canais de drenagem o desenco-
construir um caminho de lajes. Se fizer raje. Nesse caso, o que fazer?
o seu próprio relvado, favoreça a drena-
gem, através de uma pequena inclinação. No verão, retire o restolho e o musgo
morto. Pode fazê-lo com um ancinho
No caso de solos pesados e argilosos, um escarificador normal, mas, se o relvado
sistema subterrâneo de tubos de dre- for muito vasto, talvez valha a pena com-
nagem é uma boa solução. Os tubos de prar um escarificador motorizado.

34
A
O RELVADO 3
Volte a semear relva nas áreas nuas e •  Não corte a relva demasiado curta:
estimule o seu crescimento, fazendo deixe 2,5 centímetros para a relva
cortes regulares. Se a relva estiver muito comum, 1,5 centímetros para a relva
fraca, recorra a uma adubação comple- fina. Isto também evita o aparecimento
mentar (veja as páginas 194 e seguintes). de ervas daninhas e musgo.

•  Não recolha a relva cortada, pois esta


Como evitar problemas serve de adubo.
no relvado
•  Passe o ancinho uma vez por mês, para
•  Faça cortes regulares, para obter um evitar a formação de restolho.
relvado denso. Uma relva muito com-
prida cria zonas húmidas e sombrias •  Evite andar sobre a relva, quando
propícias ao aparecimento de musgo. esta estiver molhada ou então com

PRAGAS E DOENÇAS
Sintomas Tratamento
PRAGAS
Algumas larvas não causam grandes prejuízos
e, se a relva já estiver amarela, não há grande
coisa a fazer. A única maneira de se ver livre
Relvado com zonas amareladas no verão. delas sem utilizar produtos químicos consiste
Larvas
Estorninhos e outros pássaros a debicar em cobrir a relva com um plástico, de prefe-
de mosca
no chão também são indício rência em noites quentes e húmidas, a fim de
levar as larvas a subir à superfície. Assim, os
pássaros poderão comê-las ou poderão ser
retiradas com uma escova
Surgem montículos de terra à superfície, Antes de cortar a relva, retire os montículos
Minhocas que podem ser espalhados pela máquina com a ajuda de uma vassoura ou de uma es-
de cortar relva cova. Dessa forma, evitará que se espalhem
Surgem pequenos montes de terra no relvado.
Toupeiras As galerias feitas pelas toupeiras podem Veja a página 115 (métodos de combate)
abater, criando buracos
DOENÇAS
Placas de relva de aspeto marmoreado,
É um sinal de que a relva tem carências de
no final do verão e no outono. Preste atenção
Corticium azoto. Ponha adubo na primavera e não
aos filamentos cor-de-rosa ou vermelho-
apanhe a relva cortada
-coral do fungo
Doença muito difundida, caracterizada
pelo aparecimento de manchas castanhas Não utilize adubos azotados, sobretudo
ou alaranjadas, após um período de tempo no outono, pois estimulam o crescimento
Fusariose
húmido. Por vezes, o fungo, de cor rosada, da relva e esta torna-se sensível às doenças.
é visível. Aparece, geralmente, no outono Se possível, melhore a drenagem
ou na primavera
OUTROS PROBLEMAS
Algas Matérias viscosas ou gelatinosas à superfície Areje o solo do relvado e espalhe areia grossa
Manchas verde-escuras, acastanhadas Sinal de que o relvado não está bem tratado.
Líquenes ou alaranjadas, que se desenvolvem sobre Veja, nesta página, o título Como evitar proble-
a terra nua mas no relvado

35
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

geada. Se necessário, crie um caminho


de lajes.

•  No final da primavera, espalhe uma


mistura de 50/50 de areia e de composto
de jardim peneirado. Ponha um quilo
por cada metro quadrado, fazendo-a
penetrar bem na relva.

•  Areje ou escarifique o solo uma ou duas


vezes por ano, no final da primavera ou
no início do outono. Melhorará a dre-
nagem e estimulará o crescimento da
relva.

36
4
Os legumes
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Uma horta sã e isenta de produtos químicos implica que mude as


técnicas de cultivo, adote medidas de prevenção contra as doenças e
pragas e a proteja com algumas barreiras naturais. Em troca, obterá
legumes sãos. No entanto, a fertilização do solo demorará algum
tempo e, mesmo assim, terá de se habituar a aceitar alguns estragos.

Uma luta natural Doenças


A rotação de culturas é a melhor defesa
Pragas contra as doenças propagadas através do
As pragas de insetos não vão invadir a solo, mas a boa higiene também é impor-
sua horta, forçosamente, se deixar de tante (veja a página 48). Por outro lado,
usar pesticidas. Na realidade, a maio- boas condições de crescimento e a escolha
ria dos pesticidas também mata os de variedades resistentes também consti-
inimigos naturais das pragas. Quando tuem armas eficazes contra as doenças.
aqueles deixam de ser utilizados, os
predadores naturais voltam a aumen- Ervas daninhas
tar, constituindo um fator natural de Sachar regularmente os terrenos culti-
equilíbrio. vados é uma boa forma de lutar contra
É possível lutar contra as pragas que as ervas daninhas (elimina as variedades
desencadeiam o seu ataque a partir do anuais e limita o desenvolvimento das
solo adotando um sistema de rotação de vivazes). Mas há outras técnicas, como
culturas; para as outras, poderá destruir a cobertura do solo, que também têm
os locais onde se refugiam, eliminá-las à um efeito preventivo. Além disso, se, ao
mão ou servir-se de algumas barreiras e cavar, conseguirmos retirar todas as raí-
armadilhas. zes, a batalha ficará quase ganha.

38
A
OS LEGUMES 4
Adubos químicos vale a pena: as regas serão menos fre-
Renunciar aos adubos químicos implica quentes e tanto a fertilidade como a
que o solo seja melhorado. Isso pode estrutura do solo ficarão a ganhar. Para
ser conseguido adicionando-lhe gran- dosear o esforço, proceda por etapas,
des quantidades de matérias orgânicas. criando um sistema de canteiros fixos
Trata-se de uma tarefa mais fastidiosa semelhante ao que descrevemos a par-
do que o simples ato de pôr adubo, mas tir da página 43.

A rotação de culturas
As vantagens Simplificação das regas
Agrupar os legumes que necessitam
A rotação de culturas consiste em da mesma quantidade de água facilita
mudar de local, todos os anos, o cultivo bastante a organização das regas.
de cada espécie. As plantas da mesma
família são agrupadas, de acordo com
as suas necessidades e com a resistência Organizar a rotação
às pragas e doenças, o que apresenta de culturas
diversas vantagens, que apresentamos
em seguida. É conveniente adotar, na maioria dos
casos, um esquema trienal, que pode
Diminuição das pragas e doenças ser seguido mesmo nas hortas mais
Cultivar, em cada ano, plantas da pequenas. Cada parcela deve ser pre-
mesma família em parcelas diferentes, viamente preparada, todos os anos, de
evita o aparecimento de pragas e doen- acordo com as variedades que nela se
ças com origem no solo. pretendem plantar. Pense na hipótese
de adotar um esquema quadrienal, no
Aperfeiçoamento da luta caso de a horta ser muito grande ou se
contra as pragas deseja cultivar muitas batatas. Quanto
Agrupar os legumes da mesma famí- maior for a duração da rotação, melhor.
lia permite lutar contra as pragas
globalmente.
Integrar os legumes
Economias de escala de inverno
Agrupar os legumes de acordo com as
suas necessidades permite fazer eco- A rotação de culturas seria simples, se
nomias de tempo e de trabalho. Para fosse possível libertar as parcelas no
darmos um exemplo: só será necessário outono para recomeçar apenas na pri-
estrumar ou tratar com cal uma parte da mavera seguinte. No entanto, algumas
horta. culturas passam o inverno na terra.

39
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

•  Os legumes tardios devem ser planta- vem ser colocadas na parcela das legu-
dos logo que se colhem os temporãos. minosas, logo que as últimas vagens
Para isso, siga o esquema de rotação sejam apanhadas; a parcela das legumi-
de culturas (veja o quadro), para que os nosas será a das couves no ano seguinte.
legumes estejam na parcela adequada na
primavera seguinte. •  Seguindo o mesmo princípio, semeie
as cebolas na parcela das batatas, que,
•  As couves que vai transplantar no no ano seguinte, se tornará a parcela das
outono, para colher na primavera, de- cebolas.

ESQUEMA TRIENAL
Ano 1 Ano 2 Ano 3
Batatas, Leguminosas,
Parcela A Couves
legumes-raiz família do alho e da cebola
Batatas, Leguminosas,
Parcela B Couves
legumes-raiz família do alho e da cebola
Leguminosas, Batatas,
Parcela C Couves
família do alho e da cebola legumes-raiz

PARCELA A
Couves A propósito da hérnia-da-couve
•• Exigências quanto ao terreno A rotação de culturas permite evitar que
As couves precisam de um solo fértil, de esta doença, originada por um fungo, pro-
preferência neutro a alcalino. Adicione-lhe voque danos consideráveis. A adição de
uma boa quantidade de matérias orgânicas cal ao solo também é útil. Mas se o ataque
no outono ou cubra-o de palha na prima- for grave, impõem-se medidas drásticas,
vera. Controle o pH no outono e ponha-lhe pois os esporos deste fungo podem resis-
cal, se necessário (espere pela primavera, tir durante nove anos. Nesse caso, retire a
se o terreno for “leve”). Junte-lhe com- couve do esquema de rotação e cultive-a
posto, antes e durante o crescimento, pois na mesma parcela todos os anos.
as couves são muito “gulosas”. Mantenha a parcela com um pH entre 7
e 7,5, pondo-lhe cal. Semeie as couves
•• Que legumes? para transplantar em vasos de 10-15 cen-
Couves de repolho (couve-branca, couve- tímetros, para que tenham boas raízes
-roxa, couve-lombarda), couve-flor, bró- no momento de serem transplantadas e
colos, couve-chinesa, couve-de-bruxelas, expostas à hérnia-da-couve.
couve-rábano, nabos, rabanetes, couve-
-frisada, rutabaga, rábano-silvestre,
mostarda e nabiça, utilizados como adubo
verde.

•• Vantagens da rotação de culturas


Evita a hérnia das couves e permite que
estas beneficiem do azoto fixado no solo
pelas leguminosas, no ano anterior.

40
A
OS LEGUMES 4
PARCELA B
Família da batata (solanáceas) Basta-lhes um pouco de estrume e não
necessitam de regas frequentes.
•• Exigências quanto ao terreno
Os legumes da família da batata exi- •• Que legumes?
gem muitas substâncias nutritivas, mas Cenouras, pastinacas, salsa-raiz, salsifi,
pouca cal. chicórias (para facilitar, também se podem
incluir nesta parcela as beterrabas).
•• Que legumes?
Batatas e solanáceas de primavera-verão, •  Vantagens da rotação de culturas
como o tomate, os pimentos, os pimentões Ajuda a evitar a rizotónica e o cancro-bac-
e as beringelas. teriano (nas pastinacas).

•• Vantagens da rotação de culturas


É vantajosa na luta contra a sarna, os
nemátodos e o míldio.

Legumes-raiz
•• Exigências quanto ao terreno
Os legumes-raiz não são muito exigentes.

PARCELA C

•• Vantagens da rotação de culturas


Ajuda a evitar o oídio e os nemátodos, que
costumam atacar os caules e os bolbos.

Leguminosas
•• Exigências quanto ao terreno
As raízes das papilionáceas fixam o azoto no
Família do alho e da cebola solo e, assim, não precisam de adubos quí-
(liliáceas) micos azotados. Adicione ao solo uma boa
quantidade de matérias orgânicas, como,
•• Exigências quanto ao terreno por exemplo, composto bem fermentado.
A família do alho e da cebola requer
muitas matérias orgânicas no solo. •• Que legumes?
As regas não são muito necessárias, Ervilhas, grão-de-bico, favas, feijão-de-
exceto após um eventual transplante de -trepar e adubos verdes, como a ervilhaca,
alhos-franceses. a luzerna, a favarola e o trevo.

•• Que legumes? •• Vantagens da rotação de culturas


Cebolas, alho, alho-francês, cebolinha Ajuda a evitar a antracnose, a fusariose
e chalota. e, de certa maneira, o oídio.

41
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Culturas complementares
•• Aboborinhas, abóboras e pepinos terrenos que contenham muitas maté-
Cultive-os em terrenos bem fertilizados. rias orgânicas e azoto e que beneficiem de
Crescem melhor em solos ricos e capazes regas frequentes. Pode ser cultivada jun-
de reterem a água. tamente com as couves.

•• Aipo •• Beterrabas
É frequentemente cultivado com as Não pertencem à mesma família das outras
ervilhas e os feijões, que têm as mes- raízes e dos outros tubérculos, mas são
mas exigências, ou com os pepinos e frequentemente agrupadas com eles.
as beringelas. Exige um solo rico, capaz Além de muitas substâncias nutritivas,
de reter facilmente a água, e regas pouco mais exigem.
frequentes.
•• Espinafres e acelgas
•• Alface Têm as mesmas exigências das beterra-
Cultura complementar, boa para pôr nas bas e, portanto, podem ser cultivadas da
parcelas livres. Cresce facilmente em mesma forma.

Os adubos verdes na rotação de culturas


Os adubos verdes podem preencher espa- elementos nutritivos de serem levados
ços vazios no esquema de rotação de cul- pela água. A favarola e a ervilhaca, por
turas. Depois, devem ser enterrados com exemplo, constituem adubos verdes inte-
uma enxada, para melhorar a estrutura do ressantes, que podem ser utilizados após a
solo, ou cortados e utilizados para fazer colheita das batatas. Enterre-as na parcela
composto, logo que se precise do espaço adequada antes de semear as legumino-
que ocupam. No inverno, protegem o solo sas, pois fornecem ao solo azoto e maté-
contra as chuvas fortes e impedem os rias orgânicas.

Canteiros de legumes
Pode organizar melhor a sua horta se a canteiros com 120 centímetros de lar-
dividir em canteiros fixos separados por gura serão adequados, mas pode fazê-
caminhos, de onde poderá efetuar todo -los um pouco mais pequenos se não
o trabalho necessário. conseguir chegar ao centro.
O arranjo do terreno deverá permitir- Os caminhos devem ter, pelo menos,
-lhe dispor de superfícies de cultura tão 30 centímetros de largura (ou então
grandes quanto possível, relativamente 45 centímetros, se tiver de utilizar um
aos caminhos. Na maioria dos casos, carrinho de mão).

42
A
OS LEGUMES 4
Vantagens
dos canteiros fixos Necessidade de adubos
suplementares
•  Mais legumes
Os legumes cultivados em canteiros ficam
Como já não tem de passar entre as filas
mais próximos uns dos outros: os suplemen-
de legumes para os sachar ou colher, o tos de adubo só são necessários se pretender
espaço de intervalo pode ser diminuído, rendimentos elevados. Nesse caso, antes da
o que aumenta o rendimento de cada plantação, ponha um adubo orgânico comer-
superfície de cultura. Além disso, os cial autorizado em agricultura biológica, rico
canteiros fixos facilitam a rotação das em azoto; para as variedades mais “gulosas”,
culturas e a colocação de barreiras con- como as couves, faça uma adubação de cober-
tra as pragas. tura durante o período de crescimento (para as
quantidades a usar, veja o quadro da página 47).
É importante regar bem os legumes de folha,
•  Cavar menos
quando o verão é muito seco, e as ervilhas, os
Uma vez que já não precisa de andar feijões, o tomate e o milho-doce enquanto os
sobre a terra, esta não fica tão compacta. frutos ou as sementes se desenvolvem.
Por isso, também não é preciso cavar
muito fundo.

•  Menos ervas daninhas de ser levemente trabalhado (com uma


Se as filas de legumes ficarem mais forquilha, por exemplo).
próximas umas das outras, as ervas
daninhas não se desenvolverão tanto. Não se esqueça de juntar, cada ano, maté-
Em consequência, não será necessário rias orgânicas em quantidade suficiente,
sachar tantas vezes. dispostas em cobertura do solo ou incor-
poradas na superficie do solo (um balde,
Manutenção pelo menos, por cada metro de canteiro).
A partir do momento em que um can-
teiro está preparado, o trabalho fica
reduzido a quase nada. Por exemplo, não Que tipo de canteiro?
terá necessidade de cavar em profundi-
dade durante, pelo menos, cinco anos. Solos pouco profundos
Se o terreno for “leve”, bastará sachar ou ou mal drenados
passar o ancinho na primavera para pre- Se o solo for pouco profundo ou
parar a sementeira. Se for “pesado”, terá mal drenado, o ideal é um canteiro

43
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

sobre-elevado. As raízes terão, assim, com um tamanho normal. Mas as dis-


mais espaço, e a drenagem será tâncias devem ser aumentadas, se não
melhorada. puder efetuar regas regulares. Se precisa
Pode fazer rebordos fixos com tábuas de economizar espaço, considere a hipó-
velhas, lajes, etc. Depois de colocar os tese de plantar algumas filas em zigue-
rebordos, cave e adicione ao solo maté- zague. Por exemplo, se plantar alfaces
rias orgânicas e terra ou areia, em pro- em ziguezague, de modo que fiquem a
porções iguais. 30 centímetros umas das outras, a dis-
tância entre as filas pode ser de apenas
25 centímetros.

Proteção
dos legumes
Os canteiros fixos
facilitam a proteção
dos legumes. Com efeito,
Solos permeáveis e compactos é possível espetar arcos
Se o solo da sua horta se compacta facil- (feitos de tubos plásticos), que
mente ou seca muito depressa, deve poderão servir de suporte para mate-
cavá-lo em profundidade e adicionar-lhe riais de proteção contra as pragas ou as
matérias orgânicas (veja a página 157). geadas. Os rebordos de madeira também
Tente não misturar demasiado a camada permitem fixar redes ou plásticos.
superior fértil com a inferior. Trabalhe
com a forquilha de cavar, a fim de obter Contra os gatos
um camalhão (porção de terreno entre Os alfobres ou viveiros com sementeiras
dois sulcos) de forma arredondada ou recentes atraem os gatos. Para os pro-
plana com os bordos inclinados. teger, coloque alguns paus no centro
e outros no sentido do comprimento;
Solos médios depois, cubra tudo com uma rede, à laia
A maioria dos solos não compactos só de tenda.
tem de ser cavada uma vez em profun-
didade. Nessa ocasião, elimine as ervas Contra a geada
daninhas (dente-de-leão, corriola...), Estique um plástico transparente sobre
retirando os restos das raízes. Adicione os arcos, no outono e na primavera,
matérias orgânicas com uma espessura para proteger as plantas contra a geada.
de, pelo menos, três centímetros e mis- O plástico também pode servir para
ture-as bem com a terra, com a ajuda de aquecer e secar o solo na primavera.
uma forquilha.
Contra as pragas
Um bom aproveitamento Uma rede colocada sobre os arcos pode
do espaço servir para afastar os pombos. Para os
No quadro da página seguinte figuram insetos voadores (como a mosca-da-
as distâncias a respeitar, para que possa -cenoura), utilize, por exemplo, uma rede
obter um bom rendimento de plantas mosquiteira ou uma manta térmica.

44
A
OS LEGUMES 4
DISTÂNCIAS A RESPEITAR ENTRE OS LEGUMES
Legumes Entre plantas Entre linhas
Aboborinhas, abóboras 60 cm 60 cm
Aipo 25 cm 25 cm
Alfaces-repolho 30 cm 25 cm
Alfaces-romanas 20 cm 25 cm
Alhos-franceses (1) 15 cm 30 cm
Batatas 40 cm 43 cm
Beterrabas, cultura principal 5 cm (2) 18 cm
Beterrabas, temporãs 10 cm 18 cm
Brócolos (3) 15 cm 30 cm
Cebolas (4) 5 cm 23 cm
Cenouras, cultura principal 2,5 cm 15 cm
Cenouras, temporãs (5) 10 cm 15 cm
Couve-flor (6) 30 cm 30 cm
Couves-de-bruxelas (7) 60 cm 60 cm
Couves-de-repolho, inverno (8) 40 cm 40 cm
Couves-de-repolho, out. (9) 10 cm 30 cm
Couves-de-repolho, verão (8) 30 cm 30 cm
Ervilhas (10) 10 cm 10 cm
Espinafres 15 cm 20 cm
Favas 20 cm 25 cm
Feijões-de-trepar 15 cm 60 cm (11)
Feijões-rasteiros 8 cm 30 cm
Milho-doce 30 cm 60 cm
Nabos 15 cm 15 cm
Pastinacas (12) 8 cm 20 cm
Rabanetes 3 cm 3 cm
Tomate 40 cm 40 cm
(1) 10 cm se desejar caules mais finos.
(2) 2,5 cm para as variedades pequenas.
(3) Colher as pequenas couves do centro e deixar desenvolver os rebentos laterais. Deixar 30 cm

entre as maiores.
(4) Cebolas temporãs: 3 cm entre linhas.
(5) 1 cm no caso das variedades mais pequenas.
(6) 60 cm para a couve-flor de inverno e 15 cm para as couves-flores mais pequenas (porção individual).
(7) 40 cm para as couves mais pequenas destinadas a congelamento.
(8) 15 cm para as couves mais pequenas (porção individual).
(9) Colher uma planta entre cada duas para consumo imediato, as outras formarão repolho.
(10) Semear em filas triplas com 4 cm de distância entre elas. Para uma colheita única destinada

a congelamento, deixe um espaço de 10 cm em todas as direções.


(11) Distância entre linhas duplas de varas. Em caso de colocação tipo tenda, deixar 30 cm em volta.
(12) Para raízes maiores, aumentar o espaçamento para cerca de 15 cm.

Escolher bem os legumes


A escolha dos legumes pode depender de pouco experiente, prefira as variedades
vários fatores, como, por exemplo, o tipo mais resistentes. No quadro da página 47
de solo e a frequência da rega. Se ainda é figuram os legumes de cultivo mais fácil.

45
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Se dispõe de pouco espaço, limite-se Solos pesados


aos legumes mais apreciados, como As couves dão-se bastante bem em solos
o tomate, o feijão-rasteiro, a alface e pesados, desde que não estejam enchar-
os brócolos. Mantenha a horta pro- cados e não sejam demasiado compactos.
dutiva durante todo o ano, plantando
legumes de inverno após as colheitas A maioria dos outros legumes também
temporãs. se dará bem se o terreno estiver dispo-
nível suficientemente cedo.
Faça um bom uso das culturas comple-
mentares, como a dos rabanetes e a das As cenouras podem ter problemas, se a
beterrabas. Prolongue o período de cres- estrutura do solo não tiver sido melho-
cimento, fazendo sementeiras em vasi- rada através da adição de matérias
nhos cobertos com vidro ou recorrendo orgânicas.
a proteções individuais. Em todo o caso, escolha variedades cur-
tas (cenoura de Nantes ou de Chantenay,
Resistência às doenças por exemplo).
Os especialistas procuram sempre
desenvolver variedades mais resis- Quanto às ervilhas, estas suportam mal
tentes às doenças. Quando os proble- os solos pesados.
mas se repetem, ano após ano, vale a
pena experimentar variedades mais Hortas com muita sombra
resistentes. A maioria dos legumes gosta de terre-
nos abertos e soalheiros e poucos se
Solos calcários dão bem à sombra, mesmo que esta seja
A maioria das espécies de couve dá-se apenas parcial. Mas, se não puder elimi-
bem em solos calcários (desde que sejam nar totalmente a sombra, concentre-se
bem regadas). Não precisa de se preocu- nalgumas variedades de verão, como as
par com a hérnia-da-couve. Os espina- ervilhas, a alface e os rabanetes.
fres, as beterrabas e o milho-doce tam-
bém são fiáveis. Alguns legumes menos vulgares dão-se
bem à sombra: é o caso das endívias, das
As batatas, sobretudo as que são para couves-rábanos e das alcachofras.
conservar, podem ser atacadas pela
sarna. A qualidade nutritiva não é Evite os feijões-rasteiros, as cebolas, as
afetada por isso, mas ficam com mau abóboras e todas as variedades que pre-
aspeto. Isso não tem importância se as cisam de sol para amadurecerem.
batatas forem para consumo próprio;
caso contrário, é preferível escolher Solos pedregosos
variedades resistentes à sarna. A maioria dos legumes cresce bem em
solos pedregosos, desde que estes sejam
Geralmente, os solos calcários são maioritariamente constituídos por
pouco profundos e secam rapidamente. argila. Os legumes de folha são os que
Por isso, é melhor não cultivar legumes se dão melhor.
que necessitem de muita água, como
os feijões e os legumes de folha, se não Os legumes-raiz e as batatas podem ter
puder regá-los com frequência. alguns problemas, porque as pedras

46
A
OS LEGUMES 4
ESCOLHA DOS LEGUMES

Transplantação
Necessidades

Necessidades

Sementeiras

Sementeiras
em adubo (3)
Rendimento

em vasos (5)
de cultivo (1)
Dificuldade

em água (4)

Problemas
definitivas
por metro
Legumes

de fila (2)
Abóboras •••• 2,7 kg *** Abr.-mai. Mai.-jun. Mai.-jun. Vírus, lesmas
**
Alface •••• 3-4 un. **** Fev.-out. Mar.-nov. Mar.-ago. Pulgões, míldio
***
Podridão-branca, míldio,
Alho-francês •••• 1,2 kg **** * Fev.-abr. Abr.-jul. – mosca-da-cebola,
nemátodos
Batatas (tardias) •••• 3,7 kg **** ** – Abr.-mai. – Lesmas, sarna, míldio
Batatas (temporãs) •••• 1,8 kg **** *** – Mar.-abr. – Lesmas, sarna, míldio
Beterrabas •••• 1,5 kg ***** * – – Fev.-out. Sem problemas graves
Brócolos brancos ••• 2 kg Mar.-jun. Jul.-out. – (7)
***** *
Brócolos verdes Abr.-
e violetas ••• 1,3 kg *** *** Mar.-out. -nov. Abr.-out. (7)
Podridão-branca, míldio,
Cebolas ••• 1,3 kg *** * Fev.-mar. Abr.-mai. Mar.-abr. mosca-da-cebola,
nemátodos
Podridão-branca, míldio,
Cebolas (primavera) ••• 0,5 kg * * – – Fev.-mar. mosca-da-cebola,
nemátodos
Cenouras (tardias) •• 1,5 kg * * – – Abr.-out. Mosca-da-cenoura
Cenouras (temporãs) •• 1,3 kg * * – – Fev.-out. Mosca-da-cenoura
Cercefi ou salsifi • 2 kg ** *** Mar.-abr. Abr.-mai. – Mosca-da-cenoura
Couve-de-bruxelas •• 1,4 kg Fev.-out. Abr.-dez. – (7)
**** *
Couve-flor (inverno) • 2,3 kg Mai. Jul. – (7)
** *
Couve-flor (outono) 2 kg (7)
• ***** ** Abr.-mai. Mai.-jun. –
Couve-flor (verão) • 2 kg Fev.-abr. Mar.-jun. – (7)
***** **
Couve-nabo ••• 1,5 kg ** * – – Abr.-jun. (7)
Ervilhas •• 0,9 kg Nenhumas ** – – Fev.-abr. Lagarta-da-ervilha,
pombos, míldio
Ervilhas-de-quebrar •• 1,7 kg Nenhumas ** – – Fev.-abr. Lagarta-da-ervilha,
pombos, oídio(7)
Espinafres 1,3 kg Mineira-das-folhas,
•••• **** *** – – Mar.-jul. lesmas
Favas •••• 0,9 kg (6) * ** – – Nov.-mar. Pulgões-negros
Feijão-de-trepar •••• 6 kg ***** *** Mar.-abr Abr.-mai. Mai.-jun. Pulgões
Feijão-rasteiro ••• 0,9 kg ***** ** Fev.-abr. Mai.-jun. Abr.-jun. Pulgões
Milho-doce •• 5 esp. **** **** Abr.-mai. Mai.-jun. Abr.-mai. Aves granívoras
Nabos •••• 1,5 kg *** – – – Abr.-nov. (7)
Pastinaca •• 2 kg *** * – – Mar.-mai. Mosca-da-cenoura, cancro
Rabanetes •••• 0,5 kg Nenhumas * – – Fev.-ago. Alticas
Repolhos (inverno) ••• 3 kg Mai. Jun. – (7)
***** *
Repolhos (primavera) •• 1,8 kg Jul.-ago. Set.-out. – (7)
** *
Repolhos (verão) ••• 2,7 kg Fev.-abr. Abr.-mai. – (7)
***** **
Míldio, podridão-cinzenta,
Tomate •• 3,5 kg **** **** Mar.-abr. Mai.-jun. – vírus
(1) Quanto menor o número de bolas, mais fácil é o cultivo. ou da plantação. *** e mais = Espalhar metade, no momento
(2) De acordo com as experiências realizadas pela asso- de semear ou plantar, e o resto numa ou duas vezes
ciação de consumidores britânica ou com o rendimento durante o crescimento. Se utilizar farinha de casco e chifre,
anunciado pelos comerciantes. junte-lhe 85 gramas de farinha de osso e 70 gramas de
(3) Quantidade de adubo por metro quadrado: adubo de potássio.
(4) * = Inútil regar, exceto nos anos secos. ** = Regas pontuais
Farinha Farinha
Adubo de sangue de casco em caso de seca. *** = Regas regulares em tempo seco.
composto e osso e chifre (5) Outra possibilidade para as couves: semear em cantei-

* 85 g 175 g 35 g ros e transplantar mais tarde (veja o momento exato na


** 100 g 210 g 50 g coluna sobre a transplantação).
*** 140 g 300 g 70 g (6) Rendimento após a debulha.
**** 175 g 360 g 100 g (7) As couves estão expostas a diversas pragas e doen-
***** 210 g 450 g 115 g ças, como hérnia-da-couve, pulgões, mosca-da-couve
Até ** = Pôr o adubo de uma só vez, na altura da sementeira e lagartas (veja as páginas 50 e 51).

47
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

deformam as raízes e dificultam a sobretudo no caso de terrenos arenosos


colheita. e calcários, que secam rapidamente.

Evite as cenouras. Se, mesmo assim, qui- Os legumes que só necessitam de água
ser cultivá-las, escolha uma variedade de vez em quando (**, no quadro)
redonda, como a Rondo. podem ser cultivados com sucesso,
mas é necessário regá-los na altura
Se não puder regar adequada.
Se as regas forem um problema, é
melhor evitar os legumes que exigem Evite os aipos, as couves-flores, os bró-
água regularmente (consulte o quadro colos e as ervilhas tardias. Os legumes
da página anterior e evite os legumes que contêm * no quadro, como as beter-
que contêm *** na coluna Necessida- rabas, os brócolos de inverno e as cebo-
des em água). Isso é um imperativo, las, dão bons resultados.

Resolver os problemas
Higiene moscas-da-cebola, alfinetes, etc. As aves
Uma boa higiene evita que as doenças se e as condições climatéricas farão o resto.
propaguem na horta.
•  Após a colheita, desenterre e queime
•  Use recipientes próprios e composto as plantas doentes. Os pulgões-cinzentos
esterilizado para as sementeiras. Depois e as larvas das moscas-da-couve, por
de os utilizar, lave cuidadosamente exemplo, podem sobreviver nos cau-
todos os vasos, recipientes para as les. Outros parasitas, como as larvas da
sementes, estacas, etc. mosca-da-cenoura, refugiam-se no solo.
A mosca-da-cebola, a mosca-do-aipo e as
•  Limpe a estufa. Inspecione regular- moscas mineiras podem ficar nas folhas.
mente os legumes e retire as folhas
doentes ou as plantas afetadas. Não use •  As plantas que aguentam o inverno
os vegetais doentes para adubo. também podem servir de abrigo para as
pragas. As couves, por exemplo, podem
•  Mantenha a horta limpa. Não deixe acu- ser atacadas por moscas-brancas. Se for
mular folhas mortas, restos de plantas necessário, apanhe-as e queime-as.
podadas ou detritos de plantas antigas.
•  As lesmas, as álticas, os gorgulhos-
Problemas de inverno -das-ervilhas e as larvas de alfinete cos-
•  Pode reduzir o número de pragas tumam refugiar-se perto da pilha de
hortícolas eliminando-as, assim como composto, nos restos de vegetais ou nas
aos seus refúgios, no inverno. Se cavar ervas daninhas. Mantenha o solo traba-
a terra, virão parar à superfície lesmas, lhado e tratado.

48
A
OS LEGUMES
4
superior das folhas, sobretudo com tempo seco.
Queime as folhas atingidas ou polvilhe com
enxofre em pó (eficaz para temperaturas entre
os 18ºC e os 29ºC; acima dos 29ºC, pode causar
danos à planta).

5. Pulgões-negros
Corte a ponta das favas assim que se tenham
formado quatro cachos de flores.

6. Lagarta-das-ervilhas
Pequenas lagartas que penetram nas vagens
e comem as sementes. Nada a fazer.

7. Antracnose-do-feijoeiro
Manchas castanhas e profundas nas vagens
dos feijões-rasteiros. Destrua as vagens atin-
gidas. Mude o local de cultivo no ano seguinte.

8. Tripe-das-ervilhas
Leguminosas Vagens encarquilhadas e com manchas
prateadas. Corte as vagens atingidas.
1. Gorgulho-da-ervilha
Folhas roídas. A colheita não é afetada. 9. Míldio
Folhas manchadas de amarelo na face superior,
2. Antracnose-da-ervilha bolor branco-violeta na inferior. Retire as plan-
Folhas cobertas de manchas castanho-escu- tas atingidas. Faça rotação de culturas.
ras. Retire as folhas mais atingidas. Ponha cal-
cário, no ano seguinte, se o solo for ácido. 10. Coração manchado
O coração das ervilhas fica castanho-escuro,
3. Bactérias-do-feijoeiro devido a uma carência de magnésio. Adicione
Pequenas manchas castanhas e oleosas, ao solo pó de basalto ou algas marinhas
rodeadas de amarelo. Afeta o feijão-rasteiro e calcárias.
de trepar. Destrua as plantas atingidas e mude
de local de cultivo no ano seguinte. 11. Fusariose
Folhas amareladas, necroses no caule, plan-
4. Oídio tas murchas. Elimine as plantas atingidas.
Bolores com aspeto de pó branco na parte Evite solos mal drenados.

A conservação das sementes


As sementes das leguminosas con- Deixe amadurecer bem as vagens,
servam-se facilmente até à estação durante o tempo que for preciso. Apa-
seguinte, exceto no caso das híbridas nhe-as antes que abram. Deixe-as
F1, que dão origem a plantas de quali- secar, pondo-as (dentro de uma caixa
dade inferior às originárias. de fruta, por exemplo) num local are-
Não escolha as sementes ao acaso: jado. Quando estiverem bem secas,
prefira as plantas vigorosas, de vagens abra as vagens, limpe as sementes e
compridas, sãs e cheias de sementes. conserve-as num local fresco e seco.

49
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Couves
1. Lesmas 6. Lagarta-do-rábano
Orifícios irregulares nas folhas, traços Retire as lagartas.
viscosos. Proteja as plantas jovens com a
ajuda de cilindros feitos com garrafas de 7. Falsa hérnia-da-couve
plástico. Excrescências nas raízes, larvas brancas
no interior. Faça rotação de culturas.
2. Oídio
Manchas brancas, sobretudo com tempo 8. Mosca-da-couve
seco. Retire as folhas afetadas. Desenvolvimento fraco, folhas azuladas
e com pequenas larvas. Cubra as plantas
3. Carência de boro com manta térmica.
Coração da couve acastanhado. Regue
com uma solução de bórax (16 gramas 9. Couves-de-bruxelas mal fechadas
por 10 m2) na estação seguinte. As couves não se fecham. Deve-se a
carência de potássio, a não ser que seja
4. Estragos da geada problema da variedade. Adicione matérias
Coração da couve-flor acastanhado e com orgânicas, compacte o solo e opte por um
partes podres. Nada a fazer. Retirar. híbrido F1.

5. Doença-das-manchas-negras 10. Álticas
Manchas redondas e castanhas com um Pequenos orifícios redondos, sobretudo
centro negro, sobre as folhas. Retire as nas plantas jovens. Se o problema se tor-
folhas atingidas. Faça rotação de culturas. nar grave, use uma manta térmica ou uma

50
A
OS LEGUMES 4
Alfaces
1. Pulgões-das-raízes
rede mosqueira, ou aplique rotenona ou Desenvolvimento interrompido, folhas amarelas
Spinosade sobre as plantas e o solo. e murchas. Pó branco e ceroso nas raízes. Regue
bem em tempo seco. Cultive variedades resisten-
11. Míldio tes, como a Appia.
Amarelecimento das folhas. Cober-
tura branca na parte inferior das folhas. 2. Espigamento
Retire as plantas atingidas. Faça rotação Só cresce o espigão da flor, não formando repolho.
de culturas. Deve-se a uma paragem no crescimento, a tempo
quente e seco ou a variedades não adaptadas à
12. Pulgão-cinzento estação.
Colónias de pequenos insetos cinzentos
e lustrosos, que se instalam por baixo 3. Rebordos castanhos
das folhas. Livre-se das que estiverem O rebordo das folhas fica castanho e ressequido.
muito atingidas. A causa é a evaporação demasiado rápida da água
nas folhas ou a falta de calcário. Nada a fazer.
13. Mosca-branca O crescimento continua normalmente.
Levantam-se nuvens de moscas-
-brancas, assim que tocamos na 4. Podridão-cinzenta (Botrytis)
planta. Geralmente só causam estragos Apodrecimento do colo. A planta murcha comple-
superficiais. tamente. Retirar.

14. Nóctua-da-couve 5. Pulgões
Retire as lagartas. Tratamento biológico Folhas rugosas e amarelas. Pequenos insetos na
(veja a página 108). parte inferior da folha, que segregam uma subs-
tância pegajosa. Pulverize com uma solução à base
15. Carências em molibdénio de sabão de potássio a 1,5 por cento.
As folhas dos brócolos e das couves-
-flores ficam fracas e deformadas. Apli- 6. Míldio
que pó de algas marinhas calcárias, se o Manchas amarelas na parte superior das folhas e
solo for ácido. bolores brancos na inferior. Retire as folhas doen-
tes. Desbaste o mais cedo possível. Cultive varie-
16. Carências de magnésio dades resistentes.
Folhas amarelas entre as nervuras,
sobretudo se o solo for calcário. Trate 7. Fusariose
com a ajuda de uma solução de sul- Caules ocos e acastanhados, que começam a apo-
fato de magnésio através de rega drecer junto ao pé.
ou pulverização. Elimine as plantas doentes.

17. Lagarta-da-couve 8. Vírus-do-mosaico
Folhas corroídas. Folhas marmoreadas, com manchas amarelas
Veja o n.º 14. entre as nervuras. O crescimento para. Retire as
folhas atingidas.
18. Hérnia ou potra-da-couve
Excrescências nas raízes. As plantas
adquirem uma tonalidade avermelhada
ou violeta e ficam murchas quando
o tempo aquece.

51
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Legumes-raiz
1. Mosca-do-aipo 4. Mosca-da-couve
Traços brancos e sinuosos e manchas Manchas azul-acinzentadas sobre as
acastanhadas sobre as folhas das pas- folhas dos nabos e dos rábanos.
tinacas. Retire e destrua todas as folhas
atingidas. 5. Pulgões
Retire as folhas mais atingidas. Pulverize
2. Vírus-do-mosaico com água misturada com sabão de potássio.
Folhas com veios ou deformadas e aver-
melhadas. Não causa estragos nas raízes. 6. Mosca-da-cenoura
Elimine as plantas atingidas. Folhas avermelhadas e com tendência a
murchar em tempo quente. Larvas que
3. Álticas se alimentam das raízes. É preferível não
Pequenos orifícios nas folhas de nabos, desbastar. Coloque uma barreira plástica
rábanos e rabanetes. Utilize piretrinas ou ou uma manta térmica em volta dos can-
rotenona se as plantas estiverem muito teiros de cenouras.
atingidas.
7. Rizotónia
As folhas dos nabos e dos rábanos ficam
amarelas com nervuras pretas. As raízes
apodrecem. Elimine as plantas atingidas.

8. Oídio
Bolores com aspeto de pó branco na parte
superior das folhas dos nabos e dos rába-
nos. Retire as plantas atingidas ou polvilhe
com enxofre em pó (eficaz para tempera-
turas entre os 18ºC e os 29ºC; acima dos
29ºC, pode causar danos à planta).

9. Míldio
Bolores cinzentos na parte inferior
das folhas dos nabos e dos rábanos.
Retire as plantas atingidas.

Podridão-das-cebolas
É das doenças mais vulgares e afeta as para consumo. A doença também pode vir
cebolas que se guardam para conservar. de restos de outros vegetais.
Após alguns meses, a casca envolvente A rotação de culturas, trienal ou quadrienal,
dos bolbos amolece e escurece, apare- pode ser útil, mas é sempre indispensável
cendo feridas profundas em volta do colo. eliminar sem demora as cebolas atingidas.
A podridão toma rapidamente conta de toda Como medida de prevenção, cerca de um
a cebola e podem surgir bolores cinzentos. mês antes da colheita deixe de regar e
Esta doença pode destruir completamente dobre a rama da cebola para promover
a sua provisão: as cebolas ficam impróprias a secagem do bolbo.

52
A
OS LEGUMES 4

Cebolas, alho-francês
1. Mosca-da-cebola 5. Nemátodos-dos-caules
Amarelecimento e esmorecimento das O pé das cebolas incha e as folhas ficam
folhas. Larvas nas raízes ou nos bolbos. deformadas. Elimine as plantas atingidas
Nada a fazer. A eliminar. e não as volte a cultivar no mesmo local.

2. Ferrugem 6. Podridão-branca
Manchas cor de laranja, sobretudo nas Folhas amarelas e murchas. Bolores de
folhas dos alhos-franceses. Mesmo assim, aspeto penugento nos bolbos e nas raízes.
o caule e o bolbo podem ser consumidos. Elimine as plantas atingidas e não volte
Após a estação, retire as folhas atingidas a cultivá-las no mesmo local.
e escolha um local diferente para a planta-
ção, no ano seguinte. 7. Colo dilatado
Bolbos com o colo dilatado. Provavelmente
3. Míldio devido ao tempo húmido ou a um excesso
Folhas acinzentadas e roídas, que acabam de azoto ou de adubo no solo. Não servem
por morrer. Não conserve os bolbos, con- para conservar, é melhor consumi-los
suma-os imediatamente. Cultive noutro de imediato.
local no ano seguinte.
8. Lagartas
4. Espigamento Os bolbos quebram pelo pé quando tenta-
As plantas desenvolvem-se logo em flor. mos arrancá-los. Acontece, geralmente,
Nada a fazer. Corte o caule e consuma o no caso de cebolas transplantadas em
bolbo logo que possível. Não tente con- estações muito húmidas. Não as conserve,
servar cebolas nestas condições. consuma-as de imediato.

53
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Batatas
1. Pulgões 9. Sarna-comum
Friccione ou pulverize as plantas com uma Galhas sobre os tubérculos. Batatas pouco
calda de sabão de potássio a 1,5 por cento atrativas, mas comestíveis. Adicione
(1,5 kg/100 litros de água). matérias orgânicas e regue abundante-
mente com tempo seco.
2. Carências de magnésio
Folhas amarelas entre as nervuras. 10. Sarna pulverulenta
Desenvolvimento estagnado. Pulverize Crostas negras nos tubérculos atingidos,
com uma solução de sulfato de magnésio folhas dobradas. Queime os tubérculos
(epsomite): meio quilo por cada dez litros. atingidos e não cultive mais batatas nessa
parcela durante pelo menos três anos.
3. Geada
Caules escurecidos, folhas acastanhadas. 11. Cicatrizes na polpa
Proteja as plantas com manta térmica. Cicatrizes semicirculares na polpa dos
tubérculos, causadas por um vírus (trans-
4. Bacteriose mitido pelos nemátodos). Podem con-
Amarelecimento prematuro das folhas, sumir-se após a eliminação das partes
apodrecimento dos caules perto do solo. atingidas. Cultive noutra parcela no ano
Elimine os tubérculos atingidos e não seguinte.
guarde para provisão os tubérculos sãos.

5. Lesmas
Tubérculos ocos, grandes orifícios
redondos à superfície. Faça a colheita
o mais rápido possível, não os
guarde para provisão.

6. Míldio
Manchas amarelo-
-acastanhadas,
mais tarde negras, sobre as
folhas, que se tornam que-
bradiças com tempo seco e apodrecem
com tempo húmido. Bolores brancos
na face inferior. Elimine as plantas e
os tubérculos atingidos.

7. Nemátodos
Crescimento deficiente, folhas descolo-
radas. Nodosidades (quistos) nas raí-
zes. Faça rotação de culturas. Cultive
variedades temporãs ou resistentes.

8. Larvas de alfinete
Galerias estreitas nos tubérculos. Faça a
colheita o mais rápido possível.

54
Os frutos

5
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

As árvores e os arbustos de fruto, quando não são bem tratados,


são pouco produtivos. Neste capítulo, damos-lhe alguns
conselhos que lhe permitirão obter boas colheitas.
Na primeira parte, ajudamo-lo a reconhecer as principais
pragas e doenças e dizemos-lhe como se tratam.

Conselhos para obter visa eliminar os ramos mortos e arejar


frutos sãos a copa. As árvores dispostas em latada
precisam de uma poda especial.
1. Poda
A poda faz-se, geralmente, no outono ou 2. Limpeza
no inverno. Os arbustos anuais de tipo Apanhe e destrua as folhas e os frutos
sarmentoso devem ser podados rentes caídos, pois estes podem estar na ori-
ao chão. No caso das árvores, a poda gem de pragas e doenças.

56
A
OS FRUTOS 5
3. Alimentação 7. Localização
Na primavera, ponha no solo um adubo Todas as árvores de fruto gostam de
orgânico: 150 gramas por metro qua- locais soalheiros e protegidos. Sem-
drado, pelo menos, até que a árvore ou pre que possível, evite os locais muito
o arbusto chegue à maturidade. Depois, expostos à geada. Obtêm-se melhores
cubra o solo com uma camada de com- resultados em solos suficientemente
posto, uma vez por ano. húmidos, mas bem drenados.

4. Cobrir o solo 8. Fecundação


Cobrir o solo elimina as ervas daninhas A maior parte das macieiras e pereiras
e reduz as necessidades de água. Faça-o são autoestéreis, isto é, só dão fruto
com a ajuda de cascas de árvores, como quando fecundadas por outra variedade.
a carrasca de pinheiro, ou um composto No entanto, pode começar com uma só
bem fermentado. Para os morangos, o árvore se, nos terrenos vizinhos, tam-
ideal é palha ou um plástico negro, pois bém houver árvores de fruto. Caso con-
ajudam os frutos a manterem-se limpos. trário, plante, pelo menos, duas varieda-
des (da mesma espécie) que floresçam
5. Doenças e pragas na mesma altura.
Desde que sejam bem tratadas, as plan-
tações manter-se-ão sãs e aptas a resistir 9. Variedades
aos ataques de pragas e doenças. As aves A escolha das variedades faz-se com
poderão constituir a principal ameaça: o base nas características do terreno, mas
único remédio consiste em colocar uma também deve ter em conta a resistência
rede antipássaros sobre as plantações. às doenças, o rendimento e o tamanho
dos frutos. O sabor dos frutos e as pos-
6. Ervas daninhas sibilidades de conservação também são
As ervas daninhas vivazes, bem como as importantes.
respetivas raízes, devem ser eliminadas
antes da plantação. Depois, sache regular- 10. Porta-enxertos
mente, para eliminar as ervas daninhas O desenvolvimento deficiente das árvo-
anuais. Tanto as ervas daninhas como a res de fruto pode dever-se a um porta-
relva absorvem substâncias nutritivas e -enxerto pouco vigoroso. Se for o caso,
água; para que as árvores de fruto tenham pense em pôr um suplemento de adubo
um bom desenvolvimento, mantenha o e elimine regularmente as ervas dani-
solo limpo à volta do pé da árvore. nhas à volta das árvores.

57
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Problemas com as maçãs e as peras

Pragas
Pulgões ou piolhos

sistematicamente os frutos caídos e


queime-os, para evitar a contaminação
Pequenos pulgões verdes, rosados ou da colheita seguinte.
cinzentos que surgem nos rebentos
primaveris. Causam danos nas flores e Antónomos
nos frutos, reduzindo a colheita. Expe- Pequenos gorgulhos que atacam os
rimente pulverizar com uma solução botões das flores. Não costumam causar
à base de sabão de potássio, a 1,5 por grandes estragos, por isso não justificam
cento ou com piretrinas. nenhum tratamento.

Pulgões-lanígeros

Bichado-da-fruta
Colónias de insetos cinzento-acastanha- É a praga mais importante nas macieiras
dos, cobertos por uma espécie de cera e pereiras. As lagartas cavam pequenos
lanosa. Se a casca da árvore estiver fen- orifícios nos frutos, que podem cair pre-
dida, é como uma porta aberta para as maturamente. Retire os frutos atingidos.
doenças. Esfregue com álcool etílico ou Enrole sacos ou cartão ondulado à volta
corte e queime os ramos que abrigam do pé da árvore e dos ramos mais gros-
as colónias. sos, para atrair e eliminar as lagartas que
estejam a hibernar. Outra possibilidade é
Hoplocampas utilizar uma imitação da substância utili-
As lagartas deixam sobre os frutos zada pelas borboletas fêmeas para atrair
umas cicatrizes sinuosas, que parecem os machos (a feromona). Convém colo-
cortiça, e penetram no interior. Muitos car esta “armadilha sexual” no final de
desses frutos acabam por cair. Apanhe abril. Este método requer uma dimensão

58
A
OS FRUTOS 5

árvores, para aí porem os ovos. Em outu-


bro, coloque uma faixa com cola em
volta do pé das árvores (a 1,2 metros do
mínima de um hectare de pomar, para solo). Há uma cola própria para o efeito.
ser eficaz, enquanto meio de luta (téc- Mas o tratamento raramente se justifica.
nica da confusão sexual). Em alterna-
tiva, pode ainda tratar com o vírus da Psilas-da-pereira
granulose-do-bichado, em pulverização.

Traças-das-maçãs

Minúsculos insetos verde-claros ou


amarelos que atacam as pereiras em
abril e maio. As folhas, os botões e as
flores ficam descolorados, deformados
ou com inchaços e cobertos de melada
As lagartas alimentam-se de maçãs em e fumagina.
desenvolvimento, deixando na casca tra-
ços irregulares com aspeto de cortiça. Se Cecidómia-da-pera
necessário, retire as lagartas à mão ou Os frutos, embora cresçam, não se desen-
aplique um tratamento biológico, com volvem bem e caem prematuramente.
a ajuda de Bacillus thuringiensis (veja a
página 108).

Lagartas desfolhadoras
Lagartas enroladas que comem as folhas
na primavera. As fêmeas (sem asas)
saem, no outono ou na primavera,
dos casulos feitos no solo e trepam às

59
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Conservação dos frutos


•• No caso de querer conservar as maçãs e este método leva a que seja mais difícil
as peras, escolha variedades adequadas. inspecionar os frutos e eliminar os que
Por exemplo, a Querina, também reco- vão apodrecendo.
mendada pela resistência ao pedrado,
conserva-se bastante bem. •• Conserve-os num local fresco, mas ao
abrigo da geada, ou, se possível, no fri-
•• Escolha os frutos mais bonitos e ponha gorífico. Sujeitos a uma temperatura
de lado os que tiverem indícios de vírus de 1ºC a 4ºC, os frutos não se enrugam
ou apresentarem feridas. Coloque-os quando, na primavera, o tempo começa
em sacos de plástico e faça-lhes alguns a aquecer.
furos, para que possam arejar.
•• Inspecione-os periodicamente e vá eli-
•• Também pode enrolá-los em papel de minando os que estiverem podres, pois
jornal e colocá-los em caixas. No entanto, estes podem contaminar toda a provisão.

No  interior, podem ver-se larvas com pouco sensíveis, como, por exemplo,
quatro milímetros de comprimento. a bravo-de-esmolfe, a reineta-espriega
Retire todos os frutos atacados e cuide e a pardo-lindo.
do solo por baixo das árvores.
Doença-das-manchas-
-encortiçadas
Doenças Esta doença é causada por uma carência
de cálcio. Afeta unicamente as maçãs,
Pedrado por vezes já após a colheita. Sintomas:
depressões castanhas na casca e polpa
encortiçada. Faça a poda das maciei-
ras no verão, para lhes reduzir o vigor,
e aumente o potencial de produção.
Se o solo for ácido, aplique calcário até
o pH atingir 6,5 (pouco ácido a neutro).

Surgem manchas castanhas ou negras


nas folhas e nos frutos. As folhas caem
prematuramente. Os frutos mantêm-
-se comestíveis. No outono, apanhe
as folhas do solo e queime os reben-
tos atingidos. A melhor maneira de
evitar a doença é plantar variedades

60
A
OS FRUTOS 5
Moniliose atingidos. Lute contra as pragas (veja as
páginas 58 e 59).

Fogo-bacteriano
Esta doença provoca depressões na
casca da árvore. Pode ver-se uma secre-
ção gomosa e resinosa no tronco e nos
ramos. Retire a casca doente até atingir
a madeira sã e cubra a ferida com um
produto cicatrizante. Corte e queime
os ramos mais atingidos. Se toda a
O fruto apodrece total ou parcialmente. árvore estiver muito atingida, mais vale
O fungo penetra através de “feridas” eliminá-la. Em Portugal, esta doença
abertas pelas pragas. Retire os frutos é rara.

Problemas com ameixas,


cerejas e pêssegos
Pragas com a mão, esfregue com álcool etílico
ou, de preferência, pulverize com óleo
Cochonilhas de verão e água (1,5 l/100 l), após a eclo-
são dos ovos.

Pulgões

Troncos cobertos de pequenos insetos


castanhos, em forma de concha, que
podem desenvolver-se nas árvores de
fruto mais velhas. Nas árvores adultas, Na primavera, surgem colónias de pul-
a luta é quase impossível, mas os estra- gões castanho-escuros sobre os rebentos
gos não costumam ser graves. No caso e as folhas das cerejeiras e ameixeiras.
de árvores jovens, retire as cochonilhas As folhas podem ficar deformadas. Não há

61
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

meios de luta eficazes, mas as árvores Lepra-do-pessegueiro


restabelecem-se ao atingir a maturidade.
O problema não se põe todos os anos.

Hoplocampas da ameixeira

É a doença mais importante nos pesse-


gueiros. As folhas deformam-se, incham
e caem prematuramente. A árvore fica
enfraquecida. Apanhe e queime as
folhas afetadas. Trate, pulverizando com
calda bordalesa (sulfato de cobre com
cal apagada) antes da floração, no início
do abrolhamento.

As larvas penetram nos frutos, que Doença-do-chumbo


podem cair prematuramente. Apanhe e
destrua os frutos atingidos. Não é uma
praga importante no nosso país.

Doenças
Cancro-bacteriano
As folhas adquirem um aspeto acinzen-
tado e podem ficar castanhas prematu-
ramente. Corte os ramos atingidos até
chegar à madeira sã e queime-os. Se o
tronco estiver atingido, elimine a árvore.

Ferrugem-da-ameixeira

Surgem secreções pegajosas nos troncos


e nos ramos e depressões na casca. Retire
a casca doente até chegar à madeira sã e
cubra com um produto cicatrizante. Eli-
mine e queime os ramos mais atingidos. Manchas castanhas e poeirentas por
Se toda a árvore estiver muito atingida, é baixo das folhas. Retire as folhas e os
melhor arrancá-la e queimá-la. restos atingidos e destrua-os.

62
A
OS FRUTOS 5
Problemas com as bagas

Pragas lagartas à mão ou aplique um tratamento


biológico (veja as páginas 107 e 108).
Ácaros (eriofídeos)

Os rebentos da groselheira incham e


ficam arredondados. Os ácaros podem
transmitir a “reversão da groselheira”
(veja Doenças, na página seguinte). Corte
os ramos atingidos. Elimine os rebentos Pulgões-amarelos-da-groselheira
maiores no inverno, assim como as plan-
tas mais atingidas.

Brocas-da-groselheira

Pulgões verdes ou amarelo-pálidos. Sur-


gem protuberâncias vermelhas ou ama-
relas nas folhas. Os danos são poucos, a
luta é inútil.

Lagartas-das-framboesas
As folhas ficam murchas e os ramos Larvas branco-acastanhadas sobre
tornam-se fracos e quebradiços sob a os frutos maduros e no seu interior.
ação das lagartas, que se alimentam da Retire e destrua os frutos atingidos.
medula. A praga ataca, sobretudo, os
rebentos velhos das groselheiras. Corte
e queime os ramos atingidos.

Tentredos ou falsas lagartas


Lagartas que se alimentam das folhas
das groselheiras, podendo deixá-las sem
folhas. Os frutos não são afetados pela
praga, mas a colheita do ano seguinte
tende a ser mais reduzida. Retire as

63
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Coleópteros-dos-morangueiros Morte dos caules


Os caules murcham no verão, tornam-se
quebradiços e partem-se com facilidade.
As plantas podem acabar por morrer no
final do outono ou no inverno. Elimine
os caules atingidos.

Reversão da groselheira

Folha sã

Pedaços de polpa roída. Tente detetar


a presença de coleópteros negros, que
podem atingir dois centímetros de com-
primento. Limpe todos os restos da par-
cela dos morangueiros.
Folha doente

Doenças
As folhas novas ficam deformadas e com
Oídio menos nervuras. O rendimento diminui
de ano para ano. Não há nenhum trata-
mento para esta doença viral. Arranque
e queime os arbustos. Compre novas
plantas, com garantia de serem saudá-
veis, e plante-as numa nova parcela.

Queimadura dos espinhos

Surgem manchas brancas e poeirentas


nas folhas, que ficam encarquilhadas.
Corte e queime todos os rebentos atin-
gidos ou polvilhe com enxofre em pó Ataca os pés novos das framboesei-
(eficaz para temperaturas entre os 18ºC ras. Manchas violáceas em volta dos
e os 29ºC; acima dos 29ºC, pode causar espinhos, que se tornam cinzentas no
danos à planta). inverno. Elimine os caules atingidos.

64
A
OS FRUTOS 5
Conselhos de poda para árvores
e arbustos frutíferos sãos

Macieiras mortos. Pode os que se entrecruzam ou


crescem demasiado perto uns dos outros.
A maioria das macieiras só precisa de Por último, elimine os ramos mais salien-
ser podada depois de atingir a forma tes da copa e/ou próximos do chão, para
definitiva, e com intervalos de quatro ou dar uma forma equilibrada à árvore.
cinco anos, a fim de suprimir os ramos
supérfluos, mortos ou doentes. •  Conserve os ramos que crescem
(quase) na horizontal e os necessários
Desbastar uma árvore à manutenção da forma da árvore. Não
Ramos demasiado densos podem pre- corte as pontas dos ramos. Faça cortes
judicar o desenvolvimento e até o sabor sobre os rebentos laterais.
dos frutos, pois estes ficam privados da
luz de que necessitam para amadurecer. Tornar os frutos acessíveis
Por isso, é preciso podar os ramos, para Os ramos compridos, que crescem a par-
arejar a árvore. Esta operação pode ser tir do centro da árvore, tornam difícil o
feita em qualquer altura, mas é prefe- acesso aos frutos. Corte-os em agosto
rível fazê-lo no verão, já que a poda de ou setembro, para reduzir a altura da
inverno tende a estimular a formação de árvore.
novos rebentos.
•  Elimine um ou vários ramos principais
•  Elimine os ramos verticais, os que ou pode eventuais ramificações laterais,
estiverem doentes e os que já estiverem para que o acesso à árvore fique facilitado.

Desbaste de uma macieira


demasiado densa

ANTES DEPOIS

65
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

•  Conserve os ramos horizontais mais


baixos e todos os que considere neces-
sários para garantir a forma harmoniosa
da árvore.

Redução da altura
de uma macieira

ANTES DEPOIS

Pereiras de forma idêntica à indicada para


as macieiras.
As pereiras produzem ramos vigoro-
sos que têm tendência para crescer na Como revitalizar
vertical. Por isso, é conveniente podá- uma velha pereira
-las a cada dois ou três anos. Proceda As árvores velhas, cobertas de rebentos
fragilizados, têm muitas vezes uma apa-
rência tristonha, não se desenvolvem e
produzem frutos pequenos e em pouca
quantidade. O melhor é fazer uma poda
radical, durante o inverno, para esti-
mular o crescimento. Elimine a madeira
morta ou doente. Corte pelo menos um
terço dos ramos, pela metade do seu
comprimento.

Framboeseiras
Espere que todos os frutos tenham sido
colhidos e corte os pés mais velhos,

66
A
OS FRUTOS 5
rentes ao solo. Quanto às variedades
que frutificam no outono, corte os pés Onde podar?
rentes ao solo no inverno ou no início da
primavera. •• Ramos compridos
Corte-os de acordo com a figura em baixo, para
facilitar a cicatrização. Se cortar mais rente,
abrirá uma ferida maior e a cicatrização será
mais lenta. Os tocos estimulam as doenças.

Corte aqui

e não aqui

•• Ramos pequenos
Corte os ramos mais
pequenos obliquamente,
logo acima do gomo (ou
então rentes, no caso de
Amoras e híbridos rebentos laterais). Não
deixe tocos ou ramos esta-
lados, pois podem provocar
As amoras de silva e os híbridos (que a morte ou o apodreci-
são o resultado do cruzamento entre a mento da madeira.
amora-silvestre e a framboesa) podem
ser tratados como as framboeseiras:
depois da colheita, corte todos os pés
velhos bem rentes ao solo. Conserve os Groselheira-negra
rebentos jovens.
Pode-a com intervalos de três a quatro
anos. Corte um de cada três ramos, pela
base. Comece pelos mais antigos.

67
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Groselheira-espim Eliminar a madeira morta


e groselheira-de-cachos As ameixeiras podem ter muitos ramos
e rebentos mortos. Corte-os no verão,
Com uma tesoura de podar, corte os até atingir madeira viva. Encurtar
ramos velhos e nodosos e os rebentos os ramos compridos. Os ramos mais
frágeis. Se o arbusto continuar dema- vigorosos podem alongar-se dema-
siado frondoso, corte alguns ramos siado, dificultando o acesso aos fru-
por inteiro. tos. Faça a poda durante o verão.
Poupará trabalho se fizer a poda na
altura da colheita (colhendo os frutos
no solo, depois de cortar os ramos).

Desbaste de
uma ameixeira

Ameixeiras
Normalmente, as ameixeiras não pre-
cisam de ser podadas para terem uma
boa produção. Basta eliminar os ramos
e os rebentos doentes ou mortos e,
por vezes, um ou outro ramo demasiado
vigoroso.

Redução da altura
de uma ameixeira

68
A
OS FRUTOS 5
Escolher as variedades adequadas
Se escolher as variedades adequadas às determina, em boa medida, a dimen-
características do seu jardim ou pomar, são final da árvore. Os porta-enxertos
poderá evitar uma boa parte dos proble- menos vigorosos dão origem a árvores
mas causados pelas doenças e pragas. mais pequenas, mas que necessitam de
Por isso, vale a pena dar-se ao traba- um bom solo e de estrumação regular.
lho de escolher variedades resistentes Daí que, por exemplo, uma macieira
às doenças. enxertada num porta-enxertos M27
fique sempre fraca e pouco produtiva, se
não for plantada num solo muito fértil.
Solo Num solo de qualidade média, um porta-
-enxertos M9 tem mais possibilidades
Quase todas as variedades de árvores de dar origem a uma macieira saudável;
de fruto podem ser cultivadas em solos no entanto, se o solo for pobre e seco,
férteis e bem drenados. Mas, se o solo a melhor escolha é um porta-enxertos
for pobre, é preciso compensar as carên- M26 ou MM106.
cias com a escolha de uma variedade
de crescimento mais vigoroso. Uma pereira enxertada num marme-
leiro-silvestre C é suficientemente vigo-
As árvores de fruto são sempre consti- rosa para se adaptar a quase todas as
tuídas por um enxerto acoplado a um situações, mas, se o solo for pobre,
porta-enxertos, cujo vigor varia. É esse é preferível escolher um marme-
porta-enxertos – e não a variedade – que leiro-silvestre A. E é melhor não plantar

QUE PORTA-ENXERTOS USAR?

M27 M9 MM106
Altura da árvore Após
Produção
quantos
Após 5 anos Altura final máxima
anos?
St. Julien A 3m 5m 25 kg 7
Ameixeiras
Pixy 1,8 m 2,4 m 10 kg 4
Cerejeiras Colt 3m 5m 10 kg 7
MM106 3m 5m 50 kg 7
M26 2,4 m 3,6 m 40 kg 5
Macieiras
M9 2,4 m 3m 20 kg 5
M27 1,5 m 1,8 m 10 kg 4
Marmeleiro MA 2,4 m 3,6 m 40 kg 7
Pereiras
Marmeleiro MC 1,8 m 3m 35 kg 6

69
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

pereiras se o solo for muito calcário. No Localização


entanto, as macieiras adaptam-se bem a
essa situação, se forem plantadas num Um local aberto e soalheiro é o ideal para
buraco profundo enchido com terra de boas colheitas. O pomar deve estar orien-
boa qualidade. Nesse caso, prefira um tado para sul, apesar de a maioria dos
porta-enxertos MM106. arbustos frutíferos se darem bem mesmo
quando estão metade do dia à sombra. As
Se as cerejeiras forem acopladas a um groselheiras-de-cachos e as ginjeiras têm
porta-enxertos como a cerejeira-brava, uma boa produção mesmo quando apoia-
ficarão muito altas. Isso pode impedir a das em vedações ou muros orientados a
colocação de uma rede, e a maioria das norte. As macieiras exigem bastante sol e
cerejas acabará por servir de alimento as pereiras só têm um bom rendimento
aos pássaros. Os porta-enxertos de gin- em locais soalheiros e protegidos.
jeira dão origem a árvores de tamanho
mais razoável. No entanto, essas árvo- Se vive numa região fria ou se o pomar
res de menor porte exigem um solo estiver demasiado exposto, plante varie-
mais rico. dades de floração tardia, que terão mais
hipóteses de ser fecundadas. Os arbustos
Se decidir plantar árvores de fruto, frutíferos sarmentosos, quando planta-
lembre-se de que a maioria tem raízes dos em locais desprotegidos, produzem
pouco profundas. Por isso, são sensí- pouco: o vento deteriora os caules e pode
veis às secas ou à humidade excessiva. afastar os insetos polinizadores.
Se o terreno for “leve”, convém adicio-
nar-lhe uma boa quantidade de matérias
orgânicas, antes da plantação, e colocar Resistência às doenças
mais tarde uma camada de palha em
volta da árvore. No caso de terrenos Quando comprar arbustos frutíferos, é
“pesados”, plante as árvores em zonas conveniente garantir junto do vendedor
mais altas, a fim de facilitar a drenagem. que estão isentos de vírus.

70
A estufa

6
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Nenhuma planta está totalmente ao abrigo de problemas.


Por exemplo, os ataques de pulgões são sempre possíveis.
Uma escolha criteriosa das variedades e a utilização das técnicas
adequadas ajudá-lo-ão a evitar problemas graves na sua estufa.

Legumes bastante trabalhoso, mas pode tornar-se


um pouco mais fácil se escolher algu-
•  O tomate é o legume de estufa por mas das variedades que não precisam
excelência. Embora possam surgir de ser desfolhadas, tais como a “Luca”
alguns problemas, a maioria dos horte- ou a “Elko”.
lãos consegue cultivá-lo todos os anos,
sem grandes dificuldades. Se for atacado •  Os pimentos têm a reputação de
por alguma doença, opte por uma varie- serem sensíveis às pragas e às doen-
dade resistente. O cultivo do tomate é ças. No entanto, não são mais sensíveis

72
A
A ESTUFA 6
do que o tomate. Um bom método de desenvolver doenças, como, por exem-
cultivo evitará a maioria dos proble- plo, a podridão-cinzenta.
mas, apesar de algumas pragas, como
os pulgões, as moscas-brancas ou os Até agora, os investigadores não têm
aranhiços-vermelhos, poderem atacar dedicado muitos esforços ao desenvol-
as plantas em qualquer altura. vimento de plantas ornamentais resis-
tentes, porque a maioria não dá gran-
•  A alface é sensível à podridão-cinzenta des problemas. Mas se quiser reduzir
e ao míldio. Um bom arejamento ajuda a ao máximo a possibilidade de as coisas
prevenção. A alface-de-corte é uma das correrem mal, restrinja a sua escolha a
mais resistentes. variedades de boa reputação, como, por
exemplo, o Chlorophytum, as sansevié-
rias e um grande número de catos.
Plantas ornamentais
Os crisântemos, as sardinheiras e os Plantas frágeis
brincos-de-princesa são, provavelmente,
as plantas de estufa mais populares. •• Algumas plantas de estufa são particular-
mente sensíveis. As beringelas têm um rendi-
mento fraco e atraem mais pulgões e moscas-
•  Os brincos-de-princesa e os crisân-
-brancas do que quaisquer outras plantas.
temos não dão problemas de maior,
embora os primeiros sejam frequen- •• Os pepinos também podem dar problemas:
temente atacados por pulgões e os são hipersensíveis a doenças virais trans-
segundos sejam sensíveis à ferrugem e mitidas pelos pulgões, costumam ser ataca-
à mineira-das-folhas. dos por fungos e, em estufa, podem contrair
fusariose, verticiliose e oídio. As moscas-
•  As sardinheiras podem atrair moscas- -brancas e os aranhiços-vermelhos também
-brancas e, se as condições forem más, atacam mais os pepinos do que o tomate.

Problemas na estufa

À procura das causas ——Ferrugem-branca: pequenas manchas


amarelas nas folhas.
Se encontrar alguma planta de estufa —Doenças
— virais: folhagem amarela, mar-
corroída, manchada ou com sinais de moreada e enrolada; crescimento lento.
podridão, eis algumas indicações que ——Aranhiços-vermelhos: folhas sarapinta-
lhe permitirão encontrar o culpado. das e amareladas.

1. Folhas amarelas 2. Orifícios nas folhas


——Carência de azoto. ——Percevejos capsídeos.

73
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

——Lagartas. 6. Sinais brancos nas folhas/nos caules


——Bicha-cadela: orifícios irregulares nas ——Cicadelas: minúsculas manchas bran-
folhas e flores. cas sobre as folhas.
——Lesmas e caracóis: procurar rastos ——Mineiras-das-folhas: linhas brancas e
viscosos. sinuosas.
——Bichos-de-conta: plântulas roídas.
7. Incrustações nos caules ou nas folhas
3. Podridão/míldio nas folhas/caules ——Cochonilhas-algodão: colónias inteiras,
——Míldio: cobertura branca por baixo cobertas de pó branco e ceroso.
das folhas. ——Cochonilhas: incrustações castanhas
——Podridão-cinzenta: bolor cinzento. sobre os caules e as nervuras das folhas.
——Cladosporiose: podridão castanho-
-violeta por baixo das folhas. 8. Plantas murchas
——Oídio: fina camada poeirenta sobre as ——Carência de água.
folhas e os caules. ——Verticiliose: as folhas inferiores tor-
nam-se amarelas.
4. Manchas castanho-escuras ou cor ——Cancros castanhos nos caules.
de laranja ——Gorgulho ou bicho-da-estufa: larvas
——Ferrugem: debaixo das folhas. nas raízes.

5. Descoloração castanho-prateada 9. Podridão nos caules


——Tripes. ——Pé-negro: pé mole e negro.
—Doenças
— das sementes: plântulas pros-
tradas devido a ataque precoce de fungos.

À esquerda, em cima,
cochonilha-algodão
sobre um cato

À esquerda, em baixo,
cancro em tomateiros

À direita, begónias
atacadas pelo oídio

74
A
A ESTUFA 6
10. Crescimento alterado
——Vírus: folhas marmoreadas. Problemas
—Percevejos
— capsídeos: orifícios nas folhas. nas sementeiras
A doença-das-sementeiras é o problema
11. Infestações de insetos
mais frequente. Um fungo vindo do solo ataca
——Formigas. os pés das plantas ainda jovens, que acabam
——Pulgões: verdes ou negros. por sucumbir.
——Aranhiços-vermelhos: ácaros minúscu-
los, folhas amareladas. •• A melhor prevenção é uma boa higiene:
—Mosquito-do-composto:
— insetos voadores lave cuidadosamente os vasos e as caixas
sobre o composto ou em volta das plan- de sementeiras com água quente e sabão.
tas; vermes brancos sobre o composto.
——Colêmbolos: insetos brancos saltitan- •• Utilize sempre húmus vegetal desembalado
recentemente e não semeie muito denso.
tes no composto.
•• Regue na base dos caules, pois o fungo pode
12. Montinhos espumosos transmitir-se através dos salpicos de água.
——Cuspo de cuco: proveniente de cigarri-
nhas espumosas.

Doenças na estufa

Limitar os riscos Na compra


Tenha cuidado, para que as novas plantas
Quando uma planta já está atingida por não introduzam doenças na estufa. Inspe-
uma doença grave, pouco mais se pode cione-as bem antes de comprar e rejeite
fazer. Por isso, há que apostar, sobre- aquelas que estiverem fracas ou apresen-
tudo, na prevenção. tem sintomas de pragas ou doenças.

O solo da estufa
São poucas as possibilidades de cultivar o completamente o solo da estufa, o que dá
mesmo legume, no mesmo local e durante bastante trabalho.
mais de dois anos seguidos, sem que se Existe uma alternativa mais simples:
manifestem doenças. aplane o solo, cubra-o com uma folha de
Por isso, no sítio onde este ano pôs plástico grosso e aplique outras técnicas,
tomate, por exemplo, tente cultivar pepi- como a cultura em vasos, em sacos, etc.
nos no ano que vem. Se se manifestar uma Outra opção é a aplicação da técnica da
doença recorrente, o melhor é renovar solarização (veja a caixa na página 77).

75
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

No cultivo o risco de se desenvolverem doenças


Nunca tente cultivar novamente tomate vindas do solo é muito grande.
ou plantas da mesma família (beringe-
las, pimentos, batatas) no mesmo local Nas regas
ou então utilizando o mesmo composto: Regue na base das plantas ou utilize

LUTA CONTRA AS DOENÇAS


Doenças Plantas expostas Sintomas Tratamento
Retirar as plantas doentes.
Cancros Tomate, durante Plantas prostradas, cancros
Limpar cuidadosamente a estufa
(Didymella) o verão castanhos na base dos caules
após a colheita
Arejar bem. Limpar com cuidado a
Tomate, durante Uma podridão castanho-violeta
Cladosporiose estufa e o material utilizado, no final
o verão na parte interior da folha
do outono
Plantas em germinação As plantas em germinação Utilizar um substrato estéril
Doença-das-
e, por vezes, plantas prostram-se no solo, geralmente e vasos/alfobres limpos.
-sementeiras
ainda jovens na primavera e no outono Não semear muito denso
Beringelas e alfaces. Caules cobertos de uma Utilizar um substrato estéril
Esclerotiniose No verão, ataca muitas podridão branca, como penugem. e eliminar as plantas atingidas.
outras plantas Podridão junto ao solo Aplicar a técnica da solarização
Brincos-de-princesa, Pequenas manchas castanho- Eliminar as plantas atingidas.
Ferrugem cravos, crisântemos, -escuras ou alaranjadas nas folhas Limpar as ervas daninhas dentro
pelargónios e alfaces e nos caules, no verão e à volta da estufa
Manchas amarelas na parte
Ferrugem-
Crisântemos inferior das folhas, que se tornam Retirar as folhas atingidas
-branca
castanhas e, por fim, brancas
Não semear muito denso, utilizar
Diversas variedades
Folhas manchadas, com uma um substrato estéril. Arejar bem.
Míldio de alfaces, cinerárias e
cobertura branca na parte inferior Pulverizar com uma solução
sementes de girassol
de bicarbonato de sódio
Evitar molhar as folhas. Arejar bem.
Pulverizar com uma solução de
Uma camada branca bicarbonato de sódio ou polvilhar
Oídio Plantas diversas e poeirenta nas folhas com enxofre em pó (eficaz para
e nos caules, durante o verão temperaturas entre os 18ºC e os
29ºC; acima dos 29ºC, pode causar
danos à planta)
Podridão- Uma cobertura cinzenta
Arejar bem. Retirar as folhas,
-cinzenta A maioria das plantas ou acastanhada nos
os caules e as flores mortas
(Botrytis) caules e nas folhas
Rebentos das
Eliminar as plantas antigas. Manter
sardinheiras, por vezes A base do caule fica mole, negra
Pé-negro a estufa limpa e utilizar vasos/
também as plantas e podre; a planta morre
/alfobres limpos
já adultas
Utilizar, de preferência, sacos
Plantas prostradas; folhas
de cultura ou aplicar a técnica da
Verticiliose Tomate e beringelas, inferiores amareladas; em caso
solarização. Conservar as plantas
e fusariose durante o verão de verticiliose, um corte nos caules
atingidas vivas, pulverizando com
mostra umas linhas castanhas
água e mantendo-as à sombra
Todas as plantas, Folhas marmoreadas e Eliminar as plantas atingidas.
Vírus em qualquer estação deformadas ou crescimento Combater os insetos responsáveis,
do ano abrandado para evitar a propagação do vírus

76
A
A ESTUFA 6
um regador sem crivo, para evitar os
salpicos, pois estes podem transmitir Solarização
esporos patogénicos e contaminar as
plantas sãs. Técnica usada para controlo de fitopatogéneos,
ervas daninhas e pragas através do aque-
Para evitar a podridão-cinzenta e o míl-
cimento do solo por meio da radiação solar.
dio, reduza as regas e retire os tapetes Consiste em regar abundantemente o solo nu e
capilares no outono, pois assim mantém cobri-lo com uma película de plástico transpa-
a taxa de humidade num nível baixo. rente durante os meses de verão, por um perío-
Areje sempre que for possível. do de quatro a seis semanas.

Pragas na estufa

Limitar os problemas as moscas-brancas e os pulgões. Tam-


bém pode misturar uma gota de deter-
Não favoreça o aparecimento de pragas. gente para a louça em meio litro de
Mantenha os vasos, as caixas de semen- água (uma preparação mais forte pode
teira e o composto não utilizados longe da causar danos às plantas). A utilização
estufa (na arrecadação, garagem, etc.). Não de um pulverizador facilita a operação,
deixe que as ervas daninhas se desenvol- mas não o faça se estiver muito sol, pois,
vam, nem no interior nem à volta da estufa, nesse caso, as gotas de água podem
pois podem abrigar pragas. No fim de cada queimar as folhas. É preferível retirar
estação, arrume e limpe bem a estufa. as plantas muito afetadas. Queime-as no
final da estação. Quando se tem um pro-
blema com pragas é aconselhável limpar
Quando prevenir não chega tudo muito bem e substituir todas as
plantas, no ano seguinte.
Se, apesar de tudo, as suas plantas
forem atacadas por pragas, há sempre a
possibilidade de utilizar métodos de luta Tratamento biológico
que não recorram a produtos químicos.
Lutar biologicamente contra uma praga
•  Crie espaços entre as plantas, para significa incentivar o respetivo preda-
evitar a propagação. Retire as pragas e dor natural. Mas o sucesso só é possível
os respetivos ovos e elimine as folhas e quando se age mal surgem os primeiros
rebentos afetados. sintomas. Liberte os predadores natu-
rais sobre as plantas atingidas e aguarde
•  Experimente utilizar calda de sabão o resultado. Mantenha a estufa a uma
de potássio (1,5 kg/100 l), para eliminar temperatura superior a 20ºC.

77
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

COMO COMBATER AS PRAGAS SEM USAR PRODUTOS QUÍMICOS


Pragas Plantas expostas Sintomas Tratamento
Aranhiços- Folhas sarapintadas e amareladas. Rega por aspersão. Tratamento
Diversas plantas
-vermelhos Pequenos insetos e teias visíveis biológico (veja a página 80)
Orifícios irregulares nas folhas Capturar as bichas-cadelas em vasos
Bichas-cadelas Muitas flores e
e flores. Os insetos são visíveis virados ao contrário e cheios de palha.
ou forfículas muitos frutos
durante a noite Manter a estufa bem arrumada
Bichos-de-
Sementeiras Plântulas roídas Manter a estufa limpa e arrumada
-conta
Cicadelas ou Pequenas manchas brancas
Pepinos, tomate e
cigarrinhas- sobre as folhas. Casulos antigos Retirar as folhas atingidas
plantas em vasos
-verdes de crisálidas, sob as folhas
Crisântemos
Cigarrinhas- Montinhos espumosos Nenhum tratamento
e plantas
-da-espuma (cuspo de cuco) sobre as folhas (insetos inofensivos)
ornamentais
Retirar as cochonilhas com as
Diversas plantas Pequenas incrustações sobre
Cochonilhas unhas, esfregá-las com álcool etílico
em vasos os caules e as nervuras das folhas
ou pulverizar com óleo de verão
Colónias de pequenos insetos Esfregar com álcool etílico
Cochonilhas- Plantas em vasos
moles, cobertos de um pó branco ou pulverizar com óleo de verão
-algodão e vinhas
e ceroso (óleo inseticida)
Plantas em Nenhum tratamento, são apenas um
Pequenos insetos no composto,
Colêmbolos composto sem indício de que o composto está mal
que saltam quando os incomodam
terra de cultivo drenado
A maioria das Protegem e propagam os pulgões,
Seguir as colunas de formigas
Formigas plantas, na prima- as cochonilhas-algodão e outros
até ao ninho e destruí-lo
vera e no verão insetos
Gorgulho ou Ciclames, Eliminar as plantas atingidas ou retirar
bicho-da- begónias e muitas A planta murcha; larvas nas raízes o composto, lavar as raízes e mudar
-estufa outras de vaso
A maioria das Retirar as lagartas e os ovos
Grandes orifícios irregulares
Lagartas plantas, na prima- à mão. Tratamento biológico
nas folhas
vera e no verão (veja a página seguinte)
Manter a estufa arrumada e limpa.
Lesmas Diversas plantas Folhas roídas e traços pegajosos Colocar barreiras para lesmas
(aparas de madeira, cinza, enxofre)
Mineiras- Crisântemos, Retirar as folhas atingidas ou apertar
Linhas brancas e sinuosas nas
-das-folhas tomate a extremidade mais larga da galeria
folhas
(moscas) e cinerárias (para matar a larva)
Beringelas,
Pequenas moscas brancas.
Moscas- pimentos, tomate, Aplicar um tratamento biológico
Melada pegajosa, sobre a qual
-brancas brincos-de- ou eliminar com aspirador
cresce um fungo negro
-princesa, etc.
Todas as plantas,
Pequenos insetos voadores sobre
Mosquitos- sobretudo no Substituir por um composto em bom
o composto em volta das plantas.
-do-composto composto sem estado e não regar em demasia
Vermes brancos no composto
terra de cultivo
Diversas plantas, Tentar uma pulverização com uma
Percevejos Furos irregulares nas folhas, que
sobretudo os solução de sabão de potássio
capsídeos podem encontrar-se deformadas
crisântemos (1,5 kg/100 l)
As colónias formam montes vis-
A maioria das Esfregar e pulverizar com água e
Pulgões cosos sobre as folhas e os caules.
plantas sabão. Colocar joaninhas nas folhas
Transmissão de vírus
Ignorar, quando em pequenas
Descoloração castanho-prateada
Tripes Diversas plantas quantidades. Tratar com Spinosade
nas folhas ou pétalas
ou eliminar as plantas muito atingidas

78
A
A ESTUFA 6
Contra as lagartas
A bactéria Bacillus thuringiensis mata as Mitos tenazes
lagartas sem afetar os outros insetos. É
vendida sob a forma de esporos secos, •• Os cravos-de-tunes
Há quem diga que é possível combater as
que devem ser misturados com água.
moscas-brancas plantando cravos-de-tunes.
A  aplicação do produto faz-se através Apesar de não existirem dados precisos sobre
de pulverização. A bactéria mata as o assunto, um teste efetuado na Califórnia
lagartas, paralisando-lhes o sistema mostrou que alguns feijoeiros plantados ao
digestivo. Repita o tratamento se houver lado de cravos-de-tunes, de erva-dos-gatos e
reincidência. de segurelha continham mais moscas-brancas
do que outros feijoeiros que tinham sido plan-
Contra as cochonilhas-algodão tados isoladamente.
Estes insetos servem de alimento a co-
•• Armadilhas
leópteros predadores do género Cryp-
Há também quem defenda que as armadilhas
tolaemus, cujas larvas, que se parecem pegajosas de cor amarela permitem capturar
com grandes cochonilhas-algodão, são as moscas-brancas. É verdade que elas são
igualmente vorazes. atraídas pela cor amarela. Mas o mesmo acon-
Estes coleópteros são vendidos no tece com insetos úteis, que também seriam
estado adulto ou larvar. Desenvolvem-se apanhados…
bem com uma temperatura que ronde os
20ºC a 26ºC e com uma taxa elevada de
humidade. Ponha um inseto em cada
planta, pois eles gostam de um territó-
rio próprio. Contra as moscas-brancas
Mantenha as portas e as janelas fecha- A Encarsia formosa é um pequeno hime-
das até que os insetos se fixem nas plan- nóptero muito eficaz na luta contra as
tas, pois, caso contrário, podem fugir. moscas-brancas. Põe os ovos nas pró-
A praga deverá encontrar-se bastante prias larvas e mata-as.
reduzida passados dois ou três meses. Os insetos são vendidos dentro de
larvas já parasitadas, numa pequena
folha de cartão. Depois, saem e

À esquerda,
predador da
cochonilha-
-algodão

À direita,
em cima,
predador da
mosca-branca

À direita,
em baixo,
larvas da
mosca-branca,
parasitadas

79
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

parasitam outras larvas. Devem ser uti-


lizados assim que se aviste a primeira Um sapo na estufa
mosca-branca.
Muito antes de se falar em tratamentos
biológicos, já havia jardineiros e horte-
Contra os aranhiços-vermelhos lãos que colocavam sapos nas estufas,
O aranhiço-vermelho é atacado por para os ajudarem na luta contra as pra-
ácaros carnívoros do género Phytoseiu- gas. Os sapos alimentam-se de insetos,
lus. Estes vendem-se em garrafas, mis- larvas, lesmas e até bichas-cadelas.
turados com vermiculite, e devem ser Precisam de uma atmosfera húmida,
colocados sobre as plantas atingidas. de uma vegetação densa e de um local
De preferência, a temperatura ambiente retirado para hibernar. Se puser um
na estufa deve ser superior a 18ºC. sapo na sua estufa, deixe uma abertura
para que possa sair e reproduzir-se.

Higiene na estufa

Limpar a estufa A sujidade entre os vidros sobrepostos


pode ser eliminada com a ajuda de um
No inverno, a estufa deve ser bem limpa, pedaço de cartão ou de plástico duro. Para
para prevenir as infestações de pragas e retirar as algas mais renitentes, ponha-
doenças. -lhes uma gota de lixívia e, após alguns
minutos, limpe tudo com um vaporizador
•  Execute essa tarefa com tempo ameno de jardim. Mas não limpe tudo com lixí-
e seco. Transfira as plantas para um via, pois esta é nociva para as plantas.
local ao abrigo da geada. Se tiver eletri-
cidade na estufa, desligue a corrente e •  Um pedaço de plástico duro também
cubra todas as tomadas com plástico. pode ser útil para retirar o musgo e a
Retire os produtos ou materiais que usa sujidade das fendas e do algeroz. Nas
para fazer sombra. Em Portugal é mais regiões onde a água é “dura”, os vidros
comum utilizarem-se estufas de plás- podem ficar cobertos por uma fina
tico. No caso de estufas de vidro, lave camada de calcário. Retire-a, utilizando
os vidros, por dentro e por fora, com vinagre. Escove as plataformas, os pas-
água e sabão ou detergente biodegradá- seios e as fundações de pedra com água
vel. Não se esqueça de nenhuma fenda e sabão ou detergente biodegradável,
ou ranhura onde as pragas se possam para eliminar a sujidade e as algas.
abrigar.
•  Por fim, enxague bem o interior, utili-
•  Utilize um esfregão de palha de aço zando uma mangueira. Deixe as portas e
para limpar os cantos do alumínio. as janelas abertas, para que a estufa possa

80
A
A ESTUFA 6
secar. Passados alguns dias, volte a colo- •  Se a estufa ficar vazia durante o
car as plantas no seu lugar. Mas, antes, inverno, pode deixá-la aberta durante
inspecione-as bem e retire as que estive- alguns dias, para que o frio e a geada
rem doentes ou atacadas por pragas. façam o seu trabalho.

Lave o exterior da estufa, Utilize um pedaço de plástico duro


para melhorar a luminosidade (uma etiqueta de planta, por exemplo)
para limpar o espaço entre os vidros.
Não se esqueça dos cantos

Pode usar o mesmo processo para retirar


o musgo da zona inferior da estufa

Check-up de inverno
•• Veja se existem entradas de ar na estufa, o termóstato se escontra a funcionar
e, se for o caso, isole-as com um adesivo corretamente.
impermeável. Isole também a porta.
•• Isole bem a estufa com folhas de polies-
•• Substitua os vidros partidos. tireno (esferovite) e de plástico térmico.
Isole as aberturas de ventilação sepa-
•• Verifique cuidadosamente o sistema de radamente, para que se mantenham
aquecimento e, nos aparelhos a para- móveis.
fina, não se esqueça de ver se as mechas
estão secas e bem cortadas. •• Corte os sistemas de rega na torneira de
segurança, mas não feche as torneiras
•• Se o aquecimento for elétrico, verifi- que se encontram no interior da estufa.
que, com a ajuda de um termómetro, se Retire os tapetes capilares.

81
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Vasos, caixas de sementeiras e sacos


•• Antes de os arrumar, lave cuidadosamente para plantas de estufa: pode abrigar pra-
todos os vasos, caixas, etc. Escove os res- gas, germes de doenças e já não conter
tos de terra ou composto e passe por água suficientes matérias nutritivas.
corrente. Os vasos de cerâmica podem
conter um depósito mineral cinzento: •• Os sacos de cultura não podem ser apro-
deixe-os de molho durante uma noite. veitados para o tomate ou os pepinos, por
exemplo, pois o risco de transmissão de
•• Lave bem os vasos e caixas de sementei- doenças é demasiado grande. É preferí-
ras, com água e sabão ou um detergente vel deitá-los fora e utilizar o composto no
biodegradável, e arrume-os na arrecada- jardim. Mas também pode aproveitá-los
ção ou na garagem. para outras culturas, como, por exemplo,
a alface ou os morangos, desde que junte
•• Nunca aproveite o substrato já utilizado um pouco de adubo.

Preparar as plantas caules. Seque-os na estufa. A terra sol-


para o inverno tar-se-á sozinha, quando estiverem secos
(mas também pode lavá-los quando os
Plantas anuais desenterrar).
Se ainda houver restos de plantas anuais Elimine as raízes finas e fibrosas, para
na estufa (pepinos ou tomate, por exem- manter a raiz de origem sólida e em bom
plo), ponha-os diretamente na pilha estado. Corte o caule a uma altura entre
do composto. 10 e 15 centímetros. Deixe os tubércu-
los a secar durante alguns dias, vira-
Bolbos e tubérculos dos para baixo, para que a água que os
Os bolbos e tubérculos em estado de caules contêm escorra totalmente. De
repouso (de begónias ou gloxínias, por seguida, embale e cubra os tubérculos,
exemplo) não devem ficar nos vasos. para que não sequem. O ideal é pô-los
Desenterre, limpe e conserve os bolbos em caixas baixas, cheias de turfa seca,
na estufa, se possível dentro de turfa que deverão ser arrumadas num local
seca. bem seco.
A maioria dos bolbos e tubérculos de jar-
dim também não se dá bem com a geada: •  Gladíolos
por isso, desenterre-os e guarde-os na Os bolbos de gladíolos devem ser desen-
estufa. Devem ser conservados num local terrados logo que as folhas fiquem casta-
fresco, mas ao abrigo do frio, o que signi- nhas, antes das chuvas de outono. Tenha
fica que será necessário aquecer a estufa o cuidado de não danificar os bolbos e
nos dias mais frios (ou guardar os bolbos as folhas quando os arrancar. Corte as
e tubérculos dentro de casa). folhas o mais próximo possível dos bol-
bos e coloque-os numa prateleira, den-
•  Dálias tro da estufa, para que sequem.
Desenterre os tubérculos logo que Passadas cerca de duas semanas, poderá
as primeiras geadas escurecerem os retirar os bolbilhos. É importante que

82
A
A ESTUFA 6
haja uma boa circulação de ar: por isso,
conserve os bolbos em caixas abertas ou
em sacos de serapilheira.

Plantas vivazes
Inspecione regularmente as plantas
vivazes: retire as folhas mortas, secas ou
doentes, bem como as flores murchas.
No inverno,
proteja os
Crisântemos gladíolos
Os crisântemos, apesar de resistirem à do frio,
geada, não gostam de invernos húmidos. guardando-os
As plantas de exterior devem ser desen- na estufa
terradas três ou quatro semanas após a
floração (outubro/novembro).
Prevenir os problemas de inverno
Corte os caules 30 centímetros acima
do solo e arranque as plantas, com •• Não deixe aumentar os níveis de humidade:
tempo seco, para evitar que venha diminui as perdas de calor por evaporação
demasiada terra agarrada às raízes. e evita a podridão-cinzenta.
Conserve somente as plantas sãs e
queime as que estiverem doentes. •• Não regue demasiado e evite os salpicos
Sacuda as plantas, para as desembara- de água.
çar da terra, e depois lave-as com água
morna. Os pés das plantas devem ser •• Areje, sempre que possível, sem deixar
que a estufa arrefeça demasiado.
arrumados uns contra os outros, numa
caixa de madeira, e os espaços vazios
•• Elimine as ervas daninhas, tanto no interior
entre eles preenchidos com composto. como à volta da estufa, pois podem abrigar
Não enterre as rosetas. Elimine tudo pragas.
o que estiver verde à altura do solo.
Conserve as caixas numa estufa fria •• Inspecione regularmente as suas plantas.
(não aquecida) e regue de maneira Elimine as que estiverem atingidas por pra-
que o composto se vá mantendo ligeira- gas ou doenças.
mente húmido.
•• Não guarde vasos, caixas de sementeiras ou
sacos velhos na estufa, pois podem abrigar
Sardinheiras bichos-de-conta, caracóis, lesmas e outras
No inverno, as sardinheiras devem man- pragas.
ter-se ligeiramente húmidas e ao sol.
Na prática, elas passam muitas vezes o •• Limpe regularmente o exterior da estufa:
inverno no estado de estacas, que se for- favorece a iluminação e reduz as perdas
mam a partir da segunda quinzena de de calor por irradiação.
agosto. Areje o mais possível, mas man-
tenha uma temperatura de, pelo menos,
7ºC. Nas estufas não aquecidas e em
noites muito frias, cubra as plantas com Brincos-de-princesa
jornal. Em caso de geadas muito fortes, Os brincos-de-princesa passam o
guarde as plantas em casa. inverno no estado de estacas, que se

83
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

formam a partir de setembro ou outu- Guarde os brincos-de-princesa em


bro. As variedades correntes devem caixas e envolva as raízes em com-
ser arrancadas em meados de outu- posto húmido. Regue-as cuidadosa-
bro, antes das primeiras geadas, e mente, de forma a evitar a desidrata-
as outras logo após este período. ção das plantas.

Melhorias a fazer na estufa


Durante o verão, a estufa tende a ocupar das estufas de alumínio que podem
uma boa parte do seu tempo: regas con- ser montados na zona inferior da
tínuas, abertura e fecho das janelas, etc. estufa, perto do solo. Se a estufa for de
Eis algumas sugestões para facilitar tais madeira, também pode pôr uma janela
tarefas e melhorar a estufa, permitindo- com dobradiças junto das prateleiras
-lhe obter plantas vigorosas e sãs. ou colocar algumas janelas de correr
perto do chão.
Ventilação automática
•  Os ventiladores automáticos acionam •  Poderá assegurar uma ventilação
as aberturas quando a temperatura suplementar se deixar a porta aberta,
interior ultrapassa o nível programado mas, nesse caso, é conveniente colocar
e fecham-nas quando a temperatura uma rede, para afastar cães, gatos e
baixa. Dessa forma, deixa de ser neces- pássaros.
sária qualquer intervenção manual.
Sombra
•  Os mecanismos que asseguram o Em pleno verão, os vidros devem ser
fecho pela ação da gravidade só servem tapados, para evitar os aquecimentos
para as aberturas do teto. Para as aber- excessivos. Mas, se o tempo estiver
turas laterais, é necessário equipamento nublado, as plantas devem beneficiar
suplementar. do máximo de luminosidade e, nesse
caso, a sombra não deve ser excessiva.
•  Muitas estufas pequenas só pos- Os materiais para fazer sombra devem
suem uma abertura no teto, o que é ser colocados no exterior da estufa,
insuf iciente para uma boa ventila- nos lados virados a sul e a oeste. A
ção. Durante o verão, o ideal é que a pincelagem dos vidros com cal branca
superfície de aberturas no teto repre- é o método mais conhecido, embora
sente, pelo menos, 1/6 da superfície a chuva retire facilmente a cal. Esta
do solo (ou 1/5, para as estufas que adere melhor se lhe for acrescentado
não disponham de ventilação lateral). um pouco de gesso. Também é possível
Se necessário, faça mais aberturas encontrar no mercado uma mistura de
no teto, para criar uma corrente de cal com um fixador, muito mais ade-
ar em toda a estufa. Existem ventila- rente, que só é eliminada por chuvas
dores laterais adaptáveis à maioria muito fortes.

84
A
A ESTUFA 6
Rega automática
Os tapetes capilares podem ser utilizados 1. Sistema de rega gota
de várias maneiras, de forma a humedecer a gota, ligado à rede
as plantas colocadas em prateleiras ou em de distribuição da água
mesas de estufa.

2. Recipiente na Tapete 3. Recipiente na vertical:


extremidade da mesa, capilar a água vai pingando, gota
servindo de reservatório a gota, para um algeroz
colocado ao longo da mesa

Aquecimento e isolamento narão uma maior resistência ao frio.


Para proteger o seu espaço de uma
Um sistema de aquecimento, apesar forma eficaz, coloque materiais iso-
de permitir um uso mais polivalente lantes no interior das paredes. Caso as
da estufa, não é muito aceitável do plantas estejam em prateleiras, isole o
ponto de vista ecológico. Além disso, vidro com poliestireno expandido e o
os bons aparelhos que permitem aque- resto com plástico térmico. Se também
cer a estufa (elétricos, com termós- tiver plantas no solo, isole tudo com
tato) são relativamente caros. plástico térmico, para deixar passar a
luz. Este material permite reduzir as
•  Os aparelhos que funcionam a gás ou perdas de calor em cerca de 40 por
parafina são mais baratos do que os res- cento, contra os 30 por cento do plás-
tantes; no entanto, a estufa tem de ser tico transparente comum.
bem arejada, para deixar sair o excesso
de dióxido de carbono e de vapor de •  Um corta-vento (por exemplo, uma
água. A potência do sistema de aqueci- sebe ou uma bordadura de arbustos
mento depende do local de residência, colocada de modo que não faça som-
da estufa (tamanho, forma e localização) bra para a estufa) pode reduzir con-
e da temperatura que se deseja obter. sideravelmente as perdas de calor,
sobretudo se as estufas estiverem em
•  Um isolamento adequado e uma hortas ou jardins muito expostos ao
proteção correta da estufa proporcio- vento.

85
7
Lutar contra
as doenças
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Ameixeira atacada pela ferrugem

É muito difícil lutar contra as doenças quando as plantas já se


encontram gravemente afetadas. Por isso, se não deseja utilizar
fungicidas, a higiene e uma vigilância constante são indispensáveis
para manter a saúde das plantas.

Higiene no jardim — retirando, se possível, todas as folhas


mortas ou flores murchas e podando os
Os esporos patogénicos hibernam sobre ramos doentes ou mortos das árvores
os restos de vegetais ou no solo, prontos e dos arbustos.
a infetar as novas plantas na primavera.
Por isso, elimine os potenciais núcleos
de infestação: Água e adubo
— apanhando, sem demora, os restos
de plantas; As plantas vigorosas são menos sensí-
— não deixando acumular folhas mortas, veis às doenças. Assegure a fertilidade
restos de podas, etc.; do solo, pondo-lhe estrume e composto
— limpando cuidadosamente os vasos, e, na primavera, adicionando-lhe um
caixas de sementeiras, tutores e outros adubo orgânico (por exemplo, fari-
materiais no final da estação; nha de sangue e osso). Regue bem as
— deitando fora ou queimando as plantas. Se isso não for possível, deixe
folhas doentes, em vez de as juntar entre elas espaços maiores do que o
ao composto; habitual e proteja-as com cobertura do

88
A
LUTAR CONTRA AS DOENÇAS 7
solo, para manter a humidade e evitar
as ervas daninhas. Não transmita as doenças
Quando compra ou aceita plantas
de couve ou plantas ornamentais da
Solo são mesma família (goiveiros, por exem-
plo), arrisca-se a introduzir a hérnia-
Muitas doenças caem, de forma mais -da-couve no seu jardim, pois essas
ou menos literal, do céu (através de plantas podem estar contaminadas.
esporos ou insetos). Mas outras, como Do mesmo modo, quando visita uma
a hérnia-da-couve ou a podridão-branca horta infestada por esta doença,
da cebola e do alho-francês, provêm arrisca-se a levá-la na sola dos sapa-
do solo. A melhor prevenção contra tos. Se for o caso, lave muito bem os
tais doenças consiste em mudar, todos sapatos, para evitar a contaminação, e
inspecione bem as plantas que tenciona
os anos, o local de cultivo. Para mais
comprar (veja a partir da página 201).
detalhes sobre a rotação de culturas,
veja a página 39.

Ervas daninhas Identificar as doenças


As ervas daninhas podem abrigar pul- As doenças a seguir enumeradas costu-
gões e muitas outras pragas transmis- mam afetar, entre outras, diversas plan-
soras de doenças. Algumas (como a tas ornamentais. Existem doenças que
serralha, por exemplo) são muito sen- só atingem um tipo específico de plan-
síveis ao míldio, que podem transmitir, tas e que são mencionadas noutros capí-
de seguida, às plantas cultivadas. tulos (veja a página 62 para as árvores
de fruto e a página 49 para os legumes).

Cobrir o solo Oídio


O oídio caracteri-
A cobertura do solo pode contribuir za-se pelo apare-
para evitar a propagação de doenças: os cimento de uma
esporos agarrados aos restos de vegetais camada branca e
não conseguem atravessá-la e depositar- poeirenta sobre as
-se sobre novas plantas com a ajuda da folhas e os reben-
chuva. Sobre os métodos para cobrir o tos de numerosas
solo, veja as páginas 147 e seguintes. plantas. É  espe-
cialmente prejudi-
cial para macieiras,
Variedades resistentes groselheiras-de-cachos, videiras, pepi-
nos, pimentos, ervilhas, couves, rába-
Existem variedades de frutos, de flores e nos, nabos, miosótis, ásteres-de-outono e
de legumes resistentes a algumas doen- rosas. Aparece quando o tempo está seco,
ças. Experimente essas variedades se as na altura em que as plantas recebem
suas plantas forem regularmente atingi- menos água, e é particularmente grave
das por doenças. quando aquelas se encontram demasiado

89
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Um rebento gravemente atingido pelo oídio

densas. A cobertura do solo e as regas


ajudam a evitá-lo. Corte os rebentos atin-
gidos e, em último caso, pulverize ou pol-
vilhe com enxofre.

Míldio
O míldio é muito mais
grave do que o oídio,
pois pode penetrar nas
folhas e matar a planta.
Esta doença tem uma
aparência de penugem
na parte inferior das
folhas e ataca, sobre-
tudo, quando o tempo
está quente e húmido.
Retire as folhas atingidas. Se o ataque
for muito grave, destrua a planta ou
cubra-a com sulfato de cobre e cal apa-
gada (calda bordalesa, admitida na agri-
cultura biológica).
que isola da luz algumas partes da
Podridão-cinzenta planta. Retira-se com água e sabão mole,
Caracteriza-se pelo apa- também designado “sabão de potássio”.
recimento de uma pe-
nugem cinzenta Ferrugem
sobre as folhas, os As diversas espécies
caules ou frutos e de ferrugem caracte-
ataca, principal- rizam-se pela presença
mente, quando o de pústulas castanhas,
tempo está frio e vermelhas, amarelas
húmido. A deficien- ou negras na parte
te circulação de ar, provocada por inferior das folhas e
plantas demasiado densas, e a falta de nos caules.
ventilação, nas culturas protegidas, Esta doença pode prejudicar o cresci-
favorecem a doença. Corte e queime mento das plantas ou mesmo matá-las.
as partes atingidas. As bocas-de-lobo, as íris, as ameixeiras,
as variedades de hortelã, o alho-francês
Fumagina e a cebolinha são os mais atingidos.
Este fungo negro de- Tirando os produtos químicos, não
senvolve-se sobre a existe nenhum tratamento fiável; no
melada segregada por entanto, é conveniente retirar todas as
alguns insetos suga- folhas atingidas. Os arbustos e árvores,
dores, como os pul- se forem sãos, podem resistir à doença.
gões. Só causa pro- No caso de plantas vivazes, é melhor
blemas na medida em destruir as mais atingidas. Exceções:

90
A
LUTAR CONTRA AS DOENÇAS 7
os alhos-franceses, que, mesmo que mentais, faça uma inspeção cuidadosa.
tenham sido afetados, podem vir a dar Não guarde os que tiverem feridas ou
uma boa colheita; e a hortelã, que deve estiverem moles, pois podem acabar por
ser desenterrada e colocada, durante contaminar os exemplares sãos.
vinte segundos, em água quente.
Doenças nas sementeiras
Manchas nas folhas As doenças mais frequentes após semear
A maioria das plantas está exposta a são a doença-das-sementeiras (que se
doenças criptogâmicas (ou seja, provo- caracteriza por fazer apodrecer o pé
cadas por fungos), que causam manchas das plantas ainda jovens) e a podridão-
nas folhas. No entanto, estas doenças -cinzenta (veja a página anterior). A
raramente são podridão-cinzenta (ou Botrytis) pode
graves, à exceção manifestar-se depois de o fungo respon-
da doença-das- sável pela doença-das-sementeiras ter
-manchas-negras, começado a agir.
que pode trazer
pro ble m a s à s •  Como o composto feito em casa, com
roseiras (veja a terra, estrume de quinta, etc., é susce-
página 25). tível de conter esporos patogénicos,
utilize composto comercializado. Evite
Podridão sementeiras densas. Se necessário,
Muitas doenças criptogâmicas provo- desbaste logo de início.
cam a decomposição das fibras vegetais.
Os fungos que se veem, por vezes, sobre •  Na estufa, dê sombra às sementeiras e
as plantas lenhosas são um indicador areje-as bem. Experimente manter uma
evidente da presença temperatura constante de 15ºC para
de tais doenças, bem a germinação e de 10ºC para o cresci-
como a podridão, que mento. Se semeou em caixas (cobertas
ataca os frutos, os de vidro), aumente progressivamente
rebentos, as folhas, a ventilação, para fortalecer as plantas
os legumes-raiz e os e poder colocá-las ao ar livre o mais
bolbos. rápido possível. Transfira as plantas
assim que estejam prontas; não danifi-
•  No caso das plantas lenhosas, corte ou que as raízes e segure-as pelas folhas.
serre as partes atingidas. A podridão de
raízes de plantas em pleno crescimento •  Regue os vasos e as caixas de semen-
pode indicar que o solo está demasiado teira por baixo, pois as regas por asper-
húmido: nesse caso, melhore a drenagem. são facilitam a propagação dos esporos
patogénicos.
•  A podridão também pode atingir
plantas que estejam demasiado densas Cancros
ou à sombra. Se assim for, desbaste-as Os cancros atacam as plantas lenhosas,
ou pode-as, para as arejar. causando lesões nos caules. Os bolores
ou bactérias desenvolvem-se por baixo
•  Antes de guardar frutos, legumes, da casca e vão matando a planta aos
tubérculos ou bolbos de plantas orna- poucos. Se o cancro chegar a rodear

91
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

completamente o tronco ou Enterre as clematites dez centímetros


o ramo, tudo o que estiver mais fundo do que quando as põe em
para cima morre. vasos. Se verificar que as folhas come-
Esta doença afeta, prin- çam a escurecer e os rebentos a mor-
cipalmente, as árvores rer, corte-as rente ao solo. Na maioria
de fruto, mas as cere- das vezes, surgem rebentos sãos no
jeiras ornamentais, ano seguinte. As variedades que flores-
os chorões e as rosei- cem na primavera são menos sensíveis
ras também podem ao deperecimento.
ser atingidos. O melhor tratamento
consiste em retirar as partes afetadas Malformações
pela necrose (veja a página 62). Há doenças que interferem com a regu-
lação hormonal das plantas e provo-
Deperecimento cam excrescências anormais. Entre os
Algumas doenças pro- exemplos mais conhecidos, citemos a
venientes do solo po- hérnia-da-couve (páginas 50 e 51), a lepra-
dem provocar o depe- -do-pessegueiro (página 62), as galhas
recimento das plan- (causadas por bactérias) e as vassouras-
tas, sobretudo dos -de-bruxa (grandes excrescências em
cravos, crisântemos, forma de caldeirão
clematites, pepinos e que surgem nas
tomate. Utilize sem- bétulas).
pre composto estéril As malformações das
para as sementeiras e para as plantações plantas ornamentais
por estaca e elimine as plantas grave- não são graves e po-
mente atingidas. Muitas vezes, estes pro- dem ser retiradas,
blemas estão relacionados com má dre- caso prejudiquem
nagem ou excesso de rega. a aparência.

Doenças após a substituição


Geralmente, as plantas de jardim têm uma o local da plantação, pois as plantas velhas
vida bastante curta. A maioria das árvores deixam no solo bactérias e fungos aos
de fruto mantém-se produtiva durante quais as novas plantas podem sucumbir.
quinze ou vinte anos; depois, começa a As árvores de fruto, as framboeseiras, os
enfraquecer. Os morangueiros devem ser morangueiros e as roseiras são particular-
substituídos de três em três anos, para se mente sensíveis a este tipo de problemas.
obterem colheitas de qualidade. As rosei- Também é aconselhável substituir árvores,
ras mantêm-se vigorosas durante vinte arbustos ou plantas trepadeiras por varie-
e cinco ou trinta anos, mas, depois disso, dades diferentes.
o número de flores começa a diminuir Os amores-perfeitos podem sofrer de um
e a sensibilidade às doenças a aumentar. problema semelhante e perecer brusca-
Assim que uma planta começa a decli- mente, se for utilizada terra ou composto
nar, deve ser substituída por um exem- onde outros amores-perfeitos já tenham
plar jovem e são. Mas, se possível, mude sido plantados.

92
A
LUTAR CONTRA AS DOENÇAS 7
Prevenir as doenças
Precauções de inverno
Os esporos patogénicos podem ficar 6. Goiveiros (não ilustrado). Comprando goi-
“à espreita” e infetar as plantas na primavera veiros no outono, corre o risco de introduzir
seguinte. Mas uma boa limpeza de inverno a hérnia-da-couve no seu jardim.
reduz, consideravelmente, os riscos de con-
taminação por esta via. 7. Restos de podas. Não os deixe acumular
durante o inverno.
1. Pilha do composto. No outono e no
inverno, a pilha do composto pode não estar 8. Legumes de inverno. Retire as folhas
suficientemente quente para matar os ger- mortas das couves de inverno e apanhe os
mes. Por isso, mais vale queimar as plantas restos das culturas terminadas.
doentes e juntar as cinzas ao composto.
9. Vasos, placas, tutores. É necessário lavá-
2. Estufa. A estufa pode abrigar esporos -los muito bem no final de cada estação.
patogénicos. Limpe-a bem, com uma solução
de sabão ou um detergente biodegradável. 10. Folhas caídas. Apanhe as folhas caídas
(sobretudo em volta das roseiras e árvores
3. Solo da estufa. Pode albergar germes de fruto) e passe o ancinho regularmente
de doenças; por isso, convém substituí-lo, pelo relvado.
após alguns anos,
por terra vegetal
fresca.

4. Ventilação da
estufa. Uma má
ventilação favo-
rece as doenças, 5
como a podridão-
-cinzenta. Melhore 7
a ventilação e apa- 4
nhe regularmente
as folhas mortas e
as flores murchas.
8
5. Frutos caídos. 3
Não deixe apodre-
cer os frutos caí-
dos: apanhe-os. 2

1
10

93
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

A podridão-radicular
Se verificar que começam a morrer diver- tentes à podridão-radicular (veja a lista
sas árvores e diversos arbustos, perto que apresentamos em baixo). Até lá,
uns dos outros, é possível que se trate de opte por cultivar plantas herbáceas, pois
podridão-radicular. Esta também se pode estas só muito raramente são afetadas
caracterizar pelo aparecimento, no outono, por esta doença.
de pequenos fungos amarelados na base
de troncos velhos ou de árvores doentes. Variedades resistentes
Para confirmar que se trata desta doença, à podridão-radicular
retire um pedaço da casca de uma árvore –– Bambu (Arundinaria spp.)
doente. Se se tratar realmente de podri- –– Faia (Fagus spp.)
dão-radicular, verá, por baixo da casca, –– Buxo (Buxus spp.)
umas placas de micélio esbranquiçado e –– Abeto-de-douglas (Pseudotsuga
alguns filamentos negros, em forma de douglasii)
laços, que podem prolongar-se até ao solo. –– Sabugueiro (Sambucus spp.)
–– Oliveira-de-boémia (Elaeagnus spp.)
•• O fungo propaga-se através destes fila- –– Algumas variedades de acácias
mentos e passa por debaixo da terra, de –– Pilriteiro (Crataegus spp.)
raiz em raiz. Isole as plantas atingidas, –– Azevinho (Ilex spp.)
cavando uma faixa de terra com cerca –– Madressilva (Lonicera spp.)
de 45 centímetros de profundidade, para –– Hera (Hedera spp.)
separar as raízes doentes das sãs. Desen- –– Larício (Larix spp.)
terre os restos das plantas mortas. –– Mahonia spp.
–– Esteva (Cistus spp.)
•• Passados dois anos, pode voltar a utili- –– Árvore-do-fumo (Cotinus spp.)
zar o local atingido, escolhendo, de pre- –– Tamargueira (Tamarix spp.)
ferência, variedades que sejam resis- –– Teixo (Taxus spp.)

94
8
As pragas
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Piolhos-cinzentos das couves

Se for capaz de aceitar alguns estragos nas plantas, poderá controlar


a maioria das pragas sem ter de recorrer ao uso de pesticidas.
Neste capítulo, explicamos como evitar as pragas e como agir
se as plantas forem atingidas.

Existem muitos insetos suscetíveis de ——escolha variedades mais resisten-


atacar a maioria dos jardins. No entanto, tes: consulte os catálogos de sementes
o seu desenvolvimento é travado pelos e de árvores de fruto.
inimigos naturais (auxiliares) e pelas
condições climáticas. No entanto, a jar-
dinagem pode alterar este equilíbrio e Reduzir o número
abrir caminho às pragas. Para evitar tal de pragas
situação, mantenha as plantas vigorosas
e sãs, ou seja, menos sensíveis às doen- Há várias medidas que podem ser toma-
ças, seguindo os seguintes conselhos: das para reduzir o número de pragas.
——escolha plantas adaptadas ao solo
e ao microclima local; •  No outono, cave a terra, para expor
——melhore a estrutura e a fertilidade as pragas hibernantes aos pássaros e à
do solo, assim como a respetiva capaci- geada. Esta medida é útil, sobretudo,
dade de retenção de água, enterrando para eliminar as roscas, as lesmas, as
matérias orgânicas. Começando a cres- larvas de alfinete e a mosca-da-cenoura.
cer bem, as plantas resistem melhor
às pragas; •  Colha os legumes-raiz o mais cedo
——cultive as plantas mais frágeis em possível, para evitar estragos nas raízes
vasos abrigados. As alfaces, as cou- (provocados, por exemplo, pela mosca-
ves, o milho-doce e as flores anuais, -da-cenoura ou pelas lesmas).
por exemplo, resistem melhor às pra-
gas se forem transplantadas, em vez •  Faça rotação de culturas (veja as
de semeadas no local; páginas 39 e seguintes). Este método é

96
A
AS PRAGAS 8
bastante eficaz contra os nemátodos- •  Mantenha o jardim, a horta e o pomar
-da-batata e da cebola e contra um convenientemente limpos. Após a
grande número de doenças. colheita, apanhe os restos de plantas e
queime-os, se contiverem vestígios de
•  Estimule os predadores naturais, doenças ou de pragas. Apanhe e deite
como os pássaros insetívoros, os ouri- fora todos os frutos afetados (por exem-
ços, as rãs e os insetos predadores. Estes plo, as peras com lagartas ou as amei-
apresentam um papel muito importante xas com vestígios de hoplocampas, que
na luta contra as pragas; pode atraí-los tenham caído prematuramente). Elimine
para o seu jardim de várias maneiras: as ervas daninhas e apanhe as folhas
através de comida, abrigos e plantas aro- caídas, pois podem servir de alimento e
máticas e/ou melíferas. abrigo às pragas.

Combater as pragas sem usar


produtos químicos
Existem várias medidas ao seu alcance material bastante leve, com o qual se
que permitem evitar que as pragas des- podem cobrir os legumes após a semen-
truam as plantas. teira e até à colheita. De início, a cober-
tura serve para proteger os legumes da
geada e acelerar o processo de cresci-
Barreiras mento (tal como acontece com o plás-
tico perfurado), mas, como deixa passar
As barreiras físicas, que impedem as pra- a luz e a água, não é necessário retirá-la.
gas de atingir as plantas, são particular- Protege os legumes contra algumas pra-
mente eficazes, mas, para isso, é neces- gas, como pulgões, lagartas-da-couve e
sário conhecer o seu modo de vida. moscas-da-couve e da cenoura. Também
Por exemplo, se souber que a mosca- pode ser utilizada para proteger os
-da-cenoura não voa muito alto quando arbustos frutíferos, as árvores de fruto
procura as raízes para nelas depositar os em latadas e as sementeiras de flores
ovos, concluirá que basta colocar uma nas alturas em que se encontram mais
cerca com 45-80 centímetros de altura fragilizados (ou seja, quando os botões
em volta do canteiro das cenouras para ou frutos estão em formação ou quando
evitar este inseto. Analisemos alguns começam a nascer as primeiras folhas).
tipos de barreiras.
Garrafas de plástico
Cobertura de rede fibrosa As garrafas de plástico cortadas são
ou manta térmica bastante eficazes contra as lesmas
Este tipo de cobertura é constituído por (veja a página 102) e protegem as semen-
fibras sintéticas tecidas. Trata-se de um teiras das roscas. A parte de cima de

97
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Utilize partes de garrafas


Semear a confusão de plástico com, pelo menos,
10 cm de altura, para afastar
Alguns dizem que é possível afastar os as lesmas
pulgões dos legumes jovens, colocando
uma folha de alumínio entre as filas.
Assim, os insetos só verão um reflexo
de céu, ficarão confusos e não pousa-
rão. Não se sabe se este método é real-
mente eficaz, mas não deixa de ser uma
boa ideia para os que desejem fazer
novas experiências.

Barreiras com 45-80 cm de altura, feitas de


rede mosquiteira, podem evitar os estragos
uma garrafa também pode servir de causados pela mosca-da-cenoura
miniestufa para uma pequena planta,
ao mesmo tempo que a protege contra
as pragas que vivem no solo.

Película plástica
Uma película plástica ou uma rede mos-
quiteira também podem servir de bar-
reira contra os insetos que voam baixo
(como a mosca-da-cenoura, por exem-
plo). Além disso, podem ser usadas
cúpulas de plástico e de arame sólido
para proteger as plantas de maiores
dimensões, como as plantas herbáceas Pedaços de tapete para cobertura do solo,
vivazes, no momento em que nascem os colocados à volta das plantas de couve, impedem
que a mosca-da-couve deposite os ovos
novos rebentos, na primavera.

Tapete para cobertura do solo


Cortado em quadrados de 15 por 15 cen-
tímetros e colocado na base das plantas,
protege as couves das moscas-da-couve,
que põem ovos nos pés das plantas.
Também favorece as carochas, que gos-
tam de se abrigar debaixo dos materiais
colocados sobre o terreno e que se ali-
mentam de outras pragas do solo.

Cartão ondulado
Colocar cartão ondulado em volta das
macieiras, no final do verão, serve para capturadas e queimadas, para evitar
atrair as lagartas de bichado-da-fruta. que a colheita de maçãs do ano seguinte
Assim, estas podem ser facilmente seja infestada pelo bichado.

98
A
AS PRAGAS 8
Cola Faixas de cola
Uma faixa de cola especial em volta do podem impedir as
lagartas de subir às
tronco das árvores de fruto ou outras
árvores de fruto
(a mais ou menos 1,2 m do solo) impe-
de as traças-de-inverno (Operophtera
brumata) fêmeas (sem asas) de trepar às
árvores e de aí porem os ovos. Como estas
saem de casulos instalados no solo no
outono ou na primavera, coloque a faixa
de cola no mês de outubro. Esta proteção
também pode ser utilizada contra outras
pragas que não tenham asas, como, por predadores (veja a partir da página 131),
exemplo, as formigas, que protegem os a luta será muito facilitada.
pulgões (veja a caixa da página 104). Para
lutar contra as álticas que atacam os goi-
vos ou as jovens plantas de couve, pode Eliminação manual
utilizar-se uma tábua com cola, que se
agita perto das plantas e onde, ao saltar, Apesar de não parecer uma ideia muito
as álticas ficarão presas. agradável, os pulgões podem ser elimi-
nados passando a mão, simplesmente,
pelas folhas e pelos rebentos. Tam-
Consociações bém se podem retirar as cochonilhas
com a ajuda da unha do polegar. Resu-
Ouvem-se muitas ideias discutíveis mindo: com um pouco de paciência, e
sobre a capacidade que algumas plan- se a ideia não o repugnar, pode retirar à
tas teriam de afastar as pragas. Por mão todos os insetos que se desloquem
exemplo, diz-se que as chagas, quando lentamente.
enroladas nas macieiras, afastam os
pulgões-lanígeros; e que plantar cebo-
las perto das cenouras repele a mosca-
-da-cenoura. Algumas destas consocia-
ções (associações de culturas) podem
ter parecido eficazes, por terem sido
realizadas numa altura em que as pra-
As pragas
gas estavam inativas ou quase. Mas esta maiores podem
suposta eficácia não se verificou durante ser eliminadas
testes controlados. à mão
As culturas consociadas têm, no
entanto, algumas vantagens. Na rea-
lidade, cultivando toda uma série de Armadilhas
plantas misturadas e evitando as filas Diversas armadilhas (por exemplo, usar
separadas, complica-se o trabalho das cascas de laranja contra as lesmas) são
pragas e retarda-se a sua passagem pouco eficazes, porque têm um impacto
de planta em planta. Além disso, se muito limitado.
puder introduzir, nestas combinações No entanto, as armadilhas de aroma
de culturas, flores que atraiam insetos contra o bichado-da-fruta são bastante

99
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

eficazes. Utiliza-se uma imitação sinté- Em maio, pendure armadilhas para o bichado
tica da substância odorífera utilizada nas pereiras e nas macieiras
pelas fêmeas para atrair os machos
(feromona). Estes acabam por ficar agar-
rados a uma superfície pegajosa, antes
de conseguirem acasalar.
Uma boa estratégia: se decidir substi-
tuir um relvado por um canteiro de flo-
res ou uma horta, comece por plantar
batatas nesse terreno. Estas atrairão as
larvas de alfinete e outras pragas que
costumam atacar os relvados. Passado
um mês, poderá arrancar as plantas da
batata e destruí-las, juntamente com as plantas de jardim, já referimos a
as pragas. existência de uma bactéria (Bacillus
thuringiensis) cujos esporos, depois
de misturados com água e pulveriza-
Tratamento biológico dos, matam as lagartas (veja também a
página 108). Também pode aplicar o seu
É possível comprar predadores que o próprio tratamento biológico: por exem-
ajudarão na luta contra as pragas de plo, colocando joaninhas sobre plantas
estufa (veja as páginas 79 e 80). Para infestadas de pulgões.

Combater os caracóis e as lesmas


Os caracóis e as lesmas lucram com o determinadas regiões e quase ausen-
esforço dos jardineiros para criar condi- tes noutras.
ções ideais de crescimento e de sobrevi-
vência. A proteção contra a seca, o gelo •  Regra geral, em Portugal existem
e o vento é benéfica para as plantas, mais caracóis do que lesmas e aqueles,
mas, infelizmente, também é boa para felizmente, causam menos problemas.
os gastrópodes. Só algumas espécies provocam danos
realmente graves e o seu campo de ação
restringe-se, quase sempre, aos terrenos
Conheça os inimigos calcários, já que precisam de calcário
para formar a casca.
Nem todas as lesmas são inimigas
das hortas e dos jardins. Só algumas •  Entre as lesmas, a Arion hortensis, que
espécies vivem nas proximidades pode medir quatro centímetros, é a que
e os atacam. Além disso, algumas causa mais estragos. É negro-azulada,
espécies são muito numerosas em mas reconhece-se, sobretudo, pela parte

100
A
AS PRAGAS 8
inferior, que é amarelo-clara ou cor de Arion hortensis
laranja. Devora toda a espécie de plan-
tas, tanto à superfície como sob o solo,
e constitui uma verdadeira praga para
as batatas.

•  A Arion distinctus tem o mesmo tama-


nho, mas é, normalmente, cinzenta com
algumas estrias laterais. A cor da parte
inferior é muito semelhante à da espécie
precedente.

•  A Arion rufus, que pode medir


20 centímetros, possui diversas cores:
negra, cinzenta, avermelhada, ama-
rela ou mesmo branca (uma forma de
albinismo). Quando jovem (medindo
2,5 centímetros, no máximo), tem sem-
pre cor de palha e uns característicos
tentáculos negros. Não é muito vulgar e
não costuma provocar grandes estragos,
apesar de, devido ao seu tamanho, um
exemplar adulto ser capaz de destruir
numerosas plantas.

•  A Deroceras reticulatum é uma espécie


bastante comum. É mais pequena do Deroceras reticulatum Arion fascinatus
que a precedente (mais ou menos quatro
centímetros) e pode ser esbranquiçada,
castanho-clara ou cinzenta, quase sem- bolbos, os legumes-raiz e os tubérculos
pre com algumas manchas castanhas. das batatas.
Vive durante grande parte do tempo à
superfície e danifica as plantas junto ao •  As espécies Cepaea nemoralis e Cepaea
solo. Quando a apertamos, liberta uma hortensis têm uma casca com cerca de
substância branca e pegajosa, pare- 2,5 centímetros de diâmetro, muito fácil
cida com giz, que permite reconhecê-la de reconhecer devido às estrias concên-
facilmente. tricas alternadas. No entanto, a Cepaea
hortensis pode não ter tais estrias. A cor
•  Os caracóis do tipo Milax vivem, nor- das cascas, com ou sem estrias, é muito
malmente, debaixo da terra. Reconhe- variada.
cem-se por possuírem uma crista de
pele ao longo do dorso. Costumam ser
castanhos ou então negros, e as espé- O que pode fazer
cies de maior porte chegam a medir
sete centímetros. Como vivem debaixo Mesmo que a ação de lesmas e cara-
da terra, danificam, sobretudo, os cóis faça alguns estragos, a maioria

101
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

das plantas mais vigorosas estará fora Barreiras de plástico


de perigo. Eis alguns conselhos. Garrafas de plástico cortadas são uma
proteção individual bastante eficaz para
Trabalhos no jardim as sementes e plantas jovens. Devem ser
Apanhe regularmente as folhas mortas cortadas com uma altura de cerca de
e outros restos de vegetais. Não deixe dez centímetros e enterradas no solo a
abandonados pelo jardim vasos ou uma profundidade de 2,5 centímetros.
pedras, pois são suscetíveis de servir de Podem ser retiradas quando a planta
abrigo às lesmas e de lhes proporcionar estiver suficientemente vigorosa. Tenha
sombra durante o dia. cuidado para não deixar nenhuma
Também pode tentar expor as lesmas, lesma presa dentro da garrafa, quando
os caracóis e os respetivos ovos à geada a colocar.
ou à seca. Para isso, cave a terra, quando
houver previsão de geada ou ventos
secos. Ao fazê-lo, também os expõe aos Métodos de luta
pássaros. pouco eficazes
Remédios tradicionais
As lesmas têm uma pele sensível e não
Em último recurso gostam nada de determinadas super-
fícies. Por isso, pensou-se que elas
Se a sua horta ou o seu jardim for
talvez se mantivessem afastadas se
infestado por lesmas ou por cara-
cóis, é muito provável que pense na fossem colocados materiais como cin-
possibilidade de utilizar um veneno zas, cascas de ovos pulverizadas, areia
especial. Se o fizer, lembre-se de grossa ou cal em volta das plantas mais
que é preferível não utilizar produ- frágeis. E, de facto, isso é verdade, mas
tos que contenham metiocarbe ou o problema é que esses produtos per-
metaldeído, pois também podem dem a sua eficácia logo que começa
matar outros animais dentro da a chover.
cadeia alimentar. Além disso, alguns testes efetuados por
Prefira as armadilhas à base de fos-
uma organização britânica de defesa
fato férrico, que são autorizadas em
agricultura biológica. dos consumidores mostraram que as
lesmas conseguiam abrir caminho atra-
vés da areia grossa e da cal, mesmo
depois de esses materiais terem sido
renovados. Por outro lado, não con-
Plantas resistentes vém pôr a cal muito perto das plantas,
Nalguns casos, é possível reduzir os porque pode queimá-las; e se o solo for
estragos, cultivando plantas ou varie- pouco ácido, a cal pode aumentar o
dades de plantas mais resistentes. Por pH e comprometer o desenvolvimento
exemplo: das batatas para conservar, a das plantas.
variedade “Désirée” é a mais sensível e,
por isso, deve ser evitada. Outra medida Armadilhas com cerveja
a tomar consiste em colher as batatas Há quem aconselhe a fazer armadilhas
logo que possível. Quanto a outras plan- contra as lesmas enterrando recipien-
tas, consulte o seu fornecedor. tes meio cheios de cerveja. As lesmas

102
A
AS PRAGAS 8
seriam atraídas pelo cheiro da cer- Outras armadilhas
veja e afogar-se-iam. No entanto, um Existem outros métodos, como as meta-
teste efetuado pela organização de des de cascas de toranja, que não pre-
consumidores já citada mostrou que judicam os insetos úteis, mas também
este método só permite capturar, não permitem capturar uma quanti-
em média, oito lesmas por semana. dade aceitável de lesmas. Para que se
Ora, num jardim médio existem entre notassem melhorias consideráveis seria
20 e 30 lesmas por metro quadrado. necessário espalhar metades de cascas
Mais grave ainda: as armadilhas cujos de toranja por todo o jardim...
rebordos ficam ao nível do solo podem
atrair mais animais úteis do que les- Cobertura do solo
mas. No teste referido, os copos de com cascas de árvores
cerveja continham, além de lesmas, Foram efetuados testes que mostraram
16 minhocas, quatro aranhas, 34 ara- que este método aumentava os estragos
nhiços e uma centopeia! causados pelas lesmas.

Combater os pulgões
Um dos maiores problemas dos pulgões
tem que ver com o facto de eles se repro-
duzirem a grande velocidade.

Que problemas?
Quando presentes em grande número,
os pulgões podem causar deformações
e diminuir o ritmo de crescimento
das plantas. Podem destruir as flores
antes da eclosão e impedir que os fru-
tos se desenvolvam. Algumas espécies formam, juntamente com a melada que
podem mesmo causar o deperecimento segregam, uma camada pegajosa sobre
da planta, por interrupção do f luxo as folhas. Por sua vez, a melada provoca
de seiva. o desenvolvimento da fumagina, o que
leva a que as folhas recebam menos luz
Para se proteger do mau tempo e dos ini- e que a aparência da planta fique ainda
migos, os pulgões levam a que a folha- mais alterada.
gem fique crispada e enrolada, o que
prejudica a aparência da planta. Cada Os pulgões alimentam-se de seiva e
pulgão muda de pele quatro vezes, antes algumas espécies propagam vírus de
de chegar à fase adulta. As peles mortas planta em planta. Os sintomas típicos

103
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

das viroses são: marmoreado e man- de serem podadas com muita frequên-
chas amarelas sobre as folhas e f lo- cia e se utilizar o menos possível a
res. Mesmo as pequenas colónias de farinha de sangue (ou outros produ-
pulgões, quando portadoras de vírus, tos similares) nos frutos e nas plantas
podem causar danos graves às plantas. ornamentais.
Uma observação atenta e regular das
plantas permite atuar sobre os primei- •  As colónias de pulgões são atraídas
ros focos de infestação, o que é deter- por plantas isoladas e por monocultu-
minante para o sucesso do controlo ras. As plantações mistas estão menos
da praga. sujeitas aos ataques. Assim, é possível
que as rosas escapem ao pior, se forem
plantadas em canteiros mistos em vez
Pulgões e formigas de serem plantadas isoladamente.

As formigas negras ou vermelhas pro- •  Os membros da família das rosas são


curam a melada segregada pelos pul- particularmente sensíveis aos pulgões.
gões. Em troca, protegem-nos agres- As macieiras, as cerejeiras, as perei-
sivamente das joaninhas e de outros ras, as ameixeiras, as framboeseiras e
inimigos naturais. Se constatar este
os morangueiros também fazem parte
fenómeno nas suas roseiras e árvores
ou nos arbustos, aplique uma faixa de desta família. Se possível, inspecione
cola (especial) em volta do pé da planta, regularmente as plantas em risco,
para afastar as formigas. sobretudo nos pontos de crescimento e
No entanto, convém ter em conta que por baixo das folhas. As pequenas coló-
esta medida só é eficaz com plantas nias podem ser eliminadas à mão, pres-
isoladas e que não se encontrem perto sionando com o polegar e o indicador.
de nenhum muro ou nenhuma vedação. Também pode ser útil pulverizar com
uma calda de sabão de potássio, em caso
de infestação ligeira.

Tratamento •  Geralmente, os pulgões dos legumes


hibernam nas árvores ou nos arbustos
•  Se os estragos não forem graves, mais mais próximos, onde se torna difícil
vale não fazer nada e deixar agir as atingi-los. Por isso, plante os legumes
joaninhas, os sirfídeos, as crisopas, os tão cedo quanto possível, para que
mosquitos predadores, os pássaros, as tenham tempo de se desenvolver e de
aranhas e os fungos, pois todos atacam resistir aos ataques de pulgões. Cobrir os
os pulgões (veja a página 130, para saber legumes com uma rede fibrosa também
como os atrair). pode evitar estragos graves.

•  Os pulgões preferem os rebentos •  Se possível, cultive variedades


jovens e tenros, como os que resul- resistentes. A Philadelphus coronarius
tam de podas radicais ou da utilização “Variegatus” e a Weigelia florida “Varie-
excessiva de adubos azotados. Por- gata” são arbustos folhosos muito
tanto, pode reduzir bastante a possibi- semelhantes; no entanto, enquanto
lidade de ocorrência destes problemas a Philadelphus pode ser facilmente
se escolher plantas que não precisem infestada por pulgões, o mesmo não

104
A
AS PRAGAS 8
acontece com a Weigelia. Para esco- Pulgões-cinzentos da macieira
lher variedades de alface resistentes,
veja a página seguinte.

À lupa
Existem algumas espécies de pulgões
que só atacam certo tipo de plantas.
Alguns constituem verdadeiras pra-
gas, enquanto outros nem vale a pena
combatê-los.

Plantas ornamentais

•  Faia
Pulgões compridos, verde-escuros e laní-
geros, que podem deformar gravemente
os novos rebentos de sebes de faias. Pulgões-lanígeros

•  Coníferas (sobretudo pinheiros,


larícios e epíceas) é ainda mais grave se a planta estiver
Pequenos pulgões escuros que podem pouco desenvolvida.
provocar uma queda considerável de
folhas, em abril e maio, e prejudicar o •  Plantas trepadeiras
aspeto das plantas, cobrindo-as com (sobretudo a madressilva)
uma camada cerosa. As folhas e os botões ficam cobertos por
colónias de pulgões verde-azulados, que
•  Bolbos podem causar deformações e reduzir
Pulgões brancos que atacam os bolbos a floração na primavera e no verão.
das tulipas e impedem o desenvolvi-
mento de novos rebentos. Hibernam nas •  Arbustos
folhas escamosas. A maioria dos arbustos e árvores, sobre-
tudo as cerejeiras ornamentais, os
•  Plantas em vasos e de estufa folhados e os cotoneásteres, pode ser
Podem ser atacadas por diferentes espé- atingida. Geralmente, os estragos só são
cies de pragas. Algumas travam o cres- graves no caso de plantas jovens.
cimento das plantas ou deformam-nas e
propagam as viroses. Legumes

•  Rosas •  Feijões
Grandes pulgões-verdes ou rosados, que Os caules jovens são infestados por
se desenvolvem em colónias, a partir de pulgões-negros, sobretudo em junho e
maio e até ao final do verão, sobre os julho. As plantas sobrevivem, mesmo
rebentos e botões. Estes deformam-se e sem tratamento, mas o crescimento
o crescimento é prejudicado. O problema é travado e a colheita fraca. Retirar os

105
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

pontos de crescimento, após a floração, ao início do verão. Podem danificar as


pode ajudar a limitar os estragos. flores e os frutos, reduzindo assim as
colheitas. As espécies castanho-viole-
•  Variedades de couve (exceto nabos) tas, cobertas por uma camada branca e
Grandes quantidades de pulgões fari- cerosa, hibernam na casca, colonizam
nhentos, que podem deformar e enru- zonas danificadas e são responsáveis
gar as folhas, acabando por matar as pelo aparecimento de galhas nodosas e
plantas, sobretudo com tempo quente e de rebentos verticais demasiado vigo-
seco. Elimine as plantas de couve velhas, rosos. Podem ser combatidas, esfre-
sobre as quais hibernam. gando as zonas afetadas com álcool
etílico.
•  Cenouras
Pequenos pulgões-verdes que descolo- •  Cerejeiras
ram e deformam as folhas em maio e Pulgões castanho-escuros que infes-
junho, além de propagarem vírus. tam as folhas novas, na primavera, e
podem destruir as árvores jovens, se
•  Alfaces não forem tratadas. Os pulgões-verdes
Pulgões brilhantes, de cor verde-clara, que hibernam sobre os troncos fazem
verde-vivo ou laranja, que atacam as enrolar as folhas quando estas começam
alfaces das hortas em maio e junho e a desenvolver-se, na primavera.
as das estufas noutras alturas do ano.
Geralmente, os estragos são superfi- •  Ameixeiras
ciais, apesar de as viroses tenderem a Pequenos pulgões acastanhados, que
propagar-se. As raízes também podem hibernam sobre as ameixeiras e podem
ser infestadas por pulgões-brancos e causar um sério enrolamento das folhas,
cerosos, de julho a setembro. Um ataque na primavera, além de transmitirem
intenso pode levar, inclusive, à morte uma virose. Os pulgões farinhentos (lon-
da planta. gos e verde-azulados) vivem em grandes
quantidades nas folhas, entre junho e
•  Batatas agosto. Causam poucos estragos, mas
Grandes pulgões-verdes ou rosados, a melada e a fumagina prejudicam o
muito ativos, que aparecem a partir de aspeto das árvores.
abril, sobretudo com tempo quente e
seco. Deformam as folhas. Há espécies •  Groselheiras-de-cachos
verdes, mais pequenas, que propagam Pulgões amarelo-claros ou verdes
os vírus e são mais difíceis de distinguir. que causam lepras nos rebordos das
Se possível, aplique um tratamento. folhas, mas não são verdadeiramente
prejudiciais.

Árvores e arbustos •  Framboeseiras


frutíferos Grandes pulgões amarelo-esverdeados
e brilhantes e pequenos pulgões cin-
•  Macieiras zento-esverdeados e pulverulentos, que
Pequenos pulgões-verdes, cinzentos provocam o enrolamento das folhas e
ou rosados que aparecem na prima- transmitem um vírus. Cultive varieda-
vera e colonizam os novos rebentos até des resistentes.

106
A
AS PRAGAS 8
Combater as lagartas
As lagartas alimentam-se, essencial- Bucéfala
mente, de plantas silvestres, de forma Ataca as roseiras, as árvores e os arbus-
que as plantas cultivadas não costumam tos, em agosto e setembro. Os estragos
ser muito afetadas. Só uma pequena podem ser consideravelmente graves,
minoria se alimenta de plantas cultiva- mas, regra geral, limitam-se a alguns
das, acabando por dar má reputação à ramos. Depositam alguns ovos, em
espécie. Se excetuarmos a lagarta-da- julho, na parte inferior das folhas. Cons-
-couve e a mosca-da-groselha, as espé- troem o casulo no solo, no outono. Para
cies que constituem uma verdadeira se livrar das lagartas, retire-as com a
praga para as hortas e os jardins são lar- mão e coloque-as
vas de borboletas noturnas. As lagartas sobre plantas
que danificam gravemente flores, arbus- silvestres.
tos e árvores figuram nesta página e na
seguinte (veja os capítulos 4 e 5 para
as lagartas que atacam os legumes e os
frutos). As outras lagartas que se encon-
tram nas hortas e nos jardins são mais
ou menos inofensivas.

Nóctuas
Atacam numerosas plantas, incluindo
os crisântemos de estufa ou de interior.
As lagartas, verdes ou castanhas, ali-
mentam-se durante a noite e abrigam-
-se debaixo das folhas durante o dia. Euproctis chrysorrhoea
Costumam pôr pequenos montículos de
cinquenta a cem ovos sobre as folhas.
Esmague as lagartas ou pulverize com
Bacillus thuringiensis, se os estragos
forem graves.

Ataca muitas árvores e muitos arbus-


tos, como o pilriteiro, as cerejeiras, as
roseiras e as amoras-silvestres. Podem
constituir colónias muito numerosas, ao
ponto de conseguirem desfolhar com-
pletamente uma árvore ou um arbusto.

107
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Cobrem o seu território com uma teia


sedosa e podem causar uma reação Lutar contra as lagartas
cutânea bastante dolorosa quando lhes
tocamos. Constroem pequenas “tendas” É relativamente fácil lutar contra a
maioria das lagartas, seja retirando-as
de teia para hibernar e alimentam-se
à mão seja efetuando pulverizações
das novas folhas na primavera, antes com Bacillus thuringiensis.
de se abrigarem em casulos de seda, Esta bactéria é vendida em forma de pó
em junho e julho. seco, que se dissolve como um produto
Retire e destrua os casulos ou as lagar- de pulverização clássico. Os inseticidas
tas enquanto hibernam. As lagartas vegetais (à base de piretro, azadirac-
mais jovens podem ser destruídas tina, rotenona ou outros indicados para
com uma pulverização de Bacillus agricultura biológica) também são efi-
thuringiensis. cazes contra a maioria das lagartas.

Torcedora-das-folhas
As torcedoras-das-folhas atacam nume-
rosos arbustos, além de plantas de vasos Noctuídeos
e de estufa. Podem depositar até cerca Fazem parte de uma grande família de
de duzentos ovos, todos em fila, sobre borboletas noturnas, cujos membros se
as folhas. Alimentam-se das extremida- caracterizam por terem asas anterio-
des de rebentos, botões e flores. Enro- res de cor pálida. As lagartas vivem no
lam as folhas em fios de seda, daí o seu solo e alimentam-se, durante a noite, de
nome. Encontram-se durante todo o ano sementes e folhas, de maio a setembro.
em estufas aquecidas. Procure manchas Cavar a terra durante o inverno pode
castanhas sobre as folhas, causadas constituir uma medida útil. Proteja as
pelas lagartas, que se alimentam da face plantas individualmente, com peda-
inferior. Para as exterminar, esmague as ços de garrafas de plástico enterrados
lagartas ou efetue uma pulverização com no solo a 2,5 centímetros
Bacillus thuringiensis. de profundidade. Tam-
bém pode semear
cedo ou fazer as
sementeiras
em vasos.

Hepialídeos
As lagartas alimentam-se de raízes, bol-
bos e tubérculos de numerosas plantas

108
A
AS PRAGAS 8
(pequenos orifícios feitos por larvas Lagartas-da-groselheira
brancas). Combater as ervas daninhas Atacam as groselheiras-espim e de
pode ser eficaz, pois estas lagartas rara- cachos e outras árvores e arbustos,
mente põem ovos em solo nu. sobretudo de abril a junho. As lagar-
tas hibernam e começam a alimentar-
Hiponomeuta -se no princípio
Ataca o pilriteiro, o ligustro e outros da pr i mavera.
arbustos. Faz grandes buracos nas árvo- Quando estão su-
res das sebes, que fecha com a ajuda ficientemente ali-
de teias. Efetue uma pulverização com mentadas, trans-
Bacillus thuringiensis. for ma m-se em
crisálidas (pupas).
Bombicídeos A borboleta adul-
Atacam diversas árvores de fruto, rosei- ta aparece de
ras e muitos outros arbustos e outras julho a agosto. Os
árvores. As lagartas costumam apare- ovos são deposi-
cer na primavera e cobrir os ramos com tados individual-
“tendas” de teia. Depositam entre cem mente ou em pe-
e duzentos ovos, em agosto e setembro, quenos grupos,
em espirais, sobre os ramos frondosos. na parte infe-
Retire os ovos e destrua-os. Efetue uma rior das folhas.
pulverização de Bacillus thuringiensis na Elimine-as à mão
primavera e no início do verão. ou então efetue
uma pulveriza-
ção com Bacillus
thuringiensis.

Geometrídeos
Atacam árvores, arbustos e plantas
herbáceas, entre maio e agosto.
Os ovos são co-
loc ados em
casulos fixa-
dos às plan-
tas, no inte-
rior dos quais
as f ê me a s
hibernam.
Não toque
nas lagartas,
pois os pelos
contêm uma
substância
irritante. Des-
trua os casu-
los e os ovos.

109
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Combater outras pragas


Os pulgões, as lesmas e as lagartas são, visíveis já nada se pode fazer. No caso de
de longe, as pragas mais difundidas. No plantas anteriormente atacadas por per-
entanto, existem outras que, ocasio- cevejos capsídeos, pode aplicar-se um
nalmente, podem causar estragos nas tratamento preventivo, à base de pire-
plantas. As espécies que atacam frutos, tro, no momento em que aparecem os
legumes e plantas de estufa são mencio- primeiros botões ou, no caso dos frutos,
nadas noutros capítulos. Aqui falaremos após a floração. No entanto, os capsídeos
das que atacam plantas ornamentais e, deslocam-se frequentemente, de forma
nalguns casos, quase todas as plantas. que o inseticida pode não resultar.
Mencionamos também alguns pesticidas
admitidos na agricultura biológica (veja, Sanjoaneiro
na página 112, a caixa Pesticidas admi- Surgem grandes larvas (com seis patas)
tidos em agricultura biológica). A lista no chão. Atacam as raízes, provocando
completa de produtos fitossanitários o enfraquecimento e a morte das semen-
autorizados em agricultura biológica, a tes e das plantas jovens. Quase foram
nível europeu, encontra-se no Anexo II exterminados, devido à utilização de
do Regulamento (CE) n.º 889/2008 da inseticidas muito tóxicos. Se atacarem a
Comissão, e inclui produtos de origem sua horta ou o seu jardim, cave a terra
vegetal, animal, mineral e microbiana. no inverno, para expor as larvas aos
pássaros.
Percevejos capsídeos
Atacam muitas plantas ornamentais e a Cigarras-da-espuma
maioria das árvores e dos arbustos frutí- Atacam os cravos, a alfazema, o alecrim
feros. Reconhecem-se pela presença de e diversas plantas ornamentais. Sinal
orifícios irregulares perto das nervuras distintivo: camada espumosa (cuspo de
das folhas, gomos muito danificados, cuco), com um grande inseto verde no
frutos e flores deformados. Nenhum tra- interior. Inofensivas para os legumes; no
tamento é eficaz, tirando os produtos caso das plantas ornamentais, é melhor
químicos, pois quando os estragos são retirá-las com um jato de água.

Vespas-da-roseira
Fazem recortes redondos nas folhas das
roseiras. Não fazem estragos graves,
pois limitam-se ao período de nidifica-
ção, no início do verão. Não é necessário
tratamento.

Cicadelas ou cigarrinhas
Surgem sobre os rododendros, as rosei-
Estragos ras e outras plantas ornamentais. As
nas folhas folhas ficam com aspeto de mármore.
provocados por
percevejos
Podem transmitir vírus. É impossível
capsídeos um tratamento eficaz sem produtos

110
A
AS PRAGAS 8
Folhas de roseira
químicos. Tente o piretro ou uma pul- deformadas
verização de água e sabão, se as plantas por um tentredo
forem muito atingidas. ou falsa lagarta

Mineiras-das-folhas
Surgem nos crisântemos (galerias
brancas ou cinzentas nas folhas) e no
azevinho (grandes manchas amare-
las e presença da larva nas folhas).
Retire e queime as folhas afetadas.

Tentredos ou falsas lagartas


Surgem nas roseiras e noutros arbus-
tos e, frequentemente, nas ameixeiras.
Gorgulho
Folhas enroladas, por vezes com uma
larva no interior. É preferível retirar e
queimar as folhas atingidas. Cavar o solo
sob os arbustos pode expor as larvas aos
seus inimigos naturais. As folhas das
ameixeiras são completamente comidas,
excetuando as nervuras.

Gorgulhos
Os gorgulhos fazem parte de uma
grande família. Reconhecem-se facil-
mente, devido ao sugadouro que pos-
suem no prolongamento da cabeça.
Se fizerem estragos, elimine com a mão veja as páginas 126 e 127. Evite os restos
todos os que conseguir ver. e os resíduos de plantas (que usam para
se esconderem). Se derem problemas,
Centopeias faça as sementeiras em vasos.
Vivem principalmente nos restos de
vegetais mortos, mas também podem Moscas-dos-narcisos
destruir sementes e plantas jovens, Como é óbvio, atacam sobretudo os
comendo-lhes a raiz. Para as identificar, narcisos. Mas há outras moscas dos
bolbos que atacam as plantas orna-
mentais e as liliáceas (família do alho).
As larvas brancas roem o coração dos
bolbos. Observe bem os bolbos antes
de os plantar e rejeite os que estiverem
moles. Desenterre e deite fora os bolbos
que forem afetados.

Aranhiços-vermelhos
Atacam diversas plantas, mas são
Centopeia nocivos, sobretudo, para as coníferas.

111
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Pesticidas admitidos em agricultura biológica


São poucos os pesticidas admitidos na as joaninhas e os sirfídeos adultos (o que
agricultura biológica. Eis dois exemplos: não acontece com as respetivas larvas).
Também pode queimar os novos reben-
•• O piretro (inseticida) é considerado tos e as plantas jovens. É preciso prudên-
“natural”, porque se trata de um extrato cia: teste primeiro o sabão numa pequena
de planta. No entanto, os produtos à base superfície e utilize, de preferência, sabão
de piretro contêm quase sempre outros de potássio, que é mais eficaz do que o
componentes, como, por exemplo, de soda.
o butóxido de piperonilo, que não é um
inseticida, mas reforça a ação do piretro. Os pesticidas admitidos em agricultura
O piretro só se mantém ativo durante biológica agem por contacto: por isso, deve
algumas horas e não se acumula no meio pulverizá-los ou aplicá-los diretamente
ambiente. Mesmo quando se encontra sobre as pragas ou plantas suscetíveis
presente em grandes quantidades, não de virem a ser infestadas nas horas mais
apresenta qualquer risco para o homem. próximas. As pragas que chegarem nos
Por outro lado, trata-se de um inseticida dias seguintes ou saírem de ovos requere-
de largo espectro, suscetível de eliminar rão uma nova aplicação. Os insetos muito
alguns insetos úteis, como as abelhas, os móveis, que andam de planta em planta
sirfídeos e as joaninhas. Também é tóxico (como as cicadelas), são muito difíceis de
para os peixes, rãs, sapos e tartarugas; eliminar com estes métodos, assim como
por isso não deve ser utilizado perto as pragas que se instalam no interior das
de aquários, charcos ou cursos de água. plantas.
Os resultados de alguns testes permitiram
•• O sabão (feito de ácidos gordos naturais) verificar que o piretro é eficaz no combate
é menos tóxico, mas também não deve a infestações ligeiras de pulgões, além de
ser utilizado na proximidade de peixes. conseguir reduzir infestações mais gra-
Mata os insetos moles, através da des- ves. Quanto ao sabão, apresenta uma ação
truição da camada de cera que lhes pro- moderada, no primeiro caso, e surte pouco
tege a pele e é, por isso, inofensivo para efeito, no segundo.

As folhas ficam cobertas de manchas, unha do polegar. Caso contrário, esfre-


tornam-se castanhas e acabam por cair. gue os caules com uma esponja ou
Com uma lupa, é possível ver os minús- uma toalha, para despegar os insetos.
culos ácaros e as suas teias muito finas. Mas, provavelmente, esta operação terá
Quando o tempo estiver seco, pulverize de ser repetida.
diariamente com água. Um teste reali-
zado com sabão por uma organização Larvas de tentredo
britânica de defesa dos consumidores ou de falsas lagartas
revelou-se pouco conclusivo. Atacam principalmente as roseiras,
cerejeiras e pereiras. Corroem a super-
Cochonilhas fície das folhas, tornando-as transpa-
Atacam diversos arbustos e árvores rentes. Os estragos são, sobretudo, de
de fruto e as vinhas. Se o ataque não ordem estética. Retire as larvas que
for grave, retire as cochonilhas com a encontrar.

112
A
AS PRAGAS 8
Tripes Tripes
Surgem manchas castanhas e pétalas
deformadas nos gladíolos, rosas e outras
flores. Se o problema se tornar grave,
experimente um dos pesticidas admiti-
dos em agricultura biológica (por exem-
plo, Spinosade).

Moscas-brancas
Couve-de-
Entre as plantas mais atingidas figuram -bruxelas
as azáleas, os rododendros, as couves atacada por
e as plantas de estufa. Reconhecem-se moscas-brancas
pelas nuvens de pequenos insetos que
se formam quando se sacodem as plan-
tas, e pela melada e pela fumagina que
se formam sobre as folhas. Os estra-
gos não são graves, exceto nas estufas
(veja a página 79). Lave as plantas com
um jato de água, ou com calda de sabão
de potássio, para eliminar a melada e a
fumagina.

Estragos causados por animais


de maior porte
Os pássaros e os animais domésticos -semeadas. Neste caso, a única forma
também podem causar estragos. Quanto eficaz de as proteger é cobri-las, provi-
a outros animais, tudo depende do local soriamente, com uma rede de malha
onde vive. fina ou manta térmica. Existem outros
métodos de dissuasão (como, por exem-
Aves plo, os espantalhos), mas a sua eficácia é
Os pombos e os pardais constituem, pequena, pois os pássaros rapidamente
normalmente, o principal problema pa- se habituam a eles.
ra as hortas. Para lhes fazer face, cubra Nos canteiros de f lores, é possível
as couves que pretende colher no estender f ios sobre estacas, para
inverno e na primavera com uma rede impedir que os pássaros pousem e
de malhas largas. Pode fazer o mesmo debiquem os capítulos. Utilize algo-
com os feijões. dão, em vez de fio sólido, para evitar
Muitas aves gostam de comer as que fiquem presos. Parece que as flo-
sementes de feijão e de ervilha recém- res amarelas são as preferidas dos

113
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

pássaros, portanto é preferível esco- com uma rede ou colocar desperdícios


lher outras cores (sobretudo no caso de madressilvas ou de outros arbustos.
do açafrão e dos nardos). Também é útil manter as sementeiras
Os estorninhos são ávidos de frutos, húmidas, pois os gatos preferem deitar-
sobretudo cerejas, e alguns tentilhões -se em locais secos.
também debicam os botões das cere- No que diz respeito às formas de “luta”,
jeiras ornamentais. A melhor solução é é necessário distinguir o seu próprio
colocar uma rede, o que só é possível no animal doméstico dos gatos que não lhe
caso de plantas sarmentosas, de caules pertencem ou que são vadios. Para o seu
baixos ou de árvores em latada. gato, pode plantar erva para gatos num
local protegido e colocar um recipiente
Gatos com terra fina, cinzas ou areia para que
Os gatos gostam de fazer as suas neces- ele aí possa fazer as suas necessidades.
sidades em solos recentemente trabalha- Quanto aos outros gatos, tome uma
dos e de se deitar sobre as plantas ao sol. medida mais radical: um bom duche de
No entanto, o solo trabalhado pode ser o água fria pode ajudá-los a pensar duas
das suas sementeiras e as plantas os seus vezes antes de voltarem...
legumes frescos! Neste caso, a melhor Se tem problemas com gatos, é prefe-
solução consiste em colocar ramos de rível evitar o cascalho e as cascas de
plantas espinhosas entre as plantas mais árvores na sua horta ou no seu jardim e
frágeis, para dissuadir os gatos de aí se proteger a areia com que os seus filhos
deitarem. Pode cobrir as sementeiras costumam brincar.

Riscos sanitários ligados aos cães e aos gatos


Os excrementos dos gatos e dos cães afeções cerebrais, hepáticas ou pulmo-
podem representar graves riscos para a nares, ou provocar cegueira, no caso de
saúde e devem ser eliminados sem con- atingirem a retina.
tacto direto (por exemplo, com papel de
jornal ou envolvendo a mão num saco de •• O Toxoplasma gondii é um parasita
plástico). Nunca os junte ao composto: microscópico, também transmitido
deite-os fora, juntamente com o restante através dos excrementos (e, provavel-
lixo caseiro. mente, pela saliva). Normalmente, não
se manifestam sintomas no homem,
•• Há dois parasitas do cão e do gato que mas pode haver náuseas e febre, como
também podem afetar os humanos. nos casos de mononucleose. Excecio-
O Toxocara é um verme que se encon- nalmente, provoca lesões cerebrais e
tra num em cada cinco desses animais pode chegar a causar a morte. Existe
domésticos. Através dos excrementos, também o perigo de causar lesões nos
os ovos destes vermes acabam no solo, olhos e no cérebro do feto, quando uma
onde podem sobreviver durante alguns grávida é contaminada. Embora o risco
meses. Se, por acaso, contaminarem os de ser infetado por excrementos de um
seus alimentos, alojam-se nos intesti- gato ou de um cão seja relativamente
nos e propagam-se por todo o corpo. baixo, as consequências podem ser tão
Normalmente, são apenas incomodati- graves que toda a prudência nunca é
vos, mas também podem ser um foco de demais…

114
A
AS PRAGAS 8
Cães sementeiras de leguminosas em vasos,
O melhor é educá-los: tente fazer o seu no interior, e transplantá-las mais tarde.
cão compreender, desde muito cedo, Existem diversas armadilhas para cap-
que não pode sujar impunemente o turar estes animais sem os matar, mas
jardim. Quando já for adulto, ensine- é necessário libertá-los a, pelo menos,
-o a não tocar nas plantas. Até lá, pode 800 metros do jardim, para evitar que
protegê-las, bem como às zonas mais voltem. Utilize chocolate ou manteiga
frágeis do jardim, com uma rede de de amendoim como isco, para os ratos, e
arame. Se, apesar de tudo, vir um cão pedaços de cenoura ou de maçã, para os
a urinar sobre as plantas ou o relvado, musaranhos. Para lutar contra as rata-
regue abundantemente o local em ques- zanas, dirija-se à câmara da sua zona de
tão, para evitar que haja danos. Como residência. Os musaranhos são uma boa
os cães são, geralmente, partidários ajuda, já que, ao contrário dos ratos, são
da lei do menor esforço, uma cerca ou insetívoros.
uma sebe baixa pode ser
suficiente para os manter Toupeiras
afastados e preservar As toupeiras podem ser bastante úteis,
as suas pois comem grandes quantidades de lar-
plantas vas. São animais insetívoros, tal como os
favoritas. musaranhos. No entanto, podem causar
grandes estragos nos relvados. Tente
expulsá-las depositando, nas galerias,
lenços embebidos em petróleo ou algu-
mas bolas de naftalina. O barulho tam-
bém as incomoda. Enterre na galeria
Gado de pequeno porte uma garrafa de plástico com o fundo
O inimigo nem sempre vem de fora: por cortado; o barulho do vento ao entrar
vezes, os seus próprios animais também na garrafa vai, provavelmente, fazê-las
podem causar estragos. Por exemplo, fugir. Uma alternativa igualmente eco-
as ovelhas e as cabras podem comer lógica consiste em colocar armadilhas
a casca das árvores de fruto jovens. metálicas nas galerias, que as capturam
Se for o caso, impõe-se a colocação de sem as matar, ou cultivar plantas repe-
uma proteção de rede plástica ou metá- lentes, como o trovisco e o manjericão.
lica em volta do tronco. As folhas mais
baixas também estão muito expostas e
a melhor solução consiste em plantar
árvores de caule alto ou manter os ani-
mais afastados, colocando uma cerca
que preserve o jardim ou a horta dos
animais errantes.

Ratazanas, ratos e musaranhos


Pode tentar proteger as culturas destes Coelhos e lebres
animais com a ajuda de restos de plan- Para manter os coelhos afastados,
tas espinhosas, como para os gatos. é necessária uma rede de arame de
Outra solução é, por exemplo, fazer as 1,2 metros de largura (malhas de

115
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

2,5 centímetros). Dobre-a ou o seu jardim se encontrarem dentro


em ângulo reto a 15 cen- dos limites de uma área protegida, não
tímetros da base e é impossível que um desses animais
enterre-a, de forma cause alguns estragos pela madrugada.
que fique 90 cen- Nesse caso, uma cerca, uma sebe densa
tímetros acima ou uma rede de arame com malhas lar-
do nível do solo. gas podem ser úteis. Nos dois primeiros
Para as lebres, casos, não vale a pena fazê-las muito
estenda um fio altas, pois estes animais não saltam para
de 15 centímetros acima da rede. terrenos que não conseguem ver.
Este tipo de cerca deve rodear todo o
jardim ou a zona que deseja proteger. No
inverno, elimine a neve que se acumular
contra ela, se for caso disso. Também
pode proteger individualmente o tronco
das árvores jovens, com o mesmo sistema
utilizado para o gado de pequeno porte.

Esquilos
Pequenos e graciosos, mas endiabra-
dos, os esquilos despojam as árvores
mais jovens da sua casca, desenterram
os bolbos, devoram as bagas, comem o Raposas
que estava destinado aos pássaros e rou- Também o número de raposas tem dimi-
bam provisões dos abrigos de jardim. Se nuído bastante no nosso país, devido aos
ainda existirem na sua região, proteja os caçadores. Apesar da sua reputação de
troncos das árvores e feche bem as suas ladras de galinhas e de outros animais
provisões. Quanto ao resto, tente vê-lo de criação, as raposas desenvolveram
como uma parte do preço a pagar por uma tendência, nas regiões de maior
habitar numa bela região… densidade populacional, para assalta-
rem os caixotes do lixo. Se for o caso,
Cervídeos use recipientes que se possam fechar ou
No nosso país, é muito raro encontrar coloque os sacos do lixo numa arrecada-
um cervo selvagem. Mas, se a sua horta ção fechada.

Trabalhos de inverno
Sachando nos locais onde as pra- A seguir, indicamos alguns locais-chave
gas hibernam, pode reduzir-se o seu e as medidas a tomar. Não se esqueça,
número e, consequentemente, redu- no entanto, de que as pragas podem vir
zir os problemas na estação seguinte. do exterior.

116
A
AS PRAGAS 8
1. A mosca-da-cebola, a mineira-das- 6. Pode haver lesmas, álticas e larvas de
-folhas de beterraba, as lesmas, alfinete perto da pilha do composto, nas
as roscas, as larvas de alfinete e ervas daninhas ou em restos vegetais.
a mosca-das-sementeiras e da Arranque as ervas daninhas e retire os
cenoura hibernam no solo. Cave resíduos que ficarem no solo.
bem a terra no inverno, para as
expor às condições climáticas e 7. A mosca-da-cebola, a mosca-do-aipo, a
à ação dos mosca-da-cenoura e a mineira-das-folhas
pássaros. podem sobreviver nas folhas atacadas ou
na pilha do composto. Por isso, queime as
plantas doentes em vez de as juntar
ao composto.
8

9
7

6
10
13 14

5 15
4
11
3

12
1
2

2. Os nemátodos também vivem no solo. 8. Os pulgões dos legumes podem hibernar
A rotação de culturas é uma boa medida nas sebes ou nas plantas ornamentais. Não
preventiva a adotar. se pode fazer nada, mas convém manter-
-se vigilante.
3. As larvas da mosca-da-cenoura podem
hibernar nas cenouras que ficam na terra. 9. Os casulos da lagarta-da-couve cos-
Desenterre todas as cenouras e queime os tumam hibernar nos muros ou nas veda-
exemplares atingidos. ções. Inspecione e destrua todos os que
encontrar.
4. As larvas da mosca-da-couve e os pio-
lhos-da-couve podem subsistir nos cau- 10. As psilas e os respetivos ovos, os ovos
les. Por isso, não os deixe na terra; queime- dos aranhiços-vermelhos, as lagartas-
-os e mobilize o solo. -das-ervilhas, as cochonilhas e os ovos dos
pulgões podem encontrar abrigo debaixo
5. Pode haver moscas-da-couve nos da casca das árvores de fruto. As lagartas
exemplares que passam o inverno na terra. do bichado-da-fruta costumam abrigar-
Após a colheita, queime os restos das cou- -se nos locais onde a casca se desprende.
ves afetadas. Queime os restos das podas de inverno. ➺
117
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

➺ 11. Os antónomos da macieira abrigam-se


nas folhas mortas. Apanhe-as.
abrigar-se debaixo das cascas da árvo-
res ou nos ramos velhos das groselhei-
ras-de-cachos. Podar no inverno pode
12. As lagartas-desfolhadoras podem ser útil, desde que queime os restos
sobreviver na base das árvores. Utilize das podas.
faixas de cola para as impedir de trepar. As
larvas de cecidómias também podem cau- 14. Os ácaros eriofídeos vivem nos botões
sar problemas: apanhe e elimine as folhas da groselheira-negra. Corte e queime os
atingidas. rebentos cujos botões estejam inchados.

13. Os pulgões, os ovos dos perceve- 15. Arranque e destrua os pés de moran-


jos capsídeos e as cochonilhas podem gueiro infestados de nemátodos.

118
9
Insetos amigos
e inimigos
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Todos sabem que as joaninhas são


amigas das hortas e dos jardins…
mas serão as vespas verdadeiras
inimigas?

Os insetos e outros pequenos animais são fonte de muitos


mal-entendidos. Enquanto as abelhas e as joaninhas são geralmente
consideradas amigas dos jardins, outros insetos são vistos como
autênticas pragas. Este capítulo trata do papel dos insetos no jardim
e explica-lhe como distinguir os amigos dos inimigos.

Uma horta ou um jardim sem insetos O papel dos insetos


seriam monótonos. Imagine, por exem-
plo, como seriam se não existisse o Polinização
alegre zumbido das abelhas ou o canto Sem insetos, muitas plantas não produ-
dos grilos no verão, que lhes dão outra ziriam nem frutos nem sementes. Ao
dimensão. Ou as cores e os movimentos contrário do que muitos pensam, as flo-
das borboletas e das libelinhas, que lhes res não são só polinizadas pelas abelhas.
dão mais vida e encanto... Grande parte das moscas, dos coleóp-
Além disso, se não houvesse insetos teros e das vespas também é bastante
também não existiriam outros animais ativa neste campo. Por isso, ainda que
que deles se alimentam, como, por utilize apenas pesticidas de degradação
exemplo, os ouriços, as rãs, os sapos, rápida admitidos na agricultura bioló-
algumas aves, etc. gica, arrisca-se a matar insetos poliniza-
Na realidade, a maioria dos insetos tem dores. Para limitar os riscos, evite a pul-
uma ação benéfica para as hortas e os verização de inseticidas sobre plantas em
jardins, incluindo algumas das espécies flor e fazer as pulverizações à tardinha,
que são geralmente consideradas como pois é a altura em que as abelhas e os
pragas. Por exemplo, as vespas, que outros insetos estão menos ativos.
são realmente desagradáveis quando
roem os frutos ou esvoaçam em volta Reciclagem
dos copos de refresco, passam uma de substâncias nutritivas
boa parte do verão a capturar lagartas Existem diversos insetos que vivem no
e larvas… solo e que se alimentam de fibras mortas.

120
A
INSETOS AMIGOS E INIMIGOS 9
Isto acontece com algumas pragas, Luta sem tréguas contra as pragas
como, por exemplo, as centopeias e as Geralmente, cada praga tem, pelo menos,
larvas de alfinete. Estes insetos, além dois ou três inimigos naturais. Calcula-se
disso, também se alimentam de plan- que, ainda que o homem não lutasse con-
tas vivas. tra as larvas, só três por cento atingiriam
Por sua vez, algumas espécies de a maturidade, tal é a intensa atividade
coleópteros (denominados coprófa- dos insetos auxiliares e outros inimigos
gos e necróforos) enterram no solo os naturais. Por exemplo, os pulgões desen-
excrementos e os cadáveres de inse- volvem-se bastante durante a primavera,
tos, minhocas, etc. A sua atividade é mas, no verão, já são muito menos nume-
indispensável para a reintrodução de rosos. Um mau ano para os pulgões cor-
substâncias nutritivas essenciais para responde, quase sempre, a um bom ano
a riqueza do solo. para os predadores naturais.

Identificar os insetos

Joaninhas com pintas negras. Existe mesmo uma


espécie de tamanho menor, toda negra,
•  A joaninha-de-sete-pintas, muito co- cujo alimento são os ácaros das árvo-
-mum, reconhece-se com bastante faci- res de fruto. No entanto, constatamos
lidade. Mas as larvas, que apenas dis- que todas têm a forma característica
põem de patas à frente, não se parecem das joaninhas.
quase nada com os insetos adultos, a
não ser nos hábitos alimentares, pois
ambos se alimentam de pulgões e de
Pupa de
outros insetos moles: uma larva pode joaninha-de-
comer quinhentos pulgões ou mais -sete-pintas
quando chega à fase adulta!

•  Além das joaninhas adultas e das lar-


vas, também pode encontrar, sobre as
folhas das roseiras e de outros arbustos,
ovos de cor amarela e pupas acinzen-
tadas. Não cometa o erro de os tratar
como pragas e deixe-os tranquilos.
Larva de joaninha-
•  Existem outras espécies que não se -de-sete-pintas
reconhecem tão facilmente, como as joa-
ninhas negras com pintas avermelhadas Joaninha-de-
ou amareladas ou as joaninhas amarelas -sete-pintas

121
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

•  Em verões muito quentes, as joa-


ninhas podem juntar-se em enxame,
o  que dá azo, por vezes, a  reações
alarmistas (banhistas
obrigados a abando-
nar uma praia, por
exemplo). Quando se
sentem ameaçadas, as
joaninhas podem emi-
tir um líquido acre,
que, no entanto, é ino-
fensivo para o homem.
Joaninha-de-vinte- Joaninha ocelada
-e-duas-pintas

Coleópteros inofensivos carabídeos (a que pertencem as caro-


chas) e os estafilinídeos.
Existem trezentas a quatrocentas mil
espécies de coleópteros. A maioria Carabídeos
não provoca danos graves nas hortas e Os grandes coleópteros negros que,
nos jardins e os espécimes adultos não por vezes, se veem a correr pelo chão
devem, geralmente, ser vistos como (sobretudo à noite) são carabídeos,
inimigos. Na verdade, muitos coleópte- grupo de insetos a que pertencem as
ros, além de inofensivos (como a vaca- carochas. A maioria captura e come les-
-loura, apesar das suas impressionantes mas, minhocas e insetos. Os adultos têm
mandíbulas), também são benéficos, patas compridas e muitos não voam. Os
pois alimentam-se de lesmas e pragas seus élitros endurecidos (negros, azula-
que vivem no solo. Os mais úteis são os dos ou castanho-escuros) formam uma

Escaravelhos-da-batata
Estes pequenos coleópteros asseme-
lham-se às joaninhas negras e amarelas.
Constituem uma verdadeira praga para as
batatas. As larvas (vermelhas) são muito
vorazes e podem devorar completamente
as folhas das batateiras. Proceda a verifi-
cações regulares em abril e maio. Se con-
seguir capturar e eliminar os primeiros
insetos que surgirem sobre as plantas,
eles não terão ocasião de se reproduzir e,
portanto, não haverá larvas.

122
A
INSETOS AMIGOS E INIMIGOS 9
espécie de carapaça, o que lhes dá uma
preciosa proteção suplementar quando
caminham pelo solo.
As larvas são alongadas, têm corpo Larva (em cima)
mole, três pares de patas e cabeça e carocha
escura. Tal como os adultos, possuem
mandíbulas poderosas.

Estafilinídeos
No nosso país existem muitas espécies
de estafilinídeos. Muitos são minúscu-
los e passam facilmente despercebidos.
Possuem élitros muito curtos, que não
cobrem totalmente o abdómen, ao con-
trário do que acontece com a maioria
dos coleópteros.

Estafilinídeo Coleópteros prejudiciais


As larvas de alguns coleópteros podem
infestar gravemente um jardim.

Escaravelhos
O sanjoaneiro ou pão-de-galinha é um
membro da família dos escaravelhos,
que já foi mais numeroso do que atual-
As larvas assemelham-se às dos cara- mente. As suas larvas parecem lagartas
bídeos, embora sejam mais pequenas. grandes e alimentam-se de raízes e bol-
Tal como os estafilinídeos adultos, bos de plantas.
alimentam-se de insetos e de larvas
que capturam no solo. Há alguns anos,
muitos agricultores utilizavam doses
maciças de um inseticida (aldrina), para
lutar contra a mosca-da-couve. Devido
à sua grande mobilidade, os coleópte-
ros absorviam quantidades apreciáveis
desse inseticida e muitos morriam. As
larvas da mosca-da-couve, mais lentas
e, portanto, menos atingidas pelo pro- Sanjoaneiro (em cima)
duto, aumentaram em vez de diminuir, e larva
beneficiadas pelo facto de terem menos
inimigos naturais. Num jardim, a aplica-
ção de inseticidas no solo pode ter um
efeito semelhante.

123
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Alfinetes Coleópteros polínicos


Estes coleópteros medem aproximada- Encontram-se, frequentemente, nas
mente 12 milímetros. Fazem um ruído flores das ervilhas-de-cheiro. Alimen-
audível e saltam mal lhes tocamos. tam-se de pólen e não causam grandes
As larvas atacam legumes de raiz, tubér- estragos; no entanto, podem tornar-se
culos (batata) e raízes (milho). incómodos. Para se livrar deles, coloque
as flores num celeiro (ou noutro lugar
onde a luz pro-
Alfinete e larva
venha de uma só
direção) e eles
acabarão por
desaparecer.
Coleóptero
polínico

Coleópteros-do-morangueiro
Antónomos-da-framboeseira Assemelham-se aos escaravelhos, mas
Depositam os ovos nas flores, na altura são de menor envergadura. O único tra-
em que despontam os primeiros reben- tamento consiste em eliminar todos os
tos. Dos ovos nascem umas larvas bran- resíduos do canteiro dos morangueiros.
cas, que se alimentam de amoras, fram-
boesas e outros frutos. Os coleópteros
adultos também podem causar danos Sirfídeos
nas plantas.
Os sirfídeos são moscas que imitam
as abelhas ou as vespas, para levarem
os inimigos a acreditar que possuem

Antónomo-da-
-framboeseira e larva

Gorgulhos
Possuem um abdómen retangular e um
sugadouro comprido. Por vezes, che-
gam a deformar as liliáceas (família a
que pertencem os
alhos-franceses e as
cebolas) e a impedir
que as respetivas
folhas se abram.
Algumas espécies
atacam as sementes Os sirfídeos adultos alimentam-se de néctar
Gorgulho armazenadas. e são atraídos por flores isoladas e planas

124
A
INSETOS AMIGOS E INIMIGOS 9
Sirfídeos e respetivo “modelo”

Vespa-comum
Sirfídeo (imitação
de vespa)

Sirfídeo
Abelhão
Mosca-dos- (imitação
-narcisos e larva de abelhão)

um ferrão, apesar de não ser o caso. dourados e dois pares de asas trans-
Têm um único par de asas (enquanto as parentes. Durante o verão, nas noi-
abelhas possuem dois) e podem parar tes quentes, podem entrar nas casas.
subitamente, mesmo em pleno voo. A Algumas pessoas confundem-nas com
maioria é útil, porque as suas larvas se pulgões alados, apesar de a diferença
alimentam de pulgões. Estas possuem ser evidente quando as observamos
um corpo mole e, na sua maioria, são de perto. A ironia é que estes insetos,
brancas, embora também possam ser quando adultos e mesmo enquanto
verdes ou acastanhadas. Têm, aproxi- larvas, se alimentam de pulgões. Algu-
madamente, 12 milímetros de compri- mas larvas são ligeiramente peludas e,
mento, uma cabeça pequena e ausência muitas vezes, andam cobertas de restos
de patas; no entanto, podem mudar de de pulgões. Esse aspeto de “cemitério
forma. Encontram-se sobre as folhas
infestadas de pulgões. A “ovelha negra”
da família – pelo menos para os jardi- Crisopa
neiros – é a mosca-dos-narcisos, pois as
larvas alimentam-se dos bolbos dessas
plantas.

Crisopas
As crisopas são insetos finos e esver- Larva
de crisopa
deados, com longas antenas, olhos

125
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

ambulante de pulgões” é uma espécie de


camuflagem, pois ajuda-as a não serem Vespa-comum com
uma pequena lagarta
notadas.

Vespas
Além da vespa-comum, que se alimenta
de lagartas e de frutos, também encon-
tramos nos jardins vespas mais peque-
nas, que parasitam insetos. Como pode
ver na ilustração, estas últimas são dife-
Vespinha-icneumonídea
rentes das vespas-comuns. Possuem (parasita dos insetos
dois pares de asas, geralmente com moles)
uma mancha escura nas asas interiores,
e um corpo longo com uma cintura bem
pronunciada.
Com a ajuda de uma espécie de pua
afiada (o oviscapto), as fêmeas deposi-
tam os ovos numa larva ou num inseto
adulto. A larva que daí nasce alimenta-
-se do inseto em questão, acabando
por matá-lo.
Normalmente, as lagartas são parasita-
das por vespinhas braconídeas. De uma
só lagarta podem sair cerca de cem lar- Vespinha-braconídea
vas. Também existem vespas que para- (parasita das lagartas)
sitam os pulgões, mas só depositam um
ovo em cada pulgão. Por vezes, veem-
-se sobre as folhas das plantas diver-
sos cadáveres de pulgões cor de palha,
com um pequeno orifício. É provável
que tudo isto lhe pareça um pouco bár-
baro, mas não se esqueça de que estes
insetos estão do seu lado na luta contra
as pragas.

Centopeias
Muitas pessoas confundem as escolopen-
dras ou centopeias, que se alimentam de
outros invertebrados e se deslocam rapi-
damente para atingir a vítima, com os mexer tão rapidamente. É quando lhes
mil-pés, que se alimentam de raízes de tocamos que os reconhecemos mais
plantas e, portanto, não precisam de se facilmente: as escolopendras fogem,

126
A
INSETOS AMIGOS E INIMIGOS 9
enquanto os mil-pés se enrolam, for-
mando uma bola. Mas há outras dife-
renças: à lupa, reconhece-se na esco-
lopendra um único par de patas por
segmento, enquanto os mil-pés possuem
dois. Além disso, as escolopendras são
achatadas e menos redondas. No jardim,
pode encontrar dois tipos de escolopen-
dras: o Lithobius, que é castanho-escuro,
com largos segmentos achatados; e o
Geophilus, que é amarelo-claro, com seg-
mentos finos. O crescimento das escolo-
pendras faz-se acrescentando novos seg-
mentos à parte de trás. Não as confunda
com as larvas de alfinete, que possuem Desde cima, no sentido dos ponteiros do
três pares de patas e cujo comprimento relógio: escolopendras (Lithobius e Geophilus),
não ultrapassa um centímetro. mil-pés e larva de alfinete

127
10
Atrair os inimigos
naturais das pragas
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

A melhor maneira de vencer as pragas é apelar à mãe natureza.


Cada praga tem vários inimigos naturais: aves, mamíferos, répteis
ou insetos. No entanto, pode ser necessário tomar algumas medidas
para os atrair. Pense nisso logo de início, na altura de projetar a sua
horta ou o seu jardim e as plantações. Eis alguns polos de atração.

1. A pilha do composto atrai os li- animais, tais como pássaros, sapos
cranços (também conhecidos como e salamandras.
cobras-de-vidro ou fura-mato),
que nela se alimentam de lesmas, 3. Montinhos de lenha ou de folhas
e os pintarroxos, que nela procuram podem servir de abrigo aos ouriços
insetos durante o inverno. e a diversos insetos.

2. Um charco, além de ser indis- 4. As urtigas atraem diversas espé-
pensável para as rãs, atrai outros cies de borboletas.

5
4 9
6
3
7
8

12

10

11 5. A madressilva é uma planta apreciadas pelos verdelhões


particularmente apreciada e por outros pássaros.
pelos pássaros, que nela se
aninham; durante a noite, atrai 8. Uma sebe densa (de pilri-
as borboletas noturnas. teiro, por exemplo) abriga e
alimenta os pássaros.
6. A relva alta atrai numero-
sas espécies de borboletas e 9. Algumas árvores e alguns
de outros insetos. arbustos, como, por exem-
plo, o sabugueiro e a roseira-
7. As sementes de girassol -brava, atraem as aves inse-
e de cardo-penteador são tívoras.

130
A
ATRAIR OS INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS 10
Atrair insetos úteis

Uma abordagem diferente livrar-se totalmente das lesmas, mas


Normalmente, temos tendência para os sapos e os pássaros darão um bom
confundir todos os insetos com pragas, contributo. Talvez seja melhor habituar-
mas, na realidade, a maioria é inofensiva -se a ver algumas folhas corroídas ou
e pode até ser útil. Muitos alimentam-se renunciar ao cultivo de plantas parti-
de verdadeiras pragas (por exemplo, cularmente sensíveis, como as esporas
de pulgões); outros servem de alimento e as hostas.
a animais de maior porte, como pás-
saros, ouriços, toupeiras e morcegos.
Manter uma população de insetos sã Criar um cantinho de urtigas
deve constituir a base do equilíbrio
natural de uma horta ou de um jardim. As urtigas constituem a base da alimen-
Praticando um tipo de cultivo diferente, tação de diversas borboletas diurnas.
os insetos tornam-se amigos em vez Além disso, algumas utilizam-nas para
nelas depositarem os seus ovos.
de inimigos. Para isso, deve resistir à
Para estimular os novos rebentos,
tentação de “manter tudo em ordem”. corte as urtigas de vez em quando.
A maioria dos inimigos naturais das Se não tiver urtigas no seu jardim,
pragas gosta de se abrigar. Por isso, dei- procure rebentos novos em fevereiro;
xar alguns montinhos de madeira e de desenterre as raízes (com cerca de
folhas em determinados locais pode ser 10 a 15 centímetros de comprimento e
útil. Também é conveniente deixar as rebentos verdes) e plante-as num local
sebes e as bordaduras densas e permitir soalheiro. Para evitar que as raízes se
que algumas ervas daninhas cresçam alonguem excessivamente, coloque
uma barreira vertical (plástico sólido,
entre os legumes.
pedras, etc.).
Embora as lesmas e os pulgões sejam
as pragas mais renitentes e provoquem
estragos consideráveis, não recorra nem
a pesticidas nem a venenos. É difícil

10. Um comedouro para os pássaros, colo-


cado bem à vista, é um acessório bastante
útil em todos os jardins. Mas é conveniente
ter cuidado com os gatos.

11. As flores ricas em néctar, como as


Buddleias, por exemplo, atraem as borbo-
letas diurnas, as abelhas e outros insetos.

12. Os arbustos de bagas, como o azevinho


e o cotoneáster, alimentam os pássaros. No final do verão, o Sedum spectabile ainda
fornece néctar

131
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Uma armadilha contra as lesmas


Os carabídeos alimentam-se, essencial-
mente, de lesmas e de minhocas. Para ter a
certeza de que ficam onde deseja, construa
um pequeno fosso, cavando um rego em volta
do canteiro com, pelo menos, quatro centí-
metros de profundidade, e cobrindo a parede
exterior com um material liso que não ultra-
passe o nível do solo. Os carabídeos caem
no fosso e, como não conseguem sair, terão
de se contentar com as lesmas existentes
no canteiro.

As lesmas e as lagartas são grandes


apreciadoras de legumes carnudos que,
normalmente, são plantados em filas.
Por isso, experimente combiná-los com
outras plantas e algumas flores.
É necessário cultivar várias flores ricas
em néctar, durante todo o verão. As bor-
boletas diurnas, as abelhas, os sirfídeos
e as vespas procuram flores abertas e
simples. Não é necessário que sejam flo-
res silvestres, mas evite, no entanto, os
híbridos F1 muito cruzados e as varie-
dades de flores duplas. No inverno, os
folhados (Viburnum L.) em flor consti-
Os goivos fornecem néctar tuem uma verdadeira tábua de salvação
no final da primavera para os insetos, que começam a sua ati-
vidade logo no início da primavera.

A maneira mais segura de atrair os


insetos auxiliares é a existência das Plantas ricas em néctar
suas respetivas vítimas. Por exemplo,
as joaninhas alimentam-se unicamente As abelhas, as borboletas diurnas, os sir-
de pulgões, e, por isso, precisam deles fídeos e as vespas são atraídos por flores
para sobreviver. O que significa que não ricas em néctar.
deve preocupar-se demasiado com os Assim, escolha uma mistura de plan-
pulgões ou com as lagartas, a não ser, é tas anuais de boa visibilidade, como os
claro, que algumas plantas estejam a ser girassóis e as calêndulas, e de plantas
completamente destruídas. Se os tolerar vivazes, como os brincos-de-princesa e
em pequenas quantidades, eles atrairão o Sedum spectabile.
os inimigos naturais, cuja presença pro- Existem muitas outras flores ricas em
tegerá também outras plantas. néctar, como os goivos, os açafates, as

132
A
ATRAIR OS INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS 10
papoilas e as aubrietas. As flores de algu-
mas árvores e alguns arbustos, como o As aranhas
pilriteiro, a macieira e a cerejeira, tam-
bém são importantes fontes de néctar. Todas as espécies nativas de aranhas
são predadores que, além de atacarem
as pragas, também atacam os seus res-
petivos inimigos naturais. De qualquer
Abrigos para maneira, não podem ser consideradas
os insetos do solo nocivas e, inclusive, servem de alimento
aos pintarroxos, às carriças e a outros
•  Os carabídeos e as centopeias são amigos dos jardins. As folhas mortas
animais muito ativos. Durante a noite, e os pequenos
caçam lesmas, larvas, bichos-de-conta ramos abando-
e, infelizmente, também minhocas úteis. nados sob as
sebes atrairão
Durante o dia, são assustadiços e escon-
as aranhas e
dem-se debaixo das pedras quando os outros insetos
incomodamos. Para os atrair, é necessá- que asseguram
rio fornecer-lhes bons abrigos para pas- alimento a pás-
sarem o dia. Por isso, coloque algumas saros e peque-
pedras grandes, pedaços de madeira, nos mamíferos.
montinhos de lousa, etc., na sua horta
(veja o desenho).

•  No nosso país, existem algumas cen-


tenas de espécies de carabídeos e de
estafilinídeos. Os animais adultos, assim
como as larvas, alimentam-se de pragas.
Apesar de serem mais ativos no solo,
também trepam às plantas para apanhar
pulgões.

•  Não utilize inseticidas no solo, pois,


além de matarem as pragas, também
matam os insetos auxiliares e, por-
tanto, em certos casos, podem agravar
o problema.
•  As ervas daninhas rasteiras também
constituem bons abrigos. Inclusive, •  Os carabídeos hibernam na erva, por
chegou-se à conclusão de que os can- isso, no outono, deixe uma zona com
teiros de couves pouco sachados costu- erva perto da horta.
mam conter mais carabídeos e menos
pragas de insetos, produzindo assim •  Em conclusão: tolere um pouco de
melhores couves do que os canteiros desordem na sua horta ou no seu jar-
cuidadosamente tratados. Uma camada dim. Com sorte e alguma ajuda da sua
de palha também pode abrigar muitos parte, os insetos auxiliares farão deles a
invertebrados. sua morada permanente.

133
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Atrair batráquios e répteis

Um charco de aspeto natural agrada


ao olhar e atrai animais auxiliares,
como as rãs, as aves e os morcegos

num relvado aberto e proteja as mar-


gens com plantas.
O ideal é um charco de formas irregula-
res, com margens ligeiramente inclina-
das e com oitenta centímetros de pro-
fundidade no centro, para que a água
não gele no inverno. Também é uma boa
ideia criar uma pequena zona pantanosa
de um dos lados.
Sapos, rãs e salamandras
Plantas aquáticas
Estes animais são úteis, na medida em O momento ideal para fazer as planta-
que são inimigos naturais das lesmas, ções é na primavera. Não coloque terra,
das moscas e de outros insetos. Ape- pois pode servir de adubo e levar a que
sar de as rãs e os sapos ficarem a maior o charco fique rapidamente invadido.
parte do tempo em terra seca, preci- De preferência, coloque as plantas den-
sam de água para se reproduzirem. Um tro de vasos ou cestos de plástico (com
pequeno charco é suficiente, mas deve aproximadamente 20 × 20 centímetros)
fornecer aos animais tudo aquilo de que e cubra o interior com serapilheira; em
precisam. Escolha um local soalheiro e seguida, encha-os de terra coberta por
afastado de ramos de árvores. As mar- gravilha, para que não seja facilmente
gens devem ser ligeiramente inclinadas, levada pela água. Deixe as plantas entra-
para que os jovens batráquios possam rem suavemente na água e não coloque
entrar e sair facilmente da água. É pos- demasiadas no mesmo local.
sível que eventuais peixes comam uma Plante diversas variedades e dê prefe-
parte dos girinos. rência às “plantas oxigenantes”. No pri-
meiro ano, o desenvolvimento de algas
Arranjo de um charco pode constituir um problema e não
Um charco, mesmo pequeno, constitui se deve deixar que formem um tapete
sempre um bem precioso num jardim. espesso. Apesar de existirem caracóis-
Para os batráquios, exige-se uma super- -de-água, que comem muitas algas,
fície mínima de dez metros quadrados. estes também podem comer outras
Quando escolher o local, lembre-se de plantas.
que os sapos e rãs jovens precisam de se As plantas oxigenantes submersas, como
abrigar dos pássaros com relativa rapi- o Ceratophillum espinhoso, o musgo
dez. Portanto, não construa o charco Sphagnum e a lentilha-de-água, são

134
A
ATRAIR OS INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS 10
úteis. O jacinto-de-água é uma excelente mais jovens. Os licranços gostam de
planta depuradora, mas muito invasora. jardins soalheiros e passam uma boa
Coloque as plantas bem no fundo. parte do tempo debaixo de pedras pla-
O Sphagnum, por exemplo, deve ter as nas, muros de pedra secos ou pilhas
raízes e os caules submersos, apesar de de composto.
aparecer à superfície. Nas margens do
charco, plante miosótis-dos-pântanos,
lírios-dos-pântanos e menta-de-água
(apesar de esta poder ser invasora). As
filipêndulas-dos-pântanos, as salicárias
e as lisimáquias também contribuem
para dar um toque colorido à zona
pantanosa.

Licranços
Os licranços, cujo comprimento pode
atingir 30 centímetros, têm aspeto de
cobras, mas, na realidade, são lagar-
tos sem patas. Ao contrário das cobras Hibernam de outubro a março e repro-
verdadeiras, piscam os olhos. Além duzem-se de meados de agosto a mea-
disso, alimentam-se de lesmas e ata- dos de setembro. Não é impossível que
cam os legumes e as plantas vivazes façam o ninho na pilha de composto.
Por isso, preveja uma alternativa, como
uma pilha de madeira ou mantinhas de
folhas, e evite remexer a pilha do com-
Um minicharco num barril posto até que o período de reprodução
esteja terminado.
Até a metade de um barril ou uma
velha banheira podem servir para
criar um minicharco. Se criar “terra-
ços” com a ajuda de pedras, os pás- Onde encontrar ovas de rã?
saros virão banhar-se com prazer.
Alguns batráquios podem decidir viver
espontaneamente num charco recen-
temente arranjado, sobretudo se vive-
rem nos arredores. Esse é, de longe, o
melhor método para arranjar “habi-
tantes” para o seu charco, mas, se não
quiser esperar, também pode procurar
ovas em casa de amigos que já tenham
um charco ou, em alternativa, numa
associação de amigos da natureza.
Não procure ovas na natureza, por sua
própria iniciativa, pois há muitas espé-
cies ameaçadas.

135
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Arranjo de um charco “natural”

Margens pouco
profundas, para
facilitar o acesso
ao charco Plantas
Nenúfares, para fornecer sombra dos pântanos

“Terraços” Lona perfurada


Lona plástica 
para as plantas para a zona
para
das margens pantanosa
impermeabilizar
o charco
Ponha uma camada de areia ou
de cartão ou um tapete velho Plantas oxigenantes
no buraco, antes de colocar a lona

Para fazer um charco é preferível utilizar •• Enchimento


uma lona de PVC de alta resistência aos Guarneça o buraco com uma camada de areia
raios ultravioletas (UVB). Assim, evitará húmida, cartão húmido ou um velho tapete e
as formas fixas dos charcos prefabricados, estenda a lona. Fixe os bordos com a ajuda
que são bastante mais dispendiosos. Qual de pedras e encha com água (da chuva). Em
a superfície da lona? seguida, corte o excedente da lona e substi-
tua as pedras por montinhos de relva ou pela
Largura = 2 × profundidade máxima + terra boa que tinha posto de parte. Por fim,
+ largura do charco + 30 cm despeje um balde de lodo e de água retirados
Comprimento = 2 × profundidade de outro charco, para dar vida ao seu.
máxima + comprimento do charco + 30 cm
•• Zona pantanosa
Uma zona pantanosa adjacente dará um
•• Escavação aspeto ainda mais natural ao charco. Pode
Delimite a forma do charco com a ajuda plantar uma série de plantas espontâneas
de uma corda (de roupa, por exemplo). que gostem de humidade (como é o caso
Cave a terra, prevendo uma terraplana- das salicárias).
gem horizontal com 20-25 centímetros Separe esta zona do charco propriamente
de profundidade para as plantas das dito, levantando a lona até à superfície da
margens. Parte da terra e da relva reti- água. Cave então o solo até 20 centímetros
radas pode servir para cobrir os bordos de profundidade e desenrole de seguida a
da lona (guarde à parte a boa camada lona. Faça-lhe pequenos orifícios e preen-
superior da terra). Os bordos devem ficar cha a cavidade obtida com uma mistura de
na horizontal. terra e de fibras de coco.

136
A
ATRAIR OS INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS 10
Atrair os mamíferos

Ouriços
Há mais ouriços nas hortas e nos jardins
do que por vezes julgamos. Isso acontece
porque, geralmente, eles aproveitam
a escuridão para se deslocarem. Mas
podem percorrer longas distâncias para
procurar alimento; por exemplo, a sua
horta ou o seu jardim podem ser visita-
dos por vários ouriços numa só noite.
E ainda bem, pois estes animais alimen-
tam-se (em quantidades relativamente
limitadas, é verdade) de lagartas, coleóp-
teros, larvas de insetos, lesmas e caracóis.

Um abrigo para ouriços


Se desejar manter um ouriço na sua horta Pode levantar ligeiramente o solo, com
ou no seu jardim, pode construir-lhe um um caixilho de madeira coberto de rede
abrigo. Para tal, utilize uma caixa com 30 ou de arame e tela e, por fim, uma camada de
45 centímetros de altura, de madeira não erva seca ou palha.
tratada. Deixe a metade de um dos lados
aberta e junte-lhe um túnel de acesso com
cerca de 60 centímetros de comprimento,
feito com tijolos. Cubra o túnel com um
telhado de madeira e a
caixa com uma folha de Plano e corte de um
plástico. Em seguida, abrigo para ouriços
cubra o conjunto com
terra, prevendo
uma chaminé
de venti-
lação.

137
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

•  Existem duas maneiras de atrair os e mosquitos. Mas não é fácil atrair os


ouriços para o seu jardim. Primeiro, morcegos se estes não estiverem já esta-
fornecendo-lhes alimento regularmente, belecidos nas imediações. Mas nada o
sobretudo no outono, pois fazem provi- impede de fazer uma tentativa, pen-
sões para a hibernação. Dê-lhes, por durando alguns abrigos e verificando,
exemplo, lagartas ou larvas que tenha mais tarde, se foram ocupados.
capturado. Mas não lhes dê pão, pois Atualmente, os morcegos encontram-se
não é bom para eles. protegidos por lei e é proibido molestá-
-los, seja de que forma for. Por isso, se
•  A outra medida a tomar é verificar quiser tratar a madeira de um telhado
se o respetivo ambiente natural não habitado por morcegos ou se precisar
está ameaçado. De dia e durante toda de efetuar trabalhos suscetíveis de os
a hibernação (de novembro a março), molestar, contacte primeiro o Insti-
os ouriços costumam abrigar-se sob o tuto da Conservação da Natureza e da
estrado de uma arrecadação de jardim, Biodiversidade, o parque natural mais
numa sebe densa ou numa pilha de próximo ou uma associação de amigos
madeira ou de folhas. Também podem da natureza.
esconder-se em montinhos esquecidos Os morcegos vivem em colónias e têm
de restos de vegetais. Por isso, verifique- exigências muito particulares. Durante
-os bem antes de os queimar! O jardim o dia, precisam de um local quente
pode constituir um verdadeiro “campo e abrigado, pois só começam a caçar
minado” para um ouriço, cheio de ris- quando cai a noite. A maioria das espé-
cos insuspeitos. Por exemplo, as latas de cies que vivem nos buracos das árvores
conserva vazias podem ser, para eles, adaptou-se bem ao ambiente humano.
armadilhas mortais; por isso, mantenha Atualmente, encontramos o morcego-
os lixos caseiros fora de acesso. Também -de-ferradura e o morcego-orelhudo
se podem afogar num charco cujas mar- tanto nas árvores como nalguns palhei-
gens sejam abruptas e, por essa razão, é ros e celeiros, e mesmo nalgumas casas,
conveniente fazê-las com uma leve incli- pendurados nos barrotes ou por baixo
nação. Por outro lado, se costuma utili- de telhas levantadas.
zar redes para proteger os frutos, verifi-
que regularmente se não ficou nenhum
ouriço preso. Finalmente, tenha o cui-
dado de nunca utilizar veneno para
exterminar as lesmas: não se esqueça
de que os ouriços não conseguem dis-
tinguir as lesmas sãs das envenenadas!

Morcegos
A maioria das espécies de morcegos
é cada vez menos numerosa; precisa,
por isso, da sua ajuda. Em troca, ajudá-
-lo-ão a desembaraçar-se de muitos
insetos, incluindo as pragas de pulgões

138
A
ATRAIR OS INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS 10
Um abrigo para morcegos
Se desejar construir um tal abrigo, saiba (e de preferência a cinco metros) do solo.
que precisará, provavelmente, de dois: A caixa deve ser de madeira não tratada
um virado a sul, para o verão (quando as e a parede traseira deve conter ranhu-
fêmeas criam os filhos), e outro virado a ras, para que os morcegos aí se possam
norte para a hibernação. Fixe as caixas agarrar. A fenda de acesso deve ser tão
ao tronco de uma árvore ou sob o alpen- larga como a própria caixa e amovível
dre da casa a, pelo menos, 1,5 metros para limpeza.

Encaixe para
o teto
cm
15

2,5 cm Ranhuras

20 cm

25 cm

15 9 cm
cm

15
cm
Deixe uma pequena Os morcegos
abertura em baixo entram por aqui
(15-20 mm)

O abrigo poderá acolher


cerca de 50 morcegos

Atrair as aves

Uma boa ajuda passar bem o inverno, fornecendo-lhes


abrigos para que fixem domicílio no
Ao atrair aves insetívoras para o seu seu jardim. Em troca, durante o verão,
jardim assegurará a presença dos maio- ajudá-lo-ão a livrar-se dos pulgões, das
res inimigos naturais das pragas. Por lesmas e de muitas outras pragas. Exis-
isso, é muito importante ajudá-las a tem muitas aves perfeitamente capazes

139
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

de desempenhar esse papel, mas aqui mais profundamente, durante o tempo


falaremos apenas das espécies mais seco, os tordos também atacam as les-
aguerridas. mas. No outono, alimentam-se de bagas.
Estas aves são muito sensíveis aos vene-
Tordos nos para as lesmas e aos produtos vermí-
Os tordos constroem os ninhos com fugos. Por isso, não os utilize.
pequenos ramos, em zonas de vegeta-
ção densa. Para esse fim, as sebes e as Chapins-azuis
plantas trepadeiras são particularmente Na ausência de locais naturais para a
convenientes, sobretudo se não estive- nidificação (buracos nas árvores), pode
rem demasiado podadas. facilmente atrair os chapins-azuis, ins-
A sua alimentação baseia-se nas minho- talando um ninheiro a cerca de dois a
cas, mas, quando estas se enterram cinco metros de altura.
Estas aves alimentam-se essencialmente
de lagartas, mas também de pulgões e
respetivos ovos. Graças ao seu bico fino
Receita de mistura para aves e aguçado, são até capazes de desalojar
as larvas da mineira-das-folhas.
•• Ingredientes
Dois terços: bolo, pão, sementes, nozes, As fêmeas têm ninhadas de oito a dez
frutos secos, cereais e restos de cozi- crias e precisam, por isso, de muitos
nhados; um terço: gordura derretida. insetos para os alimentar. Durante o
verão, são o maior inimigo natural das
•• Preparação lagartas e dos pulgões; se tiver chapins-
Misture bem todos os ingredientes e -azuis na sua horta ou no seu jardim, é
deixe arrefecer a mistura numa forma. inútil pulverizar as plantas.
Retire o conteúdo da forma sobre a pla-
taforma do comedouro. Outra possibili-
dade: suspenda duas metades de coco.
Andorinhas
Na realidade, é inútil tentar atrair ando-
rinhas, pois elas virão por si próprias se
o jardim contiver muitos insetos. Caçam
AVES MAIS FREQUENTES à vista, atacando os pulgões e os mos-
NAS HORTAS E NOS JARDINS quitos isolados. Cada andorinha adulta
Aves O que comem é capaz de capturar vários milhares de
Carriça Aranhas, insetos, larvas insetos por dia.
Lagartas, pulgões, As andorinhas-das-janelas constroem
Chapim-azul
mineira-das-folhas o ninho por baixo dos telhados, com
Chapim-real Insetos a ajuda de lama. Um grande charco de
Estorninho Minhocas, larvas margens lamacentas é útil para lhes for-
Melro Minhocas, bagas necer o material para nidificarem e inse-
tos para se alimentarem.
Pardal-comum Insetos, sementes
As andorinhas-das-chaminés nidifi-
Insetos, sementes, aranhas
Pisco-de-peito-ruivo
e bagas
cam nos palheiros e nos estábulos, que
devem, por isso, permanecer abertos.
Tordo Minhocas, lesmas
Pode tentar atraí-las, colocando ninhei-
Toutinegra Insetos, sementes
ros sob os telhados; talvez voltem todos
Verdelhão Sementes, sobretudo de girassol os anos.

140
A
ATRAIR OS INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS 10
Plantas que atraem Alimentar as aves
as aves no inverno
Como a maioria das aves se alimenta de Se quiser incitar as aves a atacarem
insetos, de sementes ou de bagas, é con- as pragas, não as alimente por muito
veniente dispor de um grande número tempo (só até março, de qualquer
de plantas que possam atrair os inse- maneira). No entanto, se forem alimen-
tos e/ou produzam muitas sementes tadas no inverno passarão melhor esta
e bagas. estação, pois é o momento em que a
comida natural é mais rara. Atenção: se
•  As árvores e os arbustos espontâ- começar a alimentar as aves, deve conti-
neos no nosso país abrigam um grande nuar, pois elas tornam-se dependentes.
número de insetos e de larvas. Nos
jardins de maiores dimensões, existe
certamente lugar para castanheiros e
salgueiros e, nos jardins mais peque-
nos, para bétulas, macieiras selvagens
e sorveiras.
As sebes mistas (compostas por pilritei-
ros, aveleiras, abrunheiros, folhados,
etc.) têm uma dupla vantagem: por um
lado, se a folhagem for abundante, os
pássaros podem fazer aí os seus ninhos;
por outro, fornecem-lhes insetos e
bagas. Se deseja que a sua sebe fique
mais vigorosa, proceda a uma poda
radical no final do inverno, antes da
nidificação.

•  A maioria dos pássaros come bagas no


outono. Por isso, plante no seu jardim
pilriteiros, madressilvas, heras, azevi-
Um chapim-real alimentando-se
nhos, amieiros, folhados e, sobretudo, de avelãs, no inverno
sabugueiros (estas plantas são todas
espontâneas no nosso país!).
•  A partir de novembro, comece a dar-
•  As plantas de sementes grandes, -lhes quantidades moderadas de ali-
como o girassol, também são particu- mento duas vezes por dia (de manhã
larmente apreciadas pelos verdelhões. cedo e ao fim do dia). Também deve
Outras espécies gostam das sementes dar-lhes água, no caso de os tanques e
dos ásteres-de-outono, dos miosótis, charcos ficarem gelados.
dos goivos, dos amores-perfeitos e das
bocas-de-lobo. E você mesmo pode •  Um comedouro também atrairá os
colher sementes de cardo e de azedas melros e outros pássaros que procuram
para preparar uma refeição para as aves alimento no solo, mas, mesmo assim,
do seu jardim... convém deitar um pouco de comida

141
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Um telhado não é indispensável, mas permite


O comedouro ideal suspender os alimentos, o que tem algumas
vantagens
A instalação de um comedouro é o melhor
meio de alimentar os pássaros (fora do
alcance dos cães e dos gatos) e de os
observar facilmente.
O espaço deve estar livre no raio de 1,5 m2.
Evita-se assim que os gatos se escon-
dam nos arbustos perto do comedouro,
ao mesmo tempo que os pássaros mais
assustadiços beneficiam de proteção.
A plataforma (com, pelo menos, 60 por
60 centímetros) deve conter um rebordo Um rebordo à volta
a toda a volta, para evitar que os alimen- da plataforma evita
que a comida caia
tos caiam. Faça algumas aberturas no
rebordo, para que a água possa escorrer.
O poste deve ser liso e sólido; fixe perto
do cimo uma tampa (de caixa de bolachas)
virada ao contrário, para impedir os gatos
e os roedores de aceder à manjedoura. Os
pássaros devem poder olhar em todas as
direções, para se aperceberem da even-
tualidade de perigo. O telhado não é indis-
Uma caixa virada ao
pensável: permite manter os alimentos contrário, colocada a
secos, mas, por outro lado, pode tirar-lhe meio do poste, afasta
a visibilidade. Se for possível, suspenda os os ratos e outros
alimentos (numa rede, por exemplo) para roedores
atrair os pássaros que gostam de acroba-
cias, como os chapins e os tentilhões.

para o chão. Uma pequena rede sus- que ajudar durante o inverno retribuir-
pensa, cheia de alimento, atrai os cha- -lhe-ão no verão, na luta contra as pragas.
pins e os tentilhões, que se alimentam
normalmente nas árvores. A gordura e
as avelãs atraem sobretudo os chapins- Ninheiros
-azuis e os chapins-reais, enquanto os
tentilhões preferem sementes. Se adicio- Todos os anos, muitas árvores são
nar um pouco de queijo ralado, pode até desenraizadas pela ação de tempestades
conseguir tentar uma carriça. e devido à erosão, e muitas outras são
arrancadas ou cortadas pelo homem.
•  O comedouro também atrairá, inevita- Dessa forma, as aves vão sendo priva-
velmente, pássaros que apreciam botões das, aos poucos, dos seus locais de nidi-
de flores e bagas, como os tentilhões e os ficação naturais. Ao mesmo tempo, a
pardais. Por isso, é preferível cobrir as destruição de centenas de quilómetros
árvores de fruto com uma rede antipássa- de sebes de árvores e arbustos tem obri-
ros. Mas vale a pena, porque os pássaros gado muitos pássaros a deslocarem-se

142
A
ATRAIR OS INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS 10
para os jardins. Tanto nas cidades como
no campo, os jardins privados tornaram-
-se o último refúgio de numerosas espé-
cies em busca de locais de nidificação.

•  É importante dar a essas aves a hipó-


tese de escolherem entre várias possi-
bilidades, quer sejam naturais ou artifi-
ciais. Os chapins, por exemplo, podem
optar por pequenos orifícios nas árvo-
res, mas também podem ser atraídos
por ninheiros, desde que estes estejam
suficientemente altos, fora do alcance
Uma pequena ninhada de chapins-azuis
dos gatos. No final do verão, o mais pro- pode comer grandes quantidades de pulgões
vável é que essas aves voltem a trocar o e de lagartas
jardim por um bosque nos arredores,
mas voltarão certamente no inverno,
para se alimentarem, e na primavera, Um ninho de andorinhas
para fazerem os ninhos. em pasta de papel
•  Os piscos e os rabirruivos prefe- Pode construir um ninho para andori-
rem locais abertos. Por isso, faça um nhas-de-janela em pasta de papel, ser-
ninheiro com um lado semiaberto e vindo-se de um prato raso como molde.
Cubra o exterior com tinta isolante, cole
suspenda-o a meio metro de altura, bem
depois o ninho sobre uma tábua e ins-
protegido pela vegetação (uma vedação
tale esta última no local pretendido.
ou um muro coberto de hera ou madres-
silva, por exemplo).

•  Os melros constroem o ninho com


raminhos, e a presença de uma sebe
pode ajudá-los. A sebe também atrairá
tordos e, se tiver umas dimensões razoá-
veis, alguns pássaros mais raros, como o
chapim-real, a toutinegra-de-barrete-preto
e a toutinegra-real.

•  Se houver no jardim uma quantidade


suficiente de arbustos baixos, tam-
bém pode esperar a visita de carriças.
Estas constroem o ninho a baixa altura
(dois  metros, no máximo) e preferem identificar os sítios onde se encontram
plantas trepadeiras bem desenvolvidas. os ninhos, faça-o, de preferência, no
inverno. Os materiais utilizados, a forma
•  Na primavera e no início do verão, dos ninhos e a altura a que foram cons-
evite andar pelos locais onde os pás- truídos constituem pistas seguras para
saros podem fazer ninhos. Se quiser a identificação.

143
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Construir um ninheiro
12
c m
Com a ajuda de tábuas com cerca de dois
centímetros de espessura pode construir
um ninheiro para pássaros pequenos,
como o chapim-azul ou a trepadeira.
O diâmetro do orifício de acesso (situado
a, pelo menos, 12,5 centímetros da base)
depende do tipo de pássaro: 25 milímetros 20 cm
para o chapim-azul, 28 milímetros para o 25 cm
chapim-real, 32 milímetros para a trepa-
deira. No caso de um ninheiro semiaberto
(para os piscos), substitua a parte da frente c m
por uma tabuinha com nove centímetros 14
1 0 cm
de altura, que deve fixar à base. Fixe o
ninheiro solidamente a uma árvore ou a
um poste, orientado para este ou sudeste,
9 cm
para que fique protegido da chuva e da luz
direta do sol, a 2-5 metros de altura para Base: 10 × 10 cm
os chapins-azuis e reais e a 4-5 metros c m
14
para a trepadeira. Face dianteira para
ninheiro semiaberto

144
11
Lutar contra
as ervas daninhas
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

É fácil livrar-se das ervas daninhas sem recorrer a produtos


químicos. Muitas podem ser arrancadas à mão ou sachadas, embora
isto também possa ser evitado, se usar uma cobertura do solo ou
plantas abafantes: a eficiência depende do tipo de ervas daninhas
e da localização. Nas páginas 153 e 154 encontra mais conselhos.

Cuidado com os cavalos de Troia! é boa ideia fazer uma cobertura do solo
Juntamente com as novas plantas, evite para tapar o terreno junto à vedação
introduzir, na sua horta ou no seu jar- (30 centímetros).
dim, ervas daninhas. A maioria das
plantas vendidas nas casas de jardina- Eliminar as ervas daninhas
gem contém bastantes, seja em forma •  Sachar
de sementes ou de pedaços de raiz. Por Sachar a terra é um meio eficaz para
isso, tenha o cuidado de eliminar alguns combater as ervas daninhas anuais.
centímetros de terra, antes de transferir Deve fazê-lo logo que surjam, para que
as plantas. não absorvam nutrientes (em detri-
As matérias orgânicas, como o estrume mento das outras plantas) nem formem
e o composto, também costumam con- sementes.
ter muitas ervas daninhas. Por isso, é A lâmina do sacho deve estar bem afiada
preferível enterrá-las a utilizá-las para e convém sachar um pouco abaixo do
cobertura do solo. nível do solo, para separar as ervas dani-
Se houver ervas daninhas rasteiras, nhas das respetivas raízes. Se possível,
como a grama e o escalracho, que pro- faça esse trabalho quando o solo estiver
venham do exterior, arranque-as todas seco, para impedir que as sementes que
até, pelo menos, 15 centímetros de pro- ficam à superfície voltem a germinar.
fundidade e enterre uma faixa de plás- Algumas ervas daninhas anuais pro-
tico espesso à volta do terreno. Também duzem, por cada planta, milhares de

146
A
LUTAR CONTRA AS ERVAS DANINHAS 11
sementes que podem ficar no solo Por vezes, é impossível cavar entre as
durante muitos anos e voltarem a ger- plantas: nesse caso, sache-as regular-
minar quando regressam à superfície, mente assim que as ervas daninhas
depois de se cavar a terra. Se a terra não tenham entre cinco e dez centímetros
for cavada (veja o capítulo 12), elas man- de altura.
ter-se-ão sob o solo.
•  Cobertura do solo
•  Cavar A cobertura do solo permite lutar eficaz-
As ervas daninhas vivazes devem ser mente contra as ervas daninhas, entre
retiradas, de preferência, com uma outras vantagens (reter a humidade
enxada. Não há qualquer outro método do solo, por exemplo).
(ecológico) que seja eficaz.
Muitas dessas ervas estendem-se pelo •  Plantas abafantes
terreno através de rizomas, cujo menor Podem evitar muito do trabalho com as
fragmento pode dar origem a novas ervas daninhas, como, por exemplo, ter
plantas; por isso, convém arrancá-las de as arrancar em locais pouco acessí-
totalmente. As que possuem raízes apru- veis. Mas é necessário desenterrar todas
madas, como o dente-de-leão, voltam a as ervas daninhas vivazes antes de as
crescer se não lhes forem retirados, pelo plantar. Encontrará mais detalhes sobre
menos, dois terços da parte superior das a escolha e a utilização de plantas aba-
raízes. fantes nas páginas 150 e seguintes.

Lutar com a ajuda


da cobertura do solo
Técnicas solo, reter a humidade e até constituir
um belo fundo para as plantas. Além
Cobrindo o solo permite eliminar, em disso, assegura a limpeza dos frutos
grande parte ou mesmo na totalidade, (dos morangos, por exemplo) e protege
as ervas daninhas. No entanto, é neces- os legumes de inverno.
sário escolher a técnica adequada (veja O grande inconveniente da cobertura
o quadro na página 150) e aplicá-la do solo é servir de abrigo às lesmas; por
corretamente. isso, é preciso proteger as jovens plan-
tas. As vantagens e os inconvenientes
Que tipo de cobertura do solo? dos diversos materiais são referidos
Para se ver livre das ervas daninhas, é nas páginas 149 e 150.
preciso cobrir o solo com um material
que impeça a passagem da luz. Esse Preparação
material pode, ao mesmo tempo, for- Antes de mais, elimine as ervas dani-
necer substâncias nutritivas, proteger o nhas vivazes, pois a maioria atravessa

147
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

a cobertura do solo, exceto se se tratar de verão, a cobertura do solo deve ser


de tapetes velhos, de plástico negro ou feita quando o solo está húmido ou
de tela-base-chão. Também é preferível depois de uma rega abundante.
sachar as ervas daninhas anuais. Antes
de aplicar a cobertura do solo, estrume •  Dê espaço à cobertura de solo: preveja
e regue o solo, pois essas operações 30 centímetros de cobertura do solo de
serão, depois, mais complicadas. cada lado das filas de legumes e 60 em
volta das árvores e dos arbustos. No caso
Aplicação dos canteiros, cubra totalmente o solo.
•  Aplique a cobertura do solo no final
do inverno ou no início da primavera, •  Se utilizar relva cortada, estrume,
para evitar as ervas daninhas e reter composto meio fermentado ou palha,
a humidade. Se quiser evitar as regas conte com uma margem de, pelo menos,
cinco centímetros em volta dos caules
e troncos, pois esses materiais podem
aquecer e queimar as plantas.

•  No início do outono, as coberturas de


solo orgânicas já cumpriram a sua mis-
são e podem ser enterradas ou deixadas
no local: nesse caso, as minhocas farão
o trabalho.

Plantação através
de plástico negro
Para efetuar uma plantação através
de plástico negro, faça uma incisão
As cascas de árvores permitem obter uma em forma de cruz e dobre o plástico.
cobertura do solo eficaz e de belo aspeto Depois, utilize um transplantador.

Coberturas de solo a evitar


Quando o terreno é “pesado”, a palha pode A relva cortada, o estrume de quinta e,
ser uma boa escolha, porque é bastante sobretudo, o composto de jardim, também
económica, para os arbustos. Noutros podem conter sementes de ervas dani-
casos, tem mais inconvenientes do que nhas, mas fornecem substâncias nutritivas
vantagens: pode voar com o vento, não e retêm a humidade. No entanto, existem
impede totalmente o desenvolvimento outras coberturas de solo mais eficazes
das ervas daninhas e, inclusive, pode con- contra as ervas daninhas, como, por exem-
ter sementes de ervas daninhas. Quando plo, a carrasca de pinho.
se decompõe, torna o azoto do solo tem- A turfa é um tipo de cobertura do solo a
porariamente indisponível para as plantas evitar, não só porque seca e é facilmente
(“fome de azoto”) e, se contiver resíduos de levada pela água mas também, e sobre-
pesticidas, pode afetar as plantas mais sen- tudo, porque provém de territórios pre-
síveis, como as ervilhas e o tomate. ciosos, que urge preservar.

148
A
LUTAR CONTRA AS ERVAS DANINHAS 11
desde que não as contenha. Mesmo que
não a possua em quantidade suficiente,
nunca utilize a de jardineiros que tratem
o relvado com herbicidas selecionados.
Espalhe a relva cortada, depois de seca,
nos canteiros de plantas, em camadas de
2,5 centímetros, e sem a deixar em con-
tacto com os caules e os troncos. Este
tipo de cobertura do solo também pode
ser útil para os legumes; no entanto, se
Plantação através de uma tela os legumes tiverem raízes pouco pro-
de plástico negro fundas, pode ser necessário adicionar
adubo, para compensar a perda de azoto
resultante da decomposição da relva.
Comparação
das coberturas de solo Cascas de árvores
As cascas de árvores são bonitas e fáceis
Plástico negro de utilizar, mas também são caras. Para
O plástico negro permite lutar de forma impedir o desenvolvimento das ervas
bastante eficaz contra as ervas dani- daninhas, espalhe uma camada de, pelo
nhas. É também um dos melhores mate- menos, cinco centímetros de espessura
riais para reter a humidade. É ideal, por e, se necessário, “conserte-a” na prima-
exemplo, para os tomateiros ou moran- vera. Normalmente, as cascas de árvo-
gueiros e para as árvores e os arbustos res não dão quaisquer problemas, mas
frutíferos. Não é muito bonito, mas, se podem atrair gatos ou pássaros, que
o aspeto estético for muito importante revolvem tudo. As cascas, ao decompor-
para si, também pode cobri-lo, em com- -se, também podem levar à “fome de
plemento, com cascas de árvores. azoto”. Para evitar isso, adicione uma
Aplique o plástico sobre um solo plano, camada de composto de dois a três cen-
mas com uma ligeira inclinação, para tímetros em volta das plantas de raízes
evitar a formação de poças, ou faça pouco profundas, antes de fazer a cober-
alguns buracos com a forquilha, para tura do solo.
permitir a drenagem.
Gravilha
Cobertura em tela-base-chão A gravilha, quando utilizada como
Esta tela de plástico preto entrelaçado fundo, tem um bom efeito estético, pois
é mais cara do que o plástico, mas tem faz sobressair as plantas ornamentais
uma resistência de, pelo menos, cinco folhosas. Pode ajudar a controlar as
anos. É mais fácil de manobrar e utiliza- ervas daninhas, se for colocada sobre
-se da mesma forma. Impede o desenvol- uma espessa folha de plástico negro.
vimento das ervas daninhas, mas deixa No entanto, convém fazer alguns furos
passar a água. no plástico, para facilitar a drenagem, e
também algumas incisões, para permitir
Relva cortada as plantações.
A relva recentemente cortada pode ser- Se uma das finalidades da aplicação for
vir para lutar contra as ervas daninhas, uma maior retenção da humidade, a

149
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

gravilha também será, nesse caso, uma e de grande eficácia na luta contra
boa opção. as ervas daninhas, capaz de resistir
durante dois anos, pelo menos. Para as
Tapetes velhos plantações, faça incisões com uma faca.
Trata-se de um material fácil de utilizar Não vale a pena fixar os tapetes.

COMO FAZER A COBERTURA DO SOLO


Plantas ornamentais
Utilize um pedaço de plástico negro ou de tapete (90 × 90 cm). Faça uma
Árvores e arbustos incisão, para uma boa adaptação ao tronco, e cubra com cascas de árvores.
Muito útil nos primeiros anos, quando as plantas crescem
No inverno, proteja os bolbos mais delicados com 15 cm de cascas
Bolbos
de árvores
Proteja-os com 5-7,5 cm de cascas de árvores ou estrume bem
Canteiros de herbáceas
fermentado (se não tiver sementes de ervas daninhas)
Coloque gravilha ou cascalho (granito fino para as plantas que gostam de
acidez, calcário para as outras), com 7-7,5 cm de espessura. Mantém o pé
Jardins pedregosos
das plantas seco e evita o contacto das folhas com o solo. Afasta as ervas
daninhas, mantém a humidade e conserva as raízes frescas
Legumes
Filas de legumes Utilize faixas de plástico negro ou de tapete entre as filas
Utilize plástico negro para reter a humidade e afastar as ervas daninhas.
Legumes grandes Evita ter de sachar, no caso das batatas. Outra possibilidade: colocar
pedaços de tapete à volta das plantas
Preparação dos legumes-raiz Em novembro, cubra as filas de legumes com 10-15 cm de palha e coloque
para o inverno por cima um plástico negro, para os proteger da geada, da chuva e da luz
Frutos
Árvores separadas Utilize pedaços de plástico negro ou de tapetes (90 × 90 cm)
Fileiras de arbustos Utilize faixas de plástico negro ou tela-base-chão. Faça incisões,
(sarmentosos) para adaptar a cobertura do solo aos troncos ou caules
Um plástico negro colocado entre as filas mantém os frutos limpos, retém
a humidade e afasta as ervas daninhas. Único inconveniente: se fizer calor,
Morangueiros
pode aquecer e estragar os frutos. Para o evitar, cubra o plástico negro
com um plástico branco quando o solo tiver aquecido

Lutar com a ajuda


de plantas abafantes
As plantas abafantes dificultam a vida às o solo e escolhê-las cuidadosamente.
ervas daninhas, privando-as de luz, de Tirando isso, não exigem muitos cui-
água e de substâncias nutritivas. Mas, dados e, geralmente, resistem cerca de
para as utilizar, convém preparar bem dez anos. O tempo de que necessitam

150
A
LUTAR CONTRA AS ERVAS DANINHAS 11
Cotoneaster dammeri

Erica carnea

semelhante; caso contrário, as mais vigo-


rosas podem vir a suplantar as outras.

Preparação
Vinca major As plantas abafantes não têm quase
“Variegata”
nenhum efeito sobre as ervas dani-
nhas vivazes e podem mesmo dificul-
tar a luta contra elas. Por isso, as ervas
para cobrir o solo depende do seu vigor daninhas vivazes devem ser eliminadas
e espaçamento e das características da previamente.
horta ou do jardim. Se quiser que o solo Como as plantas abafantes necessitam
esteja coberto dentro de um ano, esco- de, pelo menos, um ano para se estabe-
lha uma variedade de cobertura rápida lecerem, é preciso continuar a arrancar
(veja o quadro da página seguinte). as ervas daninhas enquanto a cober-
tura não estiver completa. Uma camada
Características de uma de cascas de árvore à volta das plantas
boa planta abafante abafantes diminui esse trabalho. Se as
Uma boa planta abafante deve cobrir semear no outono, as plantas abafantes
rapidamente o solo e impedir o desen- terão um certo avanço sobre as ervas
volvimento das ervas daninhas. No daninhas que crescem na primavera.
entanto, as plantas que forem dema-
siado vigorosas acabam por se tornar, Reduzir os custos
elas próprias, daninhas. Se plantar Se as plantas abafantes puderem ficar
várias espécies, escolha plantas de vigor mais afastadas umas das outras, poderá

151
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

BONS ARBUSTOS ABAFANTES


Distância entre Distância entre
plantas para plantas para
Planta (1) Folhagem (2) Flores
cobertura cobertura
“rápida” (3) progressiva (4)
Calluna vulgaris
Dourada Brancas, ago.-set. 30 cm 45 cm
“Gold Haze” (5)
Dourada, depois
Calluna vulgaris “Mullion” (5) Malva, ago.-set. 30 cm 45 cm
vermelho-alaranjada
Cotoneaster dammeri Verde-escura, brilhante Brancas, jun. 50-60 cm 60-105 cm
Cotoneaster microphyllus Cinzento-esverdeada,
Brancas, jun. 45-50 cm 75-100 cm
“Queen of Carpets” escassa
Cotoneaster salicifolius
Verde, escassa Brancas, jun. 40-50 cm 50-60 cm
“Repens”
Erica carnea “Myretoun
Verde-escura Brancas, jun. 40-50 cm 50-60 cm
Ruby”
Verde-clara, depois Cor-de-rosa ou
Erica carnea “Vivelli” (5) 30 cm 40 cm
vermelha vermelhas, nov.-mai.
Erica carnea “Winter Rosa-escuras,
Verde 30-40 cm 60-75 cm
Beauty” a partir de dez.
Euonymus fortunei Verde, rebordos
– 25-30 cm 40-60 cm
“Emerald ‘n’ Gold” dourados
Gaultheria procumbens (5) Verde-escura Brancas, jun.-ago. 25-30 cm 40-60 cm
Hedera colchica Verde-escura,
– 60-90 cm 1,5-1,8 cm
“Arborescens” rebordos creme
Hypericum calycinum Verde Amarelas, jun.-out. 15-75 cm 30-100 cm
Juniperus horizontalis
Cinzento-esverdeada – 30-40 cm 45-60 cm
“Wiltonii” (sin. glauca)
Juniperus × media “Old gold” Dourada – 45-75 cm 75-100 cm
Juniperus sabina
Verde-acinzentada – 45 cm 75-100 cm
“Tamariscifolia”
Juniperus squamata
Azul – 90 cm 150 cm
“Blue carpet”
Pachysandra terminalis
Verde, rebordos brancos Brancas, abr. 30-45 cm 40-90 cm
e P. t. “Variegata” (5)
Brancas ou cor-
Vaccinium vitis-idaea Verde-escura, brilhante -de-rosa, em forma 30-50 cm 60-75 cm
de sino, mai.-jun.
Vinca major “Variegata” Rebordos creme Azul-claras, abril-jun. 50 cm 100 cm
Vinca minor Verde-escura, brilhante Azul-claras, abril-jun. 50 cm 100-200 cm
Violeta-azuladas,
Vinca minor “Variegata” Verde, rebordos creme 45 cm 60 cm
mar.-jun.
(1) Para os que não estão familiarizados com os nomes latinos:

Calluna e Erica = urzes; Hedera = hera; Hypericum = hipericão; Vaccinium = mirtilo; Vinca = pervinca.
(2) Todos os arbustos citados são de folhas persistentes.
(3) O solo fica coberto no prazo de um ano; nalguns casos, será necessário desbastar após três anos.
(4) Solo coberto após dois ou três anos, não é necessário desbaste.
(5) Só se dá bem em solos ácidos.

152
A
LUTAR CONTRA AS ERVAS DANINHAS 11
comprar uma quantidade bastante infe- terreno apenas ficará coberto dentro de
rior (veja, no quadro da página anterior, dois ou três anos. Obviamente, se culti-
as indicações para a cobertura progres- var as suas próprias plantas abafantes,
siva). Nesse caso, terá de prever que o os custos serão ainda mais reduzidos.

Ervas daninhas problemáticas

Corriola germinar em qualquer altura, mesmo no


Possui belas flores cor-de-rosa e brancas inverno. Sache a terra assim que apare-
e enrola-se à volta das plantas de jardim. cerem as primeiras plântulas. Se houver
As suas raízes podem atingir seis metros plantas maiores, é melhor desenterrá-las
de profundidade e estendem-se horizon- antes que produzam sementes.
talmente, dando origem a novas plantas.
Liberte os caules das plantas de jardim e Amor-de-hortelão
arranque as raízes das corriolas (geral- As sementes do amor-de-hortelão
mente, os restos não voltam a crescer). agarram-se insistentemente à roupa
Se não puder arrancar as raízes, corte e aos pelos dos animais, propagando-
as plantas regularmente, rentes ao solo. -se assim por todo o lado. Mas a luta
contra esta erva daninha é, apesar de
Trepadeira-das-balsas tudo, bastante fácil, se puder sachar as
Esta planta possui flores grandes e bran- plantas jovens no inverno ou no início
cas; as raízes são menos profundas do da primavera. As  mais antigas devem
que as da corriola. Os seus rizomas bran-
cos estendem-se, por vezes, até muito
longe. Desenterre-os e elimine todos os
pedaços suscetíveis de darem origem a
novas plantas. Se não for possível, corte
regularmente os novos rebentos, rentes
ao solo, a fim de enfraquecer as plantas.

Silvas
As plantas mais velhas têm raízes pro-
fundas e lenhosas; os caules também
podem criar raízes. Corte tudo o que
estiver acima do solo e cave profunda-
mente para retirar as raízes lenhosas.

Morugem
As sementes da morugem podem
ficar no solo durante quarenta anos e

153
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

ser desenterradas. Os caules são muito e elimine todos os fragmentos que


frágeis e, por isso, não basta tentar possam vir a produzir novas plantas.
arrancá-los.
Agrião-menor
Grama Esta planta anual é muitas vezes intro-
A grama forma rizomas particular- duzida nos jardins através das plan-
mente duros e pontiagudos, que podem tas em vasos. Cada exemplar produz
perfurar as raízes das plantas de jar- cerca de seiscentas sementes por ano,
dim. Esses rizomas podem estender-se podendo propagar-se a todo o jardim.
vários metros em todas as direções, Não deixe que a planta chegue a produ-
com rebentos a todo o comprimento. zir sementes. Um bom método para as
Cada segmento pode produzir uma nova evitar consiste em sachar ou arrancar
planta. Tratamento: arrancar as plantas as plantas à mão e aplicar uma camada
e, depois, sachar regularmente logo que de cobertura do solo.
aparecerem folhas novas.
Sempre-noiva
Ranúnculo-rasteiro Os caules desta planta são tão duros que
Os seus poderosos caules estendem-se podem rachar pavimentos. Propaga-
pelo chão e produzem continuamente -se pelo subsolo (rizomas). Corte regu-
novas plantas. No espaço de um ano, larmente as plantas, rentes ao solo.
uma planta pode cobrir quatro metros Para uma eliminação total, cave até
quadrados. Desenterre-as, incluindo 1,8 metros de profundidade e corte os
todos os caules rasteiros. Não as deixe rebordos exteriores da planta de origem,
produzir sementes. Assim que se vir para evitar a sua propagação.
livre delas, evite problemas posteriores
aplicando uma camada de cobertura Erva-pata
do solo. Cada planta produz numerosas bolas
de uma cor castanho-rosada, pequenas
Dente-de-leão e carnudas, mesmo abaixo da superfí-
Os dentes-de-leão possuem raízes apru- cie. Estas bolas podem subsistir no solo
madas, que podem enterrar-se até 15 durante vários anos. Propagam-se pelo
centímetros de profundidade. É inútil jardim quando se sacha, desenterra ou
sachar, pois cada fragmento pode pro- arranca a planta. Por isso, revolva o
duzir uma nova planta. Arranque-os solo o menos possível. Quando as folhas
à mão, antes que fiquem demasiado começam a formar-se, as pequenas bolas
grandes, e elimine os pedaços de raízes. já estão bem fixas; nessa altura, desen-
Desenterre as plantas maiores cavando terre-as com prudência.
profundamente. Não os deixe formar
sementes, pois cada exemplar pode pro- Urtigas
duzir cerca de cinco mil por ano! As urtigas não têm raízes profundas,
mas produzem muitas sementes e esten-
Escalracho dem caules rasteiros pelo solo. Corte as
Os rizomas brancos do escalracho per- plantas rentes ao solo e desenterre as
correm, todos os anos, noventa centíme- raízes. Os fragmentos que ficam não
tros em todas as direções. Desenterre-os voltam a crescer.

154
12
Melhorar o solo
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Os solos argilo-arenosos são os que oferecem melhores condições


à maioria das plantas. Como corrigir os terrenos que não
correspondem a esta descrição?

QUE TIPO DE SOLO?


Antes de melhorar o solo,
é necessário conhecer a sua
natureza. Para isso, pegue num
pouco de terra, humedeça-a
e efetue os testes seguintes

Adquire um
Consegue Consegue Consegue
aspeto polido
Textura enrolá-la enrolá-la dobrar
quando a
em bola? em cilindro? o cilindro?
esfrega?
Terra arenosa Granulosa ✗ ✗ ✗ ✗
Terra areno-
-argilosa
Granulosa ✓ ✗ ✗ ✗
Terra argilo-
-arenosa
Pegajosa ✓ ✓ ✓ ✗
Terra argilosa Pegajosa ✓ ✓ ✓ ✓
Terra turfosa Fibrosa ✓ ✗ ✗ ✗

Solos argilosos ter carências de nutrientes. Em Portugal


Os terrenos argilosos são geralmente fér- são raros. Veja os nossos conselhos na
teis, mas difíceis de trabalhar. Convém, página 176.
por isso, adaptar os métodos de trabalho
e corrigir o solo, adicionando-lhe maté- Solos calcários
rias orgânicas e areia (veja as páginas Num jardim situado em região calcária, o
165 a 169). solo será, em princípio, alcalino. Modifi-
car o pH do solo é uma tarefa árdua, mas
Solos arenosos é possível aumentar a sua fertilidade,
Os terrenos arenosos são fáceis de tra- adicionando-lhe matéria orgânica. Veja
balhar, mas, geralmente, pouco férteis, também as páginas 179 a 182.
pois as substâncias nutritivas são facil-
mente arrastadas pelas águas. A melhor Drenagem deficiente
solução consiste em adicionar-lhes maté- Os solos argilosos e turfosos são, geral-
rias orgânicas, para aumentar a fertili- mente, mal drenados. Mas convém ava-
dade e ajudar a reter a humidade. Encon- liar bem a situação, antes de passar à
trará outras sugestões na página 175. ação. Encontrará mais instruções a par-
tir da página 172.
Solos turfosos
Os terrenos turfosos são quentes e fáceis Melhorar a horta
de trabalhar, mas, muitas vezes, mal O trabalho de corrigir o solo pode ser
drenados e pantanosos. Também podem pesado e fastidioso, sobretudo se for

156
A
MELHORAR O SOLO 12
necessário adicionar-lhe grandes quan- terrenos “leves”, basta sachar ou raspar
tidades de areia ou de estrume. Uma com o ancinho. As matérias orgânicas
solução mais pragmática consiste em podem ser deixadas sobre o terreno,
limitar-se ao solo da horta. Com efeito, onde serão incorporadas lentamente,
é possível ter um belo jardim ornamen- de forma natural. Por outro lado, se
tal qualquer que seja a natureza do solo, o terreno for “pesado” ou compacto,
desde que se faça uma escolha criteriosa pode ser útil cavar: a operação destor-
das plantas e técnicas de cultura. Para roa o solo, faz penetrar o ar e facilita a
os legumes, as possibilidades são mais adição de matérias orgânicas, com vista
reduzidas. a melhorar o arejamento e a drenagem.
Também permite expor as pragas do
Poupar trabalho solo à ação dos predadores naturais e
Pode poupar trabalho se refletir bem enterrar as ervas daninhas e os restos
antes de pegar na enxada ou se adotar de vegetais (apesar de trazer à superfí-
um sistema em que não precise de cavar cie sementes novas de ervas daninhas).
tanto. Fazendo canteiros sobre-elevados
e cavando em profundidade, pode reme- Quando se deve cavar?
diar os problemas de compactação e de Se o solo for “leve”, pode ser cavado em
deficiente drenagem do solo. qualquer altura. Se for argiloso, é pre-
ferível fazê-lo no final do outono. Não
Porque é o pH tão importante? tente cavar quando o solo estiver muito
O pH do solo é importante devido à sua molhado ou demasiado seco; o trabalho
influência direta na assimilação de subs- será mais difícil e a estrutura do solo
tâncias nutritivas. Por exemplo, algu- também sofre com isso.
mas plantas não conseguem absorver
ferro dos solos alcalinos, mas a maioria
dos nutrientes de base é mais difícil de As minhocas
assimilar em terrenos muito ácidos. O
pH depende, em grande parte, da quan- As minhocas são muito úteis nas hortas
tidade de calcário presente no solo: e nos jardins: contribuem para melho-
quanto mais tiver, mais alcalino é o solo. rar a estrutura do solo e têm um papel
A maioria das plantas dá-se bem em ter- essencial na produção de húmus, que,
por sua vez, é uma importante fonte
renos neutros ou ligeiramente alcalinos,
de nutrientes para as plantas. Tam-
mas algumas variedades gostam de
bém criam galerias que contribuem
terrenos ácidos e, outras, de alcalinos. para o arejamento e para a drenagem
Conclui-se, assim, que o pH é relevante do solo. Formam pequenos montículos
para a escolha das plantas. Para verificar de terra, trazendo o húmus à superfície
o pH do solo, veja a página 160. e tornando os nutrientes mais acessí-
veis às plantas cujas raízes são pouco
profundas.
Cavar De uma forma geral, quanto mais maté-
rias orgânicas forem adicionadas ao
solo, mais as minhocas serão favoreci-
É necessário? das. A calagem também é útil nos solos
Tudo depende do tipo de solo. Cavar ácidos, pois as minhocas são mais ati-
regularmente pode perturbar a estru- vas em terrenos ligeiramente alcalinos.
tura natural do solo e, na maioria dos

157
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Comprar terra de cultura


Se a terra arável for de muito má quali- verifique de que tipo de terra se trata,
dade, talvez seja uma boa ideia pensar na baseando-se no teste apresentado no iní-
sua substituição, em vez de passar anos e cio deste capítulo.
anos a tentar melhorá-la. A característica mais importante é a tex-
Esta solução requer trabalho e dinheiro. tura da terra a comprar, pois a fertilidade
No entanto, pode fazê-lo apenas na horta, pode ser sempre melhorada. Evite terras
criando canteiros sobre-elevados com a arenosas, demasiado argilosas ou que
terra comprada. Encontrará endereços contenham muitas pedras. Também é
de fornecedores nas Páginas Amarelas. importante medir o pH, pois, nesse aspeto,
No entanto, tenha cuidado com as dife- as possibilidades de correção posterior são
renças de qualidade. Antes de comprar, mais limitadas.

A que profundidade? ——divida a horta em canteiros permanen-


Para revolver uma terra compacta ou tes, separados por caminhos.
argilosa é preciso cavá-la em profundi- Este sistema poupa-lhe trabalho, pre-
dade. Cavar até 50 centímetros de pro- serva a estrutura do solo e evita a mis-
fundidade (o equivalente a cerca de dois tura da camada arável com o subsolo.
ferros de enxada) permite descompactar
a terra e enterrar muitas matérias orgâ-
nicas. Além disso, melhora a drenagem. Matérias orgânicas
Se cavar a terra em profundidade, não
é necessário, em princípio, que volte a As matérias orgânicas beneficiam a
fazê-lo durante cinco anos: basta que maioria dos solos: melhoram a estru-
raspe com o ancinho no outono. Os tura e a fertilidade, tornam os solos
solos “leves” só devem ser raspados “pesados” mais fáceis de trabalhar e
com um ancinho ou sachados, na altura permitem que os “leves” retenham
de preparar as sementeiras. a humidade.
Simultaneamente, libertam substâncias
nutritivas para as plantas em quantidades
Não-mobilização do solo variáveis, de acordo com o produto utili-
zado (veja a comparação na página 161).
Esta prática só é possível se o solo tiver Também aumentam a atividade das
sido inicialmente cavado e feita a adi- minhocas e de outros organismos que
ção de uma boa quantidade de matérias vivem no solo, promovendo a libertação
orgânicas. Nos cinco anos seguintes, de nutrientes. Normalmente, as maté-
não é necessário voltar a cavar, mas rias orgânicas incorporam-se ao solo no
deve evitar-se que o solo endureça. momento em que se cava. Algumas pre-
Para isso: cisam de ser submetidas, previamente,
——evite andar sobre a terra, sobretudo a compostagem. Também é possível
se esta estiver molhada; aplicá-las em cobertura do solo: nesse
——quando trabalha, reparta o seu peso, caso, são progressivamente incorpora-
utilizando uma tábua; das no solo, de forma natural.

158
A
MELHORAR O SOLO 12
Cavar em profundidade
Se o solo for argiloso ou estiver muito com- Proceda assim: cave, primeiro, à medida
pactado, pode ser útil cavar a uma profun- da profundidade de um ferro de enxada.
didade dupla. Com efeito, esta operação: Depois, cave à profundidade de um
–– descompacta profundamente o solo; segundo ferro de enxada e ponha um
–– melhora a drenagem; pouco de estrume. Cubra-a com a
–– aumenta a profundidade camada superior da leva seguinte e
do enraizamento; ponha um pouco mais de estrume. Tenha
–– melhora os solos de secagem rápida, cuidado para não inverter as camadas
assegurando a retenção da humidade nem misturar a camada inferior com
(desde que lhes sejam adicionadas a superior.
suficientes matérias orgânicas).

Esta terra serve para


cobrir o rego precedente
(a camada superior
do primeiro rego serve
para cobrir o último)
Incorpore composto ou estrume de quinta

Canteiros sobre-elevados

Os canteiros sobre-elevados são úteis em –– aumentam a temperatura da camada


terrenos pouco profundos e mal drenados, superior na primavera;
sobretudo para as culturas temporãs e os –– aumentam a profundidade
legumes-raiz, porque: do enraizamento.
–– melhoram a drenagem;
45 cm

10 cm

Cave em profundidade e Canteiros


adicione matérias orgânicas de 1,2 m de largura
Espalhe, todos os anos, matérias orgânicas à superfície

159
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Outros materiais dem ser utilizados para aligeirar a tex-


tura do solo. Melhoram o arejamento e
Existem outros materiais, como a areia a drenagem e são particularmente úteis
grossa ou o cascalho, que também po- em terrenos pesados ou compactos.

O pH e o calcário
Nas casas de jardinagem e nalgumas lojas •• Interpretação dos resultados
de bricolage, existem diversos tipos de kits –– pH ≤ 5,5: fortemente ácido. Adequado
que permitem medir o pH do solo. para urze, azáleas e outras plantas que
gostem de solos muito ácidos. Para
1. Em diferentes locais do jardim, recolha aumentar o pH, adicione calcário.
amostras de terra a cerca de dez centí- –– pH 6 a 6,5: levemente ácido. Adequado
metros de profundidade. para relva, árvores de fruto e outras
plantas que gostam de solos ácidos.
2. Misture as amostras e deixe secar. –– pH 6,5 a 7: neutro. Ideal para a maioria
das plantas. Não adicionar calcário.
3. Coloque um pouco da mistura na proveta –– pH 7,4 a 8,4: alcalino. Não adicionar cal-
fornecida. cário, mas pode adicionar enxofre, para
acidificar. Veja a partir da página 169,
4. Junte-lhe os produtos fornecidos, para a escolha das plantas.
de acordo com o modo de emprego.
•• Se o solo for demasiado ácido
5. Agite, deixe repousar e compare a cor Pode torná-lo menos ácido, adicionando
com a escala fornecida. calcário. Esta operação faz-se, geral-
mente, quando se cava a terra no outono;
no entanto, se o solo for arenoso, o cal-
cário pode ser arrastado pelas águas, de
forma que é melhor esperar até à prima-
7,5 vera. Para manter o pH, poderá espalhar
entre 5 e 10 kg de calcário por cada 100 m2,
7,0 todos os cinco ou seis anos, se o terreno
for argiloso, e todos os dois ou três anos,
se for arenoso.
6,5
Para adicionar uma unidade ao pH (por
exemplo, passar de 5 a 6) são necessá-
6,0 rias grandes quantidades de cal (óxido de
cálcio):
5,5 –– terra argilosa: 300 g/m2;
–– terra argilo-arenosa: 200 g/m2;
–– terra arenosa: 100 g/m2 .
5,0
(Adaptado da escala de pH do USDA – depar-
4,5 tamento de Estado americano responsável
pela agricultura)

160
A
MELHORAR O SOLO 12
Como corrigir o solo?

Detritos agrícolas Composto de cogumelos


Os compostos de cogumelos são cons-
Os produtos aqui citados podem ser tituídos por estrume de cavalo, turfa
enterrados no solo, para ajudar a reter e calcário. Os cogumelos são cultiva-
a humidade e assegurar a fertilidade de dos sobre a palha, com um ativador
base. É provável que possa encontrar químico. A maioria dos compostos de
alguns não muito longe da sua horta ou cogumelos pode conter pesticidas.
do seu jardim. No entanto, são baratos e possuem subs-
tâncias nutritivas. Como são pobres em
Estrume de vaca fosfatos, adicione também farinha de
O estrume de vaca, barato e rudimentar, osso. O calcário que contêm é bom para
contém substâncias nutritivas. Quando os solos ácidos e pode contribuir para
fresco, pode danificar as plantas: por evitar a hérnia-da-couve.
isso, convém deixá-lo fermentar. Evite o
estrume de vaca que contenha aparas de
madeira ou decomponha-o previamente.
Enterre o estrume no outono ou aplique- Estrume concentrado
-o como cobertura do solo na primavera.
Talvez pense que é preferível com-
prar estrume embalado em sacos,
Estrume de aves de capoeira
em vez de encomendar as tradicio-
É muito concentrado e rico em nutrien-
nais carradas avulsas. No entanto,
tes. Pode danificar as plantas por con- o estrume embalado também não
tacto direto e deve, de preferência, ser serve para melhorar a estrutura do
incorporado, com parcimónia na pilha solo, a não ser que seja utilizado em
do composto (como ativador). Hume- grandes quantidades, o que se torna
deça a pilha e cubra-a durante dois demasiado dispendioso.
meses (ou até mais, se contiver aparas). Os estrumes concentrados contêm
mais nutrientes do que o estrume
de quinta ou de picadeiro; no
Estrume de cavalo
entanto, são produtos provenientes
Contém substâncias nutritivas e pode
de pecuária intensiva, que é prefe-
ser obtido nos picadeiros. Mas é melhor rível não utilizar, por razões éticas
decompô-lo primeiro, juntando água e ecológicas.
para facilitar a compostagem: quando
fresco, pode danificar as plantas e con-
tém, geralmente, muita palha e aparas
que, quando fermentadas no terreno,
levam à competição pelo azoto. Além Palha
disso, a palha também pode conter resí- A palha é barata, mas pode conter resí-
duos de herbicidas. O estrume de cavalo duos de herbicidas se não provier de
pode ser utilizado como cobertura do agricultura biológica. Se não for previa-
solo, na primavera, ou enterrado no mente decomposta, pode levar à compe-
solo, no outono. tição pelo azoto do solo.

161
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Outros produtos gratuitos públicos, avenidas, etc., evite os excre-


mentos de cão, os restos de lixo e outros
Composto de jardim elementos indesejáveis. Não coloque
O composto de jardim deve ser preparado demasiadas folhas na pilha do composto.
com cuidado, para evitar as sementes de De preferência, trate-as à parte (veja as
ervas indesejáveis e os germes de doen- páginas 187 e 188). A decomposição dura
ças. Esta operação é mais complicada um ano ou dois, mas pode ser acelerada
do que parece (veja as páginas 15 e 16). se juntar um pouco de relva cortada.
O composto de jardim contém uma
quantidade apreciável de substâncias Jornais
nutritivas. O papel de jornal decompõe-se len-
tamente: junte-o, com parcimónia, à
Relva cortada pilha do composto. Também pode ser-
A relva cortada pode ser aplicada vir como cobertura do solo; no entanto,
como cobertura do solo ou enterrada. voa facilmente, se não for fixo. É muito
Quando fermenta, pode levar à com- útil no inverno, para proteger as plan-
petição pelo azoto. Não utilize relva tas sensíveis à geada. Mas evite as tintas
cortada proveniente de relvados tra- coloridas, pois contêm metais pesados.
tados com herbicidas ou que contenha Também pode ser utilizado cartão.
sementes de ervas indesejáveis. Se a
utilizar como cobertura do solo, deixe Algas marinhas
um espaço em volta dos caules e dos Após as tempestades de inverno, é pos-
troncos, pois a relva aquece quando se sível encontrar grandes quantidades de
dá a fermentação. algas ao longo de toda a costa. Se não
estiverem muito poluídas, a sua uti-
Húmus de folhas lização nas hortas e nos jardins pode
O húmus de folhas contém poucos nu- ser aconselhável, pois contêm muitos
trientes, mas muitas matérias orgânicas. oligoelementos e outros nutrientes,
No outono, caem grandes quantidades de em quantidades variáveis. No entanto,
folhas, tanto no campo como na cidade. regra geral, contêm bastante fosfato
Se obtiver folhas provenientes de jardins e potássio, mas pouco azoto. Antes de

Quanto por metro quadrado?


Matéria orgânica não concentrada
Ponha, pelo menos, um balde por metro quadrado.

Areia
Para melhorar a textura dos terrenos argilo-
sos, precisa de 1 m3 (1,7 toneladas) de areia
grossa por cada 20 m2 . Isso corres-
ponde, aproximadamente, à adição
de uma camada de cinco centíme-
tros sobre a superfície, antes de cavar.

162
A
MELHORAR O SOLO 12
as utilizar, exponha-as à chuva durante solos ligeiramente alcalinos, e torna
alguns meses, para eliminar o sal. algumas substâncias nutritivas mais
As algas marinhas fermentam depressa acessíveis às plantas. Também contribui
e, por isso, não precisam de ser previa- para evitar a hérnia-da-couve. Pode ser
mente decompostas. utilizada para corrigir os solos argilosos.
Analise o pH antes de proceder à cala-
Serradura e aparas de madeira gem, pois, se o terreno ficar muito alca-
Não utilize serradura nem aparas se lino, as plantas podem ter carências de
vierem de madeiras tratadas! Quando oligoelementos. Se o solo for muito ácido
se decompõem, levam à competição (pH inferior a 5,5), a calagem é essencial,
pelo azoto do solo; por isso, é melhor pois, caso contrário, certos nutrientes,
decompô-las previamente, usando um como os fosfatos, não são disponibiliza-
ativador rico em azoto, como a farinha dos para as plantas.
de sangue, o chorume de urtiga ou o
estrume de aves seco.

Turfa e cascas de árvore


Matérias inorgânicas
A turfa e as cascas de árvores
As matérias inorgânicas, como a areia, podem aligeirar a textura de solos
são mais baratas se forem compradas de pesados, mas são muito dispendio-
sas. Além disso, não contêm tantas
forma avulsa, e não em sacos. Encon-
substâncias nutritivas como seria
trará as moradas de alguns fornecedores desejável e podem levar à competi-
nas Páginas Amarelas, na rubrica Cons- ção pelo azoto do solo, no seu pro-
trução civil. Alguns vendedores fazem cesso de decomposição. A turfa é
descontos se encomendar grandes uma matéria grosseira e retém bem a
quantidades. Por isso, se a quantidade humidade, mas provém de territórios
mínima conveniente for excessiva para preciosos que convém preservar.
si, tente encontrar amigos ou vizinhos Existem soluções melhores para o
interessados ou junte-se a uma associa- mesmo efeito. Quanto às cascas,
devem ser decompostas antes de
ção que possa obter descontos para as
as enterrar. Não retêm a humidade
compras em grupo. e, por isso, é preferível usá-las como
cobertura do solo.
Algas marinhas calcárias
(litotamne)
Trata-se de uma alternativa dispendiosa,
comparada com o calcário normalmente
utilizado para corrigir os solos ácidos Areia
ou argilosos. Este produto provém de É conveniente utilizar apenas areia
algas, que produzem uma espécie de grossa e granulosa para melhorar a
“esqueleto” que contém cálcio e outros textura do solo. Encontrá-la-á a melhor
oligoelementos. preço nas estâncias de materiais de
construção. Ponha um punhado de areia
Calcário na mão e esfregue; se não sentir os grâ-
A calagem torna o solo menos ácido. nulos ou se as partículas não se separa-
Favorece as minhocas, que gostam de rem, é preferível não comprar.

163
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Melhorar o solo com adubos verdes


Os adubos verdes são plantas que se Vantagens
cultivam devido aos seus altos teores
em matérias orgânicas e que se podem •  Contêm matérias orgânicas rudimen-
enterrar no solo ou compostar. Os adu- tares que melhoram a estrutura do solo.
bos verdes devem ser integrados na rota-
ção das culturas para melhorar a fertili- •  Cobrem o solo, impedindo o desenvol-
dade do solo. vimento das ervas daninhas.

COMPARAÇÃO DOS ADUBOS VERDES


Adubo verde Sementeira Incorporação no solo Observações
Impedem a propagação das ervas
daninhas. Raízes extensas e
benéficas para a estrutura do solo.
Azevém Junho-outubro Na primavera
São uma boa cobertura para o solo,
no inverno. O crescimento continua
até à primavera
Boa cobertura do solo para o inverno.
Ervilhaca Agosto-outubro Na primavera
Fixam o azoto
Fixam o azoto. Dão-se bem mesmo
em solos ácidos e pouco férteis.
As espécies de inverno devem ser
Tremoço Outubro-março Após 3-4 meses
incluídas na rotação de culturas e
cortadas assim que se precise de
terreno
Fixam o azoto. Podem ser cortados
no verão e utilizados como cobertura
Desde a primave-
Trevo Após 2-3 meses do solo. O trevo-branco afasta as
ra e até outubro
ervas daninhas. O trevo-vermelho
produz mais raízes e folhas

OUTROS ADUBOS VERDES


Semear de março a agosto. Plantas interessantes, pois não pertencem a
Facélia nenhuma família de legumes e, portanto, não estão expostas a nenhuma doença
específica
Favarola Semear de setembro a março. Crescimento rápido, exceto se for semeada
(fava-cavalinha) demasiado tarde. Fixa bem o azoto
Legumes Os excedentes de sementes dos legumes de crescimento rápido (alfaces, nabos,
de  crescimento rabanetes) podem ser utilizados como adubo verde, não os deixando chegar
rápido à maturidade no outono
Semear em qualquer altura durante a estação de crescimento.
Luzerna (alfafa)
Livrar-se dela pode revelar-se difícil
Semear no verão e em outubro. Produz muitas folhas em poucas semanas.
Mostarda
Evitar, no caso de existir hérnia-da-couve no solo
Semear de março a junho. Crescimento rápido. As flores atraem as abelhas
Trigo-mourisco
e os sirfídeos

164
A
MELHORAR O SOLO 12
•  Evitam que o solo se cubra com uma e a ervilhaca são, normalmente, semea-
crosta dura, sobretudo no inverno. dos em filas.

•  Absorvem substâncias nutritivas das •  Pode deixar os adubos verdes crescer


camadas superiores do solo, impedindo- até que sejam necessários, mas deve
-as de serem arrastadas pelas águas. enterrá-los antes que fiquem lenhosos;
Mais tarde, estas substâncias voltam a caso contrário, a decomposição torna-
ser libertadas, quando os adubos verdes -se mais lenta. Se estiverem muito altos,
se decompõem. pode ceifá-los primeiro. Corte bem as
plantas e incorpore-as à camada supe-
•  As minhocas e outros microrganis- rior da terra. Para isso, pode utilizar uma
mos são muito mais estimulados do que motocultivadora, tendo o cuidado de não
quando a terra está nua. as enterrar demasiado, pois precisam de
ar para se decomporem rapidamente.
•  Os adubos verdes da família das legu-
minosas fixam nas raízes o azoto pre- •  Se o seu terreno for difícil de cavar,
sente no ar; esse azoto é libertado no ceife o adubo verde e use-o como cober-
solo quando as plantas se decompõem. tura do solo, que irá incorporar-se pro-
gressivamente, de forma natural.
Como proceder?
A pilha do composto
•  Primeiro que tudo, raspe com umanci- Se, apesar de tudo, o adubo verde ficar
nho a zona da horta onde pretende semear duro e lenhoso, ceife ou desenterre as
os adubos verdes. A maioria pode ser plantas e junte-as à pilha do composto,
semeada aleatoriamente, mas o tremoço depois de as cortar em pedaços.

Melhorar os solos argilosos

Melhorar a estrutura a que os solos argilosos sejam mal dre-


nados no inverno e sequem lentamente
A maioria dos solos contém argila, mas na primavera. Quando o tempo está
os problemas de arejamento e drenagem quente e seco, a argila contrai-se e forma
acontecem sobretudo quando a propor- fissuras.
ção de argila é superior a um terço. Os A vantagem dos terrenos argilosos é que
problemas são causados pela pequena as substâncias nutritivas não são facil-
dimensão das partículas de argila: ade- mente arrastadas pelas águas: as plantas
rem fortemente umas às outras e tornam ficam mais bem estabelecidas e menos
a tarefa de cavar bastante mais compli- expostas à seca do que com outros tipos
cada. A água também é atraída para a de solo. Para melhorar a estrutura, pro-
superfície dessas partículas, levando ceda de modo a que as partículas formem

165
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

As espécies de Azalea mollis crescem


bem em solos argilosos, desde
que não contenham calcário

formando agregados. Geralmente, a adi-


ção de calcário não basta para melho-
rar a estrutura do solo: de preferência,
a calagem deve ser acompanhada de
uma aplicação de matérias orgânicas.

•  Adição de matérias orgânicas


Não esbanje dinheiro comprando es-
trume concentrado para melhorar um
solo argiloso. Quanto mais grosseiro
for o material, melhor. O composto de
grumos e não uma massa compacta. jardim é excelente, mas é provável que
O solo ficará mais arejado, haverá melhor a sua produção não seja suficiente para
drenagem e será mais fácil trabalhá-lo. tratar todo o jardim. Entre outras hipó-
A adição de matérias orgânicas e cal- teses, salientemos o estrume de vaca e
cário contribui para a ligação química de cavalo e o composto de cogumelos,
entre as partículas. As matérias orgâ- de preferência bem curtidos ou compos-
nicas grosseiras também contribuem tados. Se enterrar grandes quantidades
para criar alguma estrutura na massa de estrume fresco, arrisca-se a danifi-
de argila, mas esse efeito desaparece car as plantas e a provocar a formação
quando se decompõem. de produtos tóxicos provenientes da
decomposição do estrume. Mas é pre-
Cavar ferível enterrar, só na horta, grandes
Cavar a terra no final do outono, quantidades de matérias orgânicas do
enquanto ainda é possível trabalhar o que pôr pequenas quantidades por todo
solo, pode ser uma boa ideia. É impor- o terreno. As vantagens ver-se-ão nos
tante escolher o momento adequado: se anos seguintes.
o solo estiver demasiado seco, o traba-
lho é quase impossível; se estiver muito Cobertura do solo
molhado, fica colado a tudo e, se andar Se enterrar matérias orgânicas lhe
em cima dele, pode ficar mais compacto. parece trabalho árduo, utilize-as como
Nesse caso, utilize uma tábua para cobertura do solo. Estas irão sendo pro-
repartir o peso. Talvez o trabalho seja gressivamente incorporadas no solo,
mais fácil se usar uma enxada com den- de forma natural.
tes ou se a mergulhar de vez em quando
num balde de água, para que se cubra Produtos para solos argilosos
com uma camada fina de água que faça A acreditar nalguma propaganda,
escorregar a argila. alguns produtos para solos argilo-
sos seriam capazes de fazer milagres.
•  Calagem Alguns contêm algas marinhas; outros
O calcário contém cálcio, que faz a liga- possuem adubos químicos, estrume ani-
ção entre a argila e a matéria orgânica, mal concentrado ou perlite.

166
A
MELHORAR O SOLO 12
As algas marinhas (que contêm muito 15 centímetros de espessura, que contri-
cálcio) agiriam através de uma maior buirá para melhorar a estrutura do solo
aglomeração das partículas de argila. e permitirá cultivar plantas de bolbos ou
Outros produtos, como a perlite, con- maciços, sem necessidade de cavar.
tribuiriam para aligeirar a textura do
solo. No entanto, convém saber que a •  Legumes
areia e as matérias orgânicas grosseiras Na horta, é indispensável trabalhar o solo,
são muito mais baratas e eficazes do que pois a maioria dos legumes é cultivada
estes “produtos milagrosos”. anualmente. As condições ideais para
cavar a terra só se encontram reunidas
Adaptar-se aos durante um período relativamente curto
terrenos argilosos de tempo; por isso, é preferível reduzir a
É possível ter um jardim bonito e produ- superfície a cavar tanto quanto possível,
tivo, mesmo que o terreno seja argiloso. criando um sistema de canteiros perma-
Para isso, é preciso escolher plantas nentes e de caminhos (veja a página 159).
adaptadas ao tipo de solo (veja o quadro Se resolver sobre-elevar os canteiros e
da página seguinte). Também se podem enterrar muitas matérias orgânicas, a dre-
plantar árvores. Se o solo for realmente nagem e a estrutura do solo poderão ser
mal drenado, a escolha de plantas substancialmente melhoradas, de forma
deverá ser mais específica (veja o quadro que poderá cultivar quase todas as varie-
da página 174). dades de legumes.
Além disso, também convém adaptar
as técnicas de cultura: cave no outono •  Alfobres ou viveiros
e não no inverno, pois, nessa altura, o Prepare os canteiros para alfobres
solo está demasiado “empapado” e a sua trabalhando o solo o menos possível.
estrutura arrisca-se a ser prejudicada.

•  Jardins ornamentais
Tanto quanto possível, utilize arbustos
e plantas resistentes à geada. Para não
ter de cavar muitas vezes, existem mui-
tas variedades que se adaptam aos solos
argilosos, mesmo aos mais pesados.
Como é evidente, terá de sachar de vez
em quando, mas, a partir do momento
em que as plantas estejam bem implanta-
das, o trabalho do solo será muito redu-
zido. Durante o verão, as plantas bene-
ficiarão das substâncias nutritivas e da
água existentes no solo. Todos os anos,
no outono ou na primavera, poderá
aplicar uma cobertura vegetal com 10 a

A Primula denticulata floresce na primavera


e quase não dá problemas

167
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

PLANTAS PARA SOLOS ARGILOSOS E ARGILO-ARENOSOS


Altura ×
Flores Folhagem Observações
× largura (*)
PLANTAS HERBÁCEAS
Achillea Amarelo-douradas, Cinzento- “Coronation Gold” e “Parker” são
90 × 45 cm
filipendulina junho-agosto -esverdeada híbridas de qualidade
Alchemilla mollis 45 × 45 cm Amarelas, junho-julho Verde-clara Podar depois da floração
Anemone × Rosas e brancas,
60-90 × 60 cm Verde Diversas variedades interessantes
× hybrida agosto-setembro
Rosa-esverdeadas, Floração longa, flores atrativas
Astrain major 60 × 45 cm Densa, verde
junho-agosto boas para cortar
Bergenia Vermelho-rosadas, Brilhante, Diversas variedades interessantes,
45 × 45 cm
cordifolia março-abril persistente flores boas para cortar
Chrysantemum Brancas, Verde-escura, Variedade fiável, flores boas para
75 × 45-60 cm
maximum junho-setembro dentada cortar, retirar as flores murchas
Coreopsis Muito florífera, flores boas para
60 × 45 cm Amarelas, abril-maio Fina e folhosa
verticillata cortar
Epimedium × Branco-amareladas, Avermelhada, Forma grandes flores,
25 × 30 cm
× rubrum abril-maio persistente boa como abafante
Miscanthus Há também variedades brancas,
Verde, disposta
sinensis 2 × 1 m Azuis, março-maio rosas e lilases. Fácil de cultivar
em roseta
“Silver Feather” em sementeira
Primula Azul-esverdeada
30 × 30 cm Azuis, março-maio Alta, bom polo de atração
denticulata com linhas brancas
Coberta, por Há também variedades brancas,
Cores variadas,
Pulmonaria 30 × 30 cm vezes, de manchas rosas e lilases. Fácil de cultivar
março-maio
brancas em sementeira
Rudbeckia fulgida Amarelo-douradas, Muito florífera, belas flores
60 × 45 cm Verde
“Goldsturm” julho-outubro para cortar
Cor-de-rosa, Folhagem decorativa,
Sidalcea 120 × 50 cm Verde
junho-setembro flores boas para cortar
Solidago Amarelo-douradas, Amarelo- Folhagem decorativa, flores
50 × 45 cm
“Goldkind” agosto-setembro -esverdeada em espiga, longa duração
ARBUSTOS
A maioria das variedades tem
Verde-malva, março- Brilhante,
Aucuba japonica 3 × 1,8 m folhagem matizada e produz
-abril persistente
bagas vermelhas
Azalea mollis 1,5 × 2,5 m Cores variadas, maio Verde, caduca Não se dá bem em solos calcários
Flores de aroma agradável,
1,5-4 × 1,5- Cores variadas,
Buddleia davidii Verde, dentada agrupadas em espiga.
-2,5 m julho-outubro
Atrai as borboletas
Bagas vermelhas ou amarelas.
Branco-rosadas, Geralmente verde-
Cotoneaster 0,6-3 × 3 m As variedades de folha caduca
maio-junho -escura
têm uma bela cor no outono
As variedades de folha caduca
têm uma bela cor no outono
Euonymus 1,5-4 × 2 m Cores variadas, junho Diversas
e as persistentes mantêm
uma bela folhagem matizada
Amarelas, Espinhosa, Cachos de flores de aroma
Mahonia 1,2 × 2 m
novembro-abril persistente agradável e folhagem atraente
Cresce facilmente, produz flores
Philadelphus 1-3 × 1,2 m Brancas, junho-julho Verde, forma oval
de aroma agradável
Brancas, períodos Verde, vermelha Alguns têm flores de aroma agradá-
Viburnum 1-3 × 1-2,5 m
variáveis com salpicos vel, outros dão bagas muito bonitas
Brancas, vermelhas
Verde, lilás Muito florífero, todas as
Weigela 1-3 × 1,5-2 m e cor de rosa, maio-
ou matizada variedades são adequadas
-junho
(*) Altura e largura aproximadas (após 10-15 anos para as árvores e para os arbustos).

As diferenças podem ser consideráveis, dependendo das condições de crescimento.

168
A
MELHORAR O SOLO 12
Se tiver enterrado bastantes matérias aquecer o solo. Como é evidente, tam-
orgânicas bem compostadas nos anos bém pode semear flores ou plantas em
precedentes, bastará raspar com o vasos ou em caixas de sementeira e
ancinho. Cubra os canteiros com uma transplantá-las assim que as condições
folha de plástico transparente, para o permitam.

Plantações em terrenos argilosos


Geralmente, os arbustos e as árvores um metro de diâmetro. Junte um ou dois
são plantados no outono e no inverno. No punhados de farinha de osso. Não faça
entanto, nos terrenos argilosos é prefe- um pequeno buraco cheio de estrume e
rível plantá-los na primavera, para evitar de areia: ficaria cheio de água e poderia
que fiquem expostos ao frio e à humidade transformar-se num minipântano.
enquanto ainda não estão bem enraizados.
Fazer as plantações na primavera também •• Plante as árvores e os arbustos à altura
lhe permite preparar melhor o solo. de origem. Afaste bem as raízes, antes de
as cobrir de terra. Não comprima dema-
•• Na primavera, faça um buraco para a siado, pois a argila compacta-se facil-
plantação, adicione bastantes matérias mente. Forme um montículo. Regue nas
orgânicas e areia, que deverá incorpo- épocas secas, até que as árvores ou os
rar numa superfície de mais ou menos arbustos estejam bem enraizados.

Melhorar os terrenos calcários

Será necessário duradouros. Se quiser realmente culti-


modificar o pH? var, num terreno calcário, plantas que
gostem de solos ácidos, coloque-as em
Não perca tempo (e dinheiro) tentando vasos ou caixas cheios de terra não cal-
tornar o solo menos alcalino. Mesmo cária ou composto.
que conseguisse reduzir o pH nos pri-
meiros centímetros de terra, o efeito
seria mínimo, pois as raízes da maioria Fertilizar o solo
das plantas estão muito profundas. Além
disso, a maioria dos terrenos exerce Os terrenos calcários carecem de
uma espécie de efeito-tampão, de forma substâncias nutritivas. O pH elevado
que o pH volta ao nível inicial após um estimula as bactérias que contribuem
curto período de tempo. para decompor as matérias orgâni-
O sulfato de amónio, o sulfato de alumí- cas, de forma que deverá adicionar,
nio e o enxofre-flor tornam o solo mais regularmente, grandes quantidades
ácido, mas também não têm efeitos de matéria orgânica. Assim, o solo

169
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

As covas para plantação


Pode ter de plantar, num terreno calcário, •• As paredes da cova devem ser verticais
uma planta que goste de solos ácidos (que e o fundo plano e inclinado para um dos
lhe tenham oferecido ou que queira con- lados. Cubra o fundo com enxofre-flor e
servar após mudar de casa, por exemplo). encha com terra neutra ou ácida ou então
composto.
•• Se não quiser ou não puder usar vasos ou
caixas, faça uma cova suficientemente •• Finalmente, é necessário regar bem.
grande para permitir que as raízes se Contudo, se a zona for calcária, é prová-
desenvolvam vários anos. É claro que, vel que a água da companhia seja dura.
no caso das árvores e dos arbustos, isso Em resumo: é necessário, de facto, ter
significa um trabalho gigantesco, ao qual razões muito fortes para se dar a tal
talvez seja preferível renunciar… trabalho!

torna-se mais fértil e fácil de traba- o melhor seja fazer uma cobertura do
lhar e retém melhor a humidade (veja solo (veja as páginas 147 e seguintes). O
adiante). plástico negro é um dos melhores mate-
Entre os produtos adequados encontram- riais para a cobertura do solo, apesar
-se o composto de jardim, o estrume de não ser bonito. Por isso, se a estética
animal não concentrado e as algas for importante para si, utilize cascas de
marinhas. É melhor evitar o composto árvores. Espalhe uma camada com, pelo
de cogumelos, pois este costuma con- menos, cinco centímetros de espessura
ter muito calcário, o que não facilita a e regue abundantemente.
manutenção do nível de pH.
Os adubos verdes, como o trevo, o aze-
vém ou a facélia (veja as páginas 164 e 165), Carências de nutrientes
também contribuem para melhorar a secundários
estrutura do solo. Semeie-os onde hou-
ver espaço livre (por exemplo, durante o Nos terrenos alcalinos, as plantas têm
inverno, na horta ou no local destinado carências de ferro e de magnésio. Nal-
às flores anuais) e enterre-os no solo antes guns casos, estes nutrientes até podem
que formem sementes. estar presentes no solo, mas numa forma
impossível de assimilar para as plantas.

Cobertura do solo •  As carências de ferro traduzem-se no


amarelecimento das folhas e no apare-
Durante o verão, os solos alcalinos têm cimento de doenças (clorose). Não vale
tendência para secar. A água desce para a pena tentar remediar a situação utili-
um nível inferior e a camada superior da zando sulfato de ferro, pois este também
terra, onde as plantas criam as raízes, não é assimilado. E preferível utilizar
seca rapidamente. As ervas daninhas quelatos de ferro, pois têm uma forma
podem absorver o que resta da água; facilmente assimilável e mantêm-se
por isso, é útil sachar o terreno, embora estáveis no solo durante vários meses.

170
A
MELHORAR O SOLO 12
PLANTAS PARA SOLOS CALCÁRIOS
Altura ×
Flores Folhagem Observações
× largura (*)
ÁRVORES E ARBUSTOS
Chaenomeles Vermelhas, Verde-escura, Frutos amarelo-esverdeados,
1,8 × 1,2-1,8 m
speciosa janeiro-abril brilhante de aroma agradável
C. macropetala e C. montana
2-3 × 3 m/planta Azuis, suspensas, Verde-escura,
Clematis alpina também são variedades
trepadora abril-maio folhas pequenas
adequadas
Amarelas, fevereiro- Crescimento lento, adequada
Cornus mas 6 × 4 m Verde-clara
-abril para sebes
Quase sem espinhos, bagas
Crataegus ×
4,5-6 × 3-4,5 m Brancas, junho Verde-clara vermelho-alaranjadas
× lavallei
no outono e no inverno
Juniperus Aroma agradável, numerosas
3 × 1,8 m Insignificantes Folhas em agulha
communis variedades anãs
Lonicera × 7,5-9 m/planta Amarelas e brancas, Verde-clara, Planta trepadeira, invasora,
× japonica trepadora junho-outubro persistente com flores de aroma agradável
Prunus serrulata Rosa-escuras, Verde, folhas Há outras variedades
6 × 4,5 m
“Amanogawa” abril-maio pequenas adequadas
Pyracantha
3-4,5 × 3-4,5 m Brancas, junho Persistente Bagas vermelhas no inverno
coccinea
Frutos vermelhos, bela cor
Sorbus aria 10 × 8 m Brancas, maio Verde
no outono, muitas variedades
Symphoricarpos Cor-de-rosa, Verde- Grandes bagas brancas
1,5-2 × 2,5 m
albus julho-setembro -acinzentada de outubro a fevereiro
Verde-sombria,
Taxus baccata 4,5 × 4,5 m Sem flores Tóxica, bagas vermelhas
folhas em agulha
PLANTAS HERBÁCEAS
Aubrieta Rosa-violetas, Verde, folhas Forma uma espécie de tapete,
10 × 45-60 cm
deltoidea março-junho penugentas muitas variedades
Campanula 20-30 ×  Azul-violeta, Verde-clara, Muitas variedades, com flores
carpatica × 30-40 cm julho-agosto folhas pequenas de cores diferentes
Rosa-pálidas, Cinzento- Pequenas flores suspensas
Dicentra eximia 30-45 × 30 cm
junho-setembro -esverdeada e decorativas, floração longa
Geranium Vermelho-violeta, Folhas finas e Crescimento rápido, planta
25 × 25 cm
sanguineum maio-setembro verdes rasteira
Brancas e verdes, Floração no inverno, adequada
Helleborus niger 25 × 25 cm Persistente
janeiro-abril para segundo plano
Brancas, cor-de-
Paeonia lactiflora Grandes flores duplas,
75-100 × 90 cm -rosa e vermelhas, Verde-escura
hybrides de aroma agradável
maio-julho
(*) Altura e largura aproximadas (após 10-15 anos para as árvores e para os arbustos).

As diferenças podem ser consideráveis, dependendo das condições de crescimento.

No entanto, estes produtos tornam-se •  As carências de magnésio traduzem-


dispendiosos, se for necessário adicioná- -se por folhas pálidas no centro, entre
-los em grandes quantidades. Siga as ins- as nervuras; as zonas situadas ao longo
truções do fabricante. da nervura central morrem. As folhas da

171
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

couve ficam avermelhadas, alaranjadas o que significa que as plantas de raízes


ou lilases, as das árvores de fruto podem profundas se desenvolvem mal, sobre-
ficar castanhas entre as nervuras. Para tudo se gostarem de solos húmidos.
remediar tais carências, utilize sulfato Os terrenos calcários são permeáveis
de magnésio (epsomite). Dissolva-o em e secam demasiado depressa.
água (3 g/l) e pulverize a solução sobre Para aumentar a profundidade do
as folhas. Na correção de solos ácidos, enraizamento, é necessário cavar pro-
aplique dolomite (calcário magnesiano) fundamente e enterrar matérias orgâni-
em vez de calcário. cas no solo. Mas tenha o cuidado de não
incorporar mais calcário na camada
superior.
Aumentar a profundidade As raízes das árvores e dos arbustos con-
do solo seguem penetrar na camada inferior,
sobretudo se os ajudar no momento da
Nas zonas calcárias, normalmente a plantação, fendendo o solo com a ajuda
camada arável não é muito espessa, de uma picareta.

Melhorar solos mal drenados


Uma drenagem deficiente nota-se de embora o seu efeito não seja duradouro,
imediato: formam-se poças de água per- pelo que deverá adicioná-las todos os
sistentes, o terreno fica mais pesado e anos. Nesse caso, junte um balde por
pegajoso, nota-se a presença de algum cada metro quadrado quando enterrar a
musgo no relvado. areia. Nos anos seguintes, aplique-as como
De um ponto de vista ecológico, são cobertura do solo, que será incorporada
as condições ideais para instalar um progressivamente de forma natural.
charco e/ou uma zona pantanosa, mas o
caso muda de figura se o que queremos Compactação do solo
é uma horta. Antes de tudo, é preciso A compactação é causada pela chuva,
avaliar a importância do problema (veja pelas regas excessivas ou pelo facto de
a caixa na página seguinte). se caminhar muito sobre a terra. Pode
ser necessário cavar para descompac-
tar o solo, mas o efeito será sempre de
Melhorar a drenagem curta duração, se não se tomarem medi-
das mais permanentes. A cobertura
Pode melhorar a drenagem enterrando do solo, por exemplo, evita que a terra
muitos materiais grosseiros no solo. Para fique compactada depois de uma forte
abrir um pouco a sua estrutura, espalhe chuvada. Também é conveniente não
e enterre uma camada de cinco centíme- andar sobre a terra quando esta estiver
tros de areia grossa no solo. As matérias molhada. Na horta pode colocar lajes e
orgânicas grosseiras também são úteis, fazer caminhos.

172
A
MELHORAR O SOLO 12
Avaliar a importância do problema
Para avaliar corretamente o problema existe uma camada argilosa por baixo,
e saber como o remediar, comece por tornando a drenagem impossível. Tam-
fazer um buraco com 60 centímetros bém pode haver uma camada compactada
de profundidade. no subsolo ou tratar-se de um terreno
Examine o perfil de solo: talvez se possa muito baixo, onde a água consiga infiltrar-
notar uma camada compactada. Depois, -se naturalmente. Pode tentar melhorar a
cubra o buraco (por exemplo, com uma camada superior, mas, se o problema for
tábua), para o abrigar da chuva e evitar que na camada inferior, escolha plantas adap-
ouriços ou outros animais caiam dentro tadas à humidade e faça canteiros sobre-
dele. Espere até à manhã seguinte. -elevados na horta. Não poderá criar um
Se houver água que se tenha infiltrado no relvado sem colocar tubos de drenagem.
buraco, isso significa que o nível das águas
subterrâneas é alto ou que o jardim contém •• Menos de 24 horas: não há um verdadeiro
uma ou várias nascentes. Se for o caso, não problema de drenagem. É provável que
tente melhorar a drenagem: cultive plantas os problemas se devam à compactação
que gostem de humidade e faça canteiros do solo. Tente trabalhá-lo e, se não resul-
sobrelevados. Se o buraco se manteve tar, verifique se não há fugas no sistema
seco, encha-o de água e verifique o tempo de escoamento das águas.
que demora a secar.
•• Menos de uma hora: o solo é muito per-
•• Mais de 24 horas: a drenagem é péssima; meável. Os problemas devem-se à com-
isso significa, geralmente, que a camada pactação ou a uma camada dura situada
superior é argilosa e “pesada” ou que a baixa profundidade. Cave o solo.

Camadas duras tubos, de cerâmica ou de plástico per-


Uma camada dura e compacta no solo furado, no solo. No entanto, trata-se de
impede a drenagem e o desenvolvi- um trabalho complicado e dispendioso.
mento das raízes. Deve ser desfeita com Por isso, reflita bem, para saber se é
a ajuda da enxada. Normalmente, não se realmente necessário.
Corte de
volta a formar nos anos mais próximos. Os tubos de drenagem só serão efica- um sistema
As camadas duras surgem devido ao zes se a água puder ser retirada. Se o de tubos de
facto de, todos os anos, se trabalhar a jardim não possuir um fosso lateral, drenagem
terra com a mesma profundidade. Isso deve começar por construir,
pode acontecer devido ao uso de uma com tijolos, uma evacua-
motocultivadora, por exemplo, embora ção com, pelo menos, 1,8
os jardins instalados em antigas terras metros de profundi-
de cultivo possam ter o mesmo pro- dade e encher o
blema. Nalguns casos (se o solo contiver fundo com
muito ferro, por exemplo), as camadas
duras podem formar-se naturalmente.

Instalar tubos de drenagem


Os problemas de drenagem mais gra-
ves podem ser resolvidos colocando

173
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Astilbe × ardensii

gravilha ou pedrinhas. Se, ao cavar, atin-


gir granito ou outra rocha impermeável,
ou se ainda encontrar argila a 1,5 metros
de profundidade, desista, pois a evacua-
ção será muito difícil.
Os tubos de drenagem devem ter um
desnível de 25 centímetros a cada dez
metros, o que não é fácil. Abra a vala
principal com 30 centímetros de pro-
fundidade e 60 centímetros de largura.

ÁRVORES E ARBUSTOS PARA SOLOS MAL DRENADOS


Altura ×
Flores Folhagem Observações
× largura (*)
ÁRVORES
Amentilhos Verde-escura em Atrai os animais, não se adapta
Alnus glutinosa 9 × 4,5 m
suspensos, março forma de coração a solos muito ácidos
Deve podar-se todos os anos,
Salix alba Amentilhos amarelo- Verde-
9 × 5,5 m rente ao solo, para se cultivar
“Argentea” -esverdeados, maio -acinzentada
como arbusto
Tronco vermelho-alaranjado,
Salix alba
Amentilhos amarelo- Verde- atraente no inverno,
“Britzensis” (sin. 9 × 5,5 m
-esverdeados, maio -acinzentada para cultivar como arbusto:
“Chermesina”)
veja S. a. “Argentea”
Pequenos ramos em espiral,
Salix matsudana Amentilhos amarelo- folhas onduladas atraentes no
9 × 6 m Verde
“Tortuosa” -esverdeados, abril inverno. Pode ser mantida a baixa
altura, através de poda regular
Salix purpurea Amentilhos amarelo- Azul-acinzentada, Ramos caídos. Colocar tutor
4,5 × 5 m
“Pendula” -violeta, abril escassa para o tronco
ARBUSTOS
Branco-cremes, Flores perfumadas, em cachos
Clethra alnifolia 1,8 × 1,8 m Verde
agosto-outubro direitos
Poda radical, na primavera, para
Cornus alba “Sibi- Branco-amareladas, Verde, face inferior
3 × 3 m estimular o crescimento. Bela cor
rica” maio-junho penugenta
no outono
Verde-
Amentilhos castanhos, Amentilhos perfumados
Myrica gale 1,2 × 1,8 m -acinzentada, face
abril-maio e pequenos frutos
inferior penugenta
Amentilhos amarelos, Verde- Ramos longos, cobertos de folhas
Salix elaeagnus 3 × 2,5 m
abril -acinzentada estreitas e ovais
Amentilhos amarelos, Verde- Crescimento rápido.
Salix cinerea 5 × 3 m
abril -acinzentada É um dos mais belos salgueiros
Salix purpurea Amentilhos lilás- Pequena Fácil de cultivar, adequado
0,9-1,5 m
“Nana” -prateados, abril e escassa para jardins pequenos
(*) Altura e largura para exemplares maduros. O tamanho varia em função das condições de crescimento.

174
A
MELHORAR O SOLO 12
Cornus alba “Sibirica” (caules vermelhos)
e Cornus stolonifera “Flaviramiea”
(caules amarelos)

Pouse o tubo de drenagem sobre uma


camada de pedrinhas ou gravilha e tape
a vala. Coloque, a cada 4,5 metros, um
tubo lateral com um ângulo de 60º, de
acordo com um esquema “em espinha”
(veja o esquema da página 173). Para evi-
tar que os tubos se entupam, cubra as
ligações com lajes ou pedaços grandes de
plástico, cobertos de pedra ou gravilha.

Melhorar outros tipos de solo

Solos arenosos ficarem numa região seca ou ventosa.


A cobertura do solo permitirá reter a
Os solos de textura mais grosseira são humidade durante mais tempo. Tam-
muito permeáveis e secam rapidamente; bém é conveniente evitar plantas que
as substâncias nutritivas são mais facil- pedem muita água, como as legumino-
mente arrastadas pela água. Normal- sas de raízes pouco profundas.
mente, são ácidos e pouco férteis. Além
disso, se contiverem um pouco de argila, •  As batatas podem apanhar sarna,
podem ficar compactados. No entanto, são exceto se puser na terra matérias orgâni-
fáceis de trabalhar em qualquer altura do cas em quantidade suficiente. As cenou-
ano e aquecem rapidamente na primavera. ras e as pastinacas adaptam-se bem aos
solos arenosos. As árvores e os arbustos
Adaptar-se aos solos arenosos de raízes profundas também podem
•  Cave o solo no final do inverno ou no desenvolver-se bem, apesar de ter de os
início da primavera. Pode semear cedo, regar até que estejam bem enraizados.
já que este tipo de solo aquece rapida-
mente. É preciso regar bem, para asse- Para melhorar o solo
gurar uma boa germinação. •  Adicione-lhe regularmente matérias
orgânicas, para ajudar a reter a humi-
•  É preferível estrumar o solo com dade; incorpore-as no momento de fazer
parcimónia e regularmente, do que de as plantações e utilize-as como cober-
forma muito abundante, uma única vez. tura do solo.

•  Regue bastante, sobretudo se a horta •  Meça todos os anos o pH e adicione


ou o jardim forem de tipo aberto ou se calcário, se necessário.

175
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

•  Se quiser cultivar plantas que preci- Para melhorar o solo


sem de muita água (pepinos, por exem- •  Se a drenagem for muito má, a melhor
plo), escolha locais especiais onde possa solução é colocar tubos de drenagem
enterrar ainda mais matérias orgânicas. (veja a página 173).

•  Se o nível das águas subterrâneas


Solos turfosos for elevado, os tubos de drenagem
são inúteis. Nesse caso, faça canteiros
No nosso país, os terrenos turfosos são sobre-elevados.
raros, situando-se, sobretudo, nas zonas
montanhosas do Norte. Retêm muita •  Controle regularmente o pH e adi-
humidade, devido a uma drenagem defi- cione calcário, se for necessário.
ciente das águas subterrâneas de nível
elevado. Geralmente, contêm quanti-
dades suficientes de azoto, mas pouco Solos pedregosos
potássio. Nos locais menos ácidos, tam-
bém pode faltar manganês. Os solos que têm muitas pedras são difí-
São quentes e fáceis de trabalhar, ceis de trabalhar. Pode ser quase impos-
mesmo logo após ter acabado de chover. sível usar a enxada, e o sacho precisará
de ser constantemente afiado.
Adaptar-se aos solos turfosos
•  Faça canteiros sobre-elevados, sobre- Adaptar-se aos solos pedregosos
tudo para as culturas temporãs. Com- •  Limite ao máximo os trabalhos em
prima bem os canteiros de sementeiras, que seja preciso cavar (veja o título Não-
para evitar que sequem. Evite plantar -mobilização do solo, na página 158). Uma
couves-de-bruxelas: podem formar picareta talvez seja mais adequada.
demasiadas folhas e ficar mal fechadas.
•  Raspe ligeiramente a superfície, para
•  A maioria das plantas que gostam de eliminar as pedras, na altura de fazer
sol não se dá bem neste tipo de terre- os canteiros. Não cave demasiado, pois
nos, se não houver uma boa drenagem. pode trazer as pedras à superfície.
Poderá reconhecê-las pelas suas folhas
aromáticas (tomilho, alecrim) ou cin- •  Evite os legumes-raiz, como as cenou-
zento-prateadas (artemísia). As plantas ras, que podem ficar deformados pelas
silvestres também necessitam de pedras. As batatas exigem que se cave
solos bem drenados. Portanto, esco- bastante e, por isso, também é preferí-
lha variedades que se adaptem bem a vel evitá-las. Se o solo for argilo-arenoso,
solos mal drenados (veja o quadro da todos os outros legumes (exceto os legu-
página 174). mes-raiz) se darão bem.

•  Se a drenagem não for excessiva- •  Nos jardins ornamentais, é preferível


mente má, pode cultivar em terrenos fazer canteiros de plantas permanentes
turfosos legumes que não precisem de em vez de plantas anuais ou de maciços,
muita água, como as ervilhas, as alfaces, pois isso permite limitar todos os traba-
as aboborinhas e os aipos. lhos em que seja preciso cavar.

176
13
Fazer o composto
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Experiências
de fabrico de
composto em
diferentes
recipientes

Alguns jardineiros e hortelãos conseguem fazer um composto


de boa qualidade e sem cheiros, reciclando restos de vegetais ou
de comida; outros, apesar de anos de esforço, apenas obtêm uma
pasta pegajosa e malcheirosa ou mal fermentada. Neste capítulo,
tentamos ajudá-lo a ser bem-sucedido nessa tarefa.

Fazer um bom composto é algo que


ainda parece estar envolvido num certo A receita do sucesso
mistério. No entanto, se se conhecerem
os princípios de base (veja a página •  Faça a maior quantidade de composto
seguinte), trata-se de algo que está ao possível (em pilha ou num compostor):
alcance de qualquer pessoa. Os aspetos quanto mais materiais houver para
práticos da técnica de fazer o composto decompor, maior será o aquecimento
são explicados ao longo deste capítulo. e menor será a quantidade de matérias
Em certa medida, quanto mais esfor- mal decompostas nos rebordos da pilha.
ços fizer, mais hipóteses terá de obter
um bom composto. Mas é conveniente •  Misture bem as diferentes matérias,
ref letir primeiro sobre o que deseja procurando respeitar o equilíbrio entre
fazer com ele. Se, por exemplo, pretende o carbono e o azoto.
utilizá-lo como substituto do húmus
vegetal para as plantas de vasos, o com- •  Verifique se o composto não está
posto terá de ser de primeira qualidade. demasiado molhado ou seco. Se necessá-
Se apenas deseja incorporá-lo no solo, rio, cubra a pilha com um plástico, para
poderá ser menos bem compostado. a proteger da chuva, ou regue-a.
Não se esqueça de que, apesar de todas
as precauções, o composto pode conter •  Tenha paciência! Dê ao composto
sementes de ervas daninhas. o tempo suficiente para se decompor

178
A
FAZER O COMPOSTO 13
e amadurecer. O prazo de maturação que ficam nos rebordos (e que, por
depende da época e das matérias utili- isso, não se decompõem tão bem ou tão
zadas. Por exemplo, uma pilha constitu- depressa) é relativamente maior.
ída por matérias diferentes, durante o
verão, pode produzir composto pronto
a utilizar após três meses. Mas, se a fizer É preciso misturar
no outono, a decomposição pode durar o composto?
sete a oito meses.
Na mistura do composto devemos ter o
cuidado de mudar as partes que se encon-
Pilha ou compostor? tram no exterior para o interior. Serve
para o arejar e assegurar a entrada de
Pode obter composto de boa quali- azoto para os micro-organismos: assim,
dade tanto em pilha como num com- estes podem exercer a sua ação sobre
postor. A  escolha depende do volume as matérias frescas vindas do exterior.
de matérias disponíveis e da localização. Por outras palavras, o ciclo recomeça.
A pilha é melhor para grandes quantida- O melhor é misturar o composto sete a
des e o compostor tem melhor aspeto. dez dias antes de começar a arrefecer.
Normalmente, a decomposição é mais Se não o fizer, o azoto pode faltar e o pro-
rápida no compostor. cesso de decomposição pode atrasar-se.

Que volume? Ativadores


O volume recomendado para um com- Qualquer matéria rica em azoto (estrume
postor é de cerca de um metro cúbico. de quinta, farinha de sangue, chorume
Isso não quer dizer que não possa ser de urtiga ou adubo comercial autori-
mais pequeno, mas, nesse caso, a pro- zado em agricultura biológica rico em
porção de matérias em decomposição azoto) pode ter o papel de ativador. Este

CARACTERÍSTICAS DO COMPOSTO
lenhosas
Matérias
Ativador

cortada
Mistura
regular

Erva

Composto friável e bem decomposto, com uma camada fina de matérias


✓ ✓ parcialmente decompostas nos rebordos
Como acima, mas a camada de matérias parcialmente decompostas
✓ ✓ nos rebordos é mais espessa
Bem decomposto, mas um pouco menos friável do que quando se utiliza
✓ um ativador
Se acrescentar muitos restos de podas, sem as cortar em pedaços,
o tempo de espera será de, pelo menos, 12 meses. A pilha terá,
✓ ✓ provavelmente, uma espessa camada de matérias parcialmente
decompostas nos rebordos, que poderá utilizar para ativar uma
nova pilha
Se mais de um terço das matérias for erva cortada, o composto pode
✓ ficar viscoso e com cheiro desagradável. No entanto, deverá estar
completamente decomposto e isento de ervas daninhas

179
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

é importante, sobretudo quando se pre- •  Matérias lenhosas: os restos de podas


tende decompor muitas matérias lenho- de arbustos e de sebes, bem como outras
sas. O mais barato é o estrume de aves matérias lenhosas, podem ser utilizados,
de capoeira, que se encontra facilmente. desde que sejam cortados em pedaços
Se a pilha contiver apenas matérias não (menos de quatro centímetros). Para
lenhosas, o ativador não é essencial; no isso, talvez seja útil comprar ou alugar
entanto, a adição de um pouco de terra um triturador (veja as páginas 185 e 186).
de jardim pode acelerar o processo.
•  Folhas mortas: depois de misturadas
com outras matérias, podem ser adicio-
Matérias utilizáveis nadas ao composto. Se forem muitas, é
preferível utilizá-las para fazer húmus
Teoricamente, todas as matérias orgâ- vegetal (veja as páginas 187 e 188).
nicas podem ser decompostas. No
entanto, algumas podem dar problemas, •  Detritos diversos (por exemplo, jornais
por serem mais difíceis de decompor ou serradura): podem ser decompos-
(por exemplo, os ramos lenhosos das tos, desde que não sejam utilizados em
árvores e dos arbustos) ou por atraírem quantidades excessivas e lhes seja adi-
ratos ou moscas (restos de cozinha). cionado um ativador (veja o título Ativa-
Mas, se seguir os conselhos que damos dores, na página anterior).
em seguida, poderá obter um bom com-
posto sem grandes dificuldades. •  Ervas daninhas (sobretudo urtigas):
são uma boa fonte de azoto, mas con-
Matérias vindas vém retirar as que contenham sementes
da casa e do jardim e as raízes das ervas daninhas vivazes.
•  Matérias vegetais moles: as flores mur-
chas, as plantas de interior mortas, os Outras matérias para decompor
restos vegetais da cozinha, a relva cor- Se quiser fabricar grandes quantidades
tada ou os restos das plantas podem ser de composto, será necessário pensar em
decompostos sem problemas. utilizar outras fontes.

Matérias a evitar
•• Raízes de ervas daninhas vivazes: é preferível queimá-las e só depois juntar
grama, dente-de-leão, corriola, escal- as cinzas à pilha do composto.
racho, etc.
•• Relva cortada que tenha sido tratada com
•• Ervas daninhas ou plantas com semen- herbicidas: se costuma obter relva nestas
tes: no caso de o composto não aquecer condições, tenha o cuidado de não utilizar a
o suficiente para impedir que germinem, que for proveniente dos primeiros cortes.
as sementes indesejáveis podem disse-
minar-se (por meio do composto). •• Restos de alimentos cozinhados: podem
atrair ratos, ratazanas e moscas.
•• Plantas doentes (com hérnia-da-couve,
doença-das-manchas-negras, etc.): •• Matérias lenhosas não trituradas.

180
A
FAZER O COMPOSTO 13
RELAÇÃO CARBONO/AZOTO DOS PRODUTOS PARA DECOMPOSIÇÃO (*)
Provenientes da casa e do jardim
Preponderância de azoto Urtigas, caules de leguminosas
Restos de comida, relva cortada, ervas daninhas, restos de plantas ornamentais,
Equilíbrio carbono/azoto
restos de legumes verdes, folhagem da batateira ou do tomateiro
Preponderância de carbono Restos de podas de sebes ou arbustos, caules de couves lenhosas, folhas de outono
Ausência de azoto Papel de jornal, cartão
Para comprar, se valer a pena
Estrume de vaca (com palha), estrume de cavalo (com palha),
Preponderância de azoto
farinha de osso ou farinha de casco e chifre
Equilíbrio carbono/azoto Algas marinhas
Preponderância de carbono Palha
Ausência de azoto Serradura
(*) Se utilizar produtos ricos em carbono, experimente combiná-los com produtos ricos

em azoto. Os “equilibrados” têm uma relação carbono/azoto ideal de mais ou menos 25-30 para 1

•  Estrume animal: o estrume de aves de


capoeira é muito rico em azoto e deve Cultivar para decompor
ser misturado com outros detritos mais
pobres nesse elemento (palha, materiais Os adubos verdes são vegetais que se cul-
lenhosos). O estrume de vaca e de cavalo tivam, sobretudo para incorporação no solo,
pode obter-se facilmente e vem mistu- aumentando o teor em húmus. Impedem o
rado com palha. desenvolvimento de ervas daninhas e absor-
vem substâncias nutritivas que, após decom-
posição no solo, se encontram disponíveis para
•  Palha, papel, cartão: estes produtos as culturas seguintes. Alguns adubos verdes
devem ser misturados com uma fonte enriquecem o solo em azoto, ao fixarem nas
de azoto, para acelerar a decomposição. suas raízes o azoto atmosférico. Em vez de
Corte o papel e o cartão às tiras e, antes incorporar os adubos verdes ao solo, tam-
de os decompor, misture com o dobro bém pode deixá-los crescer e cortá-los mais
da quantidade de verdura ou com igual tarde, para compostar. Apesar de, no final, o
quantidade de estrume. composto vir a acabar no solo, este método
tem a vantagem de as parcelas não utilizadas
para cultivo ficarem cobertas e, portanto, pro-
•  Folhas de outono: é preferível utilizá-
tegidas durante mais tempo (veja também as
-las em pequenas quantidades, mistu- páginas 164 e 165).
radas com uma fonte de azoto. Se tiver
muitas, utilize-as para fazer húmus vege-
tal (veja as páginas 187 e 188).
hortelãos e os donos de restaurantes
•  Algas marinhas: são uma boa fonte costumam dispor de grandes quantida-
de substâncias nutritivas. des de detritos vegetais, que costumam
dispensar de boa vontade.
•  Detritos agrícolas, do comércio e do
setor alimentar: os horticultores, as Um dos segredos de um composto bem
empresas de tratamento de alimen- conseguido é a mistura de diferentes
tos, os comerciantes de legumes, os matérias. Por isso, sempre que utilizar

181
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Decompor relva cortada


A relva cortada é conhecida por causar e seja frequentemente sujeita a mistura.
alguns problemas na sua decomposição, Portanto, o melhor é misturar bem a relva
mas, se a misturar bem com outras maté- cortada com outros restos do jardim ou
rias, pode utilizá-la à vontade. No entanto, da cozinha e adicionar a mistura à pilha
é preferível nunca usar relva proveniente do composto.
dos primeiros cortes de um relvado que
tenha sido tratado com herbicidas.
Grandes quantidades de relva cortada pro-
duzem um composto viscoso e malchei-
roso que, no entanto, serve como cober-
tura do solo ou para enterrar.
Existem diferentes tipos de composto-
res que são concebidos para que a relva
não fique nem demasiado seca nem muito
molhada, que não arrefeçam com a chuva
e que assegurem a ventilação do com-
posto. No entanto, alguns testes mos- Compare o desenvolvimento das
traram que tais compostores não dão ervas daninhas, num composto misto
melhores resultados do que a pilha clás- (à esquerda), com o de um composto à base
sica, desde que esta permaneça coberta de erva cortada

uma grande quantidade de um só produto provavelmente, dececionante. A  trans-


(por exemplo, serradura) deve adicionar formação de matérias orgânicas em
outro (urtigas, estrume de aves de capo- composto faz-se segundo processos que
eira ou outra fonte de azoto), para assegu- necessitam não só de ar e humidade mas
rar o equilíbrio carbono/azoto. Se apenas também de um equilíbrio entre o carbono
quiser decompor relva cortada ou serra- e o azoto próximo de 25-30 para um, no
dura de madeira e folhas, o resultado será, conjunto dos materiais utilizados.

Pilha ou compostor

Como construir compostor fica mais barato e permite


um compostor exercitar a criatividade. Para isso, os
materiais devem ser duráveis. A madeira
Como é evidente, a solução mais fácil é o mais utilizado. O exemplo que apre-
consiste em comprar um compostor. sentamos a seguir tem algumas carac-
No entanto, construir o seu próprio terísticas úteis e não implica grandes

182
A
FAZER O COMPOSTO 13
despesas para quem saiba utilizar um dispor, simultaneamente, de composto
martelo e uma serra. maduro e de composto em vias de ama-
durecimento ou, ainda, fabricar diferen-
Tamanho e forma tes variedades (composto vulgar, húmus
Uma forma quadrada ou retangular faci- de folhas, etc.)
lita a construção e a utilização do com-
postor. O tamanho depende da quanti-
dade de matérias a decompor. Seja como Outras possibilidades
for, construa um depósito que tenha, no
mínimo, as dimensões de um cubo de 90 Tijolos ou blocos
centímetros, para obter bons resultados. Permitem fazer um bom compostor.
Pode colocar-lhe uma tampa e fazer
Ar e humidade a face dianteira de madeira, como no
Não deixe aberturas entre as tábuas,
pois o composto estará sempre sufi-
cientemente arejado. As aberturas As tábuas
podem levar a que seque. Também não amovíveis
O composto não ficará facilitam o acesso
deve ficar muito molhado: uma tampa
encharcado pelas ao composto
inclinada é útil para esse efeito. chuvas se o compostor
tiver uma tampa
Possibilidades suplementares inclinada
Um compostor duplo (ao lado, em baixo)
revela-se mais prático quando se mis-
tura o composto. Com uma forquilha,
pode mudá-lo de um depósito para o
outro, o que permite arejar a mistura.
Outra possibilidade: deixar amadure-
cer o conteúdo num dos recipientes
e encher progressivamente o outro.

Escolha do local
Para colocar o compostor, um local pro-
tegido do sol é o ideal. Mas não o ponha
sobre cimento ou lajes, mas sim dire-
tamente no solo; dessa forma, alguns
nutrientes infiltram-se no solo e não se
perdem, além de o acesso das minhocas
e dos micro-organismos ficar facilitado.
É relativamente simples construir um
compostor com tábuas. Uma face dianteira
amovível facilita a retirada do composto.
Rebordos superiores inclinados e cobertos
com uma tampa protegem o composto da Um compostor
duplo facilita
chuva, não deixando que fique ensopado.
a mistura
Como vimos, um compostor duplo faci-
lita a mistura do composto e permite

183
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

modelo ilustrado da •  É suficientemente grande?


página anterior. Se Quanto mais pequeno for o compostor,
usar tijolos, não mais difícil será conseguir uma fermen-
ponha cimento tação adequada, sobretudo no inverno.
nalguns da pri-
meira camada, •  É sólido e fácil de montar?
para poder Alguns compostores são extremamente
retirá-los e criar difíceis de montar; outros, por sua vez,
orifícios de ven- são tão leves e frágeis que podem ser
tilação. Se usar levados pelo vento ou abater com o peso
blocos, não deve do composto.
pôr cimento nenhum.
•  Tem orifícios de ventilação e de drenagem?
Fardos de palha Alguns compostores não os possuem e/
Decompõem-se com /ou não têm tampa.
o tempo e podem
ser misturados •  O acesso ao composto é fácil?
ao composto. Consegue retirar facilmente o composto
Enquanto isso maduro?
não acontece,
constituem um •  O compostor tem uma boa relação
bom compostor qualidade/preço?
improvisado
e isolam bem
o conteúdo. Pilha de composto
Redes de arame Se preferir fazer uma pilha de composto,
Podem fixar-se a um conte com uma superfície de, pelo menos,
enquadramento um metro quadrado.
feito com barro-
tes de madeira. •  Comece com uma camada de detritos
Cubra a rede grosseira. Faça camadas horizontais e
com um plás- com uma forma ligeiramente piramidal,
tico; se usar duas para assegurar a estabilidade.
camadas de rede,
ponha papel ou •  Cubra a pilha com um plástico negro,
cartão entre elas, para evitar que seque ou se ensope.
para servir de isola-
mento (veja o desenho). •  Após o aquecimento inicial, misture
a pilha de forma a colocar no interior
as matérias que estavam no exterior
Comprar um compostor e conseguir que fermentem.

Se, em vez de fazer o seu próprio com- •  Se dispuser, regularmente, de maté-


postor, prefere comprar um já pronto, rias para decompor, também pode
preste atenção aos aspetos seguintes. fazer uma pilha oblonga. De um lado, vá

184
A
FAZER O COMPOSTO 13
adicionando novas matérias;
do outro, recolha o composto
maduro. Misture apenas as
matérias que estejam na
nova extremidade da pilha.

Decompor os restos de ramos e troncos


matérias lenhosas podados devem ser triturados e só
depois misturados com outras matérias.
A maioria dos restos vegetais pode ser Se a pilha do composto tiver muitas
decomposta tal como se encontra. Mas matérias lenhosas, adicione-lhe um

ASPETO DO COMPOSTO
Aspeto Conselhos

Composto quase perfeito


Se o composto estiver friável e bem
fermentado como o representado na
fotografia, apenas com uma fina camada de
matérias mal fermentadas nos rebordos,
tem boas razões para ficar satisfeito

O resultado seria melhor se


Matérias mal decompostas nos rebordos o composto tivesse sido bem
O composto que se encontra no interior misturado. Quando o recipiente
da pilha está quase em tão boas é pequeno, é sempre boa ideia
condições como o anterior, mas é, misturar o composto, pois isso
nitidamente, menos homogéneo: contém permite tirar pleno proveito das
muitas matérias inadequadas e só suas capacidades. Quando se
parcialmente decompostas, tanto trata de uma grande quantidade,
nos rebordos como na camada exterior nem sempre vale a pena

Composto aproveitável apenas no Reduza a quantidade de


interior matérias lenhosas. Veja se vale
O interior da pilha contém bom composto, a pena comprar um triturador,
mas a verdade é que, excetuando uma para que as matérias lenhosas
fina camada nos rebordos e no exterior, fiquem mais aptas para a
tudo deveria estar em condições de ser decomposição
incorporado no solo

Escolha uma mistura mais


Grande quantidade de matérias equilibrada. Triture as matérias
não fermentadas lenhosas em pedaços com
O processo de decomposição é menos de quatro centímetros
demorado. A pilha parece conter de comprimento e utilize um
demasiadas matérias lenhosas não ativador (farinha de sangue
trituradas. Não foi mantido o equilíbrio ou chorume de urtiga,
entre o azoto e o carbono por exemplo)

Composto húmido e viscoso


Apesar de grande parte dos materiais Não junte demasiada erva
estarem decompostos, o resultado é de uma só vez. Não deixe
dececionante: escorre do composto que a pilha do composto
um líquido viscoso e com mau cheiro. fique encharcada
Mesmo assim, este composto pode ser
incorporado no solo

185
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

O lombricomposto
As minhocas são particularmente úteis para As minhocas sobem à superfície e decom-
o jardim. Pode fazê-las trabalhar para si, põem camada por camada. Produzem
construindo um compostor adequado. assim um composto precioso, que poderá
raspar e recolher para o carrinho de mão.
•• Comece por construir um depósito com
60 por 90 centímetros, com uma altura
mínima de 60 (dimensões ligeiramente
superiores às de um carrinho de mão). 90 cm
Para o fundo, use rede de arame. 60 cm
Faça dois orifícios na parte de baixo
de um dos lados e introduza duas
ripas de madeira. Fixe-lhes um
pedaço de madeira ou de metal,
para obter duas raspadeiras. Colo- 60
que a caixa sobre pés de madeira, cm
de modo que seja possível intro-
duzir o carrinho de mão por baixo. 135
cm
•• Cubra a rede de arame com uma
camada de papel de jornal molhado.
Sobre ela, ponha uma fina camada
de composto bem curtido ou de
estrume e algumas minhocas (pode 45
encontrá-las facilmente numa loja cm
de artigos de pesca). Finalmente, 22,5
cubra tudo com uma fina camada cm
de matérias não decompostas e um 75 cm
tapete velho. Raspadeira
Rede de arame
•• Constitua o depósito do lombri- Raspadeira
composto de forma progressiva:
não adicione mais de oito centí-
metros de matérias por semana.

ativador como fonte de azoto (farinha e troncos podados, para que possa uti-
de sangue, por exemplo). Se tiver uma lizá-los como cobertura do solo ou juntá-
sebe grande e/ou muitos arbustos e -los à pilha do composto. No entanto, as
árvores na sua horta ou no seu jardim, matérias molhadas e fibrosas podem
pense em comprar um triturador. ficar aglomeradas, enquanto a relva
comprida pode bloquear as lâminas.

Trituradores Antes de comprar


ou alugar um triturador
Um triturador (a gasolina ou elétrico) •  Primeiro, verifique se as instruções de
permite picar bem os restos dos ramos utilização vêm com o aparelho e peça

186
A
FAZER O COMPOSTO 13
para o ver em funcionamento antes (retire a ficha da tomada se se tratar
de o comprar. de um modelo elétrico).

•  Atenção à segurança: na posição de •  Mantenha afastados as crianças e os


trabalho, não pode, em nenhum caso, animais domésticos.
ver as lâminas. Nunca tente tocar-lhes.
•  Nunca utilize o aparelho antes de este
Quando o utilizar estar completamente montado.
•  Siga atentamente as instruções. Use
óculos e auscultadores de proteção e •  Nunca ponha a mão nos orifícios
luvas. de alimentação e de evacuação.

•  Nunca largue nem tente desmontar a •  Nunca tente triturar pedras, terra,
máquina enquanto esta estiver ligada vidros, metal, ossos ou plásticos.

Fabricar húmus vegetal


Nos bosques, existe uma espessa pelo contrário, as folhas em quantidades
camada de folhas em decomposição excessivas podem causar problemas e,
que constitui, a longo prazo, o tipo de por isso, é necessário apanhá-las:
solo ideal para as árvores. Nos jardins, ——num relvado, as folhas caídas matam
a relva lentamente, privando-a de luz;
podem estimular as minhocas e os ger-
mes de doenças;
O húmus de folhas “turbo” ——alguns germes de doenças, como o
pedrado das maçãs e das peras, hiber-
Se estiver com alguma pressa, faça nam nas folhas mortas e acabam por
uma pilha como indicámos antes,
se instalar noutras plantas quando o
mas mude-a para outra na primavera
vento espalha as folhas. As folhas caí-
e adicione-lhe relva fresca cortada
(cerca de um quarto a um terço do das também abrigam pragas e doenças
volume total). Dessa forma, con- (por exemplo, a doença-das-manchas-
seguirá fabricar o húmus em cerca -negras), que podem afetar outras plan-
de metade do tempo. É importante tas na primavera;
efetuar esta operação na prima- ——nos caminhos e escadas, as folhas
vera, pois, nessa altura, a relva cor- molhadas tornam-se escorregadias.
tada quase não contém sementes
de ervas daninhas. Poderá repartir
Apanhar as folhas
a adição de relva cortada por várias
Quando as folhas são um fator de risco,
semanas. O resultado final será
um cruzamento entre composto e independentemente da razão, é prefe-
húmus de folhas. rível apanhá-las (quando estão secas) e
fazer húmus.

187
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Se não dispuser de uma quantidade Utilização


suficiente, pode procurar noutros luga- O húmus de folhas pode substituir
res. Todos os anos há dezenas de tone- a turfa ou as cascas de árvores como
ladas de um potencial húmus de folhas cobertura do solo em volta dos arbustos,
perdidas nos parques, quintas, etc. das rosas ou das plantas vivazes. Impede
Em princípio, não terá dificuldade em que as ervas daninhas se desenvolvam
obter autorização para as recolher em e retém a humidade.
sacos de plástico ou outro recipiente. Conte com uma camada de, pelo
menos, 2,5 centímetros de espessura
Como proceder? (mas é necessário o dobro para impedir
Fazer húmus a partir de folhas é dife- o desenvolvimento das ervas daninhas).
rente de fazer composto. Neste caso, Também pode incorporar o húmus no
a utilização de um ativador é supérfluo, solo, para reter a humidade num local
bem como a ventilação da pilha, embora seco ou aligeirar a textura de um ter-
tanto um como outro possam acelerar reno ”pesado”. Também pode utilizá-lo
o processo. para plantas em vasos.
Se for peneirado, pode espalhá-lo no
•  Como a pilha de húmus de folhas relvado (veja o capítulo 3), sobretudo se
nunca aquece o suficiente para impe- o solo estiver seco. Efetue esta opera-
dir a germinação de sementes de ervas ção quando a relva estiver vigorosa ou
daninhas, evite trazê-las com as folhas. após escarificação e faça penetrar bem
Quase todas as variedades de folhas o húmus.
servem, mas evite os arbustos de folhas
persistentes, como o azevinho e as agu-
lhas das coníferas.

•  O melhor húmus de folhas é o que


se obtém a partir das folhas de casta-
nheiro ou de faia. Contêm muito tanino,
que se decompõe lentamente em azoto.

•  Escolha um local protegido e, com


uma rede de arame, construa uma espé-
cie de cerca com, aproximadamente, 90
centímetros de altura e 90 centímetros
de lado. Fixe a rede a uns barrotes sóli-
dos e enterre-os bem. Encha completa-
mente, comprimindo bem as folhas. Se
estiverem secas, regue abundantemente,
para favorecer a decomposição.

•  Se não dispuser de uma quantidade


de folhas suficiente, guarde-as em sacos
de plástico e feche-os bem, para reter
a humidade. Após dois anos, os sacos
deverão conter um bom húmus.

188
14
Alimentar as plantas
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Estas couves foram cultivadas em parcelas adjacentes. Veja como a fertilização


do solo (à direita) pode ter uma grande influência nos resultados

As plantas alimentam-se através da absorção de determinadas


substâncias presentes no solo e, consequentemente, desenvolvem-se
melhor se este contiver os elementos adequados.

Quando é preciso na primavera e no verão) e não durante


adubar a terra? o período de repouso (outono e inverno).
Há exceções: por exemplo, a farinha de
Sobretudo nas hortas, quando culti- osso, que liberta lentamente as substân-
vamos, retiramos mais ao solo do que cias nutritivas, é normalmente utilizada
aquilo que lhe devolvemos. Sem corre- durante as plantações no outono.
ção, este empobrece rapidamente e, a
longo prazo, deixa de conter os nutrien-
tes necessários para assegurar o desen- A fertilização do solo
volvimento das plantas e boas colheitas.
Por isso, torna-se indispensável adicio- Para se desenvolverem de forma saudá-
nar ao solo adubos orgânicos ou inor- vel, as plantas necessitam de três ele-
gânicos. Os adubos químicos permitem mentos principais: o azoto, o fósforo e
obter resultados rápidos, embora alguns o potássio. Quase todos os terrenos pos-
adubos orgânicos estimulem igualmente suem quantidades apreciáveis destes
a atividade dos decompositores existen- elementos. As carências de azoto, fós-
tes no solo. foro e potássio são mais frequentes em
A quantidade de nutrientes de que as certos tipos de solo (veja o capítulo 12).
plantas necessitam é variável segundo as Por isso, para obter bons resultados é
espécies e a altura do ano. Basicamente, importante conhecer não só as necessi-
o solo deve ser adubado durante o perí- dades específicas das plantas mas tam-
odo de crescimento ativo (geralmente, bém a natureza do solo.

190
A
ALIMENTAR AS PLANTAS 14
•  Os terrenos “leves” (margosos ou areno- complementos de fósforo e de potássio e
sos) beneficiarão com doses de matérias as plantas podem precisar de um pouco
orgânicas grosseiras (estrume de quinta de cobre ou de boro para compensarem
bem decomposto, por exemplo) como as suas carências naturais.
fonte de azoto libertado lentamente. Efe-
tivamente, em terrenos permeáveis, o •  Os terrenos argilosos retêm bem os
azoto é facilmente arrastado pelas águas. nutrientes e beneficiam muito com a
melhoria da sua estrutura promovida
•  Ao contrário, os terrenos turfosos pela adição de grandes quantidades de
(raros no nosso país) necessitam de matérias orgânicas grosseiras.

Adubos orgânicos

O que pode encontrar? de potássio de origem vegetal. Os ter-


renos argilosos raramente têm falta de
Costuma-se fazer a distinção entre adu- potássio e, portanto, tal complemento
bos orgânicos e inorgânicos, apesar de não é necessário.
muitos adubos à venda serem uma mis-
tura dos dois. Adubos azotados
Os adubos orgânicos são constituídos por O azoto é o elemento que mais corrente-
detritos vegetais ou animais, enquanto mente necessita de ser incorporado ao
os inorgânicos derivam de minerais
naturais ou são fabricados a partir de
produtos químicos (neste caso, diz-se
que são adubos químicos). Medidas transitórias
Se já se deu conta de que a agricultura
Adubos equilibrados
convencional tem efeitos negativos no
Os adubos equilibrados contêm, na sua
ambiente, é provável que deseje mudar
composição, os três elementos mais a abordagem. No entanto, é conve-
importantes (azoto, fósforo e potássio, niente saber que a fertilização ecoló-
a que equivalem os símbolos N, P e K gica do solo não se faz de um dia para
nas embalagens) e podem ser utilizados o outro. Por isso, é melhor começar por
como adubação geral, na primavera. fabricar o composto, no outono, a partir
A farinha de sangue e de osso é normal- de restos de vegetais. Se não for pos-
mente utilizada como adubo polivalente, sível, também pode utilizar composto
vendido no comércio e completá-lo
apesar de conter pouco potássio, se o
com um adubo orgânico autorizado em
fabricante não o tiver adicionado.
agricultura biológica. Sempre é melhor
Verifique o teor do conteúdo NPK ins- do que continuar a utilizar, mesmo que
crito na embalagem: se o valor K for provisoriamente, adubos químicos.
inferior a 1, junte-lhe um complemento

191
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

solo, pois tem tendência para desapare- rapidamente. No entanto, é um produto


cer facilmente. Com efeito, quando se dispendioso, o que inviabiliza a sua uti-
encontra em forma solúvel e assimilável lização na totalidade do jardim. As fari-
pelas plantas, é rapidamente arrastado nhas de casco e de chifre agem mais len-
pelas águas. tamente e contêm, aproximadamente,
Os adubos azotados são particularmente 14 por cento de azoto.
úteis para estimular o desenvolvimento
das folhas e dos caules e para dar às Adubos fosfatados
folhas uma cor verde-escura. Utilize- O fósforo é essencial para o bom desen-
-os para dar um impulso às couves e volvimento das raízes das plantas e
a outros legumes de folha (durante o estimula a formação de frutos e de
período de crescimento) e também para sementes. A carência de fósforo nota-
estimular o crescimento do relvado e -se pela redução do crescimento, aspeto
torná-lo mais verde. frágil das folhas e frutificação medíocre.
A carência de azoto traduz-se em atraso A farinha de osso é uma boa fonte de
no desenvolvimento das plantas e em fósforo, que age lentamente. Por isso, é
folhas pálidas (cloróticas). Na falta de útil, sobretudo para as plantas vivazes,
azoto, as plantas não conseguem utili- para as plantas bolbosas e para os arbus-
zar plenamente o potássio e o fósforo, tos e árvores.
mesmo que estes elementos existam em O fosfato natural de cálcio é um adubo
grandes quantidades. fosfatado mineral, de origem natural,
As farinhas de sangue, de casco e de que pode ser utilizado em agricultura
chifre são boas fontes de azoto. A fari- biológica e que se encontra à venda no
nha de sangue liberta o respetivo azoto nosso país.

Orgânico ou não?
•• Orgânico melhoria da estrutura e na fertilidade
Podem ser considerados fertilizantes do solo.
orgânicos o estrume animal, o composto,
os extratos vegetais e os adubos comer- •• Fertilizantes minerais naturais
ciais de origem orgânica, como, por exem- Estes fertilizantes são utilizados tal como
plo, os resíduos de matadouros. se encontram na natureza (quer dizer, sem
Mas atenção: o facto de um fertilizante nenhum tratamento químico), como com-
ser de tipo orgânico não significa que não plementos da adubação orgânica. Podem
possa causar problemas! É o caso, por ser:
exemplo, do excesso de chorume, que –– substâncias pouco nutritivas, mas com
é vulgarmente utilizado na agricultura efeito sobre o solo (por exemplo, o pó
convencional. de basalto e a lava);
–– substâncias que compensam certas
•• Fertilizantes minerais sintéticos carências, mas suportam mal serem
Os fertilizantes químicos de síntese não cobertas com um fertilizante orgânico
são utilizados na agricultura biológica, (por exemplo, o pó de lava);
pois a sua ação é demasiado restrita: –– corretivos calcários, que têm ação
fornecem alguns nutrientes às plantas, sobre o pH (por exemplo, a cal de algas
mas não têm nenhuma influência na marinhas ou o calcário simples).

192
A
ALIMENTAR AS PLANTAS 14
CONCENTRAÇÃO MÉDIA DE SUBSTÂNCIAS NUTRITIVAS
NOS ADUBOS ORGÂNICOS (%)
N P K Observações
Ação lenta; numerosos
Algas marinhas 0,5 0,1 1,2
oligoelementos
Estrume de aves Ação rápida e de longa duração;
4 3 1,5
concentrado pode queimar as plantas
Estrume de vaca
1-1,5 0,4 0,5-10 Ação lenta; oligoelementos
concentrado
Ação lenta; utilizar,
Farinha de casco
14 2-3 0 de preferência, como adubação
e de chifre
de fundo
Ação lenta; utilização máxima
Farinha de osso 1,5-6 15-30 0 no momento da plantação
de árvores e arbustos
Ação rápida; produto a espalhar
Farinha de sangue 10-14 vestígios 0 nos legumes e relvado;
evitar doses elevadas
Farinha de sangue, Ação rápida,
10 5 0
de chifre e de osso se for finamente moído
Guano de aves marinhas 14 11 3 Ação rápida; muito concentrado

Complementos minerais química do solo impede as plantas de os


Os complementos minerais proporcio- assimilar, mesmo estando presentes.
nam outros elementos necessários, mas Alguns minerais podem ser incorpo-
em quantidades nitidamente inferiores rados no solo sob forma de quelatos;
às dos três elementos mais importantes. assim, são assimiláveis para as plantas,
Por exemplo, o ferro, que é necessário mesmo em solos desfavoráveis.
em muito pequenas quantidades (oligo- Os adubos foliares também permitem
elemento), e o magnésio (macronu- compensar as carências de oligoelemen-
triente secundário). São particularmente tos; por isso, utiliza-se por vezes sulfato
necessários no caso de solos problemáti- de magnésio (sal de Epsom) para com-
cos, tais como solos margosos, cujo pH é pensar a carência de magnésio (para
demasiado elevado e onde a composição mais detalhes, veja a página 197).

Determinar a dose correta de adubo

Aplicação de adubo em que as plantas se encontram em


repouso (fim de outono ou inverno).
O estrume de quinta e o composto Estes produtos fornecem um comple-
devem ser adicionados ao solo na altura mento aos nutrientes já presentes, são

193
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

uma fonte de húmus e melhoram o plantas envasadas. No caso das plantas


estado do solo. Também podem ser uti- de jardim, é preferível dispor de um solo
lizados adubos mais concentrados como com boa composição e que seja fértil
adubação de fundo em plantações ou desde o início do que ter de o corrigir,
sementeiras (geralmente na primavera). mais tarde, com adubos líquidos que
Espalhe o adubo no solo (respeitando não garantem efeitos duráveis.
a dose recomendada) e raspe com o Alguns destes adubos são feitos à base
ancinho ou sache ligeiramente, para o de produtos orgânicos naturais, como o
enterrar. estrume de quinta ou as algas marinhas.
A adubação de cobertura faz-se durante Os adubos líquidos à base de estrume
o período de crescimento (primavera ou de quinta ou de algas marinhas contêm
verão); espalhe uniformemente o adubo oligoelementos e podem ser utilizados
no solo (e não unicamente ao pé das como adubos foliares, para compensar
plantas) e enterre sachando. carências em micronutrientes, como,
por exemplo, o manganês.
Adubos líquidos Pode fabricar o adubo líquido utilizando
Os adubos líquidos podem servir para um saco de serapilheira meio cheio de
remediar certas carências, pois for- estrume animal e deixando-o de molho
necem nutrientes de assimilação ime- durante cerca de duas semanas num
diata. São utilizados, sobretudo, para as barril com água, como se se tratasse de

ADUBOS PARA ÁRVORES E ARBUSTOS DE FRUTO


Farinha Potássio orgânico
de sangue e osso (bagaço de beterraba)
Ameixeira 150 g/m2 –
Amoreira 150 g/m2 –
Cerejeira 150 g/m2 –
Damasqueiro 150 g/m2 –
Figueira 150 g/m2 –
Framboeseira 150 g/m2 50-100 g/m2
Groselheira-de-cachos-brancos 150 g/m2 –
Groselheira-de-cachos-vermelhos 150 g/m2 –
Groselheira-de-cachos 150 g/m2 –
Groselheira-negra 150 g/m2 + 150 g/m2 (*) –
Macieira 150 g/m2 –
Mirtilo 150 g/m2 –
Morangueiro 150 g/m2 50-100 g/m2
Nogueira 150 g/m2 –
Pereira 150 g/m2 –
Pessegueiro 150 g/m2 –
As doses indicadas são válidas para uma adubação anual na primavera.
(*) Adubação de cobertura, no início do verão.

194
A
ALIMENTAR AS PLANTAS 14
ADUBOS ORGÂNICOS PARA LEGUMES
No quadro encontram-se os legumes que melhor proveito tiram de uma adubação rica em azoto. Escolha uma
das adubações de fundo. Espalhe uniformemente o produto e incorpore-o a 10-15 centímetros de profundidade,
com um ancinho. O ideal é fazê-lo 10-14 dias antes da plantação. Assim que o crescimento estiver na fase ativa,
deve voltar a pôr azoto, por meio de uma das duas adubações de cobertura (a farinha de chifre não é adequada,
a não ser que seja finamente moída). O quadro indica as quantidades totais: divida-as pelo número de adubações
(geralmente duas ou três), para saber a quantidade necessária para cada dose. Não ponha o adubo a menos de
5-7 centímetros dos pés das plantas e raspe ou sache levemente. Regue, se não chover.
Adubação de fundo (1) Adubação de cobertura (2)
Ou farinha
Adubo composto (3) Farinha de sangue Ou farinha de chifre
de sangue (4)
Alface 100 g/m2 25 g/m2 75-100 g/m2 75 g/m2
Alho-francês 100-140 g/m2 35 g/m2 75-100 g/m2 75 g/m2
Beterraba 100-200 g/m2 50 g/m2 90-140 g/m2 90 g/m2
Brócolos (inverno) 100 g/m2 25 g/m2 70-115 g/m2 115 g/m2
Brócolos 100 g/m2 25 g/m2 70-117 g/m2 115 g/m2
Cebola (inverno) (5) 100-360 g/m2 90 g/m2 120-160 g/m2 120 g/m2
Couve-de-bruxelas 100-200 g/m2 50 g/m2 115-170 g/m2 115 g/m2
Couve-flor 100 g/m2 25 g/m2 70-115 g/m2 115 g/m2
Couve-frisada (5) 100 g/m2 25 g/m2 70-115 g/m2 115 g/m2
Couve-repolho
100-200 g/m2 50 g/m2 115-170 g/m2 115 g/m2
(verão e inverno) (5)
Espinafre 100 g/m2 25 g/m2 50-70 g/m2 50 g/m2
(1) Números aproximados. O teor em azoto de um produto orgânico varia, de modo que não é possível dar

números precisos.
(2) Quantidades totais: divida pelo número de adubações de cobertura, para saber a quantidade para cada dose.
(3) Geralmente, contém farinha de sangue, de chifre e de osso.
(4) Junte 35 gramas de farinha de osso e 50 gramas de potássio, para uma fertilização equilibrada.
(5) Faça uma adubação de cobertura em fevereiro no caso de plantas que passaram o inverno na terra.

um grande saco de chá. Não sabendo o


preciso valor nutritivo da preparação,
Adubos para plantas envasadas
é melhor fazer algumas experiências
de diluição. Também pode substituir o Antes da plantação, adicione um pouco de
estrume de quinta por plantas como a adubo de ação lenta (por exemplo, farinha de
consolda, cujas folhas são muito ricas sangue e de osso) por cada balde de terra. Em
em nutrientes (veja a seguir). princípio, chega para uma estação, mas talvez
seja preciso adicionar adubo líquido no final do
Adubo caseiro verão, se as plantas apresentarem carências.
As folhas da consolda decompõem-se Outra hipótese é, em vez de fazer uma adu-
bação de fundo, ir adicionando regularmente
muito rapidamente e podem ser utili-
adubo (líquido). Comece quatro ou seis sema-
zadas como adubo de ação rápida, para
nas após a plantação e continue até ao final de
adubação de cobertura, em volta dos agosto, no caso de plantas vivazes, e até ao
pés dos feijões, cebolas, batatas, tomate final da estação, no caso de plantas anuais.
e árvores de fruto. A consolda-da-rússia,

195
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

ADUBOS PARA PLANTAS ORNAMENTAIS deixada a murchar durante uma noite,


Adubação Adubação contém 0,75% de azoto, 0,75% de fós-
de fundo de cobertura foro e 1,2% de potássio. Apesar de as
Adubo orgânico (1) Adubo orgânico (1)
substâncias alimentares da planta serem
Árvores/arbustos 100-200 g/m2 100 g/m2 (2) equilibradas, deve aplicar uma camada
Plantas bolbosas (3) (3)
de 10-15 centímetros de espessura para
Plantas de maciços
100-150 g/m2 –
obter um bom resultado. Pode enter-
(canteiros densos) rar as folhas, depositá-las nos regos das
Plantas de solos batatas ou aplicá-las como cobertura
– –
rochosos
do solo.
Plantas vivazes 100-150 g/m2 70-140 g/m2 (4)
Para fabricar um adubo líquido, colo-
Relva 140 g/m2 100-150 g/m2 (5) que folhas recém-colhidas num barril
Roseiras 200-300 g/m2 200-300 g/m2 (6) de plástico equipado com uma pequena
Não se esqueça do que é realmente ecológico: escolha torneira na base. Encha com água,
plantas adaptadas ao tipo de solo e que, por isso, não cubra e deixe macerar durante, aproxi-
necessitem de adubação de cobertura. Exceto indicação madamente, nove semanas. Obterá um
contrária, os números correspondem a solos de fertilidade líquido negro e espesso, que se utiliza
média.
(1) Geralmente, contém farinha de sangue, de chifre e de osso. como adubo após diluição. Após ter
(2) Solo pobre. Nos dois ou três primeiros anos, ponha o adubo recolhido todo o líquido, utilize o depó-
em fevereiro ou março. sito sólido como composto.
(3) Ponha um adubo rico em potássio (como sulfato de
Cultive a consolda num local soalheiro,
potássio) no momento da plantação.
(4) Ponha o adubo em março. Pode pôr uma segunda dose num canteiro separado, para que
após o corte das primeiras flores, para estimular a nova esta não prive as restantes plantas de
floração. Não ponha o adubo depois de julho. nutrientes e água. A planta continua a
(5) Ponha o adubo em abril ou divida em duas partes: uma em
desenvolver-se, mesmo após lhe terem
abril e o resto em julho.
(6) Quantidade total, a dividir por duas doses: uma na sido cortadas as folhas (permite até
primavera e o resto em julho. cinco colheitas por ano).

Carências nutricionais

Como reconhecer? nervuras e morrem rapidamente. Adi-


cione farinha de sangue.
Nem sempre é fácil identificar as carên-
cias, mas existem alguns indícios que o Boro
podem ajudar. Os pontos de crescimento morrem. Os
caules e as raízes escurecem no interior.
Azoto As plantas ficam secas e quebradiças. O
Plantas amarelo-esverdeadas, cresci- excesso de boro pode causar problemas
mento lento. As folhas antigas tornam- semelhantes. Adicione pó de algas mari-
-se amarelo-avermelhadas ao longo das nhas antes da próxima cultura.

196
A
ALIMENTAR AS PLANTAS 14
Cálcio Fósforo
Amarelecimento geral; as folhas jovens Algumas plantas não apresentam sin-
deixam de crescer e podem morrer. tomas, mas, em geral, o crescimento é
Os pontos de crescimento são afetados lento e as folhas da base podem ficar de
e o desenvolvimento das raízes é fraco. cor violeta. As folhas mais antigas podem
Melhore o solo com estrume de quinta. morrer rapidamente. Adicione farinha de
osso ou fosfatos naturais em solos ácidos.
Ferro
As folhas jovens amarelecem, mas as Magnésio
nervuras mantêm-se verdes. A ponta e Rebordos das folhas verde-pálidos ou
o rebordo das folhas ficam ruços. Nos amarelados. As extremidades dos reben-
casos mais graves, os pontos de cresci- tos e as nervuras das folhas velhas man-
mento morrem. Esta carência verifica- têm-se verdes. As folhas morrem rapida-
-se, sobretudo, nos solos alcalinos. Adi- mente. Pulverize com uma solução de
cione quelatos de ferro. sulfato de magnésio.

Boro

Ferro

Cálcio

Manganês
Magnésio

Azoto Molibdénio

Potássio

Fósforo

197
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Manganês O que fazer a longo prazo?


Sintomas variáveis. Geralmente, o cres-
cimento abranda e as folhas amarelecem As carências do solo só podem ser deter-
entre as nervuras. A morte dos tecidos minadas mandando analisar o terreno,
causa pequenas manchas nas folhas. Uti- pois os sintomas variam bastante de
lize adubo líquido à base de algas mari- uma planta para outra.
nhas ou de estrume de quinta.
•  Se chegar à conclusão de que o cres-
Molibdénio cimento das plantas é fraco, é muito
Sintomas variáveis. Abrandamento do provável que o terreno seja demasiado
crescimento. As folhas ficam com man- ácido ou demasiado alcalino. A análise
chas e/ou deformadas, quase lineares. do pH poderá dar-lhe a confirmação.
Utilize um adubo líquido à base de algas
marinhas ou de estrume de quinta. •  Se o solo contiver muitas matérias
orgânicas, as carências nutricionais gra-
Potássio ves são raras e, nesse caso, é bastante
Sintomas variáveis. As plantas ficam provável que o desenvolvimento defi-
azul-esverdeadas e o crescimento é ciente das plantas tenha outras causas
lento, os rebordos e as nervuras das (pragas, doenças, seca, etc.).
folhas antigas ficam ruços. As folhas
cobrem-se de manchas castanhas. Adi-
cione potássio orgânico ou sulfato de
potássio de origem natural.

198
15
Comprar plantas sãs
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Se deseja renunciar aos produtos químicos, é indispensável comprar


plantas vigorosas e sãs. Os conselhos que damos neste capítulo
ajudá-lo-ão a escolher os melhores exemplares e a não introduzir
pragas ou doenças na sua horta ou no seu jardim.

As plantas criadas em vasos passam, Irrigação


muitas vezes, mais de um ano nas casas Com tempo quente e ventoso, as plantas
de jardinagem. Por isso, estas últimas em (pequenos) vasos secam em poucas
têm o cuidado de as encomendarem horas. A maioria das casas de jardina-
em vasos suficientemente grandes para gem possui um sistema de irrigação
assegurar a continuação do crescimento. automática, mas isso também pode ter
Este facto não constitui problema, desde inconvenientes. Os sistemas de irriga-
que as raízes não se encontrem asfixia- ção capilar são eficazes, mas a sua ação
das e que as plantas estejam bem cuida- é interrompida quando um cliente pega
das. No entanto, as precauções variam numa planta para a observar. A irriga-
de loja para loja… ção manual complementar durante o
verão é, muitas vezes, necessária. Por-
tanto, é um bom sinal ver os emprega-
Inspeção da casa dos a regar.
de jardinagem
Proteção das plantas
Acondicionamento O facto de uma casa de jardinagem ter
As plantas criadas em vasos devem ser em conta as exigências específicas de
colocadas sobre uma superfície com boa cada planta também constitui um aspeto
drenagem (gravilha, areia ou ripas, por positivo. Assim, plantas que prefiram
exemplo). Se estiverem num local onde locais à meia-sombra, como os fetos ou
a água tende a estagnar (como acontece os áceres-do-japão, devem estar sob uma
com as caixas de plástico impermeável, rede sombreadora ou outra proteção,
por exemplo), as raízes podem apo- para evitar que as folhas fiquem ruças.
drecer. Em caso de dúvida, desenvase Se visitar uma casa de jardinagem ao
cuidadosamente algumas plantas e ar livre, verifique também se as plantas
inspecione-as. estão protegidas por um corta-vento.

200
A
COMPRAR PLANTAS SÃS 15
Estes limitam os riscos de danos nas Os danos sofridos pelas plantas de folhas
folhas e de desidratação das plantas. persistentes durante o inverno só se revelam,
por vezes, no início do verão

Cuidados de inverno
Durante o inverno, as plantas criadas
em vasos no exterior devem ser coloca-
das perto umas das outras.
As plantas de folhas persistentes devem
ser protegidas do vento; caso contrá-
rio, se fizer muito frio, as raízes podem
morrer. Também pode acontecer que
plantas aparentemente sãs até abril/
/maio morram bruscamente. Se com-
prar plantas de folhas persistentes após
um inverno rigoroso, verifique sempre
as raízes: se estiverem vivas, a sua cor
será branca a castanho-clara; se estive-
rem mortas, serão negras ou acinzenta-
das e com bolores.

Inspeção das plantas


Os pontos seguintes são válidos para
todas as plantas. Nas páginas 204 e 205
encontrará conselhos específicos para as
diferentes categorias.

Rotulagem
A etiqueta permite saber há quanto
tempo a planta se encontra na loja. Se
estiver descolorada e quase ilegível,
quer dizer que a planta está lá há muito
tempo, com todos os riscos que isso com-
porta: asfixia das raízes e deperecimento,
exceto se a planta tiver sido bem cuidada.
O cipreste maior encontrava-se
num vaso demasiado pequeno
Reenvasadas ou nos
vasos de origem?
Se a planta “flutua” no vaso quando ou no verão, pois, no momento da
se exerce uma pequena pressão e se a plantação, a terra pode soltar-se, o que
superfície da terra parece fresca, quer compromete a sobrevivência da planta.
dizer que foi recentemente envasada. Quando algumas raízes escapam pelo
Normalmente, é o caso das roseiras e fundo do vaso e há um pouco de musgo
dos arbustos frutíferos. Não compre à superfície, isso significa que é uma
plantas nestas condições na primavera planta criada no vaso de origem.

201
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Ervas daninhas arbustivas, as plantas herbáceas vivazes


Algumas ervas daninhas na terra do e as plantas de rochedos, não faz mal
vaso não causam grandes problemas. No que as raízes estejam densas, desde que
entanto, tal como uma etiqueta descolo- a parte aérea esteja sã, pois não terão
rada, a presença de muitas ervas dani- tendência para crescer em círculo. Inspe-
nhas é um sinal claro de negligência. cione este tipo de planta, para verificar a
eventual presença de larvas brancas, com
Raízes cabeça castanha e cerca de um centíme-
•  Como primeiro teste, levante a planta. tro de comprimento; se for o caso, renun-
Se as raízes que escapam pelo fundo cie à compra, pois trata-se de larvas de
do vaso lhe dificultarem a tarefa, não a um gorgulho muito difícil de combater.
compre, pois quer dizer que a planta se
encontra num vaso demasiado pequeno. Plantas sãs?
•  Evite as plantas mal alimentadas,
•  O segundo teste consiste em desenva- cujos principais indícios são folhas
sar cuidadosamente a planta. As raízes demasiado pequenas ou pálidas e com
devem formar um conjunto homogéneo, crescimento deficiente ou lento. Isto é
ainda rodeado por terra, para permitir o válido, sobretudo, para as árvores e os
desenvolvimento suplementar. arbustos (frutíferos) que ficam dema-
siado tempo no mesmo vaso.
•  Evite as plantas que têm raízes com-
pactadas, sobretudo se estas começaram •  Também convém estar atento às doen-
a desenvolver-se em círculo ao longo da ças e pragas, especialmente aos pulgões
parede do vaso. Este ponto é crucial no e às moscas-brancas. Inspecione bem as
que diz respeito às árvores e aos arbus- extremidades dos rebentos e a face infe-
tos (frutíferos), pois, após a plantação, as rior de algumas folhas jovens.
raízes continuarão a desenvolver-se em
círculos e as plantas nunca se restabele- •  A hera e certas coníferas são sensíveis
cerão totalmente. ao aranhiço-vermelho. Verifique se não
existem manchas castanhas nas folhas e
•  No caso de plantas de raízes fibrosas, teias muito finas.
como as azáleas, os tojos, as verónicas
•  As plantas também podem ser atin-
gidas pelo míldio: verifique se as folhas
se encontram cobertas por um depósito
branco. Esteja bem atento, pois este
depósito pode ser resíduo de um trata-
mento com fungicidas ou restos de sal
devido a uma rega feita de cima.

•  A ferrugem provoca manchas cor de


laranja nos ramos moribundos ou mortos

Evite as plantas cujas folhas estejam


descoloradas ou manchadas

202
A
COMPRAR PLANTAS SÃS 15
das árvores (de fruto). Não é grave (desde
que não se estenda ao tronco), pois os
ramos atingidos podem ser cortados. No
entanto, constitui um sinal de negligên-
cia ou de poda mal feita.

Que formato?
De certeza que está interessado em
comprar plantas vigorosas e folhosas,
mas isso não é indispensável no caso de
algumas variedades.

•  Assim, a maioria dos arbustos de


folhas caducas forma rapidamente novos
rebentos, que compensam a assimetria Em cima
O preço não é,
da juventude. O mesmo se pode dizer necessariamente, um
das herbáceas vivazes e das plantas de critério de qualidade.
rochedos, com exceção das que formam Apesar de ser melhor,
tapetes (como as saxífragas), que podem a planta da direita foi
mais barata
continuar a crescer irregularmente se
provierem de exemplares assimétricos. À esquerda
Estes dois exemplares
•  Alguns arbustos (pelo menos nos são aceitáveis, pois
trata-se de plantas de
primeiros anos), para obter um bom crescimento rápido
formato, dependem da densidade e do
equilíbrio do exemplar comprado. É o
caso do Elaeagnus (oliveira-da-boémia),
do Viburnum (folhado) e de todos os Plantas grandes ou pequenas?
arbustos de desenvolvimento lento. •  No caso das árvores, dos arbustos e
das coníferas, os exemplares pequenos
•  Um formato equilibrado também implantam-se mais rapidamente do
é importante no caso das árvores de que os grandes e acabam mesmo por os
fruto e dos arbustos frutíferos. Apesar ultrapassar ao fim de alguns anos. Além
de poder compensar o desequilíbrio na disso, são menos dispendiosos.
altura da poda, isso pode significar mais
um ano de espera antes de obter frutos… •  Se tiver possibilidades de escolher,
e preferir dispor logo de um exemplar
•  A maioria das árvores tende a formar maior, inspecione cuidadosamente o
um único tronco direito; por isso, veri- vaso. Não compre o maior, se não se
fique se o rebento principal é vigoroso. encontrar num vaso de acordo com o
Existem exceções: a macieira-de-flores seu tamanho ou apresentar sinais de
(Malus), o pilriteiro (Crataegus) e o Salix asfixia das raízes.
Matsudana “tortuoso”, que têm uma
coroa folhosa enquanto jovens, de forma •  No que diz respeito às plantas herbá-
que a ausência de um rebento principal ceas, os exemplares maiores são conve-
vigoroso não tem nenhuma importância. nientes, pois poderá dividi-los antes da

203
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

As plantas criadas em túneis de plástico podem


ser especialmente sensíveis às condições
invernais, às pragas e às doenças

•  Verifique se o ponto de enxerto se


encontra uniformemente coberto de
casca. Se parecer fraco ou se a casca
tiver fissuras, a árvore corre o risco de
se quebrar ou deixar penetrar facil-
mente germes e doenças.

•  Verifique também se não há reben-


tos vigorosos por baixo do ponto de
enxerto, pois nesse caso o porta-enxer-
tos poderá suplantar o enxerto.
transplantação, obtendo assim várias
plantas mais pequenas. Plantas resistentes
No final do verão e na primavera, seja
Plantas enxertadas prudente com as plantas que ainda têm
Todas as árvores de fruto e alguns muita verdura fresca e cujas folhas se
arbustos e árvores ornamentais são encontram geralmente mais espaçadas
enxertados num porta-enxertos de outra do que é normal ao longo do caule. Tais
espécie. O ponto do enxerto forma uma plantas podem ter sido colocadas à força
bossa, geralmente na base do tronco, e, dentro de túneis de plástico e, nesse
por vezes, na extremidade (no caso das caso, serão sensíveis ao frio, às pragas e
plantas ornamentais). às doenças.

COMPRAR PLANTAS SAUDÁVEIS: REGRAS BÁSICAS, POR CATEGORIA


Procure Evite Época ideal para a compra
Plantas com folhagem sã. Não Início de outono ou em
se inquiete se houver uma qualquer altura, desde que as
Plantas de folhas amareladas
Arbustos de ligeira assimetria ou pouca plantas sejam bem regadas
ou descoloradas e raízes
folha caduca densidade na folhagem, exceto durante o tempo seco e que o
debilitadas
no caso das variedades de solo não apanhe muita geada
crescimento lento nem esteja encharcado
Plantas de folhas amareladas
Plantas de folhagem sã, ou descoloradas ou com
Abril-maio (sobretudo nas
Arbustos simétrica, com ramificações manchas castanhas (estragos
regiões frias ou onde o terreno
de folha equilibradas e bem espaçadas, causados pelo vento).
seja “pesado”) ou setembro-
persistente e raízes sãs (brancas ou Plantas com raízes mortas
-outubro
castanho-claras) ou agonizantes (cinzentas ou
negras)
Plantas com caules grossos
Arbustos
e boas raízes. No caso da
frutíferos Plantas com caules fendidos e Outono, plantas com raízes
framboeseira-de-verão,
com débeis, com a casca manchada nuas
é garantia de estar isenta
sarmentos
de vírus

204
A
COMPRAR PLANTAS SÃS 15
COMPRAR PLANTAS SAUDÁVEIS: REGRAS BÁSICAS, POR CATEGORIA
Procure Evite Época ideal para a compra
Plantas com ramos simétricos Plantas de folhagem amarela ou
e bem espaçados, com um descolorada ou com manchas
caule principal sólido (exceto castanhas. Exemplares Setembro-outubro ou
Árvores se a árvore tiver, por natureza, demasiado grandes para o primavera-verão, se forem
uma coroa densa – veja as vaso. Exemplares de grande bem regadas
duas páginas precedentes). envergadura (a não ser que
Plantas jovens e vigorosas possa cuidar bem deles)
Árvores cujos ramos formem
Árvores com um ou dois um ângulo agudo com o tronco.
Árvores ramos vigorosos repartidos Árvores débeis, malformadas ou Outono ou inverno, para
de fruto regularmente e um ponto com a casca danificada. Árvores coincidir com a poda
de enxerto sólido excessivamente grandes para o
vaso em que se encontram
Plantas de folhas amarelas
Plantas jovens e vigorosas,
ou descoloradas, folhagem
bem formadas e com folhagem
rara ou com manchas Abril-maio (sobretudo nas
até ao solo. No caso das
castanhas. Plantas demasiado regiões frias ou onde o terreno
Coníferas coníferas verticais, a existência
grandes para o vaso em que seja “pesado”) ou setembro-
de um rebento principal mais
se encontram. Rebentos -outubro
vigoroso é importante, mas é
excessivamente vigorosos,
mau sinal nas outras
no caso das coníferas anãs
Plantas de folhas azuladas ou
Plantas jovens, suficientemente avermelhadas (estragos devidos
espaçadas ou em vasos à geada ou a carências nutritivas). Início da primavera, para os
individuais, de folhas verdes Plantas demasiado grandes para legumes resistentes à geada;
Legumes
e sãs (folhagem densa, o vaso em que se encontram ou maio-junho, para os legumes
no caso de tomate, pimentos muito desenvolvidas. Todas as tenros
e beringelas) couves (risco de terem hérnia-
da-couve)
Normalmente, após as geadas.
Plantas de folhas pálidas
Plantas bem espaçadas, em Em março-abril, no caso das
Plantas ou descoloradas. Plantas
faixas, com folhagem fresca variedades resistentes à
de maciços excessivamente grandes ou
e sã geada, como as bocas-de-lobo
que floresçam prematuramente
(antitirrinos)
Plantas grandes que Plantas de aspeto
Março-maio: nessa altura,
possam ser divididas; para enfraquecido, com folhagem
Plantas costuma haver maiores
revestimento, escolha plantas amarela ou descolorada, ou
de rochedos possibilidades de escolha
de forma equilibrada, como as desfolhadas no centro. Plantas
nas casas de jardinagem
saxífragas em vasos com ervas daninhas
Abril-maio, altura em que
Plantas com folhas amarelas
Plantas Plantas grandes que possam a escolha nas casas de
ou cujo vaso contenha ervas
herbáceas ser divididas jardinagem costuma ser mais
daninhas
diversificada
Plantas em crescimento,
Plantas com caules partidos Início da primavera ou, em
de aspeto saudável (ou
ou danificados (verificar o pé) qualquer altura, em casa de
Plantas rebentos grandes que não
ou com folhas deformadas jardinagem onde as plantas
trepadeiras tenham folhas). Plantas não
(míldio). Pulgões na não corram o risco de se
embaraçadas, ligadas a um
extremidade dos rebentos embaraçarem umas nas outras
caule. Glicínias enxertadas
Plantas com três ou quatro
Plantas de caules danificados
raízes principais com, pelo
e casca enrugada. Plantas não
menos, dez centímetros de Outono, plantas
Roseiras criadas em vasos. Também é
comprimento e dois caules com raízes nuas
arriscado comprar exemplares
sólidos. Plantas com um bom
pré-embalados
ponto de enxerto

205
16
Plantas
sem problemas
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Arbusto frutífero sem vírus

Cotoneaster × watereri

Como vimos, tudo será mais


fácil se tiver o cuidado de
escolher plantas adaptadas às
características da sua horta ou
do seu jardim e que não tenham
sido atacadas por quaisquer
pragas ou doenças.
Nos quadros que se seguem A hemerocale, planta resistente
poderá encontrar diversas e com muitas flores

plantas e árvores e diversos


arbustos que se adaptam bem
aos diferentes tipos de solo
e que resistem bem à geada.
No calendário, encontrará as
diferentes variedades, bem
como a respetiva época para
as semear, plantar e colher.

Os híbridos F1 são mais resistentes

208
A
PLANTAS SEM PROBLEMAS 16
PLANTAS HERBÁCEAS VIVAZES
Cor e época Exposição Altura
Nome Solos Observações
de floração solar (*) (cm)
Folhas largas e
Acanthus mollis Branca ou violeta,
Quase todos 90 recortadas; flores de
“Latifolius” jul.-set.
corte
Folhas cinzento-
Achillea taygetea Amarelo-clara,
Quase todos 60 -prateadas; conveniente
“Moonshine” jun.-set.
para secar
Rosa ou branca, Silvestre; conveniente
Anemone nemorosa Quase todos 20
mar.-mai. como planta de fundo
Aquilegia vulgaris Variável, mai.-jun. Quase todos 40-80 Cachos florais atrativos
Planta de rochedos; atrai
Aster alpinus Variável, mai.-jun. Secos 20-25
as abelhas
Atrai as abelhas; resiste
Aster amellus Variável, jul.-out. Quase todos 50-60
bem ao míldio
Muito florífera; resiste
Aster dumosus Variável, set.-nov. Todos 25-40
bem ao míldio
Aster Muito florífera; longa
Variável, ago.-out. Quase todos 90-150
novae-angliae floração no outono
Muito florífera; flores
Aster novi-belgii Variável, set.-out. Quase todos 90-125
boas para cortar
Astilbe chinensis Rosa ou violeta, Longa floração;
Húmidos 450
“Pumila” jul.-ago. folhagem decorativa
Verde, branca ou rosa,
Astrantia major Todos 60 Flores boas para cortar
jun.-jul.
Plantas vigorosas;
Bergenia cordifolia Rosa, mar.-abr. Todos 45
folhagem decorativa
Como os miosótis, mas
Brunnera macrophylla Azul, abr.-jun. Todos 40
mais resistente
Azul-violeta, Caules florais vigorosos;
Campanula lactiflora Quase todos 80-150
jun.-ago. não precisa de tutores
Chrysanthemum
maximum Branca, jun.-jul. Todos 70 Grandes flores brancas
“Esther Read”
Chrysanthemum Amarela, rosa ou
Quase todos 80 Muito florífera
rubellum vermelha, ago.-out.
Conveniente como
Convallaria majalis Branca, mai.-jun. Húmidos 15-25 fundo; flores muito
odoríferas
Coreopsis verticillata Amarelo-dourada, Muito florífera;
Todos 60
“Grandiflora” jun.-set. fácil de cultivar
Delphinium belladonna Azul e branca, Floração longa;
Quase todos 70-160
hybrides jun.-set. resistente às doenças
Muito florífera;
Delphinium
Variável, jun.-set. Quase todos 130-150 resistente ao míldio;
pacific hybrides
flores para cortar
Conveniente como
Gama de cores,
Dianthus deltoides Ácidos 15-30 planta de rochedos; atrai
jun.-set.
as borboletas
Muito florífera; flores
Dianthus plumarius Variável, mai.-jun. Quase todos 10-25
de aroma agradável
(*)
Em pleno sol
A meia-sombra ou ao sol durante metade do dia
Sem incidência direta da luz do sol,
mas não totalmente à sombra 209
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

PLANTAS HERBÁCEAS VIVAZES


Cor e época Exposição Altura
Nome Solos Observações
de floração solar (*) (cm)
Bianual; as sementes
Digitalis purpurea Variável, jun.-set. Quase todos 90-150 disseminam-se
facilmente
Floração temporã e
Doronicum orientale Amarela, abr.-mai. Quase todos 30-50 longa; flores boas para
cortar
Semelhantes aos
Erigeron (híbridas) Variável, jun.-set. Quase todos 60-70 ásteres, muito florífera;
flores boas para cortar
Floração longa;
Eryngium planum Azul-violeta, jun.-ago. Secos 100 conveniente como flor
para cortar e secar
Muito florífera;
Geranium “Johnson’s
Azul-viva, mai.-ago. Todos 30 crescimento rápido; boa
blue”
planta rasteira
Geranium endressii Flores duplas; muito
Rosa-pálida, jul.-ago. Todos 30
“Wargrave pink” florífera
Vermelho-violeta, Flores duplas; muito
Geranium sanguineum Todos 30
mai.-set. florífera
Gerum chiloense Muito florífera; flores
Amarelo-viva, jun.-set. Todos 40-60
“Lady Stratheden” para cortar
Gerum chiloense Vermelho-viva, Muito florífera; flores
Todos 40-60
“Mrs. Bradshaw” jun.-set. para cortar
Atrai as abelhas e as
Branco-rosada,
Gypsophila paniculata Secos 100 borboletas; flores boas
jul.-ago.
para secar
Branca ou rosa, Rasteira; conveniente
Gypsophila repens Secos 10-25
mai.-jun. para jardins rochosos
Flores persistentes,
Verde-violeta, floração temporã;
Helleborus foetidus Húmidos 50
mar.-mai. conveniente como
fundo
Floração temporã;
Helleborus viridis Verde, fev.-mar. Húmidos 25 conveniente como
fundo
Híbridas muito floríferas;
Grande variedade, flores amarelas,
Hemerocallis Húmidos 60-80
jul.-ago. vermelhas, rosas e
violetas, boas para cortar
Branca ou lilás, Vigorosa; conveniente
Hosta fortunei Húmidos 50-70
jul.-ago. como fundo
Floresce na primavera e,
Grande variedade, por vezes, produz uma
Iris germanica Secos 60-100
mai.-jun. nova floração no fim da
estação
Branca ou azul, Floresce na primavera;
Iris sibirica Húmidos 80-100
jun.-jul. conveniente como fundo
Vigorosa, resistente
Lavandula angustifolia Lilás-malva, jun.-ago. Secos 30-60
ao gelo
Folhagem decorativa
Branco-amarelada, e flores em grandes
Macleaya cordata Todos 200
jul.-ago. cachos; pode tornar-se
invasora

210
A
PLANTAS SEM PROBLEMAS 16
PLANTAS HERBÁCEAS VIVAZES
Cor e época Exposição Altura
Nome Solos Observações
de floração solar (*) (cm)
Grandes flores
Rosa ou violeta, ornamentais; as
Malva alcea Quase todos 80-120
jun.-ago. sementes disseminam-
-se facilmente
Miscanthus Gramínea ornamental,
Branca, ago. Todos 100-200
sacchariflorus não invasora
Grande gramínea
Miscanthus sinensis
Não floresce Todos 200-300 ornamental; resistente
“Giganteus”
ao gelo
Folhas longas, com
Miscanthus sinensis
Não floresce Todos 120 estrias transversais e
“Strictus”
faixas amarelas
Paeonia lactiflora Flores de aroma
“Duchesse Branco-creme, jun.-jul. Argilosos 80-100 agradável; exige um solo
de Nemours” fértil
Planta fácil de cultivar e
Phlox paniculata Variável, ago.-set. Quase todos 70-100
de aroma intenso
Rasteira; conveniente
Phlox subulata Variável, mai.-jun. Quase todos 10-25
para jardins rochosos
Polygonatum Branco-esverdeada, Selvagem e decorativa;
Quase todos 60
multiflorum mai.-jun. flores em forma de sino
Polygonatum affice Vermelho-violeta, Rasteira; folhagem,
Todos 25
“Superbum” ago.-set. vermelha no outono
Floresce na primavera;
Primula elatior Variável, mar.-mai. Quase todos 10-25 conveniente como
fundo
Planta de crescimento
Primula florindae Amarela, jun.-ago. Húmidos 50-75 rápido e resistente ao
gelo
Crescimento rápido; fácil
Primula vulgaris Variável, mar.-abr. Quase todos 10-25
de dividir
Pulmonaria Conveniente como
Azul, abr.-mai. Húmidos 20-30
angustifolia fundo; pode ser invasora
Sedum spectabile Resiste à seca; folhas
Vermelha, ago.-set. Todos 40
“Brilhante” dispostas em roseta
Resistente ao calor;
Sempervivum grandes hastes florais
Rosa, jun.-ago. Quase todos 15
tectorum vermelhas; muito
florífera
Muito florífera, aroma
Sidalcea “Elsie Heugh” Rosa, jun.-ago. Todos 60-80 intenso; alternativa às
malvas cor-de-rosa
Folhas decorativas,
Stachys lanata Rosa, jun.-ago. Todos 30-40
brancas e penugentas
Rasteira, vigorosa e com
Azul-violeta,
Vinca minor Quase todos 10-25 folhas persistentes;
mar.-mai.
pode ser invasora
(*)
Em pleno sol
A meia-sombra ou ao sol durante metade do dia
Sem incidência direta da luz do sol, mas não totalmente à sombra

211
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

ÁRVORES E ARBUSTOS
Características Exposição Altura
Nome Solos Observações
das flores e folhas solar (*) (m)
Amelanchier lamarckii Flores brancas, folhas Grandes frutos; bela
Todos 7,5
“Ballerina” verde-claras, caducas tonalidade no outono
Crescimento vigoroso;
Flores amarelas,
Berberis julianae Todos 1,25-2 bela tonalidade no
folhas persistentes
outono
Floresce na primavera,
Berberis thunbergii Folhas vermelho- bela tonalidade
Todos 1,5
“Atropurpurea” -violetas, caducas no outono; bagas
vermelhas
Floresce em maio-junho;
Folhas cinzento-
Berberis wilsoniae Todos 1 tonalidades de outono,
-esverdeadas, caducas
bagas vermelhas
Folhas estreitas, Muito florífera;
Berberis × stenophylla Todos 2-3
persistentes frutos negros
Folhas amarelo- Crescimento rápido;
Betula pendula Todos 15
-esverdeadas, caducas insensível à poluição
Crescimento lento;
Betula pendula Folhas muito
Todos 5-6 conveniente para jardins
“Gracilis” recortadas, caducas
pequenos
Betula pendula Folhas amarelo- Tipo chorão, com longos
Todos 4
“Youngii” -esverdeadas, caducas ramos caídos
Folhas verde-escuras, Verde no inverno;
Buxus sempervirens Todos 3
persistentes suporta uma poda radical
Floresce no final da
Flores de cores estação, verde no
Calluna vulgaris Ácidos 0,3-0,6
variadas inverno; a podar após
a floração
Floresce na primavera,
Flores vermelho-
pequenos pomos
Chaenomeles japonica -alaranjadas, Todos 2,5
odoríferos no final
folhas caducas
da estação
Floresce na primavera;
Chaenomeles Flores brancas, pequenos pomos
Todos 3
speciosa “Nivalis” folhas caducas odoríferos no final
da estação
Flores brancas, Belas ramificações
Cornus alba Todos 3
folhas caducas vermelhas no inverno
Flores de cores Convém como árvore
Cornus florida variadas, Todos 6 solitária; bela tonalidade
folhas caducas no outono
Flores amarelas, Floresce no inverno;
Cornus mas Todos 6
folhas caducas insensível à poluição
Flores brancas e rosas,
Bagas vermelho-
Cotoneaster franchetii folhas parcialmente Todos 2
-alaranjadas no outono
persistentes
Cotoneaster Flores rosa e brancas, Variedade rasteira,
Todos 1
horizontalis folhas caducas cresce em largura
Flores brancas, folhas Crescimento ereto,
Cotoneaster simonsii Todos 3
parcialmente caducas convém para sebes

212
A
PLANTAS SEM PROBLEMAS 16
ÁRVORES E ARBUSTOS
Características Exposição Altura
Nome Solos Observações
das flores e folhas solar (*) (m)
Crataegus laevigata Flores vermelhas, Convém como árvore
Todos 6
“Paul’s Scarlet” folhas caducas solitária
Convém como sebe;
Flores brancas,
Crataegus monogyna Todos 6 bagas apreciadas pelos
folhas caducas
pássaros
Flores brancas, Floresce em maio-junho;
Elaeagnus ebbingei Todos 3
folhas persistentes resiste bem ao vento
Floresce no inverno e na
Erica carnea Cores variadas Húmus 0,3
primavera
Floresce no verão;
Flores rosa e
Erica tetralix Húmus 0,4 folhagem cinzento-
vermelho-violetas
-esverdeada no inverno
Flores de cores Floresce em julho-
Escallonia diversas, folhas Quase todos 1,5 -agosto; resiste bem
persistentes ao vento
Flores
Folhagem decorativa;
Euonymus alatus amarelo-esverdeadas, Todos 2-3
frutos vermelhos
folhas caducas
Flores Bela tonalidade
Euonymus europaeus amarelo-esverdeadas, Todos 3-5 no outono; frutos
folhas caducas vermelho-alaranjados
Floresce em maio-
Flores brancas,
-junho; folhagem
Euonymus fortenei folhas parcialmente Todos 2
decorativa; convém
persistentes
como planta rasteira
Notável floração na
Flores amarelas,
Forsythia intermedia Todos 3 primavera; flores boas
folhas caducas
para cortar
Notável folhagem
Gleditsia triacanthos
Folhas caducas Todos 8 amarela; convém como
“Sunburst”
árvore solitária
Flores amarelas, Floresce no inverno; bela
Hamamelis intermedia Húmus 3
folhas caducas tonalidade no outono
Flores amarelas, Floresce no inverno; bela
Hamamelis mollis Húmus 4
folhas caducas tonalidade no outono
Folhagem acobreada;
Flores brancas,
Hebe armstrongii Quase todos 1 convém para jardins
folhas persistentes
rochosos
Flores
Hedera helix Bagas negras; convém
branco-esverdeadas, Todos 15
“Arborescens” como planta rasteira
folhas persistentes
Grandes flores para
Hydrangea Flores brancas, rosas e
Húmus 2 secar; insensível à
macrophylla azuis, folhas caducas
geada
(*)
Em pleno sol
A meia-sombra ou ao sol durante metade do dia
Sem incidência direta da luz do sol, mas não totalmente à sombra

213
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

ÁRVORES E ARBUSTOS
Características Exposição Altura
Nome Solos Observações
das flores e folhas solar (*) (m)
Flores brancas, Flores e panículos;
Hydrangea paniculata Húmus 4
folhas caducas resistente à geada
Folhagem espinhosa,
Flores brancas,
Ilex aquifolium Quase todos 5-8 bagas vermelhas;
folhas persistentes
convém para as sebes
Folhagem sem espinhos,
Ilex aquifolium
Folhas persistentes Quase todos 4-6 numerosas bagas
“J. C. van Tol”
vermelho-alaranjadas
Flores
Kerria japonica amarelo-douradas, Todos 2 Floresce na primavera
folhas caducas
Flores vermelhas
Crescimento rápido;
Lonicera tatarica e cor-de-rosa, Todos 3
bagas vermelhas
folhas caducas
Flores odoríferas,
Flores amarelas,
Mahonia aquifolium Todos 1,5 bagas negras; atrai as
folhas persistentes
borboletas
Mahonia aquifolium Flores amarelas, Folhagem atraente, fica
Todos 1,5
“Atropurpurea” folhas persistentes violeta no inverno
Frutos amarelos que se
Malus Flores branco-rosadas,
Todos 7 mantêm muito tempo
“Golden Hornet” folhas caducas
na árvore
Malus Flores branco-rosadas, Frutos vermelho-
Todos 7
“John Downie” folhas caducas -alaranjados
Flores muito odoríferas
Philadelphus Flores brancas,
Todos 3 em maio-junho; bom
coronarius folhas caducas
arbusto solitário
Floresce de maio a
Flores amarelas,
Potentilla fruticosa Quase todos 1 agosto; convém como
folhas caducas
sebe
Floração abundante
Flores brancas,
Prunus avium Quase todos 15 em maio; convém
folhas caducas
como árvore solitária
Prunus cerasifera Flores cor-de-rosa, Floresce na primavera,
Quase todos 8
“Nigra” folhas caducas folhagem violeta
Prunus laurocerasus Flores brancas, Muito florífera em maio;
Quase todos 1,5
“Otto Luyken” folhas persistentes convém como sebe
Flores odoríferas, bela
Flores brancas,
Prunus padus Quase todos 9 coloração no outono,
folhas caducas
bagas negras
Frutos comestíveis,
Flores brancas,
Prunus spinosa Quase todos 4 espinhos afiados; convém
folhas caducas
como árvore solitária
Bagas vermelhas;
Flores brancas,
convém como árvore
Pyracantha coccinea folhas parcialmente Quase todos 3
para paliçada ou como
persistentes
sebe
Flores Floração longa e
Ribes sanguineum rosa-avermelhadas, Todos 3 abundante; convém
folhas caducas como arbusto solitário

214
A
PLANTAS SEM PROBLEMAS 16
ÁRVORES E ARBUSTOS
Características Exposição Altura
Nome Solos Observações
das flores e folhas solar (*) (m)
Belas folhas amarelo-
Robinia pseudoacacia Flores brancas, -esverdeadas e ovais;
Todos 7
“Frisia” folhas caducas convém como árvore
solitária
Folhagem amarelo-
Hastes florais brancas, -dourada, bagas
Sambucus racemosa Todos 4
folhas caducas vermelhas; crescimento
lento
Flores brancas, Atrai as abelhas; convém
Skimmia japonica Húmus 1,5
folhas persistentes como arbusto solitário
Belas folhagens brancas
Flores brancas,
Sorbus aria Quase todos 10 e penugentas, bagas
folhas caducas
vermelhas no outono
Hastes florais brancas, Bagas a partir de agosto;
Sorbus aucuparia Quase todos 15
folhas caducas bela tonalidade no outono
Floresce na primavera;
Flores brancas,
Spiraea thunbergii Quase todos 1,5 convém como arbusto
folhas caducas
solitário
Crescimento vigoroso;
Flores brancas e
Symphoricarpos albus Todos 1,5 bagas brancas que
rosada, folhas caducas
resistem até ao inverno
Floresce no verão; bagas
Symphoricarpos × Flores cor-de-rosa,
Todos 1,5 cor-de-rosa, violetas
× chenaultii folhas caducas
ou vermelhas
Flores vermelho- Lilás anão; floresce
Syringa microphylla Todos 1,5
-violetas, folhas caducas de maio a outubro
Flores odoríferas
Flores de várias cores, boas para cortar; atrai
Syringa vulgaris Todos 4
folhas caducas borboletas; convém
como planta solitária
Flores branco-rosadas, Flores odoríferas em
Viburnum carlesii Quase todos 1,5
folhas caducas abril-maio
Folhagem atraente;
Flores brancas,
Viburnum davidii Quase todos 0,7 convém para jardins
folhas persistentes
rochosos
Bela tonalidade no
Flores brancas,
Viburnum opulus Todos 4 outono; bagas que se
folhas caducas
mantêm bastante tempo
Floresce na primavera;
Viburnum × Flores cor-de-rosa,
Todos 2,5 convém como planta
× bodnantense “Dawn” folhas caducas
solitária
Flores cor-de-rosa, Floração abundante; bela
Weigela florida Todos 2,5
folhas caducas coloração no outono
(*)
Em pleno sol
A meia-sombra ou ao sol durante metade do dia
Sem incidência direta da luz do sol, mas não totalmente à sombra

215
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

CALENDÁRIO DAS SEMENTEIRAS, DAS PLANTAÇÕES E DAS COLHEITAS


Família das batatas (solanáceas)
J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
Aboborinhas o x x
Abóboras o x x
Batatas p p p p p
Cornichões o x x
Milho o x
Pepinos o x x x
Pimentos s
Tomate s s
Leguminosas
J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
Ervilhas o x x
Favas x x x x x x x
Feijões-de-
o x x x
-trepar
Feijões-
o x x x
-rasteiros
Legumes-raiz
J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
Alfaces-
x x
-romanas
Alhos p p p
Beterrabas x x x x
Cebolas s s p p
Cenouras o x x x x x x x x x x
Chalotas p p
Salsa-raiz x x x x x x x x x
Couves
J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
Brócolos o o x x x
Couve-de-
o x x x
-milão
Couves-flores o o x x x o o o
Couves-frisadas x x
Couves-roxas o x
Couves-
o o x
-brancas
Couves-de-
o x x
-bruxelas

216
A
PLANTAS SEM PROBLEMAS 16
CALENDÁRIO DAS SEMENTEIRAS, DAS PLANTAÇÕES E DAS COLHEITAS
Rabanetes o ox ox x x x x
Rábanos-
x x
-silvestres
Legumes de folha
J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
Aipo-branco ox
Aipo-rábano o o ox
Aipo-verde o o x x x x
Alface-de-
x ox o
-cordeiro
Alface-de-
o x x
-cortar
Alface-folha-
o o x x x x
-de-carvalho
Alface-
o o ox x x x
-icebergue
Alface-repolho o o x x x x x o
Alho-francês
x x x
(inverno)
Alho-francês
o ox
(outono)
Cerefólio o ox x x x x x x
Chicória-verde x x x
Chicória-
x x x
-vermelha
Endívias o ox ox x x
Espinafres ox x x x x x x x o
Salsa ox ox x x x x ox
o = Sementeira em caixas fechadas, ao abrigo do frio
s = Sementeira no interior ou em estufa
x = Sementeira em local definitivo
p = Plantação definitiva
■ = Período de colheita

217
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS
A

Contactos úteis

Agência Portuguesa
do Ambiente (APA)
Rua da Murgueira, n.º 9/9A
Zambujal
Apartado 7585
2611-865 AMADORA
Tel.: 21 472 82 00
E-mail: geral@apambiente.pt

Agrobio – Associação
Portuguesa de
Agricultura Biológica
Calçada da Tapada, 39, r/c dto.
1300-545 LISBOA
Tel.: 21 364 13 54
E-mail: geral@agrobio.pt

Instituto de Financiamento
da Agricultura e Pescas (IFAP)
R. Castilho, n.º 45-51
1269-164 LISBOA
Tel: 21 384 60 00  
E-mail: ifap@ifap.pt  

Provedor de Justiça
(também responsável pela defesa
do ambiente e qualidade de vida)
Rua Pau de Bandeira, n.º 9
1249-088 LISBOA
Tel.: 21 392 66 00/808 200 084
E-mail: provedor@provedor-jus.pt

218
ÍNDICE REMISSIVO

Índice remissivo

A alho-francês

41, 45, 47, 53,
89-90, 124, 195, 217
alimentar as plantas 189-198
ásteres
astilbe
11, 21-22, 89, 141
14, 174, 209
ativadores do composto 161,
abelhão 125
abeto-de-douglas 94 álticas 47-48, 50, 52, 99, 117  163, 179-180, 185, 188
abóboras 45-47, 216 alumínio (sulfato de) 169 aveleira 141
aboborinhas 12, 42, 45, ameixas 61, 97 azáleas 20, 28, 113, 160,
 176, 216 ameixeiras 61-62, 68-69, 88,  166, 168, 202
abrigos  90, 104, 106, 111, 194 azevém(veja adubo verde)
para morcegos 139 amieiros 28, 141 azevinho 94, 111, 131, 141, 188
para ouriços 137-138 amónio 17, 169 azoto 17-18, 32, 35, 41-43,
para pragas 11, 48, 97, amoras e híbridos 67, 107, 124  53, 73, 148-149, 161-165,
 102, 117, 130, 147 amor-de-hortelão 153  176, 179-182, 185-186,
abrunheiros 141 amoreiras 194  188, 190-192, 195-196
acanto 13, 21-22, 209 amores-perfeitos 92, 141
andorinhas 16, 140, 143
B
ácaros 63, 75, 80, 112, 118, 121
acelgas 42 anémona-do-japão 21
adubos antónomos 58, 118, 124
antracnose 41, 49 Bacillus thuringiensis 59, 79,
algas 49, 51, 162-163,
aquecimento da estufa 81-83,  100, 107-109
 166-167, 170, 181,
 85, 108 bactérias do feijoeiro 49
 192-194, 196, 198
azotados 35, 104, 149, aranhas 104, 133, 140 bacteriose 54
 191-192 aranhiços-vermelhos 73, 75, bagas
caseiro 195  78, 80, 111, 117, 202 doenças e pragas 63-64
dose 47, 193 arbustos 212-215 batata 39-42, 45-47, 54,
equilibrados 191 adubos 194, 196  76, 100-102, 106, 122,
fosfatados 192 frutíferos, conselhos  124, 175-176, 195, 216
líquidos 194-196, 198 para a compra 70, 201, 204 batráquios 134-135
orgânicos 12, 18, 31, 41, 43, solos arenosos 175 begónias 74, 78, 82
 57, 88, 190-193, 196 solos mal drenados 174 bergénia 13, 168, 209
para árvores de fruto 194 areia 13, 31, 34-35, 44, 102, beringelas 41-42, 73, 76,
para legumes 195 114, 136, 156, 162-163, 169  78, 205
para plantas 195-196 arejamento(ver escarificação) beterrabas 41-42, 45-47,
químicos 14, 17-18, 39, 190 armadilhas 58, 79, 99, 102,  117, 194-195, 216
verdes 40-42, 164-165,  103, 115, 132, 138 bicha-cadela 74, 78, 80
 170, 181 árvores de fruto 10, 12, 57 bichado-da-fruta 58, 98-100,
agrião-menor 154 adubos 194-195  117
Agrostis 32 conselhos para a compra 69, bichos-de-conta 74, 83, 133
aipo 42, 45, 48, 52,  70, 203-205 bocas-de-lobo 90, 141, 205
 117, 176, 217 poda 65-69 bombicídeos 109
alcachofras 46 problemas 61, 92-93, 99, borboletas 58, 107-109,
alface 42, 44-47, 51, 73,  109, 112, 115, 117, 142  120, 130-132, 168,
 76, 82, 96, 106, 164, árvores e arbustos  209-210, 214-215
 176, 195, 216-217 solos calcários 171 bordalesa(veja calda bordalesa)
alfinetes 48, 54, 96, 100, solos mal drenados 174 boro (carência de) 50, 191,
 117, 121, 124, 127 variedades  196-197
alfobres 44, 167 aconselhadas 212-215 Botrytis(veja
algas 35, 80, 134 árvores ornamentais  podridão-cinzenta)
alho 27, 40-41, 111, 216 conselhos para a compra 204 bravo-de-esmolfe 60

219
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS

brincos-de-princesa 11, 14, 73, cebolinha 41, 90 trituradores 180, 185-186


 76, 78, 93, 132 cecidómias 59, 118 compostor 179, 182-186
brocas 163 cedros 18, 28 compra de plantas 75, 89,
brócolos 40, 45-48, cenouras 41, 44-48, 52,  200-205
 51, 195, 216  96-99, 106, 115, 117, coníferas
bucéfala 107  175-176, 216 conselhos para a compra
Buddleias 131 centopeias 111, 121, 126, 133  202-203, 205
cercefi 47 conservação das sementes 49
cerejas 61, 70, 114
C
coração-manchado 49
cerejeiras 18, 27-28, 61, corriola 153, 180
 69-70, 92, 104-107, corte do relvado 30-31
cabras(veja estragos)  112, 114, 133, 194 Corticium 35
cães(veja estragos) cervídeos(veja estragos) cotoneáster 105, 131, 151-152,
cal de algas marinhas 192 chagas 11, 13, 27, 99  168, 208, 212
cálcio 16, 60, 160, 163, chalotas 41, 216 couves 14, 40, 42-52, 96-99,
 166-167, 192, 197 chapins 16, 140-144  106, 113, 117, 133, 176,
calda charcos  181, 190, 192, 195, 216
bordalesa 62, 90 construção 130, 134-136, cova de plantação 170
de sabão de potássio 52, 54,  140 cravos 23, 76, 79, 92, 110
 58, 77-78, 90, chicória 41, 217 crisântemos 27, 73, 76,
 104, 112-113 Chlorophytum 73  78, 83, 92, 107, 111
Calluna vulgaris 28, 152, chorões 92, 212 crisopas 104, 125
 160, 212 cicadelas 74, 78, 110, 112 cuco (cuspo de) 75, 78, 110
camalhão 44 cicatrizes 54, 58, 61-62, 67
cancros 27, 41, 47, 62, 74, 76, 91 cigarras-da-espuma 110
canteiros sobre-elevados
 157-159, 173, 176
cinerárias
cladosporiose
76, 78
74, 76
D
carabídeos 122-123, 132-133 clematites 21, 92 dálias 82
caracóis 74, 83, 100-102, cobertura do solo 98, 103, dente-de-leão 33, 44, 147,
 134, 137  145-175, 182, 196  154, 180
carbono 16, 85, 178, cochonilhas 61, 74, 78-79, deperecimento
 181-182, 185  99, 112, 117-118 das plantas 92, 103, 201
cardo-penteador 130 coco (fibras de) 18, 136 Deroceras reticulatum
carências 18, 35, 49-51, coelhos e lebres (veja estragos) (veja lesmas)
 54, 60, 73-74, 156, 163, colêmbolos 75, 78 desbaste(veja poda)
 170-172, 190-198, 205 coleópteros 15, 64, 79, Diascia rigescens 22
carneiro-da-ervilha 27  120-124, 137 doença
carriça 133, 140, 142-143 colo dilatado 53 ameixas, cerejas,
carvalho 18, 217 comedouro para pássaros 131, pêssegos 61-62
casas de jardinagem 33, 146,  140-142 bagas 63
 160, 200, 205 complementos minerais 193 batatas 47, 54
cascalho 10, 12, 114, 150, 160 composto cebola e alho-francês 47,
cascas de árvore 12, 18, 57, aspeto 185  52-53, 117
 103, 114, 148-151, ativadores 161, 163, couves 40, 47, 50-51
 163, 170, 188  179-180, 185-186, 188 criptogâmica(veja fungos)
castanheiro 18, 28, 141, 188 de cogumelos 161, 166, 170 -das-manchas-
catos 73-74 de minhocas 157-158, -encortiçadas 60
cavar 43, 48, 108, 111,  183, 186 -das-manchas-negras 10,
 147, 157-159, 162, matérias a evitar 180  21, 24-26, 50, 91, 180
 165-166, 172 mistura 179-185 -das-sementeiras 75-76, 91
cebolas 40-41, 45-48, 52-53, pilha ou compostor? 179, -do-chumbo 27, 62
89, 97, 99, 117,  182-185 estufa 73-77
 124, 195, 216 receita para o sucesso 178 legumes-raiz 52, 96, 101

220
ÍNDICE REMISSIVO

leguminosas 49 de vaca concentrado 193  131, 142-143, 149


maçãs e peras 60-61 estufa geada 25, 36, 44, 50, 54,
precauções de inverno 25, 39, aquecimento e isolamento 85  81-84, 150, 162, 167
 48, 80-83, 93, 116, check-up de inverno 81 geometrídeos 109
 141-143, 201 doenças 75-81 gerânios 13, 210
roseiras 25 higiene 80-81 ginjeiras 70
drenagem legumes 72-73 girassol 76, 130, 140-141
do solo 34, 156, 159, limpeza 80-81, 93 gladíolos 82-83, 113
 172-176, 200 plantas frágeis 73 gloxínias 82
instalação de canais 173-175 plantas ornamentais 73 goiveiros 89, 93
pragas 73-75, 77-80 goivos 99, 132, 141

E
problemas 83 gorgulhos 48-49, 58, 74,
rega 76-77, 85  78, 111, 124, 202
sombra 84 gota a gota (veja rega)
endívias 46, 217
ventilação automática 85 grama 146, 154, 180
enxertos 57, 69-70, 204-205
granulose-do-bichado 59
enxofre 49, 52, 64, 76, 78,

F
grão-de-bico 41
 90, 160, 169-170
gravilha 134, 149-150,
eriofídeos(veja ácaros)
 174-175, 200
erva-azeda 154 faia 94, 105, 188
guano 193
erva-de-cão 21, 27 favarola(veja adubo verde)
erva-dos-gatos 79 favas 41, 45, 47, 49, 216
erva-pata(veja erva-azeda)
ervas daninhas

10, 12-13,
30, 32-33, 38, 43, 57,
feijões

41-49, 105,
113, 195, 216 H
feromonas 58, 100 heléboro 13
 77, 89, 146-157, 202 ferro 20, 157, 170, 173, 193, 197 hemerocale 23, 208
ervilha 27, 41, 45-48, 89, fertilização do solo 190, 195 hepialídeos 108
 113, 124, 148, 176, 216 festuca 32 hérnia-da-couve 10, 40, 46-47,
ervilhaca(veja adubos) fogo-bacteriano 27, 61  50, 89, 92-93, 161,
escalracho 146, 154, 180 formigas 75, 78, 99, 104  163-164, 180, 205
escaravelhos 122-124 fósforo 190-192, 196-197 higiene 48, 75, 80, 88
escarificação 14, 31, 34, 73, framboeseiras himenóptero 79
 157, 160, 165, 188 poda 66-67 hipericão 27, 152
esclerotiniose 76 frutos 56-70, 93 hiponomeuta 109
esferovite 81 cobertura do solo 150 hoplocampas 58, 62, 97
espantalhos 113 porta-enxertos 69 hortas 18, 39, 46, 85, 106,
espigamento 51, 53 variedades 60, 89  107, 113, 120, 140, 190
espinafres 42, 45-47, 195, 217 fumagina 59, 90, 103, 106, 113 hortelã 27, 90-91
esporas-dos-jardins 21, 27 fusariose 35, 41, 49, 51, 73, 76 hosta 11, 27, 131, 210
esquilos(veja estragos) fungos 10-11, 35, 40, 61, húmus vegetal 74, 178,
estafilinídeos 122-123, 133  73-75, 78, 90-94  180-181, 187
estorninho 35, 114, 140 farinha de sangue 18, 31, 47,
estragos 84, 114-116, 142

I
 88, 104, 163, 179,
estrume  185-186, 191-196
animal 166, 170, 181, ferrugem 21, 25-27, 53, 62,
 192, 194 icneumonídeos 126
 73-74, 76, 88, 90, 202
animal concentrado 161, 166, inseticidas naturais 15, 78, 108,
 193  110, 112, 123
de aves

161, 163,
180-182, 193 G insetos
abrigos 133, 138
de aves concentrado 193 gado de pequeno porte atrair 104, 132-133, 141
de cavalo 161, 166, 181 (veja estragos) o seu papel 120
de vaca 161, 166, 181, 193 gatos 44, 84, 114-115, polinizadores 70, 120

221
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS

íris 23, 90, 210 lírios-dos-pântanos morugem 32, 153


irrigação 200 (veja pântanos) moscas 27, 35, 44, 47-53, 73,
isolamento 85, 184 lisimáquias(veja pântanos)  77-79, 96-99, 107, 117,
lombricomposto 186  120-125, 134, 180, 202
Lonicera spp.(veja madressilva)
J
mosquitos 75, 78, 104, 138, 140
mostarda 40, 164

M
musgo 32-35, 80-81, 134
jacinto-de-água(veja pântanos)
jardim ornamental 157, 167, 176
joaninhas

15, 78, 100, 104,
112, 120-122, 132
maçãs (conservação)
madressilva
60
27, 105, 114, N
 130, 141, 143 nabiça 40
magnésio 20, 49, 51, 54, nabo 40, 45, 47, 52, 89, 164
L  170-171, 193, 197
malformações das plantas 92
necrose
néctar
49, 92
124, 131-133
lagartas 27, 47-53, 58-59, 63, malmequer 22 nemátodo 10-11, 41, 47,
 74, 78-79, 98-100, malva 21, 23, 27, 152, 53-54, 97, 117-118
 107-120, 132, 140  168, 210-211 ninheiros 140, 142-144
lâmio 27, 33 mamíferos úteis 137-138 nitratos 17-18
larício 94, 105 manjericão 115 nóctuas 27, 107
larvas 35, 48, 50-54, 60-63, 74, margarida 13, 31, 33 noctuídeos 108
 78-79, 96, 100, 107, 109-127 marmeleiro-silvestre 69 nogueira 18, 194
 133, 137, 140-141, 202 matérias
lebres(veja estragos) inorgânicas 163
legumes
adubação de base 157, 161
orgânicas

146, 157-159,
162, 164, 166-169, O
adubos 194-195  175, 180, 182, 191 oídio 10, 21, 24-27, 41,47, 49-50,
canteiros fixos 39, 42-44 melada 59, 78, 90, 52, 64, 73-74, 76, 89-90
carências 35, 49-54, 103-104, 106, 113 ouriços 97, 120,
 195-197, 205 melro 140-141, 143 130-131, 137-138, 173
conselhos para a compra 205 menta-de-água(veja pântanos) ovelhas(veja estragos)
culturas complementares 42, micélio 94
míldio 21-22, 27, 41, 47,

distâncias preconizadas 44-

46

-45


49, 51-54, 73-77,
89-90, 202, 205, 209
P
milho-doce 12, 43, 45-47, 96 palha 22, 25, 40, 57, 70, 78, 80,
escolha 45-47, 57  133, 137, 148, 150, 161, 181
mil-pés 126-127
rotação 10, 12, 14, 38-43, pântanos 134-136, 156, 172
mineiras-das-folhas 27, 47,
 49-54, 89, 96, 117, 164 pão-de-galinha(veja
 73-74, 78, 111, 117, 140
legumes-raiz  escaravelhos)
minhocas 18, 32, 35, 121-122,
pragas e doenças 52, 91, 132-133, 140, 148, 157-158, papilionáceas 41
 95-118  163, 165, 186-187 pardal-comum 140
leguminosas 40-42, 216 miosótis 89, 135, 141, 209 pardo-lindo 60
lentilha-de-água(veja pântanos) molibdénio 51, 197-198 pássaros úteis 139-144
lepra-do-pessegueiro 27, 62, 92 monda 31-32 alimentar 141-142
lesmas 13, 27, 47-48, 50, moniliose 61 construir um comedouro 142
 54, 74, 78-83, 96-103, monóxido de carbono 16 construir um ninheiro 144
 117, 122, 130-140 montinhos espumosos 75, 78 pastinacas 41, 45, 47, 52, 175
licranços 130, 135 morangos 57, 82, 147 pedrado 60, 187
ligulária 21 morangueiros 64, 92, 104, 118, pé-negro 74, 76
lilás 22, 28, 168, 172, 174, 210, 215  124, 149-150, 194 peónias 13, 21, 23
liliáceas 41, 111, 124 morcegos 131, 134, 138-139 pepino 42, 73, 75, 78, 82,
líquenes 35 morte dos caules 64  89, 92, 176, 216

222
ÍNDICE REMISSIVO

pepino 42, 73, 75, 78, 82, vivazes 83, 90, 132, 135, pulgões 11, 15-16, 20, 27,
 89, 92, 176, 216  188, 192, 195-196  47-52, 54, 58, 61, 63, 73,
peras 58, 97, 187 pó  75, 77-78, 89-90, 97-100,
conservação 60 de algas marinhas 51, 196  103-106, 112, 117-118,
poda 66 de casco e de chifre 192-193  121, 125-126, 131-133,
percevejos-capsídeos 73, 75, de sangue, de chifre  138-140, 143, 202, 205
 78, 110, 118 e de osso 193, 195-196 PVC 16, 136
pereira 57-59, 66, 69-70, poda
 100, 104, 112, 194
Q
ameixeiras 68-69
pervinca 27, 33, 152 framboeseiras 66-67
pêssegos 61-62 groselheiras 68
pesticidas 14-16, 112, 120 queimadura dos espinhos 64
macieiras 65-66, 69-70 queimar as plantas 77, 93,
pH do solo  156-157, 160
pereiras 66, 69-70  111-112, 138, 148, 193
pilha do composto 82, 93, 117,
podridão
 130, 135, 161-162, 165,
-branca 47, 53, 89
R
 180, 182, 185-186
pimento 41, 72, 76, 78, -cinzenta 47, 51-52, 73-74,
 89, 205, 216  76-77, 83, 90-91, 93
poliestireno(veja esferovite) rabanetes 40, 45-47,
pimentões 41
polinização 120  52, 164, 217
piretro(veja inseticidas naturais)
porta-enxertos(veja enxertos) rábanos 40, 46, 50, 52, 89, 217
pisco-de-peito-ruivo 140
potássio 16, 47, 50-52, 54, 58, rabirruivos 143
plantação (covas) 170
 77-78, 90, 104, 112-113, ranúnculo-rasteiro 154
plantas
162, 176, 190-192, 194-198 raposas(veja estragos)
abafantes 12, 147,
potra-da-couve rãs 15, 97, 112, 120, 130, 134
 150-153, 168
ratazanas, ratos
alimentação 190-198 (veja hérnia-da-couve)
e musaranhos (veja estragos)
aquáticas 134-135 pragas
reciclagem de substâncias
bolbosas 192, 196 abrigos(veja abrigos
carências nutricionais 196- nutritivas 120-121
 para pragas)
 -198 rega 39, 47-48, 76-77, 85
alface 47, 51, 106
de lugares rochosos 27, 196, reineta 60
ameixas, cerejas
 210-211, 213, 215 relvados 30-36
e pêssegos 61-62
de maciços 27, 167, 176, adubos 31, 35, 188, 192
bagas 63-64
 196, 205 ervas daninhas 30, 32
batatas 47, 54,
de vasos 108, 138, 178, 201 estrumação 193
100-101, 106, 122 musgo 10, 33-34
de vida curta 13 cebola e alho-francês 47, 53
etiquetagem 201 pragas e doenças 35, 187
couves 48, 50-51, 96, repolhos 40, 45, 47, 51, 195, 217
herbáceas 12, 14, 94, 98,
 98, 113, 117 répteis úteis 134-136
 109, 150, 168, 171,
estufa 72-73, 75, 77-83 reversão da groselheira 63-64
 202-203, 205, 209-211
inimigos naturais 38, 96, rizotónia 52
inspeção na compra 91,
 104, 111, 121, rododendro 20, 28, 110, 113
200-201
invasoras 12, 21, 27  123, 131-144 roedores(veja estragos)
ornamentais 73, 78, 89, legumes-raiz 52, 96, 101 rosas 10, 26, 89,
 91-92, 102, 104-105, leguminosas 49  104-105, 113, 188
 110-111, 114, 117, maçãs e peras 58-60, 97 roseiras (veja também rosas)
 149-150, 181, 196, 204 métodos de luta 77, 102-103 a evitar 26
oxigenantes 134, 136 relvados 35 adubos 196
sem problemas 208-217 trabalhos de inverno 48, 83, arbustivas 24
sensíveis 11, 162  93, 99, 116 conselhos para compra 26,
trepadeiras 13, 25-26, 92, produtos químicos 9-17, 78  205
 105, 140, 143-144, proteção dos legumes 44, 97 doenças e pragas 24-25,
 171, 205 psilas 59, 117  110-111, 130

223
GUIA VERDE DAS HORTAS E DOS JARDINS

floribundas 24-25 drenagem 34, 156, 159, toupeiras 35, 115, 131
inglesas 25  172-176, 200 toutinegra 140, 143
-bravas 25 estrumação 161, 163, 166, Toxoplasma gondii 114
rugosa 25  170, 180-182, traças 59, 99
trepadeiras 26  192-194 tremoceiro 13, 27
rotação de culturas 12, 14, fertilização 14, 38, 190-191, tremoço 164-165
 38-42, 49-51, 54,  195 trepadeiras 13, 25-26, 92, 105,
 89, 96, 117, 164 identificar a sua
 140, 143-144, 153, 171, 205
rutabaga 40 natureza 156-157
trevo 32-33, 41, 164, 170
matérias orgânicas 146,
tripes 49, 74, 78, 113

S
157-159, 162, 164, 166-169,
 175, 180, 182, 191 trituradores 180, 185-187
melhorar 14, 156-176 trovisco(veja estragos)
sabão 75, 78, 80, 82, turfa 18
pH 34, 40, 60, 102, 156-157,
 90, 93, 111-112
 158, 160, 163, 169-170,
sabugueiro 94, 130, 141
U
 175-176, 192-193, 198
sachar 10, 38, 43, 146, 148,
arenosos 160, 176
 153-154, 157, 167
solos argilosos
saião 13 urtigas 130-131, 154,
arbustos 168
salamandras(veja batráquios)  163, 179-182
correção 156, 162, 165-168
salgueiro 28, 141, 174 urze(veja Calluna vulgaris)
plantações 163
salicárias(veja pântanos)
plantas herbáceas 168
salsa-raiz 41, 216
salsifi
salva
41, 47
22
solos calcários
árvores e arbustos 168, 171
correção 156, 169
V
Sambucus spp. (veja sabugueiro) vaca-loura 122
plantas herbáceas 168, 171 vara-de-ouro 13
sanjoaneiro(veja escaravelhos)
solos mal drenados
sanseviérias 73 vassouras-de-bruxa 92
árvores e arbustos 174
sapos(veja batráquios) ventilação 81, 84, 90-91,
melhorar 43, 49, 78, 156,
sardinheiras 73, 76, 83  93, 137, 182, 184, 188
 159, 165, 167, 172, 176
sarna 41, 46-47, 54, 175 verdelhão 140
solos pedregosos 46, 48,
Sedum spectabile 131-132, 211 verticiliose 73-74, 76
 150, 176
segurelha 79 vespas 110, 120, 124-126, 132
sombra na estufa 80, 84-85
sementes (conservação) 49 vespinhas 126
Spinosade 51, 78, 113
sempre-noiva 154 Viburnum L. 132
Syringa persica(veja lilás)
serradura 163, 180-182 videiras 89
serralha 89

T
vírus 47, 51-52, 54, 59,
sidalua 23
 60, 70, 75-76, 78,
silvas 67, 153
 103-104, 106, 110, 204
sirfídeos 12, 104, 112, tapetes capilares (veja rega)
 124-125, 132, 164 temperatura 49, 52, 60, 64,
solanáceas
solarização
solo
41, 216
75-77
 76-77, 79-80, 83-85, 91
tentilhões(veja estragos)
tentredo 63, 111-112
W
Weigela florida 22, 215
calagem 34, 157, 163, 166 tomate 11-12, 41, 43, 45-47,
cobertura do solo 98, 103,  72-78, 82, 92, 148-149
 145-175, 182, 196
correção 18, 156, 158, 161,
 181, 195, 205, 216
torcedora-das-folhas 108 Z
 163, 172, 190, 194 tordo 9, 140, 143 zimbro-comum 23

224
Conheça os riscos associados ao consumo
de alimentos quando são usados químicos
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