Alfred Marshall e a Escola Neoclássica

A evolução do pensamento econômico no século XIX

O século XIX iniciou sob a influência crescente das idéias do liberalismo clássico e dos efeitos da Revolução Industrial. Graças a essas influências, os principais países europeus foram consolidando a organização de suas economias pondo em prática os princípios consagrados por aquela corrente de pensamento: propriedade privada dos meios de produção, livre iniciativa empresarial, busca incessante do lucro, mercado e sistema de preços como principais orientadores das decisões dos agentes econômicos (o que, quanto, como e para quem produzir), tudo isso sob um cenário em que o Estado reduzia cada vez mais sua presença na economia, em contraste com o elevado grau de intervenção que havia prevalecido nos séculos anteriores em razão do predomínio da visão mercantilista, que pode ser sintetizada no binômio absolutismo político + intervencionismo econômico. Foi nesse cenário que os países pioneiros no processo de industrialização foram expandindo sistematicamente o volume de produção, aumentando consideravelmente a oferta de bens e serviços colocados à disposição de suas respectivas populações. Além disso, ampliavam mais e mais a diferença que os separava dos países que não conseguiam dar início a seus processos de industrialização, tanto na Europa como, principalmente, fora dela, nas terras da Ásia, da Oceania, da África e da América do Sul. A única exceção fica por conta dos Estados Unidos, cuja população constituída em boa parte de imigrantes europeus e seus descendentes já demonstrava um espírito empreendedor, o que permitiu que em algumas regiões do norte e do leste a industrialização começasse precocemente, poucas décadas depois de haver sido iniciada nos países pioneiros da Europa. Porém, ao contrário do que imaginara Adam Smith, a Revolução Industrial não conduziu ao paraíso. Decorrido mais de meio século do início da Revolução Industrial observava-se que a segurança da antiga economia agrícola - quase artesanal - dos vilarejos fora destruída. Com a urbanização desordenada que ocorreu em torno dos centros industriais emergentes, o novo industrialismo trouxe fábricas cada vez maiores,

de diversos reformadores sociais. que passariam a ser coletivos e administrados por meio de órgãos centrais de planificação. entre outras. pensadores que tiveram formação econômica através das idéias clássicas de Smith e de Ricardo. quer em função das longas jornadas de trabalho. uma vez que a concentração excessiva da renda e da riqueza dava a muitos a impressão de que a desigualdade estava até se expandindo provocou. o surgimento de duas correntes na história do pensamento econômico: a primeira. a segunda. Tais acidentes traziam miséria. a tese de que a transição para uma sociedade mais justa só poderia ser feita por meio de um processo revolucionário .e os trabalhadores passaram a viver apinhados em sua vizinhança. Nessas condições. Não existiam direitos políticos para os assalariados e os sindicatos eram proibidos. quer em virtude do despreparo dos trabalhadores para interagirem com máquinas que iam sendo incorporadas ao processo produtivo sem que houvesse qualquer treinamento para os que teriam que manejá-las.dado o caráter exploratório das relações assalariadas de produção. em especial entre os intelectuais e nos meios acadêmicos. aos quais incumbiria responder as questões fundamentais da economia: o que. ou seja. o crime. nas décadas iniciais do século XIX. a pobreza das massas parecia cada vez mais opressiva (uma vez que agora ficava mais aparente já que concentrada nos centros industriais emergentes) e contrastante (à medida que as grandes fortunas se multiplicavam). onde o vício. a prostituição e a promiscuidade constituíam o cenário mais comum. as doenças. é de uma espécie de dissidência clássica. estimulou o aparecimento quase . Fourier e Robert Owen. a miséria. entre os quais Saint-Simon. Os acidentes industriais ocorriam com freqüência. a fome. como e para quem produzir.O fracasso dos socialistas utópicos em persuadir os capitalistas a aderirem a seus projetos humanitaristas fortaleceu ainda mais as idéias de Marx que defendia. Em sua pregação. A constatação de que o simples aumento do volume e da diversidade dos bens e serviços produzidos não significava o fim da pobreza. que tem em Stuart Mill seu exemplo mais ilustrativo.luta de classes . Marx propunha a eliminação da propriedade privada dos meios de produção. que se tornaram conhecidos como socialistas utópicos. principal elemento definidor do modo de produção capitalista. e que acreditavam numa mudança para uma sociedade mais justa por meio de reformas pacíficas e até apoiadas pelos grandes detentores de terra e de capital. em favelas ou cortiços. mas que foram pouco a pouco se afastando delas e incorporando em suas proposições doses crescentes de preocupação social juntamente com as primeiras idéias utilitaristas. não havendo qualquer compensação para as famílias dos aleijados ou mortos. quanto. A rápida penetração dessas idéias.

segundo Oser e Blanchfield:Os marginalistas concentravam sua atenção sobre a margem .Os marginalistas tomavam por base um sistema econômico baseado na concorrência perfeita (considerando.Vindo. e que trabalhavam independentemente umas das outras. levados a cabo por pessoas diferentes. os marginalistas dessa primeira geração fizeram a apologia do laissezfaire e foram responsáveis por algumas contribuições notáveis para a evolução da teoria econômica. da livre iniciativa e da busca incessante do lucro. respectivamente. que agiam independentemente. muitos . na Inglaterra. a burguesia (e o capitalismo) criou forças produtivas mais sólidas e colossais do que todas as gerações anteriores juntas. Nascia. portanto. existindo muitos compradores. os marginalistas discordavam dos socialistas em geral . e Léon Walras.simultâneo de trabalhos que apresentavam considerável grau de convergência.sobre a melhor forma de solucionar esses problemas. na Suíça. Carl Menger. ocasionalmente. Afinal. que consagrava os princípios liberais clássicos da propriedade privada.para explicar os fenômenos econômicos. Entre elas destacam-se William Stanley Jevons. e se contrapõe frontalmente à análise marxista que tem por foco central as relações de classes.seja uma pessoa física ou uma empresa . entre as quais merecem destaque. Foram.". uma certeza: não deveria ser através da modificação da estrutura de produção capitalista.assumia importância central. com exceção da corrente austríaca. Nesses modelos. o que se tornou conhecido como a Escola Marginalista em três ramificações: Escola de Cambridge. o próprio Marx reconhecera a eficiência disso ao afirmar que "durante pouco mais de cem anos em que se encontra no poder.e dos marxistas em particular . que pretendiam ser uma abstração da realidade. Isso significa a retomada da tradição liberal da análise econômica. o cenário dominante era constituído de um grande número de empresários pequenos e médios. nas pessoas desses três grandes nomes. Embora reconhecendo a existência de problemas sociais não resolvidos em mais de um século de predomínio das idéias clássicas na organização econômica dos principais países da Europa.. em defesa dos princípios clássicos na época tão combatidos pelos socialistas. responsáveis pela forte expansão do uso de métodos quantitativos na construção de seus modelos de análise. no entanto. Tinham. o monopólio absoluto como extremo oposto). Estenderam a toda teoria econômica o princípio marginal que Ricardo desenvolveu em sua teoria da renda.o ponto de mudança em que se baseiam as decisões . Escola Austríaca e Escola de Lausanne. na Áustria. em lugares diferentes.A abordagem marginalista era predominantemente microeconômica.. na qual a tomada de decisão do agente econômico individual .

embora se opusesse ao conceito de homo economicus. que é um fenômeno psíquico. Introduziu o nome Economics em substituição ao anterior Political economy. ao medirem as utilidades marginais de bens diferentes e ao equilibrarem necessidades presentes e futuras. e sem influência da propaganda. produtos homogêneos. antes de Marshall.A demanda torna-se a força primária para a determinação de preços. Portanto. ainda segundo Ricardo Feijó. fundou o primeiro curso especializado de Economia e seu livro de 1890. Sua abordagem era hedonista. o que procurarei fazer a seguir é uma síntese daquelas que considero suas mais relevantes contribuições para a evolução da teoria econômica e da história do pensamento econômico.vendedores. Princípios de economia. preços uniformes. supondo que os estímulos dominantes na tomada de decisão de qualquer agente econômico ocorrem no sentido de maximizar o prazer e/ou minimizar o desprazer . foi o principal manual dessa disciplina por mais de 30 anos. e procure considerar o indivíduo enquanto agente econômico sempre inserido num determinado contexto sociocultural. Ela. Marshall representou um marco institucional na história da moderna Economia.De fato. abandonou essa denominação e passou a se utilizar da expressão "economia" (economics). Nesse sentido. para designar o novo estilo de se fazer ciência econômica. a economia tornou-se subjetiva e psicológica. depende da utilidade marginal. como afirma Ricardo Feijó. por considerá-lo excessivamente simplificador. 2. Marshall.Nesse sentido. Principais contribuições de Marshall Fica muito difícil reduzir a extraordinária contribuição de Marshall num texto com as características destes das Iscas Intelectuais.Supunham que as pessoas seriam racionais quanto ao equilíbrio de prazeres e desprazeres. . por sua vez. Economics X Political Economy Todos os textos de Economia anteriores a Marshall referem-se à matéria tratando-a de "economia política" (political economy).

b. e não era objeto de trabalhos mais avançados. Matéria para a qual. nunca fez curso universitário regular e especializado. como se observa na Introdução de sua obra magna. e só em 1903 inaugurou-se um novo curso especializado em Economia. Sua preocupação com as questões sociais de uma forma geral . o que acabou conduzindo-o ao estudo da Economia. pelo fato de se contraporem às reformas propostas pelos socialistas. Com ele. que manteve inalterada pela vida inteira. tal ciência (a Economia) adquire o status de saber autônomo cientificamente qualificado. Segundo a sua convicção. o problema da pobreza era não somente fundamental para a Economia. ela examina a parte da ação individual e social que está mais intimamente ligada aos resultados e ao uso dos requisitos materiais do bem-estar. tenham ficado com a imagem de reacionários ou conservadores.em Cambridge a Economia era ensinada apenas como parte das ciências históricas e morais. na coleção Os Economistas.e com a pobreza em particular . Como indica o nome da escola. uma área técnica repleta de conceitos não acessíveis ao não iniciado. Uma visão dotada de enorme preocupação social Embora os marginalistas e os neoclássicos. para ampliar o âmbito da Economia. o primeiro curso exclusivamente dedicado à formação do profissional nesse campo de que se tem notícia (Na verdade. Como ele próprio viria . Marshall fez da Economia uma profissão. conservando esse nome até hoje. a principal preocupação do estudo da economia. escrita por Ottolmy Strauch:Marshall passou então a preocupar-se com a questão social sendo levado à "percepção de que a pobreza estava na raiz de muitos males sociais". tal qual como no Brasil de algumas décadas atrás.é constante. trata-se de especialização também em Ciências Políticas). nem sempre com sucesso. na sua opinião. Durante muitos anos ele lutou. como muitos dos grandes economistas contemporâneos. Princípios de economia. mas também quando se observa qual deveria ser.Sua definição de economia mostra a caráter pragmático de como ele a entendia: A economia é um estudo da humanidade na atividade comum da vida. a nova escola de Economia de Cambridge intitula-se "Economia e Política". como a sua própria razão de ser. já que na época a matéria não existia senão como apêndice ou complemento de outros cursos. fica difícil admitir tal imagem como válida quando se conhece não só como Marshall concebia a economia.

Ênfase na educação Outro aspecto que vem reforçar o elevado grau de preocupação social de Marshall é a maneira enfática como ele se referiu à importância da educação para a redução das desigualdades sociais e. Malthus. o qual. Alfred Marshall aquele que melhor compreendeu a importância da formação de capital humano . é uma tônica constante da economia clássica desde Adam Smith. quem mais se destacou nesse aspecto:Entre os economistas ingleses na tradição liberal-utilitária.Os dois trechos citados a seguir ilustram com impressionante clareza essa enorme preocupação com que Marshall analisava a importância do investimento em educação para o desenvolvimento de uma nação. foi. sem dúvida. qual seja. Liberalismo X Pobreza: "O mais valioso de todos os capitais é aquele investido em seres humanos". sua elevada preocupação com a educação. Nesse livro. foi Marshall. segundo Giannetti. para o crescimento econômico de qualquer país. c. dentre todos os autores da tradição liberal iniciada com os clássicos e continuada pelos marginalistas e neoclássicos que mostraram preocupação com a educação. impedem-nos de investir capital na educação e treinamento dos seus filhos. financiada total e pelo menos parcialmente provida pelo Estado. voltado para a emancipação da pobreza e a promoção do desenvolvimento econômico.para um programa de reforma social eficaz. como bem observa Giannetti. Porém.do investimento na qualidade da força de trabalho . Eduardo Giannetti. o futuro.mais tarde a dizer nos Princípios: "o estudo das causas da pobreza é o estudo das causas da degradação de uma grande parte da humanidade".A bandeira da educação compulsória e universal. O primeiro retrata o enorme desperdício humano e econômico da sociedade inglesa do começo do século XX. com a . não difere muito da situação latino-americana e brasileira da atualidade:Nas camadas mais baixas da população. sugeria que o investimento público maciço em educação popular seria uma resposta muito mais eficaz do que a "Poor Law" no combate ao pauperismo. o mal é grande. Pois os parcos meios e educação dos pais e sua relativa incapacidade de antever. para citar apenas um exemplo. Giannetti chama a atenção para um aspecto normalmente ignorado por todos os que se opõem à visão econômica liberal. por extensão. como fica claro na epígrafe de um dos livros menos conhecidos do Prof. com um mínimo de realismo.

assim. Incorporação da Matemática na Economia Com sua sólida formação em Matemática. Na época .) Mas o ponto sobre o qual devemos insistir agora é que o mal tem caráter cumulativo.o critério da verificabilidade . permitindo.O segundo reforça o caráter cumulativo do desperdício mencionado no trecho anterior e dá ênfase à importância da concentração da maior parte do investimento em capital humano na educação básica da massa da população: Não existe extravagância mais prejudicial ao crescimento da riqueza nacional do que aquela negligência esbanjadora que permite que uma criança bem-dotada. quanto menos suas próprias faculdades se desenvolvam. que. Nenhuma mudança favoreceria tanto a um crescimento mais rápido da riqueza material quanto uma melhoria das nossas escolas. Quanto pior a alimentação das crianças de uma geração.) Por fim. até conseguir obter a melhor educação teórica e prática que nossa época pode oferecer. a utilização sistemática de equações matemáticas. desde que possa ser combinada com um amplo sistema de bolsas de estudo. prestou relevante serviço no sentido de dar mais credibilidade à Economia perante a comunidade científica. menos irão ganhar quando crescerem e menores serão seus poderes de prover adequadamente as necessidades materiais de seus filhos e assim por diante nas gerações seguintes. ao filho inteligente de um trabalhador simples que ele suba gradualmente.. que nasça de pais destituídos. se tivessem podido dar frutos.mesma liberalidade e audácia com que o capital é aplicado no aprimoramento da maquinaria de qualquer fábrica bem administrada (. Marshall deu enorme contribuição para a incorporação de métodos quantitativos à análise econômica.para não falarmos em considerações mais elevadas .diversas vezes mais do que teria sido necessário para cobrir as despesas de prover oportunidades adequadas para o seu desenvolvimento (. ainda. consuma sua vida em trabalhos manuais de baixo nível. especialmente aquelas de grau médio. Aptidões.. d..final do século XIX . tanto menos compreenderão a importância de desenvolver as melhores faculdades de seus filhos e menor será sua capacidade de fazê-lo. eles. vale dizer. gráficos e diagramas numéricos. vão para o túmulo carregando consigo aptidões e habilidades que jamais foram despertas. teriam adicionado à riqueza material do pais . os filhos de pais pobres. Com isso. de escola em escola.. E.

da seguinte forma: "Minha familiarização com a Economia começou com a leitura de Mill. Um amigo. "Enquanto estava dando aulas particulares de Matemática. Isso foi.. onde escreve: "Um bom teorema matemático relativo a hipóteses econômicas é altamente improvável de ser boa Economia". e. Marshall jamais deixou que a Matemática se sobrepusesse à preocupação social básica da Economia. em 1867/68". enquanto ainda estava ganhando minha vida ensinando Matemática em Cambridge. Sua iniciação no campo econômico processou-se. Nesse sentido.Tal idéia fica ainda mais reforçada num dos trechos mais reproduzidos de sua autoria: Um bom teorema matemático que aborde hipóteses econômicas dificilmente será boa economia. tanto é verdade que colocou quase todos os gráficos e diagramas nos rodapés e apêndices de suas obras. como bem descreve Ottolmy Strauch:Tal como seu contemporâneo Karl Marx. rejeitando aquelas que a isso não se prestassem. fazem questão de ressaltar que apesar de seu extraordinário domínio da Matemática e da incorporação da mesma à teoria econômica . e creio cada vez mais nas seguintes regras: 1) Use a matemática como abreviação e não como método de pesquisa. entre os quais Araújo. Brue e Feijó. recordava ele já no final da vida: "Da Metafísica fui para a Ética. e traduzindo suas concepções em equações diferenciais até onde pudesse ir.Na verdade. mas se opôs ao seu uso abusivo na Economia. Ao contrário. Essa consciência sobre o papel assessório da Matemática fica clara numa famosa carta em que relata sua experiência pessoal com a mesma. ao "traduzir" a teoria econômica para a linguagem matemática. segundo ele próprio.era predominante para que uma dada teoria fosse reconhecida como científica. e achei que a justificativa das condições existentes da sociedade não era fácil". só que no seu caso foi pela via matemática. utilizou-a como um importante instrumento analítico e metodológico.Muitos historiadores do pensamento econômico. traduzi o quanto possível os raciocínios de Ricardo para a Matemática e empenhei-me em torná-los mais gerais". isto é. principalmente. com quem discutia questões sociais. . essa incorporação da Matemática à teoria econômica foi conseqüência natural do amplo conhecimento que Marshall possuía do assunto. Marshall passou da Filosofia para a Economia. só eram aceitas como científicas as proposições ou hipóteses que pudessem ser verificadas (comprovadas) por meio de medição.. 4) Ilustre. a contribuição de Marshall para que a Economia fosse aceita como uma ciência foi fundamental. 3) Traduza para o inglês. demonstração matemática ou experiência laboratorial. 2) Utilize-a até ter terminado. Descrevendo sua passagem para a Economia. em regra.para desespero de muitos estudantes -. retrucoulhe um dia: "Você não diria isso se soubesse Economia".

idéia que se tornou conhecida como teoria do valor utilidade. então queime a 3. reconciliar o princípio clássico do custo de produção com o princípio da utilidade marginal.como único determinante do valor. para a qual o valor era algo objetivo. Essa idéia se consolidou com David Ricardo. lhe foi inspirado por Von Thünen. Marshall conseguiu. 6) Se não conseguir realizar a 4. a economia neoclássica pode ser vista como "o marginalismo com um reconhecimento sensato da contribuição remanescente da Escola Clássica".Marshall sintetizou as duas visões sobre a determinação do valor de um bem ou serviço. com exemplos importantes da vida real. tornando-se conhecida como a teoria do valor trabalho. segundo Oser e Blanchfield.Os primeiros marginalistas. voltaram-se para o extremo oposto e enfatizaram a procura. que dela partiu para desenvolver a teoria da exploração (mais-valia). graças principalmente à introdução do elemento tempo como fator na análise. medido pelo número de horas incorridas na produção de um determinado bem ou serviço. Ao contrário do que ocorria com a teoria do valor trabalho. uma vez que a utilidade proporcionada por um determinado bem ou serviço variava de pessoa para pessoa.Ottolmy Strauch também destacou esse aspecto na Introdução dos Princípios de economia da coleção Os Economistas: Justamente numa época em que a controvertida teoria do valor dividia os economistas em posições irreconciliáveis. Assim. atribuído à escola austríaca (Menger). 5) Queime a matemática. naquilo que pode ser chamado de economia neoclássica. excluindo completamente a oferta. o valor para os marginalisas tornou-se subjetivo. Essa idéia foi posteriormente aproveitada por Marx.então. e. Valor Durante muito tempo a determinação do valor de um bem ou serviço enfatizou o lado da oferta . como observam Oser e Blanchfield.o custo de produção . a baseada na oferta e a baseada na procura. Para eles o valor de um bem era determinado pela utilidade que esse bem proporcionava a uma pessoa. segundo a qual o valor de um bem decorre da quantidade de trabalho necessário à sua produção. Walras e Jevons mas que. na Escola Clássica. "Ao . diz Marshall.

belas. inclusive as reações. as análises desenvolvidas a esse respeito consideravam a idéia de equilíbrio geral. Por exemplo. o método de "análise parcial" ou "análise de equilíbrio parcial". estamos implicitamente fazendo centenas de suposições sobre outras circunstâncias que não deverão mudar inesperadamente. Até então. que o cinema não pegará fogo. controvertidas contribuições de Marshall.Oser e Blanchfield também se referem a essa contribuição considerando que a mesma contribui para tornar a análise econômica mais útil e seus resultados mais realistas:O método de análise parcial pode ser justificado com base no fato de que nos permite investigar os diversos estágios de fenômenos complexos. Consideramos a mudança de uma variável de cada vez. que uma enchente ou um terremoto não bloqueará a entrada para a cidade.senão o maior . ele procurou. isto é. exceto o fator que permitimos variar. que não surgirá nada mais interessante para fazer à noite. f. com efeito. ser simplificados e pesquisados de maneira ordenada e sistemática. estamos supondo que não quebraremos uma perna ou morreremos do coração durante o dia. Se afirmarmos "vou ao cinema esta noite". aproximamo-nos de situações mais realistas.De acordo com Ottolmy Strauch.introduzir o fator tempo na análise econômica pela distinção entre curtos e longos períodos. é uma técnica empregada durante todo o tempo. À medida que introduzimos variáveis sucessivas. Supor que o restante permanece constante. supondo que o restante permaneça constante. com isso. Equilíbrio parcial Outra grande contribuição de Marshall refere-se à noção de equilíbrio parcial. também chamada de abordagem de Ceteris paribus (iguais às demais coisas. Consiste.especialistas no assunto. . determinar o papel do custo objetivo de produção (longos períodos) e o da utilidade marginal (períodos curtos) na determinação do valor dos bens e serviços". em compartimentar a economia de modo que os principais efeitos de uma mudança de parâmetro num determinado minimercado possam ser ressaltados sem considerar os efeitos colaterais em outros mercados. ou feedback destes. essencialmente. sem que haja modificação de outras características ou circunstâncias) é das mais famosas e. sendo Walras reconhecido como um dos maiores . Os problemas de nossa sociedade terrivelmente complicada com suas inúmeras variáveis podem.

Ralph George Hawtrey e Milton Fridman (ganhador do Prêmio Nobel em 1976). em muitas partes do mundo.Mas duas das maiores preocupações de Alfred Marshall continuam sendo não apenas atuais. Pode-se identificar ainda o vasto desenvolvimento da economia matemática (econometria) como uma conseqüência da influência da Escola Neoclássica.A divisão entre Polytical Economy e Economics permanece também dando margem a acalorados debates e muitas trocas de farpas. C. teve em Vilfredo Pareto seu principal seguidor. iniciada com Menger. Ludwig von Mises e Friedrich Hayek (ganhador do Prêmio Nobel em 1974). mas seguem ainda dando muita dor de cabeça aos economistas contemporâneos. costumam haver sessões separadas da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) e da . assim como os progressos mais recentes no campo da teoria dos jogos. Irving Fisher. que teve início com Jevons e teve continuidade com Marshall. iniciada com Walras. A outra. o combate à pobreza. A Escola Austríaca. Pigou. seguiu depois com importantes economistas.3. entre os quais os laureados com o Nobel de Economia.Dentre as ramificações posteriores. Nas reuniões anuais da Associação Nacional dos Centros de Pós-graduação em Economia (ANPEC). Paulo em janeiro passado. Vale a pena. sobre a importância econômica da educação. continua gerando muitas discordâncias e. aí se destacando John Gustav Knut Wicksell. destacando-se entre eles A. a esse respeito. Theodore W Schultz (1979). Já a Escola de Lausanne.A Escola de Cambridge. teve depois von Wieser. dar uma lida no artigo Receita para combater a pobreza ainda é um mistério para os economistas. uma vez que gerações sucessivas têm contribuído para o aperfeiçoamento e a atualização de suas diversas ramificações. Bohn-Bawerk. de autoria de Davis Wessel e reproduzida em O Estado de S. pode-se assinalar também a vertente que se tornou conhecida como economia monetária (ou monetarista). segue inspirando renomados economistas contemporâneos. O legado de Marshall e da Escola Neoclássica Considerando que a Escola Neoclássica foi uma extensão da Escola Marginalista. as políticas econômicas levadas a cabo com esse objetivo apresentaram resultados pífios. podese afirmar que sua influência permanece acentuada na Economia até os dias de hoje. Gary Becker (1992) e James Heckman (2000). Uma delas.

A Revolução Keynesiana e crítica ao pensamento marginalista. . economia! A escola marginalista: os métodos de Marshall e Walras. Os adeptos de cada uma dessas associações costumam dizer que o que se faz na outra não é. propriamente.Sociedade Brasileira de Econometria (SBE).

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