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Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia

Instituto Adventista de Ensino do Nordeste

ACEITAR OU NÃO A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ


É UMA QUESTÃO INDIVIDUAL E NÃO COLETIVA

Monografia
Apresentada em cumprimento parcial
aos requisitos da matéria
História da Igreja

Por
Neemias Souza dos Santos
junho de 1997
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................................................ 3

Capítulo

I. FATOS OCORRIDOS ANTES DA GRANDE ASSEMBLÉIA ..................... 6

Porque Faziam isto ? ................................................................................. 6

A Crise entre os Dois Periódicos ............................................................... 7

Surge a Controvérsia ................................................................................. 9

II. A GRANDE ASSEMBLÉIA DE MINNEAPOLIS ...................................... 11

O Presidente da Associação Geral na Época ............................................. 14

III. A POSIÇÃO DA IRMÃ WHITE SOBRE O TEMA .................................. 16

No Concílio Prévio da Assembléia Geral ..................................................

16

Na Assembléia da Associação Geral ......................................................... 17

IV. O TESTEMUNHO DA TESTEMUNHA VERDADEIRA ....................... 19

CONCLUSÃO ................................................................................................ 21

BIBLIOGRAFIA ............................................................................................. 23
INTRODUÇÃO

Existe até hoje entre os membros da IASD, 1 uma polêmica muito

grande em torno de um tema que na realidade é pregado como uma doutrina da

própria igreja.

Trata-se do tema da justificação pela fé, cuja compreensão em sua

beleza e profundidade é extremamente necessária na vida do crente. Como escreveu

João Calvino: “Ela é a coluna mestra da religião cristã”, e Geerhardus declarou:”Ela

é o eixo em torno do qual gira tudo o mais”. Ainda o grande teólogo Bavink fez uma

afirmação que pode ser considerada fundamental quando se trata deste assunto:

“Esse é o artigo do credo junto com o qual a igreja ou permanece de pé ou cai.”2

Contudo, em torno dela existe uma grande controvérsia desde os

primórdios da IASD, e vem se desenrolando ao longo dos anos até mesmo nos dias

atuais.

1
Doravante, entenda-se por Igreja Adventista do Sétimo Dia.
2
Commentary on Galatians, preface, p. XCII. Citado por Tércio Sarli, Revista Adventista, fevereiro
de 1988, p. 7.
Por esse motivo está se procurando mostrar com este trabalho, uma

abordagem sobre a questão da controvérsia propriamente dita, visando buscar um

conhecimento sobre os fatos ocorridos em torno da mesma.

Far-se-á uma análise principalmente em uma Assembléia da

Associação Geral, que foi palco das principais discussões e desentendimentos que

sobre os quais a Sra. white afirma: “Nunca havia estado tão alarmada quanto no

momento presente”3

Nesta Assembléia aconteceram várias sessões indo de 17 a 25 de

outubro de 1888 onde houve muitos debates sobre o tema em pauta, mas não foi

definida uma posição oficial sobre o mesmo.

Depois destes acontecimentos, muitos ficaram indecisos quanto a

maneira correta de se interpretar a doutrina da justificação pela fé, motivo pelo qual

considera-se importante um estudo mais aprofundado procurando um esclarecimento

com relação ao que realmente aconteceu na sessão da assembléia de 1888 e por volta

daqueles anos que ficaram marcados na história da IASD.

Em meio a todos os acontecimentos relacionados com o tema da

justificação por volta da assembléia, emerge algumas questões interessantes e que a

pesquisa visa trazer algumas respostas, como: A doutrina foi aceita por todos que

estiveram ali presentes ? Porquê ? A mesma recebeu a aprovação divina ? Porque

tanta controvérsia em torno de um tema tido como doutrina da Igreja ? Poderia ser

que alguém da liderança fosse usado pelo inimigo ?

3
Manuscrito, 9. p. 1. 1888. Citado por Rubens S. Lessa, Revista Adventista, janeiro de 1988, p. 11.
Esta avaliação esta sendo direcionada basicamente em torno do

motivo principal que desencadeou-se em uma certa desconsideração sobre o tema na

tão comentada assembléia de 1888. Não se está fazendo uma análise procurando

esclarecer o tema em si, mas somente o problema ocorrido ao ser levado a tona por

ocasião da Assembléia Geral, algumas prováveis causas e um motivo que

provavelmente tenha sido a razão pela qual não fôra aceito de forma coletiva.
CAPÍTULO I

FATOS OCORRIDOS ANTES DA GRANDE ASSEMBLÉIA

A situação da igreja durante as primeiras quatro décadas, não era tão boa como às

vezes parece. Ã medida que o movimento crescia, as lutas, dificuldades e oposicões

por parte de alguns, também aumentavam. Pode-se ter uma idéia sobre isto, ao

observar que os ministros de outras denominações, valiam-se do púlpito de suas

igrejas e da imprensa, para atacar as doutrinas do movimento adventista,

especialmente no que se dizia respeito a questão do sábado.

Porque Faziam Isto?

Depois de os mileritas,1 passarem pelo grande desapontamento de

1844, e até mesmo algum tempo antes, muitos crentes de outras denominações,

inclusive pastores das mesmas, abandonaram suas igrejas para se juntarem ao

movimento que aguardava o segundo advento de Jesus Cristo.

Em decorrência disto, muitos crentes de outras juntamente com os

seus ministros passaram a fazer muitas críticas em relação as doutrinas fundamentais

da igreja, motivo pelo qual os adventistas, principalmente aqueles que assumiam

1
Acreditavam na mensagem pregada por Guilherme Miller, e que posteriormente se tornou no grande
movimento dos Adventistas do Sétimo dia.
posições de liderança tiveram que se preparar para enfrentar os seus críticos.

Começaram então a dedicar tempo e muito esforço pessoal, para examinar com

profundidade as doutrinas mais controvertidas da época. Isto fez com que alguns

viesse a dar mais ênfase na observação dos mandamentos do que a justiça recebida

de Cristo gratuitamente pela fé. Tudo isto porque os adventistas começaram a

guardar o sábado e para defender sua crença alguns passaram a acreditar que as

obras tinham algum valor para a salvação.

A Crise Entre os Dois Periódicos.

Pode-se ter uma idéia com relação a estes incidentes, ao fazer uma

investigação aos primeiros periódicos, livros e panfletos adventistas do sétimo dia.

Realmente durante as primeiras quatro décadas do movimento, a doutrina da

justificação através de Cristo, embora importante e verdadeira, era secundária em

relação a outras questões doutrinárias.2

Para se ter uma idéia de como inconcientemente os pioneiros da igreja

estavam muito ligados ao fato de defenderem as doutrinas da igreja e de certa forma

deixando de lado a justiça pela fé, basta saber que em 1854, numa revista oficial da

igreja, intitulada The Advent Review And Sabath Herald (A Revista do Advento e

Arauto do Sábado), foi publicado uma relação das principais doutrinas ensinadas

pela Review e não foi feita nenhuma alusão à justificação pela fé e nem mesmo os

temas a ela relacionados.3

2
Alberto R. Timm, O Movimento Adventista e a Justificação Pela Fé, p. 9.
3
Ibid.
Em outra ocasião, no ano de 1877, Uriah Smith e Tiago White

publicaram um livro de 352 páginas, intitulado The Biblical Institute (O Instituto

Bíblico), Cobrindo toda a teologia adventista, porém um livro de 352 páginas , não

fazia nenhum comentário sobre a doutrina da justiça pela fé em Cristo Jesus.4

Foi neste contexto que de repente apareceu um homem ex-batista, que

havia aceitado a doutrina adventista em 1852, chamado Joseph Harney Waggoner (!

820 - 1889). Como ele ja era autor de alguns livros de cunho doutrinário, começou a

publicar alguns artigos para outra revista da igreja na época intitulada The Signs of

the Times (Os Sinais dos Tempos).

No ano de 1881, J.H Waggoner tornou-se o editor da revista The

Signs of the Times, substituindo assim a Tiago White que havia falecido. Vendo a

necessidade da pregação da mensagem de justificação pela fé, J. H. Waggoner

decidiu, como parte de sua política editorial, publicar, se possível, em cada número

algumas mensagens mostrando a graça salvadora de Cristo.

Precisando de pessoas para auxiliá-lo, J. H. Waggoner convidou seu

filho Ellet J. Waggoner (1855 - 1916), um médico do sanatório de Battle Creek, que

por não se sentir-se realizado no exercício da medicina, decidiu trocar as suas

atividades médicas pelo púlpito e a obra em favor das almas, pois isto sim o atraía. 5

Convidou também a A. T. Jones (1850 - 1923), que havia sido sargento no 21 o.

Regimento de Infantaria e interrompendo suas atividades como militar passou a

atuar na obra de Deus começando primeiramente a ajudar o Pr. Van Horn, o mesmo

4
Enoch de Oliveira, A Mão de Deus ao Leme, p. 99.
5
Ibid., pp. 194,195.
que o havia

ba******************************************************************

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**************************************rdo entre as mensagens apresentadas

pelas duas revistas e logicamente também entre os editores das mesmas.

Várias vezes estes editores entraram em discussões por questões

teológicas, sobre isso a irmã White falou: “ Geralmente estas discussões, quer orais

ou escritas, resultam em mais mal do que bem.”7

Surge a controvérsia

A igreja estava acostumada a encontrar em pregações, em palestras,

em livros, revistas, enfim em todas as áreas de comunicação mensagens que estavam

apresentando mais a salvação pela fé e obras do que somente pela fé. A Review and

Herald sob a orientação editorial de Uriah Smith, tinha um poder sobremaneira nas

crenças fundamentais dos crentes adventistas, e defendia uma posição legalista. No

entanto, a revista The Signs of the Times dirigida por J. H. Waggoner e seus dois

6
Oliveira, p. 199.
7
Ellen G. White, Testemonies, v. 3. p. 213
assistentes, defendia ao contrário daquela, uma posição de exaltação do princípio

aclamado pelos pregadores da reforma “Sola Fide”( somente pela fé).

Isto sucistou uma crescente preocupação e alarme no seio da igreja,

pois muitos crentes adventistas (e até mesmo entre dirigentes) já se haviam

identificado inconscientemente com o pensamento da justificação pela fé em Cristo

mais as obras da lei.8

Em 1886, desatou-se uma cerrada controvérsia entre os dois

periódicos denominacionais, quando Uriah Smith publicou um artigo na Review and

Herald escrito por O. A. Johnson, no qual, de acordo com o autor a lei mencionada

na carta aos Gálatas era a legislação cerimonial . Imediatamente a interpretação de

Johnson foi refutada por E. J. Waggoner em um artigo publicado na revista The

Signs of the Times, defendendo que a lei ali apresentada não era a legislação

levítica , mais sim o decálogo proclamado no Sinai. 9 Isto desencadeou uma acirrada

discussão que levou o tema até a assembléia de Minneapolis.

8
Oliveira, pp. 99,100
9
Ibid., p. 100
CAPÍTULO I I

A ASSEMBLÉIA DE MINNEAPOLIS

Chegava-se próximo a assembléia de Minneapolis, onde aconteceria

reuniões importantes que marcariam a história do adventismo. Devido a algumas

controvérsias sobre alguns temas, foi feito um Concílio Ministerial ( Instituto

Bíblico) apresentando os temas e suas defesas. Esse Concílio começou no dia 11 de

outubro de 1888 numa quinta-feira, seis dias antes da primeira sessão da assembléia

propriamente dita. Foi nele que foi feita uma prévia preparação sobre os temas que

seriam apresentados na assembléia. Além do controvertido assunto da justificação

pela fé existiam alguns outros que estavam agendados sequeciamente nesta ordem:

(1) Uma compreensão histórica dos dez reinos; (2) A divindade de Cristo; (3) A cura

da ferida mortal; (4) A justificação pela fé; (5) Quão longe deveríamos ir ao tentar

usar a sabedoria da Serpente e (6) A predestinação.

No primeiro dia do Concílio Ellen White percebendo o clima entre os

participantes, alertou:

Irmãos, é necessário que alcançemos uma norma mais elevada


e mais santa... Sei que Deus ouve as orações do Seu povo. Sei que Ele
as responde. Não pode, porém abençoar-nos enquanto acariciamos o
egoísmo... Mas se abandonarmos a exaltação de nós mesmos e
pusermos de lado toda a justiça própria e entrarmos numa viva relação
com Deus, a justiça divina nos será imputada.1

Esta declaração da sra. White, demonstra que havia ali um sentimento

de egoísmo e exaltação por parte de alguns, muito maiores do que o sentimento de

exaltação do nome de Cristo. Um sentimento cultivado durante anos, somente

aguardando aquele momento para descarregar de uma vez por todas. Isto pode ser

visto através de declarações como esta: “O universo celestial olha com assombro

para os que estão sem Cristo... Ponde de lado o espírito de controvérsia no qual vos

tendes educados por anos.2

Finalmente iniciava-se a tão esperada 27a. Assembléia da Associação

Geral, realizada no novo templo de Minneapolis, Minnesota, entre os dias 17 de

outubro a 4 de novembro de 1888. O número de membros em âmbito mundial, na

época era 26.968, dos quais 96 foram representa’-la como delegados. 3 Com uma

cerimônia de abertura às 9:00 hs da manhã começou a primeira sessão da

assembléia. Como o assunto de justificação pela fé tinha chamado a atenção, no

prévio concílio, ficou decidido que durante as sessões haveria exposições sobre o

tema. Os seus dois principais defensores eram E. J. Waggoner e A. T. Jones.

Waggoner expôs o tema várias vezes, a irmã White também apresentou temas, que

embora não falasse específicamente sobre a justificação pela fé, preparava o

caminho para o seu entendimento.

1
White, Manuscrito 6, p. 3. 1888. Citado por Rubens S. Lessa, Revista Adventista, janeiro de 1988,
p. 10.
2
_____, A Chosen People, citado por Rubens S. Lessa, Revista Adventista, p. 8.
3
Timm, p. 16.
O ponto interessante que pode-se destacar, foi o fato de Jones após

ouvir a exposição do Pr. Uriah Smith, no dia 17 de outubro, e perceber que, ao

contrário do que ele havia apresentado 4, estava mostrando que não eram os alamanos

e sim os hunos.

Jones rejeitou com energia as conclusões de Smith, insistindo


que uma correta exegese incluiria os hunos e em seu lugar poria os
alamanos. Smith declarou com modéstia que a sua interpretação não
era a original, pois se estribava na opinião de vários eruditos. Diante
desta afirmação, Jones, com rispidez e cortante ironia declarou: “O
Pastor Smith confessou que nada sabe sobre o assunto. Porém, eu
conheço o tema, e não quero que me façam responsável pelas coisas
que ele desconhece.5

Com isso a igreja se dividiu em três grupos, que ficaram conhecidos

como os que favoreciam os hunos e os que defendiam os alamanos...6

Um grupo dizia: “Naturalmente a salvação vem por meio de


Cristo, mas tendes de obedecer à lei se a ela quereis ter direito.” O
grupo dos pastôres Waggoner e Jones dizia: “Esperai receber a
salvação por meio de Cristo, poi a lei nada tem que ver com ela.”7

Além destes dois formou-se também um terceiro, que estava indeciso

entre um entendimento e outro, era um grupo de neutros.

4
Jones havia apresentado o mesmo assunto que o Pr. Smith estava apresentando, onde mostrara que
os alamanos representavam um dos dez reinos simbolizados pelas dez pontas do “Animal terrível e
espantoso”
5
Timm, pp. 16,17.
6
Lessa, Panorama Histórico da Assembléia de Minneapolis, Revista Adventista, janeiro de 1988, p.
11.
7
Odair Linhares e Isolina A Waldvogel, História de Nossa Igreja, p. 249.
O Presidente da Associação Geral na Época.

O Pr. Butler era o presidente da Associação Geral na época. George I.

Butler nasceu no dia 12 de novembro de 1834. Seu avô, Ezra Butler, um homem

público, chegou a tornar-se o governador do estado de Vermont, em 1826. Seu pai,

Ezra Pitt Butler II, era respeitado por todos como homem religioso, nobre e íntegro.8

A família Butler (os pais e seis filhos) aceitou a proclamação Milerita,

em 1839 mas G. I. Butler por ser muito jovem ainda não estava preocupado com

essas coisas. Aos 22 anos, revelou-se cético, com evidentes tendências

agnósticas,mas em 1856, suas profundas reflexões sobre assuntos bíblicos, culminou

na entrega total da vida ao Senhor.9

Tornou-se rapidamente diácono e posteriormente ancião em sua

igreja. Foi escolhido para conduzir os destinos da Associação, num momento crucial

para a igreja, carregado de tensões e incertezas.10

Na assembléia de Minneapolis, em 1888, tendo a esposa seriamente

enferma, e sentindo sua própria saúde debilitada, Butler decidiu não comparecer,

excluindo-se dos debates históricos que marcaram aquela assembléia. 11 Contudo,

enviou uma mensagem aos delegados: “Permanecei ao lado dos antigos marcos!”

Eles entenderam essas palavras como sendo uma advertência contra a aceitação dos

pontos de vista dos novos pregadores da Califórnia: Waggoner e Jones.12

8
Oliveira, p. 228.
9
Ibid., pp. 228,229.
10
Ibid., p. 229.
11
Ibid., pp. 231,232.
12
William Johnsson, Os Marcos do Adventismo, Revista Adventista, janeiro de 1988, pp. 8,9.
CAPÍTULO 111

A POSIÇÃO DA IRMÃ ELLEN WHITE SOBRE O TEMA

A irmã Ellen White se demonstrou favorável à doutrina da

justificaçào pela fé, apresentada por Waggoner e Jones. Muitas são as atitudes e

citações feitas por ela declarando isto. Como uma profetiza de Deus, a Sra. White

mostrou a aprovação de Deus com relação a mensagem.

No Concílio Prévio da Assembléia Geral

O sábado, dia 13 de outubro foi um dia memorável em virtude


do refrigério recebido do Senhor. A irmã White falou à tarde com
muita espontâneidade e com grande poder. A passagem bíblica: “Vede
quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados
filhos de Deus,” serviu-lhe de base para extrair preciosas lições da
grande bondade de Deus manifestada para conosco... Após seu
sermão, 62 pessoas deram seu testemunho em rápida sucessão, quando
manifestaram agradecimento e louvor pelos dons e a bondade do
Senhor. A Serva do Senhor estava, desta maneira, preparando o
caminho para a apresentação da doutrina da justificação pela fé.1

Na Assembléia da Associação Geral

Em seis palestras, apresentadas pela Sra. White, durante o período de

17 a 25 de outubro, definiu-se a sua posição quanto ao tema em questão. Apesar das


1
Review and Herald, 23 de outubro de 1888. Lessa, Revista Adventista, janeiro de 1988, p. 11.
palestras apresentadas nem sempre abordarem o assunto da justificação pela fé

especificamente, serviram para esclarecer que a serva do Senhor apoiava sem

reservas, os conceitos de Waggoner e Jones.

Houve, porém, pessoas que não aceitaram as “novas idéias.” Por esta

razão ela afirmou que “nunca havia estado tão alarmada quanto ao movimento

presente. ”2 Na manhã do dia 26, ela foi incisiva:

“Tendes olhos mais não vedes, tendes ouvidos mas não ouvis. Irmãos
a luz veio até nós, e devemos colocar-nos no lugar em que possamos
recebê-la, e assim Deus nos guiará, um a um, até Ele. Vejo o perigo e
quero advertir sobre ele.”3

Claramente pode-se notar que a Sra. White estava apoiando a

mensagem e vendo perigo quanto ao fato de muitas pessoas se mostrarem contrárias

a ela. Para confirmar ainda melhor sua posição, quanto ao que o pastor vinha

expondo aos delegados na assembléia de Minneapolis, Ellen White categoricamente

afirmou:

“Vejo a beleza da verdade na apresentação da justiça de Cristo em


relação com a lei, tal como o doutor a tem exposto... O que ele tem
dito está em perfeita harmonia com a luz que Deus tem desejado dar-
me ao longo dos anos de minha experiência.”4

É interessante notar ainda que a irmã White já vinha falando sobre o

tema a muito tempo atrás. Em uma reunão campal, no dia 17 de junho de 1889, ela

2
White, Manuscrito 9, p. 1. 1888. citado por Lessa, Revista Adventista, janeiro de 1988, p. 12.
3
Ibid.
4
White, Manuscrito 15, 1888. Citado por Lessa, Revista Adventista, janeiro de 1988, p. 12.
afirmara: “Tenho apresentado este assunto por 45 anos - Os incomparáveis encantos

de Cristo.”5

5
Lessa, Idéias de Ellen White Sobre a Justificação Pela Fé Antes de 1888, Revista Adventista,
fevereiro de 1988, p. 5.
CAPÍTULO IV

O TESTEMUNHO DA TESTEMUNHA VERDADEIRA

A mensagem de justificação pela fé esta também revelada no

testemunho da testemunha fiel à igreja de Laodicéia de acordo com Chaij: “É esta

uma mensagem de Cristo à sua igreja, que abate a enfatuação e o engano da justiça e

suficiência próprias...”

Jesus Cristo ali, como a Testemunha Verdadeira, primeiramente

diagnostica a doença, dizendo: “Pois dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada

tenho falta. Mas não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nú.”

Apoc. 3:17. e depois ele dá o remédio que entre eles está as “Vestiduras Brancas”.

Apoc. 3:18.

O vestidos brancos, que representam a justiça de Cristo aplicada à

vida do pecador, constituem um manto de confecção celestial, feito diretamente nos

teares do Céu. Estes vestidos só podem ser obtidos pela fé.

O problema da obtenção da justiça por parte do homem é tão antigo

como o pecado. Desde o dia em que nossos primeiros pais violaram a lei de Deus e

se tornaram passíveis de morte eterna, a humanidade tem estado a buscar com


ansiedade a maneira de alcançar de novo a justiça, ou seja, um estado espiritual que

a reconcilie com Deus.1

Com relação a este mensagem a irmã Ellen White declara:

Vi que o Testemunho da Testemunha Verdadeira não teve a metade da


atenção que deveria ter. O solene Testemunho de que depende o
destino da igreja tem sido apreciado de modo leviano, se não
desatendido de todo. Tal testemunho deve operar profundo
arrependimento; todos os que o recebem de verdade obedecer-lhe-ão e
serão purificados.2

Em outra ocasião a Sra. White mostra que os que não aceitam esta

mensagem preferindo acreditar que a salvação é pela fé associada às obras da lei,

confiando assim em seus próprios méritos, cairão durante a sacudidura e se perderão.

Perguntei a significação da sacudidura que eu vira, e foi-me


mostrado que era determinada pelo testemunho direto contido no
conselho da Testemunha Verdadeira à igreja de Laodicéia... Alguns
não suportarão esse testemunho direto. Levantar-se-ão contra ele, e
isto é o que determinará a sacudidura entre o povo de Deus.3

...É esta uma mensagem de Cristo á sua igreja, que abate a


enfatuação e o engano da justiça e suficiência próprias, produzindo um
espírito de sincero arrependimento, confissão e limpeza do pecado,
levando o contrito ao pé da cruz para a aceitação da Justiça de Cristo.4

1
Fernando Chaij, Preparação Para a Crise Final, p. 52.
2
White, Primeiros Escritos, p. 270
3
Ibid.
4
Chaij, p. 42.
CONCLUSÃO

A mensagem apresentada na Assembléia de Minneapolis teve

demonstrações claras do que é a verdadeira mensagem da justificação pela fé. Ainda

isto pode ser confirmado quando o Pr. Waggoner estava dando uma série de estudos

sobre a mesma5 e pedindo reconhecimento R. M. Kilgone, então da Associação

Geral, sugeriu que como o Pr. Butler não se fazia presente, o tema fosse suspenso até

que o presidente pudesse estar. Porém a Sra. White declarou: “Irmãos, esta é a obra

do Senhor. Deseja o Senhor que Sua obra espere pelo Pr. Butler ? O Senhor deseja

que Sua obra avançe e não espere por nenhum homem.

Isto é prova mais do que suficientes de que houve a aprovação de

Deus sobre a mensagem apresentada. Houve também muitos que compreenderam-

na, mas por outros motivos não relacionados à doutrina em si, não a aceitaram de

imediato, vindo a aceitá-la posteriormente.

A dissenção fôra meramente um conflito de personalidades,


motivada não por diferenças irreconciliáveis na doutrina, mas pelo
egoísmo, o orgulho e a dureza do coração. Quando os participantes se
mostraram dispostos a aprender de Cristo e a humilharem-se a si
mesmos as divergências em matéria de doutrina resolveram-se
facilmente.6

5
Ao todo foram onze palestras.
6
Linhares e Waldvogel, p. 251.
A controvérsia, propriamente dita, não fôra por motivos de

incompreensão da mensagem apresentada, e sim pela falta de humildade, orgulho, e

egoísmo.

Conclui-se portanto que a mensagem de justificação pela fé tem uma

aplicação eminentemente individual, daí a explicação dela ter ficado numa posição

indefinida, por ocasião da Assembléia Geral, a nível de igreja como um todo. Agora,

o resultado coletivo se produz tão somente a medida que cada um a aceite e pratique

em sua vida pessoal.

Por isso, há necessidade do conhecimento desta doutrina e para isso é

necessário que se pregue mais sobre este tão maravilhoso tema que aproxima o

cristão a cada dia de Jesus, “Isto, porém, eu sei que nossas igrejas estão perecendo

por falta de ensino sobre o assunto da Justiça de Cristo, e verdades semelhantes.7

7
White, Obreiros Evangélicos, p.301
BIBLIOGRAFIA

Chaij, Fernando. Preparação Para a Crise Final. edição de bolso. Tatuí, Casa
Publicadora Brasileira,1990.

Johnsson, William. “Os Marcos do Adventismo.” Revista Adventista, janeiro 1988,


p. 8.

Lessa, Rubens S. “Idéias de Ellen White Sobre Justificação Pela Fé.” Revista
Adventista, fevereiro 1988, p. 5.

Lessa, Rubens S. “Panorama Histórico da Assembléia de Minneapolis.” Revista


Adventista, janeiro 1988, p. 10.

Linhares, Odair e Isolina Waldvogel. História de Nossa Igreja. Santo André, Casa
Publicadora Brasileira. [sem data].

Maxwell, C. Marvyn. História do Adventismo. Santo André, Casa Pulicadora


Brasileira, 1982.

Oliveira, Enoch de. A Mão de Deus ao Leme. Santo André, Casa Publicadora
Brasileira, 1985.

Paxton, Geoffrey J. O Abalo do Adventismo. 2a. edição. Rio de Janeiro, JUERP,


1987.

Timm, Alfredo R. O Movimento Adventista e a Justificação Pela Fé. São Paulo,


Instituto Adventista de Ensino.

White, Ellen G. Obreiros Evangélicos. Santo André, Casa Publicadora


Brasileira,1985.

White, Ellen G. Primeiros Escritos. 3a. edição. Tatuí, Casa Publicadora Brasileira,
1988.