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G.

5 – Ciências Humanas

O CONSTRUTIVISMO COMO LINHA DE PENSAMENTO E AS PESQUISAS


EM EDUCAÇÃO

Andreia de Lourdes Ribeiro PINHEIRO1, Natarsia Camila Luso AMARAL2, Renato Moreira SILVA2,
Jackson Ronie SÁ-SILVA3,

Ex.: 1 – Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE - UEMA): Mestrado Profissional em Educação,


Universidade Estadual do Maranhão – UEMA Campus Paulo VI; andreialrpinheiro@gmail.com*;
2 - Programa de Pós-Graduação em Educação: Mestrado Profissional em Educação, Universidade Estadual
do Maranhão – UEMA Campus Paulo VI;
3 - Professor Adjunto Departamento de Química e Biologia, Universidade Estadual do Maranhão – UEMA
Campus Paulo VI, Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE – UEMA), Mestrado
Profissional

INTRODUÇÃO
O construtivismo é uma corrente epistemológica contemporânea, surgiu para
explicar a aquisição do conhecimento na perspectiva da psicologia. De acordo com os
estudiosos, o ser humano elabora os conhecimentos, transformando-os continuamente,
através da relação, pessoas/objetos.
São muitas as correntes epistemológicas com as quais os alunos deparam-se ao
ingressar em um programa de pós-graduação, esse trabalho pretende explorar os
conhecimentos da corrente construtivista e aprofunda-lo.
O interesse desse estudo é estimular a investigação acadêmica para pesquisas
realizadas em educação e justifica-se pela importância do aporte de conhecimentos sobre
o construtivismo como linha de pensamento bem como a necessidade desse conhecimento
para a escrita das dissertações.
A proposta desta pesquisa emergiu das aulas da disciplina Pesquisa em Educação
do Programa de Pós–Graduação, Mestrado Profissional em Educação da Universidade
Estadual do Maranhão e constituiu-se como uma investigação de cunho teórico-
bibliográfico sobre o construtivismo como linha de pensamento nas pesquisas em
Educação. O referido trabalho em formato de pesquisa bibliográfica se propõe a suscitar
novos questionamentos sobre o uso da teoria construtivista no campo da Educação na
medida em que faz pensar sobre técnicas, métodos e procedimentos de ensino e
aprendizagem que usam os fundamentos teórico-metodológicos dessa linha de
pensamento. Inclusive proporcionará aos sistemas de ensino rever a aplicação dessa
teorização.

METODOLOGIA
A pesquisa se configura com uma abordagem qualitativa uma vez que o objeto
a ser analisado são os conhecimentos sobre o construtivismo como linha de pensamento
e as pesquisas em educação.
A metodologia desse trabalho consiste basicamente em uma pesquisa
bibliográfica, uma vez que o tema foi definido, compilamos e organizamos um referencial
teórico com aprofundamento e expansão das busca sobre o construtivismo.
A pesquisa bibliográfica nos coloca frente aos autores que estão envolvidos com
a temática da nossa escolha. Com relação ao material bibliográfico que foi levantado
temos:

[...] registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos


impressos, como livros, artigos, teses etc. Utilizam-se dados de categorias teóricas já
trabalhadas por outros pesquisadores e devidamente registrados. Os textos tornam-se
fontes dos temas a serem pesquisados. O pesquisador trabalha a partir de contribuições
dos autores dos estudos analíticos constantes dos textos (SEVERINO, 2007, p.122).

Realizou-se análise dos conteúdos dos textos selecionados que abordam a


temática aqui escolhida inicialmente pelo livro, Construtivismo e ensino de ciências:
reflexões epistemológicas e metodológicas de Moraes (2000) que abriram espaço a mais
inquietações.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O construtivismo é uma corrente epistemológica que surgiu no século XX, deriva


de duas grandes vertentes filosóficas, objetivismo e subjetivismo que são antagônicas e
inconciliáveis. A psicologia objetivista privilegia o dado externo, afirmando que o
conhecimento vem exclusivamente da experiência. Enquanto que a psicologia subjetivista
entende que todo conhecimento é anterior à experiência, enfatizando a primazia do sujeito
sobre o objeto.
Essa linha de pensamento parte da crença de que o saber não é algo que está
concluído, sendo um processo em construção e criação. Iniciou-se com Jean Piaget que é
considerado o precursor e ao mesmo tempo com sua extensa obra continua a contribuir
nas pesquisas atuais sobre o tema.
De acordo com Aranha (2006), o construtivismo representa um esforço na busca
de caminhos que deem conta da complexidade do processo de conhecimento. Por isso
apoia-se em pesquisas científicas da Psicologia, Psicologia Social, da Psicanálise, da
Medicina, da Tecnologia, da Cibernética, da Linguagem, dentre outras.
Piaget defendia que o conhecimento resultava da interação do sujeito com o
ambiente. Considerava que cada sujeito constrói, ao longo de seu processo de
desenvolvimento, o seu próprio modelo de mundo e que as chaves principais do desse
processo são a própria ação do sujeito e o modo pelo qual isto se converte em um processo
de construção interna. Na concepção Piagetiana o ensino deixa de ser uma transmissão
de conhecimento, e passa a ser um processo de elaboração de situações didático-
pedagógicas que facilitem a aprendizagem, enfatizando a interação com os objetos.
Na sequência dessa linha surgiu Vygotsky que também estuda o construtivismo,
porém com um olhar mais crítico, tem como base os estudos Piagetianos e contribuiu com
novos elementos que influenciam na construção do conhecimento. Ele vê o sujeito como
um ser eminentemente social, na linha de pensamento marxista, e ao próprio
conhecimento como um produto social. Assim, de acordo com Becker (1984):
[...] construtivismo na Educação poderá ser a forma teórica ampla que reúna
as várias tendências atuais do pensamento educacional. Tendências que têm
em comum a insatisfação com um sistema educacional que teima (ideologia)
em continuar essa forma particular de transmissão que é a Escola, que consiste
em fazer repetir, recitar, aprender, ensinar o que já está pronto, em vez de fazer
agir, operar, criar, construir a partir da realidade vivida por alunos e
professores, isto é, pela sociedade... (BECKER, 1984. p. 89.)

O Construtivismo procura formar pessoas de espírito inquisitivo, participativo e


cooperativo, com mais desembaraço na elaboração do próprio conhecimento. Um
benefício significante da teoria de construtivismo é que os alunos podem aplicar esse
estilo de aprendizado ao longo da vida.
Os professores que usam a teoria do construtivismo podem acreditar que o
aprendizado é baseado na habilidade da criança em obter novos conhecimentos e não na
capacidade do professor em si, já que o construtivismo foca no auto aprendizado.
A influência dessa linha de pensamento na educação brasileira pode ser verificada
também através da atual Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e do Plano Nacional de
Educação (PNE).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não há teoria perfeita, completa, única que responda a todas as perguntas. As
teorias respondem alguns problemas e apresentam outros, muitas críticas surgiram com
relação à concepção construtivista de ensino aprendizagem.
Vygotsky e Freire partilham da mesma preocupação, com o desenvolvimento
integral das pessoas na filosofia marxista, no enfoque construtivista, na importância do
contexto social na firme crença na natureza dos seres humanos, na formulação de um
ensino crítico construtivista.
O construtivismo oferece de estratégias pedagógicas, uma vez que o aluno realiza
aprendizado mediante ações concretas ou mentais sobre os conteúdos. Ao adotar essas
concepções para pensar o aprendizado escolar significa perceber que o trabalho do
educador engendra a criação de um conjunto de atividades que estimulem o
desenvolvimento cognitivo.

Palavras-chave: APRENDIZAGEM. CONHECIMENTO. TEORIA.

REFERÊNCIAS
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da educação. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2006.
BECKER, Fernando. Da ação à operação: o caminho da aprendizagem; Jean Piaget e
PauloFreire.Tese (Doutorado) - Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 1984.
MORAES, Roque. (Org). Construtivismo e ensino de ciências: reflexões epistemológicas e
metodológicas. – Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000. 230 p.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2007.

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