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João Roberto Gretz, nascido em Itapeva, interior de São Paulo, era agricultor e feirante até

os 20 anos de idade, quando foi para a capital paulista cursar Administração de Empresas e
História, além de trabalhar como professor.
Especializou-se em Administração da Produção, Marketing e Relações Humanas,
trabalhou em grandes empresas como diretor de Recursos Humanos, exerceu cargos de
Liderança na área de Qualidade e em programas motivacionais para a Qualidade Total, e foi
também professor em cursos de pós-graduação. Atualmente dirige a sua própria empresa,
Viabilização de Talentos Humanos LTDA.; especializada em Programas de Produtividade e
Qualidade: Excelência de Serviços através das pessoas; T. Q. S. – Total Qualidade de
Serviços; T. Q. C – Total Controle de Qualidade; além de programas específicos para área
comercial (vendas).

Voando como a águia

João Roberto Gretz, 2008.


Direitos reservados para Viabilização de Talentos Humanos S/C Ltda.
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Agronômica
Florianópolos – SC
CEP 88025-301
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Fax: (048) 3228-6207
Edição de texto e coordenação editorial:
Gustavo Barbosa
Capa e Ilustrações:
Pedro Van Erven/Guta Estúdio
Edição Visual:
Conceito Comunicação Integrada

Para encomendar este livro:


Telefone (048) 3228-0808
E-mail: talento@gretz.com.br
Home Page: WWW.gretz.com.br

PROF. GRETZ

VOANDO COMO A ÁGUIA


A inteligência espiritual como fator de mudança
Florianópolis 2008

A partir de uma frase nasceu este livro.


E Quem deu motivo a essa frase criou nada mais nada menos que todo o Universo.
Dele nascemos e Nele renovamos nossas forças a cada momento de nossa vida.
Assim, dedico este livro Àquele que é inspiração maior de todos nós.
1. O dom de voar.........................................................7
2. A força de um símbolo...........................................11
3. Tempo de mudança................................................17
4. Vivendo mais... e melhor.......................................27
5. Vivendo mais... e muito melhor!...........................37
6. Vivendo a vida com mais humor...........................47
7. Enxergando o futuro..............................................55
8. De olho na meta....................................................63
9. Velocidade.e Agilidade.........................................71
10. Razão, instinto e intuição......................................79
11. Emoção e astúcia..................................................87
12. Inteligência espiritual e imaginação.....................99
13. Obstáculos e turbulências...................................109
14. Harmonia, equilíbrio e paz interior.....................119
15. Superando limites................................................129
16. Ousadia realizadora.............................................137
17. Realização vitoriosa............................................145
18.0 vôo da águia......................................................153
19. Renovação e transcendência...............................163
Capítulo 1
O dom de voar

"Deus dá força aos cansados e vigor aos fracos e desanimados.


Até os jovens se cansam, até os moços perdem as forças e caem de tanto cansaço,
mas os que esperam no Senhor sempre renovam suas energias.
Caminham e não perdem as forças.
Correm e não se cansam, sobem voando como águias".
SEMPRE QUE APRESENTO em minhas palestras, projetada na tela, a frase que abre este
capítulo (adaptada de um sugestivo trecho do profeta Isaías - capítulo 40, versículos 29 a
31), o público aplaude com grande emoção e entusiasmo.
É uma reação espontânea, como uma onda que remexe em todos o mesmo sentimento.
Como se a frase de Isaías, por si só, transmitisse essa força que nela se anuncia.
Há frases assim, que nos contagiam com idéias positivas, impactantes e transformadoras.
Mas o que existe nesta frase, em especial, que puxa o entusiasmo das pessoas?
Será que é o recado aos fracos e desanimados? A mensagem de esperança a todos nós que
tanto batalhamos nesta vida e às vezes nos sentimos estressados? A promessa de renovação
das energias? A expectativa de caminhar ou até correr vencendo grandes distâncias sem que
o cansaço nos faça esmorecer?
É tudo isso, mas há um ingrediente mágico, bem no finalzinho da frase, que leva nossa
imaginação e nossa emoção às alturas.
Isso mesmo. É a imagem da águia. A idéia de voarmos como elas.
Pois a águia é um símbolo que desencadeia em nossa mente profundos significados,
presentes nas mais diversas civilizações, desde tempos imemoriais.
Neste momento estou voando, não exatamente como as águias, mas a bordo de um Boeing
- que é onde passo grande parte do meu tempo, transportando-me entre uma palestra e
outra, viajando quase todos os dias entre os pontos mais distantes do país.
Vinha pensando na frase de Isaías, que provocou novamente uma reação emocionada do
público na palestra que fiz hoje pela manhã, quando a voz do comandante da aeronave
interrompeu minha reflexão para informar que neste instante estamos sobrevoando o rio
São Francisco.
Olhando bem de cima aquela bela paisagem da foz do Velho Chico - as cidades
ribeirinhas, as estradas, as pontes, os barcos, tudo tão pequeno quando visto lá de cima
-subitamente me senti como se fosse uma águia.
Sempre fui apaixonado pela frase de Isaías mas nunca havia me proposto a meditar sobre
ela para entendê-la com mais profundidade. Agora, graças à reação do público, em minhas
palestras, fiquei mais atento ao significado dessas palavras e percebi que potencialmente
nós temos muitos dos atributos das águias.
Por isso nos identificamos com a frase.
Por isso nos emocionamos com a idéia de voar como elas.
E por isso resolvi fazer este livro. Para compartilhar com meus amigos leitores o nosso
dom de voar. Como as águias.
Capítulo 2
A força de um símbolo

ESTAMOS NA POLÔNIA, por volta do ano 1000 da era cristã. A região da Cracóvia está
sendo cenário de uma guerra de libertação, contra a ameaça do exército germânico. As
tropas de Boleslaw lutam pela independência, mas estão em inferioridade numérica e tudo
indica que a derrota é inevitável. O moral das tropas está baixo e os inimigos ganham
terreno, fazendo muitas baixas entre os poloneses.
De repente surge o comandante, vindo de seu posto na retaguarda. Irrompe no meio do
campo de batalha cavalgando em carreira desabalada, atravessando o seu exército. O
espanto é geral quando ele ousa avançar perigosamente sobre o terreno inimigo. Seu porte
altivo e convicto não deixa margem a dúvidas.
Ele empunha uma bandeira com o mastro apontado para a frente como se fosse uma lança.
Sobe uma pequena colina e levanta a bandeira, que estampa um símbolo de águia. Ante o
olhar perplexo dos soldados dos dois lados, finca a bandeira no cume e acena para suas
tropas, protegendo-se das lanças inimigas com um escudo também gravado com o símbolo
da águia.
O corneteiro enche os pulmões e sopra com toda força o toque de avançar. Os soldados se
enchem de coragem e avançam com todas as suas forças para cima do inimigo.
O entusiasmo é tanto que parece superar completamente as condições adversas. Os
combatentes polacos, que eram em menor número, agora parecem multiplicar-se. O vigor é
tão intenso que o exército inimigo bate em retirada, depois de alguns minutos.
Pouco tempo depois, a bandeira da águia é conduzida sob gritos de vitória, em frente ao
castelo do reino que acabara de tornar-se independente.
Depois disso, a águia passa a figurar em todos os símbolos do rei Boleslaw I, o Bravo, e
nos brazões, moedas, selos, estandartes e bandeiras dos reis que o sucederam nos séculos
seguintes.
Esta lenda, entre muitas outras narrativas históricas, mostra a força do símbolo da águia.
Não só na Polônia, onde reinou Boleslaw, mas em muitos outros reinos europeus da Idade
Média, a águia tem sido, há milênios, o emblema preferido, o símbolo mais freqüente na
heráldica em todos os tempos, tanto na guerra quanto na paz.
Se quisermos ir mais longe em nosso vôo pelo tempo, veremos a águia como símbolo de
força e vigor na antiga China, onde a palavra "ying", águia, também significa herói.
Em Roma antiga, vamos vê-la como símbolo do Império Romano, desde o início: conta-se
que Rômulo, pouco antes de uma batalha decisiva, viu uma águia no céu e considerou esse
fato um sinal de boa sorte. A partir de então, a figura da águia passou a ser levada sempre à
frente do exército. É interessante que uma história semelhante é atribuída ao rei Ciro, em
uma batalha dos persas contra os gregos, no século 6 a.C.
A força do símbolo permanece viva ao longo dos séculos. Tanto nas pradarias norte-
americanas quanto nas montanhas nevadas dos Andes, assim como na Sibéria, no Japão, na
China, na África, em toda parte, chefes guerreiros, líderes espirituais, imperadores e heróis
tomam para si os atributos da águia, como forma de participar de seus poderes.
Nem seria preciso dizer que a águia foi o emblema imperial de César e de Napoleão. E
que nos dias atuais continua sendo este o símbolo de países poderosos, como os Estados
Unidos, e de grandes corporações empresariais.
velocidade, agilidade e ousadia. Nesses atributos podemos colher ensinamentos
valiosíssimos para nossa vida pessoal, profissional e até mesmo espiritual. Na verdade,
esses poderes da águia existem dentro de nós. Precisam apenas ser despertados.
Ainda não começamos a voar. Estamos por enquanto começando a ver como as águias
fazem. Vamos continuar os preparativos de vôo? Até o próximo capítulo e boa viagem.
Capítulo 3
Tempo de mudança

CONTA-SE QUE A ÁGUIA chega a viver setenta anos, porém, para chegar a essa idade,
precisa tomar uma séria e difícil decisão. *
Aos quarenta anos, suas unhas estão muito compridas e flexíveis e já não conseguem mais
agarrar as presas que lhe servem de alimento. O bico, alongado e pontiagudo, se curva,
apontando contra o peito. Voar torna-se muito difícil porque as asas estão envelhecidas e
pesadas em função da grossura das penas.
Nesta situação, a águia só tem duas alternativas: deixar-se morrer, ou enfrentar um
dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias.
Este processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá recolher-se, em um
ninho que esteja próximo a um paredão. Um lugar de onde, para retornar, ele necessite
fazer um vôo firme e pleno.
Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico contra a parede até conseguir
arrancá-lo, enfrentando corajosamente a dor que essa atitude acarreta.
Durante algumas semanas nessas condições, ela espera nascer um novo bico.
Depois disso, com o bico ela vai arrancando suas velhas unhas, uma por uma.
E quando lhe nascem unhas novas, com as unhas e o bico ela arranca todas as penas do
seu corpo.
Quando nascem as novas penas, a águia está renascida e sai, então, para o vôo da
renovação.
Recomeça a viver, então, por mais trinta anos.
Em nossa vida também podemos fazer um processo de renovação. Para conseguirmos
voar o vôo da vitória, precisamos nos renovar, libertando-nos do peso do passado, mesmo
que isso doa muito e nos tire sangue do peito.
(Autor desconhecido)

(*) Se você nunca tinha lido essa história, ou se foi um entre os milhões de usuários da
internet que a receberam por e-mail e gostaram tanto que repassaram para toda a lista de
amigos, ou colocaram debaixo do vidro da mesa, ou citaram esse fenômeno da águia numa
reunião da empresa, deixando todos admirados e comovidos... saiba que essa informação
sobre as águias é rigorosamente FALSA.
A mensagem é linda mas o relato é fictício. Nenhuma raça de águias tem o costume de se
automutilar para prolongar a vida. Isso jamais foi constatado por ornitólogos, que são os
especialistas no estudo das aves. A automutilação em animais só acontece em casos de
doença, ou em situações de estresse causadas pelo cativeiro, por exemplo. Mesmo assim, é
um comportamento raro e patológico.
Adotar a automutilação como símbolo de renovação é uma idéia perigosa, que a natureza
não nos ensina. Digo isso porque ainda há pessoas que, movidas por crenças religiosas,
maltratam seu próprio corpo para obter perdão dos seus pecados e assegurar um bom lugar
no céu.
Isso não é renovação; pelo contrário; é destruir o patrimônio precioso que Deus nos
confiou, um aparelho tão sofisticado que a mais avançada das tecnologias não conseguiria
fazer: o corpo humano.
E também há os casos de automutilação para seguir modismos, como o uso de piercings,
que muitas vezes provocam infecções e danos sérios.
Que dizer então dos "tratamentos" que colocam em risco a saúde e o equilíbrio do corpo,
para atender a caprichos da vaidade?

Outro dia li em uma revista a notícia de uma mulher nos Estados Unidos que estava
processando seu cirurgião plástico por causa do silicone que ele havia implantado em seus
seios. O problema é que agora, quando ela viaja de avião, a 3 mil metros de altura os seios
começam a apitar! Ou ela faz nova cirurgia, ou só pode viajar por terra ou por mar...
Caso você queira mudar ou eliminar alguma coisa em seu corpo, lembre-se do valor
inestimável que ele tem para você e procure um(a) profissional realmente capacitado(a),
que possa fazer um trabalho perfeito, sem riscos para sua saúde.

Pedra que rola não cria limo.


(Sabedoria popular)
Transformação é vida. No governo, na empresa, até mesmo na vida conjugal, o que não se
renova enferruja, cria ranços, entra em conflito com a ordem natural das coisas.
Muitas vezes, por acomodação, temos a tendência de "deixar como está, para ver como é
que fica". Isso é medo ou preguiça de mudar. Inércia é natureza morta. A natureza vida está
sempre em movimento. Até nossas células se renovam a cada momento. Quem fica
paradão, com preguiça de exercitar os músculos e o cérebro, acaba ficando pesado, frouxo e
doente, porque não se harmonizou com o processo de mudança da natureza.
Da mesma forma, muitas empresas fazem processos de reestruturação que só mexem na
superfície, nos nomes dos setores, em alguns quadradinhos do organograma, e deixam do
mesmo jeito as "ferrugens" que corróem a performance, a qualidade e o entusiasmo do
ambiente de trabalho.
Conheço uma empresa que fez grandes investimentos em processos de mudança, realizou
convenções de gerentes e diretores, contratou os melhores conferencistas, promoveu
vivências radicais - misturando "No Limite", "Casa dos Artistas" e "Indiana Jones" - que
deixavam todo mundo apavorado, derrubou as paredes dos escritórios, demitiu gente,
contratou gente, implantou programas de RH com as siglas mais badaladas da temporada e
propalou as mudanças em centenas de cartazes e faixas nas fábricas e filiais.
Até que um dos diretores, em visita a uma fábrica, resolveu caminhar pelas instalações no
intervalo de mais uma reunião do comitê de mudança organizacional (já tinha perdido a
conta das reuniões de que participou). Precisou ir ao banheiro e entrou no que estava mais
perto, em vez de ir ao toalete da diretoria. Quando estava sentado no w.c., ouviu o ruído de
operários entrando. Um pouco tímido, decidiu esperar sentado até que todos saíssem. Foi
então que ouviu o seguinte diálogo:
"E aí, meu irmão, como é que está o serviço?"
"Puxa vida, não é brinquedo não! Toda hora os homens inventam um procedimento novo
pra gente ler, toda semana o supervisor marca reunião pra discutir as mudanças..."
"Mas que mudança, compadre? Você tá vendo mudança?"
"É... no nome das coisas, nas plaquinhas das portas, e tem esses grupos que o gerente
manda a gente participar..."
"Sabe de uma coisa? Sabe pra que essa mudança toda aí, meu velho? É pra ficar tudo do
mesmo jeito que sempre foi." Depois que pára de doer, continua não indo. "O ano está
acabando, vêm aí as festas, depois as férias. No ano que vem continuo", pensa ele, como se
fosse possível continuar uma coisa que nem começou.

"Se ficar melhor, estraga". De vez em quando, escuto alguém dizer essa frase, que, embora
espirituosa, expressa claramente um medo de mudar.
Acontece que viver é um processo de mudança contínua e toda mudança está ligada a
riscos. Isso ocorre nas mais diversas situações da vida, desde o momento em que estamos
para nascer.
O que sente o bebê, quando chega a hora de sair daquela vidinha tranquila e vir aqui para
fora? A gente não se lembra, mas deve dar medo, principalmente quando o médico nos
segura pelos pés e dá umas palmadinhas. E nesse momento, em que tudo nos é
desconhecido, está começando uma vida inteira.
Muitas pessoas preferem trocar sua capacidade criativa, seus talentos inexplorados e até
mesmo a possibilidade de melhorias, por uma suposta estabilidade. Assim fazendo,
esquecem que nem mesmo teríamos aprendido a andar a não ser na base do acerto e do
erro.
"Ah, está bom assim. Para que mudar?" Essa frase, infelizmente, é muito comum, e não só
quando o time está ganhando. A maioria das pessoas prefere deixar as coisas como estão,
pois já conhecem e acham que sabem lidar com o que possa acontecer.
Em muitos ambientes de trabalho vigora aquela filosofia terrível: "Quem trabalha muito
erra muito, quem trabalha pouco erra pouco e quem não trabalha não erra." Conheci gente
que passou toda a carreira fazendo o mínimo necessário para que nada pusesse em risco o
seu posto e sua futura aposentadoria. O que alguém assim terá para se lembrar e contar para
os netos? Será que vale a pena passar a vida sem viver?

A vida é formada por momentos mágicos.


Perceber isso e vivê-los plenamente depende apenas de você.
Capítulo 4
Vivendo mais... e melhor

COSTUMO AMANHECER EM HOTÉIS uma grande parte dos meus dias. Já que meu
trabalho exige incessantes viagens, fazendo palestras em todo o país, procuro manter uma
boa disciplina de saúde e qualidade de vida, desde o café da manhã.
Um dia desses estava escolhendo umas frutas para pedir ao garçom que se fizesse com
elas uma vitamina. Já sabia que ele ouviria meu pedido com uma cara de espanto por não
ser esse um pedido comum no cardápio do hotel, e que eu teria que explicar com bastante
ênfase, repetidas vezes, para que não colocassem gelo nem açúcar. Sabia também que estas
explicações prévias talvez nem fossem transmitidas ao cozinheiro e que nesse caso eu teria
que pedir para fazer de novo. Mas tudo bem. Não me estressar por essas coisas também faz
parte da minha disciplina.
Enquanto isso, ouvi uma conversa entre dois colegas de empresa, que estavam
participando da mesma convenção onde eu iria fazer minha palestra naquela manhã.
Um deles enchia um prato de bacon com ovos, que levou para sua mesa. Depois voltou e
encheu outro prato com presunto, queijo, manteiga, geléia, bastante pão e algumas fatias de
bolo.
O outro, que mais cedo eu tinha visto fazendo ginástica na pequena sala de musculação do
hotel, pegava um pouco de iogurte com granola enquanto comentava com o colega:
"Rapaz, não é à toa que essa sua barriga está crescendo!"
"Isso não é gordura não, é que de noite acabo tomando muita cerveja nessas viagens com
os colegas. Por falar nisso, onde foi que você se escondeu ontem à noite enquanto
estávamos no bar?"
"Ah, fui fazer minha caminhada noturna. No mínimo cinco quilômetros por dia, faça
chuva ou sol."
"Tá doido? O que você pretende com isso?"
"Estou me cuidando, companheiro. Quero ter saúde e aproveitar bem a vida, por muito
tempo ainda."
"Que isso, meu caro, vamos todos morrer mesmo, quando vier a velhice, então deixe-me
aproveitar a vida agora. Além do mais, com os avanços da medicina moderna, a média de
idade aumentou e qualquer um pode passar dos setenta. Não viu ontem, aqui no hotel,
aquele grupo de turistas de terceira idade?"
"É, mas alguns ali já precisavam de ajuda para se locomover. Quero chegar aos oitenta e
tantos passeando pelo mundo todo e subindo sem dificuldades a escada do avião..."

A história da águia que abriu o capítulo anterior, embora não seja real, tem origem em
antigas lendas e mitos sobre a águia.
Alguns povos da Antiguidade e também da Idade Média acreditavam que ela, quando se
sente envelhecida, se expõe ao sol até que sua plumagem fique em chamas. Então,
mergulha três vezes numa água pura e deste modo reencontra a sua juventude. Por esse
motivo, até hoje existe um desenho de águia em pias batismais nas igrejas, representando o
renascimento pelo batismo.
Durante muitos séculos os homens sonharam em descobrir a fonte da juventude ou criar
poções milagrosas que evitassem o envelhecimento. Hoje, esses sonhos são perseguidos
pela ciência. Mas ainda não existe nenhuma comprovação de que as últimas descobertas
científicas, como a engenharia genética, as modernas técnicas cirúrgicas ou os mais
recentes métodos de longevidade, consigam realmente prolongar a vida.
De qualquer modo, é fato comprovado que a expectativa de vida está aumentando. Como
já dissemos no livro Vida com Qualidade, as pessoas viviam em média 22 anos, por volta
do século 12. No século 18, essa média tinha subido para 40 anos. No início do século 20,
estava em 48 anos a expectativa média de vida. E agora no início do século 21 a média é de
75 anos:,
Em 2025, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, as pessoas acima de 60
anos serão mais de 1,2 bilhão em todo o mundo. Uma quantidade quase quatro vezes maior
do que havia em 1970.
Essa nova realidade cria uma paisagem humana diferente nas cidades. O turismo e outras
atividades de lazer encontram na terceira idade uma nova e crescente faixa de mercado.
Como disse o personagem do caso que contei há pouco, importante é chegar aos 80
podendo aproveitar a vida.

"Não deixe passar nenhum momento sem aproveitá-lo.


A onda que passou na sua frente não voltará mais de onde veio.
Assim também a hora que passou não pode mais retornar.
É preciso aproveitar a sua idade... e sem achar que já é tarde."
(Ovídio - A Arte de Amar).
Como observei acima, ainda não existe comprovação científica de nenhum tratamento ou
método de longevidade. Mas está mais do que provado que hábitos saudáveis contribuem
para retardar o surgimento de doenças relacionadas à idade.
O que mais avançou na medicina não foram as fantásticas técnicas cirúrgicas nem a
pesquisa de novos medicamentos, e sim a compreensão da saúde como um todo integrado
ao meio ambiente, condições sociais, realização pessoal, equilíbrio emocional e qualidade
de vida.

Fatores componentes da
SAÚDE
BEM-ESTAR
EQUILÍBRIO AMBIENTAL
EQUILÍBRIO EMOCIONAL
EQUILÍBRIO SOCIAL
REALIZAÇÃO PESSOAL
HÁBITOS SAUDÁVEIS
ALIMENTAÇÃO EQUILIBRADA
EXERCÍCIOS FÍSICOS
QUALIDADE DE VIDA
ALEGRIA DE VIVER
Hoje se sabe que é fácil prevenir doenças, simplesmente mudando os hábitos de vida.
Uma quantidade maior de pessoas já tem consciência das vantagens da alimentação leve e
equilibrada.
Não precisa decorar os nomes dos nutrientes nem a quantidade de calorias. Um bom
critério é colocar no prato a maior variedade possível de cores, especialmente de alimentos
vegetais. Fuja dos alimentos gordurosos, das frituras e de fastfood. Procure consumir o
mínimo de doces e, menos ainda, bebidas alcoólicas. Aproveite bem as frutas e tome
bastante água. Não é difícil - e vale a pena - seguir essas orientações.
Certa vez fiz uma palestra em um haras, para os sócios de uma associação de criadores de
cavalos. Quando vi o porte saudável dos animais e a forma física avantajada dos humanos,
tive que me segurar para não comentar que os cavalos estavam muito melhores que seus
donos. Também achei que não ficaria bem sugerir que os criadores poderiam estar muito
mais saudáveis e bem dispostos se comessem a mesma comida que davam aos seus cavalos,
rica em vegetais e sais minerais...

Alimentação saudável e exercícios físicos são hábitos extremamente prazerosos. A


resistência de algumas pessoas contra esses hábitos, como se eles fossem desagradáveis,
não faz o menor sentido. Na verdade, é só preguiça de mudar os próprios hábitos.
Quem não gosta de fazer sessões de ginástica e longas caminhadas ao menos poderia
adotar algumas atividades simples, que sem dúvida poderão aumentar sua expectativa de
vida e seu bem-estar. Experimente, desde já:

11 dicas de saúde para todos os momentos

1. ESTACIONAR O CARRO ALGUMAS QUADRAS MAIS LONGE E CAMINHAR


2. TROCAR O ELEVADOR PELAS ESCADAS PELO MENOS UMA VEZ POR DIA
3. LEMBRAR-SE DE CORRIGIR A POSTURA, ESTANDO SENTADO OU DE PÉ
4. RESPIRAR MAIS PELO DIAFRAGMA DO QUE PELO TÓRAX
5. OUVIR UM BOM CD E CANTAR JUNTO
6. VARRER A CASA E LAVAR O CARRO VOCÊ MESMO, UMA VEZ POR SEMANA
7. PASSEAR COM O CACHORRO, SE POSSÍVEL DIARIAMENTE
8. RACIOCINAR FRIAMENTE SOBRE OS PROBLEMAS E PREOCUPAÇÕES
9. CULTIVAR SONHOS DE VIDA, TRAÇAR METAS, PLANEJAR
10. MEDITAR E REZAR COM FREQUÊNCIA, QUALQUER QUE SEJA A SUA FÉ
11. AUMENTAR O NÍVEL DE FELICIDADE EM SUA VIDA.
"Sacia teu coração em doses redobradas, porque muitas doenças são assim curadas,
e atira-te à vida como sobre uma presa, porque sua duração é efêmera.
Mesmo que tua vida durasse mil anos, não seria exato dizer que ela é longa."
(Mutamid)

Passar dos 70 anos, atualmente, está mais fácil. Mas o importante é aproveitar bem os
anos seguintes - os oitenta, os noventa, o tempo de vida que nos for legado por Deus. Já que
as limitações de idade são inevitáveis, a atitude diante da vida pode alterar decisivamente o
nosso estado de espírito quando esses anos chegarem.
Como evitar que a inteligência enferruje, a memória se apague e a caducidade se instale?
O melhor remédio é manter-se em movimento e jamais abandonar as atividades do corpo e
da mente.
Meu pai, Roberto Gretz, é um exemplo de vitalidade aos 83 anos. Começou a escrever aos
80 anos e hoje tem 20 livros escritos, dos quais 10 já publicados. Em apenas três anos,
tornou-se um dos maiores escritores de sua cidade, Itapeva (SP). E se Deus quiser ele
baterá o recorde da cidade, chegando à casa dos 20 livros publicados.
Mas seu entusiasmo pela vida não se limita aos livros que escreve.
Em frente a sua casa existe uma enorme praça; ele decidiu então formar mudas no seu
quintal, além de outras mudas que ele compra, e passou a enriquecer o jardim da cidade
com plantas que todos os dias recebem sua atenção. Ele cuida delas, molhando uma a uma,
com regularidade.
E sem prejuízo dessas atividades ele sempre reserva um tempo para pescarias nos rios da
região onde mora, a duas horas de caminhada, ou no Pantanal Matogrossense - para onde
vai sempre viaja. Adora viajar e já conheceu todas as regiões do Brasil dirigindo sua kombi,
alegremente, ao lado de minha mãe Ana Gretz, que está sempre a seu lado. Os dois são,
para mim, o maior exemplo de entusiasmo no trabalho em comum, na família, na fé e na
alegria de viver.

Li recentemente um texto do filósofo árabe Mahmud Taimur, em que ele conta que ouviu
um homem dizer:
"Se gozasse da saúde do corpo e da lucidez da mente, poderia realizar grandes obras e
conquistar grandes vitórias."
Taimur nos conta que ficou a meditar sobre essas palavras e percebeu que elas resultavam
de uma lógica invertida. Seria mais coerente se aquele homem dissesse:
"Se eu estivesse trabalhando numa obra em que acreditasse, e se procurasse conquistar
grandes vitórias, gozaria da saúde do corpo e da lucidez da mente."

Há uma canção de sucesso que diz: "Eu devia ter amado mais, passeado mais, visto o sol
nascer..." As pessoas cantam esses versos, emocionam-se com a poesia, mas se esquecem
de transformar isso em realidade.
Por que ficar chorando leite derramado, lamentando coisas que ficaram para trás? Quanta
coisa posso começar a viver, hoje, agora, desde já, a partir deste exato instante!...
Devia ter amado? Então ame agora. Devia ter se arriscado? Então ouse agora. O que está
esperando?
A natureza nos ensina que sempre é tempo de renovar.
Capítulo 5
Vivendo mais... e muito melhor!

O QUE MAIS IMPORTA? Viver bem? Viver muito? Ou viver muito bem?
Podemos viver sem doenças? Se nascemos com saúde, por que adoecemos? Saúde é sorte?
É uma determinação genética? Cuidar da saúde é um privilégio das pessoas ricas, que
podem se alimentar melhor e pagar os melhores tratamentos? Por que há pessoas que
tomam todos os cuidados com a saúde mas vivem ficando doentes, enquanto outras pessoas
nem se preocupam com isso e são saudáveis?
Muita gente faz indagações como essas, quando o assunto é saúde. Mas essas perguntas
não levam a nada.
Com exceção, é claro, das doenças congênitas (exceção que a medicina está evitando cada
vez mais), a nossa saúde depende da nossa relação com o meio ambiente.
Veja o caso da águia. Por que ficar forçando a barra e se auto-mutilando para viver mais
alguns anos, se a sua vida é um exemplo de equilíbrio na relação com a natureza? Ela vive
nas montanhas, respirando ar puro, exercita o corpo fazendo longos vôos, aproveita o sol,
mergulha em rios de água cristalina, caça somente para se alimentar, não se mete em
confusão e não polui o meio ambiente.
Vamos aproveitar essas lições da águia, trazendo para a nossa vida as principais formas de
convívio equilibrado com o meio ambiente:

Vida humana em equilíbrio com o meio ambiente


ILUMINAÇÃO ADEQUADA
RESPIRAÇÃO CORRETA
ÁGUA PURA E SUFICIENTE
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
EXERCÍCIOS APROPRIADOS
NADA DE VÍCIOS
SAÚDE MENTAL
Vamos ver, um por um, os itens acima, que são ingredientes de uma vida em condições de
equilíbrio ambiental.

Iluminação adequada
Estamos tão acostumados à eletricidade, às facilidades da iluminação artificial, que às
vezes nem nos lembramos da melhor fonte de iluminação, que é o sol.
Há quanto tempo você não admira o espetáculo do sol despontando no horizonte ao
amanhecer?
Com que freqüência você se permite parar alguns minutos a rotina dos seus afazeres para
contemplar as luzes do crepúsculo?
Dizem que a águia olha para o sol sem piscar. Cada ser vivo tem sua forma ideal de se
expor ao sol. Não somos como os lagartos, que ficam na pedra o dia inteiro pegando o
máximo do calor do sol, que lhes esquenta o sangue frio. Nossa pele não suporta ficar horas
a fio exposta ao sol quente. É importante receber o sol nos horários corretos, mas é
indispensável ter sua luz sobre nosso corpo e nossa mente, com alguma freqüência.
Dormir adequadamente, sem trocar o dia pela noite, acordar cedo e caminhar nas
primeiras luzes do dia, banhar-se nas águas de um rio ou do mar quando o sol está ameno e
aprazível. Estas são dicas de grande valor para a nossa saúde na relação com o meio
ambiente.
Respiração correta
Evite ambientes poluídos. Se você trabalha em condições ambientais difíceis, procure ver
o que pode fazer para melhorar essas condições.
Se não tem jeito de tornar as condições ideais, procure ir sempre a lugares de ar puro,
como uma praia distante, o campo, a floresta, a montanha. Nesses lugares, faça um
exercício de respiração por alguns minutos para limpar os pulmões e o sangue. Inspire
profundamente pelo nariz, expire totalmente pela boca, prolongue gradualmente a
inspiração e a expiração.

Água pura e suficiente


Quem diz que "água enferruja" e prefere matar a sede com refrigerantes ou bebidas
alcóolicas está fazendo uma grande insensatez.
Água é o melhor refrigerante, a melhor bebida de todas. Jamais deixe de bebê-la pura.
Dois litros de água por dia, ao invés de "enferrujarem" o nosso corpo, lubrificam todo o
organismo e fazem um bem enorme à saúde. Com mais água, urinamos com mais
freqüência. É bom verificar a cor da urina, que deve estar sempre clara.
Dias mais quentes pedem mais quantidade de água. Momentos de maior atividade física,
também.

Exercícios apropriados
Cada pessoa tem sua capacidade e seu ritmo ideal. Não se obrigue a ter a mesma
resistência de uma pessoa mais musculosa, e nem se acomode porque as pessoas do seu
convívio fazem pouco ou nenhum exercício. Procure sua medida, consultando um médico
se você ainda não tem o hábito de praticar exercícios regularmente.
A intensidade mais indicada é caminhar no mínimo 45 minutos, três vezes por semana.
Dependendo do seu fôlego, é bom que a caminhada seja vigorosa, com passos firmes e
largos. Caminhar é melhor do que correr. Use um calçado adequado para diminuir o
impacto.
Pode-se complementar a caminhada com ciclismo, hidroginástica ou com exercícios mais
fortes em determinados aparelhos, que um bom instrutor de academia saberá programar
para você. A freqüência e a intensidade desses exercícios poderão aumentar
progressivamente, à medida que seu preparo físico for melhorando.
Nossa disposição no dia-a-dia melhora sensivelmente quando praticamos exercícios
físicos regularmente. A primeira coisa que melhora é a preguiça de praticar exercícios,
porque nosso corpo agradece com mais vitalidade e alegria de viver.
Saúde mental
A saúde da mente e do corpo estão interligadas. Evitar os aborrecimentos, não levando as
coisas tão a sério e administrando os problemas sem deixar que eles afetem seu bom humor,
é uma atitude importante para a qualidade de vida.
Além disso, procure identificar as causas do estresse. Eliminá-las talvez não seja tão
difícil, depende só de algumas mudanças em suas atitudes ou nas rotinas do seu trabalho.
Administrar melhor o seu tempo é uma dessas atitudes indispensáveis. Trabalhar demais e
ter pouco tempo para o lazer, para o descanso, ou mesmo para se alimentar adequadamente,
não resolve nada, além de deixá-lo em condições precárias para fazer um trabalho de
qualidade.
Procure se afastar da poluição sonora. Evite também a poluição mental que existe em
alguns ambientes. Crie oportunidades de convívio saudável com os familiares e amigos, em
contato com a natureza. Fique longe dos estimulantes e do álcool, pois não precisamos
disso pára termos alegria de viver. Todos nós somos capazes de tomar essas atitudes, é só
querer.
Nada de vícios
Fumo, álcool, doces, psicotrópicos e drogas em geral são terríveis ladrões de energia.
Outros vilões, perigosíssimos: obesidade e sedentarismo. Cuidado também com o excesso
de café, açúcar, sal e gorduras.
Leia mais sobre isso nos livros Viabilizando Talentos e Vida com Qualidade.

"Antes de cultivar a paz no mundo, faça-a primeiro em seu corpo."


(Confúcio)

Alimentação saudável
No capítulo anterior já falei de alguns hábitos de alimentação - uns saudáveis, outros
perigosos - e suas conseqüências para a saúde. Mas trago aqui agora as lições de um grande
mestre no assunto, o inesquecível Dr. Gert Ingo Wolter. Assisti a uma palestra dele no
Costão do Santinho sobre "Saúde, longevidade e beleza através de métodos europeus
consagrados", e anotei seus valiosos conselhos, tão simples que qualquer pessoa pode
seguir sem dificuldade:
Alimentação saudável para saúde e longevidade
INICIAR AS REFEIÇÕES COM FRUTAS OU SALADAS
ENFATIZAR O USO DE CEREAIS INTEGRAIS
COMPLEMENTAR COM VEGETAIS E DERIVADOS LÁCTEOS
EVITAR FRITURAS, SAL, AÇÚCAR E GORDURAS ANIMAIS
NÃO HÁ NECESSIDADE DE CARNE DIARIAMENTE
EVITAR LÍQUIDOS DURANTE AS REFEIÇÕES
NÃO ABUSAR DE CAFÉ, GUARANÁ, REFRIGERANTES E ÁLCOOL
MASTIGAR BEM E COMER COM TRANQUILIDADE
PARA ADOÇAR, USE MEL, AÇÚCAR MASCAVO, ESTÉVIA OU FRUTOSE
Longevidade não é exatamente prolongar a vida, como eu já disse no livro "Vida com
Qualidade". É simplesmente cuidar bem da vida para que ela tenha a duração certa, sem
encurtá-la com ladrões de energia. E para que seja infinitamente saudável enquanto dure.
Qualquer que seja a duração - 60, 80, 100, 120 anos -nossa vida é apenas um grão de areia
na eternidade.
A humildade diante do inevitável fim da vida faz parte da sabedoria de viver. Como diz a
sabedoria popular, a única certeza que podemos ter sobre nossa própria vida é a de que,
mais dia menos dia, ela se acaba.
Permito-me acrescentar a essa sabedoria popular uma outra certeza que podemos ter sobre
a nossa vida. É algo que não depende somente dos desígnios de Deus, como a outra certeza,
mas que compete, sim, a cada um de nós.
A segunda certeza a que me refiro depende de uma decisão a ser tomada por você mesmo.
Essa decisão consiste em pilotar sua própria vida de modo que faça diferença. Fazer com
que o mundo tenha ficado um pouquinho melhor graças a sua presença. Se os seus dias
acabarem amanhã, terá valido a pena. Você terá feito sua parte.
Escrevo estas linhas pensando em pessoas admiráveis que, por motivos de Força maior,
foram embora cedo. Exemplos de entusiasmo e de capacidade de realização, como o
Comandante Rotim Amaro, o sociólogo Betinho, e o Dr. Gert Ingo Wolter - grande médico
e grande amigo, que dirigia o SPA Costão do Santinho, e com quem muito aprendi. São
dele os ensinamentos reunidos neste capítulo.
Capítulo 6
Vivendo a vida com mais humor

EM UM DESSES SEMINÁRIOS que algumas empresas promovem com seu pessoal,


com várias atividades de reflexão e dinâmica de grupo para sensibilizar as pessoas e
desenvolver a comunicabilidade, três funcionários foram sorteados para falar sobre um
tema extremamente sério: o que cada um gostaria de ouvir quando estivesse em seu próprio
velório.
O gerente de recursos humanos foi o primeiro sorteado. O segundo, um assessor de
marketing. Ambos bem falantes, preparados, sem dúvida fariam uma boa participação. O
terceiro, um assistente do setor de vendas, conhecido por seu bom humor mas sem
nenhuma preocupação filosófica. Parecia deslocado naquela mesa, ao lado dos colegas mais
graduados.
O primeiro fez um belo discurso sobre suas lembranças de infância, os ensinamentos que
recebeu ao longo da vida, a importância de se ter na empresa um espaço para continuar
desenvolvendo esse aprendizado. "Gostaria que lembrassem o meu passado, e também a
minha contribuição para manter vivos os princípios éticos que recebi de meus pais e
professores", disse ele, sob os aplausos de todos.
O segundo engrenou no mesmo tom: "Gostaria, antes disso, de conseguir realizar minhas
metas, tanto na empresa quanto em projetos sociais, para que no meu velório as minhas
realizações possam servir de exemplo às gerações vindouras. Espero que, ao fim de minha
vida, as pessoas tenham motivos para comentar minhas obras filantrópicas e também o meu
espírito empreendedor à frente dos negócios, de modo que meus esforços deixem bons
exemplos e bons frutos."
Aplausos emocionados. Na platéia, algumas pessoas tinham lágrimas nos olhos. E
começou um certo clima de expectativa sobre o próximo a falar, já que ele tinha escutado
seus colegas com um sorriso maroto nos lábios, mesmo nos momentos em que todos se
mostravam comovidos.
Ele se levantou, desfez o sorriso e anunciou com a voz frágil:
"No meu velório, quero ouvir o seguinte..." Foi para a frente da mesa, em silêncio, mas
revelando de novo aquele sorriso. De repente, começou a gritar, apontando para a mesa:
"Olha! Olha! Ele está se mexendo!!! O defunto está vivo!!!"
O segredo do humor é ver as coisas por um outro ângulo. Situações que parecem sérias e
difíceis tornam-se às vezes simples de se lidar, quando vistas de modo bem humorado.
As pessoas com senso de humor tendem a ser muito mais criativas, menos rígidas, mais
flexíveis e mais dispostas a considerar e incorporar novas idéias e métodos.

O humor é um atributo dos líderes nestes tempos de rápidas mudanças e valorização do


trabalho em equipe.
(Half Warren, professor de Liderança).

Alegria é uma disposição mental extremamente positiva. O humor é útil até para alavancar
nosso interesse por assuntos mais sérios. Em minhas palestras, aproveito conscientemente
esse poder do humor, para ligar os assuntos - por vezes bastante profundos e complexos -
mantendo as pessoas atentas e receptivas.
Quando comecei a me interessar pela leitura, um dos principais inventivos que me
levaram ao hábito de ler livros foi a revista "Seleções", que era muito popular na época de
minha juventude. Nessa revista havia resumos de livros de renomados escritores, e bons
artigos sobre os mais variados assuntos. Mas o que eu Lia primeiro - e acredito que a
maioria dos leitores tinha o mesmo costume - era uma seção chamada "Rir é o melhor
remédio", com piadinhas curtas. Só depois de ler e reler as piadas, eu encarava os textos
maiores.
Essa expressão ficou na minha memória: "Rir é o melhor remédio". E hoje compreendo
que o ato de rir é bom não somente para a boa convivência entre as pessoas, mas também
para a qualidade de vida. Acima de tudo, e sem dúvida nenhuma, rir faz bem à saúde.
É bom lembrar que o conceito de humor tem origem na medicina. Como já comentei no
livro Viabilizando Talentos, os primeiros médicos da Antigüidade Clássica chamavam de
'humor' a alguns líquidos existentes no corpo e acreditavam que o equilíbrio desses líquidos
determinava as condições físicas e mentais do indivíduo. Na época, acreditava-se que havia
quatro humores: sangue, bile amarela, fleuma e bile negra.
Portanto, a palavra humor tem origem científica. É um estado afetivo ligado à constituição
do organismo. Sobre esse pano de fundo psicofisiológico, a pessoa tende a ser irritável,
impassível, triste, alegre, etc. É uma condição do corpo e da mente, que ultrapassa a ação
imediata. Por isso é difícil contar piadas a uma pessoa amargurada ou irritada.
Não basta ser engraçado para instituir o bom humor em um ambiente.
Rir da piada contada pelo chefe ou pelo colega não garante que existe bom humor. Humor
é algo bem mais profundo; depende do equilíbrio da pessoa e do ambiente.
Humor é estado de espírito, disposição, temperamento. Está ligado ao ânimo de cada
pessoa e também de todo o grupo. O humor do grupo influi no humor de cada pessoa e
vice-versa. Isso vale para toda uma empresa, e vale até para todo um setor de atividades, ou
para toda a população de uma cidade, ou do país.

"Quem não sabe sorrir não deve abrir uma loja"


(provérbio chinês).

As lideranças precisam cultivar mais esse estado de espírito favorável que só o bom
humor é capaz de criar, para poderem aproveitar plenamente o potencial de suas equipes.
Se as pessoas não se sentirem num ambiente agradável, fica muito difícil dar o melhor de
si.
Sabe aquele chefe estressado que fica olhando para o relógio impacientemente antes de
uma reunião e acertando os papéis que já foram bem organizados pela secretária? A cada
instante ele olha em volta e fala com impaciência:
"Já vieram todos?"
Quando chega a hora marcada, nem um minuto a mais ou a menos, ele chama a secretária
e diz: "De agora em diante não estou nem para o Papa!"
E começa a reunião dizendo: "Estive analisando todos os aspectos da situação que iremos
discutir, e já tenho a minha idéia sobre o que deve ser feito. Porém, eu gostaria de ouvir
vocês primeiro. Quem se habilita?"
A equipe fica num beco sem saída. Se ninguém falar, fica patente a incompetência geral.
Mas quem é bobo de falar, se a idéia do chefe é que vai prevalecer e todas as outras serão
criticadas impiedosamente?
Nessas horas, só tem um jeito. Contornar o clima tenso, com criatividade e bom humor. É
difícil? Vejam a história abaixo, que escrevi com base numa pequena anedota do escritor
marroquino At-Tartuchi.
Havia um rei, em um país distante, que alternava momentos bem humorados com outros
de extremo mau humor. Os súditos que precisassem ser recebidos por ele, ao marcarem
audiência preocupavam-se com o estado de espírito do rei naquele dia. E isso era
imprevisível.
A preocupação dos súditos tinha razão de ser. Quando ele estava mal humorado, a pessoa
já entrava na sala do trono ouvindo toda sorte de injúrias e maus tratos. O rei jogava seu
mau humor em cima dos pobres súditos, sem hesitar. E -pior! - jamais decidia
favoravelmente sobre o que lhe solicitassem nesses dias.
Quando estava de bom humor, no entanto, o rei mostrava-se generoso e magnânimo.
Era uma questão de sorte. Cara ou coroa. Ninguém jamais tinha conseguido um "sim" de
Sua Majestade nos dias de tempo fechado.
Havia um súdito que trabalhava no campo, tirando seu sustento do cultivo da terra, e que
precisava desesperadamente resolver uma pendência. Dependia da decisão favorável do rei,
caso contrário, perderia sua casa e suas terras. Não teria nem como abrigar e sustentar sua
família e cairia na miséria se o despacho do rei lhe fosse desfavorável.
Na noite anterior à audiência, ele nem dormiu. Ficou pensando em como agir se o rei
estivesse de mau humor. Todos no reino diziam que não tinha jeito nesses dias. E desmarcar
a audiência, nem pensar, pois o súdito que faltasse a um compromisso marcado pelo rei
nunca mais teria o direito de ser recebido por ele.
Enquanto orava, de madrugada, pedindo inspiração, o lavrador ouviu cair sobre seu teto
um forte barulho de chuva. Chegou a ficar preocupado com o seu destino, caso o rei
estivesse de mau humor no dia seguinte. Mas eu seguida veio à sua mente o beneficio que
aquela chuva traria para sua plantação. E dormiu mais tranquilo, depois de terminar suas
orações.
No dia seguinte, ao chegar nos portões do palácio, pela cara dos sentinelas ele já percebeu
que o clima estava ruim na sala do trono.
Subiu as escadas preocupado, mas, enquanto atravessava os corredores que o levariam ao
rei, veio-lhe à mente a chuva daquela noite.
O rei estava bufando quando ele entrou. Brigava com todos os ministros ao mesmo tempo.
Uma descompostura geral. Xingava o primeiro ministro de palavrões tão pesados que até as
paredes tremiam.
Ele chegou pisando leve, colocou-se no lugar que lhe indicaram e esperou um pouco. Por
fim o rei voltou-se para ele, com uma expressão nada amistosa. Ele curvou a cabeça
respeitosamente e ouviu uma pergunta enraivecida:
"E tu? O que fazes aqui? Diz logo! Não tenho tempo a perder!"
O lavrador levantou a cabeça e, sorrindo, disse calmamente:
"Vossa majestade é como o céu. Quando lança relâmpagos e trovoadas, é que está prestes
a mandar o beneficio de sua chuva. Por isso tenho esperança de que me concedereis o
direito de permanecer na terra onde moro, para que eu continue meu cultivo e faça boas
colheitas."
A fala do lavrador desarmou o mau humor do rei, que ouviu em silêncio até o fim,
acalmou-se, pensou por alguns instantes, abriu um sorriso e concedeu ao requerente não
apenas o que ele pedia, mas também todos os adubos e sementes de que ele precisasse em
seu plantio.
Costumamos pensar que o dom de enxergar o futuro é exercido por pessoas desligadas das
coisas deste mundo, que entram em transe e têm visões de um modo mágico ou
sobrenatural. Não chego a negar que isso exista, até porque a própria Bíblia nos fala de
muitos profetas que tinham esse dom.
Mas a visão de futuro, à qual me refiro aqui, é um dom que todos podemos exercer. A
inteligência e a intuição que isso requer, nós utilizamos em várias situações de nosso diaa-
dia, às vezes sem nem perceber.
Ver o futuro é possível, desde que a gente olhe o tempo presente com toda atenção. Há
muitos exemplos de grandes empresários, estadistas, filósofos, cientistas e homens comuns
que nos dão provas disso a todo momento. Nem precisamos ficar em nomes do passado -
como Leonardo da Vinci, Cristóvão Colombo, Thomas Edson, Henry Ford, Roosevelt,
Anita Garibaldi, Charles Darwin, Marie Curie, Santos Dumont, Graham Bell, Barão de
Mauá, Tiradentes, Mahatma Ghandi, Helen Kelier - porque também são inúmeros os nomes
do presente - Nelson Mandela, Gorbachev, Bill Gates, Madre Tereza de Calcutá, James
Lovelock, Stephen Hawking, Jacques Cousteau, e tantos outros.
Essas pessoas não se deixam aprisionar pelo apego ao passado, e nem mesmo pela a
preocupação com o futuro. Simplesmente vivem o seu tempo, plenamente.

Muitas empresas e órgãos do governo, atualmente, contratam consultorias especializadas


em "traçar cenários", isto é, antecipar os acontecimentos futuros - principalmente no campo
da economia ou da política - para orientar decisões estratégicas. Esses cenários, geralmente
apresentando várias alternativas, baseiam-se em análises cuidadosas do panorama atual e
das possíveis tendências.
A qualidade desse trabalho de "antecipar o futuro" vai depender, portanto, do nível de
conhecimento e compreensão dos fatos atuais. É necessário ter uma visão macro, capaz de
levar em conta um amplo conjunto de fatores, como se a pessoa estivesse em cima de uma
grande montanha olhando para a realidade aqui de baixo. Dessa forma esses profissionais
conseguem perceber as tendências de cada grupo de interesses, acompanhando atentamente
os movimentos em jogo, e precisam saber avaliar as jogadas futuras como fazem os bons
jogadores de xadrez ao olhar as peças dispostas num tabuleiro.
Esse trabalho, no entanto, freqüentemente é prejudicado por visões parciais, incompletas,
ou por interesses envolvidos na elaboração dos "cenários". O Brasil e as empresas
brasileiras têm sido vítimas disso, quando especuladores internacionais fazem análises
influenciadas por seus interesses financeiros. Às vezes um simples comentário dessa gente
faz nossa moeda despencar em relação ao dólar, provocando grande prejuízos. Outro
exemplo é o famoso índice chamado de "custo Brasil", que tanto nos prejudica enquanto
gera lucros enormes para esses especuladores. Ao mesmo tempo, vemos grandes grupos
internacionais quebrarem de repente, por causa de fraudes contábeis. Isso não lembra
aquela fábula de Esopo sobre o adivinho charlatão?
A maior parte do nosso tempo, nós o perdemos sendo presos pelo passado ou pelo futuro."
(Thich Nhat Hanh)

O autor da frase acima, um sábio monge vietnamita, nos ensina que nosso apego ao
passado faz com que não possamos viver a nossa vida de forma plena, no presente. E que
muitas vezes também gostaríamos de ir para o futuro, saber como as coisas serão, mas a
única forma de nos libertarmos das limitações do tempo é entrarmos em contato com o que
está ocorrendo exatamente neste instante, viver a vida no momento presente.
Antigos livros sobre animais conferiam à águia a força de poder olhar para o Sol sem
piscar. E consideravam-na a "rainha de todas as aves", também por sua capacidade de
perceber toda a paisagem, plenamente sintonizada no momento presente, lançando-se
rapidamente num mergulho em direção à terra, quando avista seu alimento, antevendo a sua
trajetória e sem lhe dar tempo de escapar.
Enxergar o futuro também significa pôr-se em ação no momento certo. Mas o apego aos
problemas torna-se, muitas vezes, um sério obstáculo. É o caso do sujeito mal-humorado
que vinha caminhando pela calçada de uma rua, reclamando da vida, maldizendo sua falta
de sorte, e viu uma casca de banana, vários metros adiante. "Estou mesmo em um péssimo
dia. Como se não bastasse, agora vou escorregar numa casca de banana!..." - resmungou
Não adianta conhecer o futuro quando nos deixamos aprisionar por certas armadilhas,
como a preguiça.
É o caso do sujeito indolente, que passava as tardes deitado numa rede, entregando-se
totalmente ao ócio nada criativo. De vez em quando pedia à sua mulher que lhe trouxesse
alguma coisa para comer ou beber. Em certo momento, ele chama, com voz preguiçosa:
"Querida..."
"O que, meu rei?"
"Tem soro anti-ofídico em casa?"
"Tem não... por quê?"
"Porque está entrando uma cobra ali pelo portão da varanda e, sei não, mas pode ser que
ela resolva me picar..."
Capítulo 8
De olho na meta

CONTAR HISTÓRIAS é uma ótima forma de envolver o ouvinte e conduzir sua atenção
para o objetivo. Por isso sempre gostei de parábolas, desde as que foram narradas por Jesus
Cristo até os "causos" bem brasileiros contados pelo povo do interior e as histórias que
existem nas mais diversas culturas, do ocidente ao oriente.
No Oriente Médio existe um conhecido personagem de histórias contadas e recontadas
pelos adeptos do sufismo, chamado Nasrudin. São histórias engraçadas que guardam
grandes ensinamentos, como esta que se segue.
Certa vez, Nasrudin estava precisando muito de um burrico, que o ajudasse em seus
afazeres, mas não tinha meios de comprar um. Desesperado, começou a orar, pedindo a
Deus que lhe enviasse um burrico.
Rezou por algum tempo, sempre rogando que Deus lhe enviasse um burrico.
Um dia ele estava andando por uma estrada, ainda rezando, e encontrou um homem que
estava passando, montado em um burrico.
Nasrudin observou que o viajante trazia, amarrado ao seu burrico, um outro burrico mais
novo.
Aproximou-se e, antes que ele dissesse qualquer coisa, o homem lhe falou:
"Mas que vergonha! Eu venho de tão longe trazendo um burrico, estamos todos esgotados,
viajando neste sol abrasador, eu e os dois burricos... enquanto esse homem está
completamente descansado, sem fazer nada?!"
Ante o espanto de Nasrudin, o homem ameaçou-o com uma espada e ordenou:
"Vamos! Ajude! Coloque o burrico em suas costas e venha comigo até a próxima cidade!"
Assustado, Nasrudin nem disse nada. Simplesmente colocou o burrico em suas costas e
seguiu o homem pela estrada. Andando por várias horas, sob o sol do deserto, Nasrudin
sentiu-se completamente exausto de tanto peso.
Ao entardecer, chegaram na cidade seguinte. O homem tirou o burrico das costas de
Nasrudin e seguiu adiante, sem dizer mais nada. Nem sequer agradeceu.
Nasrudin ergueu os olhos para o céu e disse:
"Está bem, meu Deus. Aprendi a minha lição. Eu lhe pedi que me enviasse um burrico e
foi isso que aconteceu. Na próxima vez serei mais específico quando lhe pedir alguma
coisa."
"Pede-me, e eu te darei."
(Salmo, 2:8)

Mesmo quem não é religioso poderá admitir que a oração tem, no mínimo, um poder de
focalizar os ideais, os sonhos, as metas da pessoa. Quem faz um pedido sincero a Deus está
mobilizando sua própria mente para um objetivo.
"Ah, não precisamos pedir nada de específico em nossas orações porque Deus sabe, muito
mais do que nós, o que precisamos", dizem alguns.
De fato Ele sabe, mas tudo funciona muito melhor quando nós também sabemos. Porque
somente quem tem uma meta, um objetivo bem focado, pode ser proativo. Quem não sabe o
que quer não colabora para que Deus o ajude, porque fica andando a esmo, sem direção,
apenas reagindo aos acontecimentos.

"Deus guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre."
(Salmo, 121:8)

A realidade atual nos oferece tantos estímulos, tantas informações e opções novas a cada
minuto, que vivemos correndo o risco de nos dispersar em relação aos nossos objetivos
principais. Quanto mais amplo é o alvo, maior deve ser a nossa pontaria para atingirmos o
ponto desejado.
Para uma empresa, por exemplo, a falta de foco pode ser fatal. Nessa selva que é o
mercado, ficar perseguindo as oportunidades que surgem, sem um critério bem definido,
pode levar a prejuízos sérios.
Quem veleja ao sabor do vento, sem traçar uma rota e sem ter controle das velas do barco,
arrisca-se a chegar onde não quer. Se a visibilidade não for boa, o foco precisa ser estreito
e o rumo deve ser traçado com muito mais cuidado. O foco de uma empresa tende a ser
ainda mais estreito em certas circunstâncias do cenário econômico ou da conjuntura
politica, principalmente quando há incerteza sobre o futuro.

A águia, por ver a paisagem de uma grande altura, como vimos no capítulo anterior,
percebe a realidade com bastante amplitude. Mas, no momento em que identifica o seu
alvo, ela se lança num mergulho resoluto e rápido em direção ao objetivo pretendido.
Certamente não teria bom resultado se, depois de avistar seu alimento, durante o vôo ela
resolvesse desviar-se de sua trajetória para procurar outras possíveis opções.
Isso vale tanto para as organizações quanto para os profissionais, inclusive os autônomos,
e até mesmo para a vida pessoal: é fundamental saber focalizar o objetivo e traçar o rumo
com clareza, para alcançá-lo.

Por definição, o foco é "o ponto para qual converge um feixe de raios luminosos paralelos
após atravessar uma lente". Cada olho é uma lente diferente das outras. Cada ponto de vista
é diferente de todos os outros, pois depende do lugar onde se está e do exato momento em
que se olha para alguma coisa.
Portanto não existe um foco padrão para todas as pessoas e para todos os alvos.
Você já percebeu a diferença de foco que existe entre o homem e a mulher? É radical!
Experimente ver um jogo de futebol pela TV, acompanhado de alguém do sexo oposto.
Enquanto o homem só tem olhos para o movimento da bola, os chutes dos jogadores e as
táticas do técnico, a mulher está reparando na cor do gramado, no estilo da camisa de cada
time, no corte de cabelo do goleiro, na coreografia dos torcedores... e quem diz que ela fica
sentada assistindo ao jogo? Ela telefona para a mãe, faz pipoca, liga para a melhor
amiga, molha a samambaia, liga a máquina de lavar, telefona para a outra melhor amiga,
arruma os copos, tira os salgadinhos do forno, e ainda resolve contar um caso para o marido
justamente na hora em que o goleiro do time dele está se preparando para tentar defender
um pênalte decisivo.
Nesses comentários não há demérito para as mulheres nem para os homens. São apenas
jeitos diferentes de ser. Dizem que a mulher é programada para falar em média sete mil
palavras por dia e, o homem, cinco mil. É por essa razão que o homem liga a TV para
assistir ao telejornal e ela continua falando, e ele quer prestar atenção na notícia mas não
consegue, e ela fica chateada reclamando que ele nunca lhe dá atenção, mesmo que ele
tenha passado a tarde inteira conversando com ela (ou melhor, ouvindo ela falar). Mas aqui
vai um recado conciliador para os meus leitores homens: fique tranqüilo, pois não é só sua
mulher que é assim. Todas são. E isso não é culpa dela, é somente uma questão genética,
pois na hora do "Jornal Nacional" ela ainda tem pelo menos 2.000 palavras de saldo no seu
estoque e precisa usá-las antes de ir dormir...
Cada um desenvolve seu jeito de focalizar o mundo e, a partir daí, cria suas próprias
maneiras de perseguir os objetivos. Se vai atingi-los os não, isso depende do talento e da
dedicação de cada um.
Um bom exemplo disso é uma história que se conta de Pelé (um nome que dispensa
adjetivos, em qualquer país do mundo onde seja citado).
Certa vez, durante um treino coletivo do Santos, ele marcou um gol fazendo uma bicicleta,
de fora da grande área, sem nem olhar para a meta.
O técnico, intrigado, lhe perguntou durante o intervalo: "Como você conseguiu acertar
aquele chute, de costas para o gol, sem olhar para o lugar onde queria colocar a bola?"
"Ah, eu estava olhando para a travessão do outro lado do campo", respondeu ele, com um
sorriso.
Capítulo 9
Velocidade e agilidade

VAMOS FOCALIZAR NOVAMENTE a águia em seu ninho. Ela observa a paisagem de


uma grande altura, enxergando ao mesmo tempo o plano geral e o pequeno detalhe.
Somente aí já teríamos metáfora suficiente para falar sobre a performance das empresas,
dos profissionais de visão, dos bons lideres e até mesmo da nossa percepção de mundo no
dia-a-dia. Mas nada adiantaria essa visão privilegiada da águia se ela não conseguisse
atingir sua meta. E como ela consegue? Voando rapidamente e com agilidade em direção ao
seu objetivo.
Rapidamente e com agilidade. Como assim? É bom entender a diferença, porque na soma
das duas atitudes reside um grande poder.
Velocidade é rapidez de movimentos, providências, atitudes e decisões. Veloz é quem se
movimenta ligeiro, deslocando-se em tempo mínimo de um lugar para outro, de uma
situação para outra. Prontamente atende a uma demanda. Sem demora percebe uma nova
realidade e consegue adaptar-se a ela, proativamente.
Agilidade é leveza, desembaraço, vivacidade. Ágil é quem se move com facilidade,
despacha os assuntos com presteza, realiza as tarefas com eficiência, sem enrolar e sem
deixar as pendências se acumularem sobre a mesa.
Assim como se dizia "meus sana in corpore sano" (mente sã em corpo são), eu digo:

mente ágil em corpo ágil.


Saúde, leveza, flexibilidade, bom preparo físico - tudo isso contribui bastante para a
agilidade da mente. O contrário disso é um corpo enferrujado por falta de exercícios, e a
mente lenta porque todo o organismo está ocupado demais em digerir o excesso de gordura
de uma alimentação desequilibrada.

"Boi lerdo bebe água suja."


(Ditado popular)

O mundo anda muito rápido hoje em dia. Sem agilidade e velocidade, empresas não
sobrevivem, projetos não decolam e profissionais não se mantêm.
Como costumo afirmar: não é o grande que come o pequeno, e sim o rápido que come o
lento.
Mas a agilidade contém uma armadilha: se não for bem dosada, tem vida curta, esgota-se,
provoca estresse. Tão importante quanto a agilidade é estar sempre em condições de ser ágil
quando necessário.
Imagine um felino antes de correr atrás de sua caça: ele é capaz de ficar várias horas
parado, em posição de total relaxamento mas com os músculos prontos para entrarem em
ação numa fração de segundos. Mais ou menos como o Romário, fingindo-se de morto no
ataque adversário durante 89 minutos, para fazer o gol decisivo aproveitando uma pequena
distração da defesa.
E uma armadilha da velocidade é a pressa, o açodamento. "Apressado come cru", diz o
dito popular. Em muitas circunstâncias temos que entender o tempo da natureza, das
pessoas, das situações.
Podemos ser rápidos para plantar uma árvore, diligentes ao cuidar da terra, mas toda
árvore tem seu tempo mínimo para que os frutos fiquem maduros.
Em situações de emergência, saber lidar com a pressa pode ser uma questão de vida ou
morte.
Emergência exige calma, agilidade e preparo.
As empresas de hoje, assim como os órgãos de governo, sabem a importância de um bom
plano de contingência.
O que é contingência? É a possibilidade de que alguma coisa aconteça ou não. É aquele
fato imprevisível que escapa ao controle.
Estar preparado para qualquer contingência é uma atitude proativa que pode fazer a
diferença numa eventualidade imprevista. As áreas de segurança industrial e de segurança
ambiental (qualquer que seja o nome dessas atividades na organização e sua posição no
organograma) devem estar perfeitamente sintonizadas com a área de recursos humanos.
Se alguma emergência ocorrer, as pessoas estão preparadas para agir com calma e
agilidade?
O preparo do pessoal é decisivo para evitar ou minimizar um desastre ecológico, ou para
conter um acidente que poderia ter graves conseqüências.
Um bom treinamento para emergências é útil não só na empresa, mas em toda a vida. O
que você faria ao ver uma pessoa caída na calçada, tendo convulsões? Como agiria se uma
pessoa fosse atropelada perto de você? E se alguém se afogasse na praia ou na piscina e
dependesse da sua ajuda para sobreviver? Qual seria a melhor forma de ajudar um senhor
idoso que desmaiasse bem na sua frente, na fila do banco? Estas são situações comuns, que
acontecem centenas de vezes por dia nas cidades.
"Há especialistas para isso, na policia e nos bombeiros, no setor médico das empresas",
você pode pensar. Mas o que podemos tirar desses exemplos é a importância de se
combinar a calma e a agilidade para enfrentar uma emergência. Inclusive para acalmar a
vítima e manter-se calmo para tomar as decisões corretas, inclusive afastar os fatores de
risco e providenciar atendimento com a maior rapidez possível.
Calma e agilidade. Essa parceria é valiosa em muitos outros momentos, e não só nas horas
de crise. Imagine se você está produzindo um evento, ou participando de uma operação
qualquer, aí chega aquela hora crucial em que tudo acontece ao mesmo tempo e a coisa
pode até desandar se algo for feito errado.
"Muita calma nesta hora", dizem alguns.
"Muita hora nesta calma", respondem outros, mantendo o bom humor e sem perder o
pique.
E a equipe afinada passa pela turbulência. Todos atuam com sinergia e chegam juntos para
o abraço que comemora a vitória merecida.

Capacidade de trabalhar sob pressão, com agilidade e eficiência. Este é um atributo que as
empresas valorizam no perfil de seus colaboradores, e os profissionais à procura de trabalho
escrevem nos seus currículos.
Outro detalhe essencial para a agilidade, que não escapa às politicas de gestão das
empresas bem-sucedidas: dar poder de decisão aos seus profissionais. Palavra mágica:
descentralização. Isso significa desenvolver a liderança, estimular o talento, incentivar a
criatividade e a iniciativa, fortalecer a garra e o espírito de equipe. São conceitos que, em
conjunto, fazem a diferença nos momentos decisivos.
"A vida pode ser medida pela rapidez das mudanças, pela sucessão das influências
que vão modificando o nosso ser."
(Mary Ann Evans)
Em situações de mudança de governo, ou algum outro acontecimento que provoque
incerteza ou instabilidade, algumas pessoas - e, por extensão, algumas empresas - sofrem
um problema que costumo chamar de "paralisia analítica". Explico: é quando a pessoa fica
analisando o problema e não faz nada. Em vez de buscar uma solução, assusta-se, fica
perplexa e se perde em conjecturas e interpretações. Quantas e quantas reuniões nas
empresas não passam de "paralisia analitica"!
No momento em que escrevo isso, por exemplo, estou num resort, no litoral. Esta região
sempre recebe milhares de turistas, principalmente argentinos, mas este ano a quantidade de
hóspedes caiu muito, por problemas econômicos no país vizinho. Vejo muitos empresários
que vivem de turismo lamentando-se disso, mas sem tomar providências para reverter a
situação. Ao mesmo tempo, algumas empresas se mexem, encontrando alternativas para
manter sua ocupação em nível satisfatório. Estas, sim, não perdem tempo com lamentações
e demonstram agilidade.
Além de fazer promoções para atrair turistas de outras regiões do Brasil, essas empresas
passam a investir mais no turismo de negócios, desenvolvendo sua infra-estrutura para
convenções de vendas.
É uma boa solução, porque o mercado competitivo das empresas em geral está gerando
uma grande necessidade de convenções de vendas. Não por acaso, este é atualmente o meu
maior nicho de mercado: a maior parte das palestras motivacionais que tenho feito acontece
em convenções de vendas.

Os técnicos de futebol de alguns anos atrás costumavam usar uma regra de ouro em suas
equipes: "Temos que chegar juntos!" Os técnicos da nova geração pensam diferente e
dizem: "Temos que chegar antes e sair jogando."

Se um homem diz "isso não pode ser realizado", geralmente é interrompido


por alguém que já está fazendo aquilo.
(Harry Fosdick)

Veja o que aconteceu comigo recentemente. Uma tarde, minha secretária me comunicou
que uma empresa estava se preparando para lançar um iogurte com zero % de gordura:
"Professor Gretz, para o lançamento desse produto, a empresa está programando uma
convenção de vendedores e quer contratar sua palestra", diz ela.
Pensei então: "A Solange deve ter entendido errado. Não é possível que um produto feito
de leite tenha zero por cento de gordura."
Mas era verdade. Poucas semanas depois, participei do lançamento do produto, fazendo
uma palestra motivacional para a equipe de vendas.
Os concorrentes correram atrás. No mês seguinte, depois, que milhares de pessoas já
tinham começado a usar o iogurte com zero de gordura, surgiram outras marcas com
atributos semelhantes. Só que, a esta altura, a marca pioneira já estava fixada na mente da
maior parte dos consumidores.
No entanto, ser pioneiro não basta. Você tem que ser o melhor naquilo que faz. Se o
concorrente desenvolver um produto melhor, uma logística melhor - montando um
excelente serviço de distribuição do seu produto - e um trabalho de marketing que faça
diferença, o pioneiro fica para trás. Recentemente conheci uma jovem empresária do ramo
de cargas nacionais e internacionais de alimentos, que conquistou merecido espaço no
mercado graças à qualidade do seu serviço e ao entusiasmo que existe em seu coração.
Pessoas assim nos fazem acreditar na capacidade das novas gerações deste país.
Capítulo 10
Razão, instinto e intuição

EM 1907, UM IMPORTANTE acontecimento reuniu na Holanda grandes personalidades


de todo o mundo. Foi a Conferência da Paz, realizada na cidade de Haia, onde os diferentes
países debateram as relações internacionais naquele início de século.
Nos debates, um brasileiro destacava-se com discursos, de vasta erudição e lógica
irretocável, improvisados em diversos idiomas, despertando a admiração e o respeito de
todos. A seu respeito, o representante norte-americano Brown-Scott declarou: "Eis o novo
mundo que se faz ouvir pelo velho".
A notável participação de Rui na Conferência da Paz repercutiu na imprensa internacional,
e ele desembarcou no solo natal consagrado como "a Águia de Haia". Rui Barbosa atingia
então o ápice da glória.
Sabe por que Rui Barbosa, por sua inteligência brilhante, foi comparado a uma águia?
É porque a águia é associada à inteligência, a partir da sua ligação com o sol. Dizem que
ela consegue olhar para o sol fixamente, sem incômodo para seus olhos, e isso simboliza
que ela é capaz de entrar em contato direto com a luz intelectiva, com a inteligência
suprema.
No século 17, o escritor e filósofo cristão Angelus Silésius escreveu: A águia olha o sol
bem de frente, sem temor, e tu, o esplendor eterno, se teu coração for puro.

"A inteligência é como ferro: por falta de uso ela enferruja"


(Eugene Ionesco)

Segundo o cientista francês Alberto Jacquard, "o homem nasce com apenas 30% de suas
conexões cerebrais feitas. Isso significa que o trabalho de humanização, de educação e
aprendizado é que fará o restante".
O interessante dessa descoberta é que os animais em geral nascem com a maior parte das
conexões cerebrais já prontas "de fábrica". Nos primatas, esse percentual é de 70% e nos
cães é de 75%. O golfinho, ao nascer, tem 80% de suas conexões formadas. E nos répteis
esse percentual chega a ser de 98%. Essas conexões já prontas correspondem ao instinto
que orienta os animais. A quantidade de coisas novas que um animal pode aprender ao
longo da vida - por parte de um treinador, por exemplo - depende do que restar de conexões
ainda não formadas em seu cérebro. Os animais que têm mais espaço no cérebro para fazer
novas conexões são os que têm mais facilidade de aprender.
"Mas com gente é diferente", já dizia o compositor Geraldo Vandré na música
"Disparada". Albeto Jacquard afirma que os neurônios do nosso cérebro se rearranjam a
cada novo aprendizado e não há limite físico para isso. "O número de células nervosas do
cérebro humano é tão grande que nunca serão todas utilizadas, mesmo que o homem
pudesse viver quatro séculos", diz ele.

"O grande mistério do cérebro humano é que ele só se enriquece se for utilizado"
(Alberto Jacquard)
Raciocinando, agindo, vendo, ouvindo, falando, percebendo, conhecendo, experimentado,
errando, e acertando, processando informações novas no computador mental, aprendendo
com as outras pessoas e tentando a cada momento compreender a realidade que nos cerca.
É assim que desenvolvemos nossa inteligência ao longo da vida.
Uma criança pequena pode ter mais potencial de inteligência do que seu avô, mas a
experiência acumulada ao longo da vida confere ao adulto (desde que em bom estado de
lucidez) maior sabedoria para tomar decisões e para resolver situações no dia-a-dia.
A inteligência do homem idoso vai depender de como ele está exercitando sua mente. Se
achar que já aprendeu tudo e fechar suas opiniões, o cérebro começa a enferrujar. Os
preconceitos são uma forma de estupidez, porque fecham a mente para novos pontos de
vista.
A imagem da águia voando bem alto e olhando fixamente para o sol me faz pensar na
inteligência como uma capacidade de sintonia com a sabedoria divina. Quanto mais libertos
estivermos das preocupações da vida cotidiana, estaremos "voando mais alto" e nossa
mente vai estar em melhores condições de captar o brilho da inteligência que nos criou.

Nas empresas, cada vez se valoriza mais a importância do capital intelectual. Como falei
no meu primeiro livro, "É Óbvio", toda empresa funciona como um sistema, que tem
componentes humanos e técnicos.
O local de trabalho é como um campo arado onde usamos a inteligência para
cultivar conhecimento e colher prosperidade.

Houve um tempo em que muitos empresários davam mais atenção às máquinas e às


técnicas de trabalho do que aos seus empregados. Quem quisesse trabalhar ali tinha que se
ajustar e não criar problema. Questões individuais, sugestões, anseios, idéias próprias, nada
disso tinha vez.
Hoje, o talento e o conhecimento das pessoas são vistos como vantagens competitivas
importantíssimas para a organização. Antes falava-se em "departamento pessoal", depois
mudou para "recursos humanos", e agora as empresas tratam de "gestão do conhecimento",
"viabilização de talentos", "capital humano" e "qualidade de vida" no ambiente de trabalho.
O fator humano deixou de ser uma simples engrenagem e passou a ser o fio condutor, a
origem e o destino de todo o processo produtivo.
Em algumas das maiores organizações do mundo atuar, como a Microsoft, os "ativos
intangíveis" (conhecimento, criatividade, talento humano) chegam a 99% enquanto o
patrimônio fisico é apenas 1% do valor real da empresa.
A inteligência está na linha de frente das preocupações de toda empresa afinada com os
novos tempos. O que a empresa sabe? O que precisa saber? O que a concorrência sabe?
Essas perguntas tornam-se cada vez mais decisivas na formulação das estratégias
empresariais.
É claro que a inteligência e o conhecimento sempre estiveram na base das atividades das
empresas e sempre foram decisivos na competição com a concorrência. Mas a Gestão do
Conhecimento é um conceito recente. Agora se sabe que o conhecimento, a criatividade e a
cultura da empresa são recursos que devem ser gerenciados. Atividades como Recursos
Humanos e Comunicação Interna passam a dedicar maior atenção ao desenvolvimento e à
transmissão de conhecimentos, que deixam de ser vistos como atributos de alguns
funcionários ou equipes, e passam a ser encarados como um ativo de grande importância
estratégica para toda a organização.
No mundo globalizado, altamente competitivo, as empresas e os profissionais se destacam
pelo que sabem e pelo modo como aplicam o seu conhecimento.
chegaram a Não todos, porque um livro que fica na moda é assim mesmo: torna-se presente
de amigo oculto, guarda-se para ler nas férias (porque é volumoso, embora bastante
agradável de se ler), mas em grande parte das vezes as férias terminam e o livro -já com
suas páginas meio enrugadas por causa dos respingos de água do mar ou da piscina - não
chegou a ser lido nem até a metade.
Mas, de qualquer forma, a teoria de Goleman é tão boa, clara e oportuna, que ficou
realmente consagrada. Tendo lido o livro ou não, todos conhecem atualmente a expressão
"inteligência emocional" e usam esse conceito em seu dia-adia. Portanto não preciso me
deter na explicação desse conceito e farei apenas um resumo.
O mais conhecido método para se medir a inteligência das pessoas, usado há várias
décadas, é o Q.I. - quociente intelectual, ou quociente de inteligência. Ele é obtido por meio
de testes, que estimam o que seria a idade mental de um indivíduo e dividem essa idade
mental por sua idade cronológica, multiplicando depois o resultado por 100. Esses testes
medem o raciocínio lógico, habilidades matemáticas e habilidades espaciais.
Pesquisas realizadas pela equipe do Prof. Goleman e por várias instituições acadêmicas
que colaboraram com ele vieram mostrar que existe um outro tipo de inteligência que em
várias situações da vida é muito mais importante do que o Q.I.
Isso mesmo. É a inteligência emocional, que, segundo ele, influi para o sucesso
profissional e pessoal em 80%, ao passo que o Q.I. contribui com modestos 20%.
Eu mesmo já contei, em meu livro "A força do entusiasmo", que não fui um aluno nada
brilhante na minha infância e juventude. Alguns colegas chegavam a zombar de mim, por
causa da minha dificuldade em aprender algumas matérias. Hoje quando vou à minha
cidade natal, alguns até comentam o fato de eu ser o mais bem-sucedido de todos. Falo isso
sem nenhuma ponta de vaidade, espero. E espero também que meus antigos colegas agora
possam compreender melhor por que isso aconteceu, depois de conhecerem o conceito de
inteligência emocional...
Nada garante que o melhor aluno se torne o melhor profissional. O conhecimento racional,
adquirido nas salas de aulas e nos livros, não é o bastante para a qualidade na realização de
determinadas atividades, porque o trabalho sempre requer, também, habilidade no
relacionamento com as outras pessoas, controle emocional e capacidade de improvisação,
entre outros atributos.
O ideal é aliar uma boa base de conhecimento e de técnica, a um bom nível de inteligência
emocional. Há pessoas geniais, intelectualmente, que sabem como ninguém sobre uma série
de assuntos, mas que não conseguem manter um comportamento sensato e equilibrado no
convívio com os companheiros de trabalho, os chefes ou os clientes. Ou, mesmo que se
esforcem para ter um convívio equilibrado, não têm nenhum "jogo de cintura".
HABILIDADES RELACIONADAS À INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
AUTOMOTIVAÇÃO
AUTOCONTROLE
AUTOCONFIANÇA
CONFIABILIDADE
INICIATIVA
VISÃO CRÍTICA E BEM HUMORADA DE SI MESMO
SABER OUVIR A VOZ INTERIOR
SABER OUVIR O OUTRO
PERCEBER OS PRÓPRIOS SENTIMENTOS
PERCEBER OS SENTIMENTOS E ANSEIOS DO OUTRO
PERSISTIR DIANTE DE FRUSTRAÇÕES
APRENDER COM AS EXPERIÊNCIAS
SER ABERTO A NOVAS IDÉIAS E PROCEDIMENTOS
SER FLEXÍVEL NA RESPOSTA ÀS MUDANÇAS
CANALIZAR EMOÇÕES PARA SITUAÇÕES POSITIVAS
MOTIVAR PESSOAS
INTERESSAR-SE PELAS PESSOAS
TRANSMITIR OTIMISMO E ENTUSIASMO
USAR TÁTICAS EFICAZES DE CONVENCIMENTO
COMUNICAR-SE COM SIMPATIA E CLAREZA
SABER OBTER CONSENSO, APOIO E SINERGIA
"Chefe inteligente escolhe assessores mais inteligentes que o chefe, para ser
mais inteligente que os assessores."
(Millôr Fernandes)

O tempo de um executivo é praticamente todo voltado para o relacionamento com


pessoas: executivos de outras empresas, fornecedores, acionistas, assistentes, além de
contatos politicos, sociais, etc. A qualidade da interação com essas pessoas vai ser
determinante para o seu sucesso. Além dos seus conhecimentos intelectuais e técnicos, ele
vai precisar usar recursos de inteligência emocional para obter apoio, convencer as pessoas,
motivar, atrair, influenciar, etc.
Até mesmo no meio acadêmico isso acontece. Mesmo as pessoas que vivem do seu estudo
precisam convencer os outros sobre seus projetos e suas idéias, precisam do apoio de sua
equipe e dos seus pares, e assim por diante.
Em qualquer atividade - algumas mais, outras menos, mas todas - o trabalho envolve
contatos entre pessoas. A pessoa pode saber mais do que todo mundo, pode ser um
verdadeiro gênio, mas se ele despreza companheiros e subordinados, seu trabalho não vai
muito longe. A falta de capacidade para lidar com as emoções pode prejudicar não só a
carreira, mas também a vida pessoal.
Mas, felizmente, a inteligência emocional também se adquire. Saber relacionar-se com as
pessoas é resultado de experiências, aprendizado e uma certa dose de humildade. Ninguém
nasce sabendo. A sabedoria no convívio desenvolve-se com o tempo.
"Temperamento não é destino", afirma Daniel Goleman. Embora uma pessoa traga do
berço alguns aspectos que determinam o seu temperamento, muitos dos circuitos cerebrais
da mente humana podem ser trabalhados ao longo da vida.
E no mercado de trabalho passam a ser mais valorizadas as qualidades do bom
relacionamento. Ser gentil, compreensivo, simpático, flexível, bem humorado, saber
divertir-se, valorizar o lazer e o convívio com amigos - são qualidades que estão valendo
tanto quanto (ou mais do que) os conhecimentos técnicos, os títulos e o curriculum vitae.
Falei há pouco sobre "jogo de cintura", que é uma forma de astúcia. Não a astúcia de
enganar o outro para levar vantagem, mas o sentido positivo da palavra: a presença de
espírito, a habilidade de não se deixar enganar para negociar com vantagens.
Um bom exemplo disso é a história do homem que estava sendo julgado por um crime que
não havia cometido. Mas ele percebeu, durante o julgamento, que o juiz queria condená-lo
de qualquer maneira, por motivos raciais. Ele não tinha advogado e tinha que fazer sua
própria defesa. Quando chegou o momento de defender-se, falou com tanta veemência,
transmitindo tanta sinceridade em sua voz, que o juiz não teria jeito de condená-lo
sumariamente.
Na hora do veredicto, o juiz explicou então que tinha ficado em dúvida, mas que confiava
na justiça divina e portanto a sorte do acusado iria depender da vontade de Deus.
Solenemente o juiz cortou dois pedacinhos de papel, escreveu algo em cada um deles,
dobrou os papéis e colocou-os numa caixa, dizendo:
"Num destes papéis está escrito 'inocente', e no outro está escrito 'culpado: Vamos ver se
Deus absolve ou condena o réu."
Vendo isso, o homem suspeitou mais ainda das intenções do juiz. "Certamente ele
escreveu a palavra 'culpado' nos dois papéis. Não tenho alternativa", pensou o réu.
Não tinha muito tempo. O guarda já lhe encaminhava para a caixa, de onde deveria sortear
seu destino.
Ele então teve uma idéia salvadora. Pegou o papel, ainda dobrado, colocou na boca e
engoliu, enquanto falava: "Para saber qual dos papéis eu sorteei, basta olhar o que está
escrito no outro papel". Tirou então o segundo papel da caixa e abriu na frente de todos:
estava escrita a palavra "culpado". Portanto, o que ele tinha engolido só podia ser
"inocente".
Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante do que o conhecimento.
(Aibert Eistein)

No capítulo 8 contei uma história de Nasrudin. Aqui vai outra, que tem tudo a ver com o
assunto que estamos tratando.
Houve uma época em que, todos os dias, Nasrudin ia esmolar na feira e as pessoas faziam
com ele a seguinte brincadeira: mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a
outra.
Todos adoravam vê-lo agindo como um tolo e riam muito, porque ele escolhia sempre a
moeda de valor menor.
A história correu por toda a região. Vários homens, mulheres e crianças iam à feira só para
pregar a peça em Nasrudin. Mostravam para ele duas moedas, e ele sempre ficava com a
menor.
Até que, um dia, um homem muito generoso passou por ali e ficou observando aquela
cena. Depois de algum tempo, chamou Nasrudin a um canto da praça e lhe disse:
"Você deveria escolher a moeda maior, quando lhe mostrarem duas moedas. Assim terá
mais dinheiro e não será considerado um idiota pelos outros.
Nasrudin deu um discreto sorriso e respondeu em voz baixa:
"O senhor não deixa de ter razão. Mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas não vão
mais querer provar que eu sou mais idiota do que elas, e vão parar de me oferecer dinheiro.
O senhor não imagina quanto dinheiro eu já ganhei, usando esse truque."
Ante o espanto do conselheiro, ele completou: "Não há nada de errado em se passar por
tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente."

A astúcia é uma forma de inteligência que requer criatividade e imaginação. A melhor


forma de mostrar isso é contando outra história.
Um cachorrinho perdido na selva vê um tigre correndo em sua direção. Pensa rápido, vê
uns ossos no chão e se põe a mordê-los. Então, quando o tigre está pronto atacá-lo, o
cachorrinho diz:
"Ah, que delícia este tigre que acabo de comer!"
O tigre pára bruscamente e sai apavorado correndo do cachorrinho. E no caminho vai
pensando:
"Que cachorro bravo! Por pouco não me come a mim também!"
Um macaco, que havia visto a cena, sai correndo atrás do tigre e conta como ele tinha sido
enganado.
O tigre, furioso, diz:
"Cachorro maldito! Vai me pagar!"
O cachorrinho vê que o tigre vem atrás dele de novo e desta vez traz o macaco montado
em suas costas.
"Ah, macaco traidor! O que faço agora?" - pensou o cachorrinho.
E pensou rápido. Em vez de sair correndo, ele ficou de costas, como se não estivesse
vendo nada. Quando o tigre está a ponto de atacá-lo de novo, o cachorrinho disse bem alto,
e com tom raivoso:
"Macaco preguiçoso! Faz meia hora que eu mandei me trazer um outro tigre e ele ainda
não voltou!"
Até para contar um fato a alguém precisamos ter astúcia, principalmente quando o fato é
desagradável.
Quando eu era adolescente (calma, leitor, não faz muitos séculos que isso aconteceu,
somente algumas décadas), certa vez entrei correndo na sala, escorreguei, bati com um dos
pés na mesinha da TV, o pé entrou por baixo da mesinha e a TV caiu no chão.
Minha mãe, que estava na sala, perguntou:
"O que foi que aconteceu, meu filho?"
Fui para perto dela e respondi:
"Tenho uma notícia boa e uma ruim, mamãe. Caí de mau jeito mas não quebrei o pé. Foi a
TV que quebrou."
Os adolescentes são mestres nessa arte de contar as histórias para os pais de um modo que
não gere broncas nem pânico:
Uma menina, morando em Londres, enviou uma carta para os pais. Como há tempos ela
não mandava notícias, o pai abre o envelope e reúne a família para ler carta dela em voz
alta.
"Pai, mãe, houve um incêndio no prédio, pulei do 2° andar e quebrei a perna..."
"Ohhh!" - exclama a mãe. O pai fica ansioso e continua a ler.
"...Foi então que um borracheiro me socorreu e cuidou tão bem de mim que me apaixonei
por ele. Agora estou grávida, mas ele perdeu o emprego e estamos indo para o Brasil..."
"Meu Deus do céu!" - exclama a mãe. O pai fica mais ansioso ainda e continua.
"Acontece que a mãe dele quer ir junto, e eu preciso muito que o senhor arranje um lugar
para nós morarmos até nosso filho nascer."
"Ohhh!" - exclama novamente a mãe.
Então o pai percebe que há uma outra folha, dobrada, grampeada naquela carta. Nervoso,
abre a folha e lê:
"Pai, tudo o que eu contei foi para mostrar que alguma coisa muito difícil poderia ter
acontecido comigo, mas felizmente não houve nada de mais. Só o que aconteceu é que fui
reprovada na Faculdade e estou voltando para casa."
"Ahhh!" - exclamam a mãe e o pai, aliviados.
Essa notícia da reprovação, se fosse contada a seco, teria sido um Deus-nos-acuda.

Capítulo 12
Inteligência espiritual e imaginação
AS BOAS IDÉIAS têm o poder de abrir caminho para outras idéias ainda melhores. Foi o
que aconteceu com o conceito de inteligência emocional, criado por Daniel Goleman. Além
de todo o conhecimento novo e das mudanças de comportamento que esse conceito
provocou, surgiu a partir dele a noção de inteligência espiritual.
Sabemos agora que as formas de inteligência (racional, emocional e espiritual) são
diferentes dimensões que se completam, em nossa capacidade de perceber a realidade e de
atuar sobre ela.
Esse terceiro quociente de inteligência, batizado por Danah Zohar e Ian Marshal de
spiritual quocient (abrevia-se S.Q., ou Q.S.) veio completar a idéia do Q.I. e do Q.E.
A inteligência espiritual é um poder transformador que nos torna capazes de encarar nossa
vida por uma perspectiva muito mais ampla. Permite-nos, por exemplo, suportar a dor e
vencer as dificuldades por nos fazer entender que nossa presença no mundo transcende a
experiência cotidiana.
Uma boa imagem para ilustrar o Q.S. é a de uma águia voando acima das nuvens durante
uma tempestade. Com o Q.I., conseguimos entender racionalmente a chuva e os raios; o
Q.E. nos dá condições de enfrentar a tormenta sem entrar em pânico; e o Q.S. nos faz ver o
sol acima das nuvens carregadas.

Essa imagem da águia voando a grandes alturas, como se atingisse o céu, fez com que ela
fosse vista como uma rainha das aves, desde a Antigüidade.
Em várias tradições religiosas a águia simboliza os estados espirituais superiores, ou seja,
os anjos.
Na própria Bíblia, esse simbolismo está presente. Ezequiel, por exemplo, logo no início do
seu livro, conta que teve uma visão de quatro querubins, que desceram do céu numa nuvem,
e que tinham rostos e asas de águia. "As asas abriam-se para cima. Cada qual tinha duas
asas que se tocavam e duas que cobriam o corpo; (...) e ziguezagueavam como relâmpagos"
(Ezequiel, 1:5-14).
Também no Apocalipse, quando João narra sua visão do trono de Deus, um dos seres junto
ao trono "era semelhante a uma águia voando" (4:7).
Tanto no Velho Testamento quanto no Novo, a águia é associada à inteligência espiritual.
Simboliza a contemplação, e é inclusive um símbolo de São João e do seu Evangelho.
Na Idade Média, a águia foi também um símbolo do próprio Cristo, exprimindo sua
ascensão e sua realeza. Alguns filósofos cristãos comparavam a oração às asas da águia que
se eleva em direção à luz.

Assim como a águia voa pelos céus e também desce terra, a espiritualidade é uma
dimensão da inteligência humana capaz de percorrer as diversas áreas da mente.
O ser humano, graças à dimensão espiritual de sua inteligência, consegue lidar com
percepções e referências que transcendem a razão e a emoção, e que podem fazer a
diferença em algumas situações.
Até mesmo nas empresas, que sempre existiram em função do lucro e das relações
materiais, a inteligência espiritual já é considerada indispensável para conseguirmos fazer
frente aos desafios do mundo competitivo.
A atividade empresarial materialista, calcada na competição selvagem e no consumismo,
voltada apenas para o lucro e para a conquista do mercado, faz parte de um modelo de
sociedade que está em crise, porque gera insegurança, desigualdade, deslealdade,
desemprego, egoísmo, cobiça, inveja, desesperança, violência, desequilíbrios de todo tipo.
Como toda crise é oportunidade de mudança, surge agora a noção de inteligência
espiritual, reforçando valores que, até poucos anos atrás, pareciam ser incompatíveis com
os interesses e os objetivos das empresas.
Hoje, em nossos ambientes de trabalho, fala-se em responsabilidade social, compromisso
ambiental, missão, voluntariado e solidariedade.
A empresa que não se mostra em sintonia com esses valores pode ter prejuízos sérios em
sua imagem e em sua própria sobrevivência.
Os profissionais de todos os níveis passam a ser avaliados não apenas por suas
capacidades e habilidades nos campos da razão e da emoção, más também por seus valores
éticos e espirituais, independentemente do credo que professam.
Até mesmo a noção de qualidade está evoluindo nestes tempos de inteligência espiritual.
HABILIDADES RELACIONADAS À INTELIGENCIA ESPIRITUAL
AUTOCONHECIMENTO
TRANSCENDÊNCIA
MISSÃO
IDEALISMO
DISCERNIMENTO
AUTO VALORIZAÇÃO
VALORIZAÇÃO DO OUTRO
TOLERÂNCIA
DESAPEGO
PERDÃO
BONDADE
ALTRUÍSMO
CARISMA
DEVOÇÃO
ENTUSIASMO
SUPERAÇÃO DE LIMITES
Além da qualidade do trabalho e do produto, hoje se busca a qualidade
dos ambientes e dos pensamentos
.
Em um ambiente de alto astral as pessoas se sentem melhor, portanto trabalham melhor.
Contribui para isso o pensamento positivo das pessoas. Os pensamentos criam campos de
energia que moldam o ambiente. Sensações de entusiasmo, alegria, solidariedade, ou, por
outro lado, sensações de inveja, raiva e medo, começam no pensamento e interferem
bastante na relação entre as pessoas.
Saber selecionar os pensamentos faz parte da inteligência espiritual e também depende das
condições ambientais que a empresa oferece aos seus integrantes, estimulando os fatores
positivos do espirito de equipe.
Isso não significa ignorar os problemas, mas sim encará-los priorizando a solução e não o
conflito.

A criatividade, a imaginação, o idealismo e a fé são ferramentas poderosas na construção


de ambientes de boa vitalidade espiritual. Juntamente com esses fatores, o amor ao próximo
- na forma de parcerias, companheirismo, espirito de equipe e solidariedade - produz
verdadeiros milagres que transformam a realidade, fazendo o mundo ficar melhor.
"Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo. Mas é
necessário ter pessoas para transformar este sonho em realidade", disse Walt Disney. Esta
frase, já citada por mim no livro Entusiasmo, também está relacionada à inteligência
espiritual.

De fato, a imaginação de criadores como Walt Disney e tantas outras pessoas, famosas ou
não, faz o mundo ficar melhor, mesmo em momentos difíceis.
Contaram-me há algum tempo a interessante história de uma enfermaria onde estavam
internados quinze pacientes de uma doença em fase terminal. As condições do hospital
eram muito precárias e havia somente uma janela, perto de um dos leitos.
Esse leito, junto à janela, ficava em um mezanino e nele era colocado o paciente que
estava há mais tempo internado naquela enfermaria.
Os pobres doentes que ali ficavam não tinham ninguém, não recebiam visitas, e sua única
ligação com o mundo exterior eram as cenas que se passavam do lado de fora,
detalhadamente contadas pelo paciente do leito ao lado da única janela.
"A menina de cabelos encaracolados está passeando com sua avó. Que bom, a velhinha
parece bem disposta hoje. Não vinha passear na praça há alguns dias, certamente estava
adoentada, mas hoje está alegre... vejam, até comprou um ramo de rosas amarelas no
florista!"
Todos os outros pacientes ouviam os relatos como se também estivessem vendo aquelas
cenas, e acompanhavam com interesse as histórias do dia-a-dia de cada pessoa que passava
pela praça em frente à enfermaria.
"Vejam que interessante! O florista está cortejando a mocinha de vestido azul. Deu a ela
uma flor e agora estão conversando."
Um dos pacientes, embora gostasse de ouvir as descrições do seu companheiro de
enfermaria, passou a desejar que chegasse sua vez de ficar junto da janela. Como o critério
dos médicos era colocar ali o paciente internado há mais tempo, ele ficava calculando
quanto faltava para ser o mais antigo.
Já que a cura era quase impossível e a maioria saía dali para o cemitério, ele chegava a
desejar que os outros morressem logo para que enfim pudesse ocupar o leito do mezanino.
Estava em terceiro lugar pelo critério de antigüidade. Nos últimos meses, uns dez
pacientes haviam falecido, mas o da janela não dava sinais de piora em seu estado. Então
morreu o segundo da fila. Ele agora estava na condição de substituto do mais antigo.
A única alegria na vida daqueles quinze pacientes era ouvir sobre os acontecimentos da
pracinha. O florista ficou noivo da moça, a menina passou a vestir uniforme escolar e aos
domingos brincava com seu cachorro pequinês, a velhinha fez várias amigas em seus
passeios diários, os flamboyants estavam todos coloridos na primavera... - tudo isso era
narrado com riqueza de detalhes e uma emoção cada vez mais contagiante, pelo paciente do
leito da janela, mas o eventual substituto passou a esperar ansiosamente que chegasse sua
vez de poder contemplar a paisagem com seus próprios olhos.
Até que esse dia chegou. O mais antigo morreu e ele finalmente foi removido para a cama
do mezanino.
Com emoção, a primeira coisa que fez foi abrir a pequena janela. Mas, para sua surpresa,
não havia paisagem alguma. Só o que se via era a pintura já descascada de uma parede em
frente.
Inteligência racional Q.I.
Raciocínio lógico, habilidades matemáticas e habilidades espaciais Capacidade de
apreender e organizar os dados de uma situação, resolver problemas e empenhar-se em
processos de pensamento abstrato

Inteligência emocional Q.E. (Conceito criado por Daniel Goleman)


Habilidade no relacionamento com as outras pessoas, formada a partir de um conjunto de
atributos, como controle emocional, capacidade de improvisação, autoconfiança, iniciativa,
flexibilidade e persistência.

Inteligência espiritual Q.S. (Conceito criado por Danah Zohar e Ian Marshal)
Habilidade de lidar com percepções que transcendem a razão e a emoção. Compreensão
de que nossa presença no mundo tem uma perspectiva muito mais ampla do que a
experiência cotidiana.
Dimensão da inteligência que inclui valores éticos, idealismo, altruísmo, tolerância,
desapego, entusiasmo e superação de limites.
Capítulo 13
Obstáculos e turbulências

EM UM BREJO, morava uma poderosa serpente que impunha muito respeito diante de
todos os outros animais, pela sua ferocidade e seu tamanho.
Mas uma coisa a incomodava. É que no início da noite aparecia um vaga-lume colorindo
todo o pântano com seu pisca-pisca.
E a serpente começou a perseguir o vaga-lume. Mal ele chegava e começava a piscar, a
serpente preparava-se e dava um bote, mas ele fugia rápido.
Ela não desistia. Passava o tempo, durante o dia, preparando as táticas que iria aplicar de
noite para engolir o vaga-lume.
Depois de alguns dias, ele ficou cansado daquilo. Procurou a serpente durante o dia e,
protegendo-se na folhagem de uma árvore, perguntou:
"Dona serpente, posso lhe fazer três perguntas?"
"Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou mesmo devorá-lo, pode
perguntar..."
"Eu pertenço a sua cadeia alimentar?"
"Não."
"Eu lhe fiz algum mal?"
"Não."
"Então, por que você quer acabar comigo?"
"Porque não suporto ver você brilhar...", responde a serpente, esgueirando-se no galho até
dar um bote fatal que tirou o brilho daquela noite.
Esta fábula infelizmente não está longe da realidade. Muitos casos de inveja chegam a
resultar em morte, ou pelo menos no desejo de destruição do outro, assim como o ciúme
doentio gera crimes passionais.
Também na empresa, inveja e ciúme podem causar problemas sérios, não só entre duas
pessoas mas em todo o ambiente de trabalho.
Esses sentimentos destrutivos existem em todos os setores da sociedade. Outro dia li em
um artigo de jornal que a mídia tem dois prazeres: consagrar talentos desconhecidos e
afundar talentos consagrados.
A pessoa que tem inteligência espiritual procura adotar, tanto nas situações mais
corriqueiras quanto nos momentos mais críticos e delicados, uma postura discreta de modo
a não gerar ciúmes e não ir ao confronto, a não ser que isto seja absolutamente necessário.
A vida de Jesus tem bons exemplos dessa atitude. Em certa ocasião, quando pregava no
templo de Jerusalém, ele percebeu que vários fariseus e caduceus, duas poderosas correntes
religiosas dos judeus naquela época, estavam na porta da igreja e queriam entrar em
conflito com ele, para prejudicá-lo, movidos pelo ciúme.
Porém, Jesus fugiu do confronto saindo pela porta dos fundos, coerente com o que ele
mesmo afirmava:
"Sejamos prudentes como a serpente e simples como a pomba."
Em outros momentos, no entanto, ele não teve medo de firmar sua posição, às vezes até
com severidade, como no episódio da expulsão dos mercadores do templo.
Neste mundo competitivo, usar a inteligência espiritual é saber navegar por sobre as ondas
mais difíceis e traiçoeiras, sem gerar ciúmes, sendo discreto e agindo com senso de
oportunidade, no momento e no tom certos.
Dicas inspiradas na águia, contra o ciúme e a inveja
EVITE PROMOVER A SI PRÓPRIO.
DEIXE QUE SUAS AÇÕES O VALORIZEM.
ESTEJA SEMPRE PRONTO A PERCEBER E OUVIR.
MESMO QUE VOCÊ JÁ SAIBA O FIM DA HISTÓRIA.
NUNCA SE COLOQUE COMO DONO DA VERDADE,
MESMO QUE VOCÊ TENHA CERTEZA DE QUE ESTÁ COM A
RAZÃO (ATÉ PORQUE NINGUÉM É DONO DA
VERDADE E TODA RAZÃO É RELATIVA).
FIQUE ATENTO PARA NÃO SER ARROGANTE EM
NENHUMA OCASIÃO. ARROGÂNCIA É FATAL.
VISTA-SE COM ELEGÂNCIA PARA CAUSAR
IMPRESSÃO POSITIVA AOS OLHOS DOS OUTROS,
MAS DE MANEIRA DISCRETA.
QUANDO EM REUNIÃO DE FAMÍLIA, NÃO FIQUE
CONTANDO VANTAGEM DE SUAS ÚLTIMAS AQUISIÇÕES.
APRENDA A TORNAR-SE INVISÍVEL
QUANDO NECESSÁRIO.
APRENDA A SER INCISIVO, OU MESMO AGRESSIVO,
QUANDO A SITUAÇÃO ASSIM O EXIGIR.
"Sê bom, mas que a tua mansidão não faça o lobo tornar-se audacioso."
(Provérbio árabe)

Ninguém é perfeito. Todos temos defeitos e estamos sujeitos a turbulências em nosso vôo,
provocadas por nós mesmos ou pelos outros. A inabilidade para lidar com os defeitos dos
outros mostra que, de certa forma, temos também ainda aquele mesmo defeito.
Além do ciúme e da inveja, convivemos com vários outros obstáculos.
Rancor, insegurança, altivez, arrogância e espirito bélico são alguns desses obstáculos, que
atrapalham terrivelmente o nosso sucesso, o sucesso dos outros e o sucesso do grupo de que
fazemos parte.

Até mesmo a águia, embora tenha todos os atributos altamente positivos que citamos nos
capítulos anteriores, estã associada a um aspecto bastante negativo, que é a rapinagem.
O conjunto de habilidades que já exaltamos na águia, como a visão de longo alcance, a
rapidez e a agilidade, o foco, o preparo fisico, a sagacidade e tantos outros talentos, pode
também ser usado para o mal.
Os mesmos recursos que podem ajudar e construir podem também prejudicar e destruir.
Depende da nossa opção, a cada momento.
"Os seres humanos são como anjos de uma só asa.
Só conseguem voar quando estão abraçados."
(Neo Buscarle)

Uma coisa é certa: o sucesso de qualquer projeto ou empreendimento - seja a empresa, a


família, o casamento, a igreja, o clube, a comunidade, a nação - depende basicamente da
sintonia de propósitos, da união, da harmonia e da sinceridade.
Temos aí a conhecida história do ganha-ganha. Se, para ganhar, alguém resolve enganar,
passar o outro para trás, no fim das contas são os dois que saem perdendo. Mesmo que o
espertinho se considere vitorioso, mais dia menos dia ele perceberá que estava
completamente enganado.
Um burro e uma raposa resolveram se unir como sócios, para fazer uma viagem. Assim, a
raposa, por ser mais ágil para subir em morros, ficaria vendo o melhor caminho a ser
seguido, e o burro, sendo mais forte, levaria as provisões em suas costas.
A certa altura, já quase no fim da viagem, do cume de um monte a raposa vê um leão perto
dali. Ela poderia ter ido correndo avisar o burro para pegarem outro caminho, mas, temendo
que o leão, com seu faro apurado, a perseguisse, adiantou-se e fez-lhe uma proposta.
"Senhor leão, com todo respeito, perto daqui vem vindo um burro, que é muito maior do
que eu e portanto será melhor para alimentar seu grande apetite. Posso conduzir o burro
para uma emboscada e, em retribuição, você me deixa seguir."
"Está bem, faça isso, então", respondeu o rei dos animais.
A raposa desceu e conduziu o sócio em direção a um desfiladeiro sem saída. Quando o
burro já estava dentro da armadilha, ela tomou outra direção. No entanto, logo ao virar a
curva viu-se frente a frente com o leão, que esperava por ela.
"O burro já está na armadilha, senhor leão, pode ir lá", disse a raposa.
O leão deu um rugido e respondeu:
"Já que ele não poderá fugir, vou devorar você primeiro. O burro fica para o jantar."
"Mas e o nosso trato, senhor leão?"
"Ora essa, se você foi desleal com seu próprio parceiro... como pôde achar que eu
cumpriria um trato sórdido como esse?!?"
E atacou a raposa num só golpe.

Na cidade de Itapeva, interior de São Paulo, minha cidade natal, havia um armazém que
servia aos agricultores durante o ano todo e as contas eram anotadas em um velho livro-
caixa. Só no fim do ano, depois da colheita, os agricultores vinham acertar suas contas.
Vale lembrar que naqueles anos (década de 1940) a inflação era bem próxima de zero.
O dono do armazém nunca tirava férias. Embora seu filho, já crescido, o ajudasse
bastante, ele ainda tinha medo de deixar o armazém aos cuidados do rapaz. Porém, sua
esposa tanto insistiu que ele tirou uma semana de férias e foi para São Paulo. Naquela
época as estradas da região não ajudavam muito os viajantes e eles foram de trem, na
saudosa "Maria Fumaça", hoje peça de museu.
Antes de sair, o comerciante fez inúmeras recomendações ao filho, explicando a
característica de cada freguês, como cada um devia ser tratado, e sempre repetindo:
"Tudo o que vender, marque no livro. Não vá esquecer de marcar."
Quando voltou de sua semana de férias, o que ele temia tinha acontecido.
"Pai, vendi um arreio e não me lembro para quem foi" -disse-lhe o filho, apavorado.
Arreio é aquele apetrecho de couro que se coloca no cavalo para ele puxar a carroça ou a
charrete. De fato apenas um tinha sido vendido, mas para qual dos setenta fregueses?
O pai não se apavorou e, embora fosse um comerciante honesto, não queria ter prejuízo.
Então disse para o filho:
"Não se preocupe. Marque para todos os fregueses esse arreio de cavalo. No final do ano,
quando vierem acertar, quem não comprou vai reclamar e então nós vamos riscando. Só
não vai reclamar quem realmente tiver comprado o arreio."
Entretanto, o grau de confiança no comerciante era tão grande que nenhum dos fregueses
reclamou. Talvez também traídos pelo tempo, todos pagaram o arreio sem contestar.
De propósito ou não, essa prática ainda é usada por muitas instituições. Nas contas de
restaurante, por exemplo, quem já não teve um item cobrado sem ter sido consumido? E no
check-out de hotel, quem já não encontrou despesas que não tinham sido feitas?
Nos bancos, então, isso é comum. O gerente lhe diz: "Como você é um cliente especial,
essa taxa não lhe será cobrada". Um belo dia, você resolve conferir mais detidamente o
extrato e encontra aquele desconto. Muitos não ligam, porque geralmente são taxas
pequenas, mas multiplique isso por milhares de clientes.
E por aí vai. Infelizmente ainda é uma prática freqüente de alguns comerciantes, colocar
valores nas contas do cliente, com esse pensamento: "Se ele reclamar, pedimos desculpas".
Dizem que, naquelas comandas rabiscadas dos garçons, com os nomes dos pratos ou das
bebidas e o preço de cada item, de vez em quando há um item abreviado como "S.C.", que
significa "se colar". Se colar, colou; o cliente paga. Se reclamar, eles pedem desculpas e
tiram a despesa inexistente.
Confiança é um item cada vez mais valorizado nas relações comerciais. No mercado
competitivo, com a clientela cada vez mais seletiva e exigente, abusar da boa-fé do outro
acaba trazendo - mais dia, menos dia - prejuízo muito maior do que o eventual lucro da
esperteza.
E alguma vez você já recebeu uma despesa cobrada a menos? É tão difícil como ganhar na
loteria, mas pode acontecer. O que você faria nessa circunstância?
Capítulo 14
Harmonia, equilíbrio e paz interior

UM CASAL DE ÁGUIAS DOURADAS está caçando. Têm esse nome porque suas penas
são de uma cor marrom-dourado na cabeça e na nuca. O bico e as garras são pretas,
enquanto as pernas são cobertas de plumas amarelas até os dedão do pé. As duas águias,
macho e fêmea, saem quase sempre juntas para caçar e dividem as tarefas: uma persegue a
presa até que ela se canse, então a outra dá um mergulho de 300 quilômetros por hora e
pega a presa.
O casal tem vários endereços, todos em precipícios altos. Já tiveram ninhos em árvores,
quando passaram uma temporada numa região de poucas montanhas, mas a patroa não
gostou.
Os ninhos maiores são usados nas épocas de cria. Logo que os meninos consigam se virar
sozinhos, eles voltam para um outro ninho mais aconchegante. Depois de um tempo,
voltam à morada mais espaçosa para cuidar de nova cria.
Quando eles estão incubando os ovos, o macho costumar dar uma força e ficar chocando
uma parte do tempo enquanto a fêmea faz umas revoadas para espairecer. Ela prefere os
ninhos mais altos, construídos em lugares com boa visibilidade. Ele tem talento para
construir ninhos com pequenos galhos, raízes, ramos e ervas. Alguns dos ninhos que
construiu já estão sendo usados por seus filhos.
Estou falando de um casal de águias douradas, que vive na Ásia e costuma migrar para a
África do Norte durante o inverno (estes nossos personagens têm muitos parentes na
América do Norte mas não costumam migrar para tão longe).
O que mais despertou minha atenção, quando fiz essa pequena pesquisa sobre os hábitos
das águias, foi a harmonia na vida familiar e no trabalho. Por isso fiz a descrição acima
como se estivesse falando de um casal humano.
Na verdade, cada espécie da Criação tem seu sistema de vida, algumas se assemelham um
pouco aos costumes do ser humano, outras são completamente diferentes, mas todas têm,
em essência, um modelo de harmonia.
Quando estamos harmonizados em nossa vida pessoal (seja a vida de casado, ou de
solteiro, conforme cada um escolher para si), estamos com a auto-estima em ordem e temos
ânimo pela vida.
Harmonizar a vida pessoal significa também equilibrar o tempo que costumamos dedicar a
cada área da nossa vida - o trabalho, a família, a vida social, inclusive os momentos de
lazer, as atividades culturais, comunitárias e religiosas.
Entre as atividades comunitárias, destaco a importância do voluntariado. Faz parte da
inteligência espiritual colaborar - dentro das possibilidades de cada um - para a solução do
desequilíbrio social, participando de grupos na empresa, no bairro, na igreja, ou atuando
individualmente, em favor de instituições assistenciais, campanhas contra a fome e outros
movimentos de apoio aos necessitados.

"Estabelecereis paz na terra.


E durante o repouso não haverá quem vos espante."
(Levítico.26:6) Como disse Confúcio, "o líder tem que ser um negociador de esperanças".
Em um ambiente de trabalho onde há lideres com esses atributos e atitudes, as pessoas
sentem-se úteis, participativas e realizadoras.
O equilíbrio e a harmonia são requisitos essenciais da prosperidade. Falo aqui de
equilíbrio em todos os sentidos: físico, financeiro, emocional, espiritual, social, familiar,
profissional etc. E falo de harmonia da pessoa consigo mesma, com os outros, com sua
profissão, e assim por diante.

Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou.


Não como a dá o mundo.
Não se turbe o vosso coração; nem se atemorize.
(João, 14;327)

Cuidado com os maiores inimigos da paz interior: remorsos pelos erros de ontem,
ansiedade pelos problemas de amanhã e ingratidão pelas bênçãos de hoje.
Em grande parte das vezes o desequilíbrio e a desarmonia têm origem na própria pessoa.
Falta de clareza nas metas, falta de prioridade, falta de planejamento, desorganização,
insegurança, medo, culpa, autopunição, exobicionismo, inveja, cobiça, ressentimento – tudo
isso leva a um problema básico que costuma acometer seres humanos: a falta de paz
interior.
Passos importantes para ter
PAZ INTERIOR
DEFINA SUAS METAS COM CLAREZA
ESTABELEÇA PRIORIDADES
FAÇA PLANOS DE CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZOS
PROGRAME SUA VIDA FINANCEIRA
ORGANIZE MELHOR SUAS ATIVIDADES
RESERVE TEMPO PARA O LAZER
CUIDE DA SUA ESPIRITUALIDADE
VALORIZE E DESENVOLVA SEUS TALENTOS
NÃO DEIXE QUE O MEDO ABORTE SEUS SONHOS
APRENDA COM OS ERROS E COM OS ACERTOS
LIBERTE-SE DA CULPA E DOS RESSENTIMENTOS
PERDOE A SI MESMO E AOS OUTROS
NÃO SE VANGLORIE DO QUE VOCÊ TEM
NÃO COBICE O QUE VOCÊ NÃO TEM
ACREDITE EM SI PRÓPRIO
Não perca tempo com a inveja.
Diante do sucesso dos outros, aplauda e aprenda.

Qual é o propósito da vida? Esta pergunta provavelmente já tenha lhe ocorrido alguma
vez. Algumas pessoas não se aventuram a responder. Outras procuram resposta no estudo
da filosofia, ou em alguma religião.
E qual é o propósito da sua vida? Você já se questionou sobre isso? Já tentou responder?
A falta de rumo, em qualquer trajeto, é uma forma de desequilíbrio. Quando perdemos
contato com o significado da vida, principalmente com o significado da nossa própria vida,
estamos sem rumo. Esta indefinição, este caminhar a esmo, prejudica a nossa paz interior.
Hoje em dia, infelizmente, a maioria das pessoas nem se preocupa em buscar resposta para
uma questão importante como esta. São pessoas muito ocupadas, sem tempo para isso.
Qual é o propósito da minha vida? Se eu buscar essa resposta dentro de mim, certamente a
encontrarei. E, quem sabe, estando consciente dessa resposta terei mais condições de
desenvolver os meus talentos, pois eles passarão a ter um motivo, uma meta, uma
finalidade maior.
Se, desde a educação das crianças, nas escolas de todo o mundo, as pessoas prestassem
atenção a isso, talvez a humanidade estivesse melhor do que está hoje. Porque teria um
rumo.
Estou convencido de que boa parte das angústias e incertezas que nos tiram a paz interior
tem origem na falta de foco, no vazio que é não saber o que estamos fazendo aqui.
Vamos, então, definir um sonho de vida, uma finalidade para a nossa presença no mundo?
Quem assim fizer estará criando um bom destino para si. Terá um motivo forte para
continuar avançando. Cada dia será pleno de entusiasmo e alegria, pois significará mais um
passo em direção a um objetivo muito importante.

Saireis com alegria e em paz sereis guiados.


Os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo
baterão palmas.
(Isaías, 55:12)
Capítulo 15
Superando limites

SERIA IMPOSSÍVEL ESCREVER um livro como este, chamado Voando como a Águia,
sem citar uma história contada pelo teólogo Leonardo Boff, em seu ótimo livro "A águia e a
galinha".
Foi uma história contada originalmente por um educador chamado James Aggrey. Ele era
lider popular de Gana, um pequeno país situado na costa leste da África. No início do
século XX, Aggrey dedicou-se a encorajar seu povo a reconquistar a liberdade depois de
quatro séculos como colônia (de Portugal e, depois, da Inglaterra). Ele morreu em 1927 e a
independência de Gana só foi conquistada trinta anos depois de sua morte, mas suas
palavras foram decisivas para que esse sonho se tornasse realidade.
Certa vez, James Aggrey estava em uma reunião com outros lideres populares e vários
deles achavam que continuar sob o domínio dos ingleses era melhor para o país. Ele então
pediu a palavra e contou a história da águia e das galinhas.

Um camponês foi caçar na floresta, capturou um filhote de águia e decidiu criá-lo em sua
casa.
Sem dar importância ao fato de ter em seu poder um filhote da espécie mais majestosa de
todos os pássaros, colocou-o no galinheiro, junto com as galinhas.
O filhote, que tinha poucos dias de vida, no início estranhou, mas depois de algum tempo
adaptou-se à vida no galinheiro.
Depois de cinco anos, um naturalista que passava pela região, pesquisando os animais
daquela floresta, visitou o camponês em sua casa.
Passeando pelo quintal com o camponês, o naturalista olhou para as galinhas, ciscando no
terreiro, e percebeu que entre elas havia uma ave bem diferente.
"Esse pássaro aí não é galinha", disse ele ao camponês. "É uma águia!"
"Isso mesmo, é uma águia", respondeu o dono da casa. "Ou melhor, era uma águia. Agora
não é mais, porque eu a criei como galinha e ela tornou-se uma galinha como as outras."
"Mas veja as asas dela! Tem quase três metros de envergadura! E observe seu porte. É
muito diferente do porte de uma galinha", disse o visitante, prosseguindo sua
argumentação: "Não tenha dúvida, meu amigo, esta ave é e será sempre uma águia, pois ela
tem um coração de águia, tem o instinto das águias. Isso ainda vai fazer com que ela voe
pelas alturas, algum dia".
"Não senhor, de jeito nenhum", insistiu o camponês. "Ela agora é uma simples galinha.
Tem os hábitos da galinha, come milho com as outras galinhas, comporta-se como uma
delas. Jamais voará como águia".
Os dois decidiram então fazer uma prova.
O naturalista pegou a águia em seus braços, ergueu-a o mais alto que pôde e lhe disse:
"Você vive com as galinhas mas na verdade é uma águia. Por isso você pertence ao céu e
não à terra. Então abra as asas e voe!"
A águia ficou pousada no braço do naturalista, olhando ao redor, distraidamente. Viu as
galinhas no chão, ciscando grãos, caçando minhocas, e pulou para junto delas.
"Eu não lhe disse?" - falou o camponês. "Ela virou uma simples galinha!"
"Não é possível!" - tornou a insistir o naturalista. "Ela é uma águia. E uma águia será
sempre uma águia. Amanhã cedo podemos experimentar novamente?"
Tanto ele insistiu que o camponês concordou. No dia seguinte, o naturalista subiu com a
águia no telhado da casa. Chegando lá em cima, começou a sussurrar no ouvido da ave:
"Águia, você é uma águia, você sabe que é uma águia. Uma águia nunca esquece seu dom
de voar. Então aproveite essa oportunidade. Abra suas asas e voe!"
A águia chegou a sentir uma força estranha em suas asas. Mas olhou para baixo, viu as
galinhas ciscando o chão e não resistiu: pulou do telhado, fazendo aquele bater de assas
meio desajeitado que as galinhas fazem, e foi para junto delas.
O camponês sorriu e falou para o teimoso visitante: "Eu não tinha lhe falado que ela virou
galinha? Olha lá."
Olhando a águia ciscando animada, totalmente à vontade com suas companheiras de
galinheiro, mesmo assim o naturalista não entregou os pontos.
"Não, não pode ser!" - respondeu ele, firmemente, ao camponês. o naturalista. "Tenho
certeza de que ela, sendo uma águia, possuirá sempre um coração de águia. Deixe-me
experimentar só mais uma vez, uma última vez, e amanhã conseguirei fazê-la voar como
águia".
Os dois levantaram bem cedo no dia seguinte, pegaram a águia, entraram num jipe e
tomaram o rumo da estrada para a serra. A ave, já uma águia adulta, porém comportando-se
como uma galinha, ia no colo do naturalista e o camponês ia dirigindo.
Ainda era cedo quando chegaram no alto de uma montanha. O sol nascente dourava a
paisagem.
O naturalista foi para o ponto mais elevado que conseguiu subir. Ergueu a águia para o
alto e ordenou:
"Águia, você pertence ao céu e não à terra. Você é uma águia, capaz de voar nas alturas
com suas grandes asas. Então abra suas asas e voe!!!"
A águia olhou ao redor, pousada nos braços do naturalista. Estava tremendo, talvez porque
temia o desconhecido. Sentiu medo de experimentar uma nova vida. Suas asas chegaram a
abrir um pouco, ela empinou o peito, mas não voou.
Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos
pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
Neste momento ela abriu suas asas, grasnou bem alto, como uma verdadeira águia, e
ergueu-se, soberana, sobre si mesma.
O naturalista sentiu que aquele era o momento. Abriu os braços, soltando a águia, e ela
começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto.
Voou...voou... no início ziguezagueando, um pouco hesitante ainda, mas logo depois
dando voltas majestosas, até confundir-se com o azul do firmamento...
Quando terminou de contar essa história para a platéia comovida, James Aggrey
conclamou seus compatriotas a não se acomodarem na condição de galinhas mantidas em
cativeiro, conformadas com os grãos que lhes jogam aos pés para ciscar. "Durante muito
tempo os dominadores nos fizeram pensar como galinhas, mas nós somos águias, meus
irmãos e irmãs! Vamos abrir nossas asas e voar livremente como as águias!"

Nossa realidade de hoje é bastante diferente daquela em que vivia James Aggrey, em
Gana, há quase um século, quando conclamou seu povo a deixar de ser galinha e voar como
águia.
O Brasil tornou-se independente há quase dois séculos, a escravidão já foi abolida há mais
de um século, mas os ideais da independência e da liberdade não foram plenamente
alcançados até hoje, porque fazem parte de um longo processo.
Ainda somos mais galinhas do que águias? De certa forma, é isso o que acontece.
Avançamos em muitos pontos - há mais consciência ecológica, maior preocupação com a
justiça social, com a democracia, com o equilíbrio da economia, o ensino está melhor, a
expectativa de vida aumentou... - mas por outro lado vivemos uma difícil realidade, com
problemas sociais graves, como a fome, a miséria, a violência, as injustiças, a corrupção, o
desemprego.
No país, na empresa, no lar, em todos os setores da nossa vida, somos um pouco galinhas
e um pouco águias.
Para tocar o dia-a-dia - com realismo, esforço, disciplina, persistência, produtividade,
espírito de equipe e uma série de outros atributos - temos que ser como as galinhas, fazendo
o melhor possível com os recursos que temos e aceitando os limites que a vida nos
apresenta.
Mas não dá para ser feliz sem ousar superar esses limites. E aí entra em cena o nosso
coração de águia, que voa na imaginação, reinventa a vida e cultiva sonhos utópicos.
Não devemos renegar a galinha, pois dela obtemos o ovo de cada dia. Nem deixar de lado
a nossa águia, que nos faz enxergar mais longe vislumbrando outras possibilidades.
Mantendo esse diálogo entre nossa galinha e nossa águia, estaremos vivenciando uma
frase genial de Franklin Roosevelt, que hoje serve de lema a muitos lideres do mundo
empresarial e da politica, em todo mundo:

"Vamos começar fazendo o necessário, depois o difícil, e a certa altura nos veremos
fazendo o impossível."
Capítulo 16
Ousadia realizadora

"ESSA IDÉIA não tem chance de dar certo. É um delírio. Somente um maluco
concordaria em investir nesse delírio!"
Foi com essas palavras ainda ecoando em sua mente que ele voltou para casa, com seu
projeto enrolado num pergaminho. Durante algum tempo continuou tentando outros apoios
que viabilizassem sua idéia, mas a negativa da rainha tinha repercutido entre os outros
possíveis patrocinadores, e ninguém aceitou. Alguns meses depois, ele guardou no armário
o pergaminho, que já estava rasgando de tanto ser aberto e fechado, e foi cuidar de sua vida.
Como sua vocação era navegar, dedicou-se ao transporte de mercadorias comercializadas
nos países mediterrâneos. Trabalhava com um barco pequeno, conforme seus recursos
permitiam, mas o sonho de encontrar um novo continente nunca deixou de vir à tona em
sua mente.
Falava de seus planos com entusiasmo para o filho, que desde pequeno lhe fazia
companhia em suas viagens costeiras. Isto fez com que o filho de Cristóvão tomasse gosto
pela profissão. Depois da morte do pai, o jovem foi completar seus estudos na Holanda,
onde conseguiu emprego de marujo numa empresa chamada Companhia das Índias
Ocidentais, e fez várias expedições que cruzavam o Atlântico para explorar as novas terras
descobertas pelos holandeses.
Esta poderia ter sido a história da vida de Cristóvão Colombo se a rainha da Espanha
houvesse negado apoio a seu projeto. É claro que os colonizadores europeus acabariam
chegando ao novo continente, porque as boas idéias circulam pelo ar. E também porque
havia muitas outras peças em jogo naquele momento. Porém, a descoberta levaria mais
tempo para acontecer e a história teria sido bem diferente.

Muitos dos maiores responsáveis por grandes avanços da humanidade ouviram frases
parecidas com esta: "Essa idéia não tem chance de dar certo." Mesmo assim, eles não
desistiram. A luz elétrica, o computador pessoal, a cura de inúmeras doenças, entre muitos
outros feitos, tiveram que resistir a reações de ceticismo e até de zombaria.
Reações negativas surgem na vida de qualquer um de nós e o projeto não precisa ser
grandioso como a descoberta da América para ser vitimado pela resistência às mudanças.
Pode ser uma simples mudança de emprego, abertura de um pequeno negócio, implantação
de um novo procedimento na empresa, sugestão de uma nova técnica de vendas ou de
alguma alteração no produto.
A resposta negativa não precisa ser da rainha da Espanha, ou de algum eventual
patrocinador, nem mesmo do chefe, do sócio ou dos acionistas. Com grande freqüência,
essa resposta é dada pela própria mente da pessoa e a boa idéia não ultrapassa nem mesmo
o diálogo interno que cada um trava incessantemente consigo mesmo.
Por que isso ocorre? Por causa do instinto de preservação, que tende a emitir ordens
conservadoras ao nosso cérebro. Claro que esse instinto deve ser levado em conta, mas a
ousadia, em grande parte das situações, é a única forma de superar limites.

"O mundo pertence aos ousados"


Digo sempre essa frase nas minha palestras e nos meus livros. Não me canso de repeti-la
porque acho importante despertar o espírito aventureiro que todos temos, sem o qual não é
possível ampliar nossos domínios.
Os grandes descobridores, ao longo da história da humanidade, são exemplos de inovação
e pioneirismo. Eles promovem mudanças que repercutem no mundo todo. Não costumam
ser movidos pelo dinheiro, mas sim pela ânsia de progresso e transformação.
Até mesmo nas empresas, o dinheiro não é a principal motivação do pioneirismo. Toda
organização bem sucedida é movida antes de tudo pela vontade de conquistar seu espaço e
de mudar o mundo.
"Nós temos a responsabilidade da mudança.
Devemos começar por nós mesmos, aprendendo a não rejeitar antecipadamente
o novo, o surpreendente, aquilo que parece ser radical"
(Domenico de Masi)

Nos últimos anos, a atuação das empresas e do governo têm focalizado, muitas vezes
como prioritárias e estratégicas, algumas áreas críticas que até agora não eram sequer
consideradas.
Questões sociais, espirituais e de meio ambiente surgem como novos focos das empresas e
dos profissionais que dão asas à ousadia.
Novos valores e novas atitudes fazem com que as pessoas passem a pensar e a agir de
forma diferente. Isso inclui os empreendedores, governantes, autoridades, educadores,
chefes de família, comunicadores, vendedores, líderes e profissionais em geral.
Quem adota uma atitude pioneira passa a exercer uma forma de liderança, mesmo que não
seja o lider oficial do grupo. E destaca-se cada vez mais à medida que aquele
comportamento seja adotado por um número maior de pessoas.
A história atual do nosso país nos mostra que não há mais barreiras de classe social, raça
ou escolaridade para se alcançarem posições de comando nas empresas e no governo. Tudo
é questão de estar sintonizado com as demandas e as propostas dos tempos atuais, sem
deixar de lado as experiências do passado.
Em tempos de transformação, é importante pensar de maneira inovadora. Melhor ainda se
a empresa (ou a pessoa) for pioneira. Pioneiro bem sucedido é o que encontra soluções não
convencionais para problemas conhecidos.
O melhor aproveitamento que se pode tirar da ousadia é este: buscar novas soluções, antes
impensadas, para os problemas e desafios.

"Se você quiser chegar a um lugar onde a maioria não chega,


precisa fazer algo que a maioria não faz"
Bons parceiros da
OUSADIA
PREPARAÇÃO
DISCERNIMENTO
AUTOCONTROLE
PRUDÊNCIA
FIRMEZA
SENSO ESTRATÉGICO
INTUIÇÃO (INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL)
CRIATIVIDADE
INOVAÇÃO
DETERMINAÇÃO
TENACIDADE
SINCERIDADE
AVALIAÇÃO
FLEXIBILIDADE
SONHO DE VIDA
O que a prudência está fazendo dentro de uma lista de parceiros da ousadia?
Tem tudo a ver, porque uma coisa não elimina a outra. Pelo contrário. Ousadia com a dose
certa de prudência é imbatível. Daí vêm as seguintes frases populares tão consagradas:

"Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém."


"Seguro morreu de velho e prudente foi ao enterro."

O mesmo ocorre com a preparação. Os grandes avanços da civilização sempre foram fruto
de bastante preparo, com tenacidade e determinação.
E o sonho de vida completa a lista porque, conforme vimos no capítulo anterior, quem
define um rumo, uma meta que valha a pena qualquer esforço, tem mais condições de
superar os desafios.
Com preparo suficiente, a águia alça vôo confiante, acreditando totalmente em sua
capacidade. Com a meta definida, ela sabe que poderá colorir com ousadia o seu plano de
vôo, arriscando manobras inesperadas e utilizando o fator surpresa para atingir seu objetivo.

"Qualquer um pode começar, mas só os ousados terminarão."


(Napoleon Hill)
Capítulo 17
Realização vitoriosa

ÁGUIA SIMBOLIZA VITÓRIA, desde as mais remotas civilizações. Vimos diversos


exemplos disso ao longo dos capítulos deste livro. Mas um dos exemplos mais
significativos vem do Antigo Egito, onde uma só palavra - nasr - designava as duas coisas:
águia e vitória.
Dos faraós aos dias de hoje, das guerras pré-históricas à Segunda Guerra Mundial, esse
significado persiste. Em alguns países, o símbolo da águia ficava recolhido durante
períodos de dominação e voltava a aparecer - nas bandeiras, brasões, estandartes e demais
emblemas nacionais - quando novamente reinava o clima de vitória.
Mas por que a águia é símbolo de vitória, se raramente ela é retratada em situação de
combate, ou capturando uma presa?
Porque vitória é estado de espírito. O vôo da águia é vitorioso desde o momento em que
ela se prepara para abrir as asas e ganhar as alturas. A atitude de vitória está em todas as
etapas: quando ela ainda está no ninho, quando voa em círculos observando o solo, quando
mergulha em direção a seu objetivo, quando sobe novamente levando sua presa, quando
retorna ao ninho para alimentar seus filhotes.
A vitória reside na confiança e na determinação. Não está somente no resultado, mas
também na atitude.

Quarenta minutos do segundo tempo. O time da casa está perdendo por dois a zero mas a
torcida continua vibrando e cantando o hino, que festeja a tradição de glórias e o amor pelas
cores do clube, na vitória ou na derrota.
No trabalho, como no esporte, uma boa equipe é vitoriosa desde que se forma e vai à luta.
Ao entrar em campo está sendo jogada a cada jogo uma nova vitória, mas o que conta é a
seqüência de jogos. Mais do que cada jogo, o que vale é o campeonato como um todo. E,
mais do que um campeonato, o que conta é toda a história de lutas e glórias, é a tradição
vitoriosa.
"Viver é aprender a jogar.
Ganhando ou perdendo, mas sempre vivendo e aprendendo a jogar."
(Guilherme Arantes)

Não se pode ganhar sempre. O sabor da vitória é a competição. Se não ganhar aquele jogo,
haverá os próximos. Se o adversário vence, torna-se mais valorosa a nossa próxima vitória.
A torcida sabe disso e canta o hino de vitória mesmo que o placar não esteja favorável,
porque uma batalha é apenas um capítulo a mais e uma derrota eventual pode dar lições
valiosas para a vitória seguinte.
Nada como um dia depois do outro. Por mais longa seja a noite, por mais rigoroso o
inverno, o sol voltará a dourar toda a paisagem, porque seu poder é vitorioso e brilha desde
sempre.

Existe vitória até na derrota. Como isso é possível?


Se sofrermos derrota em algum lance do jogo da vida, a vitória está presente nas lições
que tiramos dos nossos próprios erros.
E existe derrota na vitória, quando o vencedor se deixa endurecer pela arrogância, pela
crença de que vai ganhar sempre.
No ambiente de trabalho, a arrogância é fatal. Desagrega equipes, desmotiva liderados, faz
cegar a visão da realidade e conduz à derrota. Um profissional bem preparado, altamente
especializado em sua atividade e com aguçada inteligência racional, demonstra falta de
inteligência emocional e espiritual quando suas atitudes são arrogantes.
No jogo do mercado, a competição é um desafio incessante e nenhuma posição no ranking
está garantida por muito tempo. Uma empresa vitoriosa deve manter-se atenta contra a
armadilha da arrogância. Toda empresa lider é observada a cada momento pelos
competidores e pelos clientes.
Na concorrência ferrenha dos dias de hoje, a qualidade do produto não é tudo. Nem o
preço. Nem mesmo a tradição da empresa, as campanhas publicitárias ou a força de sua
rede de vendas. O cliente quer ser surpreendido e tratado com atenção. Ele valoriza o
relacionamento, o atendimento de pós-venda, as atitudes éticas e emocionais da empresa
que está prestigiando com sua preferência.

A vitória de um profissional começa na sua preparação, mas a preparação nunca termina.


Quem achar que sabe tudo de sua profissão está perdendo o jogo sem perceber. Bem
preparado, o profissional transmite maior confiança e capacidade.
Entretanto, por mais importante que seja, o preparo técnico não é tudo. Na política de
promoções de uma empresa, um profissional com PhD, MBA, formação no exterior e
dezenas de outras qualificações em sua especialidade, mas com atitudes inadequadas no
relacionamento com as pessoas, não leva vantagem necessariamente sobre um colega de
currículo menos polpudo e maior simpatia nas relações com os colegas e clientes.

A águia não precisa de muito esforço em seu vôo, porque observa o vento e sabe "velejar"
nas alturas. Faz todas as manobras possíveis aproveitando as correntes. Só bate as asas
quando quer tomar um rumo independente da direção do vento.
Agir com o mínimo de esforço pode ser uma estratégia poderosa para a vitória. Significa
que estamos em harmonia com as forças do meio ambiente.
Sabendo como as coisas funcionam, para onde os ventos sopram, quais as tendências do
mercado, como é a natureza da atividade, alcançaremos nosso objetivo com energia
sobrando para capricharmos ainda mais nos detalhes do atendimento.
O prestígio dos estressados está em baixa, nestes tempos de inteligência emocional,
inteligência espiritual, qualidade de vida e equilíbrio ambiental.

Sabe aquele sujeito que trabalha demais, se irrita com os menos competentes, busca
sempre apontar culpados para os problemas, se vangloria de não tirar férias há vários anos,
desperta antipatias e cria conflitos? Antes ele era admirado por dedicar-se de corpo e alma à
empresa, vivia sendo elogiado pelo chefe, era personagem constante daquelas entrevistas
para o jornal interno, ganhava relógio folheado a ouro na festa de fim-de-ano e era
apontado como um exemplo de funcionário padrão. Atualmente, os colegas olham para ele
e pensam: "1h, lá vem aquele mala-sem-alça. Coitados dos filhos e da mulher desse cara!"
Não dá mais para separar as várias facetas do ser humano - família, trabalho, vínculos
sociais, saúde, finanças, amor, amizades, tudo está interligado. O indivíduo é um todo. E
sua prosperidade vai depender do conjunto de atitudes nas várias situações da vida em
geral.
"Deixa a vida me levar", diz um samba famoso que se tornou quase um hino dos
jogadores da seleção brasileira de futebol durante a Copa do Mundo de 2002. Algumas
pessoas entendem essas palavras como atitude passiva, do tipo cruzar os braços e deixar-se
levar pelos acontecimentos. Mas não é isso. Tanto que somos pentacampeões. E seremos
hexacampeões, e depois septa, e depois octa, e depois... bom, depois continuaremos
aprendendo a falar todos os números no idioma grego, para continuar comemorando as
vitórias da nossa seleção.
"E ele saiu vencendo e para vencer."
(Apocalipse, 6:2)

O segredo da vitória é deixar a vida fluir, observar esse fluxo e seguir em frente sem
forçar a barra.
Para que enfrentar obstáculos se houver caminhos alternativos?
De que adianta supervalorizar os problemas para valorizar o próprio esforço em superá-
los?
Que vantagem há em cultivar conflitos? A vida não precisa ser uma guerra.
Que proveito tiramos ao lutar contra a natureza das coisas? Nenhum. O erro reside
exatamente nesse confronto inútil. A lição que se tira é conhecer o fluxo. O acerto é fluir na
direção correta. A vitória não está no fim do caminho. Ela é o próprio caminho.
A vitória se assemelha ao vôo da águia. Ela está no fluxo normal da natureza, que é, em si,
vitoriosa.
Capítulo 18
O vôo da águia

ABERTURA DAS OLIMPÍADAS DE ATLANTA, 1996. Milhões de espectadores, no


mundo inteiro, assistem ao monumental show de abertura. No auge do espetáculo surge um
homem voando pelo estádio; ele usa uma espécie de mochila voadora, que anos mais tarde
foi atração também no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, mas isso é outra
história.
A surpresa teria sido muito maior se um dos detalhes do show não tivesse falhado. Estava
programado pelos organizadores do espetáculo que o homem surgiria voando ao lado de
uma águia.
Uma bela águia americana, ave símbolo dos Estados Unidos, havia sido treinada em
segredo durante anos, para fazer um percurso cuidadosamente coreografado, dando voltas
sobre o gramado.

Sabe por que esse espetáculo não aconteceu conforme foi programado? Porque a águia
morreu algumas semanas antes e não havia tempo de treinar uma águia substituta. A morte
foi conseqüência de uma depressão profunda, por ter ficado presa muito tempo.
É difícil imaginar uma águia pousada, toda encolhida, como se estivesse rejeitando o meio
ambiente. Só mesmo se estiver presa.
Seu vôo é uma exuberante expressão de liberdade. É incompatível com o cativeiro.

Todas as atitudes da águia se apresentam no seu vôo. Ao longo deste livro, destacamos
essas atitudes, que agora vamos rever. O que proponho a você, leitor, é trazer agora essas
qualidades para a sua própria experiência, aplicar esses talentos em sua vida.

META - Saber exatamente o que deseja alcançar. Cada movimento tem uma intenção
clara, associada a uma finalidade maior. O local onde instala o ninho, o campo de trabalho,
as prioridades do dia-a-dia, tudo tem uma razão de ser e segue um objetivo definido.
ESTRATÉGIA – Definir a forma de atingir os objetivos. Sabendo o que pretende
alcançar, a águia define suas linhas de ação.

VISÃO DE LONGO ALCANCE - Enxergar de longe o objetivo e os obstáculos.


A águia se abriga em lugares altos, que nossa vista nem alcança, e observa a paisagem
com olhar sagaz. Em suas revoadas, ela vê a realidade por diferentes ângulos.

FOCO – Escolher exatamente um alvo. Ela focaliza um ponto exato, examina em detalhe
o seu objetivo, para atacar exatamente aquele ponto, de forma certeira e eficaz.

PLANEJAMENTO – Planejar o modo de chegar ao seu objetivo. A direção do vôo, a


velocidade ideal, a seqüência de etapas, as técnicas de abordagem e de retorno, tudo segue
um padrão que não deixa margem a dúvidas.

PREPARAÇÃO – Antecipar todas as informações e providências de modo a estar apto


para a ação. A águia fica voando bem alto, em círculos, avalia seu objetivo, posiciona-se no
ângulo ideal e direciona sua trajetória para mergulhar em boas condições.
CONCENTRAÇÃO – Não se dispersar no momento de agir. Não se distrai durante a sua
observação do alto, nem se desvia na sua trajetória em direção ao objetivo.
PACIÊNCIA – Aguardar a hora certa. Não se afoba. Fica observando durante todo o
tempo que for necessário.

SENSO DE OPORTUNIDADE – Perceber o momento exato de agir. Tudo tem seu tempo
certo. Não se expõe antes da hora e, por outro lado, não chega atrasada.

AGILIDADE – Agir com desembaraço, leveza e vivacidade. Não perde tempo para entrar
em ação. Movimenta-se com facilidade, presteza e eficiência, sem perder a calma.

VELOCIDADE – Movimentar-se com rapidez. Seu vôo é incrivelmente veloz,


principalmente quando ela mergulha em direção ao seu alvo.

PREPARO FÍSICO – Manter-se em boa forma. A águia não é sedentária, movimenta-se


bastante e seu estilo de vida saudável lhe garante excelentes condições físicas.

FORÇA – Manter os músculos com energia para enfrentar os momentos decisivos. A


águia faz em seus longos vôos diários uma verdadeira "malhação".

TÉCNICA – Ter capacidade de atingir o objetivo com precisão. A águia faz um


"mergulho" certeiro e exato, com total domínio da situação.
CONFIANÇA – Acreditar totalmente em sua capacidade. A águia não vacila e não
titubeia, porque sabe que está preparada e que seu vôo será vitorioso.

DETERMINAÇÃO – Tentar de novo, caso a investida não dê certo. A águia tem certeza
do seu objetivo, não esmorece e não desiste.

FATOR SURPRESA – Surpreender o alvo. A águia voa muito rápido, na oportunidade


certa e chega sem dar tempo para reações.

OUSADIA – Aventurar-se, inovando rumos e atitudes, sem medo de se expor. O mundo


pertence aos ousados.

SEGURANÇA – Cuidar das condições necessárias para viver e trabalhar de forma segura.
A águia constrói ninhos seguros e bem posicionados, onde vive e para onde vai depois do
vôo.

RESPONSABILIDADE - Honrar seus compromissos. Se tem filhotes no ninho, a águia


leva o alimento até eles e cuida de sua prole até que cada um saiba voar e se manter.
AS 20 ATITUDES DA AGUIA
1.Meta
2.Estratégia
3.Visão de longo alcance
4.Foco
5.Planejamento
6.Preparação
7.Concentração
8.Paciência
9.Senso de oportunidade
10.Agilidade
11.Velocidade
12.Preparo físico
13.Força
14.Técmca
15.Confiança
16.Determação
17.Fator surpresa
18.0usadia
19.Segurança
20.Responsabilidade
Era tarde da noite quando ela chegou na Pousada das Águias para um curso especial, que
tinha sido entusiasticamente recomendado por seu diretor. Ele afirmara que, antes de ser
promovida a gerente de RH, ela teria que passar por um treinamento que a capacitasse para
novos desafios.
Tinha sido difícil dirigir montanha acima com tempo chuvoso e ela estava bastante
cansada quando tocou a campainha da recepção do hotel, mas ninguém atendeu. Viu então,
sobre o balcão, um envelope com seu nome, que continha uma chave e o nome de um
chalé. No jardim havia setas indicando os chalés e ela achou o seu com facilidade.
Na mesinha de cabeceira, outro envelope com seu nome. Dentro do envelope, uma folha
com o título "As 20 atitudes da Águia". Recostou na cama aconchegante e começou a ler.
De repente, um ruído diferente entrou pela janela. Não era o canto dos grilos, nem dos
sapos ou da coruja. Levantou-se para ver e se emocionou com a surpresa: uma águia estava
pousada no jardim.
Ao vê-la, a ave deu alguns passos pelo gramado, depois abriu as asas num gesto majestoso
e saiu voando.
Ela voltou para o chalé e o papel que estava lendo parecia ter agora um brilho diferente.
Ao olhar cada palavra, outras frases surgiam ante seus olhos e ela entendia exatamente o
significado de tudo aquilo.
AS 20 ATITUDES DA ÁGUIA
META - Saber exatamente o que deseja alcançar.
ESTRATÉGIA - Definir a forma de atingir os objetivos.
VISÃO DE LONGO ALCANCE - Enxergar de longe o objetivo e os obstáculos.
FOCO - Escolher exatamente um alvo.
PLANEJAMENTO - Planejar o modo de chegar ao seu objetivo.
PREPARAÇÃO - Antecipar todas as informações e providências de modo a estar apto
para a ação.
CONCENTRAÇÃO - Não se dispersar no momento de agir.
PACIÊNCIA - Aguardar a hora certa.
SENSO DE OPORTUNIDADE – Perceber o momento exato de agir.
AGILIDADE - Agir com desembaraço, leveza e vivacidade.
VELOCIDADE – Movimentar-se com rapidez.
PREPARO FISICO – Manter-se em boa forma.
FORÇA – Manter os músculos com energia para enfrentar os momentos decisivos.
TÉCNICA – Ter capacidade de atingir o objetivo com precisão.
CONFIANÇA – Acreditar totalmente em sua capacidade.
DETERMINAÇÃO – Tentar de novo, caso a investida não dê certo.
FATOR SURPRESA – Surpreender o alvo.
OUSADIA – Aventurar-se, inovando rumos e atitudes, sem medo de se expor.
SEGURANÇA – Cuidar das condições necessárias para viver e trabalhar de forma segura.
RESPONSABILIDADE – Honrar seus compromissos.
À medida que ia lendo, o sentido das frases tornava-se mais rico de exemplos e detalhes,
sua mente parecia adquirir uma compreensão mais ampla de tudo e ela sentia em seu corpo
uma vibração diferente.
Olhou para a janela e viu que os primeiros raios de sol já surgiam, formando com os
últimos pingos de chuva um belissimo arco-íris, que começava bem ali onde ela estava. No
final do arco-íris viu um brilho radiante, que a atraiu, e sem nenhum esforço ela saiu
voando!
Outras águias voavam na mesma direção e aquela luz dourada começava a envolvê-la
completamente.
Nesse momento acordou, com um raio de sol entrando pela janela e pousando em sua
cama. Lembrava-se de tudo, com uma nitidez que nenhum outro sonho jamais tinha
deixado.
No café da manhã, o professor e um conferencista receberam-na sorridentes, os colegas de
curso eram extremamente simpáticos e pareciam familiares.
Olhando para eles, lembrou-se das outras águias que em seu sonho voavam na direção do
arco-íris.
E sentiu que nem precisava contar seu sonho.
Capítulo 19
Renovação e transcendência

POR VEREM ÁGUIAS VOANDO a grande altura, indo além do firmamento, ou


surgindo das nuvens para descer ao chão, os antigos acreditavam que elas fossem capazes
de voar de um mundo ao outro - do mundo espiritual para o material, do céu para a terra.
Mais que isso, acreditavam que elas transportassem a alma dos mortos sobre suas asas, de
volta para o céu. Em muitas imagens religiosas, a águia simboliza o bem, a dimensão
espiritual, vencendo a serpente, que rasteja na terra e por isso simboliza a matéria, os
desejos do mundo.
Nos Salmos, encontramos a águia como um símbolo de renovação, renascimento.
Ele é quem te coroa de graça e misericórdia e quem farta de bens a tua velhice,
De sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.
(Salmo 103:4-5)

Por que será que Davi, nesse Salmo, fala que a águia se renova? Isso teria alguma coisa a
ver com o que contamos no capítulo 3? Será que ele sabia algo que os atuais cientistas
(ornitólogos) ignoram e contestam? Deixo aqui esta dúvida para aguçar a mente do leitor.

Da visão de renascimento contida no Salmo 103, assim como em vários mitos e lendas,
surgiu a fênix, uma ave fabulosa que, após viver 300 anos, sentindo que se aproxima a hora
de sua morte, constrói um ninho de ramos perfumados e, no seu próprio calor, se queima. O
ninho torna-se um braseiro, onde a fênix deixa-se consumir em chamas, para, em seguida,
renascer das próprias cinzas.
Com o forte simbolismo de renascimento e imortalidade, na era cristã a fênix passou a
simbolizar a ressureição de Cristo e o triunfo da vida sobre a morte.
Mesmo fora do contexto religioso, ela é sempre lembrada como símbolo de uma vontade
irresistível de sobreviver.
Se alguém sofre um grande problema e se recupera, ou se perde o prestígio e depois volta
a uma posição de poder, costuma-se dizer:
"Fulano é como fênix, que renasce das próprias cinzas." Não só pessoas, mas também
empresas, clubes, países e qualquer outra instituição podem ser fênix.
"Aquela empresa estava praticamente falida mas ressurgiu, como a fênix, renovou-se e
voltou a ocupar a liderança."
Chama-se também de fênix a pessoa que demonstra capacidade de superar revezes, por ter
uma personalidade rara, especial, superior.

"Se alguém te forçar a percorrer uma milha, anda com ele duas."
(Jesus, em Mateus, 5:41)

No meu primeiro livro, "É Óbvio", falei sobre o desafio de caminhar a segunda milha,
lembrando que nossa vontade pode ir muito além do que a necessidade nos exige.
O homem vai longe depois de estar cansado. É capaz de vencer o esmorecimento e ir
além, mesmo estando esgotado ou desanimado.
Gustavo Barbosa - grande mestre da Comunicação, que sempre me incentivou neste
trabalho e colabora na realização dos meus livros compreendendo profundamente a
essência das minhas idéias, sabendo traduzir na arte editorial o meu jeito de ser e meu estilo
de me comunicar.

Solange - secretária leal e prestativa, que sempre cuidou do atendimento aos meus clientes
com gentileza e qualidade. A paciência em todos os momentos, a competência e a discrição
que marcam seu trabalho cotidiano têm sido fatores decisivos para o meu sucesso
profissional.

Jorge - meu motorista em São Paulo, um cearense de coração aberto que me conduz com
segurança no difícil trânsito daquela capital sem que eu nunca me atrase, me acompanha
durante as palestras, cuida da venda dos meus livros e mantém um estoque de mais de 20
mil exemplares em sua residência. Discreto, gentil e trabalhador, representa muito bem o
povo nordestino.
Regina - com muita criatividade e dedicação, sempre cumprindo os prazos muitas vezes
apertados, cuida das minhas centenas de transparências e de outros materiais que utilizo nas
palestras. Para ela, o impossível não existe.

Eunice - eficiente operadora de viagens, sempre atenta à complexa e dinâmica malha dos
vôos, entendendo que para cumprir minha agenda preciso contar com três opções de
horários diferentes, cuida de minhas passagens aéreas e nunca me deixou no chão.

Luís - motorista que me atende em Florianópolis, onde resido. Além das constantes idas e
vindas ao aeroporto nos horários mais variados, sempre cuidadoso, discreto e pontual, me
atende em tarefas diversas também quando estou ausente da cidade.
VALE A PENA LER E VER O PROF. GRETZ
O mesmo dinamismo das palestras agora ao seu alcance, a qualquer momento e em
qualquer lugar.

É Óbvio
Qualidade Real ao Alcance de Todos
Em estilo fluente e divertido, as principais questões do ambiente empresarial em nossos
dias: onde começa a Qualidade; como obter maior participação; as relações com a clientela;
as novas características da liderança; como vencer os desafios de todo dia; e muito mais.
Também em espanhol: Es Obvio! – Calidad Real al Alcance de todos

Viabilizando Talentos
Como Semear o Crescimento
Pessoal e Profissional
O valor do talento humano em todas as suas dimensões: como ferramenta decisiva para a
competitividade organizacional e também como tesouro valioso para a vida pessoal.

O Prefeito de Jerusalém
Segredos de Neemias para os líderes de hoje
Com sabor atual, sob a ótica das organizações de hoje, o Prof. Gretz faz uma fascinante
releitura da história de Neemias, que reconstruiu o muro de Jerusalém no quinto século
antes de Cristo.

Vida com Qualidade


Muitos querem, poucos conseguem
Através de experiências bem-sucedidas em diversas situações, este livro revela os
caminhos da verdadeira Qualidade em todos os setores da Vida: saúde física, emicional e
econômica, realização profissional e pessoal em qualquer idade

Superando Limites
A viagem é mais importante que o destino
Com muita inspiração e bom humor, o Prof. Gretz conta sua viagem através do Tibet,
junto às montanhas mais altas do mundo, embusca de respostas para indagações que temos
na batalha da vida.

Qualidade de Vida nas Empresas


Energização entusiasmo e bom humor para a vida profissional e pessoal.
Não deixe de ver um DVD a aplaudida palestra do Prof. Gretz durante o evento KLA.
Gravado ao vivo no Hotel Transamérica (SP).
A Força do Entusiasmo
Como usar a fonte de energia que existe dentro de você
Neste livro alegre e emocionante, o Prof. Gretz revela, pela primeira vez em profundidade,
o verdadeiro significado da palavra Entusiasmo. 0 que é, realmente, o Entusiasmo? De onde
vem essa força? Como usá-la em todo o seu potencial? Que precauções tomar? Exige muito
esforço? Em excesso, é prejudicial? Em que idade é mais forte? Como atua na vida
pessoal?
E nos momentos difíceis? É possível entusiasmar a empresa e os clientes? Estes são
apenas alguns tópicos desse livro que transmite a contagiante vibração das palestras do
Prof. Gretz e é capaz de despertar entusiasmo em todos os ambientes.

Voando como a Aguia


A inteligência espiritual como fator de mudança
Um livro empolgante, sobre superação de limites, visão de futuro, senso estratégico, paz
interior e realização vitoriosa. Desperta em cada leitor o poder de vôo das águias.
(Publicado também em Portugal e na Itália)

O Pulo do Sapo
Os 25 segredos mágicos da vitória pessoal e profissional.
Fala-se muito de pulo do gato, mas, neste novo livro, Prof. Gretz surpreende mais uma
vez. Em meio a histórias engraçadas e curiosas, os leitores vão conhecer as habilidades do
sapo para superar e vencer obstáculos.

É Obvio — O vídeo
O bom-humor contagiante das palestras do Prof. Gretz agora está disponível também em
vídeo VHS. 40 minutos de idéias positivas, renovadoras, divertidas e comoventes. Bom
para se ver em casa e na empresa.
O Líder dos Líderes
A história de Moisés, conduzindo seu povo pelo deserto, é contada neste livro de forma
empolgante. Em ritmo de emoção e aventura, o Prof. Gretz transmite avançados conceitos
de visão estratégica, características de temperamento no estilo de liderança, dificuldades e
desafios enfrentados pelos lideres que têm grandes objetivos a atingir.

Triunfo
Dez Cartas de Sabedoria para Vencer Desafios.
Um empresário em crise pessoal e profissional recebe cartas que o ajudam a enfrentar as
dificuldades.
Descubra quem é o autor das cartas e se envolva nessa história.

Os livros e os vídeos do Prof. Gretz não são encontrados em livrarias.


Somente poderão ser adquiridos após ass suas palestras, ou encomendados pelo telefone
(048) 3228-0808 e pelo site www.gretz.com.br
Conferencista em todo o Brasil, realizando seminários em grandes empresas e eventos
fechados.
Nos últimos 15 anos, fez mais de 3 mil palestras em todos os estados do Brasil.
A força contagiante de suas palestras gera um clima de entusiasmo capaz de alavancar
atitudes de maior participação e produtividade.
Por isso, ele é hoje o conferencista brasileiro mais requisitado para convenções de vendas.
Também no lançamento de programas participativos e motivacionais, sua palestra tem sido
considerada a mais contundente.
Sua presença de impacto, com objetividade e bom humor, costuma produzir resultados
concretos e imediatos, em momentos decisivos da vida da empresa.
“Deus dá força aos cansados e vigor aos fracos e desanimados.
Até os jovens se cansam, até os moços perdem as forças e caem de tanto cansaço, mas os
que esperam no Senhor sempre renovam suas energias.
Caminham e não perdem as forças.
Correm e não se cansam, sobem voando como áugias.”
(Isaías, 40:29-31)
Potencialmente nós temos muitos dos atributos das águias.
Por isso resolvi escrever esse livro.
Para compartilhar com meus amigos leitores o nosso dom de voar. Como as águias.