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COORDENADOR POLÍTICO

EXECUTIVO
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

SUMÁRIO

Introdução 3

1- O papel do candidato e do coordenador executivo 4


2- Coligações Políticas nas comunidades 22
3- Direito Político 26
4- Estrutura e Organização Partidária 39
5- Administração da campanha política 42
6- Publicidade Política 46

Conclusão 55

Referências Bibliográficas 56

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INTRODUÇÃO

O presente curso é de caráter introdutório. Sendo assim, fizemos uma síntese de


cada tema de maior relevância. Veremos o papel do candidato na campanha
política, as coligações políticas nas comunidades, o direito político, a estrutura e
organização partidária, administração da campanha política, e a publicidade
política, o que pode e o que não pode o candidato fazer numa campanha.

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1- O PAPEL DO CANDIDATO E DO COORDENADOR EXECUTIVO EM


UMA CAMPANHA ELEITORAL

As atribuições de um coordenador de campanha política são muito


importantes para que as ações sejam bem executadas. Ele é responsável por
fazer com que esforços isolados sejam integrados, visando o mesmo objetivo,
tornando o todo consistente.

Esse profissional é responsável por planejar as estratégias de campanha,


organizar cronogramas e definir metas que serão repassadas para os outros
setores, que são coordenados por ele.

Apesar de não ser nenhum pouco aconselhável, ainda é comum ver os


próprios candidatos assumirem ou se encarregarem de parte dessa função.
Os políticos devem estar preocupados em manter contato e conquistar os
seus eleitores. Portanto, deixe essas tarefas nas mãos de uma pessoa da
sua confiança que possua um perfil compatível com o cargo.

Competências

Para realizar as atribuições do cargo, é necessário que o profissional tenha


uma série de características que colaborem para o bom desenvolvimento das
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mesmas. Essas competências são fundamentais para as atividades que o


coordenador de campanha política terá de fazer.

Perfil estratégico

Uma campanha tem de ser tratada como uma empresa. Ela precisa ter um
objetivo e dentro de um prazo precisa alcançar as metas estipuladas. É
necessário que ele entenda todo o contexto político para que seja capaz de
elaborar um plano de ações eficiente.

Planejamento é a palavra-chave na hora de concorrer às eleições. O


coordenador de campanha será o responsável por determinar todos os
passos que sua equipe seguirá. E é esse perfil estratégico que fará com que
as ações desenvolvidas atendam os anseios da população, fazendo com que
o candidato caia nas graças do público.

Liderança

O coordenador de campanha é responsável por uma série de outros


funcionários. Independente do tamanho da equipe, o profissional tem que ter
um espírito de liderança para que consiga orientar os outros membros do time
de forma proveitosa.

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Diante de tantas atividades a serem exercidas, é indispensável que o


profissional seja capaz de delegar funções a outros envolvidos na campanha,
manejando sempre como essas serão executadas, seus prazos e os
resultados.

Organização

Para que a campanha ocorra da melhor maneira possível, organização é


crucial. Para interligar as atividades da equipe e do candidato é preciso ter
jogo de cintura e muito foco.

Informações vêm de todos os lugares: das pesquisas, dos eleitores, do


financeiro, marketing, etc. É fundamental que o profissional consiga lidar com
essas demandas de forma metódica. Para atingir esse objetivo é necessário
ter capacidade de ordenação e colaboração da equipe. Mas para dar uma
força a mais, você pode utilizar um software de gestão de campanha.

Boa relação interpessoal

Um coordenador de campanha política vai ter que lidar com várias pessoas de
distintas situações sociais: população, equipe de trabalho, fornecedores,

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imprensa, candidato, etc. Por isso, é essencial que ele tenha facilidade para
lidar com o público.

Paciência, educação, tato social e carisma são imprescindíveis para que ele
consiga desenvolver as suas atividades, liderar e manter um ambiente de
trabalho agradável, mesmo com toda a pressão presente durante o período
de disputa eleitoral.

Noções de marketing

O marketing tem um peso muito grande em uma disputa eleitoral, por conta
disso é indispensável que o coordenador de campanha esteja por dentro dos
conceitos envolvidos nas atividades.

Para orientar o trabalho dos marquetólogos, ele tem que entender da prática
da comunicação política, além de se informar sobre as mídias e conteúdos
pertinentes a cada uma delas.

Perfil gestor

Como dissemos anteriormente, a campanha eleitoral tem que ser tratada


como uma empresa. E como toda organização, ela precisa de um gestor. E
quem vai ocupar essa função no período da disputa pelo cargo público é o
coordenador de campanha.

Gerenciamento tático é uma característica necessária, pois, ele conseguirá


saber quais caminhos tomar se algo no percurso der errado. Além de, junto
com o setor financeiro, alocar a verba disponível para que ela seja mais bem
aproveitada.

Estar antenado às novidades

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O coordenador de campanha política deve ser um sujeito muito bem


informado. É interessante conhecer de vários assuntos, pois, serão eles quem
alimentarão as ações que o comitê realizará.

Ele também tem que ficar antenado às novas tendências da área política.
Quais são as novidades da área que ajudaram a conquistar o grande objetivo
da equipe: fazer com que o candidato seja eleito. É bom se manter em dia
com as novas mídias, como as redes sociais, que podem fazer com que a
campanha renda muito frutos. Todo esse conhecimento deve estar alinhado
às perspectivas analíticas, mas também criativas.

Entender as leis eleitorais

Depois da minirreforma eleitoral de 2016 algumas coisas mudaram nas leis


da disputa política. Algumas práticas que eram permitidas, como o
financiamento de campanha pela iniciativa privada, já não podem mais ser
realizadas, com pena de impugnação de candidaturas.

Como a organização dos prazos fica a cargo do coordenador de campanha, é


importante que ele entenda muito bem todos as exigências dispostas no
Código Eleitoral Brasileiro, na Lei das Eleições e na Lei dos Partidos Políticos.
Com um acompanhamento desse profissional, e também do responsável
jurídico, ficará bem mais simples manter a campanha dentro dos aspectos
legais.

Nenhum candidato com pretensões reais de alcançar um mandato nas eleições


realiza sua campanha sozinho. Isso seria humanamente impossível. Por trás
daquele candidato sorridente e confiante que aparece nas mídias e nas ruas, há
sempre uma equipe planejando todas as suas ações.

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Montar uma boa equipe de campanha pode não vencer uma disputa eleitoral por si
só, mas é claramente um ponto muito positivo para qualquer candidato. Por
isso, não se pode negligenciar a seleção dessas pessoas.

O consultor político Jefferson Coronel afirma que a equipe que coordena uma
campanha política é formada por uma gama de pessoas, cada uma delas
responsável por questões fundamentais, que se não são devidamente tratadas,
podem custar as eleições. Veja a seguir quais são essas áreas:

Consultores políticos afirmam que não é uma boa ideia deixar a coordenação da
campanha nas mãos do próprio candidato. Ele deve ser o rosto da campanha. Suas
energias devem estar voltadas para a comunicação com o eleitorado, para o qual
deve dedicar a maior parte de sua agenda.

Por isso, é importante que haja um coordenador-geral da campanha, encarregado


de tomar as principais decisões e apontar o caminho a ser seguido. A parte
estratégica da campanha está nas mãos dessa pessoa. Como veremos abaixo,
a estrutura de uma equipe de campanha engloba várias áreas e todas elas
são importantes para o sucesso eleitoral. O coordenador-geral deve ser alguém
capaz de unir o trabalho de todos esses grupos no mesmo propósito.
Pelo tamanho da responsabilidade desse cargo, essa pessoa costuma ser de
grande confiança do candidato. Conta também a experiência: esse cargo tende a
ser ocupado por pessoas já testadas profissionalmente, seja em campanhas
eleitorais anteriores, seja em cargos executivos em empresas ou outras
organizações.

FINANCEIRO
Campanhas demandam recursos. Não há como fugir disso. Mas como conseguir
dinheiro para financiar toda a estrutura de uma campanha eleitoral? E como
administrar esses recursos de maneira eficiente? Esse é o desafio do coordenador
financeiro e de sua equipe.

Campanhas demandam recursos. Não há como fugir disso. Mas como conseguir
dinheiro para financiar toda a estrutura de uma campanha eleitoral? E como

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administrar esses recursos de maneira eficiente? Esse é o desafio do coordenador


financeiro e de sua equipe.

Jurídico

Em 2016, essa tarefa tornou-se ainda mais complexa, já que as doações de


empresas estão proibidas. Além disso, foi imposto um teto de gastos aos
candidatos – portanto, eles terão de gastar muito menos do que em 2014 e 2012.
O jeito será fazer campanhas mais enxutas e buscar outras fontes: recursos
privados – sejam eles próprios ou de pessoas físicas – e do Fundo Partidário (que
ainda assim não chega nem perto do nível de recursos antes oferecidos pelas
empresas). Em suma, o responsável pela parte financeira deverá ter muita
criatividade para fazer uma campanha eleitoral eficiente e a custos menores.

MARKETING

Fazer um bom marketing eleitoral é um ingrediente imprescindível para qualquer


político. Isso envolve um esforço de entender as preferências do eleitorado e de
comunicar as propostas do candidato de maneira eficiente. Para isso, as campanhas
contam com profissionais de marketing eleitoral, que definem uma estratégia clara
de comunicação para a campanha.
Com uma exposição mais esparsa na televisão, marcar presença na internet
também tornou-se muito importante. Por isso, profissionais de marketing
digital adquirem uma relevância cada vez maior no contexto das eleições. Nós,
brasileiros, somos o povo que mais passa tempo nas redes sociais. Transmitir uma
boa imagem nos espaços virtuais pode fazer toda a diferença.

Quais parâmetros devem orientar as estratégias de comunicação da campanha


eleitoral? É preciso descobrir formas de convencer os eleitores a depositar seus
votos. E para isso, é preciso coletar informações. Quem são os eleitores que o
candidato busca atingir? Quantos são? O que esses eleitores pensam? Quais seus
principais problemas? O que o candidato pode fazer por eles? Em quem pretendem
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votar? Essas são questões que devem ser respondidas por pessoas da área
de pesquisa.
Os tipos mais comuns de pesquisas dentro de uma campanha são:
 pesquisa de intenção de voto;
 pesquisa estratégica;
 pesquisa de potencial de votos e imagem do candidato;
 perfil ideal de um político;
 mapeamento de lideranças do bairro ou município.

Quais parâmetros devem orientar as estratégias de comunicação da campanha


eleitoral? É preciso descobrir formas de convencer os eleitores a depositar seus
votos. E para isso, é preciso coletar informações. Quem são os eleitores que o
candidato busca atingir? Quantos são? O que esses eleitores pensam? Quais seus
principais problemas? O que o candidato pode fazer por eles? Em quem pretendem
votar? Essas são questões que devem ser respondidas por pessoas da área
de pesquisa.

Os tipos mais comuns de pesquisas dentro de uma campanha são:


 pesquisa de intenção de voto;
 pesquisa estratégica;
 pesquisa de potencial de votos e imagem do candidato;
 perfil ideal de um político;
 mapeamento de lideranças do bairro ou município.

PRINCÍPIOS DA ESTRATÉGIA ELEITORAL

Observa-se que uma campanha vencedora resulta da soma de três elementos: um


candidato com disciplina estratégica, uma estratégia adequada e um plano objetivo
de pesquisa. Para, de fato, se obter sucesso em uma eleição, o candidato deve ser
disciplinado, conhecer profundamente sua estratégia de campanha e efetivamente
segui-la. Para tanto, uma equipe de campanha competente e de confiança deve ser
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reunida. Somente nessas circunstâncias, o candidato se dedicará ao que


exclusivamente deve fazer: captar recursos e ganhar votos. A mentalidade
estratégica que conduz ao êxito implica em três fatores. O primeiro é a possibilidade
de ver o processo eleitoral no seu conjunto, ou seja, levando em consideração todas
as repercussões que cada uma das ações do candidato provoca no cenário político
e suas conseqüências em longo prazo. Caso não se desenvolva essa visão global, o
candidato e sua campanha atuam de maneira simplista e imediatista, sem medir as
possíveis repercussões do que é dito e, também, do que é feito.

O segundo elemento da equação de uma campanha vitoriosa é a estratégia em si.


Como anteriormente explicado, a estratégia deve ser o roteiro da campanha e deve
estar em formato escrito. Cada campanha, cada eleição necessita de uma
estratégia, ainda que o candidato e o lugar onde se apresenta sejam os mesmos.
Embora todos os elementos de uma campanha se mantenham intactos, sempre
haverá duas variáveis que mudam: o eleitor e a conjuntura política.

A única forma de conhecer o perfil do eleitor e entender as implicações do momento


político é a pesquisa. Assim, a estratégia deve se adaptar às circunstâncias de cada
momento, pois cada campanha é única. Assim, o terceiro fator determinante de uma
campanha vencedora é a pesquisa. Sem pesquisa não há estratégia, da mesma
forma que não há pesquisa válida sem uma estratégia sobre a qual aplicar os
resultados. Normalmente, ao falar de pesquisa em política, fala-se de consultas de
intenção de voto e, embora essa não seja a única ferramenta de pesquisa, é, sim, a
mais utilizada em campanha. Os dados de uma pesquisa bem feita, objetiva e
trabalhada marcam o caminho que seguirá a estratégia e informam à equipe se o
que foi realizado até o momento funciona ou não. Sobretudo, as pesquisas são o
canal de comunicação que os candidatos e a equipe de campanha têm para
identificar quais são os interesses e preocupações dos cidadãos e demonstrar,
através dos meios de comunicação, o que deve ser levado em consideração na
elaboração de uma estratégia.
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PRÉ CAMPANHA

A pré-campanha é o momento de fundamentação da campanha eleitoral. Ela


envolve um profundo planejamento estratégico do candidato e de sua equipe, de
forma a compreender a conjuntura política que antecede e envolve a eleição. Essa
conjuntura abrange não só a situação econômica e política do país, do estado e do
município, mas, também, um profundo conhecimento sobre o eleitorado e suas
demandas, identificação de apoiadores que resultem em uma eficiente captação de
recursos, além da estruturação da melhor equipe de campanha. A importância de se
seguir cada etapa da pré-campanha está no preparo do candidato para o pleito em
si. A campanha eleitoral no Brasil compreende o período de julho a outubro no ano
eleitoral, portanto requer a execução de um planejamento previamente elaborado.
Assim, na primeira parte desse plano, encontram-se, em resumo, as quatro
primeiras etapas a serem elaboradas no momento de pré- -campanha: o candidato,
a mensagem, o eleitorado e a estruturação da equipe de campanha

Todos esses aspectos devem ser estruturados anteriormente, pois após a


convenção partidária (que acontece de junho a agosto) e a chancela do partido
sobre o candidato, inicia-se o período de captação efetiva de recursos para seu
gasto em publicidade e eventos, ou seja, na transmissão da mensagem e na
conquista de votos. Toda a arquitetura da campanha deve estar consolidada em um
documento estratégico que integra os elementos e projetos para se obter o êxito
eleitoral. É um plano que se baseia em pesquisas sistemáticas e desenvolve os
temas considerados essenciais para uma campanha. A equipe de campanha, o
candidato e o consultor terão na estratégia as diretrizes essenciais para conseguir
criar a mensagem que motive os eleitores na direção do objetivo fundamental: o
voto.

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O QUE É UM CANDIDATO

O candidato é o cidadão que decide concorrer a um cargo eletivo de modo a


representar os interesses da sociedade nos poderes Legislativo e Executivo. Dessa
forma, qualquer cidadão brasileiro (desde que tenha a maioridade, seja alfabetizado
e esteja em pleno uso de seus direitos políticos) pode se filiar a um partido e
concorrer às eleições de sua cidade ou estado. Contudo, ser um candidato de
sucesso que exerça eficientemente suas funções implica em muitas outras
condicionantes, além da vontade de se tornar um representante do poder público.

Os objetivos do candidato não são os mesmos de um político eleito.

Primeiramente, os objetivos do candidato não são os mesmos de um político eleito.


A descrição do trabalho de um candidato é ter todos os objetivos centrados na tarefa
de ser eleito, pois é a eleição que condiciona a concretização das aspirações de um
mandato. Para isso, o candidato deve ser a imagem da campanha, sendo o
responsável pela arrecadação de recursos que a financie e também por conquistar
mais votos. O candidato deve conhecer os tópicos discutidos na eleição, conhecer
seu eleitorado, estar sempre presente na mídia, debater com os concorrentes e se
comprometer. Já o trabalho de um político eleito é, fundamentalmente, representar
os eleitores e exercer o mandato de forma digna, eficiente e potencialmente
transformadora. Ele deve ser o autor de debates sobre legislação, deve procurar
conhecer as demandas de seu eleitorado e prestar contas de suas ações
(accountability). O líder político faz discursos, encontra seus apoiadores de
campanha e trabalha com sua bancada para viabilizar as suas ações. Portanto, há
diversas semelhanças e diferenças entre os dois papéis - o que torna essencial
entender as peculiaridades de cada um, pois as habilidades necessárias para uma
campanha são diferentes daquelas exigidas para uma boa liderança política.

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Um candidato deve ser inteligente, honesto, íntegro, deve ter habilidade para
absorver ideias, capacidade de escutar, flexibilidade, senso de humor, compreender
os resultados, entenderse bem com os meios de comunicação e com as ferramentas
de pesquisa política.

Não se pode descrever um candidato ideal. Os elementos considerados ideais para


o sucesso de uma campanha dependem do lugar em que as eleições ocorrem. A
maneira de se apresentar para o eleitorado da zona rural de uma pequena cidade é
completamente diferente daquela exigida em uma eleição para o governo de um
estado com altas taxas de urbanização. Além disso, as circunstâncias ou o momento
histórico dessa localidade também afetam completamente o desdobramento de uma
eleição e, consequentemente, o que se espera de um candidato. Eleições em
momentos de grandes festas populares são muito diferentes das que ocorrem
durante uma forte crise econômica, com altas taxas de inflação e desemprego.
Alguns atributos gerais e necessários podem ser identificados na expectativa de um
eleitorado com relação aos candidatos de uma eleição. Ou seja, a ausência desses
atributos prejudicaria muito a relação cidadão-representante, o que dificultaria
qualquer processo eleitoral. Um candidato deve ser inteligente, honesto, íntegro,
deve ter habilidade para absorver ideias, capacidade de escutar, flexibilidade, senso
de humor, compreender os resultados, entender-se bem com os meios de
comunicação e com as ferramentas de pesquisa política. Dificilmente o eleitor
elegeria um candidato que lhe parecesse incompetente ou corrupto para o cargo, ou
que não se comunicasse com ele para entender as suas principais demandas.

A idade, a aparência física, a experiência em cargos importantes, a situação


econômica, a religião, a orientação sexual, a inserção em redes sociais são
elementos que compõe a construção da identificação entre candidato e eleitorado e
facilitam ou dificultam o processo de campanha. Contudo, estes não são requisitos
indispensáveis para que um candidato possa participar de uma eleição. Tudo
dependerá da forma com que esses atributos são trabalhados na imagem e na
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mensagem transmitidas ao longo da campanha. O candidato é quem é. Não se pode


construí-lo ou não se deveria tentar construí- -lo por meio de técnicas de marketing.
É preciso analisar o que ele tem (suas virtudes e defeitos) e como é possível
trabalhar sua imagem, seja ela positiva ou negativa. Alguns dos seus talentos
podem ser aperfeiçoados ao longo da campanha, mas, na maioria dos casos, há
que se trabalhar com aqueles que ele já possui e adaptar-se à realidade dessa
pessoa que se apresenta para a eleição.

A MENTIRA

O maior erro de uma campanha está na mentira sobre o candidato. Em primeiro


lugar, a quantidade de informações disponíveis e a facilidade de acesso a elas
tornam qualquer dado facilmente verificável. Os eleitores descobrirão em algum
momento uma mentira sobre o candidato (com o auxílio ou não dos concorrentes),
pois estão constantemente expostos aos meios de comunicação. Assim, o candidato
não deve assumir uma personalidade que não corresponda a sua realidade. Uma
vez que a mentira seja descoberta, os eleitores tenderão a não votar no candidato: a
confiança nele depositada terá sido comprometida já que ele não se apresenta como
um cidadão honesto e íntegro. Contudo, é necessário ressaltar que a percepção dos
cidadãos em relação ao candidato é o elemento mais importante. Se a crença é de
que o candidato seja honesto, acusações contrárias não recebem o mesmo crédito.
O mesmo ocorre quando a crença é na desonestidade do candidato. Por mais que
ele tente mostrar-se íntegro, o eleitorado o terá com desconfiança. A percepção, no
caso da política, tem a ver com o cotidiano. Os cidadãos não são especialistas em
muitos temas, mas têm senso comum e julgam o mundo a partir de seu cotidiano.
Assim, gerar uma boa reputação e confiança entre os eleitores é um projeto que
pode levar anos e que deve estar sempre fundamentado em fatos concretos da
realidade do candidato.

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Por igual razão, deve-se conhecer os adversários com a mesma profundidade com
que se conhece o próprio candidato. Assim, é importante elaborar pesquisas
biográficas profundas tanto sobre o candidato quanto sobre seus principais
concorrentes. O candidato deve entender que o passado pode ser problemático se
usado para comprometê-lo junto a seu eleitorado, devendo estar, portanto,
preparado para responder a quaisquer questionamentos sobre sua vida. Do mesmo
modo, obter o máximo de informação sobre os principais concorrentes pode garantir
mais votos ao candidato, caso se descubra e divulgue inconsistências que abalem a
confiança do eleitorado em relação aos mesmos. Assim, a construção da identidade
pública tem como principal propósito ampliar a percepção da sociedade em
diferentes meios e segmentos da posição do líder político sobres os temas
defendidos ao longo de sua trajetória de vida.

A fim de fortalecer o papel de formador de opinião e referência social, mensagens


chaves serão difundidas entre públicos e segmentos específicos, através de uma
plataforma múltipla de comunicação. Neste sentido, uma régua de relacionamento
deverá ser elaborada para segmentar e personalizar a relação com o público de
interesse e fortalecer o vínculo. Ações e atividades previstas na régua de
relacionamento, devem ser implementadas pela equipe de trabalho e corresponder a
uma agenda do candidato.

O PERFIL DA LIDERANÇA

O candidato se consolida dentro de uma trajetória de vida, criando lastro na


sociedade através da defesa de seus ideais. Entretanto, de forma planejada, é
possível difundir seus princípios e valores a um maior número de pessoas que se
identifiquem com tais ideais. Para tanto, é fundamental elencar de forma consciente
e realista o que torna o líder político uma referência para a sociedade. Este processo
inicia-se com um estudo minucioso da trajetória de vida, com levantamento de
crenças e valores e a percepção de familiares e amigos sobre sua identidade.
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Assim, será possível elaborar uma profunda reflexão sobre suas raízes históricas do
líder político, explorando a constituição de sua essência e dos princípios que pautam
sua atuação como liderança política.

A reflexão é de extrema importância, uma vez que o eleitor se conecta com o


candidato a partir de uma empatia inicial com alinhamento a estes princípios e
valores, e somente depois é que se conectará a suas propostas de políticas
públicas. As informações coletadas nesta etapa servirão de subsídio na construção
da mensagem que será difundida ao público de interesse.

Habilidades que o candidato deve desenvolver

Um bom candidato deve estar completamente envolvido em sua causa: ser vitorioso
nas eleições. Assim, sua dedicação deverá ser total. O descanso deve ocorrer
somente quando necessário, não comprometendo a execução da campanha. Esse é
um ponto importante, pois um candidato que se mostra cansado se torna pouco
seguro, mais propenso ao erro e mais inclinado a falar sem refletir sobre o que fala
(o que certamente é um problema para a candidatura). A saúde física e mental do
candidato é indispensável para o êxito3. É importante também que o candidato
perceba todo o processo de forma prazerosa e demonstre sincero apreço e
compromisso com sua eleição. Em suma, ele deve gostar de ser candidato e estar à
vontade nesse papel. Caso não esteja disposto a fazer todas as tarefas inerentes a
sua posição, é melhor abandonar a candidatura antes que seja tarde.

Por isso, o candidato deve saber, desde o primeiro momento da candidatura, os


motivos que o levaram a fazê-lo. O que o motivou? O que ele almeja na condição de
político eleito? A razão nem sempre é clara ou pode ser explicada em termos que as
pessoas comuns entendam. Por isso, um dos objetivos da campanha é poder
responder à pergunta para que todos os cidadãos, ao escutar a resposta, se sintam
motivados a votar no candidato.

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Ser candidato, portanto, implica em uma rotina exaustiva de compromissos e


viagens. O candidato deve comparecer a numerosos eventos, reunir-se com
pessoas de diversos setores sociais, de diferentes regiões e com distintas
necessidades. Ele deve buscar estar presente em todos os meios de comunicação,
escutar as recomendações dos consultores, conhecer os temas importantes,
memorizar discursos e se expressar para inúmeras plateias. Nesse processo,
haverá, naturalmente, atividades que o desagradarão, mas ele deverá aprender a
tirar proveito delas, do mesmo modo. Pelo mesmo motivo, o candidato não deve
desempenhar tarefas que possam ser delegadas a outros. Ele deve aprender a
transferir responsabilidades e a confiar nos especialistas de cada ramo. Sua missão
principal é conseguir votos e dinheiro para a campanha, por meio da divulgação de
sua mensagem e de sua presença na mídia. A essas tarefas ele deve dedicar
integralmente o seu tempo, pois, nesses casos, é insubstituível. Para isso, será vital
contar com uma equipe competente e de confiança.

O candidato deve ser também empático com os cidadãos. Em essência, os políticos


são representantes de um povo que eles devem conhecer bem e por quem devem
decidir, considerando o que seja melhor para eles. É preciso, portanto, estar a par
dos temas que preocupam os cidadãos. Estes gostam de ver e ouvir os candidatos,
formulando uma ideia própria de quem eles são e de como são. Muitas vezes, as
pessoas do entorno do candidato pensam que todos os cidadãos o conhecem e têm
dele informações precisas, mas não é sempre assim. É preciso trabalhar para que o
eleitor perceba o candidato com familiaridade e confiança.

Por isso, é essencial que o candidato fale com o povo de forma clara e próxima. Há,
de fato, candidatos pouco empáticos, contudo treinamentos e a elaboração de um
discurso crível e convincente auxiliam nessas limitações, apresentando o candidato
aos eleitores como uma pessoa que aspira a mais do que apenas um cargo político.
Os eleitores o enxergam como um político que os entende e que trabalhará por eles.
Assim, emoção e caráter juntamente com palavras simples são os elementos mais
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fortes para conectar com as emoções do eleitor. O candidato não deve inspirar
confiança e proximidade somente junto aos eleitores. Sua equipe de campanha deve
ter a mesma percepção. Não é possível alcançar sucesso eleitoral com uma equipe
de campanha que não confie em seu candidato, que lamente pela não valorização
de seu trabalho ou que sinta que o candidato não confia em suas capacidades.
Ainda que o elemento visível e indispensável para a campanha seja o candidato,
quem trabalha para que sua exposição e seu trabalho sejam percebidos pelos
cidadãos são todas as pessoas que fazem parte da equipe. Se elas não acreditam
no motivo pelo qual estão ali, provavelmente não farão bem o seu papel.

ENTREVISTAS E DISCUROS

As entrevistas e os discursos em eventos são considerados o momento crucial em


que o candidato se expõe ao público para apresentar sua mensagem de forma a
angariar votos e captar recursos para sua campanha. Assim, conhecer a logística
das entrevistas e dos eventos é fundamental para o sucesso dessa exposição. A
logística da entrevista consiste em conhecer o jornalista e o veículo de comunicação
previamente. O jornalista é um profissional que busca obter a informação que para
ele é a mais interessante. Contudo, não necessariamente aquilo que julga ser mais
interessante para sua audiência é o ideal para a campanha e para a mensagem do
candidato. Nesse jogo de forças, é fundamental que o candidato consiga manter o
controle sobre o que diz e sobre o desenrolar da própria entrevista. Portanto,
pesquisar a biografia do jornalista permite conhecer suas preferências ideológicas,
seu perfil como entrevistador (mais agressivo ou mais sutil nos questionamentos) e
quais recursos ele utiliza para obter as informações desejadas. O conhecimento
prévio sobre o jornalista provê maior previsibilidade, segurança e preparo ao
candidato, o que lhe deixa mais seguro e menos ansioso no momento da entrevista
(ou seja, menos suscetível a cometer erros).

Quando possível, é importante buscar conhecer previamente também o assunto da


entrevista, principalmente conhecer as questões de antemão. Jornalistas se sentem
mais confortáveis com histórias antigas. Assim, retornar a assuntos já tratados é
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uma estratégia, bem como se atualizar sobre os acontecimentos mais recentes


antes de cada entrevista. Dessa forma, o candidato pode preparar melhor suas
respostas e não se encontrará desprevenido com relação a determinadas questões
que podem vir a ser colocadas pelo jornalista. Novamente, a segurança e a
tranquilidade são elementos fundamentais para que o candidato faça o melhor uso
da comunicação (isso inclui o domínio de sua voz, da sua linguagem corporal e o
uso das palavras que mais se adequem ao momento e ao que é falado). Conhecer
todos os aspectos técnicos da entrevista também é fundamental. É preciso saber de
antemão a locação (para se familiarizar com o ambiente), a duração da entrevista,
se ela será registrada ou não, conhecer as especificidades do veículo de
comunicação (se será visual, áudio ou impresso) e conhecer todas as pessoas
envolvidas no processo, pois controlar a comunicação é garantir que a mensagem
transmitida tenha o maior efeito possível.

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2- COLIGAÇÕES POLÍTICAS NAS COMUNIDADES

No sistema político brasileiro, fazer alianças partidárias (as então


chamadas coligações) é um muito importante para os partidos. Em um
sistema fragmentado, com dezenas de partidos diferentes, apenas com acordos
entre partidos é possível ganhar terreno na política. Isto já existe nas eleições,
quando partidos criam alianças entre si para aumentar as chances de resultados
positivos nas urnas.

POR QUE OS PARTIDOS FORMAM COLIGAÇÕES?

As coligações são uma forma de partidos unirem forças para alcançar objetivos
eleitorais comuns. É comum que partidos maiores e com lideranças
expressivas consigam lançar candidatos fortes para cargos do Poder
Executivo (prefeito, por exemplo). Normalmente, esses partidos possuem líderes
mais conhecidos e aprovados pela população. Esses partidos também costumam
eleger muitos candidatos para todos os cargos eletivos.Mas esse capital político
pode não ser suficiente para derrotar seus adversários, que muitas vezes têm apoio
popular semelhante. Esses adversários são de partidos rivais, que expõem ideias
divergentes sobre vários temas importantes.
Assim, um partido precisa se articular com outros menores, que não tenham
condições de vencer as eleições. Isto para alcançar acordos que beneficiem
mutuamente a todos. Se um partido menor não consegue disputar um cargo no
Executivo, é provável que ele apoie um partido maior. Geralmente com afinidade de
objetivos, e acaba recebendo vantagens, como cadeiras no Legislativo e promessas
de cargos. Somar forças beneficia a todos os envolvidos.

O QUE SÃO COLIGAÇÕES PARTIDÁRIAS?

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No sistema político brasileiro, fazer alianças partidárias (as então


chamadas coligações) é um muito importante para os partidos. Em um
sistema fragmentado, com dezenas de partidos diferentes, apenas com acordos
entre partidos é possível ganhar terreno na política. Isto já existe nas eleições,
quando partidos criam alianças entre si para aumentar as chances de resultados
positivos nas urnas.
Vamos entender melhor por que essas coligações existem, quais suas vantagens e
como elas se formam?

POR QUE OS PARTIDOS FORMAM COLIGAÇÕES?

As coligações são uma forma de partidos unirem forças para alcançar objetivos
eleitorais comuns. É comum que partidos maiores e com lideranças
expressivas consigam lançar candidatos fortes para cargos do Poder
Executivo (prefeito, por exemplo). Normalmente, esses partidos possuem líderes
mais conhecidos e aprovados pela população. Esses partidos também costumam
eleger muitos candidatos para todos os cargos eletivos.Mas esse capital político
pode não ser suficiente para derrotar seus adversários, que muitas vezes têm apoio
popular semelhante. Esses adversários são de partidos rivais, que expõem ideias
divergentes sobre vários temas importantes.

Assim, um partido precisa se articular com outros menores, que não tenham
condições de vencer as eleições. Isto para alcançar acordos que beneficiem
mutuamente a todos. Se um partido menor não consegue disputar um cargo no
Executivo, é provável que ele apoie um partido maior. Geralmente com afinidade de
objetivos, e acaba recebendo vantagens, como cadeiras no Legislativo e promessas
de cargos. Somar forças beneficia a todos os envolvidos.

QUANDO SE DEFINEM AS COLIGAÇÕES?

Os partidos decidem se aceitam formar coligações durante as convenções


partidárias, que em 2018 acontecem de 20 de julho a 5 de agosto (antes
das campanhas começarem oficialmente). A decisão do partido deve ser informada
ao Tribunal Superior Eleitoral através de ata.
23
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

COMO FUNCIONAM AS COLIGAÇÕES PARTIDÁRIAS NO BRASIL?

Eleições majoritárias e proporcionais


Existe bastante liberdade quanto às formas como os partidos podem se coligar. Por
exemplo: um partido pode compor uma coligação partidária para as
eleições majoritárias (presidente, governadores, senadores e prefeitos), outra para
as eleições proporcionais (deputados estaduais, federais e vereadores) – ou optar
por uma coligação para ambas. Por isso, é muito comum ver partidos que apoiam
um candidato a prefeito, mas lançam candidatos a vereador por conta própria, sem
entrar em nenhuma coligação partidária. A única proibição significativa é a
seguinte: partidos adversários em uma das coligações (seja majoritária, seja
proporcional) não podem ser aliados dentro da outra coligação. Dessa forma, o
máximo que pode acontecer é a coligação maior ser fragmentada, nunca misturada
com as demais.

AS COLIGAÇÕES DEVEM SER BANIDAS?

As coligações eleitorais são vistas como parte de um ciclo vicioso de corrupção na


política brasileira. As alianças feitas nas eleições geralmente baseiam-se em
promessas, que devem ser cumpridas caso a coligação consiga eleger seu
candidato. O apoio rendido ao vitorioso precisa ser compensado, normalmente
ocorrendo por indicações para cargos em secretarias, ministérios, ou empresas
públicas. Essas alianças que se sustentam apenas porque os partidos coligados
querem ter controle de parte do aparelho estatal são chamadas de fisiológicas, e
portanto prejudiciais para a nossa política. Com a reforma eleitoral de 2017, as
coligações proporcionais para deputados e vereadores serão extintas já nas
eleições de 2020. Mas, se por um lado saem as coligações, do outro entram as
federações. Estas nada mais são do que alianças feitas com base em ideologias
semelhantes. Contudo, a união deve permanecer pelos próximos quatro anos, ou a
legenda perde o Fundo Partidário e também tempo na TV.

24
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

3- DIREITO POLÍTICO

Os direitos políticos se referem a um conjunto de


regras constitucionalmente fixadas, referentes à participação popular no processo
político. Dizem respeito, em outras palavras, à atuação do cidadão na vida pública
de determinado país. Correspondem ao direito de sufrágio, em suas diversas
manifestações, bem como a outros direitos de participação no processo político.
Este conjunto de direitos varia conforme o país, e encontra-se intimamente vinculado
ao regime político e sistemas eleitoral e partidárioinstituídos em cada estado.

A cidadania (do termo latino civitas,"cidade"), em direito, é a condição da pessoa


natural que, como membro de um Estado, encontra-se no gozo dos direitos que lhe
permitem participar da vida política.

A cidadania é o conjunto dos direitos políticos, que lhe permitem intervir na direção
dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na
formação do governo e na sua administração, seja ao votar (participação direta),
seja ao concorrer a cargo público (participação indireta).

A nacionalidade é pressuposto da cidadania - ser nacional de um Estado é condição


primordial para o exercício dos direitos políticos. Entretanto, se todo cidadão é
nacional de um Estado, nem todo nacional é cidadão - os indivíduos que não
estejam investidos de direitos políticos podem ser nacionais de um Estado sem
serem cidadãos.

No direito do Brasil, além do direito de voto em eleições (que compreende o direito


de votar), também constituem direitos políticos o direito de voto
25
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

em plebiscitos e referendos, o direito de iniciativa popular e o direito de organizar e


participar de partidos políticos. Há hipóteses de perda e suspensão de direitos
políticos.

Na ordem jurídica brasileira, a raiz constitucional de todos os direitos políticos pode


ser identificada no parágrafo único do art. 1° da Constituição brasileira de 1988, que
dispõe: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição". Este dispositivo encontra
subsequente especificação nos artigos 14, 15 e 16 da Constituição (Título II, Dos
Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo IV, Dos Direitos Políticos). Observe-se
que os direitos e garantias individuais e o voto direto, secreto, universal e periódico
constituem cláusulas pétreas da Constituição brasileira, não podendo ser objeto
de emenda tendente a aboli-los (art. 60, § 4°, II e IV) .

As normas infraconstitucionais brasileiras mais importantes relativas a direitos


políticos são:

 Lei n.° 4 737, de 15.07.1965 (Código Eleitoral brasileiro)


 Lei n.° 9 096, de 19.09.1995 (dispõe sobre partidos políticos)
 Lei n.° 9 614, de 30.09.1997 (estabelece normas para as eleições)
 Lei n.° 9 709, de 18.11.1998 (regulamenta a execução
de plebiscitos, referendos e iniciativa popular)
 Lei Complementar n.° 64, de 18.05.1990 (estabelece casos de inelegibilidade),
alterada pela Lei Complementar n.° 81, de 13.04.1994.
 Lei Complementar n.° 135, de 2010 (a Lei da Ficha Limpa, emendada à Lei
Complementar n.° 64, de 18.05.1990)

Os direitos políticos são regulados no Brasil pela Constituição Federal em seu artigo
14, que estabelece, como princípio da participação na vida política nacional,
o sufrágio universal. Nos termos da norma constitucional, o alistamento eleitoral e o
voto são obrigatórios para os maiores de dezoito anos, e facultativos para os
analfabetos, os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos e os maiores de
setenta anos.

A Constituição proíbe o alistamento eleitoral dos estrangeiros e dos brasileiros


conscritos no serviço militar obrigatório, considera a nacionalidade brasileira como
26
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

condição de elegibilidade e remete, à legislação infraconstitucional, a


regulamentação de outros casos de inelegibilidade (lei complementar n. 64, de 18 de
maio de 1990).

A IMPORTÂNCIA DOS DIREITOS POLÍTICOS

O estudo dos direitos políticos é importante porque esses direitos são vistos como
garantias reconhecidas aos brasileiros para que possam participar da vida política
do país. Nesse sentido, Gomes (2011) entende que direitos políticos ou cívicos
equivalem às prerrogativas e aos deveres inerentes à cidadania e englobam o direito
de participar direta ou indiretamente do governo, da organização e do funcionamento
do Estado.

Conforme dispõe a Constituição Federal, os direitos políticos disciplinam as diversas


formas de o cidadão se manifestar, dentre as quais é possível citar a soberania
popular, que se concretiza pelo sufrágio universal, pelo voto direto e secreto e por
outros instrumentos.

Em regra, tais direitos não são conferidos a todos aqueles que habitam o território
nacional, mas apenas aos nacionais que preencham os requisitos determinados pelo
próprio texto constitucional.

Além da Constituição Federal, normas infraconstitucionais também dispõem sobre


direitos políticos e seus diversos campos de incidência e limites. Mas o núcleo dos
direitos políticos pode ser concebido, sem dúvida, como o direito de votar e ser
votado, aquele que pressupõe o direito-dever de alistamento eleitoral e está previsto
expressamente no preceito constitucional.

O direito de votar é inerente e obrigatório para algumas pessoas – os maiores de


dezoito anos; facultativo para outras – os analfabetos, os maiores de 70 anos e os
maiores de 16 e menores de 18 anos; e, ainda, proibido para outras – os
estrangeiros e os conscritos (desde que estejam cumprindo serviço militar
obrigatório).
27
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

Para ter direito de ser votado, além de serem eleitores, os interessados devem
obedecer a condições expressas na norma constitucional, tais como: nacionalidade
brasileira, pleno exercício dos direitos políticos, alistamento eleitoral, domicílio
eleitoral na circunscrição, filiação partidária e idade mínima.

Os direitos políticos podem ser positivos, os quais correspondem ao direito de votar


e ser votado e visam garantir a participação do povo no poder mediante o sufrágio
ativo, no primeiro caso, ou passivo, no segundo. E podem ser também negativos, o
que ocorre quando o cidadão fica privado do gozo desses direitos devido a uma
perda definitiva ou temporária.

No que se refere aos direitos políticos negativos, é importante ressaltar que não
existe a possibilidade de cassação, mas apenas a de perda e a de suspensão. A
perda dos direitos políticos está ligada à ideia de definitividade e é sempre
permanente, enquanto a suspensão corresponde à interrupção temporária dos
direitos em uso e é cessada quando terminam os efeitos do ato ou medida que a
ensejou.

Com base no rol previsto no artigo 15 da Constituição Federal, a doutrina considera


que a única hipótese de perda dos direitos políticos é o cancelamento da
naturalização por sentença judicial transitada em julgado. Mas ainda há o
entendimento de que o cancelamento da naturalização pela aquisição de outra
nacionalidade também constitui meio de perda dos citados direitos.

Já os casos de suspensão são diversos e, segundo dispõe a Carta Magna,


envolvem: incapacidade civil absoluta, condenação criminal transitada em julgado 7,
recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, e
improbidade administrativa.

É evidente a importância dos direitos políticos, afinal, falar neles é falar em


democracia, a qual prevê que o poder nasce do povo e pode ser exercido
indiretamente por meio de representantes eleitos – democracia representativa – ou

28
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

mesmo diretamente por meio de plebiscito, referendo e iniciativa popular –


democracia direta.

DO SUFRÁGIO

A lei deveria ser a expressão da vontade geral, ou seja, deveria representar a


vontade comum. Os representantes do povo, eleitos por meio do voto, deveriam
criar leis pautando-se na vontade maior, ou seja, de maneira a atingir as convicções
do povo.

O Poder Legislativo, o qual tem o poder/dever de criar leis, é composto por


representantes escolhidos pelo povo, por meio do voto.

Para resguardar o direito político representado pelo sufrágio universal e pelo voto
direto e secreto, o artigo 14 da Constituição Federal estabelece que: “A soberania
popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor
igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I – plebiscito; II – referendo; III –
iniciativa popular”.

O sufrágio universal surgiu com a Revolução Francesa, antes da reivindicação


burguesa, o povo não tinha direito à escolha de seus representantes. Pelo contrário,
o voto era censitário, constituindo direito da minoria detentora das riquezas e do
poder.

O voto nada mais representava do que a expressão da vontade particularizada da


minoria detentora do poder, ou seja, os representantes eram membros da classe
detentora do poder e escolhidos por essa mesma classe, sendo que, desse modo,
somente os interesses da minoria eram preservados e observados.

O sufrágio universal deslocou o fulcro do poder político, possibilitando ao povo a


participação na escolha de seus representantes.

O direito de sufrágio não é mero direito individual, pois seu conteúdo, que predica o
cidadão a participar da vida política do Estado, transforma-o em um verdadeiro
instrumento do regime democrático, que, por princípio, só pode realizar-se pela
29
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

manifestação dos cidadãos na vida do Estado.Bem por isso, o sufrágio constitui


simultaneamente um direito e um dever.

O direito de sufrágio expressa-se pela capacidade de eleger e ser eleito.

No tocante à capacidade de eleger, constitui-se ela por meio do voto, o qual é


obrigatório para maiores de dezoito anos (artigo 14, I, da Constituição Federal),
sendo facultativo para analfabetos, para os maiores de setenta e para os maiores de
dezesseis e menores de dezoito anos.

Características

Como bem assinala José Afonso da Silva:

“As palavras sufrágio e voto são empregadas comumente


como sinônimas. A Constituição, no entanto, dá-lhes sentido
diferentes, especialmente no seu art. 14, por onde se vê que o
sufrágio é universal e o voto é direito, secreto e tem valor igual.
A palavra voto é empregada em outros dispositivos, exprimindo
a vontade num processo de participação do povo no governo,
expressando: um, o direito (voto); outro, o seu exercício
(voto),e outro, o modo de exercício (escrutínio)”.

O sufrágio é universal, ou seja, todos os cidadãos que atendam as condições,


indicadas no texto constitucional, têm o direito/dever de votar (capacidade eleitoral
ativa) e o direito de ser votado (capacidade eleitoral passiva).

O legislador constituinte ao estabelecer condições para a capacidade eleitoral ativa


(direito de votar) não tirou o caráter universal do sufrágio, à medida que este
somente seria desvirtuado caso a Constituição não estabelecesse prévia, genérica e
abstratamente os requisitos para a capacidade eleitoral ativa, impossibilitando uma
aplicação comum a todos os cidadãos.

30
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

O voto é exercido de forma direta, e, na lição no Professor Alexandre de Moraes,


apresenta diversas características constitucionais, quais sejam, personalidade,
obrigatoriedade, liberdade, sigilosidade, igualdade e periodicidade.

A característica da personalidade está presente porque o voto é direito


personalíssimo, o qual deverá ser exercido de pessoalmente, não sendo possível
outorgar procuração para votar, sob pena de nulidade do voto.

Por seu turno, o voto é obrigatório para os cidadãos maiores de dezoito anos e
menores de setenta (idade a partir da qual o voto se torna facultativo). A
obrigatoriedade do voto consiste no dever de o cidadão comparecer à eleição,
assinado uma folha de presença, manifestando a escolha de seu representante,
havendo sanção para aqueles que não comparecem à eleição (multa).

A liberdade está presente no direito de escolher o representante conforme as


convicções do eleitor e pela faculdade de anular o voto.

Já a sigilosidade consiste na proibição de revelação do voto. O voto não pode ser


revelado nem por seu autor nem por terceiro fraudulentamente.

O voto é direto porque os eleitores elegem, no exercício do direito de sufrágio, por


meio do voto (instrumento), por si, sem intermediários, seis representantes e
governantes.

No tocante à periodicidade, ela está presente no artigo 60, § 4º da Constituição


Federal o voto é garantia da temporariedade dos mandatos, uma vez que a
democracia representativa prevê e exige existência de mandatos com prazo
determinado.

Por último, a igualdade do voto se revela porque todos os cidadãos têm o mesmo
valor no processo eleitoral.

DIREITO DE VOTAR

Conforme já assinalado, sufrágio é o direito de votar e ser votado. Voto é o ato pelo
qual se exercita esse direito.
31
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

Eleitores são todos os brasileiros (natos e naturalizados) que, à data da eleição,


tenham dezesseis anos de idade, alistados na forma da lei.

O alistamento eleitoral é obrigatório para os maiores de dezoito anos e facultativo


aos maiores de dezesseis e menores de dezoito anos analfabetos e aos maiores de
setenta anos.

O direito de sufrágio exerce-se praticando atos de diversos tipos, No que tange à


sua função eleitoral, o voto é o ato fundamental de seu exercício, que se manifesta
também como ato de alguma função participativa: plebiscito e referendo.

O voto é a manifestação dos cidadãos tendente à escolha de seus representantes,


sendo, por última análise, a vontade ver as pretensões do povo atendidas por meio
do poder legiferante.

PLEBISCITO, REFERENDO E INICIATIVA POPULAR

O artigo 14, incisos I a III da Constituição Federal prescrevem que a soberania


popular será exercida diretamente mediante o plebiscito, o referendo e a iniciativa
popular.

A Lei nº 9.709/98, regulamentando os citados dispositivos constitucionais, indica, em


seu artigo 2º, que plebiscito e referendo “são consultas formuladas ao povo para que
delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional,
legislativa ou administrativa”.

O plebiscito é convocado com anterioridade ao ato, chamando o povo para aprová-lo


ou rejeitá-lo pelo voto. O referendo, diferentemente, é convocado com
posterioridade, de tal modo que a manifestação popular pelo voto cumprirá a função
de ratificar ou rejeitar o ato legislativo ou administrativo já editado.

A iniciativa popular encontra-se disciplinada pelo artigo 13 da Lei nº 9.709/98 que


estabelece que como requisitos para essa forma de deflagração do processo
legislativo a apresentação de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento

32
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

do eleitorado nacional, distribuído por pelo menos cinco Estados, com não menos de
três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.

CAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA

O direito de ser votado, ou sufrágio passivo, traduz o direito que o cidadão tem de,
satisfeitas as condições necessárias e livre dos impedimentos constitucionais,
apresentar-se como candidato a um cargo eletivo.

Assim como a alistabilidade diz respeito à capacidade eleitoral ativa (capacidade de


ser eleitor), a elegibilidade se refere à capacidade eleitoral passiva, à capacidade de
ser eleito. Tem elegibilidade, portanto, quem preencha as condições exigidas para
concorrer a um mandato eletivo. Consiste, pois, a elegibilidade no direito de postular
a designação pelos eleitores a um mandato político no Legislativo ou no Executivo.

A elegibilidade está prevista no artigo 14, § 3º da Constituição Federal, o qual prevê


as condições para que o cidadão exerça o direito ao sufrágio passivo, a saber:

“I – a nacionalidade brasileira;

II – o pleno exercício dos direitos políticos;

III – o alistamento eleitoral;

IV – o domicílio eleitoral na circunscrição;

V – a filiação partidária;

VI – idade mínida de: a) trinta e cinco anos para


Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta
anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do
Distrito Federal; c) vinte e um anos para Deputado Federal,
Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de
paz; d) dezoito anos para vereador”.

33
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

Citando Luis Lopes Guerra, Luiz Alberto David Araujo explica: “o direito de sufrágio
passivo, embora implique o de se apresentar como candidato a cargos eletivos e
simultaneamente ter o direito à proclamação de sua eleição, com a efetiva posse no
cargo, quando vitorioso no certame eleitoral, não se esvai nesses direitos. É que as
regras pertinentes ao sufrágio passivo devem ter conexão com o direito de sufrágio
ativo, isto é, com o direito de votar”.

OS ELEITOS E O MANDATO POLÍTICO

Eleito é o candidato que receber votos em número suficiente para que lhe seja
conferido o mandato, sendo diplomado pela Justiça Eleitoral.

Ao eleito é conferido o direito à investidura no cargo para o qual se candidatou, pelo


prazo previsto na Constituição Federal, desde que não incorra ou venha incorrer em
alguma incompatibilidade para o exercício do mandato. Incompatibilidades são
situações jurídicas que impedem o eleito de exercer certas ocupações ou praticar
certos atos cumulativamente com o mandato.

Outra conseqüência da investidura se refere às prerrogativas inerentes ao exercício


do mandato. Assim, todos os representantes do povo estão em posição de
igualdade, um não podendo colocar-se em situação de superioridade em relação a
outros, de tal forma que o debate legislativo, por exemplo, deve assegurar o direito
de manifestação das minorias parlamentares, bem como o uso de todos os
dispositivos regimentais em igualdade com a maioria parlamentar.

SISTEMAS ELEITORAIS

Antes de falar do sistema eleitoral, importante destacar que ele se expressa por
meio da eleição, a qual é o processo mediante o qual se dá a escolha dos
governantes por um grupo social, através do voto.

Conforme visto acima, o voto é a manifestação popular em um regime democrático,


que permite a participação do eleitorado na vida pública da Nação.

34
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

Existem dois sistemas eleitorais no Brasil, quais sejam, o majoritário e o


proporcional. O majoritário é aquele pelo qual se considera eleito o candidato que
obtiver o maior número de votos.

Por seu turno, a forma proporcional consiste na eleição de membros de um grupo


para um órgão em proporção ao número de sufrágios que recebeu o grupo em
relação ao total apurado. NOTA DE RODAPÉ Ferreira Filho, Manoel Gonçalves.
Curso de Direito Constitucional. Ed. Saraiva. 2006. página 103.

O sistema eleitoral majoritário é utilizado para a eleição do Presidente da República,


Governadores e Prefeitos (de cidades com mais de duzentos mil eleitores) e
Senadores. Para ser eleitor pelo sistema majoritário, o candidato deverá obter 50% +
1 dos votos (maioria absoluta) para que seja eleito em primeiro turno. Caso isso não
ocorra, será instaurado o segundo turno das eleições, no qual disputarão os dois
candidatos mais votados em primeiro turno, elegendo-se o candidato que obtiver a
maioria dos votos.

Por seu turno, no sistema eleitoral proporcional são eleitos Vereadores e Deputados
Estaduais e Federais. Por esse sistema, o total de votos válidos é dividido pelo
número de vagas em disputa. O resultado é o quociente eleitoral, ou o número de
votos correspondentes a cada cadeira. Ao dividir o total de votos de um partido pelo
quociente eleitoral, chega-se ao quociente partidário, que é o número de vagas que
ele obteve

A privação temporária dos direitos políticos, impropriamente chamada “suspensão”,


decorre de:

1) incapacidade civil absoluta (artigo 15, II) decretada pelo Judiciário, conforme
a jurisprudência;

2) condenação criminal (artigo 15, III), enquanto perdurarem os seus efeitos.


Contra o texto claro desse dispositivo constitucional, julgados há que
entendem suspender o sursis, não só a execução da pena, também a
privação dos direitos políticos. JURISPRUDÊNCIA

35
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

3) Improbidade administrativa nos termos do artigo 37, § 4.

Importante ressaltar que as pessoas privadas dos direitos políticos podem recuperá-
los. Se essa provação for a dita definitiva, ou perda, dependerá do cumprimento de
exigências legais. Se a privação for decorrente de suspensão, a recuperação será
automática, quando do desaparecimento de seu fundamento ou pelo decurso do
prazo assinalado.

Da perda e da suspensão dos direitos políticos ocorrem os mesmos efeitos. Assim,


ambas acarretam a perda dos cargos que não possam ser preenchidos por quem
não for cidadão, bem como dos mandatos representativos.

Elegibilidade e Inelegibilidade

A capacidade eleitoral passiva (elegibilidade) também decorre do princípio


democrático. O analfabeto não goza da elegibilidade. Ela só se torna plena aos 35
anos, pois até essa idade o brasileiro não pode ser eleito para a presidência e vice-
presidência da República e para o Senado. Os naturalizados não a têm em sua
plenitude, pois só podem se candidatar a determinados cargos, sendo alguns
destinados somente aos brasileiros natos. O português equiparado usufrui de
situação igual ao brasileiro naturalizado, caso haja reciprocidade.

A inelegibilidade é uma medida destinada a defender a democracia contra possíveis


e prováveis abusos,

Irreelegibilidade

A irreelegibilidade impede que a reeleição por tempo indeterminado dos Chefes do


Executivo. A Emenda Constitucional n. 16/97 veio a admitir a reeleição, mas apenas
para o período imediatamente subsequente. A aludida Emenda deu nova redação ao
artigo 14, § 5º, da Constituição vigente, permitindo que o Presidente da República, o
Governador de Estado ou do Distrito Federal a o Prefeito possam se reeleger para o
período posterior, uma única vez.

Incoerência

36
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

As autoridades mencionadas no tópico acima podem reeleger-se sem sequer se


afastarem do exercício do cargo. Todavia, por força do artigo 14, § 6, se objetivarem
cargo distinto, terão de renunciar ao cargo que ocupam “até seis meses antes do
pleito”.

Inelegibilidades Enunciadas no Texto Constitucional

A Constituição Federal de 1988 prevê a possibilidade de lei complementar enunciar


hipóteses de inelegibilidade que não as previstas na Carta Magna.

São hipóteses de inelegibilidade previstas no texto constitucional:

a) Não possuir domicílio eleitoral na circunscrição; b) não ter filiação partidária; c) ser
analfabeto; d) ser titular de determinados cargos; e) ter vínculos pessoais com quem
seja titular de determinados cargos, ou os haja exercido num determinado período
(Constituição, artigo 14, § 7º).

37
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

4- ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA

O art. 17 da Constituição é claro: “É livre a criação, fusão, incorporação e extinção


de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o
pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana (...)”.

São condicionados, no entanto, a serem de caráter nacional, a não receberem


recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou a subordinação a
estes, a prestarem contas à Justiça Eleitoral e a terem funcionamento parlamentar
de acordo com a lei.

Regra importante é que a estrutura de poder não poderá interferir nos partidos, para
extingui-los, como várias vezes aconteceu.

Mas a liberdade partidária não é absoluta: fica sujeita a vários princípios que
confluem para o seu compromisso com o regime democrático, no sentido
constitucional.

Assim está no preâmbulo e no art. 1º. A Constituição institui um Estado Democrático


de Direito, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a
liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça
como valores supremos de uma sociedade fraterna, livre, justa e solitária e sem
preconceitos (art. 3º, II e IV). Tudo isso fundamentado na soberania, na cidadania,
na dignidade da pessoa humana, nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa
e no pluralismo político.

Trata-se assim de um regime democrático baseado no princípio da soberania


popular, segundo o qual o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente (parágrafo único do art. 1º).

A liberdade de criar partido exige que seja de caráter nacional. Vale dizer que não se
pode criar partido de vocação estadual ou local. Nossos constituintes de 1988,
infelizmente, não disseram quando um partido se considera nacional. Apenas ficou

38
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

estabelecido que os partidos políticos terão “funcionamento parlamentar de acordo


com a lei” (art. 17, IV).

No art. 17, § 1º, destaca-se o princípio da autonomia, conquista sem precedente, de


tal sorte que a lei muito pouco tem que fazer em matéria de estrutura interna,
organização e funcionamento dos partidos.

O texto constitucional transmite a idéia de que os partidos hão de se organizar e


funcionar em harmonia com o regime democrático e que a sua estrutura interna
também fica sujeita ao mesmo princípio. A autonomia é conferida na suposição de
que cada partido busque, de acordo com suas concepções, realizar uma estrutura
interna democrática.

A disciplina e a fidelidade partidárias passam a ser um determinante estatutário (art.


17, § 1º). Não se trata de obediência cega aos ditames dos órgãos partidários, mas
o acatamento do programa e objetivos do partido subordinados às regras de seu
estatuto, cumprimento de seus deveres e probidade no exercício de mandatos ou
funções partidárias.

A infidelidade partidária é o ato indisciplinar mais sério. Manifesta-se na oposição a


diretrizes legitimamente estabelecidas pelo partido e no apoio ostensivo ou
disfarçado a candidatos de outra agremiação.

A Constituição não permite a perda do mandato por infidelidade partidária. Até o


veda quando, no art. 15, declara proibida a cassação de direitos políticos, só
admitidas a sua perda e a suspensão nos restritos casos nele indicados.

Não há controle quantitativo constitucional aos partidos, mas a possibilidade de que


venha a existir por via de lei (“funcionamento parlamentar de acordo com a lei” – art.
17, IV). É que o controle quantitativo não atua no momento da organização, mas no
seu funcionamento.

O controle qualitativo (ideológico) é consignado constitucionalmente em função do


regime democrático. Os princípios do regime democrático, do pluripartidarismo e dos
direitos fundamentais da pessoa humana constituem condicionamento à liberdade
39
COORDENADOR POLÍTICO EXECUTIVO

partidária; funcionam como forma de controle ideológico, de modo que será ilegítimo
um partido que, porventura, pleiteie um sistema de um só partido ou um regime de
governo que não se fundamente no princípio de que o poder emana do povo
(parágrafo único do art. 1º).

Controle qualitativo é ainda o da vedação de utilização, pelos partidos políticos, de


organização paramilitar, o que significa repelir partido fascista, nazista ou integralista
dos tipos que vigoraram na Itália de Mussolini, na Alemanha de Hitler e no Brasil de
Plínio Salgado.

O controle financeiro (art. 17, II) proíbe o recebimento, pelos partidos, de recursos
financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou subordinados a estes. Temos
aqui um preceito que constitui um desdobramento do dever de resguardo da
soberania. Ademais (art. 17, III), os partidos têm o dever de prestar contas da sua
administração financeira à Justiça Eleitoral.

Em compensação (art. 17, § 3º), eles têm direito a recursos de fundo partidário
regulado por lei.

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5- ADMINSTRAÇÃO DA CAMPANHA POLÍTICA

LEGISLAÇÃO APLICÁVEL 1.1 Leis 1.1.1 Lei Complementar nº 64, 18/05/1990


Estabelece, de acordo com o art. 14, § 9º da Constituição Federal, casos de
inelegibilidade, prazos de cessação e determina outras providências. 1.1.2 Lei nº
9.504, 30/09/1997 Estabelece normas para as eleições, disciplinando no art. 73, de
modo específico, as vedações orientadas neste Manual. Transcreve-se: Das
Condutas Vedadas aos Agentes Públicos em Campanhas Eleitorais Art. 73. São
proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes
a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais: I -
ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis
ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, ressalvada a realização de
convenção partidária; II - usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos ou
Casas Legislativas, que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e
normas dos órgãos que integram; III - ceder servidor público ou empregado da
administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo,
ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido
político ou coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou
empregado estiver licenciado; IV - fazer ou permitir uso promocional em favor de
candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços
de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público; V - nomear,
contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou
readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e,
ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do
pleito, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos, sob pena de
nulidade de pleno direito, ressalvados: a) a nomeação ou exoneração de cargos em
comissão e designação ou dispensa de funções de confiança; b) a nomeação para
cargos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos Tribunais ou Conselhos de
Contas e dos órgãos da Presidência da República; c) a nomeação dos aprovados
em concursos públicos homologados até o início daquele prazo; d) a nomeação ou

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contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços


públicos essenciais, com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder
Executivo; e) a transferência ou remoção ex officio de militares, policiais civis e de
agentes penitenciários; VI - nos três meses que antecedem o pleito: 8 a) realizar
transferência voluntária de recursos da União aos Estados e Municípios, e dos
Estados aos Municípios, sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados os
recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente para execução de obra
ou serviço em andamento e com cronograma prefixado, e os destinados a atender
situações de emergência e de calamidade pública; b) com exceção da propaganda
de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado, autorizar publicidade
institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos
federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração
indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida
pela Justiça Eleitoral; c) fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora
do horário eleitoral gratuito, salvo quando, a critério da Justiça Eleitoral, tratar-se de
matéria urgente, relevante e característica das funções de governo; VII - realizar, no
primeiro semestre do ano de eleição, despesas com publicidade dos órgãos públicos
federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração
indireta, que excedam a média dos gastos no primeiro semestre dos três últimos
anos que antecedem o pleito; (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015) VIII -
fazer, na circunscrição do pleito, revisão geral da remuneração dos servidores
públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do
ano da eleição, a partir do início do prazo estabelecido no art. 7º desta Lei e até a
posse dos eleitos. § 1º. Reputa-se agente público, para os efeitos deste artigo, quem
exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação,
designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo,
mandato, cargo, emprego ou função nos órgãos ou entidades da administração
pública direta, indireta, ou fundacional. § 2º. A vedação do inciso I do caput não se
aplica ao uso, em campanha, de transporte oficial pelo Presidente da República,
obedecido o disposto no art. 76, nem ao uso, em campanha, pelos candidatos a
reeleição de Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-
Governador de Estado e do Distrito Federal, Prefeito e Vice-Prefeito, de suas
residências oficiais para realização de contatos, encontros e reuniões pertinentes à
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própria campanha, desde que não tenham caráter de ato público. § 3º. As vedações
do inciso VI do caput, alíneas b e c, aplicam-se apenas aos agentes públicos das
esferas administrativas cujos cargos estejam em disputa na eleição. § 4º. O
descumprimento do disposto neste artigo acarretará a suspensão imediata da
conduta vedada, quando for o caso, e sujeitará os responsáveis a multa no valor de
cinco a cem mil UFIR. § 5º. Nos casos de descumprimento do disposto nos incisos
do caput e no § 10, sem prejuízo do disposto no § 4o , o candidato beneficiado,
agente público ou não, ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma.
(Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009) § 6º. As multas de que trata este artigo
serão duplicadas a cada reincidência. § 7º. As condutas enumeradas no caput
caracterizam, ainda, atos de improbidade administrativa, a que se refere o art. 11,
inciso I, da Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, e sujeitam-se às disposições
daquele diploma legal, em especial às cominações do art. 12, inciso III. § 8º.
Aplicam-se as sanções do § 4º aos agentes públicos responsáveis pelas condutas
vedadas e aos partidos, coligações e candidatos que delas se beneficiarem. § 9º. Na
distribuição dos recursos do Fundo Partidário (Lei nº 9.096, de 19 de setembro de
1995) oriundos da aplicação do disposto no § 4º, deverão ser excluídos os partidos
beneficiados pelos atos que originaram as multas. 9 § 10. No ano em que se realizar
eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte
da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de
emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução
orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público poderá
promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa. (Incluído
pela Lei nº 11.300, de 2006) § 11. Nos anos eleitorais, os programas sociais de que
trata o § 10 não poderão ser executados por entidade nominalmente vinculada a
candidato ou por esse mantida. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009) § 12. A
representação contra a não observância do disposto neste artigo observará o rito do
art. 22 da Lei Complementar no 64, de 18 de maio de 1990, e poderá ser ajuizada
até a data da diplomação. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009) § 13. O prazo de
recurso contra decisões proferidas com base neste artigo será de 3 (três) dias, a
contar da data da publicação do julgamento no Diário Oficial. (Incluído pela Lei nº
12.034, de 2009) 1.1.3 Lei nº 12.034, 30/09/2009 Altera as Leis n° 9.096, de 19 de
setembro de 1995 – Lei dos Partidos Políticos, 9.504, de 30 de setembro de 1997,
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que estabelece normas para as eleições, e 4.737, de 15 de julho de 1965 – Código


Eleitoral. 1.1.4 Lei Complementar nº 135, 04/06/2010 Altera a Lei Complementar nº
64, de 18 de maio de 1990, que estabelece, de acordo com § 9º do art. 14 da
Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação e determina
outras providências, para incluir hipóteses de inelegibilidade que visam proteger a
probidade administrativa e moralidade no exercício do mandato. 1.1.5 Lei nº 13.165,
29/09/2015 Altera as Leis nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, 9.096, de 19 de
setembro de 1995, e 4.737, de 15 de julho de 1965 - Código Eleitoral, para reduzir
os custos das campanhas eleitorais, simplificar a administração dos Partidos
Políticos e incentivar a participação feminina. 1.1.6 Lei nº 13.488, 06/10/2017 Altera
as Leis nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, 9.096, de 19 de setembro de 1995, e
4.737, de 15 de julho de 1965, e revoga dispositivos da Lei nº 13.165, de 29 de
setembro de 2015, promovendo certa reforma no ordenamento político-jurídico-
eleitoral. 1.2 Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral – TSE 1.2.1 Resolução do
TSE nº 23.523, 27/07/2017 Dispõe sobre a requisição de servidores públicos pela
Justiça Eleitoral. 1.2.2 Resolução do TSE nº 23.555, 29/12/2017 Calendário Eleitoral
(Eleições de 2018) 10 1.2.3 Resolução do TSE nº 23.551, 02/02/2018 Dispõe sobre
propaganda eleitoral, utilização e geração do horário gratuito e condutas ilícitas em
campanha eleitoral nas eleições.

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6- PUBLICIDADE POLÍTICA

Tipos de propagandas políticas


“Entende-se por propaganda eleitoral toda atividade que vise diretamente promover
candidaturas, seja atividade dos candidatos, dos subscritores das candidaturas ou
de partidos políticos que apoiem as diversas candidaturas, nos termos do nº 2 do art.
45º, bem como a publicação de textos ou imagens que exprimam ou reproduzam o
conteúdo dessa atividade.”
“A propaganda partidária: Tem por finalidade a divulgação dos ideais, programas e
propostas dos partidos políticos. Feita de forma genérica e exclusiva, não menciona
nomes de pretensos candidatos, tampouco é vinculada a um pleito eleitoral
específico. Visa, em verdade, à obtenção de novos simpatizantes e filiados às
agremiações partidárias.
Mídias utilizadas: Essa espécie de propaganda é transmitida por meio das
emissoras de rádio e televisão, no formato em rede ou inserções (30 segundos ou 1
minuto), nos dois semestres dos anos não eleitorais e, tendo em vista a limitação
contida no § 2º do art. 36 da Lei nº 9.504/1997, apenas no primeiro semestre dos
anos em que são realizadas eleições.
A propaganda intrapartidária: Realizada por filiado de um partido político e dirigida
aos seus demais integrantes visando convencê-los a indicar o seu nome para
concorrer a um cargo eletivo em uma eleição futura. Em outras palavras, não é
dirigida aos eleitores em geral, mas voltada apenas para os membros do partido
político ao qual o interessado é filiado.

Mídias utilizadas: Exercida de modo silencioso e sem auxílio da mídia (rádio,


televisão e outdoor), somente pode ser realizada na quinzena anterior à escolha,
pelo partido, dos candidatos que disputarão os cargos eletivos, ou seja, nos 15 dias
anteriores à realização da convenção partidária. Para sua divulgação, além da mala
direta aos filiados, permite-se a afixação de faixas e cartazes em local próximo da
convenção, com mensagem direcionada aos convencionais.
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*É importante ressaltar que, tão logo seja realizada a convenção, as propagandas a


ela destinadas deverão ser imediatamente retiradas.

A propaganda eleitoral: Conceitua-se como aquela voltada à população em geral


com o intuito de propagar o nome e a candidatura de determinado postulante ao
pleito. Tem a finalidade específica de convencer o eleitor de que este ou aquele
candidato seria o melhor para ocupar o cargo em disputa.

A propaganda explícita não traz maiores dificuldades para ser identificada, pois,
provavelmente, conterá o nome, o número e o partido do pretenso candidato. Um
exemplo clássico é a inscrição do nome de determinada pessoa em um muro. Se a
inscrição contiver a legenda partidária e o cargo a que pretende concorrer, estará
caracterizada a propaganda extemporânea explícita.

A propaganda implícita, por seu turno, é mais difícil de ser identificada, uma vez
que não divulga de forma clara a candidatura do pretenso candidato, “embora faça
supor que ela ocorrerá”. Essa propaganda utiliza-se de meios ardis para influenciar e
tornar conhecida a futura candidatura do interessado, unindo, em sua maioria, a sua
realidade particular com sua realidade política. Assim, quando o nome do
interessado vem acompanhado de dizeres que atentam para suas qualidades ou
futuras pretensões, e restando demonstrado seu cunho eleitoreiro, poderá ser
enquadrado como propaganda eleitoral fora de época.”

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Falando de maneira prática…

Cuidado com criação de símbolos por similaridade, estratégias muito agressivas de


guerrilha, calunia e difamação do concorrente e realização de sorteios. Seja sutil
com o tom da campanha: não tente deixar o seu cliente tão cool, pode não
funcionar.

Veja se o candidato esta apto a ter propagandas em seu nome. Fique atendo aos
direitos autorais, e não tentar vender algo durante a propaganda. Nada de
“Showmícios”, outdoors e brindes.

Falando também em possibilidades para candidatos, seguem aqui algumas


informações que podem ajudar a “inspirar” os criativos, respeitando, lógico, as
restrições das leis:

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As ações principais que os candidatos não devem fazer, mas fazem, estão em
vermelho. De propósito – pois são as famosas estratégias tentadoras.

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“Os candidatos que se sentirem ofendidos por algum fato ou crítica apresentados
por outro candidato ou partido político durante o horário eleitoral gratuito podem
requerer direito de resposta à Justiça Eleitoral. O pedido deve ser feito no prazo de
24 horas contadas a partir da veiculação do programa.”

As possibilidades por veículos de comunicação são várias, e da pra trabalhar


bastante em cima deles. Exemplos:

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OFFLINE
• Materiais impressos como folhetos, placas, adesivos, bandeiras…(lembrando que o
material gráfico deve conter CNPJ ou CPF do responsável pela confecção, quem a
contratou e a tiragem);

• Comícios;

• Carros de som.

RÁDIO/ TV

• Propaganda eleitoral gratuita;


• Propaganda informativa;
• Rádio (SPOT ou Jingle).

Internet
• Páginas oficiais nas redes sociais (COM SABEDORIA!);
• Promoção em perfil pessoal nas redes sociais (COM SABEDORIA 2!);
• E mail (sempre com a opção de parar o recebimento);
• Vídeos.

O mais importante é a campanha seguir uma linha de raciocínio, já que a intenção é


construir um valor moral, algo linear, onde as informações devem conversar,
mantendo os princípios estabelecidos pelo candidato. A ética fica muito evidente por
se tratar de uma disputa, o que faz com que um adversário sempre esteja pronto
para tentar tirar vantagem dos erros do concorrente.

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CONCLUSÃO

Os direitos políticos, ou de cidadania proporcionam ao cidadão a participação na via


pública do País.

O direito de participação do povo no governo, por seus representantes, é elementar


ao estado democrático de direito, posto que todo poder deve emanar do povo.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GOMES, José Jairo. Direito Eleitoral. 7. ed. São Paulo: Atlas Jurídico, 2011, p. 4.

RAMAYANA, Marcos. Direito Eleitoral. 10. ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2009, p. 2.

CERQUEIRA, Thales e Camila. Direito Eleitoral Esquematizado. 1. ed. São Paulo:


Saraiva, 2011, p. 110 e 126.

GOMES, José Jairo. Direito Eleitoral. 7. Ed. São Paulo: Atlas Jurídico, 2011, p. 9.

Ilustração: figuras do site Nerit Política e Agencia move

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