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Rashi - o mestre do
povo judeu

Há várias explicações para o acróstico conferido a Rashi. A mais comum é “Rabi Shlomo Yitschaki”
(filho de Yitschac). Alguns afirmam que não queriam chamá-lo de Rash (“Rabi Shlomo”, apenas), pois a palavra
“Rash” em hebraico significa “pobre”. Outros dizem que a família de Rashi é oriunda da cidade de Lunel, na
Provença, sul da França, que equivale em hebraico às palavras “Rabi Shlomo Yarchi”. Porém, a explicação mais
conhecida é que Rashi é a abreviação das palavras “Raban Shel Yisrael”, o “Mestre do Povo de Israel”.
Realmente, com o decorrer dos tempos, Rashi se tornou o mestre de todo o povo de Israel, pois não
há ninguém que estude a Lei Escrita (a Torá) ou a Lei Oral (o Talmud) sem consultar o comentário de Rashi.
O grande exegeta Rabi Avraham Ibn Ezra escreveu sobre Rashi: “Uma estrela despontou na França”.
Neste mesmo estilo, escreve o historiador e erudito Rabi Avraham Zacuto: “Na França surgiu uma imensa
luz que nunca antes havia surgido, o grande mestre, o piedoso Rabi Shlomo de Troyes, que comentou toda a
Torá, os Profetas, as Escrituras e a Guemará, que nada deixou sem explicação, e depois que o seu comentário
veio à luz, não há Rabino no mundo que possa aprender a lei sem consultá-lo” (Sêfer Yuchassin). Ainda nesta
mesma linha, escreve Rabi David Conforte: “Rashi é o mestre e o mentor de todos os comentaristas em todos
os lugares, pois a luz da sua sabedoria em seus comentários é conhecida de todos. Ele iluminou os olhos de
todo o povo de Israel, e pelo mérito de sua sabedoria o mundo subsiste” (Corê HaDorot).
É sabido que Rashi fez 613 jejuns antes de escrever o seu comentário da Torá. Cada palavra que
Rashi escreveu foi pensada e repensada várias vezes, e cada termo foi escolhido minuciosamente. Os seus
comentários, escritos em uma linguagem clara e sucinta, compreensível até para crianças, ainda assim
permanecem muito profundos. O mar do seu conhecimento é vasto e profundo, e nem todos sabem como
navegá-lo (Chidá). Muitas vezes, em seus comentários, Rashi embutiu em uma palavra ou em apenas uma
letra respostas para diversas perguntas. Muitos pensam que Rashi é um comentário simples, sem genialidade
alguma, mas se consultarem e se aprofundarem nas centenas de livros que analisam os comentários de Rashi,
ficarão surpresos com as maravilhas que lá se encontram (Shalá e Rabi Menachem Meiri). Rashi também era
um conhecedor profundo da Cabalá judaica, e quando se estuda diligentemente suas explanações, muitos
segredos do esoterismo judaico são revelados.
Não há dúvida de que os comentários de Rashi foram escritos por inspiração Divina (rúach hacodesh).
Aliás, o próprio autor menciona isso em seu comentário onde ele descreve a construção do Templo Sagrado
(Ezequiel 42:3): “Eu não tive nenhum professor e nenhuma ajuda na descrição desse edifício sagrado; apenas
como me mostraram dos Céus”.
Entre os exegetas que comentam as explanações de Rashi, encontramos grandes vultos, como o
Maharal de Praga (Rabi Yehuda Loew), o Levush (Rabi Mordechai Yaffe), o Taz (Rabi David HaLevi) e Rabi
Eliahu Mizrahi. O grande mestre desta geração, o Rebe de Lubavitch — ele mesmo grande comentarista de
Rashi —, demonstrou que há dezenas de regras gerais (e centenas de regras derivadas preestabelecidas) que
LEGALSABER.COM.BR Rashi seguiu em toda a sua explanação da Torá.

LEGALSABER A grande genialidade de Rashi é que, de fato, ele é o mestre de todos (Raban Shel Yisrael), pois
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ensina a Torá a todos indiscriminadamente, desde o maior erudito até uma criança que dá seus primeiros
passos no estudo da Torá. E, mais ainda, ele combina no mesmo texto as explicações mais simples (Pshat)
com os ensinamentos mais profundos (Sod, Yená shel Torá). Certamente podemos proclamar a respeito de
Rabi Shlomo Yitschaki o versículo que descreve o próprio Shlomo (o Rei): “Vaiegadel Hashem et Shlomo
lemaala leenê col Yisrael vayitên aláv hod malchut asher lo haiá al col mélech lefanav al Yisrael” — “E Hashem
engrandeceu muito a Shlomo aos olhos de todo Yisrael, e concedeu sobre ele tamanha majestade que jamais
houve sobre um rei de Israel” (Crônicas I 29:25).

(Prefácio do Livro ‘Torá Rashi ‘da Editora Maayanot - 2015)

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