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Aula 09

A ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS


Leitura Bíblica: João 14.13-17; 15.7;1 João 5.14,15
28 de novembro de 2010
“Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em
vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”(João 15.7).
INTRODUÇÃO
Paulo, discorrendo sobre a fraqueza humana, a exemplifica na vida cristã no fato de
não sabermos orar como convém (Rm 8:26-27). Por isso, o Espírito Santo que em nós
habita nos auxilia em nossas orações, fazendo-nos pedir o que convém, capacitando-
nos a rogar de acordo com a vontade de Deus. Muitas vezes, estamos tão confusos
diante das opções que temos, que não sabemos nem mesmo como apresentar os
nossos desejos e as nossas dúvidas diante de Deus. Todavia, o Espírito Santo nos
socorre. Ele ora a nosso favor quando nós mesmos deveríamos ter orado, porém não
sabíamos para que orar. Orar como convém é orar segundo a vontade de Deus,
colocando os nossos desejos em harmonia com o santo propósito de Deus; isto só é
possível pelo Espírito de Deus que Se conhece perfeitamente (1Co 2.10-12). Assim,
toda oração genuína é sob a orientação e direção do Espírito (Ef 6:18; Jd 20).
I. A ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS
Quando temos a certeza da vida eterna, é evidente que podemos colocar-nos diante de
Deus com a confiança que João descreve em 1João 5:14-15, que diz: “E esta é a
confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele
nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que
alcançamos as petições que lhe fizemos”. Portanto, a oração não é um recurso
conveniente para impormos a nossa vontade a Deus, ou para dobrar a sua vontade à
nossa, mas, sim, o meio prescrito de subordinar a nossa vontade à de Deus. É pela
oração que buscamos a vontade de Deus, nos abraçamos e nos alinhamos a ela.
A vontade de Deus será realizada na terra através da Sua Igreja, que é a sua legítima
representante. Jesus é a Cabeça, a Igreja é o corpo, as mãos, os braços, os pés e a
boca de Deus. A imagem da Igreja tem sido desfigurada quando muitos fazem dela um
centro de atrações; o homem abriu mão de sua representação autorizada, e quer
transformar a Igreja numa associação de bairro ou num clube social; a Igreja passou a
ser o lugar onde vocações frustradas encontram seu público, recebem seus aplausos.
Vemos Igrejas que são domínios particulares, verdadeiras oligarquias, império de
dominadores do rebanho. Essas e outras são razões suficientes para que o mundo não
veja a glória de Deus através da Igreja e, despreze a “multiforme sabedoria de Deus”
que deveria ser proclamada.
1. O caráter de Deus. Por caráter, Deus é amoroso, justo, santo, sábio, bom,
compassivo, misericordioso, amável, perdoador, paciente, tardio para se irar, fiel e
muito mais. Deus é soberano e tem o controle final da história ao mesmo tempo em
que leva em conta as decisões das pessoas. Deus é tanto transcendente (fora da
criação) como imanente (está presente e ativo na criação e habita dentro do crente).
Portanto, o conhecimento de tais atributos divinos é imprescindível para orarmos a
Deus com entendimento e sermos respondidos em nossas súplicas. Quanto mais
conhecermos a Deus, melhor compreenderemos, aceitaremos e identificaremos a sua
vontade para nós.
O homem natural não conhece a vontade de Deus. E, por que não pode conhecê-la?
Porque os caminhos e os pensamentos de Deus são mais altos do que os do homem.
Aqueles que crêem n’Ele e O seguem, estão capacitados a conhecer a vontade de
Deus. Paulo diz que nós temos a mente de Cristo(1Co 2:16) e, isto significa que Deus
mesmo fez a provisão do meio, através do qual, todos podem ter acesso aos seus
pensamentos e aos seus caminhos.
2. A vontade de Deus e as Sagradas Escrituras. Submissão à vontade de Deus, e
não imposição da nossa vontade a Deus, é o alicerce da nossa confiança na oração.
Hoje temos visto falsos mestres ensinando que a oração da fé precisa determinar para
Deus o que queremos. Este falso ensino proclama que oração é a vontade do homem

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prevalecendo no céu em vez da vontade de Deus prevalecendo na terra. A oração é um
instrumento poderoso, não para conseguir que a vontade do homem seja feita no céu,
mas para garantir que a vontade de Deus seja feita na Terra.
Aliás, devemos temer orar por qualquer coisa que não esteja de acordo com a vontade
de Deus. Tiago e João, por exemplo, insensatamente pediram algo a Jesus Cristo em
conflito com sua natureza e vontade, mas foram repreendidos pelo Senhor (Lc 9.54-
56). Talvez alguém pergunte: “Como saber qual é a vontade de Deus?”. Podemos
responder em termos gerais que a vontade de Deus nos é revelada nas Escrituras
Sagradas. Devemos, portanto, estuda-las a fim de conhecer melhor a vontade de Deus
e aprender a orar com mais discernimento.
Portanto, para orar segundo a vontade de Deus, é preciso conhecê-la e concordar com
ela. Somente depois que estivermos convictos de que desejamos a vontade de Deus
mais do que nossa própria vontade, é que podemos orar a oração dominical, com
segurança: “Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu”(Mateus 6:10).
3. A vontade de Deus para cada indivíduo. Conhecer a vontade de Deus é, às
vezes, difícil. As pessoas querem que Deus, basicamente, diga a elas o que fazer –
onde trabalhar, onde morar, com quem se casar, etc. Deus raramente dá às pessoas
informações assim tão diretas e específicas. Deus permite que façamos escolhas em
relação a estas coisas. A única decisão que Deus não quer que tomemos é a decisão de
pecar ou resistir à Sua vontade.
Deus quer que façamos escolhas que estejam em conformidade com sua vontade. Mas,
como podemos saber a vontade de Deus para nossa vida? Para descobri-la, é
necessário que o servo de Deus cultive uma vida de íntima comunhão com Deus. À
medida que conhecemos o Senhor, sua vontade vai se tornando mais evidente para
nós. Romanos 12:2 nos diz: “E não sede conformados com este mundo, mas sede
transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual
seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”
Se buscarmos a Deus em favor de determinada causa precisamos saber se ela está
dentro da vontade de Deus. Apresentamos dois comandos para se conhecer a vontade
de Deus para uma dada causa:
a) Certifique-se de que o que você está pedindo ou pensando em fazer não é algo que
a Bíblia proíbe.
b) Certifique-se de que o que você está pedindo ou pensando em fazer irá glorificar a
Deus e ajudá-lo a crescer espiritualmente. Se estas duas coisas forem verdades e
Deus, ainda assim, não está dando o que você está pedindo, então provavelmente não
é da vontade de Deus que você tenha o que está pedindo. Ou, talvez, você somente
precise esperar um pouco mais por isso.
Se você estiver caminhando junto ao Senhor e verdadeiramente desejar a vontade dEle
para sua vida, Deus colocará Sua vontade em seu coração. A chave é desejar a
vontade de Deus, não a sua própria. “Deleita-te também no SENHOR, e ele te
concederá o que deseja o teu coração” (Salmos 37:4). Se a Bíblia não se coloca contra
algo, e este algo pode verdadeiramente beneficiá-lo espiritualmente, então a Bíblia dá
a você a “permissão” de tomar decisões e seguir seu coração.
Para saber a vontade de Deus para decisões mais específicas, por exemplo, com quem
casar, ou sobre a vida profissional, deveria considerar os seguintes:
a) Se existir uma falta da paz dentro de si, não vá em frente.
b) Fale com outros crentes mais maduros, e preste atenção aos seus conselhos.
c) Pergunte a si próprio: "Será que quero fazer a vontade de Deus com todo o meu
coração?" Se a sua resposta for "sim", é muito provável que saiba logo qual é a
vontade de Deus.
d) Pergunte a si próprio: "Será que esta coisa me vai ajudar na minha vida espiritual?".
e) Quando uma porta abrir, não suponha automaticamente que Deus esteja a abrir a
porta. Às vezes o diabo tenta-nos com coisas atraentes que não são de acordo com a
vontade de Deus para nós. Peça a sabedoria de Deus e pela Sua confirmação se aquela
oportunidade à sua frente for a Sua vontade.
f) Não tome uma decisão rápida. Espere em Deus porque muitas vezes com o passar
do tempo nossos pensamentos e desejos mudam.

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Enfim, o que faço é para a glória de Deus? "Portanto, quer comais, quer bebais, ou
façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" (1Co 10:31). Deus deve
não somente ser glorificado nos templos, mas também fora deles; não somente na vida
privada, mas também na esfera pública. Não somente nas coisas referentes à
sobriedade do "ministério cristão", mas também nas coisas "comezinhas" do nosso
cotidiano como "comer e beber".
Devemos nos perguntar: Quantas coisas, em nossas lidas diárias, são feitas para a
glória de Deus ou buscam apenas o nosso próprio interesse? O que eu faço está
escandalizando alguém? Ou faz alguém tropeçar? "Não vos torneis causa de tropeço
nem para judeus, nem para gentios, nem tão pouco para a igreja de Deus" (1Co 10:32).
Quantas vezes o nome de Deus tem sido blasfemado por causa dos maus
procedimentos de Seus filhos? Quantos têm tropeçado por causa de suas condutas
egoístas e alheias aos ensinamentos das Escrituras? Em contrapartida, uma conduta
que promove a glorificação de Deus não será escândalo para ninguém, nem motivo de
tropeço. Os conselhos de Paulo são muito importantes para quem quer realizar a
vontade de Deus. Mas adicione-se a isso o que disse Jesus: "Se alguém quiser fazer a
vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim
mesmo" (João 7.17).
Que possamos dizer como Jesus: "A minha comida consiste em fazer a vontade
daquele que me enviou e realizar a sua obra".
II. ORAÇÕES NÃO RESPONDIDAS POR DEUS
1. Orações egoístas (Tg 4.3). Há algo muito errado com o crente que não sente
necessidade e nem prazer em fazer a vontade de Deus. E essa grave anomalia é
evidenciada em orações egoístas. O escritor do livro de Tiago disse: “Pedis e não
recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites”. Aqui, o apóstolo
Tiago afirma que pedidos egoístas, que visam interesses próprios, não são respondidos
pelo Senhor – é a dura consequencia. Deus não responde as orações dos que amam os
prazeres e que desejam honra, poder e riquezas. Todos devemos tomar consciência
disso, porque Deus não ouvirá as nossas orações se tivermos o coração cheio de
desejos egoístas. Nossas orações se tornarão poderosas quando permitirmos que Deus
mude nossos desejos para que correspondam perfeitamente à vontade dEle para a
nossa vida(1João 3:21,22).
Quantos estragos temos feito em nossa própria vida, por orações centralizadas em nós
mesmos?
E quantos benefícios a outras pessoas deixamos de proporcionar por nem pensarmos
neles em nossas orações? Após conhecer o Senhor mais profundamente, Jó intercedeu
por seus amigos (Jó 42.10). Experimente orar mais pelos outros do que por si.
As escrituras nos dizem que Deus aceita somente as orações dos justos (Sl 34:13-15;
66:18,19), daqueles que o invocam em verdade(Sl 145:18), dos genuinamente
arrependidos e humildes(Lc 18:14) e daqueles que pedem segundo a sua
vontade(1João 5:14).
2. Orações por posição social (Mt 20.17-28). É um tremendo erro orar por posição
social tal como reconhecimento humano, honras, glórias, poder, dinheiro, para
satisfazer a natureza hedonista do ser humano. Esse tipo de oração, considerada
egoísta, certamente, Deus não atenderá. Vemos um exemplo clássico na Bíblia com a
Mãe de Tiago e João: “Então, se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com
seus filhos, adorando-o e fazendo-lhe um pedido. E ele diz-lhe: Que queres? Ela
respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem um à tua direita e outro à tua
esquerda, no teu Reino”(Mt 20:20,21). É claro que Jesus não acatou esse pedido, como
bem denota os versículos seguintes. Foi um pedido egoísta. É louvável da sua parte
que ela quisesse os filhos perto de Jesus, e que ela ainda esperasse seu futuro reino.
Mas ela não entendeu os princípios pelos quais as honras seriam conferidas no reino.
Jesus respondeu claramente que eles não entendiam o que estavam pedindo. Eles
queriam uma coroa sem uma cruz, um trono sem o altar de sacrifício, a glória sem o
sofrimento anterior. Então Ele lhes perguntou sem rodeios: “Podeis vós beber o cálice
que eu estou para beber?”. Ela não tinha consciência de que não existe posição melhor
do que ser um servo de Deus, que foi transportado do reino das trevas para o Reino do

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Filho do seu amor (Cl 1.13), e agora vive não mais para si mesmo, mas em e por Cristo
(Gl 2.19,20).
Observe que a mãe de Tiago e João adorou a Jesus antes do seu pedido. Ela adorou
Jesus, mas seu objetivo principal era obter algo dEle. Isso acontece muitas vezes em
nossas igrejas e em nossa vida. Desempenhamos atividades religiosas, esperando que
Deus nos dê alguma coisa em troca. Entretanto, a verdadeira adoração e louvor devem
ser dados a Cristo por quem Ele é, e por aquilo que Ele fez.
Diante daqueles que estão a pensar apenas nas coisas materiais, que se tornaram
materialistas, é imperioso que a Igreja mostre a sublimidade e a superioridade das
coisas espirituais. Neste particular, é necessário, indispensável que a Igreja seja a
primeira a dar o seu testemunho de que as “coisas de cima” são melhores e maiores
que as coisas desta terra. Paulo é taxativo ao afirmar que “…se já ressuscitastes com
Cristo, buscais as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de
Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra, porque já estais
mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” (Cl 3:1-3). Entretanto,
como podemos querer que o mundo se liberte do materialismo, se temos, enquanto
Igreja, igualmente dado prioridade às coisas da terra? Como podemos querer que o
mundo se liberte do materialismo, se nossas preocupações estão única e
exclusivamente nesta terra?
Como podemos denunciar o materialismo, se nossos púlpitos apenas falam de
“prosperidade material”, se os crentes querem apenas melhores salários, empregos
(os mais modestos, pois a maioria quer, mesmo, é se tornar grandes empresários…) e
bem-estar nesta vida? Como criticar a prática materialista dos nossos dias, se, nas
igrejas, o critério de crescimento no ministério é a arrecadação econômico-financeira,
se há uma preocupação em se formar grandes impérios empresariais da fé? Como
mostrar a necessidade de se desprender do “ter” se alguns têm associado avivamento
espiritual com o surgimento de megatemplos que fazem os grandes estádios e ginásios
do mundo parecer miniaturas?
A situação pós-moderna, o momento atual é tão triste e lamentável que chegamos à
constatação de que são muitos, hoje, os mais miseráveis de todos os homens em nossa
geração. Quem são os mais miseráveis de todos os homens? Responde-nos o apóstolo
Paulo: “ Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os
homens” (1Co 15:19).
Não é possível que a Igreja responda ao materialismo dos dias atuais sem antes se
libertar do seu próprio materialismo que a tem prendido e a tem impedido de ter uma
pregação poderosa e impactante quanto a da igreja primitiva. Sem que arquivemos e
desmascaremos a “teologia da prosperidade”, de forma alguma poderemos estar à
frente desta reação contra o materialismo dos nossos dias.
Nossos dias são os dias da “igreja de Laodicéia”, a igreja que deu valor ao materialismo
e que, por isso, se achava suficiente e preparada só porque era rica, tinha se
enriquecido e de nada tinha falta (Ap 3:17), mal sabendo, porém, que, espiritualmente
falando, era praticamente um nada diante de Deus. É preciso voltarmos ao tempo em
que a igreja, embora não tivesse prata nem ouro, tinha o poder de Deus para fazer a
obra sobrenatural do Senhor (cf. At 3:6). Só aqueles que assim fizerem poderão
enfrentar o materialismo hodierno e, mesmo que tenha pouca força, serão vitoriosos,
pois são a “igreja de Filadélfia”, a igreja que será arrebatada por Jesus.
3. Orações hipócritas (Mt 6.5,6). “E, quando orares, não sejas como os hipócritas,
pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem
vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão”(v.5).
Aqui, Jesus adverte os discípulos contra a hipocrisia ao orar. Eles não deveriam se
posicionar propositalmente em áreas públicas de forma que os outros, vendo-os orar,
ficassem impressionados por suas devoções.
A hipocrisia foi condenada porque desvia o propósito da oração, que é a glória de Deus,
para a glória do ego, do eu. Alguns, especialmente os religiosos, queriam ser vistos
como santos, e a oração em público era um modo de chamarem a atenção para isso.
Porém Jesus enxergou a intenção deles de se promoverem e ensinou que a essência da
oração não é a justificação em público, mas a comunicação particular com Deus. Como
diz o pr. Eliezer de Lira: “É melhor ser sincero como um publicano, carente da

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misericórdia de Deus, do que um fariseu, cheio de justiça própria, pois aquele teve sua
oração atendida e este não (Lc 18.9-14)”.
Uma coisa é certa: A presunção, o fato de se considerar melhor que os outros faz parte
do jeito dos fariseus. Na parábola, do fariseu e do publicano, o fariseu conhecia muito
bem a maldade das outras pessoas, especialmente do publicano. Mas se estivermos
conscientes da nossa imperfeição no momento em que orarmos a Deus, então, como
Jesus disse, voltaremos "justificados" para nossa casa. "Quem a si mesmo se exaltar
será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado"(Mt 23.12).
Finalizo este item, fazendo a seguinte pergunta: Como comparecemos diante de Deus?
Com que mentalidade oramos? Como quem já sabe tudo e por isso só ora por
obrigação ou como alguém que está convicto de sua própria fraqueza e por isso busca
o Senhor com ardente desejo interior? Em um dos Salmos encontramos a oração:
"Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a
minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo" (Sl 42:1-2). Somos
pessoas que de fato têm sede e fome por um encontro com o Senhor ou estamos
contentes quando terminamos o nosso tempo diário de oração? Cada um de nós deve
dar uma resposta sincera a esta pergunta.
III. ORAÇÕES ATENDIDAS POR DEUS
Na Bíblia temos muitos exemplos de orações respondidas, uma vez que estavam em
harmonia com a vontade de Deus. Nesta aula citaremos apenas três.
1. A oração do rei Salomão (2Cr 1.7-12). “Naquela mesma noite, Deus apareceu a
Salomão e disse-lhe: Pede o que quiseres que eu te dê. E Salomão disse a Deus: Tu
usaste de grande beneficência com Davi, meu pai, e a mim me fizeste rei em seu
lugar. Agora, pois, ó SENHOR Deus, confirme-se a tua palavra, dada a Davi, meu pai;
porque tu me fizeste rei sobre um povo numeroso como o pó da terra. Dá-me, pois,
agora, sabedoria e conhecimento, para que possa sair e entrar perante este povo;
porque quem poderia julgar a este teu tão grande povo? Então, Deus disse a Salomão:
Porquanto houve isso no teu coração, e não pediste riquezas, fazenda ou honra, nem a
morte dos que te aborrecem, nem tampouco pediste muitos dias de vida, mas pediste
para ti sabedoria e conhecimento, para poderes julgar a meu povo, sobre o qual te pus
rei, sabedoria e conhecimento te são dados; e te darei riquezas, e fazenda, e honra,
qual nenhum rei antes de ti teve, e depois de ti tal não haverá”.
Eis aqui uma oração curta, porém sincera e sábia. Não há nenhuma denotação
egoística em suas palavras. Por isso, Deus atendeu a sua oração sem demora. O
pedido de Salomão provavelmente foi inspirado pela oração de que ele, como novo rei,
pudesse ter sabedoria e entendimento. A aparição do Senhor, em visão, deu a ele a
oportunidade de pedir o que quisesse, ou seja, ele tinha um “cheque em branco”(v.7),
no entanto, não teve desejos egoístas, pensou no reino de Israel e no seu povo. Aqui
está o princípio hebraico de que riquezas, fazenda e honra (v.12) seguem aquele que
faz a vontade de Deus. É claro que isso não era sempre verdade naquela época, nem o
é hoje em dia; mas o que era verdade então, e continua hoje, é que o homem que
obedece a Deus é sempre melhor do que o que o ignora. Salomão tornou-se o homem
mais sábio e rico do mundo de sua época (1Rs 4.29-34).
2. A oração do profeta Elias (1Rs 18.36-39). A oração que está dentro da vontade
de Deus, ou seja, aquela que O glorifica e O exalta, será respondida. Aqui, citamos
como exemplo, a oração que Elias fez no monte Carmelo diante dos profetas de Baal.
Conforme se observa no versículo 37, o único desejo de Elias era que o nome do
Senhor fosse reconhecido e aclamado no meio daquele povo.
Naquela época, Israel vivia uma verdadeira “apostasia nacional”, pois todo o país
estava se enveredando pelo culto a Baal. O próprio Deus diria a Elias, pouco depois,
que apenas sete mil pessoas não haviam dobrado seus joelhos a Baal nem o haviam
beijado, um número bem diminuto frente a uma população que deveria ser bem maior
(1Rs 19:18). Diante da apostasia reinante, Elias resolveu fazer um desafio ao povo de
Israel: o Deus verdadeiro deveria responder com fogo a aceitação do sacrifício que Lhe
fosse dado. No momento do desafio, os profetas de Baal e de Asera, num total de
oitocentos e cinquenta (1Rs.18:19), tentaram, durante toda a manhã, resposta de seus
deuses para o sacrifício, sem resultado.

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Elias, então, depois que havia deixado tempo suficiente para que Baal respondesse ao
sacrifício, oferece o seu diante de Deus. Como Deus não é Deus de confusão (1Co
14:33), reparou o altar, que estava quebrado, bem como pôs água abundante para que
não houvesse qualquer dúvida de que era Deus quem iria operar. Este cuidado do
profeta é um exemplo a seguirmos na atualidade: a operação de Deus é algo de que
devemos ter certeza e convicção. Por isso, nada deve ser feito sem a devida
preparação espiritual, a devida santificação (o reparo do altar), como também tudo
deve ser feito às claras diante do povo, com transparência, decência e ordem (1Co
14:40). Quantos altares desmantelados na atualidade têm buscado o “fogo divino” e,
como Deus não opera em lugares assim, recorrem a subterfúgios, a astuciosos
estratagemas para impressionar o povo. Entretanto, não nos iludamos, Deus não é
Deus de confusão.
Mas, além de ter reparado o altar e não deixado margem a qualquer dúvida, Elias fez
uma oração. Ele não “determinou” coisa alguma a Deus, pois sua “determinação” é a
disposição firme de servir a Deus, não qualquer exigência que devesse ser feita, como
muitos iludidos atrevem-se a fazer em os nossos dias. Elias fez uma oração, um pedido
a Deus, reconhecendo a Sua soberania, o Seu senhorio. Relembrou ao povo, que o
escutava, que Deus era o Deus do pacto feito com os patriarcas, o Deus que havia
formado a nação de Israel e que ele, Elias, era tão somente um servo dEle. Mal acabou
a oração, o Senhor consumiu tudo com o fogo e o povo não teve mais dúvida alguma:
só o Senhor é Deus! (1Rs 18:36-39).
3. A oração de Davi (Sl 51.1-17). O salmo 51 é uma súplica, primeiramente, por
perdão, com uma confissão humilde de atos pecaminosos provenientes de uma
natureza pecaminosa como sua raiz amarga; e, depois, por renovação e santificação
através do Espírito Santo. Neste salmo, Davi reconhece a gravidade de seus erros e,
principalmente, por ter pecado contra o seu Deus. Em seguida, arrepende-se
profundamente e busca com lágrimas o perdão e a restauração divina. Davi tinha plena
certeza que alcançaria a misericórdia e benignidade de Deus se o buscasse com um
coração sincero e contrito.
Davi sentiu uma culpa profunda por sua conivência, mentira, adultério e, finalmente,
assassinato. Por trás dessas transgressões ele consegue enxergar a raiz e causa e ora
para que o Senhor o lave completamente da sua iniquidade e o purifique do seu
pecado (51:2). Ele não procura encobrir ou desculpar a profundidade da sua
necessidade. Embora outros tivessem sido tremendamente injustiçados, na essência
todo pecado é visto como sendo contra Deus, e Deus será o Juiz. A última parte do
versículo 4 pode ser corretamente entendida da seguinte forma: “Sim, tu és justo em
tua acusação e justa é a tua sentença”.
Todos que pecaram gravemente e que estão opressos por sentimento de culpa podem
obter o perdão, a purificação do pecado e a restauração diante de Deus, se O
buscarem conforme a natureza e a mensagem deste Salmo. A súplica de Davi, por
perdão e restauração, baseia-se na graça, misericórdia, benignidade e compaixão de
Deus(51:1), num coração verdadeiramente quebrantado e arrependido(51:17) e, em
sentido pleno, na morte vicária de Cristo pelos nossos pecados(1João 2:1,2).
Nenhum pecado é grande demais para Deus perdoar! Você sente que nunca poderia
aproximar-se do Senhor por ter feito algo terrível? Deus pode e quer perdoá-lo. Embora
Ele nos perdoe, nem sempre apaga as conseqüências de nossos pecados. A vida e a
família de Davi nunca mais foram as mesmas como resultado do que ele fez(ver
2Samuel 12:1-23).
CONCLUSÃO
Quando oramos exercitamos a nossa confiança no Deus da Providência, sabendo que
nada nos faltará, porque Ele é o nosso Pai. A oração tem sempre uma conotação de
submissão confiante. Portanto, orar ao Pai, significa sintonizar a nossa vontade com a
dEle; sabendo que Ele é santo e a Sua vontade também o é (Mt 6.9,10).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério
Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog:
http://luloure.blogspot.com

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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de Estudo das Profecias. O novo dicionário da Bíblia. Revista Ensinador Cristão –
CPAD nº 44. Guia do leitor da Bíblia. A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck.
Comentário Bíblico Beacon – CPAD. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento –
William Macdonald. Através da Bíblia – Lucas – John Vernon McGee.

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