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ESCALAS DE DISTRIBUIÇÃO DE PESSOAL DE ENFERMAGEM

A distribuição de pessoal de enfermagem para a efetivação da assistência de


enfermagem é uma atividade complexa.

Dispende tempo e requer da parte de quem a faz:


• Conhecimentos relativos às necessidades da clientela;
•Dinâmica da unidade;
•Características da equipe de enfermagem;
Leis trabalhistas.
Baseada nesses aspectos, a distribuição de pessoal deverá ser feita de forma
racional para assegurar que a assistência de enfermagem seja prestada à
clientela da melhor forma possível.
Nos serviços de enfermagem, a distribuição de pessoal é feita sob a forma de
escala mensal, de escala diária e de escala de férias.

Escala M ensal
escala de pessoal e de escala de folgas
Refere-se à distribuição dos elementos da equipe de enfermagem de uma unidade,
durante todos os dias do mês, segundo os turnos de trabalho (manhã, tarde e
noite).
É onde são registradas as folgas, férias e licenças dos elementos da equipe.
As folgas devem ser planejadas de forma a garantir número suficiente de cada
categoria (enfermeiro, técnico, e auxiliar) na assistência de enfermagem
prestada durante 24 horas do dia.
Frequentemente, compete a enfermeira chefe da unidade a elaboração da escala
mensal, porém essa atividade poderá ser delegada a outro elemento da equipe
de enfermagem, após orientação quanto aos critérios que embasam a
elaboração.
A enfermeira chefe deverá, entretanto, supervisionar a confecção da mesma.
Apesar de não termos conhecimento, em nossa realidade, da utilização rotineira de
programas de computador para a elaboração da escala mensal, sabe-se que
alguns países vem adotando esse sistema.
Cabendo a enfermeira chefe da unidade a análise e a escolha das alternativas
propostas pelo computador que melhor atendam às necessidades da unidade.

Pontos a serem considerados na elaboração da escala mensal


Conhecimento das Leis Trabalhistas que subsidiam a elaboração da escala. O
funcionário pode trabalhar até 8 horas diárias e 44 horas semanais.
A jornada de trabalho pode chegar, no máximo a 10 horas diárias. Essas horas a mais
podem ser a título de horas extras ou compensação de horário semanal.
O funcionário tem direito a, no mínimo, 1 dia (24 horas) de descanso por semana,
remunerado e preferencialmente no domingo, exceto quando a atividade
profissional exija trabalho aos domingos.
Nesse caso, o funcionário terá direito a pelo menos 1 domingo a cada 7 semanas. No
caso de mulheres, deve haver um descanso dominical a cada 11 dias. Além das
folgas a que o funcionário tem direito de acordo com a duração semanal do
trabalho.
Devem ser incluídas também as folgas referentes aos feriados civis e religiosos. Entre
uma jornada de trabalho e outra, deve haver um intervalo mínimo de 11 horas
consecutivas.
No regime de revezamento, as horas trabalhadas em seguida ao repouso semanal de
24 horas, com prejuízo de intervalo mínimo de 11 horas para descanso entre
jornadas, devem ser remuneradas como extraordinárias.
O trabalho noturno corresponde ao trabalho das 22h às 5h. A hora noturna equivale a
52 minutos e 30 segundos. Portanto, 7 horas noturnas = 8 horas diurnas.
A mulher tem direito, durante a jornada de trabalho, a 2 descansos especiais, de
meia hora cada um para amamentar o próprio filho, até que este complete 6
meses de idade. Esse tempo pode se estender, a critério da autoridade
competente, quando a saúde do filho exigir.
É obrigatória a concessão de um intervalo de no mínimo 1 hora e de no máximo 2
horas, para repouso ou alimentação, em trabalho contínuo, cuja jornada exceda
a 6 horas.
Para trabalhos cuja jornada exceda 4 horas e não ultrapasse a 6 horas, é obrigatório
um intervalo de 15 minutos. Os intervalos de descanso não são computados na
jornada de trabalho.

Condições em que a ausência do funcionário não é considerada falta ao serviço, não


havendo, portanto, prejuízo do salário:
Até 15 dias, em caso de doença devidamente comprovada, ou seja, mediante
atestado fornecido por médico da instituição de previdência social a que estiver
filiado o empregado. Até 2 dias consecutivos, em caso de falecimento do
cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou pessoa que, declara em sua
Carteira de Trabalho e Previdência Social, viva sob sua dependência econômica.
No período de tempo em que tiver de cumprir as exigências do serviço
militar;Durante a suspensão preventiva para responder a inquérito
administrativo, ou prisão preventiva quando for impronunciado ou absolvido.
Quando o funcionário servir como testemunha, devidamente arrolada ou
convocada.Durante o período de licença à gestante, que corresponde a 120
dias.
Por 15 dias, como prorrogação da licença à gestante, mediante atestado médico,
quando a mãe amamenta e na instituição não tem creche.
Por 15 dias, em caso de aborto não-criminoso.Se a falta ao trabalho estiver
fundamentada na lei sobre acidente de trabalho. Conhecimento do regulamento
da instituição do regimento do serviço de enfermagem e das atribuições dos
elementos da equipe de enfermagem. Conhecimento da duração semanal de
trabalho do pessoal de enfermagem na instituição.
A duração semanal do trabalho do pessoal de enfermagem varia de acordo com a
instituição: 30 horas, 36 horas, 40 horas, 44 horas, 12X36 e 12x60, não
podendo exceder a 44 horas semanais. O número de folgas será de acordo com
a duração semanal de trabalho, mais as folgas correspondentes aos feriados do
mês. Conhecimento das características da clientela, da dinâmica da unidade e
da equipe de enfermagem.

O enfermeiro deverá conhecer as necessidades de assistência de enfermagem da


clientela e a dinâmica da unidade, para poder suprir as necessidades de
pessoal, equilibrar as férias e folgas, considerando ainda as eventuais licenças
que possam existir.
É necessário, também, que ele conheça as características pessoais de cada elemento
da equipe, para que os plantões sejam produtivos e dentro de um clima de
colaboração

Humanização na elaboração da escala.


A distribuição dos elementos da equipe nos turnos de trabalho deve ser planejada
por todos os membros da equipe de enfermagem, de modo a tentar atender às
necessidades pessoais de cada um, da melhor forma possível.
As exceções – Fixar um elemento em um determinado plantão por mais tempo que o
previsto, conceder horários especiais etc. – deverão ser decididas e assumidas
pela equipe. A colocação de uma folha ou caderno, para que os funcionários
registrem as solicitações dos dias do mês em que preferem ter suas folgas, com
as respectivas justificativas, ajuda o responsável pela elaboração da escala
mensal a distribuir as folgas de forma a satisfazer, na medida do possível, os
funcionários da unidadeQuando ocorrerem várias solicitações para um mesmo
dia, pode-se reunir os interessados, a fim de tentar chegar a um acordo
As alterações na escala mensal poderão ser feitas, segundo normas estabelecidas
pela equipe de enfermagem.
- A escala mensal deverá ficar em local visível e ser afixada em tempo hábil,
para que os funcionários possam programar suas atividades pessoais.

Recomendações para a elaboração da escala mensa


lColocar o nome completo e o cargo que ocupa.Usar código para escalonamento do
turno:
M (manhã)
T (tarde)
N (noturno)
F (folga)

Ressaltar na escala os domingos e feriados. Certificar-se do número de folgas


correspondentes ao mês, registrando o mesmo no rodapé da escala.Anotar, na
margem direita da escala, o número de folgas que, porventura, o funcionário
tenha em haver ou que esteja devendo, mediante consulta da escala anterior.
Evitar deixar folgas de um mês para outro, pois o acúmulo de folgas poderá
dificultar a elaboração das escalas mensais subsequentes. Verificar o dia da
última folga do mês anterior, para que não haja período maior do que 7 dias
consecutivos sem folga. Observar que o retorno do funcionário de férias incida
em dia útil.Consultar a escala anterior para verificar o último plantão noturno
em que o funcionário trabalhou no mês.
Verificar se há equilíbrio em número e qualificação profissional do pessoal nos
plantões Procurar distribuir as folgas em domingos e feriados de forma
equitativa entre os funcionários Determinação de um cronograma para
elaboração da escala
É importante que sejam estabelecidos os períodos a serem
seguidos na elaboração da escala mensal: Até que dia do mês os funcionários
poderão solicitar folgas;O período para elaboração da escala;
A data de entrega para chefia do serviço de enfermagem
A data em que a escala, aprovada pela chefia de enfermagem, deverá voltar
para a unidade, a fim de ser afixada.

Escala Diária
É também denominada de escala de atividades e de escala de serviço.
Objetivo é dividir as atividades de enfermagem, diariamente, de maneira
equitativa, entre os elementos da equipe de enfermagem,
a fim de garantir que a assistência de enfermagem seja prestada e de evitar
sobrecarga para alguns funcionários e ociosidade para outros.
Essa distribuição de tarefas pode ser feita com base no método de prestação de
cuidados utilizado na unidade. Esses métodos podem ser:
Método funcional: a distribuição do atendimento, de acordo com as tarefas, às
várias categorias do pessoal de enfermagem
- Método integral: a designação de um ou mais pacientes, a um técnico, que dará
todo o atendimento a esses pacientes, durante um turno de serviço.
Normalmente, só é utilizado em unidades de terapia intensiva.
- Método de trabalho em equipe: a designação de um grupo formado por alguns
elementos da equipe de enfermagem, para dar todo o atendimento durante um
turno de serviço.
A escala diária deve ser elaborada pela enfermeira responsável pelo plantão.
Na elaboração, ela deverá considerar o número e qualificação dos
elementos da equipe, a área física, o volume e complexidade dos cuidados a
cada paciente e o tipo de atividade a ser desenvolvida.
O uso de impresso específico para esse fim agiliza a elaboração da escala.
O enfermeiro deverá discutir com a equipe de enfermagem o rodízio nas
diferentes atividades, considerando as características da clientela, dos
elementos da equipe e as necessidades da unidade.
O planejamento das atividades diárias poderá ser feito para um período de tempo
maior de que 1 dia, como, por exemplo, 1 semana ou, até mesmo, 1 mês.
Nesse caso, é necessário que a escala seja revista e avaliada
diariamente, a fim de ser verificada a necessidade de possível alteração.

Escala de Férias
É também denominada de escala annual.
As férias devem ser distribuídas racionalmente, para o bom
andamento do serviço e satisfação do pessoal
A legislação trabalhista também reza sobre as férias:Após cada período de 12 meses
de vigência do contrato de trabalho, o funcionário terá direito a férias, na
seguinte proporção: .30 dias corridos, quando não houver faltado ao serviço
mais de 5 vezes.24 dias corridos, quando houver tido de 6 a 14 faltas.18 dias
corridos, quando houver 15 a 23 faltas.12 dias corridos, quando houver tido de
24 a 32 faltas.
- A concessão das férias será participada ao funcionário com antecedência de,
no mínimo, 30 dias.
- A época da concessão das férias será a que melhor atenda aos interesses do
empregador.
- É facultado ao empregado converter 1/3 do período de férias a que tiver
direito, em abono pecuniário, ou seja, o funcionário poderá trabalhar 1/3 do
período de férias, recebendo por esse período.
- As férias serão concedidas por ato do empregador em um só período, nos 12
meses subsequentes à data que o funcionário tiver adquirido o direito.
- Somente em casos excepcionais as férias serão concedidas em dois períodos,
um dos quais não poderá ser inferior a 10 dias corridos.
- Sempre que as férias forem concedidas após o prazo anteriormente citado, o
empregador pagará em dobro a respectiva remuneração.
- Aos menores de 18 anos e aos maiores de 50 anos de idade, as férias sempre
serão concedidas de uma só vez.
Os membros de uma mesma família que trabalham na mesma instituição terão
direito a gozar férias no mesmo período, se assim o desejarem e se disto não
resultar de prejuízo para o serviço.
O funcionário estudante, menor de 18 anos, terá direito a fazer coincidir suas férias
com as férias escolares.

Na cessação de contrato de trabalho, desde que o funcionário não tenha sido


demitido por justa causa, terá direito a remuneração relativa ao período
incompleto de férias, uma proporção 1/12 por mês de serviço.
Sugere-se que seja passada uma folha para que os funcionários possam colocar os
meses em que preferem gozar as suas férias, acompanhada da justificativa. Os
casos críticos deverão ser analisados junto aos envolvidos.
Sugere-se que seja passada uma folha para que os funcionários possam
colocar os meses em que preferem gozar as suas férias, acompanhada da
justificativa. Os casos críticos deverão ser analisados junto aos envolvidos.
É importante manter a informação sobre qual o período aquisitivo de férias do
funcionário (12 meses subsequentes à data em que o funcionário tiver
adquirido o direito) e qual o período das últimas férias tiradas,
evitando acúmulo de funcionários para tirarem férias na mesma época, bem
como o cansaço excessivo do funcionário por ficar muito tempo sem férias
A observância desses dados ajudam no rodízio a ser feito nos meses muito
concorridos para o gozo de férias.
É importante, também, além de conhecer a dinâmica da unidade, conhecer a
dinâmica da instituição, como, por exemplo, quais são os meses de maior
atividade na instituição, evitando assim que muitos elementos da equipe de
enfermagem gozem férias nesse período. Em suma, independendo do tipo de
distribuição de pessoal, representado pelas escalas mensal, de atividades e de
férias, é tarefa que deve ser feita de maneira a refletir um tratamento imparcial
e justo para todos os funcionários.