Da Fiança

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DA FIANÇA
Sumário: 32.1 – Considerações introdutórias. 32.2 – Conceito. 32.3 – Principais características jurídicas do contrato de fiança. 32.4 – Limitação ou não-limitação da fiança. 32.5 – Fiança prestada por um dos cônjuges sem o consentimento do outro. 32.6 Da escolha do fiador. 32.7 – Efeitos da fiança. 32.8 – Exoneração do fiador. 32.9 – Extinção da fiança.

32.1 CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS
“Não se pode responsabilizar o fiador por contrato renovado em ação de revisão de aluguéis para a qual não fora intimado, mesmo que tenha se obrigado até a entrega das chaves, pois o contrato de fiança, por ser benéfico, não admite interpretação extensiva” (in RT 772/181). Sendo a fiança forma de garantia do pagamento, é comum, no Tribunal, a decisão constante da ementa do acórdão destacado, não respondendo o fiador pelos acréscimos do aluguel, se não foi citado como litisconsorte na revisional. Aliás, a jurisprudência, de um modo geral, vem se firmando no sentido de não ser o fiador responsabilizado por obrigações resultantes de aditamento contratual sem sua anuência. Considerando que o fiador só responde pelo que declarou expressamente no instrumento da fiança, não se pode admitir a responsabilidade do
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Das Várias Espécies de Contrato fiador por encargos locatícios acrescidos ao pactuado originalmente. 818). sem a sua anuência. particularmente. contudo. é a garantia pessoal. há garantia real. para a própria coisa responder pela obrigação. na espécie. a satisfazer a obrigação. exceto nos casos de infidelidade do depositário e de dívida de alimentos. para o seu credor. ocasião em que o fiador. Portanto. submete o seu patrimônio penhorável ao inadimplemento do seu afiançado. notória a sua ilegitimidade passiva para a ação que executa título judicial emanado daquela ação revisora do locativo” (in RT 774/201). sendo. estes ficam sujeitos à execução forçada devido ao princípio existente de que o patrimônio do devedor responde pelo cumprimento de suas obrigações. portanto. Como regra geral. Não tendo o fiador integrado na ação revisional. esta será resolvida em favor do fiador. chamada fidejussória ou fiança. não pode ser demandado pelos valores que por ela foram acrescidos ao antes contratado. por isso. Quando o devedor fornece um bem. dessarte. Ela resulta do contrato. de todo irrelevante a previsão de responsabilização até a entrega das chaves. “é o contrato pelo qual uma pessoa se obriga por outra. pelo próprio devedor ou por terceiro. uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo devedor. Quando houver dúvida. o seguinte aresto: “Na ação revisional. terceira pessoa. pode ser oferecida. impõe-se a regular citação do fiador para integrar a lide no pólo passivo. que se responsabiliza pela dívida. Fiança. Confira-se. Essa garantia do cumprimento da obrigação. art. o contrato de fiança deve ser interpretado restritivamente. Quando a garantia é oferecida por terceira pessoa. “Pelo contrato de fiança. A fiança é uma garantia pessoal. 32. a responsabilidade do devedor pela sua dívida é de natureza patrimonial e ninguém pode ser preso por dívida. ainda.2 CONCEITO Se devo certa quantia a alguém e possuo bens penhoráveis. que compreende o penhor e a hipoteca. é o patrimônio do devedor que constitui a garantia de que honrará seus compromissos. caso o devedor não 380 . caso este não a cumpra” (CC. móvel ou imóvel.

oportuno transcrever o seguinte julgado: “Pintura externa e interna do prédio locado só se exige do inquilino e. A fiança. assumida pelo devedor.. frente ao afiançado. se demonstrado o mau uso. a fiança é um contrato de garantia. 265. o que acontece com a fiança é um reforço de uma outra obrigação da mesma natureza da originária. se na época da execução da dívida. p. o fiador não possuir bem algum. entretanto. exceto se o fiador desejar. pois. 276 José Lopes de Oliveira. porque o devedor não vincula um bem ao pagamento da dívida. impõe-se a presença de um fiador. 381 . Esta é um contrato de garantia real. A fiança visa dar maior garantia ao credor. pagar. quando aluga seu imóvel. os Srs. O que é óbvio. título que exprima obrigação líquida e certa. é costume impor uma cláusula inserida no contrato de locação dizendo o seguinte: “Assinam.. também.. e a acessória. contraída pelo fiador (terceiro). cit. Até então não detém.” (in RT 745/275). ob. é que todo senhorio... sendo uma garantia pessoal. perdurarão até a entrega real e efetiva das chaves do prédio locado”. Por isso. que não se presume. na qualidade de fiadores. solidariamente com o locatário por todas as obrigações exaradas neste contrato. subrogando então nos direitos do primitivo credor. como é a hipoteca. “O fiador só se torna credor do afiançado – decidiu o Tribunal – quando efetua o pagamento da dívida por aquele contraída. dos fiadores. o presente. Normalmente.. Vale dizer.276 Esse contrato se realiza entre o fiador e o credor do afiançado. o credor do seu afiançado nada receberá. conhecida como obrigação fidejussória.. tanto que. cuja responsabilidades. enquanto a fiança é um contrato de garantia fidejussória ou pessoal. sem benefício de ordem.Da Fiança a cumpra”. espontaneamente. por não envolver determinados bens. como principal pagadores. Em realidade. A título de exemplo. requisito legal ao deferimento do arresto” (in RT 767/293). o que em verdade garante a obrigação afiançada é o patrimônio do fiador e não um determinado bem imóvel ou móvel. a fiança é uma garantia pessoal ou fidejussória. quanto ao cumprimento da obrigação por parte do devedor. surgindo duas obrigações: a principal. deseja uma garantia para o recebimento do aluguel. Por essa razão.

Como contrato acessório. aquela a quem o fiador garante é o afiançado. pois subordina-se à existência de um contrato principal. não se obriga. principalmente pelos que forem ajustados amigavelmente entre credor e o principal devedor. . sua eficácia depende da validade da obrigação principal.diz o art. “A fiança dar-se-á por escrito. sempre. por aumentos. 819) do CC.Das Várias Espécies de Contrato A pessoa que assume a fiança tem o nome de fiador. ou seja. ou seja. a fiança deve ser interpretada de maneira restritiva. o destino do principal. a recíproca não é verdadeira. gratuito. pressupõe três pessoas distintas: o credor. Este fato fundamenta-se no princípio de que o acessório segue. o devedor-afiançado e o banco-fiador” (in RT 743/222). a) É unilateral porque gera obrigações somente para o fiador. c) É acessório. o fiador que se obriga até a entrega das chaves. Mas. “A fiança bancária. 382 . como toda fiança. Nesse diapasão. se a obrigação principal for nula. mas também pelas correções que no curso da locação forem autorizadas por lei. seu ato é puramente gratuito. o fiador só responde pelo que estiver expresso no instrumento de fiança. evidentemente. 1. há de responder não só pelo aluguel avençado. examine o seguinte julgado: “Nos termos do art. ou seja. art. a fiança não existe sem a obrigação principal. a fiança também será. desde que estejam convencionadas no respectivo contrato. Por exemplo. b) É gratuito porque o fiador não aufere nenhum benefício.3 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS JURÍDICAS DO CONTRATO DE FIANÇA O contrato de fiança desenrola-se entre o fiador e o credor do afiançado e é: unilateral. a nulidade da fiança não atinge o contrato principal. Sendo contrato de feição gratuita. razão pela qual é inadmissível a responsabilidade do fiador nos contratos de locação prorrogados sem a sua anuência. de tal modo que. acessório e solene. ainda que exista cláusula estendendo sua obrigação até a entrega das chaves” (in RT 789/196).483 (novo. 32. Caso contrário. deve sempre ser interpretado estritamente. 819 do CC – e não admite interpretação extensiva”.

despesas judiciais etc. o fiador não poderá dever mais do que o afiançado nem ter a sua situação mais onerosa do que a daquele. nada mais. 823 do CC dispõe a respeito. no contrato. ainda. na ação de despejo por falta de pagamento. in verbis: “Não sendo limitada. a fiança se diz limitada à fração da dívida indicada. 822 do CC. as indenizações decorrentes pela inexecução da obrigação.4 LIMITAÇÃO OU NÃO-LIMITAÇÃO DA FIANÇA A fiança pode ser limitada ou ilimitada. A propósito. pagamento a dívida ou apresentando defesa (in RT 434/2452). De outra feita. b) Ilimitada – Quando as partes no contrato não estabelecem restrições. a fiança compreenderá todos os acessórios da dívida principal. não respondem pela multa contratual” (in RT 460/165). desde a citação do fiador”. se o locador propõe ação de despejo por falta de pagamento e não manda notificar o fiador. não terá direito de cobrar deste as custas e os honorários da ação de despejo. poderia o fiador ter evitado a condenação. declaram a soma ou o limite da dívida garantida.Da Fiança d) É solene porque a fiança só existe por escrito. Não abrange os acessórios da obrigação. 819 acima transcrito. 32. Dizendo a lei que o fiador responde pelas despesas judiciais desde a citação. responde por elas quando tiver sido acionado juntamente com o devedor. O art. se tivesse participado da ação. inclusive as despesas judiciais. isto porque. a seguinte ementa de acórdão: “Se os fiadores não forem cientificados. abrangendo os juros moratórios. o Tribunal certa vez decidiu que. a) Limitada – Quando as partes. a fiança compreenderá todos os acessórios da dívida principal. movida contra o afiançado. É o que se extrai da dicção textual do art. dizendo textualmente o seguinte: “A fiança pode ser 383 . ipso facto. considerando que a fiança é acessório da obrigação principal. consoante mostra o art. multa. Veja.

ou for mais onerosa que ela. um cônjuge afiança e o outro simplesmente autoriza. para a sua validade.nenhum dos cônjuges pode.00. o fiador será responsável por esta quantia. Portanto. a fiança cingir-se-á a R$ 10. ou seja. Uma indagação: Se a pessoa casada afiançar sem o consentimento do outro cônjuge. pode prestar fiança. não valerá senão até ao limite da obrigação afiançada”. o ato é nulo ou anulável? Com efeito. exceto no regime da separação absoluta: III – Prestar fiança ou aval”. necessária é essa outorga. III. É o que se extrai da dicção textual do art. qualquer que seja o regime de bens. dos muitos assuntos considerados abertos à discussão. e ainda sem uma opinião doutrinária definitiva e aceita por 384 . e. é vedada a prestação de fiança sem a outorga conjugal. do CC. desde que capaz. in verbis: “.000. Não será demais reiterar que.00 e o afiançado pratica um desfalque no valor de R$ 5.00. mas não atingirá os bens próprios desse cônjuge. não valerá senão até o limite da obrigação. 1. Portanto.5 FIANÇA PRESTADA POR UM DOS CÔNJUGES SEM O CONSENTIMENTO DO OUTRO Qualquer pessoa. Contudo.000.000. o consentimento do cônjuge pode ser suprido judicialmente na hipótese de recusa injusta. Exemplificando: Se foi dada uma fiança no valor de R$ 10. exceto a pessoa casada que não poderá fazê-lo sem o consentimento do cônjuge. exceto o da separação absoluta. quando exceder o valor da dívida.000.Das Várias Espécies de Contrato de valor inferior ao da obrigação principal e contraída em condições menos onerosas. Ou seja.00. somente seus bens podem ser constrangidos. 32. Quando apenas um deles é fiador. O consentimento do cônjuge autorizando a fiança significa que não há fiança de ambos. Mas os cônjuges podem afiançar em conjunto...00 e o afiançado pratica um desfalque no valor de R$ 20.000. sem autorização do outro. a responsabilidade do fiador vai até onde ele se responsabilizou. Se foi dada uma fiança no valor de R$ 10.647.

6 DA ESCOLHA DO FIADOR Quando alguém houver de dar fiador. estava o da indagação acima. quando necessário (art. III. 279 Uxória = da mulher. o credor não pode ser obrigado a aceitá-lo se não for pessoa idônea. e não possua bens suficientes para cumprir a obrigação”. b) residência no município onde tenha de prestar fiança.649). havia o seguinte aresto: “A fiança prestada pelo marido sem anuência ou outorga uxória279. Saraiva. domiciliada no município onde tenha de prestar a fiança. 825 do CC. o que seria supérfluo se a lei a julgasse nula” (in RT 752/249). c/c o art. p. É o que se extrai da dicção textual do art. é absolutamente nula e não simplesmente anulável. n. praticamente sem discrepância. confira o seguinte julgado: “A falta de outorga uxória acarreta mera anulabilidade de fiança prestada em contrato de locação. a aceitação pelo credor. não suprida pelo juiz. 1. observava Lauro Laertes de Oliveira: “Hoje. mas anulação total do ato”. O Código Civil de 2. do CC estabelece prazo para a prescrição da ação de que pode se utilizar a mulher para anular a fiança. dependerá das seguintes condições: a) idoneidade moral e financeira. “A falta de autorização. 277 278 Dissentiu = discordou. Não ocorre apenas exclusão da meação do cônjuge que dissentiu277. Também já decidiu que a “fiança prestada sem outorga uxória é apenas anulável. 235 (antigo). 385 . 35. tornará anulável o ato praticado. por infração a preceito de natureza cogente previsto no Código Civil em seu art. c) possuir bens suficientes para desempenhar a obrigação.647). III. 1981. 32.16. São Paulo.Da Fiança todos. in verbis: “Quando alguém houver de oferecer fiador. não nula. os tribunais proclamam que a fiança prestada por pessoa casada sem o consentimento do outro cônjuge é nula integralmente. podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a anulação. Nesse particular. IV” (in RT 758/252). 145 (antigo). Da fiança. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal” (art. não podia ser ratificada ou prescrito o direito de sua anulabilidade” (in RT 803/266). pois o próprio art. pois se a fiança fosse nula.002 colocou um ponto final na questão.278 Em abono deste entendimento. 1. Nesse diapasão. Havia aqueles que entendiam ser nula a fiança prestado pelo marido sem o consentimento da esposa. 248 (antigo).

827 do CC dispõe. quando executado. deve o fiador nomear à penhora os bens do devedor principal. Como a fiança é um contrato benéfico. a respeito do assunto em tela. Parágrafo único. no mesmo Município ou Comarca. devidamente prevista pelo art. art. perfaçam o valor da dívida. O contrato que inclui cláusula declarando o fiador como principal pagador. não entre fiador e devedor. porque a fiança é contrato entre fiador e credor. de ver penhorados os bens do afiançado (devedor principal). bem como suficientes.7 EFEITOS DA FIANÇA Certo indivíduo afiança a importância de R$ 100. como geralmente acontece. a que se refere este artigo. sujeitos à execução. até que. O parágrafo único do art. na prática.000. in verbis: “Não aproveita este benefício ao fiador: 386 . a Cia. o fiador completará com os seus. sitos no mesmo município. a renúncia expressa ou tácita do benefício da ordem. Os bens do fiador ficarão. dizendo o seguinte: “O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir. livres e desembargados. 828 do CC. poderá o credor exigir que seja substituído” (CC. é chamado de benefício de ordem e. “O fiador que alegar o benefício de ordem. que sejam primeiro executados os bens do devedor”. o legislador procura proteger o fiador e o faz através do princípio do art. que assim diz: “O fiador. Sendo insuficientes os bens nomeados. 826). Industrial propõe ação executiva somente contra o fiador.00 para uma firma da capital do Estado de São Paulo. O direito do fiador. prefere somente o fiador. Poderia ter acionado somente o devedor ou ambos ao mesmo tempo. se os do devedor forem insuficientes à satisfação do direito do credor”. Vencida a dívida e não paga. poderá nomear à penhora bens livres e desembargados do devedor. desde que livres e desembargados. quantos bastem para solver o débito”. no entanto. até a contestação da lide. 32. com muita clareza. solidariamente responsável com o devedor. 595 do CPC. para se valer desse benefício. porém.Das Várias Espécies de Contrato “Se o fiador se tornar insolvente ou incapaz. onde se desenvolve a execução. Pode acontecer. é um caso de renúncia tácita. deve nomear bens do devedor. Contudo. com aqueles.

art. A tese encontra ressonância na jurisprudência: “O fiador não pode argüir o benefício de ordem.”. pois consoante princípio previsto pela primeira parte do art. o fiador terá direito à indenização por todas as perdas e danos que sofrer em conseqüência do inadimplemento do afiançado. 832 do CC esclarece a extensão do direito de regresso: “O devedor responde também perante o fiador por todas as perdas e danos que este pagar. que pagar a dívida. Por exemplo. II – se se obrigou como principal pagador. poderá executar o afiançado nos autos do mesmo processo”. “O fiador tem direito aos juros do desembolso pela taxa estipulada na obrigação principal. O fiador tem outros direitos contra o seu afiançado. art. 1.. que o direito regressivo alcança o reembolso completo de todo o dispêndio que o fiador tenha sofrido. por ocasião do contrato de locação. aos juros legais de mora” (CC. expressamente. O mesmo acontece no caso do devedor solidário. 833). deixa de ter esse caráter. será parte legítima ad causam e ad processum para responder à execução pela dívida deixada pelo seu afiançado. parcial ou totalmente.Da Fiança I – se ele o renunciou expressamente. renunciou ao mesmo e se obrigou como principal pagador ou devedor solidário nos termos do art. sem justa 387 .491 (novo. e pelos que sofrer em razão da fiança”. a dívida comum. não havendo taxa convencionada. após efetuar o pagamento da dívida. 1. 828). III – se o devedor for insolvente. ou devedor solidário. 595 do CPC. Renunciando o benefício de ordem que lhe retira a possibilidade de indicar à penhora os bens do devedor. que tem normalmente natureza acessória. se o credor inicia a execução somente contra o devedor e. mas poderá requerer o exercício do direito de regresso contra este.492 (novo. 827) do CC e no art.. a fiança. in verbis: “O fiador.. previsto no art. O art. 595 do CPC. ou falido”. consoante permite o parágrafo único do art. a fim de evitar a execução dos seus próprios bens. 275 do CC: “O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores. I e II. e. art. do CC” (in RT 765/274). Ao se utilizar do exercício do direito de regresso. Se o fiador se obrigou como principal pagador. Bem se está a ver. nos próprios autos. sustentando que a penhora deva incidir sobre os bens da devedora se.

art. evitar a solidariedade. declarando a reserva do benefício da divisão. se declaradamente não se reservarem o benefício de divisão” (CC. sem justa causa. o fiador tem 388 . por exemplo. quando este é acionado pelo credor. começa a retardar o andamento do processo. pode dar prosseguimento no feito. salvo o caso do mútuo feito a pessoa menor”. art. lhe couber no pagamento. Se a fiança for dada num mesmo ato por dois ou mais fiadores. O fiador pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais. demorar a execução iniciada contra o devedor. art. Analise o que dispõe o art. Os fiadores podem. passando a ser parte legítima no mesmo. Existem ainda muitas conseqüências derivadas da relação entre credor e fiador. 829). 837 do CC proclama tal princípio: “O fiador pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigação que competem ao devedor principal. como vimos no início deste capítulo. Assim. 32. 844. com essa declaração cada um responderá unicamente pela parte que.8 EXONERAÇÃO DO FIADOR Exonerar significa desobrigar. Se a fiança é prestada sem limitação de tempo. “Cada fiador pode fixar no contrato a parte da dívida que toma sob sua responsabilidade. 830). haverá solidariedade entre eles de tal maneira que o credor poderá cobrar de todos ou de um somente. o contrato de fiança também estará extinto. nulidade da fiança ou a existência da novação feita sem o seu consentimento. paga ou extinta por qualquer dos casos de extinção (CC. portanto. O art.º). Aliás. em proporção. está prescrita. alegando incapacidade para ser fiador. liberar-se de uma obrigação ou de um encargo. o fiador que tem interesse em exonerar-se da responsabilidade assumida. se não provierem simplesmente de incapacidade pessoal. poderá o fiador promover-lhe o andamento”. a alegação dessa exceção cabe também ao devedor principal. “A fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o compromisso de solidariedade entre elas. se a obrigação principal. 834 do CC: “Quando o credor. caso em que não será por mais obrigado” (CC.Das Várias Espécies de Contrato causa. § 1.

a majoração do locativo não prevista em cláusula específica do contrato e a mudança da periodicidade dos reajustes configuram novação. à sua revelia. Outro modo também comum de exonerar o fiador é a moratória concedida pelo credor ao devedor principal. prevista no art. pela ocorrência de novação” (in RT 779/283). I. mas não por escrito. Confira pelo seguinte aresto: “A fiança é contrato benéfico e não admite interpretação extensiva. enfim.Da Fiança o direito de exonerar-se da obrigação assumida sempre que lhe convier. sempre que lhe convier. onde a lei afirma o seguinte. ainda que o contrato de locação contenha cláusula estabelecendo que a garantia subsistirá até a restituição efetiva das chaves” (in RT 755/303). Outro modo comum de caracterizar a exoneração do fiador é pela novação objetiva. O que se deduz. 838. O que se deduz do artigo é que o fiador será responsável por todos os efeitos da fiança durante sessenta dias após a notificação do credor. o que se depreende do texto do art. o contrato acessório de fiança. 366 do mesmo diploma). 360. É. é admissível a exoneração da fiança. ainda. o credor conceder moratória ao devedor”. do CC. n. I. afetando. nos precisos termos do art. in verbis: O fiador poderá exonerar-se da fiança que tiver assinado sem limitação de tempo. exonerou-se da garantia prestada. exonerando o fiador da obrigação assumida. sem consentimento seu. Ou seja. é que a exoneração não se dá pela via judicial. 835 do CC. a ausência de anuência dos fiadores à prorrogação que se deu automaticamente. ficará desobrigado: I – se. eis que alteram o seu conteúdo. n. Se o contrato de locação previu que sua prorrogação só se daria por escrito. Essa transação realizada sem o consentimento do fiador. durante sessenta dias após a notificação do credor”. do CC: “O fiador. 389 . exonera-o da fiança. ainda que solidário. Basta apenas uma notificação ao credor do afiançado e aguardar sessenta dias. alheio à substituição da dívida (art. diretamente. O julgado que segue é bem esclarecedor: “Se a locação foi prorrogada por prazo indeterminado. ficando obrigado por todos os efeitos da fiança.

Sendo o contrato de fiança acessório. do devedor principal. extingue-se a garantia ou a fiança. III). in verbis: “O fiador. objeto diverso do que este era obrigado a dar. 838. desobriga o fiador dos encargos da fiança (CC. Se isto acontecer. por ato seu. 838. representando uma diminuição de garantia contra o seu afiançado. 390 . extingue-se também o da fiança.9 EXTINÇÃO DA FIANÇA Extinguir significa deixar de ser válido. impossibilita a sub-rogação do fiador nos direitos de garantia que iria possuir. 32. mas a responsabilidade da fiança se limita ao tempo decorrido até a morte do fiador. ficará desobrigado: II – se. mesmo que depois venha a perdê-lo. amigavelmente. É o que se extrai do art. 2. a responsabilidade dos herdeiros não pode ultrapassar as forças da herança e limita-se ao tempo decorrido até o dia da morte do fiador. ainda que solidário. do CC” (in RT 754/310). ficará o fiador desobrigado. II. Própria é a consulta ao art. 1. Com efeito. 3. está convicto de poder exercer os direitos e preferência que possui o credor caso venha a ser compelido a solver a obrigação. a fiança se extingue. extinguindo-se a fiança. do CC. A responsabilidade da fiança vai até a morte. por fato do credor. o fiador. 836 do CC: “A obrigação do fiador passa aos herdeiros. art. aceita. O exemplo dado pela doutrina refere-se a ter o credor. Se o credor. Se o credor abrir mão dessa hipoteca e o fiador vier a pagar a dívida. ex vi do art. extinguindo o contrato principal. 1. Morrendo o fiador.caracteriza a moratória. ao aceitar a fiança. Se o credor. não mais terá direito à hipoteca. além da fiança. e não pode ultrapassar as forças da herança”. também a hipoteca prestada pelo devedor. for impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências”. desobrigando o fiador se celebrada sem sua anuência.Das Várias Espécies de Contrato “A transação celebrada com a finalidade de parcelar o débito locatício – decidiu o tribunal .503. 4. em pagamento da dívida. I.

razão pela qual sua obrigação persiste. pois esta é movida contra o locatário. frente ao afiançado. então. a dação em pagamento. não terá o fiador revigorada a sua responsabilidade. caso um terceiro venha a reivindicar a propriedade do objeto dado em pagamento e vencer a demanda. possuidor de contrato escrito. requisito legal ao deferimento do arresto” – RT 767/293. 7. não é mera figurante necessária por força de outorga uxória. exceto em relação a paredes riscadas e danificadas por infiltração. dos fiadores.. ajuizar execução fundada em título executivo extrajudicial contra os fiadores que se comprometeram expressamente a garantir o total cumprimento da locação. verba que corresponde ao aluguel fixado na perícia” – RT 745/275. “Fiador responde pelo lucro cessante no período em que o imóvel.280 JURISPRUDÊNCIA 4. implicando exclusão das verbas a esse título orçada. Posteriormente. por conseqüência. cits. 1. dever de inquilino” – RT 745/275. fiador. “Pintura externa e interna do prédio locado só se exige do inquilino e. apenas. mesmo após a morte do cônjuge – RT 759/394. visto que os efeitos da evicção não o alcançam. No mesmo sentido: RT 755/281. título que exprima obrigação líquida e certa. Até então não detém. 8. e não solidariamente nos termos do art. contrato de fiança em garantia de locação. 9. independentemente da cientificação sobre a ação de despejo. “O fiador só se torna credor do afiançado quando efetua o pagamento da dívida por aquele contraída. 391 . 280 Ob. que não se presume. a responsabilidade daquela limita-se. ocorrendo a morte do marido. pois.493 do CC. e vol. “No contrato de fiança em que a mulher apenas concedeu a anuência em face da exigência de outorga uxória. até a data do infortúnio” – RT 756/195. por força da produção de prova. p. tendo como único objetivo a desocupação do imóvel por parte do inquilino inadimplente” – RT 774/208. 5. “Pode o locador. não pôde ser locado a terceiro. mas fiadora solidária. “A mulher que assina. juntamente com o marido.Da Fiança Deu-se. a fiança. sub-rogando então nos direitos do primitivo credor. que extingue a obrigação principal e. explica Levenhagen. estas sim. se demonstrado o mau uso. fruto de falta de conservação. 225. 6.

1. não pode ser invocada contra terceiros. razão pela qual a prorrogação do contrato de locação. 17. “A renúncia ao direito assegurado no art. sem a anuência do fiador. 1. 750/409. “Não tendo o fiador participado de acordo que fixou multa diária para desocupação do imóvel. restando ao sócio prejudicado voltar-se contra aquele que deixou de observar a restrição” – RT 750/309. “A fiança. ainda que pactuada e homologada em processo judicial do qual fora cientificado”. 12. eis que alteram o conteúdo do contrato de locação. podendo exonerar-se a qualquer tempo.500 do CC. por prazo indeterminado e incerto. o contrato acessório de fiança.RT 752/165. “Na execução por título judicial. “A fiança prestada por pessoa jurídica. diretamente. “A majoração do locativo não prevista em cláusula específica e a mudança da periodicidade dos reajustes configuram novação. tal estipulação equivale à garantia celebrada sem limitação de tempo. afetando.Das Várias Espécies de Contrato 10. do CPC)” – RT 805/314. quando esses já não integram mais o quadro social” – RT 749/332. 15. sendo irrelevante a existência de cláusula prevendo a obrigação até a efetiva entrega das chaves” – RT 807/216. No mesmo sentido: RT 789/196. 14. circunstância que autoriza o fiador a postular sua exoneração com base no art. No mesmo sentido: RT 756/274. por ela não pode ser responsabilizado. i. pois sujeito passivo da execução deve ser o devedor reconhecido como tal no título executivo (ART. o fiador só poderá ser executado se tiver sido citado e condenado na fase de conhecimento. não pode obrigá-lo. por ser contrato benéfico e gratuito. ainda que o contrato tenha sido firmado por prazo indeterminado. 11. 16. Não se pode falar em obrigação perpétua do fiador. 13. não obstante o contrato conter cláusula de irrenunciabilidade” – RT 757/232. deve ser interpretada restritivamente. A novação sem o consentimento do fiador o exonera da obrigação assumida” – RT 746/194. por tempo indeterminado. 755/303.500 do CC é irrelevante àquele que presta fiança a sociedade jurídica em função dos sócios. 568. se não foi dada a sua anuência expressa” – RT 808/419. “Sendo a fiança convencionada até a entrega das chaves. 392 . “O fiador não pode ser responsabilizado por prorrogação do contrato por prazo determinado de que foi garantidor. embora havendo cláusula expressa no contrato social proibindo a utilização da denominação social da empresa para negócios estranhos aos objetivos sociais. contra a sua vontade.

diante da inaplicabilidade da regra do art. 219 do CPC. aumentando. 22. Nada impede a citação dos fiadores obrigados ao pagamento em virtude da solidariedade voluntária. por meliantes que. “Nos termos dos arts. sob pena de infligir-se a um só valor expressivo. proporcionando a agilização da prestação jurisdicional e a preconizada economia processual. entre o fiador e a locadora. a responsabilidade deste se limita ao que foi pactuado no contrato original” – RT 780/390. 19. prorrogável apenas por escrito.500 (novo. quando se exige do possuidor indireto seja resguardada a propriedade contra terceiros” – RT 790/320. os prejuízos decorrentes do mau uso da propriedade. diante do indigitado insucesso no resultado buscado. 23. em razão do abandono. desistindo da faculdade de pedir exoneração da fiança e do benefício de ordem. depredam-no. 655 do Estatuto Processual” – RT 793/282. a execução. 20. 393 . em virtude da obrigação firmada no contrato locatício. ainda mais.Da Fiança 18. 591 e 646 do CPC. A invasão do imóvel locado. prosseguirá a ação pela cobrança do locativo. tendo em vista não se tratar de mera exoneração. “Se houve acordo entre locador e locatário para majorar o aluguel em valores superiores aos reajustes legais. por serem devedores solidários. sem intervenção do fiador. “Ainda que se trate de contrato de locação por tempo determinado. com base no art. em detrimento dos fiadores. assumindo solidariamente com o locatário a obrigação até a efetiva desocupação do imóvel” – RT 786/329. 21. quando já de conhecimento da locadora do seu estado de abandono. com a citação. deferida à locador. faz dividir a responsabilidade pelos danos causados. 1. “Subsiste até a entrega das chaves ou até a imissão na posse do prédio locado. o não atendimento de tal condição não tem condão de desonerar o fiador da garantia prestada. patrimonialmente. a responsabilidade do fiador pelos danos ocasionados no imóvel. mas sim de infração contratual” – RT 804/265. se isto inocorrer. se o garante se comprometeu por tempo indeterminado. pois trata-se de repasse de garantia de terceiro não contemplada no rol do art. razão pela qual não é possível a indicação à penhora de fiança bancária. o devedor responde com os seus bens presentes e futuros para garantir. 835) do CC. sendo a cumulação dos pedidos dirigida apenas ao inquilino” – RT 387/368. art. “É possível a extinção do contrato de fiança em locação se ficar evidenciado o abuso decorrente de protecionismo da credora em favor de devedora. pondo termo final nas obrigações dos fiadores. “Os fiadores têm legitimidade passiva para a ação de despejo por falta de pagamento cumulada com a cobrança de aluguéis porque também podem emendar a mora e.

inexistente a autorização marital ou a ratificação dela. pelo que anulável” – RT 816/260. independentemente do aspecto socioeconômico do fiador” – RT 816/280. Se o contrato de locação previu que sua prorrogação só se daria por escrito. Dessa forma. 31. 394 . a exoneração dos fiadores” – RT 813 /311. 1. exonerou-se da garantia prestada. “A Lei 8. declarando-se solteira.003 e 1. se a demanda for cumulada com cobrança de aluguéis e acessórios da locação. pela ocorrência de novação” – RT 779/283. de sorte que não podem ser computados no cálculo dos valores devidos débitos relativos a conta de telefones não quitadas.245/91 não exige que o fiador seja citado para a ação de despejo por falta de pagamento de aluguel movida contra o seu afiançado. 29. 26. 25. a ausência da anuência dos fiadores à prorrogação que se deu automaticamente. 27. “A fiança prestada sem outorga uxória só produz efeito em relação à meação de quem aprestou. do qual não participou a fiadora” – RT 816/278. por conseqüência. tem-se o garante como parte legítima para figurar no pólo passivo da lide” – RT 778/314. deve ser interpretada restritivamente. não é da responsabilidade do fiador o adimplemento de débitos referentes ao período de prorrogação da locação. por ser garantia prestada de forma gratuita.009/90). “A inobservância da forma na prorrogação do contrato de locação acarreta.Das Várias Espécies de Contrato 24. “A fiança. No mesmo sentido: RT 810/196. no entanto. mas não por escrito. VII do art. à qual não anuiu.006 do CC(de 1916)” – RT 812/167. “É penhorável o imóvel considerado bem de família por débito gerado por contrato de fiança (inc. o mesmo ocorrendo com o aluguel da garagem. está eivada de nulidade relativa. conforme o disposto na regra dos arts. 30. 28. “A fiança é contrato benéfico e não admite interpretação extensiva. pactuado posteriormente. excluída a de outro cônjuge” – RT 810/284. porque não previsto o ônus no contrato assinado pela garante. 3º da Lei 8. “A obrigação decorrente da fiança se restringe ao prazo determinado no contrato de locação. “Fiança prestada pela esposa. por contrato separado.

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