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Música clássica

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Música clássica, música de concerto ou
música erudita é o nome dado à principal
variedade de música produzida ou enraizada nas
tradições da música secular e litúrgica ocidental.
Abrange um período amplo que vai
aproximadamente do século IX até o presente e[1]

segue cânones preestabelecidos no decorrer da


história da música. Apesar do nome que remete a
algo do 'passado' ou 'antigo', esta variedade de
música é escrita também nos dias de hoje, através
de compositores do século XXI que criam obras
inéditas, originais e atuais.

Alguns estudiosos definem a música de concerto


como aquela que se baseia principalmente na
clareza, no equilíbrio, na objetividade da estrutura
formal, em lugar do sentimentalismo exagerado
ou da falta de limites de linguagem musical. Já
segundo o Dicionário Grove de Música, este tipo
Montagem de grandes compositores de música
de música seria fruto da erudição e do estudo clássica. Em ordem cronológica, da esquerda para
formal e não apenas das práticas folclóricas e a direita:
populares.[2] Esta última definição porém é Alto - Antonio Vivaldi, Johann Sebastian Bach,
controversa ao não observar a existência de Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van
gêneros musicais normalmente associados à Beethoven;
segunda fila - Franz Schubert, Frédéric Chopin,
música popular e que simultaneamente são fruto
Richard Wagner, Pyotr Ilyich Tchaikovsky;
do estudo. Dessa forma, a linha que separa a
terceira fila - Johannes Brahms, Antonín Dvořák,
chamada música erudita da música popular seria Igor Stravinsky, Dimitri Shostakovich;
muito frágil, e nunca houve de fato um consenso Última fila - Béla Bartók, George Gershwin, Heitor
de onde estaria o ponto em que ocorreria uma Villa-Lobos, Krzysztof Penderecki
suposta separação. Segundo grandes estudiosos
da música e de teoria musical, o termo que melhor representa MENU
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a música dos grandes compositores é música de concerto, o
Obra de Stravinsky, 'O pássaro de
que demonstra a impossibilidade de classificá-la, pois como
fogo'
afirma Ênio Squeff, "Beethoven não tem nada de erudito, nem
Villa-Lobos. A música de concerto é aquela inclassificável. É a
gênese da atividade musical".[3]

Basicamente, a música ocidental distingue-se de outras formas de música por seu sistema de
notação em partituras, em uso desde o século XVI.[4] O sistema ocidental de partituras é utilizado
pelos compositores para prescrever, a quem executa a obra, a altura, a velocidade, a métrica, o
ritmo e a exata maneira de se executar uma peça musical. Isto deixa menos espaço para práticas
como a improvisação e a ornamentação ad libitum, que são ouvidas frequentemente em músicas
não europeias (ver música clássica da Índia e música tradicional japonesa) e populares.[5][6] O
gosto do público pela apreciação da música formal deste gênero vem entrando em declínio desde o
fim do século XX, marcadamente nos países anglófonos.[7] Este período viu a música clássica ficar
para trás do imenso sucesso comercial da música popular, embora o número de CDs vendidos não
seja o único indicador da popularidade do gênero.[8]

O termo "música clássica" abrange uma série de estilos musicais, desde intricadas técnicas
composicionais (como a fuga)[9] até simples entretenimento (operetas).[10] O termo só apareceu
originalmente no início do século XIX, numa tentativa de se "canonizar" o período que vai de Bach
até Beethoven como uma era de ouro.[11] Na língua inglesa, a primeira referência ao termo foi
registrada pelo Oxford English Dictionary, em cerca de 1836.[1][12] Hoje em dia, o termo "clássico"
aplica-se aos dois usos: "música clássica" no sentido que alude à música escrita "modelar,"
"exemplar," ou seja, "de mais alta qualidade", e, stricto sensu, para se referir à música do
classicismo, que abrange o final do século XVIII e parte do século XIX.

Índice
Características
Instrumentação
Forma e técnicas de execução
Complexidade
Sociedade
A atmosfera dos concertos
Interpretação das obras
História
Origem
Período antigo
Período da prática comum
Período barroco
Período clássico
Período romântico
Períodos moderno e contemporâneo
Relacionamento com a música popular
Papel da música erudita na educação
Referências
Bibliografia
Ver também
Termos associados
Gêneros musicais associados
Ligações externas

Características
Devido à grande diversidade de formas, estilos, gêneros e períodos históricos que geralmente são
descritos pelo termo "música clássica", é uma tarefa complexa listar características que possam ser
atribuídas a todas as obras deste tipo de música. Existem, no entanto, características que a música
clássica tem e que poucos (ou até mesmo nenhum outro) tipos de músicas apresentam.

Instrumentação
A música clássica frequentemente se distingue pelo
amplo uso que faz de instrumentos musicais de
diferentes timbres e tonalidades, criando um som
profundo e rico. Os diferentes movimentos da
música clássica foram afetados principalmente
pela invenção e modificação destes instrumentos
ao longo do tempo. Embora a música clássica não
tenha um "conjunto" de instrumentos necessários Orquestra Sinfônica de Porto Alegre em concerto
para que certos padrões de sua execução sejam na UFRGS
preenchidos, os compositores escrevem suas obras
tendo em mente diferentes conjuntos
instrumentais:

orquestras: Uma orquestra composta por todas as famílias instrumentais acústicas: as cordas
(violino, viola, violoncelo e contrabaixo), as madeiras (flauta, oboé, clarineta, fagote,etc.), os
metais (trompete, trompa, trombone, tuba) e a percussão (tímpano, gongo, xilofone etc.).
Saxofone e violão eventualmente também participam de uma orquestra, além de pianos,
órgãos e celestas.[13] Para as orquestras são escritas as sinfonias. Quando se destaca um
instrumento da orquestra que será a voz principal, para o qual a melodia foi composta, trata-
se de um concerto.Mesmo destacando-se um instrumento ou conjunto de instrumentos nos
concertos, a orquestra toda pode estar presente. As orquestras também realizam os
acompanhamentos das óperas, que são compostas para a voz humana. A voz pode ser
classificada da mesma maneira que os instrumentos, observando-se a extensão de notas
alcançada por ela. As vozes mais agudas são chamadas "soprano", as vozes mais graves são
os "baixo", que alcançam as notas mais graves.[13]
Os instrumentos usados na música clássica foram, em grande parte, inventados antes de meados
do século XIX (frequentemente muito antes disso), e seu uso foi codificado nos séculos XVII e
XIX; consistem de todos os instrumentos tipicamente encontrados numa orquestra, acrescidos de
outros como o piano, o cravo e o órgão.

Conjunto de sopros: Formada pelos sopros de metal


orquestra de câmara: Formada predominantemente por instrumentos de corda, podendo ter
em algumas formações a presença de alguns sopros de madeira.[14]

Instrumentos elétricos: Alguns instrumentos elétricos como a guitarra aparecem


ocasionalmente na música clássica dos séculos XX e XXI. Tanto músicos clássicos como
populares experimentaram, nas últimas décadas o uso de instrumentos eletrônicos, o
sintetizador, técnicas elétricas e digitais como o uso de samplers e efeitos gerados por
computadores, além de instrumentos pertencentes a outras culturas, como o gamelão.
Nenhum dos instrumentos categorizados como baixo existiam até o Renascimento. Na música
medieval os instrumentos dividiam-se em duas categorias: instrumentos de volume mais alto,
utilizados ao ar livre ou em igrejas, e os instrumentos mais silenciosos, usados internamente.
Diversos dos instrumentos associados hoje em dia com a música popular costumavam ter um
papel importante na música clássica arcaica, tais como gaitas de fole, vihuelas, hurdy-gurdies e
algumas madeiras. Por outro lado, instrumentos como o violão, que eram associados
principalmente à música popular, ganharam destaque na música clássica ao longo dos séculos XIX
e XX.
Embora o temperamento igual tenha passado gradualmente a ser aceito como o temperamento
dominante durante o século XIX, diferentes temperamentos foram usados, historicamente, nas
músicas dos períodos mais arcaicos.[15][16] Por exemplo, a música do Renascimento Inglês
frequentemente é executada no temperamento mesotônico. Os instrumentos de teclado quase
todos partilham a mesma disposição das teclas (chamado frequentemente de 'teclado de piano'),
embora sejam quase sempre tocados com técnicas diferentes de acordo com cada instrumento.

Forma e técnicas de execução


Enquanto a maior parte dos estilos de música popular utilize o formato de canções, a música
clássica utiliza outras formas como o concerto, a sinfonia, a ópera, a música de dança, a suíte, o
estudo, o poema sinfônico, entre outros.

Os compositores clássicos frequentemente aspiram instilar em sua obra um complexa relação


entre seu conteúdo afetivo (emocional) e os meios intelectuais usados para obter este conteúdo.
Muitas das obras mais apreciadas da música clássica utilizam o desenvolvimento musical,
processo pelo qual um motivo ou ideia musical é repetido em diferentes contextos, ou em formatos
e formas alterados. Os gêneros clássicos como a forma sonata e a fuga empregam formas rigorosas
de desenvolvimento musical.

O desejo da parte dos compositores da música clássica de obter grandes feitos técnicos ao compor
sua música, partilhado pelos músicos do estilo, que se deparam com metas similares de domínio
técnico, é demonstrado pela quantidade proporcionalmente alta de tempo que dedicam a instrução
e estudo, comparado aos músicos "populares", e pelo grande número de escolas secundárias,
incluindo conservatórios, dedicados ao estudo e ensino da música clássica. O único outro gênero
de música, no Ocidente, que apresenta oportunidades comparáveis de educação secundária é o
jazz.

Complexidade
A performance do repertório de música clássica frequentemente exige um nível significativo de
domínio técnico por parte do músico; a proficiência na leitura à primeira vista e na execução em
conjunto, a compreensão minuciosa dos princípios tonais e harmônicos, o conhecimento da
prática de performance e uma familiaridade com o idioma estilístico e musical inerente a
determinado período, compositor e obra musical estão entre as aptidões mais essenciais para um
músico com treinamento clássico. Obras do repertório clássico frequentemente exibem uma
complexidade artística através do uso do desenvolvimento temático, do fraseado, da modulação,
dos períodos, seções e movimentos. A análise musical de uma composição tem como meta atingir
uma maior compreensão desta obra, levando a uma audição mais plena de significado, e com
maior apreciação, do estilo de um compositor.

Sociedade
Muitas vezes tida como opulenta ou representante de uma sociedade refinada, a música clássica
geralmente é vista como pouco popular com a sociedade proletária, esta visão porém pode ser
equivocada visto que até mesmo no período clássico, as óperas bufas de Mozart, como Così fan
tutte, ou as óperas de Verdi no século XIX eram muito populares entre as camadas menos
favorecidas da sociedade. Nos dias de hoje, a tradicional percepção de que apenas as classes mais
abastadas têm acesso e apreciam a música clássica, ou até mesmo que a música clássica representa
esta sociedade de classes altas, é cada vez mais vista como incorreta, visto que diversos dos
músicos clássicos em atividade têm origem na classe média,[17]
um músico de uma orquestra sinfônica não faz
necessariamente da música de concerto o seu único campo de
trabalho, muitos trabalham simultaneamente com música
popular, seja em gravações de discos de artistas populares,
bandas ou até mesmo blocos de carnaval, principalmente no
caso dos músicos dos naipes de sopros e percussão.[18]
Frequentadores de concertos e compradores de CDs do gênero
não pertencem necessariamente às classes mais altas.

A música clássica é também frequentemente utilizada na


cultura pop como música de fundo para filmes, programas de
televisão e anúncios publicitários; como resultado disto, a
maior parte das pessoas no Ocidente regularmente - muitas
vezes de maneira desavisada - escuta peças de música clássica.
Pode-se, assim, argumentar que os níveis relativamente baixos
de vendagem das gravações de música clássica não são um
bom indicador de sua popularidade real. Em tempos mais
recentes a associação de certas peças clássicas com alguns
eventos relevantes levou a breves aumentos no interesse por
determinados gêneros clássicos. Um bom exemplo disto foi a
O brasileiro Heitor Villa-Lobos,
escolha da ária "Nessun dorma", da ópera Turandot, de
amplamente considerado o maior
Giacomo Puccini, como música-tema da Copa do Mundo de compositor das américas e um dos
1990, o que levou a um notável aumento no interesse popular maiores de todos os tempos.
pela ópera e, em particular, pelas árias cantadas por tenores, o
que eventualmente levou aos concertos e álbuns de grande
sucesso dos Três Tenores.

A atmosfera dos concertos


Para nós, hoje acostumados com uma atmosfera solene e
silenciosa nos concertos, é difícil acreditar que nos teatros
italianos dos séculos XVII e XVIII, a plateia assistia às
óperas e concertos em verdadeiro caos, conversando, se
provocando e até mesmo jantando durante as
apresentações! Toda a confusão apenas parava quando o
grande solista da noite se apresentava, como, na época dos
Castrati, acontecia quando um grande nome como
Cafarelli ou Farinelli apresentava uma de suas grandes
árias do repertório.
Interior de uma casa de ópera barroca
Outra característica do público erudito é a exigência que
se tem com relação aos intérpretes - podendo ser até
vaiados em apresentações - mas também a devoção que demonstram àqueles que não carecem de
qualidade - numerosos são os "Bravíssimos!" a estes artistas.

A atmosfera do concerto sempre estará intimamente ligada à natureza da música apresentada -


talvez seja leve como uma comédia de Rossini ou tensa como as aventuras do Peer Gynt de Edward
Grieg. O público erudito, como qualquer público de qualquer estilo de música, liga muito seus
sentimentos àquilo que escuta.
Hoje também se tem um contato menos frio do artista-público. Hoje é comum o maestro ou o
solista se dirigirem à sua plateia, do mesmo jeito que perdeu-se o costume de usar traje social
nestes concertos - estas atitudes tem, como principal objetivo, fazer com que a população toda
volte a ter mais contato com a música erudita e perca o preconceito de que a música erudita seja
"chata" ou para ricos.

E cada vez mais frequentemente, surgem os espetáculos que pretendem desmitificar esse lado
"snob". Os concertos Promenade, na Inglaterra; a Folle Journée na França (em Nantes); a "Festa
da Música" em Portugal, no Centro Cultural de Belém e O "Festival Internacional de Inverno (htt
p://www.festivaldomingosmartins.com/)" no Brasil (em Domingos Martins) são iniciativas que
marcam a democratização de um gênero musical que faz, sem dúvida, parte do patrimônio cultural
da humanidade.

Interpretação das obras


A transmissão escrita, juntamente com o profundo
respeito guardado às obras clássicas, têm implicações
relevantes na interpretação musical. Espera-se, de uma
forma razoável, que os intérpretes executem a obra de
acordo com as intenções originais do compositor.
Intenções essas que, geralmente, estão explicitadas nos
mais pormenorizados detalhes, na própria partitura. De
facto, qualquer desvio àquela que é considerada a
intenção original do compositor pode ser considerada, por
determinado grupo de melómanos mais conservadores,
como uma traição à pureza de uma obra de arte que deve
ser respeitada a todo o custo. A este nível encontramos os
intérpretes e maestros mais "técnicos", que se "limitam" a
executar escrupulosamente as indicações da partitura.
Como quase tudo o que envolve o gosto estético, há quem Trecho de música em notação moderna
concorde e quem discorde. Um exemplo de maestro que com detalhadas indicações para
defendia esse gênero de execução das obras musicais foi interpretação: Pagodes, de Debussy
Arturo Toscanini, muitas vezes apelidado de "frio" por
alguns ouvintes que preferem as interpretações mais
pessoais, que acrescentam algo à obra original. O pianista Glenn Gould é um exemplo claro do
intérprete-autor, que, por uma nova abordagem das obras eruditas, acabou por contribuir com a
sua capacidade e maestria musical para a criação de algo novo, mas desviante dos padrões
tradicionais. Acontece, porém, que assim como há compositores que felicitam os intérpretes por
melhorarem as suas criações, para lá do que para eles era imaginável, outros, como Maurice Ravel,
quando ouviu, em 1930, a condução do seu "Bolero" por Toscanini, ficam agastados. Ravel terá
dito a Toscanini, que foi antes mencionado como exemplo do maestro perfeccionista, que o que
ouvira era interessante… Mas não era o seu Bolero. Toscanini havia acelerado os tempos,
especialmente no final, o que ia totalmente contra as intenções de Ravel.

Esse respeito quase religioso às intenções originais do compositor levaram mesmo à criação de
peças musicais que quase parecem, ou são mesmo, reflexões sobre o poder do compositor sobre os
intérpretes - as mais extravagantes exigências de alguns autores são respeitadas. No entanto, é
certo que o intérprete tem uma importância extrema na música erudita - ou como um transmissor
fiel da partitura ou como um segundo autor da obra - mesmo que pouco ou nada saibam,
formalmente, sobre composição. Alguns teóricos, como Umberto Eco no seu ensaio "A Obra
Aberta" (Opera aperta), chamam a atenção para a irrepetibilidade de qualquer execução musical.
Mesmo os mais fiéis executores da composição não tocam o mesmo trecho, da mesma forma, duas
vezes, o que leva à apologia da recriação do reportório erudito e da improvisação, para a qual a
música erudita contemporânea continua pouco sensível, ao contrário de certos gêneros como o
jazz no qual a improvisação tem lugar central.

Durante a época barroca, a improvisação era muito comum. Interpretações recentes das obras
pertencentes a esse período pretendem fazer reviver a prática da improvisação, tal como era feita
nessa fase da história da música. Durante o período clássico, Mozart e Beethoven improvisavam,
por exemplo, as cadenzas dos seus concertos para piano, quando eram eles mesmos os solistas -
dando menos liberdade se o pianista fosse qualquer outro; razão para dizer que não deixavam a
sua reputação em mãos alheias.

Outra polémica que costuma existir como consequência da veneração da obra original do
compositor tem a ver com a utilização ou não de instrumentos da época da composição da obra,
nas interpretações modernas das peças musicais mais antigas. Alguns intérpretes e condutores,
como Jordi Savall, têm uma abordagem mais historicista: pretende-se tocar a obra nas mesmas
condições em que foi criada, ainda que os instrumentos actuais sejam perfeitamente idóneos, ou
superiores, em termos técnicos. Outros, como o já citado Glenn Gould, não se preocupam ao
adaptar ou mesmo melhorar obras eruditas escritas para um instrumento, tocando-as noutro,
mais moderno. Nesse último caso está a interpretação em piano de obras escritas para cravo, por
Johann Sebastian Bach.

História
Ver também: História da música

As principais divisões cronológicas da música clássica são: o período da música antiga, que inclui a
música medieval (476 – 1400) e a renascentista (1400 – 1600), o período da prática comum, que
inclui os períodos barroco (1600 – 1750), clássico (1730 – 1820) e romântico (1815 – 1910), e os
períodos moderno e contemporâneo, que incluem a música clássica do século XX (1900 – 2000) e
a música clássica contemporânea (1975 – presente).

As datas são generalizações, já que os períodos frequentemente se sobrepõem, e as categorias são


um tanto arbitrárias. O uso, por exemplo, do contraponto e da fuga, considerados característico do
período barroco, foi continuado por Haydn, que é classificado como um compositor típico do
período clássico. Beethoven, que frequentemente é descrito como o fundador do período
romântico, e Brahms, que é classificado como um romântico, também usavam o contraponto e a
fuga - porém outras características de suas obras definiram esta categorização.

O prefixo neo- é utilizado para descrever uma obra feita no século XX ou contemporânea porém
composta no estilo de um período anterior, como clássico ou romântico. O balé Pulcinella, de
Stravinsky, por exemplo, é uma composição neoclássica porque é estilisticamente semelhante a
obras do período clássico.

Origem
A origem da música clássica ocidental estão na música litúrgica cristã, embora tenha influências
que datam da Grécia Antiga; o desenvolvimento de determinadas tonalidades e escalas já havia
sido estabelecido por antigos gregos como Aristoxeno e Pitágoras.[19] Pitágoras criou um sistema
de afinação, e ajudou a codificar a notação musical em uso na época. Antigos instrumentos usados
na Grécia, como o aulo (um instrumento de palheta) e a lira (semelhante a uma pequena harpa)
levaram ao eventual desenvolvimento dos instrumentos usados atualmente nas orquestras
clássicas ocidentais.[20] Este período na história da música, que vai até a queda do Império
Romano (476 d.C.), é chamado de música da Antiguidade; pouco restou do período, no entanto,
em termos de evidências musicais, e a sua maior parte veio do mundo grego.

Período antigo
O período medieval inclui a música feita a partir da queda de
Roma até por volta de 1400. O canto monofônico, também
conhecido como canto gregoriano, foi a forma dominante até
cerca de 1100.[21] A música polifônica (com múltiplas vozes) se
desenvolveu na segunda metade da Idade Média e ao longo do
Renascimento, período em que se desenvolveram as formas
mais sofisticadas, como os motetos. O período renascentista,
que durou aproximadamente de 1400 a 1600, foi caracterizado
pelo uso cada vez maior da instrumentação, de linhas
melódicas que se entrelaçam, e dos primeiros instrumentos
descritos como baixos. A dança como forma de evento social
tornou-se cada vez mais difundida, e por consequência formas
musicais apropriadas a acompanhar estas ocasiões passaram a
ser padronizadas.
Manuscrito do Agnus Dei da Missa
Foi neste período que a anotação da notas numa pauta e Barcelona, século XIV. Biblioteca da
outros elementos da notação musical começaram a tomar Catalunha, Barcelona.
forma.[22] Este fato tornou possível a separação da
composição de uma peça de música de sua transmissão; sem a música escrita, a transmissão era
oral, e estava sujeita a mudanças cada vez que era retransmitida. Com uma partitura, uma obra
musical podia ser executada em toda a sua integridade sem a necessidade da presença do
compositor.[23] A invenção da prensa de tipos móveis, no século XV, teve grandes consequências
na conservação e transmissão da música feita a partir deste período.[24]

Entre os instrumentos de corda típicos do período antigo estão a harpa, o alaúde, a viela e o
saltério, enquanto instrumentos de sopro incluíam a família da flauta (incluindo a flauta doce), a
charamela (um membro antigo da família do oboé), o trompete e a gaita de foles. Alguns órgãos
existiam, porém estavam em sua maioria restritos a igrejas, embora existissem variantes
razoavelmente portáteis.[25] Posteriormente, ao fim do período, começaram a surgiram versões
antigas dos instrumentos de teclado, como o clavicórdio e o cravo. Instrumentos de corda como a
viola da gamba também começaram a aparecer no século XVI, juntamente com uma ampla gama
de instrumentos de metais e madeiras. A impressão permitiu a padronização das descrições e das
especificações destes instrumentos, juntamente com uma maior difusão das instruções de seu
uso.[26]

Em termos de características musicais, durante o período da chamada música renascentista, no


século XIII, começa-se a repetição de melodias inteiras e surge a notação métrica, abandonando-se
os ritmos medievais. Em substituição ao sistema modal surgem as tonalidades maiores e menores.
Surge o cromatismo e aumenta-se o uso de instrumentação. um dos principais estilos da época foi
o madrigal.
Período da prática comum
O chamado período da prática comum ocorreu quando a maior parte das ideias que pautam a
música clássica ocidental tomou forma, foi padronizada e codificada. Iniciou-se com o período
barroco, que vai aproximadamente de 1600 até a metade do século XVIII; seguiu-se o período
clássico, que terminou aproximadamente em 1820, com o advento do período romântico, que
percorreu todo o século XIX e terminou por volta de 1910.

Período barroco
A música barroca caracteriza-se pelo uso de complexos contrapontos tonais e pelo uso de uma
linha contínua de baixo. Os inícios da forma sonata foram estabelecidos na canzona, bem como
uma noção mais formal de tema e variações. As tonalidades maior e menor também tomaram
forma como meio de administrar a dissonância e o cromatismo na música.[27]

Durante o período, a música tocada em instrumentos de teclado, como o cravo e o órgão tornaram-
se gradativamente mais populares, e a família de instrumentos de corda do violino assumiu a
forma pela qual é conhecida hoje. A ópera, uma forma de drama musical sobre o palco, começou a
se diferenciar das outras formas musicais e dramáticas, e outras formas vocais como a cantata e o
oratório também se tornaram mais comuns.[28] Grupos instrumentais passaram a ficar cada vez
mais diversificados, e suas formações foram se padronizando; surgiram os grandes grupos de
músicos, as primeiras orquestras, e a música de câmara, composta para grupos menores de
instrumentos, onde cada parte era executada por um instrumento individual, no lugar de um
grupo de instrumentos semelhantes. O concerto, como veículo para uma performance solo
acompanhada de uma orquestra, tornou-se extremamente difundido - embora a relação entre
solista e orquestra ainda fosse relativamente simples. As teorias em torno do temperamento igual
começaram a ser postas em prática, na medida em que possibilitavam uma amplitude maior de
possibilidades cromáticas em instrumentos de teclado de difícil afinação. O temperamento igual
possibilitou, por exemplo, a composição do Cravo Bem Temperado, de Johann Sebastian Bach.[29]

Período clássico
O período clássico, que vai de cerca de 1750 a 1820,
estabeleceu muitas das normas de composição, apresentação e
estilo do gênero. Foi durante este período que o piano se
tornou o principal instrumento de teclado. As forças básicas
necessárias para uma orquestra tornaram-se razoavelmente
padronizadas (embora viessem a crescer à medida que o
potencial de uma gama maior de instrumentos passou a ser
desenvolvido nos séculos seguintes). A música de câmara
cresceu e passou a abranger grupos com 8 ou até 10 músicos,
em serenatas. A ópera continuou seu desenvolvimento, com
estilos regionais evoluindo paralelamente na Itália, na França
e nos países de fala alemã, e a ópera-bufa, ou ópera cômica,
conquistou maior popularidade. A sinfonia despontou como
forma musical, e o concerto foi desenvolvido até se tornar um
veículo para demonstrações de virtuosismo técnico dos Retrato de Mozart
instrumentistas. As orquestras dispensaram o cravo (que fazia
parte do tradicional continuo, no estilo barroco) e passaram a ser regidas pelo primeiro-violino
(conhecido como o spalla).[30]
Instrumentos de sopro se tornaram mais refinados durante o período clássico. Enquanto
instrumentos de palheta dupla como o oboé e o fagote eram razoavelmente padronizados no
barroco, a família da clarinete, de palheta simples, não eram utilizados com frequência até que
Mozart ampliasse o seu papel nos contextos orquestrais, de câmara e de concerto.

O Classicismo na música é caracterizado pela claridade, simetria e equilíbrio, seu período coincidiu
com o Iluminismo, que enfatizava a razão e a lógica.

Como já foi dito, a "música clássica", propriamente dita, corresponde a um período da história da
música, também referido como Classicismo vienense. Alguns autores preferem escrever, para
evitar confusões, música Clássica (com o C maiúsculo) para referir-se a música Erudita composta
no período do Classicismo.

Período romântico
A música do período romântico, que vai aproximadamente da segunda década do século XIX ao
início do século XX, caracterizou-se por uma atenção cada vez maior a uma linha melódica
extensa, assim como elementos expressivos e emotivos, paralelando o Romantismo nas outras
formas de arte. As formas musicais começaram a se distanciar dos moldes usados na era clássica
(mesmo aqueles que já haviam sido codificados), e surgem peças em forma livre como noturnos,
fantasias e prelúdios, ao mesmo tempo em que as ideias preconcebidas a respeito da exposição e
do desenvolvimento destes temas passaram a ser minimizadas ou mesmo ignoradas.[31]
p. 200</ref> A música tornou-se mais cromática, dissonante, com tonalidades mais coloridas e
um aumento nas tensões (no que diz respeito às normas aceitas pelas formas anteriores)
envolvendo as armaduras tonais.[32] A canção de arte (ou Lied) amadureceu neste período, bem
como as proporções épicas da grand opéra, que culminaram com o Ciclo dos Aneis, de Richard
Wagner.[33] Este período foi marcado por Beethoven.

No século XIX, as instituições musicais saíram do controle


dos patronos ricos, à medida que os compositores e
músicos podiam construir vidas independentes da
nobreza. Um crescente interesse pela música por parte das
classes médias por toda a Europa ocidental incentivou a
criação de organizações dedicadas ao ensino, performance
e preservação da música. O piano, que atingiu sua forma
atual neste período (graças, em parte, aos avanços
industriais da metalurgia) tornou-se imensamente
popular entre essas classes média, e a demanda pelo
Pintura de Josef Danhauser imaginando
uma reunião com Liszt ao piano cercado
instrumento fez surgir um grande número de fabricantes
de amigos: Alexandre Dumas, George do instrumento. Muitas orquestras sinfônicas datam deste
Sand, Marie d'Agoult; em pé, Hector período;[34] alguns músicos e compositores da época
Berlioz ou Victor Hugo, Niccolò Paganini tornaram-se verdadeiras estrelas em seus respectivos
e Gioachino Rossini campos, e alguns, como Franz Liszt e Niccolò Paganini,
chegavam mesmo a sê-lo em ambos.[35]

A família de instrumentos utilizada na música clássica, especialmente pelas orquestras, cresceu.


Um número maior de instrumentos de percussão apareceu, e os metais assumiram papeis de
maior relevância, à medida que a introdução das válvulas rotativas aumentou a amplitude de notas
que podiam alcançar. O tamanho da orquestra, que era composta tipicamente por 40 músicos
durante o período clássico, foi expandido, chegando a
mais de 100 indivíduos.[34] A Sinfonia dos Mil, de Gustav
Mahler (1906), por exemplo, já foi executada por uma
orquestra com mais de 150 instrumentistas, e um coro de
mais de 400 cantores.

As ideias e instituições culturais europeias passaram a


seguir a expansão colonial para diferentes partes do
mundo. Houve um aumento, especialmente no final do
Karlheinz Stockhausen em 1994 com um período, das ideias nacionalistas na música (ecoando, em
equipamento para criação de música alguns casos, os sentimentos políticos da época);
eletrônica compositores como Edvard Grieg, Nikolai Rimsky-
Korsakov e Antonín Dvorák ecoaram a música tradicional
de suas pátrias em suas composições.[36]

Períodos moderno e contemporâneo


O período moderno se iniciou com a música impressionista, de 1910 a 1920, dominada por
compositores franceses (em oposição ao domínio existente até então dos alemães na arte e,
principalmente, na música). Compositores impressionistas como Erik Satie, Claude Debussy e
Maurice Ravel usavam escalas pentatônicas, um fraseado longo e ondulante, e ritmos livres. O
modernismo (1905 - 1985) marcou um período no qual diversos compositores rejeitaram
determinados valores do período da prática comum, tais como a tonalidade, a melodia, a
instrumentação e a estrutura tradicionais. Nomes como Dmitri Shostakovich e Heitor Villa-Lobos
se destacam nesse período. Compositores, acadêmicos e músicos desenvolveram extensões da
teoria e da técnica musical. A música clássica do século XX engloba uma ampla variedade de
estilos pós-românticos, inclui os estilos de composição do romântico tardio, expressionista,
modernista e pós-modernista, e a música de vanguarda. O termo "música contemporânea"
costuma ser utilizado para descrever a música composta no fim do século XX até os dias de hoje e
incluí a música eletrônica de vanguarda, música eletroacústica, a música concreta francesa, neo
romantismo, minimalismo, entre outros. Seus maiores expoentes incluem John Cage, Karlheinz
Stockhausen, Iannis Xenakis, Philip Glass e Steve Reich.

No século XXI, verifica-se uma tendência de retorno à tonalidade, ao mesmo tempo em que
recursos surgidos no século XX continuam sendo aproveitados. Importantes compositores em
atividade no século XXI são Krzysztof Penderecki, Arvo Pärt e Thomas Adès. Neste século
destacam-se também compositoras mulheres, como Missy Mazzoli e Cheryl Frances-Road, além
da menina-prodígio Alma Deutscher, nascida em 2005.

Relacionamento com a música popular


A relação entre a música erudita e a música popular é uma questão polêmica (principalmente o
valor estético de cada uma). Alguns adeptos da música erudita alegam que certos gêneros não
constituem arte e que parte da música popular é mero entretenimento (o que implica um público
mais numeroso). Contudo, muitas peças musicais da chamada música pop, do rock ou outro
gênero denominado "ligeiro" são, reconhecidamente, peças de elevado valor artístico (e,
curiosamente, chamadas também de "clássicos", como a música dos Beatles, Genesis, de Jacques
Brel, Edith Piaf e Billie Holiday, ainda pode-se citar o Choro brasileiro, o rock progressivo, o tango,
o frevo, a bossa nova, a música armorial entre muitos outros estilos que formam uma série de
artistas erudito-populares, que utilizaram amplamente a música popular e folclórica como
inspiração para compor suas obras, como é o caso de Heitor Villa-Lobos e Guerra-Peixe no Brasil
ou ainda o caminho inverso: Nomes geralmente associados à música popular que transitaram
também pela música de concerto, como é o caso da Bossa Nova, Tom Jobim, que compôs
sinfonias, enquanto isso, algumas peças de música erudita se tornam datadas, consideradas de
mau gosto (consoante as épocas, podendo mais tarde ser recuperadas, ou não) ou, mesmo,
tornarem-se populares, ao serem incluídas em filmes ou anúncios publicitários, por exemplo.
Quase toda a gente conhece e chega a trautear algumas melodias de música erudita, mesmo sem
saber quem foi o compositor. É comum, por exemplo, associar árias de ópera com momentos
desportivos, no futebol, por exemplo, em que a ária "Nessun dorma" da Turandot é explorada até à
exaustão e o conhecido hino da liga dos campeões é tocado por uma orquestra sinfônica
acompanhada de coro, seguindo um estilo mais clássico.

Pode-se argumentar que a música erudita, em grande parte, mas nem sempre, tem como
característica uma maior complexidade. Mais especificamente, a música erudita envolve um maior
número de modulações (mudança da tónica), recorre menos à repetição de trechos substanciais da
peça musical (na música popular o refrão é comum), além de recorrer a um uso mais vasto das
frases musicais, que não são limitadas por uma extensão conveniente para a sua popularidade
entre o público (ou seja, que permita à música "entrar no ouvido" ou seja, na memória). Na música
erudita, o minimalismo vai contra estas tendências que se acabaram de aplicar. No entanto, é
normal que a música erudita permita a execução de obras mais vastas em termos de duração
(variando de meia hora a três horas), usualmente divididas em partes mais pequenas (os
"movimentos"). Também aqui existem excepções: as miniaturas, as bagatelas e as canções (como
as de Schubert).

A música popular pode no entanto ser bastante complexa


em diferentes dimensões. O jazz pode fazer uso de uma
complexidade rítmica que não acontece numa larga
maioria de obras clássicas. A música popular pode
recorrer também a acordes complexos que destoariam (ou
não, mas, em todo o caso são pouco usados) numa peça
erudita. A verdade é que aquilo a que se chama de música
erudita é um campo de uma vastidão enorme, difícil de
Representação da ópera Turandot, de
espartilhar numa ou noutra regra. Puccini, no Luna Park, Buenos Aires

A escolha dos instrumentos utilizados para a execução das


obras também pode diferir muito. No início, a música erudita apenas se utilizou de instrumentos
acústicos, não elétricos, e que foram, na sua maioria, inventados antes de meados do século XIX,
ou muito antes disso. Consistem, essencialmente, nos instrumentos que fazem parte de uma
orquestra, em conjunto com alguns instrumentos solistas (o piano, a harpa, o órgão…). Na música
popular (pelo menos na moderna), a guitarra eléctrica tem um grande protagonismo, enquanto
que sua participação só passou a ser considerada anos depois por parte dos compositores
contemporâneos. A partir daí, os dois gêneros vem experimentando instrumentos eletrônicos e
elétricos (como o sintetizador, a banda magnética…) bem como instrumentos de outras culturas
até agora afastadas da tradição musical ocidental (como o conjunto de instrumentos de percussão
orientais chamados de gamelan).

Outra especulação interessante é saber se as peças de música popular continuarão a ser ouvidas,
ao longo do tempo, permanecendo tanto quanto as peças de música erudita. Enquanto que estas
permaneciam devido à sua natureza escrita, a música popular (bem como as interpretações
individuais das obras clássicas) tem hoje à sua disposição os registros gravados em suporte de
qualidade. Se é certo que algumas peças de música popular que eram sucessos enormes há poucos
anos atrás já estão praticamente esquecidos, a verdade é que também muitas peças musicais ditas
eruditas deixam de fazer parte do repertório das orquestras, reaparecendo pontualmente, quando
algum intérprete as "descobre". Os adeptos da música erudita podem acreditar que o seu gênero
tende mais para a intemporalidade. No entanto, muitos artistas populares poderão permanecer e
ganhar o estatuto de músicos de culto. Ainda que quando alguém ouve música popular
relativamente antiga (de algumas décadas atrás) se utilize mais a expressão "nostalgia" por algo
passado, que não pertence ao presente; sentimento que raramente se encontra entre os adeptos da
música erudita. Só o tempo poderá demonstrar qual a música que permanecerá. Erudita ou
popular, a qualidade de cada uma estará sempre sujeita à avaliação subjectiva dos ouvintes do
futuro, Heitor Villa-Lobos já na década de 1930 demonstrou que as barreiras entre os dois estilos
são muito frágeis ao beber na fonte do Choro, da música popular Brasileira e de Bach para compor
as suas Bachianas Brasileiras. Radamés Gnattali também foi um grande responsável pela diluição
das fronteiras entre erudito e popular no Brasil, atuando em praticamente todos os terrenos:
deixou larga obra sinfônica e camerística e foi um dos mais importantes arranjadores brasileiros,
de atuação na música popular. César Guerra-Peixe utilizou amplamente temas folclóricos e
regionais do nordeste brasileiro para compor a sua obra.

Papel da música erudita na educação


Ao longo da história da civilização ocidental, as famílias mais abastadas tinham frequentemente a
preocupação de que os seus filhos fossem instruídos na música erudita desde cedo. Uma
aprendizagem precoce de interpretação musical abre caminho a estudos mais sérios em idades
mais avançadas. Outros pais querem que os filhos aprendam música por razões de estatuto social
(as meninas aprendiam a tocar piano, no século XIX - o que fazia, quase, parte do dote) ou para
incutir auto-disciplina. Existem estudos que parecem comprovar uma melhoria no rendimento
académico das crianças que aprendem música. Outros consideram que conhecer as grandes obras
da música erudita é uma obrigação cultural, fazendo parte da chamada "cultura geral" mais ou
menos elevada, mas geralmente valorizada em termos sociais.

Diversos compositores eruditos apresentaram abordagens para a educação musical. O alemão Carl
Orff propôs o instrumental Orff, um método para que crianças pudessem aprender música. Tal
método usa formas rudimentares de atividades diárias para jovens, como cantar em grupo,
praticar rimas e tocar instrumentos de percussão. É baseado amplamente na improvisação e em
construções tonais originais para que a pessoa ganhe confiança e interesse no processo de pensar
criativamente.

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de Janeiro: [s.n.] ISBN 85-7110-301-1

Ver também
Lista de compositores de música erudita

Termos associados
Altura Música atonal
Música tonal
Contraponto
Forma musical Polifonia
Harmonia Ritmo
Interpretação musical Textura
Melodia Timbre

Gêneros musicais associados


Música lírica
Música eletrônica
Música popular
Música folclórica
Rock progressivo

Ligações externas
Classical Composers Database (http://www.classical-composers.org/) (em inglês)
compositores de música clássica de todos os períodos e de diversos países, com biografias e
listas de obras
MusicWeb International (http://www.musicweb-international.com) (em inglês) artigos sobre
compositores, críticas de CDs, livros, concertos
Gravações históricas de música clássica do British Library Sound Archive (http://sounds.bl.uk/
BrowseCategory.aspx?category=Classical-music) (em inglês)

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