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MINISTROS EXTRAORDINÁRIOS _

PARA A DISTRIBUIÇÃO DA SAGRADA COMUNHÃO

SAGRADA CONGREGAÇÃO
PARA A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS

INSTRUÇÃO “IMMENSAE CARITATIS” PARA FACILITAR


A COMUNHÃO SACRAMENTAL

O testemunho caridade infinita, que Cristo Senhor deixou à Igreja


sua Esposa, constituído pela Eucaristia, dom inefável e o maior de todos
os seus dons exige que tão grande mistério seja cada dia mais profunda-
mente conhecido e que se participe da sua virtude salvífica, cada vez
com maior intensidade. Neste sentido, a Igreja, movida pela sua solicitu-
de pastoral, repetidas vezes teve o cuidado e o zelo de promulgar normas
adequadas e documentos oportunos, com o intuito de fomentar a pieda-
de para com a Santíssima Eucaristia, ponto culminante e centro do cul-
to cristão.
As novas circunstâncias dos nossos tempos, todavia, parecem exi-
gir que — salvaguardado sempre o máximo respeito devido a este tão
grande Sacramento! — se proporcione uma possibilidade maior de aces-
so à Sagrada Comunhão,a fim de que osfiéis, mediante uma participa-
ção mais fregiiente e mais ampla nos frutos do Santo Ofício da Missa, se

' Cf. CONC. DE TRENTO, Sess. 13, Decretum de SS. Eucharistiae Sacramento, cap. 7: D. 880 (1646-1647):
“Se não é decoroso que alguém tome parte em quaisquer funções sagradas, senão santamente, sem dúvida
que, quanto mais a um cristão se torna manifesta a santidade e divindade deste Sacramento celeste, com
tanto maior diligência deve ele evitar de se aproximarpara o receber, sem uma grande reverência e santida-
de, tendo presentes especialmente aquelas palavras tremendas do Apóstolo: Quem come e bebe sem fazer
distinção deste corpo, come e bebe a própria condenação (1Cor 11,29). Por consegiiência, a todo aquele que
deseje comungar há de ser recordado o preceito dado ainda pelo mesmo Apóstolo: Examine-se, pois, cada
qual a si próprio (1Cor 11,28). De fato, existe o costume estabelecido na Igreja de declarar que tal exame é
necessário, a fim de que aqueles que tenham a consciência de estar em pecado mortal não ousem aproximar-
se da Santíssima Eucaristia, ainda que lhes pareça estarem arrependidos, sem antes teremfeito a Confissão
sacramental. Este Sagrado Concílio decretou que essa norma deve ser sempre observada por todos os cris-
tãos, mesmo pelos sacerdotes, aos quais incumbe o dever de celebrar, a menos que, neste caso, não possam
ter à disposição confessor algum. Então, se por força de uma necessidade urgente, o sacerdote celebrar sem
a prévia Confissão sacramental, deve ele procurar confessar-se o mais depressa possível”. S. CONGR. DO
CONCÍLIO, Decr. Sacra Tridentina Synodus de 20 de dezembro de 1905: ASS 38, 1905-1906 pp. 400-406; S.
CONGR. PARA A DOUTRINA DA FÉ, Norniae pastorales circa absolutionem peneruli modo impertiendanr, de
31 de julho de 1972: AAS 64, 1972, p. 511.
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dediquem, com maior disponibilidade e com zelo mais ativo, a Deus e ao


bem da Igreja e da humanidade.
Deste modo, há que adotar as devidas providências, antes de mais
nada, para evitar que, por falta de ministros, se torne impossível ou difí-
cilreceber a Sagrada Comunhão; depois, para evitar que os doentes que
não estejam em condições de observar a lei acerca do jejum eucarístico,
apesar de esta se achar já muito mitigada, fiquem privados desse tão
grande conforto espiritual, quer dizer, se vejam impedidos de receber a
Sagrada Comunhão; por fim, parece haver conveniência em que, aos
fiéis que o pedirem, seja permitido, nalgumas circunstâncias, receber a
Comunhão sacramental uma segunda vez, no mesmo dia.
Assim, em anuência aos desejos expressos por algumas Conferên-
cias Episcopais, são emanadas as normas que se seguem, respeitantes:
1. aos ministros extraordinários para a distribuição da Sagrada
Comunhão;
2. à faculdade ampliada de comungar duas vezes no mesmo dia;
3. à mitigação das normas do jejum eucarístico, em favor dos doen-
tes e das pessoas de idade avançada;
4. à piedade e respeito para com o Santíssimo Sacramento que se
exige no caso de o Pão Eucarístico ser deposto na mão dos fiéis.

I. OS MINISTROS EXTRAORDINÁRIOS DA SAGRADA COMUNHÃO

São várias as circunstâncias em que pode dar-se o caso de não ha-


ver à disposição um número suficiente de ministros ordinários, para dis-
tribuírem a Sagrada Comunhão. Isso pode acontecer:
— durante a celebração da Santa Missa, devido a uma grande
afluência de fiéis, ou por qualquer dificuldade particular da parte do
celebrante;
— fora da celebração da Santa Missa: quando, em virtude de lon-
gas distâncias que separam os lugares, se torna dificultoso levar as Sa-
gradas Espécies, especialmente sob a forma de Viático, aos doentes que
se encontram em perigo de vida; ou, então, quando o número dos doen-
tes é tal que exige a intervenção de vários ministros, o que pode suceder
sobretudo em hospitais ou noutras instituições similares. Assim, para
que os fiéis que se encontram em estado de graça e desejam, animados
de reta e piedosa intenção, participar no banquete eucarístico, não se
vejam privados da ajuda e conforto espiritual deste Sacramento, o Sumo
Pontífice julgou oportuno instituir para eles ministros extraordinários,
que possam comungar por si próprios e dar aos outros fiéis a Sagrada
Comunhão, quando se verifiquem certas condições, que, em seguida,
se precisam:
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I. É dada aos Ordinários dos lugares a faculdade de permitirem que
pessoas idôneas, individualmente escolhidas, possam, na qualidade de
ministros extraordinários, em circunstâncias singulares (“ad actum”),
ou por um período de tempo determinado, ou ainda de modo permanen-
te, onde se apresentar a necessidade disso, alimentar-se por si próprias
com o Pão Eucarístico, distribuí-lo aos demais fiéis e mesmo levá-lo aos
doentes que se acham retidos em casa, quando:
a) faltem o sacerdote, o diácono ou o acólito, para o fazer;
b) os mesmos se achem impedidos de distribuir a Sagrada Comu-
nhão, por motivo de outras ocupações do ministério pastoral, por doen-
ça, ou por causa da idade avançada;
c) o número dosfiéis que desejam receber a Sagrada Comunhão é
tão elevado que obrigaria a prolongar excessivamente o tempo da cele-
bração da Missa, ou o da mesma distribuição da Sagrada Comunhão,
fora da Missa.
II. Os mesmos Ordináriosdos lugares gozam da faculdade de per-
mitir a cada um dos sacerdotes no exercício do sagrado ministério o
poder de deputar uma pessoa idônea, a qual, nos casos de verdadeira
necessidade, “ad nuctum”, distribua a Sagrada Comunhão.
HI. Poderão os mencionados Ordinários dos lugares, ainda, delegar
faculdades aos Bispos Auxiliares, aos Vigários Episcopais e aos Delega-
dos Episcopais.
IV. A pessoa idônea, de que se fala nos precedentes nn. Ie II, será
designada tendo presente a ordem que a seguir se indica, a qual, no en-
tanto, poderá ser alterada, segundo o juízo prudente do Ordinário do
lugar: leitor, aluno de Seminário Maior, religioso, religiosa, catequista,
simples fiel — homem ou mulher.
V. Nos oratórios das Comunidades religiosas de ambos os sexos, a
função de distribuir a Sagrada Comunhão, quando se verificarem as con-
dições apontadas no precedente n. I, com acerto pode ser confiada ao
Superior, privado embora da Ordem sacra, ou à Superiora, ou então aos
vigários ou substitutos deles.
VI. Se para isso houver tempo suficiente, será bom que a pessoa
idônea para distribuir a Sagrada Comunhão,escolhida individualmente
para o fazer, pelo Ordinário do lugar, bem comoa pessoa quefor deputa-
da para o mesmo múnus pelo sacerdote que tenha a faculdade de o fazer
— conforme o disposto no n. II — recebam o mandato segundo rito
anexo a esta Instrução; depois, deverão fazer a distribuição da Sagrada
Comunhão, atendo-se às normaslitúrgicas.
Dado que estas faculdades foram concedidas unicamente em vista
do bem espiritual dosfiéis e para os casos em quese verifica verdadeira
necessidade, tenham os sacerdotes presente que, em virtude delas, não
ficam eximidos do dever de distribuir a Santíssima Eucaristia aosfiéis
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que legitimamente a desejam receber; e, de modo particular, do dever de


a levar e ministrar aos doentes.
“Importa queo fiel designado como ministro extraordinário da Sa-
preparado,cristã,
pela sua fé e costumes exemplares. Assim, deverá ele envidar o melhor
esforço por estar à altura desta alta função, por cultivar a piedade para
com a Santíssima Eucaristia, e por ser sempre de edificação para os ou-
tros fiéis, pela sua devoção e reverência para com o augustíssimo Sacra-
mento do Altar. Não seja escolhido para tal função alguém cuja designa-
ção possa dar motivo à perplexidade da parte dos fiéis.

II. A FACULDADE AMPLIADA DE RECEBER


A SAGRADA COMUNHÃO DUAS VEZES NO MESMO DIA

Segundo as normas atualmente em vigor, os fiéis podem aproxi-


mar-se uma segunda vez da Sagrada Comunhão, no mesmodia:
— na tarde de qualquer sábado ou da véspera de um dia festivo de
preceito, quando intentam satisfazer a obrigação de assistir à Santa Mis-
sa, mesmo que já tenham comungado na parte da manhã;?
— na segunda Missa da Páscoa, ou numa das Missas que se cele-
bram no dia de Natal, mesmo que já tenham comungado na Missa da
Vigília Pascal, ou na Missa da noite da Natividade do Senhor;
— do mesmo modo, na Missa vespertina da Quinta-feira Santa —
“in Coena Domini” —, ainda que já tenham comungado na parte da ma-
nhã, na Missa do Crisma.*
Umavez que, para além destes casos que acabam deser elencados,
se podem verificar outras circunstâncias similares, que aconselhem a
recepção da Sagrada Comunhão umasegunda vez no mesmo dia, impor-
ta determinar bem as razões da nova faculdade que é concedida.
A norma,introduzida por um costumesecular, pela providentíssima
Mãe Igreja, e que foi recebida na legislação canônica, segundo a qual é
permitido aos fiéis aproximarem-se da sagrada mesa apenas uma vez
por dia, permanece íntegra; pelo que não é permitido descurá-la, por
motivo de simples devoção. Deve ser contraposta a um desejo superficial
de repetir a Sagrada Comunhãoesta razão: será tanto maiora eficácia
do Sacramento, para alimentar, corroborar e exprimir a fé, a caridade e
as restantes virtudes, quanto mais devotamente o comungante se aproxi-
ma da sagrada mesa.” É necessário, de fato, que osfiéis passem da cele-
bração litúrgica às obras de caridade, de piedade e de apostolado,a fim

2? Cf. S. CONGR. DOS RITOS,Instr. Eucharisticum mysterium, de 25 de maio de 1967, n. 28: AAS 59,
1967, p. 557.
3 Cf. Ibid., loc. cit.
4 Cf. Ibid., loc. cit.; S. CONGR. DOS RITOS, Instr. Inter Oecumenici, de 26 de setembro de 1964, n. 60:
AAS 56, 1964, p. 891; e Instr. Tres abhinc annos, de 4 de maio de 1967, n. 14: AAS 59, 1967, p. 445.
5 Cf. S. TOMÁS DE AQUINO, S. Th. II, q. 79,a 7, ad 3;e a 8, ad 1.
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de “testemunharem, com o próprio comportamento e com toda a sua


vida, aquilo que receberam pela fé e pelo Sacramento”.
Podem apresentar-se, todavia, algumas circunstâncias particulares,
nas quais os fiéis que nesse mesmo dia já tenham recebido a Sagrada
Comunhão, assim como os sacerdotes que já tenham celebrado a Santa
Missa, se venham a encontrar a tomar parte numa celebração comunitá-
ria. Em tal caso, a uns e a outros é permitido receber uma segundavez a
Sagrada Comunhão, nas circunstâncias que a seguir se elencam:
1. naquelas Missas — com certos ritos apropriados — durante as
quais são administrados os sacramentos do Batismo, da Confirmação,
da Unção dos Enfermos, da Ordem e do Matrimônio, bem como nas
Missas durante as quais se dá a Primeira Comunhão;
2. nas Missas celebradas por ocasião da consagração de uma igreja
ou de um altar, de profissões religiosas, ou da colação de uma “missão
canônica”;
3. nas seguintes Missas pelos Defuntos: Missa das Exéquias; Missa
quese celebra logo “após ter recebido a notícia da morte”; Missa do dia
da Sepultura; Missa no dia do Primeiro Aniversário;
4. durante a Missa principal, celebrada na igreja catedral ou paro-
quial, no dia da Festa do Corpo de Deus e no dia da Visita Pastoral; igual-
mente, durante a Missa celebrada por um Superior Maior religioso, por
ocasião da visita canônica, de assembléias de um cunho particular, e,
ainda, na reunião de Capítulo;
5. durante a Missa principal de um Congresso Eucarístico ou
Mariano, quer ele seja internacional, quer seja nacional, regional ou
mesmo diocesano;
6. durante a Missa principal de qualquer concentração, piedosa
peregrinação, ou de pregações ao povo; |
7. por ocasião da administração do Sagrado Viático, durante a qual
a Comunhão pode ser dada aos familiares e aos amigos do doente que se
encontrem presentes;
8. e, para além destes casos que acabam de ser enumerados, é per-
mitido aos Ordinários dos lugares conceder, “ad actum”, a faculdade de
receber duas vezes no mesmo dia a Sagrada Comunhão, quando, por
motivo de circunstâncias verdadeiramente particulares, se retiver que é
de fato justificável, à luz das normas da presente Instrução, a reiteração
da recepção da Santíssima Eucaristia.*

$ S. CONGR. DOS RITOS, Instr. Eucharisticum mysterium, de 25 de maio de 1967, n. 13: AAS, 1967, p.
549.
? Cf. MISSALE ROMANUM, Institutio Generalis Missalis Romani, n. 329a, ed. typ. 1970, p. 90.
* Conforme o Direito Canônico atual (cân. 917) e sua interpretação autêntica, o fiel pode receber a
Comunhão uma segunda vez no mesmo dia, contanto que a segunda vez seja na Celebração cucarística da
qual participa: Quem já recebeu a santíssima Eucaristia pode recebê-la novamente no mesmodia, somente
dentro da celebração eucarística em que participa, salva a prescrição do cân. 921, 82.
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WI. O JEJUM EUCARÍSTICO: SUA MITIGAÇÃO


EM FAVOR DOS DOENTES E DAS PESSOAS IDOSAS

Permanece firme e estável, antes de mais nada, a norma segundo a


qual o fiel em perigo de vida, a quem é administrado o Sagrado Viático,
não está obrigado a observar lei alguma sobre o jejumê, Continua igual-
mente em vigor a concessão feita pelo Sumo Pontífice Pio XII, em virtu-
de da qual “os doentes, mesmo se não estiverem de cama, podem tomar
bebidas não alcoólicas e medicamentos, tanto líquidos como sólidos, antes
da celebração da Missa ou da recepção da Sagrada Comunhão, sem limi-
te algum de tempo”.?
Pelo que diz respeito à comida e às bebidas, que se tomam como
alimento, é veneranda a tradição, em virtude da qual a Eucaristia —
comodiz Tertuliano — deve ser tomada “antes de quaisquer outros ali-
mentos”,!º para significar a excelência deste manjar sacramental.
Em ato de reconhecimento da dignidade do Sacramento e como
meio de suscitar a alegria pela iminente vinda do Senhor, é oportuno
aconselhar a quem comungarecolher-se por algum tempo, em silêncio e
procurando concentrar-se, antes de receber a Sagrada Comunhão. Pelo
que se refere aos doentes, porém, será suficiente demonstração da sua
piedade e do seu respeito que eles volvam, por breves momentos, o seu
pensamento para tão grande mistério. O período de tempo suficiente
para o jejum eucarístico, assim como para a abstinência da comida e das
bebidas alcoólicas, é reduzido a um quarto de hora, aproximadamente,
em favor:
1. dos doentes que se achem internados nas casas de cura ou reti-
dos na própria habitação, mesmo que não estejam de cama:
2. dos fiéis de idade avançada, quer se achem retidos em casa, por
motivo de velhice, quer estejam internados em asilos;
3. dos sacerdotes doentes, mesmo dos que não têm necessidade de
estar de cama,e dos sacerdotes idosos, os quais queiram celebrar a San-
ta Missa ou receber a Sagrada Comunhão;
4. das pessoas adstritas ao serviço de assistência aos doentes ou das
pessoas idosas, e dos seus familiares, que desejam receber conjuntamen-
te com eles a Santíssima Eucaristia, quando não puderem, sem certo
incômodo, observar o jejum durante uma hora.

8 Cf. CIC, cân. 8588 |.


? Motuproprio Sacram Communionem, de 19 de março de 1957, n. 4: AAS, p. 178.
0 Ad uxorem, 2,5: PL 1, 1408.
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IV. PIEDADE E RESPEITO


PARA COM O SANTÍSSIMO SACRAMENTO, |
QUANDO O PÃO EUCARÍSTICO É DEPOSTO NA MÃO DOS FIÉIS

A partir da publicação da Instrução “Memoriale Domini”, portanto,


de há três anos para cá, algumas Conferências Episcopais pediram à
Santa Sé para permitir que os ministros da Sagrada Comunhão, quando
distribuem esta aosfiéis, possam depor as Espécies Eucarísticas nas mãos
dos mesmosfiéis. Como a referida Instrução recorda, “as normas da igreja
e os documentos dos Padres encerram abundantes testemunhos acerca
do máximo respeito e da suma prudência que sempre se usaram para
com a Santíssima Eucaristia”,!! e que se devem continuar a pôr em prá-
tica. Por conseguinte, de modo particular pelo que se refere a esta possi-
bilidade de receber a Sagrada Comunhão, hão de ser tidos sempre pre-
sentes alguns pontos, ditados pela própria experiência.
Assim, procure-se ter o máximo cuidado e atenção, especialmente
quanto aos fragmentos, que porventura se separem das hóstias; e isto
deve ser tido em conta tanto pelo ministro como pelosfiéis, quando as
Sagradas Espécies são depostas na mão de quem comunga.
O método de dar a Comunhão desta maneira, depondo-a na mão
dos fiéis, necessariamente tem de ser acompanhada da formação ade-
quada para isso; quer dizer, de uma catequização em que se insista
na doutrina católica acerca da presença real e permanente de Cristo
sob as Espécies Eucarísticas, e sobre a reverência devida a este Sacra-
mento.!?
É necessário ensinar aosfiéis que Jesus Cristo é o Senhore o Salva-
dor, e que lhe deve ser tributado, a ele, presente sob as Espécies Sacra-
mentais, o mesmoculto de latria ou de adoração que deve ser prestado a
Deus. Além disso, deverão os fiéis ser aconselhados a não transcurar
uma sincera e oportuna ação de graças após o banquete eucarístico, de
acordo com as capacidades, o estado e as ocupações de cada um.!º
Para que, enfim, a participação nesta mesa celeste seja digna sob
todos os aspectos e portadora de frutos, devem serilustradosaos fiéis os
seus benefícios e os seus efeitos, quer para eles tomados individualmen-
te, quer para a sociedade que formam; de tal modo que a familiaridade
reflita sempre, ao mesmo tempo, a máxima reverência e possa servir
para fomentar o íntimo amor para como Pai de Família, que nos propor-

H S. CONGR. PARA O CULTO DIVINO, Instr. Memoriale Domini, de 29 de maio de 1969: AAS 61, 1969, p.
542, que ainda continua a vigorar.
'? Cf. CONC. DO VATICANOII, Const. sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 7: AAS 56,
1964, pp. 100-101; S. CONGR. DOS RITOS, Instr. Eucharisticum mysterium, de 25 de maio de 1967, n. 9: AAS
59, 1967, p. 547; S. CONGR. PARA O CULTO DIVINO, Instr. Memoriale Domini, de 29 de maio de 1969, na
qual se lê: “...Evite-se todo e qualquer perigo de virem a difundir-se nos ânimos faltas de reverência ou
opiniões falsas, acerca da Santíssima Eucaristia”. AAS 61, 1969, p. 545.
3 PAULO VI, Alloc. ad Membra Consilii Eucharisticis ex omnibus Nationibus Conventibus moderandis
habita: AAS 64, 1972, p. 287.
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ciona “o pào de cada dia”,!4 e levar a uma união viva com Cristo, de cuja
Carne e Sangue comungamos.!º
O Sumo Pontífice Paulo VI dignou-se aprovar e confirmar, com a sua
Autoridade, a presente Instrução; e mandou que ela fosse publicada es-
tabelecendo, ainda, que entre em vigor a partir do dia da sua publicação.

Roma, Sede da Sagrada Congregação para a Disciplina dos Sacra-


mentos, 29 de janeiro de 1973.

A. Card. SAMORÉ
Prefeito
f | I. CASORIA
Secretdrio

14 Lc 11,3.
!5 Cf. Hb 2,14.
RITO DE COLAÇÃO DO MINISTÉRIO EXTRAORDINÁRIO
DA DISTRIBUIÇÃO DA SAGRADA COMUNHÃO

1. Convém que a pessoa que é designada para o ofício da distribuição da


Santa Comunhão em circunstâncias particulares pelo Ordinário do lugar ou
seu delegado! receba o mandato segundo o rito? que segue.

A. O RITO DURANTE A MISSA

2. —Apósa homilia, em que os presentes são instruídos sobre as razões pasto-


rais desse ministério em favor da comunidade dosfiéis, o Celebrante apresenta
ao povo a pessoa escolhida para o ministério da Sagrada Comunhão, com estas
palavras ou outras semelhantes:

Caríssimos irmãos e irmãs:


Ao nosso irmão N. é conferido o ofício
pelo qual ele mesmo pode tomar a Santíssima Eucaristia
e administrá-la aos outros, levá-la aos doentes e administrar
o Viático.
Tu, meu caríssimo irmão,
que és investido de tão sublime ofício na Igreja,
esforça-te por avantajar-te diante dos demais pela vida cristã,
pela fé e os bons costumes
e a viver mais fervorosamente deste mistério da unidade
e da caridade,
pois, sendo muitos, formamos um só corpo,
nós que participamos de um só pão e de um só cálice.
Portanto, distribuindo a Eucaristia aos outros,
procura exercer a caridade fraterna
conforme o mandamento do Senhor, -

' Cf. Instr. Immensaecaritatis, 1, n. I e VI.


? O textos deste rito, apresentados para a investidura de um homem, podem ser adaptados para uma
mulher, trocando-se o gênero, ou para várias pessoas, colocando-se o plural.
568 RITO DE COLAÇÃO DO MINISTÉRIO EXTRAORDINÁRIO DA SAGRADA COMUNHÃO

que disse aos discípulos ao lhes entregar o seu corpo


para que o comessem:
“Eu vos mando que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”.
3. Depois da alocução, o eleito se põe de pé diante do Celebrante, que o
interroga com estas palavras:
Queres assumir a função de distribuir aos teus irmãos
o Corpo do Senhor
movido pelo desejo de servir e edificar a Igreja?
R. Quero.

Queres empenhar-te com máximo cuidado e reverência na admi-


nistração da Eucaristia?
R. Quero.
4. Aseguir todos levantam. O eleito ajoelha e o Celebrante convida osfiéis à
oraçao.

Caríssimos irmãose irmãs,


supliquemos confiantes a Deus Pai
que se digne conceder a bênção
a este nosso irmão escolhido para ministrar a Eucaristia.
Todos oram alguns instantes em silêncio.

A seguir, o Celebrante prossegue:


Ó Deus de bondade,
vós que fundastes e governais a vossa família,
dignai-vos abençoar E este nosso irmão,
a fim de que,
distribuindo fielmente o pão da vida aos seus irmãos e irmãs,
confortado pela virtude deste sacramento,
possa participar um dia para sempre do banquete celeste.
Por Cristo, nosso Senhor.
k. Amém.

5. Na Oração dos fiéis haja uma invocação pelo ministro recém-eleito.


Na procissão das oferendas o ministro recém-investido leva ao al-
tar a oferenda do pão para o Sacrifício, e na Comunhão pode rece-
ber a Eucaristia sob as duas espécies.
RITO DE COLAÇÃO DO MINISTÉRIO EXTRAORDINÁRIO DA SAGRADA COMUNHÃO 569

B. O RITO FORA DA MISSA

7. Reunido o povo, canta-se um canto apropriado. Quempreside a celebra-


ção saúda o povo. A seguir, faz-se, como de costume, uma breve celebração da
Palavra de Deus. As leituras e os cantos tomam-se, no todo ou em parte, da
liturgia do dia ou dos textos propostos para Missas da Santíssima Eucaristia
(Lecionário III - Missa Votiva da Santíssima Eucaristia).

8. Em seguida, realiza-se o rito como vem descrito acima, nos nn. 2-5.

9. Por fim, quem preside abençoa o povo e o despede como de costume.


Pode-se encerrar a celebração com um canto apropriado.

DESIGNAÇÃO DE UM MINISTRO OCASIONAL


PARA DISTRIBUIR A SAGRADA COMUNHAO

10. Convém que a pessoa que, em casos de verdadeira necessidade é designa-


da a distribuir a Sagrada Comunhão para um caso particular,” receba a inves-
tidura segundo o rito que se segue.

11. Enquanto se fazem a fração do Pão e sua mistura no Cálice, aquele que é
convidado para a distribuição da Sagrada Comunhão aproxima-se do altar e
coloca-se diante do Celebrante. Terminada a invocação Cordeiro de Deus, o
sacerdote o abençoa comestas palavras:
O Senhor te * abençoe
para que possas agora distribuir dignamente
o Corpo de Cristo aos teus irmãos e irmãs.
Ele responde:
Amém.

12. Depois de o sacerdote comungar, como de costume, dá a Comunhão ao


ministro, se ele comungar. Emseguida, entrega-lhe a píxide ou o cibório com as
hóstias, e juntamente com ele aproxima-se para distribuir a Comunhão aosfiéis.

RITO A SER OBSERVADO PELO MINISTRO EXTRAORDINÁRIO


NA DISTRIBUIÇÃO DA SAGRADA COMUNHÃO

13. O Ministro extraordinário, designadopara distribuir a Santa Comu-


nhão, use a veste litúrgica prevista em sua região ouesteja trajado de modo
condizente com este sagrado ministério.
14. Ao distribuir a Santa Comunhão na Missa, o Ministro mostra a cada um
a hóstia, um pouco elevada, dizendo:
O Corpo de Cristo.

3 Cf. Instr. Immensaecaritatis, 1, n. II e VI.


570 RITO DE COLAÇÃO DO MINISTÉRIO EXTRAORDINÁRIO DA SAGRADA COMUNHÃO
Quem vai comungar responde:
Amém.
E recebe o Sacramento.
Terminada a distribuição da Comunhão, o ministro lava as mãos e retorna
ao seu lugar.

15. Na distribuição da Sagrada Comunhão fora da Missa, o ministro extraor-


dinário seguirá o Rito descrito no Ritual Romano.