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CURSO:

TÉCNICO DE
INFORMAÇÃO E
ANIMAÇÃO TURÍSTICA
UFCD PROCURA E OFERTA
3479
TURÍSTICA

FORMANDO:
Âmbito do manual
O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de
curta duração nº 3479 – Procura e oferta turística, de acordo com o Catálogo
Nacional de Qualificações.

Objetivos
 Identificar e caracterizar as diversas componentes da procura e oferta turística.
Conteúdos programáticos

 Procura turística
o Noção e formas da procura turística
o Característica fundamental da procura turística
o Fatores determinantes da procura turística
o Dimensão e características da procura turística
o Diferentes características e motivações do turista
o Tendências de evolução e a emergência de novos tipos de turismo
o Perspetivas da procura internacional
 Oferta turística
o Definição das características e componentes
o Negócios Turísticos
o Componentes da oferta turística:
 - Componentes da oferta turística de base
 - Transporte
 - Alojamento
 - Restauração e bebidas
 - Visitas guiadas
 - Componentes da oferta turística “complementar”
 - Atracões turísticas
 - Eventos
 - Atividades de animação
 - Conferências e seminários
 - Atividades recreativas e entretenimento
o Produtos Turísticos

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1.A Procura Turística

1.1. Noção e Tipos de Procura Turística

O aumento do nível de vida e o desenvolvimento dos transportes provocou o


desenvolvimento das viagens, levando também a que os analistas tivessem interesse em
estudar a procura turística.

Turismo não é só sinónimo de procura turística, mas esta reflete a importância alcançada
pelos movimentos turísticos – a procura é, do ponto de vista económico, a quantidade
de bens e serviços que as pessoas que se deslocam adquirem num determinado
momento.

Esta corresponde, então, a todos os bens e serviços que os visitantes adquirem para
realizar as suas viagens, expressas em quantidades.

A procura turística pode ser vista em diferentes perspetivas:

a) Procura Física
Corresponde às deslocações no âmbito das definições do conceito de visitante (critério
fronteira). A procura é constituída pelos fluxos turísticos medidos pelas chegadas às
fronteiras e pelas dormidas nos meios de alojamento de um país.

b) Procura Monetária
Na vertente monetária, a procura turística é expressa pelo valor do conjunto dos
consumos realizados pelos visitantes - as receitas turísticas; são todos os gastos
relacionados com a viagem.

Corresponde à soma das receitas de origem externa (divisas trazidas pelos estrangeiros)
com os gastos efetuados pelos residentes nas viagens dentro do país.

c) Procura Geográfica

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Os movimentos turísticos gerados num determinado espaço geográfico: locais de origem
e destinos. Nesta vertente, são analisados os fluxos turísticos, de onde surgem, por onde
passam e para onde se dirigem.

d) Procura Global
Ao nível de um país, a procura global é avaliada pela “taxa de partida”: relação entre a
população total e a sua parte desta que passa férias, ou que tem propensão para viajar.

Na procura global podemos distinguir dois grupos:

Procura Efetiva – percentagem de população que efetivamente faz turismo numa


determinada altura; é a procura efetiva que aparece nos dados estatísticos.
Procura Suprimida – divide-se em dois grupos:

1) Procura Potencial: parte da população que numa dada altura não viaja por
qualquer motivo, mas com condições para viajar no futuro caso os motivos de
impedimento à viagem sejam alterados.
2) Procura Diferida: inclui todos aqueles que não viajam por falta de
oportunidade/condições.

1.2.Característica fundamental da procura turística


O homem atua na esfera económica com o único fim de obter plena satisfação para
necessidades que crescem ininterruptamente.

De acordo com Maslow, o homem é um animal insatisfeito a ainda mal satisfez uma
necessidade já uma outra a substituiu.

O processo é contínuo e apresenta se em degraus sucessivos, isto é, segundo uma


hierarquia de importância:
 No fundo da escala encontram se as necessidades fisiológicas que correspondem
à razão de viver: fome, repouso, exercício, amor, habitação e proteção contra os
elementos;

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 Depois surgem as necessidades de segurança que constituem um desejo de
proteção contra o perigo, a ameaça e a privação;
 Em seguida, o homem deseja satisfazer necessidades sociais como a posse, a
associação, a integração em grupo a de ser aceite pelos seus semelhantes;
 A necessidade de estima respeita à confiança em si próprio, a independência, a
competência, o saber. Esta necessidade tem a ver com a reputação, a condição
social, a consideração, o respeito dos outros que induz a pessoa a procurar o
reconhecimento do seu próprio valor ou das coisas a que atribui valor;
 No topo da hierarquia encontram se as necessidades de auto realização, isto é,
a realização das aspirações do indivíduo;

Esta hierarquia pode ser apresentada segundo uma pirâmide de necessidades.

Consequências da concentração

A concentração do turismo origina problemas de difícil solução que têm de ser tomados
em consideração no processo de desenvolvimento turístico. Alguns dos problemas são
inerentes, logo não elimináveis, mas podem ser atenuados.

 Sazonalidade
A sazonalidade origina problemas para as empresas, para a administração pública, para
os trabalhadores e para os turistas.

Para as empresas turísticas, a sazonalidade provoca a subutilização em épocas baixas;


por vezes onde terão de equipar os empreendimentos de modo a serem atrativos nestes
períodos. Surgem daí também problemas de tesouraria, por exemplo, muitos hotéis têm
mais dificuldades financeiras nesta altura pelos investimentos feitos para atrair mais
turistas.

A administração pública tem que fazer investimentos em infraestruturas para que não
sejam estrangulados os serviços básicos em épocas altas (ex. fornecimento de energia,
água, vias de comunicação em época alta). O mesmo se aplica aos serviços públicos e
o seu reforço nas épocas altas (ex. correio, transportes, segurança).

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Outro problema da sazonalidade na procura, que afeta os turistas, está ligado aos
trabalhadores de serviços turísticos: os trabalhadores fixos são sujeitos a um maior
desgaste e pressão (pior desempenho), enquanto os trabalhadores temporários podem
estar mal preparados para a sua função.

 Concentração no espaço
Acontece quando a procura é concentrada em origens, o que é comum à maior parte
dos destinos, cuja procura está dependente de dois ou três mercados.

Exemplo: em 2000, 65% das dormidas hoteleiras no Algarve são de britânicos e alemães,
que são também 50% das dormidas totais do país. Assim a economia de um momento
para o outro pode ficar abalada se acontecer algum problema nestes países de origem

Por outro lado, a demasiada concentração de construção para turismo num determinado
local/área/região pode por em causa a mesma, a sua capacidade de carga e o seu
sistema ambiental.

A concentração também origina desequilíbrios regionais. Em Portugal, são evidentes os


desequilíbrios Norte/Sul e Litoral/Interior, que provocam também uma fraca distribuição
dos benefícios do turismo.

 Atrativos:
Existem concentração neste aspeto quando um determinado pais ou região tem maior
número de atrativos face a outro. Existe cada vez menor dependência de atrativos
históricos e monumentais em virtude do aparecimento de equipamentos espetaculares
que se transformam em recursos turísticos.

Exemplo: os parques temáticos e de diversão (Disney World e Magic Kingdom, Florida,


Sun City – África do Sul ) dão origem a verdadeiras “industrias” do turismo: complexos
de hotéis, restaurantes, comércio, equipamentos desportivos, agências de viagens,
guias, etc. Estes espaços tornam-se autónomos face a recursos históricos ou naturais.

1.5.As Motivações e a sua Influência no desenvolvimento da

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procura turística

O sucesso de um negócio turístico depende, em grande parte, da capacidade de resposta


às necessidades e preferências dos consumidores.

A capacidade de resposta depende do conhecimento dos motivos que levam as pessoas


a viajar, o que implica a compreensão do comportamento dos turistas e das razões das
suas decisões.

Uma forma de conhecer os motivos que levam as pessoas a viajar deriva dos inquéritos
realizados, junto dos consumidores em geral e, em particular, dos próprios turistas
através dos quais se obtêm informações sobre os seus desejos, necessidades, gostos e
preferências.

Os resultados desses inquéritos podem indicar motivos do domínio do subconsciente e


não podem ser determinados facilmente, mas apesar disso, indicam sempre uma
tendência geral e constituem o modo mais adequado para conhecer o modo de agir dos
turistas.

Os motivos que levam o homem a deslocar-se são variados e complexos e dependem


de uma gama diversificada de fatores desde os psicológicos aos económicos e culturais.

A internacionalização e as interdependências da vida económica, política e cultural


provocam uma forte movimentação de pessoas cujas motivações são facilmente
identificáveis sendo comuns a todos os viajantes de todas as nacionalidades.

Já o mesmo não se passa relativamente às deslocações realizadas durante os tempos


livres que têm na sua origem motivações complexas e diferenciadas.

As razões que levam as pessoas a viajar assumem nuns casos carácter de obrigação,
noutros um carácter de satisfação pessoal. Podemos distinguir entre:
 Motivações constrangedoras (negócios, reuniões, missões, saúde, estudos)
 Motivações libertadoras (férias, desportos, repouso, cultura)
 Motivações mistas

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Para além destas a OMT (Organização Mundial do Turismo) classifica as motivações em
duas categorias que estão na origem das imagens que se fazem de um destino:
 Motivações de tipo racional: a confiança, a segurança, a poupança, a
tradição, o conformismo e o modernismo;
 Motivações de tipo afetivo: a curiosidade, a novidade, a simpatia, o
maravilhoso, a afetividade, a liberdade e a amizade.

A variedade de motivações que originam as deslocações leva a admitir que o turismo


não tenha motivações próprias já que todas as que é possível identificar são comuns a
todas as formas de atividade humana podendo, mesmo, identificar-se motivações
opostas em função das necessidades de cada momento de partida ou em função das
características pessoais de cada viajante.

Por vezes, o que leva as pessoas a viajar ou a escolher determinados destinos são
fenómenos coletivos de moda ou imitação. São motivações coletivas que têm origem em
fatores coletivos e não em fatores individuais.

Porém, desde sempre o homem procurou descobrir coisas novas: novos locais, novas
paisagens, novas civilizações. A procura da diversidade e da variedade foi sempre uma
das características dominantes do comportamento humano a que, hoje, o turismo
permite dar uma satisfação em condições inexistentes no passado.

Pode, então, dizer-se que o que melhor caracteriza o turismo é a sua faculdade de
permitir a satisfação da necessidade de diversidade e o que distingue o turismo das
restantes atividades é a necessidade de deslocação temporária do homem.

A busca da diversidade, de qualquer coisa de novo, de diferente, constitui o motor da


evolução humana, social e cultural surgindo logo após a satisfação das necessidades
fundamentais. Esta é a base geral das motivações que levam à deslocação durante o
tempo livre.

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Com base nestas considerações podemos concluir que o turismo se deve orientar pelo
princípio básico de manter e valorizar as diferenças culturais, conceptuais e
arquitetónicas.

A tendência turística para a uniformização descaracteriza e destrói as diferenças, o que


acaba por ser prejudicial para o próprio turismo porque deixa de corresponder à
motivação essencial da procura.

Motivações por afinidades


1. Motivos culturais e educativos
a. Ver como vivem as pessoas de outros países e locais;
b. Ver curiosidades e coisas novas;
c. Melhor compreender a atualidade;
d. Assistir a manifestações especiais;
e. Ver monumentos, museus, centros arqueológicos e outras civilizações;
f. Estudar.

2. Divertimento e descanso
a. Escapar à rotina;
b. Passar o tempo agradavelmente;
c. Repousar;
d. Fazer o que quiser, ser livre.

3. Saúde
a. Recuperar da fadiga física e mental;
b. Fazer tratamentos;
c. Cuidar da saúde, prevenir as doenças.

4. Razões étnicas
a. Visitar o berço familiar;
b. Visitar os locais que a família ou os amigos já visitaram;
c. Visitar parentes e amigos.

5. Sociológicas e psicológicas

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a. Aprender a conhecer o mundo;
b. Snobismo;
c. Conformismo;
d. Aventura.

6. Climatéricas
a. Escapar às condições climatéricas adversas;
b. Tomar banhos de sol;
c. Praticar desportos de Inverno.

7. Profissionais e económicas
a. Participar em reuniões, congressos, missões, exposições, feiras;
b. Realizar estudos;
c. Desenvolver ou realizar negócios.

8. Diversas
a. Participar em reuniões políticas;
b. Praticar atividades desportivas;
c. Retomar a forma.

Os diversos motivos que levam as pessoas a viajar coincidem, frequentemente, na


mesma pessoa embora uns predominem com mais intensidade do que outros. São as
motivações a que chamamos enérgicas, isto é, que exercem uma influência
determinante na decisão de viajar.

Tipologia dos turistas

MODELO DE STANLEY PLOG


Stanley Plog (Cientista Social) criou uma nova tipologia do carácter dos turistas,
identificando dois grupos opostos: psicocêntricos e alocêntricos.
 Psicocêntricos: agrupam os turistas que concentram o seu comportamento nas
suas pequenas preocupações pessoais e têm um limitado interesse pelo mundo
exterior. Na eleição dos seus destinos turísticos preferem encontrar o que já
conhecem, preferem os locais mais frequentados e têm reduzida preocupação

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em desenvolver atividades que os desviem da normalidade. São mais passivos
do que cativos.
 Alocêntricos: são os turistas que se interessam por um grande número de
atividades, desejam descobrir o mundo e manifestam uma curiosidade geral por
tudo quanto os cerca. Distinguem-se pelo desejo de aventura e pela curiosidade.

Entre estas duas categorias extremas encontra-se a maioria da população turística que
se reparte por três categorias intermédias: os quase-psicocêntricos, os cêntricos e
os quase-alocêntricos.

Psicocêntricos
o Destinos que não perturbem o seu modo de vida;
o Atividades recreativas pouco originais;
o Turismo sedentário;
o Destinos acessíveis por automóvel;
o Instalações e equipamentos turísticos tradicionais;
o Viagens organizadas, estruturadas e bem preparadas.

Quase-psicocêntricos
o Satisfação do ego e procura de “status”;
o Procura de conforto social;
o Visitas a locais muito frequentados ou mencionados pelos meios de
comunicação social.

Cêntricos
o Descontração e prazer: simples diversão e entretenimento;
o Clima, sol, termas;
o Mudança durante algum tempo;
o Oportunidade de fugir aos problemas diários;
o Atracão real ou imaginária do destino;
o Gratificação sensual: gastronomia, descanso, conforto, bebida;
o O prazer de viajar e a apreciação da beleza: parques naturais, lagos,
montanhas;
o Compras para recordações e ofertas;

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o O prazer sentido antes e depois da viagem: planeamento da viagem,
aprendizagem, sonho e, posteriormente, o prazer de mostrar fotografias,
recordações e de descrever a viagem.

Quase-alocêntricos
o Participar em certames ou atividades desportivas;
o Viagens de tipo desafio: explorações, alpinismo, passeios a pé,
peregrinações;
o Viagens de negócios, congressos, reuniões, convenções;
o Visitas a teatros, espetáculos especiais;
o Oportunidades de experimentar um estilo de vida diferente.

Alocêntricos
o Regiões não desenvolvidas turisticamente;
o Novas experiências e descobertas;
o Destinos “diferentes”;
o atividade desdobrante durante a estada;
o Viagens de organização flexível;
o Atrativos educacionais e culturais;
o Procura do exótico;
o Satisfação e sensação de poder e liberdade;
o Melhoria de perspetivas.

Os grupos alocêntrico e quase-alocêntrico constituem o primeiro segmento de


mercado a ser atraído para um novo destino turístico que pretende crescer e
desenvolver-se.

O segmento cêntrico, que se calcula abranger à volta de 60% da população turística


global, é, pelas suas características e dimensão, o mais significativo para fomentar o
desenvolvimento e crescimento dos empreendimentos turísticos de grande escala.

Os psicocêntricos despendem a quase totalidade do seu tempo e dos seus recursos


nos empreendimentos que utilizam, não contribuindo para o desenvolvimento do centro
turístico mas contribuindo para o aumento da sua frequência.

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A ligação entre os tipos de turistas e os tipos de destinos fornece um método para prever
o comportamento das viagens mas duas coisas têm de ser observadas:
 Um turista pode viajar por motivos diferentes de uma viagem para a outra;
 Um determinado destino pode garantir uma variedade de experiências que
podem satisfazer um grande número de turistas dependendo da forma como a
viagem for organizada.

Realização de um Trabalho de Grupo.

1.6.Tendências de evolução e a emergência de novos tipos de


turismo

A diversidade de motivações turísticas traduz-se por uma diversidade de tipos de


turismo. Como as regiões e os países de destino apresentam também uma grande
diversidade de atrativos, a identificação dos vários tipos de turismo permite avaliar a
adequação da oferta existente ou a desenvolver às motivações da procura.

Embora as razões que levam os homens a viajar sejam extremamente variadas e, muitas
vezes, se misturem na mesma pessoa, é possível distinguir certos tipos de turismo e
agrupando por afinidades os motivos de viagens, podem destacar-se os tipos a seguir
enumerados que, porém, não esgotam todos os que se podem identificar nem
estabeleçam uma barreira entre eles.

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TURISMO
RELIGIOSO

TURISMO TURISMO DE
ÉTNICO RECREIO

TURISMO DE TIPOS DE TURISMO


SAÚDE TURISMO CULTURAL

TURISMO TURISMO
POLÍTICO DESPORTIVO

TURISMO DE
NEGÓCIOS

Turismo de recreio
Este tipo de turismo é praticado pelas pessoas que viajam para «mudar de ares», por
curiosidade, ver coisas novas, desfrutar de belas paisagens, das distrações que oferecem
as grandes cidades ou os grandes centros turísticos.

Algumas pessoas encontram prazer em viajar pelo simples prazer de mudar de lugar,
outras por espírito de imitação e de se imporem socialmente.

Este tipo de turismo é particularmente heterogéneo porque a simples noção de prazer


muda conforme os gostos, o carácter, o temperamento ou o meio em que cada um vive.

Turismo de repouso
A deslocação dos viajantes incluídos neste grupo é originada pelo facto de pretenderem
obter um relaxamento físico e mental, de obterem um benefício para a saúde ou de
recuperarem fisicamente dos desgastes provocados pelo «stress», ou pelos

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desequilíbrios psicofisiológicos provocados pela agitação da vida moderna, ou pela
intensidade do trabalho.

Para eles, o turismo surge como um fator de recuperação física e mental e procuram,
por via de regra, os locais calmos, o contacto com a natureza, as estâncias termais ou
os locais onde tenham acesso à prestação de cuidados físicos como as modernas health
farms, ou beauty/arms.

Constituem um importante segmento de mercado, principalmente originário dos grandes


centros urbanos, que não desdenha a animação, os desportos e a recreação.

Turismo cultural
As viagens das pessoas incluídas neste grupo são provocadas pelo desejo de ver coisas
novas, de aumentar os conhecimentos, de conhecer as particularidades e os hábitos
doutras populações, de conhecer civilizações e culturas diferentes, de participar em
manifestações artísticas ou, ainda, por motivos religiosos.

Os centros culturais, os grandes museus, os locais onde se desenvolveram no passado


as grandes civilização do mundo, os monumentos, os grandes centros de peregrinação
ou os fenómenos naturais ou geográficos constituem a preferência destes turistas.

Incluem-se neste grupo as viagens de estudo, bem como as realizadas para aprender
línguas.

Turismo desportivo
Hoje as motivações desportivas respeitam a camadas cada vez mais vastas das
populações de todas as idades e de todos os estratos sociais, quer se trate de assumir
perante as atividades desportivas uma atitude passiva, quer ativa.

No primeiro caso, o objetivo da viagem é o de assistir às manifestações desportivas


como os jogos olímpicos, os campeonatos de futebol, os jogos de inverno; no segundo,
o objetivo centra-se nas práticas de atividades desportivas como a caça, a pesca, os
desportos náuticos, o alpinismo, o ski, o ténis, o golfe, etc.

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As modernas tendências da procura, em que a preferência pelas férias ativas assume
uma importância cada vez maior, obrigam a que o desenvolvimento de qualquer centro
turístico deva ser equipado com os meios mais apropriados à prática dos desportos tendo
em consideração as possibilidades de cada local.

Turismo de negócios
As profissões e os negócios têm como consequência movimentos turísticos importantes
e de grande significado económico, hoje extraordinariamente desenvolvido pelo
crescente grau de internacionalização das economias e das empresas, pelo aumento das
reuniões científicas e pela proliferação de manifestações de divulgação de produtos,
como as feiras e as exposições.

Do mesmo modo, constituem frequentemente ocasiões para viajar as visitas aos grandes
complexos industriais ou técnicos e às explorações agrícolas ou pecuárias bem como a
participação em congressos.

Incluem-se neste grupo as deslocações organizadas pelas empresas para os seus


colaboradores, quer como prémio, quer para participarem em reuniões de contacto com
outros que trabalham em locais ou países diferentes: as chamadas «viagens de
incentivo».

Este tipo de turismo assume um elevado significado para os locais ou países visitados
na medida em que, regra geral, as viagens são organizadas fora das épocas de férias e
pagas pela empresa, ou pela instituição a que os viajantes pertencem.

Implica, contudo, a existência de equipamentos e serviços adequados, tais como salas


de reuniões, centros de congressos, espaços para exposições e facilidades de contactos
internacionais.

O Turismo de negócios engloba, assim: Viagens de Negócios Individuais / Congressos e


Convenções / Feiras, Exposições e Salões Especializados / Seminários e Reuniões de
Empresa / Conferências e Colóquios / Incentivos e Workshops.

Turismo político

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A participação em acontecimentos ou reuniões políticas provocam uma movimentação
significativa de pessoas, quer se trate de ocasiões esporádicas, quer de reuniões ou
acontecimentos regulares.

São exemplos das primeiras as comemorações do duplo centenário da Revolução


Francesa, em Paris, os funerais do Imperador do Japão, ou, mais distante, a coroação
da Rainha de Inglaterra; são exemplos das segundas as reuniões originadas pelos
trabalhos da União Europeia em Bruxelas, ou pelo Parlamento Europeu em Estrasburgo.

São, porém, casos específicos que não traduzem a realidade dos movimentos das
pessoas por razões políticas já que, diariamente, eles se verificam com maior ou menor
intensidade, quer interna, quer internacionalmente.

Tem características e efeitos semelhantes ao turismo de negócios e exige ainda


condições idênticas, necessariamente acrescidas de uma organização mais cuidada por
razões diplomáticas e de segurança.

Turismo de Saúde

Termalismo
O termalismo é praticado desde, pelo menos, os tempos da ocupação romana. As
qualidades terapêuticas das águas foram desde então utilizadas, tendo atingido, a
nível europeu o seu maior desenvolvimento, nos séculos XVIII e XIX.

A permanência, durante um certo período de tempo, nas termas, oferece a imagem


tranquilizadora de cuidados sérios com a saúde, fazendo, atualmente, as termas um
esforço para se adaptarem às novas exigências científicas e tecnológicas da nossa
época.

Paralelamente a este esforço de modernização assiste-se ao aparecimento de novos


produtos designados “Fitness” ou “Manter a Forma”, que complementam os
tradicionais produtos para clientes que buscam a cura de um determinado tipo de
doença.

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Os clientes dos produtos “Fitness” desejam encontrar o equilíbrio mais intensivo, uma
vez que engloba aspetos físicos, psicológicos e sociológicos. Trata-se de um bem-
estar que se liga a sentimentos de reequilíbrio e de vitalidade, ou seja, manter a
unidade do corpo e do espírito, para além das adversidades da vida.

Turismo Religioso
De forma a simplificar podemos afirmar que existem duas grandes correntes
religiosas:
 As religiões para as quais a peregrinação faz parte integrante da prática
religiosa (católicos, muçulmanos e budistas). Estas religiões, em particular a
católica, criaram organizações para encorajar e facilitar a sua prática.
 As religiões para as quais a peregrinação não existe mas cujos crentes,
praticam pelo menos uma forma de turismo ligada à religião – os Judeus e os
Protestantes visitam locais que guardam as marcas dos seus correligionários:
lugares de memória que são em geral, lugares de peregrinação.

O Turismo religioso tem normalmente três tipos de abordagem:


 A abordagem espiritual – o turismo é um meio do indivíduo se aproximar
de DEUS. O participante encara a peregrinação como parte integrante da sua
prática religiosa. Aquele que realiza esta viagem pode, a qualquer instante,
tocado pela emoção do lugar ou pelo espírito que o habita, converter-se a esta
fé.
 A abordagem sociológica – o turismo religioso é um meio para o crente
conhecer melhor a história do grupo a que pertence.
 A abordagem cultural – a visita a lugares de culto e a santuários é um
modo do indivíduo, crente ou não, compreender as religiões, que influenciam
as nossas sociedades, no plano histórico, sociológico e simbólico.

Turismo étnico e de carácter social


Incluem-se neste grupo as viagens realizadas para visitar amigos, parentes e
organizações, para participar na vida em comum com as populações locais, as viagens
de núpcias ou por razões de prestígio social.

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Uma parte significativa de pessoas que integra este grupo é formada por jovens que
pretendem aumentar os seus conhecimentos ou, temporariamente, se integrarem em
organizações ou manifestações juvenis.

Incluímos neste grupo as viagens realizadas ao país de origem, pelos nacionais de um


país, seus descendentes e afins residentes no estrangeiro e que, em muitos casos,
constitui um mercado de grande dimensão.

Os portugueses e seus descendentes, residentes em França ou nos Estados Unidos da


América, constituem vastos mercados potenciais para Portugal com uma disponibilidade
para serem motivados, incomparavelmente superior à dos nacionais desses países.

Nas fronteiras portuguesas não se procede à recolha de informações relativas aos


movimentos dos portugueses residentes no estrangeiro, não sendo, por isso, possível
avaliar a importância que assumem para o turismo português.

No entanto, em Espanha contam-se, em cada ano, à volta de 4 milhões de entradas de


espanhóis residentes no estrangeiro, ou seja, o quarto maior fornecedor de visitantes ao
país; por sua vez, quase 5 milhões de britânicos deslocam-se anualmente ao estrangeiro
para visitar amigos e parentes.

Novos produtos turísticos


O Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT), uma iniciativa do Governo, da
responsabilidade do Ministério da Economia e da Inovação, define as ações para o
crescimento sustentado do Turismo Nacional nos próximos 10 anos, e orienta a atividade
do Turismo de Portugal, a entidade pública central do sector.

Portugal dispõe das "matérias-primas" – condições climatéricas, recursos naturais e


culturais – potenciadoras do desenvolvimento e consolidação de 10 produtos turísticos
estratégicos:
 Sol e Mar
 Touring Cultural e Paisagístico
 City Break
 Turismo de Negócios

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 Turismo de Natureza,
 Turismo Náutico
 Saúde e Bem-estar
 Golfe
 Resorts Integrados e Turismo Residencial
 Gastronomia e Vinhos.

Os produtos turísticos estratégicos foram selecionados tendo em conta os recursos e


os fatores distintivos de Portugal, mas também o seu potencial de crescimento futuro.

1.7.Perspectivas da procura internacional

A análise da evolução da procura turística, avaliada pela chegada de turistas e todos os


países do mundo e pelos respetivos gastos (receitas turísticas), permite destacar a
conclusão de que se tem registado um crescimento contínuo desde 1950.

Em 50 anos, a procura turística internacional multiplicou-se quase 28 vezes, e nos


últimos 10 anos foi acrescida de mais de 20 milhões de novos turistas em cada ano.

Apesar da evolução da procura turística se ter alargado a todos os continentes e a todos


os pontos do globo, nem todas as regiões e nem todos os países beneficiam igualmente
do turismo.

A procura turística internacional não se reparte igualmente por todas as zonas do mundo.
Algumas revelam grande capacidade de atracão dos fluxos turísticos enquanto outras
têm uma fraca participação nessas correntes.

A Europa é o continente mais beneficiado pelas correntes turísticas e onde se


concentram mais de metade dos fluxos turísticos mundiais.

A maior parte do turismo internacional que chega à Europa provém de países da própria
região, daí poder afirmar-se que existe o mercado “Europa” dentro da região Europa,
sendo este o mais importante e, por vezes, pouco valorizado.

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Tradicionalmente, as correntes turísticas estabeleceram-se, principalmente, entre o
Norte e as regiões do Sul da Europa em busca do sol e das praias, descanso e diversão.

Desta forma, podemos concluir que os países do Norte da Europa são países
predominantemente emissores de turistas, ao passo que os países do sul da Europa são
predominantemente recetores.

Os mercados de origem dos hóspedes que ocuparam o TOP 5 nacional foram os mesmos
quer o período de referência seja o 4.º trimestre ou o ano completo de 2013.

Em 2013, o Reino Unido liderou o ranking dos mercados estrangeiros, com 1,4 milhões
de hóspedes (17% do total de estrangeiros) e assinalou, face a 2012, um aumento de
7,4% (+95,1 mil hóspedes).

A Espanha, no 2.º lugar, com uma representação de 15% no total de hóspedes


estrangeiros (1,3 milhões), recupera face a 2012 e regista um aumento de 3,6% (+44,2
mil hóspedes).

Alemanha (906,5 mil hóspedes) e França (831,9 mil) ocuparam as 3.ª e 4.ª posições,
com quotas de 11% e 10%, respetivamente, face ao total de hóspedes estrangeiros.
Cada um destes mercados cresceu 12% em relação a 2012, originando um acréscimo
conjunto de 189 mil hóspedes.

O Brasil, no 5.º lugar, originou 529,7 mil hóspedes com um aumento de 7,0% (+34,8
mil hóspedes), face a 2012. Este mercado atingiu uma quota de 6% no total de
estrangeiros.

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Por NUTS II, em 2013, 71% dos hóspedes (10,3 milhões) permaneceram em unidades
hoteleiras localizadas nas regiões de Lisboa, Algarve e Norte.

A região de Lisboa registou 4,3 milhões de hóspedes, na sua maioria estrangeiros (2,9
milhões, ou seja, 68%). A evolução da região (+5,2%) ficou a dever-se ao crescimento
de 8,3% no número de hóspedes estrangeiros, que se traduziu em mais 641,2 mil, já
que os nacionais diminuíram ligeiramente (-0,7%, equivalente a -10,3 mil indivíduos).

O Algarve recebeu 3,2 milhões de hóspedes, dos quais 2,2 milhões (70%) eram
estrangeiros. O número total de hóspedes aumentou na região (+3,6%), motivado pela
evolução dos estrangeiros (+6,3%, ou seja, +131,2 mil). Os residentes decresceram
2,1% (-20,2 mil hóspedes).

A região Norte, com 2,8 milhões de hóspedes, posicionou-se em 3.º lugar. Tanto
hóspedes residentes (1,6 milhões) que representaram na região 57% como estrangeiros
assinalaram aumentos homólogos de 0,8% e 14,7%, respetivamente.

21
2. A oferta turística

2.1.Definição de características e componentes

Definição de oferta turística:

Conjunto dos fatores naturais, equipamentos, bens e serviços que provoquem a


deslocação de visitantes, satisfaçam as suas necessidades de deslocação e de
permanência e sejam exigidos por estas necessidades.

Componentes da oferta turística

 A primeira componente da oferta turística é constituída pelos recursos


naturais. Mas, só pelo facto de existir, um elemento natural não é um recurso
turístico, com capacidade para satisfazer necessidades.
 A atividade turística baseia-se em recursos naturais ou não, ou seja todos os
elementos ou atividades humanas que provoquem a deslocação de pessoas ou
satisfaçam necessidades decorrentes dessa deslocação.

A OMT distingue dois conceitos diferenciados entre si:


 Património turístico – conjunto potencial (conhecido ou desconhecido) dos
bens materiais ou imateriais que estão à disposição do homem e que podem
utilizar-se, mediante um processo de transformação, para satisfazer
necessidades turísticas.
 Recursos turísticos – todos os bens e serviços que, por intermédio da atividade
humana, tornam possível a atividade turística e satisfazem as necessidades da
procura.

O património turístico constitui o elemento fundamental que o homem transforma


em recursos turísticos utilizando meios técnicos, económicos e financeiros.

22
Os recursos turísticos são constituídos pelo património turístico, que, mediante uma
intervenção do homem, se transformam em património utilizável.

Empresas e atividades turísticas primárias ou imediatas


Empresas cuja atividade serve unicamente, ou principalmente, o turismo e somente em
razão do qual existem.

Empresas e atividades turísticas acessórias ou mediatas


Estabelecimentos cuja existência não repousa unicamente no turismo mas que satisfaz
também as necessidades da população local.

Empresas complementares não turísticas


Empresas cuja atividade se desenvolve em função exclusiva das necessidades dos
residentes mas cujas produções também são utilizadas pelos turistas.

Bens e serviços que satisfazem necessidades turísticas

Bens livremente disponíveis


Não sendo bens económicos, por definição, constituem as bases fundamentais da
procura turística: o clima, as paisagens, o relevo, praias, lagos, fontes termais.

Bens imateriais
Resultando da maneira de viver do homem, exercem sobre os outros homens um
fenómeno de atracão: tradições, cultura, exotismo, tipicidade.

Bens turísticos básicos criados


Pelas suas características ou dimensões, provocam o desejo de viagem: monumentos,
museus, parques temáticos, centros desportivos, estâncias termais.

Bens e serviços turísticos complementares


Resultando, em exclusivo, da ação do homem, permitem as deslocações e garantem as
necessidades de permanência: meios de transporte, vias de comunicação, meios de
alojamento, restauração.

23
Tipologia de recursos turísticos

Recursos naturais
Os recursos naturais são todos os elementos do meio natural que podem ser utilizados
para satisfação de necessidades humanas.

Designa-se como núcleos recetores naturais todos os destinos que baseiam a sua
capacidade de geral movimentos turísticos na existência de atracões naturais, ou seja,
não produzidas pela atividade humana.

O quadro seguinte apresenta uma proposta de tipologia dos principais tipos e subtipos
de atracões naturais que se constituem como recursos para o turismo:

TIPOS SUB-TIPOS

Elementos climáticos Sol


Neve

Montanhas Serras
Picos
Morros/ colinas

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Outras formas de Vales
relevo Arribas
Planaltos
Planícies

Formações geológicas Grutas


Jazidas minerais
Vestígios paleontológicos

Hidrografia Rios
Estuários
Lagos/ lagoas
Praias fluviais
Quedas d’água

Zonas costeiras ou Praias


litorais Baías/ enseadas
Falésias
Cabos/ pontas
Dunas

Terras insulares Ilhas


Arquipélagos
Recifes

Florestas Pinhais
Eucaliptais
Soutos

25
Diversos Pântanos
Reservas especiais de flora
e fauna
Fontes hidrominerais/
termais
Áreas de caça e pesca

Recursos culturais
Os recursos culturais constituem os elementos ligados à evolução das civilizações
decorrentes da intervenção humana.

As atracões culturais, desde sempre um dos principais motivadores de deslocações


turísticas, podem ser de natureza material ou imaterial, podendo ainda englobar
equipamentos produzidos exclusivamente com o fim de usufruir de certos elementos ou
testemunhos de índole social, cultural, técnica, científica ou artística.

O quadro seguinte apresenta uma proposta de tipologia dos principais tipos e subtipos
de atracões culturais que se constituem como recursos para o turismo:

Tipos Subtipos

Monumentos Arquitetura militar


Arquitetura civil
Arquitetura religiosa
Arquitetura industrial
Arquitetura vernacular

Sítios Sítios históricos


Sítios arqueológicos
Sítios científicos

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Equipamentos de Museus
pesquisa e lazer Bibliotecas
Arquivos
Institutos históricos e
geográficos

Manifestações, usos e Festas/ comemorações/


tradições populares atividades religiosas
Festas/ comemorações
populares e folclóricas
Festas/ comemorações cívicas
Gastronomia
Artesanato
Feiras e mercados

Realizações técnicas e Exploração agrícola/ pastoril


científicas Exploração industrial
Jardins zoológicos/ aquários/
viveiros
Jardins botânicos
Planetários
Outros

Eventos Congressos e convenções


Feiras e exposições
Realizações desportivas
Realizações artísticas/ culturais
Realizações sociais/ assistenciais
Realizações gastronómicas e
enológicas

Características da oferta turística

27
Constituem características da oferta turística:

 Carácter endógeno;
 Imobilidade temporal e espacial;
 Rigidez relativamente às exigências e alterações da procura turística;
 Esgotamento da produção no ato de consumo: os equipamentos e
instalações turísticas não podem produzir para armazenamento e venda
posterior nem os bens e serviços produzidos podem ser transportados para
serem consumidos noutros locais.

1. Localidades cuja vocação deriva de fatores naturais podendo, em função do


tipo e da natureza desses fatores, classificar-se em:
a. Centros de vilegiatura (estações estivais e de Inverno, parques naturais
e ecológicos);
b. Estâncias de cura (estâncias termais, climáticas, talassoterápicas e de
recuperação);

2. Localidades cuja vocação deriva de fatores culturais:


a. Cidades históricas ou que possuam manifestações culturais;
b. Centros de estudos, tais como as cidades universitárias e de congressos;
c. Localidades com manifestações ou instituições particulares (festivais,
manifestações folclóricas);
d. Centros religiosos.

3. Localidades cuja vocação deriva de infraestruturas de vias de comunicação:


portos, centros de tráfego ferroviário e aeroportuário;

4. Localidades cuja vocação deriva de fatores económicos, tais como os centros


onde existem atividades económicas relevantes a nível nacional ou internacional
e as localidades que possuem manifestações económicas (feiras, exposições);

5. Localidades cuja vocação deriva de fatores políticos, como as capitais e os


grandes centros administrativos e aqueles onde se localizam instituições ou
manifestações políticas especiais;

28
6. Localidades cuja vocação resulta do património construído, tais como os
parques temáticos e centros desportivos.

Oferta turística segundo a sua finalidade

Oferta turística de atracão


Constituída por todos os elementos ou fatores de origem natural ou criados pelo homem
que dão resposta às motivações turísticas, originando uma deslocação.

Oferta turística de recepção


Conjunto dos equipamentos, bens e serviços que permitem a permanência no local
visitado e satisfazem necessidades decorrentes dessa permanência.

Oferta turística de fixação ou retenção


Constituída por todos os elementos que, contendo ou não motivos de atracão,
contribuem para aumentar a permanência dos visitantes ou torná-la mais agradável.

Oferta turística de animação


Todos os elementos, criados pelo homem, suscetíveis de satisfazer necessidades de
recreio ou de ocupação de tempos livres.

Oferta turística de deslocação


Constituída pelo conjunto de infraestruturas, equipamentos e serviços que permitem a
deslocação dos turistas.
 O desenvolvimento turístico de um determinado destino inicia-se com a oferta
de atracão a que se segue a instalação de alguma forma de alojamento que
inicia o processo de dotação da oferta de recepção.
 O desenvolvimento sustentado e a competitividade desse destino só se
asseguram com a dotação dos restantes tipos de oferta e da criação de um
sistema de relações que garanta o seu funcionamento equilibrado.

29
2.2.Negócios Turísticos

Embora algumas atividades (negócios) só existam em função do turismo outras há que


são indispensáveis ao funcionamento deste, embora não existam em função dele,
podendo distinguir-se três níveis de negócios turísticos:

Negócios primários
Compreendem os meios para a realização das viagens, os sistemas de transporte e as
razões para viajar (as atracões), nele se incluindo os transportes, a organização das
viagens, o alojamento, o fornecimento de refeições (catering) e as atracões turísticas.

Negócios secundários
São aqueles que beneficiam diretamente dos gastos dos turistas, normalmente no
destino mas nem sempre, tais como os seguros, os bancos, serviços pessoais
(cabeleireiros, limpeza) ou lojas comerciais.

Negócios terciários
São aqueles cujo benefício resulta indiretamente dos consumos (gastos) dos turistas,
tais como os serviços públicos, a publicidade ou o fornecimento de combustíveis.

Em função da importância de algumas atividades têm para o turismo e sem as quais não
é possível estruturar-se como atividade económica, podem eleger-se os seguintes
principais grupos de atividades ou negócios para o turismo:
 Atracões: parques temáticos, museus, parques nacionais, centros históricos e
arqueológicos, atividades desportivas, balneários terapêuticos e termais, grutas,
casinos;
 Transportes: companhias aéreas, caminhos-de-ferro, transportes rodoviários,
aluguer de automóveis;
 Alojamento: hotelaria, apartamentos, aldeamentos, caravanismo, aldeias de
férias, campismo;
 Alimentação e bebidas; restaurantes, bares, cervejarias, cafetarias;
 Recreio e desporto: golfe, discotecas, ténis, parques aquáticos, piscinas,
espetáculos, mergulho, pesca;
 Mistas: cruzeiros marítimos e fluviais, marinas e portos de recreio, excursões;

30
 Organização de viagens: operadores turísticos, agências de viagens; organização
de conferências, reservas;
 Administração e informação: organismos oficiais de turismo, associações, órgãos
locais e regionais de turismo.

2.3. Componentes da oferta turística

Componentes da oferta turística de base

Transporte
O transporte faz parte integrante do sistema turístico. É o transporte que permite o
acesso ao destino a partir da residência habitual dos visitantes.

Considerando que o meio de transporte turístico é aquele que é utilizado por um visitante
para se deslocar entre o seu lugar de residência habitual e os lugares visitados podemos
classificá-los do seguinte modo:

 Transportes aéreos
o Voos regulares
o Voos não regulares
o Voos de baixo custo
o Outros serviços aéreos
 Transportes marítimos
o Barcos de linhas regulares
o Cruzeiros
o Diversos
 Transportes terrestres
o Caminhos-de-ferro
o Autocarros e outros transportes públicos por estrada
 Serviços regulares
 Serviços não regulares, a pedido
o Veículos privados (até 8 lugares)

31
o Veículos de aluguer
o Outros transportes terrestres

Alojamento
Embora possam existir fluxos turísticos sem alojamento (caso das localidades visitadas
por excursionistas), não é possível estruturar destinos turísticos sem alojamento. O
alojamento é a base essencial do destino turístico e sem o qual este não existe como
tal.

O alojamento turístico apenas representa, para o turista, um meio para desfrutar das
atracões do destino, não constituindo uma atracão.

Por vezes, os meios de alojamento, pelas suas características ou pelas suas tradições e
representações históricas constituem uma atracão em si mesmos exercendo uma função
idêntica à dos outros recurso naturais e patrimoniais.

Os meios e formas de alojamento turístico são muito diversificados e variam de país para
país e de época para época, não sendo fácil encontrar um conceito único e válido
universalmente.

Consideram -se empreendimentos turísticos os estabelecimentos que se destinam a


prestar serviços de alojamento, mediante remuneração, dispondo, para o seu
funcionamento, de um adequado conjunto de estruturas, equipamentos e serviços
complementares.

Não se consideram empreendimentos turísticos:


a) As instalações ou os estabelecimentos que, embora destinados a proporcionar
alojamento, sejam explorados sem intuito lucrativo ou para fins exclusivamente
de solidariedade social e cuja frequência seja restrita a grupos limitados;
b) As instalações ou os estabelecimentos que, embora destinados a proporcionar
alojamento temporário com fins lucrativos, revistam natureza de alojamento local
nos termos do artigo seguinte.

Os empreendimentos turísticos podem ser integrados num dos seguintes tipos:

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a) Estabelecimentos hoteleiros;
b) Aldeamentos turísticos;
c) Apartamentos turísticos;
d) Conjuntos turísticos (resorts);
e) Empreendimentos de turismo de habitação;
f) Empreendimentos de turismo no espaço rural;
g) Parques de campismo e de caravanismo;
h) Empreendimentos de turismo da natureza.

Restauração e bebidas
No ramo dos restaurantes, encontramos várias formas de exploração diversas.

Restaurante tradicional
Designa aquele que tem serviço apenas de comida, sem proporcionar qualquer outra
distração. É o restaurante clássico, com serviço à lista, de mesa redonda, ou com ambos.
Mais ou menos luxo, maior ou menor categoria, de acordo com o tipo de
estabelecimento.

Restaurante típico
Restaurantes que pela cozinha, mobiliário, decoração e eventualmente, pela exibição de
folclore, apresentam no todo um ambiente característico de um país ou de uma região.

Snack-Bar
São estabelecimentos mistos, entre o bar e a restauração. Onde se servem refeições
ligeiras (quentes ou frias), de preparação rápida e a qualquer hora.

Taberna ou tasca
Estabelecimento onde a venda de vinhos é o principal negócio, mas onde algumas vezes
se vendem também pratos típicos regionais ou sanduíches. A decoração é simples, com
a exibição de grandes tonéis e um balcão para atendimento ao cliente, para além de
toscas mesas.

Bar

33
O bar é um estabelecimento confortável, com mesas baixas e cadeiras estofadas ou
tamboretes. A sua principal atividade é a venda e preparação de bebidas, o que inclui
uma oferta mais sofisticada que pode abarcar os cocktails. O bar pode funcionar como
unidade independente ou agregado a uma exploração hoteleira.

Café
Estabelecimentos destinados à venda de café em chávena e bebidas alcoólicas. Na sala,
distribuem-se várias mesas, servidas por empregados que efetuam o transporte das
bebidas em bandejas. Não são estabelecimentos muito luxuosos, mas têm por vezes
uma decoração agradável.

Componentes da oferta turística “complementar”

Atracão turística – qualquer elemento ou fator que provoque a deslocação de pessoas


para fora da sua residência habitual e, por si, ou em conjunto com outros, garanta a
existência de uma atividade turística.

VARIEDADE DE ATRACÇÕES

 Atracões naturais – praias, montanhas, parques naturais, cataratas, rios, etc.


 Atracões criadas pelo homem sem a intenção de atrair visitantes:
catedrais, centros de peregrinação, palácios, centros urbanos, etc.
 Atracões artificiais criadas com o fim de atrair visitantes: parques
temáticos, ecomuseus, casinos, centros de exposições, centros comerciais, etc.
 Eventos especiais e mega eventos: festivais de arte, jogos desportivos,
exposições, aniversários históricos, etc.

PRINCIPAIS NÚCLEOS DE ATRACÇÃO

Núcleos recetores naturais

Reservas Naturais:
Áreas classificadas como de proteção de habitats de flora e fauna tendo por efeito
possibilitar a adoção de medidas que permitam assegurar as condições naturais

34
necessárias à estabilidade ou à sobrevivência das espécies quando estas requerem a
intervenção humana para a sua perpetuação;

Parque Natural:
Áreas naturais, pouco transformadas pela exploração ou ocupação humana que, em
razão da beleza das suas paisagens e da riqueza e representatividade dos seus
ecossistemas, possuem valores ecológicos, estéticos, educativos e científicos cuja
conservação merece uma atenção particular;

Monumento Natural:
Ocorrência natural contendo um ou mais aspectos que pela sua singularidade ou
representatividade em termos ecológicos, estéticos, científicos ou culturais exige a sua
conservação e manutenção da sua integridade;

Paisagem Protegida:
Área com paisagens naturais, seminaturais ou humanizadas, de interesse regional ou
local, resultante da interação harmoniosa do homem e da natureza que evidencie grande
valor estético ou natural;

Jardins:
Áreas constituídas por elementos naturais dispostos por intervenção humana de tal
forma que, pela sua singularidade, representatividade em termos ecológicos ou valor
estético, geram movimentos turísticos.

Núcleos recetores monumentais e culturais


Uma das mais importantes motivações do turismo internacional é o desejo de conhecer
outros povos e o seu modo de vida bem como conhecer as civilizações do passado.

Como o modo de vida de cada povo é influenciado pelas suas tradições, pela cultura e
pela história, os valores artísticos e monumentais fazem parte do turismo como fator de
primeira grandeza.

Arte, Monumentos, Cultura, Cidades, Vilas ou aldeias Históricas.

35
Núcleos recetores religiosos

Os locais de culto constituem, desde a mais remota Antiguidade, grandes centros de


atracão de pessoas podendo dizer-se que, com eles, nasceram as primeiras correntes
turísticas.

Na atualidade os centros religiosos continuam a exercer uma forte atracão, constituindo


destinos turísticos de grande importância.

Núcleos climáticos e hidrológicos

Praias
A procura de “sol e mar” nas décadas de 50 e 60 permitiu o “boom” turístico do Sul da
Europa que, rapidamente, se transformou na região de maior atracão turística mundial.

Estâncias montanhosas de Inverno


Nos últimos 20 anos o esqui transformou-se numa atividade desportiva muito popular
que inclui pessoas de todas as faixas etárias provocando um grande desenvolvimento
turístico das zonas montanhosas onde a queda de neve é mais abundante.

Estâncias hidrológicas e climáticas


As estâncias hidrológicas e climáticas utilizam a água do mar (salgada) e a água de
nascentes (doce), associada ao clima, com fins idênticos: tratamentos e bem-estar. As
primeiras deram origem à talassoterapia e as segundas ao termalismo.

As novas tendências e o alargamento do conceito de turismo de saúde a todo o mundo


e ao mero bem-estar deram, contudo, lugar ao aparecimento e desenvolvimento de
novos conceitos:

Estâncias de saúde (health resort)


Locais onde os visitantes permanecem participando em atividades para melhorar ou
manter a sua saúde. O principal objetivo da estância é o de providenciar uma experiência
de manutenção de saúde num ambiente agradável e o respectivo mercado engloba as

36
estâncias termais (resort spas), os destinos termais (destination spas) e os centros de
tratamento (day spas) que apenas oferecem tratamentos sem alojamento

Destinos termais (destination spas)


São constituídos, simultaneamente, pelo turismo e pela saúde. Atraem as pessoas
interessadas na mudança do seu estilo de vida desfrutando, ao mesmo tempo, de férias.

Estâncias termais (resort spas)


Oferecem geralmente programas de exercícios, hidroterapia, fisioterapia e outros
tratamentos em simultâneo com as atracões que, normalmente, se encontram numa
estância: paisagem, ambiente, alimentação, recreio e atividades desportivas.

Núcleos recetores temáticos


Na aceção comum o turismo temático é um tipo de turismo em que os visitantes são
motivados por um ou vários temas.

O turismo temático é uma forma de turismo que satisfaz, simultaneamente, os seguintes


requisitos:
 Corresponde à busca de novas experiências por parte da procura;
 As atracões resultam principalmente da ação do homem e portanto têm uma
característica predominantemente artificial;
 Resultam da necessidade das regiões menos favorecidas para o turismo
criarem formas de atracão ou de aumentarem a sua competitividade;
 Possuem um carácter marcadamente lúdico de diversão ou de
entretenimento.

Parques Temáticos, Casinos, Compras de ócio, Turismo industrial.

Núcleos turísticos desportivos


O desporto inclui-se, na atualidade, entre as principais razões da deslocação de pessoas
seja para assistir a espetáculos desportivos seja para a prática de uma atividade de
carácter desportivo.
 Turismo desportivo orientado para a utilização de atracões desportivas: golfe,
ténis, esqui, rafting, vela, etc.

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 Estadas em centros desportivos essencialmente para treinos e estágios.
 Viagens para a prática de uma atividade desportiva: escalada, ciclismo,
expedições, trekkings, safaris, automobilismo.

Oferta de vários produtos:


 Linha de produtos ligados ao mar;
 Linha de produtos ligados à natureza;
 Linha de produtos específicos das montanhas;
 Linha de produtos heterogénea.

Eventos especiais e mega eventos


Os mega eventos turísticos são acontecimentos de grande dimensão realizados, por uma
ou mais vezes mas de duração limitada, com o objetivo de promover um destino turístico
a curto e longo prazo.

Os efeitos esperados destes acontecimentos, que em regra exigem a mobilização de


consideráveis meios financeiros, são:
 Aumento da cobertura publicitária e de informação através dos meios de
comunicação internacional e/ou mundial;
 Melhoria e expansão das infraestruturas turísticas e dos serviços de turismo;
 Aumento das atividades promocionais das indústrias do turismo a fim de
capitalizar o ambiente favorável que o acontecimento cria;
 Aumento dos fluxos turísticos durante e após o acontecimento.

Atividades de animação

Animação turística
Todas as atividades que visam contribuir para melhorar ou aumentar as condições de
atracão, constituir um meio para a ocupação dos tempos livres dos visitantes ou para
satisfação das necessidades e experiências decorrentes da sua permanência no local
visitado.

A animação no turismo desempenha um papel importantíssimo no desenvolvimento do


mesmo, através da realização de atividade de entretenimento e/ou lazer. Existem

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inúmeras atividades de animação turística, as quais se podem inserir ou subdividir em
diversos grupos ou tipos.

2.4.Produtos turísticos

Produto turístico – conjunto dos elementos que, podendo ser comercializado, direta
ou indiretamente, motiva as deslocações, gerando uma procura.

Produto turístico:
 Conjunto de elementos tangíveis e intangíveis
o Centrados numa atividade específica
o Centrados num destino específico
 Compreende e combina as atracões catuais e potenciais de um destino
 Compreende as facilidades
 Compreende as acessibilidades

Componentes do produto turístico

A) Recursos turísticos – conjunto dos elementos naturais, culturais, artísticos,


históricos ou tecnológicos que geram uma atracão turística. Neste conjunto
incluem-se os atributos positivos que atraem as pessoas e fortalecem o produto
turístico.
B) Infraestruturas – conjunto de construções e equipamentos exigidos pelo
desenvolvimento de atividades humanas dos residentes e visitantes. São
constituídas por: construções e equipamentos, quer subterrâneos, quer de
superfície; sistemas de fornecimento de água; sistemas de fornecimento de
energia; saneamento básico; estradas, etc.
C) Superestruturas – conjunto de facilidades necessárias para acomo0dar,
manter e ocupar os tempos livres dos turistas: terminais de tráfego; alojamentos;
restauração; animação; centros de congressos; comércio; transportes locais;
outros serviços.

39
D) Acolhimento e cultura – o espírito, as atitudes e os comportamentos
existentes em relação aos visitantes, bem como as manifestações culturais:
música; dança; outras atividades turísticas; desporto; outras formas de
animação.

Nota: o desenvolvimento de todos os elementos que concorrem para o acolhimento


(hospitalidade em sentido amplo) constitui um dos mais importantes aspectos da
atividade turística.
E) Acessibilidade – formado pelos meios de transporte externos, incluindo os
serviços e respetivas tarifas

A criação e promoção de produtos turísticos corresponde ao reconhecimento da


existência de grupos de pessoas, com motivações próprias, que se deslocam por razões
idênticas e possuem idênticas necessidades – Segmentos de mercado diferenciados.

O desenvolvimento do marketing proporcionou este reconhecimento e induziu à


formatação de produtos turísticos pela combinação das diversas componentes da oferta.
 A cada segmento de mercado corresponde um ou mais produtos definidos em
função das condições específicas de cada país ou região;
 Não há produtos turísticos universais, igualmente válidos para cada caso;
 Cada país ou região possui características diferentes que influenciam
diferentemente o produto que lhes respeita;
 Os produtos existentes num país não podem ser transpostos para outro na sua
totalidade.

CICLO DE VIDA DOS PRODUTOS

A conjugação das alterações das preferências e necessidades dos consumidores com as


forças da concorrência conduz a que os produtos se desenvolvam segundo um ciclo de
vida que começa com o seu nascimento, passando pelo seu crescimento até ao seu
desaparecimento.

40
Ciclo De vida do produto turístico

FASE EMBRIONÁRIA
A descoberta ou criação de um novo produto desenvolve-se nos planos técnico,
conceptual e comercial até que possa ser lançado no mercado sob a forma de produto
novo.

Características desta fase:


 Despesas elevadas;
 Risco elevado;
 Lucros negativos.

FASE DE INTRODUÇÃO
Corresponde ao período de penetração no mercado sendo a fase mais crucial em que a
margem entre o sucesso e o fracasso é mínima. O sucesso dependerá da aceitação do
produto e também da política comercial adotada.

Características desta fase:


 Elevados custos;
 Volume de vendas relativamente baixo;
 Lucros negativos ou muito reduzidos.

41
FASE DE CRESCIMENTO
Caracterizada pela aceitação do produto ou serviço pelos consumidores, traduzindo-se
pelo crescimento das vendas e dos lucros.

Características desta fase:


 As despesas de promoção mantêm-se elevadas;
 Surgem os concorrentes atraídos pelo sucesso do produto lançado;
 Começam a manifestar-se erros na gestão das empresas, cujas consequências
vão ser sentidas posteriormente.

FASE DE MATURIDADE
As vendas ainda aumentam mas as taxas de crescimento são cada vez mais reduzidas
entrando num plano de estagnação.

Características desta fase:


 Concorrência torna-se maior;
 Margens de lucro diminuem;
 Preços competitivos da parte da concorrência
 Procura de novas vias para manter a quota de mercado.

SATURAÇÃO
Surge quando as vendas atingem o máximo e o produto ou o serviço alcançou o maior
grau possível de penetração no mercado.

Características desta fase:


 Produtos tornam-se obsoletos dando lugar à inovação de outros produtos que
substituem os anteriores.

DECLÍNIO
A procura reduz-se rapidamente, as despesas de publicidade são baixas e inicia-se a fase
de prejuízos e os produtos tendem a desaparecer e, muitas vezes, com eles, as próprias
empresas.

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Características desta fase:
 Quando um produto entra na fase da saturação é possível evitar o declínio
mediante alterações que o vivifiquem ou o adaptem às novas exigências do
mercado.
 Dá-se, então, uma inovação parcial ao alterar-se um ou mais elementos do
produto e uma inovação total, ou seja, uma renovação, quando se alteram,
simultaneamente, todos os elementos que o constituem.

INOVAÇÃO PARCIAL – corresponde ao prolongamento da vida do produto

RENOVAÇÃO – corresponde a um novo ciclo na vida do produto que tem efeitos


idênticos à sua fase de introdução anterior.

Bibliografia

 Baptista, Mário, Turismo, Competitividade Sustentável. Lisboa: Verbo, 1997

 Cunha, Licínio, Economia e Política do Turismo. Lisboa: McGraw-Hill, 1997

 Cunha, Licínio, Introdução ao Turismo. Lisboa: Verbo, 2003

 Cunha, Licínio, Perspetivas e Tendências do Turismo. Lisboa: Edições


Universitárias Lusófonas, s.d.

 Introduccion al Turismo. Madrid: O.M.T., 1998

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