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LUTO

COMPREENSÃO E APONTAMENTOS
PARA A PRÁTICA DO PSICÓLOGO

LUCIANA ARAÚJO GURGEL


Luciana Araújo Gurgel 2

 Formação em Psicologia pela Universidade Federal do


Ceará;
 Pós-graduação em Psico-Oncologia pela Faculdade de
Ciências Médicas em Minas Gerais;
 Pós-graduação em Saúde Mental e Atenção Psicossocial
pela Faculdade Estácio do Ceará;
 Curso de Aprimoramento em Psicologia Hospitalar pelo
Hospital Universitário Walter Cantídio;
 Experiência em saúde mental e transtornos psiquiátricos,
oncologia infantil e adulto, terminalidade e luto e cuidados
paliativos.
 Psicóloga clínica e domiciliar.
Programação 3

1. LUTO;

2. FASES DO LUTO;

3. VIVÊNCIA DO LUTO NO DESENVOLVIMENTO HUMANO;

4. REAÇÕES ESPERADAS E TIPOS DE LUTO;

5. PRÁTICA DO PSICÓLOGO;

6. DIFICULDADES.
O LUTO
Luto 5

 Está sempre relacionado com a morte?


 Luto como rompimento de vínculos.
 Estado emocional normal que se caracteriza pelo conjunto
de sinais e sintomas que ocorrem em resposta a separações
e perdas significativas.
 Experiência universal, pessoal e única.
 Importante observar contextos culturais e históricos – visão
da morte (Parkes, 1998).
Luto 6

 DSM IV (2002): luto é caracterizado por uma reação a uma


perda de um ente querido.
 Os sinais e sintomas que podem estar presentes são:
desinteresse, desesperança, desânimo, choro fácil, baixa
autoestima, sentimentos de arrependimento e culpa, tédio,
tristeza, distúrbios do sono e da alimentação, lentidão
motora, perda da libido, dificuldades de atenção e de
concentração e ideação suicida.
 É importante observar que os sintomas são os mesmos da
depressão e, por isso, algumas pessoas, quando passam por
um período de luto, podem ser diagnosticadas como
depressivas.
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O luto pela perda de uma pessoa amada é


a experiência mais universal, e ao mesmo
tempo, mais desorganizadora e assustadora
que vive o ser humano. O sentido dado à
vida é repensado, as relações são refeitas a
partir de uma avaliação do seu significado,
a identidade pessoal se transforma. Nada
mais é como costumava ser. E ainda assim
há vida no luto, há esperança de
transformação, de recomeço.

(FRANCO, 1994)
8

O luto é um processo de
elaboração e resolução de
uma perda real ou fantasiosa
pelo qual todas as pessoas
passam em vários momentos
da vida, com maior ou menor
sucesso.

(FRANCO, 1994)
Quem passa pelo luto? 9

 Aquele que perde algo ou alguém.


 Perda de um filho, do cônjuge, dos pais, de outros familiares,
de amigos, entre outros.
 Perda por acidentes, por suicídio.
 Perdas “ambíguas”: desaparecidos (ausência física e
“presença psíquica”), Alzheimer (presença física e “ausência
psíquica”)
 Outras perdas: saúde, parte do corpo, animal de estimação,
emprego, etc.
Determinantes do luto 10

 São fatores significativos que influenciam a maneira como as


pessoas vão vivenciar o processo de luto:
1. Identidade e papel da pessoa perdida;
2. Idade e sexo do enlutado;
3. Causas e circunstâncias da perda;
4. Circunstâncias sociais e psicológicas que afetam o
enlutado na ocasião da perda e depois dela;
5. Personalidade do enlutado especialmente sua
capacidade para estabelecer relações amorosas e para
reagir a situações estressantes.
Fatores de risco na população 11

 Morte prematura;  Não participação nos rituais


 Morte inesperada; de funeral;
 Morte violenta;  Inexistência de crença
após a morte;
 Existência de segredo ou
desconhecimento das causas  Fatores predisponentes no
e/ou circunstâncias da morte; enlutado: ser jovem, ter
 Padrões de relacionamento baixa autoestima,
excelente, dependente e inexperiência de perdas
instável ou ambivalente; anteriores;
 Vivência de outras perdas na  Ausência de suporte social;
época da morte;
 A morte relacionada à
 Enlutado ser do sexo sobrevivência do enlutado.
masculino;
FASES DO LUTO
Estudos sobre o luto 13

 Bowlby – Teoria do Apego

 Parkes – pesquisa com Viúvas

 Worden – Terapia do Luto

 Kübler-Ross – Sobre a Morte e o Morrer


Kübler-Ross 14

 A médica Elizabeth Kübler-Ross (2008) desenvolveu, nos anos


60, vários trabalhos envolvendo pacientes “moribundos”.
 Seus trabalhos, pioneiros nessa área, consistiam na escuta e
na observação de pacientes terminais e de seus familiares
na elaboração do luto. (LIMA NETO, 2012).
 “Sobre a Morte e o Morrer”: identifica diversas reações que o
paciente pode apresentar ao se deparar com a
possibilidade da morte próxima e destaca a importância de
uma escuta compassiva, capaz de ajudar o sujeito e os seus
familiares a lidar com todas as emoções conflitantes que
emergem nesta experiência, de forma a favorecer, se
possível, a aceitação madura deste momento.
Kübler-Ross 15

 Kubler-Ross enquadra as reações e as classifica em cinco


estágios.
 Didáticos: não surgem na ordem apresentada e podem
coexistir dois ou mais estágios ao mesmo tempo.

1. Negação
2. Raiva
3. Barganha
4. Depressão
5. Aceitação
Kübler-Ross 16

1. NEGAÇÃO
 É comum que o ser humano não aceite fatalidades em sua
vida.
 Existe uma negação da realidade.
 É quando os pacientes querem procurar outros médicos,
repetir os exames. Normalmente, é uma negação
temporária e é seguida por uma aceitação parcial.
 A autora afirma que a negação é importante e saudável.
Kübler-Ross 17

2. RAIVA
 É o primeiro contato com o sofrimento, é a manifestação da
dor de saber o que está acontecendo.
 Nesse estágio, há a possibilidade de aceitação, pois, ao
invés da fuga da realidade (o que acontece na negação),
há aqui uma aproximação da situação (quando o doente
encara a morte).
 A raiva pode ser direcionada para o próprio sujeito, para a
família e para a equipe médica.
Kübler-Ross 18

3. BARGANHA
 Esse estado é o menos conhecido e o mais difícil de ser
percebido, visto que, muitas vezes, acontece em segredo,
no íntimo do doente.
 O estágio ocorre quando o paciente se vê sem domínio da
situação e procura uma solução através de promessas com
Deus ou com algo sagrado.
Kübler-Ross 19

4. DEPRESSÃO
 Nesse estágio de quase aceitação, o doente percebe a sua
finitude e a impossibilidade de realizar seus sonhos e projetos
de vida ainda não realizados.
 Não se trata de depressão psicopatológica, mas de um
momento ligado a perdas futuras de pessoas, objetos,
projetos e valores amados.
 Esse momento é, antes de tudo, uma preparação que serve
como facilitadora para a aceitação da morte. É uma
espécie de luto antecipatório.
Kübler-Ross 20

5. ACEITAÇÃO
 Esse estágio não deve ser confundido com um momento
feliz.
 É o momento da compreensão da finitude, o momento em
que o paciente se despede e fecha questões importantes
com ele mesmo, com o trabalho e com a família.
 Nesse estágio, normalmente, a família precisa de mais apoio
do que o paciente, pois acredita que o paciente está se
entregando.
Kübler-Ross 21

ESPERANÇA
 Segundo Kübler-Ross (2008, p. 143), “a única coisa que
geralmente persiste, em todos estes estágios, é a
esperança.”
 A autora observou que, em todos os estágios, até no de
aceitação, a esperança nunca esteve completamente
ausente (na verdade, ela, a esperança, deve ser assumida,
pois é ela que possibilita o tratamento desses pacientes).
A VIVÊNCIA DO LUTO NO DESENVOLVIMENTO HUMANO
A morte no desenvolvimento humano 23

 A morte e o luto são percebidos de forma diferente em


cada faixa etária;
 Dependem de muitos fatores: relação com quem morreu,
idade, compreensão da morte;
 Necessário compreender o luto e a terapia do luto mais
indicada para cada faixa etária.
A morte no desenvolvimento humano 24

 INFÂNCIA
 Contato com a morte e o luto: morte de uma pessoa
próxima, de um bichinho de estimação, pela TV e jogos
infantis (Kovács, 1992;Vendruscolo, 2004).
 A criança experiência mortes efetivas que a rodeiam,
tentando compreender o que se passa (Kovács, 1992).
 Os adultos tentam evitar o assunto, minimizando o sofrimento
para poupar a criança e utilizando eufemismos e
explicações que muitas vezes a confundem.
A morte no desenvolvimento humano 25

 INFÂNCIA
 Segundo Kovács (1992;p. 48): Ao não falar, o adulto crê
estar protegendo a criança, como se essa proteção
aliviasse a dor e mudasse magicamente a realidade. O que
ocorre é que a criança se sente confusa e desamparada,
sem ter com quem conversar.
 Estas dimensões são correlacionadas com os estágios do
desenvolvimento cognitivo de Piaget (1964; 1967). Nas fases
iniciais do desenvolvimento, a morte é tida como reversível.
 Segundo Nunes e cols. (1998: 581), "a maioria das crianças
saudáveis tem o conceito de morte formado entre os 5 e 7
anos, no período de transição do pensamento pré-
operacional para o operacional concreto."
A morte no desenvolvimento humano 26

 INFÂNCIA
 As pesquisas sobre a aquisição do conceito de morte em
criança são importantes na medida em que enfatizam a
necessidade de falar com elas sobre esse tema, ainda hoje
tabu em nossa cultura (Torres, 1979).
 É importante trazer o tema da morte para uma dimensão
que possa ser assimilada pela criança de acordo com seu
nível de desenvolvimento cognitivo (Kovács, 1992; Torres,
2002a).
 Atendimento individual: expressão de sentimentos e
emoções, compreensão do luto
A morte no desenvolvimento humano 27

 ADOLESCÊNCIA
 Período de transformações. O adolescente sofre muitas
perdas, como as do corpo infantil e da identidade de
criança.
 O adolescente está construindo seu mundo e não há lugar
para a morte (Bessa, 2000; Kovács, 1992).
 O adolescente pode viver mortes concretas - de parentes,
amigos - mas em seu pensamento não é concebível sua
própria morte.
 Esportes radicais, uso abusivo de drogas e álcool, excesso
de velocidade com carros e motos, os "rachas", podem ser
indicativos de que os adolescentes vivem a desafiar a idéia
de morte como algo distante de sua realidade (Kovács,
1992).
A morte no desenvolvimento humano 28

 ADOLESCÊNCIA
 O adolescente já tem a possibilidade cognitiva de
compreender o conceito de morte em suas dimensões:
irreversibilidade, universalidade, não-funcionalidade.
 Levanta hipóteses e discute a morte enquanto tema; porém,
emocionalmente, a morte, nesta etapa do
desenvolvimento, é tida como algo distante (Kovács, 1992).
 Atendimento individual: espaço para expressão, auxílio na
compreensão da possibilidade de morte e riscos vividos que
podem ser evitados.
A morte no desenvolvimento humano 29

 VIDA ADULTA
 O adulto passa por várias situações de perdas cotidianas:
perda de emprego, separações, entre outras, e não apenas
no fim da vida física neste mundo.
 Essas perdas vão servindo de experiência para novas
situações de perda – construção de recursos de
enfrentamento.
 Segundo Bromberg (1998), o adulto requer também
atenção especial sobre sua situação.
 A ansiedade diante da morte é uma revivência de
ansiedades anteriores, relacionadas a perdas e quebras de
vínculos, e não pode ser subestimada.
A morte no desenvolvimento humano 30

 VIDA ADULTA
 Ao tomar consciência da possibilidade imediata da própria
morte, o homem é levado a rever as prioridades e os valores
de sua existência, sendo a consciência da morte reveladora
da insignificância do acúmulo de posses e dos cuidados
cotidianos, presentes muitas vezes de forma inadequada na
vida dos homens.
 De acordo com Kastenbaum e Aisenberg (1983), é a
possibilidade de padecer a aflição física que torna o morrer
um evento tão aversivo.
 A morte em si não é um problema para o paciente, mas sim,
o medo de morrer, que nasce do sentimento de
desesperança, de desamparo e isolamento que o
acompanha – atendimento individual
 Adulto consegue expressar seus temores e angústias –
necessidade de um espaço de expressão
A morte no desenvolvimento humano 31

 VELHICE
 Na sociedade ocidental, a ideia de morte parece ser mais
aceita para o idoso.
 Isto porque as pessoas desta faixa etária, em sua maioria,
completaram todo o processo do desenvolvimento e estão
na etapa final do ciclo vital.
 O idoso é aquele que já cumpriu uma jornada de vida e
estaria pronto para morrer (Boemer, Zanetti & Valle, 1991).
 O medo de morrer é uma experiência individual.
 Cada indivíduo vê a morte e lhe atribui um sentido
A morte no desenvolvimento humano 32

 VELHICE
 Esta visão depende também da sua história de vida, de suas
vivências e aprendizagens, de sua condição física,
psicológica, social e cultural.
 O medo pode ser maior em ambientes desconhecidos,
perigosos ou solitários (Burnside, 1979 citado por Boemer &
cols., 1991), como no caso de hospitais e abrigos para
idosos.
 E quando se faz presente, encerra planos e se constitui
como a única certeza da vida: somos seres mortais.
 Atendimento individual: acolhimento dos sentimentos
presentes pela morte do outro e pela aproximação da
própria morte, auxílio na elaboração da morte.
RELAÇÕES ESPERADAS E TIPOS DE LUTO
Reações esperadas 34

 Sentimentos: tristeza, raiva, culpa e auto recriminação,


ansiedade, solidão, fadiga, desamparo, choque, anseio,
emancipação, alívio
 Sensações: vazio no estômago, aperto no peito, nó na
garganta, sensibilidade ao barulho, sensação de
despersonalização, respiração curta, fraqueza muscular,
falta de energia e boca seca.
 Cognição: descrença, confusão, preocupação, sensação
de presença, alucinações.
 Comportamentos: distúrbios de sono e apetite, sonhos com o
falecido, comportamento “aéreo”, procurar e chamar pela
pessoa falecida, isolamento social, hiperatividade, choro,
evitar coisas e lugares que lembrem a pessoa que faleceu...
35

1. LUTO ANTECIPATÓRIO

Tipos de luto 2. LUTO COMPLICADO

3. LUTO NORMAL
Luto antecipatório 36

 Definido por Worden (apud FONSECA, 2004) como: “aquele


que ocorre antes da perda real e tem as mesmas
características e sintomatologia do processo de luto normal”
 O termo foi utilizado pela primeira vez por Lindemann, em
1944.
 O psicólogo auxilia propiciando espaço de escuta para
compreensão do momento vivenciado e organização de
sentimentos para o presente e futuro.
Luto complicado 37

 O luto é considerado patológico ou complicado quando


não se finaliza após um tempo esperado.
 Há uma variação entre o tempo de luto de uma pessoa para
outra, mas o luto patológico se prolonga bastante, e a pessoa
enlutada apresenta prejuízos nas várias esferas de sua vida.
 O psicólogo auxilia propiciando espaço de expressão de
sentimentos, facilitando o processo de aceitação do luto e o
processo de seguimento das atividades individuais.
Luto normal 38

 Luto Normal x Luto Anormal?


 O que seria?
 Como ter uma reação normal?
 Essa reação normal existe? Pode-se ensiná-la?
 Precisa de acompanhamento?
Luto normal 39

 Luto Normal x Luto Anormal?


 O que seria?
 Como ter uma reação normal?
 Essa reação normal existe? Pode-se ensiná-la?
 Precisa de acompanhamento?

 Parkes (1998): o luto pela perda de uma pessoa amada


“envolve uma sucessão de quadros clínicos que se mesclam
e se substituem... o entorpecimento, que é a primeira fase,
dá lugar à saudade, e esta dá lugar à desorganização e ao
desespero, e é só depois da fase de desorganização que se
dá a recuperação.”
PRÁTICA DO PSICÓLOGO
41

Encontramos um lugar para o que nós


perdemos. Embora saibamos que depois
dessa perda a fase aguda do luto irá
serenar, também sabemos que podemos
ficar inconsoláveis e nunca iremos
encontrar um substituto. Não importa o
que preencha o vazio, mesmo que ele
seja preenchido totalmente, todavia
permanece algo.

FREUD
Prática do psicólogo 42

 Na prática situações de luto podem estar em todas as áreas


de atuação: hospital, clínica, escolar, organizacional,
jurídica, etc.
 É de extrema importância o estudo da temática e
treinamento de desenvolvimento de habilidades para a
terapia do luto.
 O que se deve fazer: acolher, dar a pessoa/família ampla
oportunidade de reagir, acolher as reações (choque,
ceticismo, agressão, ecolalia de palavras).
 O que não se deve fazer: criticar, não acolher as emoções;
dizer frases como: “Deus sabe o que faz”, “Talvez seja
melhor”, “Seja forte”; tratar como algo simples. Ex: outras
pessoas tem problemas mais sérios”; contar casos pessoais.
Prática do psicólogo 43

 O atendimento será um espaço para facilitar o paciente a


processar a perda, estabelecer rede de apoio, busca de
espiritualidade.
 A duração varia de acordo com o tipo de perda, com a
conexão da pessoa que ficou com quem partiu e com a
situação emocional anterior do paciente.
 Oscilação entre momentos de sofrimento e momentos em
que o enlutado segue a vida – sentimentos confusos,
ansiedade, culpa
 É preciso respeitar o processo individual de cada paciente –
procurar o que é vital para aquele paciente.
 Não há um processo universal, pois o luto é individual.
Aconselhamento ao luto 44

 Linguagem evocativa - “Seu filho morreu” versus “Você


perdeu seu filho”. Falar do ente falecido no passado
também pode ajudar.
 Usar símbolos - pedir ao enlutado para trazer fotos do
falecido, cartas por ele escritas, áudios ou vídeos..
 Escrever - esta técnica é útil, pois a pessoa enlutada
expressa seus sentimentos e pensamentos, e isto pode
ajudá-la a cuidar do trabalho inacabado.
 Desenhar - figuras também pode ser útil na expressão dos
sentimentos e pensamentos.
Aconselhamento ao luto 45

 Encenação – encenar situações em que ela sente medo ou


que se sente inadequada é uma das formas de desenvolver
habilidades.
 Imaginação dirigida – facilitar a pessoa a imaginar aquela
que faleceu, tanto de olhos fechados ou visualizando sua
presença numa cadeira vazia.
 Livro de memórias – uma atividade em que a família
enlutada pode fazer é um livro de memórias do familiar que
perdeu. Este livro pode incluir histórias sobre fatos da família,
coisas dignas de serem lembradas como fotografias,
poemas, desenhos feitos por vários membros da família,
inclusive crianças.
Grupos de suporte ao luto 46

 Receber orientações adequadas


 Reduzir o isolamento
 Descobrir meios para a recuperação
 Facilitar a elaboração dos sentimentos
 Incentivar a ajuda mútua
 Viver
Situações críticas 47

 Diagnóstico de câncer;
 Metástase e recidiva;
 Cirurgias mutiladoras;
 Paciente FPTC;
 Óbito: atuação no pós-óbito imediato;
 Necessidade de transplante;
 Doação de órgãos;
 Complicações na gestação;
 Acidentes.
4 tarefas do processo de luto 48

 Worden (1998)
1. Tarefa 01 - Aceitar a realidade da perda.
2. Tarefa 02 - Elaborar a dor da perda.
3. Tarefa 03 - Ajustar-se a um ambiente onde a pessoa
faleceu.
4. Tarefa 04 - Reposicionar em termos emocionais a pessoa
que faleceu e continuar a vida.
4 tarefas do processo de luto 49

 Tarefa 01 - Aceitar a realidade da perda.


 Mesmo que a morte seja algo esperado há a sensação de que
a morte não aconteceu.
 Aceitar a realidade da perda leva tempo.
 Pode existir o comportamento de busca por aquele que
morreu.
 A negação pode variar em graus elevados.
 Mumificação é o termo usado por Geoffrey Gorer para definir
situações onde os familiares deixam os pertences do falecido
prontos para uso. Exemplo: manter o quarto do filho morto por
algum tempo é comum, mas ao permanecer por muitos anos,
torna-se uma forma de negação da realidade da morte.
 Há também quem elimine tudo na tentativa de minimizar a
perda.
 Para ajudar aceitar a realidade da perda, os rituais de
despedida são muito valiosos.
4 tarefas do processo de luto 50

 Tarefa 02 - Elaborar a dor da perda.


 Vivenciar e elaborar a dor física que muitas pessoas sentem
e a dor emocional associada à perda.
 A dor do luto não elaborado pode se manifestar por meio
de alteração na saúde física e emocional.
 Despreparo da sociedade em acolher o sofrimento - "Fique
feliz", "reaja", "não fique de luto".
 Existe a negação individual em elaborar a dor, ou seja, não
sentir a dor.
 A negação da dor faz com que a Tarefa II deixe de
acontecer, não podendo então, elaborar o luto.
 Elaborar o luto não é esquecer o ente querido, mas ajustar-
se a vida sem a presença física da pessoa amada que
morreu.
4 tarefas do processo de luto 51

 Tarefa 03 - Ajustar-se a um ambiente onde a pessoa faleceu.


 Ajustar-se ao ambiente onde está faltando à pessoa que
morreu significa coisas diferentes para diferentes pessoas.
 A rede de apoio é muito importante neste momento.
 A morte de uma pessoa provoca mudanças nos ambientes
onde a convivência com ela acontecia, como o “lugar” do
morto em casa, no trabalho, na escola, no lazer, este lugar
permanecerá “vazio”. Os que ficaram precisam se adaptar
ao ambiente que a perda gerou.
 Ao perder um ente querido é necessário que habilidades
sejam desenvolvidas para adaptar-se ao mundo que ficou.
Para as pessoas que conviviam mais, o ajuste será mais
acentuado.
4 tarefas do processo de luto 52

 Tarefa 04 - Reposicionar em termos emocionais a pessoa


que faleceu e continuar a vida.
 Worden (1998) esclarece que reposicionar é continuar em
contato com os pensamentos e lembranças associados à
pessoa que morreu e fazendo isso de forma que, permita ao
enlutado continuar a sua vida apesar da perda do ente
querido e assim, continuar a reinvestir na vida.
 A tarefa está terminada quando se consegue falar no morto
no dia a dia, de uma forma mais tranquila, sem que
sentimentos intensos sejam despertados.
 Elaborar um luto não significa esquecer o ente querido, ter
um luto elaborado significa que mesmo a perda sendo para
sempre, a pessoa consegue retomar as suas atividades
cotidianas.
Dificuldades na prática 53

 É visível a dificuldade dos profissionais com a temática do


luto.
 Muitos profissionais não sabem como reagir diante da morte
e evitam contato, pois não se sentem preparados para
trabalhar com essa temática.
 Cabe aqui refletirmos se seriam casos de despreparo,
reação emocional momentânea do profissional ou falta de
habilidade profissional.
 Poucas disciplinas ofertadas sobre o luto, tanatologia, morte
e poucos locais de estágio que lidem diretamente com a
temática.
 Há uma necessidade de mais estudos na área.
 Estudos psicológicos na área não são bem divulgados.
 Eventos na área tem crescido mas precisam de maior
visibilidade.
54

(...) tome conhecimento das emoções


do paciente e lide com elas através de
respostas empáticas; apoie o paciente
ouvindo suas preocupações; não
subestime o valor de apenas ouvir e, às
vezes, não faça nada: mas fique por
perto. E como é difícil esse NADA
carregado de ação amorosa e
benéfica.

(SILVA, ??)
Bibliografia 55

 BOWLBY, J. Trilogia Apego, Perda e Separação. São Paulo:


Martins Fontes, 1984.
 FRANCO, M.H.P. (Org.) . Estudos Avançados sobre o Luto. 1.
ed. Campinas: Editora Livro Pleno Ltda, 2002. v. 1. 174 p.
 KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a morte e o morrer. São Paulo:
Martins Fontes, 1996.
 RAIMBAULT, Ginette. A criança e a morte: crianças doentes
falam da morte: problemas da clínica do luto. Rio de
Janeiro: Francisco Alves, 1979.
 FONSECA, José Paulo. Luto antecipatório. Campinas: Ed.
Livro Pleno, 2004.
 PARKES, Colin M. Luto: estudos sobre a perda na vida adulta.
São Paulo: Summus, 1998.
 WORDEN, J.W. Terapia do luto. 2 ed. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1998.
LUTO
COMPREENSÃO E APONTAMENTOS
PARA A PRÁTICA DO PSICÓLOGO

LUCIANAGURGEL@GMAIL.COM
(85) 9 9632-0960

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